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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 9 of 11)

Part 9 of 11 · Unknown author · Public domain text

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Contents (11)

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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 9 of 11)

15 E disse-lhes Jesus: Podem porventura [7] andar tristes [AFI] os filhos das bodas, emquanto o esposo está com elles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, [8] e então jejuarão.

16 E ninguem deita remendo de panno novo em vestido velho, porque similhante remendo rompe o vestido, e faz-se maior o rasgão;

17 Nem deitam vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deitam vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.

A cura da mulher que tinha um fluxo de sangue.

Mar. 5.22-43 e refs.

18 Dizendo-lhes elle estas coisas, eis que chegou um [AFJ] principal, e o adorou, dizendo: Minha filha falleceu agora mesmo; mas vem, impõe-lhe a tua mão, e ella viverá.

19 E Jesus, levantando-se, seguiu-o, elle e os seus discipulos.

20 E eis que uma mulher [9] que havia já doze annos padecia de um fluxo de sangue, chegando por detraz d’elle, tocou a orla do seu vestido;

21 Porque dizia comsigo: Se eu tão sómente tocar o seu vestido, ficarei sã.

22 E Jesus, voltando-se, e vendo-a, disse: [10] Tem animo, filha, a tua fé te salvou. E immediatamente a mulher ficou sã.

23 E [11] Jesus, chegando a casa d’aquelle principal, e vendo os instrumentistas, e o povo em alvoroço,

24 Disse-lhes: [12] Retirae-vos, que a menina não está morta, mas dorme. E riam-se d’elle.

25 E, logo que o povo foi posto fóra, entrou, e pegou-lhe na mão, e a menina levantou-se.

26 E espalhou-se aquella noticia por todo aquelle paiz.

A cura de dois cegos e um mudo.

27 E, partindo Jesus d’ali, seguiram-o dois cegos, clamando, e dizendo: [13] Tem compaixão de nós, filho de David.

28 E, quando chegou a casa, os cegos se approximaram d’elle; e Jesus disse-lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe elles: Sim, Senhor.

29 Tocou então os olhos d’elles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé.

30 E os olhos se lhes abriram. E Jesus ameaçou-os, dizendo: [14] Olhae não o saiba alguem.

31 Mas, [15] tendo elle saido, divulgaram a sua fama por toda aquella terra.

32 E, [16] havendo-se elles retirado, trouxeram-lhe um homem mudo e endemoninhado.

33 E, expulso o demonio, fallou o mudo; e a multidão se maravilhou, dizendo: Nunca tal se viu em Israel.

34 Mas os phariseos diziam: [17] Elle expulsa os demonios pelo principe dos demonios.

A seara, e os ceifeiros.

35 E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, [18] ensinando nas synagogas d’elles, e prégando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e molestias entre o povo.

36 E, vendo a multidão, teve grande compaixão d’elles, [19] porque andavam desgarrados e errantes, como ovelhas que não teem pastor.

37 Então disse aos seus discipulos: A [20] seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.

38 Rogae pois [21] ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara.

[1] Mar. 2.3. Luc. 5.18.

[2] cap. 8.10.

[3] Psa. 139.3. cap. 12.25. Mar. 12.15. Luc. 5.22.

[4] Mar. 2.15, etc. Luc. 5.29, etc.

[5] cap. 11.19. Luc. 5.30. Gal. 2.15.

[6] Ose. 6.6. Miq. 6.6, 7, 8. cap. 12.7. I Tim. 1.15.

[7] João 3.29.

[8] Act. 13.2, 3 e 14.23. I Cor. 7.5.

[9] Mar. 5.25. Luc. 8.43.

[10] Luc. 7.50 e 8.48 e 17.19 e 18.42.

[11] Mar. 5.38. Luc. 8.51. II Chr. 35.25.

[12] Act. 20.10.

[13] cap. 15.22. Mar. 10.47. Luc. 18.38.

[14] cap. 8.4 e 12.16. Luc. 5.14.

[15] Mar. 7.36.

[16] cap. 12.22. Luc. 11.14.

[17] cap. 12.24. Mar. 3.22. Luc. 11.15.

[18] Mar. 6.6. Luc. 13.22. cap. 4.23.

[19] Mar. 6.34. Num. 27.17. Eze. 34.5. Zac. 10.2.

[20] Luc. 10.2. João 4.35.

[21] II The. 3.1.

Os doze e a sua missão.

10 E, chamando os seus doze discipulos, [1] deu-lhes poder sobre os espiritos immundos, para os expulsarem, e curarem toda a enfermidade e todo o mal.

2 Ora os nomes dos doze apostolos são estes: O primeiro, Simão, [2] chamado Pedro, e André, seu irmão; Thiago, filho de Zebedeo, e João, seu irmão;

3 Philippe e Bartholomeo; Thomé e Mattheus, o publicano; Thiago, filho de Alpheo, e Lebbeo, appellidado Thaddeo;

4 Simão Cananita, [3] e Judas Iscariotes, o mesmo que o trahiu.

5 Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: [4] Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos;

6 Mas ide antes [5] ás ovelhas perdidas da casa d’Israel;

7 E, indo, prégae, [6] dizendo: É chegado o reino dos céus.

8 Curae os enfermos, purificae os leprosos, resuscitae os mortos, expulsae os demonios: [7] de graça recebestes, de graça dae.

9 Não possuaes oiro, nem prata, [8] nem cobre, em vossos cintos,

10 Nem alforges para o caminho, nem duas tunicas, nem alparcas, nem bordão; [9] porque digno é o operario do seu alimento.

11 E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, [10] procurae saber quem n’ella seja digno, e hospedae-vos ahi até que vos retireis.

12 E, quando entrardes n’alguma casa, saudae-a;

13 E, se a casa fôr digna, [11] desça sobre ella a vossa paz; porém, se não fôr digna, torne para vós a vossa paz.

14 E, se ninguem vos receber, [12] nem escutar vossas palavras, saindo d’aquella casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.

15 Em verdade vos digo que, no dia do juizo, haverá menos rigor [13] para o paiz de Sodoma e Gomorrah do que para aquella cidade.

16 Eis que vos envio [14] como ovelhas ao meio de lobos; portanto sêde prudentes como as serpentes [15] e simplices como as pombas.

17 Acautelae-vos, porém, dos homens; [16] porque elles vos entregarão aos synhedrios, e vos açoitarão nas suas synagogas;

18 E sereis até conduzidos [17] á presença dos governadores e dos reis por causa de mim, para lhes servir de testemunho a elles e aos gentios.

19 Mas, quando [18] vos entregaram, não estejaes cuidadosos de como, ou o que haveis de fallar, porque n’aquella mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer.

20 Porque [19] não sois vós que fallaes, mas o Espirito de vosso Pae, que falla em vós.

21 E o irmão entregará á morte o irmão, [20] e o pae o filho; e os filhos se levantarão contra os paes, e os matarão.

22 E odiados de todos sereis por causa do meu nome: [21] mas aquelle que perseverar até ao fim será salvo.

23 Quando pois [22] vos perseguirem n’esta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades d’Israel, [23] sem que venha o Filho do homem.

24 Não é o discipulo [24] mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.

25 Baste ao discipulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram [25] Beelzebú ao pae de familia, quanto mais aos seus domesticos?

26 Portanto, não os temaes; [26] porque nada ha encoberto que não haja de revelar-se, nem occulto que não haja de saber-se.

27 O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutaes ao ouvido prégae-o sobre os telhados.

28 E não temaes os que matam o corpo, [27] e não podem matar a alma: temei antes aquelle que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.

29 Não se vendem dois passarinhos por um [AFK] ceitil? e nenhum d’elles cairá em terra sem a vontade de vosso Pae.

30 E até mesmo [28] os cabellos da vossa cabeça estão todos contados.

31 Não temaes pois: mais valeis vós do que muitos passarinhos.

32 Portanto, [29] qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pae, que está nos céus.

33 Mas qualquer [30] que me negar diante dos homens, eu o negarei tambem diante de meu Pae, que está nos céus.

34 Não cuideis que vim trazer a paz á terra; [31] não vim trazer a paz, mas a espada;

35 Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pae, [32] e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;

36 E serão [33] os inimigos do homem os que são seus familiares.

37 Quem ama o pae [34] ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.

38 E quem não toma a sua cruz, [35] e não segue após mim, não é digno de mim.

39 Quem achar a sua [AFL] vida [36] perdel-a-ha; e quem perder a sua vida por amor de mim achal-a-ha.

40 Quem vos recebe, [37] me recebe a mim; e quem me recebe a mim, recebe aquelle que me enviou.

41 Quem recebe [38] um propheta em qualidade de propheta, receberá galardão de propheta; e quem recebe um justo em qualidade de justo, receberá galardão de justo.

42 E qualquer [39] que tiver dado só que seja um copo d’agua fria a um d’estes pequenos, em qualidade de discipulo, em verdade vos digo que de modo nenhum perderá o seu galardão.

[1] Mar. 3.13 e 6.7. Luc. 6.13 e 9.1.

[2] João 1.42.

[3] Luc. 6.15. Act. 1.13. João 13.26.

[4] cap. 4.15. II Reis 17.24. João 4.9.

[5] cap. 15.24. Act. 13.48. Isa. 53.6. Jer. 50.6. Eze. 34.5. I Ped. 2.25.

[6] Luc. 9.2. cap. 3.2 e 4.17. Luc. 10.9.

[7] Act. 8.18.

[8] I Sam. 9.7. Mar. 6.8. Luc. 9.3.

[9] Luc. 10.7. I Cor. 9.7. I Tim. 5.18.

[10] Luc. 10.8.

[11] Luc. 10.5. Psa. 35.13.

[12] Mar. 6.11. Luc. 9.5 e 10.10, 11. Neh. 5.13. Act. 13.51 e 18.6.

[13] cap. 11.22, 24.

[14] Luc. 10.3. Rom. 16.19. Eph. 5.11.

[15] I Cor. 14.20. Phi. 2.15.

[16] cap. 24.9. Mar. 13.9. Luc. 12.11 e 21.12. Act. 5.40.

[17] Act. 12.1 e 24.10 e 25.7, 23. II Tim. 4.16.

[18] Mar. 13.11. Luc. 12.11 e 21.14, 15. Exo. 4.12. Jer. 1.7.

[19] II Sam. 23.2. Act. 4.8. II Tim. 4.17.

[20] Miq. 7.6. ver. 35, 36. Luc. 21.16.

[21] Luc. 21.17. Dan. 12.12. cap. 24.13. Mar. 13.13.

[22] cap. 2.13. Act. 8.1 e 9.5 e 14.6.

[23] cap. 16.28.

[24] Luc. 6.40. João 13.16 e 15.20.

[25] cap. 12.24. Mar. 3.22. Luc. 11.15. João 8.48, 52.

[26] Mar. 4.22. Luc. 8.17.

[27] Isa. 8.12, 13. Luc. 12.4. I Ped. 3.14.

[28] I Sam. 14.45. II Sam. 14.11. Luc. 21.18. Act. 27.34.

[29] Luc. 12.8. Rom. 10.9. Apo. 3.5.

[30] Mar. 8.38. Luc. 9.26. II Tim. 2.12.

[31] Luc. 12.49, 51, 52, 53.

[32] Miq. 7.6.

[33] Psa. 41.9 e 55.14. Miq. 7.6. João 13.18.

[34] Luc. 14.6.

[35] cap. 16.24. Mar. 8.34. Luc. 9.23.

[36] Luc. 17.33. João 12.25.

[37] cap. 18.5. Luc. 9.48. João 12.44. Gal. 4.14.

[38] I Reis 17.10 e 18.4. II Reis 4.8.

[39] cap. 18.5, 6 e 25.40. Mar. 9.40. Heb. 6.10.

João Baptista envia dois discipulos seus a Jesus.

Luc. 7.18-35.

11 E, aconteceu que, acabando Jesus de dar seus preceitos aos seus doze discipulos, partiu d’ali a ensinar e a prégar nas cidades d’elles.

2 E João, ouvindo, [1] no carcere, fallar dos feitos de Christo, enviou dois dos seus discipulos,

3 Dizendo-lhe: [2] És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?

4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e annunciae a João as coisas que ouvis e vêdes:

5 Os cegos vêem, [3] e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são resuscitados, e o evangelho é annunciado aos pobres.

6 E bemaventurado é aquelle [4] que se não escandalizar em mim.

7 E, partindo elles, [5] começou Jesus a dizer ás turbas, a respeito de João: Que fostes vêr no deserto? uma canna agitada pelo vento?

8 Ou que fostes vêr? um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis.

9 Ou então que fostes vêr? um propheta? sim, vos digo eu, [6] e muito mais do que propheta:

10 Porque é este de quem está escripto: [7] Eis que adiante da tua face envio o meu anjo, que preparará adiante de ti o teu caminho.

11 Em verdade vos digo que, entre os que de mulheres teem nascido, não appareceu alguem maior do que João Baptista; mas aquelle que é o menor no reino dos céus é maior do que elle.

12 E, desde os dias de João Baptista até agora, [8] se faz violencia ao reino dos céus, e os violentos se apoderam d’elle.

13 Porque [9] todos os prophetas e a lei prophetizaram até João.

14 E, se quereis dar credito, [10] é este o Elias que havia de vir.

15 Quem [11] tem ouvidos para ouvir oiça.

16 Mas, [12] a quem assimilharei esta geração? É similhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros,

17 E dizem: Tocámos-vos flauta, e não dançastes: cantámos-vos lamentações, e não chorastes.

18 Pois veiu João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demonio.

19 Veiu o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis ahi um homem comilão e beberrão, [13] amigo de publicanos e peccadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos.

As tres cidades impenitentes.

Luc. 10.13-15, etc.

20 Então começou elle a lançar em rosto ás cidades onde se operou a maior parte dos seus prodigios o não se haverem arrependido, dizendo:

21 Ai de ti, Corazin! ai de ti, Bethsaida! porque, se em Tyro e em Sidon fossem feitos os prodigios que em vós se fizeram, ha muito que se teriam arrependido, [14] com sacco e com cinza.

22 Porém eu vos digo [15] que haverá menos rigor para Tyro e Sidon, no dia do juizo, do que para vós.

23 E tu, Capernaum, [16] que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se entre os de Sodoma fossem feitos os prodigios que em ti se fizeram, teriam permanecido até hoje.

24 Porém eu vos digo [17] que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juizo, do que para ti.

O jugo de Jesus.

Luc. 10.21, etc.

25 N’aquelle tempo, [18] respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pae, Senhor do céu e da terra, que occultaste estas coisas aos sabios e intelligentes, e as revelaste aos meninos.

26 Sim, ó Pae, porque assim te aprouve.

27 Todas as coisas [19] me foram entregues por meu Pae: e ninguem conhece o Filho, senão o Pae; e ninguem conhece o Pae, senão o Filho, e aquelle a quem o Filho o quizer revelar.

28 Vinde a mim, todos os que estaes cançados e opprimidos, e eu vos alliviarei.

29 Tomae sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, [20] que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanço para as vossas almas.

30 Porque o meu jugo [21] é suave e o meu fardo é leve.

[1] cap. 14.3.

[2] Gen. 49.10. Num. 24.17. Dan. 9.24. João 6.14.

[3] Isa. 29.18 e 35.4. João 2.23 e 3.2 e 5.36. Psa. 22.27. Isa. 61.1. Luc. 4.18. Thi. 2.5.

[4] Isa. 8.14, 15. cap. 13.57. Rom. 9.32. I Cor. 1.23. Gal. 5.11. I Ped. 2.8.

[5] Luc. 7.24. Eph. 4.14.

[6] cap. 14.5. Luc. 1.76.

[7] Mal. 3.1. Mar. 1.2. Luc. 1.76 e 7.27.

[8] Luc. 16.16.

[9] Mal. 4.6.

[10] Mal. 4.5. cap. 17.12. Luc. 1.17.

[11] cap. 13.9. Luc. 8.8. Apo. 2.7, 11, 17, 29 e 3.6, 13, 22.

[12] Luc. 7.31.

[13] cap. 9.10. Luc. 7.35.

[14] Jon. 3.6, 8.

[15] cap. 10.15. ver. 24.

[16] Isa. 14.13. Lam. 2.1.

[17] cap. 10.15.

[18] Psa. 8.3. I Cor. 1.19, 27 e 2.8. II Cor. 3.14. cap. 16.17.

[19] Luc. 10.22. João 3.35 e 1.18 e 6.46. I Cor. 15.27 e 10.15.

[20] João 13.16. Phi. 2.5 e 2.7, 8. I Ped. 2.21. I João 2.6. Zac. 9.9. Jer. 6.16.

[21] I João 5.3.

Jesus é Senhor do Sabbado.

Mar. 2.2-18. Luc. 6.1.

12 N’aquelle tempo passou Jesus pelas searas, em um sabbado; e os seus discipulos tinham fome, e começaram a colher espigas, e a comer.

2 E os phariseos, vendo isto, disseram-lhe: Eis que os teus discipulos fazem o que não é licito fazer n’um sabbado.

3 Elle, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez David, [1] quando teve fome, elle e os que com elle estavam?

4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, [2] que não lhe era licito comer, nem aos que com elle estavam, mas só aos sacerdotes?

5 Ou não tendes lido na lei [3] que, aos sabbados, os sacerdotes violam o sabbado no templo, e ficam sem culpa?

6 Pois eu vos digo que está aqui [4] um maior do que o templo.

7 Mas, se vós soubesseis o que significa: [5] Misericordia quero, e não sacrificio, não condemnarieis os innocentes.

8 Porque o Filho do homem até do sabbado é Senhor.

A cura do homem que tinha uma das mãos mirrada.

Mar. 3.1-6. Luc. 6.6-11.

9 E, partindo d’ali, chegou á synagoga d’elles.

10 E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e elles, [6] para o accusarem, o interrogaram, dizendo: É licito curar nos sabbados?

11 E elle lhes disse: Qual d’entre vós será o homem que tenha uma ovelha, [7] e, se n’um sabbado a tal ovelha cair n’uma cova, não lance mão d’ella, e a levante?

12 Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequencia, licito fazer bem nos sabbados.

13 Então disse áquelle homem: Estende a tua mão. E elle a estendeu, e ficou sã como a outra.

14 E os phariseos, [8] tendo saido, formaram conselho contra elle, para o matarem,

15 Mas, sabendo-o, [9] retirou-se d’ali, e acompanhou-o uma grande multidão de gente, e elle os curou a todos.

16 E [10] recommendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem,

17 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz:

18 Eis aqui o meu servo, [11] que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz: porei sobre elle o meu espirito, e annunciará [AFM] aos gentios o juizo.

19 Não contenderá, nem clamará, nem alguem ouvirá pelas ruas a sua voz;

20 Não esmagará a canna quebrada, e não apagará o murrão que fumega, até que faça triumphar o juizo;

21 E no seu nome os gentios esperarão.

A blasphemia dos phariseos.

Luc. 11.14-23.

22 Trouxeram-lhe então um endemoninhado cego e mudo; [12] e, de tal modo o curou, que o cego e mudo fallava e via.

23 E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de David?

24 Mas [13] os phariseos, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demonios senão por Beelzebú, principe dos demonios.

25 Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, [14] disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.

26 E, se Satanaz expulsa a Satanaz, está dividido contra si mesmo; como subsistirá pois o seu reino?

27 E, se eu expulso os demonios por Beelzebú, por quem os expulsam então os vossos filhos? Portanto elles mesmos serão os vossos juizes.

28 Mas, se eu expulso os demonios pelo Espirito de Deus, [15] é conseguintemente chegado a vós o reino de Deus.

29 Ou, como pode alguem entrar em casa do homem valente, [16] e furtar os seus vasos, se primeiro não manietar o valente, saqueando então a sua casa?

30 Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.

31 Portanto eu vos digo: [17] Todo o peccado e blasphemia se perdoará aos homens; porém a blasphemia contra o Espirito não será perdoada aos homens.

32 E, se qualquer fallar [18] alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-ha perdoado, mas, se alguem fallar contra o Espirito Sancto, não lhe será perdoado, nem n’este seculo nem no futuro.

Arvores e seus fructos.

Luc. 6.43-45.

33 Ou fazei a arvore boa, e o seu fructo bom, ou fazei a arvore má, e o seu fructo mau; porque pelo fructo se conhece a arvore.

34 Raça de viboras, [19] como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? pois do que é em abundancia no coração falla a bocca.

35 O homem bom tira boas coisas do thesouro do seu coração, e o homem mau do mau thesouro tira coisas más.

36 Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juizo.

37 Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condemnado.

O milagre de Jonas.

Luc. 11.16, 19-32.

38 Então [20] alguns dos escribas e dos phariseos tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quizeramos ver da tua parte algum signal.

39 Mas elle lhes respondeu, e disse: A geração má e adultera pede [21] um signal, porém não se lhe dará senão o signal do propheta Jonas;

40 Pois,[22] como Jonas esteve tres dias e tres noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem tres dias e tres noites no seio da terra.

41 Os ninivitas [23] resurgirão no juizo com esta geração, e a condemnarão, [24] porque se arrependeram com a prégação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas.

42 A rainha do meio-dia [25] se levantará no dia do juizo com esta geração, e a condemnará; porque veiu dos confins da terra a ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é mais do que Salomão.

43 E, quando [26] o espirito immundo tem saido do homem, [27] anda por logares aridos, buscando repouso, e não o encontra.

44 Então diz: Voltarei para a minha casa d’onde sahi. E, voltando, acha-a desoccupada, varrida e adornada.

45 Então vae, e leva comsigo outros sete espiritos peiores do que elle, e, entrando, habitam ali: [28] e são os ultimos actos d’esse homem peiores do que os primeiros. Assim acontecerá tambem a esta má geração.

A familia de Jesus.

Mar. 3.31-35. Luc. 8.19-21.

46 E, fallando elle ainda á multidão, eis que [29] estavam fóra sua mãe e seus irmãos, pretendendo fallar-lhe.

47 E disse-lhe alguem: Eis que estão ali fóra tua mãe e teus irmãos, que querem fallar-te.

48 Porém elle, respondendo, disse ao que lhe fallára: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos?

49 E, estendendo a sua mão para os seus discipulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;

50 Porque, [30] qualquer que fizer a vontade de meu Pae que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe.

[1] I Sam. 21.6.

[2] Exo. 25.30 e 29.32, 33. Lev. 24.5 e 8.31 e 24.9.

[3] Num. 28.9. João 7.22.

[4] II Chr. 6.18. Mal. 3.1.

[5] Ose. 6.6. Miq. 6.6, 7, 8. cap. 9.13.

[6] Luc. 13.14 e 14.3. João 9.16.

[7] Exo. 23.4, 5. Deu. 22.4.

[8] cap. 27.1. Mar. 3.6. Luc. 6.11. João 5.18 e 10.39.

[9] cap. 10.23. Mar. 3.7.

[10] cap. 9.30.

[11] Isa. 42.1. cap. 3.17 e 17.5.

[12] cap. 9.32. Mar. 3.11.

[13] cap. 9.34. Mar. 3.22. Luc. 11.15.

[14] cap. 9.4. João 2.25. Apo. 2.23.

[15] Dan. 2.44 e 7.14. Luc. 1.33 e 11.20 e 17.20, 21.

[16] Isa. 49.24. Luc. 11.21, 22, 23.

[17] Mar. 3.28. Luc. 12.10. Heb. 6.4, 10. I João 5.16. Act. 7.51.

[18] cap. 11.19. João 7.12, 52. I Tim. 1.13.

[19] cap. 3.7 e 23.33. Luc. 6.45.

[20] Mar. 8.11. João 2.18. I Cor. 1.22.

[21] Isa. 57.3. cap. 16.4. Mar. 8.38. João 4.8.

[22] Jon. 2.1.

[23] Luc. 11.32.

[24] Jer. 3.11. Eze. 16.51. Rom. 2.27. Jon. 3.5.

[25] I Reis 10.1. II Chr. 9.1. Luc. 11.31.

[26] Luc. 11.24.

[27] Job 1.7. I Ped. 5.8.

[28] Heb. 6.4 e 10.26. II Ped. 2.20, 21, 22.

[29] Mar. 6.3. João 2.12.

[30] João 15.14. Gal. 5.6. Col. 3.11. Heb. 2.11.

A parabola do semeador.

Mar. 4.1-20. Luc. 8.4-15.

13 E Jesus, tendo saido da casa n’aquelle dia, estava assentado junto ao mar;

2 E ajuntou-se muita gente ao pé d’elle, de sorte que, entrando n’um barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.

3 E fallou-lhe de muitas coisas por parabolas, dizendo: [1] Eis que o semeador saiu a semear.

4 E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-n’a;

5 E outra parte caiu em pedregaes, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;

6 Mas, vindo o sol, queimou-se, e seccou-se, porque não tinha raiz.

7 E outra caiu em espinhos, e os espinhos cresceram, e suffocaram-n’a.

8 E outra caiu em boa terra, e deu fructo: [2] um grão produziu cem, outro sessenta e outro trinta.

9 Quem tem ouvidos para ouvir, [3] oiça.

10 E, acercando-se d’elle os discipulos, disseram-lhe: Porque lhes fallas por parabolas?

11 Elle, respondendo, disse-lhes: Porque [4] a vós é dado conhecer os mysterios do reino dos céus, mas a elles não é dado;

12 Porque áquelle que tem, [5] se dará, e terá em abundancia; mas áquelle que não tem, até aquillo que tem lhe será tirado.

13 Por isso lhes fallo por parabolas; porque elles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem comprehendem.

14 E n’elles se cumpre a prophecia d’Isaias, que diz: [6] Ouvindo, ouvireis, mas não comprehendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis.

15 Porque o coração d’este povo está endurecido, [7] e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e oiçam com os ouvidos, e comprehendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.

16 Mas bemaventurados os vossos olhos, porque vêem, [8] e os vossos ouvidos, porque ouvem.

17 Porque em verdade vos digo [9] que muitos prophetas e justos desejaram vêr o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis e não o ouviram,

18 Escutae [10] vós pois a parabola do semeador.

19 Ouvindo alguem a palavra do reino, [11] e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho;

20 Porém o que foi semeado em pedregaes é o que ouve a palavra, [12] e logo a recebe com alegria;

21 Mas não tem raiz em si mesmo, antes é temporão; e, chegada a angustia e a perseguição por causa da palavra, [13] logo se offende;

22 E o que foi semeado em espinhos [14] é o que ouve a palavra, mas os cuidados d’este mundo, e a seducção das riquezas, suffocam a palavra, e fica infructifera;

23 Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e comprehende a palavra; e dá fructo, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.

A parabola do trigo e do joio.

24 Propoz-lhes outra parabola, dizendo: O reino dos céus é similhante ao homem que semeia boa semente no seu campo;

25 Mas, dormindo os homens, veiu o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.

26 E, quando a herva cresceu e fructificou, appareceu tambem o joio.

27 E os servos do pae de familia, indo ter com elle, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Porque tem então joio?

28 E elle lhes disse: Um homem inimigo é que fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos colhel-o?

29 Porém elle lhes disse: Não; para que ao colher o joio não arranqueis tambem o trigo com elle.

30 Deixae crescer ambos juntos até á ceifa; e, por occasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atae-o em molhos para o queimar; [15] mas o trigo ajuntae-o no meu celleiro.

As parabolas, do grão de mostarda e do fermento.

Mar. 4.30-34. Luc. 13.18-21.

31 Outra parabola lhes propoz, dizendo: O reino dos céus é similhante ao grão de mostarda que o homem, pegando d’elle, semeou no seu campo;

32 O qual é realmente a mais pequena de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma arvore, de sorte que veem as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.

33 Outra parabola lhes disse: [16] O reino dos céus é similhante ao fermento, que uma mulher, pegando d’elle, introduz em tres medidas de farinha, até que tudo esteja levedado.

34 Tudo isto [17] disse Jesus por parabolas á multidão, e não lhes fallava sem parabolas;

35 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta, que disse: [18] Abrirei em parabolas a minha bocca; [19] publicarei coisas occultas desde a fundação do mundo.

Explicação da parabola do joio.

36 Então Jesus, despedindo a multidão, foi para casa. E chegaram ao pé d’elle os seus discipulos, dizendo: Explica-nos a parabola do joio do campo.

37 E elle, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem;

38 O campo é o mundo; [20] e a boa semente são os filhos do reino; [21] e o joio são os filhos do maligno;

39 O inimigo, que o semeou, [22] é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.

40 Como pois o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consummação d’este mundo.

41 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e elles colherão do seu reino todos os escandalos, [23] e os que commettem iniquidade.

42 E lançal-os-hão na fornalha de fogo; [24] ali haverá pranto e ranger de dentes.

43 Então os justos resplandecerão como o sol, [25] no reino de seu Pae. Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.

Parabolas, do thesouro escondido, da perola, da rede.

44 Tambem o reino dos céus é similhante a um thesouro escondido n’um campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo [26] d’elle, vae, vende tudo quanto tem, e compra aquelle campo.

45 Outrosim o reino dos céus é similhante ao homem, negociante, que busca boas perolas;

46 E, encontrando uma perola de grande valor, [27] foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.

47 Egualmente o reino dos céus é similhante a uma rede lançada ao mar, [28] e que prende toda a qualidade de peixes.

48 E, estando cheia, os pescadores a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fóra.

49 Assim será na consummação dos seculos: [29] virão os anjos, e separarão os maus d’entre os justos.

50 E lançal-os-hão na fornalha de fogo: [30] ali haverá pranto e ranger de dentes.

51 E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe elles: Sim, Senhor.

52 E elle disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruido ácerca do reino dos céus é similhante a um pae de familia, [31] que tira dos seus thesouros coisas novas e velhas.

53 E aconteceu que Jesus, concluindo estas parabolas, se retirou d’ali.

54 E, chegando á [32] sua patria, ensinava-os na synagoga d’elles, de sorte que se maravilhavam, e diziam: D’onde veiu a este a sabedoria, e estas maravilhas?

55 Não é este [33] o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Thiago, e José, e Simão, e Judas?

56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? D’onde lhe veiu pois tudo isto?

57 E escandalizavam-se n’elle. [34] Jesus, porém, lhes disse: Não ha propheta sem honra, senão na sua patria e na sua casa.

58 E não fez ali muitas maravilhas, [35] por causa da incredulidade d’elles.

[1] Luc. 3.5.

[2] Gen. 26.12.

[3] cap. 11.15. Mar. 4.9.

[4] cap. 11.25 e 16.17. Mar. 4.11. I Cor. 2.10. I João 2.27.

[5] cap. 25.29. Mar. 4.25. Luc. 8.18 e 19.26.

[6] Isa. 6.9. Eze. 12.2. Luc. 8.10. João 12.40. Act. 28.26, 27. Rom. 11.8. II Cor. 3.10.

[7] Heb. 5.11.

[8] cap. 16.17. Luc. 10.23. João 20.29.

[9] Heb. 11.13. I Ped. 1.10.

[10] Mar. 4.14. Luc. 8.11.

[11] cap. 4.23.

[12] Isa. 58.2. Eze. 33.31. João 5.35.

[13] cap. 11.6. II Tim. 1.15.

[14] cap. 19.23. Mar. 10.23. Luc. 18.24. I Tim. 6.9. Jer. 4.3.

[15] cap. 3.22.

[16] Luc. 13.20.

[17] Mar. 4.33.

[18] Psa. 78.2.

[19] Rom. 16.25, 26. I Cor. 2.7. Eph. 3.9. Col. 1.6.

[20] cap. 24.14. Mar. 16.15, 20. Luc. 24.47. Rom. 10.18. Col. 1.6.

[21] João 8.44. Act. 13.10. I João 3.8.

[22] Joel 3.13. Apo. 14.15.

[23] cap. 18.7. II Ped. 2.1, 2.

[24] cap. 3.12 e 8.12. Apo. 19.20.

[25] Dan. 12.13. I Cor. 15.42. ver. 9.

[26] Phi. 3.7, 8. Isa. 55.1. Apo. 3.18.

[27] Pro. 2.4 e 3.14, 15 e 8.10, 19.

[28] cap. 22.10.

[29] cap. 25.32.

[30] ver. 42.

[31] Can. 7.13.

[32] cap. 2.23. Mar. 6.1. Luc. 4.16, 23.

[33] Isa. 49.7. Mar. 6.3. Luc. 3.23. João 6.42.

[34] cap. 11.6. Mar. 6.3, 4. Luc. 4.24. João 4.44.

[35] Mar. 6.5, 6.

A morte de João Baptista.

Mar. 6.14-29. Luc. 3.19-20; 9.7-9.

[Anno Domini 32]

14 N’aquelle tempo ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus,

2 E disse aos seus creados: Este é João Baptista; resuscitou dos mortos, e por isso as maravilhas obram n’elle.

3 Porque Herodes tinha prendido João, [1] e tinha-o manietado e encerrado no carcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Philippe;

4 Porque João lhe dissera: [2] Não te é licito possuil-a.

5 E, querendo matal-o, temia o povo; [3] porque o tinham como propheta.

6 Festejando-se, porém, o dia natalicio de Herodes, dançou a filha de Herodias diante d’elle, e agradou a Herodes.

7 Pelo que prometteu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse;

8 E ella, instruida previamente por sua mãe, disse: Dá-me aqui n’um prato a cabeça de João Baptista.

9 E o rei affligiu-se, mas, por causa do juramento, e dos que estavam com elle, mandou que se lhe désse.

10 E mandou degolar João no carcere,

11 E a sua cabeça foi trazida n’um prato, e dada á menina, e ella a levou a sua mãe.

12 E chegaram os seus discipulos, e levaram o corpo, e o sepultaram; e foram annuncial-o a Jesus.

A primeira multiplicação dos pães.

Mar. 6.30-34. Luc. 9.10-17. João 6.1-14.

13 E Jesus, ouvindo isto, retirou-se d’ali n’um barco, para um logar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé desde as cidades.

14 E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, [4] e foi possuido de intima compaixão para com ella, e curou os seus enfermos.

15 E, sendo chegada a tarde, os seus discipulos approximaram-se-lhe, dizendo: O logar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si.

16 Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão: dae-lhes vós de comer.

17 Então elles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.

18 E elle disse: Trazei-m’os aqui.

19 E, mandando que a multidão se assentasse sobre a herva, e tomando os cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, [5] partindo os pães, deu-os aos discipulos, e os discipulos á multidão.

20 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze alcofas cheias.

21 E os que comeram foram quasi cinco mil homens, além das mulheres e creanças.

Jesus anda por cima do mar.

Mar. 6.45-46. João 6.15-21.

22 E logo ordenou Jesus que os seus discipulos entrassem no barco, e fossem adiante d’elle para a outra banda, emquanto despedia a multidão.

23 E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar á parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.

24 E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrario;

25 Mas, á quarta vigilia da noite, dirigiu-se Jesus para elles, caminhando por cima do mar.

26 E os discipulos, vendo-o caminhar sobre o mar, [6] assustaram-se, dizendo: É um phantasma. [7] E gritaram com medo.

27 Jesus, porém, lhes fallou logo, dizendo: Tende bom animo, sou eu, não tenhaes medo.

28 E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter comtigo por cima das aguas.

29 E elle disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as aguas para ir ter com Jesus.

30 Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a afundar-se, clamou, dizendo: Senhor, salva-me.

31 E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, porque duvidaste?

32 E, quando subiram para o barco, acalmou o vento.

33 Então approximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-o, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus.

34 E, tendo passado para a outra banda, [8] chegaram á terra de Genezareth.

35 E, quando os homens d’aquelle logar o conheceram, mandaram por todas aquellas terras em redor, e trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos.

36 E rogavam-lhe para que ao menos elles tocassem a orla do seu vestido; [9] e todos os que a tocavam ficavam sãos.

[1] Mar. 6.17. Luc. 3.19, 20.

[2] Lev. 18.16 e 20.21.

[3] cap. 21.26. Luc. 20.6.

[4] cap. 9.36.

[5] cap. 15.36.

[6] Job 9.8.

[7] Psa. 2.7. cap. 16.16. Mar. 1.1. Luc. 4.41. João 1.49 e 6.70. Act. 8.37. Rom. 1.4.

[8] Mar. 6.53.

[9] cap. 9.20. Mar. 3.10. Luc. 6.19. Act. 19.12.

A tradição dos anciãos.

Mar. 7.1-23.

15 Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e phariseos de Jerusalem, dizendo:

2 Porque [1] transgridem os teus discipulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.

3 Elle, porém, respondendo, disse-lhes: Porque transgredis vós tambem o mandamento de Deus pela vossa tradição?

4 Porque Deus ordenou, [2] dizendo: Honra a teu pae e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pae ou á mãe, morra de morte.

5 Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pae ou á mãe: [3] É offerta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; desobrigado fica. Esse não honrará de modo algum nem a seu pae nem a sua mãe,

6 E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.

7 Hypocritas, [4] bem prophetizou Isaias a vosso respeito, dizendo:

8 Este povo honra-me com os seus labios, [5] mas o seu coração está longe de mim.

9 Mas em vão me veneram, [6] ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.

10 E, [7] chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:

11 O que contamina o homem [8] não é o que entra na bocca, mas o que sae da bocca isso é o que contamina o homem.

12 Então, acercando-se d’elle os seus discipulos, disseram-lhe: Sabes que os phariseos, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?

13 Elle, porém, respondendo, disse: Toda a planta, [9] que meu Pae celestial não plantou, será arrancada.

14 Deixae-os: [10] são conductores cegos de cegos: ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.

15 E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: [11] Explica-nos essa parabola.

16 Jesus, porém, disse: [12] Até vós mesmos estaes ainda sem entender?

17 Ainda não comprehendeis que tudo o que entra pela bocca [13] desce para o ventre, e é evacuado?

18 Mas o que sae da bocca, [14] procede do coração, e isso contamina o homem.

19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, [15] mortes, adulterios, fornicações, furtos, falsos testemunhos e blasphemias.

20 São estas coisas que contaminam o homem; comer, porém, sem lavar as mãos não contamina o homem.

A mulher cananea.

Mar. 7.24-30.

21 E, partindo Jesus d’ali, foi para as partes de Tyro e de Sidon.

22 E eis que uma mulher cananea, que saira d’aquellas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.

23 Mas elle não lhe respondeu palavra. E os seus discipulos, chegando ao pé d’elle, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando após nós.

24 E elle, respondendo, disse: [16] Eu não sou enviado senão ás ovelhas perdidas da casa d’Israel.

25 Então chegou ella, e adorou-o, dizendo: Senhor, soccorre-me.

26 Elle, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deital-o aos [17] cachorrinhos.

27 E ella disse: Sim, Senhor, mas tambem os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.

28 Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher! grande é a tua fé: seja-te feito como tu desejas. E desde aquella mesma hora a sua filha ficou sã.

A segunda multiplicação dos pães.

Mar. 8.1-10.

29 E Jesus, partindo d’ali, chegou ao pé do mar da Galilea, [18] e, subindo a um monte, [19] assentou-se ali.

30 E veiu ter com elle muito povo, que trazia côxos, cegos, mudos, aleijados, e outros muitos: e os pozeram aos pés de Jesus, e elle os sarou:

31 De tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a fallar, os aleijados sãos, os côxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus d’Israel.

32 E Jesus, chamando os seus discipulos, [20] disse: Tenho intima compaixão da multidão, porque já está comigo ha tres dias, e não tem que comer; e não quero despedil-a em jejum, para que não desfalleça no caminho.

33 E os seus discipulos disseram-lhe: [21] D’onde nos viriam no deserto tantos pães, para saciar tal multidão?

34 E Jesus disse-lhes: Quantos pães tendes? E elles disseram: Sete, e uns poucos de peixinhos.

35 E mandou á multidão que se assentasse no chão.

36 E, tomando os sete pães e os peixes, [22] e dando graças, partiu-os, [23] e deu-os aos seus discipulos, e os discipulos á multidão.

37 E todos comeram e se saciaram; e levantaram, do que sobejou dos pedaços, sete cestos cheios.

38 Ora os que tinham comido eram quatro mil homens, além de mulheres e creanças.

39 E, [24] tendo despedido a multidão, entrou no barco, e dirigiu-se ao territorio de Magdala.

[1] Col. 2.3.

[2] Exo. 20.12. Lev. 19.3. Deu. 5.16. Pro. 23.22. Eph. 5.2. Exo. 21.17. Lev. 20.9. Deu. 27.16.

[3] Mar. 7.11, 12.

[4] Mar. 7.6.

[5] Isa. 29.13. Eze. 33.31.

[6] Isa. 29.13. Col. 2.18, 22. Tito 1.14.

[7] Mar. 7.14.

[8] Act. 10.15. Rom. 14.14, 17, 20. I Tim. 4.4. Tito 1.15.

[9] João 15.2. I Cor. 3.12, etc.

[10] Isa. 9.16. Mal. 2.8. cap. 23.16. Luc. 6.39.

[11] Mar. 7.17.

[12] cap. 16.9. Mar. 7.18.

[13] I Cor. 6.13.

[14] Thi. 3.6.

[15] Gen. 6.5 e 8.21. Pro. 6.14. Jer. 17.9. Mar. 7.21.

[16] cap. 10.5, 6. Act. 3.25, 26 e 13.46. Rom. 15.8.

[17] cap. 7.6. Phi. 3.2.

[18] cap. 4.18.

[19] Isa. 35.5, 6. cap. 11.5. Luc. 7.22.

[20] Mar. 8.1.

[21] II Reis 4.43.

[22] cap. 14.19.

[23] I Sam. 9.13. Luc. 22.19.

[24] Mar. 8.10.

O fermento dos phariseos.

Mar. 8.11-12.

16 E, chegando-se [1] os phariseos e os sadduceos, e tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse algum signal do céu.

2 Mas elle, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro.

3 E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hypocritas, sabeis differençar a face do céu, e não sabeis differençar os signaes dos tempos?

4 Uma geração má e adultera pede um signal, [2] e nenhum signal lhe será dado, senão o signal do propheta Jonas. E, deixando-os, retirou-se.

5 E, [3] passando seus discipulos para a outra banda, tinham-se esquecido de fornecer-se de pão.

6 E Jesus disse-lhes: [4] Adverti, e acautelae-vos do fermento dos phariseos e sadduceos.

7 E elles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não nos fornecemos de pão.

8 E Jesus, conhecendo-o, disse: Porque arrazoaes entre vós, homens de pouca fé, sobre o não vos terdes fornecido de pão?

9 Não comprehendeis [5] ainda, nem vos lembraes dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantas alcofas levantastes?

10 Nem dos sete pães para quatro mil, [6] e de quantos cestos levantastes?

11 Como não entendestes que não vos fallei a respeito do pão, mas que vos guardasseis do fermento dos phariseos e sadduceos?

12 Então comprehenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos phariseos.

A confissão de Pedro.

Mar. 8.27-33. Luc. 9.18-22. João 6.66-69.

13 E, chegando Jesus ás partes de Cesarea de Philippo, interrogou os seus discipulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?

14 E elles disseram: [7] Uns João Baptista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos prophetas.

15 Disse-lhes elle: E vós, quem dizeis que eu sou?

16 E Simão Pedro, respondendo, disse: [8] Tu és o Christo, o Filho de Deus vivo.

17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bemaventurado és tu, Simão Barjonas, [9] porque t’o não revelou a carne e o sangue, mas meu Pae, que está nos céus.

18 E tambem eu te digo que tu és [AFN] Pedro, [10] e sobre esta pedra edificarei a minha egreja, [11] e as portas do inferno não prevalecerão contra ella:

19 E eu te darei as chaves do reino dos céus; [12] e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

20 Então [13] mandou aos seus discipulos que a ninguem dissessem que elle era Jesus o Christo.

21 Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discipulos [14] que convinha ir a Jerusalem, e padecer muito dos anciãos, e dos principaes dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e resuscitar ao terceiro dia.

22 E Pedro, tomando-o de parte, começou a reprehendel-o, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te aconteça isso.

23 Elle, porém, voltando-se, disse a Pedro: Arreda-te de diante de mim, Satanaz, que me serves de escandalo; porque não comprehendes as coisas que são de Deus, [15] mas só as que são dos homens.

Os discipulos de Jesus devem levar as suas cruzes.

Mat. 8.34-9.1. Luc. 9.23-27.

24 Então disse Jesus aos seus discipulos: [16] Se alguem quizer vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;

25 Porque aquelle que quizer salvar a sua [AFO] vida, [17] perdel-a-ha, e quem perder a sua vida por amor de mim, achal-a-ha.

26 Pois que aproveita ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder a sua [AFP] alma? [18] ou que dará o homem em recompensa da sua alma?

27 Porque o Filho do homem virá na gloria de seu Pae, [19] com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.

28 Em verdade vos digo que alguns ha, [20] dos que aqui estão, que não gostarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.

[1] cap. 12.38. Luc. 11.16 e 12.54, 56. I Cor. 1.22.

[2] cap. 12.39.

[3] Mar. 8.14.

[4] Luc. 12.1.

[5] cap. 14.17. João 6.9.

[6] cap. 15.34.

[7] cap. 14.2. Luc. 9.7, 8, 9.

[8] cap. 14.33. Mar. 8.29. Luc. 9.20. João 6.69. Act. 8.37. Heb. 1.2, 3. I João 4.15.

[9] Eph. 2.8. I Cor. 2.10. Gal. 1.16.

[10] João 1.42. Eph. 2.20. Apo. 21.14.

[11] Job 38.17. Isa. 38.10.

[12] cap. 18.18. João 20.23.

[13] cap. 17.9. Mar. 8.30. Luc. 9.21.

[14] cap. 20.17. Mar. 8.31. Luc. 9.22.

[15] II Sam. 19.22. Rom. 8.7.

[16] cap. 10.38. Act. 14.22. I The. 3.3. II Tim. 3.12.

[17] Luc. 17.33. João 12.25.

[18] Psa. 49.7, 8, 9.

[19] Mar. 8.38. Luc. 9.26. Dan. 7.10. Zac. 14.5. Jud. 14. Job 34.11. Pro. 24.12. Jer. 17.10. Rom. 2.6. I Cor. 3.8. I Ped. 1.17. Apo. 2.23.

[20] Mar. 8.39. Luc. 9.29.

A transfiguração.

Mar. 9.1-13. Luc. 9.28-36.

17 Seis dias depois, Jesus levou comsigo a Pedro, e a Thiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte,

2 E transfigurou-se diante d’elles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz.

3 E eis que lhes appareceram Moysés e Elias, fallando com elle.

4 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui tres tabernaculos, um para ti, um para Moysés, e um para Elias.

5 E, estando elle ainda a fallar, [1] eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E eis que uma voz da nuvem disse: [2] Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo: escutae-o.

6 E os discipulos, ouvindo isto, [3] cairam sobre seus rostos, e tiveram grande medo.

7 E Jesus, approximando-se-lhes, tocou-os, e disse: [4] Levantae-vos; e não tenhaes medo.

8 E, erguendo elles os olhos, ninguem viram senão unicamente a Jesus.

9 E, descendo elles do monte, Jesus lhes ordenou, [5] dizendo: A ninguem conteis a visão, até que o Filho do homem seja resuscitado dos mortos.

10 E os seus discipulos o interrogaram, dizendo: [6] Porque dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?

11 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, [7] e restaurará todas as coisas;

12 Mas digo-vos que Elias já veiu, e não o conheceram, [8] mas fizeram-lhe tudo o que quizeram. Assim padecerá tambem d’elles o Filho do homem.

13 Então [9] entenderam os discipulos que lhes fallara de João Baptista.

A cura d’um lunatico.

Mar. 9.13-32. Luc. 9.37-45.

14 E, quando chegaram á multidão, approximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante d’elle, e dizendo:

15 Senhor, tem misericordia de meu filho, que é lunatico e soffre muito; pois muitas vezes cae no fogo, e muitas vezes na agua;

16 E trouxe-o aos teus discipulos; e não poderam cural-o.

17 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incredula e perversa! até quando estarei eu comvosco, e até quando vos soffrerei? Trazei-m’o aqui.

18 E reprehendeu Jesus o demonio, e saiu d’elle, e desde aquella hora o menino sarou.

19 Então os discipulos, approximando-se de Jesus em particular, disseram: Porque não podémos nós expulsal-o?

20 E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé; [10] porque em verdade vos digo que, se tivesseis fé como um grão de mostarda, dirieis a este monte: Passa d’aqui para acolá: e havia de passar; e nada vos seria impossivel.

21 Mas esta casta de demonios não se expulsa senão pela oração e por jejum.

22 Ora, achando-se elles na Galilea, disse-lhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens;

23 E matal-o-hão, [11] e ao terceiro dia resuscitará. E elles se entristeceram muito.

Jesus paga o tributo.

24 E, [12] chegando elles a Capernaum, approximaram-se de Pedro os que cobravam as didrachmas, e disseram: O vosso mestre não paga as didrachmas?

25 Disse elle: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?

26 Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, são livres os filhos:

27 Mas, para que os não escandalizemos, vae ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e, abrindo-lhe a bocca, encontrarás um státer; toma-o, e dá-o por mim e por ti.

[1] II Ped. 1.17.

[2] cap. 3.17. Mar. 1.11. Luc. 3.22. Isa. 42.1. Deu. 18.15. Act. 3.22.

[3] II Ped. 1.18.

[4] Dan. 8.18 e 9.21 e 10.10, 18.

[5] cap. 16.20. Mar. 8.30 e 9.9.

[6] Mal. 4.5. cap. 11.14. Mar. 9.11.

[7] Mal. 4.6. Luc. 1.16, 17. Act. 3.21.

[8] cap. 11.14 e 14.3, 10 e 16.21. Mar. 9.11, 12.

[9] cap. 11.14.

[10] cap. 21.21. Mar. 11.23. Luc. 17.6. I Cor. 12.9 e 13.2.

[11] cap. 16.21. Mar. 8.31 e 9.29, 30 e 10.33. Luc. 9.22, 44 e 18.31.

[12] Mar. 9.32. Exo. 30.13 e 38.26.

O maior no reino dos céus.

Mar. 9.32-37. Luc. 9.46-48.

[Anno Domini 33]

18 N’aquella mesma hora chegaram os discipulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus?

2 E Jesus, chamando um menino, o poz no meio d’elles,

3 E disse: Em verdade vos digo que, [1] se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.

4 Portanto, [2] aquelle que se humilhar como este menino, este é o maior no reino dos céus.

5 E qualquer que receber em meu nome [3] um menino tal como este a mim me recebe.

6 Mas qualquer que escandalizar um d’estes pequeninos, [4] que crêem em mim, melhor lhe fôra que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de atafona, e se submergisse na profundeza do mar.

7 Ai do mundo, por causa dos escandalos; [5] porque é mister que venham escandalos, [6] mas ai d’aquelle homem por quem o escandalo vem!

8 Portanto, [7] se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti: melhor te é entrar na vida côxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.

9 E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti. Melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo do inferno.

10 Olhae, não desprezeis algum d’estes pequeninos, [8] porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pae que está nos céus.

11 Porque [9] o Filho do homem veiu salvar o que se tinha perdido.

12 Que vos parece? [10] Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma d’ellas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou?

13 E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquella do que pelas noventa e nove que se não desgarraram.

14 Assim tambem não é vontade de vosso Pae, que está nos céus, que um d’estes pequeninos se perca.

O perdão do peccado d’um irmão.

15 Ora, [11] se teu irmão peccar contra ti, vae, e reprehende-o entre ti e elle só; se te ouvir, [12] ganhaste a teu irmão;

16 Se te não ouvir, porém, leva ainda comtigo [13] um ou dois, para que pela bocca de duas ou tres testemunhas toda a palavra seja confirmada.

17 E, se os não escutar, dize-o á egreja; e, se tambem não escutar a egreja, [14] considera-o como um gentio e publicano.

18 Em verdade vos digo [15] que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

19 Tambem vos digo [16] que, se dois de vós concordarem na terra ácerca de qualquer coisa que pedirem, [17] isso lhes será feito por meu Pae, que está nos céus.

20 Porque onde estiverem dois ou tres reunidos em meu nome, ahi estou eu no meio d’elles.

21 Então Pedro, approximando-se d’elle, disse: Senhor, até quantas vezes peccará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? [18] Até sete?

22 Jesus lhe disse: Não te digo: Até sete, [19] mas, até setenta vezes sete.

A parabola do credor incompassivo.

23 Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quiz fazer contas com os seus servos;

24 E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;

25 E, não tendo elle com que pagar, o seu senhor mandou vendel-o, [20] e a sua mulher e filhos, com tudo quanto tinha, para que a divida se lhe pagasse.

26 Então aquelle servo, prostrando-se, o adorava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.

27 Então o senhor d’aquelle servo, movido de intima compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a divida.

28 Saindo, porém, aquelle servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem [AFQ] dinheiros, e, lançando mão d’elle, suffocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.

29 Então o seu conservo, prostrando-se aos seus pés rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.

30 Elle, porém, não quiz, antes foi encerral-o na prisão, até que pagasse a divida.

31 Vendo pois os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passára.

32 Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquella divida, porque me supplicaste:

33 Não devias tu egualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu tambem tive misericordia de ti?

34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.

35 Assim vos fará tambem meu Pae celestial, [21] se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas offensas.

[1] Psa. 131.2. Mar. 10.14. Luc. 18.16. I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.

[2] cap. 20.27 e 23.11.

[3] cap. 10.42. Luc. 9.48.

[4] Mar. 9.41. Luc. 17.1, 2.

[5] Luc. 17.1. I Cor. 11.19.

[6] cap. 26.24.

[7] cap. 5.29, 30. Mar. 9.42, 44.

[8] Psa. 34.7. Zac. 13.7. Heb. 1.14. Est. 1.14. Luc. 1.19.

[9] Luc. 9.56. João 3.17.

[10] Luc. 15.4.

[11] Lev. 19.17. Luc. 17.3.

[12] Thi. 5.20. I Ped. 3.1.

[13] Deu. 17.6. João 8.17. II Cor. 13.1. Heb. 10.28.

[14] Rom. 16.17. I Cor. 5.9. II The. 3.6, 14. II João 10.

[15] cap. 16.19. João 20.23. I Cor. 5.4.

[16] cap. 5.24.

[17] I João 3.22 e 5.14.

[18] Luc. 17.4.

[19] cap. 6.14. Mar. 11.25. Col. 3.13.

[20] II Reis 4.1. Neh. 5.8.

[21] Pro. 21.13. cap. 6.12. Mar. 11.26. Thi. 2.13.

Ácerca do divorcio.

Mar. 10.1-12.

19 E aconteceu que, [1] concluindo Jesus estes discursos, saiu da Galilea, e dirigiu-se aos confins da Judéa, dalem do Jordão;

2 E seguiram-o muitas gentes, [2] e curou-as ali.

3 Então chegaram ao pé d’elle os phariseos, tentando-o, e dizendo-lhe: É licito ao homem repudiar sua mulher por qualquer coisa?

4 Elle, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquelle que os fez no principio [3] macho e femea os fez?

5 E disse: Portanto deixará o homem pae e mãe, [4] e se unirá a sua mulher, [5] e serão dois n’uma só carne.

6 Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem.

7 Disseram-lhe elles: Então porque mandou Moysés dar-lhe carta de divorcio, [6] e repudial-a?

8 Disse-lhes elle: Moysés por causa da dureza dos vossos corações vos permittiu repudiar vossas mulheres; mas ao principio não foi assim.

9 Eu vos digo, [7] porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, commette adulterio; e o que casar com a repudiada tambem commette adulterio.

10 Disseram-lhe seus discipulos: [8] Se assim é a condição do homem relativamente á mulher, não convem casar.

11 Elle, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas [9] só aquelles a quem foi concedido.

12 Porque ha eunuchos que assim nasceram do ventre da mãe; [10] e ha eunuchos que foram castrados pelos homens; e ha eunuchos que se castraram a si mesmos por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.

Jesus abençoa os meninos.

Mar. 10.13-16. Luc. 18.15-17.

13 Trouxeram-lhe então alguns meninos, para que lhes impozesse as mãos, e orasse; mas os discipulos os reprehendiam.

14 Jesus, porém, disse: Deixae os meninos, e não os estorveis de vir a mim; [11] porque de taes é o reino dos céus.

15 E, tendo-lhes imposto as mãos, partiu d’ali.

O mancebo rico.

Mar. 10.17-31. Luc. 18.18-30.

16 E eis que, approximando-se d’elle um mancebo, disse-lhe: [12] Bom Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna?

17 E elle disse-lhe: Porque me chamas bom? Não ha bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.

18 Disse-lhe elle: Quaes? E Jesus disse: [13] Não matarás, não commetterás adulterio, não furtarás, não dirás falso testemunho;

19 Honra teu pae e tua mãe, e [14] amarás o teu proximo como a ti mesmo.

20 Disse-lhe o mancebo: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?

21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, [15] vae, vende tudo o que tens, dá aos pobres, e terás um thesouro no céu; e vem, e segue-me.

22 E o mancebo, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuia muitas propriedades.

23 Disse então Jesus aos seus discipulos: Em verdade vos digo [16] que difficilmente entrará um rico no reino dos céus.

24 E outra vez vos digo que é mais facil passar um camelo pelo fundo d’uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

25 Os seus discipulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se?

26 E Jesus, olhando para elles, disse-lhes: Aos homens é isso impossivel, [17] mas a Deus tudo é possivel.

27 Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: [18] Eis que nós deixámos tudo, e te seguimos; qual será então o nosso galardão?

28 E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do homem se assentar no throno da sua [19] gloria, tambem vos assentareis sobre doze thronos, para julgar as doze tribus d’Israel.

29 E todo aquelle que tiver deixado [20] casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pae, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.

30 Porém [21] muitos primeiros serão os derradeiros, e muitos derradeiros serão os primeiros.

[1] João 10.40.

[2] cap. 12.15.

[3] Gen. 1.27 e 5.2. Mal. 2.15.

[4] Gen. 2.24. Mar. 10.5, 9. Eph. 5.31.

[5] I Cor. 6.16 e 7.2.

[6] Deu. 24.1. cap. 5.31.

[7] cap. 5.32. Mar. 10.11. Luc. 16.18. I Cor. 7.10, 11.

[8] Pro. 21.19.

[9] I Cor. 7.2, 7, 9, 17.

[10] I Cor. 7.32, 34 e 9.5, 15.

[11] cap. 18.3.

[12] Luc. 10.25.

[13] Exo. 20.13. Deu. 5.17.

[14] cap. 15.4. Lev. 19.18. Rom. 13.9. Gal. 5.14. Thi. 2.8.

[15] cap. 6.20. Act. 2.45. I Tim. 6.18, 19.

[16] cap. 13.22. Mar. 10.24. I Cor. 1.26. I Tim. 6.9, 10.

[17] Gen. 18.14. Job 42.2. Jer. 32.17. Zac. 8.6. Luc. 1.37 e 18.27.

[18] Mar. 10.28. Luc. 18.28. Deu. 33.9. cap. 4.20. Luc. 5.11.

[19] cap. 20.21. Luc. 22.28, 29, 30. I Cor. 6.2, 3. Apo. 2.26.

[20] Mar. 10.29, 30. Luc. 18.29, 30.

[21] cap. 20.16 e 21.31, 32. Mar. 10.31. Luc. 13.30.

A parabola dos trabalhadores e das diversas horas do trabalho.

20 Porque o reino dos céus é similhante a um homem, pae de familia, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.

2 E, ajustando com os trabalhadores a um [AFR] dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.

3 E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,

4 E disse-lhes: Ide vós tambem para a vinha, e dar-vos-hei o que fôr justo. E elles foram.

5 Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.

6 E, saindo perto da hora undecima, encontrou outros que estavam ociosos, e diz-lhes: Porque estaes ociosos todo o dia?

7 Dizem-lhe elles: Porque ninguem nos assalariou. Diz-lhes elle: Ide vós tambem para a vinha, e recebereis o que fôr justo.

8 E, approximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando desde os derradeiros até aos primeiros.

9 E, chegando os que tinham ido perto da hora undecima, receberam um dinheiro cada um.

10 Chegando, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; e tambem receberam um dinheiro cada um;

11 E, recebendo-o, murmuravam contra o pae de familia,

12 Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os egualaste comnosco, que supportámos a fadiga e a calma do dia.

13 Elle, porém, respondendo, disse a um d’elles: Amigo, não te faço aggravo; não ajustaste tu comigo por um dinheiro?

14 Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti.

15 Ou não me é licito fazer o que quizer do que é meu? [1] Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?

16 Assim [2] os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

O pedido dos filhos de Zebedeo.

Mar. 10.32-45. Luc. 18.31-34.

17 E Jesus, subindo a Jerusalem, [3] chamou de parte os seus doze discipulos, e no caminho disse-lhes:

18 Eis que subimos a Jerusalem, [4] e o Filho do homem será entregue aos principes dos sacerdotes, e aos escribas, e condemnal-o-hão á morte.

19 E o entregarão aos gentios [5] para que d’elle escarneçam, e o açoitem e crucifiquem; e ao terceiro dia resuscitará.

20 Então [6] se approximou d’elle a mãe dos filhos de Zebedeo, com seus filhos, adorando-o, e pedindo-lhe alguma coisa.

21 E elle diz-lhe: Que queres? Diz-lhe ella: [7] Dize que estes meus dois filhos se assentem, um á tua direita e outro á tua esquerda, no teu reino.

22 Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis; [8] podeis vós beber o calix que eu hei de beber, e ser baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado? Dizem-lhe elles: Podemos.

23 E diz-lhes elle: Na verdade bebereis [9] o meu calix e sereis baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado, mas assentar-se á minha direita ou á minha esquerda não me pertence concedel-o, mas será para aquelles a quem meu Pae o tem preparado.

24 E, [10] quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos.

25 Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que os principes [AFS] dos gentios os dominam, e que os grandes exercem auctoridade sobre elles.

26 Não será assim entre vós; [11] mas todo aquelle que quizer entre vós fazer-se grande seja vosso [AFT] servente;

27 E qualquer que entre vós quizer ser o primeiro [12] seja vosso [AFU] servo;

28 Assim como o Filho do homem não veiu para ser servido, [13] mas a servir, e a dar a sua vida em resgate por muitos.

Os dois cegos de Jericó.

Mar. 10.46-52. Luc. 18.35-43.

29 E, saindo elles de Jericó, seguiu-o grande multidão,

30 E eis que dois cegos, [14] assentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de nós.

31 E a multidão os reprehendia, para que se calassem; elles, porém, cada vez clamavam mais, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de nós.

32 E Jesus, parando, chamou-os, e disse: Que quereis que vos faça?

33 Disseram-lhe elles: Senhor, que os nossos olhos sejam abertos.

34 Então Jesus, movido de intima compaixão, tocou-lhe nos olhos, e logo viram; e o seguiram.

[1] Rom. 9.21. Deu. 15.9. Pro. 23.6. cap. 6.23.

[2] cap. 19.30 e 22.14.

[3] João 12.12.

[4] cap. 16.21.

[5] cap. 27.2. Mar. 15.1, 16. Luc. 23.1. João 18.28. Act. 3.13.

[6] Mar. 10.35. cap. 4.21.

[7] cap. 19.28.

[8] cap. 26.39. Mar. 14.36. Luc. 22.42. João 18.11.

[9] Act. 12.2. Rom. 8.17. II Cor. 1.7. Apo. 1.9.

[10] Mar. 10.41. Luc. 22.24.

[11] I Ped. 5.3. cap. 23.11. Mar. 9.34 e 10.43.

[12] cap. 18.4.

[13] Luc. 22.27. João 13.14 e 11.51. Isa. 53.10. Dan. 9.24. I Tim. 2.6. Tito 2.14. I Ped. 1.19. Rom. 5.15. Heb. 9.28.

[14] cap. 9.27.

A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem.

Mar. 11.1-10. Luc. 19.29-38.

21 E, quando se approximaram de Jerusalem, e chegaram a Bethphage, ao monte das Oliveiras, [1] enviou então Jesus dois discipulos, dizendo-lhes:

2 Ide á aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ella; desprendei-a, e trazei-m’os.

3 E, se alguem vos disser alguma coisa, direis que o Senhor os ha de mister: e logo os enviará.

4 Ora tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta, que diz:

5 Dizei á filha de Sião: [2] Eis que o teu Rei ahi te vem, manso, e assentado sobre uma jumenta, e sobre um jumentinho, filho de animal sujeito ao jugo.

6 E, indo os discipulos, [3] e fazendo como Jesus lhes ordenára,

7 Trouxeram a jumenta e o jumentinho, [4] e sobre elles pozeram os seus vestidos, e fizeram-n’o assentar em cima.

8 E muitissima gente estendia os seus vestidos pelo caminho, [5] e outros cortavam ramos d’arvores, e os espalhavam pelo caminho.

9 E a multidão que ia adeante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosanna ao Filho de David; [6] bemdito o que vem em nome do Senhor: Hosanna nas alturas.

10 E, entrando elle em Jerusalem, [7] toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este?

11 E a multidão dizia: Este é Jesus, [8] o Propheta de Nazareth da Galilea.

A purificação do templo.

Mar. 11.15-18. Luc. 19.45-48.

12 E entrou Jesus no templo de Deus, [9] e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas:

13 E disse-lhes: Está escripto: [10] A minha casa será chamada casa de oração: mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

14 E foram ter com elle ao templo cegos e côxos, e curou-os.

15 Vendo então os principaes dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo, Hosanna ao Filho de David; indignaram-se,

16 E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: [11] Pela bocca dos meninos e das creancinhas de peito aperfeiçoaste o louvor?

17 E, deixando-os, saiu da cidade para Bethania, [12] e ali passou a noite.

A figueira secca.

Mar. 11.12-14 e 19-24.

18 E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome;

19 E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ella, e não achou n’ella senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fructo de ti. E a figueira seccou immediatamente.

20 E os discipulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: [13] Como seccou immediatamente a figueira?

21 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, [14] se tiverdes fé e não duvidardes, [15] não só fareis isto á figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito;

22 E tudo o que pedirdes na oração, crendo, [16] o recebereis.

O baptismo de João.

Mar. 11.27-33. Luc. 20.1-8.

23 E, chegando ao templo, acercaram-se d’elle, estando já ensinando, os principes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que auctoridade fazes isto? e quem te deu essa auctoridade?

24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu tambem vos perguntarei uma coisa; se m’a disserdes, tambem eu vos direi com que auctoridade faço isto.

25 O baptismo de João d’onde era? Do céu, ou dos homens? E pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, elle nos dirá: Então porque não o crestes?

26 E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, [17] porque todos consideram João como propheta.

27 E, respondendo a Jesus, disseram: Não sabemos. Elle disse-lhes: Nem eu vos digo com que auctoridade faço isto.

A parabola dos dois filhos.

28 Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vae trabalhar hoje na minha vinha.

29 Elle, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi.

30 E, dirigindo-se ao segundo, fallou-lhe de egual modo; e, respondendo elle, disse: Eu vou, senhor; e não foi.

31 Qual dos dois fez a vontade do pae? Disseram-lhe elles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: [18] Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes vos precedem no reino de Deus.

32 Porque João veiu a vós no caminho de justiça, [19] e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram: vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer.

A parabola dos lavradores maus.

Mar. 12.1-12. Luc. 20.9, 18.

33 Ouvi ainda outra parabola: Houve um homem, pae de familia, que plantou uma vinha, [20] e circumdou-a de um vallado, e construiu n’ella um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe:

34 E, chegando o tempo dos fructos, enviou os seus servos aos lavradores, [21] para receberem os seus fructos.

35 E os lavradores, apoderando-se dos servos, [22] feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro.

36 Depois enviou outros servos, em maior numero do que os primeiros; e fizeram-lhes o mesmo;

37 E por ultimo enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho.

38 Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: [23] Este é o herdeiro; vinde, matemol-o, e apoderemo-nos da sua herança.

39 E, lançando mão d’elle, [24] o arrastaram para fóra da vinha, e o mataram.

40 Quando pois vier o senhor da vinha, que fará áquelles lavradores?

41 Dizem-lhe elles: [25] Dará affrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seus tempos lhe dêem os fructos.

42 Diz-lhes Jesus: [26] Nunca lestes nas Escripturas: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do angulo: pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos?

43 Portanto eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, [27] e será dado a gente que dê os seus fructos.

44 E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-ha; [28] e sobre quem ella cair esmagal-o-ha.

45 E os principes dos sacerdotes e os phariseos, ouvindo estas palavras, entenderam que fallava d’elles;

46 E, pretendendo prendel-o, receiaram o povo, [29] porquanto o tinham por propheta.

[1] Zac. 14.4.

[2] Isa. 62.11. Zac. 9.9. João 12.15.

[3] Mar. 11.4.

[4] II Reis 9.13.

[5] Lev. 23.40. João 12.13.

[6] Psa. 118.26. cap. 23.39.

[7] Mar. 11.15. Luc. 19.45. João 2.13, 15.

[8] Luc. 7.16. João 6.14 e 7.40 e 9.17.

[9] João 2.15. Deu. 14.25.

[10] Isa. 56.7. Jer. 7.11. Mar. 11.17. Luc. 19.43.

[11] Psa. 8.2.

[12] Mar. 11.11. João 11.18.

[13] Mar. 11.20.

[14] cap. 17.20. Luc. 17.6.

[15] Thi. 1.6.

[16] Mar. 11.24. Luc. 11.9. Thi. 5.16. I João 3.22.

[17] cap. 14.5. Mar. 6.20. Luc. 20.6.

[18] Luc. 7.29, 50.

[19] cap. 3.1. Luc. 3.12, 13.

[20] Psa. 80.8. Can. 8.11. Isa. 5.1. Jer. 2.21.

[21] Can. 8.11.

[22] II Chr. 24.21. Neh. 9.26. Act. 7.52. I The. 2.15. Heb. 11.36.

[23] Psa. 2.8. Heb. 1.2.

[24] Psa. 2.2. João 11.53. Act. 4.27.

[25] Luc. 20.16 e 21.24. Heb. 2.3. Act. 13.46 e 15.7.

[26] Isa. 28.16. Mar. 12.10. Luc. 20.17. Act. 4.11. Eph. 2.20. I Ped. 2.6, 7.

[27] cap. 8.12.

[28] Isa. 8.14, 15. Zac. 12.3. Luc. 20.13. Rom. 9.33. I Ped. 2.8. Isa. 60.12. Dan. 2.44.

[29] ver. 11.

A parabola das bodas.

Luc. 14.16-24.

22 Então Jesus, tomando a [1] palavra, tornou a fallar-lhes em parabolas, dizendo:

2 O reino dos céus é similhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho;

3 E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e não quizeram vir.

4 Depois enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eisque tenho o meu jantar preparado, [2] os meus bois e cevados já mortos, e tudo já prompto: vinde ás bodas.

5 Porém elles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu trafico:

6 E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.

7 E o rei, tendo noticia d’isto, encolerisou-se: [3] e, enviando os seus exercitos, destruiu aquelles homicidas, e incendiou a sua cidade.

8 Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, [4] mas os convidados não eram dignos.

9 Ide pois ás saidas dos caminhos, e convidae para as bodas a todos os que encontrardes.

10 E os servos, saindo pelos caminhos, [5] ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e as bodas encheram-se de convidados.

11 E o rei, entrando para vêr os convidados, viu ali um homem [6] que não estava trajado com vestido de bodas,

12 E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo vestido de bodas? E elle emmudeceu.

13 Disse então o rei aos servos: Amarrae-o de pés e mãos, levae-o, [7] e lançae-o nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes.

14 Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

A questão do tributo.

Mar. 12.13-17. Luc. 20.20-26.

15 Então, retirando-se os phariseos, consultaram entre si como o surprehenderiam n’alguma palavra;

16 E enviaram-lhe os seus discipulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade, e de ninguem se te dá, porque não olhas á apparencia dos homens;

17 Dize-nos, pois, que te parece? É licito pagar o tributo a Cesar, ou não?

18 Jesus, porém, conhecendo a sua malicia, disse: Porque me experimentaes, hypocritas?

19 Mostrae-me a moeda do tributo. E elles lhe apresentaram um dinheiro.

20 E elle diz-lhes: De quem é esta effigie e esta inscripção?

21 Dizem-lhe elles: De Cesar. Então elle lhes diz: [8] Dae pois a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus.

22 E elles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.

23 No mesmo dia chegaram junto d’elle os sadduceos, [9] que dizem não haver resurreição, e o interrogaram,

24 Dizendo: [10] Mestre, Moysés disse: Se morrer alguem, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher d’elle, e suscitará descendencia a seu irmão:

25 Ora houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu, e, não tendo descendencia, deixou sua mulher a seu irmão.

26 Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao setimo;

27 Por fim, depois de todos, morreu tambem a mulher.

28 Portanto, na resurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuiram?

29 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: [11] Erraes, não conhecendo as Escripturas, nem o poder de Deus;

30 Porque na resurreição nem casam nem se dão em casamento; [12] mas serão como os anjos de Deus no céu.

31 E, ácerca da resurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo:

32 Eu sou o Deus d’Abrahão, [13] o Deus d’Isaac, e o Deus de Jacob? Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.

33 E, as turbas, ouvindo isto, [14] ficaram maravilhadas da sua doutrina.

O grande mandamento.

Mar. 12.28-34. Luc. 10.25-27.

34 E os phariseos, ouvindo que fizera emmudecer os sadduceos, reuniram-se no mesmo logar;

35 E um d’elles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:

36 Mestre, qual é o grande mandamento na lei?

37 E Jesus disse-lhe: [15] Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

38 Este é o primeiro e grande mandamento.

39 E o segundo, similhante a este, é: [16] Amarás o teu proximo como a ti mesmo.

40 D’estes dois mandamentos depende toda a lei e os prophetas.

Christo Filho de David.

Mar. 12.35-37. Luc. 20.41-44.

41 E, [17] estando reunidos os phariseos, interrogou-os Jesus,

42 Dizendo: Que pensaes vós do Christo? De quem é filho? Elles disseram-lhe: De David.

43 Disse-lhes elle: Como é então que David, em espirito, lhe chama Senhor, dizendo:

44 Disse o Senhor ao meu Senhor: [18] Assenta-te á minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabello de teus pés.

45 Se David pois lhe chama Senhor, como é seu filho?

46 E ninguem podia [19] responder-lhe uma palavra: nem desde aquelle dia ousou mais alguem interrogal-o.

[1] Apo. 19.7, 9.

[2] Pro. 9.2.

[3] Dan. 9.26. Luc. 19.27.

[4] cap. 10.11. Act. 13.46.

[5] cap. 13.38.

[6] II Cor. 5.3. Eph. 4.24. Col. 3.10, 12. Apo. 3.4 e 16.15.

[7] cap. 8.12 e 20.16.

[8] cap. 17.25. Rom. 13.7.

[9] Mar. 12.18. Luc. 20.27. Act. 23.8.

[10] Deu. 25.5.

[11] João 20.

[12] I João 3.2.

[13] Exo. 3.6, 16. Mar. 12.26. Luc. 20.37. Act. 7.32. Heb. 11.16.

[14] cap. 7.28.

[15] Deu. 6.5 e 10.12 e 30.6. Luc. 10.27.

[16] Lev. 19.18. Mar. 12.31. Rom. 13.9. Gal. 5.14. Thi. 2.8.

[17] cap. 7.12. I Tim. 1.5.

[18] Psa. 110.1. Act. 2.34. I Cor. 15.25. Heb. 1.13 e 10.12, 13.

[19] Luc. 14.6 e 20.40. Mar. 12.34.

Jesus censura os escribas e os phariseos.

23 Então fallou Jesus á multidão, e aos seus discipulos,

2 Dizendo: [1] Na cadeira de Moysés estão assentados os escribas e phariseos.

3 Observae, pois, e practicae tudo o que vos disserem; mas não procedaes em conformidade com as suas obras, [2] porque dizem e não praticam:

4 Pois atam fardos pesados e difficeis de supportar, [3] e os põem aos hombros dos homens; elles, porém, nem com o dedo querem movel-os;

5 E fazem todas as obras [4] a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largas phylacterias, e estendem as franjas [5] dos seus vestidos,

6 E amam os primeiros logares nas ceias [6] e as primeiras cadeiras nas synagogas,

7 E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens—Rabbi, Rabbi.

8 Vós, porém, não queiraes ser chamados Rabbi, [7] porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Christo: e todos vós sois irmãos.

9 E a ninguem na terra chameis vosso pae, [8] porque um só é o vosso Pae, o qual está nos céus.

10 Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Christo.

11 Porém [9] o maior d’entre vós será vosso servo.

12 E o que a si mesmo se exaltar [10] será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.

13 Mas ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [11] pois que fechaes aos homens o reino dos céus; porque nem vós entraes nem deixaes entrar aos que entram.

14 Ai de vós, escribas e phariseos, [12] hypocritas! pois que devoraes as casas das viuvas, e isto com pretexto de prolongadas orações; por isso soffrereis mais rigoroso juizo.

15 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um proselyto; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.

16 Ai de vós, conductores cegos! [13] pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo isso nada é; mas o que jurar pelo oiro do templo é devedor.

17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o oiro, [14] ou o templo, que sanctifica o oiro?

18 E aquelle que jurar pelo altar isso nada é; mas aquelle que jurar pela offerta que está sobre o altar é devedor.

19 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a offerta, [15] ou o altar, que sanctifica a offerta?

20 Portanto, o que jurar pelo altar jura por elle e por tudo o que sobre elle está:

21 E o que jurar pelo templo jura por elle [16] e por aquelle que n’elle habita:

22 E o que jurar pelo céu jura pelo throno de Deus [17] e por aquelle que está assentado n’elle.

23 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [18] pois que dizimaes a hortelã, o endro e o cominho, e desprezaes o mais importante da lei, o juizo, a misericordia e a fé: deveis, porém, fazer estas coisas, e não omittir aquellas.

24 Conductores cegos! que coaes o mosquito e engulis o camelo.

25 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [19] pois que limpaes o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e iniquidade.

26 Phariseo cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que tambem o exterior fique limpo.

27 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [20] pois que sois similhantes aos sepulchros caiados, que por fóra realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios d’ossos de mortos e de toda a immundicia.

28 Assim tambem vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estaes cheios de hypocrisia e iniquidade.

29 Ai de vós, [21] escribas e phariseos, hypocritas! pois que edificaes os sepulchros dos prophetas e adornaes os monumentos dos justos.

30 E dizeis: Se existissemos no tempo de nossos paes, nunca nos associariamos com elles para derramar o sangue dos prophetas.

31 Assim, [22] vós mesmos testificaes que sois filhos dos que mataram os prophetas.

32 Enchei [23] vós pois a medida de vossos paes.

33 Serpentes, [24] raça de viboras! como escapareis da condemnação do inferno?

34 Portanto, eis que [25] eu vos envio prophetas, sabios e escribas; e a uns d’elles matareis e crucificareis; e a outros d’elles açoitareis nas vossas synagogas e os perseguireis de cidade em cidade;

35 Para que sobre vós caia todo o sangue justo, [26] que foi derramado sobre a terra, desde o sangue d’Abel, o justo, até ao sangue de Zacharias, filho de Baraquias, que matastes entre o templo e o altar.

36 Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.

37 Jerusalem, Jerusalem, [27] que matas os prophetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quiz eu ajuntar os teus filhos, como a gallinha ajunta os seus pintos debaixo das azas, e vós não quizestes!

38 Eis que a vossa casa vae ficar-vos deserta;

39 Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digaes: [28] Bemdito o que vem em nome do Senhor.

[1] Neh. 8.4, 8. Mal. 2.7. Mar. 12.38. Luc. 20.45.

[2] Rom. 2.19, etc.

[3] Luc. 11.46. Act. 15.10. Gal. 6.13.

[4] cap. 6.1, 2, 5, 16.

[5] Num. 15.38. Deu. 6.8 e 22.12. Pro. 3.3.

[6] Mar. 12.38. Luc. 11.43. III João 9.

[7] Thi. 3.1. II Cor. 1.24. I Ped. 5.3.

[8] Mal. 1.6.

[9] cap. 20.26, 27.

[10] Job 22.29. Pro. 15.33. Luc. 14.11. Thi. 4.6. I Ped. 5.5.

[11] Luc. 11.52.

[12] Mar. 12.40. Luc. 20.47. II Tim. 3.6. Tito 1.11.

[13] cap. 15.14 e 5.33, 34. ver. 24.

[14] Exo. 30.29.

[15] Exo. 29.37.

[16] I Reis 8.13. II Chr. 6.2. Psa. 26.8.

[17] Psa. 11.4. cap. 5.34. Act. 7.49.

[18] Luc. 11.42. I Reis 15.22. Ose. 6.6. Miq. 6.8. cap. 9.13.

[19] Mar. 7.4. Luc. 11.39.

[20] Luc. 11.44. Act. 23.3.

[21] Luc. 11.47.

[22] Act. 7.51, 52. I The. 2.15.

[23] Gen. 15.16. I The. 2.16.

[24] cap. 3.7 e 12.34.

[25] cap. 21.34 e 10.17. Luc. 11.49. Act. 5.40 e 7.58 e 22.19. II Cor. 11.24, 25.

[26] Apo. 18.24. Gen. 4.8. I João 3.12. II Chr. 24.20.

[27] Luc. 13.34. II Cor. 24.21. Deu. 32.11. Psa. 17.8 e 91.4.

[28] Psa. 118.26. cap. 21.9.

O sermão prophetico; o principio de dôres.

Mar. 13.1. Luc. 21.5-36.

24 E, quando Jesus ia saindo do templo, approximaram-se d’elle os seus discipulos para lhe mostrarem a estructura do templo.

2 Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo [1] que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.

3 E, estando assentado no monte das Oliveiras, [2] chegaram-se a elle os seus discipulos em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas, e que signal haverá da tua vinda e do fim do mundo?

4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: [3] Acautelae-vos, que ninguem vos engane;

5 Porque [4] muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Christo; e seduzirão muitos.

6 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhae não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

7 Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, [5] e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em varios logares.

8 Mas todas estas coisas são o principio de dôres.

9 Então vos hão de entregar para serdes atormentados, [6] e matar-vos-hão: e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome.

10 Então muitos serão escandalizados, [7] e trahir-se-hão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão,

11 E surgirão muitos falsos prophetas, [8] e enganarão muitos.

12 E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.

13 Mas aquelle que perseverar até ao fim [9] será salvo.

14 E este evangelho do reino será prégado em todo o mundo, [10] em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.

O sermão continúa. A grande tribulação.

15 Quando pois virdes que a abominação da desolação, [11] de que fallou o propheta Daniel, está no logar sancto; quem lê, attenda;

16 Então, os que estiverem na Judea, fujam para os montes;

17 E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa da sua casa;

18 E quem estiver no campo não volte atraz a buscar os seus vestidos.

19 Mas ai das gravidas [12] e das que amamentarem n’aquelles dias!

20 E orae para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem em sabbado;

21 Porque [13] haverá então grande afflicção, como nunca houve desde o principio do mundo até agora, nem tão pouco ha de haver.

22 E, se aquelles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; [14] mas por causa dos escolhidos serão abreviados aquelles dias.

23 Então, se alguem vos disser: Eis que [15] o Christo está aqui, ou ali, não deis credito;

24 Porque [16] surgirão falsos christos e falsos prophetas, e farão tão grandes signaes e prodigios que, se possivel fôra, enganariam até os escolhidos.

25 Eis que eu vol-o tenho predito.

26 Portanto, se vos disserem: Eis que elle está no deserto, não saiaes; Eis que elle está nas camaras; não acrediteis.

27 Porque, como o relampago [17] sae do oriente e apparece até ao occidente, assim será tambem a vinda do Filho do homem.

28 Pois onde estiver o cadaver, [18] ahi se ajuntarão as aguias.

O sermão continúa: A vinda do Filho do homem.

29 E, logo depois da afflicção d’aquelles dias, [19] o sol escurecerá, e a lua não dará o seu resplendor, e as estrellas cairão do céu, e as potencias dos céus serão abaladas.

30 Então apparecerá no céu [20] o signal do Filho do homem; e todas as tribus da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande gloria.

31 E enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, [21] e ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma á outra extremidade dos céus.

32 Aprendei pois esta parabola da figueira: [22] Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está proximo o verão.

33 Egualmente, quando virdes todas estas coisas, [23] sabei que está proximo ás portas.

34 Em verdade vos digo que não passará esta geração [24] sem que todas estas coisas aconteçam.

35 O céu e a terra passarão, mas [25] as minhas palavras não hão de passar.

O sermão continúa: Exhortação á vigilancia.

36 Porém d’aquelle dia e hora ninguem sabe, [26] nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pae.

37 E, como foi nos dias de Noé, assim será tambem a vinda do Filho do homem.

38 Porque como, [27] nos dias anteriores ao diluvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,

39 E não o conheceram, até que veiu o diluvio, e os levou a todos,—assim será tambem a vinda do Filho do homem.

40 Então, [28] dois estarão no campo; será levado um, e deixado outro.

41 Duas estarão moendo no moinho; será levada uma, e deixada outra.

42 Vigiae, pois, [29] porque não sabeis a que hora ha de vir o vosso Senhor:

43 Mas considerae isto: [30] se o pae de familia soubesse a que vigilia da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.

44 Por isso, [31] estae vós apercebidos tambem; porque o Filho do homem ha de vir á hora em que não penseis.

O sermão continúa: A parabola dos dois servos.

45 Quem é pois o servo fiel e prudente, [32] que o Senhor constituiu sobre os seus servos, para lhes dar o sustento a seu tempo?

46 Bemaventurado aquelle servo que o Senhor, [33] quando vier, achar fazendo assim.

47 Em verdade vos digo [34] que o porá sobre todos os seus bens.

48 Porém, se aquelle mau servo disser comsigo: O meu senhor tarde virá;

49 E começar a espancar os seus conservos, e a comer e beber com os temulentos,

50 Virá o senhor d’aquelle servo n’um dia em que o não espera, e á hora em que elle não sabe,

51 E separal-o-ha, e porá a sua parte com os hypocritas: [35] ali haverá pranto e ranger de dentes.

[1] I Reis 9.7. Jer. 26.18. Miq. 3.12. Luc. 19.44.

[2] Mar. 13.3. I The. 5.1.

[3] Eph. 5.6. Col. 2.8, 18. II The. 2.3. I João 4.1.

[4] Jer. 14.14 e 23.21. João 5.43.

[5] II Chr. 15.6. Isa. 19.2. Agg. 2.23. Zac. 14.13.

[6] cap. 10.17. Mar. 13.9. Luc. 21.21. João 15.20. Act. 4.2. I Ped. 4.16. Apo. 2.10.

[7] cap. 11.6 e 13.57. II Tim. 1.15 e 4.9, 16.

[8] cap. 7.15. Act. 20.29. II Ped. 2.1. I Tim. 4.1.

[9] cap. 10.22. Mar. 13.13. Heb. 3.6, 14. Apo. 2.10.

[10] cap. 4.23 e 9.35. Rom. 10.18. Col. 1.6, 26.

[11] Mar. 13.14. Luc. 21.20. Dan. 9.27 e 12.11.

[12] Luc. 23.29.

[13] Dan. 9.26 e 12.1. Joel 2.2.

[14] Isa. 65.8, 9. Zac. 14.2, 3.

[15] Mar. 13.21. Luc. 17.23 e 21.8.

[16] Deu. 13.1. II The. 2.9. Apo. 13.13. João 6.37. Rom. 8.28. II Tim. 2.19.

[17] Luc. 17.24.

[18] Job 39.30. Luc. 17.37.

[19] Dan. 7.11. Isa. 13.10. Eze. 32.7. Joel 2.10. Amós 5.20. Mar. 13.24. Luc. 21.25. Act. 2.20. Apo. 6.12.

[20] Dan. 7.13. Zac. 12.12. cap. 16.27. Mar. 13.26. Apo. 1.7.

[21] cap. 13.41. I Cor. 15.52. I The. 4.15.

[22] Luc. 21.29.

[23] Thi. 5.9.

[24] cap. 16.28. Mar. 13.30. Luc. 21.32.

[25] Isa. 51.6. Jer. 31.36. Mar. 13.31. Luc. 21.33. Heb. 1.11.

[26] Mar. 13.32. Act. 1.7. I The. 5.2. II Ped. 3.10. Zac. 14.7.

[27] Gen. 6.3. Luc. 17.26. I Ped. 3.20.

[28] Luc. 17.34, etc.

[29] cap. 25.13. Mar. 13.33. Luc. 21.36.

[30] Luc. 12.39. I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.

[31] cap. 25.13. I The. 5.6.

[32] Luc. 12.42. Act. 20.28. I Cor. 4.2. Heb. 3.5.

[33] Apo. 16.15.

[34] cap. 25.21, 23. Luc. 22.29.

[35] cap. 8.12 e 25.30.

O sermão prophetico continúa: A parabola das dez virgens.

25 Então o reino dos céus será similhante a dez virgens que, tomando as suas [AFV] lampadas, sairam ao encontro do [1] esposo.

2 E cinco d’ellas eram prudentes, [2] e cinco loucas.

3 As loucas, tomando as suas lampadas, não levaram azeite comsigo,

4 Mas as prudentes levaram azeite nos seus vasos, com as suas lampadas.

5 E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, [3] e adormeceram.

6 Mas á meia noite ouviu-se um clamor: [4] Ahi vem o esposo, sahi-lhe ao encontro.

7 Então todas aquellas virgens se levantaram, [5] e prepararam as suas lampadas.

8 E as loucas disseram ás prudentes: Dae-nos do vosso azeite, porque as nossas lampadas se apagam.

9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide antes aos que o vendem, e comprae-o para vós.

10 E, tendo ellas ido compral-o, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com elle para as bodas, [6] e fechou-se a porta.

11 E depois chegaram tambem as outras virgens, dizendo: [7] Senhor, Senhor, abre-nos.

12 E elle, respondendo, disse: Em verdade vos digo [8] que vos não conheço.

13 Vigiae pois, [9] porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem ha de vir.

O sermão continúa: A parabola dos dez talentos.

Luc. 19.11-27.

14 Porque, é tambem como um homem que, partindo para fóra da sua terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens;

15 E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, [10] e ausentou-se logo para longe.

16 E, tendo elle partido, o que recebera cinco talentos negociou com elles, e grangeou outros cinco talentos.

17 Da mesma sorte, o que recebera dois, grangeou tambem outros dois;

18 Mas o que recebera um foi enterral-o no chão, e escondeu o dinheiro do seu senhor.

19 E muito tempo depois veiu o senhor d’aquelles servos, e fez contas com elles.

20 Então approximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que grangeei com elles.

21 E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. [11] Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; [12] entra no gozo do teu senhor.

22 E, chegando tambem o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com elles grangeei outros dois talentos.

23 Disse-lhe o seu senhor: [13] Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

24 Mas, chegando tambem o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste;

25 E, atemorisado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.

26 Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei;

27 Por isso te cumpria dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.

28 Tirae-lhe pois o talento, e dae-o ao que tem os dez talentos.

29 Porque a qualquer que tiver será dado, [14] e terá em abundancia; mas ao que não tiver até o que tem será tirado.

30 Lançae pois o servo inutil nas trevas exteriores: ali haverá pranto e [15] ranger de dentes.

O fim do sermão prophetico: A vida eterna e o castigo eterno.

31 E quando o Filho do homem vier em sua gloria, [16] e todos os sanctos anjos com elle, então se assentará no throno da sua gloria;

32 E todas as nações serão reunidas diante d’elle, e apartará uns dos outros, [17] como o pastor aparta dos bodes as ovelhas,

33 E porá as ovelhas á sua direita, mas os bodes á esquerda.

34 Então dirá o Rei aos que estiverem á sua direita: [18] Vinde, bemditos de meu Pae, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

35 Porque tive fome, [19] e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;

36 Estava nú, [20] e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.

37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te démos de comer? ou com sede, e te démos de beber?

38 E quando te vimos estrangeiro, e te hospedámos? ou nú, e te vestimos?

39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo [21] que, quando o fizestes a um d’estes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

41 Então dirá tambem aos que estiverem á sua esquerda: [22] Apartae-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;

42 Porque tive fome, e não me destes de comer: tive sede, e não me destes de beber;

43 Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nú, não me vestistes; enfermo, e na prisão, não me visitastes.

44 Então elles tambem lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nú, ou enfermo, ou na prisão, e te não servimos?

45 Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando [23] a um d’estes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.

46 E estes irão [24] para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

[1] Eph. 5.29. Apo. 19.7 e 21.2, 9.

[2] cap. 13.47 e 22.10.

[3] I The. 5.6.

[4] cap. 24.31.

[5] Luc. 12.35.

[6] Luc. 13.25.

[7] cap. 7.21, 22, 23.

[8] Psa. 5.6. Hab. 1.13. João 9.31.

[9] cap. 24.42, 46. Mar. 13.33, 35. Luc. 21.36. I Cor. 16.13. I The. 5.6. I Ped. 5.8. Apo. 16.15.

[10] Rom. 12.6. I Cor. 12.7, 11, 29. Eph. 4.11.

[11] cap. 24.47. ver. 34, 46. Luc. 12.44 e 22.29, 30.

[12] II Tim. 2.12. Heb. 12.2. I Ped. 1.8.

[13] ver. 21.

[14] cap. 13.12. Mar. 4.25. Luc. 8.18 e 19.26. João 15.2.

[15] cap. 8.12 e 24.51.

[16] Zac. 14.5. cap. 16.27. Mar. 8.38. Act. 1.11. I The. 4.16. II The. 1.7. Jud. 14. Apo. 1.7.

[17] Rom. 14.10. II Cor. 5.10. Apo. 20.12. Eze. 20.38 e 34.17. cap. 13.49.

[18] Rom. 8.17. I Ped. 1.4. Apo. 21.7. cap. 20.23. Mar. 10.40. I Cor. 2.9. Heb. 11.16.

[19] Isa. 58.7. Eze. 18.7. Thi. 1.27. Heb. 13.2. III João 5.

[20] Thi. 2. II Tim. 1.16.

[21] Pro. 14.31 e 19.17. cap. 10.42. Mar. 9.40. Heb. 6.10.

[22] Psa. 6.8. cap. 7.23 e 13.40. Luc. 13.27. II Ped. 2.4. Jud. 6.

[23] Pro. 14.31 e 17.5. Zac. 2.8. Act. 9.5.

[24] Dan. 12.2. João 5.29. Rom. 2.7.

A consulta dos sacerdotes e dos escribas.

Mar. 14.1, 2. Luc. 22.1, 2.

26 E aconteceu que, quando Jesus concluiu todos estes discursos, disse aos seus discipulos:

2 Bem sabeis que d’aqui a dois dias é [1] a paschoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.

3 Então os principes dos sacerdotes, e os escribas, [2] e os anciãos do povo reuniram-se na sala do summo sacerdote, o qual se chamava Caiphás,

4 E consultaram-se juntamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem.

5 Porém diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o povo.

O jantar em Bethania.

Mar. 14.3-9. João 11.1-8.

6 E, estando Jesus em Bethania, em casa de Simão, o leproso,

7 Approximou-se d’elle uma mulher com um vaso d’alabastro, com unguento de grande valor, e derramou-lh’o sobre a cabeça, estando elle assentado á mesa.

8 E os seus discipulos, vendo isto, [3] indignaram-se, dizendo: Porque se faz este desperdicio?

9 Pois este unguento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres.

10 Jesus, porém, conhecendo isto, disse-lhes: Porque affligis esta mulher? pois praticou uma boa acção para comigo.

11 Porquanto [4] sempre tendes comvosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre.

12 Ora, derramando ella este unguento sobre o meu corpo, fel-o preparando-me para o meu enterramento.

13 Em verdade vos digo que, onde quer que este Evangelho fôr prégado, em todo o mundo, tambem será dito o que ella fez, para memoria sua.

O preço da traição.

Mar. 14.10, 11. Luc. 22.3-6.

14 Então um dos doze chamado Judas Iscariotes, foi ter [5] com os principes dos sacerdotes,

15 E disse: [6] Que me quereis dar, e eu vol-o entregarei? E elles lhe arbitraram trinta [AFW] moedas de prata,

16 E desde então buscava opportunidade para o entregar.

A ultima paschoa, a sancta ceia.

Mar. 12.14-26. Luc. 22.7-23. I Cor. 11.23-29.

17 E, no [7] primeiro dia da festa dos pães asmos, chegaram os discipulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que te preparemos o necessario para comer a paschoa?

18 E elle disse: Ide á cidade a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está proximo; em tua casa celebro a paschoa com os meus discipulos.

19 E os discipulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a paschoa.

20 E, chegada a tarde, [8] assentou-se á mesa com os doze.

21 E, comendo elles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me ha de trahir.

22 E elles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor?

23 E elle, respondendo, disse: [9] O que mette a mão no prato comigo, esse me ha de trahir.

24 Em verdade o Filho do homem vae, como ácerca [10] d’elle está escripto, mas ai d’aquelle homem por quem o Filho do homem é trahido! bom seria a esse homem se não houvera nascido.

25 E, respondendo Judas, o que o trahia, disse: Porventura sou eu, Rabbi? Elle disse: Tu o disseste.

26 E, quando comiam, [11] Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discipulos, e disse: Tomae, comei, isto é o meu corpo.

27 E, tomando o calix, e dando graças, deu-lh’o, dizendo: [12] Bebei d’elle todos;

28 Porque isto é o meu sangue, [13] o sangue do [AFX] Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos peccados.

29 E digo-vos que, desde agora, não beberei [14] d’este fructo da vide até áquelle dia em que o beber de novo comvosco no reino de meu Pae.

30 E, tendo cantado [15] o hymno, sairam para o monte das Oliveiras.

Pedro é avisado.

Mar. 14.27-31. Luc. 22.31-34. João 13.36-38.

31 Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; [16] porque está escripto: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.

32 Mas, depois de eu resuscitar, [17] irei adiante de vós para a Galilea.

33 Pedro, porém, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.

34 Disse-lhe Jesus: [18] Em verdade te digo que, n’esta mesma noite, antes que o gallo cante, tres vezes me negarás.

35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer comtigo, não te negarei. E o mesmo todos os discipulos disseram.

Jesus em Gethsemane.

Mar. 14.32-42. Luc. 22.39-46. João 18.1.

36 Então chegou Jesus com elles a um logar chamado Gethsemane, e disse aos discipulos: Assentae-vos aqui, emquanto vou além, a orar.

37 E, levando comsigo Pedro e [19] os dois filhos de Zebedeo, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.

38 Então lhes disse: [20] A minha alma está cheia de tristeza até á morte; ficae aqui, e velae comigo.

39 E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando [21] e dizendo: Meu Pae, [22] se é possivel, passe de mim este calix; porém, não como eu quero, mas como tu queres.

40 E voltou para os seus discipulos, e achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora podeste velar comigo?

41 Vigiae e orae, [23] para que não entreis em tentação: na verdade, o espirito está prompto, mas a carne é fraca.

42 E, indo segunda vez, orou, dizendo: Meu Pae, se este calix não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.

43 E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam carregados.

44 E, deixando-os, voltou, e orou terceira vez, dizendo as mesmas palavras.

45 Então chegou junto dos seus discipulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousae; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos peccadores.

46 Levantae-vos, partamos; eis que é chegado o que me trahe.

Jesus é preso.

Mar. 14.43-50. Luc. 22.47-53. João 18.2-11.

47 E, estando elle ainda a fallar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com elle uma grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos principes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.

48 E o que o trahia tinha-lhes dado signal, dizendo: O que eu beijar é elle; prendei-o.

49 E logo, approximando-se de Jesus, disse: Eu te saudo Rabbi. E [24] beijou-o.

50 Jesus, porém, lhe disse: [25] Amigo, a que vieste? Então, approximando-se, lançaram mão de Jesus, e prenderam-n’o.

51 E eis que [26] um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do summo sacerdote, cortou-lhe uma orelha.

52 Então Jesus disse-lhe: Mette no seu logar a tua espada; porque [27] todos os que lançarem mão da espada á espada morrerão.

53 Ou pensas tu que não poderia eu agora orar a meu Pae, e elle não me daria mais de doze legiões [28] d’anjos?

54 Como pois se cumpririam as Escripturas, [29] que dizem que assim convem que aconteça?

55 Então disse Jesus á multidão: Saistes, como a um salteador, com espadas e varapaus para me prender? todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me prendestes.

56 Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escripturas dos prophetas. [30] Então todos os discipulos, deixando-o, fugiram.

Jesus perante o synhedrio.

Mar. 14.53-65. Luc. 22.63-71. João 18.12-27.

57 E, os que prenderam a Jesus, o conduziram ao summo sacerdote, Caiphás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.

58 E Pedro o seguiu de longe até ao pateo do summo sacerdote: e, entrando dentro, assentou-se entre os creados, para vêr o fim.

59 E os principes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para o poderem matar,

60 Mas não o achavam, apezar de se apresentarem [31] muitas testemunhas falsas; [32] mas por fim chegaram duas falsas testemunhas,

61 E disseram: Este disse: Eu posso [33] derribar o templo de Deus, e reedifical-o em tres dias.

62 E, levantando-se o [34] summo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti?

63 Jesus, porém, [35] guardava silencio. E, insistindo o summo sacerdote, disse-lhe: [36] Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Christo, o Filho de Deus.

64 Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis [37] em breve o Filho do homem assentado á direita da magestade divina, e vindo sobre as nuvens do céu.

65 Então [38] o summo sacerdote rasgou os seus vestidos, dizendo: Blasphemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasphemia.

66 Que vos parece? E elles, respondendo, disseram: [39] E réu de morte.

67 Então cuspiram-lhe [40] no rosto; e uns lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam,

68 Dizendo: [41] Prophetiza-nos, Christo, quem é o que te bateu?

Pedro nega a Jesus.

Mar. 14.66-72. Luc. 22.54-62. João 18.15-18.

69 E Pedro estava assentado fóra, no pateo, e approximou-se d’elle uma creada, dizendo: Tu tambem estavas com Jesus, o galileo.

70 Mas elle negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.

71 E, saindo para o vestibulo, viu-o outra, e disse aos que ali estavam: Este tambem estava com Jesus, o nazareno.

72 E elle negou outra vez com juramento, dizendo: Não conheço tal homem.

73 E, d’ahi a pouco, approximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente tambem tu és um d’elles, pois a [42] tua falla te denuncia.

74 Então começou elle a [43] imprecar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E immediatamente o gallo cantou.

75 E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: [44] Antes que o gallo cante, tres vezes me negarás. E, saindo d’ali, chorou amargamente.

[1] João 13.1.

[2] Psa. 2.2. João 11.47. Act. 4.25, etc.

[3] João 12.4.

[4] Deu. 15.11. João 12.8 e 13.33 e 14.19. cap. 18.20.

[5] João 13.2, 30. cap. 10.4.

[6] Zac. 11.12. cap. 27.3.

[7] Exo. 12.6, 18.

[8] Mar. 14.17, 21. Luc. 22.14. João 13.21.

[9] Psa. 41.9. Luc. 22.21. João 13.18.

[10] Isa. 53. Dan. 9.26. Mar. 9.12. Luc. 24.46. Act. 17.2. I Cor. 15.3. João 17.12.

[11] Mar. 14.22. Luc. 22.19. I Cor. 11.23, 24, 25 e 10.16.

[12] Mar. 14.23.

[13] Exo. 24.8. Lev. 17.11. Jer. 31.31. cap. 20.28. Rom. 5.15. Heb. 9.22.

[14] Mar. 14.25. Luc. 22.18. Act. 10.41.

[15] Mar. 14.26.

[16] João 16.32. cap. 11.6. Zac. 13.7.

[17] cap. 28.7, 10, 16. Mar. 14.28 e 16.7.

[18] Mar. 14.30. Luc. 22.34. João 13.38.

[19] cap. 4.21.

[20] João 12.27.

[21] Mar. 14.36. Luc. 22.42. Heb. 5.7.

[22] João 12.27 e 5.30 e 6.38. cap. 20.22. Phi. 2.8.

[23] Mar. 13.33 e 14.38. Luc. 22.40, 46. Eph. 6.18.

[24] II Sam. 20.9.

[25] Psa. 41.9 e 54.3.

[26] João 18.10.

[27] Gen. 9.6. Apo. 13.10.

[28] II Reis 6.17. Dan. 7.10.

[29] Isa. 53.7, etc. ver. 24. Luc. 24.25, 44, 46.

[30] Lam. 4.20. ver. 54. João 18.15.

[31] Psa. 27.12 e 35.11. Mar. 14.55. Act. 6.13.

[32] Deu. 19.15.

[33] cap. 27.40. João 2.19.

[34] Mar. 14.60.

[35] Isa. 53.7. cap. 27.22.

[36] Lev. 5.1. I Sam. 14.24.

[37] Dan. 7.13. Luc. 21.27. João 1.51. Rom. 14.10. I The. 4.15. Apo. 1.7. Psa. 110.1. Act. 7.55.

[38] II Reis 18.37 e 19.1.

[39] Lev. 24.16. João 19.7.

[40] Isa. 50.6 e 53.3. cap. 27.30. Luc. 22.63. João 19.3.

[41] Mar. 14.65. Luc. 22.64.

[42] Luc. 22.59.

[43] Mar. 14.71.

[44] ver. 34. Mar. 14.30. Luc. 22.61, 62. João 13.38.

O suicidio de Judas.

Act. 1.16-19.

27 E, chegando a manhã, [1] todos os principes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem;

2 E levaram-n’o maniatado, [2] e entregaram-n’o ao [AFY] presidente Poncio Pilatos.

3 Então Judas, [3] o que o trahira, vendo que fôra condemnado, devolveu, arrependido, as trinta [AFZ] moedas de prata aos principes dos sacerdotes e aos anciãos,

4 Dizendo: Pequei, trahindo o sangue innocente. Elles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é comtigo.

5 E elle, atirando para o templo as moedas de prata, [4] retirou-se, e, indo, enforcou-se.

6 E os principes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é licito mettel-as no cofre das offertas, porque são preço de sangue.

7 E, tendo deliberado juntamente, compraram com ellas o campo do oleiro, para sepultura dos estrangeiros.

8 Por isso foi chamado aquelle campo, [5] até ao dia d’hoje, Campo de sangue.

9 Então se realisou o que vaticinara o propheta Jeremias: [6] Tomaram as trinta moedas de prata, preço do avaliado, que os filhos d’Israel avaliaram,

10 E deram-n’as pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou.

Jesus perante Pilatos.

Mar. 15.1-20. Luc. 23.1-25. João 18.26-28; 19.1-16.

11 E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos judeos? E disse-lhe [7] Jesus: Tu o dizes.

12 E, sendo accusado pelos principes dos sacerdotes e pelos anciãos, [8] nada respondeu.

13 Disse-lhe então Pilatos: [9] Não ouves quanto testificam contra ti?

14 E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.

15 Ora, [10] por occasião da festa, costumava o presidente soltar um preso, escolhendo o povo aquelle que quizesse.

16 E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás.

17 Portanto, reunindo-se elles, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Christo?

18 Porque sabia que por inveja o haviam entregado.

19 E, estando elle assentado no tribunal, mandou sua mulher dizer-lhe: Não entres na questão d’esse justo, porque n’um sonho muito soffri por causa d’elle.

20 Mas os [11] principes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram á multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus.

21 E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual d’esses dois quereis vós que eu solte? E elles disseram: Barrabás.

22 Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Christo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.

23 O [AGA] presidente, porém, disse: Pois que mal tem feito? E elles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.

24 Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto [12] crescia, tomando agua, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou innocente do sangue d’este justo: considerae-o vós.

25 E, respondendo todo o povo, disse: O [13] seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos.

26 Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado [14] açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.

27 E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus [AGB] á audiencia, reuniram junto d’elle toda a cohorte.

28 E, despindo-o, o cobriram com uma capa de [15] escarlata;

29 E, tecendo uma corôa [16] d’espinhos, pozeram-lh’a na cabeça, e em sua mão direita uma canna; e, ajoelhando diante d’elle, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeos.

30 E, cuspindo [17] n’elle, tiraram-lhe a canna, e batiam-lhe com ella na cabeça.

31 E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe os seus vestidos e o levaram a crucificar.

A crucifixão.

Mar. 15.21-24. Luc. 23.26-49. João 19.17-37.

32 E, quando sahiam, [18] encontraram um homem cyreneo, chamado Simão: a este constrangeram a levar a sua cruz.

33 E, chegando ao [19] logar chamado Golgotha, que se diz: Logar da Caveira,

34 Deram-lhe a beber vinagre misturado [20] com fel; mas, provando-o, não quiz beber.

35 E, havendo-o crucificado, repartiram [21] os seus vestidos, lançando sortes: para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta: Repartiram [22] entre si os meus vestidos, e sobre a minha tunica lançaram sortes.

36 E, assentados, o [AGC] guardavam ali.

37 E por cima da sua cabeça pozeram [23] escripta a sua accusação: [24] ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEOS.

38 E foram crucificados [25] com elle dois salteadores, um á direita, e outro á esquerda.

39 E os que passavam [26] blasphemavam d’elle, meneando as cabeças,

40 E dizendo: [27] Tu, que destroes o templo, e em tres dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.

41 E da mesma maneira tambem os principes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e phariseos, escarnecendo, diziam:

42 Salvou a outros, a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei d’Israel, desça agora da cruz, e creremos n’elle;

43 Confiou em Deus; [28] livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus.

44 E o mesmo lhe lançaram tambem em rosto os salteadores [29] que estavam crucificados com elle.

45 E desde a hora [30] sexta houve trevas sobre toda a terra, até á hora nona.

46 E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, [31] dizendo: Eli, Eli, lama sabachthani; isto é, [32] Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?

47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Este chama por Elias.

48 E logo um d’elles, correndo, tomou uma esponja, [33] e encheu-a de vinagre, e, pondo-a n’uma canna, dava-lhe de beber.

49 Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livral-o.

50 E Jesus, [34] clamando outra vez com grande voz, rendeu o espirito.

51 E eis que o véu do templo [35] se rasgou em dois, d’alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as [AGD] pedras,

52 E abriram-se os sepulchros, e muitos corpos de sanctos que dormiam foram resuscitados,

53 E, saindo dos sepulchros, depois da resurreição d’elle, entraram na cidade sancta, e appareceram a muitos.

54 E o centurião [36] e os que com elle guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam succedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.

55 E estavam ali olhando de longe muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galilea, [37] servindo-o,

56 Entre as quaes estavam Maria Magdalena, [38] e Maria, mãe de Thiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeo.

A sepultura de Jesus.

Mar. 15.42-47. Luc. 23.50-57. João 19.38-42.

57 E, vinda já a tarde, chegou um homem rico de Arimathea, por nome José, que tambem era discipulo de Jesus.

58 Este chegou a Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado.

59 E José, tomando o corpo, envolveu-o n’um fino e limpo lençol,

60 E o poz no seu sepulchro novo, [39] que havia lavrado n’uma rocha, e, revolvendo uma grande pedra para a porta do sepulchro, foi-se.

61 E estavam ali Maria Magdalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulchro.

62 E no dia seguinte, que é depois da preparação, reuniram-se os principes dos sacerdotes e os phariseos em casa de Pilatos,

63 Dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquelle enganador, vivendo ainda, disse: [40] Depois de tres dias resuscitarei.

64 Manda pois que o sepulchro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, não seja caso que os seus discipulos vão de noite, e o furtem, e digam ao povo: Resuscitou dos mortos; e assim o ultimo erro será peior do que o primeiro.

65 E disse-lhes Pilatos: [AGE] Tendes a guarda; ide, guardae-o como entenderdes.

66 E, indo elles, seguraram o sepulchro com a guarda, [41] sellando a pedra.

[1] Psa. 2.2. Mar. 15.1. Luc. 22.66 e 23.1. João 18.28.

[2] cap. 20.19. Act. 3.13.

[3] cap. 26.14, 15.

[4] II Sam. 17.23. Act. 1.18.

[5] Act. 1.19.

[6] Zac. 11.12, 13.

[7] João 18.37. I Tim. 6.13.

[8] cap. 26.53. João 19.9.

[9] cap. 26.62. João 19.10.

[10] Mar. 15.6. Luc. 21.17. João 18.39.

[11] Mar. 15.11. Luc. 23.18. João 18.40. Act. 8.14.

[12] Deu. 21.6.

[13] Deu. 19.10. Jos. 2.19. II Sam. 1.16. I Reis 2.32. Act. 5.28.

[14] Isa. 53.5. Mar. 15.15 e 16. Luc. 23.16, 24, 25. João 19.1, 16 e 19.2.

[15] Luc. 23.11. João 19.2.

[16] Psa. 69.20. Isa. 53.3.

[17] Isa. 50.6. cap. 26.67.

[18] Num. 15.35. I Reis 21.13. Act. 7.57. Heb. 13.12.

[19] Mar. 15.22. Luc. 23.33. João 19.17.

[20] Psa. 69.21. ver. 48.

[21] Mar. 15.24. Luc. 23.34. João 19.24.

[22] Psa. 22.18.

[23] ver. 54.

[24] Mar. 15.26. Luc. 23.38. João 19.19.

[25] Isa. 53.12. Mar. 15.27. Luc. 23.32, 33. João 19.18.

[26] Psa. 22.7 e 109.25. Mar. 15.29. Luc. 23.35.

[27] cap. 26.61, 63. João 2.19.

[28] Psa. 22.7, 8.

[29] Mar. 13.32. Luc. 23.39.

[30] Amós 8.9. Mar. 15.33. Luc. 23.44.

[31] Heb. 5.7.

[32] Psa. 22.1.

[33] Psa. 69.21. Mar. 15.36. Luc. 23.36. João 19.29.

[34] Mar. 15.37. Luc. 23.46.

[35] Exo. 26.31. II Chr. 3.14. Mar. 15.38. Luc. 23.45.

[36] ver. 36. Mar. 15.39. Luc. 23.47.

[37] Luc. 8.2, 3.

[38] Mar. 15.40.

[39] Isa. 53.9.

[40] cap. 16.21 e 26.61. Mar. 8.31 e 10.34. Luc. 9.22 e 24.6. João 2.19.

[41] Dan. 6.17.

A resurreição.

Mar. 16.1-8. Luc. 24.1-12. João 20.1-18.

28 E, no fim do sabbado, quando já começava a despontar para o primeiro dia da semana, Maria Magdalena e a outra Maria foram vêr o sepulchro;

2 E eis que houvera um grande terremoto, porque o anjo [1] do Senhor, descendo do céu, chegou, e revolveu a pedra da porta, e estava assentado sobre ella.

3 E o seu [2] aspecto era como um relampago, e o seu vestido branco como neve.

4 E os guardas, com medo d’elle, ficaram muito assombrados, e tornaram-se como mortos.

5 Mas o anjo, fallando, disse ás mulheres: Vós não tenhaes medo; pois eu sei que buscaes a Jesus, que foi crucificado.

6 Não está aqui, porque já resuscitou, como havia dito. [3] Vinde, vêde o logar onde o Senhor jazia.

7 E ide immediatamente, e dizei aos seus discipulos que já resuscitou dos mortos. E eis que elle vae [4] adiante de vós para a Galilea; ali o vereis. Eis que eu vol-o tenho dito.

8 E, saindo ellas pressurosamente do sepulchro, com temor e grande alegria, correram a annuncial-o aos seus discipulos;

9 E, indo ellas annuncial-o aos seus discipulos, eis que Jesus lhes sae ao encontro, [5] dizendo: Eu vos saúdo. E ellas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram.

10 Então Jesus disse-lhes: Não temaes; ide, e annunciae a [6] meus irmãos que vão a Galilea, e lá me verão.

A mentira dos judeos.

11 E, indo ellas, eis que alguns da guarda, chegando á cidade, annunciaram aos principes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido.

12 E, congregados elles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados, dizendo:

13 Dizei: Vieram de noite os seus discipulos e, dormindo nós, o furtaram;

14 E, se isto chegar a ser ouvido pelo [AGF] presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.

15 E elles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruidos. E foi divulgado este dito entre os judeos, até ao dia d’hoje.

Jesus apparece aos seus discipulos em Galilea.

16 E os onze discipulos partiram para Galilea, para o monte, que [7] Jesus lhes tinha destinado.

17 E, quando o viram o adoraram; mas alguns duvidaram.

18 E, chegando-se Jesus, fallou-lhes, dizendo: [8] É-me dado todo o poder no céu e na terra.

19 Portanto ide, [9] [AGG] ensinae todas as nações, baptizando-as em nome do Pae, e do Filho e do Espirito Sancto;

20 Ensinando-as [10] a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou comvosco todos os dias, até á consummação do mundo. Amen.

[1] Mar. 16.5. Luc. 24.4. João 20.12.

[2] Dan. 10.6.

[3] cap. 12.40 e 16.21 e 17.22 e 20.19.

[4] cap. 26.32. Mar. 16.7.

[5] Mar. 16.9. João 20.14.

[6] João 20.17. Rom. 3.29. Heb. 2.11.

[7] cap. 26.32.

[8] Dan. 7.14. cap. 11.27. Luc. 10.22. João 13.3 e 17.2. Act. 2.36. Rom. 14.9. I Cor. 15.27. Eph. 1.10. Phi. 2.9. Heb. 1.2 e 2.8. I Ped. 3.22. Apo. 17.14.

[9] Mar. 16.15. Isa. 52.10. Luc. 24.47. Act. 2.38. Rom. 10.18. Col. 1.23.

[10] Act. 2.42.

O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. MARCOS.

João Baptista.

Mat. 3.1-12, etc.

[Anno Domini 30]

1 Principio do Evangelho de Jesus Christo, Filho [1] de Deus;

2 Como está escripto nos prophetas: [2] Eis-que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti.

3 Voz do que clama no [3] deserto: preparae o caminho do Senhor, endireitae as suas veredas.

4 Estava João baptizando no deserto, [4] e pregando o baptismo do arrependimento, para remissão dos peccados.

5 E toda a provincia da Judea e os de Jerusalem iam ter com elle; [5] e todos eram baptizados por elle no rio Jordão, confessando os seus peccados.

6 E João andava [6] vestido de pellos de camelo, e com um cinto de coiro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.

7 E prégava, dizendo: Após mim vem aquelle que é mais forte do que eu, [7] ao qual não sou digno de, encurvande me, desatar a correia das suas alparcas.

8 Eu, em verdade, tenho-vos [8] baptizado com agua; elle, porém, vos baptizará com o Espirito Sancto.

O baptismo e tentação de Jesus.

Mat. 3.13-17; 4.1-11.

9 E aconteceu [9] n’aquelles dias que Jesus, tendo ido de Nazareth, da Galilea, foi baptizado por João, no Jordão.

10 E, logo que saiu [10] da agua, viu os céus abertos, e o Espirito, que como pomba descia sobre elle.

11 E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu [11] Filho amado em quem me comprazo.

12 E logo [12] o Espirito o impelliu para o deserto,

13 E esteve ali no deserto quarenta dias, tentado por Satanaz. E estava com as féras, [13] e os anjos o serviam.

Vocação dos primeiros apostolos.

Mat. 4.12-25.

14 E, depois que João foi entregue á prisão, veiu Jesus para a Galilea, prégando o Evangelho do reino de Deus,

15 E dizendo: [14] O tempo está cumprido, e o reino de Deus está proximo. Arrependei-vos, [15] e crede no Evangelho.

16 E, andando junto do mar da Galilea, [16] viu Simão, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.

17 E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e eu farei que sejaes pescadores de homens.

18 E, [17] deixando logo as suas redes, o seguiram.

19 E, passando d’ali [18] um pouco mais adiante, viu Thiago, filho de Zebedeo, e João, seu irmão, que estavam no barco concertando as redes,

20 E logo os chamou. E elles, deixando o seu pae Zebedeo no barco com os jornaleiros, foram após elle.

A cura do endemoninhado de Capernaum.

Luc. 4.31-37.

21 E entraram em [19] Capernaum, e, logo no sabbado, entrando na synagoga, ensinava.

22 E maravilharam-se [20] da sua doutrina, porque os ensinava como tendo auctoridade, e não como os escribas.

23 E [21] estava na synagoga d’elles um homem com um espirito immundo, e exclamou, dizendo:

24 Ah! que temos [22] comtigo, Jesus nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Sancto de Deus.

25 E reprehendeu-o Jesus, [23] dizendo: Cala-te, e sae d’elle.

26 Então o espirito immundo, despedaçando-o, [24] e clamando com grande voz, saiu d’elle.

27 E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? que nova doutrina é esta? pois até com auctoridade ordena aos espiritos immundos, e elles lhe obedecem!

28 E logo correu a sua fama por toda a provincia da Galilea.

A cura da sogra de Pedro.

Mat. 8.14-17.

29 E [25] logo, saindo da synagoga, foram a casa de Simão e de André com Thiago e João.

30 E a sogra de Simão estava deitada com febre; e logo lhe fallaram d’ella.

31 Então, chegando-se a ella, tomou-a pela mão, e levantou-a: e logo a febre a deixou, e servia-os.

32 E, tendo chegado a [26] tarde, quando já se estava pondo o sol, trouxeram-lhe todos os que se achavam enfermos, e os endemoninhados.

33 E toda a cidade se ajuntou á porta.

34 E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, [27] e expulsou muitos demonios, porém não deixava fallar os demonios, porque o conheciam.

35 E, levantando-se de manhã muito cedo, [28] fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um logar deserto, e ali orava.

36 E seguiram-n’o Simão e os que com elle estavam.

37 E, achando-o, lhe disseram: Todos te buscam.

38 E elle lhes disse: [29] Vamos ás aldeias visinhas, para que eu ali tambem prégue; porque para [30] isso vim.

39 E prégava nas synagogas d’elles por toda a [31] Galilea, e expulsava os demonios.

A cura d’um leproso.

Mat. 8.1-4, etc.

[Anno Domini 31]

40 E approximou-se d’elle [32] um leproso, rogando-lhe, e pondo-se de joelhos diante d’elle, e dizendo-lhe: Se queres, podes limpar-me.

41 E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero; sê limpo.

42 E, tendo elle dito isto, logo a lepra desappareceu, e ficou limpo.

43 E, ameaçando-o, logo o despediu de si,

44 E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguem; porém vae, mostra-te ao sacerdote, e offerece pela tua purificação o que [33] Moysés determinou, para lhes servir de testemunho.

45 Mas, [34] tendo elle saido, começou a apregoar muitas coisas, e a divulgar o que acontecera; de sorte que Jesus já não podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fóra em logares desertos: [35] e de todas as partes iam ter com elle.

[1] Mat. 14.33. Luc. 1.35. João 1.34.

[2] Mal. 3.1. Mat. 11.10. Luc. 7.27.

[3] Isa. 40.3. Mat. 3.3. Luc. 3.4. João 1.15.

[4] Mat. 3.1. Luc. 3.3. João 3.23.

[5] Mat. 3.5.

[6] Mat. 3.4. Lev. 11.22.

[7] Mat. 3.11. João 1.27. Act. 13.25.

[8] Act. 1.5 e 11.16 e 19.4. Isa. 44.3. Joel 2.28. Act. 2.4 e 10.45. I Cor. 12.13.

[9] Mat. 13.18. Luc. 3.21.

[10] Mat. 3.16. João 1.32.

[11] Psa. 2.7. Mat. 3.17. cap. 9.7.

[12] Mat. 4.1. Luc. 4.1.

[13] Mat. 4.11.

[14] Dan. 9.25. Gal. 4.4. Eph. 1.10.

[15] Mat. 3.2 e 4.17.

[16] Mat. 4.18. Luc. 5.4.

[17] Mat. 19.27. Luc. 5.11.

[18] Mat. 4.21.

[19] Mat. 4.13.

[20] Mat. 7.28.

[21] Luc. 4.33.

[22] Mat. 8.29.

[23] ver. 34.

[24] cap. 9.19.

[25] Luc. 4.38.

[26] Mat. 8.16. Luc. 4.40.

[27] cap. 3.12. Luc. 4.41. Act. 16.17.

[28] Luc. 4.42.

[29] Luc. 4.43.

[30] Isa. 61.1. João 16.28 e 17.4.

[31] Mat. 4.23. Luc. 4.44.

[32] Luc. 5.12.

[33] Lev. 14.3, 4, 10. Luc. 5.14.

[34] Luc. 5.15.

[35] cap. 2.13.

O paralytico de Capernaum.

Mat. 9.1-8, etc.

2 E alguns [1] dias depois entrou outra vez em Capernaum, e ouviu-se que estava em casa.

2 E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos logares junto á porta cabiam; e annunciava-lhes a palavra.

3 Então foram ter com elle uns que conduziam um paralytico, trazido por quatro,

4 E, não podendo approximar-se d’elle, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralytico.

5 E Jesus, vendo a fé d’elles, disse ao paralytico: Filho, estão perdoados os teus peccados.

6 E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo:

7 Porque diz este assim blasphemias? Quem pode perdoar peccados, senão Deus?

8 E Jesus, [2] conhecendo logo em seu espirito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Porque arrazoaes sobre estas coisas em vossos corações?

9 Qual é mais fácil? [3] dizer ao paralytico: [4] Estão perdoados os teus peccados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?

10 Pois para que saibaes que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar peccados (disse ao paralytico),

11 A ti te digo: Levanta-te, e toma o teu leito, e vae para tua casa.

12 E levantou-se, e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos.

A vocação de Levi.

Mat. 9.9-13.

13 E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com elle, e elle os ensinava.

14 E, passando, [5] viu Levi, filho d’Alpheo, assentado na [AGH] alfandega, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.

15 E aconteceu [6] que, estando elle sentado á mesa em casa d’elle, tambem estavam assentados á mesa com Jesus e seus discipulos muitos publicanos e peccadores; porque eram muitos, e o tinham seguido.

16 E os escribas e phariseos, vendo-o comer com os publicanos e peccadores, disseram aos seus discipulos: Porque come e bebe elle com os publicanos e peccadores?

17 E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: [7] Os sãos não necessitam de medico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas sim os peccadores, ao arrependimento.

O jejum.

Mat. 9.14-17, etc.

18 Ora os discipulos de [8] João e os dos phariseos jejuavam; e foram e disseram-lhe: Porque jejuam os discipulos de João e os dos phariseos, e não jejuam os teus discipulos?

19 E Jesus disse-lhes: Podem porventura os filhos [AGI] das bodas jejuar emquanto está com elles o esposo? Emquanto teem comsigo o esposo, não podem jejuar;

20 Mas dias virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão n’aquelles dias.

21 Ninguém deita remendo de panno novo em vestido velho; d’outra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior;

22 E ninguem deita vinho novo em odres velhos; d’outra sorte, o vinho novo rompe os odres, o vinho entorna-se, e os odres estragam-se; porém o vinho novo deve ser deitado em odres novos.

Jesus é Senhor do sabbado.

Mat. 12.1-8.

23 E [9] aconteceu que, passando elle n’um sabbado pelas searas, os seus discipulos, caminhando, [10] começaram a colher espigas.

24 E os phariseos lhe disseram: Vês? porque fazem no sabbado o que não é licito?

25 Mas elle disse-lhes: [11] Nunca lestes o que fez David quando estava em necessidade e teve fome, elle e os que com elle estavam?

26 Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiathar, summo sacerdote, e comeu [12] os pães da proposição, dos quaes não era licito comer, senão aos sacerdotes, e tambem deu aos que com elle estavam?

27 E disse-lhes: O sabbado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sabbado.

28 Assim [13] que o Filho do homem é Senhor até do sabbado.

[1] Luc. 5.13.

[2] Job 14.4. Isa. 42.35.

[3] Mat. 9.4.

[4] Mat. 9.5.

[5] Mat. 9.9. Luc. 5.27.

[6] Mat. 9.10.

[7] Mat. 9.12, 13 e 18.11. Deu. 5.31, 32 e 19.10. I Tim. 1.15.

[8] Luc. 5.33.

[9] Luc. 6.1.

[10] Deu. 23.25.

[11] I Sam. 21.6.

[12] Exo. 29.32, 33. Lev. 24.9. I Sam. 21.6.

[13] Mat. 12.8.

A cura de um que tinha uma das mãos mirrada.

Mat. 12.9-21, etc.

3 E outra vez entrou [1] na synagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada.

2 E estavam observando-o se curaria no sabbado, para o accusarem.

3 E disse ao homem que tinha a mão secca: Levanta-te para o meio.

4 E disse-lhes: É licito no sabbado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E elles calavam-se.

5 E, olhando para elles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E elle a estendeu, e foi-lhe restituida a sua mão, sã como a outra.

6 E, tendo saido [2] os phariseos, tomaram logo conselho com os herodianos contra elle, [3] como o matariam.

7 E retirou-se Jesus com os seus discipulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galilea [4] e da Judea,

8 E de Jerusalem, e da Idumea, e d’além do Jordão; e de perto de Tyro e Sidon uma grande multidão, ouvindo quão grandes coisas fazia, veem ter com elle.

9 E disse aos seus discipulos que lhe tivessem sempre prompto um barquinho junto d’elle, por causa da multidão, para que o não opprimisse,

10 Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum [AGJ] mal se arrojavam sobre elle, para o tocarem.

11 E os espiritos [5] immundos, vendo-o, prostravam-se diante d’elle, e clamavam, dizendo: Tu és [6] o Filho de Deus.

12 E elle os ameaçava muito, para que não o manifestassem.

A eleição dos doze.

Mat. 10.1-4, etc.

13 E subiu ao [7] monte, e chamou para si os que elle quiz; e vieram a elle.

14 E ordenou aos doze que estivessem com elle, para que os mandasse a prégar,

15 E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demonios:

16 A Simão, [8] a quem poz o nome de Pedro,

17 E a Thiago, filho de Zebedeo, e a João, irmão de Thiago, aos quaes poz o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão;

18 E a André, e a Philippe, e a Bartholomeo, e a Mattheus, e a Thomé, e a Thiago, filho de Alpheo, e a Thadeo, e a Simão, o cananeo,

19 E a Judas Iscariotes, o que o entregou.

A blasphemia dos escribas.

Luc. 11.14-23, etc.

20 E foram para casa. E ajuntou-se outra vez a multidão, [9] de tal maneira que nem sequer podiam comer pão.

21 E, quando os seus ouviram isto, sairam para o prender; [10] porque diziam: Está fóra de si.

22 E os escribas, que tinham descido de Jerusalem, diziam: [11] Tem Beelzebu, e pelo principe dos demonios expulsa os demonios.

23 E, chamando-os a si, [12] disse-lhes por parabolas: Como pode Satanaz expulsar Satanaz?

24 E, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir.

25 E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir.

26 E, se Satanaz se levantar contra si mesmo, e fôr dividido, não pode subsistir; antes tem fim.

27 Ninguem [13] pode roubar as alfaias do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não manietar o valente; e então roubará a sua casa.

28 Na verdade vos digo [14] que todos os peccados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasphemias, com que blasphemarem;

29 Qualquer, porém, que blasphemar contra o Espirito Sancto, nunca obterá perdão para sempre, [AGK] mas será réu do eterno juizo.

30 (Porque diziam: Tem espirito immundo.)

A familia de Jesus.

Mat. 12.46-50.

31 Chegaram então seus irmãos e sua mãe, [15] e, estando de fóra, enviaram a elle, chamando-o.

32 E a multidão estava assentada ao redor d’elle, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te buscam lá fóra.

33 E elle lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?

34 E, olhando em redor para os que estavam assentados junto d’elle, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.

35 Porque qualquer que fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.

[1] Luc. 6.6.

[2] Mat. 12.14.

[3] Mat. 22.16.

[4] Luc. 6.17.

[5] cap. 1.23, 24. Luc. 4.41. Mat. 14.33.

[6] Mat. 12.16. cap. 1.25, 34.

[7] Luc. 6.12 e 9.1.

[8] João 1.42.

[9] cap. 6.31.

[10] João 7.5 e 10.20.

[11] Mat. 9.34. Luc. 11.15. João 7.20 e 8.48.

[12] Mat. 12.25.

[13] Isa. 49.24. Mat. 12.29.

[14] Mat. 12.31. Luc. 12.10. I João 5.16.

[15] Luc. 8.19.

A parabola do semeador.

Mat. 13.1-23.

4 E outra vez começou a [1] ensinar junto do mar, e juntou-se a elle uma grande multidão, de sorte que elle, entrando em um barco, se assentou dentro, no mar; e toda a multidão estava em terra junto do mar.

2 E ensinava-lhes [2] muitas coisas, e lhes dizia na sua doutrina:

3 Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear;

4 E aconteceu que, semeando elle, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram;

5 E outra caiu sobre pedregaes, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda;

6 Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, seccou-se.

7 E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a suffocaram e não deu fructo.

8 E outra caiu em boa [3] terra e deu fructo, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem.

9 E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

10 E, quando [4] se achou só, os que estavam junto d’elle com os doze interrogaram-n’o ácerca da parabola.

11 E elle disse-lhes: A vós é dado saber os mysterios do reino de Deus, mas aos que estão de fóra [5] todas estas coisas se dizem por parabolas,

12 Para que, vendo, [6] vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que se não convertam, e lhes sejam perdoados os seus peccados.

13 E disse-lhes: Não sabeis esta parabola? como pois entendereis todas as parabolas?

14 O que semeia, [7] semeia a palavra;

15 E os que estão junto do caminho são aquelles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a ouvido, vem logo Satanaz e tira a palavra que foi semeada nos seus corações.

16 E da mesma sorte os que recebem a semente sobre pedregaes; os quaes, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem,

17 Mas não teem raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.

18 E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quaes ouvem a palavra,

19 Mas os cuidados d’este mundo, e os enganos das [8] riquezas e as ambições d’outras coisas, entrando, soffocam a palavra, e fica infructifera.

20 E os que recebem a semente em boa terra, são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fructo, um trinta, outro sessenta, outro cem.

A parabola da candeia.

Luc. 8.16-18.

21 E disse-lhes: [9] Vem porventura a candeia para se metter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? não vem antes para se collocar no velador?

22 Porque nada ha [10] encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar occulto, mas para ser descoberto.

23 Se alguém tem ouvidos [11] para ouvir, ouça.

24 E disse-lhes: Attendei ao que ides ouvir. [12] Com a medida com que medirdes ser-vos-ha medido, e ser-vos-ha accrescentado.

25 Porque ao que [13] tem, ser-lhe-ha dado; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parabola da semente.

26 E dizia: [14] O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente á terra,

27 E dormisse, e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo elle como.

28 Porque a terra por si mesma fructifica, primeiro a herva, depois a espiga, e por ultimo o grão cheio na espiga.

29 E, quando já o fructo se mostra, mette-lhe logo a [15] foice, porque está chegada a ceifa.

A parabola do grão de mostarda.

Mat. 13.31, 32.

30 E dizia: [16] A que assimilharemos o reino de Deus? ou com que parabola o compararemos?

31 É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a mais pequena de todas as sementes que ha na terra;

32 Mas, tendo sido semeado, cresce; e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra.

33 E com muitas parabolas taes lhes fallava a palavra, [17] segundo o que podiam ouvir.

31 E sem parabolas nunca lhes fallava; porém tudo declarava em particular aos seus discipulos.

Jesus apazigua a tempestade.

Mat. 8.23-27, etc.

35 E, n’aquelle dia, [18] sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a outra banda.

36 E elles, deixando a multidão, o levaram comsigo, assim como estava no barco; e havia tambem com elle outros barquinhos.

37 E levantou-se uma grande tempestade de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia.

38 E elle estava na pôpa dormindo sobre uma almofada, e despertaram-n’o, e disseram-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos?

39 E elle, despertando, reprehendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança.

40 E disse-lhes: Porque sois tão timidos? Porque não tendes fé?

41 E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?

[1] Luc. 8.4.

[2] cap. 12.38.

[3] João 15.5. Col. 1.6.

[4] Mat. 13.10. Luc. 8.9, etc.

[5] I Cor. 5.12. Col. 4.5. I The. 4.11. I Tim. 3.7.

[6] Isa. 6.9. Mat. 13.14. Luc. 8.10. João 12.40. Act. 28.26. Rom. 11.8.

[7] Mat. 13.19.

[8] I Tim. 6.9, 17.

[9] Mat. 5.15.

[10] Mat. 10.26. Luc. 12.2.

[11] Mat. 11.15. ver. 9.

[12] Mat. 7.2. Luc. 6.38.

[13] Mat. 13.12 e 25.29. Luc. 8.18 e 19.26.

[14] Mat. 13.24.

[15] Apo. 14.15.

[16] Luc. 13.18. Act. 2.41 e 4.4 e 5.14 e 19.20.

[17] Mat. 13.34. João 16.12.

[18] Luc. 8.22.

O endemoninhado gadareno.

Mat. 8.26-34.

5 E chegaram á outra banda do mar, á provincia dos gadarenos.

2 E, saindo elle do barco, lhe saiu ao seu encontro logo, dos sepulchros, um homem com espirito immundo;

3 O qual tinha a sua morada nos sepulchros, e nem ainda com cadeias o podia alguem prender;

4 Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por elle feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguem o podia amansar.

5 E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulchros, e ferindo-se com pedras.

6 E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o.

7 E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu comtigo, Jesus, Filho do Deus Altissimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes.

8 (Porque lhe dizia: Sae d’este homem, espirito immundo.)

9 E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos.

10 E rogava-lhe muito que os não enviasse para fóra d’aquella provincia.

11 E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos.

12 E todos aquelles demonios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aquelles porcos, para que entremos n’elles.

13 E Jesus logo lh’o permittiu. E, saindo aquelles espiritos immundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quasi dois mil), e afogaram-se no mar.

14 E os que apascentavam os porcos fugiram, e o annunciaram na cidade e nos campos; e sairam a vêr o que era aquillo que tinha acontecido.

15 E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juizo, e temeram.

16 E os que aquillo tinham visto contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado; e ácerca dos porcos.

17 E começaram [1] a rogar-lhe que se fosse dos seus termos.

18 E, entrando elle no barco, rogara-lhe o que [2] fôra endemoninhado que o deixasse estar com elle.

19 Jesus, porém, não lh’o permittiu, mas disse-lhe: Vae para tua casa, para os teus, e annuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericordia de ti.

20 E foi, e começou a annunciar em Decapolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilhavam.

A filha de Jairo. A mulher que tinha um fluxo de sangue.

Mat. 9.18-26. Luc. 8.40-46.

21 E, passando Jesus outra vez n’um barco para a outra banda, ajuntou-se a elle uma grande multidão; e elle estava junto do mar.

22 E, eis que chegou [3] um dos principaes da synagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés,

23 E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos para que sare, e viva.

24 E foi com elle, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.

25 E uma certa mulher, [4] que, havia doze annos tinha um fluxo de sangue,

26 E que havia padecido muito com muitos medicos, e dispendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando, antes indo a peior;

27 Ouvindo fallar de Jesus, veiu por detraz, entre a multidão, e tocou o seu vestido.

28 Porque dizia: Se tão sómente tocar os seus vestidos, sararei.

29 E logo se lhe seccou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada d’aquelle [AGL] açoite.

30 E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saira, [5] voltando-se para a multidão, disse: Quem tocou os meus vestidos?

31 E disseram-lhe os seus discipulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou?

32 E elle olhava em redor, para vêr a que isto fizera.

33 Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, approximou-se, e prostrou-se diante d’elle, e disse-lhe toda a verdade.

34 E elle lhe disse: [6] Filha, a tua fé te salvou; vae em paz, e sê curada d’este teu açoite.

35 Estando elle ainda [7] fallando, chegaram alguns do principal da synagoga, dizendo: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?

36 E Jesus, tendo ouvido esta palavra que se dizia, disse ao principal da synagoga: Não temas, crê sómente.

37 E não permittiu que alguem o seguisse, senão Pedro, e Thiago, e João, irmão de Thiago.

38 E, tendo chegado a casa do principal da synagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam.

39 E, entrando, disse-lhes: Porque vos alvoroçaes e choraes? a menina não está morta, [8] mas dorme.

40 E riam-se d’elle; porém elle, tendo-os posto a todos fóra, [9] tomou comsigo o pae e a mãe da menina, e os que com elle estavam, e entrou aonde a menina estava deitada.

41 E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talitha cumi: que, traduzido é: Filhinha, a ti te digo, levanta-te.

42 E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze annos: e assombraram-se com grande espanto.

43 E mandou-lhes [10] expressamente que ninguem o soubesse; e disse que lhe dessem de comer.

[1] Mat. 8.34.

[2] Luc. 8.38.

[3] Mat. 9.18. Luc. 8.41.

[4] Lev. 15.25. Mat. 9.20.

[5] Luc. 6.19 e 8.46.

[6] Mat. 9.22. cap. 10.52. Act. 14.9.

[7] Luc. 8.49.

[8] João 11.11.

[9] Act. 9.40.

[10] Mat. 8.4 e 9.30 e 12.16 e 17.9. Luc. 5.14.

Jesus retira-se para Nazareth.

Mat. 13.53-58, etc.

6 E partiu d’ali, [1] e chegou á sua patria, e os seus discipulos o seguiram.

2 E, chegando o sabbado, começou a ensinar na synagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: [2] D’onde veem a este estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e taes maravilhas, que por suas mãos se fazem?

3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, [3] e irmão de Thiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui comnosco suas irmãs? [4] E escandalizavam-se n’elle.

4 E Jesus lhes dizia: [5] Não ha propheta sem honra senão na sua patria, entre os seus parentes, e na sua casa.

5 E não [6] podia fazer maravilha alguma; sómente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.

6 E estava maravilhado [7] da incredulidade d’elles. E percorreu as aldeias visinhas, ensinando.

7 Chamou [8] a si os doze, e começou a envial-os a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espiritos immundos;

8 E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão sómente um bordão; nem alforge, nem pão, nem dinheiro no cinto;

9 Mas que [9] calçassem alparcas, e que não vestissem duas tunicas.

10 E dizia-lhes: Aonde [10] quer que entrardes n’alguma casa, ficae n’ella até sairdes de ali.

11 E, quando [11] alguns vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo d’ali, sacudi o pó que estiver debaixo dos [12] vossos pés, em testemunho para com elles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerancia no dia de juizo para Sodoma e Gomorrah do que para os d’aquella cidade.

12 E, saindo elles, prégavam que se arrependessem.

13 E expulsavam muitos demonios, [13] e ungiam muitos enfermos com azeite, e os curavam.

A morte de João Baptista.

Mat. 14.1-12, etc.

[Anno Domini 32]

14 E ouviu isto [14] o rei Herodes (porque o seu nome se tornára notorio), e disse: João, o que baptizava, resuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam n’elle.

15 Outros [15] diziam: É Elias. E diziam outros: É um propheta, ou como um dos prophetas.

16 Herodes, porém, [16] ouvindo isto, disse: Este é João, que mandei degolar, resuscitou dos mortos.

17 Porque o mesmo Herodes mandára prender a João, e encerral-o manietado no carcere, por causa de Herodias, mulher de Philippe, seu irmão, porquanto tinha casado com ella.

18 Porque dizia João a Herodes: Não [17] te é licito possuir a mulher de teu irmão.

19 E Herodias o espiava, e queria matal-o, mas não podia,

20 Porque Herodes temia [18] a João, sabendo que era varão justo e sancto; e [AGM] estimava-o, e fazia muitas coisas, attendendo-o, e de boamente o ouvia.

21 E, chegando um dia opportuno em que Herodes, no dia dos [19] seus annos [20] dava uma ceia aos grandes, e tribunos, e principes da Galilea,

22 E, tendo entrado a filha da mesma Herodias, e dançando, e agradando a Herodes e aos que estavam com elle á mesa, o rei disse á menina: Pede-me o que quizeres, e eu t’o darei.

23 E jurou-lhe, dizendo: Tudo o [21] que me pedires te darei, até metade do meu reino.

24 E, saindo ella, disse a sua mãe: Que pedirei? E ella disse: A cabeça de João Baptista.

25 E, entrando logo apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que immediatamente me dês n’um prato a cabeça de João Baptista.

26 E o [22] rei entristeceu-se muito; todavia, por causa do juramento e dos que estavam com elle á mesa, não lh’a quiz negar.

27 E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a cabeça de João. E elle foi, e degolou-o na prisão;

28 E trouxe a cabeça n’um prato, e deu-a á menina, e a menina a deu a sua mãe.

29 E os seus discipulos, tendo ouvido isto, foram, tomaram o seu corpo, e o pozeram n’um sepulchro.

A primeira multiplicação dos pães.

Mat. 14.13-21, etc.

30 E os [23] apostolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-lhe tudo, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado.

31 E elle disse-lhes: [24] Vinde vós, aqui áparte, a um logar deserto, e repousae um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, [25] e não tinham tempo para comer.

32 E foram n’um barco para um logar deserto, em particular.

33 E a multidão viu-os partir, e muitos o conheceram; e concorreram lá a pé de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que elles, e approximavam-se d’elle.

34 E Jesus, saindo, [26] viu uma grande multidão, e teve compaixão d’elles, porque eram como ovelhas que não teem pastor; [27] e começou a ensinar-lhes muitas coisas.

35 E, como o dia fosse já muito adiantado, [28] os seus discipulos se approximaram d’elle, e lhe disseram: O logar é deserto, e o dia está já muito adiantado;

36 Despede-os, para que vão aos logares e aldeias circumvisinhas, e comprem pão para si; porque não teem que comer.

37 Elle, porém, respondendo, lhes disse: Dae-lhes vós de comer. E elles disseram-lhe: [29] Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer?

38 E elle disse-lhes: Quantos pães tendes? Ide vêr. E, sabendo-o elles, disseram: Cinco [30] e dois peixes.

39 E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em ranchos, sobre a herva verde.

40 E assentaram-ce repartidos de cem em cem, e de cincoenta em cincoenta.

41 E, tomando elle os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, [31] abençoou e partiu os pães, e deu-os aos seus discipulos para que os pozessem adiante d’elles. E repartiu os dois peixes por todos;

42 E todos comeram, e ficaram fartos;

43 E levantaram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixes.

44 E os que comeram os pães eram quasi cinco mil homens.

Jesus anda por cima do mar.

Mat. 14.22-36.

45 E logo [32] obrigou os seus discipulos a subir para o barco, e ir adiante, para a outra banda, defronte de Bethsaida, entretanto que elle despedia a multidão.

46 E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar.

47 E, [33] sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar, e elle sósinho em terra.

48 E viu que se fatigavam remando muito, porque o vento lhes era contrario, e perto da quarta vigilia da noite approximou-se d’elles, andando sobre o mar, [34] e queria passar adiante d’elles.

49 Mas, quando o viram andar sobre o mar, cuidaram que era um phantasma, e deram grandes gritos.

50 Porque todos o viam, e turbaram-se; mas logo fallou com elles, e disse-lhes: Tende bom animo; sou eu, não temaes.

51 E subiu para o barco para estar com elles, e o vento se aquietou; e entre si ficaram muito assombrados e maravilhados;

52 Pois ainda não tinham [35] comprehendido o milagre dos pães; porque o seu coração estava [36] endurecido.

53 E, [37] quando já estavam na outra banda, dirigiram-se á terra de Gennezareth, e ali tomaram porto.

54 E, saindo elles do barco, logo o conheceram;

55 E, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer-lhe em leitos, aonde quer que sabiam que estava, os que se achavam enfermos.

56 E, aonde quer que entrava, em cidade, ou aldeias, ou logares, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que ao menos [38] tocassem a orla do seu vestido; e todos os que lhe tocavam saravam.

[1] Luc. 4.16.

[2] João 6.42.

[3] Mat. 12.46. Gal. 1.19.

[4] Mat. 11.6.

[5] Mat. 13.57. João 4.44.

[6] Gen. 19.22 e 32.25. Mat. 13.58. cap. 9.22.

[7] Isa. 59.16. Mat. 9.35. Luc. 13.22.

[8] Mat. 10.1. cap. 3.13, 14. Luc. 9.1.

[9] Act. 12.8.

[10] Mat. 10.11. Luc. 9.4 e 10.7, 8.

[11] Mat. 10.14. Luc. 10.10.

[12] Act. 13.51 e 18.6.

[13] Thi. 5.14.

[14] Luc. 9.7.

[15] Mat. 16.14. cap. 8.28.

[16] Mat. 14.2. Luc. 3.19.

[17] Lev. 18.16 e 20.21.

[18] Mat. 14.5 e 21.26.

[19] Mat. 14.6.

[20] Gen. 40.20.

[21] Est. 5.3, 6 e 7.2.

[22] Mat. 14.9.

[23] Luc. 9.10.

[24] Mat. 14.13. cap. 3.20.

[25] Mat. 14.13.

[26] Mat. 9.33 e 14.14.

[27] Luc. 9.11.

[28] Mat. 14.15. Luc. 9.12.

[29] Num. 11.13, 22. II Reis 4.43.

[30] Mat. 14.17 e 15.34. Luc. 9.13. João 6.9. cap. 8.5.

[31] I Sam. 9.13. Mat. 26.26.

[32] João 6.17.

[33] Mat. 14.23. João 6.16, 17.

[34] Luc. 24.28.

[35] cap. 8.17, 18.

[36] cap. 3.5 e 16.14.

[37] Mat. 14.34.

[38] Mat. 9.20. cap. 5.27, 28. Act. 19.12.

A tradição dos anciãos.

Mat. 15.1-20, etc.

7 E ajuntaram-se a elle os phariseos, e alguns dos escribas que tinham vindo de Jerusalem,

2 E, vendo que alguns dos seus discipulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar, os reprehendiam.

3 Porque os phariseos, e todos os judeos, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes;

4 E, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas ha que se encarregaram de observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.

5 Depois perguntaram-lhe [1] os phariseos e os escribas: Porque não andam os teus discipulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por lavar?

6 E elle, respondendo, disse-lhes: Bem prophetizou Isaias ácerca de vós, hypocritas, como está escripto: [2] Este povo honra-me com os labios, mas o seu coração está longe de mim;

7 Em vão, porém, [AGN] me honram, ensinando doutrinas, mandamentos de homens.

8 Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas similhantes a estas.

9 E dizia-lhes: Bem invalidaes o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.

10 Porque Moysés disse: Honra [3] a teu pae e a tua mãe; e quem maldisser, ou o pae ou a mãe, morrerá de morte.

11 Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pae ou á mãe: Aquillo que poderias aproveitar de mim é Corban, [4] isto é, offerta ao Senhor;

12 E nada mais lhe deixaes fazer por seu pae ou por sua mãe,

13 Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis similhantes a estas.

14 E, chamando [5] a si toda a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós todos, e comprehendei.

15 Nada ha, fóra do homem, que, entrando n’elle, o possa contaminar; mas o que sae d’elle isso é que contamina o homem.

16 Se alguem [6] tem ouvidos para ouvir, ouça.

17 Depois, [7] quando deixou a multidão, e entrou em casa, os seus discipulos o interrogavam ácerca d’esta parabola.

18 E elle disse-lhes: Assim tambem vós estaes sem entendimento? Não comprehendeis que tudo o que de fóra entra no homem não o pode contaminar;

19 Porque não entra no seu coração, mas no estomago, e vae depois para um logar escuso, purificando todas as comidas?

20 E dizia: O que sae do homem isso contamina o homem.

21 Porque [8] do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adulterios, as fornicações, os homicidios,

22 Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasphemia, a soberba, a loucura.

23 Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem,

A mulher cananea.

Mat. 15.21-28.

24 E, levantando-se d’ali, foi para os termos de Tyro e de Sidon. E, entrando n’uma casa, não queria que alguem o soubesse: mas não pôde esconder-se,

25 Porque uma mulher, cuja filha tinha um espirito immundo, ouvindo fallar d’elle, foi, e lançou-se aos seus pés;

26 E esta mulher era grega, syro-phenicia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demonio.

27 Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convem tomar o pão dos filhos e lançal-o aos cachorrinhos.

28 Ella, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas tambem os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.

29 Então elle disse-lhe: Por essa palavra, vae; o demonio já saiu de tua filha.

30 E, indo ella para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demonio já tinha saido.

Cura d’um surdo e gago de Decapolis.

31 E elle, [9] tornando a sair dos termos de Tyro e de Sidon, foi para o mar da Galilea, pelos confins de Decapolis.

32 E trouxeram-lhe um surdo, que [10] fallava difficilmente; e rogaram-lhe que pozesse a mão sobre elle.

33 E, tirando-o á parte, de entre a multidão, metteu-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, [11] tocou-lhe a lingua.

34 E, levantando os olhos ao céu, [12] suspirou, [13] e disse: Ephphatha; isto é, Abre-te.

35 E logo [14] se abriram os seus ouvidos, e a prisão da lingua se desfez, e fallava perfeitamente.

36 E ordenou-lhes [15] que a ninguem o dissessem; mas, quanto mais lh’o prohibia, tanto mais o divulgavam.

37 E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem: faz ouvir os surdos e fallar os mudos.

[1] Mat. 15.1.

[2] Isa. 29.13. Mat. 15.8.

[3] Exo. 20.12 e 21.17. Deu. 5.16. Mat. 15.4. Lev. 20.9. Pro. 20.20.

[4] Mat. 15.5 e 23.18.

[5] Mat. 15.10.

[6] Mat. 11.15.

[7] Mat. 15.15.

[8] Gen. 6.5.

[9] Mat. 15.29.

[10] Mat. 9.32. Luc. 11.14.

[11] cap. 8.23. João 9.6.

[12] cap. 6.41. João 11.41 e 17.1.

[13] João 11.33, 38.

[14] Isa. 35.5, 6. Mat. 11.5.

[15] cap. 5.43.

Segunda multiplicação dos pães.

8 N’aquelles dias, havendo mui grande multidão, [1] e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discipulos, e disse-lhes:

2 Tenho compaixão da multidão, porque ha já tres dias que estão comigo, e não teem que comer.

3 E, se os deixar ir em jejum para suas casas, desfallecerão no caminho, porque alguns d’elles vieram de longe.

4 E os seus discipulos responderam-lhe: D’onde poderá alguem saciar estes de pão aqui no deserto?

5 E [2] perguntou-lhes: Quantos pães tendes? E disseram-lhe: Sete.

6 E ordenou á multidão que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, e tendo dado graças, partiu-os, e deu-os aos seus discipulos, para que lh’os pozessem adiante, e pozeram-n’os adiante da multidão.

7 Tinham tambem uns poucos de peixinhos; e, tendo dado graças, [3] ordenou que tambem lh’os pozessem adiante.

8 E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete alcofas.

9 E os que comeram eram quasi quatro mil; e despediu-os.

O fermento dos phariseos.

Mat. 16.1-12.

10 E, entrando logo no barco com os seus discipulos, foi para as partes de Dalmanutha.

11 E sairam [4] os phariseos, e começaram a disputar com elle, pedindo-lhe, para o tentarem, um signal do céu.

12 E, suspirando profundamente em seu espirito, disse: Porque pede esta geração um signal? Em verdade vos digo que a esta geração não se dará signal.

13 E, deixando-os, tornou a entrar no barco, e foi para a outra banda.

14 E os seus discipulos [5] se esqueceram de tomar pão, e no barco não tinham comsigo senão um pão.

15 E ordenou-lhes, [6] dizendo: Olhae, guardae-vos do fermento dos phariseos e do fermento de Herodes.

16 E arrazoavam entre si, dizendo: É porque não temos [7] pão.

17 E Jesus, conhecendo isto, disse-lhes: Para que arrazoaes, que não tendes pão? não considerastes, nem [8] comprehendestes ainda? tendes ainda o vosso coração endurecido?

18 Tendo olhos, não vêdes? e, tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembraes?

19 Quando parti [9] os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes? Disseram-lhe: Doze.

20 E, [10] quando parti os sete entre os quatro mil, quantas alcofas cheias de pedaços levantastes? E disseram-lhe: Sete.

21 E elle lhes disse: [11] Como não entendeis ainda?

Cura d’um cego de Bethsaida.

22 E chegou a Bethsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse.

23 E, tomando o cego pela mão, levou-o para fóra da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, [12] e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa.

24 E, levantando elle os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como arvores que andam.

25 Depois tornou a pôr-lhe as mãos nos olhos, e lh’os fez levantar; e ficou restabelecido, e viu ao longe e distinctamente a todos.

26 E mandou-o para sua casa, dizendo: [13] Não entres na aldeia.

A confissão de Pedro.

Mat. 16.13-23.

27 E saiu Jesus [14] e os seus discipulos para as as aldeias de Cesarea de Philippo; e no caminho perguntou aos seus discipulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou?

28 E elles responderam: [15] João Baptista; e outros, Elias; e outros, Um dos prophetas.

29 E elle lhes disse: Porém vós quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: [16] Tu és o Christo.

30 E [17] admoestou-os, que a ninguem dissessem aquillo d’elle.

31 E começou [18] a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e fosse rejeitado pelos anciãos e principes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, e depois de tres dias resuscitasse.

32 E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou á parte, e começou a reprehendel-o.

33 Mas elle, virando-se, e olhando para os seus discipulos, reprehendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanaz; porque não comprehendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens.

Cada um deve levar a sua propria cruz.

Mat. 6.24-28 e refs.

34 E, chamando a si a multidão, com os seus discipulos, disse-lhes: [19] Se alguem quizer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.

35 Porque [20] qualquer que quizer salvar a sua [AGO] vida perdel-a-ha, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho esse a salvará.

36 Pois que aproveitaria ao homem, se ganhasse todo o mundo e perdesse a sua [AGP] alma?

37 Ou que dará o homem pelo resgate da sua alma?

38 Porque qualquer que, entre esta geração adultera e peccadora, se envergonhar [21] de mim e das minhas palavras, tambem o Filho do homem se envergonhará d’elle, quando vier na gloria de seu Pae, com os sanctos anjos.

[1] Mat. 15.32.

[2] Mat. 15.34. cap. 6.38.

[3] Mat. 14.19. cap. 6.41.

[4] Mat. 12.38. João 6.30.

[5] Mat. 16.5.

[6] Mat. 16.6. Luc. 12.1.

[7] Mat. 16.7.

[8] cap. 6.52.

[9] Mat. 14.20. cap. 6.43. Luc. 9.17. João 6.13.

[10] Mat. 15.37. ver. 8.

[11] cap. 6.52. ver. 17.

[12] cap. 7.33.

[13] Mat. 8.4. cap. 5.43.

[14] Luc. 9.18.

[15] Mat. 14.2.

[16] Mat. 16.16. João 6.59 e 11.27.

[17] Mat. 16.20.

[18] Mat. 16.21, 28. Luc. 9.22, 27.

[19] Mat. 10.38 e 16.24. Luc. 9.23 e 14.27.

[20] João 12.25.

[21] Mat. 10.33. Luc. 9.26 e 12.9. Rom. 1.16. II Tim. 1.8 e 2.12.

9 Dizia-lhes tambem: [1] Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns ha que não provarão a morte até que vejam vir [2] o reino de Deus com poder.

A transfiguração.

Mat. 17.1-13 e refs.

2 E seis dias [3] depois Jesus tomou comsigo a Pedro, a Thiago, e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante d’elles;

3 E os seus vestidos tornaram-se resplandecentes, mui brancos como a neve, [4] taes como nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia branquear.

4 E appareceu-lhes Elias com Moysés, e fallavam com Jesus.

5 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos tres cabanas, uma para ti, uma para Moysés, e uma para Elias.

6 Pois não sabia o que dizia, porque estavam assombrados.

7 E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a elle ouvi.

8 E, tendo olhado em roda, ninguem mais viram, senão só Jesus com elles.

9 E, [5] descendo elles do monte, ordenou-lhes que a ninguem contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem resuscitasse dos mortos.

10 E elles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que seria aquillo: resuscitar dos mortos.

11 E interrogaram-n’o, dizendo: Porque dizem os escribas que é necessario que Elias [6] venha primeiro?

12 E, respondendo elle, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará: [7] e, como está escripto do Filho do homem, convem que padeça muito e seja aviltado.

13 Digo-vos, porém, [8] que Elias já veiu, e fizeram-lhe tudo o que quizeram, como d’elle está escripto.

O joven lunatico.

Mat. 17.14-21.

14 E, quando se approximou [9] dos discipulos, viu ao redor d’elles grande multidão, e alguns escribas que disputavam com elles.

15 E logo toda a multidão, vendo-o, ficou espantada, e, correndo para elle, o saudaram.

16 E perguntou aos escribas: Que questionaes com elles?

17 E um da multidão, respondendo, disse: [10] Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espirito mudo;

18 E, onde quer que o apanha, despedaça-o, e elle escuma, e range os dentes, e vae-se seccando; e eu disse aos teus discipulos que o expulsassem, e não poderam.

19 E elle, respondendo-lhes, disse: Ó geração incredula! até quando estarei comvosco? até quando vos soffrerei ainda? Trazei-m’o.

20 E trouxeram-lh’o; e, [11] quando o viu, logo o espirito o agitou com violencia, e, caindo por terra, revolvia-se, escumando.

21 E perguntou ao pae d’elle: Quanto tempo ha que lhe succede isto? E elle disse-lhe: Desde a infancia;

22 E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na agua, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.

23 E Jesus disse-lhe: [12] Se tu podes crêr; tudo é possível ao que crê.

24 E logo o pae do menino, clamando com lagrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade.

25 E Jesus, vendo que a multidão concorria, reprehendeu o espirito immundo, dizendo-lhe: Espirito mudo e surdo, eu te ordeno: Sae d’elle, e não entres mais n’elle.

26 E elle, clamando, e agitando-o com violencia, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto.

27 Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e elle se levantou.

28 E, quando [13] entrou em casa, os seus discipulos lhe perguntaram á parte: Porque o não podemos nós expulsar?

29 E disse-lhes: Esta casta não pode sair por coisa alguma, senão pela oração e jejum.

O maior no reino dos céus.

Mat. 18.1-14 e refs.

30 E, tendo partido d’ali, caminharam pela Galilea, e não queria que alguem o soubesse;

31 Porque ensinava os seus discipulos, e lhes dizia: [14] O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matal-o-hão; e, morto elle, resuscitará ao terceiro dia.

32 Mas elles não entendiam esta palavra, e temiam interrogal-o.

33 E chegou a Capernaum, e, [15] entrando em casa, perguntou-lhes: Que arrazoaveis entre vós pelo caminho?

34 Mas elles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual d’elles havia de ser o maior.

35 E elle, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: [16] Se alguem quizer ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.

36 E, lançando [17] mão de um menino, pôl-o no meio d’elles, e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes:

37 Qualquer que receber um d’estes meninos em meu nome [18] a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber recebe, não a mim, mas ao que me enviou.

Quem não é contra nós é por nós.

Luc. 9.49, 50.

38 E João lhe respondeu, [19] dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demonios, o qual não nos segue; e nós lh’o prohibimos, porque não nos segue.

39 Jesus, porém, disse: Não lh’o prohibaes; porque ninguem ha [20] que faça milagre em meu nome e possa logo fallar mal de mim.

40 Porque quem não é [21] contra nós é por nós.

41 Porque qualquer que vos der [22] a beber um copo d’agua em meu nome, porque sois discipulos de Christo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão.

Os escandalos.

42 E qualquer que [23] escandalizar um d’estes pequeninos que crêem em mim melhor lhe fôra que lhe pozessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar.

43 E, se a tua mão te [24] escandalizar, corta-a: melhor te é entrar na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga;

44 Onde o seu bicho [25] não morre, e o fogo nunca se apaga.

45 E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor te é entrar côxo na vida do que, tendo dois pés, ser lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga;

46 Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.

47 E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fóra; melhor te é entrar no reino de Deus com um olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo do inferno;

48 Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.

49 Porque cada um será [26] salgado com fogo, e cada sacrificio será salgado com sal.

50 Bom é o sal; [27] mas, se o sal se tornar insulso, com que o adubareis? tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.

[1] Mat. 15.28.

[2] Mat. 24.30 e 25.31. Luc. 22.18.

[3] Luc. 9.28.

[4] Dan. 7.9. Mat. 28.3.

[5] Mat. 17.9.

[6] Mat. 17.10.

[7] Psa. 22.6. Isa. 53.2, etc. Dan. 9.26. Luc. 23.11. Phi. 2.7.

[8] Mat. 11.14 e 17.12. Luc. 1.17.

[9] Luc. 9.37.

[10] Mat. 17.14. Luc. 9.38.

[11] cap. 1.26. Luc. 9.42.

[12] Mat. 17.20. cap. 11.23. Luc. 17.6. João 11.40.

[13] Mat. 17.18.

[14] Mat. 17.19. Luc. 9.44.

[15] Mat. 18.1. Luc. 9.46 e 22.24.

[16] Mat. 20.26, 27. cap. 10.43.

[17] Mat. 18.2. cap. 10.16.

[18] Mat. 10.40. Luc. 9.48.

[19] Num. 11.28.

[20] I Cor. 12.3.

[21] Mat. 12.30.

[22] Mat. 10.42.

[23] Mat. 18.6. Luc. 17.1.

[24] Deu. 13.6. Mat. 5.29 e 18.8.

[25] Isa. 66.24.

[26] Lev. 2.13. Eze. 43.24.

[27] Mat. 5.13. Luc. 14.34. Eph. 4.29. Col. 4.6. II Cor. 13.11. Heb. 12.14.

O divorcio.

Mat. 19.1-12 e refs.

[Anno Domini 33]

10 E, levantando-se d’ali, foi para [1] os termos da Judea, além do Jordão, e a multidão se reuniu em torno d’elle; e tornou a ensinal-os, como tinha por costume.

2 E, approximando-se d’elle os phariseos, [2] perguntaram-lhe, tentando-o: É licito ao homem repudiar sua mulher?

3 Mas elle, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moysés?

4 E elles disseram: [3] Moysés permittiu escrever-lhe carta de divorcio, e repudial-a.

5 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos corações vos escreveu elle esse mandamento;

6 Porém, desde o principio da creação, Deus os fez [4] macho e femea.

7 Por isso [5] deixará o homem a seu pae e a sua mãe, e unir-se-ha a sua mulher,

8 E serão os dois uma só carne: assim que já não serão dois, mas uma só carne.

9 Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem.

10 E em casa tornaram os discipulos a interrogal-o ácerca d’isto mesmo.

11 E elle lhes disse: [6] Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultéra contra ella.

12 E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultéra.

Jesus abençoa os meninos.

Mat. 19.13-15 e refs.

13 E [7] traziam-lhe meninos para que os tocasse, mas os discipulos reprehendiam aos que lh’os traziam.

14 Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixae vir os meninos a mim, e não os empeçaes; porque dos [8] taes é o reino de Deus.

15 Em verdade vos digo que qualquer que não receber [9] o reino de Deus como menino de maneira nenhuma entrará n’elle.

16 E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou.

O mancebo rico.

Mat. 19.16-30.

17 E, saindo [10] para o caminho, correu para elle um, e, pondo-se de joelhos diante d’elle, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

18 E Jesus lhe disse: Porque me chamas bom? ninguem ha bom senão um, que é Deus.

19 Tu sabes os mandamentos: Não [11] adulterarás; não matarás; não furtarás; não darás falsos testemunhos; não defraudarás alguem: honra a teu pae e a tua mãe.

20 Elle, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso guardei desde a minha mocidade.

21 E Jesus, olhando para elle, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vae, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, [12] e terás um thesouro no céu; e vem, segue-me.

22 Mas elle, pezaroso d’esta palavra, retirou-se triste; porque possuia muitas propriedades.

23 Então Jesus, [13] olhando em redor, disse aos seus discipulos: Quão difficilmente entrarão no reino de Deus os que teem riquezas!

24 E os discipulos se admiraram d’estas suas palavras; mas Jesus, tornando a fallar, [14] disse-lhes: Filhos, quão difficil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!

25 É mais facil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.

26 E elles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá pois salvar-se?

27 Jesus, porém, olhando para elles, disse: Para os homens é impossivel, mas não para Deus, porque para Deus [15] todas as coisas são possiveis.

28 E Pedro [16] começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixámos, e te seguimos.

29 E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguem ha, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pae, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do Evangelho,

30 Que [17] não receba cem vezes tanto, agora n’este tempo, casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no seculo futuro a vida eterna.

31 Porém [18] muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros.

O pedido dos filhos de Zebedeo.

Mat. 20.17-28.

32 E iam no caminho, [19] subindo a Jerusalem: e Jesus ia adiante d’elles. E elles maravilhavam-se, e seguiam-n’o atemorisados. E, tornando a tomar comsigo os doze, começou [20] a dizer-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir,

33 Dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalem, e o Filho do homem será entregue aos principes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condemnarão á morte, e o entregarão aos gentios.

34 E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão n’elle, e o matarão; e ao terceiro dia resuscitará.

35 E approximaram-se [21] d’elle Thiago e João, filhos de Zebedeo, dizendo: Mestre, quizeramos que nos fizesses o que pedirmos.

36 E elle lhes disse: Que quereis que vos faça?

37 E elles lhe disseram: Concede-nos que na tua gloria nos assentemos, um á tua direita, e outro á tua esquerda.

38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis: podeis vós beber o calix que eu bebo, e ser baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado?

39 E elles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o calix que eu beber, e sereia baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado;

40 Mas o assentar-se á minha direita, ou á minha esquerda, não me pertence a mim concedel-o, senão áquelles para quem está preparado.

41 E [22] os dez, tendo ouvido isto, começaram a indignar-se contra Thiago e João.

42 Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: [23] Sabeis que os que julgam ser principes das gentes d’ellas se assenhoream, e os seus grandes usam de auctoridade sobre ellas;

43 Mas [24] entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quizer ser grande, será vosso [AGQ] servo;

44 E qualquer que d’entre vós quizer ser o primeiro será [AGR] servo de todos.

45 Porque o [25] Filho do homem tambem não veiu para ser servido, mas para servir e dar [26] a sua vida em resgate por muitos.

O cego de Jericó.

Mat. 20.29-34.

46 Depois foram para Jericó. E, saindo [27] elle de Jericó com seus discipulos, e uma grande multidão, Bartimeo, o cego, filho de Timeo, estava assentado junto do caminho, mendigando.

47 E, ouvindo que era Jesus de Nazareth, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de David! tem misericordia de mim.

48 E muitos o reprehendiam, para que se calasse; mas elle clamava cada vez mais: Filho de David! tem misericordia de mim.

49 E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom animo; levanta-te, que elle te chama.

50 E elle, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.

51 E Jesus, fallando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que recupere a vista.

52 E Jesus lhe disse: [28] Vae, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.

[1] João 10.40 e 11.7.

[2] Mat. 19.3.

[3] Deu. 24.1. Mat. 5.31 e 19.7.

[4] Gen. 1.27 e 5.2.

[5] Gen. 2.24. I Cor. 6.16. Eph. 5.31.

[6] Mat. 5.32 e 19.9. Luc. 16.18. Rom. 7.3. I Cor. 7.10, 11.

[7] Luc. 18.15.

[8] I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.

[9] Mat. 18.3.

[10] Luc. 18.18.

[11] Exo. 20.14. Rom. 13.9.

[12] Mat. 6.19, 20 e 19.21. Luc. 12.33 e 16.9.

[13] Mat. 19.23. Luc. 18.24.

[14] Job 31.24. Psa. 52.7 e 62.10. I Tim. 6.17.

[15] Jer. 3.2, 17. Mat. 19.26. Luc. 1.37.

[16] Mat. 19.27. Luc. 18.28.

[17] II Chr. 25.9. Luc. 18.30.

[18] Mat. 19.30 e 20.16. Luc. 13.30.

[19] Luc. 18.31.

[20] cap. 8.31 e 9.31. Luc. 9.22 e 18.31.

[21] Mat. 10.20.

[22] Mat. 20.24.

[23] Luc. 22.25.

[24] Mat. 20.26, 28. cap. 3.35. Luc. 9.48.

[25] João 13.14. Phi. 2.7.

[26] Mat. 20.28. I Tim. 2.6. Tito 2.14.

[27] Luc. 18.35.

[28] Mat. 9.22. cap. 5.34.

A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem.

Mat. 21.1-11.

11 E, logo [1] que se approximaram de Jerusalem, de Bethphagé e de Bethania, junto do monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discipulos,

2 E disse-lhes: Ide á aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; soltae-o, e trazei-m’o.

3 E, se alguem vos disser: Porque fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa d’elle, e logo o deixará trazer para aqui.

4 E foram, e encontraram o jumentinho preso fóra da porta, entre dois caminhos, e o soltaram.

5 E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o jumentinho?

6 Elles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado, e deixaram-n’os ir.

7 E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre elle os seus vestidos, e assentou-se sobre elle:

8 E muitos [2] estendiam os seus vestidos pelo caminho, e outros cortavam ramos das arvores, e os espalhavam pelo caminho.

9 E aquelles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosanna, [3] bemdito o que vem em nome do Senhor;

10 Bemdito o reino do nosso pae David, [4] que vem em nome do Senhor; Hosanna nas alturas.

11 E Jesus entrou em [5] Jerusalem, no templo, e, tendo visto tudo em redor, e sendo já tarde, saiu para Bethania com os doze.

A figueira secca: a purificação do templo.

Mat. 21.12-22.

12 E, no dia seguinte, quando sairam de Bethania, teve fome,

13 E, [6] vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi vêr se n’ella acharia alguma coisa: e, chegando a ella, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.

14 E Jesus, fallando, disse á figueira: Nunca mais alguem coma fructo de ti, para sempre. E os seus discípulos ouviram isto.

15 E vieram a Jerusalem; [7] e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derribou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.

16 E não consentia que alguem levasse algum vaso pelo templo.

17 E os ensinava, dizendo: Não está escripto: A minha casa será chamada por todas as nações casa de oração? [8] Mas vós a tendes feito covil [9] de ladrões.

18 E os escribas [10] e principes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam occasião para o matar; pois elles o temiam, porque [11] toda a multidão estava admirada ácerca da sua doutrina.

19 E, sendo já tarde, saiu fóra da cidade.

20 E elles, passando pela [12] manhã, viram que a figueira se tinha seccado desde as raizes.

21 E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, seccou-se.

22 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;

23 Porque em verdade vos digo que [13] qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crêr que se fará aquillo que diz, tudo o que disser lhe será feito.

24 Portanto vos digo que tudo o que pedirdes, [14] orando, crêde que o recebereis, e tel-o-heis;

25 E, quando estiverdes orando, perdoae, se tendes alguma coisa contra alguém, [15] para que vosso Pae, que está nos céus, vos perdôe as vossas offensas;

26 Mas, se vós [16] não perdoardes, tambem vosso Pae, que está nos céus, vos não perdoará as vossas offensas.

Interrogação ácerca do baptismo de João.

27 E tornaram a Jerusalem, e, andando elle pelo [17] templo, os principaes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos se approximaram d’elle,

28 E lhe disseram: Com que auctoridade fazes tu estas coisas? e quem te deu esta auctoridade para fazer estas coisas?

29 Más Jesus, respondendo, disse-lhes: Também eu vos perguntarei uma coisa, e respondei-me, e vos direi com que auctoridade faço estas coisas:

30 O baptismo de João era do céu ou dos homens? respondei-me.

31 E elles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu; elle nos dirá: Pois porque o não crêstes?

32 Se, porém, dissermos: Dos homens; tememos o povo. Porque todos sustentavam que [18] João verdadeiramente era propheta.

33 E, respondendo, disseram a Jesus: Não sabemos. E Jesus, respondendo, lhes disse: Tambem eu vos não direi com que auctoridade faço estas coisas.

[1] Luc. 19.29. João 12.14.

[2] Mat. 21.8.

[3] Psa. 118.26.

[4] Psa. 149.1.

[5] Mat. 21.12.

[6] Mat. 21.18.

[7] Mat. 21.19. Luc. 19.46. João 2.14.

[8] Isa. 66.7.

[9] Jer. 7.11.

[10] Mat. 21.45, 46. Luc. 19.47.

[11] Mat. 7.28. cap. 1.22. Luc. 4.32.

[12] Mat. 21.19.

[13] Mat. 17.19 e 21.21. Luc. 17.6.

[14] Mat. 7.7. Luc. 11.9. João 11.13 e 15.7 e 16.24. Thi. 1.5.

[15] Mat. 6.14. Col. 3.13.

[16] Mat. 18.35.

[17] Mat. 21.23. Luc. 20.1.

[18] Mat. 3.6 e 14.5. cap. 6.20.

Parabola dos lavradores malvados.

Mat. 21.33-46.

12 E começou [1] a fallar-lhes por parabolas: Um homem plantou uma vinha, e cercou-a de um vallado, e fundou n’ella um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fóra da terra;

2 E, chegado o tempo, mandou um servo aos lavradores para que recebesse, dos lavradores, do fructo da vinha.

3 Mas elles, apoderando-se d’elle, o feriram e o mandaram embora vasio.

4 E tornou a enviar-lhes outro servo; e elles, apedrejando-o, o feriram na cabeça, e o mandaram embora, tendo-o affrontado.

5 E tornou a enviar-lhes outro, e a este mataram, e outros muitos, e feriram uns, e mataram outros.

6 Tendo elle pois ainda um seu filho amado, enviou-o tambem a estes por derradeiro, dizendo: Ao menos terão respeito ao meu filho.

7 Mas aquelles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vamos, matemol-o, e a herança será nossa.

8 E, pegando d’elle, o mataram, e o lançaram fóra da vinha.

9 Que fará pois o Senhor da vinha? Virá, e destruirá os lavradores, e dará a vinha a outros.

10 Ainda não lestes esta Escriptura: [2] A pedra, que os edificadores rejeitaram, esta foi posta por cabeça da esquina:

11 Isto foi feito pelo Senhor, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos?

12 E buscavam [3] prendel-o, mas temiam a multidão, porque entendiam que contra elles dizia esta parabola: e, deixando-o, foram-se.

Interrogação ácerca do tributo.

Mat. 22.15-22.

13 E enviaram-lhe alguns [4] dos phariseos e dos herodianos, para que o apanhassem n’alguma palavra.

14 E, chegando elles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguem se te dá, porque não olhas á apparencia dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus: é licito dar o tributo a Cesar, ou não? Daremos, ou não daremos?

15 Então ele, conhecendo a sua hypocrisia, disse-lhes: Porque me tentaes? trazei-me uma moeda, para que a veja.

16 E elles lh’a trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscripção? E elles lhe disseram: De Cesar.

17 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dae pois a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se d’elle.

Os sadduceos e a resurreição.

Mat. 22.23-33.

18 Então os [5] sadduceos, que dizem que não ha [6] resurreição, approximaram-se d’elle, e perguntaram-lhe, dizendo:

19 Mestre, [7] Moysés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguem, e deixasse mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher d’elle, e suscitasse semente a seu irmão.

20 Ora havia sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem deixar semente;

21 E o segundo tambem a tomou e morreu, e nem este deixou semente; e o terceiro da mesma maneira;

22 E tomaram-n’a todos os sete, sem, comtudo, deixarem semente. Finalmente, depois de todos, morreu tambem a mulher.

23 Na resurreição, pois, quando resuscitarem, de qual d’estes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher.

24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não erraes vós, porque não sabeis as Escripturas nem o poder de Deus?

25 Porquanto, quando resuscitarem dos mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como [8] os anjos que estão nos céus.

26 E, ácerca dos mortos que houverem de resuscitar, não tendes lido no livro de Moysés como Deus lhe fallou na sarça, dizendo: Eu sou [9] o Deus de Abrahão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob?

27 Ora Deus não é dos mortos, mas sim Deus dos vivos. Por isso vós erraes muito.

O primeiro de todos os mandamentos.

Mat. 22.35-40 e refs.

28 E, approximando-se d’elle um dos escribas que os tinha ouvido disputar, sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?

29 E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, [10] Israel, o Senhor nosso Deus é o unico Senhor.

30 Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamento.

31 E o segundo, similhante a este, é: [11] Amarás o teu proximo como a ti mesmo. Não ha outro mandamento maior do que estes.

32 E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ha um só [12] Deus, e que não ha outro além d’elle;

33 E que amal-o de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o proximo como a si mesmo, é mais do que todos [13] os holocaustos e sacrificios.

34 E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguem [14] ousava perguntar-lhe mais nada.

O Christo, Filho de David.

Mat. 22.41-46.

35 E, fallando [15] Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Christo é filho de David?

36 Porque o mesmo David disse pelo Espirito Sancto: [16] O Senhor disse ao meu Senhor: Assenta-te á minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabello dos teus pés.

37 Pois, se David mesmo lhe chama Senhor, como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia de boa vontade.

Jesus censura os escribas.

Mat. 23.6, etc.

38 E, ensinando-os, [17] dizia-lhes: Guardae-vos dos escribas, que gostam de andar com vestidos compridos, e das saudações nas praças,

39 E das primeiras cadeiras nas synagogas, e dos primeiros assentos nas ceias;

40 Que devoram [18] as casas das viuvas, e isso com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condemnação.

A oferta da viuva pobre.

Luc. 21.1-4.

41 E, estando Jesus assentado defronte da [19] arca do thesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do thesouro; e muitos ricos deitavam muito.

42 E, chegando uma pobre viuva, deitou duas pequenas moedas, que valiam quatro réis.

43 E, chamando os seus discipulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre [20] viuva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do thesouro,

44 Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o [21] que tinha, todo o seu sustento.

[1] Luc. 20.9.

[2] Psa. 118.22.

[3] Mat. 21.45, 46. cap. 11.18. João 7.25, 30, 44.

[4] Luc. 20.20.

[5] Luc. 20.27.

[6] Act. 23.8.

[7] Deu. 25.5.

[8] I Cor. 15.42, 49.52.

[9] Exo. 3.6.

[10] Deu. 6.4. Luc. 10.27.

[11] Lev. 19.18. Mat. 22.39. Rom. 13.9. Gal. 5.14. Thi. 2.8.

[12] Deu. 4.39. Isa. 45.6, 14 e 46.9.

[13] I Sam. 15.22. Ose. 6.6. Miq. 6.6, 7, 8.

[14] Mat. 22.46.

[15] Luc. 20.41.

[16] II Sam. 23.2. Psa. 110.1.

[17] cap. 4.2. Luc. 20.46 e 11.43.

[18] Mat. 23.14.

[19] II Reis 12.9.

[20] II Cor. 8.12.

[21] Deu. 24.6. I João 3.17.

O sermão prophetico: o principio de dôres.

Mat. 24.1-14 e refs.

13 E, saindo elle do [1] templo, disse-lhe um dos seus discipulos: Mestre, olha que pedras, e que edificios!

2 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edificios? Não ficará pedra sobre pedra [2] que não seja derribada.

3 E, assentando-se elle no monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, e Thiago, e João e André lhe perguntaram em particular:

4 Dize-nos, quando serão essas coisas, e que signal haverá quando[3] todas essas coisas se houverem de cumprir.

5 E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer: Olhae que ninguem [4] vos engane;

6 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Christo: e enganarão a muitos.

7 E, quando ouvirdes de guerras e de rumores de guerras, não vos turbeis; porque assim importa fazer-se; mas ainda não será o fim.

8 Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá terremotos em diversos logares, e haverá fomes e alvoroços. Estas coisas serão o principio [5] de dôres.

9 Mas olhae por vós mesmos, [6] porque vos entregarão aos concilios e ás synagogas; sereis açoitados, e sereis apresentados ante presidentes [AGS] e reis, por amor de mim, para lhes servir de testemunho.

10 Mas importa que o [7] evangelho se pregue primeiro entre todas as gentes.

11 Quando pois vos conduzirem para vos entregarem, não [8] estejaes solicitos d’antemão pelo que haveis de dizer; mas, o que vos fôr dado n’aquella hora, isso fallae; porque não sois vós os que fallaes, mas o Espirito Sancto.

12 E o irmão [9] entregará á morte o irmão, e o pae o filho: e levantar-se-hão os filhos contra os paes, e os matarão.

13 E sereis aborrecidos [10] por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim esse será salvo.

O sermão prophetico contínua: a grande tribulação.

Mat. 24.15-18 e refs.

14 Ora, quando vós virdes [11] a abominação do assolamento, que foi predito, estando onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judea [12] fujam para os montes.

15 E o que estiver sobre o telhado não desça para casa, nem entre a tomar coisa alguma de sua casa;

16 E o que estiver no campo não volte atraz, para tomar o seu vestido.

17 Mas ai das [13] gravidas, e das que criarem n’aquelles dias!

18 Orae pois, para que a vossa fugida não succeda no inverno;

19 Porque n’aquelles dias [14] haverá uma afflicção tal, qual nunca houve desde o principio da creação, que Deus creou, até agora, nem tão pouco haverá.

20 E, se o Senhor não abreviasse aquelles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos que escolheu, abreviou aquelles dias.

21 E então, se alguem vos disser: Eis aqui [15] está o Christo: ou, Eil-o ali está: não o acrediteis.

22 Porque se levantarão falsos christos, e falsos prophetas, e farão signaes e prodigios, para enganarem, se fôr possivel, até os escolhidos.

23 Mas vós vede; [16] eis que d’antemão vos tenho dito tudo.

O sermão prophetico continúa: A vinda do Filho do homem.

Mat. 24.29-45, etc.

24 Ora, [17] n’aquelles dias, depois d’aquella afflicção, o sol se escurecerá, e a lua não dará o seu resplendor,

25 E as estrellas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas.

26 E então verão [18] vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e gloria.

27 E então enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até á extremidade do céu.

28 Aprendei pois a parabola [19] da figueira: Quando já o seu ramo se torna tenro, e brota folhas, bem sabeis que já está proximo o verão.

29 Assim tambem vós, quando virdes succederem estas coisas, sabei que já está junto ás portas.

30 Na verdade vos digo que não passará esta geração, até que todas estas coisas aconteçam.

31 Passará o céu e a terra,[20] mas as minhas palavras não passarão.

O sermão prophetico continúa: a vigilancia.

32 Porém d’aquelle dia e hora ninguem sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pae.

33 Olhae, vigiae [21] e orae; porque não sabeis quando chegará o tempo.

34 Como o homem,[22] que, partindo para fóra da terra, deixou a sua casa, e deu auctoridade aos seus servos, e a cada um a sua obra, e mandou ao porteiro que vigiasse;

35 Vigiae [23] pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se á tarde, se á meia noite, se ao cantar do gallo, se pela manhã,

36 Para que não venha de improviso, e vos ache dormindo.

37 E as coisas que vos digo digo-as a todos: Vigiae.

[1] Luc. 21.6.

[2] Luc. 19.14.

[3] Mat. 24.3. Luc. 21.7.

[4] Jer. 29.8. Eph. 5.6. I The. 2.3.

[5] Mat. 24.8.

[6] Mat. 10.17, 18 e 24.9. Apo. 2.10.

[7] Mat. 24.14.

[8] Mat. 10.19. Luc. 12.11 e 21.14. Act. 2.4 e 4.8, 31.

[9] Miq. 7.6. Mat. 10.21 e 24.10. Luc. 21.16.

[10] Mat. 24.9. Luc. 21.17. Dan. 12.12. Mat. 10.22 e 24.13. Apo. 2.10.

[11] Dan. 9.27.

[12] Luc. 21.21.

[13] Luc. 21.23 e 23.29.

[14] Dan. 9.26 e 12.1. Joel 2.2. Mat. 24.21.

[15] Mat. 24.23. Luc. 17.23 e 21.8.

[16] II Ped. 3.17.

[17] Dan. 7.10. Sof. 1.15. Luc. 21.25.

[18] Dan. 7.13, 14. Mat. 16.27 e 24.30. cap. 14.62. Act. 1.11. I The. 4.16. II The. 1.7, 10. Apo. 1.7.

[19] Mat. 24.32. Luc. 21.29, etc.

[20] Isa. 40.8.

[21] Mat. 24.42 e 25.13. Luc. 12.40 e 21.24. Rom. 13.11. I The. 5.6.

[22] Mat. 24.45 e 25.14.

[23] Mat. 24.42, 44.

A consulta dos sacerdotes.

Mat. 26.3-5 e refs.

14 E d’alli a dois [1] dias era a paschoa, e a festa dos pães asmos, e os principaes dos sacerdotes e os escribas buscavam como o prenderiam com dolo, e o matariam.

2 Mas elles diziam: Não na festa, para que porventura se não faça alvoroço entre o povo.

O jantar em Bethania.

Mat. 26.6-13 e refs.

3 E, estando elle em [2] Bethania, assentado á mesa, em casa de Simão, o leproso, veiu uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com unguento de nardo puro, de muito preço, e, quebrando o vaso, lh’o derramou sobre a cabeça.

4 E alguns houve que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se fez este desperdicio de unguento?

5 Porque podia isto vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dal-o aos pobres. E bramavam contra ella.

6 Jesus, porém, disse: Deixae-a, para que a molestaes? Ella fez-me uma obra boa.

7 Porque sempre tendes os[3] pobres comvosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quizerdes; porém a mim nem sempre me tendes.

8 Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura.

9 Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho fôr prégado, tambem o que ella fez será contado para sua memoria.

O preço da traição.

Mat. 26.14-16.

10 E [4] Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principaes dos sacerdotes para lh’o entregar.

11 E elles, ouvindo-o, folgaram, e prometteram dar-lhe dinheiro; e buscava como o entregaria a tempo opportuno.

A ultima paschoa: a sancta ceia.

Mat. 26.17-30.

12 E, no primeiro[5] dia dos pães asmos, quando sacrificavam a paschoa, disseram-lhe os discipulos: Aonde queres que vamos preparar-te o necessario para comer a paschoa?

13 E enviou dois dos seus discipulos, e disse-lhes: Ide á cidade, e um homem, que leva um cantaro d’agua, vos encontrará; segui-o;

14 E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a paschoa com os meus discipulos?

15 E elle vos mostrará um grande cenaculo mobilado e preparado; ali a preparae.

16 E, saindo os seus discipulos, foram á cidade, e acharam como lhes tinha dito, e prepararam a paschoa.

17 E, chegada [6] a tarde, foi com os doze,

18 E, quando estavam assentados á mesa, e comendo, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vos, que comigo come, ha de trahir-me.

19 E elles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe um após outro: Porventura sou eu, Senhor? e outro: Porventura sou eu, Senhor?

20 Porém elle, respondendo, disse-lhes: É um dos doze que mette comigo a mão no prato.

21 Na verdade o Filho [7] do homem vae, como d’elle está escripto, mas ai d’aquelle homem por quem o Filho do homem é trahido! bom seria ao tal homem não haver nascido.

22 E, comendo elles, tomou [8] Jesus pão, e, abençoando-o, o partiu e deu-lh’o, e disse: Tomae, comei, isto é o meu corpo.

23 E, tomando o calix, e dando graças, deu-lh’o; e todos beberam d’elle.

24 E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que por muitos é derramado.

25 Em verdade vos digo que não beberei mais do fructo da vide, até áquelle dia em que o beber novo no reino de Deus.

26 E, tendo cantado o [9] hymno, sairam para o monte das Oliveiras.

Pedro é avisado.

Mat. 26.31-35 e refs.

27 E disse-lhes Jesus: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque escripto [10] está: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão.

28 Mas, depois que eu [11] houver resuscitado, irei adiante de vós para a Galilea.

29 E disse-lhe [12] Pedro: Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu.

30 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, n’esta noite, antes que o gallo cante duas vezes, tres vezes me negarás.

31 Mas elle dizia cada vez mais: Ainda que me seja necessario morrer comtigo, de modo nenhum te negarei. E da mesma maneira diziam todos tambem.

Jesus em Gethsemane.

Mat. 26.36-46 e refs.

32 E foram a um logar chamado [13] Gethsemane, e disse aos seus discipulos: Assentae-vos aqui, até que ore.

33 E tomou comsigo a Pedro, e a Thiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se.

34 E disse-lhes: [14] A minha alma está profundamente triste até á morte: ficae aqui, e vigiae.

35 E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possivel, passasse d’elle aquella hora.

36 E disse: [15] Abba, Pae, todas as coisas te são possiveis; affasta de mim este calix; porém não o que eu quero, mas o que tu queres.

37 E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? não podes vigiar uma hora?

38 Vigiae e orae, para que não entreis em tentação; o [16] espirito, na verdade, está prompto, mas a carne é fraca.

39 E, tornando a ir, orou, dizendo as mesmas palavras.

40 E, tornando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam carregados, e não sabiam que responder-lhe.

41 E voltou terceira vez, e disse-lhes: Dormi agora, e descançae. Basta; é chegada a hora. [17] Eis que o Filho do homem vae ser entregue nas mãos dos peccadores.

42 Levantae-vos, [18] vamos; eis que está perto o que me trahe.

Jesus é preso.

Mat. 26.47-56.

43 E logo, [19] fallando elle ainda, veiu Judas, que era um dos doze, da parte dos principaes dos sacerdotes, e dos escribas e dos anciãos, e com elle uma grande multidão com espadas e varapaus.

44 Ora, o que o trahia, tinha-lhes dado um signal, dizendo: Aquelle que eu beijar, esse é; prendei-o, e levae-o com segurança.

45 E, logo que chegou, approximou-se d’elle, e disse-lhe: Rabbi, Rabbi. E beijou-o.

46 E lançaram-lhe as mãos, e o prenderam.

47 E um dos que ali estavam presentes, puxando da espada, feriu o servo do summo sacerdote, e cortou-lhe a orelha.

48 E, respondendo [20] Jesus, disse-lhes: Saistes com espadas e varapaus a prender-me, como a um salteador?

49 Todos os dias estava comvosco ensinando no templo, e não me prendestes; mas assim se faz para [21] que as Escripturas se cumpram.

50 Então, deixando-o, todos [22] fugiram.

51 E um certo mancebo o seguia, envolto em um lençol sobre o corpo nú. E os mancebos o prenderam;

52 E elle, largando o lençol, fugiu nú d’entre elles.

Jesus perante o synhedrio.

Mat. 26.57-68.

53 E levaram Jesus [23] ao summo sacerdote, e ajuntaram-se a elle todos os principaes dos sacerdotes, e os anciãos e os escribas.

54 E Pedro o seguiu de longe até dentro do pateo do summo sacerdote, e estava assentado com os [AGT] servidores, e aquentando-se ao lume.

55 E os principaes [24] dos sacerdotes e todo o concilio buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matar, e não o achavam.

56 Porque muitos testificavam falsamente contra elle, mas os testemunhos não eram conformes.

57 E, levantando-se alguns, testificavam falsamente contra elle, dizendo:

58 Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derribarei [25] este templo, construido pelas mãos, e em tres dias edificarei outro, não feito por mãos.

59 E nem assim o seu testemunho era conforme.

60 E, levantando-se [26] o summo sacerdote no meio, perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti?

61 Mas elle calou-se, e nada respondeu. [27] O summo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Christo, Filho do Deus Bemdito?

62 E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis [28] o Filho do homem assentado á direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.

63 E o summo sacerdote, rasgando os seus vestidos, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas?

64 Vós ouvistes a blasphemia; que vos parece? E todos o condemnaram como culpado de morte.

65 E alguns começaram a cuspir n’elle, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Prophetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas.

Pedro nega a Jesus.

Mat. 26.69-75 e refs.

66 E, estando [29] Pedro em baixo, no atrio, chegou uma das creadas do summo sacerdote;

67 E, vendo a Pedro, que se estava aquentando, olhou para elle, e disse: Tu tambem estavas com Jesus Nazareno.

68 Mas elle negou-o, dizendo: Não o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fóra ao alpendre, e o gallo cantou.

69 E a creada, vendo-o outra [30] vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um dos taes.

70 Mas elle o negou outra vez. [31] E pouco depois os que ali estavam disseram outra vez a Pedro: Verdadeiramente tu és um d’elles, porque és tambem galileo, e a tua falla [32] é similhante.

71 E elle começou a imprecar, e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem de quem fallaes,

72 E [33] o gallo cantou segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o gallo cante duas vezes, tres vezes me negarás tu. E, retirando-se d’ali, chorou.

[1] Luc. 22.1. João 11.55 e 13.1.

[2] João 12.1, 3. Luc. 7.37.

[3] Deu. 15.11.

[4] Luc. 22.3, 4.

[5] Luc. 22.7.

[6] Mat. 26.20, etc.

[7] Mat. 26.24. Luc. 22.22.

[8] Mat. 26.26. Luc. 22.19. I Cor. 11.23.

[9] Mat. 26.30.

[10] Zac. 13.7.

[11] cap. 16.7.

[12] Mat. 26.33, 34. Luc. 22.33, 34. João 13.37, 38.

[13] Luc. 22.39. João 18.1.

[14] João 12.27.

[15] Rom. 8.15. Gal. 4.6. Heb. 5.7. João 5.30 e 6.38.

[16] Rom. 7.19. Gal. 5.17.

[17] João 13.1.

[18] Mat. 26.46. João 18.1, 2.

[19] Luc. 22.17. João 18.3.

[20] Mat. 26.55. Luc. 22.52.

[21] Psa. 22.6. Isa. 63.7, etc. Luc. 22.37 e 24.44.

[22] Psa. 88.8. ver. 27.

[23] Luc. 22.54. João 18.13.

[24] Mat. 26.69.

[25] cap. 15.29. João 2.19.

[26] Mat. 26.62.

[27] Isa. 53.7. Mat. 26.63.

[28] Mat. 24.30 e 26.64. Luc. 22.69.

[29] Luc. 22.65. João 18.16.

[30] Mat. 26.71. Luc. 22.58. João 18.25.

[31] Mat. 26.73. Luc. 22.59. João 18.26.

[32] Act. 2.7.

[33] Mat. 26.75.

Jesus perante Pilatos.

Mat. 27.1, 2; 11-31 e refs.

15 E logo ao [1] amanhecer os principaes dos sacerdotes, com os anciãos, e os escribas, e todo o concilio, tiveram conselho; e, amarrando a Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos.

2 E Pilatos [2] lhe perguntou: Tu és o Rei dos Judeos? E elle, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.

3 E os principaes dos sacerdotes o accusavam de muitas coisas; porém elle nada respondia.

4 E Pilatos [3] o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti.

5 Mas Jesus [4] nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se maravilhava.

6 Ora no dia da festa [5] costumava soltar-lhes um preso qualquer que elles pedissem.

7 E havia um chamado Barabbás, que, preso com outros amotinadores, tinha n’um motim commettido uma morte.

8 E a multidão, dando gritos, começou a pedir que fizesse como sempre lhes tinha feito.

9 E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos Judeos?

10 Porque elle bem sabia que por inveja os principaes dos sacerdotes o tinham entregado.

11 Mas os principaes dos [6] sacerdotes incitaram a multidão para que lhes soltasse antes Barabbás.

12 E Pilatos, respondendo, lhes disse outra vez: Que quereis pois que faça d’aquelle a quem chamaes Rei dos Judeos?

13 E elles tornaram a clamar: Crucifica-o.

14 Mas Pilatos lhes disse: Pois que mal fez? E elles cada vez clamavam mais: Crucifica-o.

15 Porém [7] Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhes Barabbás, e, açoitado Jesus, o entregou para que fosse crucificado.

16 E [8] os soldados o levaram dentro á sala, que é [AGU] a da audiência, e convocaram toda a cohorte;

17 E vestiram-n’o de purpura, e, tecendo uma corôa de espinhos, lh’a pozeram na cabeça.

18 E começaram a saudal-o, dizendo: Salve, Rei dos Judeos!

19 E feriram-n’o na cabeça com uma canna, e cuspiram n’elle, e, postos de joelhos, o adoraram.

20 E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a purpura, e o vestiram com os seus proprios vestidos, e o levaram fóra para o crucificar.

A crucifixão.

Mat. 27.32-56 e refs.

21 E constrangeram um certo [9] Simão Cyreneo, pae de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz.

22 E levaram-n’o ao [10] logar do Golgotha, que é, traduzido, logar da Caveira.

23 E deram-lhe a [11] beber vinho com myrrha, mas elle não o tomou.

24 E, havendo-o crucificado, repartiram os seus vestidos, [12] lançando sobre elles sortes, para saber o que cada um levaria.

25 E era a hora terceira, [13] e o crucificaram.

26 E por cima d’elle estava [14] escripta a sua accusação: O REI DOS JUDEOS.

27 E crucificaram [15] com elle dois salteadores, um á sua direita, e outro á esquerda.

28 E cumpriu-se [16] a escriptura que diz: E com os malfeitores foi contado.

29 E os que passavam blasphemavam d’elle, [17] meneando as suas cabeças, e dizendo: [18] Ah! tu que derribas o templo, e em tres dias o edificas,

30 Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz.

31 E da mesma maneira tambem os principaes dos sacerdotes, com os escribas, diziam uns para os outros, zombando: Salvou os outros, e não pode salvar-se a si mesmo;

32 O Christo, o Rei d’Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos e acreditemos. Tambem os que com elle estavam crucificados [19] o injuriavam.

33 E, chegada a hora sexta, [20] foram feitas trevas sobre toda a terra até á hora nona.

34 E, á hora nona, Jesus exclamou com grande voz, [21] dizendo: Eloi, Eloi, lama sabachthani? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?

35 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Eis que chama por Elias.

36 E um d’elles correu [22] a encher uma esponja de vinagre, e, pondo-a n’uma canna, deu-lh’o a beber, dizendo: Deixae, vejamos se virá Elias tiral-o.

37 E Jesus, [23] dando um grande brado, expirou.

38 E o véu [24] do templo se rasgou em dois, d’alto a baixo.

39 E o centurião, [25] que estava defronte d’elle, vendo que assim clamando expirára, disse: Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus.

40 E tambem ali estavam algumas mulheres, [26] olhando de longe, entre as quaes estavam tambem Maria Magdalena, e Maria, mãe de Thiago, o menor, e de José, e Salomé;

41 As quaes tambem o seguiam, [27] e o serviam, quando estava na Galilea; e muitas outras, que tinham subido com elle a Jerusalem.

A sepultura de Jesus.

Mat. 27.57-66 e refs.

42 E, [28] chegada a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a vespera do sabbado,

43 Chegou José d’Arimathea, senador honrado, que tambem [29] esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus.

44 E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido.

45 E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José,

46 O qual comprou [30] um lençol fino, e, tirando-o da cruz, o envolveu no lençol, e o depositou n’um sepulchro lavrado n’uma rocha; e revolveu uma pedra para a porta do sepulchro.

47 E Maria Magdalena e Maria mãe de José olhavam onde o punham.

[1] Psa. 2.2. Luc. 22.66 e 23.1. João 18.28. Act. 3.13 e 4.26.

[2] Mat. 27.11.

[3] Mat. 27.13.

[4] Isa. 63.7. João 19.9.

[5] Mat. 27.15. Luc. 23.17. João 18.39.

[6] Mat. 27.20. Act. 3.14.

[7] Mat. 27.26. João 19.1, 16.

[8] Mat. 27.27.

[9] Luc. 23.25.

[10] Mat. 27.33. Luc. 23.33. João 19.17.

[11] Mat. 27.34.

[12] Psa. 22.18. Luc. 23.34. João 19.23.

[13] Mat. 27.45. Luc. 23.34. João 19.23.

[14] Mat. 27.37. João 19.19.

[15] Mat. 27.38.

[16] Isa. 53.12. Luc. 22.37.

[17] Psa. 22.7.

[18] cap. 14.58. João 2.19.

[19] Mat. 27.44. Luc. 23.39.

[20] Mat. 27.45. Luc. 23.44.

[21] Psa. 22.1. Mat. 27.46.

[22] Mat. 27.48. João 19.29. Psa. 69.21.

[23] Mat. 27.50. Luc. 23.46. João 19.30.

[24] Mat. 27.51. Luc. 23.45.

[25] Mat. 27.54. Luc. 23.47.

[26] Mat. 27.55. Luc. 23.49. Psa. 38.11.

[27] Luc. 8.2, 3.

[28] Luc. 23.50. João 19.38.

[29] Luc. 2.25, 38. Mat. 27.59, 60.

[30] Luc. 23.53. João 19.40.

A resurreição.

Mat. 28.1-10 e refs.

16 E, passado [1] o sabbado, Maria Magdalena, e Maria, mãe de Thiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungil-o.

2 E, no primeiro dia [2] da semana, foram ao sepulchro, de manhã cedo, ao nascer do sol;

3 E diziam umas ás outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulchro?

4 E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; porque era muito grande.

5 E, entrando [3] no sepulchro, viram um mancebo assentado á direita, vestido de uma roupa comprida, branca; e ficaram espantadas.

6 Porém elle disse-lhes: [4] Não vos assusteis; buscaes a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já resuscitou, não está aqui; eis aqui o logar onde o pozeram.

7 Porém ide, dizei a seus discipulos, e a Pedro, que elle vae adiante de vós para a Galilea; [5] ali o vereis, como elle vos disse.

8 E, saindo ellas apressadamente, fugiram do sepulchro, porque estavam possuidas de temor e assombro; [6] e nada diziam a ninguem, porque temiam.

Apparições de Jesus depois da sua resurreição.

9 E Jesus, tendo resuscitado na manhã do primeiro dia da semana, [7] appareceu primeiramente a Maria Magdalena, da qual tinha expulsado sete demonios.

10 E, [8] partindo ella, annunciou-o áquelles que tinham estado com elle, os quaes estavam tristes, e chorando.

11 E, ouvindo elles [9] que vivia, e que tinha sido visto por ella, não o creram.

12 E depois manifestou-se n’outra fórma [10] a dois d’elles, que iam de caminho para o campo.

13 E, indo estes, annunciaram-n’o aos outros, mas nem ainda estes creram.

14 Finalmente [11] appareceu aos onze, estando elles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já resuscitado.

15 E disse-lhes: [12] Ide por todo o mundo, prégae o evangelho a toda a creatura:

16 Quem [13] crêr e fôr baptizado será salvo; mas quem não crêr será condemnado.

17 E estes signaes seguirão aos que crêrem: [14] Em meu nome expulsarão os demonios; fallarão novas linguas:

18 Pegarão nas [15] serpentes; e, se beberem alguma coisa mortifera, não lhes fará damno algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão.

19 Ora o Senhor, [16] depois de lhes ter fallado, foi recebido acima no céu, e assentou-se á direita de Deus.

20 E elles, tendo partido, prégaram por todas as partes, cooperando com elles o Senhor, [17] e confirmando a palavra com os signaes que se seguiram. Amen.

[1] Luc. 24.1 e 23.56. João 20.1.

[2] Luc. 24.1. João 20.1.

[3] Luc. 24.3. João 20.11, 12.

[4] Mat. 28.5, 6, 7.

[5] Mat. 26.32. cap. 14.28.

[6] Mat. 28.8. Luc. 24.9.

[7] João 20.14. Luc. 8.2.

[8] Luc. 24.10. João 20.18.

[9] Luc. 24.11.

[10] Luc. 24.13.

[11] Luc. 24.36. João 20.19. I Cor. 15.5.

[12] Mat. 28.19. João 15.16. Col. 1.23.

[13] João 3.18 e 12.48. Act. 2.38 e 16.30. Rom. 10.9. I Ped. 3.21.

[14] Luc. 10.17. Act. 5.16 e 8.7 e 16.18 e 19, 12 e 2.4 e 10.46 e 19.6. I Cor. 12.10, 28.

[15] Luc. 10.19. Act. 28.5, 28 e 5.15, 16 e 9.17. Thi. 5.14.

[16] Act. 1.2, 3 e 7.55. Luc. 24.51.

[17] Act. 5.12 e 14.3. I Cor. 2.4, 5. Heb. 2.4.

O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. LUCAS.

Prefacio

[6 Annos antes do Anno Domini]

1 Tendo pois muitos emprehendido pôr em ordem a narração das coisas que entre nós se cumpriram,

2 Segundo nos transmittiram [1] os mesmos que as viram desde o principio, e foram ministros da palavra,

3 Pareceu-me [2] tambem a mim conveniente escrevel-as a ti, ó excellente Theophilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o principio;

4 Para que conheças [3] a certeza das coisas de que já estás informado.

Annuncio do nascimento de João.

5 Existiu, no tempo [4] de Herodes, rei da Judéa, um sacerdote chamado Zacharias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas d’Aarão; e o seu nome era [AGV] Isabel.

6 E eram ambos [5] justos perante Deus, andando sem reprehensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.

7 E não tinham filhos, porquanto Isabel era esteril, e ambos eram avançados em edade.

8 E aconteceu que, exercendo elle o sacerdocio [6] diante de Deus, na ordem da sua turma,

9 Segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor [7] a offerecer o incenso.

10 E toda a multidão do povo estava fóra, orando á hora do incenso,

11 E um anjo do Senhor lhe appareceu, posto em pé, á direita do [8] altar do incenso.

12 E Zacharias, vendo-o, [9] turbou-se, e caiu temor sobre elle.

13 Mas o anjo lhe disse: Zacharias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará á luz um filho, e lhe porás o [10] nome de João;

14 E terás prazer e alegria, [11] e muitos se alegrarão no seu nascimento;

15 Porque será grande diante do Senhor, e não [12] beberá vinho, nem [AGW] bebida forte, e será cheio do Espirito Sancto, até desde o ventre de sua mãe;

16 E converterá muitos [13] dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus;

17 E irá adiante d’elle no espirito e virtude d’Elias, para converter os corações dos paes aos filhos, e os rebeldes á prudencia dos justos; para preparar ao Senhor um povo bem disposto.

18 Disse então Zacharias ao anjo: [14] Como conhecerei isto? pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em edade.

19 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou [15] Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a fallar-te e dar-te estas alegres novas;

20 E eis que ficarás mudo, e não [16] poderás fallar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não crêste nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir.

21 E o povo estava esperando a Zacharias, e maravilhavam-se de que tanto se demorasse no templo.

22 E, saindo elle, não lhes podia fallar; e entenderam que tinha visto alguma visão no templo. E fallava por acenos, e ficou mudo.

23 E succedeu que, terminados [17] os dias do seu ministerio, voltou para sua casa.

24 E depois d’aquelles dias Isabel, sua mulher, concebeu, e por cinco mezes se occultou, dizendo:

25 Porque isto me fez o Senhor, nos dias em que attentou em mim, para destruir o meu [18] opprobrio entre os homens.

Annuncio do nascimento de Jesus.

26 E, no sexto mez, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galilea, chamada Nazareth,

27 A uma virgem [19] desposada com um varão, cujo nome era José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria.

28 E, entrando o anjo aonde ella estava, disse: [20] [AGX] Salve, agraciada; o Senhor é comtigo: bemdita tu entre as mulheres.

29 E, vendo-o ella, [21] turbou-se muito das suas palavras, e considerava que saudação seria esta.

30 Disse-lhe então o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus;

31 E eis que em teu ventre conceberás, [22] e darás á luz um filho, e pôr-lhe-has o nome de Jesus.

32 Este será grande, [23] e será chamado filho do Altissimo; e o Senhor Deus lhe dará o throno de David, seu pae;

33 E reinará eternamente na casa de Jacob, e o [24] seu reino não terá fim.

34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isto? pois não conheço varão.

35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espirito Sancto, e a virtude do Altissimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que tambem o Sancto, [25] que de ti ha de nascer, será chamado Filho de Deus.

36 E eis que tambem Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mez para aquella que era chamada esteril;

37 Porque para [26] Deus nada será impossivel.

38 Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se d’ella.

Maria visita Isabel.

39 E n’aquelles dias, levantando-se Maria, foi apressada ás [27] montanhas, a uma cidade de Juda,

40 E entrou em casa de Zacharias, e saudou a Isabel.

41 E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a creancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espirito Sancto,

42 E exclamou com grande voz, e disse: Bemdita [28] tu entre as mulheres, e bemdito o fructo do teu ventre.

43 E d’onde me provém isto a mim, que a mãe do meu Senhor venha a mim?

44 Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a creancinha saltou de alegria no meu ventre;

45 E bemaventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas.

O cantico de Maria.

46 Disse então Maria: [29] A minha alma engrandece ao Senhor,

47 E o meu espirito se alegra em Deus meu Salvador;

48 Porque attentou [30] na baixeza de sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bemaventurada:

49 Porque me fez grandes coisas o [31] Poderoso; e sancto é o seu nome.

50 E a sua misericordia [32] é de geração em geração sobre os que o temem.

51 Com o seu braço obrou valorosamente: [33] dissipou os soberbos no pensamento de seus corações.

52 Depoz dos thronos [34] os poderosos, e elevou os humildes.

53 Encheu de bens [35] os famintos, e despediu vasios os ricos.

54 Auxiliou a Israel seu [36] servo, recordando-se da sua misericordia;

55 Como fallou a nossos paes, a Abrahão [37] e á sua posteridade, para sempre.

56 E Maria ficou com ella quasi tres mezes, e depois voltou para sua casa.

O nascimento de João Baptista.

57 E completou-se para Isabel o tempo de dar á luz, e teve um filho.

58 E os seus visinhos e parentes ouviram que tinha Deus usado para com ella de grande misericordia, [38] e alegraram-se com ella.

59 E aconteceu que, ao oitavo [39] dia, vieram circumcidar o menino, e lhe chamavam Zacharias, do nome de seu pae.

60 E, respondendo sua mãe, disse: [40] Não, porém será chamado João.

61 E disseram-lhe: Ninguem ha na tua parentela que se chame por este nome.

62 E perguntaram por acenos ao pae como queria que lhe chamassem.

63 E, pedindo elle uma taboinha de escrever, escreveu, dizendo: [41] O seu nome é João. E todos se maravilharam.

64 E logo a bocca se lhe abriu, [42] e a lingua se lhe soltou; e fallava, louvando a Deus.

65 E veiu temor sobre todos os seus circumvisinhos, e em todas as [43] montanhas da Judea foram divulgadas todas estas coisas.

66 E todos os que as ouviam as conservavam em seus corações, dizendo: [44] Quem será pois este menino? E a mão do Senhor estava com elle.

O cantico de Zacharias.

67 E Zacharias, seu pae, foi cheio do [45] Espirito Sancto, e prophetizou, dizendo:

68 Bemdito [46] o Senhor Deus d’Israel, porque visitou e remiu o seu povo,

69 E nos levantou [AGY] uma salvação poderosa [47] na casa de David seu servo,

70 Como fallou pela bocca dos [48] seus sanctos prophetas, desde o principio do mundo;

71 Que nos livraria dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos aborrecem;

72 Para manifestar [49] misericordia a nossos paes, e lembrar-se do seu sancto concerto,

73 E do juramento [50] que jurou a Abrahão nosso pae,

74 De conceder-nos que, libertados da mão de nossos inimigos, [51] o serviriamos sem temor,

75 Em [52] sanctidade e justiça perante elle, todos os dias da nossa vida.

76 E tu, ó menino, serás chamado propheta do Altissimo, porque has de ir adiante [53] da face do Senhor, a preparar os seus caminhos;

77 Para dar ao seu povo conhecimento da salvação, [54] na remissão dos seus peccados;

78 Pelas entranhas da misericordia do nosso Deus, com que o Oriente do alto [55] nos visitou;

79 Para [56] alumiar aos que estão assentados em trevas e sombra de morte; a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.

80 E o [57] menino crescia, e se robustecia em espirito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel.

[1] Heb. 2.3. I Ped. 5.1. II Ped. 1.16. I João 1.1. Mar. 1.1. João 15.27.

[2] Act. 15.19, 25, 28. I Cor. 7.40. Act. 11.4 e 1.1.

[3] João 20.31.

[4] Mat. 2.1. I Chr. 24.10, 19. Neh. 12.4, 17.

[5] Gen. 7.1 e 17.1. I Reis 9.4. II Reis 20.3. Job 1.1. Act. 23.1 e 24.16. Phi. 3.6.

[6] I Chr. 24.19. II Chr. 8.14 e 31.2.

[7] Exo. 30.7, 8. I Sam. 2.28. I Chr. 23.13. II Chr. 29.11. Lev. 16.17. Apo. 8.3, 4.

[8] Exo. 30.1.

[9] ver. 20. Jui. 6.22 e 13.22. Dan. 10.8. cap. 2.9. Act. 10.4. Apo. 1.17.

[10] ver. 60, 63.

[11] ver. 58.

[12] Num. 6.3. Jui. 13.4. cap. 7.33. Jer. 1.5. Gal. 1.15.

[13] Mal. 4.5, 6 e 4.5. Mat. 11.14. Mar. 9.11.

[14] Gen. 17.17.

[15] Dan. 8.16 e 9.21, 22, 23. Mat. 18.10. Heb. 1.14.

[16] Eze. 3.26 e 24.27.

[17] II Reis 11.5. I Chr. 9.25.

[18] Gen. 30.23. Isa. 4.1 e 54.1, 4.

[19] Mat. 1.18. cap. 2.4, 5.

[20] Dan. 9.23 e 10.19. Jui. 6.12.

[21] ver. 12.

[22] Isa. 7.14. Mat. 1.21.

[23] Mar. 5.7. II Sam. 7.11. Psa. 132.11. Isa. 9.6 e 16.5. Jer. 23.5. Apo. 3.7.

[24] Dan. 2.44 e 7.14, 27. Abd. 21. Miq. 4.7. João 12.34. Heb. 1.8.

[25] Mat. 1.20 e 14.33 e 26.63. Mar. 1.1. João 1.34 e 20.31. Act. 8.37. Rom. 1.4.

[26] Gen. 18.14. Jer. 32.17. Zac. 8.6. Mat. 19.26. Mar. 10.27. cap. 18.27. Rom. 4.21.

[27] Jos. 21.9, 10, 11.

[28] ver. 28. Jui. 5.24.

[29] I Sam. 2.1. Psa. 34.2, 3 e 35.9. Hab. 3.18.

[30] I Sam. 1.11. Psa. 138.6. Mal. 3.12. cap. 11.27.

[31] Psa. 71.19 e 126.2, 3 e 111.9.

[32] Gen. 17.7. Exo. 20.6. Psa. 103.17.

[33] Psa. 98.1 e 118.15 e 33.10. Isa. 40.10 e 51.9 e 52.10. I Ped. 5.5.

[34] I Sam. 2.6. Job 5.11. Psa. 113.6.

[35] I Sam. 2.5. Psa. 34.10.

[36] Psa. 98.3. Jer. 31.3, 20.

[37] Gen. 17.19. Psa. 132.11. Rom. 11.28. Gal. 3.16.

[38] ver. 14.

[39] Gen. 17.12. Lev. 12.3.

[40] ver. 13.

[41] ver. 13.

[42] ver. 20.

[43] ver. 39.

[44] cap. 2.19. Gen. 39.2. Psa. 80.17.

[45] Joel 2.28.

[46] I Reis 1.48. Psa. 41.13 e 111.9. Exo. 3.16.

[47] Psa. 132.17.

[48] Jer. 23.5. Dan. 9.24. Act. 3.21. Rom. 1.2.

[49] Lev. 26.42. Psa. 98.3 e 106.45. Eze. 16.60.

[50] Gen. 12.3 e 17.4. Heb. 6.13, 17.

[51] Rom. 6.18. Heb. 9.14.

[52] Jer. 32.39. Eph. 4.24. II The. 2.13. II Tim. 1.9. Tito 2.12. I Ped. 1.15. II Ped. 1.4.

[53] Isa. 40.3. Mal. 3.1 e 4.5. Mat. 11.10. ver. 17.

[54] Mar. 1.4. cap. 3.3.

[55] Isa. 11.1. Mal. 4.2.

[56] Isa. 9.2 e 42.7 e 49.9. Mat. 4.16. Act. 26.18.

[57] cap. 2.40. Mat. 3.1 e 11.7.

O nascimento de Jesus.

[Antes do Anno Domini 5]

2 E aconteceu n’aquelles dias que saiu um decreto da parte de Cesar Augusto, para que todo o mundo se alistasse

2 (Este primeiro [1] alistamento foi feito sendo Cyrenio [AGZ] presidente da Syria),

3 E todos iam alistar-se, cada um á sua propria cidade.

4 E subiu tambem José da Galilea, da cidade [2] de Nazareth, á Judea, á cidade de David, chamada Bethlehem (porque era da casa e familia de David),

5 Para alistar-se com Maria, [3] sua mulher, que estava gravida.

6 E aconteceu que, estando elles ali se cumpriram os dias em que havia de dar á luz.

7 E deu á luz a [4] seu filho primogenito, e envolveu-o em pannos, e deitou-o n’uma mangedoura, porque não havia logar para elles na estalagem.

Os pastores de Bethlehem.

8 Ora havia n’aquella mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigilias da noite o seu rebanho.

9 E eis que o anjo do Senhor veiu sobre elles, e a gloria do Senhor os cercou de resplendor, [5] e tiveram grande temor.

10 E o anjo lhes disse: Não temaes, porque eis aqui vos dou novas de grande alegria, [6] que será para todo o povo:

11 Que hoje, na cidade de David, vos [7] nasceu o Salvador, que é Christo, o Senhor.

12 E isto vos será por signal: Achareis o menino envolto em pannos, e deitado n’uma mangedoura.

13 E, no mesmo instante, [8] appareceu com o anjo uma multidão dos exercitos celestiaes, louvando a Deus, e dizendo:

14 Gloria a Deus nas [9] alturas, paz na terra, [10] boa vontade para os homens.

15 E aconteceu que, ausentando-se d’elles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos pois até Bethlehem, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos notificou.

16 E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na mangedoura.

17 E, vendo-o, divulgaram a palavra que ácerca do menino lhes fôra dita;

18 E todos os que os ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam.

19 Mas [11] Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração.

20 E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito.

A circumcisão e apresentação de Jesus.

21 E, quando os oito dias [12] foram cumpridos, para circumcidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fôra posto antes de ser concebido.

22 E, cumprindo-se os dias da purificação, [13] segundo a lei de Moysés, o levaram a Jerusalem, para o apresentarem ao Senhor,

23 Segundo o que está escripto na lei do Senhor: Todo o [14] macho primogenito será consagrado ao Senhor;

24 E para darem a offerta segundo o [15] disposto na lei do Senhor: um par de rolas ou dois pombinhos.

Simeão e Anna.

[Antes do Anno Domini 4]

25 E eis que havia em Jerusalem um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, e esperava a [16] consolação d’Israel; e o Espirito Sancto estava sobre elle.

26 E fôra-lhe divinamente revelado pelo Espirito Sancto [17] que elle não morreria antes de ter visto o Christo do Senhor.

27 E pelo [18] Espirito foi ao templo, e, quando os paes introduziram o menino Jesus, para com elle procederem segundo o uso da lei,

28 Elle então o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:

29 Agora, Senhor, [19] despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra.

30 Pois já os meus [20] olhos viram a tua salvação,

31 A qual tu preparaste perante a face de todos os povos;

32 Luz [21] para alumiar as nações, e para gloria de teu povo Israel.

33 E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que d’elle se diziam,

34 E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação [22] de muitos em Israel, e para signal que será contradicto;

35 E uma espada [23] traspassará tambem a tua propria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.

36 E estava ali a prophetiza Anna, filha de Fanuel, da tribu de Aser. Esta era já avançada em edade, e tinha vivido com o marido sete annos, desde a sua virgindade,

37 E era viuva, de quasi oitenta e quatro annos, e não se affastava do templo, [24] servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.

38 E esta, sobrevindo na mesma hora, dava graças a Deus, e fallava d’elle a todos os [25] que esperavam a redempção em Jerusalem.

O menino Jesus no meio dos doutores.

39 E, quando acabaram de cumprir tudo segundo a lei do Senhor, voltaram á Galilea, para a sua cidade de Nazareth.

40 E o menino [26] crescia, e se fortalecia em espirito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre elle.

41 Ora, todos os annos iam [27] seus paes a Jerusalem, á festa da paschoa;

42 E, tendo elle já doze annos, subiram a Jerusalem, segundo o costume do dia da festa.

43 E, regressando elles, terminados aquelles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalem, e não o souberam seus paes.

44 Pensando, porém, elles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e buscavam-n’o entre os parentes e conhecidos;

45 E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalem em busca d’elle.

46 E aconteceu que, passados tres dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.

47 E todos [28] os que o ouviam admiravam a sua intelligencia e respostas.

48 E elles, vendo-o, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, porque fizeste assim para comnosco? Eis que teu pae e eu anciosos te buscavamos.

49 E elle lhes disse: Porque é que me buscaveis? Não sabeis que me convem [29] tratar dos negocios de meu Pae?

50 E elles não [30] comprehenderam as palavras que lhes dizia.

51 E desceu com elles, e foi para Nazareth, e era-lhes sujeito. E sua mãe [31] guardava no seu coração todas estas coisas.

52 E crescia Jesus em [32] sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.

[1] Act. 5.37.

[2] I Sam. 16.1, 4. João 7.42. Mat. 1.16. cap. 1.27.

[3] Mat. 1.18. cap. 1.27.

[4] Mat. 1.25.

[5] cap. 1.12.

[6] Gen. 12.3. Mat. 28.19. Mar. 1.15. cap. 24.47. Col. 1.23.

[7] Isa. 9.6. Mat. 1.21 e 2.6 e 16.16. Act. 2.36. Phi. 2.11.

[8] Gen. 28.12. Psa. 103.20. Dan. 7.10. Heb. 1.14. Apo. 5.11.

[9] cap. 19.38. Eph. 1.6 e 2.17. Apo. 5.13. Isa. 57.19. Rom. 5.1. Col. 1.20.

[10] João 3.16. Eph. 2.4, 7. II The. 2.16. I João 4.9.

[11] Gen. 37.11. cap. 1.66. ver. 51.

[12] Gen. 17.12. Lev. 12.3. cap. 1.59 e 1.31. Mat. 1.21, 25.

[13] Lev. 12.2, 3, 4, 6.

[14] Exo. 13.2 e 22.29 e 34.19. Num. 3.13 e 8.17 e 18.15.

[15] Lev. 12.2, 6, 8.

[16] Isa. 40.1. Mar. 15.43. ver. 38.

[17] Psa. 88.48. Heb. 11.5.

[18] Mat. 4.1.

[19] Gen. 46.30. Phi. 1.23.

[20] Isa. 52.10. cap. 3.6.

[21] Isa. 9.2 e 42.6. Mat. 4.16. Act. 13.47 e 28.28.

[22] Isa. 8.14. Ose. 14.9. Mat. 21.41. Rom. 9.32. I Cor. 1.23. II Cor. 2.16. I Chr. 2.7. Act. 28.22.

[23] Psa. 42.10. João 19.25.

[24] Act. 26.7, 8. I Tim. 5.5.

[25] Mar. 15.43. ver. 25. cap. 24.21.

[26] ver. 52. cap. 1.80.

[27] Exo. 23.15 e 34.23. Deu. 16.1, 16.

[28] Mat. 7.28. Mar. 1.22. cap. 4.22, 32. João 7.15, 46.

[29] João 2.16.

[30] cap. 9.45 e 18.34.

[31] ver. 19. Dan. 7.28.

[32] I Sam. 2.26. ver. 40.

A prégação de João Baptista.

Mat. 3.1-12.

[Anno Domini 26]

3 E no anno quinze do imperio de Tiberio Cesar, sendo Poncio Pilatos presidente da Judea, Herodes tetrarcha da Galilea, e seu irmão Philippe tetrarcha da Iturea e da provincia de Traconites, e Lysaneas tetrarcha da Abylinia,

2 Sendo Annás [1] e Caiphás summos sacerdotes, veiu no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacharias.

3 E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, [2] prégando o baptismo de arrependimento, para o perdão dos peccados;

4 Segundo o que está escripto no livro das palavras [3] do propheta Isaias, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparae o caminho do Senhor; endireitae as suas veredas.

5 Todo o valle se encherá, e todo o monte e outeiro se abaixará; e os caminhos tortos se endireitarão, e os caminhos escabrosos se aplanarão;

6 E toda [4] a carne verá a salvação de Deus.

7 Dizia pois João á multidão que sahia a ser baptizada por elle: [5] Raça de viboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?

8 Dae pois fructos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abrahão por pae; porque eu vos digo que até d’estas pedras pode Deus suscitar filhos a Abrahão.

9 E tambem já está posto o machado á raiz das arvores; [6] toda a arvore, pois, que não dá bom fructo, corta-se e lança-se no fogo.

10 E a multidão o interrogava, dizendo: [7] Que faremos pois?

11 E, respondendo elle, disse-lhes: Quem tiver [8] duas tunicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira.

12 E chegaram tambem [9] uns publicanos, para serem baptizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?

13 E elle lhes disse: [10] Não peçaes mais do que o que vos está ordenado.

14 E uns soldados o interrogaram tambem, dizendo: E nós que faremos? E elle lhes disse: [11] Não trateis mal, nem defraudeis alguem, e contentae-vos com o vosso soldo.

15 E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Christo,

16 Respondeu João a todos, dizendo: [12] Eu, na verdade, baptizo-vos com agua, mas vem um mais poderoso do que eu, a quem eu não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos baptizará com o Espirito Sancto e com fogo.

17 E a sua pá está em sua mão; e limpará a sua eira, [13] e ajuntará o trigo no seu celleiro, porém queimará a palha com fogo que nunca se apaga.

18 E assim, admoestando, muitas outras coisas tambem annunciava ao povo.

19 Sendo, porém, o [14] tetrarcha Herodes reprehendido por elle por causa de Herodias, mulher de seu irmão Philippe, e por todas as maldades que Herodes tinha feito,

20 Accrescentou a todas as outras ainda esta, de encerrar João n’um carcere.

O baptismo de Jesus.

Mar. 3.13-17. João 1.32.

[Anno Domini 27]

21 E aconteceu que, como todo o povo fosse baptizado, e sendo baptizado tambem Jesus, e orando, abriu-se o céu,

22 E o Espirito Sancto desceu sobre elle em forma corporea, como uma pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu filho amado, em ti me tenho comprazido.

Genealogia de Jesus.

23 E o mesmo Jesus começava a ser de quasi trinta [15] annos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli,

24 e Heli de Matthat, e Matthat de Levi, e Levi de Melchi, e Melchi de Joanna, e Joanna de José,

25 e José de Mattathias, e Mattathias de Amós, e Amós de Naum, e Naum de Essi, e Essi de Naggai,

26 e Naggai de Maath, e Maath de Mattathias, e Mattathias de Semei, e Semei de José, e José de Juda,

27 e Juda de Johanna, e Johanna de Rhesa, e Rhesa de Zorobabel, e Zorobabel de Salathiel, e Salathiel de Neri,

28 e Neri de Melchi, e Melchi de Addi, e Addi de Cozam, e Cozam de Elmodam, e Elmodam de Er,

29 e Er de José, e José de Eliezer, e Eliezer de Jorim, e Jorim de Matthat, e Matthat de Levi,

30 e Levi de Simeon, e Simeon de Juda, e Juda de José, e José de Jonan, e Jonan de Eliakim,

31 e Eliakim de Melea, e Melea de Mainan, e Mainan de Matthata, e Matthata de Nathan, [16] e Nathan de David,

32 e David de Jesse, e Jesse de Obed, e Obed de Booz, e Booz de Salmon, e Salmon de Naasson,

33 e Naasson de Aminadab, e Aminadab de Arão, e Arão de Esrom, e Esrom de Fares, e Fares de Juda,

34 e Juda de Jacob, e Jacob de Isaac, e Isaac de Abrahão, e Abrahão de Thare, [17] e Thare de Nachor,

35 e Nachor de Saruch, e Saruch de Ragau, e Ragau de Faleg, e Faleg de Heber, e Heber de Sala,

36 e Sala de Cainan, [18] e Cainan de Arfaxad, e Arfaxad de Sem, [19] e Sem de Noé, e Noé de Lamech,

37 e Lamech de Mathusala, e Mathusala de Henoch, e Henoch de Jared, e Jared de Maleleel, e Maleleel de Cainan,

38 e Cainan de Henos, e Henos de Seth, e Seth de Adão, [20] e Adão de Deus.

[1] João 11.49, 51 e 18.13. Act. 4.6.

[2] Mat. 3.1. Mar. 1.4. cap. 1.77.

[3] Isa. 40.3. Mat. 3.3. Mar. 1.3. João 1.23.

[4] Psa. 98.2. Isa. 52.10. cap. 2.11.

[5] Mat. 3.7.

[6] Mat. 7.19.

[7] Act. 2.37.

[8] cap. 11.41. II Cor. 8.14. Thi. 2.15. I João 3.17.

[9] Mat. 21.32. cap. 7.29.

[10] cap. 19.8.

[11] Exo. 23.1. Lev. 19.11.

[12] Mat. 3.11.

[13] Miq. 4.12. Mat. 13.30.

[14] Mat. 14.3. Mar. 6.17.

[15] Num. 4.3, 35, 39, 43, 47.

[16] Zac. 12.12. II Sam. 5.14. I Chr. 3.5. Ruth 4.18, etc. I Chr. 2.10, etc.

[17] Gen. 11.24.

[18] Gen. 11.12.

[19] Gen. 5.6, etc. e 11.10, etc.

[20] Gen. 5.1, 2.

A tentação de Jesus.

Mat. 1.4-11.

[Anno Domini 31]

4 E Jesus, cheio do Espirito Sancto, voltou do Jordão [1] e foi levado pelo Espirito ao deserto;

2 E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e n’aquelles dias [2] não comeu coisa alguma; e, terminados elles, teve fome.

3 E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.

4 E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escripto está [3] que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.

5 E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe n’um momento de tempo todos os reinos do mundo.

6 E disse-lhe o diabo: Dar-te-hei a ti todo este poder, e a sua gloria; porque a mim me foi entregue, [4] e dou-o a quem quero;

7 Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

8 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vae-te, Satanaz; porque está escripto: [5] Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Elle servirás.

9 Levou-o tambem a Jerusalem, [6] e pôl-o sobre o pinaculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te d’aqui abaixo;

10 Porque está escripto: [7] Mandará aos seus anjos, ácerca de ti, que te guardem,

11 E que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.

12 E, Jesus, respondendo, [8] disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.

13 E, acabando o [9] diabo toda a tentação, ausentou-se d’elle por algum tempo.

Jesus é expulso de Nazareth.

14 Então, [10] pela virtude do Espirito, voltou Jesus para a Galilea, [11] e a sua fama saiu por todas as terras em derredor.

15 E ensinava nas suas synagogas, e por todos era louvado.

16 E, chegando a Nazareth, [12] onde fôra criado, n’um dia de sabbado, segundo o seu costume, entrou na synagoga, e levantou-se para lêr.

17 E foi-lhe dado o livro do propheta Isaias; e, quando abriu o livro, achou o logar em que estava escripto:

18 O Espirito [13] do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para evangelizar aos pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração,

19 A apregoar [AHA] liberdade aos captivos, e dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os opprimidos; a annunciar o anno acceitavel do Senhor.

20 E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na synagoga estavam fitos n’elle.

21 Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escriptura em vossos ouvidos.

22 E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam [14] das palavras de graça que sahiam da sua bocca: e diziam: Não é este o filho de José?

23 E elle lhes disse: Sem duvida me direis este proverbio: Medico, cura-te a ti mesmo; faze tambem aqui na tua patria todas essas coisas que ouvimos terem [15] sido feitas em Capernaum.

24 E disse: [16] Em verdade vos digo que nenhum propheta é bem recebido na sua patria;

25 Em verdade vos digo [17] que muitas viuvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por tres annos e seis mezes, de sorte que em toda a terra houve grande fome;

26 E a nenhuma d’ellas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidon, a uma mulher viuva.

27 E muitos leprosos havia em [18] Israel no tempo do propheta Eliseu, e nenhum d’elles foi purificado, senão Naaman o syro.

28 E todos, na synagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.

29 E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade d’elles estava edificada, para d’ali o precipitarem.

30 Elle, porém, passando [19] pelo meio d’elles, retirou-se.

31 E desceu [20] a Capernaum, cidade da Galilea, e ali os ensinava nos sabbados.

32 E admiravam a sua doutrina, porque a [21] sua palavra era com auctoridade.

Cura de um endemoninhado.

Mar. 1.23-28.

33 E estava na synagoga um homem que tinha um espirito de um demonio immundo, e exclamou em alta voz,

34 Dizendo: Ah! que temos nós comtigo, Jesus Nazareno? vieste a destruir-nos? [22] Bem sei quem és: o Sancto de Deus.

35 E Jesus o reprehendeu, dizendo: Cala-te, e sae d’elle. E o demonio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu d’elle sem lhe fazer mal algum.

36 E veiu espanto sobre todos, e fallavam entre si uns e outros, dizendo: Que palavra é esta, que até aos espiritos immundos manda com auctoridade e poder, e elles saem?

A cura da sogra de Pedro.

Mat. 8.14-17 e refs.

37 E a sua fama divulgava-se por todos os logares, em redor d’aquella comarca.

38 Ora, [23] levantando-se Jesus da synagoga, entrou em casa de Simão; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ella.

39 E, inclinando-se para ella, reprehendeu a febre, e esta a deixou. E, levantando-se logo, servia-os.

40 E, ao pôr do sol, [24] todos os que tinham enfermos de varias doenças lh’os traziam; e, pondo as mãos sobre cada um d’elles, os curava.

41 E tambem de muitos sahiam demonios, clamando [25] e dizendo: [26] Tu és o Christo, o Filho de Deus. E elle, reprehendendo-os, não os deixava fallar, porque sabiam que elle era o Christo.

42 E, sendo já dia, [27] saiu, e foi para um logar deserto; e a multidão o buscava, e chegou junto d’elle; e o detinham, para que não se ausentasse d’elles.

43 Porém elle lhes disse: Tambem é necessario que eu annuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso sou enviado.

44 E prégava [28] nas synagogas da Galiléa.

[1] Mat. 4.1. Mar. 1.12. ver. 14. cap. 2.27.

[2] Exo. 34.28. I Reis 19.8.

[3] Deu. 8.3.

[4] João 12.31 e 14.30. Apo. 13.2, 7.

[5] Deu. 6.13 e 10.20.

[6] Mat. 4.5.

[7] Psa. 91.11, 12.

[8] Deu. 6.16.

[9] João 14.30. Heb. 4.15.

[10] Mat. 4.12. João 4.43. ver. 1.

[11] Act. 10.37.

[12] Mat. 2.23 e 13.54. Mar. 6.1. Act. 13.14 e 17.2.

[13] Isa. 61.1.

[14] Psa. 45.2. Mat. 13.54. Mar. 6.2. cap. 2.47. João 6.42.

[15] Mat. 4.13 e 11.23 e 13.54. Mar. 6.1.

[16] Mat. 13.57. Mar. 6.4. João 4.44.

[17] I Reis 17.9 e 18.1. Thi. 5.17.

[18] II Reis 5.14.

[19] João 8.59 e 10.39.

[20] Mat. 4.13. Mar. 1.21.

[21] Mat. 7.28, 29. Tito 2.15.

[22] ver. 41. Psa. 16.10. Dan. 9.24. cap. 1.35.

[23] Mar. 1.29.

[24] Mar. 1.32.

[25] Mar. 1.34 e 3.11.

[26] Mar. 1.25, 34. ver. 34, 35.

[27] Mar. 1.35.

[28] Mar. 1.39.

A pesca maravilhosa: os primeiros discipulos.

5 E aconteceu [1] que, apertando-o a multidão, para ouvir a palavra de Deus, estava elle junto ao lago de Genezareth;

2 E viu estar dois barcos junto á praia do lago; e os pescadores, havendo descido d’elles, estavam lavando as redes.

3 E, entrando n’um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o affastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão.

4 E, quando acabou de fallar, disse a Simão: [2] Faze-te ao mar alto, e lançae as vossas redes para pescar.

5 E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhámos; mas, sobre tua palavra, lançarei a rede.

6 E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede.

7 E fizeram signal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quasi iam a pique.

8 E Simão Pedro, vendo isto, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, [3] ausenta-te de mim, que sou um homem peccador.

9 Porque o espanto se apoderara d’elle, e de todos os que com elle estavam, por causa da pesca de peixe que haviam feito;

10 E, de egual modo, tambem de Thiago e João, filhos de Zebedeo, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas: [4] de agora em diante serás pescador de homens.

11 E, levando os barcos para terra, deixando tudo, [5] o seguiram.

Cura d’um leproso.

Mat. 8.1-4 e refs.

12 E aconteceu [6] que, estando n’uma das cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quizeres, bem podes limpar-me.

13 E elle, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo a lepra desappareceu d’elle.

14 E ordenou-lhe que a ninguem [7] o dissesse. Porém vae, disse, mostra-te ao sacerdote, e offerece, pela tua purificação, o que Moysés determinou, para que lhes sirva de testemunho.

15 Porém a sua fama se dilatava ainda mais, [8] e ajuntavam-se muitas gentes para o ouvirem e para serem por elle curados das suas enfermidades.

16 Porém elle retirava-se [9] para os desertos, e ali orava.

Cura d’um paralytico.

Mat. 9.1-8 e refs.

17 E aconteceu que, n’um d’aquelles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados phariseos e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galilea, e da Judea, e de Jerusalem, e a virtude do Senhor estava com elle para os curar.

18 E eis que [10] uns homens transportaram n’uma cama um homem que estava paralytico, e procuravam introduzil-o, e pôl-o diante d’elle;

19 E, não achando por onde podessem introduzil-o, por causa da multidão, subiram ao telhado, e pelas telhas o baixaram com a cama, até ao meio, diante de Jesus.

20 E, vendo elle a fé d’elles, disse-lhe: Homem, os teus peccados te são perdoados.

21 E [11] os escribas e os phariseos começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasphemias? Quem pode perdoar peccados, [12] senão só Deus?

22 Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoaes em vossos corações?

23 Qual é mais facil? dizer: Os teus peccados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?

24 Ora, para que saibaes que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar os peccados (disse ao paralytico), A ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vae para tua casa.

25 E, levantando-se logo diante d’elles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus.

26 E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodigios.

A vocação de Levi.

Mat. 9.9-13 e refs.

27 E, depois [13] d’estas coisas, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me.

28 E elle, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.

29 E fez-lhe Levi [14] um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com elles á mesa.

30 E os escribas d’elles, e os phariseos, murmuravam contra os seus discipulos, dizendo: Porque comeis e bebeis com publicanos e peccadores?

31 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de medico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos;

32 Eu não vim para chamar [15] os justos, mas, sim, os peccadores ao arrependimento.

Ácerca do jejum.

Mat. 9.14-17 e refs.

33 Disseram-lhe então elles: Porque jejuam os discipulos de João [16] muitas vezes, e fazem orações, como tambem os dos phariseos, porém os teus comem e bebem?

34 Mas elle lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os filhos das bodas, emquanto o esposo está com elles?

35 Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, n’aquelles dias, jejuarão.

36 E disse-lhes tambem uma parabola: [17] Ninguem deita remendo de panno novo em vestido velho; d’outra maneira o novo romperá o velho, e o remendo novo não condiz com o velho.

37 E ninguem deita vinho novo em odres velhos; d’outra maneira o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-ha o vinho, e os odres se estragarão;

38 Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.

39 E ninguem que beber o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.

[1] Mat. 4.18. Mar. 1.16.

[2] João 21.6.

[3] II Sam. 6.9. I Reis 17.18.

[4] Mat. 4.19. Mar. 1.17.

[5] Mat. 4.20 e 19.27. Mar. 1.18. cap. 18.28.

[6] Mar. 1.40.

[7] Mat. 8.4. Lev. 14.4, 10, 21.

[8] Mat. 4.25. Mar. 3.7. João 6.2.

[9] Mat. 14.23. Mar. 6.46.

[10] Mar. 2.3.

[11] Mat. 9.3. Mar. 2.6.

[12] Psa. 32.5. Isa. 43.25.

[13] Mar. 2.13.

[14] Mat. 9.10. Mar. 2.15. cap. 15.1.

[15] Mat. 9.13. I Tim. 1.15.

[16] Mar. 2.18.

[17] Mat. 9.16, 17. Mar. 2.21.

Jesus é Senhor do sabbado.

Mat. 12.1-8 e refs.

6 E aconteceu [1] que, no sabbado segundo-primeiro, passou pelas searas, e os seus discipulos iam arrancando espigas, e, esfregando-as com as mãos, as comiam.

2 E alguns dos phariseos lhes disseram: Porque fazeis [2] o que não é licito fazer nos sabbados?

3 E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lêstes o que fez [3] David quando teve fome, elle e os que com elle estavam?

4 Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu tambem aos que estavam com elle, [4] os quaes não é licito comer senão só aos sacerdotes?

5 E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sabbado.

Cura d’um homem que tinha uma das mãos mirrada.

Mat. 12.9-14 e refs.

6 E aconteceu [5] tambem n’outro sabbado que entrou na synagoga, e estava ensinando; e estava ali um homem que tinha a mão direita mirrada.

7 E os escribas e phariseos attentavam n’elle, se o curaria no sabbado, para acharem de que o accusar.

8 Mas elle bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te, e põe-te em pé no meio. E, levantando-se elle, poz-se em pé.

9 Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É licito nos sabbados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar?

10 E, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E elle assim o fez, e a mão lhe foi restituida sã como a outra.

11 E ficaram cheios de furor, e uns com os outros praticavam sobre o que fariam a Jesus.

Eleição dos doze.

Mat. 10.1-4 e refs.

12 E aconteceu que [6] n’aquelles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite orando a Deus.

13 E, quando já era dia, chamou a si os seus discipulos, e escolheu doze d’elles, a quem tambem nomeou apostolos: a saber,

14 Simão, ao qual tambem chamou [7] Pedro, e André, seu irmão; Thiago e João; Philippe e Bartholomeo;

15 E Mattheus e Thomé; Thiago, filho d’Alfeo, e Simão, chamado o zelador;

16 E Judas, irmão de Thiago; [8] e Judas Iscariotes, que foi o traidor.

O sermão da montanha.

Mat. caps. 5, 6, 7.

17 E, descendo com elles, parou n’um logar plano, e tambem uma grande turba de seus [9] discipulos, e grande multidão de povo de toda a Judea, e de Jerusalem, e da costa maritima de Tyro e de Sidon,

18 Que tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades, como tambem os atormentados dos espiritos immundos: e eram curados.

19 E toda [10] a multidão procurava tocal-o; porque sahia d’elle virtude, e curava a todos.

20 E, levantando elle os olhos para os seus discipulos, dizia: [11] Bemaventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.

21 Bemaventurados vós, que agora tendes fome, [12] porque sereis fartos. Bemaventurados vós, que agora choraes, porque haveis de rir.

22 Bemaventurados sereis [13] quando os homens vos aborrecerem, e quando vos separarem, e injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.

23 Folgae n’esse dia, [14] exultae; porque, eis que é grande o vosso galardão no céu, porque assim faziam os seus paes aos prophetas.

24 Mas ai de [15] vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação.

25 Ai [16] de vós, que estaes fartos! porque tereis fome. Ai de vós, que agora rides, porque lamentareis e chorareis.

26 Ai de vós [17] quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus paes aos falsos prophetas.

27 Mas a vós, que ouvis isto, [18] digo: Amae a vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem;

28 Bemdizei os que vos [19] maldizem, e orae pelos que vos calumniam.

29 Ao que te ferir n’uma face, [20] offerece-lhe tambem a outra; e, ao que te houver tirado a capa, nem a tunica recuses;

30 E dá a [21] qualquer que te pedir; e, ao que tomar o que é teu, não lh’o tornes a pedir.

31 E, como vós quereis [22] que os homens vos façam, tambem da mesma maneira lhes fazei vós.

32 E, [23] se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores amam aos que os amam.

33 E, se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores fazem o mesmo.

34 E, se emprestardes [24] áquelles de quem esperaes tornar a receber, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores emprestam aos peccadores, para tornarem a receber outro tanto.

35 Amae pois a vossos inimigos, [25] e fazei bem, e emprestae, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altissimo; porque é benigno até para com os ingratos e máus.

36 Sêde pois misericordiosos, [26] como tambem vosso Pae é misericordioso.

37 Não julgueis, [27] e não sereis julgados: não condemneis, e não sereis condemnados: soltae, e soltar-vos-hão.

38 Dae, [28] e ser-vos-ha dado; boa medida, recalcada, sacudida e trasbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes vos tornarão a medir.

39 E dizia-lhes uma parabola: [29] Pode porventura o cego guiar o cego? não cairão ambos na cova?

40 [30] O discipulo não é sobre o seu mestre, mas todo o que fôr perfeito será como o seu mestre.

41 E porque attentas tu [31] no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu proprio olho?

42 Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho; não attentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hypocrita, [32] tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.

43 Porque não [33] ha boa arvore que dê máu fructo, nem má arvore que dê bom fructo.

44 Porque cada [34] arvore se conhece pelo seu proprio fructo; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.

45 O homem [35] bom do bom thesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau do mau thesouro do seu coração tira o mal, porque da abundancia do seu coração falla a bocca.

46 E porque me chamaes, Senhor, Senhor, [36] e não fazeis o que eu digo?

47 Qualquer que vem para mim [37] e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é similhante:

48 É similhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e poz os alicerces sobre rocha, e, vindo a enchente, bateu com impeto a corrente n’aquella casa, e não a poude abalar, porque estava fundada sobre rocha.

49 Mas o que ouve e não obra é similhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com impeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a queda d’aquella casa.

[1] Mar. 2.23.

[2] Exo. 20.10.

[3] I Sam. 21.6.

[4] Lev. 24.9.

[5] Mar. 3.1. cap. 13.14 e 14.3. João 9.16.

[6] Mat. 14.23.

[7] João 1.42.

[8] Jud. 1.

[9] Mat. 4.25. Mar. 3.7.

[10] Mat. 14.36. Mar. 5.30. cap. 8.46.

[11] Mat. 5.3 e 11.5. Thi. 2.5.

[12] Isa. 55.1 e 65.13 e 61.3. Mat. 5.6 e 5.4.

[13] Mat. 5.11. I Ped. 2.19 e 3.14. João 16.2.

[14] Mat. 5.12. Act. 5.41. Col. 1.24. Thi. 1.2. Act. 7.51.

[15] Amós 6.1. Thi. 5.1. Mat. 6.2. cap. 16.25.

[16] Isa. 65.13. Pro. 14.13.

[17] João 15.19. I João 4.5.

[18] Exo. 23.4. Pro. 25.21. Mat. 5.44. ver. 35. Rom. 12.20.

[19] cap. 23.34. Act. 7.60.

[20] I Cor. 6.7. Mat. 5.39.

[21] Deu. 15.7, 8, 10. Pro. 21.26. Mat. 5.42.

[22] Mat. 7.12.

[23] Mat. 5.46.

[24] Mat. 5.42.

[25] ver. 27. Psa. 37.26. ver. 30. Mat. 5.45.

[26] Mat. 5.48.

[27] Mat. 7.1.

[28] Pro. 19.17. Psa. 79.12. Mat. 7.2. Mar. 4.24. Thi. 2.13.

[29] Mat. 15.14.

[30] Mat. 10.24.

[31] Mat. 7.3.

[32] Pro. 18.17.

[33] Mat. 7.16, 17.

[34] Mat. 12.33.

[35] Mat. 12.34, 35.

[36] Mal. 1.6. Mat. 7.21 e 25.11. cap. 13.25.

[37] Mat. 7.24.

O centurião de Capernaum.

Mat. 8.5-13 e refs.

7 E, depois de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Capernaum.

2 E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo.

3 E, quando ouviu fallar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeos, rogando-lhe que viesse e curasse o seu servo.

4 E, chegando elles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isto,

5 Porque ama a nossa nação, e elle mesmo nos edificou a synagoga.

6 E foi Jesus com elles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incommodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado;

7 Pelo que nem ainda me julguei digno de ir ter comtigo; dize, porém, uma palavra, e o meu creado sarará.

8 Porque tambem eu sou homem sujeito á auctoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: Vae; e elle vae; e a outro: Vem; e elle vem; e ao meu servo: Faze isto; e elle o faz.

9 E Jesus, ouvindo isto, maravilhou-se d’elle, e, voltando-se, disse á multidão que o seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé.

10 E, voltando para casa os que foram enviados, acharam são o servo enfermo.

O filho da viuva de Nain.

11 E aconteceu, no dia seguinte, que Jesus ia a uma cidade chamada Nain, e com elle iam muitos dos seus discipulos, e uma grande multidão;

12 E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho unigenito de sua mãe, que era viuva; e com ella ia uma grande multidão da cidade.

13 E, vendo-a, o Senhor moveu-se de intima compaixão por ella, e disse-lhe: Não chores.

14 E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Mancebo, a ti te digo: [1] Levanta-te.

15 E o defunto assentou-se, e começou a fallar; e entregou-o a sua mãe.

16 E de todos se apoderou [2] o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande propheta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.

17 E correu d’elle esta fama por toda a Judea e por toda a terra circumvisinha.

João envia dois discipulos seus a Jesus.

Mat. 11.1-19 e refs.

18 E os discipulos de João annunciaram-lhe todas estas coisas.

19 E João, chamando dois dos seus discipulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?

20 E, quando aquelles homens chegaram junto d’elle, disseram: João Baptista enviou-nos a dizer-te: És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?

21 E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espiritos máus, e deu vista a muitos cegos.

22 Respondendo então Jesus, [3] disse-lhes: Ide, e annunciae a João as coisas que tendes visto e ouvido: [4] que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos resuscitam e o Evangelho annuncia-se [5] aos pobres,

23 E bemaventurado aquelle que em mim se não escandalizar.

24 E, tendo-se retirado [6] os mensageiros de João, começou a dizer á multidão ácerca de João: Que saistes a ver ao deserto? uma canna abalada pelo vento?

25 Mas que saistes a vêr? um homem trajado de vestidos delicados? Eis que os que andam com preciosos vestidos, e em delicias, estão nos paços reaes.

26 Mas que saistes a vêr? um propheta? sim, vos digo, e muito mais do que propheta.

27 Este é aquelle de quem está escripto: [7] Eis que envio o meu anjo adiante da tua face, o qual preparará diante de ti o teu caminho.

28 Porque eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não ha maior propheta do que João Baptista; mas o menor no reino de Deus é maior do que elle.

29 E todo o povo que o ouviu e os publicanos [8] justificaram a Deus, tendo sido baptizados com o baptismo de João.

30 Mas os phariseos e os doutores da lei rejeitaram [9] o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido baptizados por elle.

31 E disse o Senhor: [10] A quem pois compararei os homens d’esta geração, e a quem são similhantes?

32 São similhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros, e dizem: Tocámos-vos flauta, e não dançastes; cantámos-vos lamentações, e não chorastes,

33 Porque [11] veiu João Baptista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demonio;

34 Veiu o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis ahi [12] um homem comilão, e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos peccadores.

35 Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

A peccadora que ungiu os pés de Jesus.

36 E rogou-lhe [13] um dos phariseos que comesse com elle; e, entrando em casa do phariseo, assentou-se á mesa.

37 E eis que uma mulher da cidade, uma peccadora, sabendo que elle estava á mesa em casa do phariseo, levou um vaso de alabastro com unguento;

38 E, estando detraz, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lagrimas, e enxugava-lh’os com os cabellos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lh’os com o unguento.

39 E, quando isto viu o phariseo que o tinha convidado, fallava comsigo, dizendo: [14] Se este fôra propheta, bem saberia quem e qual é a mulher que o tocou, porque é peccadora.

40 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E elle disse: Dize-a, Mestre.

41 Um certo crédor tinha dois devedores; um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cincoenta.

42 E, não tendo elles com que pagar, perdoou-lhes a ambos a divida. Dize pois qual d’elles o amará mais?

43 E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquelle a quem mais perdoou. E elle lhe disse: Julgaste bem.

44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me déste agua para os pés; mas esta regou-me os pés com lagrimas, e m’os enxugou com os seus cabellos.

45 Não me déste osculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.

46 Não me ungiste [15] a cabeça com oleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento.

47 Por isso te digo [16] que os seus muitos peccados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquelle a quem pouco se perdoa pouco ama.

48 E disse-lhe a ella: [17] Os teus peccados te são perdoados.

49 E os que estavam á mesa começaram [18] a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa peccados?

50 E disse á mulher: [19] A tua fé te salvou: vae-te em paz.

[1] cap. 8.54. João 11.43. Act. 9.40. Rom. 4.17.

[2] cap. 1.65, 68 e 24.19. João 4.19 e 6.14 e 9.17.

[3] Mat. 11.4.

[4] Isa. 35.5.

[5] cap. 4.18.

[6] Mat. 11.7.

[7] Mal. 3.1.

[8] Mat. 3.5. cap. 3.12.

[9] Act. 20.27.

[10] Mat. 11.16.

[11] Mat. 3.4. Mar. 1.6. cap. 1.15.

[12] Mat. 11.19.

[13] Mat. 26.6. Mar. 14.3. João 11.2.

[14] cap. 15.2.

[15] Psa. 23.5.

[16] I Tim. 1.14.

[17] Mat. 9.2. Mar. 2.5.

[18] Mat. 9.3. Mar. 2.7.

[19] Mar. 5.34 e 10.52. cap. 8.48 e 18.42.

As mulheres que serviam a Jesus com os seus bens.

8 E aconteceu, depois d’isto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, prégando e annunciando o evangelho do reino de Deus: e os doze andavam com elle,

2 E [1] tambem algumas mulheres que haviam sido curadas de espiritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Magdalena, [2] da qual sairam sete demonios,

3 E Joanna, mulher de Chuza, procurador d’Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas.

A parabola do semeador.

Mat. 13.1-23 e refs.

4 E, [3] ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com elle de todas as cidades, disse por parabola:

5 Um semeador saiu a semear a sua semente, e, quando semeava, caiu uma parte junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram;

6 E outra parte caiu sobre pedra, e, nascida, seccou-se, porquanto não tinha humidade;

7 E outra parte caiu entre espinhos, e, nascidos com ella os espinhos, a suffocaram;

8 E outra parte caiu em boa terra, e, nascida, produziu fructo, cento por um. Dizendo elle estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

9 E [4] os seus discipulos o interrogaram, dizendo: Que parabola é esta?

10 E elle disse: A vós é dado conhecer os mysterios do reino de Deus, mas aos outros por parabolas, [5] para que, vendo, não vejam, e, ouvindo, não entendam.

11 [6] Esta é pois a parabola: A semente é a palavra de Deus;

12 E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que se não salvem, crendo;

13 E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas estes não teem raiz, pois crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam;

14 E a que caiu entre espinhos, estes são os que ouviram, e, indo por diante, se suffocam com os cuidados, e riquezas e deleites da vida, e não dão fructo com perfeição;

15 E a que caiu em boa terra, estes são os que, ouvindo a palavra, a conservam n’um coração honesto e bom, e dão fructo [AHB] em perseverança.

A parabola da candeia.

Mar. 4.21-25 e refs.

16 E ninguem, [7] accendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; porém põe-n’a no velador, para que os que entram vejam a luz.

17 Porque não ha coisa [8] occulta que não haja de manifestar-se, nem coisa escondida que não haja de saber-se e vir á luz.

18 Vêde pois como ouvis; [9] porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece que tem lhe será tirado.

A familia de Jesus.

Mat. 12.46-50 e refs.

19 E foram ter [10] com elle sua mãe e seus irmãos, e não podiam chegar a elle, por causa da multidão.

20 E foi-lhe annunciado por alguns, dizendo: Estão lá fóra tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te.

21 Porém, respondendo elle, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aquelles que ouvem a palavra de Deus e a executam.

Jesus apazigua a tempestade.

Mat. 8.25-27 e refs.

22 E aconteceu [11] que, n’um d’aquelles dias, entrou n’um barco, e com elle os seus discipulos, e disse-lhes: Passemos para a outra banda do lago. E partiram.

23 E, navegando elles, adormeceu; e sobreveiu uma tempestade de vento no lago, e enchiam-se d’agua, e perigavam.

24 E, chegando-se a elle, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. E elle, levantando-se, reprehendeu o vento e as ondas d’agua; e cessaram, e fez-se bonança.

25 E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E elles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e á agua manda, e lhe obedecem?

O endemoninhado gadareno.

Mat. 8.28-34 e refs.

26 E navegaram para [12] a terra dos gadarenos, que está defronte da Galilea.

27 E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo era possesso de demonios, e não andava vestido, e não habitava em casa, mas nos sepulchros.

28 E, vendo a Jesus, prostrou-se diante d’elle, exclamando, e dizendo com grande voz: Que tenho eu comtigo, Jesus, Filho do Deus Altissimo? Peço-te que não me atormentes.

29 Porque mandava ao espirito immundo que saisse d’aquelle homem; porque já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-n’o preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impellido pelo demonio para os desertos.

30 E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E elle disse: Legião; porque tinham entrado n’elle muitos demonios.

31 E rogavam-lhe que os não mandasse ir [13] para o abysmo.

32 E andava ali pastando no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar n’elles; e concedeu-lh’o.

33 E, tendo saido os demonios do homem, entraram nos porcos, e a manada arrojou-se de um despenhadeiro no lago, e afogaram-se.

34 E aquelles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram, e foram annuncial-o na cidade e nos campos.

35 E sairam a vêr o que tinha acontecido, e vieram ter com Jesus; e acharam o homem, de quem haviam saido os demonios, vestido, e em seu juizo, assentado aos pés de Jesus: e temeram.

36 E os que tinham visto contaram-lhes tambem como fôra salvo aquelle endemoninhado.

37 E [14] toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor [15] lhe rogou que se retirasse d’elles; porque estavam possuidos de grande temor. E, entrando elle no barco, voltou.

38 E aquelle homem, de quem haviam saido os demonios, [16] rogou-lhe que o deixasse estar com elle; porém Jesus o despediu, dizendo:

39 Torna para tua casa, e conta quão grandes coisas te fez Deus. E elle foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito.

A filha de Jairo: a mulher que tinha um fluxo de sangue.

Mar. 5.21-43 e refs.

40 E aconteceu que, voltando Jesus, a multidão o recebeu, porque todos o estavam esperando.

41 E eis que [17] chegou um varão, cujo nome era Jairo, e era principe da synagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa;

42 Porque tinha uma filha unica, quasi de doze annos, e estava á morte. E, indo elle, apertava-o a multidão.

43 E [18] uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze annos, e gastara com os medicos todos os seus haveres, e por nenhum podéra ser curada,

44 Chegando por detraz d’elle, tocou a orla do seu vestido, e o fluxo do seu sangue logo estancou.

45 E disse Jesus; Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com elle: Mestre, a multidão te aperta e opprime, e dizes: Quem é que me tocou?

46 E disse Jesus: Alguem me tocou, [19] porque bem conheci que de mim saiu virtude.

47 Então a mulher, vendo que não se occultava, approximou-se tremendo, e, prostrando-se ante elle, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que o havia tocado, e como logo sarára.

48 E elle lhe disse: Tem bom animo, filha, a tua fé te salvou: vae em paz.

49 Estando [20] elle ainda fallando, chegou um dos do principe da synagoga, dizendo: A tua filha já está morta, não incommodes o Mestre.

50 Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: Não temas; crê sómente, e será salva.

51 E, entrando em casa, a ninguem deixou entrar, senão a Pedro, e a Thiago, e a João, e ao pae e á mãe da menina.

52 E todos choravam, e a pranteavam; e elle disse: Não choreis; não está morta, [21] mas dorme.

53 E riam-se d’elle, sabendo que estava morta.

54 Porém elle, pondo-os todos fóra, e pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: [22] Levanta-te, menina.

55 E o seu espirito voltou, e ella logo se levantou; e Jesus mandou que lhe déssem de comer.

56 E seus paes ficaram maravilhados; [23] e elle lhes mandou que a ninguem dissessem o que havia succedido.

[1] Mat. 27.55, 56.

[2] Mar. 16.9.

[3] Mar. 4.1.

[4] Mat. 13.10. Mar. 4.10.

[5] Isa. 6.9. Mar. 4.12.

[6] Mat. 13.18. Mar. 4.14.

[7] Mat. 5.15. cap. 11.33.

[8] Mat. 10.26. cap. 12.2.

[9] Mat. 13.12 e 25.29. cap. 19.26.

[10] Mar. 3.31.

[11] Mar. 4.35.

[12] Mar. 5.1.

[13] Apo. 20.3.

[14] Mat. 8.34.

[15] Act. 16.39.

[16] Mar. 5.18.

[17] Mat. 9.1.

[18] Mat. 9.20.

[19] Mar. 5.30. cap. 6.19.

[20] Mar. 5.35.

[21] João 11.11, 13.

[22] cap. 7.14. João 11.43.

[23] Mat. 8.4 e 9.30. Mar. 5.43.

A missão dos doze.

Mat. 10.5, etc.

[Anno Domini 32]

9 E, convocando os seus doze discipulos, [1] deu-lhes virtude e poder sobre todos os demonios, e para curarem enfermidades;

2 E enviou-os a prégar o reino de [2] Deus, e a curar os enfermos.

3 E disse-lhes: [3] Nada leveis comvosco para o caminho, nem bordões, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhaes dois vestidos.

4 E, em qualquer casa em que entrardes, [4] ficae ali, e de lá sahi.

5 E, se quaesquer vos não receberem, [5] saindo vós d’aquella cidade, sacudi até o pó dos vossos [6] pés, em testemunho contra elles.

6 E, saindo elles, [7] percorreram todas as aldeias, annunciando o evangelho, e curando por toda a parte os enfermos.

Herodes o tetrarcha e João Baptista.

Mat. 14.1, etc.

7 E o tetrarcha Herodes [8] ouvia todas as coisas que Jesus fazia, e estava em duvida, porquanto diziam alguns que João resuscitara dos mortos,

8 E outros que Elias tinha apparecido, e outros que um propheta dos antigos havia resuscitado.

9 E disse Herodes: A João mandei eu degolar: quem é pois este de quem ouço dizer taes coisas? E procurava [9] vêl-o.

A primeira multiplicação dos pães.

Mat. 14.13-21 e refs.

10 E, regressando [10] os apostolos, contaram-lhe todas as coisas que tinham feito. E, tomando-os comsigo, retirou-se para um logar deserto de uma cidade chamada Bethsaida.

11 E, sabendo-o a multidão, o seguiu; e elle os recebeu, e fallava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.

12 E já o dia começava a declinar, [11] e, chegando-se a elle os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos logares e aldeias em redor, se agasalhem, e achem que comer; porque aqui estamos em logar deserto.

13 Mas elle lhes disse: Dae-lhes vós de comer. E elles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes: salvo se nós formos comprar comida para todo este povo.

14 Porque estavam ali quasi cinco mil homens. Disse então aos seus discipulos: Fazei-os assentar, aos ranchos de cincoenta em cincoenta.

15 E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos.

16 E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discipulos para os porem diante da multidão.

17 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.

A confissão de Pedro.

Mat. 16.13, etc.

18 E aconteceu que, [12] estando elle só, orando, estavam com elle os discipulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multidão que eu sou?

19 E, respondendo elles, disseram: [13] Uns João Baptista, outros Elias, e outros que um dos antigos prophetas resuscitou.

20 E disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? [14] E, respondendo Pedro, disse: O Christo de Deus.

21 E, admoestando-os, [15] mandou-lhes que a ninguem o dissessem,

22 Dizendo: [16] É necessario que o Filho do homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e resuscite ao terceiro dia.

Cada um deve levar a sua cruz.

Mat. 16.24-28 e refs.

23 E dizia a todos: [17] Se alguem quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.

24 Porque, qualquer que quizer salvar a sua [AHC] vida, perdel-a-ha; porém qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.

25 Porque, [18] que aproveita ao homem grangear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?

26 Porque, [19] qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, d’elle se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua gloria, e na do Pae e dos sanctos anjos,

27 E em verdade [20] vos digo que, dos que aqui estão, alguns ha que não gostarão a morte até que vejam o reino de Deus.

A transfiguração.

Mat. 17.1-13 e refs.

28 E aconteceu que, [21] quasi oito dias depois d’estas palavras, tomou comsigo a Pedro, a João e a Thiago, e subiu ao monte a orar.

29 E, estando elle orando, transfigurou-se a apparencia do seu rosto, e o seu vestido ficou branco e mui resplandecente.

30 E eis que estavam fallando com elle dois varões, que eram Moysés e Elias,

31 Os quaes appareceram com gloria, e fallavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalem.

32 E Pedro e os que se achavam com elle estavam [22] carregados de somno, e, quando despertaram, viram a sua gloria e aquelles dois varões que estavam com elle.

33 E aconteceu que, apartando-se elles d’elle, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos tres tendas, uma para ti, uma para Moysés, e uma para Elias; não sabendo o que dizia.

34 E, dizendo elle isto, veiu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e, entrando elles na nuvem, temeram.

35 E veiu da nuvem uma voz que dizia: [23] Este é o meu amado Filho: [24] a elle ouvi.

36 E, tendo soado aquella voz, Jesus foi achado só: [25] e elles calaram-se, e por aquelles dias não contaram a ninguem nada do que tinham visto.

Cura d’um joven lunatico.

Mat. 17.14-21 e refs.

37 E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo elles do monte, lhes saiu ao encontro uma grande multidão;

38 E eis que um homem da multidão clamou, dizendo: [26] Mestre, peço-te que olhes para o meu filho, porque é o unico que eu tenho,

39 E eis que um espirito o toma, e de repente clama, e o despedaça até escumar; e apenas o larga depois de o ter quebrantado.

40 E roguei aos teus discipulos que o expulsassem, e não poderam.

41 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incredula e perversa! até quando estarei ainda comvosco e vos soffrerei? Traze-me cá o teu filho.

42 E, quando vinha chegando, o demonio o derribou e o convulsionou; porém Jesus reprehendeu o espirito immundo, e curou o menino, e o entregou a seu pae.

43 E todos pasmavam da magestade de Deus. E, maravilhando-se todos de todas as coisas que Jesus fazia, disse aos seus discipulos:

44 Ponde vós [27] estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens.

45 Mas [28] elles não entendiam esta palavra, e era-lhes encoberta, para que a não comprehendessem; e temiam interrogal-o ácerca d’esta palavra.

O maior no reino dos céus.

Mat. 18.1, etc. e refs.

46 E suscitou-se entre elles uma questão, [29] a saber, qual d’elles seria o maior.

47 Mas, vendo Jesus o pensamento de seus corações, tomou um menino, pôl-o junto a si,

48 E disse-lhes: [30] Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me recebe a mim, recebe o que me enviou; [31] porque aquelle que entre vós todos fôr o menor, esse será grande.

Quem não é contra nós é por nós.

Mar. 9.38-40.

49 E, respondendo João, [32] disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demonios, e lh’o prohibimos, porque não te segue comnosco.

50 E Jesus lhes disse: Não lh’o prohibaes, [33] porque quem não é contra nós é por nós.

Os samaritanos não recebem a Jesus.

51 E aconteceu que, completando-se os dias para a sua [34] assumpção, voltou o seu rosto para ir a Jerusalem.

52 E mandou mensageiros adiante da sua face; e, indo elles, entraram n’uma aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada,

53 Mas não o receberam, [35] porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalem.

54 E os seus discipulos, Thiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu o os [36] consuma, como Elias tambem fez?

55 Voltando-se, porém, elle, reprehendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espirito sois.

56 Porque [37] o Filho do homem não veiu para destruir as almas dos homens, mas para salval-as. E foram para outra aldeia.

Ácerca dos que seguem a Jesus.

Mat. 8.19-22.

57 E aconteceu que, indo elles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-hei para onde quer que fôres.

58 E disse-lhe Jesus: As raposas teem covis, e as aves do céu ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

59 E disse a outro: Segue-me. Porém elle disse: Senhor, deixa que primeiro eu vá, e enterre a meu pae.

60 Mas Jesus lhe disse: Deixa aos mortos enterrar os seus mortos: porém tu vae e annuncia o reino de Deus.

61 Disse tambem outro: [38] Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.

62 E Jesus lhe disse: Ninguem, que lança mão do arado e olha para traz, é apto para o reino de Deus.

[1] Mar. 3.3, 6, 7.

[2] Mat. 10.7, 8. Mar. 6.12. cap. 10.1, 9.

[3] Mat. 10.9. Mar. 6.8. cap. 10.4 e 22.35.

[4] Mat. 10.11. Mar. 6.10.

[5] Mat. 10.14.

[6] Act. 13.5.

[7] Mar. 6.12.

[8] Mar. 6.14.

[9] cap. 23.8.

[10] Mar. 6.30.

[11] Mat. 14.15. Mar. 6.35. João 6.1, 5.

[12] Mar. 8.27.

[13] Mat. 14.2. ver. 7, 8.

[14] Mat. 16.16. João 6.69.

[15] Mat. 16.20.

[16] Mat. 16.21 e 17.22.

[17] Mat. 10.38. Mar. 8.34. cap. 14.27.

[18] Mat. 16.26. Mar. 8.36.

[19] Mat. 10.33. Mar. 8.38. II Tim. 2.12.

[20] Mat. 16.28.

[21] Mar. 9.1.

[22] Dan. 8.18 e 10.9.

[23] Mat. 3.17.

[24] Act. 3.22.

[25] Mat. 17.9.

[26] Mar. 9.14, 17.

[27] Mat. 17.22.

[28] Mar. 9.32. cap. 2.50 e 18.34.

[29] Mar. 9.34.

[30] Mat. 10.40 e 18.6. Mar. 9.37. João 12.44 e 13.20.

[31] Mat. 23.11, 12.

[32] Num. 11.28.

[33] Mat. 12.30. cap. 11.23.

[34] Mar. 16.19. Act. 1.2.

[35] João 4.4, 9.

[36] II Reis 1.10, 12.

[37] João 3.17 e 12.47.

[38] I Reis 19.20.

A missão dos setenta discipulos.

10 E depois d’isto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os [1] adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e logares onde elle havia de ir.

2 E dizia-lhes; [2] Grande é, em verdade, a seára, mas os obreiros são poucos; rogae pois ao Senhor da seára que envie obreiros para a sua seára.

3 Ide: [3] eis que vos mando como cordeiros para o meio de lobos.

4 Não leveis bolsa, [4] nem alforge, nem alparcas; e a ninguem saudeis pelo caminho.

5 E, em qualquer [5] casa aonde entrardes, dizei primeiro: Paz seja n’esta casa.

6 E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre [AHD] elle a vossa paz; e, se não, voltará para vós.

7 E ficae na mesma casa, [6] comendo e bebendo do que elles tiverem, [7] pois digno é o obreiro do seu salario. [8] Não andeis de casa em casa.

8 E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos pozerem adiante.

9 E curae [9] os enfermos que n’ella houver, e dizei-lhes: [10] É chegado a vós o reino de Deus.

10 Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei:

11 Até o pó, [11] que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, todavia, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós.

12 E digo-vos [12] que mais tolerancia haverá n’aquelle dia para Sodoma do que para aquella cidade.

13 Ai de ti, Chorazin, [13] ai de ti, Bethsaida! [14] que, se em Tyro e em Sidon se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já ha muito, assentadas em sacco e cinza, se teriam arrependido.

14 Portanto, para Tyro e Sidon será mais toleravel no juizo, do que para vós.

15 E tu, Capernaum, [15] que estás levantada até ao céu, até ao inferno serás abatida.

16 Quem vos ouve a vós, [16] a mim me ouve; e, quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e, quem a mim me rejeita, rejeita aquelle que me enviou.

17 E [17] voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, em teu nome, até os demonios se nos sujeitam.

18 E disse-lhes: [18] Eu via Satanaz, como raio, cair do céu.

19 Eis que vos [19] dou poder para pizar as serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará damno algum.

20 Mas não vos alegreis por isso, que se vos sujeitem os espiritos; alegrae-vos antes por estarem [20] os vossos nomes escriptos nos céus.

21 N’aquella mesma hora se alegrou Jesus em espirito, [21] e disse: Graças te dou, ó Pae, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sabios e intelligentes, e as revelaste ás creancinhas; assim é, ó Pae, porque assim te aprouve.

22 Todas [22] as coisas me foram entregues por meu Pae; e ninguem conhece quem é o Filho senão o Pae, nem quem é o Pae senão o Filho, e aquelle a quem o Filho o quizer revelar.

23 E, voltando-se para os seus discipulos, disse-lhes em particular: [23] Bemaventurados os olhos que vêem o que vós vêdes;

24 Porque vos digo que muitos prophetas [24] e reis desejaram vêr o que vós vêdes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.

A parabola do bom samaritano.

25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: [25] Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

26 E elle lhe disse: Que está escripto na lei? Como lês?

27 E, respondendo elle, [26] disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento; e [27] ao teu proximo como a ti mesmo.

28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, [28] e viverás.

29 Elle, porém, [29] querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu proximo?

30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalem para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quaes o despojaram, e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

31 E, por acaso, descia pelo mesmo caminho um certo sacerdote; e, vendo-o, [30] passou de largo.

32 E d’egual modo tambem um levita, chegando-se ao logar, e vendo-o, passou de largo.

33 Porém um [31] certo samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé d’elle, e, vendo-o, moveu-se de intima compaixão;

34 E, approximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhe azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou d’elle;

35 E, partindo ao [32] outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida d’elle; e tudo o que de mais gastares, eu t’o pagarei quando voltar.

36 Qual, pois, d’estes tres te parece que foi o proximo d’aquelle que caiu nas mãos dos salteadores?

37 E elle disse: O que usou de misericordia para com elle. Disse, pois, Jesus: Vae, e faze da mesma maneira.

Martha e Maria.

38 E aconteceu que, indo elles de caminho, entrou n’uma aldeia; e uma certa mulher, por nome [33] Martha, o recebeu em sua casa;

39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se tambem aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

40 Porém Martha andava distrahida em muitos serviços, e, chegando, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe pois que me ajude.

41 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Martha, Martha, andas cuidadosa e afadigada com muitas coisas,

42 Mas [34] uma só é necessaria; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

[1] Mat. 10.1. Mar. 6.7.

[2] Mat. 9.37, 38. João 4.35. II The. 3.1.

[3] Mat. 10.16.

[4] Mat. 10.9, 10. Mar. 6.8. cap. 9.3. II Reis 4.29.

[5] Mat. 10.12.

[6] Mat. 10.11.

[7] I Cor. 10.27.

[8] Mat. 10.10. I Cor. 9.4, etc. I Tim. 5.18.

[9] cap. 9.2.

[10] Mat. 3.2 e 4.17 e 10.7. ver. 11.

[11] Mat. 10.14. cap. 9.5. Act. 13.51 e 18.6.

[12] Mat. 10.15. Mar. 6.11.

[13] Mat. 11.21.

[14] Eze. 3.6.

[15] Mat. 11.23. Gen. 11.4. Deu. 1.28. Isa. 14.13. Jer. 51.53. Eze. 26.20.

[16] Mat. 10.40. Mar. 9.37. João 13.20 e 5.23. I The. 4.8.

[17] ver. 1.

[18] João 12.31 e 16.11. Apo. 9.1 e 12.8, 9.

[19] Mar. 16.10. Act. 28.5.

[20] Exo. 32.32. Psa. 69.28. Isa. 4.3. Dan. 12.1. Phi. 4.3. Heb. 12.23. Apo. 13.8.

[21] Mat. 11.25.

[22] Mat. 28.18. João 3.35 e 5.27 e 17.2. João 1.18 e 6.44, 46.

[23] Mat. 13.16.

[24] I Ped. 1.10.

[25] Mat. 19.16 e 22.35.

[26] Deu. 6.5.

[27] Lev. 19.18.

[28] Lev. 18.5. Neh. 9.29. Eze. 20.11, 13, 21. Rom. 10.5.

[29] cap. 16.15.

[30] Psa. 38.11.

[31] João 4.9.

[32] João 11.1 e 12.2, 3.

[33] I Cor. 7.32, etc. cap. 8.35. Act. 22.3.

[34] Psa. 27.4.

A oração dominical.

Mat. 6.9-15 e refs.

[Anno Domini 33]

11 E aconteceu que, estando elle a orar n’um certo logar, quando acabou lhe disse um dos seus discipulos: Senhor, ensina-nos a orar, como tambem João ensinou aos seus discipulos.

2 E elle lhes disse: Quando orardes, dizei: Pae nosso, que estás nos céus, sanctificado seja o teu nome: venha o teu reino: seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

3 Dá-nos cada dia o nosso pão quotidiano.

4 E perdoa-nos os nossos peccados, pois tambem nós perdoamos a qualquer que nos deve; e não nos mettas em tentação, mas livra-nos do mal.

Parabola do amigo importuno.

5 Disse-lhes tambem: Qual de vós terá um amigo, e, se for procural-o á meia noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me tres pães,

6 Porquanto um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe;

7 Elle, respondendo de dentro, diga: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama: não posso levantar-me para t’os dar?

8 Digo-vos que, ainda que se não levante a dar-lh’os, [1] por ser seu amigo, levantar-se-ha, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.

9 E eu digo-vos, a vós: [2] Pedi, e dar-se-vos-ha: buscae, e achareis: batei, e abrir-se-vos-ha;

10 Porque qualquer que pede recebe; e quem busca, acha; e a quem bate abrir-se-lhe-ha.

11 E qual o pae [3] d’entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou tambem, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?

12 Ou tambem, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?

13 Pois se vós, sendo máus, sabeis dar boas dadivas aos vossos filhos, quanto mais dará o nosso Pae celestial o Espirito Sancto áquelles que lh’o pedirem?

A blasphemia dos phariseos.

Mat. 12.22-32 e refs.

14 E estava expulsando um demonio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demonio, o mudo fallou; e maravilhou-se a multidão.

15 Porém alguns d’elles diziam: [4] Elle expulsa os demonios por Beelzebú, principe dos demonios.

16 E outros, tentando-o, pediam-lhe [5] um signal do céu.

17 Mas, conhecendo elle os seus pensamentos, [6] disse-lhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, dividida contra si mesma, cairá.

18 E, se tambem Satanaz está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demonios por Beelzebú;

19 E, se eu expulso os demonios por Beelzebú, [7] por quem os expulsam os vossos filhos? Elles pois serão os vossos juizes.

20 Mas, se eu expulso os demonios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus.

21 Quando o homem [8] valente guarda armado a sua casa, em segurança está tudo quanto tem.

22 Mas, sobrevindo [9] outro mais valente do que elle, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos.

23 Quem não é comigo [10] é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.

24 Quando o espirito [11] immundo tem saido do homem, anda por logares seccos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha casa, d’onde sahi.

25 E, chegando, acha-a varrida e adornada.

26 Então vae, e leva comsigo outros sete espiritos peiores do que elle, e, entrando, habitam ali: e o ultimo estado d’esse homem é [12] peior do que o primeiro.

27 E aconteceu que, dizendo elle estas coisas, uma mulher d’entre a multidão, levantando a voz, lhe disse: [13] Bemaventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste.

28 Mas elle disse: [14] Antes bemaventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.

O signal do propheta Jonas.

Mat. 12.38-42 e refs.

29 E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer: Maligna é esta geração: ella pede um signal; e não lhe será dado outro signal, senão o signal do propheta Jonas:

30 Porque, assim como [15] Jonas foi signal para os ninivitas, assim o Filho do homem o será tambem para esta geração.

31 A rainha do [16] sul se levantará no juizo com os homens d’esta geração, e os condemnará; pois até dos confins da terra veiu ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão.

32 Os homens de Ninive se levantarão no juizo com esta geração, e a condemnarão; [17] pois se converteram com a prégação de Jonas, e eis aqui está quem é maior do que Jonas.

A candeia do corpo.

33 E ninguem, [18] accendendo a candeia, a põe em logar occulto, nem debaixo do alqueire; porém no velador, para que os que entrarem vejam a luz.

34 A candeia [19] do corpo é o olho. Sendo pois o teu olho simples, tambem todo o teu corpo será luminoso, mas, se fôr mau, tambem o teu corpo será tenebroso.

35 Vê pois que a tua luz que em ti ha não sejam trevas.

36 Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te allumia com o seu resplendor.

Jesus censura os phariseos e os escribas.

Mat. 23.1, etc. e refs.

37 E, estando elle ainda fallando, rogou-lhe um phariseo que fosse jantar com elle; e, entrando, assentou-se á mesa.

38 Mas o phariseo [20] admirou-se, vendo que se não lavara antes de jantar.

39 E o Senhor lhe disse; [21] Vós, os phariseos, limpaes agora o exterior do copo e do prato; porém o vosso [22] interior está cheio de rapina e maldade.

40 Loucos! o que fez o exterior, não fez tambem o interior?

41 Antes dae [23] esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo.

42 Mas ai de vós, [24] phariseos, que dizimaes a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezaes o juizo e amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras.

43 Ai de vós, phariseos, [25] que amaes os primeiros assentos nas synagogas, e as saudações nas praças.

44 Ai de vós, [26] escribas e phariseos hypocritas, que sois como as sepulturas que não apparecem, e os homens que sobre ellas andam não o sabem.

45 E, respondendo um dos doutores da lei, disse-lhe: Mestre, quando dizes isto, tambem nos affrontas a nós.

46 Porém elle disse: Ai de vós tambem, doutores da lei, [27] que carregaes os homens com cargas difficeis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocaes nas ditas cargas.

47 Ai de vós [28] que edificaes os sepulchros dos prophetas, e vossos paes os mataram.

48 Bem testificaes, pois, que consentis nas obras de vossos paes; porque elles os mataram, e vós edificaes os seus sepulchros.

49 Portanto diz tambem a sabedoria de Deus: [29] Prophetas e apostolos lhes mandarei; e elles matarão uns, e perseguirão outros;

50 Para que d’esta geração seja requerido o sangue de todos os prophetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado,

51 Desde o sangue [30] de Abel, até ao sangue de Zacharias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido d’esta geração.

52 Ai de vós, doutores [31] da lei, que tirastes a chave da sciencia; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam.

53 E, dizendo-lhes estas coisas, os escribas e os phariseos começaram a apertal-o fortemente, e a fazel-o fallar ácerca de muitas coisas,

54 Armando-lhe ciladas, a fim [32] de apanharem da sua bocca alguma coisa para o accusarem.

[1] cap. 18.1, etc.

[2] Mat. 7.7 e 21.22. Mar. 11.24. João 15.7. Thi. 1.6. I João 3.22.

[3] Mat. 7.9.

[4] Mat. 9.34 e 12.24.

[5] Mat. 12.38 e 16.1.

[6] Mat. 12.35. Mar. 3.24. João 2.25.

[7] Exo. 8.19.

[8] Mar. 3.27.

[9] Isa. 53.12. Col. 2.15.

[10] Mat. 12.30.

[11] Mat. 12.43.

[12] João 5.14. Heb. 6.4 e 10.26. II Ped. 2.20.

[13] cap. 1.28, 48.

[14] Mat. 7.21. cap. 8.21. Thi. 1.25.

[15] Jon. 2.1, 11.

[16] I Reis 10.1.

[17] Jon. 3.5.

[18] Mat. 5.15. Mar. 4.21. cap. 8.16.

[19] Mat. 6.22.

[20] Mar. 7.3.

[21] Mat. 23.25.

[22] Tito 1.15.

[23] Isa. 58.7. Dan. 4.24. cap. 12.33.

[24] Mat. 23.23.

[25] Mat. 23.6. Mar. 12.38, 39.

[26] Mat. 23.27. Psa. 6.10.

[27] Mat. 23.4.

[28] Mat. 23.29.

[29] Mat. 23.34.

[30] Gen. 4.8. II Chr. 24.20, 21.

[31] Mat. 23.13.

[32] Mar. 12.13.

12 Ajuntando-se [1] entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropellavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discipulos: [2] Acautelae-vos primeiramente do fermento dos phariseos, que é a hypocrisia.

2 Mas nada [3] ha encoberto que não haja de ser descoberto; nem occulto, que não haja de ser sabido.

3 Porquanto tudo o que em trevas dissestes á luz será ouvido; e o que fallastes ao ouvido no gabinete sobre os telhados será apregoado.

Não devemos temer os homens.

Mat. 10.28-33 e refs.

4 E digo-vos, [4] amigos meus; Não temaes os que matam o corpo, e depois não teem mais que fazer.

5 Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquelle que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.

6 Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum d’elles está esquecido diante de Deus.

7 E até os cabellos da vossa cabeça estão todos contados. Não temaes pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.

8 E digo-vos [5] que todo aquelle que me confessar diante dos homens, tambem o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.

9 Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.

10 E a todo [6] aquelle que disser uma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-ha perdoada, mas ao que blasphemar contra o Espirito Sancto não lhe será perdoado.

11 E, quando [7] vos conduzirem ás synagogas, aos magistrados e potestades, não estejaes solicitos de como ou do que haveis de responder nem do que haveis de fallar.

12 Porque na mesma hora vos ensinará o Espirito Sancto o que vos convenha fallar.

A parabola do rico louco.

13 E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.

14 Mas elle lhe disse: Homem, [8] quem me poz a mim por juiz ou repartidor entre vós?

15 E disse-lhes: [9] Acautelae-vos e guardae-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundancia dos bens que possue.

16 E propoz-lhes uma parabola, dizendo: A herdade d’um homem rico tinha produzido com abundancia;

17 E arrazoava elle entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus fructos.

18 E disse: Farei isto: Derribarei os meus celleiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;

19 E direi á minha [10] alma: Alma, tens em deposito muitos bens para muitos annos: descança, come, bebe, e folga.

20 Porém Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a [11] tua alma; e o que tens preparado para quem será?

21 Assim é o que para si ajunta thesouros, e não [12] é rico para com Deus.

Solicitude pela nossa vida.

Mat. 6.25-34 e refs.

22 E disse aos seus discipulos: Portanto vos digo: Não estejaes solicitos pela vossa vida, no que comereis, nem pelo corpo, no que vestireis.

23 Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que o vestido.

24 Considerae os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem teem dispensa nem celleiro, e Deus [13] os alimenta: quanto mais valeis vós do que as aves?

25 E qual de vós, sendo solicito, pode accrescentar um covado á sua estatura?

26 Pois, se nem ainda podeis fazer as coisas minimas, porque estaes solicitos pelo mais?

27 Considerae os lirios, como elles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua gloria, se vestiu como um d’elles.

28 E, se Deus assim veste a herva que hoje está no campo, e ámanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?

29 Vós pois não pergunteis que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos.

30 Porque as gentes do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pae sabe que haveis mister d’ellas.

31 Buscae antes [14] o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão accrescentadas.

32 Não temas, [15] ó pequeno rebanho, porque a vosso Pae agradou dar-vos o reino.

33 Vendei o que tendes, e [16] dae esmola. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; thesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão, e a traça não roe.

34 Porque, onde estiver o vosso thesouro, ali estará tambem o vosso coração.

Parabola do servo vigilante.

Mat. 24.45-51.

35 Estejam cingidos os [17] vossos lombos, e accesas as vossas candeias.

36 E sêde vós similhantes aos homens que esperam a seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe.

37 Bemaventurados aquelles servos, os [18] quaes, quando o Senhor vier, os achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar á mesa, e, chegando-se, os servirá.

38 E, se vier na segunda vigilia, e se vier na terceira vigilia, e os achar assim, bemaventurados são os taes servos.

39 Sabei, porém, isto, [19] que, se o pae de familia soubesse a que hora, havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa.

40 Portanto, estae vós tambem [20] apercebidos; porque virá o Filho do homem a hora que não imaginaes.

41 E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parabola a nós, ou tambem a todos?

42 E disse o Senhor: [21] Qual é pois o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor poz sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração?

43 Bemaventurado aquelle servo, o qual o senhor, [22] quando vier, achar fazendo assim.

44 Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá.

45 Mas, se aquelle servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os creados e creadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se,

46 Virá o senhor d’aquelle servo no dia em que o não espera, e n’uma hora que elle não sabe, e separal-o-ha, e porá a sua parte com os infieis.

47 E o servo [23] que soube a vontade do seu senhor, e não se apercebeu, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;

48 Mas o [24] que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito fôr dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá.

Jesus traz fogo e dissensão á terra.

49 Vim lançar fogo na terra; [25] e que quero, se já está acceso?

50 Importa, porém, que seja baptizado com um baptismo; [26] e como me angustio até que venha a cumprir-se!

51 Cuidaes [27] vós que vim dar paz á terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;

52 Porque d’aqui em [28] diante estarão cinco divididos n’uma casa: tres contra dois, e dois contra tres:

53 O pae estará dividido contra o filho, e o filho contra o pae; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.

Os signaes dos tempos.

54 E dizia tambem á multidão: [29] Quando vêdes a nuvem que vem do occidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim succede.

55 E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e assim succede.

56 Hypocritas, sabeis distinguir a face da terra e do céu, e como não distinguis este tempo?

57 E porque não julgaes tambem por vós mesmos o que é justo?

58 Quando [30] pois vaes com o teu adversario ao magistrado, procura livrar-te d’elle no caminho; para que não succeda que te conduza ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na prisão.

59 Digo-te que não sairás d’ali emquanto não pagares o derradeiro ceitil.

[1] Mat. 16.6. Mar. 8.15.

[2] Mat. 16.12.

[3] Mat. 10.26. Mar. 4.22. cap. 8.17.

[4] Isa. 51.7, 8, 12, 13. Jer. 1.8. João 15.14, 15.

[5] Mat. 10.32. Mar. 8.38. II Tim. 2.12. I João 2.23.

[6] Mat. 12.31, 32. Mar. 3.28. I João 5.16.

[7] Mat. 10.19. Mar. 13.11. cap. 21.14.

[8] João 18.36.

[9] I Tim. 6.7, etc.

[10] Ecc. 11.9. I Cor. 15.32. Thi. 5.5.

[11] Job 20.22 e 27.8. Psa. 52.5. Thi. 4.14. Psa. 39.6. Jer. 17.11.

[12] Mat. 6.20. ver. 33. I Tim. 6.18, 19. Thi. 2.5.

[13] Job 38.41. Psa. 147.9.

[14] Mat. 6.33.

[15] Mat. 11.25, 26.

[16] Mat. 19.21 e 6.20. Act. 2.45 e 4.34. cap. 16.9. I Tim. 6.19.

[17] Eph. 6.14. I Ped. 1.13. Mat. 25.1, etc.

[18] Mat. 24.46.

[19] Mat. 24.43. I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.

[20] Mat. 24.44 e 25.13. Mar. 13.33. cap. 21.34, 36. I The. 5.6. II Ped. 3.12.

[21] Mat. 24.45 e 25.21. I Cor. 4.2.

[22] Mat. 24.47, 48.

[23] Num. 15.30. Deu. 25.2. João 9.41 e 15.22. Act. 17.30. Thi. 4.17.

[24] Lev. 5.17. I Tim. 1.13.

[25] ver. 51.

[26] Mat. 20.22. Mar. 10.38.

[27] Mat. 10.34. ver. 49. Miq. 7.6. João 7.43 e 9.16 e 10.19.

[28] Mat. 10.35.

[29] Mat. 16.2.

[30] Pro. 25.8. Mat. 5.25. Psa. 32.6. Isa. 50.6.

A mortandade dos galileos e a queda da torre em Siloé.

13 E n’aquelle mesmo tempo estavam presentes ali alguns que lhe fallavam dos galileos cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrificios.

2 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidaes vós que esses galileos foram mais peccadores do que todos os outros galileos, por terem assim padecido?

3 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de egual modo perecereis.

4 Ou aquelles dezoito, sobre os quaes caiu a torre em Siloé e os matou, cuidaes que foram mais [AHE] culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalem?

5 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de egual modo perecereis.

A parabola da figueira esteril.

6 E dizia esta parabola: Um [1] certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi buscar n’ella algum fructo, e não o achou;

7 E disse ao vinhateiro: Eis que ha tres annos venho buscar fructo a esta figueira, e não o acho; corta-a; porque occupa ainda a terra inutilmente?

8 E, respondendo elle, disse-lhe: Senhor, deixa-a este anno, até que eu a escave e a esterque;

9 E, se der fructo, ficará, e, se não, depois a mandarás cortar.

Cura d’uma mulher paralytica.

10 E ensinava no sabbado, n’uma das synagogas.

11 E eis que estava ali uma mulher que tinha um espirito de enfermidade, havia já dezoito annos; e andava encurvada, e não podia de modo algum endireitar-se.

12 E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.

13 E poz as mãos sobre ella, [2] e logo se endireitou, e glorificava a Deus.

14 E, tomando a palavra o principe da synagoga, indignado porque Jesus curava no sabbado, disse á multidão: [3] Seis dias ha em que é mister trabalhar: n’estes pois vinde para serdes curados, [4] e não no dia de sabbado.

15 Respondeu-lhe, porém, o Senhor e disse: Hypocrita, [5] no sabbado não desprende da mangedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber?

16 E não convinha soltar d’esta prisão, no dia de sabbado, a esta filha [6] de Abrahão, a qual ha dezoito annos Satanaz tinha presa?

17 E, dizendo elle estas coisas, todos os seus adversarios se confundiam, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por elle.

Parabolas, do grão de mostarda e do fermento.

Mat. 13.31-33 e refs.

18 E dizia: [7] A que é similhante o reino de Deus, e a que o compararei?

19 É similhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou na sua horta; e cresceu, e fez-se grande arvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu.

20 E disse outra vez: A que compararei o reino de Deus?

21 É similhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu em tres medidas de farinha, até que tudo levedou.

A porta estreita.

22 E percorria as cidades [8] e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalem.

23 E disse-lhe um: Senhor, são poucos os que se salvam? E elle lhe disse:

24 Porfiae por entrar pela porta estreita; [9] porque eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.

25 Quando o pae de familia se levantar e cerrar a porta, [10] e começardes a estar de fóra, e a bater á porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo elle, vos disser: Não sei d’onde vós sois;

26 Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tens ensinado nas nossas ruas.

27 E elle dirá: [11] Digo-vos que não sei d’onde vós sois; [12] apartae-vos de mim, vós todos os que obraes iniquidade.

28 Ali haverá choro e ranger de dentes, [13] quando virdes Abrahão e Isaac, e Jacob, e todos os prophetas, no reino de Deus, e vós lançados fóra.

29 E virão do oriente, e do occidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-hão á mesa no reino de Deus.

30 E eis que derradeiros ha [14] que serão os primeiros; e primeiros ha que serão os derradeiros.

Jesus é avisado do odio de Herodes.

31 N’aquelle mesmo dia chegaram uns phariseos, dizendo-lhe: Sae, e retira-te d’aqui, porque Herodes quer matar-te.

32 E disse-lhes: Ide, e dizei áquella raposa: Eis que eu expulso demonios, e effectuo curas, hoje e ámanhã, e no terceiro dia sou [15] consummado.

33 Importa, porém, caminhar hoje, ámanhã, e no dia seguinte, para que não succeda que morra um propheta fóra de Jerusalem.

34 Jerusalem, [16] Jerusalem, que matas os prophetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quiz eu ajuntar os teus filhos, como a gallinha os seus pintos debaixo das suas azas, e não quizeste?

35 Eis que a vossa casa se vos deixará [17] deserta. E em verdade vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digaes: Bemdito aquelle que vem em nome do Senhor.

[1] Isa. 5.2. Mat. 21.19.

[2] Mar. 16.18. Act. 9.8.

[3] Exo. 20.9.

[4] Mat. 12.10. Mar. 3.2. cap. 6.7 e 14.3.

[5] cap. 14.5.

[6] cap. 19.9.

[7] Mar. 4.30.

[8] Mat. 9.34. Mar. 6.6.

[9] Mat. 7.13. João 7.34 e 8.21 e 13.33. Rom. 9.31.

[10] Psa. 32.6. Isa. 55.6. Mat. 25.10. cap. 6.46. Mat. 7.23 e 25.12.

[11] Mat. 7.23 e 25.41. ver. 25.

[12] Psa. 6.9. Mat. 25.41.

[13] Mat. 8.12 e 13.42 e 24.51 e 8.11.

[14] Mat. 19.30 e 20.16. Mar. 10.31.

[15] Heb. 2.10.

[16] Mat. 23.37.

[17] Lev. 26.31, 32. Psa. 69.25. Isa. 1.7. Dan. 9.27. Miq. 3.12. Psa. 118.26. Mat. 21.9. Mar. 11.10. cap. 19.38. João 12.13.

Cura d’um hydropico.

14 Aconteceu n’um sabbado que, entrando elle em casa de um dos principaes dos phariseos para comer pão, elles o estavam espiando.

2 E eis que estava ali adiante d’elle um certo homem hydropico.

3 E, Jesus, tomando a palavra, fallou aos doutores da lei, e aos phariseos, dizendo: [1] É licito curar no sabbado?

4 Elles, porém, calaram-se. E, tomando-o, elle o curou e despediu.

5 E, respondendo-lhes, disse: [2] Qual será de vós o que, caindo-lhe n’um poço, em dia de sabbado, o jumento ou o boi, o não tire logo?

6 E nada lhe podiam replicar a estas coisas.

Parabola dos primeiros assentos e dos convidados.

7 E disse aos convidados uma parabola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes:

8 Quando por alguem fôres convidado ás bodas, não te assentes no primeiro logar, não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;

9 E, vindo o que te convidou a ti e a elle, te diga: Dá o logar e este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro logar.

10 Mas, quando fores [3] convidado, vae, e assenta-te no derradeiro logar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem comtigo á mesa.

11 Porque qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, [4] e aquelle que a si mesmo se humilhar será exaltado.

12 E dizia tambem ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem visinhos ricos, para que não succeda que tambem elles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.

13 Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, [5] aleijados, mancos e cegos,

14 E serás bemaventurado; porquanto não teem com que t’o recompensar; porque recompensado te será na resurreição dos justos.

Parabola da grande ceia.

Mat. 22.1-14 e refs.

15 E, ouvindo isto um dos que estavam com elle á mesa, disse-lhe: Bemaventurado [6] aquelle que comer pão no reino de Deus.

16 Porém elle lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos.

17 E á hora da ceia [7] mandou o seu servo a dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.

18 E todos á uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vêl-o: rogo-te que me hajas por escusado.

19 E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou a experimental-os: rogo-te que me hajas por escusado.

20 E outro disse: Casei, e portanto não posso ir.

21 E, voltando aquelle servo, annunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pae de familia, indignado, disse ao seu servo: Sae depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.

22 E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda ha logar.

23 E disse o senhor ao servo: Sae pelos caminhos e vallados, e força-os a entrar para que a minha casa se encha.

24 Porque eu vos digo [8] que nenhum d’aquelles varões que foram convidados provará a minha ceia.

Parabola ácerca da providencia.

25 Ora ia com elle uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe:

26 Se alguem vier a mim, [9] e não aborrecer a seu pae, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda tambem a sua propria vida, não pode ser meu discipulo.

27 E qualquer que não levar a sua cruz, [10] e não vier após mim, não pode ser meu discipulo.

28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, [11] não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?

29 Para que não aconteça que, depois de haver posto o alicerce, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer d’elle,

30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não poude acabar.

31 Ou qual é o rei que, indo á guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra elle com vinte mil?

32 D’outra maneira, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores, e pede condições de paz.

33 Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discipulo.

34 Bom é o sal; [12] porém, se o sal degenerar, com que se adubará?

35 Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-n’o fóra. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

[1] Mat. 12.10.

[2] Exo. 23.5. Deu. 22.4. cap. 13.15.

[3] Pro. 25.6, 7.

[4] Job 22.29. Psa. 18.27. Pro. 29.23. Mat. 23.12. cap. 18.14. Thi. 4.6. I Ped. 5.5.

[5] Neh. 8.10, 12.

[6] Apo. 19.9.

[7] Pro. 9.2, 5.

[8] Mat. 21.43 e 22.8. Act. 13.46.

[9] Deu. 13.6 e 33.9. Mat. 10.37. Rom. 9.13. Apo. 12.11.

[10] Mat. 16.24. Mar. 8.34. cap. 9.23. II Tim. 3.12.

[11] Pro. 24.27.

[12] Mat. 5.13. Mar. 9.50.

Parabolas, da ovelha e da drachma perdidas.

15 E chegavam-se a [1] elle todos os publicanos e peccadores para o ouvir.

2 E os phariseos e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe peccadores, [2] e come com elles.

3 E elle lhes propoz esta parabola, dizendo:

4 Que homem d’entre [3] vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma d’ellas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vae após a perdida até que venha a achal-a?

5 E, achando-a, a põe sobre seus hombros, gostoso;

6 E, chegando a casa, convoca os amigos e visinhos, dizendo-lhes: Alegrae-vos comigo, porque já achei a minha ovelha [4] perdida.

7 Digo-vos que assim haverá mais alegria no céu sobre um peccador que se arrependa [5] do que sobre noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

8 Ou qual a mulher que, tendo dez drachmas, se perder uma drachma, não accende a candeia, e não varre a casa, e não busca com diligencia até a achar?

9 E, achando-a, convoca as amigas e visinhas, dizendo: Alegrae-vos comigo, porque já achei a drachma perdida.

10 Assim vos digo que ha alegria diante dos anjos de Deus sobre um peccador que se arrepende.

Parabola do filho prodigo.

11 E disse: Um certo homem tinha dois filhos;

12 E o mais moço d’elles disse ao pae: Pae, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E elle lhes repartiu [6] a fazenda.

13 E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra mui longe, e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente.

14 E, havendo elle já gastado tudo, houve n’aquella terra uma grande fome, e começou a padecer necessidade.

15 E foi, e chegou-se a um dos cidadãos d’aquella terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar os porcos.

16 E desejava saciar o seu estomago com as [AHF] bolotas que os porcos comiam, e ninguem lhe dava nada.

17 E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pae teem abundancia de pão, e eu pereço de fome!

18 Levantar-me-hei, e irei ter com meu pae, e dir-lhe-hei: Pae, pequei contra o céu e perante ti;

19 Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.

20 E, levantando-se, foi para seu pae; e, quando [7] ainda estava longe, viu-o seu pae, e se moveu de intima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

21 E o filho lhe disse: Pae, pequei contra o céu [8] e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.

22 Mas o pae disse aos seus servos: Trazei depressa o vestido melhor, e vesti-lh’o, e ponde-lhe um annel na mão, e alparcas nos pés;

23 E trazei o bezerro cevado, e matae-o; e comamos, e alegremo-nos;

24 Porque [9] este meu filho era morto, e reviveu, tinha-se perdido, e é achado. E começaram a alegrar-se.

25 E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veiu, e chegou perto de casa, ouviu a musica e as danças.

26 E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquillo.

27 E elle lhe disse: Veiu teu irmão; e teu pae matou o bezerro cevado, porquanto o recuperou são e salvo.

28 Indignou-se, porém, elle, e não queria entrar. E, saindo o pae, o rogava.

29 Mas, respondendo elle, disse ao pae: Eis que te sirvo ha tantos annos, e nunca transgredi o teu mandamento, e nunca me déste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;

30 Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

31 E elle lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;

32 Portanto era justo alegrarmo-nos e folgarmos, [10] porque este teu irmão era morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

[1] Mat. 9.10.

[2] Act. 11.3. Gal. 2.12.

[3] Mat. 18.12.

[4] I Ped. 2.10, 25.

[5] cap. 5.32.

[6] Mar. 12.44.

[7] Act. 2.39. Eph. 2.13, 17.

[8] Psa. 51.4.

[9] ver. 32. Eph. 2.1 e 5.14. Apo. 3.1.

[10] ver. 24.

Parabola do mordomo infiel.

16 E dizia tambem aos seus discipulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi accusado perante elle de dissipar os seus bens.

2 E elle, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás mais ser mordomo.

3 E o mordomo disse comsigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha.

4 Eu sei o que hei-de fazer, para que, quando fôr desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

5 E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

6 E elle disse: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e, assentando-te já, escreve cincoenta.

7 Disse depois a outro: E tu quanto deves? E elle disse: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta.

8 E louvou aquelle senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos d’este mundo são mais prudentes na sua geração [1] do que os filhos da luz.

9 E eu vos digo: [2] Grangeae amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando necessitardes, vos recebam nos tabernaculos eternos.

10 Quem [3] é fiel no minimo, tambem é fiel no muito; quem é injusto no minimo, tambem é injusto no muito.

11 Pois, se na riqueza injusta não fostes fieis, quem vos confiará a verdadeira?

12 E, se no alheio não fostes fieis, quem vos dará o que é vosso?

13 Nenhum [4] servo pode servir dois senhores; porque, ou ha de aborrecer um e amar o outro, ou se ha de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a [AHG] Mammon.

A auctoridade da lei.

14 E os phariseos, [5] que eram avarentos, ouviam todas estas coisas, e zombavam d’elle.

15 E disse-lhes: Vós sois os que vos [6] justificaes a vós mesmos diante dos homens, [7] mas Deus conhece os vossos corações, porque, [8] o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.

16 A lei [9] e os prophetas duraram até João: desde então é annunciado o reino de Deus, e todo o homem forceja por entrar n’elle.

17 E [10] é mais facil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

18 Qualquer [11] que deixa sua mulher, e casa com outra, adultéra; e aquelle que casa com a repudiada pelo marido tambem adultéra.

A parabola do rico e Lazaro.

19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de purpura e de linho finissimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.

20 Havia tambem um certo mendigo, chamado Lazaro, que jazia cheio de chagas á porta d’aquelle;

21 E desejava saciar-se com as migalhas que cahiam da mesa do rico; e até vinham os cães, e lambiam-lhe as chagas.

22 E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio d’Abrahão; e morreu tambem o rico, e foi sepultado.

23 E no inferno, erguendo os olhos, estando em tormentos, viu ao longe Abrahão, e Lazaro no seu seio.

24 E elle, clamando, disse: Pae Abrahão, tem misericordia de mim, e manda a Lazaro que molhe na agua a ponta do seu dedo e me [12] refresque a lingua, porque estou [13] atormentado n’esta chamma.

25 Disse, porém, Abrahão: Filho, lembra-te [14] de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lazaro sómente males; e agora este é consolado e tu atormentado;

26 E, além d’isso, está posto um grande abysmo entre nós e vós, de sorte que os que quizessem passar d’aqui para vós não poderiam, nem tão pouco os de lá passar para cá.

27 E disse elle: Rogo-te pois, ó pae, que o mandes a casa de meu pae,

28 Porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, afim de que não venham tambem para este logar de tormento.

29 Disse-lhe Abrahão: [15] Teem Moysés e os prophetas; ouçam-n’os.

30 E disse elle: Não, pae Abrahão; mas, se alguem dos mortos fosse ter com elles, arrepender-se-hiam.

31 Porém Abrahão lhe disse: Se não ouvem a Moysés e aos prophetas, [16] tão pouco acreditarão, ainda que algum dos mortos resuscite.

[1] João 12.36. Eph. 5.8. I The. 5.5.

[2] Dan. 4.27. Mat. 6.19 e 19.21. cap. 11.41. I Tim. 6.17, 18, 19.

[3] Mat. 25.21. cap. 19.17.

[4] Mat. 6.24.

[5] Mat. 23.14.

[6] cap. 10.29.

[7] Psa. 7.10.

[8] I Sam. 16.7.

[9] Mat. 4.17 e 11.12, 13. cap. 7.29.

[10] Psa. 102.26, 27. Isa. 40.8 e 51.6. Mat. 5.18. I Ped. 1.25.

[11] Mat. 5.32 e 19.9. Mar. 10.11. I Cor. 7.10, 11.

[12] Zac. 14.12.

[13] Isa. 66.24. Mar. 9.43, etc.

[14] Job 21.13. cap. 6.24.

[15] Isa. 8.20 e 34.16. João 5.39, 45. Act. 15.21 e 17.11.

[16] João 12.10, 11.

Ácerca dos escandalos, do perdão, do poder da fé e dos servos inuteis.

17 E disse aos discipulos: [1] É impossivel que não venham escandalos, mas ai d’aquelle por quem vierem!

2 Melhor lhe fôra que lhe pozessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que escandalizar um d’estes pequenos.

3 Olhae por vós mesmos. [2] E, se teu irmão peccar contra ti, reprehende-o, [3] e, se elle se arrepender, perdoa-lhe.

4 E, se peccar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia tornar a ti, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.

5 Disseram então os apostolos ao Senhor: Accrescenta-nos a fé.

6 E disse o [4] Senhor: Se tivesseis fé como um grão de mostarda, dirieis a esta amoreira: Desarreiga-te d’aqui, e planta-te no mar; e vos obedeceria.

7 E qual de vós terá um servo lavrando ou apascentando, e, voltando elle do campo, lhe diga: Chega-te, e assenta-te á mesa?

8 E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, [5] e serve-me, até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu?

9 Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não.

10 Assim tambem vós, quando fizerdes tudo o que vos fôr mandado, dizei: Somos [6] servos inuteis, porque fizemos sómente o que deviamos fazer.

Cura de dez leprosos.

11 E aconteceu [7] que, indo elle a Jerusalem, passou pelo meio da Samaria e da Galilea;

12 E, entrando n’uma certa aldeia, sairam-lhe ao encontro dez homens leprosos, [8] os quaes pararam de longe;

13 E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericordia de nós.

14 E elle, vendo-os, [9] disse-lhes: Ide, e mostrae-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo elles, ficaram limpos.

15 E um d’elles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz;

16 E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças: e este era samaritano.

17 E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?

18 Não houve quem voltasse a dar gloria a Deus senão este estrangeiro?

19 E disse-lhe: [10] Levanta-te, e vae; a tua fé te salvou.

A vinda subita do reino de Deus.

20 E, interrogado pelos phariseos sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com [AHH] apparencia exterior.

21 Nem dirão: [11] Eil-o aqui, ou, Eil-o ali; porque eis que o reino de Deus está [12] entre vós.

22 E disse aos discipulos: [13] Dias virão em que desejareis vêr um dos dias do Filho do homem, e não o vereis.

23 E dir-vos-hão: [14] Eil-o aqui, ou, Eil-o ali está; não vades, nem os sigaes:

24 Porque, [15] como o relampago, fuzilando de uma parte debaixo do céu, resplandece até á outra debaixo do céu, assim será tambem o Filho do homem no seu dia.

25 Mas [16] primeiro convem que elle padeça muito, e seja reprovado por esta geração.

26 E, [17] como aconteceu nos dias de Noé, assim será tambem nos dias do Filho do homem:

27 Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veiu o diluvio, e os consumiu a todos.

28 Como [18] tambem da mesma maneira aconteceu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam.

29 Mas [19] no dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos.

30 Assim será no dia em que o Filho do homem se ha [20] de manifestar.

31 N’aquelle dia, [21] quem estiver no telhado, e as suas alfaias em casa, não desça a tomal-as; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para traz.

32 Lembrae-vos [22] da mulher de Lot.

33 Qualquer [23] que procurar salvar a sua vida perdel-a-ha, e qualquer que a perder salval-a-ha.

34 Digo-vos [24] que n’aquella noite estarão dois n’uma cama; um será tomado, e outro será deixado.

35 Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada.

36 Dois estarão no campo; um será tomado, o outro será deixado.

37 E, respondendo, [25] disseram-lhe: Onde, Senhor? E elle lhes disse: Onde estiver o corpo, ahi se ajuntarão as aguias.

[1] Mat. 18.6, 7. Mar. 9.42. I Cor. 11.19.

[2] Mat. 18.15, 21.

[3] Lev. 19.17. Pro. 17.10. Thi. 5.19.

[4] Mat. 17.20 e 21.21. Mar. 9.23 e 11.23.

[5] cap. 12.37.

[6] Job 22.3 e 35.7. Mat. 25.30. Rom. 3.12 e 11.35. I Cor. 9.16, 17. Phi. 11.

[7] Luc. 9.51, 52. João 4.4.

[8] Lev. 13.46.

[9] Lev. 13.2 e 14.2. Mat. 8.4. cap. 5.14.

[10] Mat. 9.22. Mar. 5.34 e 10.52. cap. 7.50 e 8.48 e 18.42.

[11] ver. 23.

[12] Rom. 14.17.

[13] Mat. 9.15. João 17.12.

[14] Mat. 24.23. Mar. 13.21. cap. 21.8.

[15] Mat. 24.27.

[16] Mar. 8.31 e 9.34 e 10.33. cap. 9.22.

[17] Gen. 7. Mat. 24.37.

[18] Gen. 19.

[19] Gen. 19.16, 24.

[20] II The. 1.7.

[21] Mat. 24.17. Mar. 13.15.

[22] Gen. 19.26.

[23] Mat. 10.39 e 16.25. Mar. 8.35. cap. 9.24. João 12.25.

[24] Mat. 24.40, 41. I The. 4.17.

[25] Job 39.30. Mat. 24.28.

A parabola do juiz iniquo.

18 E disse-lhes tambem uma parabola ácerca de que importa [1] orar sempre, e nunca desfallecer,

2 Dizendo: Havia n’uma cidade um certo juiz, que nem a Deus temia nem respeitava ao homem.

3 Havia tambem n’aquella mesma cidade uma certa viuva, e ia ter com elle, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversario.

4 E por algum tempo não quiz; mas depois disse entre si: Ainda que não temo a Deus, nem respeito ao homem,

5 Todavia, [2] como esta viuva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que emfim não venha, e me importune muito.

6 E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.

7 E Deus [3] não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a elle de dia e de noite, sendo [AHI] tardio para com elles?

8 Digo-vos [4] que depressa lhes fará justiça. Porém, quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?

A parabola do phariseo e do publicano.

9 E disse tambem esta parabola a uns [5] que confiavam em si mesmos, que eram justos, e desprezavam aos outros:

10 Dois homens subiram ao templo, a orar; um phariseo, e o outro publicano.

11 O phariseo, [6] estando em pé, orava comsigo d’esta maneira. [7] Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adulteros; nem ainda como este publicano.

12 Jejuo duas vezes na semana, e dou os dizimos de tudo quanto possuo.

13 O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia em seu peito, dizendo: Ó Deus, tem misericordia de mim, peccador!

14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não [8] aquelle; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

Jesus abençoa os meninos.

Mat. 19.13-15 e refs.

15 E traziam-lhe [9] tambem meninos, para que elle os tocasse; e os discipulos, vendo isto, reprehendiam-n’os.

16 Mas Jesus, chamando para si os meninos, disse: Deixae vir a mim os meninos, e não os impeçaes, [10] porque de taes é o reino de Deus:

17 Em [11] verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará n’elle.

O mancebo de qualidade.

Mat. 19.16-30.

18 E [12] perguntou-lhe um certo principe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?

19 Jesus lhe disse: Porque me chamas bom? Ninguem ha bom, senão um, que é Deus.

20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, [13] não furtarás, não darás falso testemunho, [14] honra a teu pae e tua mãe.

21 E disse elle: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.

22 Porém Jesus, ouvindo isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: [15] vende tudo quanto tens, reparte-o entre os pobres, e terás um thesouro no céu; vem, e segue-me.

23 E elle, ouvindo isto, ficou muito triste, porque era muito rico.

24 E, vendo Jesus que elle ficára muito triste, disse: [16] Quão difficilmente entrarão no reino de Deus os que teem riquezas!

25 Porque é mais facil entrar um camelo pelo fundo d’uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

26 E os que ouviram isto disseram: Logo quem pode salvar-se?

27 E elle disse: [17] As coisas que são impossiveis aos homens são possiveis a Deus.

28 E disse Pedro: [18] Eis que nós deixámos tudo e te seguimos.

29 E elle lhes disse: Na verdade vos digo [19] que ninguem ha, que tenha deixado casa, ou paes, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus,

30 [20] E não haja de receber muito mais n’este tempo, e no seculo vindouro a vida eterna.

Jesus annuncia a sua paixão.

Mat. 20.17-19 e refs.

31 [21] E, tomando comsigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalem, e se cumprirá no Filho do homem tudo o [22] que pelos prophetas está escripto;

32 Porque [23] será entregue ás gentes, e escarnecido, injuriado e cuspido,

33 E, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia resuscitará.

34 E [24] elles nada d’estas coisas entendiam, e esta palavra lhes era encoberta; e não entendiam o que se lhes dizia.

O cego de Jericó.

Mat. 20.29-34 e refs.

35 E aconteceu [25] que, chegando elle perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando:

36 E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquillo:

37 E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava.

38 Então clamou, dizendo: Jesus, Filho de David, tem misericordia de mim.

39 E os que iam passando reprehendiam-n’o para que se calasse; porém elle clamava ainda mais: Filho de David, tem misericordia de mim.

40 Então Jesus, parando, mandou que lh’o trouxessem; e, chegando elle, perguntou-lhe,

41 Dizendo: Que queres que te faça? E elle disse: Senhor, que eu veja.

42 E Jesus lhe disse: [26] Vê: a tua fé te salvou.

43 E logo viu, e seguia-o, [27] glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.

[1] cap. 11.5 e 21.36. Rom. 12.12. Eph. 6.18. Col. 4.2. I The. 5.17.

[2] cap. 11.8.

[3] Apo. 6.10.

[4] Heb. 10.37. II Ped. 3.8, 9.

[5] cap. 10.29 e 16.15.

[6] Psa. 135.2.

[7] Isa. 1.15 e 58.2. Apo. 3.17.

[8] Job 22.29. Mat. 23.12. cap. 14.11. Thi. 4.6. I Ped. 5.5, 6.

[9] Mar. 10.13.

[10] I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.

[11] Mar. 10.15.

[12] Mar. 10.17.

[13] Exo. 20.12, 16. Deu. 5.16, 20. Rom. 13.9.

[14] Eph. 6.2. Col. 3.20.

[15] Mat. 6.19, 20 e 19.21. I Tim. 6.19.

[16] Pro. 11.28. Mat. 19.23. Mar. 10.23.

[17] Jer. 32.17. Zac. 8.6. Mat. 19.26. cap. 1.37.

[18] Mat. 19.27.

[19] Deu. 33.9.

[20] Job 42.10.

[21] Mat. 16.21 e 17.22. Mar. 10.32.

[22] Psa. 21. Isa. 53.

[23] Mat. 27.2. cap. 23.1. João 18.28. Act. 3.13.

[24] Mar. 9.32. cap. 2.50 e 9.45. João 10.6 e 12.16.

[25] Mar. 10.46.

[26] cap. 17.19.

[27] cap. 5.26. Act. 4.21 e 11.18.

Zaqueo o publicano.

19 E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando.

2 E eis que havia ali um varão chamado Zaqueo; e este era um dos principaes dos publicanos, e era rico.

3 E procurava vêr quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura.

4 E, correndo adiante, subiu [AHJ] a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali.

5 E, quando Jesus chegou áquelle logar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueo, desce depressa, porque hoje me convem pousar em tua casa.

6 E, apressando-se, desceu, e recebeu-o gostoso.

7 E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo [1] que entrara para ser hospede de um homem peccador.

8 E, levantando-se Zaqueo, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se n’alguma coisa [2] tenho defraudado alguem, [3] o restituo quadruplicado.

9 E disse-lhe Jesus: Hoje houve salvação n’esta casa, [4] porquanto tambem este [5] é filho de Abrahão:

10 Porque [6] o Filho do homem veiu buscar e salvar o que se havia perdido.

Parabola dos dez servos e das dez minas.

Mat. 25.14-30.

11 E, ouvindo elles estas coisas, elle proseguiu, e disse uma parabola; porquanto estava perto de Jerusalem, [7] e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus.

12 Disse [8] pois: Um certo homem nobre partiu para uma terra remota, a tomar para si um reino e voltar depois.

13 E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociae até que eu venha.

14 Mas [9] os seus cidadãos aborreciam-n’o, e mandaram após elle embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós.

15 E aconteceu que, voltando elle, havendo tomado o reino, disse que lhe chamassem aquelles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando.

16 E veiu o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.

17 E elle lhe disse: Bem está, servo bom, porque no minimo foste fiel, [10] sobre dez cidades terás auctoridade.

18 E veiu o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina grangeou cinco minas.

19 E a este disse tambem: Sê tu tambem sobre cinco cidades.

20 E veiu outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei n’um lenço;

21 Porque tive [11] medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não pozeste, e segas o que não semeaste.

22 Porém elle lhe disse: [12] Servo maligno, pela tua bocca te julgarei; sabias [13] que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não puz, e sego o que não semeei;

23 Porque não metteste pois o meu dinheiro no banco, e eu, vindo, o demandaria com os juros?

24 E disse aos que estavam com elle: Tirae-lhe a mina, e dae-a ao que tiver dez minas.

25 (E disseram-lhe elles: Senhor, tem dez minas).

26 Pois eu vos digo [14] que a qualquer que tiver ser-lhe-ha dado, mas ao que não tiver até o que tem lhe será tirado.

27 Porém trazei aqui aquelles meus inimigos que não quizeram que eu reinasse sobre elles, e matae-os diante de mim.

A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem.

Mat. 21.1-11 e refs.

28 E, dito isto, [15] ia caminhando adiante, subindo para Jerusalem.

29 E aconteceu [16] que, chegando perto de Bethphage, e de Bethania, ao monte chamado das Oliveiras, mandou dois dos seus discipulos,

30 Dizendo: Ide á aldeia que está defronte, e ahi, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que nenhum homem ainda se assentou; soltae-o e trazei-o;

31 E, se alguem vos perguntar: Porque o soltaes? assim lhe direis: Porque o Senhor o ha de mister.

32 E, indo os que haviam sido mandados, acharam como lhes dissera.

33 E, soltando o jumentinho, seus donos lhes disseram: Porque soltaes o jumentinho?

34 E elles disseram: O Senhor o ha de mister.

35 E trouxeram-n’o a Jesus: [17] e, lançando sobre o jumentinho os seus vestidos, pozeram a Jesus em cima.

36 E, indo elle, [18] estendiam no caminho os seus vestidos.

37 E, quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discipulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto,

38 Dizendo: [19] Bemdito o Rei que vem em nome do Senhor; [20] paz no céu, e gloria nas alturas.

39 E disseram-lhe d’entre a multidão alguns dos phariseos: Mestre, reprehende os teus discipulos.

40 E, respondendo elle, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, [21] logo as pedras clamarão.

41 E, quando já ia chegando, vendo a cidade, [22] chorou sobre ella,

42 Dizendo: Ah! se tu conhecesses tambem, ao menos n’este teu dia, o que á tua paz pertence! mas agora isto está encoberto aos teus olhos.

43 Porque dias virão sobre ti, [23] em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas;

44 E te [24] derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não [25] deixarão em ti pedra sobre pedra, porquanto [26] não conheceste o tempo da tua visitação.

A purificação do templo.

Mat. 21.12-17 e refs.

45 E, entrando [27] no templo, começou a expulsar todos os que n’elle vendiam e compravam,

46 Dizendo-lhes: [28] Está escripto: A minha casa é casa de oração; mas vós [29] fizestes d’ella covil de salteadores.

47 E todos os dias ensinava no templo, [30] e os principaes dos sacerdotes, e os escribas, e os principaes do povo procuravam matal-o.

48 E não achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia para elle, escutando-o.

[1] Mat. 9.11. cap. 5.30.

[2] cap. 3.14.

[3] Exo. 22.1. I Sam. 12.3. II Sam. 12.6.

[4] Rom. 4.11, 12, 16. Gal. 3.7.

[5] cap. 13.16.

[6] Mat. 18.11 e 10.6 e 15.24.

[7] Act. 1.6.

[8] Mar. 13.34.

[9] João 1.11.

[10] Mat. 25.21. cap. 16.10.

[11] Mat. 25.24.

[12] II Sam. 1.16. Job 15.6. Mat. 12.37.

[13] Mat. 25.26.

[14] Mat. 13.12 e 25.29. Mar. 4.25. cap. 8.18.

[15] Mar. 10.32.

[16] Mar. 11.1.

[17] II Reis 9.13. Mat. 21.7. Mar. 11.7. João 12.14.

[18] Mat. 21.8.

[19] Psa. 118.26. cap. 13.35.

[20] cap. 2.14. Eph. 2.14.

[21] Hab. 2.11.

[22] João 11.35.

[23] Isa. 29.3, 4. Jer. 6.3, 6. cap. 21.20.

[24] I Reis 9.7, 8. Miq. 3.12.

[25] Mat. 24.2. Mar. 13.2. cap. 21.6.

[26] Dan. 9.24. cap. 1.68, 78. I Ped. 2.12.

[27] Mar. 11.11, 15. João 2.14, 15.

[28] Isa. 56.7.

[29] Jer. 7.11.

[30] Mar. 11.18. João 7.19 e 8.37.

O baptismo de João.

Mat. 21.23-27 e refs.

20 E aconteceu n’um d’aquelles dias que, estando elle ensinando o povo no templo, e annunciando o evangelho, sobrevieram os principaes dos sacerdotes e os escribas com os anciãos,

2 E fallaram-lhe, dizendo: Dize-nos, [1] com que auctoridade fazes estas coisas? Ou, quem é que te deu esta auctoridade?

3 E, respondendo elle, disse-lhes: Tambem eu vos farei uma pergunta: dizei-me pois:

4 O baptismo de João era do céu ou dos homens?

5 E elles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, elle nos dirá: Então porque o não crestes?

6 E se dissermos: Dos homens; todo o povo nos apedrejará, pois [2] teem por certo que João era propheta.

7 E responderam que não sabiam d’onde era.

8 E Jesus lhes disse: Nem tão pouco eu vos digo com que auctoridade faço estas coisas.

Parabola dos lavradores maus.

Mat. 21.33-46 e refs.

9 E começou a dizer ao povo esta parabola: Um [3] certo homem plantou uma vinha, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fóra da terra por muito tempo;

10 E a seu tempo mandou um servo aos lavradores, para que lhe déssem dos fructos da vinha; mas os lavradores, espancando-o, mandaram-n’o vazio.

11 E tornou ainda a mandar outro servo; mas elles, espancando tambem a este, e affrontando-o, mandaram-n’o vazio.

12 E tornou ainda a mandar terceiro; mas elles, ferindo tambem a este, o expulsaram.

13 E disse o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado; talvez que, vendo-o, o respeitem.

14 Mas, vendo-o os lavradores, arrazoaram entre si, dizendo: Este é o herdeiro; vinde, matemol-o, para que a herdade seja nossa.

15 E, lançando-o fóra da vinha, o mataram. Que lhes fará pois o senhor da vinha?

16 Irá, e destruirá estes lavradores, e dará a outros a vinha. E, ouvindo elles isto, disseram: Assim não seja!

17 Mas elle, olhando para elles, disse: Que é isto pois que está escripto? [4] A pedra, que os edificadores reprovaram, essa foi feita cabeça da esquina.

18 Qualquer que cair sobre aquella pedra será quebrantado, e aquelle [5] sobre quem ella cair será feito em pedaços.

A questão do tributo.

Mat. 22.15-22 e refs.

19 E os principaes dos sacerdotes e os escribas procuravam lançar mão d’elle n’aquella mesma hora; mas temeram o povo; porque entenderam que contra elles dissera esta parabola.

20 E, trazendo-o debaixo de olho, mandaram espias, que se fingissem justos, para o apanhar n’alguma palavra, e entregal-o á jurisdicção e poder do [AHK] presidente.

21 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, [6] nós sabemos que fallas e ensinas bem e rectamente, e que não attentas para a apparencia da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus:

22 É-nos licito dar tributo a Cesar ou não?

23 E, entendendo elle a sua astucia, disse-lhes: Porque me tentaes?

24 Mostrae-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscripção? E, respondendo elles, disseram: De Cesar.

25 Disse-lhes então: Dae pois a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus.

26 E não poderam apanhal-o em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se.

Os sadduceos e a resurreição.

Mat. 22.23-33 e refs.

27 E, chegando-se [7] alguns dos sadduceos, [8] que dizem não haver resurreição, perguntaram-lhe,

28 Dizendo: Mestre, [9] Moysés escreveu-nos que, se o irmão d’algum fallecer, tendo mulher, e não deixar filhos, o irmão d’elle tome a mulher, e suscite posteridade a seu irmão.

29 Houve pois sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem filhos;

30 E o segundo tomou-a, e tambem este morreu sem filhos;

31 E o terceiro tomou-a, e egualmente tambem os sete: e morreram, e não deixaram filhos.

32 E por ultimo, depois de todos, morreu tambem a mulher.

33 Portanto, na resurreição, de qual d’elles será a mulher, pois que os sete a tiveram por mulher?

34 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos d’este seculo casam-se, e dão-se em casamento;

35 Mas os que forem havidos por dignos de alcançar aquelle seculo, e a resurreição dos mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento;

36 Porque não podem [10] mais morrer; pois são eguaes aos anjos, e são filhos de Deus, [11] visto que são filhos da resurreição.

37 E que os mortos hão de resuscitar [12] tambem o mostrou Moysés junto da sarça, quando chama ao Senhor Deus de Abrahão, e Deus de Isaac, e Deus de Jacob.

38 Ora Deus não é Deus de mortos, porém de vivos; porque para [13] elle vivem todos.

39 E, respondendo alguns dos escribas, disseram: Mestre, disseste bem.

40 E não ousavam perguntar-lhe mais coisa alguma.

O Christo Filho de David.

Mat. 22.41, etc. e refs.

41 E elle lhes disse: [14] Como dizem que o Christo é filho de David?

42 Dizendo o mesmo David no livro dos Psalmos: [15] Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te á minha direita,

43 Até que eu ponha os teus inimigos por escabello de teus pés.

44 De sorte que David lhe chama Senhor; e como é seu filho?

Jesus censura os escribas.

Mat. 23.1, etc. e refs.

45 E, [16] ouvindo-o todo o povo, disse Jesus aos seus discipulos:

46 Guardae-vos dos escribas, que querem andar com vestidos compridos; e amam as [17] saudações nas praças, e as principaes cadeiras nas synagogas, e os primeiros logares nos banquetes;

47 Que [18] devoram as casas das viuvas, fazendo, como pretexto, largas orações. Estes receberão maior condemnação.

[1] Act. 4.7 e 7.27.

[2] Mat. 14.5 e 21.26. cap. 7.29.

[3] Mar. 12.1.

[4] Psa. 118.22. Mat. 21.42.

[5] Dan. 2.34, 35. Mat. 21.44.

[6] Mat. 22.16. Mar. 12.14.

[7] Mar. 12.18.

[8] Act. 23.6, 8.

[9] Deu. 25.5.

[10] I Cor. 15.42, 49, 52. I João 3.2.

[11] Rom. 8.23.

[12] Exo. 3.6.

[13] Rom. 6.10, 11.

[14] Mat. 22.42. Mar. 12.35.

[15] Psa. 110.1. Act. 2.34.

[16] Mar. 12.38.

[17] cap. 11.43.

[18] Mat. 23.14.

A pequena offerta da viuva pobre.

Mar. 12.41, etc.

21 E, olhando elle, viu os ricos lançarem as suas offertas na arca do thesouro;

2 E viu tambem uma pobre viuva lançar ali duas pequenas moedas;

3 E disse: Em verdade vos [1] digo que lançou mais do que todos esta pobre viuva;

4 Porque todos aquelles deitaram para as offertas de Deus, do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha.

O sermão prophetico: o principio das dôres.

Mat. 24.1-14 e refs.

5 E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dadivas, disse:

6 Quanto a estas coisas que vêdes, dias virão em [2] que se não deixará pedra sobre pedra, que não seja derribada.

7 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, quando serão pois estas coisas? E que signal haverá quando estas coisas estiverem para acontecer?

8 Disse então elle: [3] Vêde não vos enganem, porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Christo, e já o tempo está proximo; não vades portanto após elles.

9 E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis. Porque é necessario que estas coisas aconteçam primeiro, mas o fim não será logo.

10 Então [4] lhes disse: Levantar-se-ha nação contra nação, e reino contra reino;

11 E haverá em varios logares grandes terremotos, e fomes e pestilencias; haverá tambem coisas espantosas, e grandes signaes do céu.

12 Mas [5] antes de todas estas coisas lançarão mão de vós, e vos perseguirão, entregando-vos ás synagogas e [6] ás prisões, [7] e conduzindo-vos á presença de reis e [AHL] presidentes, [8] por amor do meu nome.

13 E sobrevir-vos-ha [9] isto para testemunho.

14 Proponde [10] pois em vossos corações não premeditar como haveis de responder,

15 Porque eu vos darei bocca e sabedoria [11] a que não poderão contradizer nem resistir todos quantos se vos oppozerem.

16 E até pelos paes, e irmãos, e parentes, e amigos sereis [12] entregues; e matarão [13] alguns de vós.

17 E por todos sereis [14] aborrecidos por amor do meu nome.

18 Mas [15] não perecerá nem um cabello da vossa cabeça.

19 Na vossa paciencia possui as vossas almas.

O sermão prophetico continúa: a grande tribulação.

Mat. 24.15-18.

20 Porém, quando virdes Jerusalem cercada d’exercitos, sabei então que já é chegada a sua assolação.

21 Então, os que estiverem na Judea, fujam para os montes; e, os que estiverem no meio d’ella, saiam: e, os que nos campos, não entrem n’ella.

22 Porque dias de vingança são estes, para que [16] se cumpram todas as coisas que estão escriptas.

23 Mas ai [17] das gravidas, e das que criarem n’aquelles dias! porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo.

24 E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados captivos; e Jerusalem será pisada pelos gentios, até que os tempos dos [18] gentios se completem.

O sermão prophetico continúa: a volta do Filho do homem.

Mat. 24.29-35.

25 E haverá signaes no sol, e na lua e nas estrellas; e na terra aperto das nações em perplexidade, pelo bramido do mar e das ondas;

26 Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo. [19] Porque as virtudes do céu serão abaladas.

27 E então verão vir o Filho do homem [20] n’uma nuvem, com poder e grande gloria.

28 Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhae para cima, e levantae as vossas cabeças, [21] porque a vossa redempção está proxima.

29 E disse-lhes uma parabola: [22] Olhae para a figueira, e para todas as arvores;

30 Quando já teem brotado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão.

31 Assim tambem vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto.

32 Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo aconteça.

33 Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar.

O sermão prophetico continúa: a vigilancia.

Mat. 24.36-44.

34 E olhae [23] por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glotonaria, embriaguez, e dos cuidados d’esta vida, e venha sobre vós de improviso aquelle dia.

35 Porque [24] virá como um laço sobre todos os que habitam sobre a face de toda a terra.

36 Vigiae [25] pois [26] em todo o tempo, orando, para que sejaes havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em [27] pé diante do Filho do homem.

O pacto da traição.

Mat. 26.1-5, 14-16.

37 E [28] de dia ensinava no templo, [29] e á noite, saindo, ficava no monte chamado das Oliveiras.

38 E todo o povo ia ter com elle ao templo, de manhã cedo, para o ouvir.

[1] II Cor. 8.12.

[2] cap. 19.44.

[3] Mat. 24.4. Mar. 13.5. Eph. 5.6. II The. 2.3.

[4] Mat. 24.7.

[5] Mar. 13.9. Apo. 2.10.

[6] Act. 4.3 e 5.18 e 12.4 e 16.24.

[7] Act. 25.23.

[8] I Ped. 2.13.

[9] Phi. 1.28. II The. 1.5.

[10] Mat. 10.19. Mar. 13.11. cap. 12.11.

[11] Act. 6.10.

[12] Miq. 7.6. Mar. 13.12.

[13] Act. 7.59 e 12.2.

[14] Mat. 10.22.

[15] Mat. 10.30.

[16] Dan. 9.26, 27. Zac. 11.1.

[17] Mat. 24.19.

[18] Dan. 9.27 e 12.7. Rom. 11.25.

[19] Mat. 24.29.

[20] Mat. 24.30. Apo. 1.7 e 14.14.

[21] Rom. 8.19, 23.

[22] Mat. 24.32. Mar. 13.28.

[23] Rom. 13.13. I The. 5.6. I Ped. 4.7.

[24] I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.

[25] Mat. 24.42 e 25.13. Mar. 13.33.

[26] cap. 18.1.

[27] Psa. 1.5. Eph. 6.13.

[28] João 8.1, 2.

[29] cap. 22.39.

22 Estava [1] pois perto a festa dos pães asmos, chamada a paschoa.

2 E os [2] principaes dos sacerdotes, e os escribas, procuravam como o matariam; porque temiam o povo.

3 Entrou, [3] porém, Satanaz em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do numero dos doze;

4 E foi, e fallou com os principaes dos sacerdotes, e com os capitães, de como lh’o entregaria,

5 Os quaes se alegraram, [4] e convieram em lhe dar dinheiro.

6 E elle prometteu; e buscava opportunidade para lh’o entregar sem alvoroço.

A ultima paschoa: a sancta ceia.

Mat. 26.17-30 e refs.

7 Chegou, porém, o dia dos pães asmos, em que importava sacrificar a paschoa.

8 E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparae-nos a paschoa, para que a comamos.

9 E elles lhe disseram: Onde queres que a preparemos?

10 E elle lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, vos encontrará um homem, levando um cantaro d’agua: segui-o até á casa em que elle entrar.

11 E direis ao pae de familia da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a paschoa com os meus discipulos?

12 Então elle vos mostrará um grande cenaculo mobilado; ahi fazei preparativos.

13 E, indo elles, acharam como lhes tinha dito; e prepararam a paschoa.

14 E, chegada [5] a hora, poz-se á mesa, e com elle os doze apostolos.

15 E disse-lhes: Desejei muito comer comvosco esta paschoa, antes que padeça;

16 Porque vos digo que não a comerei mais [6] até que ella se cumpra no reino de Deus.

17 E, tomando o calix, e havendo dado graças, disse: Tomae-o, e reparti-o entre vós;

18 Porque [7] vos digo que já não beberei do fructo da vide, até que venha o reino de Deus.

19 E, [8] tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lh’o, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; [9] fazei isto em memoria de mim.

20 Similhantemente tomou o calix, depois da ceia, dizendo: [10] Este calix é o Novo [AHM] Testamento no meu sangue, que é derramado por vós.

21 Porém [11] eis que a mão do que me trahe está comigo á mesa.

22 E, na verdade, [12] o Filho do homem vae [13] segundo o que está determinado; porém ai d’aquelle homem por quem é trahido!

23 E começaram [14] a perguntar entre si qual d’elles seria o que havia de fazer isto.

O maior será como o menor.

Mat. 20.25-28 e refs.

24 E houve [15] tambem entre elles contenda, sobre qual d’elles parecia ser o maior.

25 E [16] elle lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre elles, e os que teem auctoridade sobre elles são chamados bemfeitores.

26 Mas não [17] sereis vós assim; antes o maior entre vós [18] seja como o menor; e quem governa como quem serve.

27 Pois [19] qual é maior: quem está á mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está á mesa? Porém eu [20] entre vós sou como aquelle que serve.

28 E vós sois os que tendes permanecido comigo nas [21] minhas tentações.

29 [22] E eu vos ordeno o reino, como meu Pae m’o ordenou;

30 Para [23] que comaes e bebaes á minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre thronos, julgando as doze tribus d’Israel.

Pedro é avisado.

Mat. 26.33-35 e refs.

31 Disse tambem o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanaz vos pediu [24] para vos [25] cirandar como trigo;

32 Mas [26] eu roguei por ti, para que a tua fé não desfalleça; e tu, quando te converteres, conforta a teus irmãos.

33 E elle lhe disse: Senhor, estou prompto a ir comtigo até á prisão e á morte.

34 Mas [27] elle disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o gallo antes que tres vezes negues que me conheces.

As duas espadas.

35 E disse-lhes: Quando [28] vos mandei sem bolsa, sem alforge, e sem alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? E disseram: Nada.

36 Disse-lhes pois: Mas agora, aquelle que tiver bolsa, tome-a, como tambem o alforge; e, o que não tem espada, venda o seu vestido e compre-a;

37 Porque vos digo que importa que em mim se cumpra ainda aquillo que está escripto: [29] E com os malfeitores foi contado. Porque o que está escripto de mim tem seu cumprimento.

38 E elles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E elle lhes disse: Basta.

Jesus em Gethsemane.

Mat. 26.36-46.

39 E, saindo, [30] foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e tambem os seus discipulos o seguiram.

40 E, quando chegou áquelle logar, disse-lhes: [31] Orae, para que não entreis em tentação.

41 E [32] apartou-se d’elles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava,

42 Dizendo: Pae, se queres, passa de mim este calix, [33] porém não se faça a minha vontade, senão a tua.

43 E appareceu-lhe um [34] anjo do céu, que o confortava.

44 E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor fez-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.

45 E, levantando-se da oração, veiu para os seus discipulos, e achou-os dormindo de tristeza.

46 E disse-lhes: Que, estaes dormindo? Levantae-vos, e [35] orae, para que não entreis em tentação.

Jesus é preso.

Mat. 26.47-56 e refs.

47 E, estando elle ainda a fallar, [36] eis que a multidão, e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante d’elles, e chegou-se a Jesus para o beijar.

48 E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trahes o Filho do homem?

49 E os que estavam com elle, vendo o que ia succeder, disseram-lhe: Senhor, feriremos á espada?

50 E [37] um d’elles feriu o servo do summo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita.

51 E, respondendo Jesus, disse: Deixae-os; basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou.

52 [38] E disse Jesus aos principaes dos sacerdotes, e capitães do templo, e anciãos, que tinham ido contra elle: Saistes, como a um salteador, com espadas e varapaus?

53 Tendo estado todos os dias comvosco no templo, não estendestes as mãos contra mim, [39] porém esta é a vossa hora e o poder das trevas.

Pedro nega a Jesus.

Mat. 26.69-75 e refs.

54 Então, prendendo-o, [40] o conduziram, e o metteram em casa do summo sacerdote. E Pedro seguia-o de longe.

55 E, [41] havendo-se accendido fogo no meio da sala, e assentando-se juntos, assentou-se Pedro entre elles.

56 E uma certa creada, vendo-o estar assentado ao fogo, e, postos os olhos n’elle, disse: Este tambem estava com elle.

57 Porém elle negou-o, dizendo: Mulher, não o conheço.

58 E, [42] um pouco depois, vendo-o outro, disse: Tu és tambem d’elles. Porém Pedro disse: Homem, não sou.

59 E, [43] passada quasi uma hora, um outro affirmava, dizendo: Tambem este verdadeiramente estava com elle, pois tambem é galileo.

60 E Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. E logo, estando elle ainda a fallar, cantou o gallo.

61 E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, [44] e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o gallo cante hoje, me negarás tres vezes.

62 E, saindo Pedro para fóra, chorou amargamente.

Jesus perante o synhedrio.

Mat. 26.57-68 e refs.

63 E os homens que detinham Jesus zombavam d’elle, ferindo-o.

64 E, cobrindo-o, feriam-n’o no rosto, e perguntavam-lhe, dizendo: Prophetiza quem é o que te feriu?

65 E outras muitas coisas diziam contra elle, blasphemando.

66 E, [45] logo que foi dia, ajuntaram-se os anciãos do povo, e os principaes dos sacerdotes e os escribas, e o conduziram ao seu concilio,

67 Dizendo: [46] És tu o Christo? dize-nol-o. E disse-lhes: Se vol-o disser, não o crereis;

68 E tambem, se vos perguntar, não me respondereis, nem me soltareis.

69 Desde [47] agora o Filho do homem se assentará á direita do poder de Deus.

70 E disseram todos: Logo, és tu o Filho de Deus? E elle lhes disse: [48] Vós dizeis que eu sou.

71 E disseram elles: [49] De que mais testemunho necessitamos? pois nós mesmos o ouvimos da sua bocca.

[1] Mat. 26.2. Mar. 14.1.

[2] Psa. 2.2. João 11.47. Act. 4.27.

[3] Mat. 26.14. Mar. 14.10. João 13.2, 27.

[4] Zac. 11.12.

[5] Mat. 26.20. Mar. 14.17.

[6] cap. 14.15. Act. 10.41. Apo. 19.9.

[7] Mat. 26.29. Mar. 14.25.

[8] Mat. 26.26. Mar. 14.22.

[9] I Cor. 11.24.

[10] I Cor. 10.16.

[11] Psa. 41.9. Mat. 26.21, 23. Mar. 14.18. João 13.21, 26.

[12] Mat. 26.24.

[13] Act. 2.23 e 4.28.

[14] Mat. 26.22. João 13.22, 25.

[15] Mar. 9.34. cap. 9.46.

[16] Mat. 20.25. Mar. 10.42.

[17] Mat. 20.26. I Ped. 5.3.

[18] cap. 9.48.

[19] cap. 12.37.

[20] Mat. 20.28. João 13.13, 14. Phi. 2.7.

[21] Heb. 4.15.

[22] Mat. 24.47. cap. 12.32. II Cor. 1.7. II Tim. 2.12.

[23] Mat. 8.11 e 19.28. cap. 14.15. Apo. 19.9 e 3.21. I Cor. 6.2.

[24] I Ped. 5.8.

[25] Amós 9.9.

[26] João 17.9, 11, 15 e 21.15, 16, 17.

[27] Mat. 26.34. Mar. 14.30. João 13.38.

[28] Mat. 10.9. cap. 9.3 e 10.4.

[29] Isa. 53.12. Mar. 15.28.

[30] Mar. 14.32. cap. 21.37.

[31] Mat. 6.13 e 26.41. Mar. 14.38. ver. 46.

[32] Mat. 26.39. Mar. 14.35.

[33] João 5.30 e 6.38.

[34] Mat. 4.11. João 12.27. Heb. 5.7.

[35] ver. 40.

[36] Mar. 14.43. João 18.3.

[37] Mat. 26.51. Mar. 14.47. João 18.10.

[38] Mat. 26.55. Mar. 14.48.

[39] João 12.27.

[40] Mat. 26.57. João 18.15.

[41] Mar. 14.66. João 18.17, 18.

[42] Mat. 26.71. Mar. 14.69. João 18.25.

[43] Mat. 26.73. Mar. 14.70. João 18.26.

[44] Mat. 26.75 e 26.34. Mar. 14.72. João 13.38.

[45] Mat. 27.1. Act. 4.26 e 22.5.

[46] Mat. 26.63. Mar. 14.61.

[47] Mat. 26.64. Mar. 14.62. Heb. 1.30 e 8.1.

[48] Mat. 26.64. Mar. 14.62.

[49] Mat. 26.65. Mar. 14.63.

Jesus perante Pilatos e perante Herodes.

Mat. 27.1, 2, 11-31 e refs.

23 E, levantando-se [1] toda a multidão d’elles, o levaram a Pilatos.

2 E começaram a accusal-o, dizendo: Havemos achado este, [2] que perverte a nação, e prohibe dar o tributo a Cesar, dizendo que elle mesmo é [AHN] Christo, o rei.

3 E [3] Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu és o Rei dos Judeos? E elle, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.

4 E disse Pilatos aos principaes dos sacerdotes, e á multidão: [4] Não acho culpa alguma n’este homem.

5 Mas elles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo, ensinando por toda a Judea, começando desde Galilea até aqui.

6 Então Pilatos, ouvindo fallar da Galilea, perguntou se aquelle homem era galileo.

7 E, entendendo que era [5] da jurisdicção de Herodes, remetteu-o a Herodes, que tambem n’aquelles dias estava em Jerusalem.

8 E Herodes, quando viu a Jesus, alegrou-se muito; porque [6] havia muito que desejava vêl-o, por ter ouvido d’elle muitas coisas; e esperava que lhe veria fazer algum signal;

9 E interrogava-o em muitas palavras, porém elle nada lhe respondia.

10 E estavam os principaes dos sacerdotes, e os escribas, accusando-o com grande vehemencia.

11 E Herodes, [7] com os seus soldados, desprezando-o, e escarnecendo d’elle, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a envial-o a Pilatos.

12 E no mesmo [8] dia Pilatos e Herodes entre si se fizeram amigos; porque d’antes andavam em inimizade um com o outro.

13 E, convocando [9] Pilatos os principaes dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo, disse-lhes:

14 Haveis-me [10] apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o accusaes, acho n’este homem.

15 Nem mesmo Herodes, porque a elle vos remetti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte.

16 Castigal-o-hei [11] pois, e soltal-o-hei.

17 E [12] era-lhe necessario soltar-lhes um pela festa.

18 Porém [13] toda a multidão clamou á uma, dizendo: Fóra d’aqui com este, e solta-nos Barrabas:

19 O qual fôra lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicidio.

20 Fallou pois outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus.

21 Mas elles clamavam em contrario, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o.

22 Então elle, pela terceira vez, lhes disse: Pois que mal fez este? Não acho n’elle culpa alguma de morte. Castigal-o-hei pois, e soltal-o-hei.

23 Mas elles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, e os dos principaes dos sacerdotes, redobravam.

24 Então [14] Pilatos julgou que devia fazer o que elles pediam.

25 E soltou-lhes o que fôra lançado na prisão por uma sedição e homicidio, que era o que pediam; porém entregou Jesus á vontade d’elles.

Jesus no caminho do Golgotha.

26 E, quando o iam [15] levando, tomaram um certo Simão, cyreneo, que vinha do campo, e pozeram-lhe a cruz ás costas, para que a levasse após Jesus.

27 E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quaes batiam nos peitos, e o lamentavam.

28 Porém Jesus, voltando-se para ellas, disse: Filhas de Jerusalem, não choreis por mim, chorae antes por vós mesmas, e por vossos filhos.

29 Porque [16] eis que hão de vir dias em que dirão: Bemaventuradas as estereis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não crearam!

30 Então [17] começarão a dizer aos montes: Cahi sobre nós, e aos outeiros: Cobri-nos.

31 Porque, [18] se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao secco?

32 E [19] tambem conduziram outros dois, que eram malfeitores, para com elle serem mortos.

A crucifixão.

Mat. 27.33-56 e refs.

33 E, [20] quando chegaram ao logar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um á direita e outro á esquerda.

34 E dizia Jesus: Pae, [21] perdôa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo os seus vestidos, lançaram sortes.

35 E [22] o povo estava olhando; e juntamente com elles tambem os [AHO] principes zombavam d’elle, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si mesmo, se este é o Christo, o escolhido de Deus.

36 E tambem os soldados o escarneciam, chegando-se a elle, e apresentando-lhe vinagre,

37 E dizendo: Se tu és o Rei dos Judeos, salva-te a ti mesmo.

38 E [23] tambem por cima d’elle estava um titulo, escripto em lettras gregas, romanas, e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEOS.

39 E [24] um dos malfeitores que estavam pendurados blasphemava d’elle, dizendo: Se tu és o Christo, salva-te a ti mesmo, e a nós.

40 Respondendo, porém, o outro, reprehendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condemnação?

41 E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.

42 E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.

43 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraiso.

44 E [25] era já quasi a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até a hora nona.

45 E o sol escureceu, e rasgou-se [26] ao meio o véu do templo.

46 E, clamando Jesus com grande voz, disse: [27] Pae, nas tuas mãos entrego o meu espirito. E, havendo dito isto, expirou.

47 E o [28] centurião, vendo o que tinha acontecido, deu gloria a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo.

48 E toda a multidão que se ajuntára a este espectaculo, vendo o que havia acontecido, voltava batendo nos peitos.

A sepultura de Jesus.

Mat. 27.55.

49 E todos [29] os seus conhecidos, e as mulheres que juntamente o haviam seguido desde a Galiléa, estavam de longe vendo estas coisas.

50 E [30] eis que um varão por nome José, senador, homem de bem e justo,

51 Que não tinha consentido no seu conselho, nem em seus feitos, de Arimathea, cidade dos judeos, [31] e que tambem esperava o reino de Deus:

52 Este, chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus;

53 E, [32] havendo-o tirado, envolveu-o n’um lençol, e pôl-o n’um sepulchro lavrado n’uma [AHP] penha, onde ninguem ainda havia sido posto.

54 E era o dia [33] da preparação, e amanhecia o sabbado.

55 E tambem as mulheres, [34] que tinham saido com elle da Galiléa, o seguiram, e viram o sepulchro, e como foi posto o seu corpo.

56 E, voltando [35] ellas, prepararam especiarias e unguentos; [36] e no sabbado repousaram, conforme o mandamento.

[1] Mar. 15.1. João 18.28.

[2] Act. 17.7. Mat. 17.27 e 22.21. Mar. 12.17. João 19.12.

[3] Mat. 27.11. I Tim. 6.13.

[4] I Ped. 2.22.

[5] cap. 3.1.

[6] cap. 9.9. Mat. 14.1. Mar. 6.14.

[7] Isa. 53.3.

[8] Act. 4.27.

[9] Mat. 27.23. Mar. 15.14. João 18.38 e 19.4.

[10] ver. 1, 2, 4.

[11] Mat. 27.26. João 19.1.

[12] Mat. 27.15. Mar. 15.6. João 18.39.

[13] Act. 3.14.

[14] Mat. 27.26. Mar. 15.15. João 19.16.

[15] Mat. 27.32. Mar. 15.21. João 19.17.

[16] Mat. 24.19. cap. 21.23.

[17] Isa. 2.19. Ose. 10.8. Apo. 6.16 e 9.6.

[18] Pro. 11.31. Jer. 25.29. Eze. 20.47 e 21.3, 4. I Ped. 4.17.

[19] Isa. 53.12. Mat. 27.33.

[20] Mar. 15.22. João 19.17, 18.

[21] Mat. 5.44 e 27.35. Act. 3.17. I Cor. 4.12. Mar. 15.24. João 19.23.

[22] Psa. 22.17. Zac. 12.10. Mat. 27.39. Mar. 15.29.

[23] Mat. 27.37. Mar. 15.26. João 19.19.

[24] Mat. 27.44. Mar. 15.32.

[25] Mat. 27.45. Mar. 15.33.

[26] Mat. 27.51. Mar. 15.38.

[27] Psa. 31.5. I Ped. 2.23. Mat. 27.50. Mar. 15.37. João 19.30.

[28] Mat. 27.54. Mar. 15.39.

[29] Psa. 38.11. Mar. 15.40. João 19.25.

[30] Mat. 27.57. Mar. 15.42. João 19.38.

[31] Mar. 15.43. cap. 2.25, 38.

[32] Mat. 27.59. Mar. 15.46.

[33] Mat. 27.62.

[34] cap. 8.2.

[35] Mar. 16.1.

[36] Exo. 20.10.

A resurreição.

Mat. 28.1-10 e refs.

24 E [1] no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram estas, e algumas outras com ellas, ao sepulchro, [2] levando as especiarias que tinham preparado.

2 E [3] acharam já a pedra revolvida do sepulchro.

3 E, entrando, [4] não acharam o corpo do Senhor Jesus.

4 E aconteceu que, estando ellas perplexas [5] por isto, eis que pararam junto d’ellas dois varões, com vestidos resplandecentes.

5 E, estando ellas muito atemorisadas, e abaixando o rosto para o chão, elles lhes disseram: Porque buscaes o vivente entre os mortos?

6 Não está aqui, porém já resuscitou. Lembrae-vos [6] como vos fallou, estando ainda na Galilea,

7 Dizendo: Convem que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens peccadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia resuscite.

8 E [7] lembraram-se das suas palavras.

9 E, [8] voltando do sepulchro, annunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os demais.

10 E eram Maria Magdalena, [9] e Joanna, e Maria, mãe de Thiago, e as outras que com ellas estavam, que diziam estas coisas aos apostolos.

11 E [10] as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram.

12 Pedro, porém, [11] levantando-se, correu ao sepulchro, e, abaixando-se, viu só os lenços ali postos; e retirou-se, admirando comsigo aquelle caso.

Dois discipulos no caminho de Emmaus.

13 E [12] eis que no mesmo dia iam dois d’elles para uma aldeia, que distava de Jerusalem sessenta estadios, cujo nome era Emmaus;

14 E iam fallando entre si de todas aquellas coisas que haviam succedido.

15 E aconteceu que, indo elles fallando entre si, e perguntando-se um ao outro, o mesmo Jesus se [13] approximou, e ia com elles;

16 Mas [14] os olhos d’elles estavam retidos para que o não conhecessem.

17 E elle lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocaes entre vós, e porque estaes tristes?

18 E, [15] respondendo um, cujo nome era Cleophas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalem, e não sabes as coisas que n’ella teem succedido n’estes dias?

19 E elle lhe disse: Quaes? E elles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que [16] foi varão propheta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo:

20 E [17] como os principaes dos sacerdotes, e os nossos principes o entregaram á condemnação de morte, e o crucificaram:

21 E nós esperavamos [18] que fosse elle o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram:

22 Ainda que tambem [19] algumas mulheres d’entre nós nos maravilharam, as quaes da madrugada foram ao sepulchro;

23 E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que tambem tinham visto uma visão de anjos, que dizem que elle vive:

24 E [20] alguns dos que estão comnosco foram ao sepulchro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém a elle não o viram.

25 E elle lhes disse: O nescios, e tardos de coração para crer tudo o que os prophetas disseram!

26 Porventura [21] não convinha que o Christo padecesse estas coisas e entrasse na sua gloria?

27 E, [22] começando de Moysés, e de todos os [23] prophetas, explicava-lhes em todas as Escripturas o que d’elle estava escripto.

28 E chegaram á aldeia para onde iam, e elle [24] fez como quem ia para mais longe.

29 E [25] elles o constrangeram, dizendo: Fica comnosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com elles.

30 E aconteceu que, estando com elles á mesa, [26] tomando o pão, o abençoou, e partiu-o, e lh’o deu.

31 Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e elle desappareceu-lhes.

32 E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho nos fallava, e quando nos abria as Escripturas?

33 E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalem, e acharam congregados os onze, e os que estavam com elles,

34 Que diziam: Resuscitou verdadeiramente o Senhor, [27] e já appareceu a Simão.

35 E elles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como d’elles foi conhecido no partir do pão.

Apparição de Jesus entre os doze.

João 20.19, etc. e refs.

36 E, [28] fallando elles d’estas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio d’elles, e disse-lhes: Paz seja comvosco.

37 E elles, espantados e atemorisados, pensavam que viam [29] algum espirito.

38 E elle lhes disse: Porque estaes perturbados, e porque sobem taes pensamentos aos vossos corações?

39 Vêde as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: [30] apalpae-me e vêde; pois um espirito não tem carne nem ossos, como vêdes que eu tenho.

40 E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.

41 E, não o crendo elles ainda [31] por causa da alegria, e maravilhados, disse-lhes: [32] Tendes aqui alguma coisa que comer?

42 Então elles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel.

43 O [33] que elle tomou, e comeu diante d’elles.

44 E disse-lhes: [34] São estas as palavras que vos disse estando ainda comvosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escripto na lei de Moysés, e nos prophetas, e nos psalmos.

45 Então [35] abriu-lhes o entendimento para comprehenderem as Escripturas.

46 E disse-lhes: [36] Assim está escripto, e assim convinha que o Christo padecesse, e ao terceiro dia resuscitasse dos mortos;

47 E em seu nome se prégasse o arrependimento [37] e a remissão dos peccados, em todas as nações, começando por Jerusalem.

48 E d’estas coisas [38] sois vós testemunhas.

49 E [39] eis que sobre vós envio a promessa de meu Pae: ficae, porém, vós na cidade de Jerusalem, até que do alto sejaes revestidos de poder.

A ascenção.

Act. 1.9-11.

50 E levou-os fóra, até Bethania; e, levantando as suas mãos, os abençoou.

51 [40] E aconteceu que, abençoando-os elle, se apartou d’elles e foi elevado ao céu.

52 E, [41] adorando-o elles, tornaram com grande jubilo para Jerusalem.

53 E estavam sempre no [42] templo, louvando e bemdizendo a Deus. Amen.

[1] Mar. 16.1. João 20.1.

[2] cap. 23.56.

[3] Mat. 28.2. Mar. 16.4.

[4] ver. 23. Mar. 16.5.

[5] João 20.12. Act. 1.10.

[6] Mat. 16.21 e 17.22. Mar. 8.31 e 9.30. cap. 9.22.

[7] João 2.22.

[8] Mar. 16.10.

[9] cap. 8.3.

[10] Mar. 16.11. ver. 25.

[11] João 20.3, 6.

[12] Mar. 16.12.

[13] Mat. 18.20. ver. 36.

[14] João 20.14 e 21.4.

[15] João 19.25.

[16] Mat. 21.11. cap. 7.16. João 3.2 e 4.19. Act. 2.22 e 7.22.

[17] cap. 23.1. Act. 13.27, 28.

[18] cap. 1.68 e 2.38. Act. 1.6.

[19] Mat. 28.8. Mar. 16.10. ver. 9, 10. João 20.18.

[20] ver. 12.

[21] ver. 46. Act. 17.3. I Ped. 1.11.

[22] ver. 45. Gen. 3.15 e 22.18 e 26.4 e 49.10. Num. 21.9. Deu. 18.15.

[23] Psa. 16.9, 10. Jer. 23.5. Eze. 34.23. Dan. 9.24. Miq. 7.20. Mal. 3.1. João 1.45.

[24] Gen. 32.26 e 42.7. Mar. 6.48.

[25] Gen. 19.3. Act. 16.15.

[26] Mat. 14.19.

[27] I Cor. 15.5.

[28] Mar. 16.14. I Cor. 15.5.

[29] Mar. 6.49.

[30] João 20.20, 27.

[31] Gen. 45.26.

[32] João 21.5.

[33] Act. 10.41.

[34] Mat. 16.21 e 17.22 e 20.18. Mar. 8.31. cap. 9.22 e 18.31. ver. 6.

[35] Act. 16.14.

[36] ver. 26. Psa. 22. Isa. 50.6 e 53.2, etc. Act. 17.3.

[37] Dan. 9.24. Act. 13.38, 46. I João 2.12. Gen. 12.3. Isa. 49.6, 22. Jer. 31.34. Miq. 4.2. Mal. 1.11.

[38] João 15.27. Act. 1.8, 22.

[39] Isa. 44.3. Joel 2.28. João 14.16, 26 e 15.26 e 16.7. Act. 1.4 e 2.1, etc.

[40] II Reis 2.11. Mar. 16.19. João 20.17. Act. 1.9. Eph. 4.8.

[41] Mat. 28.9, 17.

[42] Act. 2.46 e 5.42.

O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. JOÃO.

O Verbo se fez carne.

[Anno Domini 26]

1 No principio [1] era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 Elle [2] estava no principio com Deus.

3 Todas [3] as coisas foram feitas por elle, e sem elle nada, do que foi feito, se fez.

4 N’elle [4] estava a vida, e a vida era a luz dos homens;

5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a comprehenderam.

6 Houve [5] um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 Este [6] veiu para testemunho, para que testificasse da luz; para que todos cressem por elle.

8 Não era elle a luz; mas para que testificasse da luz.

9 Este [7] era a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo.

10 Estava no mundo, [8] e o mundo foi feito por elle, e o mundo não o conheceu.

11 Veiu [9] para o que era seu, e os seus não o receberam.

12 Mas, [10] a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome;

13 [11] Os quaes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

14 E [12] o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua gloria, como a gloria do unigenito do Pae, cheio de graça e de verdade.

O testemunho de João Baptista.

Mat. 3.1-12 e refs.

[Anno Domini 30]

15 João [13] testificou d’elle; e clamou, dizendo: Este era aquelle de quem eu dizia: O que vem depois de mim é antes de mim, porque era primeiro do que eu.

16 E todos [14] nós recebemos tambem da sua plenitude, e graça por graça.

17 Porque [15] a lei foi dada por Moysés; a graça e a verdade vieram por Jesus Christo.

18 Deus nunca foi [16] visto por alguem. O Filho unigenito, que está no seio do Pae, elle nol-o declarou.

19 E este é [17] o testemunho de João, quando os judeos mandaram de Jerusalem sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?

20 E [18] confessou, e não negou; confessou: Eu não sou o Christo.

21 E perguntaram-lhe: Pois que? És tu [19] Elias? E disse: Não sou. És tu propheta? E respondeu: Não.

22 Disseram-lhe pois: Quem és? para que demos resposta áquelles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?

23 Disse: [20] Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitae o caminho do Senhor, como disse o propheta Isaias.

24 E os que tinham sido enviados eram dos phariseos;

25 E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Porque baptizas pois, se tu não és o Christo, nem Elias, nem o propheta?

26 João respondeu-lhes, dizendo: [21] Eu baptizo com agua; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis.

27 Este [22] é aquelle que vem após mim, que já foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca.

28 Estas coisas aconteceram [23] em Bethania[AHQ], da outra banda do Jordão, onde João estava baptizando.

29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para elle, e disse: [24] Eis aqui o Cordeiro de Deus, [25] que tira o peccado do mundo.

30 Este é aquelle do qual eu disse: Após mim vem um varão que já foi antes de mim; porque já era primeiro do que eu.

31 E eu não o conhecia; mas, [26] para que fosse manifestado a Israel, por isso vim eu baptizando com agua.

32 E [27] João testificou, dizendo: Eu vi o Espirito descer do céu como uma pomba, e repousar sobre elle.

33 E eu não o conhecia, mas o que me mandou a baptizar com agua esse me disse: Sobre aquelle que vires descer o Espirito, e repousar sobre elle, esse [28] é o que baptiza com o Espirito Sancto.

34 E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.

Os primeiros apostolos de Jesus.

35 No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discipulos;

36 E, vendo por ali andar a Jesus, disse: [29] Eis aqui o Cordeiro de Deus.

37 E os dois discipulos ouviram-n’o dizer isto, e seguiram a Jesus.

38 E Jesus, voltando-se e vendo que elles o seguiam, disse-lhes: Que buscaes? E elles lhe disseram: Rabbi, (que, traduzido, quer dizer, Mestre) onde moras?

39 Elle lhes disse: Vinde, e vêde. Foram, e viram onde morava, e ficaram com elle aquelle dia: e era já quasi a hora decima.

40 Era [30] André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquillo de João, e o haviam seguido.

41 Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Já achámos o Messias (que, traduzido, é o Christo).

42 E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para elle, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; [31] tu serás chamado Cephas (que quer dizer Pedro).

43 No dia seguinte quiz Jesus ir á Galilea, e achou a Philippe, e disse-lhe: Segue-me.

44 E [32] Philippe era de Bethsaida, cidade de André e de Pedro.

45 Philippe achou [33] Nathanael, e disse-lhe: Havemos achado aquelle de quem [34] Moysés escreveu na lei, e os prophetas, a saber: Jesus [35] de Nazareth, filho de José.

46 Disse-lhe Nathanael: [36] Pode vir alguma coisa boa de Nazareth? Disse-lhe Philippe: Vem, e vê.

47 Jesus viu Nathanael vir ter com elle, e disse d’elle: [37] Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não ha dolo.

48 Disse-lhe Nathanael: D’onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Philippe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira.

49 Nathanael respondeu, e disse-lhe: Rabbi, [38] tu és o Filho de Deus, tu és o Rei d’Israel.

50 Jesus respondeu, e disse-lhe: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? coisas maiores do que estas verás.

51 E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo [39] que d’aqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do homem.

[1] Pro. 8.22 e 8.30. Col. 1.17. I João 1.1 e 5.7. Apo. 1.2. cap. 17.5. Phi. 2.6.

[2] Gen. 1.1.

[3] ver. 10. Psa. 33.6. Eph. 3.9. Col. 1.16. Heb. 1.2. Apo. 4.11.

[4] I João 5.11. cap. 8.12 e 9.5 e 12.35, 46.

[5] Mal. 3.1. Mat. 3.1. Luc. 3.2.

[6] Act. 19.4.

[7] Isa. 49.6. I João 2.8.

[8] ver. 3. Heb. 1.2.

[9] Luc. 19.14. Act. 3.26 e 13.46.

[10] Isa. 56.5. Rom. 8.15. Gal. 3.26. II Ped. 1.4. I João 3.1.

[11] Thi. 1.18. I Ped. 1.23.

[12] Mat. 1.16, 20 e 17.2. Luc. 1.31. I Tim. 3.16. Rom. 1.3. Gal. 4.4. Heb. 2.11. cap. 2.11. II Ped. 1.17. Col. 1.19 e 2.3, 9.

[13] cap. 3.32 e 5.33. Mat. 3.11. Mar. 1.7. Luc. 3.16. cap. 3.31 e 8.58. Col. 1.17.

[14] cap. 3.31. Eph. 1.6, 7.

[15] Exo. 20.1, etc. Deu. 4.44. Rom. 3.24 e 5.21 e 6.14. cap. 8.32 e 14.6.

[16] Exo. 33.20. Deu. 4.12. Luc. 10.22. cap. 6.46. I Tim. 1.17. I João 4.12, 20. ver. 14.

[17] cap. 5.33.

[18] Luc. 3.15. cap. 3.28. Act. 13.25.

[19] Mal. 4.5. Mat. 17.10. Deu. 18.15, 18.

[20] Mat. 3.3. Mar. 1.3. Luc. 3.4. cap. 3.28. Isa. 40.3.

[21] Mat. 3.11. Mal. 3.1.

[22] ver. 15, 30. Act. 19.4.

[23] Jui. 7.24. cap. 10.40.

[24] Exo. 12.3. Isa. 53.7. Act. 8.32. I Ped. 1.19. Apo. 5.6, etc.

[25] Isa. 53.11. I Cor. 15.3. Gal. 1.4. Heb. 1.3 e 2.17 e 9.28. I Ped. 2.24 e 3.18. I João 2.2 e 3.5 e 4.10. Apo. 1.5.

[26] Mal. 3.1. Mat. 3.6. Luc. 1.17, 76 e 3.3.

[27] Mat. 3.16. Mar. 1.10. Luc. 3.22. cap. 5.32.

[28] Mat. 3.11. Act. 1.5 e 2.4 e 10.44 e 19.2.

[29] ver. 29.

[30] Mat. 4.18.

[31] Mat. 16.18.

[32] cap. 12.21.

[33] cap. 21.2.

[34] Gen. 3.15 e 49.10. Deu. 18.18. Luc. 24.27. Isa. 4.2 e 7.14 e 9.6. Miq. 5.2. Zac. 6.12.

[35] Mat. 2.23. Luc. 2.4.

[36] cap. 7.41, 42, 52.

[37] Psa. 32.2. cap. 8.39. Rom. 2.28, 29 e 9.6.

[38] Mat. 14.33 e 21.5 e 27.11, 42. cap. 18.37 e 19.3.

[39] Gen. 28.12. Mat. 4.11. Luc. 2.9, 13 e 22.43 e 24.4. Act. 1.10.

As bodas em Caná: a agua feita vinho.

2 E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em [1] Caná da Galilea: e estava ali a mãe de Jesus.

2 E foi tambem convidado Jesus e os seus discipulos para as bodas.

3 E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não teem vinho.

4 Disse-lhe Jesus: [2] Mulher, [3] que tenho eu comtigo? [4] ainda não é chegada a minha hora.

5 Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto elle vos disser.

6 E estavam ali postas seis talhas de pedra, [5] para as purificações dos judeos, e em cada uma cabiam dois ou tres almudes.

7 Disse-lhes Jesus: Enchei d’agua essas talhas. E encheram-n’as até cima.

8 E disse-lhes: Tirae agora, e levae ao mestre-sala. E levaram.

9 E, logo que o mestre-sala provou a [6] agua feita vinho (não sabendo d’onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a agua), chamou o mestre-sala ao esposo,

10 E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom, e, quando já teem bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

11 Jesus principiou assim os seus signaes em Caná da Galilea, [7] e manifestou a sua gloria; e os seus discipulos crêram n’elle.

12 Depois d’isto desceu a Capernaum, elle, e sua mãe, [8] e seus irmãos, e seus discipulos, e ficaram ali não muitos dias.

Jesus purifica o templo.

Mat. 21.12, etc. e refs.

13 [9] E estava proxima a paschoa dos judeos, e Jesus subiu a Jerusalem.

14 E [10] achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados.

15 E, feito um açoite de cordeis, lançou todos fóra do templo, tambem os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas;

16 E disse aos que vendiam pombos: Tirae d’aqui estes, e não façaes da casa de [11] meu Pae casa de venda.

17 E os seus discipulos lembraram-se de que está escripto: [12] O zelo da tua casa me comeu.

18 Responderam pois os judeos, e disseram-lhe: [13] Que signal nos mostras para fazeres estas coisas?

19 Jesus respondeu, e disse-lhes: [14] Derribae este templo, e em tres dias o levantarei.

20 Disseram pois os judeos: Em quarenta e seis annos foi edificado este templo, e tu o levantarás em tres dias?

21 Porém elle fallava [15] do templo do seu corpo.

22 Quando, pois, resuscitou dos mortos, [16] os seus discipulos lembraram-se de que lhes havia dito isto e crêram; na Escriptura, e na palavra que Jesus tinha dito.

23 E, estando elle em Jerusalem pela paschoa, no dia da festa, muitos, vendo os signaes que fazia, crêram no seu nome.

24 Mas o mesmo Jesus não confiava n’elles, porque a todos conhecia,

25 E não necessitava de que alguem testificasse do homem, porque [17] elle bem sabia o que havia no homem.

[1] Jos. 19.28.

[2] cap. 19.26.

[3] II Sam. 16.10 e 19.22.

[4] cap. 7.6.

[5] Mar. 7.3.

[6] cap. 4.46.

[7] cap. 1.14.

[8] Mat. 12.46.

[9] Exo. 12.14. Deu. 16.1, 16. ver. 23. cap. 5.1 e 6.4 e 11.55.

[10] Mar. 11.15. Luc. 19.45.

[11] Luc. 2.49.

[12] Psa. 69.9.

[13] Mat. 12.38. cap. 6.30.

[14] Mat. 26.61 e 27.40. Mar. 14.58 e 15.29.

[15] Col. 2.9. Heb. 8.2. I Cor. 3.16 e 6.19. II Cor. 6.16.

[16] Luc. 24.8.

[17] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Mat. 9.4. Mar. 2.8. cap. 6.64 e 16.30. Act. 1.24. Apo. 2.23.

Jesus instrue Nicodemos ácerca do novo nascimento.

3 E havia entre os phariseos um homem, chamado Nicodemos, principe dos judeos.

2 Este [1] foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabbi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus: [2] porque ninguem pode fazer estes signaes que tu fazes, se Deus não fôr com elle.

3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquelle que não nascer de novo, não pode vêr o reino de [3] Deus.

4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?

5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade, te digo [4] que aquelle que não nascer da agua e do Espirito não pode entrar no reino de Deus,

6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espirito é espirito.

7 Não te maravilhes de te ter dito: Necessario vos é nascer de novo.

8 O vento assopra onde quer, [5] e ouves a sua voz; porém não sabes d’onde vem, nem para onde vae; assim é todo aquelle que é nascido do Espirito.

9 Nicodemos respondeu, e disse-lhe: [6] Como se pode fazer isto?

10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?

11 Na [7] verdade, na verdade te digo que dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos; e não acceitaes o nosso testemunho.

12 Se vos fallei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos fallar das celestiaes?

13 E [8] ninguem subiu ao céu, senão o que desceu do céu, a saber, o Filho do homem, que está no céu.

14 E, [9] como Moysés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;

15 Para que todo aquelle que n’elle crê não pereça, mas [10] tenha a vida eterna.

16 Porque [11] Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigenito, para que todo aquelle que n’elle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

17 Porque [12] Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condemnasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por elle.

18 Quem [13] crê n’elle não é condemnado; mas quem não crê já está condemnado; porquanto não crê no nome do Unigenito Filho de Deus.

19 E a condemnação é esta: [14] Que a luz veiu ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.

20 Porque [15] todo aquelle que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam arguidas.

21 Mas quem obra a verdade vem para a luz, afim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.

Outro testemunho de João Baptista.

22 Depois d’isto foi Jesus com os seus discipulos para a terra da Judea; e estava ali com elles, [16] e baptizava.

23 Ora João baptizava tambem em Enon, [17] junto a Salim, porquanto havia ali muitas aguas; [18] e vinham ali, e eram baptizados.

24 Porque [19] ainda João não tinha sido lançado na prisão.

25 Houve pois uma questão entre os discipulos de João e os judeos, ácerca da purificação.

26 E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabbi, aquelle que estava comtigo além do Jordão, [20] do qual tu déste testemunho, eis que baptiza, e todos vão ter com elle.

27 João respondeu, e disse: [21] O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não fôr dada do céu.

28 Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: [22] Eu não sou o Christo, mas sou enviado adiante d’elle.

29 Aquelle [23] que tem a esposa é o esposo; mas o [AHR] amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim pois já este meu gozo está cumprido.

30 A elle convem crescer, porém a mim diminuir.

31 Aquelle [24] que vem de cima é sobre todos: aquelle que vem da terra é da terra e falla da terra. Aquelle que vem do céu é sobre todos.

32 E [25] aquillo que viu e ouviu isso testifica; e ninguem acceita o seu testemunho.

33 Aquelle que acceitou o seu testemunho, esse sellou [26] que Deus é verdadeiro.

34 Porque [27] aquelle que Deus enviou falla as palavras de Deus; porque não lhe dá Deus o Espirito por medida.

35 O [28] Pae ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos.

36 Aquelle [29] que crê no Filho tem a vida eterna; porém aquelle que não crê no Filho não verá a vida; mas a ira de Deus sobre elle permanece.

[1] cap. 7.50 e 19.39.

[2] cap. 9.16, 33. Act. 2.22 e 10.38.

[3] cap. 1.13. Gal. 6.15. Tito 3.5. Thi. 1.18. I Ped. 1.23. I João 3.9.

[4] Mar. 16.16. Act. 2.38.

[5] Ecc. 11.5. I Cor. 2.11.

[6] cap. 6.52, 60.

[7] Mat. 11.27. cap. 1.18 e 7.16 e 8.28 e 12.49 e 14.24.

[8] Pro. 30.4. cap. 6.33, 38, 51, 62 e 16.28. Act. 2.34. I Cor. 15.47. Eph. 4.9, 10.

[9] Num. 21.9. cap. 8.28 e 12.32.

[10] ver. 36. cap. 6.47.

[11] Rom. 5.8. I João 4.9.

[12] Luc. 9.56. cap. 5.45 e 8.15 e 12.47. I João 4.14.

[13] cap. 5.24 e 6.40, 47 e 20.31.

[14] cap. 1.4, 9, 10, 11 e 8.12.

[15] Job 24.13, 17. Eph. 5.13.

[16] cap. 4.2.

[17] I Sam. 9.4.

[18] Mat. 3.5, 6.

[19] Mat. 14.3.

[20] cap. 1.7, 15, 27, 34.

[21] I Cor. 4.7. Heb. 5.4. Thi. 1.17.

[22] cap. 1.20, 27. Mal. 3.1. Mar. 1.2. Luc. 1.17.

[23] Mat. 22.2. II Cor. 11.2. Eph. 5.25, 27. Apo. 21.9. Can. 5.1.

[24] cap. 8.23. Mat. 28.18. Rom. 9.5. I Cor. 15.47. Eph. 1.21. Phi. 2.9.

[25] ver. 11. cap. 8.26 e 15.15.

[26] Rom. 3.4. I João 5.10.

[27] cap. 7.16 e 1.16.

[28] Mat. 28.18. Luc. 10.22. cap. 5.20. Heb. 2.8.

[29] Hab. 2.4. cap. 1.12 e 6.47. Rom. 1.17. I João 5.10.

A mulher de Samaria.

4 E quando o Senhor entendeu que os phariseos tinham ouvido que Jesus fazia [1] e baptizava mais discipulos do que João,

2 (Ainda que Jesus mesmo não baptizava, mas os seus discipulos),

3 Deixou a Judea, e foi outra vez para a Galilea.

4 E era-lhe necessario passar por Samaria.

5 Foi pois a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade [2] que Jacob deu a seu filho José.

6 E estava ali a fonte de Jacob; Jesus, pois, cançado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quasi á hora sexta.

7 Veiu uma mulher de Samaria tirar agua: disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.

8 Porque os seus discipulos tinham ido á cidade comprar comida.

9 Disse-lhe pois a mulher samaritana: Como, sendo tu judeo, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os [3] judeos não se communicam com os samaritanos)

10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e elle te daria [4] agua viva.

11 Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo: onde pois tens a agua viva?

12 És tu maior do que o nosso pae Jacob, que nos deu o poço, e elle mesmo d’elle bebeu, e os seus filhos, e o seu gado?

13 Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer [5] que beber d’esta agua tornará a ter sêde;

14 Mas aquelle que beber da agua que eu lhe der [6] nunca terá sêde, porque a agua que eu lhe der se fará n’elle uma fonte d’agua que salte para a vida eterna.

15 Disse-lhe [7] a mulher: Senhor, dá-me d’essa agua, para que não mais tenha sêde, e não venha aqui tiral-a.

16 Disse-lhe Jesus: Vae, chama a teu marido, e vem cá.

17 A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;

18 Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.

19 Disse-lhe a mulher: [8] Senhor, vejo que és propheta.

20 Nossos paes adoraram [9] n’este monte, e vós dizeis que é em Jerusalem o logar onde se deve adorar.

21 Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a [10] hora vem, quando nem n’este monte nem em Jerusalem adorareis o Pae.

22 Vós [11] adoraes o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos [12] porque a salvação vem dos judeos.

23 Porém a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pae [13] em espirito [14] e em verdade; porque o Pae procura a taes que assim o adorem.

24 Deus é [15] Espirito, e importa que os que o adoram o adorem em espirito e em verdade.

25 A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Christo) vem; quando elle vier, [16] nos annunciará todas as coisas.

26 Jesus disse-lhe: [17] Eu sou, o que fallo comtigo.

27 E n’isto vieram os seus discipulos, e maravilharam-se de que fallasse com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Que fallas com ella?

28 Deixou pois a mulher o seu cantaro, e foi á cidade, e disse áquelles homens:

29 Vinde, vêde um homem [18] que me disse tudo quanto tenho feito: porventura não é este o Christo?

30 Sairam pois da cidade, e foram ter com elle.

A ceifa e os ceifeiros.

31 E entretanto os seus discipulos lhe rogaram, dizendo: Rabbi, come.

32 Porém elle lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não sabeis.

33 Então os discipulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe porventura alguem de comer?

34 Jesus disse-lhes: [19] A minha comida é fazer a vontade d’aquelle que me enviou, e cumprir a sua obra.

35 Não dizeis vós que ainda ha quatro mezes até que venha a ceifa? eis que eu vos digo: Levantae os vossos olhos, e vêde as terras, [20] que já estão brancas para a ceifa.

36 E [21] o que ceifa recebe galardão, e ajunta fructo para a vida eterna; para que, assim o que semeia, como o que ceifa, ambos se regozijem.

37 Porque n’isto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa.

38 Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

39 E muitos dos samaritanos d’aquella cidade crêram n’elle, [22] pela palavra da mulher, que testificou, dizendo: Disse-me tudo quanto tenho feito.

40 Indo pois ter com elle os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com elles; e ficou ali dois dias.

41 E muitos mais creram n’elle, por causa da sua palavra.

42 E diziam á mulher: Já não é pelo teu dito que nós crêmos; [23] porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Christo, o Salvador do mundo.

Cura do filho d’um regulo.

43 E dois dias depois partiu d’ali, e foi para a Galilea.

44 Porque [24] Jesus mesmo testificou que um propheta não tem honra na sua propria patria.

45 Chegando pois á Galilea, os galileos [25] o receberam, vistas todas as coisas que fizera em Jerusalem no dia da festa; [26] porque tambem elles tinham ido á festa.

46 Segunda vez foi Jesus a Caná da Galilea, [27] onde da agua fizera vinho. E havia ali um regulo, cujo filho estava enfermo em Capernaum.

47 Ouvindo este que Jesus vinha da Judea para a Galilea, foi ter com elle, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava á morte.

48 Então Jesus lhe disse: [28] Se não virdes signaes e milagres, não crereis.

49 Disse-lhe o regulo: Senhor, desce, antes que meu filho morra.

50 Disse-lhe Jesus: Vae, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e foi-se.

51 E, descendo elle logo, sairam-lhe ao encontro os seus servos, e lhe annunciaram, dizendo: O teu filho vive.

52 Perguntou-lhes pois a que hora se achara melhor; e disseram-lhe: Hontem ás sete horas a febre o deixou.

53 Entendeu pois o pae que era aquella hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive: e creu elle, e toda a sua casa.

54 Jesus fez este segundo signal, quando ia da Judea para a Galilea.

[1] cap. 3.22, 26.

[2] Gen. 33.19 e 48.22. Jos. 24.32.

[3] II Reis 17.24. Luc. 9.52, 53. Act. 10.28.

[4] Isa. 12.3 e 44.3. Jer. 2.13. Zac. 13.1 e 14.8.

[5] cap. 6.35, 58.

[6] cap. 7.38.

[7] cap. 6.34 e 17.2, 3. Rom. 6.23. I João 5.20.

[8] Luc. 7.16 e 24.19. cap. 6.14 e 7.40.

[9] Jui. 9.7. Deu. 12.5, 11. I Reis 9.3. II Chr. 7.12.

[10] Mal. 1.11. I Tim. 2.8.

[11] II Reis 17.29.

[12] Isa. 2.3. Luc. 24.47. Rom. 9.4, 5.

[13] Phi. 3.3.

[14] cap. 1.17.

[15] II Cor. 3.17.

[16] ver. 29, 39.

[17] Mat. 26.63, 64. Mar. 14.61, 62. cap. 9.37.

[18] ver. 25.

[19] Job 23.12. cap. 6.38 e 17.4 e 19.30.

[20] Mat. 9.37. Luc. 10.2.

[21] Dan. 12.3.

[22] ver. 29.

[23] cap. 17.8. I João 4.14.

[24] Mat. 13.57. Mar. 6.4. Luc. 4.24.

[25] cap. 2.23 e 3.2.

[26] Deu. 16.16.

[27] cap. 2.1, 11.

[28] I Cor. 1.22.

Cura d’um paralytico de Bethesda.

[Anno Domini 31]

5 Depois [1] d’isto havia uma festa entre os judeos, e Jesus subiu a Jerusalem.

2 Ora em Jerusalem ha, [2] proximo á porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreo Bethesda, o qual tem cinco alpendres.

3 N’este jazia grande multidão de enfermos; cegos, mancos e resicados, esperando o movimento das aguas.

4 Porque um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a agua; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da agua, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.

5 E estava ali um certo homem que, havia trinta e oito annos, se achava enfermo.

6 E Jesus, vendo este deitado, e, sabendo que estava n’este estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?

7 O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a agua é agitada, me metta no tanque; mas, emquanto eu vou, desce outro adiante de mim.

8 Jesus disse-lhe: [3] Levanta-te, toma a tua cama, e anda.

9 Logo aquelle homem ficou são; e tomou a sua cama, e partiu. E [4] aquelle dia era sabbado.

10 Depois os judeos disseram áquelle que tinha sido curado: É sabbado, não [5] te é licito levar a cama.

11 Elle respondeu-lhes: Aquelle que me curou, esse disse: Toma a tua cama, e anda.

12 Perguntaram-lhe pois: Quem é o homem que te disse: Toma a tua cama, e anda?

13 E o que fôra curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, porquanto n’aquelle logar havia grande multidão.

14 Depois Jesus encontrou-o no templo, e disse-lhe: Eis que já estás são; [6] não peques mais, para que te não succeda alguma coisa peior.

15 E aquelle homem foi, e annunciou aos judeos que Jesus era o que o curára.

Jesus declara-se Filho de Deus e egual ao Pae.

16 E por isso os judeos perseguiram a Jesus, e procuravam matal-o; porque fazia estas coisas no sabbado.

17 E Jesus lhes respondeu: [7] Meu Pae obra até agora, e eu obro tambem.

18 Por isso pois [8] os judeos ainda mais procuravam matal-o, porque não só quebrantava o sabbado, mas tambem dizia que Deus era seu proprio Pae, fazendo-se [9] egual a Deus.

19 Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que [10] o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pae; porque tudo quanto elle faz o Filho o faz egualmente.

20 Porque [11] o Pae ama o Filho, e mostra-lhe todas as coisas que faz; e elle lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis.

21 Porque, como o Pae resuscita os mortos, e os vivifica, [12] assim tambem o Filho vivifica aquelles que quer.

22 Porque tambem o Pae a ninguem julga, mas [13] deu ao Filho todo o juizo;

23 Para que todos honrem o Filho, como honram o Pae. [14] Quem não honra o Filho, não honra o Pae que o enviou.

24 Na verdade, na verdade vos digo que [15] quem ouve a minha palavra, e crê n’aquelle que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condemnação, mas [16] passou da morte para a vida.

25 Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que [17] os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.

26 Porque, como o Pae tem a vida em si mesmo, assim deu tambem ao Filho ter a vida em si mesmo.

27 E [18] deu-lhe o poder de exercer o juizo, [19] porque é o Filho do homem.

28 Não vos maravilheis d’isto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulchros ouvirão a sua voz.

29 [20] E os que fizeram o bem sairão para a resurreição da vida; e os que fizeram o mal para a resurreição da condemnação.

30 Eu não [21] posso de mim mesmo fazer coisa alguma: como ouço, assim julgo; e o meu juizo é justo, [22] porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pae que me enviou.

31 Se [23] eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.

32 Ha [24] outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que elle dá de mim é verdadeiro.

33 Vós mandastes a João, [25] e elle deu testemunho da verdade.

34 Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis.

35 Elle era a candeia [26] ardente e resplandecente; e [27] vós quizestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.

36 Mas [28] eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pae me deu que cumprisse, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pae me enviou.

37 E o Pae, que me enviou, [29] elle mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem [30] vistes o seu parecer;

38 E a sua palavra não permanece em vós; porque n’aquelle que elle enviou não crêdes vós.

39 Examinae [31] as Escripturas; porque vós cuidaes ter n’ellas a vida eterna, [32] e são ellas que de mim testificam.

40 E [33] não quereis vir a mim para terdes vida.

41 Eu [34] não recebo a honra dos homens;

42 Mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus.

43 Eu vim em nome de meu Pae, e não me acceitaes; se outro vier em seu proprio nome, a esse acceitareis.

44 Como [35] podeis vós crêr, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a [36] honra que vem só de Deus?

45 Não cuideis que eu vos hei de accusar para com o Pae. [37] Ha um que vos accusa, Moysés, em quem vós esperaes.

46 Porque, se vós cresseis em Moysés, crerieis em mim; porque [38] de mim escreveu elle.

47 Porém, se não crêdes nos seus escriptos, como crereis nas minhas palavras?

[1] Lev. 23.2. Deu. 16.1. cap. 2.13.

[2] Neh. 3.1 e 12.39.

[3] Mat. 9.6. Mar. 2.11. Luc. 5.24.

[4] cap. 9.14.

[5] Exo. 20.10. Neh. 13.19. Jer. 17.21, etc. Mat. 12.2. Mar. 2.24 e 3.4. Luc. 6.2 e 13.14.

[6] Mat. 12.45. cap. 8.11.

[7] cap. 9.4 e 14.10.

[8] cap. 7.19.

[9] cap. 10.30, 33. Phi. 2.6.

[10] ver. 30. cap. 8.28 e 9.4 e 12.49 e 14.10.

[11] Mat. 3.17. cap. 3.35. II Ped. 1.17.

[12] Luc. 7.14 e 8.54. cap. 11.25, 43.

[13] Mat. 11.27 e 28.18. ver. 27. cap. 3.35 e 17.2. Act. 17.31. I Ped. 4.5.

[14] I João 2.23.

[15] cap. 3.16, 18 e 6.40, 47 e 8.51 e 20.31.

[16] I João 3.14.

[17] ver. 28. Eph. 2.1, 5 e 5.14. Col. 2.13.

[18] ver. 22. Act. 10.42 e 17.31.

[19] Dan. 7.13, 14.

[20] Dan. 12.2. Mat. 25.32, 33, 46. Isa. 26.19. I Cor. 15.52. I The. 4.15.

[21] ver. 19.

[22] Mat. 26.39. cap. 4.34 e 6.38.

[23] cap. 8.14. Apo. 3.14.

[24] Mat. 3.17 e 17.4. cap. 8.18. I João 5.6, 7, 9.

[25] cap. 1.15, 19, 27, 32.

[26] II Ped. 1.19.

[27] Mat. 13.20 e 21.26. Mar. 6.20.

[28] I João 5.9. cap. 3.2 e 10.25 e 15.24.

[29] Mat. 3.17 e 17.5. cap. 6.27 e 8.18.

[30] Deu. 4.12. cap. 1.18. I Tim. 1.17. I João 4.12.

[31] Isa. 8.20 e 34.16. Luc. 16.29. Act. 17.11.

[32] Deu. 18.15, 18. Luc. 24.27. cap. 1.45.

[33] cap. 1.11 e 3.19.

[34] I The. 2.6.

[35] cap. 12.43.

[36] Rom. 2.29.

[37] Rom. 2.12.

[38] Gen. 3.15 e 12.3 e 18.18 e 22.18 e 49.10. Deu. 18.15, 18. cap. 1.45. Act. 26.22.

A multiplicação dos pães.

Mat. 14.15-21 e refs.

[Anno Domini 32]

6 Depois [1] d’isto Jesus partiu para a outra banda do mar da Galilea, que é o de Tiberiades.

2 E uma grande multidão o seguia; porque via os signaes que operava sobre os enfermos.

3 E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discipulos.

4 E a paschoa, a festa dos judeos, estava [2] proxima.

5 Então [3] Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com elle, disse a Philippe: D’onde compraremos pão, para estes comerem?

6 Mas dizia isto para o experimentar; porque elle bem sabia o que havia de fazer.

7 Philippe respondeu-lhe: [4] Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um d’elles tome um pouco.

8 E um dos seus discipulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:

9 Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos: [5] mas que é isto para tantos?

10 E disse Jesus: Fazei assentar os homens. E havia muita herva n’aquelle logar. Assentaram-se pois os homens em numero de quasi cinco mil.

11 E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discipulos, e os discipulos pelos que estavam assentados; e egualmente tambem dos peixes, quanto queriam.

12 E, quando já estavam saciados, disse aos seus discipulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

13 Recolheram-n’os pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.

14 Vendo pois aquelles homens o signal que Jesus tinha feito, diziam: Este [6] é verdadeiramente o propheta que devia vir ao mundo.

15 Sabendo pois Jesus que haviam de vir arrebatal-o, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, elle só, para o monte.

Jesus anda sobre o mar.

Mat. 14.23-34 e refs.

16 E, [7] quando veiu a tarde, os seus discipulos desceram para o mar.

17 E, entrando no barco, passaram da outra banda do mar para Capernaum, e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado ao pé d’elles.

18 E o mar se levantou, porquanto um grande vento assoprava.

19 E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estadios, viram a Jesus, andando sobre o mar e approximando-se do barco; e temeram.

20 Porém elle lhes disse: Sou eu, não temaes.

21 Então elles de boamente o receberam no barco; e logo o barco chegou á terra para onde iam.

Jesus é o pão da vida para os que crêem.

22 No dia seguinte, a multidão, que estava da outra banda do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, e que Jesus não entrara com seus discipulos n’aquelle barquinho, mas que os seus discipulos tinham ido sós.

23 (Comtudo, outros barquinhos vieram de Tiberiades, perto do logar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças):

24 Vendo pois a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discipulos, entraram elles tambem nos barcos, e foram a Capernaum, em busca de Jesus.

25 E, achando-o na outra banda do mar, disseram-lhe: Rabbi, quando chegaste aqui?

26 Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscaes, não pelos signaes que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

27 Trabalhao, não pela comida que perece, mas [8] pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; [9] porque a este sellou o Pae, Deus.

28 Disseram-lhe pois: Que faremos, para obrarmos as obras de Deus?

29 Jesus respondeu, e disse-lhes: A [10] obra de Deus é esta: Que creiaes n’aquelle que elle enviou.

30 Disseram-lhe pois: [11] Que signal pois fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que obras tu?

31 Nossos [12] paes comeram o manná no deserto, como está escripto: [13] Deu-lhes a comer o pão do céu.

32 Disse-lhes pois Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moysés não vos deu o pão do céu; mas meu Pae vos dá o verdadeiro pão do céu.

33 Porque o pão de Deus é aquelle que desce do céu, e que dá vida ao mundo.

34 Disseram-lhe pois: [14] Senhor, dá-nos sempre d’esse pão.

35 E Jesus lhes disse: [15] Eu sou o pão da vida; aquelle que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sêde.

36 Mas já [16] vos disse que tambem vós me vistes, e não crêdes.

37 Tudo [17] o que o Pae me dá virá a mim; [18] e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fóra.

38 Porque eu desci do céu, [19] não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’aquelle que me enviou.

39 E a vontade do Pae que me enviou [20] é esta: que de tudo quanto me deu nada perca, mas que o resuscite no ultimo dia.

40 E a vontade d’aquelle que me enviou é esta: [21] que todo aquelle que vê o Filho, e crê n’Elle, tenha a vida eterna; e eu o resuscitarei no ultimo dia.

41 Murmuravam pois d’elle os judeos, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.

42 E diziam: [22] Não é este Jesus, o filho de José, cujo pae e mãe nós conhecemos? Como pois diz elle: Desci do céu?

43 Respondeu pois Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós.

44 Ninguem [23] pode vir a mim, se o Pae que me enviou o não trouxer: e eu o resuscitarei no ultimo dia.

45 Está escripto [24] nos prophetas: E serão todos ensinados por Deus. [25] Assim que todo aquelle que do Pae ouviu e aprendeu vem a mim.

46 Não [26] que alguem visse ao Pae, [27] senão aquelle que é de Deus: este tem visto ao Pae.

47 Na verdade, na verdade vos digo que aquelle que crê [28] em mim tem a vida eterna,

48 Eu [29] sou o pão da vida.

49 Vossos [30] paes comeram o manná no deserto, e morreram.

50 Este [31] é o pão que desce do céu, para que o que d’elle comer não morra.

51 Eu sou o pão vivo [32] que desceu do céu; se alguem comer d’este pão, viverá para sempre: e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.

52 Disputavam pois os judeos entre si, dizendo: [33] Como nos pode dar este a sua carne a comer?

53 Jesus pois lhes disse: [34] Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.

54 Quem come a minha [35] carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o resuscitarei no ultimo dia.

55 Porque a minha carne verdadeiramente é comida, [36] e o meu sangue verdadeiramente é bebida;

56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu n’elle.

57 Como o Pae, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pae, [37] assim, quem me come a mim, tambem viverá por mim.

58 Este é o pão que desceu do céu: não como vossos paes, que comeram o manná, e morreram: quem comer este pão viverá para sempre.

59 Elle [38] disse estas coisas na synagoga, ensinando em Capernaum.

Jesus é abandonado por muitos discipulos: a confissão de Pedro.

60 Muitos [39] pois dos seus discipulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?

61 Sabendo pois Jesus em si mesmo que os seus discipulos murmuravam d’isto, disse-lhes: Isto escandaliza-vos?

62 Que [40] seria, pois, se visseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?

63 O espirito é o que [41] vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espirito e vida.

64 Mas [42] ha alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o principio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.

65 E dizia: [43] Por isso eu vos tenho dito que ninguem pode vir a mim, se por meu Pae lhe não fôr concedido.

66 Desde [44] então muitos dos seus discipulos tornaram para traz, e já não andavam com elle.

67 Então disse Jesus aos doze: Quereis vós tambem retirar-vos?

68 Respondeu-lhe pois Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu [45] tens as palavras da vida eterna.

69 E [46] nós temos crido e conhecido que tu és o Christo, o Filho de Deus.

70 Respondeu-lhe Jesus: [47] Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é diabo.

71 E isto dizia elle de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze.

[1] Mar. 6.35. Luc. 9.10, 12.

[2] Lev. 23.5, 7. Deu. 16.1. cap. 2.13 e 5.1.

[3] Mat. 14.14. Mar. 6.35. Luc. 9.12.

[4] Num. 11.21, 22.

[5] II Reis 4.43.

[6] Gen. 49.10. Deu. 18.15, 18. Mat. 11.3. cap. 1.21 e 4.19, 25 e 7.40.

[7] Mar. 6.47.

[8] ver. 54. cap. 4.14.

[9] Mat. 3.17 e 17.5. Mar. 1.11 e 9.7. Luc. 3.22 e 9.35. cap. 1.33 e 5.37 e 8.18. Act. 2.22. II Ped. 1.17.

[10] João 3.23.

[11] Mat. 12.38 e 16.1. Mar. 8.11. I Cor. 1.22.

[12] Exo. 16.15. Num. 11.7. Neh. 9.15. I Cor. 10.3.

[13] Psa. 7.24, 25.

[14] cap. 4.15.

[15] ver. 48, 58. cap. 4.14 e 7.37.

[16] ver. 26, 64.

[17] ver. 45.

[18] Mat. 24.24. cap. 10.28, 29. II Tim. 2.19. I João 2.19.

[19] Mat. 26.39. cap. 5.30 e 4.34.

[20] cap. 10.28 e 17.12 e 18.9.

[21] ver. 27, 47, 54. cap. 3.15, 16 e 4.14.

[22] Mat. 13.55. Mar. 6.3. Luc. 4.22.

[23] Can. 1.4. ver. 65.

[24] Isa. 54.13. Jer. 31.34. Miq. 4.2. Heb. 8.10 e 10.16.

[25] ver. 37.

[26] cap. 1.18 e 5.37.

[27] Mat. 11.27. Luc. 10.22. cap. 7.29 e 8.19.

[28] cap. 3.16, 18, 36. ver. 40.

[29] ver. 33, 35.

[30] ver. 31.

[31] ver. 51, 58.

[32] cap. 3.13.

[33] Heb. 10.5, 10.

[34] cap. 7.43 e 9.16 e 10.19 e 3.9.

[35] Mat. 26.26, 28.

[36] ver. 27, 40, 63. cap. 4.14.

[37] I João 3.24 e 4.15, 16.

[38] ver. 49, 50, 51.

[39] ver. 66. Mat. 11.6.

[40] Mar. 16.19. cap. 3.13. Act. 1.9. Eph. 4.8.

[41] II Cor. 3.6.

[42] ver. 36. cap. 2.24, 25 e 13.11.

[43] ver. 44, 45.

[44] ver. 60.

[45] Act. 5.20.

[46] Mat. 16.16. Mar. 8.29. Luc. 9.20. cap. 1.49 e 11.27.

[47] Luc. 6.13. cap. 13.27.

A incredulidade dos irmãos de Jesus.

7 E depois d’isto Jesus andava pela Galiléa, e já não queria andar pela Judéa, [1] porquanto os judeos procuravam matal-o.

2 E estava [2] proxima a festa dos judeos, a dos tabernaculos.

3 Disseram-lhe [3] pois seus irmãos: Sae d’aqui, e vae para a Judéa, para que tambem os teus discipulos vejam as obras que fazes.

4 Porque ninguem, que procura ser conhecido, faz coisa alguma em occulto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.

5 Porque nem [4] ainda seus irmãos criam n’elle.

6 Disse-lhes pois Jesus: [5] Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está prompto.

7 O [6] mundo não vos pode aborrecer, mas elle me aborrece a mim, porquanto d’elle testifico que as suas obras são más.

8 Subi vós a esta festa: eu não subo ainda a esta festa; [7] porque ainda o meu tempo não está cumprido.

9 E, havendo-lhes dito estas coisas, ficou na Galiléa.

Jesus ensina no templo na festa dos tabernaculos. Dissensão entre os judeos ácerca da sua pessoa. Os phariseos mandam prendel-o.

10 Mas, tendo seus irmãos já subido á festa, então subiu elle tambem, não manifestamente, mas como em occulto.

11 Ora os judeos [8] buscavam-n’o na festa, e diziam: Onde está elle?

12 E [9] havia grande murmuração entre a multidão a respeito d’elle. Diziam alguns: [10] Elle é bom. E outros diziam: Não, antes engana o povo.

13 Todavia ninguem fallava d’elle abertamente, [11] por medo dos judeos.

14 Porém, no meio da festa, subiu Jesus ao templo, e ensinava.

15 E os judeos [12] maravilhavam-se, dizendo: Como sabe este lettras, não as tendo aprendido?

16 Jesus lhes respondeu, e disse: [13] A minha doutrina não é minha, mas d’aquelle que me enviou.

17 Se [14] alguem quizer fazer a vontade d’elle, da mesma doutrina conhecerá se é de Deus, ou se eu fallo de mim mesmo.

18 Quem falla [15] de si mesmo busca a sua propria gloria, mas o que busca a gloria d’aquelle que o enviou esse é verdadeiro, e não ha n’elle injustiça.

19 Não [16] vos deu Moysés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Porque procuraes matar-me?

20 A multidão respondeu, e disse: [17] Tens demonio; quem procura matar-te?

21 Respondeu Jesus, e disse-lhes: Fiz uma obra, e todos vos maravilhaes.

22 Por isso [18] Moysés vos deu a circumcisão (não que fosse de Moysés, mas dos paes), e no sabbado circumcidaes um homem.

23 Se o homem recebe a circumcisão no sabbado, para que a lei de Moysés não seja quebrantada, indignaes-vos contra mim, [19] porque no sabbado curei de todo um homem?

24 Não [20] julgueis segundo a apparencia, mas julgae segundo a recta justiça.

25 Então alguns dos de Jerusalem diziam: Não é este o que procuram matar?

26 E eil-o ahi está fallando livremente, e nada lhe dizem. [21] Porventura sabem verdadeiramente os principes que este é o Christo?

27 Mas [22] bem sabemos d’onde este é; porém, quando vier o Christo, ninguem saberá d’onde elle é.

28 Clamava pois Jesus no templo, ensinando, e dizendo: [23] Vós conheceis-me, e sabeis d’onde sou, e [24] eu não vim por mim mesmo, mas aquelle que me enviou [25] é verdadeiro, o qual vós não conheceis.

29 Porém [26] eu conheço-o, porque d’elle sou e elle me enviou.

30 Procuravam [27] pois prendel-o, mas ninguem lançou mão d’elle, porque ainda não era chegada a sua hora.

31 E [28] muitos da multidão creram n’elle, e diziam: Quando o Christo vier, fará ainda mais signaes do que os que este tem feito?

32 Os phariseos ouviram que a multidão murmurava d’elle estas coisas; e os phariseos e os principaes dos sacerdotes mandaram [AHS] servidores a prendel-o.

33 Disse-lhes pois Jesus: [29] Ainda um pouco de tempo estou comvosco, e vou para aquelle que me enviou.

34 Vós [30] me buscareis, e não me achareis; e aonde eu estou vós não podeis vir.

35 Disseram pois os judeos uns para os outros: Para onde irá este, que o não acharemos? [31] Irá porventura para os dispersos entre os gregos, e ensinar os gregos?

36 Que palavra é esta que disse: Buscar-me-heis, e não me achareis; e, Aonde eu estou vós não podeis ir?

37 E [32] no ultimo dia, o grande dia da festa, Jesus poz-se em pé, e clamou, dizendo: [33] Se alguem tem sêde, venha a mim, e beba.

38 Quem [34] crê em mim, como diz a Escriptura, rios d’agua viva manarão do seu ventre.

39 E isto [35] disse elle do Espirito que haviam de receber os que n’elle cressem; porque o Espirito Sancto ainda não fôra dado, [36] porque ainda Jesus não tinha sido glorificado.

40 Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este [37] é o Propheta.

41 Outros diziam: [38] Este é o Christo: mas diziam outros: Vem pois [39] o Christo da Galilea?

42 Não [40] diz a Escriptura que o Christo vem da descendencia de David, e de Bethlehem, [41] da aldeia d’onde era David?

43 Assim [42] entre o povo havia dissensão por causa d’elle.

44 E alguns [43] d’elles queriam prendel-o, mas ninguem lançou mão d’elle.

45 E os servidores foram ter com os principaes dos sacerdotes e phariseos; e elles lhes disseram: Porque o não trouxestes?

46 Responderam os servidores: Nunca [44] homem algum fallou assim como este homem.

47 Responderam-lhes pois os phariseos: Tambem vós fostes enganados?

48 Creu [45] n’elle porventura algum dos principaes ou dos phariseos?

49 Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita.

50 Nicodemos (que era um d’elles, [46] o que de noite viera ter com Jesus) disse-lhes:

51 Porventura condemna [47] a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz?

52 Responderam elles, e disseram-lhe: Tu és tambem da Galilea? Examina, e verás que da [48] Galilea nenhum propheta surgiu.

53 E cada um foi para sua casa.

[1] cap. 5.16, 18.

[2] Lev. 23.34.

[3] Mat. 12.46. Mar. 3.31. Act. 1.14.

[4] Mar. 3.21.

[5] cap. 2.4 e 8.20. ver. 8, 30.

[6] cap. 15.19 e 3.19.

[7] cap. 8.20. ver. 6.

[8] cap. 11.56.

[9] cap. 9.16 e 10.19.

[10] Mat. 21.46. Luc. 7.16. cap. 6.14. ver. 40.

[11] cap. 9.22 e 12.42 e 19.38.

[12] Mat. 13.54. Mar. 6.2. Luc. 4.22. Act. 2.7.

[13] cap. 3.11 e 8.28 e 12.49 e 14.10, 24.

[14] cap. 8.43.

[15] cap. 5.41 e 8.50.

[16] Exo. 24.3. Deu. 33.4. cap. 1.17 e 5.16, 18 e 10.31, 39 e 11.53. Act. 7.38. Mat. 12.14. Mar. 3.6.

[17] cap. 8.48, 52 e 10.20.

[18] Lev. 12.3. Gen. 17.10.

[19] cap. 5.8, 9, 16.

[20] Deu. 1.16, 17. Pro. 24.23. cap. 8.15. Thi. 2.1.

[21] ver. 48.

[22] Mat. 13.55. Mar. 6.3. Luc. 4.22.

[23] cap. 8.14.

[24] cap. 5.43 e 8.42 e 5.32 e 8.26. Rom. 3.4.

[25] cap. 1.18 e 8.55.

[26] Mat. 11.27. cap. 10.15.

[27] Mar. 11.18. Luc. 19.47 e 20.19. ver. 19. cap. 8.37.

[28] Mat. 12.23. cap. 3.2 e 8.30.

[29] cap. 13.33 e 16.16.

[30] Ose. 5.6. cap. 8.21 e 13.33.

[31] Isa. 11.12. Thi. 1.1. I Ped. 1.1.

[32] Lev. 23.36.

[33] Isa. 55.1. cap. 6.35. Apo. 22.17.

[34] Deu. 18.15. Pro. 18.4. Isa. 12.3 e 44.3. cap. 4.14.

[35] Isa. 44.3. Joel 2.28. cap. 16.7. Act. 2.17, 33, 38.

[36] cap. 12.16 e 16.7.

[37] Deu. 18.15, 18. cap. 1.21 e 6.14.

[38] cap. 4.42 e 6.70.

[39] ver. 52. cap. 1.46.

[40] Psa. 132.11. Jer. 23.5. Miq. 5.2. Mat. 2.5. Luc. 2.4.

[41] I Sam. 16.1, 4.

[42] ver. 12. cap. 9.16 e 10.19.

[43] ver. 30.

[44] Mat. 7.29.

[45] cap. 12.42. Act. 6.7. I Cor. 1.20, 26 e 2.8.

[46] cap. 3.2.

[47] Deu. 1.17 e 17.8, etc. e 19.15.

[48] Isa. 9.1, 2. Mat. 4.15. cap. 1.46. ver. 41.

A mulher adultera.

8 Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras;

2 E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com elle, e, assentando-se, os ensinava.

3 E os escribas e phariseos trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adulterio;

4 E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no proprio acto, adulterando,

5 E [1] na lei nos mandou Moysés que as taes sejam apedrejadas. Tu pois que dizes?

6 Isto diziam elles, tentando-o, para que tivessem de que o accusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

7 E, como perseverassem perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: [2] Aquelle que d’entre vós está sem peccado seja o primeiro que atire pedra contra ella.

8 E, tornando a inclinar-se, escreveu na terra.

9 Porém, ouvindo [3] elles isto, e accusados pela consciencia, sairam um a um, começando pelos mais velhos até aos ultimos; ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio.

10 E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguem mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aquelles teus accusadores? Ninguem te condemnou?

11 E ella disse: Ninguem, Senhor. E disse-lhe Jesus: [4] Nem eu tambem te condemno: vae-te, e não peques mais.

Discurso de Jesus sobre a sua missão.

12 Fallou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: [5] Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

13 Disseram-lhe pois os phariseos: [6] Tu testificas de ti mesmo: o teu testemunho não é verdadeiro.

14 Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei d’onde vim, e para onde vou; porém [7] vós não sabeis d’onde venho, nem para onde vou.

15 Vós [8] julgaes segundo a carne, eu a ninguem julgo.

16 E, se eu tambem julgo, o meu juizo é verdadeiro, porque [9] não sou eu só, mas eu e o Pae que me enviou.

17 E tambem na [10] vossa lei está escripto que o testemunho de dois homens é verdadeiro.

18 Eu sou o que testifico de mim mesmo, [11] e de num testifica tambem o Pae que me enviou.

19 Disseram-lhe pois: Onde está teu Pae? Jesus respondeu: [12] Nem me conheceis a mim, nem a meu Pae: se vós me conhecesseis a mim, tambem conhecerieis a meu Pae.

20 Estas palavras disse Jesus no logar do thesouro, ensinando no templo, [13] e ninguem [14] o prendeu, [15] porque ainda não era chegada a sua hora.

21 Disse-lhes pois Jesus outra vez: Eu retiro-me, e [16] buscar-me-heis, e [17] morrereis no vosso peccado. Para onde eu vou não podeis vós vir.

22 Diziam pois os judeos: Porventura ha de matar-se a si mesmo, pois diz: Para onde eu vou não podeis vós vir?

23 E dizia-lhes: [18] Vós sois debaixo, eu sou de cima; [19] vós sois d’este mundo, eu não sou d’este mundo.

24 Por isso [20] vos disse que morrereis em vossos peccados, [21] porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis em vossos peccados.

25 Disseram-lhe pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: O mesmo que tambem já desde o principio vos disse.

26 Muitas coisas tenho que dizer e julgar de vós, mas [22] aquelle que me enviou é verdadeiro, [23] e eu o que d’elle tenho ouvido isso fallo ao mundo.

27 Mas não entenderam que elle lhes fallava do Pae.

28 Disse-lhes pois Jesus: Quando levantardes [24] o Filho do homem, [25] então conhecereis quem eu sou, e [26] que nada faço por mim mesmo; mas [27] fallo assim como o Pae m’o ensinou.

29 E aquelle que [28] me enviou está comigo; [29] o Pae não me tem deixado só, [30] porque eu faço sempre o que lhe agrada.

30 Fallando elle estas coisas, [31] muitos creram n’elle.

31 Jesus dizia pois aos judeos que criam n’elle: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discipulos;

32 E conhecereis a verdade, e [32] a verdade vos libertará.

33 Responderam-lhe: [33] Somos descendencia de Abrahão, e nunca servimos a ninguem; como dizes tu: Sereis livres?

34 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo [34] que todo aquelle que commette peccado é servo do peccado.

35 Ora [35] o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.

36 Se pois o Filho vos libertar, [36] verdadeiramente sereis livres.

37 Bem sei que sois descendencia de Abrahão; [37] comtudo, procuraes matar-me, porque a minha palavra não cabe em vós.

38 Eu [38] fallo do que vi junto de meu Pae, e vós fazeis o que tambem vistes junto de vosso pae.

39 Responderam, e disseram-lhe: [39] Nosso pae é Abrahão. Jesus disse-lhes: [40] Se fosseis filhos de Abrahão, farieis as obras de Abrahão.

40 Porém [41] agora procuraes matar-me, a mim, um homem que vos tenho fallado a verdade [42] que de Deus tenho ouvido; Abrahão não fez isto.

41 Vós fazeis as obras de vosso pae. Disseram-lhe pois: Nós não somos nascidos [43] da fornicação; temos um Pae, que é Deus.

42 Disse-lhes pois Jesus; [44] Se Deus fosse o vosso Pae, certamente me amarieis, [45] pois que eu sahi, e vim de Deus; [46] porque não vim de mim mesmo, mas elle me enviou.

43 Porque [47] não entendeis a minha linguagem? por não poderdes ouvir a minha palavra.

44 Vós [48] tendes por pae ao diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pae: elle foi homicida desde o principio, [49] e não permaneceu na verdade, porque não ha verdade n’elle; quando falla mentira, falla do que lhe é proprio, porque é mentiroso, e pae da mentira.

45 Mas, porque vos digo a verdade, não me crêdes.

46 Quem d’entre vós me convence de peccado? E, se digo a verdade, porque não crêdes?

47 Quem [50] é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutaes, porque não sois de Deus.

48 Responderam pois os judeos, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que [51] tens demonio?

49 Jesus respondeu: Eu não tenho demonio, antes honro a meu Pae, e vós me deshonraes.

50 Eu [52] não busco a minha gloria; ha quem a busque, e julgue.

51 Em verdade, em verdade vos digo que, [53] se alguem guardar a minha palavra, nunca verá a morte.

52 Disseram-lhe pois os judeos: Agora conhecemos que tens demonio. [54] Morreu Abrahão e os prophetas; e tu dizes: Se alguem guardar a minha palavra, nunca provará a morte.

53 És tu maior do que o nosso pae Abrahão, que morreu? e tambem os prophetas morreram: quem te fazes tu ser?

54 Jesus respondeu: [55] Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha gloria [56] é nada; quem me glorifica é o meu Pae, o qual dizeis que é vosso Deus.

55 E [57] vós não o conheceis, mas eu conheço-o: e, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.

56 Abrahão, [58] vosso pae, exultou por ver o meu dia, [59] e viu-o, e alegrou-se.

57 Disseram-lhe pois os judeos: Ainda não tens cincoenta annos, e viste Abrahão?

58 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abrahão fosse feito [60] eu sou.

59 Então [61] pegaram em pedras para lhe atirarem; porém Jesus [62] occultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio d’elles, e assim se retirou.

[1] Lev. 20.10. Deu. 22.22.

[2] Deu. 17.7. Rom. 2.1.

[3] Rom. 2.22.

[4] Luc. 9.56 e 12.14. cap. 3.17 e 5.14.

[5] cap. 1.4, 5, 9 e 3.19 e 9.5 e 12.35, 36, 46.

[6] cap. 5.31.

[7] cap. 7.28 e 9.29.

[8] cap. 7.24 e 3.17 e 12.47 e 18.36.

[9] ver. 29. cap. 16.32.

[10] Deu. 17.6 e 19.15. Mat. 18.16. II Cor. 13.1. Heb. 10.28.

[11] cap. 5.37.

[12] ver. 55. cap. 16.3 e 14.7.

[13] Mar. 12.41.

[14] cap. 7.30.

[15] cap. 7.8.

[16] cap. 7.34 e 13.33.

[17] ver. 24.

[18] cap. 3.31.

[19] cap. 15.19 e 17.16. I João 4.5.

[20] ver. 21.

[21] Mar. 16.16.

[22] cap. 7.28.

[23] cap. 3.32 e 15.15.

[24] cap. 3.14 e 12.32.

[25] Rom. 1.4.

[26] cap. 5.19, 32.

[27] cap. 3.11.

[28] cap. 14.10, 11.

[29] ver. 16.

[30] cap. 4.34.

[31] cap. 7.31 e 10.42 e 11.45.

[32] Rom. 6.14, 18, 22 e 8.2. Thi. 1.25 e 2.12.

[33] Lev. 25.42. Mat. 3.9.

[34] Rom. 6.16, 20. II Ped. 2.19.

[35] Gal. 4.30.

[36] Rom. 8.2. Gal. 5.1.

[37] cap. 7.19. ver. 40.

[38] cap. 3.32 e 5.19, 30 e 14.10, 24.

[39] Mat. 3.9. ver. 33.

[40] Rom. 2.28 e 9.7. Gal. 3.7, 29.

[41] ver. 37.

[42] ver. 26.

[43] Isa. 63.16 e 64.8. Mal. 1.6.

[44] I João 5.1.

[45] cap. 16.27.

[46] cap. 5.43.

[47] cap. 7.17.

[48] Mat. 13.38. I João 3.8.

[49] Jud. 6.

[50] cap. 10.26, 27. I João 4.6.

[51] cap. 7.20 e 10.20. ver. 52.

[52] cap. 5.41 e 7.18.

[53] cap. 5.24 e 11.26.

[54] Zac. 1.5. Heb. 11.13.

[55] cap. 5.31.

[56] cap. 5.41 e 16.14. Act. 3.13.

[57] cap. 7.28, 29.

[58] Luc. 10.24.

[59] Heb. 11.13.

[60] Exo. 3.14. Col. 1.17. Apo. 1.8.

[61] cap. 10.31, 39 e 11.8.

[62] Luc. 4.30.

Cura d’um cego de nascença.

9 E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença.

2 E os seus discipulos lhe perguntaram, dizendo: Rabbi, [1] quem peccou, este ou seus paes, para que nascesse cego?

3 Jesus respondeu: Nem elle peccou nem seus paes; mas [2] foi para que se manifestem n’elle as obras de Deus.

4 Convém [3] que eu faça as obras d’aquelle que me enviou, emquanto é dia: a noite vem, quando ninguem pode trabalhar.

5 Emquanto estou no mundo, sou a luz [4] do mundo.

6 Tendo dito isto, [5] cuspiu na terra, e com o cuspo fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego.

7 E disse-lhe: Vae, lava-te [6] no tanque de Siloé (que significa o Enviado). [7] Foi pois, e lavou-se, e voltou vendo.

8 Então os visinhos, e aquelles que d’antes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquelle que estava assentado e mendigava?

9 Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com elle. Elle dizia: Eu sou.

10 Diziam-lhe pois: Como se te abriram os olhos?

11 Elle respondeu, e disse: [8] O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vae ao tanque de Siloé, e lava-te. E fui, e lavei-me, e vi.

12 Disseram-lhe pois: Onde está elle? Elle disse: Não sei.

13 Levaram pois aos phariseos o que d’antes era cego.

14 E era sabbado, quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.

15 Tornaram pois tambem os phariseos a perguntar-lhe como vira, e elle lhes disse: Poz-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo.

16 Por isso alguns dos phariseos diziam: Este homem não é de Deus; pois não guarda o sabbado. Diziam outros: [9] Como pode um homem peccador fazer taes signaes? E [10] havia dissensão entre elles.

17 Tornaram pois a dizer ao cego: Tu que dizes d’aquelle que te abriu os olhos? E elle disse: Que [11] é propheta.

18 Os judeos, porém, não creram que elle tivesse sido cego, e que agora visse, emquanto não chamaram os paes do que agora via.

19 E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como pois vê agora?

20 Seus paes lhes responderam, e disseram: Sabemos que este é nosso filho, e que nasceu cego;

21 Mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos: tem edade, perguntae-lh’o a elle mesmo; e elle fallará por si mesmo.

22 Seus paes [12] disseram isto, porque temiam os judeos. Porquanto já os judeos tinham resolvido que, se alguem confessasse ser elle o Christo, fosse expulso [13] da synagoga.

23 Por isso é que seus paes disseram: Tem edade, perguntae-lh’o a elle mesmo.

24 Chamaram pois segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: [14] Dá gloria a Deus; nós [15] sabemos que esse homem é peccador.

25 Respondeu elle pois, e disse: Se é peccador, não sei: uma coisa sei, que, havendo eu sido cego, agora vejo.

26 E tornaram a dizer-lhe: Que te fez elle? Como te abriu os olhos?

27 Respondeu-lhes: Já vol-o disse, e não ouvistes: para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos tambem seus discipulos?

28 Então o injuriaram, e disseram: Discipulo d’elle sejas tu: nós, porém, somos discipulos de Moysés.

29 Nós bem sabemos que Deus fallou a Moysés, [16] mas este não sabemos d’onde é.

30 O homem respondeu, e disse-lhes: [17] N’isto pois está a maravilha, que vós não saibaes d’onde elle é, e me abrisse os olhos;

31 Ora nós sabemos que [18] Deus não ouve a peccadores; mas, se alguem é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.

32 Desde todos os seculos nunca se ouviu que alguem abrisse os olhos a um que nasceu cego.

33 Se [19] este não fosse de Deus, nada poderia fazer.

34 Responderam elles, e disseram-lhe: Tu [20] és nascido todo em peccados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-n’o.

35 Jesus ouviu que o tinham expulsado, e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no [21] Filho de Deus?

36 Elle respondeu, e disse: Quem é elle, Senhor, para que n’elle creia?

37 E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é [22] aquelle que falla comtigo.

38 Elle disse: Creio, Senhor. E o adorou.

39 E disse-lhe Jesus: [23] Eu vim a este mundo para juizo, [24] a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos.

40 Aquelles dos phariseos, que estavam com elle, [25] ouvindo isto, disseram-lhe: Tambem nós somos cegos?

41 Disse-lhes Jesus: [26] Se fosseis cegos, não terieis peccado; mas agora dizeis: Vemos; por isso o vosso peccado permanece.

[1] ver. 34.

[2] cap. 11.4.

[3] cap. 4.34 e 5.19, 36.

[4] cap. 1.5, 9 e 3.19.

[5] Mar. 7.33 e 8.23.

[6] Neh. 3.15.

[7] II Reis 5.14.

[8] ver. 6, 7.

[9] ver. 33. cap. 3.2.

[10] cap. 7.12, 43 e 10.19.

[11] cap. 4.19 e 6.14.

[12] cap. 7.13. Act. 5.13.

[13] ver. 34. cap. 16.2.

[14] Jos. 7.19. I Sam. 6.5.

[15] ver. 16.

[16] cap. 8.14.

[17] cap. 3.10.

[18] Job 27.9. Pro. 1.28. Isa. 1.15. Jer. 11.11.

[19] ver. 16.

[20] ver. 2.

[21] Mat. 14.33. Mar. 1.1. I João 5.15.

[22] cap. 4.26.

[23] cap. 5.22, 27 e 3.17 e 12.47.

[24] Mat. 13.13.

[25] Rom. 2.19.

[26] cap. 15.22, 24.

Jesus, o bom pastor.

10 Na verdade, na verdade vos digo que aquelle que não entra pela porta no [AHT] curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.

2 Mas aquelle que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome ás suas ovelhas, e as traz para fóra.

4 E, quando tira para fóra as suas ovelhas, vae adiante d’ellas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz;

5 Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão d’elle, porque não conhecem a voz dos estranhos.

6 Jesus disse-lhes esta parabola; porém elles não entenderam o que era que lhes dizia.

7 Tornou pois Jesus a dizer-lhes: Em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.

8 Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.

9 Eu [1] sou a porta; se alguem entrar por mim, salvar-se-ha, e entrará, e sairá, e achará pasto.

10 O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir: eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundancia.

11 Eu [2] sou o bom Pastor: o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

12 Mas o mercenario, e o que não é pastor, de quem não são proprias as ovelhas, vê vir o lobo, [3] e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa.

13 Ora o mercenario foge, porque é mercenario, e não tem cuidado das ovelhas.

14 Eu sou o bom Pastor, [4] e conheço as minhas, e das minhas sou conhecido.

15 Assim [5] como o Pae me conhece a mim, tambem eu conheço o Pae, [6] e dou a minha vida pelas ovelhas.

16 Ainda tenho [7] outras ovelhas que não são d’este curral; tambem me convem trazer estas, e ellas ouvirão a minha voz, [8] e haverá um rebanho e um Pastor.

17 Por isso o Pae me ama, [9] porque dou a minha vida para tornar a tomal-a.

18 Ninguem m’a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho [10] poder para a dar, e poder para tornar a tomal-a. [11] Este mandamento recebi de meu Pae.

19 Tornou pois a haver divisão entre os judeos por causa d’estas palavras.

20 E [12] muitos d’elles diziam: Tem [13] demonio, e está fóra de si: porque o ouvis?

21 Diziam outros: Estas palavras não são de endemoninhado; pode [14] porventura um demonio abrir [15] os olhos aos cegos?

A festa da dedicação. Jesus, interrogado pelos judeos, declara-se o Messias, Filho de Deus. Desejam apedrejal-o, e elle retira-se para além do Jordão.

22 E em Jerusalem era a festa da dedicação, e era inverno.

23 E Jesus andava passeando no templo, [16] no alpendre de Salomão.

24 Rodearam-n’o pois os judeos, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Christo, dize-nol-o abertamente.

25 Respondeu-lhes Jesus: Já vol-o tenho dito, e não o crêdes. As [17] obras que eu faço, em nome de meu Pae, essas testificam de mim.

26 Mas [18] vós não crêdes, porque não sois das minhas ovelhas, como já vol-o tenho dito.

27 As [19] minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e ellas me seguem;

28 E dou-lhes a vida eterna, [20] e nunca perecerão, e ninguem as arrebatará da minha mão.

29 [21] Meu Pae, que m’as deu, é maior do que todos; e ninguem pode arrebatal-as da mão de meu Pae.

30 Eu [22] e o Pae somos um.

31 Os judeos pegaram então [23] outra vez em pedras para o apedrejar.

32 Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas de meu Pae; por qual d’estas obras me apedrejaes?

33 Os judeos responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por obra boa, mas pela blasphemia; porque, sendo tu homem, [24] te fazes Deus a ti mesmo.

34 Respondeu-lhes Jesus: [25] Não está escripto na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?

35 Pois, se a lei chamou deuses áquelles [26] a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escriptura não pode ser annullada),

36 A mim, [27] a quem o Pae sanctificou, e [28] enviou ao mundo, vós dizeis: Blasphemas; [29] porque disse: [30] Sou Filho de Deus?

37 Se [31] não faço as obras de meu Pae, não me acrediteis.

38 Porém, se as faço, e não crêdes em mim, crêde [32] nas obras; para que conheçaes e acrediteis que [33] o Pae está em mim e eu n’elle.

39 Procuravam [34] pois prendel-o outra vez, mas elle escapou-se de suas mãos,

40 E retirou-se outra vez para além do Jordão, para o [35] logar onde João tinha primeiramente baptizado; e ali ficou.

41 E muitos iam ter com elle, e diziam: Na verdade João não fez signal algum, [36] mas tudo quanto João disse d’este [37] era verdade.

42 E muitos ali crêram n’elle.

[1] cap. 14.6. Eph. 2.18.

[2] Isa. 40.11. Exo. 34.12, 23. Heb. 13.20. I Ped. 2.25.

[3] Zac. 11.16, 17.

[4] II Tim. 2.19.

[5] Mat. 11.27.

[6] cap. 15.13.

[7] Isa. 56.8.

[8] Eze. 37.22. I Ped. 2.25.

[9] Isa. 53.7, 8, 12. Heb. 2.9.

[10] cap. 2.19.

[11] cap. 6.38. Act. 2.24, 32.

[12] cap. 7.43 e 9.16.

[13] cap. 7.20 e 8.48, 52.

[14] Exo. 4.11.

[15] cap. 9.6, 7, 32, 33.

[16] Act. 3.11 e 5.12.

[17] ver. 38. cap. 3.2 e 5.36.

[18] cap. 8.47. I João 4.6.

[19] ver. 4, 14.

[20] cap. 6.37 e 17.11, 12.

[21] cap. 14.28 e 17.2, 6, etc.

[22] cap. 17.11, 22.

[23] cap. 8.59.

[24] cap. 5.18.

[25] Psa. 82.6.

[26] Rom. 13.1.

[27] cap. 6.27.

[28] cap. 3.17 e 5.36, 37.

[29] cap. 5.17, 18.

[30] Luc. 1.35, 37.

[31] cap. 15.24.

[32] cap. 5.36.

[33] cap. 14.10, 11.

[34] cap. 7.30, 44 e 8.59.

[35] cap. 1.28.

[36] cap. 3.30.

[37] cap. 8.30 e 11.45.

A resurreição de Lazaro.

[Anno Domini 33]

11 Estava então enfermo um certo Lazaro, de Bethania, aldeia de [1] Maria e de Martha, sua irmã.

2 E [2] Maria era a que ungiu o Senhor com unguento, e lhe enxugou os pés com os seus cabellos; cujo irmão Lazaro estava enfermo.

3 Mandaram-lhe pois suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquelle que tu amas.

4 E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, [3] mas para gloria de Deus; para que o Filho de Deus seja glorificado por ella.

5 Ora Jesus amava a Martha, e a sua irmã e a Lazaro.

6 Ouvindo pois que estava enfermo, [4] ficou ainda dois dias no logar onde estava.

7 Depois d’isto, disse aos seus discipulos: Vamos outra vez para a Judéa.

8 Dizem-lhe os discipulos: Rabbi, ainda agora [5] os judeos procuravam apedrejar-te, e tornas para lá?

9 Jesus respondeu: Não ha doze horas no dia? [6] Se alguem andar de dia, não tropeça, porque vê a luz d’este mundo;

10 Mas, se alguem [7] andar de noite, tropeça, porque n’elle não ha luz.

11 Isto fallou; e depois disse-lhes: Lazaro, o nosso amigo, [8] dorme, mas vou despertal-o do somno.

12 Disseram pois os seus discipulos: Senhor, se dorme, estará salvo.

13 Mas Jesus dizia isto da sua morte; elles, porém, cuidavam que fallava do repouso do dormir.

14 Então pois Jesus disse-lhes claramente: Lazaro está morto;

15 E folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis: porém vamos ter com elle.

16 Disse pois Thomé, chamado Didymo, aos condiscipulos: Vamos nós tambem, para morrermos com elle.

17 Chegando pois Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura

18 (Ora Bethania distava de Jerusalem quasi quinze estadios).

19 E muitos dos judeos tinham ido consolar a Martha e a Maria, ácerca de seu irmão.

20 Ouvindo pois Martha que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro: Maria, porém, ficou assentada em casa.

21 Disse pois Martha a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

22 Mas tambem agora [9] sei que tudo quanto pedires a Deus Deus t’o dará.

23 Disse-lhe Jesus: Teu irmão ha de resuscitar.

24 Disse-lhe Martha: [10] Eu sei que ha de resuscitar na resurreição do ultimo dia.

25 Disse-lhe Jesus: Eu sou [11] a resurreição e a [12] vida; [13] quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;

26 E todo aquelle que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?

27 Disse-lhe ella: Sim, [14] Senhor, creio que tu és o Christo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.

28 E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está cá, e chama-te.

29 Ella, ouvindo isto, levantou-se logo, e foi ter com elle.

30 Porque ainda Jesus não tinha chegado á aldeia, mas estava no logar onde Martha o encontrara.

31 Vendo [15] pois os judeos, que estavam com ella em casa e a consolavam, que Maria apressadamente se levantara e saira, seguiram-n’a, dizendo: Vae ao sepulchro para chorar ali.

32 Tendo pois Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos [16] seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

33 Jesus pois, vendo-a chorar, e os judeos que com ella vinham tambem chorando, moveu-se muito em espirito, e perturbou-se.

34 E disse: Onde o pozestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê.

35 Jesus [17] chorou.

36 Disseram pois os judeos: Vêde como o amava.

37 E alguns d’elles disseram: Não podia este, [18] que abriu os olhos ao cego, fazer tambem com que este não morresse?

38 Jesus pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, vem ao sepulchro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ella.

39 Disse Jesus: Tirae a pedra. Martha, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.

40 Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se crêres, [19] verás a gloria de Deus?

41 Tiraram pois a pedra d’onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pae, graças te dou, por me haveres ouvido.

42 Pois eu bem sei que sempre me ouves, [20] mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.

43 E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lazaro, sae para fóra.

44 E o defunto saiu, tendo as mãos e pés ligados com faxas, [21] e o seu rosto envolto n’um lenço. Disse-lhes Jesus: Desligae-o, e deixae-o ir.

45 Muitos pois d’entre os judeos, que tinham vindo a Maria, [22] e que tinham visto o que Jesus fizera, crêram n’elle.

Os phariseos formam conselho para matarem Jesus.

46 Mas alguns d’elles foram ter com os phariseos, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito.

47 Depois [23] os principaes dos sacerdotes e os phariseos formaram conselho, e diziam: [24] Que faremos? porque este homem faz muitos signaes.

48 Se o deixamos assim, todos crerão n’elle, e os romanos virão, e tirar-nos-hão o nosso logar e a nação.

49 E um d’elles, chamado [25] Caiphás, que era summo sacerdote n’aquelle anno, lhes disse: Vós nada sabeis,

50 Nem [26] consideraes que nos convem que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação.

51 Ora elle não disse isto de si mesmo, mas, sendo o summo sacerdote n’aquelle anno, prophetizou que Jesus devia morrer pela nação.

52 E [27] não sómente [28] pela nação, mas tambem para ajuntar em um corpo os filhos de Deus, que andavam dispersos.

53 Desde aquelle dia, pois, consultavam-se para o matarem.

54 Jesus, [29] pois, já não andava manifestamente entre os judeos, mas retirou-se d’ali para a terra junto do deserto, para uma cidade chamada [30] Ephraim; e ali andava com os seus discipulos.

55 E [31] estava proxima a paschoa dos judeos, e muitos d’aquella terra subiram a Jerusalem antes da paschoa para se purificarem.

56 Buscavam [32] pois a Jesus, e diziam uns aos outros, estando no templo: Que vos parece? Não virá á festa?

57 Ora os principaes dos sacerdotes e os phariseos tinham dado ordem para que, se alguem soubesse onde elle estava, o denunciasse, para o prenderem.

[1] Luc. 10.38, 39.

[2] Mat. 26.7. cap. 12.2.

[3] cap. 9.3. ver. 40.

[4] cap. 10.40.

[5] cap. 10.31.

[6] cap. 9.4.

[7] cap. 12.35.

[8] Deu. 31.16. Dan. 12.2. I Cor. 15.18, 51.

[9] cap. 9.31.

[10] Luc. 14.14. cap. 5.29.

[11] cap. 5.21.

[12] cap. 1.4. Col. 3.4. I João 1.1, 2.

[13] cap. 3.36. I João 5.10, etc.

[14] Mat. 16.16.

[15] ver. 19.

[16] ver. 21.

[17] Luc. 19.41.

[18] cap. 9.6.

[19] ver. 4, 23.

[20] cap. 12.30.

[21] cap. 20.7.

[22] cap. 2.23.

[23] Psa. 2.2.

[24] cap. 12.19.

[25] Luc. 3.2. cap. 18.14. Act. 4.6.

[26] cap. 18.14.

[27] Isa. 49.6. I João 2.2.

[28] Eph. 2.14, 15, 16, 17.

[29] cap. 4.1, 3 e 7.1.

[30] II Chr. 13.19.

[31] cap. 2.13 e 5.1.

[32] cap. 7.11.

Maria unge com unguento os pés de Jesus.

Mat. 26.6, etc. e refs.

12 Foi pois Jesus seis dias antes da paschoa a Bethania, [1] onde estava Lazaro, o que fallecera, e a quem resuscitara dos mortos.

2 Fizeram-lhe [2] pois ali uma ceia, e Martha servia, e Lazaro era um dos que estavam á mesa com elle.

3 Então [3] Maria, tomando um arratel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabellos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento.

4 Então um dos seus discipulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de trahil-o, disse:

5 Porque não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?

6 Ora elle disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, [4] e tinha a bolsa, e trazia o que n’ella se lançava.

7 Disse pois Jesus: Deixae-a; para o dia da minha sepultura guardou isto;

8 Porque [5] os pobres sempre os tendes comvosco; porém a mim nem sempre me tendes.

9 E muita gente dos judeos soube que elle estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas tambem para vêr a Lazaro, a quem [6] resuscitara dos mortos.

10 E [7] os principaes dos sacerdotes consultaram matar tambem a Lazaro;

11 Porque [8] muitos dos judeos, por causa d’elle, iam, e criam em Jesus.

A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem.

Mat. 21.1, etc. e refs.

12 No [9] dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera á festa, que Jesus ia de Jerusalem,

13 Tomaram ramos de palmeiras, e sairam-lhe ao encontro, e clamavam: [10] Hosanna: Bemdito o rei d’Israel que vem em nome do Senhor.

14 E [11] achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre elle, como está escripto:

15 Não [12] temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta.

16 Os [13] seus discipulos, porém, não entenderam isto no principio; [14] mas, quando Jesus foi glorificado, [15] então se lembraram de que isto estava escripto d’elle, e que isto lhe fizeram.

17 A multidão, pois, que estava com elle quando Lazaro foi chamado da sepultura, testificava que elle o resuscitara dos mortos.

18 Pelo [16] que a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido que elle fizera este signal.

19 Disseram pois os phariseos entre si: [17] Vêdes que nada aproveitaes? eis que o mundo vae após elle.

Alguns gregos desejam ver a Jesus. Jesus falla da sua glorificação; ouve-se uma voz do céu. Jesus, a luz do mundo.

20 E [18] havia alguns gregos, entre os [19] que tinham subido a adorar no dia da festa.

21 Estes, pois, dirigiram-se a Philippe, [20] que era de Bethsaida na Galilea, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queriamos vêr a Jesus.

22 Philippe foi dizel-o a André, e então André e Philippe o disseram a Jesus.

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