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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 3 of 11)

Part 3 of 11 · Unknown author · Public domain text

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Contents (11)

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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 3 of 11)

18 E de Zebulon disse: [18] Zebulon, alegra-te nas tuas saidas; e tu, Issacar, nas tuas tendas.

19 Elles chamarão [19] os povos ao monte: ali offerecerão offertas de justiça, porque chuparão a abundancia dos mares e os thesouros escondidos da areia.

20 E de Gad [20] disse: Bemdito aquelle que faz dilatar a Gad, habita como a leoa, e despedaça o braço e alto da cabeça.

21 E se [21] proveu do primeiro, porquanto ali estava escondida a porção do legislador: pelo que veiu com os chefes do povo, executou a justiça do Senhor e os seus juizos para com Israel.

22 E de Dan disse: Dan é leãozinho; saltará de [22] Basan.

23 E de Naphtali disse: Farta-te, ó Naphtali, da benevolencia, e [23] enchete da benção do Senhor; possue o occidente e o meio dia.

24 E de Aser disse: Bemdito seja Aser com seus filhos, [24] agrade a seus irmãos, e banhe em azeite o seu pé.

25 O ferro e o metal [25] será o teu calçado; e a tua força será como os teus dias.

26 Não ha outro, ó Jeshurun, similhante a Deus! [26] que cavalga sobre os céus para a tua ajuda, e com a sua alteza sobre as mais altas nuvens.

27 O Deus eterno te seja [27] por habitação, e por baixo sejam os braços eternos: e elle lance o inimigo de diante de ti, e diga: Destroe-o.

28 Israel pois habitará [28] só seguro, na terra da fonte de Jacob, na terra de grão e de mosto: e os seus céus gotejarão orvalho.

29 Bemaventurado tu, ó [29] Israel! quem é como tu? um povo salvo pelo Senhor, [30] o escudo do teu soccorro, e a espada da tua alteza: [31] pelo que os teus inimigos te serão sujeitos, e tu pisarás sobre as suas alturas.

[1] Gen. 49.28. Psa. 90.1.

[2] Exo. 19.18. Jui. 5.4, 5. Hab. 3.3. Dan. 7.10. Act. 7.53. Gal. 3.19. Heb. 2.2. Apo. 5.11.

[3] Exo. 19.5. Ose. 11.1. Mal. 1.2.

[4] cap. 7.6. I Sam. 2.9. Luc. 10.39. Act. 22.3. Pro. 2.1.

[5] João 1.17. Psa. 119.111.

[6] Gen. 30.31. Jui. 9.2 e 17.6. cap. 32.15.

[7] Gen. 49.8. Psa. 146.5.

[8] Exo. 28.30 e 17.7. Num. 20.13. cap. 8.2, 3. Psa. 8.8.

[9] Gen. 29.32. I Chr. 17.17. Job 37.24. Exo. 32.26.

[10] Jer. 18.18. Mal. 2.5, 6.

[11] Lev. 10.11. cap. 17.9. Eze. 44.23. Mal. 2.7. Exo. 30.7, 8. Num. 16.40. I Sam. 2.28. Lev. 1.9. Eze. 43.27.

[12] II Sam. 24.23. Eze. 20.40.

[13] Gen. 49.25 e 27.28.

[14] Gen. 49.26. Hab. 3.6.

[15] Exo. 3.2, 4. Act. 7.30, 35. Gen. 49.26.

[16] I Chr. 5.7. Num. 23.22. I Reis 22.11.

[17] Gen. 48.19.

[18] Gen. 49.13, 14, 15.

[19] Isa. 2.3. Psa. 4.6.

[20] Jos. 13.10, etc. I Chr. 12.8, etc. Jos. 4.12.

[21] Num. 32.16, 17, etc. Jos. 4.12.

[22] Jos. 19.47. Jui. 18.27.

[23] Gen. 49.21. Jos. 19.32, etc.

[24] Gen. 49.20. Job 29.6.

[25] cap. 8.9.

[26] Exo. 15.11. Jer. 10.6. cap. 32.15. Psa. 68.5. Hab. 3.8.

[27] Psa. 88.1. cap. 9.3, 4, 5.

[28] Num. 23.9. Jer. 23.6 e 33.16. cap. 8.7, 8. Gen. 27.28. cap. 11.11.

[29] Psa. 144.15. II Sam. 7.23.

[30] Psa. 115.9, 10, 11.

[31] II Sam. 22.45. Psa. 18.44. cap. 32.13.

Moysés sobe ao monte Nebo, vê a terra promettida e morre.

34 Então subiu Moysés das campinas de Moab ao monte Nebo, ao [1] cume de Pisga, que está defronte de Jericó; e o Senhor mostrou-lhes toda a terra desde Gilead até Dan;

2 E todo Naphtali, e a terra d’Ephraim, e Manasseh; e toda a terra de Judah, até [2] ao mar [3] ultimo;

3 E o sul, e a campina do valle de Jericó, a cidade das palmeiras até Zoar.

4 E disse-lhe o Senhor: Esta é [4] a terra de que jurei a Abrahão, Isaac, e Jacob, dizendo: Á tua semente a darei: mostro-t’a para a veres com os teus olhos; porém lá não passarás.

5 Assim morreu ali [5] Moysés, servo do Senhor, na terra de Moab, conforme ao dito do Senhor.

6 E o sepultou n’um valle, na terra de Moab, defronte de Beth-peor; [6] e ninguem tem sabido até hoje a sua sepultura.

7 Era Moysés [7] da edade de cento e vinte annos quando morreu: os seus olhos nunca se escureceram, nem perdeu o seu vigor.

8 E os filhos d’Israel prantearam a Moysés trinta dias nas campinas de Moab: [8] e os dias do pranto do luto de Moysés se cumpriram.

9 E Josué, filho de Nun, [9] foi cheio do espirito de sabedoria, porquanto Moysés tinha posto sobre elle as suas mãos: assim os filhos d’Israel lhe deram ouvidos, e fizeram como o Senhor ordenara a Moysés.

10 E nunca mais se [10] levantou em Israel propheta algum como Moysés, a quem o Senhor conhecera cara a cara;

11 Nem similhante em todos os signaes [11] e maravilhas, a que o Senhor o enviou para fazer na terra do Egypto, a Pharaó, e a todos os seus servos, e a toda a sua terra;

12 E em toda a mão forte, e em todo o espanto grande, que obrou Moysés aos olhos de todo o Israel.

[1] Num. 27.12 e 33.47. cap. 32.49 e 3.27. Gen. 14.14.

[2] cap. 11.24.

[3] Jui. 1.16 e 3.13. II Chr. 28.15.

[4] Gen. 12.7 e 13.15 e 15.18 e 26.3 e 28.13. cap. 3.27 e 32.52.

[5] cap. 32.50. Jos. 1.1, 2.

[6] Jud. 9.

[7] cap. 31.2. Gen. 27.1 e 48.10. Jos. 14.10, 11.

[8] Gen. 50.3, 10. Num. 20.29.

[9] Isa. 11.2. Dan. 6.3. Num. 27.18, 23.

[10] cap. 18.15, 18. Exo. 33.11. Num. 12.6, 8. cap. 5.4.

[11] cap. 4.34 e 7.19.

O LIVRO DE JOSUÉ.

Deus falla a Josué e anima-o.

[Antes de Christo 1451]

1 E succedeu depois da morte de Moysés, servo do Senhor, que o Senhor fallou a Josué, filho de [1] Nun, servo de Moysés, dizendo:

2 Moysés, meu [2] servo, é morto: levanta-te pois agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, a terra que eu dou aos filhos d’Israel.

3 Todo o logar [3] que pisar a planta do vosso pé vol-o tenho dado, como eu disse a Moysés.

4 Desde o deserto [4] e desde este Libano, até ao grande rio, o rio Euphrates, toda a terra dos hetheos, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo.

5 Nenhum [5] se susterá diante de ti, todos os dias da tua vida: como fui com Moysés, [6] assim serei comtigo: não te deixarei nem te desampararei.

6 Esforça-te, e tem bom animo: porque [7] tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus paes lhes daria.

7 Tão sómente esforça-te e tem mui bom animo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei [8] que meu servo Moysés te ordenou; d’ella não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.

8 Não se aparte da tua bocca o livro d’esta lei; [9] antes medita n’elle dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto n’elle está escripto; porque então farás prosperar o teu caminho, e então prudentemente te conduzirás.

9 Não t’o mandei eu? [10] esforça-te, e tem bom animo; não pasmes, nem te espantes: porque o Senhor teu Deus é comtigo, por onde quer que andares.

Josué prepara o povo para passar o Jordão.

10 Então deu ordem Josué aos principes do povo, dizendo:

11 Passae pelo meio do arraial, e ordenae ao povo, dizendo: Provei-vos de comida, porque dentro de [11] tres dias passareis este Jordão, para que entreis a possuir a terra que vos dá o Senhor vosso Deus, que possuaes.

12 E fallou Josué aos rubenitas, e aos gaditas, e á meia tribu de Manasseh, dizendo:

13 Lembrae-vos da palavra que vos mandou Moysés, [12] o servo do Senhor, dizendo: O Senhor vosso Deus vos dá descanço, e vos dá esta terra.

14 Vossas mulheres, vossos meninos e vosso gado fiquem na terra que Moysés vos deu d’esta banda do Jordão; porém vós passareis armados na frente de vossos irmãos, todos os valentes e valorosos, e ajudal-os-heis;

15 Até que o Senhor dê descanço a vossos irmãos, como a vós, e elles tambem possuam a terra que o Senhor vosso Deus lhes dá; [13] então tornareis á terra da vossa herança, e possuireis a que vos deu Moysés, o servo do Senhor, d’esta banda do Jordão, para o nascente do sol.

16 Então responderam a Josué, dizendo: Tudo quanto nos ordenaste faremos, e onde quer que nos enviares iremos.

17 Como em tudo ouvimos a Moysés, assim te ouviremos a ti: tão sómente que o Senhor teu Deus seja comtigo, [14] como foi com Moysés.

18 Todo o homem, que fôr rebelde á tua bocca, e não ouvir as tuas palavras em tudo quanto lhe mandares, morrerá: tão sómente esforça-te, e tem bom animo.

[1] Exo. 24.13. Deu. 1.38.

[2] Deu. 34.5.

[3] Deu. 11.24. cap. 14.9.

[4] Gen. 15.18. Exo. 23.31. Num. 44.3-12.

[5] Deu. 7.24.

[6] Exo. 3.12. ver. 9, 17. Deu. 31.8, 23. cap. 3.7 e 6.27. Isa. 43.2, 5. Deu. 31.6, 8. Heb. 13.5.

[7] Deu. 31.23.

[8] Num. 27.23. Deu. 31.7. cap. 11.15. Deu. 5.32 e 28.14.

[9] Deu. 17.18. Psa. 1.2.

[10] Deu. 31.7, 8, 23. Psa. 27.1. Jer. 1.8.

[11] Deu. 9.1 e 11.31. cap. 3.2.

[12] Num. 32.20, 28. cap. 22.2, 3, 4.

[13] cap. 22.4, etc.

[14] ver. 5. I Sam. 20.13. I Reis 1.37.

Josué envia dois espias a Jericó.

2 E enviou Josué, filho de Nun, dois homens desde [1] Sittim a espiar secretamente, dizendo: Andae, considerae a terra, e a Jericó. Foram pois, e entraram na casa d’uma mulher prostituta, cujo [2] nome era Rahab, e dormiram ali.

2 Então deu-se noticia ao [3] rei de Jericó, dizendo: Eis-que esta noite vieram aqui uns homens dos filhos d’Israel, para espiar a terra.

3 Pelo que enviou o rei de Jericó a Rahab, dizendo: Tira fóra os homens que vieram a ti, e entraram na tua casa, porque vieram espiar toda a terra.

4 Porém aquella mulher [4] tomou a ambos aquelles homens, e os escondeu, e disse: É verdade que vieram homens a mim, porém eu não sabia d’onde eram.

5 E aconteceu que, havendo-se de fechar a porta, sendo já escuro, aquelles homens sairam; não sei para onde aquelles homens se foram: ide após d’elles depressa, porque vós os alcançareis.

6 Porém [5] ella os tinha feito subir ao telhado, e os tinha escondido entre as canas do linho, que puzera em ordem sobre o telhado.

7 E foram-se aquelles homens após d’elles pelo caminho do Jordão, até aos váos: e fechou-se a porta, havendo saido os que iam após d’elles.

8 E, antes que elles dormissem, ella subiu a elles sobre o telhado;

9 E disse aos homens: Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor [6] de vós caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados diante de vós.

10 Porque temos ouvido [7] que o Senhor seccou as aguas do Mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egypto, e o que fizestes aos dois reis dos amorrheos, a Sehon e a Og, que estavam d’além do Jordão, os quaes destruistes.

11 O que ouvindo, [8] desmaiou o nosso coração, e em ninguem mais ha animo algum, por causa da vossa presença: porque o Senhor vosso Deus [9] é Deus em cima nos céus e em baixo na terra.

12 Agora pois, [10] jurae-me, vos peço, pelo Senhor, pois que vos fiz beneficencia, que vós tambem fareis beneficencia á casa de meu pae, e dae-me um certo signal.

13 De que dareis a vida a meu pae e a minha mãe, como tambem a meus irmãos e a minhas irmãs, com tudo o que teem, e de que livrareis as nossas vidas da morte.

14 Então aquelles homens responderam-lhe: A nossa vida responderá pela vossa até ao ponto de morrer, se não denunciardes este nosso negocio, e será pois que, dando-nos o Senhor esta terra, usaremos [11] comtigo de beneficencia e de fidelidade.

15 Ella então os fez descer [12] por uma corda pela janella, porquanto a sua casa estava sobre o muro da cidade, e ella morava sobre o muro.

16 E disse-lhes: Ide-vos ao monte, para que, porventura, vos não encontrem os perseguidores, e escondei-vos lá tres dias, até que voltem os perseguidores, e depois ide pelo vosso caminho.

17 E disseram-lhe aquelles homens: Desobrigados [13] seremos d’este teu juramento que nos fizeste jurar.

18 Eis que, vindo nós á [14] terra, atarás este cordão de fio d’escarlata á janella por onde nos fizeste descer; e recolherás em casa comtigo a teu [15] pae, e a tua mãe, e a teus irmãos e a toda a familia de teu pae.

19 Será pois que qualquer que sair fóra da porta da tua casa o seu sangue será [16] sobre a sua cabeça, e nós seremos sem culpa; mas qualquer que estiver comtigo em casa o seu sangue seja sobre a nossa cabeça, se n’elle se puzer mão.

20 Porém, se tu denunciares este nosso negocio, seremos desobrigados do teu juramento, que nos fizeste jurar.

21 E ella disse: Conforme ás vossas palavras, assim seja. Então os despediu; e elles se foram; e ella atou o cordão d’escarlata á janella.

22 Foram-se pois, e chegaram ao monte, e ficaram ali tres dias, até que voltaram os perseguidores, porque os perseguidores os buscaram por todo o caminho, porém não os acharam.

23 Assim aquelles dois homens voltaram, e desceram do monte, e passaram, e vieram a Josué, filho de Nun, e contaram-lhe tudo quanto lhes acontecera;

24 E disseram a Josué: [17] Certamente o Senhor tem dado toda esta terra nas nossas mãos, pois até todos os moradores estão desmaiados diante de nós.

[1] Num. 25.1.

[2] Heb. 11.31. Thi. 2.25. Mat. 1.5.

[3] Psa. 127.1. Pro. 21.30.

[4] II Sam. 17.19, 20.

[5] Exo. 1.17.

[6] Gen. 35.5. Exo. 23.27. Deu. 2.25 e 11.25.

[7] Exo. 14.21. cap. 4.23. Num. 21.21, 34, 35.

[8] Exo. 15.14. cap. 5.1 e 7.5. Isa. 13.7.

[9] Deu. 4.39.

[10] I Sam. 20.14, 15, 17. I Tim. 5.8. ver. 18.

[11] Jui. 1.24. Mat. 5.7.

[12] Act. 9.25.

[13] Exo. 20.7.

[14] ver. 12.

[15] cap. 6.23.

[16] Mat. 27.25.

[17] Exo. 23.31. cap. 6.2 e 21.44.

A passagem do Jordão.

3 Levantou-se pois Josué de madrugada, e partiram de Sittim, [1] e vieram até ao Jordão, elle e todos os filhos d’Israel: e pousaram ali, antes que passassem.

2 E succedeu, ao fim de tres dias, que os principes passaram pelo meio do arraial;

3 E ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes [2] a arca do concerto do Senhor vosso Deus, e que os sacerdotes levitas a levam, parti vós tambem do vosso logar, e segui-a.

4 Haja comtudo distancia entre vós e ella, como da [3] medida de dois mil covados: e não vos chegueis a ella, para que saibaes o caminho pelo qual haveis d’ir; porquanto por este caminho nunca passastes antes.

5 Disse Josué [4] tambem ao povo: Sanctificae-vos, porque ámanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós.

6 E fallou Josué aos sacerdotes, dizendo: Levantae [5] a arca do concerto, e passae adiante d’este povo. Levantaram pois a arca do concerto, e foram andando adiante do povo.

7 E o Senhor disse a Josué: Este dia começarei a engrandecer-te [6] perante os olhos de todo o Israel, para que saibam, que assim como fui com Moysés assim serei comtigo.

8 Tu pois ordenarás aos sacerdotes que [7] levam a arca do concerto, dizendo: Quando vierdes até á borda das aguas do Jordão, parareis no [8] Jordão.

9 Então disse Josué aos filhos d’Israel: Chegae-vos para cá, e ouvi as palavras do Senhor vosso Deus.

10 Disse mais Josué: N’isto conhecereis [9] que o Deus vivo está no meio de vós: e que de todo lançará de diante de vós aos cananeos, e aos hetheos, e aos heveos, e aos phereseos, e aos girgaseos, e aos amorrheos, e aos jebuseos.

11 Eis que a arca do concerto do Senhor de toda a [10] terra passa o Jordão diante de vós.

12 Tomae-vos pois agora doze homens [11] das tribus d’Israel, de cada tribu um homem;

13 Porque ha de acontecer que, assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que [12] levam a arca do Senhor, o Senhor de toda a terra, repousem nas aguas do Jordão, se separarão as aguas do Jordão, e as [13] aguas que de cima descem pararão n’um montão.

14 E aconteceu que, partindo o povo das suas tendas, para passar o Jordão, levavam [14] os sacerdotes a arca do concerto diante do povo.

15 E os que levavam a arca, quando chegaram até ao Jordão, e os pés [15] dos sacerdotes que levavam a arca, se molharam na borda das aguas, (porque o Jordão trasbordava sobre todas as suas ribanceiras, todos os dias da sega),

16 Pararam-se as aguas, que vinham de cima; levantaram-se n’um montão, mui longe da cidade d’Adam, que está da banda de Santan; [16] e as que desciam ao mar [HR] das campinas, que é o mar salgado, faltavam de todo e separaram-se: então passou o povo defronte de Jericó.

17 Porém os sacerdotes, que levavam a arca do concerto do Senhor, pararam firmes em secco no meio do Jordão: [17] e todo o Israel passou em secco, até que todo o povo acabou de passar o Jordão.

[1] cap. 2.1.

[2] Num. 10.33. Deu. 31.9, 25.

[3] Exo. 19.12.

[4] Exo. 19.10, 14, 15. Lev. 20.7. Num. 11.18. cap. 7.13. I Sam. 16.5. Joel 2.16.

[5] Num. 4.15.

[6] cap. 4.14. I Chr. 29.25. II Chr. 1.1. cap. 1.5.

[7] ver. 3.

[8] ver. 17.

[9] Deu. 5.26. I Sam. 17.26. II Reis 19.4. Ose. 1.10. Mat. 16.16. I The. 1.9. Exo. 33.2. Deu. 7.1.

[10] ver. 13. Miq. 4.13. Zac. 4.14 e 6.5.

[11] cap. 4.2.

[12] ver. 11, 15, 16.

[13] Psa. 78.13 e 114.3.

[14] Act. 7.45.

[15] ver. 13. I Chr. 12.15. Jer. 12.5 e 49.19. cap. 4.18 e 5.10, 12.

[16] I Reis 4.12 e 7.46. Deu. 3.17. Gen. 14.3. Num. 34.3.

[17] Exo. 14.29.

As doze pedras tiradas do meio do Jordão.

4 Succedeu pois que, acabando todo o povo de passar o Jordão, [1] fallou o Senhor a Josué, dizendo:

2 Tomae-vos do povo doze [2] homens, de cada tribu um homem;

3 E mandae-lhes, dizendo: Tomae-vos d’aqui, do meio do Jordão, [3] do logar do assento dos pés dos sacerdotes, doze pedras; e levae-as comvosco á outra banda e depositae-as no alojamento em que haveis de passar esta noite.

4 Chamou pois Josué os doze homens, que escolhera dos filhos d’Israel: de cada tribu um homem;

5 E disse-lhes Josué: Passae diante da arca do Senhor vosso Deus, ao meio do Jordão; e levantae vós cada um uma pedra sobre o seu hombro, segundo o numero das tribus dos filhos de Israel;

6 Para que isto seja por signal entre vós; e quando vossos filhos [4] no futuro perguntarem, dizendo: Que vos significam estas pedras?

7 Então lhes direis [5] que as aguas do Jordão se separaram diante da arca do concerto do Senhor; passando ella pelo Jordão, separaram-se as aguas do Jordão: assim que estas pedras serão para sempre por memorial aos filhos de [6] Israel.

8 Fizeram pois os filhos d’Israel assim como Josué tinha ordenado, e levantaram doze pedras do meio do Jordão, como o Senhor dissera a Josué, segundo o numero das tribus dos filhos de Israel: e levaram-n’as comsigo ao alojamento, e as depositaram ali.

9 Levantou Josué tambem doze pedras no meio do Jordão, do logar do assento dos pés dos sacerdotes, que levavam a arca do concerto: e ali estão até _ao dia d’_hoje.

10 Pararam pois os sacerdotes, que levavam a arca, no meio do Jordão, em pé, até que se cumpriu quanto o Senhor a Josué mandara dizer ao povo, conforme a tudo quanto Moysés tinha ordenado a Josué; e apressou-se o povo, e passou.

11 E succedeu que, assim que todo o povo acabou de passar, então passou a arca do Senhor, e os sacerdotes á vista do povo.

12 E passaram os filhos [7] de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh, armados na frente dos filhos d’Israel, como Moysés lhes tinha dito;

13 Uns quarenta mil homens de guerra armados passaram diante do Senhor para batalha, ás campinas de Jericó.

14 N’aquelle dia o Senhor engrandeceu [8] a Josué diante dos olhos de todo o Israel: e temeram-n’o, como haviam temido a Moysés, todos os dias da sua vida.

15 Fallou pois o Senhor a Josué, dizendo:

16 Dá ordem aos sacerdotes, que levam [9] a arca do testemunho, que subam do Jordão.

17 E deu Josué ordem aos sacerdotes, dizendo: Subi do Jordão.

18 E aconteceu que, como os sacerdotes, que levavam a arca do concerto do Senhor, subiram do meio do Jordão, e as plantas dos pés dos sacerdotes se pozeram em secco, as aguas do Jordão se tornaram ao seu logar, e corriam, [10] como antes, sobre todas as suas ribanceiras.

19 Subiu pois o povo do Jordão no dia dez do mez primeiro: e alojaram-se em Gilgal, [11] da banda oriental de Jericó.

20 E as doze pedras, [12] que tinham tomado do Jordão, levantou Josué em Gilgal.

21 E fallou aos filhos d’Israel, [13] dizendo: Quando no futuro vossos filhos perguntarem a seus paes, dizendo: Que significam estas pedras?

22 Fareis saber a vossos filhos, dizendo: Israel passou [14] em secco este Jordão.

23 Porque o Senhor vosso Deus fez seccar [15] as aguas do Jordão diante de vós, até que passasseis; como o Senhor vosso Deus fez ao Mar Vermelho, que fez seccar perante nós, até que passámos.

24 Para que [16] todos os povos da terra conheçam a mão do Senhor, que é forte: para que temaes ao [17] Senhor vosso Deus todos os dias.

[1] Deu. 27.2. cap. 3.17.

[2] cap. 3.12.

[3] cap. 3.13. ver. 19, 20.

[4] ver. 21. Exo. 12.26 e 13.14. Deu. 6.20. Psa. 44.2.

[5] cap. 3.13, 16.

[6] Exo. 12.14. Num. 16.40.

[7] Num. 32.20, 27, 28.

[8] cap. 3.7.

[9] Exo. 25.16, 22.

[10] cap. 3.15.

[11] cap. 5.9.

[12] ver. 3.

[13] ver. 6.

[14] cap. 3.17.

[15] Exo. 14.21.

[16] I Reis 8.42, 43. II Reis 19.19. Psa. 106.8. Exo. 15.16. I Chr. 29.12.

[17] Exo. 14.31. Deu. 6.2. Jer. 10.7.

A circumcisão dos filhos de Israel.

5 E succedeu que, ouvindo todos os reis dos amorrheos, que habitavam d’esta banda do Jordão, ao occidente, e todos os reis dos cananeos, [1] que estavam ao pé do mar, que o Senhor tinha seccado as aguas do Jordão, de diante dos filhos d’Israel, até que passámos, [2] derreteu-se-lhes o coração, e não houve mais animo n’elles, por causa dos filhos d’Israel.

2 N’aquelle tempo disse o Senhor a Josué: Faze facas de [HS] pedra, e torna a circumcidar segunda vez aos filhos d’Israel.

3 Então Josué fez para si facas de [3] pedra, e circumcidou aos filhos d’Israel no monte dos prepucios.

4 E foi esta a causa por que Josué os circumcidou: todo [4] o povo que tinha saido do Egypto, os machos, todos os homens de guerra, eram já mortos no deserto, pelo caminho, depois que sairam do Egypto.

5 Porque todo o povo que saira estava circumcidado, mas a nenhum do povo que nascera no deserto, pelo caminho, depois de terem saido do Egypto, haviam circumcidado.

6 Porque quarenta annos [5] andaram os filhos d’Israel pelo deserto, até se acabar toda a nação, os homens de guerra, que sairam do Egypto, e não obedeceram á voz do Senhor: aos quaes o Senhor [6] tinha jurado que lhes não havia de deixar ver a terra que o Senhor jurara a seus paes dar-nos; terra que mana leite e mel.

7 Porém em seu [7] logar poz a seus filhos; a estes Josué circumcidou: porquanto estavam incircumcisos, porque os não circumcidaram no caminho.

8 E aconteceu que, acabando de circumcidar a toda a nação, ficaram no seu logar no arraial, [8] até que sararam.

9 Disse mais o Senhor a [9] Josué: Hoje revolvi de sobre vós o opprobrio do Egypto; pelo que o nome d’aquelle logar se chamou [HT] Gilgal, até _ao dia d’_hoje.

Celebra-se a paschoa.

10 Estando pois os filhos d’Israel alojados em Gilgal, celebraram a paschoa no dia quatorze do [10] mez, á tarde, nas campinas de Jericó.

11 E comeram do trigo da terra do anno antecedente, ao outro dia depois da paschoa, pães asmos e espigas tostadas, no mesmo dia.

12 E cessou o manná [11] no dia seguinte, depois que comeram do trigo da terra do anno antecedente; e os filhos d’Israel não tiveram mais manná; porém no mesmo anno comeram das novidades da terra de Canaan.

Um anjo apparece a Josué.

13 E succedeu que, estando Josué ao pé de Jericó, levantou os seus olhos, e olhou; e eis-que se poz em pé diante d’elle um homem [12] que tinha na mão uma espada nua: e chegou-se Josué a elle, e disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?

14 E disse elle: Não, mas venho agora como [HU] principe do exercito do Senhor. Então Josué se prostrou sobre [13] o seu rosto na terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?

15 Então disse o principe do exercito do Senhor a Josué: [14] Descalça os sapatos de teus pés, porque o logar em que estás é sancto. E fez Josué assim.

[1] Num. 13.29. Exo. 15.14, 15. cap. 2.9, 10, 11. Psa. 48.7. Eze. 21.7.

[2] I Reis 10.5.

[3] Exo. 4.25.

[4] Num. 14.29 e 23.64, 65. Deu. 2.16.

[5] Num. 14.33. Deu. 1.3. Psa. 95.10, 11.

[6] Num. 14.23. Heb. 3.11. Exo. 3.8.

[7] Num. 14.31. Deu. 1.39.

[8] Gen. 34.25.

[9] Gen. 34.14. I Sam. 14.6. Lev. 18.3. cap. 24.14. Eze. 20.10. cap. 4.19.

[10] Exo. 12.6. Num. 9.5.

[11] Exo. 16.35.

[12] Gen. 18.2 e 32.24. Exo. 23.23. Zac. 1.8. Act. 1.10. Num. 22.23.

[13] Gen. 17.3.

[14] Exo. 3.5. Act. 7.33.

Jericó é destruida, Rahab é salva.

6 Ora Jericó cerrou-se, e estava cerrada por causa dos filhos d’Israel: nenhum sahia nem entrava.

2 Então disse o Senhor a Josué: Olha, [1] tenho dado na tua mão a Jericó e ao seu rei, os seus valentes e valorosos.

3 Vós pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando a cidade uma vez: assim fareis por seis dias.

4 E sete sacerdotes levarão sete buzinas [2] de carneiros diante da arca, e no setimo dia rodeareis a cidade sete vezes: e os sacerdotes [3] tocarão as buzinas.

5 E será que, tocando-se longamente a buzina de carneiro, ouvindo vós o sonido da buzina, todo o povo gritará com grande grita: e o muro da cidade cairá abaixo de si, e o povo subirá n’elle, cada qual em frente de si.

6 Então chamou Josué, filho de Nun, aos sacerdotes, e disse-lhes: Levae a arca do concerto; e sete sacerdotes levem sete buzinas de carneiros, diante da arca do Senhor.

7 E disse ao povo: Passae e rodeae a cidade; e quem estiver armado, passe diante da arca do Senhor.

8 E assim foi, como Josué dissera ao povo, que os sete sacerdotes, levando as sete buzinas de carneiros diante do Senhor, passaram, e tocaram as buzinas: e a arca do concerto do Senhor os seguia.

9 E os armados iam adiante dos sacerdotes, que tocavam as buzinas: e a rectaguarda seguia após [4] da arca, andando e tocando as buzinas.

10 Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa bocca, até ao dia que eu vos diga: Gritae. Então gritareis.

11 E fez a arca do Senhor rodeiar a cidade, rodeiando-a uma vez: e vieram ao arraial, e passaram a noite no arraial.

12 Depois Josué se levantou de madrugada, e os sacerdotes levaram [5] a arca do Senhor.

13 E os sete sacerdotes, que levavam as sete buzinas de carneiros diante da arca do Senhor, iam andando, e tocavam as buzinas, e os armados iam adiante d’elles, e a rectaguarda seguia atraz da arca do Senhor; os sacerdotes iam andando e tocando as buzinas.

14 Assim rodeiaram outra vez a cidade no segundo dia e tornaram para o arraial: e assim fizeram seis dias.

15 E succedeu que ao setimo dia madrugaram ao subir da alva, e da mesma maneira rodeiaram a cidade sete vezes: n’aquelle dia sómente rodeiaram a cidade sete vezes.

16 E succedeu que, tocando os sacerdotes a setima vez as buzinas, disse Josué ao povo: Gritae; porque o Senhor vos tem dado a cidade.

17 Porém a cidade será [HV] anathema ao Senhor, ella e tudo quanto houver n’ella: sómente a prostituta Rahab viverá, ella e todos os que com ella estiverem em casa; porquanto escondeu [6] os mensageiros que enviámos.

18 Tão sómente guardae-vos do anathema, [7] para que não vos mettaes em anathema tomando d’ella, e assim façaes [HW] maldito o arraial de Israel, e [8] o turbeis.

19 Porém toda a prata, e o oiro, e os vasos de metal, e de ferro, são consagrados ao Senhor: irão ao thesouro do Senhor.

20 Gritou pois o povo, tocando os sacerdotes as buzinas: e succedeu que, ouvindo o povo o sonido da buzina, gritou o povo com grande grita; e [9] o muro caiu abaixo, e o povo subiu á cidade, cada qual em frente de si, e tomaram a cidade.

21 E, tudo quanto [10] na cidade havia, [HX] destruiram totalmente ao fio da espada, desde o homem até á mulher, desde o menino até ao velho, e até ao boi e gado miudo, e ao jumento.

22 Josué, porém, disse aos dois homens que tinham espiado a terra: Entrae na casa da mulher prostituta, e tirae de lá a mulher com tudo quanto tiver, como lhe tendes [11] jurado.

23 Então entraram os mancebos espias, e tiraram a Rahab, e a seu [12] pae, e a sua mãe, e a seus irmãos, e a tudo quanto tinha; tiraram tambem a todas as suas familias, e pozeram-n’os fóra do arraial d’Israel.

24 Porém a cidade e tudo quanto havia n’ella queimaram-n’o a fogo: tão sómente a prata, e o [13] oiro, e os vasos de metal e de ferro, deram para o thesouro da casa do Senhor.

25 Assim deu Josué vida á prostituta Rahab, e á familia de seu pae, e a tudo quanto tinha; e habitou no meio de Israel [14] até ao dia de hoje: porquanto escondera os mensageiros que Josué tinha enviado a espiar a Jericó.

26 E n’aquelle tempo Josué os esconjurou, dizendo: Maldito [15] diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó: no seu primogenito a fundará, e no seu filho mais novo lhe porá as portas.

27 Assim era o Senhor com [16] Josué: e corria a sua fama por toda a terra.

[1] cap. 2.9, 24 e 8.1. Deu. 7.24.

[2] Jui. 7.16, 22.

[3] Num. 10.8.

[4] Num. 10.25.

[5] Deu. 31.25.

[6] cap. 2.4.

[7] Deu. 7.26 e 20.17. cap. 7.1, 11, 12.

[8] cap. 7.25. I Reis 18.17, 18. Jon. 1.12.

[9] ver. 5. Heb. 11.30.

[10] Deu. 7.2.

[11] cap. 2.14. Heb. 11.31.

[12] cap. 2.13.

[13] ver. 19.

[14] Mat. 1.5.

[15] I Reis 16.34.

[16] cap. 1.5 e 9.1, 3.

Os israelitas são derrotados por causa do peccado de Acan.

7 E trespassaram os filhos de Israel no [HY] anathema: porque Acan, [1] filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Sera, da tribu de Judah, tomou do anathema, e a ira do Senhor se accendeu contra os filhos d’Israel.

2 Enviando pois Josué de Jericó, alguns homens a Hai, que está junto a Bethaven, da banda do oriente de Beth-el, fallou-lhes, dizendo: Subi, e espiae a terra. Subiram pois aquelles homens, e espiaram a Hai.

3 E voltaram a Josué, e disseram-lhe: Não suba todo o povo; subam alguns dois mil, ou tres mil homens, a ferir a Hai: não fatigues ali a todo o povo, porque poucos são.

4 Assim, subiram lá do povo alguns tres mil homens, os quaes fugiram [2] diante dos homens de Hai.

5 E os homens de Hai feriram d’elles alguns trinta e seis, e seguiram-n’os desde a porta até [HZ] Shebarim, e feriram-n’os na descida; e o coração [3] do povo se derreteu e se tornou como agua.

6 Então Josué rasgou [4] os seus vestidos, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do Senhor até á tarde, elle e os anciãos de Israel: e deitaram pó sobre [5] as suas cabeças.

7 E disse Josué: Ah Senhor Jehovah! porque, [6] com effeito, fizeste passar a este povo o Jordão, para nos dares nas mãos dos amorrheos, para nos fazerem perecer? oxalá nos contentaramos com ficarmos d’além do Jordão.

8 Ah Senhor! que direi? pois Israel virou as costas diante dos seus inimigos!

9 Ouvindo isto, os cananeos, e todos os moradores da terra, nos cercarão e desarreigarão [7] o nosso nome da terra: e então que farás ao teu grande nome?

10 Então disse o Senhor a Josué: Levanta-te: porque estás prostrado assim sobre o teu rosto?

11 Israel peccou, [8] e até transgrediram o meu concerto que lhes tinha ordenado, e até tomaram [9] do [IA] anathema, e tambem furtaram, e tambem mentiram, e até debaixo da sua bagagem o pozeram.

12 Pelo que os filhos de Israel não poderam [10] subsistir perante os seus inimigos: viraram as costas diante dos seus inimigos; porquanto [11] estão amaldiçoados: não serei mais comvosco, se não desarreigardes o anathema do meio de vós.

13 Levanta-te, sanctifica [12] o povo, e dize: Sanctificae-vos para ámanhã, porque assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: Anathema ha no meio de ti, Israel: diante dos teus inimigos não poderás suster-te, até que não tires o anathema do meio de vós.

14 Ámanhã pois vos chegareis, segundo as vossas tribus: e será [13] que a tribu que o Senhor tomar se chegará, segundo as familias; e a familia que o Senhor tomar se chegará por casas; e a casa que o Senhor tomar se chegará homem por homem.

15 E será que aquelle [14] que fôr tomado com o anathema será queimado a fogo, elle e tudo quanto tiver: porquanto transgrediu o concerto [15] do Senhor, e fez uma loucura em Israel.

16 Então Josué se levantou de madrugada, e fez chegar a Israel, segundo as suas tribus: e a tribu de Judah foi tomada:

17 E, fazendo chegar a tribu de Judah, tomou a familia de Zarchi: e, fazendo chegar a familia de Zarchi, homem por homem, foi tomado Zabdi:

18 E, fazendo chegar a sua casa, homem por homem, foi tomado Acan, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Serah, da tribu [16] de Judah.

19 Então disse Josué a Acan: Filho meu, dá, peço-te, gloria [17] ao Senhor Deus de Israel, e faze confissão perante elle; e declara-me [18] agora o que fizeste, não m’o occultes.

20 E respondeu Acan a Josué, e disse: Verdadeiramente pequei contra o Senhor Deus de Israel, e fiz assim e assim.

21 Quando vi entre os despojos uma boa capa babylonica, e duzentos siclos de prata, e uma [IB] cunha d’oiro do peso de cincoenta siclos, cobicei-os e tomei-os: e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata debaixo d’ella.

22 Então Josué enviou mensageiros, que foram correndo á tenda: e eis que estava escondido na sua tenda, e a prata debaixo d’ella.

23 Tomaram pois aquellas coisas do meio da tenda, e as trouxeram a Josué e a todos os filhos de Israel: e as deitaram perante o Senhor.

24 Então Josué e todo o Israel com elle tomaram a Acan, filho de Serah, e a prata, e a capa, e a cunha de oiro, e a seus filhos, e a suas filhas, e a seus bois, e a seus jumentos, e a suas ovelhas, e a sua tenda, e a tudo quanto tinha: e levaram-n’os ao valle [19] de Acor.

25 E disse Josué: Como nos turbaste? [20] o Senhor te turbará a ti este dia. E todo o [21] Israel o apedrejou com pedras, e os queimaram a fogo, e os apedrejaram com pedras.

26 E levantaram [22] sobre elle um grande montão de pedras, até o dia de hoje; assim o Senhor se tornou do ardor da sua ira: [23] pelo que se chamou o nome d’aquelle logar o valle d’Acor, até ao dia de hoje.

[1] cap. 22.20.

[2] Lev. 26.17. Deu. 28.25.

[3] cap. 2.9, 11. Lev. 26.36. Psa. 22.15.

[4] Gen. 37.29, 34.

[5] I Sam. 4.12. II Sam. 1.2 e 13.19. Neh. 9.1. Job 2.12.

[6] Exo. 5.22. II Reis 3.10.

[7] Psa. 83.5. Exo. 32.12. Num. 14.13.

[8] ver. 1.

[9] cap. 6.17, 18. Act. 5.1, 2.

[10] Num. 14.45. Jui. 2.14.

[11] Deu. 7.26. cap. 6.18.

[12] Exo. 19.10. cap. 3.5.

[13] Pro. 16.33.

[14] I Sam. 14.38, 39.

[15] ver. 11. Gen. 34.7. Jui. 20.6.

[16] I Sam. 14.42.

[17] I Sam. 6.5. Jer. 13.16. João 9.24. Num. 5.6. II Chr. 30.22. Psa. 51.5. Dan. 9.4.

[18] I Sam. 14.43.

[19] ver. 26. cap. 15.7.

[20] cap. 6.18. I Chr. 2.7. Gal. 5.12.

[21] Deu. 17.5.

[22] cap. 8.29. II Sam. 18.17. Lam. 3.53. Deu. 13.17. II Sam. 21.14.

[23] ver. 24. Isa. 65.10. Ose. 2.15.

Hai é tomada e destruida.

8 Então disse o Senhor a Josué: Não temas, [1] e não te espantes; toma comtigo toda a gente de guerra, e levanta-te, sobe a Hai: olha que te tenho dado na tua mão o rei d’Hai, e o seu povo, e a sua cidade, e a sua terra.

2 Farás pois a Hai, e a seu rei, como fizeste a Jericó, [2] e a seu rei: salvo que para vós saqueareis os seus despojos, e o seu gado: põe-te emboscadas á cidade, por detraz d’ella.

3 Então Josué levantou-se, e toda a gente de guerra, para subir contra Hai: e escolheu Josué trinta mil homens valentes e valorosos, e enviou-os de noite.

4 E deu-lhes ordem, dizendo: Olhae, poreis emboscadas [3] á cidade, por detraz da cidade; não vos alongueis muito da cidade: e todos vós estareis apercebidos.

5 Porém eu e todo o povo que está comigo nos achegaremos á cidade: e será que, quando nos sairem ao encontro, como d’antes, [4] fugiremos diante d’elles.

6 Deixae-os pois sair atraz de nós, até que os tiremos da cidade; porque dirão: Fogem diante de nós como d’antes. Assim fugiremos diante d’elles.

7 Então saireis vós da emboscada, e tomareis a cidade: porque o Senhor vosso Deus vol-a dará na vossa mão.

8 E será que, tomando vós a cidade, poreis a cidade a fogo; conforme a palavra do Senhor fareis; olhae [5] que vol-o tenho mandado.

9 Assim Josué os enviou, e elles se foram á emboscada; e ficaram entre Bethel e Hai, ao occidente d’Hai: porém Josué passou aquella noite no meio do povo.

10 E levantou-se Josué de madrugada, e contou o povo: e subiram elle e os anciãos de Israel diante do povo contra Hai.

11 Subiu tambem toda [6] a gente de guerra, que estava com elle, e chegaram-se, e vieram fronteiros á cidade: e alojaram-se da banda do norte d’Hai; e havia um valle entre elle e Hai.

12 Tomou tambem alguns cinco mil homens, e pôl-os entre Bethel e Hai em emboscada, ao occidente da cidade.

13 E pozeram o povo, todo o arraial que estava ao norte da cidade, e a sua emboscada ao occidente da cidade: e foi Josué aquella noite ao meio do valle.

14 E succedeu que, vendo-o o rei d’Hai, se apressaram, e se levantaram de madrugada, e os homens da cidade sairam ao encontro d’Israel ao combate, elle e todo o seu povo, ao tempo assignalado, perante as campinas: porque elle não sabia, [7] que se lhe houvesse posto emboscada detraz da cidade.

15 Josué pois e todo o Israel se houveram como feridos diante d’elles, e fugiram [8] pelo caminho do deserto.

16 Pelo que todo o povo, que estava na cidade, foi convocado para os seguir: e seguiram a Josué e foram attrahidos da cidade.

17 E nem um só homem ficou em Hai, nem em Bethel, que não saisse após Israel: e deixaram a cidade aberta, e seguiram a Israel.

18 Então o Senhor disse a Josué: Estende a lança que tens na tua mão, para Hai; porque a darei na tua mão. E Josué estendeu a lança, que estava na sua mão, para a cidade.

19 Então a emboscada se levantou do seu logar apressadamente, e correram, estendendo elle a sua mão, e vieram á cidade, e a tomaram: e apressaram-se, e pozeram a cidade a fogo.

20 E virando-se os homens de Hai para traz, olharam, e eis-que o fumo da cidade subia ao céu, e não tiveram logar para fugirem para uma parte nem outra: porque o povo, que fugia para o deserto, se tornou contra os que os seguiam.

21 E vendo Josué e todo o Israel que a emboscada tomara a cidade, e que o fumo da cidade subia, tornaram, e feriram os homens d’Hai.

22 Tambem aquelles da cidade lhes sairam ao encontro, e assim cairam no meio dos israelitas, uns de uma, e outros de outra parte: e feriram-n’os, até que nenhum d’elles ficou, [9] o que escapasse.

23 Porém ao rei d’Hai tomaram vivo, e o trouxeram a Josué.

24 E succedeu que, acabando os israelitas de matar todos os moradores d’Hai no campo, no deserto onde os tinham seguido, e havendo todos caido ao fio da espada, até todos serem consumidos, todo o Israel se tornou a Hai, e a pozeram a fio de espada.

25 E todos os que cairam aquelle dia, assim homens como mulheres, foram doze mil: todos moradores d’Hai.

26 Porque Josué não retirou a sua mão, que estendera com a lança, até destruir totalmente a todos os moradores d’Hai.

27 Tão [10] sómente os israelitas saquearam para si o gado e os despojos da cidade, conforme á palavra do Senhor, que tinha ordenado a Josué.

28 Queimou pois Josué a Hai: e a tornou n’um montão [11] perpetuo, em assolamento, até _ao dia d’_hoje.

29 E ao rei d’Hai enforcou n’um madeiro, até á tarde: e [12] ao pôr do sol ordenou Josué, que o seu corpo se tirasse do madeiro; e o lançaram á porta da cidade, e levantaram sobre elle um grande montão [13] de pedras, até _ao dia d’_hoje.

Josué edifica um altar, escreve a lei em pedras e lê-a.

30 Então Josué edificou um altar ao Senhor Deus d’Israel, [14] no monte d’Ebal,

31 Como Moysés, servo do Senhor, ordenou aos filhos d’Israel, conforme ao que está escripto no [15] livro da lei de Moysés, a saber: um altar de pedras inteiras, sobre o qual se não movera ferro: e offereceram [16] sobre elle holocaustos ao Senhor, e sacrificaram sacrificios pacificos.

32 Tambem escreveu [17] ali em pedras uma copia da lei de Moysés, que já tinha escripto diante dos filhos d’Israel.

33 E todo o Israel, com os seus anciãos, e os seus principes, e os seus juizes, estavam d’uma e outra banda da arca, perante os sacerdotes levitas, que levavam a [18] arca do concerto do Senhor, assim estrangeiros como naturaes; metade d’elles em frente do monte Gerizim, e a outra metade em frente do monte Ebal; como [19] Moysés, servo do Senhor, ordenara, para abençoar primeiramente o povo de Israel.

34 E depois leu [20] em alta voz todas as palavras da lei, a benção e a maldição, conforme a tudo o que está escripto no livro da lei.

35 Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moysés ordenara, que Josué não lesse perante toda a congregação d’Israel, e das mulheres, e [21] dos meninos, e dos estrangeiros, que andavam no meio d’elles.

[1] Deu. 1.21 e 7.18 e 31.8. cap. 1.9 e 6.2.

[2] cap. 6.21. Deu. 20.14.

[3] Jui. 20.29.

[4] Jui. 20.32.

[5] II Sam. 13.28.

[6] ver. 5.

[7] Jui. 20.34. Ecc. 9.12.

[8] Jui. 20.36, etc.

[9] Deu. 7.2.

[10] Num. 31.22, 26. ver. 2.

[11] Deu. 13.16.

[12] cap. 10.26. Psa. 107.40. Deu. 21.23. cap. 10.27.

[13] cap. 7.26 e 10.27.

[14] Deu. 27.4, 5.

[15] Exo. 20.25. Deu. 27.5, 6.

[16] Exo. 20.24.

[17] Deu. 27.2, 8.

[18] Deu. 31.9, 25 e 31.12.

[19] Deu. 11.29 e 27.12.

[20] Deu. 31.11. Neh. 8.3. Deu. 28.2, 15, 45 e 29.20, 21 e 30.19.

[21] Deu. 31.12. ver. 33.

Os gibeonitas enganam Josué, que faz com elles uma alliança.

9 E succedeu que, ouvindo isto todos os reis, que estavam d’áquem do Jordão, nas montanhas, e nas campinas, em toda a costa do grande [1] mar, em frente do Libano, os hetheos, e os amorrheos, os cananeos, os pherezeos, os heveos, e os jebuseos,

2 Se ajuntaram [2] elles de commum accordo, para pelejar contra Josué e contra Israel.

3 E [3] os moradores de Gibeon ouvindo o que Josué fizera com Jericó e com Hai,

4 Usaram tambem d’astucia, e foram e se fingiram embaixadores: e tomaram saccos velhos sobre os seus jumentos, e odres de vinho velhos, e rotos, e remendados;

5 E nos seus pés sapatos velhos e manchados, e vestidos velhos sobre si: e todo o pão que traziam para o caminho era secco e bolorento.

6 E vieram a [4] Josué, ao arraial, a Gilgal, e lhe disseram, a elle e aos homens d’Israel: Vimos d’uma terra distante; fazei pois agora concerto [5] comnosco.

7 E os homens d’Israel responderam aos heveos: Porventura habitaes no meio de nós; como pois faremos concerto comvosco?

8 Então disseram a Josué: Nós somos [6] teus servos. E disse-lhes Josué: Quem sois vós, e d’onde vindes?

9 E lhe responderam: Teus servos vieram d’uma terra mui distante, por causa do [7] nome do Senhor teu Deus: porquanto ouvimos a sua fama, e tudo quanto fez no Egypto;

10 E tudo quanto [8] fez aos dois reis dos amorrheos, que estavam d’além do Jordão, a Sehon rei de Hesbon, e a Og, rei de Basan, que estava em Astaroth.

11 Pelo que nossos anciãos e todos os moradores da nossa terra nos fallaram, dizendo: Tomae comvosco em vossas mãos provisão para o caminho, e ide-lhes ao encontro: e dizei-lhes: Nós somos vossos servos; fazei pois agora concerto comnosco.

12 Este nosso pão tomámos quente das nossas casas para nossa provisão, no dia em que saimos para vir a vós: e eil-o aqui agora já secco e bolorento:

13 E estes odres, que enchemos de vinho, eram novos, e eil-os aqui já rotos: e estes nossos vestidos e nossos sapatos já se teem envelhecido, por causa do mui longo caminho.

14 Então aquelles homens tomaram da sua provisão: e não [9] pediram conselho á bocca do Senhor.

15 E Josué fez paz com elles, e [10] fez um concerto com elles, que lhes daria a vida: e os principes da congregação lhes prestaram juramento.

16 E succedeu que, ao fim de tres dias, depois de fazerem concerto com elles, ouviram que eram seus visinhos, e que moravam no meio d’elles.

17 Porque, partindo os filhos de Israel, chegaram ás suas cidades ao terceiro dia: e suas cidades eram [11] Gibeon, e Cefira, e Beeroth, e Kiriath-jearim.

18 E os filhos de Israel os não feriram; porquanto [12] os principes da congregação lhes juraram pelo Senhor Deus de Israel: pelo que toda a congregação murmurava contra os principes.

19 Então todos os principes disseram a toda a congregação: Nós jurámos-lhes pelo Senhor Deus de Israel: pelo que não podemos tocal-os.

20 Isto, porém, lhes faremos: dar-lhes-hemos a vida; para que não haja grande ira [13] sobre nós, por causa do juramento que já lhes temos jurado.

21 Disseram-lhes pois os principes: Vivam, e sejam rachadores de lenha [14] e tiradores de agua para toda a congregação, como os principes lhes teem dito.

22 E Josué os chamou, e fallou-lhes dizendo: Porque nos enganastes, dizendo: Mui longe [15] de vós habitamos, morando vós no meio de nós?

23 Agora pois sereis malditos: [16] e d’entre vós não deixará de haver servos, nem rachadores de lenha, nem tiradores de agua, para a casa do meu Deus.

24 Então responderam a Josué, e disserem: Porquanto com certeza foi annunciado aos teus servos que o Senhor teu Deus ordenou a [17] Moysés, seu servo, que a vós daria toda esta terra, e destruiria todos os moradores da terra diante de vós, tememos muito por [18] nossas vidas por causa de vós; por isso fizemos assim.

25 E eis que agora estamos [19] na tua mão: faze aquillo que te pareça bom e recto que se nos faça.

26 Assim pois lhes fez: e livrou-os das mãos dos filhos de Israel, e não os mataram.

27 E, n’aquelle dia, Josué os deu como rachadores de lenha [20] e tiradores de agua para a congregação e para o altar do Senhor, [21] até ao dia de hoje, no logar que escolhesse.

[1] Num. 34.6. Exo. 3.17 e 23.23.

[2] Psa. 83.4, 6.

[3] cap. 10.2. II Sam. 21.1. cap. 6.27.

[4] cap. 5.10.

[5] cap. 11.19. Exo. 23.32. Deu. 7.2 e 20.16. Jui. 2.2.

[6] Deu. 20.11. II Reis 10.5.

[7] Deu. 20.15. Exo. 15.14. Jos. 2.10.

[8] Num. 21.24, 33.

[9] Num. 27.21. Isa. 30.1, 2. Jui. 1.1. I Sam. 22.10 e 23.10, 11 e 30.8. II Sam. 2.1 e 5.19.

[10] cap. 11.19. II Sam. 21.2.

[11] cap. 18.25, 26, 28. Esd. 2.25.

[12] Psa. 15.4. Ecc. 5.2.

[13] II Sam. 21.1, 2, 6. Eze. 17.13, 15, 18, 19. Zac. 5.3, 4. Mal. 3.5.

[14] Deu. 29.21. ver. 15.

[15] ver. 6, 9, 16.

[16] Gen. 9.25. ver. 11, 27.

[17] Exo. 23.32. Deu. 7.1, 2.

[18] Exo. 15.14.

[19] Gen. 16.6.

[20] ver. 21, 23.

[21] Deu. 12.5.

Gibeon é sitiada por cinco reis.

10 E succedeu que, ouvindo Adonizedek, rei de Jerusalem, que Josué tomara a Hai, e a tinha destruido totalmente, e fizera a Hai e ao seu rei como tinha feito [1] a Jericó e ao seu rei, e que os moradores de Gibeon fizeram paz com os israelitas, e estavam no meio d’elles,

2 Temeram [2] muito: porque Gibeon era uma cidade grande como uma das cidades reaes, e ainda maior do que Hai, e todos os seus homens valentes.

3 Pelo que Adonizedek, rei de Jerusalem, enviou a Hoham, rei de Hebron, e a Piram, rei de Jarmuth, e a Jafia, rei de Lachis, e a Debir, rei de Eglon, dizendo:

4 Subi a mim, e ajudae-me, e firamos a Gibeon: porquanto [3] fez paz com Josué e com os filhos de Israel.

5 Então se ajuntaram, e subiram cinco reis dos amorrheos, o rei de Jerusalem, o rei de Hebron, o rei de Jarmuth, o rei de Lachis, o rei de Eglon, elles e todos os seus exercitos: e sitiaram [4] a Gibeon e pelejaram contra ella.

Josué soccorre a Gibeon.

6 Enviaram pois os homens de Gibeon a Josué [5] ao arraial de Gilgal, dizendo: Não retires as tuas mãos de teus servos; sobe apressadamente a nós, e livra-nos, e ajuda-nos, porquanto todos os reis dos amorrheos, que habitam na montanha, se ajuntaram contra nós.

7 Então subiu Josué de Gilgal, elle e toda a gente [6] de guerra com elle, e todos os valentes e valorosos.

8 E o Senhor disse a Josué: Não os temas, [7] porque os tenho dado na tua mão: nenhum d’elles parará diante de ti.

9 E Josué lhes sobreveiu de repente, porque toda a noite veiu subindo desde Gilgal.

10 E o Senhor os conturbou [8] diante de Israel, e os feriu de grande ferida em Gibeon; e seguiu-os pelo caminho que sobe a Bethoron, e os feriu até Azeka e a Makeda.

11 E succedeu que, fugindo elles diante de Israel, á descida de Bethoron, o Senhor lançou [9] sobre elles, do céu, grandes pedras até Azeka, e morreram: e foram muitos mais os que morreram das pedras da saraiva do que os que os filhos d’Israel mataram á espada.

O sol e a lua são detidos.

12 Então Josué fallou ao Senhor, no dia em que o Senhor deu os amorrheos na mão dos filhos de Israel, e disse aos olhos dos israelitas: Sol, detem-te em Gibeon, e tu, [10] lua, no valle de Ajalon.

13 E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto não está [11] escripto no livro do [IC] Recto? O sol pois se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quasi um dia inteiro.

14 E não houve dia [12] similhante a este, nem antes nem depois d’elle, ouvindo o Senhor assim a voz d’um homem: porque o Senhor pelejava por Israel.

15 E tornou-se [13] Josué, e todo o Israel com elle, ao arraial a Gilgal.

Josué prende os cinco reis e mata-os.

16 Aquelles cinco reis, porém, fugiram, e se esconderam n’uma cova em Makeda.

17 E foi annunciado a Josué, dizendo: Acharam-se os cinco reis escondidos n’uma cova em Makeda.

18 Disse pois Josué: Arrojae grandes pedras á bocca da cova, e ponde sobre ella homens que os guardem:

19 Porém vos não vos detenhaes; segui os vossos inimigos, e feri os que ficaram atraz: não os deixeis entrar nas suas cidades, porque o Senhor vosso Deus já vol-os deu na vossa mão.

20 E succedeu que, acabando Josué e os filhos de Israel de os ferir a grande ferida, até consumil-os, e que os que ficaram d’elles se retiraram ás cidades fortes,

21 Todo o povo se tornou em paz a Josué, ao arraial em Makeda: não havendo ninguem que movesse a sua lingua [14] contra os filhos de Israel.

22 Depois disse Josué: Abri a bocca da cova, e trazei-me aquelles cinco reis para fóra da cova.

23 Fizeram pois assim, e trouxeram-lhe aquelles cinco reis para fóra da cova: o rei de Jerusalem, o rei de Hebron, o rei de Jarmuth, o rei de Lachis, e o rei de Eglon.

24 E succedeu que, trazendo aquelles reis a Josué, Josué chamou todos os homens de Israel, e disse aos capitães da gente de guerra, que com elle foram: Chegae, ponde os vossos [15] pés sobre os pescoços d’estes reis. E chegaram, e pozeram os seus pés sobre os seus pescoços.

25 Então Josué lhes disse: Não temaes, nem vos espanteis: [16] esforçae-vos e animae-vos; porque assim o fará o Senhor a todos os vossos inimigos, contra os quaes pelejardes.

26 E, depois d’isto, Josué os feriu e os matou, e os enforcou em cinco madeiros: e ficaram enforcados [17] nos madeiros até á tarde.

27 E succedeu que, ao tempo do pôr do sol, deu Josué ordem que os tirassem [18] dos madeiros: e lançaram-n’os na cova onde se esconderam: e pozeram grandes pedras á bocca da cova, que ainda ali estão até ao mesmo dia de hoje.

Josué vence mais sete reis.

28 E n’aquelle mesmo dia tomou Josué a Makeda, e feriu-a a fio de espada, e destruiu o seu rei, a elles, e a toda a alma que n’ella havia; nada deixou de resto: e fez ao rei de Makeda como [19] fizera ao rei de Jericó.

29 Então Josué e todo o Israel com elle passou de Makeda a Libna, e pelejou contra Libna;

30 E tambem o Senhor a deu na mão d’Israel, a ella e a seu rei, e a feriu a fio de espada, a ella e a toda a alma que n’ella havia; nada deixou de resto: e fez ao seu rei como fizera ao rei de Jericó.

31 Então Josué, e todo o Israel com elle, passou de Libna a Lachis: e a sitiou, e pelejou contra ella;

32 E o Senhor deu a Lachis na mão d’Israel, e tomou-a no dia seguinte, e a feriu a fio de espada, a ella, e a toda a alma que n’ella havia, conforme a tudo o que fizera a Libna.

33 Então Horan, rei de Gezer, subiu a ajudar a Lachis: porém Josué o feriu, a elle e ao seu povo, até que nenhum lhe deixou de resto.

34 E Josué, e todo o Israel com elle, passou de Lachis a Eglon: e a sitiaram, e pelejaram contra ella:

35 E no mesmo dia a tomaram, e a feriram a fio de espada; e a toda a alma, que n’ella havia, destruiu totalmente no mesmo dia: conforme a tudo o que fizera a Lachis.

36 Depois Josué, e todo o Israel com elle, subiu d’Eglon a [20] Hebron, e pelejaram contra ella;

37 E a tomaram, e a feriram ao fio de espada, assim ao seu rei como a todas as suas cidades; e a toda a alma, que n’ellas havia, a ninguem deixou com vida, conforme a tudo o que fizera a Eglon: e a destruiu totalmente, a ella e a toda a alma que n’ella havia.

38 Então Josué, e todo o Israel com elle, tornou a Debir, [21] e pelejou contra ella;

39 E tomou-a com o seu rei, e a todas as suas cidades, e as feriram a fio de espada, e a toda a alma que n’ellas havia destruiram totalmente, nada deixou de resto: como fizera a Hebron, assim fez a Debir e ao seu rei, e como fizera a Libna e ao seu rei.

40 Assim feriu Josué toda aquella terra, as montanhas, o sul, e as campinas, e as descidas das aguas, e a todos os seus reis; nada deixou de resto: mas tudo o que tinha folego destruiu, como ordenara o [22] Senhor Deus d’Israel.

41 E Josué os feriu desde Cades-barnea, e até Gaza: [23] como tambem toda a terra de Gosen, e até Gibeon.

42 E d’uma vez tomou Josué todos estes reis, e as suas terras: porquanto o [24] Senhor Deus d’Israel pelejava por Israel.

43 Então Josué, e todo o Israel com elle, se tornou ao arraial em Gilgal.

[1] cap. 6.21 e 8.22, 26, 28 e 9.15.

[2] Exo. 15.14, 15, 16. Deu. 11.25.

[3] ver. 1. cap. 9.15.

[4] cap. 9.2.

[5] cap. 5.10 e 9.6.

[6] cap. 8.1.

[7] cap. 11.6. Jui. 4.14. cap. 1.5.

[8] Jui. 4.15. I Sam. 7.10, 12. Psa. 18.15. Isa. 28.21. cap. 16.3, 6 e 15.35.

[9] Psa. 18.14, 16 e 77.17. Isa. 30.30. Apo. 16.21.

[10] Isa. 28.21. Hab. 3.11. Jui. 12.12.

[11] II Sam. 1.18.

[12] Isa. 38.8. Deu. 1.30. ver. 42. cap. 23.3.

[13] ver. 43.

[14] Exo. 11.7.

[15] Psa. 107.40 e 110.5 e 149.8. Isa. 26.5, 6. Mal. 4.3.

[16] Deu. 31.6, 8. cap. 1.9. Deu. 3.21 e 7.19.

[17] cap. 8.29.

[18] Deu. 21.23. cap. 8.29.

[19] cap. 6.21.

[20] cap. 14.13 e 15.13. Jui. 1.10.

[21] cap. 15.15. Jui. 1.11.

[22] Deu. 20.16, 17.

[23] Gen. 10.19. cap. 11.16.

[24] ver. 14.

As victorias de Josué sobre diversos reis.

[Antes de Christo 1450]

11 Succedeu depois d’isto que, ouvindo-o Jabin, rei d’Hazor, enviou a Jobab, rei de Madon, e [1] ao rei de Simron, e ao rei d’Acsaph;

2 E os reis, que estavam ao norte, nas montanhas, e na campina para o sul [2] de Cinneroth, e nas planicies, e em Naphoth-dor, da banda do mar;

3 Ao cananeo do oriente e do occidente; e ao amorrheo, e ao hetheo, e ao pherezeo, e ao jebuseo nas montanhas: e [3] ao heveo ao pé d’Hermon, na terra de Mispah.

4 Sairam pois estes, e todos os seus exercitos com elles, muito povo, como a areia [4] que está na praia do mar em multidão: e muitissimos cavallos e carros.

5 Todos estes reis se ajuntaram, e vieram e se acamparam junto ás aguas de Merom, para pelejarem contra Israel.

6 E disse o Senhor a Josué: Não temas [5] diante d’elles; porque ámanhã a esta mesma hora eu os darei todos feridos diante dos filhos d’Israel; [6] os seus cavallos jarretarás, e os seus carros queimarás a fogo.

7 E Josué, e toda a gente de guerra com elle, veiu apressadamente sobre elles ás aguas de Merom: e deram n’elles de repente.

8 E o Senhor os deu na mão d’Israel, e os feriram, e os seguiram até á grande Sidon, e até Misrephoth-main, [7] e até ao valle de Mispah ao oriente; feriram-os até não lhes deixarem nenhum.

9 E fez-lhes Josué como [8] o Senhor lhe dissera: os seus cavallos jarretou, e os seus carros queimou a fogo,

10 E n’aquelle mesmo tempo tornou Josué, e tomou a Hazor, e feriu á espada ao seu rei: porquanto Hazor d’antes era a cabeça de todos estes reinos.

11 E a toda a alma, que n’ella havia, feriram ao fio da espada, e totalmente os destruiram; nada restou do que tinha folego, e a Hazor queimou com fogo.

12 E Josué tomou todas as cidades d’estes reis, e todos os seus reis, e os feriu ao fio da espada, destruindo-os totalmente: como ordenara a [9] Moysés servo do Senhor.

13 Tão sómente não queimaram os israelitas as cidades que estavam sobre os seus outeiros: salvo sómente Hazor, a qual Josué queimou.

14 E todos os despojos d’estas cidades, e o gado, os filhos d’Israel saquearam para si: tão sómente a todos os homens feriram ao fio da espada, até que os destruiram: nada do que folego tinha deixaram com vida.

15 Como ordenara o [10] Senhor a Moysés seu servo, assim Moysés ordenou a Josué: e assim Josué o fez; nem uma só palavra tirou de tudo o que o Senhor ordenara a Moysés.

16 Assim Josué tomou toda aquella terra, as montanhas, [11] e todo o sul, e toda a terra de Gosen, e as planicies, e as campinas, e as montanhas d’Israel; e as suas planicies;

17 Desde o monte calvo, [12] que sobe a Seir, até Baal-gad, no valle do Libano, ás raizes do monte de Hermon: tambem tomou todos os seus reis, e os feriu [13] e os matou.

18 Por muitos dias Josué fez guerra contra todos estes reis.

19 Não houve cidade que fizesse paz com os filhos d’Israel, senão os heveos, [14] moradores de Gibeon: por guerra as tomaram todas.

20 Porquanto do [15] Senhor vinha, que os seus corações endurecessem, para sairem ao encontro a Israel na guerra, para os destruir totalmente, para se não ter piedade d’elles; mas para os destruir a todos, como o [16] Senhor tinha ordenado a Moysés.

21 N’aquelle tempo veiu Josué, e extirpou os enaquins [17] das montanhas d’Hebron, de Debir, d’Anab, e de todas as montanhas de Judah, e de todas as montanhas d’Israel: Josué os destruiu totalmente com as suas cidades.

22 Nenhum dos enaquins ficou de resto na terra dos filhos d’Israel: sómente ficaram de resto em Gaza, em Gath, [18] e em Asdod.

23 Assim Josué tomou toda esta terra, conforme [19] a tudo o que o Senhor tinha dito a Moysés; e Josué a deu em herança [20] aos filhos d’Israel, conforme ás suas divisões, conforme ás suas tribus: e a terra repousou da guerra.

[1] cap. 10.3 e 19.15.

[2] Num. 34.11. cap. 17.11. Jui. 1.27. I Reis 4.11.

[3] Jui. 3.3. cap. 13.11. Gen. 31.49.

[4] Gen. 22.17 e 32.12. Jui. 7.12. I Sam. 13.5.

[5] cap. 10.8.

[6] II Sam. 3.4.

[7] cap. 13.6.

[8] ver. 6.

[9] Num. 33.52.

[10] Exo. 34.11. Deu. 7.2. cap. 1.7.

[11] cap. 12.8 e 10.41.

[12] cap. 12.7.

[13] Deu. 7.24. cap. 12.7.

[14] cap. 9.3, 7.

[15] Deu. 3.30. Jui. 14.4. I Sam. 2.25. I Reis 12.15. Rom. 9.19.

[16] Deu. 20.16.

[17] Num. 13.22, 23. Deu. 1.28. cap. 15.13.

[18] I Sam. 17.4. cap. 15.46.

[19] Num. 34.2, etc.

[20] Num. 26.53. cap. 14 e 15 e 16 e 17 e 18 e 19 e 14.15 e 21.44 e 22.4 e 23.1.

As terras que Moysés deu ás duas e meia tribus.

[Antes de Christo 1445]

12 Estes pois são os reis da terra, aos quaes os filhos de Israel feriram e possuiram a sua terra d’além do Jordão ao nascente do sol: desde o [1] [ID] ribeiro d’Arnon, até ao monte d’Hermon, e toda a planicie do oriente.

2 Sehon, [2] rei dos amorrheos, que habitava em Hesbon e que senhoreava desde Aroer, que está á borda do ribeiro d’Arnon, e desde o meio do ribeiro, e desde a metade de Gilead, e até ao ribeiro de Jabbok, o termo dos filhos de Ammon;

3 E desde a campina [3] até ao mar de Cinneroth para o oriente, e até ao mar da campina, o mar salgado para o oriente, pelo caminho de Beth-jesimoth: e desde o sul abaixo d’Asdoth-pisga.

4 Como tambem o termo [4] de Og, rei de Basan, que era do resto dos gigantes, e que habitava em Astaroth e [5] em Edrei;

5 E senhoreava no monte Hermon, e em Salcha, e em toda a Basan, até ao termo dos gesureos e dos maacateos, e metade de Gilead, termo de Sehon, rei de Hesbon.

6 A estes Moysés, servo do [6] Senhor, e os filhos de Israel feriram: e Moysés, servo do Senhor, deu esta terra aos rubenitas, e aos gaditas, e á meia tribu de Manasseh em possessão.

Os trinta e um reis que Josué feriu.

7 E estes são os reis da terra aos quaes feriu Josué [7] e os filhos de Israel d’áquem do Jordão para o occidente, desde Baal-gad, no valle do Libano, até ao monte calvo, que sobe a Seir: [8] e Josué a deu ás tribus de Israel em possessão, segundo as suas divisões;

8 O que havia nas montanhas, [9] e nas planicies, e nas campinas, e nas descidas das aguas, e no deserto, e para o sul: o heteo, o amorrheo, e o cananeo, o pherezeo, o heveo, e o jebuseo.

9 O rei de Jericó, [10] um; o rei d’Ai, que está ao lado de Bethel, outro;

10 O rei de Jerusalem, [11] outro; o rei d’Hebron, outro;

11 O rei de Jarmuth, outro; o rei de Lachis, outro;

12 O rei d’Eglon, [12] outro; o rei de Geser, outro;

13 O rei de Debir, [13] outro; o rei de Geder, outro;

14 O rei d’Horma, outro; o rei d’Harad, outro;

15 O rei de Libna, [14] outro; o rei d’Adullam, outro;

16 O rei de Makeda, [15] outro; o rei de Bethel, outro;

17 O rei de Tappuah, outro; o rei d’Hepher, [16] outro;

18 O rei d’Aphek, outro; o rei de Lassaron, outro;

19 O rei de Madon, outro; o rei d’Hazor, [17] outro;

20 O rei de Simron-meron, [18] outro; o rei d’Achsaph, outro;

21 O rei de Taanach, outro; o rei de Megiddo, outro;

22 O rei de Kedes, [19] outro; o rei de Jokneam do Carmel, outro;

23 O rei de Dor [20] em Nafath-dor, outro; o rei das nações em Gilgal, outro;

24 O rei de Tirza, outro: trinta e um reis por todos.

[1] Num. 21.24. Deu. 3.8.

[2] Num. 21.24. Deu. 2.33, 36 e 3.6, 16.

[3] Deu. 3.17. cap. 13.20.

[4] Num. 21.35. Deu. 3.4, 10, 11. Deu. 1.4.

[5] Deu. 3.8. cap. 13.11. Deu. 3.14.

[6] Num. 21.24, 33 e 32.29, 33. Deu. 3.11. cap. 13.8.

[7] cap. 11.17.

[8] Gen. 14.6 e 32.3. Deu. 2.1, 4. cap. 11.23.

[9] cap. 10.40 e 11.16. Exo. 3.8 e 23.23. cap. 9.1.

[10] cap. 6.2. cap. 8.29.

[11] cap. 10.23.

[12] cap. 10.33.

[13] cap. 10.38.

[14] cap. 10.29.

[15] cap. 10.28. cap. 8.17. Jui. 1.22.

[16] I Reis 4.10.

[17] cap. 11.10.

[18] cap. 11.1 e 19.15.

[19] cap. 19.37.

[20] cap. 11.2. Gen. 14.1. Isa. 9.1.

Josué reparte a terra que tinha conquistado.

13 Era, porém, Josué já velho, [1] entrado em dias; e disse-lhe o Senhor: Já estás velho, entrado em dias; e ainda muitissima terra ficou para possuir.

2 A terra que fica de resto [2] é esta: todos os termos dos philisteos, e toda a Gesuri;

3 Desde Sihor, [3] que está defronte do Egypto, até ao termo de Ekron para o norte, que se conta ser dos cananeos: cinco principes [4] dos philisteos, o gazeo, e o asdodeo, o ascalonita, o [5] getheo, e o ekroneo, e os aveos;

4 Desde o sul, toda a terra dos cananeos, e Meara, que é dos sidoneos; até Aphek: [6] até ao termo dos amorrheos;

5 Como [7] tambem a terra dos gibleos, e todo o Libano para o nascente do sol, desde Baal-gad, ao pé do monte Hermon, até á entrada d’Hamath;

6 Todos os que habitam nas montanhas desde o Libano até [8] Misrephoth-main, todos os sidoneos; eu os lançarei de diante dos filhos de Israel: tão sómente faze que a terra caia a Israel em sorte por [9] herança, como já t’o tenho mandado.

7 Reparte pois agora esta terra por herança ás nove tribus e á meia tribu de Manasseh;

8 Com quem os rubenitas e os gaditas já receberam a sua herança; a qual lhes deu Moysés d’além do Jordão para o oriente; como já lhes tinha dado [10] Moysés, servo do Senhor,

9 Desde Aroer, que está á borda do ribeiro d’Arnon, e a cidade que está no meio do valle, e toda [11] a campina de Medeba até Dibon;

10 E todas [12] as cidades de Sehon, rei dos amorrheos, que reinou em Hesbon, até ao termo dos filhos d’Ammon;

11 E Gilead, e [13] o termo dos gesureos, e dos maacateos, e todo o monte Hermon, e toda a Basan até Salcha:

12 Todo o reino d’Og em Basan, que reinou em Astaroth e em Edrei; este ficou do resto dos gigantes [14] que Moysés feriu e expelliu.

13 Porém os filhos de Israel não expelliram os gesureos, nem os maacateos; antes Gesur [15] e Maacath habitaram no meio de Israel até ao dia de hoje.

14 Tão sómente á tribu [16] de Levi não deu herança: os sacrificios queimados do Senhor Deus de Israel são a sua herança, como já lhe tinha dito.

15 Assim Moysés deu á tribu dos filhos de Ruben, conforme as suas familias.

16 E foi o seu termo desde [17] Aroer, que está á borda do ribeiro d’Arnon, e a cidade que está no meio do valle, e toda a campina até Medeba;

17 Hesbon e todas as suas cidades, que estão na campina: Dibon, e Bamoth-baal, e Beth-baal-meon;

18 E Jahsa, [18] e Kedemoth, e Mephaat;

19 E Kiriathaim, [19] e Sibma, e Zereth, e Hassahar, no monte do valle;

20 E Beth-peor, e [20] Asdoth-pisga, e Beth-jesimoth;

21 E todas [21] as cidades da campina, e todo o reino de Sehon, rei dos amorrheos, que reinou em Hesbon, a quem Moysés feriu, [22] como tambem aos principes de Midian, Evi, e Rekem, e Sur, e Hur, e Reba, principes de Sehon, moradores da terra.

22 Tambem os filhos de Israel mataram á espada a Balaão, [23] filho de Beor, o adivinho, como os mais que por elles foram mortos.

23 E foi o termo dos filhos de Ruben o Jordão e o seu termo; esta é a herança dos filhos de Ruben, segundo as suas familias, as cidades, e as suas aldeias.

24 E deu Moysés á tribu de Gad, aos filhos de Gad, segundo as suas familias.

25 E foi o seu termo [24] Jaezer, e todas as cidades de Gilead, e metade da terra dos filhos d’Ammon, até Aroer, que está defronte de Rabba;

26 E desde Hesbon até Ramath-mispe, e Bethonim: e desde Mahanaim até ao termo de Debir;

27 E no valle Beth-aram, e [25] Beth-nimra, e Succoth, e Saphon, que ficara do resto do reino do rei de Sehon em Hesbon, o Jordão e o seu termo, até á extremidade do [26] mar de Cinnereth d’além do Jordão para o oriente.

28 Esta é a herança dos filhos de Gad, segundo as suas familias, as cidades e as suas aldeias.

29 Deu tambem Moysés herança á meia tribu de Manasseh, que ficou á meia tribu dos filhos de Manasseh, segundo as suas familias,

30 De maneira que o seu termo foi desde Mahanaim, todo o Basan, todo o reino d’Og, rei de Basan, e todas as aldeias de Jair, [27] que estão em Basan, sessenta cidades,

31 E metade de Gilead, e Astaroth, e [28] Edrei, cidades do reino d’Og, em Basan, aos filhos de Machir, filho de Manasseh, a saber, á metade dos filhos de Machir, segundo as suas familias.

32 Isto é o que Moysés repartiu em herança nas campinas de Moab, d’além do Jordão de Jericó para o oriente.

33 Porém á tribu [29] de Levi Moysés não deu herança: o Senhor Deus de Israel é a sua herança, como já lhe tinha dito.

[1] cap. 14.10 e 23.1.

[2] Jui. 3.1. Joel 3.4. ver. 13. II Sam. 3.3 e 13.37, 38.

[3] Jer. 2.18.

[4] Jui. 3.3. I Sam. 6.4, 16. Sof. 2.5.

[5] Deu. 2.23.

[6] cap. 19.30. Jui. 1.34.

[7] I Reis 5.18. Eze. 27.9. cap. 12.7.

[8] cap. 11.8. cap. 23.13. Jui. 2.21, 23.

[9] cap. 14.1.

[10] Num. 32.33. Deu. 3.12. cap. 22.4.

[11] ver. 16. Num. 21.30.

[12] Num. 21.24, 25.

[13] cap. 12.5.

[14] Deu. 3.11. cap. 12.4. Num. 21.24, 35.

[15] ver. 11.

[16] Num. 18.20, 23, 24. cap. 14.3, 4. ver. 33.

[17] cap. 12.2. Num. 21.28, 30. ver. 9.

[18] Num. 21.33.

[19] Num. 32.37, 38.

[20] Deu. 3.17. cap. 12.3.

[21] Deu. 3.10.

[22] Num. 21.24 e 31.8.

[23] Num. 22.5.

[24] Num. 32.35 e 21.26, 28, 29. Deu. 2.19. Jui. 11.13, 15, etc. II Sam. 11.1 e 12.26.

[25] Num. 32.36. Gen. 33.17. I Reis 7.46.

[26] Num. 34.11.

[27] Num. 32.41. I Chr. 2.23.

[28] cap. 12.4. Num. 32.39, 40.

[29] ver. 14. cap. 18.7. Num. 18.20. Deu. 10.9 e 18.1, 2.

Josué dá a Caleb, em herança, Hebron.

[Antes de Christo 1444]

14 Isto pois é o que os filhos de Israel tiveram em herança na terra de Canaan: o que Eleazar, o sacerdote, [1] e Josué, filho de Nun, e os Cabeças dos paes das tribus dos filhos de Israel lhes fizeram repartir,

2 Por sorte da sua herança, [2] come o Senhor ordenara, [IE] pelo ministerio de Moysés, ácerca das nove tribus e da meia tribu.

3 Porquanto ás duas tribus e á meia tribu já deu Moysés [3] herança d’além do Jordão: mas aos levitas não tinha dado herança entre elles.

4 Porque os filhos de José foram duas tribus, [4] Manasseh e Ephraim: e aos levitas não deram herança na terra, senão cidades em que habitassem, e os seus arrabaldes para seu gado e para sua possessão.

5 Como o Senhor ordenara [5] a Moysés, assim fizeram os filhos d’Israel, e repartiram a terra.

6 Então os filhos de Judah chegaram a Josué em Gilgal; e Caleb, filho de Jefoné o kenezeo, lhe disse: [6] Tu sabes a palavra que o Senhor fallou a Moysés, homem de Deus, em [7] Cades-barnea, por causa de mim e de ti.

7 Da edade de quarenta annos era eu, quando Moysés, servo do Senhor, me enviou de Cades-barnea a [8] espiar a terra: e eu lhe trouxe resposta, como sentia no meu coração:

8 Mas meus irmãos, [9] que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo; eu porém perseverei [10] em seguir ao Senhor meu Deus.

9 Então Moysés n’aquelle dia jurou, dizendo: Certamente a terra [11] que pisou o teu pé será tua, e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir ao Senhor meu Deus.

10 E agora eis-que o Senhor me conservou em vida, [12] como disse; quarenta e cinco annos ha agora, desde que o Senhor fallou esta palavra a Moysés, andando Israel ainda no deserto: e agora eis-que já hoje sou de edade de oitenta e cinco annos.

11 E ainda hoje estou tão forte como [13] no dia em que Moysés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, e para sair e para entrar.

12 Agora pois dá-me este monte de que o Senhor fallou aquelle dia: pois n’aquelle dia tu ouviste que os anekins estão ali, e grandes e fortes cidades ha ali: porventura o Senhor será comigo, [14] para os expellir, como o Senhor disse.

13 E Josué [15] o abençoou, e deu a Caleb, filho de Jefoné, a Hebron em herança.

14 Portanto [16] Hebron foi de Caleb, filho de Jefoné o kenezeo, em herança até ao dia d’hoje: porquanto perseverara em seguir [17] ao Senhor Deus d’Israel.

15 E era d’antes o nome d’Hebron [IF] Kiriath-arba, [18] porque Arba foi um grande homem entre os anekins. E a terra repousou da guerra.

[1] Num. 34.17, 18.

[2] Num. 26.55 e 33.54 e 34.13.

[3] cap. 13.8, 32, 33.

[4] Gen. 48.5. I Chr. 5.1, 2.

[5] Num. 35.2. cap. 21.2.

[6] Num. 32.12. cap. 15.17. Num. 14.24, 30. Deu. 1.36, 38.

[7] Num. 13.26.

[8] Num. 13.6 e 14.6.

[9] Num. 13.31, 32. Deu. 1.28.

[10] Num. 14.24. Deu. 1.36.

[11] Num. 14.23, 24. Deu. 1.36. cap. 1.3. Num. 13.22.

[12] Num. 14.30.

[13] Deu. 34.7 e 31.2.

[14] Num. 13.28, 33. Psa. 18.33. Rom. 8.31. cap. 15.14. Jui. 1.20.

[15] cap. 22.6 e 10.37 e 15.13. Jui. 1.20. cap. 21.11, 12. I Chr. 6.55, 56.

[16] cap. 21.12.

[17] ver. 8, 9.

[18] Gen. 23.2. cap. 15.13 e 11.23.

As heranças das nove e meia tribus. A herança de Judah.

15 E foi a sorte da tribu dos filhos de Judah, segundo as suas familias, até ao termo d’Edom, [1] o deserto de Sin para o sul, até a extremidade da banda do sul.

2 E foi o seu termo para o sul, desde a ribeira do mar salgado, desde a [IG] bahia que olha para o sul;

3 E sae para o sul, até á subida d’Akrabbim, [2] e passa a Sin, e sobe do sul a Cades-Barnea, e passa por Hezron, e sobe a Adar, e rodeia a Carca:

4 E passa Asmon, [3] e sae ao ribeiro do Egypto, e as saidas d’este termo irão até ao mar: este será o vosso termo da banda do sul.

5 O termo porém para o oriente será o mar salgado, até á extremidade do Jordão: e o termo para o norte será da bahia do mar, desde a extremidade do Jordão.

6 E este termo subirá até [4] Beth-hogla, e passará do norte a Beth-araba, e este termo subirá até á pedra de Bohan, filho de Ruben.

7 Subirá mais este termo a Debir desde o valle d’Acor, [5] e olhará pelo norte para Gilgal, a qual está á subida d’Adummim, que está para o sul do ribeiro: então este termo passará até ás aguas d’En-semes: e as suas saidas estarão da banda [6] d’En-rogel.

8 E este termo passará pelo valle do filho [7] d’Hinnom, da banda dos jebuseos do sul: esta é Jerusalem: e subirá este termo até ao cume do monte que está diante do valle d’Hinnom para o occidente, que está no fim do valle [8] dos rephains da banda do norte.

9 Então este termo irá desde a altura do monte até á fonte [9] das aguas de Nephtoah; e sairá até ás cidades do monte d’Ephron; irá mais este termo até Baala; esta é Kiriath-jearim:

10 Então tornará este termo desde Baala para o occidente, até ás montanhas de Seir, e passará ao lado do monte de Jearim da banda do norte; esta é Kesalon, e descerá a Beth-semes, e passará [10] por Timna.

11 Sairá este termo mais ao lado d’Ekron [11] para o norte, e este termo irá a Sicron, e passará o monte de Baala, e sairá em Jabneel: e as saidas d’este termo [12] eram no mar.

12 Será porém o termo da banda do occidente o mar grande, e o seu termo: este é o termo dos filhos [13] de Judah ao redor, segundo as suas familias.

13 Mas a Caleb, filho de Jefoné, deu uma parte no meio dos filhos de Judah, conforme ao dito do Senhor a Josué: a saber, a cidade de Arba, pae d’Enak; este é Hebron.

14 E expelliu Caleb d’ali [14] os tres filhos d’Enak: Sesai, e Ahiman, e Talmai, gerados d’Enak.

15 E d’ali subiu [15] aos habitantes de Debir: e fôra d’antes o nome de Debir Kiriath-sepher.

16 E disse Caleb: [16] Quem ferir a Kiriath-sepher, e a tomar, lhe darei a minha filha Acsa por mulher.

17 Tomou-a pois Othniel, [17] filho de Kenaz, irmão de Caleb: e deu-lhe a sua filha Acsa por mulher.

18 E succedeu que, [18] vindo ella a elle, o persuadiu que pedisse um campo a seu pae: e ella se apeou do jumento: então Caleb lhe disse: Que é que tens?

19 E ella disse; [19] Dá-me [IH] uma benção; pois me déste terra secca, dá-me tambem fontes de aguas. Então lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.

20 Esta é a herança da tribu dos filhos de Judah, segundo as suas familias.

21 São pois as cidades da extremidade da tribu dos filhos de Judah até ao termo d’Edom para o sul: Cabzeel, e Eder, e Jagur,

22 E Kina, e Dimona, e Adada,

23 E Kedes, e Hasor, e Itnan,

24 Zif, e Telem, e Bealoth,

25 E Hasor, Hadattha, e Kirioth-hesron (que é Hasor),

26 Aman, e Sema, e Molada,

27 E Hasar-gadda, e Hesmone, e Beth-palet,

28 E Hasar-sual, e Beer-seba, e Bizjo-theja,

29 Baala, e Jim, e Ezem,

30 E Eltolad, e Chesil, e Horma,

31 E Siklag, [20] e Madmanna, e Sansanna,

32 E Lebaoth, e Silhim, e Ain, e Rimmon: todas as cidades e as suas aldeias, vinte e nove.

33 Nas planicies: [21] Esthaol, e Sora, e Asna,

34 E Zanoah, e En-gannim, Tappuah, e Enam,

35 Iarmuth, e Adullam, Socho, e Azeka,

36 E Saaraim, e Adithaim, e Gedera, e Gederothaim, quatorze cidades e as suas aldeias.

37 Senan, e Hadasa, e Migdal-gad,

38 E Dilan, e Mispah, [22] e Jokteel,

39 Lachis, e Boscath, e Eglon,

40 E Cabbon, e Lahmas, e Chitlis,

41 E Gederoth, Beth-dagon, e Naama, e Makeda: dezeseis cidades e as suas aldeias.

42 Libna, e Ether, e Asan,

43 E Iphtah, e Asna, e Nezib,

44 E Keila, e Aczib, e Maresa: nove cidades e as suas aldeias.

45 Ekron, e os logares da sua jurisdicção, e as suas aldeias:

46 Desde Ekron, e até ao mar, todas as que estão da banda d’Asdod, e as suas aldeias.

47 Asdod, os logares da sua jurisdicção, e as suas aldeias; Gaza, os logares [23] da sua jurisdicção, e as suas aldeias, até ao rio do Egypto: e o mar grande e o seu termo.

48 E nas montanhas, Samir, Iatthir, e Socoh,

49 E Danna, e Kiriath-sanna, que é Debir,

50 E Anab, Estemo, e Anim,

51 E Gosen, [24] e Holon, e Gilo: onze cidades e as suas aldeias.

52 Arab, e Duma, e Esan,

53 E Ianum, e Beth-tappuah, e Apheka,

54 E Humta, e Kiriath-arba [25] (que é Hebron), e Sihor: nove cidades e as suas aldeias.

55 Maon, Carmel, e Zif, e Iuta,

56 E Jezreel, e Jokdeam, e Zanoah,

57 Cain, Gibea, e Timna: dez cidades e as suas aldeias.

58 Halhul, Beth-sur, e Gedor,

59 E Maarath, e Beth-anoth, e Eltekon: seis cidades e as suas aldeias.

60 Kiriath-baal [26] (que é, Kiriath-jearim), e Rabba: duas cidades e as suas aldeias.

61 No deserto: Beth-araba, Middin, e Secaca,

62 E Nibsan, e a cidade do sal, e Engedi: seis cidades e as suas aldeias.

63 Não poderam porém os filhos de Judah expellir [27] os jebuseos que habitavam em Jerusalem; assim habitaram os jebuseos com os filhos de Judah em Jerusalem, até ao dia de hoje.

[1] Num. 34.3 e 33.36.

[2] Num. 34.4.

[3] Num. 34.5.

[4] cap. 18.19 e 18.17.

[5] cap. 7.26.

[6] II Sam. 17.17. I Reis 1.9.

[7] cap. 18.16. II Sam. 23.10. Jer. 19.2, 6. cap. 12.28. Jui. 1.21 e 19.10.

[8] cap. 18.16.

[9] cap. 18.15. I Chr. 13.6. Jui. 18.12.

[10] Gen. 38.13. Jui. 14.4.

[11] cap. 19.43.

[12] ver. 47. Num. 34.6, 7.

[13] cap. 14.13, 15.

[14] Jui. 1.10, 20. Num. 13.22.

[15] cap. 10.28. Jui. 1.11.

[16] Jui. 1.12.

[17] Jui. 1.13 e 3.9. Num. 32.12. cap. 14.6.

[18] Jui. 1.14. Gen. 24.64. I Sam. 25.23.

[19] Gen. 33.11.

[20] I Sam. 27.6.

[21] Num. 13.23.

[22] II Reis 14.7.

[23] ver. 4. Num. 34.6.

[24] cap. 10.41 e 11.16.

[25] ver. 13. cap. 14.15.

[26] cap. 18.14.

[27] Jui. 1.8, 21. II Sam. 5.6. Jui. 1.21.

As heranças dos filhos de José. A herança de Ephraim.

16 Saiu depois a sorte dos filhos de José, desde o Jordão de Jericó ás aguas de Jericó, para o oriente, subindo ao deserto de Jericó pelas montanhas de Beth-el;

2 E de Beth-el sae a Luza, [1] e passa ao termo dos archeos, até Ataroth;

3 E desce da banda do occidente ao termo [2] de Japhleti, até ao termo de Beth-horon de baixo, e até Gazer, sendo as suas saidas para o mar.

4 Assim alcançaram a sua herança os filhos de José, Manasseh e Ephraim.

5 E foi o termo dos filhos [3] de Ephraim, segundo as suas familias, a saber: o termo da sua herança para o oriente era Atharoth-addar [4] até Beth-horon de cima:

6 E sae este termo para o occidente junto a Mikametath, [5] desde o norte, e torna este termo para o oriente a Thaanat-silo, e passa por ella desde o oriente a Janoha;

7 E desce desde Janoha a Atharoth e a Naharath, [6] e toca em Jericó, e vae sair ao Jordão.

8 De Tappuah vae este termo para o occidente ao ribeiro de Cana, [7] e as suas saidas no mar: esta é a herança da tribu dos filhos de Ephraim, segundo as suas familias.

9 E as cidades que [8] se separaram para os filhos de Ephraim estavam no meio da herança dos filhos de Manasseh: todas aquellas cidades e as suas aldeias.

10 E não expelliram aos cananeos [9] que habitavam em Gazer: e os cananeos habitaram no meio dos ephraimitas até ao dia de hoje; porém serviam-n’os, sendo-lhes tributarios.

[1] cap. 18.13. Jui. 1.26.

[2] cap. 18.13. II Chr. 8.5. I Chr. 7.28. I Reis 9.15.

[3] cap. 17.14.

[4] cap. 18.13. II Chr. 8.5.

[5] cap. 17.7.

[6] I Chr. 7.28.

[7] cap. 17.9.

[8] cap. 17.9.

[9] Jui. 1.29. I Reis 9.10.

A herança da meia tribu de Manasseh.

17 Tambem caiu a sorte á tribu de Manasseh, porquanto era [1] o primogenito de José, a saber: Machir, o primogenito de Manasseh, pae de Gilead, porquanto era homem de guerra, teve a Gilead e Basan.

2 Tambem os mais [2] filhos de Manasseh tiveram sorte, segundo as suas familias, a saber: os filhos d’Abiezer, e [3] os filhos de Helek, e os filhos d’Asriel, e os filhos de Sechem, e os filhos de Hepher, e os filhos de Semida: estes são os filhos machos de Manasseh, filho de José, segundo as suas familias.

3 Selofad, [4] porém, filho d’Hepher, o filho de Gilead, filho de Machir, o filho de Manasseh, não teve filhos, mas só filhas: e estes são os nomes de suas filhas: Machla, Noa, Hogla, Milka e Tirsa.

4 Estas, pois, chegaram diante d’Eleazar, [5] o sacerdote, e diante de Josué, filho de Nun, e diante dos principes, dizendo: O Senhor ordenou a Moysés [6] que se nos désse herança no meio de nossos irmãos: pelo que, conforme ao dito do Senhor, lhes deu herança no meio dos irmãos de seu pae.

5 E cairam a Manasseh dez quinhões, afóra a terra de Gilead, e Basan que está d’além do Jordão;

6 Porque as filhas de Manasseh no meio de seus filhos possuiram herança: e a terra de Gilead tiveram os outros filhos de Manasseh.

7 E o termo de Manasseh foi desde Aser até [7] Mikmetath, que está diante de Sechem: e vae este termo á mão direita, até aos moradores d’En-tappuah.

8 Tinha Manasseh a terra de Tappuah: porém a Tappuah, [8] no termo de Manasseh, tinham os filhos d’Ephraim.

9 Então desce este termo ao ribeiro de Cana, para o sul do ribeiro: d’Ephraim são estas cidades [9] no meio das cidades de Manasseh: e o termo de Manasseh está ao norte do ribeiro, sendo as suas saidas no mar.

10 Ephraim ao sul, e Manasseh ao norte, e o mar é o seu termo: pelo norte tocam em Aser, e pelo oriente em Issacar.

11 Porque em Issacar e em Aser tinha Manasseh [10] a Beth-sean e os logares da sua jurisdicção, e Ibleam e os logares da sua jurisdicção, e os habitantes de Dor e os logares da sua jurisdicção, e os habitantes d’En-dor e os logares da sua jurisdicção, e os habitantes de Thaanak e os logares da sua jurisdicção, e os habitantes de Megiddo e os logares da sua jurisdicção: tres comarcas.

12 E os filhos de Manasseh [11] não poderam expellir _os habitantes d’_aquellas cidades: porquanto os cananeos queriam habitar na mesma terra.

13 E succedeu que, engrossando em forças [12] os filhos de Israel, fizeram tributarios aos cananeos; porém não os expelliram de todo.

14 Então os filhos de José fallaram a Josué, dizendo: [13] Porque me déste por herança só uma sorte e um quinhão, sendo eu um tão grande povo, visto que o Senhor até aqui me tem abençoado?

15 E disse-lhes Josué: Se tão grande povo és, sobe ao bosque, e corta para ti ali logar na terra dos phereseos e dos rephains: pois que as montanhas de Ephraim te são tão estreitas.

16 Então disseram os filhos de José: As montanhas nos não bastariam: tambem carros ferrados ha entre todos os cananeos que habitam na terra do valle, entre os de Beth-sean e os logares [14] da sua jurisdicção, e entre os que estão no valle de Jezreel.

17 Então Josué fallou á casa de José, a Ephraim e a Manasseh, dizendo: Grande povo és, e grande força tens; uma só sorte não terás;

18 Porém as montanhas serão tuas: e, pois que bosque é, corta-o, e as suas saidas serão tuas: porque expellirás os cananeos, ainda que tenham carros ferrados, [15] ainda que sejam fortes.

[1] Gen. 41.51 e 46.20 e 48.18 e 50.23. Num. 26.29 e 32.39. I Chr. 7.14. Deu. 3.15.

[2] Num. 26.29-32.

[3] I Chr. 7.18. Num. 26.31, 32.

[4] Num. 26.33 e 27.1 e 36.2.

[5] cap. 14.1.

[6] Num. 27.6.

[7] cap. 16.6.

[8] cap. 16.8.

[9] cap. 16.9.

[10] I Chr. 7.29. I Sam. 31.10. I Reis 4.12.

[11] Jui. 1.27.

[12] cap. 16.10.

[13] cap. 16.4. Gen. 48.22 e 48.19. Num. 26.34.

[14] Jui. 1.19 e 4.3. cap. 19.18. I Reis 2.12.

[15] Deu. 20.1.

O tabernaculo é levantado em Silo.

18 E toda a congregação dos filhos de Israel se ajuntou em Silo, [1] e ali armaram a tenda da congregação, depois que a terra foi sujeita diante d’elles.

2 E d’entre os filhos de Israel ficaram sete tribus que ainda não tinham repartido a sua herança.

3 E disse Josué aos filhos de Israel: Até quando sereis negligentes a passardes para [2] possuir a terra que o Senhor Deus de vossos paes vos deu?

4 De cada tribu escolhei vós tres homens, para que eu os envie, e se levantem, e corram a terra, e a descrevam segundo as suas heranças, e se tornem a mim.

5 E a repartirão em sete partes: Judah [3] ficará no seu termo para o sul, e a casa de José ficará no seu termo para o norte.

6 E vós descrevereis a terra em sete partes, e m’a trareis a mim aqui descripta: para que eu aqui lance as [4] sortes perante o Senhor nosso Deus.

7 Porquanto os levitas [5] não teem parte no meio de vós, porém o sacerdocio do Senhor é a sua parte: [6] e Gad, e Ruben e a meia tribu de Manasseh tomaram a sua herança d’além do Jordão para o oriente, a qual lhes deu Moysés, o servo do Senhor.

8 Então aquelles homens se levantaram, e se foram: e Josué deu ordem aos que iam descrever a terra, dizendo: Ide, e correi a terra, e descrevei-a, e então tornae a mim, e aqui vos lançarei as sortes perante o Senhor, em Silo.

9 Foram pois aquelles homens, e passaram pela terra, e a descreveram, segundo as cidades, em sete partes, n’um livro: e voltaram a Josué, ao arraial em Silo.

10 Então Josué lhes lançou as sortes, em Silo, perante o Senhor; e ali repartiu Josué a terra aos filhos de Israel, conforme ás suas divisões.

A herança de Benjamin.

11 E subiu a sorte da tribu dos filhos de Benjamin, segundo as suas familias: e saiu o termo da sua sorte entre os filhos de Judah e os filhos de José.

12 E o seu termo [7] foi para a banda do norte, desde o Jordão: e sobe este termo ao lado de Jericó para o norte, e sobe pela montanha para o occidente, sendo as suas saidas no deserto de Beth-aven.

13 E d’ali passa este termo a Luza, ao lado de Luza (que é Beth-el) [8] para o sul: e desce este termo a Ataroth-adar, ao pé do monte que está da banda do sul de Beth-horon a baixa.

14 E vae este termo e torna á banda do occidente para o sul do monte que está defronte de Beth-horon, para o sul, e as suas saidas vão para Kiriath-baal [9] (que é Kiriath-jearim), cidade dos filhos de Judah: esta é a sua extensão para o occidente.

15 E a sua extensão para o sul está á extremidade de Kiriath-jearim: e sae este termo ao occidente, e vem a sair [10] á fonte das aguas de Nephtoah.

16 E desce este termo até á extremidade do monte que está defronte do valle [11] do filho de Hinnom, que está no valle dos rephains, para o norte, e desce pelo valle de Hinnom da banda dos jebuseos para o sul; e então desce á fonte de Rogel;

17 E vae desde o norte, e sae a Ensemes; e d’ali sae a Geliloth, que está defronte da subida de Adummim, e desce á pedra [12] de Bohan, filho de Ruben;

18 E passa até ao lado defronte [13] d’Araba para o norte, e desce a Araba;

19 Passa mais este termo até ao lado de Beth-hogla para o norte, estando as saidas d’este termo na lingua do mar salgado para o norte, na extremidade do Jordão para o sul: este é o termo do sul.

20 E termina o Jordão da banda do oriente: esta é a herança dos filhos de Benjamin, nos seus termos em redor, segundo as suas familias.

21 E as cidades da tribu dos filhos de Benjamin, segundo as suas familias, são: Jericó, e Beth-hogla, e Emekkesis,

22 E Beth-araba, e Semaraim, e Beth-el,

23 E Havvim, e Para, e Ophra,

24 E Chephar-haammonai, e Ophni, e Gaba: doze cidades e as suas aldeias:

25 Gibeon, e Rama, e Beeroth,

26 E Mispah, e Chephira, e Mosa,

27 E Rekem, e Irpeel, e Tharala,

28 E Sela, Eleph, e Jebusi [14] (esta é Jerusalem), Gibeath e Kiriath: quatorze cidades com as suas aldeias: esta é a herança dos filhos de Benjamin, segundo as suas familias.

[1] cap. 19.51 e 21.2 e 22.9. Jer. 7.12. Jui. 18.31. I Sam. 1.3, 24 e 4.3, 4.

[2] Jui. 18.9.

[3] cap. 15.1 e 16.1, 4.

[4] ver. 10. cap. 14.2.

[5] cap. 13.33.

[6] cap. 13.8.

[7] cap. 16.1.

[8] Gen. 28.19. Jui. 1.23. cap. 16.3.

[9] cap. 15.9.

[10] cap. 15.9.

[11] cap. 15.8.

[12] cap. 15.6.

[13] cap. 15.6.

[14] cap. 15.8.

A herança de Simeão.

19 E saiu a segunda sorte por Simeão, pela tribu dos filhos de Simeão, segundo as suas familias: e foi [1] a sua herança no meio da [2] herança dos filhos de Judah.

2 E tiveram na sua herança: Beer-seba, e Seba, e Molada,

3 E Hassar-sual, e Bala, e Asem,

4 E Eltholad, e Bethul, e Horma,

5 E Siklag, e Beth-hammarcaboth, e Hassar-susa,

6 E Beth-lebaoth, e Saruhen: treze cidades e as suas aldeias.

7 Ain, e Rimmon, e Ether, e Asan: quatro cidades e as suas aldeias.

8 E todas as aldeias que havia em redor d’estas cidades, até Baalath-beer, que é Ramath do sul: esta é a herança da tribu dos filhos de Simeão, segundo as suas familias.

9 A herança dos filhos de Simeão está entre o quinhão dos de Judah; porquanto a herança dos filhos de Judah era demasiadamente grande para elles: pelo que os filhos [3] de Simeão tiveram a sua herança no meio d’elles.

A herança de Zebulon.

10 E saiu a terceira sorte pelos filhos de Zebulon, segundo as suas familias: e foi o termo da sua herança até Sarid.

11 E sobe [4] o seu termo pelo occidente a Marala, e chega até Dabbeseth: chega tambem até ao ribeiro que está defronte de Jokneam.

12 E de Sarid volta para o oriente, para o nascente do sol, até ao termo de Chisloth-tabor, e sae a Dobrath, e vae subindo a Japhia.

13 E d’ali passa pelo oriente para o nascente, a Gath-hepher, em Ethcasin; e sae a Rimmon-methoar, que é Nea.

14 E torna este termo para o norte a Hannathon: e as suas saidas são o valle de Iphtah-el,

15 E Cattath, e Nahalal, e Simron, e Idala, e Beth-lehem: doze cidades e as suas aldeias.

16 Esta é a herança dos filhos de Zebulon, segundo as suas familias: estas cidades e as suas aldeias.

17 A quarta sorte saiu por Issacar: pelos filhos d’Issacar, segundo as suas familias.

18 E foi o seu termo Jezreela, e Chesulloth, e Sunem,

19 E Hapharaim, e Sion, e Anacarath,

20 E Rabbith, e Kision, e Ebes,

21 E Remeth, e En-gannim, e En-hadda, e Beth-patses.

22 E chega este termo até Tabor, e Sahasima, e Beth-semes; e as saidas do seu termo estão para o Jordão: dezeseis cidades e as suas aldeias.

23 Esta é a herança da tribu dos filhos d’Issacar, segundo as suas familias: estas cidades e as suas aldeias.

A herança de Aser.

24 E saiu a quinta sorte pela tribu dos filhos d’Aser, segundo as suas familias.

25 E foi o seu termo Helkath, e Hali, e Beten, e Acsaph,

26 E Alammelech, e Amad, e Misal: e chega a Carmel para o occidente, e a Sihor-libnath;

27 E volta do nascente do sol a Beth-dagon, e chega a Zebulon e ao valle de Iphtah-el, ao norte de Beth-emek e de Neiel, e vem sair a Cabul pela esquerda,

28 E Ebron, e Rehob, e Hammon, e Cana, até á grande [5] Sidon.

29 E volta este termo a Rama, e até á forte cidade de Tyro: então torna este termo a Hosa, e as suas saidas estão para o mar, desde o quinhão da terra até [6] Achzib;

30 E Uma, e Aphek, e Rechob: vinte e duas cidades e as suas aldeias.

31 Esta é a herança da tribu dos filhos d’Aser, segundo as suas familias: estas cidades e as suas aldeias.

32 E saiu a sexta sorte pelos filhos de Naphtali; para os filhos de Naphtali, segundo as suas familias.

33 E foi o seu termo desde Heleph e desde Allon em Saanannim, e Adami, Nekeb, e Jabneel, até Lakum: e estão as suas saidas no Jordão.

34 E volta este termo [7] pelo occidente a Azmoth-tabor, e d’ali passa a Huccok: e chega a Zebulon para o sul, e chega a Aser para o occidente, e a Judah pelo Jordão, para o nascente do sol.

35 E são as cidades fortes: Siddim, Ser, e Hammath, Raccath, e Chinnereth,

36 E Adama, e Rama, e Hasor,

37 E Kedes, e Edrei, e En-hazor,

38 E Iron, e Migdal-el, Horem, e Beth-anath, e Beth-semes: dezenove cidades e as suas aldeias.

39 Esta é a herança da tribu dos filhos de Naphtali, segundo as suas familias: estas cidades e as suas aldeias.

A herança de Dan.

40 A setima sorte saiu pela tribu dos filhos de Dan, segundo as suas familias.

41 E foi o termo da sua herança, Sora, e Estaol, e Ir-semes,

42 E Saalabbin, [8] e Ayalon, e Ithla,

43 E Elon, e Timnath, e Ekron,

44 E Elteke, e Gibthon, e Baalath,

45 E Jehud, e Bene-berak, e Gath-rimmon,

46 E Me-jarcom, e Raccon: com o termo defronte de [II] Japho:

47 Saiu porém pequeno o termo [9] aos filhos de Dan: pelo que subiram os filhos de Dan, e pelejaram contra Lesem, e a tomaram, e a feriram ao fio da espada, e a possuiram e habitaram n’ella, e a Lesem chamaram Dan, [10] conforme ao nome de Dan seu pae.

48 Esta é a herança da tribu dos filhos de Dan, segundo as suas familias; estas cidades e as suas aldeias.

49 Acabando pois de repartir a terra em herança segundo os seus termos, deram os filhos d’Israel a Josué, filho de Nun, herança no meio d’elles.

50 Segundo o dito do Senhor lhe deram [11] a cidade que pediu, a Timnath-serah, na montanha de Ephraim: e reedificou aquella cidade, e habitou n’ella.

51 Estas são as heranças [12] que Eleazar o sacerdote, e Josué filho de Nun, e os Cabeças dos paes das familias por sorte em herança repartiram ás tribus dos filhos d’Israel [13] em Silo, perante o Senhor, á porta da tenda da congregação. E assim acabaram de repartir a terra.

[1] ver. 9.

[2] I Chr. 4.28.

[3] ver. 1.

[4] Gen. 49.13. cap. 12.22.

[5] cap. 11.8. Jui. 1.31.

[6] Gen. 38.5. Jui. 1.31. Miq. 1.14.

[7] Deu. 33.32.

[8] Jui. 1.35.

[9] Jui. 18.

[10] Jui. 18.29.

[11] cap. 24.30. I Chr. 7.24.

[12] Num. 34.17. cap. 14.1.

[13] cap. 18.1, 10.

Estabelecem-se as cidades de refugio.

20 Fallou mais o Senhor a Josué, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, dizendo: [1] Apartae-vos as cidades de refugio, de que vos fallei pelo ministerio de Moysés:

3 Para que fuja para ali o homicida, que matar alguma pessoa por erro, e não com intento: para que vos sejam por refugio do vingador do sangue.

4 E, fugindo para alguma d’aquellas cidades, por-se-ha [2] á porta da cidade, e proporá as suas palavras perante os ouvidos dos anciãos da tal cidade: então o tomarão comsigo na cidade: e lhe darão logar, para que habite com elles.

5 E, se [3] o vingador do sangue o seguir, não entregarão na sua mão o homicida: porquanto não feriu a seu proximo com intento, e o não aborreceu d’antes.

6 E habitará na mesma cidade, [4] até que se ponha a juizo perante a congregação, até que morra o summo sacerdote que houver n’aquelles dias: então o homicida voltará, e virá á sua cidade, e á sua casa, á cidade d’onde fugiu.

7 Então [IJ] apartaram a Kedes [5] em Galilea, na montanha de Naphtali, e a Sichem [6] na montanha d’Ephraim, e a Kiriath-arba, esta é Hebron, na montanha de Judah.

8 E, d’além do Jordão de Jericó para o oriente, apartaram a Beser, no deserto, [7] na campina da tribu de Ruben, e a Ramoth em Gilead da tribu de Gad, e a Golan em Basan da tribu de Manasseh.

9 Estas são as cidades [8] que foram designadas para todos os filhos d’Israel, e para o estrangeiro que andasse entre elles; para que se acolhesse a ellas todo aquelle que ferisse alguma pessoa por erro: para que não morresse ás mãos do vingador do sangue, até [9] se pôr diante da congregação.

[1] Exo. 21.13. Num. 35.6, 11, 14. Deu. 19.2, 9.

[2] Ruth 4.1.

[3] Num. 35.12.

[4] Num. 35.12, 25.

[5] cap. 21.32. I Chr. 6.76.

[6] cap. 21.21. II Chr. 10.1. cap. 14.15 e 21.11, 13. Luc. 1.39.

[7] Deu. 4.43. cap. 21.36. I Chr. 6.78. cap. 21.38. I Reis 22.3. cap. 21.27.

[8] Num. 35.15.

[9] ver. 6.

As cidades da tribu de Levi.

21 Então os Cabeças dos paes dos levitas se achegaram [1] a Eleazar o sacerdote, e a Josué, filho de Nun, e aos Cabeças dos paes das tribus dos filhos d’Israel;

2 E fallaram-lhes em Silo [2] na terra de Canaan, dizendo: O Senhor ordenou, pelo ministerio de Moysés, que se nos déssem cidades para habitar, e os seus arrabaldes para os nossos animaes.

3 Pelo que os filhos d’Israel deram aos levitas da sua herança, conforme ao dito do Senhor, estas cidades e os seus arrabaldes.

4 E saiu a sorte pelas familias dos kohathitas: e aos filhos [3] de Aarão, o sacerdote, d’entre os levitas, cairam por sorte da tribu de Judah, e da tribu de Simeão, e da tribu de Benjamin, treze cidades;

5 E aos outros filhos de [4] Kohath cairam por sorte das familias da tribu d’Ephraim, e da tribu de Dan, e da meia tribu de Manasseh, dez cidades;

6 E aos filhos de Gerson [5] cairam por sorte das familias da tribu d’Issacar, e da tribu d’Aser, e da tribu de Naphtali, e da meia tribu de Manasseh em Basan, treze cidades;

7 Aos filhos de Merari, [6] segundo as suas familias, da tribu de Ruben, e da tribu de Gad, e da tribu de Zebulon, doze cidades.

8 E deram os filhos de Israel aos [7] levitas estas cidades e os seus arrabaldes por sorte, como o Senhor ordenara pelo ministerio de Moysés.

9 Deram mais da tribu dos filhos de Judah e da tribu dos filhos de Simeão estas cidades, que por nome foram nomeadas:

10 Para que fossem dos filhos d’Aarão, [8] das familias dos kohathitas, dos filhos de Levi; porquanto a primeira sorte foi sua.

11 Assim lhes [9] deram a cidade d’Arba, do pae d’Anok (esta é Hebron), [10] no monte de Judah, e os seus arrabaldes em redor d’ella.

12 Porém o campo da cidade, e [11] as suas aldeias, deram a Caleb, filho de Jefoné, por sua possessão.

13 Assim aos filhos d’Aarão, o sacerdote, deram [12] a cidade do refugio do homicida, Hebron, e os seus arrabaldes, e [13] Libna, e os seus arrabaldes;

14 E Jatthir, [14] e os seus arrabaldes, e Estmoa, e os seus arrabaldes;

15 E Cholon, [15] e os seus arrabaldes, e Debir, e os seus arrabaldes,

16 E Ain, [16] e os seus arrabaldes, e Jutta, e os seus arrabaldes, e Beth-semes e os seus arrabaldes: nove cidades d’estas duas tribus.

17 E da tribu de Benjamin, Gibeon, e os seus arrabaldes, [17] Geba, e os seus arrabaldes;

18 Anathoth, e os seus arrabaldes, e Almon, [18] e os seus arrabaldes; quatro cidades.

19 Todas as cidades dos sacerdotes, filhos d’Aarão, foram treze cidades e os seus arrabaldes.

20 E as familias [19] dos filhos de Kohath, levitas, que ficaram dos filhos de Kohath, tiveram as cidades da sua sorte da tribu d’Ephraim.

21 E deram-lhes Sichem, [20] cidade do refugio do homicida, e os seus arrabaldes, no monte de Ephraim, e Gezer, e os seus arrabaldes;

22 E Kibsaim, e os seus arrabaldes, e Beth-horon, e os seus arrabaldes: quatro cidades.

23 E da tribu de Dan, Elteke, e os seus arrabaldes, Gibbethon, e os seus arrabaldes;

24 Ajalon, e os seus arrabaldes, Gath-rimmon, e os seus arrabaldes: quatro cidades.

25 E da meia tribu de Manasseh, Taanach, e os seus arrabaldes, e Gath-rimmon, e os seus arrabaldes: duas cidades.

26 Todas as cidades para as familias dos filhos de Kohath que ficavam, foram dez, e os seus arrabaldes.

27 E aos filhos [21] de Gerson, das familias dos levitas, Golan da meia tribu de Manasseh, cidade do [22] refugio do homicida, em Basan, e os seus arrabaldes, e Be-estra, e os seus arrabaldes: duas cidades.

28 E da tribu de Issacar, Kisjon, e os seus arrabaldes: Daberath, e os seus arrabaldes;

29 Jarmuth, e os seus arrabaldes, En-gannim, e os seus arrabaldes: quatro cidades.

30 E da tribu d’Aser, Misal, e os seus arrabaldes, Abdon, e os seus arrabaldes;

31 Helkath, e os seus arrabaldes, e Rohob, e os seus arrabaldes; quatro cidades.

32 E da tribu de Naphtali, Kedes, cidade do refugio [23] do homicida, em Galilea, e os seus arrabaldes, e Hamoth-dor, e os seus arrabaldes; e Cartan, e os seus arrabaldes: tres cidades.

33 Todas as cidades dos gersonitas, segundo as suas familias, foram treze cidades e os seus arrabaldes.

34 E ás familias dos filhos [24] de Merari, dos levitas que ficavam, foram dadas da tribu de Zebulon, Jokneam e os seus arrabaldes, Carta e os seus arrabaldes,

35 Dimna e os seus arrabaldes, Nahalal e os seus arrabaldes: quatro cidades.

36 E da tribu de Ruben, Beser, e [25] os seus arrabaldes, e Jahaz, e os seus arrabaldes;

37 Kedemoth, e os seus arrabaldes, e Mephaath, e os seus arrabaldes: quatro cidades.

38 E da tribu de Gad, Ramoth, cidade do refugio [26] do homicida, em Gilead, e os seus arrabaldes, e Mahanaim, e os seus arrabaldes;

39 Hesbon, e os seus arrabaldes, Jaezer e os seus arrabaldes: por todas, quatro cidades.

40 Todas estas cidades foram dos filhos de Merari, segundo as suas familias, que ainda restavam das familias dos levitas; e foi a sua sorte doze cidades.

41 Todas as cidades [27] dos levitas, no meio da herança dos filhos d’Israel, foram quarenta e oito cidades e os seus arrabaldes.

42 Estavam estas cidades cada qual com os seus arrabaldes em redor d’ellas: assim estavam todas estas cidades.

43 D’esta sorte deu o Senhor a Israel toda a terra [28] que jurara dar a seus paes: e a possuiram e habitaram n’ella.

44 E o Senhor lhes deu repouso [29] em redor, conforme a tudo quanto jurara a seus paes; [30] e nenhum de todos os seus inimigos ficou em pé diante d’elles; todos os seus inimigos o Senhor deu na sua mão.

45 Palavra alguma falhou de todas as boas palavras que o Senhor fallara [31] á casa d’Israel: tudo se cumpriu.

[1] cap. 14.1 e 17.4.

[2] cap. 18.1. Num. 35.2.

[3] ver. 8, 19. cap. 24.33.

[4] ver. 20, etc.

[5] ver. 27, etc.

[6] ver. 34, etc.

[7] ver. 3. Num. 35.2.

[8] ver. 4.

[9] I Chr. 6.55. cap. 15.13.

[10] cap. 20.7. Luc. 1.39.

[11] cap. 14.14. I Chr. 6.56.

[12] I Chr. 6.57, etc. cap. 15.54 e 20.7.

[13] cap. 15.42.

[14] cap. 15.48, 50.

[15] I Chr. 6.58. cap. 15.51 e 15.49.

[16] I Chr. 6.59. cap. 15.10, 42, 55.

[17] cap. 18.24, 25.

[18] I Chr. 6.60.

[19] ver. 5. I Chr. 6.66.

[20] cap. 20.7.

[21] ver. 6. I Chr. 6.71.

[22] cap. 20.8.

[23] cap. 20.7.

[24] ver. 7. I Chr. 6.77.

[25] cap. 20.8.

[26] cap. 20.8.

[27] Num. 35.7.

[28] Gen. 13.15 e 15.18 e 26.3 e 28.4, 13.

[29] cap. 11.23 e 22.4.

[30] Deu. 7.24.

[31] cap. 23.14.

Josué abençoa e manda para suas casas as duas e meia tribus.

22 Então Josué chamou os rubenitas, e os gaditas, e a meia tribu de Manasseh,

2 E disse-lhes: [1] Tudo quanto Moysés, o servo do Senhor, vos ordenou, guardastes: e á minha voz obedecestes em tudo quanto vos ordenei.

3 A vossos irmãos por tanto tempo até ao _dia d’_hoje não desamparastes: antes tivestes cuidado da guarda do mandamento do Senhor vosso Deus.

4 E agora o Senhor vosso Deus deu repouso a vossos irmãos, como lhes tinha promettido: voltae-vos pois agora, e ide-vos a vossas tendas, á terra da vossa [2] possessão, que Moysés, o servo do Senhor, vos deu d’além do Jordão.

5 Tão sómente tende [3] cuidado de guardar com diligencia o mandamento e a lei que Moysés, o servo do Senhor, vos mandou: que ameis ao Senhor vosso Deus, e andeis em todos os seus caminhos, e guardeis os seus mandamentos, e vos achegueis a elle, e o sirvaes com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.

6 Assim Josué [4] os abençoou; e despediu-os, e foram-se ás suas tendas.

7 Porquanto Moysés déra herança em Basan a meia tribu de Manasseh; porém á outra [5] metade deu Josué entre seus irmãos, d’áquem do Jordão para o occidente; e enviando-os Josué tambem á suas tendas, os abençoou;

8 E fallou-lhes, dizendo: Voltae-vos ás vossas tendas com grandes riquezas, e com muitissimo gado, com prata, e com oiro, e com metal, e com ferro, e com muitissimos vestidos: [6] e com vossos irmãos reparti o despojo dos vossos inimigos.

9 Assim os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh voltaram, e partiram dos filhos de Israel, de Silo, que está na terra de Canaan; para se irem á terra [7] de Gilead, á terra da sua possessão, de que foram feitos possuidores, conforme ao dito do Senhor pelo ministerio de Moysés.

O altar do testemunho.

10 E, vindo elles aos limites do Jordão, que estão na terra de Canaan, ali os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh edificaram um altar junto ao Jordão, [IK] um altar de grande apparencia.

11 E ouviram [8] os filhos d’Israel dizer: Eis que os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh edificaram um altar na frente da terra de Canaan, nos limites do Jordão, da banda dos filhos d’Israel.

12 O que os filhos d’Israel ouvindo, ajuntou-se toda a congregação [9] dos filhos de Israel em Silo, para sairem contra elles em exercito.

13 E enviaram [10] os filhos de Israel aos filhos de Ruben, e aos filhos de Gad, e á meia tribu de Manasseh, para a terra de Gilead, a Phineas, [11] filho de Eleazar, o sacerdote;

14 E a dez principes com elle, de [12] cada casa paterna um principe, de todas as tribus de Israel: e cada um era Cabeça da casa de seus paes nos milhares de Israel.

15 E, vindo elles, aos filhos de Ruben, e aos filhos de Gad, e á meia tribu de Manasseh, á terra de Gilead, fallaram com elles, dizendo:

16 Assim diz toda a congregação do Senhor: Que transgressão é esta, com que transgredistes contra o Deus d’Israel, tornando-vos hoje d’após do Senhor, edificando-vos um altar, [13] para vos rebellardes contra o Senhor?

17 Foi-nos pouco a iniquidade de Peor? [14] de que ainda até ao dia de hoje não estamos purificados, ainda que houve castigo na congregação do Senhor?

18 E hoje vos tornaes d’após do Senhor: será que, rebellando-vos hoje contra o Senhor, ámanhã se irará contra toda a congregação de Israel.

19 Se é, porém, que a terra da vossa possessão [15] é immunda, passae-vos para a terra da possessão do Senhor, onde habita [16] o tabernaculo do Senhor, e tomae possessão entre nós: mas não vos rebelleis contra o Senhor, nem tão pouco vos rebelleis contra nós, edificando-vos um altar, afóra do altar do Senhor nosso Deus.

20 Não commetteu Acan, [17] filho de Zera, transgressão no tocante ao [IL] anathema? e não veiu ira sobre toda a congregação d’Israel? assim que aquelle homem não morreu só na sua iniquidade.

21 Então responderam os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh, e disseram aos Cabeças dos milhares de Israel:

22 O Deus dos deuses, o Senhor, [18] elle o sabe, e Israel mesmo o saberá; se é por rebeldia, ou por transgressão contra o Senhor, hoje não nos preserve;

23 Se nós edificámos altar para nos tornar d’após do Senhor, ou para sobre elle offerecer holocausto e offerta de manjares, ou sobre elle fazer offerta pacifica, [19] o Senhor mesmo de nós o requeira.

24 E, se o não fizemos por receio d’isto, dizendo: Amanhã vossos filhos virão a fallar a nossos filhos, dizendo: Que tendes vós com o Senhor Deus de Israel?

25 Pois o Senhor poz o Jordão por termo entre nós e vós, ó filhos de Ruben, e filhos de Gad; não tendes parte no Senhor: e assim bem poderiam vossos filhos fazer desistir a nossos filhos de temer ao Senhor.

26 Pelo que dissemos: Façamos agora, e nos edifiquemos um altar: não para holocausto, nem para sacrificio,

27 Mas para que entre [20] nós e vós, e entre as nossas gerações depois de nós, nos seja em testemunho, para podermos exercitar o serviço do Senhor diante d’elle com os nossos holocaustos, e com os nossos sacrificios, e com as nossas offertas pacificas: e para que vossos filhos não digam ámanhã a nossos filhos: Não tendes parte no Senhor.

28 Pelo que dissemos: Quando fôr que ámanhã assim nos digam a nós e ás nossas gerações, então diremos: Vêde o modelo do altar do Senhor que fizeram nossos paes, não para holocausto nem para sacrificio, porém para ser testemunho entre nós e vós.

29 Nunca tal nos aconteça, que nos rebellassemos contra o Senhor, ou que hoje nos tornassemos d’após do Senhor, edificando [21] altar para holocausto, offerta de manjares ou sacrificio, fóra do altar do Senhor nosso Deus, que está perante o seu tabernaculo.

30 Ouvindo pois Phineas, o sacerdote, e os principes da congregação, e os Cabeças dos milhares de Israel, que com elle estavam, as palavras que disseram os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e os filhos de Manasseh, pareceu bem aos seus olhos.

31 E disse Phineas, filho de Eleazar, o sacerdote, aos filhos de Ruben, e aos filhos de Gad, e aos filhos de Manasseh: Hoje sabemos que o Senhor está no meio de nós; [22] porquanto não commettestes transgressão contra o Senhor: agora livrastes os filhos de Israel da mão do Senhor.

32 E tornou-se Phineas, filho de Eleazar, o sacerdote, com os principes, de com os filhos de Ruben, e de com os filhos de Gad, da terra de Gilead á terra de Canaan, aos filhos de Israel: e trouxeram-lhes a resposta.

33 E pareceu a resposta boa aos olhos dos [23] filhos d’Israel, e os filhos d’Israel louvaram a Deus: e não fallaram mais de subir contra elles em exercito, para destruirem a terra em que habitavam os filhos de Ruben e os filhos de Gad.

34 E os filhos de Ruben e os filhos de Gad pozeram ao altar o nome [IM] Ed: para que seja testemunho entre nós que o Senhor é Deus.

[1] Num. 32.20. Deu. 3.18. cap. 1.16, 17.

[2] Num. 32.33. Deu. 29.8. cap. 13.8.

[3] Deu. 6.6, 17 e 11.22 e 10.22.

[4] Gen. 47.7. Exo. 39.43. cap. 14.13. II Sam. 6.18. Luc. 24.50.

[5] cap. 17.5.

[6] Num. 31.27. I Sam. 30.24.

[7] Num. 22.1, 26, 29.

[8] Deu. 13.12, etc. Jui. 20.12.

[9] Jui. 20.1.

[10] Deu. 13.14. Jui. 20.12.

[11] Exo. 6.25. Num. 25.7.

[12] Num. 1.4.

[13] Lev. 17.8, 9. Deu. 12.13, 14.

[14] Num. 25.3, 4.

[15] Num. 16.22.

[16] cap. 18.1.

[17] cap. 7.1, 5.

[18] Deu. 10.17. I Reis 8.39. Job 10.7. Psa. 44.21. Jer. 12.13. II Cor. 11.11, 31.

[19] Deu. 18.19. I Sam. 20.16.

[20] Gen. 31.48. cap. 24.27. ver. 34. Deu. 12.5, 6, 11, 12, 17, 18, 26.

[21] Deu. 12.13.

[22] Lev. 26.11. II Chr. 15.2.

[23] I Chr. 29.20. Neh. 8.6. Dan. 2.19. Luc. 2.28.

Josué exhorta o povo a observar a lei do Senhor.

[Antes de Christo 1427]

23 E succedeu que, muitos dias depois que o Senhor déra [1] repouso a Israel de todos os seus inimigos em redor, e Josué [2] já fosse velho e entrado em dias,

2 Chamou Josué a todo o Israel, [3] aos seus anciãos, e aos seus Cabeças, e aos seus juizes, e aos seus officiaes, e disse-lhes: Eu já sou velho e entrado em dias;

3 E vós já tendes visto tudo quanto o Senhor vosso Deus fez a todas estas nações por causa de vós: [4] porque o Senhor vosso Deus é o que pelejou por vós.

4 Vêdes aqui que vos fiz cair [5] em sorte ás vossas tribus estas nações que ficam desde o Jordão, com todas as nações que tenho destruido, até ao grande mar para o pôr do sol.

5 E o Senhor vosso Deus as empuxará de diante de vós, e as expellirá de diante de vós: e [6] vós possuireis a sua terra, [7] como o Senhor vosso Deus vos tem dito.

6 Esforçae-vos pois muito [8] para guardardes e para fazerdes tudo quanto está escripto no livro da lei de Moysés: para que d’elle não vos aparteis, nem para a direita nem para a esquerda;

7 Por não entrardes a estas [9] nações que ainda ficaram comvosco: e dos nomes de seus deuses não façaes menção, nem por elles façaes jurar, nem os sirvaes, nem a elles vos inclineis.

8 Mas ao Senhor vosso Deus vos achegareis, [10] como fizestes até ao dia de hoje;

9 Pois o Senhor expelliu [11] de diante de vós grandes e numerosas nações: e, quanto a vós, ninguem ficou em pé diante de vós até ao dia de hoje.

10 Um só homem d’entre vós perseguirá a mil: [12] pois é o mesmo Senhor vosso Deus o que peleja por vós, como já vos tem dito.

11 Portanto, guardae muito [13] as vossas almas, para amardes ao Senhor vosso Deus.

12 Porque se d’alguma maneira vos apartardes, [14] e vos achegardes ao resto d’estas nações que ainda ficou comvosco, e com ellas vos aparentardes, e vós a ellas entrardes, e ellas a vós,

13 Sabei certamente que o Senhor vosso [15] Deus não continuará mais a expellir estas nações de diante de vós, mas vos serão por laço [16] e rede, e açoite ás vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos; até que pereçaes d’esta boa terra que vos deu o Senhor vosso Deus.

14 E eis aqui eu vou hoje pelo caminho de toda a terra: [17] e vós bem sabeis, com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma, que nem uma só palavra caiu de todas as boas palavras que fallou de vós o Senhor vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem d’ellas caiu uma só palavra.

15 E será que, assim como sobre vós vieram todas estas boas coisas, que o Senhor vosso Deus vos disse, [18] assim trará o Senhor sobre vós todas aquellas más coisas, até vos destruir de sobre a boa terra que vos deu o Senhor vosso Deus.

16 Quando traspassardes o concerto do Senhor vosso Deus, que vos tem ordenado, e fôrdes e servirdes a outros deuses, e a elles vos inclinardes, então a ira do Senhor sobre vós se accenderá, e logo perecereis de sobre a boa terra que vos deu.

[1] cap. 21.44 e 22.4.

[2] cap. 13.1.

[3] Deu. 31.28. cap. 24.1. I Chr. 28.1.

[4] Exo. 14.14. cap. 10.14, 42.

[5] cap. 13.2, 6 e 18.10.

[6] Exo. 23.30 e 33.2 e 34.11. Deu. 11.23. cap. 13.6.

[7] Num. 33.53.

[8] cap. 1.7. Deu. 5.32 e 28.14.

[9] Exo. 23.33. Deu. 7.2. Pro. 4.14. Eph. 5.11. Exo. 23.13. Jer. 5.7. Sof. 1.5. Num. 32.38.

[10] Deu. 10.20 e 11.22. cap. 22.5.

[11] Deu. 11.23. cap. 22.5.

[12] Lev. 26.8. Deu. 32.30. Jui. 3.31 e 15.15. II Sam. 23.8. Exo. 14.14 e 23.27. Deu. 3.22.

[13] cap. 22.5.

[14] Heb. 10.38, 39. II Ped. 2.20. Deu. 7.3.

[15] Jui. 2.3.

[16] Exo. 23.33. Num. 33.55. Deu. 7.16. I Reis 11.4.

[17] I Reis 2.2. Heb. 9.27. cap. 21.45. Luc. 21.33.

[18] Deu. 28.63. Lev. 26.16. Deu. 28.15, 16, etc.

Josué traz á memoria do povo tudo o que Deus tinha feito por elle.

24 Depois ajuntou Josué todas as tribus d’Israel em Sichem: [1] e chamou os anciãos d’Israel, e os seus Cabeças, e os seus juizes, e os seus officiaes: e elles se apresentaram diante de Deus.

2 Então Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus d’Israel: D’além do rio antigamente habitaram vossos paes, [2] Terah, pae d’Abrahão e pae de Nachor: [3] e serviram a outros deuses.

3 Eu porém tomei a vosso pae Abrahão [4] d’além do rio, e o fiz andar por toda a terra de Canaan: tambem multipliquei a sua semente, e dei-lhe a Isaac.

4 E a Isaac [5] dei a Jacob e a Esaú: e a Esaú dei a montanha de Seir, para a possuir: porém Jacob e seus filhos desceram para o Egypto.

5 Então enviei a Moysés [6] e a Aarão, e feri ao Egypto, como o fiz no meio d’elle; e depois vos tirei de lá.

6 E, tirando eu a vossos paes do Egypto, [7] viestes ao mar: e os egypcios perseguiram a vossos paes, com carros e com cavalleiros, até ao Mar Vermelho.

7 E clamaram ao Senhor, [8] e poz uma escuridão entre vós e os egypcios, e trouxe o mar sobre elles, [9] e os cobriu, e os vossos olhos viram o que eu fiz no Egypto: depois habitastes no deserto muitos dias.

8 Então eu vos trouxe á terra dos amorrheos, que habitavam d’além do Jordão, os quaes pelejaram [10] contra vós: porém os dei na vossa mão, e possuistes a sua terra, e os destrui diante de vós.

9 Levantou-se tambem Balac, [11] filho de Zippor, rei dos moabitas, e pelejou contra Israel: e enviou e chamou a Balaão, filho de Beor, para que vos amaldiçoasse.

10 Porém eu não quiz ouvir [12] a Balaão: pelo que, abençoando-vos, abençoou, e livrei-vos da sua mão.

11 E, passando vós o Jordão, [13] e vindo a Jericó, os habitantes de Jericó pelejaram contra vós, os amorrheos, e os pherezeos, e os cananeos, e os hetheos, e os girgaseos, e os heveos, e os jebuseos; porém os dei na vossa mão.

12 E enviei vespões [14] diante de vós, que os expelliram de diante de vós, como a ambos os reis dos amorrheos: não com a tua espada, nem com o teu arco.

13 E eu vos dei a terra em que não trabalhastes, e cidades [15] que não edificastes, e habitaes n’ellas, e comeis das vinhas e dos olivaes que não plantastes.

Josué faz, de novo, concerto com o povo.

14 Agora pois temei [16] ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade: e deitae fóra os deuses aos quaes serviram vossos paes d’além do rio e no Egypto, e servi ao Senhor.

15 Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, [17] escolhei-vos hoje a quem sirvaes: se os deuses a quem serviram vossos paes, que estavam d’além do rio, ou os deuses dos amorrheos, em cuja terra habitaes: porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.

16 Então respondeu o povo, e disse: Nunca nos aconteça que deixemos ao Senhor para servirmos a outros deuses;

17 Porque o Senhor é o nosso Deus; elle é o que nos fez subir, a nós e a nossos paes, da terra do Egypto, da casa da servidão, e o que tem feito estes grandes signaes aos nossos olhos, e nos guardou por todo o caminho que andámos, e entre todos os povos pelo meio dos quaes passámos.

18 E o Senhor expelliu de diante de nós a todas estas gentes, até ao amorrheo, morador da terra: tambem nós serviremos ao Senhor, porquanto é nosso Deus.

19 Então Josué disse ao povo: [18] Não podereis servir ao Senhor, porquanto é Deus sancto, é Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos peccados.

20 Se deixardes ao Senhor, [19] e servirdes a deuses estranhos, então se tornará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos fazer bem.

21 Então disse o povo a Josué: Não, antes ao Senhor serviremos.

22 E Josué disse ao povo: Sois testemunhas contra vós mesmos de que vós escolhestes [20] ao Senhor, para o servir. E disseram: Somos testemunhas.

23 Deitae pois agora fóra [21] aos deuses estranhos que ha no meio de vós: e inclinae o vosso coração ao Senhor Deus d’Israel.

24 E disse o povo a Josué: Serviremos ao Senhor nosso Deus, e obedeceremos á sua voz.

25 Assim fez Josué concerto [22] n’aquelle dia com o povo, e lh’o poz por estatuto e direito em Sichem.

A pedra do testemunho.

26 E Josué escreveu [23] estas palavras no livro da lei de Deus: e tomou uma grande pedra, e a erigiu ali debaixo do carvalho que estava junto ao sanctuario do Senhor.

27 E disse Josué a todo o [24] povo: Eis que esta pedra nos será por testemunho; pois ella ouviu todas as palavras que o Senhor nos tem dito: e tambem será testemunho contra vós, para que não mintaes a vosso Deus.

28 Então Josué enviou o povo, [25] a cada um para a sua herdade.

A morte de Josué e de Eleazar.

29 E depois d’estas coisas succedeu que [26] Josué, filho de Nun, o servo do Senhor, falleceu, sendo da edade de cento e dez annos.

30 E sepultaram-n’o no termo da sua herdade, em [27] Timnath-sera, que está no monte d’Ephraim, para o norte do monte de Gaas.

31 Serviu pois Israel [28] ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito depois de Josué, e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel.

32 Tambem enterraram em Sichem os ossos [29] de José, que os filhos d’Israel trouxeram do Egypto, n’aquella parte do campo que Jacob comprara aos filhos d’Hemor, [30] pae de Sichem, por cem peças de prata: porquanto foram em herança para os filhos de José.

33 Falleceu tambem Eleazar, filho d’Aarão, e o sepultaram no outeiro de Phineas, [31] seu filho, que lhe fôra dado na montanha de Ephraim.

[1] Gen. 35.4. cap. 23.2. I Sam. 10.19.

[2] Gen. 11.26, 31.

[3] Gen. 31.53.

[4] Gen. 12.1. Act. 7.2, 3.

[5] Gen. 21.2 e 25.24, 25, 26 e 36.8. Deu. 2.5. Gen. 46.1, 6. Act. 7.15.

[6] Exo. 3.10 e 7 e 8 e 9 e 10.12.

[7] Exo. 12.37, 51 e 14.2, 9.

[8] Exo. 14.10, 20, 27, 28.

[9] Deu. 4.34 e 29.2. cap. 5.6.

[10] Num. 21.21, 33. Deu. 2.32 e 3.1.

[11] Jui. 11.25. Num. 22.5. Deu. 23.4.

[12] Deu. 23.5. Num. 23.11, 20 e 24.10.

[13] cap. 3.14, 17 e 4.10, 11, 12 e 6.1 e 10.1 e 11.1.

[14] Exo. 23.28. Deu. 7.20. Psa. 49.4, 7.

[15] Deu. 6.10, 11. cap. 11.13.

[16] Deu. 10.12. I Sam. 12.24. Gen. 17.1. Deu. 18.13. II Cor. 1.12. Eph. 6.24. ver. 2, 23. Lev. 17.7. Eze. 20.18.

[17] Ruth 1.15. I Reis 18.21. Eze. 20.39. João 6.67. Exo. 23.24, 32, 33 e 34.15. Deu. 13.7 e 29.18. Jui. 6.10. Gen. 18.19.

[18] Mat. 6.24. Lev. 19.2. I Sam. 6.20. Psa. 100.5, 9. Isa. 5.16. Exo. 20.5 e 23.21.

[19] I Chr. 28.9. II Chr. 15.2. Esd. 8.22. Isa. 1.28 e 65.11, 12. Jer. 17.13. cap. 23.15. Isa. 63.10. Act. 7.42.

[20] Psa. 119.173.

[21] ver. 14. Gen. 35.2. Jui. 10.16. I Sam. 7.3.

[22] Exo. 15.25. II Reis 11.17. ver. 26.

[23] Deu. 31.24. Jui. 9.6. Gen. 28.18. cap. 4.3. Gen. 35.4.

[24] Gen. 31.48, 52. Deu. 31.19, 21, 26. cap. 22.27, 28, 34. Deu. 32.1.

[25] Jui. 2.6.

[26] Jui. 2.8.

[27] cap. 19.50. Jui. 2.9.

[28] Jui. 2.7. Deu. 11.2 e 31.13.

[29] Gen. 50.25. Exo. 13.19.

[30] Gen. 33.19.

[31] Exo. 6.25. Jui. 20.28.

O LIVRO DOS JUIZES.

Novas conquistas pelas tribus.

[Antes de Christo 1425]

1 E succedeu, depois da morte de Josué, [1] que os filhos de Israel perguntaram ao Senhor, dizendo: Quem d’entre nós primeiro subirá aos cananeos, para pelejar contra elles?

2 E disse o Senhor: Judah subirá: [2] eis que lhe dei esta terra na sua mão.

3 Então disse Judah a Simeão, seu irmão: Sobe commigo á minha sorte, e pelejemos contra os cananeos, [3] e tambem eu comtigo subirei á tua sorte. E Simeão partiu com elle.

4 E subiu Judah, e o Senhor lhe deu na sua mão os cananeos e os pherezeos: e feriram [4] d’elles em Bezek a dez mil homens.

5 E acharam a Adoni-bezek em Bezek, e pelejaram contra elle: e feriram aos cananeos e aos pherezeos.

6 Porém Adoni-bezek fugiu, e o seguiram, e o prenderam, e lhe cortaram os dedos pollegares das mãos e dos pés.

7 Então disse Adoni-bezek: Setenta reis com os dedos pollegares das mãos e dos pés cortados apanhavam as migalhas debaixo da minha mesa: assim como eu fiz, [5] assim Deus me pagou. E o trouxeram a Jerusalem, e morreu ali.

8 Porque os filhos [6] de Judah pelejaram contra Jerusalem, e a tomaram, e a feriram ao fio da espada: e a cidade pozeram a fogo.

9 E depois [7] os filhos de Judah desceram a pelejar contra os cananeos que habitavam nas montanhas, e no sul, e nas planicies.

10 E partiu Judah contra os cananeos que habitavam em Hebron (era porém d’antes [8] o nome de Hebron Quiriath-arba): e feriram a Sesai, e a Ahiman e a Talmai.

11 E d’ali partiu contra [9] os moradores de Debir: e era d’antes o nome de Debir Quiriath-sepher.

12 E disse Caleb: [10] Quem ferir a Quiriath-sepher, e a tomar, lhe darei a minha filha Acsa por mulher.

13 E tomou-a Othniel, filho de Kenaz, o irmão [11] de Caleb, mais novo do que elle: e Caleb lhe deu a sua filha Acsa por mulher.

14 E succedeu que, vindo ella a elle, o persuadiu [12] que pedisse um campo a seu pae; e ella se apeou do jumento, saltando: e Caleb lhe disse: Que é o que tens?

15 E ella lhe disse: [13] Dá-me [IN] uma benção; pois me déste uma terra secca, dá-me tambem fontes de aguas. E Caleb lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.

16 Tambem os filhos [14] do Keneo, sogro de Moysés, subiram da cidade das palmeiras com os filhos de Judah ao deserto de Judah, que está ao sul [15] de Arad: e foram, e habitaram com o povo.

17 Foi-se pois Judah [16] com Simeão, seu irmão, e feriram aos cananeos que habitavam em Zephath: e totalmente a destruiram, e chamaram o nome [17] d’esta cidade [IO] Horma.

18 Tomou mais Judah a Gaza [18] com o seu termo, e a Ascalon com o seu termo, e a Ecron com o seu termo.

19 E foi o Senhor com Judah, [19] e despovoou as montanhas: porém não expelliu aos moradores do valle, porquanto tinham carros [20] ferrados.

20 E deram Hebron [21] a Caleb, como Moysés o dissera: e d’ali expelliu os tres filhos d’Enak.

21 Porém os filhos [22] de Benjamin não expelliram os jebuseos que habitavam em Jerusalem; antes os jebuseos habitaram com os filhos de Benjamin em Jerusalem, até _ao dia d’_hoje.

22 E subiu tambem a casa de José a Beth-el, [23] e foi o Senhor com elles.

23 E fez a casa de José espiar a Beth-el: e foi d’antes o nome d’esta cidade [24] Luz.

24 E viram os espias a um homem, que sahia da cidade, e lhe disseram: Ora mostra-nos a entrada da cidade, e usaremos [25] comtigo de beneficencia.

25 E, mostrando-lhes elle a entrada da cidade, feriram a cidade ao fio da espada: porém áquelle homem e a toda a sua familia deixaram ir.

26 Então aquelle homem foi-se á terra dos hetheos, e edificou uma cidade, e chamou o seu nome Luz; este é o seu nome até ao dia d’hoje.

27 Nem Manasseh expelliu os habitantes de [26] Beth-sean, nem dos logares da sua jurisdicção; nem a Taanach, com os logares da sua jurisdicção; nem aos moradores de Dor, com os logares da sua jurisdicção; nem aos moradores de Ibleam, com os logares da sua jurisdicção; nem aos moradores de Megiddo, com os logares da sua jurisdicção: e quizeram os cananeos habitar na mesma terra.

28 E succedeu que, quando Israel cobrou mais forças, fez dos cananeos tributarios: porém não os expelliu de todo.

29 Tão pouco expelliu Ephraim aos [27] cananeos que habitavam em Gezer: antes os cananeos habitavam no meio d’elle, em Gezer.

30 Tão pouco expelliu Zebulon aos moradores de Kitron, [28] nem aos moradores de Nahalol: porém os cananeos habitavam no meio d’elle, e foram tributarios.

31 Tão pouco Aser [29] expelliu aos moradores d’Acco, nem aos moradores de Sidon: como nem a Acbal, nem a Acsih, nem a Chelba, nem a Aphik, nem a Recob;

32 Porém os aseritas habitaram no meio dos cananeos que habitavam na terra: [30] porquanto os não expelliram.

33 Tão pouco Naphtali expelliu [31] aos moradores de Beth-semes, nem aos moradores de Beth-anath; mas habitou no meio dos cananeos que habitavam na terra: porém lhes foram [32] tributarios os moradores de Beth-semes e Beth-anath.

34 E apertaram os amorrheos aos filhos de Dan até ás montanhas: porque nem os deixavam descer ao valle.

35 Tambem os amorrheos quizeram habitar nas montanhas de Heres, em Ajalon [33] e em Saalbim: porém prevaleceu a mão da casa de José, e ficaram tributarios.

36 E foi o termo dos amorrheos desde a [34] subida d’Akrabbim: desde a penha, e d’ali para cima.

[1] Num. 27.21. cap. 20.18.

[2] Gen. 40.8.

[3] ver. 17.

[4] I Sam. 11.8.

[5] Lev. 24.19. I Sam. 15.33. Thi. 2.13.

[6] Jos. 15.63.

[7] Jos. 10.36 e 11.21 e 15.13.

[8] Jos. 14.15 e 15.13, 14.

[9] Jos. 15.15.

[10] Jos. 16.16, 17.

[11] cap. 3.9.

[12] Jos. 15.18, 19.

[13] Gen. 33.11.

[14] cap. 4.11, 17. I Sam. 15.6. I Chr. 2.55. Jer. 35.2. Deu. 34.3.

[15] Num. 21.1 e 10.32.

[16] ver. 3.

[17] Num. 21.3. Jos. 19.4.

[18] Jos. 11.22.

[19] ver. 2. II Reis 18.7.

[20] Jos. 17.16, 18.

[21] Num. 14.24. Deu. 1.36. Job 14.9, 13 e 15.13, 14.

[22] Jos. 15.63 e 18.28.

[23] ver. 19. Jos. 2.1 e 7.2. cap. 18.2.

[24] Gen. 28.19.

[25] Jos. 2.12, 14.

[26] Jos. 17.11, 12, 13.

[27] Jos. 16.10. I Reis 9.16.

[28] Jos. 19.15.

[29] Jos. 19.24, 30.

[30] Psa. 106.34, 35.

[31] Jos. 19.38.

[32] ver. 32.

[33] Jos. 19.42.

[34] Num. 34.4. Jos. 15.3.

O anjo do Senhor reprehende os israelitas.

[Antes de Christo 1406]

2 E subiu o anjo do Senhor de Gilgal [1] a Bochim, e disse: Do Egypto vos fiz subir, e vos trouxe á terra que a vossos paes tinha jurado e dito: Nunca invalidarei o meu [2] concerto comvosco.

2 E, quanto a vós, não fareis concerto [3] com os moradores d’esta terra, antes derrubareis os seus altares: mas vós não obedecestes á minha voz. Porque fizestes isto?

3 Pelo que tambem eu disso: Não os expellirei de diante de vós: antes estarão ás vossas ilhargas, e os seus deuses vos [4] serão por laço.

4 E succedeu que, fallando o anjo do Senhor estas palavras a todos os filhos d’Israel, o povo levantou a sua voz e chorou.

5 Pelo que chamaram áquelle logar, [IP] Bochim: e sacrificaram ali ao Senhor.

6 E havendo Josué despedido o [5] povo, foram-se os filhos d’Israel, cada um á sua herdade, para possuirem a terra.

A infidelidade dos israelitas depois da morte de Josué.

7 E serviu [6] o povo ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que prolongaram os seus dias depois de Josué, e viram toda aquella grande obra do Senhor, que fizera a Israel.

8 Falleceu [7] porém Josué, filho de Nun, servo do Senhor, da edade de cento e dez annos;

9 E sepultaram-o [8] no termo da sua herdade, em Timnath-heres, no monte d’Ephraim, para o norte do monte de Gaas.

10 E foi tambem congregada toda aquella geração a seus paes, e outra geração após d’elles se levantou, que não conhecia ao [9] Senhor, nem tão pouco a obra, que fizera a Israel.

11 Então fizeram os filhos de Israel o que parecia mal aos olhos do Senhor: e serviram os baalins.

12 E deixaram [10] ao Senhor Deus de seus paes, que os tirara da terra do Egypto, e foram-se após d’outros deuses, d’entre os deuses das gentes, que havia ao redor d’elles, e encurvaram-se a elles: e provocaram ao Senhor a ira.

13 Porquanto deixaram [11] ao Senhor: e serviram a Baal e a Astaroth.

14 Pelo que a ira [12] do Senhor se accendeu contra Israel, e os deu na mão dos roubadores, e os roubaram: e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor: e não poderam mais estar em pé diante dos seus inimigos.

15 Por onde quer que sahiam, a mão do Senhor era contra elles para mal, como o Senhor tinha dito, e como o Senhor lh’o [13] tinha jurado: e estavam em grande aperto.

16 E levantou o Senhor [14] juizes, que os livraram da mão dos que os roubaram.

17 Porém tão pouco ouviram aos juizes, antes fornicaram após outros deuses, e encurvaram-se a elles: [15] depressa se desviaram do caminho, por onde andaram seus paes, ouvindo os mandamentos do Senhor; o que elles assim não fizeram.

18 E, quando o Senhor lhes [16] levantava juizes, o Senhor era com o juiz, e os livrava da mão dos seus inimigos, todos os dias d’aquelle juiz; porquanto o Senhor se arrependia pelo seu gemido, por causa dos que os apertavam e opprimiam.

19 Porém succedia que, [17] fallecendo o juiz, tornavam e se corrompiam mais do que seus paes, andando após de outros deuses, servindo-os, e encurvando-se a elles: nada deixavam das suas obras, nem do seu duro caminho.

20 Pelo que a ira [18] do Senhor se accendeu contra Israel; e disse: Porquanto este povo traspassou [19] o meu concerto, que tinha ordenado a seus paes, e não deram ouvidos á minha voz.

21 Tão pouco desapossarei mais de [20] diante d’elles a nenhuma das nações, que Josué deixou, morrendo;

22 Para por ellas provar [21] a Israel, se houvessem de guardar o caminho do Senhor, para por elle andarem, como seus paes o guardaram, ou não.

23 Assim o Senhor deixou ficar aquellas nações, e não as desterrou logo, nem as entregou na mão de Josué.

[1] ver. 5.

[2] Gen. 17.7.

[3] Deu. 7.2 e 12.3. ver. 20.

[4] Jos. 23.13. cap. 3.6. Exo. 23.33 e 34.12. Deu. 7.16. Psa. 106.36.

[5] Jos. 22.6 e 24.28.

[6] Jos. 24.31.

[7] Jos. 24.29.

[8] Jos. 24.30 e 19.50 e 24.30.

[9] Exo. 5.2. I Sam. 2.12. I Chr. 28.9. Jer. 9.3 e 22.16. Gal. 4.8. II The. 1.8. Tito 1.16.

[10] Deu. 31.16 e 6.14. Exo. 20.5.

[11] cap. 3.7 e 10.7. Psa. 106.36.

[12] cap. 3.8. Psa. 106.40, 41, 42. II Reis 17.20. cap. 3.8 e 4.2. Isa. 50.1.

[13] Lev. 26. Deu. 28.

[14] cap. 3.9, 10, 15. I Sam. 12.11. Act. 13.20.

[15] Exo. 34.15, 16. Lev. 17.7.

[16] Jos. 1.5.

[17] cap. 3.12 e 4.1 e 8.33.

[18] ver. 14.

[19] Jos. 23.16.

[20] Jos. 23.13.

[21] cap. 3.1, 4. Deu. 8.2, 16 e 13.3.

Servidão dos israelitas sob Cusan, rei da Syria ou Aram.

3 Estas pois são as nações, [1] que o Senhor deixou ficar, para por ellas provar a Israel, a saber, a todos os que não sabiam de todas as guerras de Canaan,

2 Tão sómente para que as gerações dos filhos d’Israel d’ellas soubessem (para lhes ensinar a guerra), pelo menos os que d’antes não sabiam d’ellas:

3 Cinco [2] principes dos philisteos, e todos os cananeos, e sidonios, e heveos, que habitavam nas montanhas do Libano, desde o monte de Baal-hermon, até á entrada d’Hamath.

4 Estes pois ficaram, [3] para por elles provar a Israel, para saber se dariam ouvidos aos mandamentos do Senhor, que tinha ordenado a seus paes, pelo ministerio de Moysés.

5 Habitando pois os filhos de Israel [4] no meio dos cananeos, dos hetheos, e amorrheos, e pherezeos, e heveos, e jebuseos,

6 Tomaram [5] de suas filhas para si por mulheres, e deram aos filhos d’elles as suas filhas; e serviram a seus deuses.

7 E os filhos de Israel fizeram o que parecia mal [6] aos olhos do Senhor, e se esqueceram do Senhor seu Deus: e serviram aos baalins e a Astaroth.

8 Então a ira do Senhor se accendeu contra Israel, e elle os [7] vendeu em mão de Cusan-risathaim, rei de Mesopotamia: e os filhos d’Israel serviram a Cusan-risathaim oito annos.

Othniel livra-os.

9 E os filhos d’Israel clamaram [8] ao Senhor, e o Senhor levantou aos filhos d’Israel um libertador, e os libertou, a Othniel, [9] filho de Kenaz, irmão de Caleb, mais novo do que elle.

10 E veiu sobre elle o Espirito do Senhor, [10] e julgou a Israel, e saiu á peleja; e o Senhor deu na sua mão a Cusan-risathaim, rei da [IQ] Syria; e a sua mão prevaleceu contra Cusan-risathaim.

11 Então a terra socegou quarenta annos; e Othniel, filho de Kenaz, falleceu.

Servidão sob Eglon.

12 Porém os filhos d’Israel tornaram [11] a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor: então o Senhor esforçou a Eglon, rei dos moabitas, contra Israel: porquanto fizeram o que parecia mal aos olhos do Senhor.

13 E ajuntou comsigo aos filhos d’Ammon e aos amalekitas, [12] e foi, e feriu a Israel, e tomaram a cidade das palmeiras.

14 E os filhos d’Israel [13] serviram a Eglon, rei dos moabitas, dezoito annos.

Ehud livra-os.

[Antes de Christo 1336]

15 Então os filhos d’Israel clamaram [14] ao Senhor, e o Senhor lhes levantou um libertador, a Ehud, filho de Gera, filho de Jemini, homem canhoto. E os filhos d’Israel enviaram pela sua mão um presente a Eglon, rei dos moabitas.

16 E Ehud fez uma espada de dois fios, do comprimento de um covado: e cingiu-a por debaixo dos seus vestidos, á sua côxa direita.

17 E levou aquelle presente a Eglon, rei dos moabitas; e era Eglon homem mui gordo.

18 E succedeu que, acabando de entregar o presente, despediu a gente que trouxera o presente.

19 Porém voltou das [IR] imagens de esculptura que estão ao pé de Gilgal, e disse: Tenho uma palavra secreta para ti, [15] ó rei. O qual disse: Cala-te. E todos os que lhe assistiam sairam de diante d’elle.

20 E Ehud entrou a elle, a um cenaculo fresco, que para si só tinha, onde estava assentado, e disse Ehud: Tenho para ti uma palavra de Deus. E levantou-se da cadeira.

21 Então Ehud estendeu a sua mão esquerda, e lançou mão da espada da sua côxa direita, e lh’a cravou no ventre,

22 De tal maneira que entrou até á empunhadura após da folha, e a gordura encerrou a folha (porque não tirou a espada do ventre): e saiu-se-lhe o excremento.

23 Então Ehud saiu á sala, e cerrou sobre elle as portas do cenaculo, e as fechou.

24 E, saindo elle, vieram os seus servos, e viram, e eis que as portas do cenaculo estavam fechadas; e disseram: Sem duvida está cobrindo seus pés na recamara do cenaculo fresco.

25 E, esperando até se enfastiarem, eis que não abria as portas do cenaculo; então tomaram a chave, e abriram, e eis aqui seu senhor estendido morto em terra.

26 E Ehud escapou, emquanto elles se demoraram: porque elle passou pelas imagens de esculptura, e escapou para Seirath.

27 E succedeu que, entrando elle, tocou [16] a buzina nas montanhas de Ephraim: e os filhos de Israel desceram com elle das montanhas, e elle adiante d’elles,

28 E disse-lhes: Segui-me: porque o Senhor vos tem dado [17] a vossos inimigos, os moabitas, na vossa mão: e desceram após d’elle, e tomaram os váos do Jordão a Moab, e a nenhum deixaram passar.

29 E n’aquelle tempo feriram dos moabitas uns dez mil homens, todos corpulentos, e todos homens valorosos: e não escapou nenhum.

30 Assim foi subjugado Moab n’aquelle dia debaixo da mão de Israel: e a terra socegou oitenta annos.

31 Depois d’elle foi Samgar, filho d’Anath, que feriu a seiscentos homens dos philisteos com uma aguilhada de bois: e tambem elle libertou a Israel.

[1] cap. 2.21, 22.

[2] Jos. 13.3.

[3] cap. 2.22.

[4] Psa. 106.35.

[5] Exo. 34.16. Deu. 7.3.

[6] cap. 2.11, 13. Exo. 34.13. Deu. 16.21. cap. 6.25.

[7] cap. 2.14. Hab. 3.7.

[8] ver. 15. cap. 4.3 e 6.7 e 10.10. I Sam. 12.10. cap. 2.16.

[9] cap. 1.13.

[10] Num. 27.18. I Sam. 11.6.

[11] cap. 2.19. I Sam. 12.9.

[12] cap. 5.14 e 1.16.

[13] Deu. 28.48.

[14] ver. 9. Psa. 78.34.

[15] Jos. 4.20.

[16] cap. 5.14 e 6.34. I Sam. 13.3. Jos. 17.15. cap. 7.24 e 17.1 e 19.1.

[17] cap. 7.9, 15. I Sam. 17.47. Jos. 2.7. cap. 12.5.

Servidão sob Jabin rei de Canaan.

[Antes de Christo 1296]

4 Porém os filhos [1] d’Israel tornaram a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor, depois de fallecer Ehud.

2 E vendeu-os o Senhor em [2] mão de Jabin, rei de Canaan, que reinava em Hazor: e Sisera era o capitão do seu exercito, o qual então habitava em Haroseth dos gentios.

3 Então os filhos d’Israel clamaram ao Senhor, porquanto elle tinha novecentos carros ferrados, [3] e vinte annos opprimia os filhos d’Israel violentamente.

Debora e Barac livram-os.

4 E Debora, mulher prophetiza, mulher de Lappidoth, julgava a Israel n’aquelle tempo.

5 E habitava debaixo das palmeiras de [4] Debora, entre Rama e Beth-el, nas montanhas d’Ephraim: e os filhos d’Israel subiam a ella a juizo.

6 E enviou, e chamou a Barac, filho [5] de Abinoam de Kedes de Naphtali, e disse-lhe: Porventura o Senhor Deus d’Israel não deu ordem, dizendo: Vae, e attrahe gente ao monte de Tabor, e toma comtigo dez mil homens dos filhos de Naphtali e dos filhos de Zebulon?

7 E attrahirei [6] a ti para o ribeiro de Kison a Sisera, capitão do exercito de Jabin, com os seus carros, e com a sua multidão: e o darei na tua mão.

8 Então lhe disse Barac: Se fôres comigo, irei: porém, se não fôres comigo, não irei.

9 E disse ella: Certamente irei comtigo, porém não será tua a honra pelo caminho que levas; pois á [7] mão de uma mulher o Senhor venderá a Sisera. E Debora se levantou, e partiu com Barac para Kedes.

10 Então Barac convocou a [8] Zebulon e a Naphtali em Kedes, e subiu com dez mil homens após de si: [9] e Debora subiu com elle,

11 E Heber, keneo, [10] se tinha apartado dos keneos, dos filhos de Hobab, sogro de Moysés: e tinha estendido as suas tendas até ao carvalho de Saanaim, que está junto a Kedes.

12 E annunciaram a Sisera que Barac, filho de Abinoam, tinha subido ao monte de Tabor.

13 E Sisera convocou todos os seus carros, novecentos carros ferrados, e todo o povo que estava com elle, desde Haroseth [IS] dos gentios até ao ribeiro de Kison.

14 Então disse Debora a Barac: Levanta-te; porque este é o dia em que o Senhor tem dado a Sisera na tua mão: porventura o Senhor não saiu diante de ti? [11] Barac pois desceu do monte de Tabor, e dez mil homens após d’elle.

15 E o Senhor derrotou a [12] Sisera, e a todos os seus carros, e a todo o seu exercito ao fio da espada, diante de Barac: e Sisera desceu do carro, e fugiu a pé.

16 E Barac os seguiu após dos carros, e após do exercito, até Haroseth dos gentios: e todo o exercito de Sisera caiu ao fio da espada, até não ficar um só.

17 Porém Sisera fugiu a pé á tenda de Jael, mulher de Heber, keneo: porquanto havia paz entre Jabin, rei de Hazor, e a casa de Heber, keneo.

Jael mata Sisera.

18 E Jael saiu ao encontro de Sisera, e disse-lhe: Retira-te, senhor meu, retira-te a mim, não temas. Retirou-se a ella á tenda, e cobriu-o com uma coberta.

19 Então elle lhe disse: Dá-me, peço-te, de beber uma pouca d’agua; porque tenho sede. Então ella abriu um odre de leite, [13] e deu-lhe de beber, e o cobriu.

20 E elle lhe disse: Põe-te á porta da tenda; e ha de ser que se alguem vier, e te perguntar, e disser: Ha aqui alguem? responde tu então: Não.

21 Então [14] Jael, mulher d’Heber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão d’um martello, e foi-se mansamente a elle, e lhe cravou a estaca na fonte, e a pregou na terra, estando elle porém carregado d’um profundo somno, e já cançado; e assim morreu.

22 E eis que, seguindo Barac a Sisera, Jael lhe saiu ao encontro, e disse-lhe: Vem, e mostrar-te-hei o homem que buscas. E veiu a ella, e eis-que Sisera jazia morto, e a estaca na fonte.

23 Assim Deus n’aquelle dia sujeitou [15] a Jabin, rei de Canaan, diante dos filhos de Israel.

24 E continuou a mão dos filhos de Israel a proseguir e endurecer-se sobre Jabin, rei de Canaan: até que exterminaram a Jabin, rei de Canaan.

[1] cap. 2.19.

[2] cap. 2.14. Jos. 11.1, 10 e 19.36. I Sam. 12.9. ver. 13, 16.

[3] cap. 1.13 e 5.8. Psa. 106.42.

[4] Gen. 35.8.

[5] Heb. 11.32. Jos. 19.37.

[6] Exo. 14.4. cap. 5.21. I Reis 18.40.

[7] cap. 2.14.

[8] cap. 5.18.

[9] Exo. 11.8. I Reis 20.10.

[10] cap. 1.16. Num. 10.29.

[11] Deu. 9.3. II Sam. 5.24. Isa. 52.12.

[12] Psa. 83.10. Jos. 10.10.

[13] cap. 5.25.

[14] cap. 5.26.

[15] Psa. 18.48.

O cantico de Debora.

5 E cantou Debora e Barac, filho de Abinoam, [1] n’aquelle mesmo dia, dizendo:

2 Porquanto os chefes se pozeram á frente em Israel, porquanto o povo se offereceu [2] voluntariamente, louvae ao Senhor.

3 Ouvi, [3] reis; dae ouvidos, principes: eu, eu cantarei ao Senhor; psalmodiarei ao Senhor Deus de Israel.

4 Ó Senhor, saindo [4] tu de Seir, caminhando tu desde o campo de Edon, a terra estremeceu; até os céus gotejaram: até as nuvens gotejaram aguas.

5 Os montes [5] se derreteram diante do Senhor, e até Sinai diante do Senhor Deus de Israel.

6 Nos dias de Samgar, [6] filho d’Anath, nos dias de Jael cessaram os caminhos de se percorrerem: e os que andavam por veredas iam por caminhos torcidos.

7 Cessaram as aldeias em Israel, cessaram: até que eu, Debora, me levantei, por mãe [7] em Israel me levantei.

8 E se escolhia deuses novos, logo a guerra estava ás portas: via-se por isso escudo ou lança entre quarenta mil em Israel?

9 Meu coração é para os legisladores de Israel, que voluntariamente se offereceram [8] entre o povo; louvae ao Senhor.

10 Vós os que cavalgaes sobre jumentas brancas, [9] que vos assentaes em juizo, e que andaes pelo caminho, fallae d’isto.

11 D’onde se ouve o estrondo dos frecheiros, entre os logares onde se tiram aguas, ali fallae das justiças do Senhor, [10] das justiças que fez ás suas aldeias em Israel: então o povo do Senhor descia ás portas.

12 Desperta, [11] desperta, Debora, desperta, desperta, entôa um cantico: levanta-te, Barac, e leva presos a teus prisioneiros, tu, filho d’Abinoam.

13 Então o Senhor fez dominar sobre os magnificos entre [12] o povo aos que ficaram de resto: fez-me o Senhor dominar sobre os valentes.

14 De Ephraim [13] saiu a sua raiz contra Amalek: e apoz de ti vinha Benjamin d’entre os teus povos: de Machir e Zebulon desceram os legisladores, passando com o cajado do escriba.

15 Tambem os principaes de Issacar, foram com Debora; e como Issacar, assim tambem Barac, [14] foi enviado a pé para o valle: nas correntes de Ruben foram grandes as resoluções do coração.

16 Porque ficaste tu entre os curraes para ouvires os balidos dos [15] rebanhos? nas correntes de Ruben tiveram grandes esquadrinhações do coração.

17 Gilead [16] se ficou d’além do Jordão, e Dan porque se deteve em navios? Aser se assentou nos portos do mar, e ficou nas suas ruinas.

18 Zebulon [17] é um povo que expoz a sua vida á morte, como tambem Naphtali, nas alturas do campo.

19 Vieram reis, pelejaram: então pelejaram os reis de Canaan em Thaanak, junto ás aguas de Megiddo: não tomaram ganho [18] de prata.

20 Desde os céus pelejaram: até [19] as estrellas desde os logares dos seus cursos pelejaram contra Sisera.

21 O ribeiro de Kison [20] os arrastou, aquelle antigo ribeiro, o ribeiro de Kison. Pisaste, ó alma minha, a força.

22 Então as unhas dos cavallos se despedaçaram: pelo galopar, o galopar dos seus valentes.

23 Amaldiçoae a Meroz, diz o anjo do Senhor, acremente amaldiçoae aos seus moradores: [21] porquanto não vieram ao soccorro do Senhor, ao soccorro do Senhor com os valorosos.

24 Bemdita seja sobre as mulheres Jael, [22] mulher d’Heber, o keneo: bemdita seja sobre as mulheres nas tendas.

25 Agua pediu elle, leite lhe deu ella: [23] em taça de principes lhe offereceu manteiga.

26 Á estaca estendeu [24] a sua mão esquerda, e ao maço dos trabalhadores a sua direita: e matou a Sisera, e rachou-lhe a cabeça, quando lhe pregou e atravessou as fontes.

27 Entre os seus pés se encurvou, caiu, ficou estirado: entre os seus pés se encurvou caiu: onde se encurvou ali ficou abatido.

28 A mãe de Sisera olhava pela janella, e exclamava pela grade: Porque tarda em vir o seu carro? porque se demoram os passos dos seus carros?

29 As mais sabias das suas damas responderam; e até ella se respondia a si mesmo:

30 Porventura não achariam e repartiriam [25] despojos? uma ou duas moças a cada homem? para Sisera despojos de varias côres, despojos de varias côres de bordados; de varias côres bordadas de ambas as bandas, para os pescoços do despojo?

31 Assim, [26] ó Senhor, pereçam todos os teus inimigos! porém os que o amam sejam como o sol quando sae na sua força.

32 E socegou a terra quarenta annos.

[1] Exo. 15.1.

[2] Psa. 18.48. II Chr. 17.16.

[3] Deu. 32.1, 3. Psa. 2.10.

[4] Deu. 33.2. II Sam. 22.8. Isa. 64.3. Hab. 3.3, 10.

[5] Deu. 4.11. Psa. 97.5. Exo. 19.18.

[6] cap. 3.31 e 4.17. Lev. 26.22. II Chr. 15.5. Isa. 33.8. Lam. 1.4 e 4.18.

[7] Isa. 49.23.

[8] ver. 2.

[9] Psa. 105.2. cap. 10.4 e 12.14. Psa. 107.32.

[10] I Sam. 12.7. Psa. 145.7.

[11] Psa. 57.9 e 67.19.

[12] Psa. 50.15.

[13] cap. 3.27 e 3.13. Num. 32.39, 40.

[14] cap. 4.14.

[15] Num. 32.1.

[16] Jos. 13.25, 31 e 19.29, 31.

[17] cap. 4.10.

[18] cap. 4.16. ver. 30.

[19] Jos. 10.11. cap. 4.15.

[20] cap. 4.7.

[21] cap. 21.9, 10. Neh. 3.5. I Sam. 17.47 e 18.17 e 25.28.

[22] cap. 4.17. Luc. 1.28.

[23] cap. 4.19.

[24] cap. 4.21.

[25] Exo. 15.9.

[26] Psa. 83.20.

Servidão sob os midianitas.

[Antes de Christo 1249]

6 Porém [1] os filhos de Israel fizeram o que parecia mal aos olhos do Senhor: e o Senhor os deu na mão dos [2] midianitas por sete annos.

2 E, prevalecendo a mão dos midianitas sobre Israel, fizeram os filhos de Israel para si, por causa dos midianitas, as covas que estão [3] nos montes, e as cavernas e as fortificações.

3 Porque succedia que, semeando Israel, subiram os midianitas e os amalekitas; [4] e tambem os do oriente contra elle subiam.

4 E punham-se [5] contra elles em campo, e destruiram a novidade da terra, até chegarem a Gaza: e não deixavam mantimento em Israel, nem ovelhas, nem bois nem jumentos.

5 Porque subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos, [6] em tanta multidão que não se podia contar, nem a elles nem aos seus camelos: e entravam na terra, para a destruir.

6 Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas: então os filhos de Israel clamaram ao Senhor.

7 E succedeu que, [7] clamando os filhos de Israel ao Senhor por causa dos midianitas,

8 Enviou o Senhor um homem propheta aos filhos de Israel, que lhes disse: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Do Egypto eu vos fiz subir, e vos tirei da casa da servidão;

9 E vos livrei da mão dos egypcios, e da mão de todos quantos vos opprimiam; e os expelli [8] de diante de vós, e a vós dei a sua terra;

10 E vos disse: Eu sou o Senhor vosso Deus; não temaes [9] aos deuses dos amorrheos, em cuja terra habitaes: mas não déstes ouvidos á minha voz.

Um anjo falla com Gideon.

11 Então o anjo do Senhor veiu, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ophra, que pertencia a Joás, abi-ezrita: [10] e Gideon, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas.

12 Então o anjo [11] do Senhor lhe appareceu, e lhe disse: O Senhor é comtigo, varão valoroso.

13 Mas Gideon lhe respondeu: Ai, senhor meu, se o Senhor é comnosco, porque tudo isto nos sobreveiu? e que é feito de todas as suas maravilhas [12] que nossos paes nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egypto? porém agora o Senhor nos desamparou, e nos deu na mão dos midianitas.

14 Então o Senhor olhou para elle, e disse: [13] Vae n’esta tua força, e livrarás a Israel da mão dos midianitas: [14] porventura não te enviei eu?

15 E elle lhe disse: Ai, senhor meu, com que livrarei a Israel? eis-que o meu milheiro é o mais pobre em Manasseh, e eu o menor na casa de meu pae.

16 E o Senhor lhe disse: Porquanto eu hei de ser [15] comtigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um só homem.

17 E elle lhe disse: Se agora tenho achado graça aos teus olhos, dá-me [16] um signal de que és o que comigo fallas.

18 Rogo-te [17] que d’aqui te não apartes, até que eu venha a ti, e tire [IT] o meu presente, e o ponha perante ti. E disse: Eu esperarei até que voltes.

19 E entrou Gideon [18] e preparou um cabrito e bolos asmos d’um epha de farinha; a carne poz n’um açafate e o caldo poz n’uma panella: e trouxe-lh’o até debaixo do carvalho, e lh’o apresentou.

20 Porém o anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os bolos asmos, e põe-os sobre esta [19] penha e verte o caldo. E assim o fez.

21 E o anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado, que estava na sua mão, e tocou a carne e os bolos asmos: então subiu fogo da penha, [20] e consumiu a carne e os bolos asmos; e o anjo do Senhor desappareceu de seus olhos.

22 Então [21] viu Gideon que era o anjo do Senhor: e disse Gideon: Ah, Senhor, Jehovah, que eu vi o anjo do Senhor face a face.

23 Porém o Senhor lhe disse: Paz seja comtigo; [22] não temas: não morrerás.

24 Então Gideon edificou ali um altar ao Senhor, e lhe chamou, Senhor é paz: e ainda até ao _dia d’_hoje está em Ophra [23] dos abi-ezritas.

25 E aconteceu, n’aquella mesma noite, que o Senhor lhe disse: Toma o boi de teu pae, a saber, o segundo boi de sete annos: e derriba o altar de Baal, que é de teu pae; [24] e corta o bosque que está ao pé d’elle.

26 E edifica ao Senhor teu Deus um altar no cume d’este logar forte, n’um logar conveniente: e toma o segundo boi, e o offerecerás em holocausto com a lenha que cortares do bosque.

27 Então Gideon tomou dez homens d’entre os seus servos, e fez como o Senhor lhe dissera: e succedeu que, temendo elle a casa de seu pae, e os homens d’aquella cidade, não o fez de dia, mas fel-o de noite.

28 Levantando-se pois os homens d’aquella cidade de madrugada, eis que estava o altar de Baal derribado, e o bosque estava ao pé d’elle, cortado: e o segundo boi offerecido no altar de novo edificado.

29 E uns aos outros disseram: Quem fez esta coisa? E, esquadrinhando, e inquirindo, disseram: Gideon, o filho de Joás, fez esta coisa.

30 Então os homens d’aquella cidade disseram a Joás: Tira para fóra a teu filho, para que morra; pois derribou o altar de Baal, e cortou o bosque que estava ao pé d’elle.

31 Porém Joás disse a todos os que se pozeram contra elle: Contendereis vós por Baal? livral-o-heis vós? qualquer que por elle contender ainda esta manhã será morto: se é deus, por si mesmo contenda; pois derribaram o seu altar.

32 Pelo que n’aquelle dia lhe chamaram Jerubbaal, [25] dizendo: Baal contenda contra elle, pois derribou o seu altar.

33 E todos os midianitas, [26] e amalekitas, e os filhos do oriente se ajuntaram n’um corpo, e passaram, e pozeram o seu campo no valle de Jizreel.

34 Então o espirito do [27] Senhor revestiu a Gideon, o qual tocou a buzina, e os abi-ezritas se convocaram após d’elle.

35 E enviou mensageiros por toda a tribu de Manasseh, e elle tambem se convocou após d’elle: tambem enviou mensageiros a Eser, e a Zebulon, e a Naphtali, e sairam-lhe ao encontro.

36 E disse Gideon a Deus: Se has de livrar a Israel por minha mão, como tens dito,

37 Eis que eu porei [28] um vello de lã na eira: se o orvalho estiver sómente no vello, e secura sobre toda a terra, então conhecerei que has de livrar a Israel por minha mão, como tens dito.

38 E assim succedeu; porque ao outro dia se levantou de madrugada, e apertou o vello: e do orvalho do vello espremeu uma taça cheia d’agua.

39 E disse Gideon a Deus: Não se accenda contra mim [29] a tua ira, se ainda fallar só esta vez: rogo-te que só esta vez faça a prova com o vello; rogo-te que só no vello haja secura, e em toda a terra haja o orvalho.

40 E Deus assim o fez n’aquella noite: pois só no vello havia secura, e sobre toda a terra havia orvalho.

[1] cap. 2.19.

[2] Hab. 3.7.

[3] I Sam. 13.6. Heb. 11.38.

[4] cap. 3.13. Gen. 29.1. cap. 7.12 e 8.10. I Reis 4.30. Job 1.3.

[5] Lev. 26.16. Deu. 28.30, 33, 51. Miq. 6.15.

[6] cap. 7.12.

[7] cap. 3.15. Ose. 5.15.

[8] Psa. 44.3, 4.

[9] II Reis 17.35, 37, 38. Jer. 10.2.

[10] Jos. 17.2.

[11] cap. 13.3. Luc. 1.11, 28. Jos. 1.5.

[12] Psa. 89.50. Isa. 59.1 e 63.15. II Chr. 15.2.

[13] I Sam. 12.11. Heb. 11.32, 34.

[14] Jos. 1.9. cap. 4.6.

[15] Exo. 3.12. Jos. 1.5.

[16] Exo. 4.1, 8. ver. 36, 37. II Reis 20.8. Isa. 7.11.

[17] Gen. 18.3, 5. cap. 13.15.

[18] Gen. 18.6, 7, 8.

[19] cap. 13.19. I Reis 18.33, 34.

[20] Lev. 9.24. I Reis 18.38. II Chr. 7.1.

[21] cap. 13.21. Gen. 16.13 e 32.30. Exo. 33.20. cap. 13.22.

[22] Dan. 10.19.

[23] cap. 8.32.

[24] Exo. 34.13. Deu. 7.5.

[25] I Sam. 12.11. II Sam. 11.21.

[26] ver. 3. Jos. 17.16.

[27] cap. 3.10. I Chr. 12.18. II Chr. 24.20. Num. 10.3. cap. 3.27.

[28] Exo. 4.3, 4, 6, 7.

[29] Gen. 18.32.

Gideon com trezentos homens vence os midianitas.

7 Então Jerubbaal [1] (que é Gideon) se levantou de madrugada, e todo o povo que com elle havia, e se acamparam junto á fonte d’Harod; de maneira que tinha o arraial dos midianitas para o norte, pelo outeiro de Moreh no valle.

2 E disse o Senhor a Gideon: Muito é o povo que está comtigo, para eu dar aos midianitas em sua mão; a fim de que Israel [2] se não glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou.

3 Agora pois apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: [3] Quem fôr cobarde e medroso, volte, e vá-se apressadamente das montanhas de Gilead. Então voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram.

4 E disse o Senhor a Gideon: Ainda muito povo ha; faze-os descer ás aguas, e ali t’os provarei: e será que, d’aquelle de que eu te disser: Este irá comtigo, esse comtigo irá; porém de todo aquelle, de que eu te disser: Este não irá comtigo, esse não irá.

5 E fez descer o povo ás aguas. Então o Senhor disse a Gideon: Qualquer que lamber as aguas com a sua lingua, como as lambe o cão, esse porás á parte; como tambem a todo aquelle que se abaixar de joelhos a beber.

6 E foi o numero dos que lamberam, levando a mão á bocca, trezentos homens; e todo o resto do povo se abaixou de joelhos a beber as aguas.

7 E disse o Senhor a Gideon: Com estes trezentos homens [4] que lamberam as aguas vos livrarei, e darei os midianitas na tua mão; pelo que toda a outra gente se vá cada um ao seu logar.

8 E o povo tomou na sua mão a provisão e as suas buzinas, e enviou a todos os outros homens de Israel cada um á sua tenda, porém os trezentos homens reteve: e estava o arraial dos midianitas abaixo no valle.

9 E succedeu que, n’aquella mesma noite, [5] o Senhor lhe disse: Levanta-te, e desce ao arraial, porque o tenho dado na tua mão.

10 E, se ainda temes descer, desce tu e teu moço Pura ao arraial;

11 E ouvirás [6] o que dizem, e então se esforçarão as tuas mãos e descerás ao arraial. Então desceu elle com o seu moço Pura até ao extremo das sentinellas que estavam no arraial.

12 E os midianitas, e amalekitas, [7] e todos os filhos do oriente jaziam no valle como gafanhotos em multidão: e eram innumeraveis os seus camelos, como a areia que ha na praia do mar em multidão.

13 Chegando pois Gideon, eis que estava contando um homem ao seu companheiro um sonho, e dizia: Eis que um sonho sonhei, eis que um pão de cevada torrado rodava pelo arraial dos midianitas, e chegava até ás tendas, e as feriu, e cairam, e as transtornou de cima para baixo; e ficaram abatidas.

14 E respondeu o seu companheiro, e disse: Não é isto outra coisa, senão a espada de Gideon, filho de Joás, varão israelita. Deus tem dado na sua mão aos midianitas, e a todo este arraial.

15 E succedeu que, ouvindo Gideon a narração d’este sonho, e a sua explicação, adorou: e tornou ao arraial de Israel, e disse: Levantae-vos, porque o Senhor tem dado o arraial dos midianitas nas vossas mãos.

16 Então repartiu os trezentos homens em tres esquadrões: e deu-lhes a cada um nas suas mãos buzinas, e cantaros vasios, com tochas n’elles accesas.

17 E disse-lhes: Olhae para mim, e fazei como eu fizer: e eis que chegando eu ao extremo do arraial, será que, como eu fizer, assim fareis vós.

18 Tocando eu e todos os que comigo estiverem a buzina, então tambem vós tocareis a buzina ao redor de todo o arraial, e direis: Pelo Senhor, e Gideon.

19 Chegou pois Gideon, e os cem homens que com elle iam, ao extremo do arraial, ao principio da guarda da meia noite, havendo-se já posto as guardas: e tocaram as buzinas, e partiram os cantaros, que tinham nas mãos.

20 Assim tocaram os tres esquadrões as buzinas, e partiram os cantaros; e tinham nas suas mãos esquerdas as tochas accesas, e nas suas mãos direitas as buzinas, que tocavam: e exclamaram: Espada do Senhor, e de Gideon.

21 E ficou-se cada um no [8] seu logar ao redor do arraial: então todo o exercito deitou a correr, e, gritando, fugiram.

22 Tocando [9] pois os trezentos as buzinas, o Senhor tornou [10] a espada d’um contra o outro, e isto em todo o arraial: e o exercito fugiu para Zererath, até Beth-sitta até aos limites de Abel-mehola, acima de Tabbath.

23 Então os homens de Israel, de Naphtali, e d’Aser e de todo o Manasseh foram convocados, e perseguiram aos midianitas.

24 Tambem Gideon enviou mensageiros a todas as montanhas d’Ephraim, [11] dizendo: Descei ao encontro dos midianitas, e tomae-lhes as aguas até Beth-bara, a saber, o Jordão. Convocados pois todos os homens d’Ephraim, [12] tomaram-lhes as aguas até Beth-bara e o Jordão.

25 E prenderam a dois principes dos midianitas, a [13] Oreb e a Zeeb; e mataram a Oreb na penha d’Oreb, e a Zeeb mataram no lagar de Zeeb, e perseguiram aos midianitas: e trouxeram as cabeças d’Oreb e de Zeeb a Gideon, d’além do Jordão.

[1] cap. 6.32.

[2] Deu. 8.17. Isa. 10.13. I Cor. 1.29. II Cor. 4.7.

[3] Deu. 20.8.

[4] I Sam. 14.6.

[5] Gen. 46.2, 3.

[6] ver. 13, 14, 15. Gen. 24.14. I Sam. 14.9, 10.

[7] cap. 6.5, 33 e 8.10.

[8] Exo. 14.13, 14. II Chr. 20.17. II Reis 7.7.

[9] Jos. 6.4, 16, 20. II Cor. 4.7.

[10] Psa. 83.10. Isa. 9.4. I Sam. 14.20. II Chr. 20.23.

[11] cap. 3.27.

[12] cap. 3.28.

[13] cap. 8.3. Isa. 10.26.

Gideon apazigua os ephraimitas e mata os reis dos midianitas.

8 Então os homens d’Ephraim lhes disseram: [1] Que é isto que nos fizeste, que não nos chamas te, quando foste pelejar contra os midianitas? E contenderam com elle fortemente.

2 Porém elle lhes disse: Que mais fiz eu agora do que vós? não são porventura os rabiscos d’Ephraim melhores do que a vindima d’Abiezer?

3 Deus vos deu [2] na vossa mão aos principes dos midianitas, Oreb e Zeeb; que mais pude eu logo fazer do que vós? então a sua ira [3] se abrandou para com elle, quando fallou esta palavra.

4 E, como Gideon veiu ao Jordão, passou com os trezentos homens que com elle estavam, já cançados, mas ainda perseguindo.

5 E disse aos homens [4] de Succoth: Dae, peço-vos, alguns pedaços de pão ao povo, que segue as minhas pisadas: porque estão cançados, e eu vou em alcance de Zebah e Salmuna, reis dos midianitas.

6 Porém os principes de Succoth disseram: Está já a palma da mão [5] de Zebah e Salmuna na tua mão, para que demos pão ao teu exercito?

7 Então disse Gideon: Pois quando o Senhor dér na minha mão a Zebah e a Salmuna, trilharei [6] a vossa carne com os espinhos do deserto, e com os abrolhos.

8 E d’ali subiu a [7] Penuel, e fallou-lhes da mesma maneira: e os homens de Penuel lhe responderam como os homens de Succoth lhe haviam respondido.

9 Pelo que tambem fallou aos homens de Penuel, dizendo: Quando [8] eu voltar em paz, derribarei esta torre.

10 Estavam pois Zebah e Salmuna em Carcor, e os seus exercitos com elles, uns quinze mil homens, todos os que ficavam do exercito dos filhos [9] do oriente: e os que cairam foram cento e vinte mil homens, que arrancavam a espada.

11 E subiu Gideon pelo caminho dos que habitavam em tendas, para o oriente de Nobah [10] e Jogbehah: e feriu aquelle exercito, porquanto o exercito estava descuidado.

12 E fugiram Zebah e Salmuna; porém elle os perseguiu, e tomou [11] presos a ambos os reis dos midianitas, a Zebah e a Salmuna, e afugentou a todo o exercito.

13 Voltando pois Gideon, filho de Joás, da peleja, antes do nascer do sol,

14 Tomou preso a um moço dos homens de Succoth, e lhe fez perguntas: o qual descreveu os principes de Succoth, e os seus anciãos, setenta e sete homens.

15 Então veiu aos homens de Succoth, e disse: Vedes aqui a Zebah e a Salmuna, dos quaes desprezivelmente me deitastes em rosto, [12] dizendo: Está já a palma da mão de Zebah e Salmuna na tua mão, para que dêmos pão aos teus homens, já cançados?

16 E tomou [13] os anciãos d’aquella cidade, e os espinhos do deserto, e os abrolhos: e com elles ensinou aos homens de Succoth.

17 E derribou [14] a torre de Penuel, e matou os homens da cidade.

18 Depois disse a Zebah e a Salmuna: Que homens eram os que matastes em [15] Tabor? E disseram: Qual tu, taes eram elles; cada um ao parecer, como filhos d’um rei.

19 Então disse elle: Meus irmãos eram, filhos de minha mãe: vive o Senhor, que, se os tivesseis deixado em vida, eu não vos mataria a vós.

20 E disse a Jether, seu primogenito: Levanta-te, mata-os. Porém o mancebo não arrancou da sua espada, porque temia; porquanto ainda era mancebo.

21 Então disseram Zebah e Salmuna: Levanta-te tu, e accommette-nos; porque, qual o homem, tal a sua valentia. Levantou-se pois Gideon, e matou [16] a Zebah e a Salmuna, e tomou [IU] as lunetas, que estavam aos pescoços dos seus camelos.

Gideon recusa governar, faz um ephod e morre.

22 Então os homens de Israel disseram a Gideon: Domina sobre nós, tanto tu, como teu filho e o filho de teu filho: porquanto nos livraste da mão dos midianitas.

23 Porém Gideon lhes disse: Sobre vós eu não dominarei, nem tão pouco meu filho sobre vós dominará: o Senhor sobre vós [17] dominará.

24 E disse-lhes mais Gideon: Uma petição vos farei: dae-me cada um de vós os pendentes do seu despojo (porque [18] tinham pendentes de oiro, porquanto eram ishmaelitas).

25 E disseram elles: De boamente os daremos. E estenderam uma capa, e cada um d’elles deitou ali um pendente do seu despojo.

26 E foi o pezo dos pendentes d’oiro, que pediu, mil e setecentos siclos d’oiro, afóra as lunetas, e as cadeias, e os vestidos de purpura, que traziam os reis dos midianitas, e afóra as colleiras que os camelos traziam ao pescoço.

27 E fez Gideon d’elle um ephod, [19] e pôl-o na sua cidade, em Ophra; e todo o Israel fornicou ali após d’elle: e foi por tropeço a Gideon [20] e á sua casa.

28 Assim foram abatidos os midianitas diante dos filhos d’Israel, e nunca mais levantaram a sua cabeça: e socegou a terra [21] quarenta annos nos dias de Gideon.

29 E foi-se Jerubbaal, filho de Joás, e habitou em sua casa.

30 E teve Gideon setenta filhos, que procederam da sua côxa: porque tinha muitas mulheres.

31 E sua concubina, [22] que estava em Sichem, lhe pariu tambem um filho: e poz-lhe por nome Abimelech.

32 E falleceu Gideon, filho de Joás, n’uma boa velhice: [23] e foi sepultado no sepulchro de seu pae Joás, em Ophra dos abi-ezritas.

33 E succedeu que, [24] como Gideon falleceu, os filhos d’Israel se tornaram, e fornicaram após dos baalins: e pozeram a Baal-berith por deus.

34 E os filhos d’Israel se não lembraram [25] do Senhor seu Deus, que os livrara da mão de todos os seus inimigos em redor.

35 Nem usaram [26] de beneficencia com a casa de Jerubbaal, a saber, de Gideon, conforme a todo o bem que elle usara com Israel.

[1] cap. 12.1. II Sam. 19.41.

[2] cap. 7.24, 25. Phi. 2.3.

[3] Pro. 15.1.

[4] Gen. 33.17.

[5] I Reis 20.11. I Sam. 25.11.

[6] ver. 16.

[7] Gen. 32.30. I Reis 12.25.

[8] I Reis 22.27. ver. 17.

[9] cap. 7.12.

[10] Num. 32.35, 42. cap. 18.27. I The. 5.3.

[11] Psa. 83.12.

[12] ver. 6.

[13] ver. 7.

[14] ver. 9. I Reis 12.25.

[15] cap. 4.6.

[16] Psa. 83.12.

[17] I Sam. 8.7 e 10.19 e 12.12.

[18] Gen. 25.13 e 37.25, 28.

[19] cap. 17.5 e 6.24. Psa. 106.39.

[20] Deu. 7.16.

[21] cap. 5.31.

[22] cap. 9.1.

[23] Gen. 25.8. Job 5.26. ver. 27. cap. 6.24.

[24] cap. 2.19 e 2.17 e 9.4, 46.

[25] Psa. 78.11, 42 e 106.13, 21.

[26] cap. 9.16, 17, 18. Ecc. 9.14, 15.

Abimelech mata os seus irmãos e se declara rei.

[Antes de Christo 1209]

9 E Abimelech, filho de Jerubbaal, foi-se a Sichem, aos irmãos [1] de sua mãe, e fallou-lhes e a toda a geração da casa do pae de sua mãe, dizendo:

2 Fallae, peço-vos, aos ouvidos de todos os cidadãos de Sichem: Qual é melhor para vós, que setenta [2] homens, todos os filhos de Jerubbaal, dominem sobre vós, ou que um homem sobre vós domine? lembrae-vos tambem de que sou osso vosso e carne vossa.

3 Então os irmãos de sua mãe fallaram ácerca d’elle perante os ouvidos de todos os cidadãos de Sichem todas aquellas palavras: e o coração d’elles se inclinou após de Abimelech, porque disseram: É nosso [3] irmão.

4 E deram-lhe setenta peças de prata, da casa [4] de Baal-berith: e com ellas alugou Abimelech uns homens ociosos e levianos, que o seguiram.

5 E veiu á casa de seu pae, a [5] Ophra, e matou a seus irmãos, os filhos de Jerubbaal, setenta homens, sobre uma pedra. Porém Jotham, filho menor de Jerubbaal, ficou, porque se tinha escondido.

6 Então se ajuntaram todos os cidadãos de Sichem, e toda a casa de Millo; e foram, e levantaram a Abimelech por rei, junto ao carvalho alto que está perto de Sichem.

A parabola de Jotham.

7 E, dizendo-o a Jotham, foi-se, e poz-se no cume do [6] monte de Gerizim, e levantou a sua voz, e clamou, e disse-lhes: Ouvi-me a mim, cidadãos de Sichem, e Deus vos ouvirá a vós:

8 Foram uma vez as arvores [7] a ungir para si um rei: e disseram á oliveira: Reina tu sobre nós.

9 Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura, [8] que Deus e os homens em mim prezam, e iria a labutar sobre as arvores?

10 Então disseram as arvores á figueira: Vem tu, e reina sobre nós.

11 Porém a figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fructo, e iria labutar sobre as arvores?

12 Então disseram as arvores á videira: Vem tu, e reina sobre nós.

13 Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto, que alegra [9] a Deus e aos homens, e iria labutar sobre as arvores?

14 Então todas as arvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.

15 E disse o espinheiro ás arvores: Se, na verdade, me ungis por rei sobre vós, vinde, e confiae-vos debaixo da minha [10] sombra: mas se não, saia [11] fogo do espinheiro que consuma os cedros do Libano.

16 Agora, pois, se é que em verdade e sinceridade obrastes, fazendo rei a Abimelech, e se bem fizestes para com Jerubbaal e para com a sua casa, e se com elle usastes conforme ao merecimento das [12] suas mãos;

17 Porque meu pae pelejou por vós, e desprezou a sua vida, e vos livrou da mão dos midianitas:

18 Porém vós hoje [13] vos levantastes contra a casa de meu pae, e matastes a seus filhos, setenta homens, sobre uma pedra: e a Abimelech, filho da sua serva, fizestes reinar sobre os cidadãos de Sichem, porque é vosso irmão;

19 Pois, se em verdade e sinceridade usastes com Jerubbaal e com a sua casa hoje, alegrae-vos [14] com Abimelech, e tambem elle se alegre comvosco:

20 Mas, se não, saia fogo [15] de Abimelech, e consuma aos cidadãos de Sichem, e á casa de Millo: e saia fogo dos cidadãos de Sichem, e da casa de Millo, que consuma a Abimelech.

21 Então partiu Jotham, e fugiu, e foi-se a Beer: [16] e ali habitou por medo de Abimelech, seu irmão.

A conspiração de Gaal.

[Antes de Christo 1206]

22 Havendo pois Abimelech dominado tres annos sobre Israel,

23 Enviou Deus [17] um mau espirito entre Abimelech e os cidadãos de Sichem: [18] e os cidadãos de Sichem se houveram aleivosamente contra Abimelech;

24 Para que a violencia [19] feita aos setenta filhos de Jerubbaal viesse, e o seu sangue caisse sobre Abimelech, seu irmão, que os matara, e sobre os cidadãos de Sichem, que lhe corroboraram as mãos, para matar a seus irmãos.

25 E os cidadãos de Sichem pozeram contra elle quem lhe armasse emboscadas sobre os cumes dos montes; e a todo aquelle que passava pelo caminho junto a elles o assaltavam: e contou-se a Abimelech.

26 Veiu tambem Gaal, filho de Ebed, com seus irmãos, e passaram para dentro de Sichem: e os cidadãos de Sichem se fiaram d’elle.

27 E sairam ao campo, e vindimaram as suas vinhas, e pisaram as uvas, e fizeram canções de louvor: e foram á casa de seu Deus, e comeram, e beberam, e [20] amaldiçoaram a Abimelech.

28 E disse Gaal, filho d’Ebed: Quem [21] é Abimelech, e qual é Sichem, para que o servissemos? não é porventura filho de Jerubbaal? e não é Zebul o seu mordomo? servi antes aos homens de Hemor, [22] pae de Sichem; pois por que razão nós o serviriamos a elle?

29 Ah! [23] se este povo estivera na minha mão, eu expelliria a Abimelech. E a Abimelech se disse: Multiplica o teu exercito, e sae.

30 E, ouvindo Zebul, o maioral da cidade, as palavras de Gaal, filho d’Ebed, se accendeu a sua ira;

31 E enviou astutamente mensageiros a Abimelech, dizendo: Eis que Gaal, filho d’Ebed, e seus irmãos vieram a Sichem, e eis que elles fortificam esta cidade contra ti.

32 Levanta-te pois de noite, tu e o povo que tiveres comtigo, e põe emboscadas no campo.

33 E levanta-te pela manhã ao sair o sol, e dá de golpe sobre a cidade: e eis que, saindo elle e o povo que tiver com elle contra ti, faze-lhe assim como alcançar a tua mão.

Abimelech vence Gaal e os sichemitas.

34 Levantou-se pois Abimelech, e todo o povo que com elle havia, de noite, e pozeram emboscadas a Sichem, com quatro tropas.

35 E Gaal, filho d’Ebed, saiu, e poz-se á entrada da porta da cidade: e Abimelech, e todo o povo que com elle havia, se levantou das emboscadas.

36 E, vendo Gaal aquelle povo, disse a Zebul: Eis que desce gente dos cumes dos montes. Zebul, ao contrario, lhe disse: As sombras dos montes vês por homens.

37 Porém Gaal ainda tornou a fallar, e disse: Eis ali desce gente do meio da terra, e uma tropa vem do caminho do carvalho de Meonenim.

38 Então lhe disse Zebul: Onde está agora a tua bocca, com a qual dizias: [24] Quem é Abimelech, para que o servissemos? não é este porventura o povo que desprezaste? sae pois, peço-te, e peleja contra elle.

39 E saiu Gaal á vista dos cidadãos de Sichem, e pelejou contra Abimelech.

40 E Abimelech o perseguiu, porquanto fugiu de diante d’elle: e muitos feridos cairam até á entrada da porta da cidade.

41 E Abimelech ficou em Aruma. E Zebul expelliu a Gaal e a seus irmãos, para que não podessem habitar em Sichem.

42 E succedeu no dia seguinte que o povo saiu ao campo, e o disseram a Abimelech.

43 Então tomou o povo, e o repartiu em tres tropas, e poz emboscadas no campo: e olhou, e eis que o povo sahia da cidade, e levantou-se contra elles, e os feriu.

44 Porque Abimelech, e as tropas que com elle havia, deram n’elles de improviso, e pararam á entrada da porta da cidade: e as outras duas tropas deram de improviso sobre todos quantos estavam no campo, e os feriram.

45 E Abimelech pelejou contra a cidade todo aquelle dia, [25] e tomou a cidade, e matou o povo que n’ella havia; e assolou a cidade, e a semeou de sal.

46 O que ouvindo todos os cidadãos da torre de Sichem, entraram na fortaleza, em casa do deus Berith.

47 E contou-se a Abimelech que todos os cidadãos da torre de Sichem se haviam congregado.

48 Subiu pois Abimelech ao monte de Salmon, [26] elle e todo o povo que com elle havia: e Abimelech tomou na sua mão machados, e cortou um ramo das arvores, e o levantou, e pôl-o ao seu hombro, e disse ao povo, que com elle havia: O que me vistes fazer apressae-vos a fazel-o assim como eu.

49 Assim pois tambem todo o povo, cada um cortou o seu ramo, e seguiram a Abimelech, os puzeram junto da fortaleza, e queimaram a fogo a fortaleza com elles: de maneira que todos os da torre de Sichem morreram, uns mil homens e mulheres.

A morte de Abimelech.

50 Então Abimelech foi-se a Thebes, e sitiou a Thebes, e a tomou.

51 Havia porém no meio da cidade uma torre forte; e todos os homens e mulheres, e todos os cidadãos da cidade se acolheram a ella, e fecharam após de si as portas, e subiram ao telhado da torre.

52 E Abimelech veiu até á torre, e a combateu: e chegou-se até á porta da torre, para a queimar a fogo.

53 Porém uma mulher [27] lançou um pedaço d’uma mó sobre a cabeça d’Abimelech: e quebrou-lhe o craneo.

54 Então chamou [28] logo ao moço, que levava as suas armas, e disse-lhe: Desembainha a tua espada, e mata-me; para que se não diga de mim: Uma mulher o matou. E seu moço o atravessou, e elle morreu.

55 Vendo pois os homens de Israel que já Abimelech era morto, foram-se cada um para o seu logar.

56 Assim Deus fez tornar [29] sobre Abimelech o mal que tinha feito a seu pae, matando a seus setenta irmãos.

57 Como tambem todo o mal dos homens de Sichem fez tornar sobre a cabeça d’elles: e [30] a maldição de Jotham, filho de Jerubbaal, veiu sobre elles.

[1] cap. 8.31.

[2] cap. 8.30. Gen. 29.14.

[3] Gen. 29.15.

[4] cap. 8.33 e 11.3. II Chr. 13.7. Pro. 12.11. Act. 17.5.

[5] cap. 6.24. II Reis 11.1, 2.

[6] Deu. 11.29 e 27.12. Jos. 8.33. João 4.20.

[7] II Reis 14.9. cap. 8.22, 23.

[8] Psa. 104.15.

[9] Psa. 104.15.

[10] Isa. 30.2. Dan. 4.12. Ose. 14.7.

[11] ver. 20. Num. 21.28. Eze. 19.14. II Reis 14.9. Eze. 31.3.

[12] cap. 8.35.

[13] ver. 5, 6.

[14] Isa. 8.6. Phi. 3.3.

[15] ver. 15, 56, 57.

[16] II Sam. 20.14.

[17] I Sam. 16.14 e 18.9, 10. Isa. 19.2, 14.

[18] Isa. 33.1.

[19] I Reis 2.32. Est. 9.25. Psa. 8.17. Mat. 23.35, 36.

[20] ver. 4.

[21] I Sam. 25.10. I Reis 12.16.

[22] Gen. 34.2, 6.

[23] II Sam. 15.4.

[24] ver. 28, 29.

[25] ver. 20. Deu. 29.23. I Reis 12.25. II Reis 3.25. cap. 8.33.

[26] Psa. 68.15.

[27] II Sam. 11.21.

[28] I Sam. 31.4.

[29] ver. 24. Job 31.3. Psa. 94.23. Pro. 5.22.

[30] ver. 20.

Tola e Jair juizes dos israelitas.

[Antes de Christo 1161]

10 E depois de Abimelech, [1] se levantou, para livrar a Israel, Tola, filho de Puah, filho de Dodo, homem d’Issacar: e habitava em Samir, na montanha d’Ephraim.

2 E julgou a Israel vinte e tres annos: e morreu, e foi sepultado em Samir.

3 E depois d’elle se levantou Jair, gileadita, e julgou a Israel vinte e dois annos.

4 E tinha este trinta filhos, que cavalgavam [2] sobre trinta jumentos; e tinham trinta cidades, [3] a que chamaram Havoth-jair, até ao _dia d’_hoje; as quaes estão na terra de Gilead.

5 E morreu Jair, e foi sepultado em Camon.

Servidão sob os philisteos e os ammonitas.

6 Então tornaram os filhos de Israel [4] a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor, e serviram aos baalins, e a Astaroth, e aos deuses da Syria, e aos deuses de Sidon, e aos deuses de Moab, e aos deuses dos filhos d’Ammon, e [5] aos deuses dos philisteos: e deixaram ao Senhor, e não o serviram.

7 E a ira do Senhor se accendeu contra Israel: e vendeu-os em mão dos philisteos, e em mão dos filhos d’Ammon.

8 E n’aquelle mesmo anno opprimiram e vexaram aos filhos de Israel: dezoito annos opprimiram a todos os filhos de Israel que estavam d’além do Jordão, na terra dos amorrheos, que está em Gilead.

9 Até os filhos d’Ammon passaram o Jordão, para pelejar tambem contra Judah, e contra Benjamin, e contra a casa d’Ephraim: de maneira que Israel ficou mui angustiado.

10 Então os filhos d’Israel clamaram ao Senhor, dizendo: Contra ti havemos peccado, [6] em que deixámos a nosso Deus, e em que servimos aos baalins.

11 Porém o Senhor disse aos filhos de Israel: Porventura dos egypcios, e dos [7] amorrheos, e dos filhos d’Ammon, e dos philisteos,

12 E dos sidonios, [8] e dos amalekitas, e dos maonitas, que vos opprimiam, quando a mim chamastes, não vos livrei eu então da sua mão?

13 Comtudo vós me deixastes a mim, [9] e servistes a outros deuses: pelo que não vos livrarei mais.

14 Andae, [10] e clamae aos deuses que escolhestes: que vos livrem elles no tempo do vosso aperto.

15 Mas os filhos de Israel disseram ao Senhor: Peccámos, [11] faze-nos conforme a tudo quanto te parecer bem aos teus olhos; tão sómente te rogamos que nos livres n’este dia.

16 E tiraram os deuses alheios do meio de si, [12] e serviram ao Senhor: então se angustiou a sua alma por causa do trabalho d’Israel.

17 E os filhos d’Ammon se convocaram, e se pozeram em campo em Gilead: e tambem os de Israel se congregaram, e se pozeram em campo em [13] Mispah.

18 Então o povo, os principes de Gilead disseram uns aos outros: Quem será o varão que começará a pelejar contra os filhos d’Ammon? elle será por Cabeça de todos os [14] moradores de Gilead.

[1] cap. 2.16.

[2] cap. 5.10 e 12.14.

[3] Deu. 3.14.

[4] cap. 2.11 e 3.7 e 4.1 e 6.1 e 13.1 e 2.13 e 2.12. I Reis 11.33. Psa. 106.36.

[5] cap. 2.14. I Sam. 12.9.

[6] I Sam. 12.10.

[7] Exo. 14.30. Num. 21.21, 24, 25. cap. 3.12, 13, 31.

[8] cap. 5.19 e 6.3.

[9] Deu. 32.15. Jer. 2.13.

[10] Deu. 32.37, 38. II Reis 3.13. Jer. 2.28.

[11] I Sam. 3.18. II Sam. 15.26.

[12] II Chr. 7.14 e 15.8. Jer. 18.7, 8. Psa. 106.44, 45. Isa. 63.9.

[13] Gen. 31.49. cap. 11.11, 29.

[14] cap. 11.8, 11.

Jefthe livra os israelitas.

[Antes de Christo 1143]

11 Era então Jefthe, o gileadita, valente [1] e valoroso, porém filho d’uma prostituta: mas Gilead gerara a Jefthe.

2 Tambem a mulher de Gilead lhe pariu filhos, e, sendo os filhos d’esta mulher já grandes, expelliram a Jefthe, e lhe disseram: Não herdarás em casa de nosso pae, porque és filho d’outra mulher.

3 Então Jefthe fugiu de diante de seus irmãos, e habitou na terra de Tob: e homens levianos [2] se ajuntaram com Jefthe, e sahiam com elle.

4 E aconteceu que, depois d’alguns dias, os filhos d’Ammon pelejaram contra Israel.

5 Aconteceu pois que, como os filhos d’Ammon pelejassem contra Israel, foram os anciãos de Gilead buscar a Jefthe da terra de Tob.

6 E disseram a Jefthe: Vem, e sê-nos por Cabeça: para que combatamos contra os filhos d’Ammon.

7 Porém Jefthe disse aos anciãos de Gilead: Porventura não me aborrecestes a mim, [3] e não me expellistes da casa de meu pae? porque pois agora viestes a mim, quando estaes em aperto?

8 E disseram os anciãos [4] de Gilead a Jefthe: Por isso tornamos a ti, para que venhas comnosco, e combatas contra os filhos d’Ammon: e nos sejas por Cabeça [5] sobre todos os moradores de Gilead.

9 Então Jefthe disse aos anciãos de Gilead: Se me tornardes a levar para combater contra os filhos d’Ammon, e o Senhor m’os dér diante de mim, então eu vos serei por Cabeça?

10 E disseram os anciãos de Gilead a Jefthe: O Senhor [6] será [IV] testemunha entre nós, e assim o faremos conforme á tua palavra.

11 Assim Jefthe foi-se com os anciãos de Gilead, e o povo o poz por Cabeça [7] e principe sobre si: e Jefthe fallou todas as suas palavras perante o Senhor em Mispah.

12 E enviou Jefthe mensageiros ao rei dos filhos d’Ammon, dizendo: Que ha entre mim e ti, que vieste a mim a pelejar contra a minha terra?

13 E disse o rei dos filhos de Ammon aos mensageiros de Jefthe: Porquanto, saindo Israel do Egypto, [8] tomou a minha terra, desde Arnon até Jabbok, e ainda até ao Jordão: torna-m’a pois agora em paz.

14 Porém Jefthe proseguiu ainda em enviar mensageiros ao rei dos filhos d’Ammon,

15 Dizendo-lhe: Assim diz Jefthe: Israel não tomou, [9] nem a terra dos moabitas nem a terra dos filhos d’Ammon;

16 Porque, subindo Israel do Egypto, andou [10] pelo deserto até ao Mar Vermelho, e chegou até Cades.

17 E Israel enviou mensageiros [11] ao rei dos edomitas, dizendo: Rogo-te que me deixes passar pela tua terra. Porém o rei dos edomitas não lhe deu ouvidos; enviou tambem ao rei dos moabitas, o qual tambem não quiz: e assim Israel ficou em Cades.

18 Depois andou pelo deserto, e rodeou a terra dos edomitas [12] e a terra dos moabitas, e veiu do nascente do sol á terra dos moabitas, e alojaram-se d’além d’Arnon; porém não entraram nos limites dos moabitas, porque Arnon é limite dos moabitas.

19 Mas Israel enviou [13] mensageiros a Sehon, rei dos amorrheos, rei de Hesbon: e disse-lhe Israel: Deixa-nos, peço-te, passar pela tua terra até ao meu logar.

20 Porém [14] Sehon não se fiou d’Israel para este passar nos seus limites; antes Sehon ajuntou todo o seu povo, e se acamparam em Jasa, e combateu contra Israel.

21 E o Senhor Deus d’Israel deu a Sehon com todo o seu povo na mão d’Israel, e os feriram: [15] e Israel tomou por herança toda a terra dos amorrheos que habitavam n’aquella terra.

22 E por herança tomaram todos os limites [16] dos anciãos, desde Arnon até Jabbok, e desde o deserto até ao Jordão.

23 Assim o Senhor Deus d’Israel desapossou os amorrheos de diante do seu povo d’Israel: e os possuirias tu?

24 Não possuirias [17] tu aquelle que Camos, teu deus, desapossasse de diante de ti? assim possuiremos nós todos quantos o Senhor nosso Deus desapossar de diante de nós.

25 Agora pois és tu ainda melhor do que Balac, [18] filho de Zippor, rei dos moabitas? porventura contendeu elle em algum tempo com Israel, ou pelejou alguma vez contra elles?

26 Emquanto Israel habitou trezentos annos em [19] Hesbon e nas suas villas, e em Aroer e nas suas villas, em todas as cidades que estão ao longo d’Arnon, porque o não recuperastes n’aquelle tempo?

27 Tão pouco pequei eu contra ti! porém tu usas mal comigo em pelejar contra mim: o Senhor, que é juiz, julgue [20] hoje entre os filhos d’Israel e entre os filhos de Ammon.

28 Porém o rei dos filhos d’Ammon não deu ouvidos ás palavras de Jefthe, que lhe enviou.

29 Então o espirito [21] do Senhor veiu sobre Jefthe, e atravessou elle por Gilead e Manasseh: porque passou até Mispah de Gilead, e de Mispah de Gilead passou até aos filhos d’Ammon.

30 E Jefthe votou [22] um voto ao Senhor, e disse: Se totalmente deres os filhos d’Ammon na minha mão,

31 [IW] Aquillo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos d’Ammon em paz, isso será do Senhor, e o offerecerei [23] em holocausto.

32 Assim Jefthe passou aos filhos d’Ammon, a combater contra elles: e o Senhor os deu na sua mão.

33 E os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a [24] Minnith, vinte cidades, e até Abel-keramim; assim foram subjugados os filhos d’Ammon diante dos filhos d’Israel.

34 Vindo pois Jefthe a Mispah, [25] á sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças: e era ella só a unica; não tinha outro filho nem filha.

35 E aconteceu que, quando a viu, rasgou [26] os seus vestidos, e disse: Ah! filha minha, muito me abateste, e és d’entre os que me turbam! porque eu abri a minha bocca ao Senhor, e não tornarei atraz.

36 E ella lhe disse: Pae meu, abriste tu a tua bocca ao Senhor, faze de mim como saiu da tua bocca: [27] pois o Senhor te vingou [28] dos teus inimigos, os filhos d’Ammon.

37 Disse mais a seu pae: Faça-se-me isto: deixa-me por dois mezes que vá, e desça pelos montes, e chore a minha virgindade, eu e as minhas companheiras.

38 E disse elle: Vae. E deixou-a ir por dois mezes: então foi-se ella com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes.

39 E succedeu que, ao fim de dois mezes, tornou ella para seu pae, o qual cumpriu [29] n’ella o seu voto que tinha votado: e ella não conheceu varão; e d’aqui veiu o costume d’Israel,

40 Que as filhas d’Israel iam de anno em anno a [IX] lamentar a filha de Jefthe, o gileadita, por quatro dias no anno.

[1] Heb. 11.32. cap. 6.12. II Reis 5.1.

[2] cap. 9.4. I Sam. 22.2.

[3] Gen. 26.27.

[4] cap. 10.18. Luc. 17.4.

[5] cap. 10.18.

[6] Jer. 42.5.

[7] ver. 8. cap. 10.17 e 20.1. I Sam. 10.17 e 11.15.

[8] Num. 21.24, 25, 26. Gen. 32.22.

[9] Deu. 2.9, 19.

[10] Num. 14.25. Deu. 1.40. Jos. 5.6. Num. 13.26 e 20.1. Deu. 1.46.

[11] Num. 20.14, 18, 21 e 20.1.

[12] Num. 21.4. Deu. 2.1-8. Num. 21.11, 13 e 22.36.

[13] Num. 21.22. Deu. 2.26. Num. 21.22. Deu. 2.27.

[14] Num. 21.23. Deu. 2.32.

[15] Num. 21.24, 25. Deu. 2.33, 34.

[16] Deu. 2.36.

[17] Num. 21.29. I Reis 11.7. Jer. 48.7. Deu. 9.5, 6 e 18.12. Jos. 3.10.

[18] Num. 22.2. Jos. 24.9.

[19] Num. 21.25. Deu. 2.36.

[20] Gen. 18.25 e 16.5 e 31.53. I Sam. 24.12, 15.

[21] cap. 3.10.

[22] Gen. 28.20. I Sam. 1.11.

[23] Lev. 27.2, 3, etc. I Sam. 1.11, 28 e 2.18. Psa. 66.13. Lev. 27.11, 12.

[24] Eze. 27.17.

[25] ver. 11. cap. 10.17. Exo. 15.20. I Sam. 18.5. Psa. 68.25. Jer. 31.4.

[26] Gen. 37.29, 34. Ecc. 5.2. Num. 30.2. Psa. 15.4. Ecc. 5.4, 5.

[27] Num. 30.2.

[28] II Sam. 18.19, 31.

[29] ver. 31. I Sam. 1.22, 24 e 2.18.

Jefthe peleja contra os ephraimitas e os gileaditas.

12 Então se convocaram os homens d’Ephraim, [1] e passaram para o norte, e disseram a Jefthe: Porque passaste a combater contra os filhos d’Ammon, e não nos chamaste para ir comtigo? queimaremos a fogo a tua casa comtigo.

2 E Jefthe lhes disse: Eu e o meu povo tivemos grande contenda com os filhos d’Ammon: e chamei-vos, e não me livrastes da sua mão;

3 E, vendo eu que me não livraveis, puz [2] a minha alma na minha mão, e passei aos filhos de Ammon, e o Senhor m’os entregou nas mãos: porque pois subistes vós hoje contra mim, para combater contra mim?

4 E ajuntou Jefthe a todos os homens de Gilead, e combateu com Ephraim: e os homens de Gilead feriram a Ephraim; porque, estando os gileaditas entre Ephraim e Manasseh, disseram: [3] Fugitivos sois d’Ephraim.

5 Porque tomaram os gileaditas aos ephraimitas os váos [4] do Jordão: e succedeu que, quando os fugitivos d’Ephraim diziam: Passarei; então os homens de Gilead lhes diziam: És tu ephratita? E dizendo elle: Não;

6 Então lhe diziam: Dize pois, Shibboleth; porém elle dizia: Sibboleth, porque o não podia pronunciar assim bem: então pegavam d’elle, e o degolavam aos váos do Jordão: e cairam de Ephraim n’aquelle tempo quarenta e dois mil.

7 E Jefthe julgou a Israel seis annos: e Jefthe, o gileadita, falleceu, e foi sepultado nas cidades de Gilead.

Ebsan, Elon e Abdon juizes dos israelitas.

8 E depois d’elle julgou a Israel Ebsan de Beth-lehem.

9 E tinha este trinta filhos; e enviou fóra a trinta filhas; e trinta filhas trouxe de fóra para seus filhos: e julgou a Israel sete annos.

10 Então falleceu Ebsan, e foi sepultado em Beth-lehem.

11 E depois d’elle julgou a Israel Elon, o zebulonita: e julgou a Israel dez annos.

12 E falleceu Elon, o zebulonita, e foi sepultado em Ayalon, na terra de Zebulon.

13 E depois d’elle julgou a Israel Abdon, filho d’Hillel, o pirhathonita.

14 E tinha este quarenta filhos, e trinta filhos de filhos, que cavalgavam sobre [5] setenta jumentos: e julgou a Israel oito annos.

15 Então falleceu Abdon, filho d’Hillel, o pirathonita: e foi sepultado em Pirathon, na terra [6] de Ephraim, no monte do amalekita.

[1] cap. 8.1.

[2] I Sam. 19.5 e 28.21. Job 13.14.

[3] I Sam. 25.10.

[4] Jos. 22.11. cap. 3.28 e 7.24.

[5] cap. 5.10 e 10.4.

[6] cap. 3.13, 27 e 5.14.

Servidão dos israelitas sob os philisteos, e o nascimento de Sansão.

[Antes de Christo 1161]

13 E os filhos d’Israel tornaram a fazer o que parecia mal [1] aos olhos do Senhor, e o Senhor [2] os entregou na mão dos philisteos por quarenta annos.

2 E havia um homem de Zora, da [3] tribu de Dan, cujo nome era Manué: e sua mulher era esteril, e não paria.

3 E o anjo do Senhor [4] appareceu a esta mulher, e disse-lhe: Eis que agora és esteril, e nunca tens parido; porém conceberás, e parirás um filho.

4 Agora, pois, guarda-te de que bebas vinho, [5] ou bebida forte, ou comas coisa immunda.

5 Porque eis que tu conceberás e parirás um filho sobre cuja cabeça não subirá navalha: [6] porquanto o menino será nazireo de Deus desde o ventre: e elle começará a livrar a Israel da mão dos philisteos.

6 Então a mulher entrou, e fallou a seu marido, dizendo: [7] Um homem de Deus veiu a mim, cuja vista era similhante á vista d’um anjo de Deus, terribilissima: e não lhe perguntei d’onde era, nem elle me disse o seu nome;

7 Porém disse-me: Eis que tu conceberás e parirás um filho: agora pois não bebas vinho, nem bebida forte, e não comas coisa immunda; porque o menino será nazireo de Deus, desde o ventre até ao dia da sua morte.

8 Então Manué orou instantemente ao Senhor, e disse: Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem de Deus, que enviaste, ainda venha para nós outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que ha de nascer.

9 E Deus ouviu a voz de Manué: e o anjo de Deus veiu outra vez á mulher, e ella estava no campo, porém não estava com ella seu marido Manué.

10 Apressou-se pois a mulher, e correu, e noticiou-o a seu marido, e disse-lhe: Eis que aquelle homem que veiu a mim o outro dia me appareceu.

11 Então Manué levantou-se, e seguiu a sua mulher, e veiu áquelle homem, e disse-lhe: És tu aquelle homem que fallaste a esta mulher? E disse: Eu sou.

12 Então disse Manué: Cumpram-se as tuas palavras: mas qual será o modo de viver e serviço do menino?

13 E disse o anjo do Senhor a Manué: De tudo quanto eu disse á mulher se guardará ella.

14 De tudo quanto procede da vide de vinho não comerá, nem vinho nem bebida forte beberá, [8] nem coisa immunda comerá: tudo quanto lhe tenho ordenado guardará.

15 Então Manué disse ao anjo do Senhor: Ora deixa que te detenhamos, e [9] te preparemos um cabrito.

16 Porém o anjo do Senhor disse a Manué: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o offerecerás ao Senhor. Porque não sabia Manué que fosse o anjo do Senhor.

17 E disse Manué ao anjo do Senhor: Qual é o teu nome? para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos.

18 E o anjo do Senhor lhe disse: Porque perguntas assim pelo meu nome, [10] visto que é maravilhoso?

19 Então Manué tomou um cabrito [11] e uma offerta de manjares, e os offereceu sobre uma penha ao Senhor: e obrou o anjo maravilhosamente, vendo-o Manué e sua mulher.

20 E succedeu que, subindo a chamma do altar para o céu, o anjo do Senhor subiu na chamma do altar: o que vendo Manué e sua mulher, cairam [12] em terra sobre seus rostos.

21 E nunca mais appareceu o anjo do Senhor a Manué, nem a sua mulher: então conheceu Manué [13] que era o anjo do Senhor.

22 E disse Manué a sua mulher: Certamente morreremos, [14] porquanto temos visto a Deus.

23 Porém sua mulher lhe disse: Se o Senhor nos quizera matar, não acceitaria da nossa mão o holocausto e a offerta de manjares, nem nos mostraria tudo isto, nem nos deixaria ouvir taes coisas n’este tempo.

24 Depois pariu esta mulher um filho, e chamou o seu nome [15] Sansão: e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou.

25 E o espirito do Senhor [16] o começou a impellir de quando em quando para o campo de Dan, entre Zora e Estaol.

[1] cap. 2.11 e 3.7 e 4.1 e 6.1 e 10.6.

[2] I Sam. 12.9.

[3] Jos. 19.41.

[4] cap. 6.12. Luc. 1.11, 13, 28, 31.

[5] Num. 6.2, 3. Luc. 1.15.

[6] Num. 6.5. I Sam. 1.11. Num. 6.2. I Sam. 7.13. II Sam. 8.1. I Chr. 18.1.

[7] Deu. 33.1. I Sam. 2.27 e 9.6. I Reis 17.24. Mat. 28.3. Luc. 9.29. Act. 6.15. ver. 17, 18.

[8] ver. 4.

[9] Gen. 18.5. cap. 6.18.

[10] Gen. 32.29.

[11] cap. 6.19, 20.

[12] Lev. 9.24. I Chr. 21.16. Eze. 1.28. Mat. 17.6.

[13] cap. 6.22.

[14] Gen. 32.30. Exo. 33.20. Deu. 5.26. cap. 6.22.

[15] Heb. 11.32. I Sam. 3.19. Luc. 1.80 e 2.52.

[16] cap. 3.10. I Sam. 11.6. Mat. 4.1. Jos. 15.33. cap. 18.11.

O casamento de Sansão.

[Antes de Christo 1141]

14 E desceu Sansão a [1] Timnatha: e, vendo em Timnatha a uma mulher das filhas dos philisteos,

2 Subiu, e declarou-o a seu pae e sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnatha, das filhas dos philisteos; agora pois, tomae-m’a [2] por mulher.

3 Porém seu pae e sua mãe lhe disseram: Não ha porventura mulher entre as filhas de teus irmãos, [3] nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos philisteos, d’aquelles incircumcisos? E disse Sansão a seu pae: Tomae-me esta, porque ella agrada aos meus olhos.

4 Mas seu pae e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor; [4] pois buscava occasião dos philisteos: porquanto n’aquelle tempo os philisteos dominavam [5] sobre Israel.

5 Desceu pois Sansão com seu pae e com sua mãe a Timnatha: e, chegando ás vinhas de Timnatha, eis que um filho de leão, bramando, lhe saiu ao encontro.

6 Então o espirito do Senhor [6] se apossou d’elle tão possantemente que o fendeu d’alto a baixo, como quem fende um cabrito, sem ter nada na sua mão: porém nem a seu pae nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito.

7 E desceu, e fallou áquella mulher, e agradou aos olhos de Sansão.

8 E depois de alguns dias voltou elle para a tomar: e, apartando-se do caminho a ver o corpo do leão morto, eis que no corpo do leão havia um enxame de abelhas com mel.

9 E tomou-o nas suas mãos, e foi-se andando e comendo d’elle; e foi-se a seu pae e a sua mãe, e deu-lhes d’elle, e comeram, porém não lhes deu a saber que tomara o mel do corpo do leão.

10 Descendo pois seu pae áquella mulher, fez Sansão ali um banquete; porque assim o costumavam fazer os mancebos.

11 E succedeu que, como o vissem, tomaram trinta companheiros para estarem com elle.

O enigma de Sansão.

12 Disse-lhes pois Sansão: Vos darei um enigma [7] a adivinhar: e, se nos sete dias das bodas m’o declarardes e descobrirdes, vos darei trinta lençoes e trinta mudas de vestidos.

13 E, se m’o não poderdes declarar, vós me dareis a mim os trinta lençoes e as trinta mudas de vestidos. E elles lhe disseram: Dá-nos o teu enigma a adivinhar, para que o ouçamos.

14 Então lhes disse: Do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte. E em tres dias não poderam declarar o enigma.

15 E succedeu que, ao setimo dia, disseram á mulher de Sansão: Persuade a teu marido [8] que nos declare o enigma, para que porventura não queimemos a fogo a ti e á casa de teu pae: chamastes-nos vós aqui para possuir o que é nosso, não é assim?

16 E a mulher de Sansão chorou diante d’elle, e disse: Tão sómente me aborreces, e não me amas; [9] pois déste aos filhos do meu povo um enigma a adivinhar, e ainda m’o não declaraste a mim. E elle lhe disse: Eis que nem a meu pae nem a minha mãe o declarei, e t’o declararia a ti?

17 E chorou diante d’elle os sete dias em que celebravam as bodas: succedeu pois que ao setimo dia lh’o declarou, porquanto o importunava; então ella declarou o enigma aos filhos do seu povo.

18 Disseram-lhe pois os homens d’aquella cidade, ao setimo dia, antes de se por o sol: Que coisa ha mais doce do que o mel? e que coisa ha mais forte do que o leão? E elle lhes disse: Se vós não lavrasseis com a minha novilha, nunca terieis descoberto o meu enigma.

19 Então [10] o espirito do Senhor tão possantemente se apossou d’elle, que desceu aos ascalonitas, e matou d’elles trinta homens, e tomou os seus vestidos, e deu as mudas de vestidos aos que declararam o enigma: porém accendeu-se a sua ira, e subiu á casa de seu pae.

20 E a mulher de Sansão foi dada ao [11] seu companheiro que o acompanhava.

[1] Gen. 38.13. Jos. 15.10. Gen. 34.2.

[2] Gen. 21.21 e 34.4.

[3] Gen. 24.3, 4 e 34.14. Exo. 34.16. Deu. 7.3.

[4] Jos. 11.20. I Reis 12.15. II Reis 6.33. II Chr. 10.15 e 22.7 e 25.20.

[5] cap. 13.1. Deu. 28.48.

[6] cap. 3.10 e 13.25. I Sam. 11.6.

[7] I Sam. 10.1. Eze. 17.2. Luc. 14.7. Gen. 29.27.

[8] cap. 16.5 e 15.6.

[9] cap. 16.15.

[10] cap. 3.10 e 13.25.

[11] cap. 15.2. João 3.29.

Sansão põe fogo ás searas dos philisteos.

15 E aconteceu, depois d’alguns dias, que na sega do trigo Sansão visitou a sua mulher com um cabrito, e disse: Entrarei na camara a minha mulher. Porém o pae d’ella não o deixou entrar.

2 Porque disse seu pae: Por certo dizia eu que de todo a aborrecias: [1] de sorte que a dei ao teu companheiro: porém não é sua irmã mais nova, mais formosa do que ella? toma-a pois em seu logar.

3 Então Sansão disse ácerca d’elles: Innocente sou esta vez para com os philisteos, quando lhes fizer algum mal.

4 E foi Sansão, e tomou trezentas raposas: e, tomando tições, as virou cauda a cauda, e lhes poz um tição no meio de cada duas caudas.

5 E chegou fogo aos tições, e largou-as na seara dos philisteos: e assim abrazou os molhos com a sega do trigo, e as vinhas com os olivaes.

6 Então disseram os philisteos: Quem fez isto? E disseram: Sansão, o genro do Timnatha, porque lhe tomou a sua mulher, e a deu a seu companheiro. Então subiram os philisteos, [2] e queimaram a fogo a ella e a seu pae.

7 Então lhes disse Sansão: Assim o haveis de fazer? pois havendo-me vingado eu de vós então cessarei.

8 E feriu-os com grande ferimento, perna juntamente com côxa: e desceu, e habitou no cume da rocha d’Etam.

9 Então os philisteos subiram, e acamparam-se contra Judah, e estenderam-se por [3] Lechi,

Os homens de Judah amarram a Sansão.

[Antes de Christo 1140]

10 E disseram os homens de Judah: Porque subistes contra nós? E elles disseram: Subimos para amarrar a Sansão, para lhe fazer a elle como elle nos fez a nós.

11 Então tres mil homens de Judah desceram até á cova da rocha d’Etam, e disseram a Sansão: Não sabias tu que [4] os philisteos dominam sobre nós? porque pois nos fizeste isto? E elle lhes disse: Assim como elles me fizeram a mim, eu lhes fiz a elles.

12 E disseram-lhe: Descemos para te amarrar, para te entregar nas mãos dos philisteos. Então Sansão lhes disse: Jurae-me que vós mesmos me não accommettereis.

13 E elles lhe fallaram, dizendo: Não, mas fortemente te amarraremos, e te entregaremos na sua mão; porém de maneira nenhuma te mataremos. E amarraram-n’o com duas cordas novas e fizeram-n’o subir da rocha.

Sansão fere mil homens com a queixada d’um jumento.

14 E, vindo elle a Lechi, os philisteos lhe sairam ao encontro, jubilando: porém [5] o espirito do Senhor possantemente se apossou d’elle, e as cordas que elle tinha nos braços se tornaram como fios de linho que se queimaram no fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos.

15 E achou uma queixada fresca d’um jumento, e estendeu a sua mão, e tomou-a, e feriu [6] com ella mil homens,

16 Então disse Sansão: Com uma queixada de jumento um montão, dois montões; com uma queixada de jumento feri a mil homens.

17 E aconteceu que, acabando elle de fallar, lançou a queixada da sua mão: e chamou áquelle logar [IY] Ramath-lechi.

18 E como tivesse grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Pela mão do teu servo [7] tu déste esta grande salvação: morrerei eu pois agora de sede, e cairei na mão d’estes incircumcisos?

19 Então o Senhor fendeu a caverna que estava em [IZ] Lechi; e saiu d’ella agua, e bebeu; e o seu espirito tornou, [8] e reviveu: pelo que chamou o seu nome: A fonte do que clama, que está em Lechi até _ao dia d’_hoje.

20 E julgou a Israel, [9] nos dias dos philisteos, vinte annos.

[1] cap. 14.20.

[2] cap. 14.15.

[3] ver. 19.

[4] cap. 14.4.

[5] cap. 3.10 e 14.6.

[6] Lev. 26.8. Jos. 23.10. cap. 3.31.

[7] Psa. 3.7.

[8] Gen. 45.27. Isa. 40.29.

[9] cap. 13.1.

Sansão é trahido por Dalila.

[Antes de Christo 1120]

16 E foi-se Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a ella.

2 E foi dito aos gazitas: Sansão entrou [1] aqui. Foram pois em roda, e toda a noite lhe puzeram espias á porta da cidade: porém toda a noite estiveram socegados, dizendo: Até á luz da manhã esperaremos; então o mataremos.

3 Porém Sansão deitou-se até á meia noite, e á meia noite se levantou, e travou das portas da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os hombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebron.

4 E depois d’isto aconteceu que se affeiçoou a uma mulher do valle de Sorec, cujo nome era Dalila.

5 Então os principes dos philisteos subiram a ella, e lhe disseram: Persuade-o, [2] e vê, em que consiste a sua grande força, e com que poderiamos assenhorear-nos d’elle e amarral-o, para assim o affligirmos: e te daremos cada um mil e cem [JA] moedas de prata.

6 Disse pois Dalila a Sansão: Declara-me, peco-te, em que consiste a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem affligir.

7 Disse-lhe Sansão: Se me amarrassem com sete vergas de vimes frescos, que ainda não estivessem seccos, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem.

8 Então os principes dos philisteos lhe trouxeram sete vergas de vimes frescos, que ainda não estavam seccos: e amarrou-o com ellas.

9 E os espias estavam assentados com ella n’uma camara. Então ella lhe disse: Os philisteos veem sobre ti, Sansão. Então quebrou as vergas de vimes, como se quebra o fio da estopa ao cheiro do fogo; assim não se soube em que consistia a sua força.

10 Então disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim, e me disseste mentiras: ora declara-me agora com que poderias ser amarrado.

11 E elle lhe disse: Se me amarrassem fortemente com cordas novas, com que se não houvesse feito obra nenhuma, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem.

12 Então Dalila tomou cordas novas, e o amarrou com ellas, e disse-lhe: Os philisteos veem sobre ti, Sansão. E os espias estavam assentados n’uma camara. Então as quebrou de seus braços como um fio.

13 E disse Dalila a Sansão: Até agora zombaste de mim, e me disseste mentiras; declara-me pois agora com que poderias ser amarrado? E elle lhe disse: Se teceres sete tranças dos cabellos da minha cabeça com os liços da têa.

14 E ella as fixou com uma estaca, e disse-lhe: Os philisteos veem sobre ti, Sansão. Então despertou do seu somno, e arrancou a estaca das tranças tecidas, juntamente com o liço da têa.

15 Então ella lhe disse: Como dirás: Tenho-te amor, [3] não estando comigo o teu coração? já tres vezes zombaste de mim, e ainda me não declaraste em que consiste a tua força.

16 E succedeu que, importunanado-o ella todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até á morte.

17 E descobriu-lhe todo o seu coração, [4] disse-lhe: Nunca subiu navalha á minha cabeça, porque sou nazireo de Deus desde o ventre de minha mãe: se viesse a ser rapado, ir-se-hia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como todos os mais homens.

18 Vendo pois Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, enviou, e chamou os principes dos philisteos, dizendo: Subi esta vez, porque agora me descobriu elle todo o seu coração. E os principes dos philisteos subiram a ella, e trouxeram o dinheiro na sua mão.

19 Então ella o fez dormir [5] sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabello de sua cabeça: e começou a affligil-o, e retirou-se d’elle a sua força.

20 E disse ella: Os philisteos veem sobre ti, Sansão. E despertou do seu somno, e disse: Sairei ainda esta vez como d’antes, e me sacudirei. Porque elle não sabia que já o Senhor se tinha retirado [6] d’elle.

21 Então os philisteos pegaram n’elle, e lhe arrancaram os olhos, e fizeram-n’o descer a Gaza, e amarraram-n’o com duas cadeias de bronze, e andava elle moendo no carcere.

22 E o cabello da sua cabeça lhe começou a ir crescendo, como quando foi rapado.

Sansão faz cair o templo de Dagon.

23 Então os principes dos philisteos se ajuntaram para offerecer um grande sacrificio ao seu deus Dagon, e para se alegrarem, e diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo.

24 Similhantemente, vendo-o o povo, [7] louvavam ao seu deus; porque diziam: Nosso deus nos entregou na mão o nosso inimigo, e ao que destruia a nossa terra, e ao que multiplicava os nossos mortos.

25 E succedeu que, alegrando-se-lhes [8] o coração, disseram: Chamae a Sansão, para que brinque diante de nós. E chamaram a Sansão do carcere, e brincou diante d’elles, e fizeram-n’o estar em pé entre as columnas.

26 Então disse Sansão ao moço que o tinha pela mão: Guia-me para que apalpe as columnas em que se sustém a casa, para que me encoste a ellas.

27 Ora estava a casa cheia de homens e mulheres: e tambem ali estavam todos os principes dos philisteos: e sobre o telhado havia alguns tres mil homens e mulheres, [9] que estavam vendo brincar Sansão.

28 Então Sansão clamou ao Senhor, e disse: Senhor JEHOVAH, peço-te que te lembres [10] de mim, e esforça-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos philisteos, pelos meus dois olhos.

29 Abraçou-se pois Sansão com as duas columnas do meio, em que se sustinha a casa, e arrimou-se sobre ellas, com a sua mão direita n’uma, e com a sua esquerda na outra.

30 E disse Sansão: Morra eu com os philisteos. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os principes e sobre todo o povo que n’ella havia: e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara na sua vida.

31 Então seus irmãos desceram, e toda a casa de seu pae, e tomaram-n’o, e subiram com elle, e sepultaram-n’o [11] entre Tsora e Estaol, no sepulchro de Manué, seu pae: e julgou elle a Israel vinte annos.

[1] I Sam. 23.26. Act. 9.24.

[2] cap. 14.15. Pro. 2.16-19 e 5.3-11 e 6.24, 25, 26 e 7.21, 22, 23.

[3] cap. 14.16.

[4] Miq. 7.5. Num. 6.5.

[5] Pro. 7.26, 27.

[6] Num. 14.9, 42, 43. Jos. 7.12. I Sam. 16.14 e 18.12 e 28.15, 16. II Chr. 15.2.

[7] Dan. 5.4.

[8] cap. 9.27.

[9] Deu. 22.8.

[10] Jer. 15.15.

[11] cap. 13.25.

Micah e o idolo da sua casa.

[Antes de Christo 1406]

17 E havia um homem da montanha d’Ephraim, cujo nome era Micah.

2 O qual disse a sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa deitavas maldições, e tambem as disseste em meus ouvidos, eis que este dinheiro eu o tenho, eu o tomei. Então disse sua mãe: Bemdito [1] seja meu filho do Senhor.

3 Assim restituiu as mil e cem moedas de prata a sua mãe: porém sua mãe disse: Inteiramente tenho dedicado este dinheiro da minha mão ao Senhor para meu filho, para fazer uma imagem [2] de esculptura e de fundição: de sorte que agora t’o tornarei a dar.

4 Porém elle restituiu aquelle dinheiro a sua mãe: e sua mãe tomou duzentas moedas de prata, e as deu ao ourives, o qual fez d’ellas uma imagem [3] de esculptura e de fundição, e esteve em casa de Micah.

5 E teve este homem, Micah, uma casa de deuses: e fez um ephod [4] e teraphins, e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote.

6 N’aquelles dias [5] não havia rei em Israel: cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos.

O levita em casa de Micah.

7 E havia um mancebo de Beth-lehem de Judah, da tribu de Judah, [6] que era levita, e peregrinava ali.

8 E este homem partiu da cidade de Beth-lehem de Judah para peregrinar onde quer que achasse commodidade: chegando elle pois á montanha d’Ephraim, até á casa de Micah, seguindo o seu caminho.

9 Disse-lhe Micah: D’onde vens? E elle lhe disse: Sou levita de Beth-lehem de Judah, e vou peregrinar onde quer que achar commodidade.

10 Então lhe disse Micah: Fica commigo, e sê-me [7] por pae e sacerdote; e cada anno te darei dez moedas de prata, e vestuario, e o teu sustento. E o levita entrou.

11 E consentiu o levita em ficar com aquelle homem: e este mancebo lhe foi como um de seus filhos.

12 E consagrou Micah ao levita, [8] e aquelle mancebo lhe foi por sacerdote; e esteve em casa de Micah.

13 Então disse Micah: Agora sei que O Senhor me fará bem: porquanto tenho um levita por sacerdote.

[1] Gen. 14.19. Ruth 3.10.

[2] Exo. 24.4, 23. Lev. 19.4.

[3] Isa. 46.6.

[4] cap. 8.27. Gen. 31.19, 30. Ose. 3.4.

[5] cap. 18.1 e 19.1 e 21.25. Deu. 33.5 e 12.8.

[6] Jos. 19.15. cap. 19.1. Ruth 1.1, 2. Miq. 5.2. Mat. 2.1, 5, 6.

[7] cap. 18.19. Gen. 45.8. Job 29.16.

[8] ver. 5. cap. 18.30.

Os daneos buscam uma herança e tomam Lais.

18 N’aquelles dias [1] não havia rei em Israel: e nos mesmos dias a tribu dos daneos buscava para si herança para habitar; porquanto até áquelle dia entre as tribus d’Israel lhe não havia caido em herança bastante sorte.

2 E enviaram os filhos de Dan [2] da sua tribu cinco homens dos seus confins, homens valorosos, de Zora e de Estaol, a espiar e rastejar a terra; e lhes disseram: Ide, rastejae a terra. E vieram á montanha d’Ephraim, até á casa de Micah, [3] e passaram ali a noite.

3 E quando elles estavam junto da casa de Micah, conheceram a voz do mancebo, do levita; e chegaram-se para lá, e lhe disseram: Quem te trouxe aqui, que fazes aqui, e que é o que tens aqui?

4 E elle lhes disse: Assim e assim me tem feito Micah; pois me tem alugado, e eu [4] lhe sirvo de sacerdote.

5 Então lhe disseram: [5] Ora pergunta a Deus, para que possamos saber se prosperará o caminho que levamos.

6 E disse-lhes o sacerdote: Ide em paz; [6] o caminho que levardes está perante o Senhor.

7 Então foram-se aquelles cinco homens, e vieram a Lais; [7] e viram que o povo que havia no meio d’ella estava seguro, conforme ao costume dos sidonios, quieto e confiado; nem havia possessor algum do reino que por causa alguma envergonhasse a alguem n’aquella terra: tambem estavam longe doa sidonios, e não tinham que fazer com ninguem.

8 Então voltaram a seus irmãos, a Zora [8] e a Estaol: e seus irmãos lhes disseram: Que dizeis vós?

9 E elles disseram: Levantae-vos, [9] e subamos a elles; porque examinámos a terra, e eis que é muitissimo boa; pois estareis tranquillos? [10] não sejaes preguiçosos em irdes para entrar a possuir esta terra.

10 Quando lá chegardes, vereis a um povo confiado, [11] e a terra é larga de extensão; porque Deus vol-a entregou na mão; logar em que não ha falta de coisa alguma que ha na terra.

11 Então partiram d’ali, da tribu dos daneos, de Zora e d’Estaol, seiscentos homens armados de armas de guerra.

12 E subiram, e acamparam-se em Kiriath-jearim, [12] em Judah; pelo que chamaram a este logar Mahaneh-dan, até ao dia de hoje; eis que está por detraz de Kiriath-jearim.

13 E d’ali passaram á montanha d’Ephraim; e vieram até [13] á casa de Micah.

Os daneos levam da casa de Micah a imagem e o levita.

14 Então responderam os cinco homens, que foram espiar a terra de Lais, e disseram [14] a seus irmãos: Sabeis vós tambem que n’aquellas casas [15] ha um ephod, e terafins, e imagem de esculptura e de fundição? vêde pois agora o que haveis de fazer.

15 Então foram-se para lá, e vieram á casa do mancebo, o levita, em casa de Micah, e o saudaram.

16 E os seiscentos [16] homens, que eram dos filhos de Dan, armados de suas armas de guerra, ficaram á entrada da porta.

17 Porém subindo os cinco homens, que foram espiar a terra, [17] entraram n’ella, e tomaram a imagem d’esculptura, o ephod, e os terafins, e a imagem de fundição, ficando o sacerdote em pé á entrada da porta, com os seiscentos homens que estavam armados com as armas de guerra.

18 Entrando elles pois em casa de Micah, e tomando a imagem de esculptura, e o ephod, e os terafins, e a imagem de fundição, disse-lhes o sacerdote: Que estaes fazendo?

19 E elles lhe disseram: Cala-te, põe [18] a mão na bocca, e vem comnosco, e sê-nos por pae e sacerdote: é-te melhor que sejas sacerdote da casa d’um só homem, do que ser sacerdote d’uma tribu e d’uma geração em Israel?

20 Então alegrou-se o coração do sacerdote, e tomou o ephod, e os terafins, e a imagem de esculptura: e entrou no meio do povo.

21 Assim viraram, e partiram: e os meninos, e o gado, e a bagagem puzeram diante de si.

22 E, estando já longe da casa de Micah, os homens que estavam nas casas junto á casa de Micah, se convocaram, e alcançaram os filhos de Dan.

23 E clamaram após dos filhos de Dan, os quaes viraram os seus rostos, e disseram a Micah: Que tens, que assim te convocaste?

24 Então elle disse: Os meus deuses, que eu fiz, me tomastes, juntamente com o sacerdote, e vos fostes; que mais me fica agora? Como pois me dizeis: Que é o que tens?

25 Porém os filhos de Dan lhe disseram: Não nos faças ouvir a tua voz, para que porventura homens de animo amargoso não se lancem sobre vós, e tu percas a tua vida, e a vida dos da tua casa.

26 Assim seguiram o seu caminho os filhos de Dan: e Micah, vendo que eram mais fortes do que elle, voltou, e tornou-se a sua casa.

27 Elles pois tomaram o que Micah tinha feito, e o sacerdote que tivera, e vieram a Lais, a [19] um povo quieto e confiado, e os feriram ao fio da espada, e queimaram a cidade a fogo.

28 E ninguem houve que os livrasse, porquanto estavam longe de Sidon, [20] e não tinham que fazer com ninguem, e a cidade estava no valle que está junto a Beth-rechob: [21] depois reedificaram a cidade e habitaram n’ella.

29 E chamaram o nome [22] da cidade Dan, conforme ao nome de Dan, seu pae, que nascera a Israel: sendo porém d’antes o nome d’esta cidade Lais.

30 E os filhos de Dan levantaram para si aquella imagem de esculptura: e Jonathan, filho de Gerson, o filho de Manasseh, elle e seus filhos foram sacerdotes da tribu dos daneos, até [23] ao dia do captiveiro da terra.

31 Assim pois a imagem d’esculptura que fizera Micah, estabeleceram entre si, todos os dias que a [24] casa de Deus esteve em Silo.

[1] cap. 17.6 e 21.25. Jos. 19.47.

[2] cap. 13.25. Num. 13.17. Jos. 2.1.

[3] cap. 17.1.

[4] cap. 17.10.

[5] I Reis 22.5. Isa. 30.1. Ose. 4.12. cap. 17.5. ver. 14.

[6] I Reis 22.6.

[7] Jos. 19.47. ver. 27, 28.

[8] ver. 2.

[9] Num. 13.30. Jos. 2.23, 24.

[10] I Reis 23.3.

[11] ver. 7, 27. Deu. 8.9.

[12] Jos. 15.60.

[13] ver. 2.

[14] I Sam. 14.28.

[15] cap. 17.5.

[16] ver. 11.

[17] ver. 2, 14. cap. 17.4, 5.

[18] Job 21.5 e 29.9 e 40.4. Pro. 30.32. Miq. 7.16. cap. 17.10.

[19] ver. 7, 10. Deu. 33.22. Jos. 19.47.

[20] ver. 7.

[21] Num. 13.21. II Sam. 10.6.

[22] Jos. 19.47. Gen. 14.14. cap. 20.1. I Reis 12.29, 30 e 15.20.

[23] cap. 13.1. I Sam. 4.2, 3, 10, 11. Psa. 78.60, 61.

[24] Jos. 18.1. cap. 19.18 e 21.12.

Os homens de Gibeah abusam da mulher d’um levita.

19 Aconteceu tambem n’aquelles dias, em que não havia rei em Israel que, houve um homem levita, que peregrinando [1] aos lados da montanha de Ephraim, tomou para si uma mulher concubina, de Beth-lehem [2] de Judah.

2 Porém a sua concubina fornicou contra elle, e foi-se d’elle para casa de seu pae, a Beth-lehem de Judah, e esteve ali alguns dias, a saber, quatro mezes.

3 E seu marido se levantou, e partiu após d’ella, para lhe fallar conforme ao seu coração, e para tornar a trazel-a: e o seu moço e um par de jumentos iam com elle: e ella o levou a casa de seu pae, e, vendo-o o pae da moça, alegrou-se ao encontrar-se com elle.

4 E seu sogro, o pae da moça, o deteve, e ficou com elle tres dias: e comeram e beberam, e passaram ali a noite.

5 E succedeu que ao quarto dia pela manhã madrugaram, e elle levantou-se para partir: então o pae da moça disse a seu genro: Conforta o teu coração com [3] um bocado de pão, e depois partireis.

6 Assentaram-se pois, e comeram ambos juntos, e beberam; e disse o pae da moça ao homem: Peço-te que ainda esta noite queiras passal-a aqui, e alegre-se o teu coração.

7 Porém o homem levantou-se para partir: mas seu sogro o constrangeu a tornar a passar ali a noite.

8 E, madrugando ao quinto dia pela manhã para partir, disse o pae da moça: Ora conforta o teu coração. E detiveram-se até já declinar o dia: e ambos juntos comeram.

9 Então o homem levantou-se para partir, elle, e a sua concubina, e o seu moço: e disse-lhe seu sogro, o pae da moça: Eis que já o dia se abaixa, e já a tarde vem entrando, peço-te que aqui passes a noite; eis que já o dia vae acabando, passa aqui a noite, e que o teu coração se alegre; e ámanhã de madrugada levantae-vos a caminhar, e vae-te para a tua tenda.

10 Porém o homem não quiz ali passar a noite, mas levantou-se, e partiu, e veiu até defronte de [4] Jebus (que é Jerusalem), e com elle o par de jumentos albardados, como tambem a sua concubina.

11 Estando pois já perto de Jebus, e tendo-se já declinado muito o dia, disse o moço a seu senhor: Caminhae agora, e retiremo-nos a esta cidade dos jebuseos, [5] e passemos ali a noite.

12 Porém disse-lhe seu senhor: Não nos retiraremos a nenhuma cidade estranha, que não seja dos filhos de Israel: mas passaremos até [6] Gibeah.

13 Disse mais a seu moço; Caminha, e cheguemos a um d’aquelles logares, e passemos em Gibeah ou em [7] Ramah.

14 Passaram pois adiante, e caminharam, e o sol se lhes poz junto a Gibeah, que é cidade de Benjamin.

15 E retiraram-se para lá, para entrarem a passar a noite em Gibeah; e, entrando elle, assentou-se na praça da cidade, porque não houve quem os recolhesse em casa para ali [8] passarem a noite.

16 E eis que um homem velho vinha á tarde do seu trabalho do campo; e era este homem da montanha de Ephraim, mas peregrinava em Gibeah: eram porém os homens d’este logar filhos de Benjamin.

17 Levantando elle pois os olhos, viu a este passageiro na praça da cidade, e disse o velho: Para onde vaes, e d’onde vens?

18 E elle lhe disse: Passamos de Beth-lehem de Judah até aos lados da montanha de Ephraim, d’onde sou; porquanto fui a Beth-lehem de Judah: porém agora vou [9] á casa do Senhor; e ninguem ha que me recolha em casa,

19 Ainda que ha palha e pasto para os nossos jumentos, e tambem pão e vinho ha para mim, e para a tua serva, e para o moço que vem com os teus servos: de coisa nenhuma ha falta.

20 Então disse o velho: Paz seja comtigo; [10] tudo quanto te faltar fique ao meu cargo: tão sómente não passes a noite na praça,

21 E trouxe-o a [11] sua casa, e deu pasto aos jumentos: e, lavando-se os pés, comeram e beberam.

22 Estando elles alegrando o seu coração, eis que os homens d’aquella cidade [12] (homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo á porta; e fallaram ao velho, senhor da casa, dizendo: Tira para fóra o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos.

23 E o homem, senhor da [13] casa, saiu a elles, e disse-lhes: Não, irmãos meus, ora não façaes similhante mal: já que este homem entrou em minha casa, não façaes tal loucura.

24 Eis que a minha filha [14] virgem e a concubina d’elle vol-as tirarei fóra; humilhae-as a ellas, e fazei d’ellas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façaes loucura similhante.

25 Porém aquelles homens não o quizeram ouvir: então aquelle homem pegou da sua concubina, e lh’a tirou para fóra: [15] e elles a conheceram e abusaram d’ella toda a noite até pela manhã, e, subindo a alva, a deixaram.

26 E ao romper da manhã veiu a mulher, e caiu á porta da casa d’aquelle homem, onde estava seu senhor, e ficou ali até que se fez claro.

27 E, levantando-se seu senhor pela manhã, e abrindo as portas da casa, e saindo a seguir o seu caminho, eis que a mulher, sua concubina, jazia á porta da casa, com as mãos sobre o limiar.

28 E elle lhe disse: Levanta-te, e vamo-nos, porém não respondeu; [16] então pôl-a sobre o jumento, e levantou-se o homem, e foi-se para o seu logar.

29 Chegando pois á sua casa, tomou um cutelo, e pegou na sua concubina, e a despedaçou [17] com os seus ossos em doze partes: e enviou-as por todos os termos de Israel.

30 E succedeu que cada um que tal via dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos d’Israel subiram da terra do Egypto, até ao dia d’hoje: ponderae isto no coração, [18] considerae, e fallae.

[1] cap. 17.6 e 18.1 e 21.25.

[2] cap. 17.7.

[3] Gen. 18.5.

[4] Jos. 18.28.

[5] Jos. 15.8, 63. cap. 1.21. II Sam. 5.6.

[6] Jos. 18.28.

[7] Jos. 18.25.

[8] Mat. 25.43. Heb. 13.2.

[9] Jos. 18.1. cap. 18.31 e 20.18. I Sam. 1.3, 7.

[10] Gen. 43.23. cap. 6.23. Gen. 19.2.

[11] Gen. 24.32 e 43.24 e 18.4. João 13.5.

[12] Gen. 19.4. cap. 20.5. Ose. 9.9 e 10.9. Deu. 13.13. Gen. 19.5. Rom. 1.26, 27.

[13] Gen. 19.6, 7. II Sam. 13.12.

[14] Gen. 19.8 e 34.2. Deu. 21.14.

[15] Gen. 4.1.

[16] cap. 20.5.

[17] cap. 20.6. I Sam. 11.7.

[18] cap. 20.7. Pro. 13.10.

Os israelitas vingam o ultrage feito ao levita.

20 Então todos [1] os filhos d’Israel sairam, e a congregação se ajuntou, como se fôra um só homem, desde Dan até [2] Berseba como tambem a terra de Gilead, ao Senhor em Mispah.

2 E dos cantos de todo o povo se apresentaram de todas as tribus d’Israel na congregação do povo de Deus quatrocentos mil homens de pé [3] que arrancavam a espada.

3 (Ouviram pois os filhos de Benjamin que os filhos d’Israel haviam subido a Mispah) E disseram os filhos de Israel: Fallae, como succedeu esta maldade?

4 Então respondeu o homem levita, marido da mulher que fôra morta, e disse: Cheguei com a minha concubina a [4] Gibeah cidade de Benjamin, para passar a noite;

5 E os cidadãos de [5] Gibeah se levantaram contra mim, e cercaram a casa de noite: intentaram matar-me, e violaram a minha concubina, de maneira que morreu.

6 Então peguei [6] na minha concubina, e fil-a em pedaços, e a enviei por toda a terra da herança d’Israel: porquanto fizeram tal maleficio e loucura em Israel.

7 Eis que todos [7] sois filhos d’Israel: dae aqui a vossa palavra e conselho.

8 Então todo o povo se levantou como um só homem, dizendo: Nenhum de nós irá á sua tenda nem nenhum de nós se retirará á sua casa.

9 Porém isto é o que faremos a Gibeah: procederemos contra ella por sorte.

10 E tomaremos dez homens de cem de todas as tribus d’Israel, e cem de mil, e mil de dez mil, para tomarem mantimento para o povo: para que, vindo elles a Gibeah de Benjamin, lhe façam conforme a toda a loucura que tem feito em Israel.

11 Assim ajuntaram-se contra esta cidade todos os homens d’Israel, alliados como um só homem.

12 E as tribus d’Israel enviaram homens por toda a tribu [8] de Benjamin, dizendo: Que maldade é esta que se fez entre vós?

13 Dae-nos pois agora aquelles homens, [9] filhos de Belial, que estão em Gibeah, para que os matemos, e tiremos d’Israel o mal: porém os filhos de Benjamin não quizeram ouvir a voz de seus irmãos, os filhos d’Israel.

14 Antes os filhos de Benjamin se ajuntaram das cidades em Gibeah, para sairem a pelejar contra os filhos d’Israel.

15 E contaram-se n’aquelle dia os filhos de Benjamin, das cidades, vinte e seis mil homens que arrancavam a espada, afóra os moradores de Gibeah, de que se contaram setecentos homens escolhidos.

16 Entre todo este povo havia setecentos homens escolhidos, [10] canhotos, os quaes todos atiravam com a funda uma pedra a um cabello, e não erravam.

17 E contaram-se dos homens d’Israel, afóra os de Benjamin, quatrocentos mil homens que arrancavam da espada, e todos elles homens de guerra.

18 E levantaram-se [11] os filhos d’Israel, e subiram a Beth-el, e perguntaram a Deus, e disseram: Quem d’entre nós subirá o primeiro a pelejar contra Benjamin? E disse o Senhor: Judah subirá primeiro.

19 Levantaram-se pois os filhos d’Israel pela manhã, e acamparam-se contra Gibeah.

20 E os homens d’Israel sairam á peleja contra Benjamin: e ordenaram os homens d’Israel contra elles a peleja ao pé de Gibeah.

21 Então os filhos de Benjamin sairam [12] de Gibeah, e derribaram por terra n’aquelle dia vinte e dois mil homens d’Israel.

22 Porém esforçou-se o povo dos homens d’Israel, e tornaram a ordenar a peleja no logar onde no primeiro dia a tinham ordenado.

23 E subiram os filhos d’Israel, e choraram [13] perante o Senhor até á tarde, e perguntaram ao Senhor, dizendo: Tornar-me-hei a chegar á peleja contra os filhos de Benjamin, meu irmão? E disse o Senhor: Subi contra elle.

24 Chegaram-se pois os filhos d’Israel aos filhos de Benjamin, no dia seguinte.

25 Tambem os de Benjamin no dia seguinte lhes sairam [14] ao encontro fóra de Gibeah, e derribaram ainda por terra mais dezoito mil homens, todos dos que arrancavam a espada.

26 Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, [15] e vieram a Beth-el, e choraram, e estiveram ali perante o Senhor, e jejuaram aquelle dia até á tarde: e offereceram holocaustos e offertas pacificas perante o Senhor.

27 E os filhos d’Israel perguntaram ao Senhor (porquanto a [16] arca do concerto de Deus estava ali n’aquelles dias;

28 E Phineas, [17] filho d’Eleazar, filho d’Aarão, estava perante elle n’aquelles dias), dizendo: Sairei ainda mais a pelejar contra os filhos de Benjamin, meu irmão, ou pararei? E disse o Senhor; Subi, que ámanhã eu t’o entregarei na mão.

29 Então Israel poz emboscadas [18] em redor de Gibeah.

30 E subiram os filhos d’Israel ao terceiro dia contra os filhos de Benjamin, e ordenaram a peleja junto a Gibeah, como das outras vezes.

31 Então os filhos de Benjamin sairam ao encontro do povo, e desviaram-se da cidade: e começaram a ferir alguns do povo, atravessando-os, como das outras vezes, pelos caminhos (um dos quaes sobe para Beth-el, e o outro para Gibeah pelo campo), alguns trinta dos homens d’Israel.

32 Então os filhos de Benjamin disseram: Vão derrotados diante de nós como d’antes. Porém os filhos d’Israel disseram: Fujamos, e desviemol-os da cidade para os caminhos.

33 Então todos os homens de Israel se levantaram do seu logar, e ordenaram, a peleja em Baal-tamar: e a emboscada d’Israel saiu do seu logar, da caverna de Gibeah.

34 E dez mil homens escolhidos de todo o Israel vieram contra Gibeah, e a peleja se engraveceu: porém elles não sabiam [19] que o mal lhes tocaria.

35 Então feriu o Senhor a Benjamin diante d’Israel; e desfizeram os filhos d’Israel n’aquelle dia vinte e cinco mil e cem homens de Benjamin, todos dos que arrancavam espada.

36 E viram os filhos de Benjamin que estavam feridos: porque os homens [20] d’Israel deram logar aos benjamitas, porquanto estavam confiados na emboscada que haviam posto contra Gibeah.

37 E a [21] emboscada se apressou, e accommetteu a Gibeah: e a emboscada arremetteu contra ella, e feriu ao fio da espada toda a cidade.

38 E os homens d’Israel tinham um signal determinado com a emboscada, que era quando fizessem levantar da cidade uma grande nuvem de fumo.

39 Viraram-se pois os homens d’Israel na peleja; e já Benjamin começava a ferir, dos homens de Israel, quasi trinta homens, atravessando-os, porque diziam: Já infallivelmente estão derrotados diante de nós, como na peleja passada.

40 Então a nuvem de fumo se começou a levantar da cidade, como uma columna de fumo: e, virando-se Benjamin a olhar para [22] traz de si, eis que o fumo da cidade subia ao céu.

41 E os homens d’Israel viraram os rostos, e os homens de Benjamin pasmaram; porque viram que o mal lhes tocaria.

42 E viraram as costas diante dos homens d’Israel, para o caminho do deserto; porém a peleja os apertou; e os das cidades os desfizeram no meio d’elles.

43 E cercaram a Benjamin, e o seguiram, e descançadamente o pisaram, até diante de Gibeah, para o nascente do sol.

44 E cairam de Benjamin dezoito mil homens, todos estes sendo homens valentes.

45 Então viraram as costas, e fugiram para o deserto, á penha de Rimmon; [23] rabiscaram ainda d’elles pelos caminhos uns cinco mil homens: e de perto os seguiram até Gideon, e feriram d’elles dois mil homens.

46 E foram todos os que de Benjamin n’aquelle dia cairam vinte e cinco mil homens que arrancavam a espada, todos elles homens valentes.

47 Porém seiscentos homens viraram as costas e fugiram para o deserto, á penha de [24] Rimmon: e ficaram na penha de Rimmon quatro mezes.

48 E os homens d’Israel voltaram para os filhos de Benjamin, e os feriram ao fio da espada, desde os homens da cidade até aos animaes, até a tudo quanto se achava, como tambem a todas as cidades quantas se acharam pozeram a fogo.

[1] Deu. 13.12. Jos. 22.12. cap. 21.5. I Sam. 11.7.

[2] cap. 18.29. I Sam. 3.20. II Sam. 3.10 e 24.2. Jui. 10.17 e 11.11. I Sam. 7.5 e 10.17.

[3] cap. 8.10.

[4] cap. 19.15.

[5] cap. 19.22, 25, 26.

[6] cap. 19.29. Jos. 7.15.

[7] cap. 19.30.

[8] Deu. 13.14. Jos. 22.13, 16.

[9] Deu. 13.13. cap. 19.22. Deu. 17.12.

[10] cap. 3.15. I Chr. 12.2.

[11] ver. 23, 26. Num. 27.21. cap. 1.1.

[12] Gen. 49.27.

[13] ver. 26, 27.

[14] ver. 21.

[15] ver. 18.

[16] Jos. 18.1. I Sam. 4.3, 4.

[17] Jos. 24.33. Deu. 10.8 e 18.5.

[18] Jos. 8.4.

[19] Jos. 8.14. Isa. 47.11.

[20] Jos. 8.15.

[21] Jos. 8.19.

[22] Jos. 8.20.

[23] Jos. 15.32.

[24] cap. 21.13.

A ruina de Jabes Gilead.

[Antes de Christo 1322]

21 Ora tinham jurado [1] os homens d’Israel em Mispah, dizendo: Nenhum de nós dará sua filha por mulher aos benjamitas.

2 Veiu pois o povo a [2] Beth-el, e ali ficaram até á tarde diante de Deus: e levantaram a sua voz, e prantearam com grande pranto,

3 E disseram: Ah! Senhor Deus d’Israel, porque succedeu isto em Israel, que hoje falte uma tribu em Israel?

4 E succedeu que, no dia seguinte, o povo pela manhã se levantou, e edificou ali [3] um altar; e offereceram holocaustos e offertas pacificas.

5 E disseram os filhos d’Israel: Quem de todas as tribus d’Israel não subiu ao ajuntamento ao Senhor? Porque se tinha feito um grande juramento [4] ácerca dos que não viessem ao Senhor a Mispah, dizendo: Morrerá certamente.

6 E arrependeram-se os filhos d’Israel ácerca de Benjamin, seu irmão, e disseram: Cortada é hoje d’Israel uma tribu.

7 Que faremos, ácerca de mulheres, com os que ficaram de resto, pois nós temos jurado pelo Senhor que nenhuma de nossas filhas lhes dariamos por mulheres?

8 E disseram: Ha alguma das tribus d’Israel que não subisse ao Senhor a Mispah? E eis que ninguem de Jabes de Gilead [5] viera ao arraial, á congregação.

9 Porquanto o povo se contou: e eis que nenhum dos moradores de Jabes de Gilead se achou ali.

10 Então o ajuntamento enviou lá doze mil homens dos mais valentes, e lhes ordenou, dizendo: Ide, [6] e ao fio da espada feri aos moradores de Jabes de Gilead, e ás mulheres e aos meninos.

11 Porém isto é o que haveis de fazer: A todo [7] o macho e a toda a mulher que se houver deitado com um homem totalmente destruireis.

12 E acharam entre os moradores de Jabes de Gilead quatrocentas moças virgens, que não conheceram homem deitando-se com macho: e as trouxeram ao arraial, a Silo, [8] que está na terra de Canaan.

Dão-se quatrocentas mulheres aos benjamitas.

13 Então todo o ajuntamento enviou, e fallou aos filhos de Benjamin, que estavam na penha de Rimmon, [9] e lhes proclamou a paz.

14 E ao mesmo tempo voltaram os benjamitas; e deram-lhes as mulheres que haviam guardado com vida, das mulheres de Jabes de Gilead: porém estas ainda lhes não bastaram.

15 Então o povo [10] se arrependeu por causa de Benjamin: porquanto o Senhor tinha feito abertura nas tribus d’Israel.

16 E disseram os anciãos do ajuntamento: Que faremos ácerca de mulheres para os que ficaram de resto? pois as mulheres são destruidas de Benjamin.

17 Disseram mais: A herança dos que ficaram de resto é de Benjamin, e nenhuma tribu de Israel deve ser destruida.

18 Porém nós não lhes poderemos dar mulheres de nossas filhas, porque os filhos d’Israel juraram, [11] dizendo: Maldito aquelle que der mulher aos benjamitas.

19 Então disseram: Eis que de anno em anno ha solemnidade do Senhor em Silo, que se celebra para o norte de Beth-el, da banda do nascente do sol, pelo caminho alto que sobe de Beth-el a Sichem, e para o sul de Lebona.

20 E mandaram aos filhos de Benjamin, dizendo: Ide, e emboscae-vos nas vinhas,

21 E olhae, e eis ahi, saindo as filhas de Silo a dançar em ranchos, [12] sahi vós das vinhas, e arrebatae-vos cada um sua mulher das filhas de Silo, e ide-vos á terra de Benjamin.

22 E será que, quando seus paes ou seus irmãos vierem a litigar comnosco, nós lhes diremos: Por amor de nós, tende compaixão d’elles, pois n’esta guerra não tomámos mulheres para cada um d’elles: porque não lh’as déstes vós, para que agora ficasseis culpados?

23 E os filhos de Benjamin o fizeram assim, e levaram mulheres conforme ao numero d’elles, das que arrebatavam dos ranchos que dançavam: e foram-se, e voltaram á sua herança, e reedificaram as [13] cidades, e habitaram n’ellas.

24 Tambem os filhos d’Israel partiram então d’ali, cada um para a sua tribu e para a sua geração: e sairam d’ali, cada um para a sua herança.

25 N’aquelles dias não havia rei em Israel: [14] porém cada um fazia o que parecia recto aos seus olhos.

[1] cap. 20.1.

[2] cap. 20.18, 26.

[3] II Sam. 24.25.

[4] cap. 5.23.

[5] I Sam. 11.1 e 31.11.

[6] ver. 5. cap. 5.23. I Sam. 11.7.

[7] Num. 31.17.

[8] Jos. 18.1.

[9] cap. 20.47.

[10] ver. 6.

[11] ver. 1. cap. 11.35.

[12] Exo. 15.20. cap. 11.14. I Sam. 18.6. Jer. 31.13.

[13] cap. 20.48.

[14] cap. 17.6 e 18.1 e 19.1. Deu. 12.8.

O LIVRO DE RUTH.

Noemi e suas noras Orpha e Ruth.

[Antes de Christo 1312]

1 E succedeu que, nos dias em que os juizes [1] julgavam, houve uma fome na terra: pelo que um homem de Beth-lehem de Judah saiu [2] a peregrinar nos campos de Moab, elle e sua mulher, e seus dois filhos:

2 E era o nome d’este homem Elimelech, e o nome de sua mulher [JB] Noemi, e os nomes de seus dois filhos Mahon e Chilion, ephrateos, [3] de Beth-lehem de Judah: e vieram aos campos de Moab, [4] e ficaram ali.

3 E morreu Elimelech, marido de Noemi: e ficou ella com os seus dois filhos,

4 Os quaes tomaram para si mulheres moabitas: e era o nome d’uma Orpha, e o nome da outra Ruth; e ficaram ali quasi dez annos.

5 E morreram tambem ambos, Mahalon e Chilion, ficando assim esta mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido.

6 Então se levantou ella com as suas noras, e voltou dos campos de Moab: porquanto na terra de Moab ouviu que o Senhor tinha visitado o seu povo, [5] dando-lhe pão.

7 Pelo que saiu do logar onde estivera, e as suas duas noras com ella. E, indo ellas caminhando, para voltarem para a terra de Judah,

8 Disse Noemi ás suas duas noras: Ide, voltae cada uma á casa [6] de sua mãe; e o Senhor use comvosco de benevolencia, como vós usastes com [7] os defuntos e comigo.

9 O Senhor vos dê que acheis descanço cada uma em casa de seu marido. E, beijando-as ella, levantaram a sua voz e choraram.

10 E disseram-lhe: Certamente voltaremos comtigo ao teu povo.

11 Porém Noemi disse: Tornae, minhas filhas, porque irieis comigo? tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos fossem [8] por maridos?

12 Tornae, filhas minhas, ide-vos embora, que já mui velha sou para ter marido: ainda quando eu dissesse, Tenho esperança, ou ainda que esta noite tivesse marido e ainda parisse filhos,

13 Esperal-os-hieis até que viessem a ser grandes? deter-vos-hieis por elles, sem tomardes marido? não, filhas minhas, que mais amargo me é a mim do que a vós mesmas; porquanto a mão [9] do Senhor se descarregou contra mim.

14 Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar: e Orpha beijou a sua sogra, porém Ruth [10] se apegou a ella.

15 Pelo que disse: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo [11] e aos seus deuses: volta tu tambem após da tua cunhada.

16 Disse porém Ruth: Não me instes para que te deixe, [12] e me torne de detraz de ti; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares á noite ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;

17 Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada: me [13] faça assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

18 Vendo ella, pois, [14] que de todo estava resolvida para ir com ella, deixou de lhe fallar.

19 Assim pois foram-se ambas, até que chegaram a Beth-lehem: e succedeu que, entrando ellas em Beth-lehem, toda a cidade se commoveu por causa d’ellas, [15] e diziam: Não é esta Noemi?

20 Porém ella lhes dizia: Não me chameis [JC] Noemi; chamae-me [JD] Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo-poderoso.

21 Cheia parti, [16] porém vazia o Senhor me fez tornar: porque pois me chamareis Noemi? pois o Senhor testifica contra mim, e o Todo-poderoso me tem feito tanto mal.

22 Assim Noemi voltou, e com ella Ruth a moabita, sua nora, que voltou dos campos de Moab: e chegaram a Beth-lehem [17] no principio da sega das cevadas.

[1] Jui. 2.16. Gen. 12.10 e 26.1. II Reis 8.1.

[2] Jui. 17.8.

[3] Gen. 25.19.

[4] Jui. 3.30.

[5] Exo. 4.31. Luc. 1.68. Psa. 132.15. Mat. 6.11.

[6] Jos. 24.15. II Tim. 1.16, 17, 18.

[7] ver. 5. cap. 2.20 e 3.1.

[8] Gen. 38.11. Deu. 25.5.

[9] Jui. 2.15. Job 19.21.

[10] Pro. 17.17 e 18.24.

[11] Jui. 11.24. Jos. 24.15, 19. II Reis 2.2. Luc. 24.28.

[12] II Reis 2.2, 4, 6. cap. 2.11, 13.

[13] I Sam. 3.17 e 25.22. II Sam. 19.13. II Reis 6.31.

[14] Act. 21.14.

[15] Mat. 21.10. Isa. 23.7. Lam. 2.15.

[16] Job 1.21.

[17] Exo. 9.21, 32. cap. 2.23. II Sam. 21.9.

Ruth vae rabiscar espigas.

2 E tinha Noemi um parente de seu marido, homem valente e poderoso, [1] da geração de Elimelech; e era o seu nome Boaz.

2 E Ruth a moabita disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas [2] após d’aquelle em cujos olhos eu achar graça. E ella lhe disse: Vae, minha filha.

3 Foi pois, e chegou, e apanhava espigas no campo após dos segadores: e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da geração de Elimelech.

4 E eis que Boaz veiu de Beth-lehem, e disse aos segadores: O Senhor seja comvosco. [3] E disseram-lhe elles: O Senhor te abençoe.

5 Depois disse Boaz a seu moço, que estava posto sobre os segadores: De quem é esta moça?

6 E respondeu o moço, que estava posto sobre os segadores, e disse: Esta é a moça moabita [4] que voltou com Noemi dos campos de Moab.

7 Disse-me ella: Deixa-me colher espigas, e ajuntal-as entre [JE] as gavellas após dos segadores. Assim ella veiu, e desde pela manhã está aqui até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa.

Boaz falla a Ruth benignamente.

8 Então disse Boaz a Ruth: Não ouves, filha minha? não vás colher a outro campo, nem tão pouco passes d’aqui: porém aqui te ajuntarás com as minhas moças.

9 Os teus olhos estarão attentos no campo que segarem, e irás após d’ellas; não dei ordem aos moços, que te não toquem? tendo tu sede, vae aos vasos, e bebe do que os moços tirarem.

10 Então ella caiu sobre o seu rosto, e se inclinou á [5] terra: e disse-lhe: Porque achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu uma estrangeira?

11 E respondeu Boaz, e disse-lhe: Bem se me contou quanto fizeste [6] a tua sogra, depois da morte de teu marido: e deixaste a teu pae e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que d’antes não conheceste.

12 O Senhor galardoe [7] o teu feito: e seja cumprido o teu galardão do Senhor Deus de Israel, sob [8] cujas azas te vieste abrigar.

13 E disse ella: Ache eu graça [9] em teus olhos, senhor meu, pois me consolaste, e pois fallaste ao coração da tua serva, não sendo eu ainda como uma das tuas creadas.

14 E, sendo já horas de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ella se assentou ao lado dos segadores, e elle lhe deu do trigo tostado, e comeu, e se fartou, [10] e ainda lhe sobejou.

15 E, levantando-se ella a colher, Boaz deu ordem aos seus moços, dizendo: Até entre as gavelas deixae-a colher, e não lh’o embaraceis.

16 E deixae cair alguns punhados, e deixae-os ficar, para que os colha, e não a reprehendaes.

17 E esteve ella apanhando n’aquelle campo até á tarde: e debulhou o que apanhou, e foi quasi um epha de cevada.

18 E tomou-o, e veiu á cidade; e viu sua sogra o que tinha apanhado: tambem tirou, e deu-lhe o [11] que lhe sobejara depois de fartar-se.

19 Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste? bemdito seja aquelle que [12] te reconheceu. E relatou a sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz.

20 Então Noemi disse a sua nora: Bemdito [13] seja do Senhor, que ainda não tem deixado a sua beneficencia nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Este homem é nosso parente chegado, [14] e um d’entre os nossos remidores.

21 E disse Ruth, a moabita: Tambem ainda me disse: Com os moços que tenho te ajuntarás, até que acabem toda a sega que tenho.

22 E disse Noemi a sua nora, Ruth: Melhor é, filha minha, que saias com as suas moças, para que n’outro campo não te encontrem.

23 Assim, ajuntou-se com as moças de Boaz, para colher até que a sega das cevadas e dos trigos se acabou; e ficou com a sua sogra.

[1] cap. 3.2, 12 e 4.21.

[2] Lev. 19.9. Deu. 24.19.

[3] Psa. 129.8. Luc. 1.28. II The. 3.16.

[4] cap. 1.22.

[5] I Sam. 25.23.

[6] cap. 1.14, 16, 17.

[7] I Sam. 24.19.

[8] cap. 1.16. Psa. 17.8 e 35.8 e 57.2 e 63.8.

[9] Gen. 33.15. I Sam. 1.18 e 25.41.

[10] ver. 18.

[11] ver. 14.

[12] ver. 10. Psa. 41.2.

[13] cap. 3.10. II Sam. 2.5. Job 29.13. Pro. 17.17.

[14] cap. 3.9 e 4.6.

Ruth vae deitar-se aos pes de Boaz.

3 E disse-lhe [1] Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar descanço, para que fiques bem?

2 Ora pois, não é Boaz, com cujas moças estiveste, [2] de nossa parentela? eis que esta noite padejará a cevada na eira.

3 Lava-te pois, [3] e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce á eira: porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.

4 E ha de ser que, quando elle se deitar, notarás o logar em que se deitar; então entra, e descobrir-lhe-has os pés, e te deitarás, e elle te fará saber o que deves fazer.

5 E ella lhe disse: Tudo quanto me disseres, farei.

6 Então foi para a eira, e fez conforme a tudo quanto sua sogra lhe tinha ordenado.

7 Havendo pois Boaz comido e bebido, e estando já o seu coração alegre, [4] veiu deitar-se ao pé de uma meda; então veiu ella de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou.

Boaz promette a Ruth casar com ella.

8 E succedeu que, pela meia noite, o homem estremeceu, e se voltou: e eis que uma mulher jazia a seus pés.

9 E disse elle: Quem és tu? E ella disse: Sou Ruth, tua serva; estende pois tua aba [5] sobre a tua serva, porque tu és o [6] remidor,

10 E disse elle: Bemdita sejas tu do [7] Senhor, minha filha; melhor fizeste esta tua ultima beneficencia do que a primeira, pois após de nenhuns mancebos foste, quer pobres quer ricos.

11 Agora pois, minha filha, não temas; tudo quanto disseste te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher [8] virtuosa.

12 Porém agora é muito verdade que eu sou [9] remidor: mas ainda outro remidor ha mais chegado do que eu.

13 Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se elle te [10] redimir, bem está, elle te redima; porém, se te não quizer redimir, vive o [11] Senhor, que eu te redimirei: deita-te aqui até ámanhã.

14 Ficou-se pois deitada a seus pés até pela manhã, e levantou-se antes que podesse [12] um conhecer a outro, porquanto disse: Não se saiba que alguma mulher veiu á eira.

15 Disse mais: Dá cá o roupão que tens sobre ti, e tem mão n’elle. E ella teve mão n’elle; e elle mediu seis medidas de cevada, e lh’as poz em cima; então entrou na cidade,

16 E veiu á sua sogra, a qual disse: Quem és tu, minha filha? E ella lhe contou tudo quanto aquelle homem lhe fizera.

17 Disse mais: Estas seis medidas de cevada me deu, porque me disse: Não vás vazia a tua sogra.

18 Então disse ella: Está quieta, minha filha, [13] até que saibas como irá o caso, porque aquelle homem não descançará até que conclua hoje este negocio.

[1] I Cor. 7.36. I Tim. 5.8. cap. 1.9.

[2] cap. 2.8.

[3] II Sam. 14.2.

[4] Jui. 19.6, 9, 22. II Sam. 13.28. Est. 1.10.

[5] Eze. 16.8.

[6] ver. 12. cap. 2.20.

[7] cap. 2.20.

[8] Pro. 12.4.

[9] ver. 9. cap. 4.1.

[10] Deu. 25.5. cap. 4.5. Mat. 22.24.

[11] Jui. 8.19. Jer. 4.2.

[12] Rom. 12.17 e 14.16. I Cor. 10.32. II Cor. 8.21. I The. 5.22.

[13] Psa. 37.3, 5.

Boaz casa com Ruth.

4 E Boaz subiu á porta, e assentou-se ali: e eis que o remidor [1] de que Boaz tinha fallado ia passando, e disse-lhe: Ó fulano, desvia-te para cá, assenta-te aqui. E desviou-se para ali, e assentou-se.

2 Então tomou dez homens [2] dos anciãos da cidade, e disse: Assentae-vos aqui. E assentaram-se.

3 Então disse ao remidor: Aquella parte da terra que foi de Elimelech, nosso irmão, Noemi, que tornou da terra dos moabitas, a vendeu.

4 E disse eu: Manifestal-o-hei em teus ouvidos, dizendo: Toma-a diante dos habitantes, e diante [3] dos anciãos do meu povo; se a has de redimir, redime-a, e, se não se houver de redimir, declara-m’o, para que o saiba, pois outro não ha senão [4] tu que a redima, e eu depois de ti. Então disse elle: Eu a redimirei.

5 Disse porém Boaz: No dia em que tomares a terra da mão de Noemi, tambem a tomarás da mão de Ruth, a moabita, mulher do defunto, para suscitar o nome do defunto [5] sobre a sua herdade.

6 Então disse [6] o remidor: Para mim não a poderei redimir, para que não damne a minha herdade: redime tu a minha remissão para ti, porque eu não a poderei redimir.

7 Havia, pois, [7] já de muito tempo este costume em Israel, emquanto a remissão e contracto, para confirmar todo o negocio, que o homem descalçava o sapato e o dava ao seu proximo: e isto era por testemunho em Israel.

8 Disse pois o remidor a Boaz: Toma-a para ti. E descalçou o sapato.

9 Então Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Sois hoje testemunhas de que tomei tudo quanto foi d’Elimelech, e de Chilion, e de Mahlon, da mão de Noemi,

10 E de que tambem tomo por mulher a Ruth, a moabita, que foi mulher de Mahlon, para suscitar o nome do defunto sobre a sua herdade, [8] para que o nome do defunto não seja desarraigado d’entre seus irmãos e da porta do seu logar: d’isto sois hoje testemunhas.

11 E todo o povo que estava na porta, e os anciãos, disseram: Somos testemunhas: [9] o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Rachel e como a Leah, [10] que ambas edificaram a casa d’Israel; e ha-te já valorosamente em Ephrata, e faze-te nome afamado em Beth-lehem.

12 E seja a tua casa como a casa de Perez [11] (que Tamar pariu a Judah), da semente que o Senhor te der d’esta moça.

Ruth dá á luz Obed, avô de David.

13 Assim tomou [12] Boaz a Ruth, e ella lhe foi por mulher; e elle entrou a ella, e o Senhor lhe deu conceição, e pariu um filho.

14 Então as mulheres disseram [13] a Noemi: Bemdito seja o Senhor, que não deixou hoje de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel.

15 Elle te será por recreador da alma, e conservará a tua velhice, pois tua nora, que te ama, [14] o pariu, e ella te é melhor do que sete filhos.

16 E Noemi tomou o filho, e o poz no seu regaço, e foi sua ama.

17 E as visinhas [15] lhe deram um nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E chamaram o seu nome Obed. Este é o pae de [JF] Jessé, pae de David.

18 Estas são pois as gerações [16] de Perez: Perez gerou a Esrom,

19 E Esrom gerou a Arão, e Arão gerou a Amminadab,

20 E Amminadab gerou a Nahasson, e [17] Nahasson gerou a Salmon,

21 E Salmon gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obed,

22 E Obed gerou a Jessé, [18] e Jessé gerou a David.

[1] cap. 3.12.

[2] I Reis 21.8. Pro. 31.23.

[3] Jer. 32.7, 8. Gen. 23.18.

[4] Lev. 25.25.

[5] Gen. 38.8. Deu. 25.5, 6. cap. 3.13. Mat. 22.24.

[6] cap. 2.12, 13.

[7] Deu. 25.7, 9.

[8] Deu. 25.6.

[9] Psa. 127.3 e 128.3.

[10] Deu. 25.9. Gen. 35.16, 19.

[11] Gen. 38.29. I Chr. 2.4. Mat. 1.3. I Sam. 2.20.

[12] cap. 3.11. Gen. 29.31 e 33.5.

[13] Luc. 1.58. Rom. 12.15.

[14] I Sam. 1.8.

[15] Luc. 1.58, 59.

[16] I Chr. 2.4, etc. Mat. 1.3.

[17] Num. 1.7. Mat. 1.4, etc.

[18] I Chr. 2.15. Mat. 1.6.

O PRIMEIRO LIVRO DE SAMUEL.

Elcana e suas mulheres.

[Antes de Christo 1171]

1 Houve um homem de [1] Ramathaim de Zophim, da montanha de Ephraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroham, filho de Elihu, filho de Tohu, filho de Suph, ephrateo.

2 E este tinha duas mulheres: o nome d’uma era Anna, e o nome da outra Peninna: e Peninna tinha filhos, porém Anna não tinha filhos.

3 Subia pois este homem da sua cidade [2] de anno em anno a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exercitos em Silo: e estavam ali os sacerdotes do Senhor, Hophni e Phineas, os dois filhos d’Eli.

4 E succedeu que no dia em que Elcana sacrificava [3] dava elle porções a Peninna, sua mulher, e a todos os seus filhos, e a todas as suas filhas.

5 Porém a Anna dava uma parte excellente; porquanto a Anna amava, porém o Senhor [4] lhe tinha cerrado a madre.

6 E a sua competidora excessivamente a irritava, [5] para a embravecer: porquanto o Senhor lhe tinha cerrado a madre.

7 E assim o fazia elle de anno em anno: desde que subia á casa do Senhor, assim a outra a irritava: pelo que chorava, e não comia.

8 Então Elcana, seu marido, lhe disse: Anna, porque choras? e porque não comes? e porque está mal o teu coração? não te sou [6] eu melhor do que dez filhos?

Anna roga a Deus que lhe dê um filho.

9 Então Anna se levantou, depois que comeram e beberam em Silo: e Eli, sacerdote, estava assentado n’uma cadeira, junto a um pilar do templo [7] do Senhor.

10 Ella pois, com amargura [8] de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente.

11 E votou um voto, [9] dizendo: Senhor dos Exercitos! se benignamente attenderes para a afflicção da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas á tua serva deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não subirá [10] navalha.

12 E succedeu que, perseverando ella em orar perante o Senhor, Eli fez attenção á sua bocca.

13 Porquanto Anna no seu coração fallava, só se moviam os seus beiços, porém não se ouvia a sua voz: pelo que Eli a teve por embriagada.

14 E disse-lhe Eli: Até quando estarás tu embriagada? aparta de ti o teu vinho.

15 Porém Anna respondeu, e disse: Não, senhor meu, eu sou uma mulher attribulada de espirito; nem vinho nem bebida forte tenho bebido: [11] porém tenho derramado a minha alma perante o Senhor.

16 Não tenhas pois a tua serva por filha [12] de Belial: porque da multidão dos meus cuidados e do meu desgosto tenho fallado até agora.

17 Então respondeu Eli, [13] e disse: Vae em paz: e o Deus de Israel te conceda a tua petição que lhe pediste.

18 E disse ella: Ache a tua serva graça em teus olhos. [14] Assim a mulher se foi seu caminho, e comeu, e o seu semblante já não era triste.

[Antes de Christo 1165]

19 E levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o Senhor, e tornaram-se, e vieram á sua casa, a Rama, e [15] Elcana conheceu a Anna, sua mulher, e o Senhor se lembrou d’ella.

Nasce Samuel e é consagrado a Deus.

20 E succedeu que, passado algum tempo, Anna concebeu, e pariu um filho, e chamou o seu nome [JG] Samuel; porque, dizia ella, o tenho pedido ao Senhor.

21 E subiu aquelle homem [16] Elcana com toda a sua casa, a sacrificar ao Senhor o sacrificio annual e a cumprir o seu voto.

22 Porém Anna não subiu; mas disse a seu marido: Quando o menino fôr desmamado, então o levarei, [17] para que appareça perante o Senhor, e lá fique para sempre.

23 E Elcana, [18] seu marido, lhe disse: Faze o que bem te parecer em teus olhos, fica até que o desmames; tão sómente confirme [19] o Senhor a sua palavra: assim ficou a mulher, e deu leite a seu filho, até que o desmamou.

24 E, havendo-o desmamado, o levou [20] comsigo, com tres bezerros, e um epha de farinha, e um odre de [21] vinho, e o trouxe á casa do Senhor, a Silo, e era o menino ainda muito creança.

25 E degolaram um bezerro: [22] e assim trouxeram o menino a Eli.

26 E disse ella: Ah, meu senhor, viva [23] a tua alma, meu senhor; eu sou aquella mulher que aqui esteve comtigo, para orar ao Senhor.

27 Por este menino [24] orava eu; e o Senhor me concedeu a minha petição, que eu lhe tinha pedido.

28 Pelo que tambem ao Senhor eu o entreguei, [25] por todos os dias que viver: pois ao Senhor foi pedido. E elle adorou ali ao Senhor.

[1] I Chr. 6.27, 34. Ruth 1.2.

[2] Exo. 23.14. Deu. 16.16. Luc. 2.41. Deu. 12.5, 6, 7. Jos. 18.1.

[3] Deu. 12.17, 18 e 16.11.

[4] Gen. 30.2.

[5] Job 24.21.

[6] Ruth 4.15.

[7] cap. 3.3.

[8] Job 7.11 e 10.1.

[9] Gen. 28.20. Num. 30.3. Jui. 11.30. Gen. 29.32. Exo. 4.31. II Sam. 16.12. Psa. 25.18. Gen. 8.1 e 30.22.

[10] Num. 6.5. Jui. 13.5.

[11] Psa. 62.8 e 142.2.

[12] Deu. 13.13.

[13] Jui. 18.6. Mar. 5.34. Luc. 7.50 e 8.48. Psa. 20.4, 5.

[14] Gen. 33.15. Ruth 2.13. Ecc. 9.7.

[15] Gen. 4.1 e 30.22.

[16] ver. 3.

[17] Luc. 2.22. ver. 11, 28. cap. 2.11, 18 e 3.1. Exo. 21.6.

[18] Num. 30.7.

[19] II Sam. 7.25.

[20] Deu. 12.5, 6, 11.

[21] Jos. 18.1.

[22] Luc. 2.22.

[23] Gen. 42.15. II Reis 2.2, 4, 6.

[24] Mat. 7.7.

[25] ver. 11, 22.

O cantico de Anna.

2 Então orou Anna, e disse: O meu coração [1] exulta ao Senhor, o meu [JH] poder está exaltado no Senhor: a minha bocca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação.

2 Não ha sancto [2] como é o Senhor; porque não ha outro fóra de ti: e rocha nenhuma ha como o nosso Deus.

3 Não multipliqueis palavras de altissimas altivezas, nem [3] saiam coisas arduas da vossa bocca: porque o Senhor é o Deus de conhecimento, e por elle são as obras pesadas na balança.

4 O arco [4] dos fortes foi quebrado, e os que tropeçavam foram cingidos de força.

5 Os fartos se alugaram por pão, e cessaram os famintos: [5] até a esteril pariu [6] sete filhos, e a que tinha muitos filhos enfraqueceu.

6 O Senhor é [7] o que tira a vida e a dá: faz descer á sepultura e faz tornar a subir d’ella.

7 O Senhor empobrece [8] e enriquece: abaixa e tambem exalta.

8 Levanta o pobre [9] do pó, e desde o esterco exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os principes, para os fazer herdar o throno de [10] gloria: porque do Senhor são os alicerces da terra, e assentou sobre elles o mundo.

9 Os pés [11] dos seus sanctos guardará, porém os impios ficarão mudos nas trevas: porque o homem não prevalecerá pela força.

10 Os que contendem com o Senhor serão quebrantados, desde os céus [12] trovejará sobre elles: o Senhor julgará as extremidades da terra: e dará força ao seu rei, e exaltará [JI] o poder do seu ungido.

11 Então Elcana foi-se a Rama, á [13] sua casa: porém o menino ficou servindo ao Senhor, perante o sacerdote Eli.

Os crimes dos filhos de Eli.

12 Eram porém os filhos d’Eli filhos de Belial, [14] não conheciam ao Senhor.

13 Porquanto o costume d’aquelles sacerdotes com o povo era que, offerecendo alguem algum sacrificio, vinha o moço do sacerdote, estando-se cozendo a carne, com um garfo de tres dentes em sua mão;

14 E dava com elle na caldeira, ou na panella, ou no caldeirão, ou na marmita; e tudo quanto o garfo tirava, o sacerdote tomava para si: assim faziam a todo o Israel que ia ali a Silo.

15 Tambem antes [15] de queimarem a gordura vinha o moço do sacerdote, e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote: porque não tomará de ti carne cozida, senão crua.

16 E, dizendo-lhe o homem: Queimem primeiro a gordura de hoje, e depois toma para ti quanto desejar a tua alma, então elle lhe dizia: Não, agora a has de dar, e, se não, por força a tomarei.

17 Era pois muito grande o peccado d’estes mancebos perante [16] o Senhor, porquanto os homens desprezavam a offerta do Senhor.

O ministerio de Samuel.

18 Porém Samuel ministrava perante o Senhor, [17] sendo ainda mancebo, vestido com um ephod de linho.

19 E sua mãe lhe fazia uma tunica pequena, e de anno em anno lh’a trazia, quando [18] com seu marido subia a sacrificar o sacrificio annual.

20 E Eli abençoava [19] a Elcana e a sua mulher, e dizia: O Senhor te dê semente d’esta mulher, pela petição que fez ao Senhor. E voltaram para o seu logar.

21 Visitou pois [20] o Senhor a Anna, e concebeu, e pariu tres filhos e duas filhas: e o mancebo Samuel crescia diante do Senhor.

22 Era porém Eli já muito velho, e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel, e de como se deitavam com as mulheres [21] que em bandos se ajuntavam á porta da tenda da congregação.

23 E disse-lhes: Porque fazeis taes coisas? porque ouço de todo este povo os vossos maleficios.

24 Não, filhos meus, porque não é boa fama esta que ouço: fazeis transgredir o povo do Senhor.

25 Peccando homem contra homem, os juizes o julgarão; peccando porém o homem contra o Senhor, [22] quem rogará por elle? Mas não ouviram a voz de seu pae, [23] porque o Senhor os queria matar.

26 E o mancebo Samuel ia crescendo, [24] e fazia-se agradavel, assim para com o Senhor como tambem para com os homens.

Prophecia contra a casa de Eli.

27 E veiu um homem de Deus a Eli, e disse-lhe: [25] Assim diz o Senhor. Não me manifestei, na verdade, á casa de teu pae, estando elles ainda no Egypto, na casa de Pharaó?

28 E m’o escolhi [26] d’entre todas as tribus d’Israel por sacerdote, para offerecer sobre o meu altar, para accender o incenso, e para trazer o ephod perante mim, [27] e dei á casa de teu pae todas as offertas queimadas dos filhos d’Israel.

29 Porque dáes [28] coices contra o sacrificio e contra a minha offerta de manjares, que ordenei na minha morada, e honras a teus filhos mais do que a mim, para vos engordardes do principal de todas as offertas do meu povo d’Israel?

30 Portanto, diz o Senhor Deus d’Israel: Na verdade tinha dito [29] eu que a tua casa e a casa de teu pae andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz [30] o Senhor: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão envilecidos.

31 Eis que veem dias [31] em que cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pae, para que não haja mais velho algum em tua casa.

32 E verás o aperto da morada de Deus, em logar de todo o bem que houvera de fazer a Israel: nem haverá por todos os dias [32] velho algum em tua casa.

33 O homem porém que eu te não desarraigar do meu altar seria para vos consumir os olhos e para te entristecer a alma: e toda a multidão da tua casa morrerá quando chegar á edade varonil.

34 E isto te será por signal, a saber: o que sobrevirá a teus dois filhos, a [33] Hophni e a Phineas, que ambos morrerão no mesmo dia.

35 E eu suscitarei [34] para mim um sacerdote fiel, que obrará segundo o meu coração e a minha alma, e eu lhe edificarei uma casa firme, [35] e andará sempre diante do meu ungido.

36 E será [36] que todo aquelle que ficar de resto da tua casa virá a inclinar-se diante d’elle por uma moeda de prata e por um bocado de pão, e dirá: Rogo-te que me admittas a algum ministerio sacerdotal, para que possa comer um pedaço de pão.

[1] Phi. 4.6. Luc. 1.46, etc. Psa. 92.10 e 112.9.

[2] Exo. 15.11. Deu. 3.24 e 32.4. Deu. 4.35. II Sam. 22.32.

[3] Psa. 94.4. Mal. 3.13. Jud. 15.

[4] Psa. 37.15, 17 e 76.4. Mal. 3.13.

[5] Psa. 34.10. Luc. 1.53.

[6] Psa. 113.9. Isa. 54.1. Jer. 15.9.

[7] Deu. 32.39. Job 5.16. Ose. 6.1.

[8] Job 1.21. Psa. 75.8.

[9] Psa. 113.7, 8. Dan. 4.17. Luc. 1.52. Job 36.7.

[10] Job 38.4, 5, 6. Psa. 24.2. Heb. 1.3.

[11] Psa. 91.11 e 121.3.

[12] Psa. 2.9. cap. 7.10.

[13] ver. 18. cap. 3.1.

[14] Deu. 13.13. Jui. 2.10. Jer. 22.16. Rom. 1.28.

[15] Lev. 3.3, 4, 5, 16.

[16] Gen. 6.11. Mal. 2.8.

[17] ver. 11. Exo. 28.4. II Sam. 6.14.

[18] cap. 1.3.

[19] Gen. 14.19.

[20] Gen. 21.1. ver. 26. Jui. 13.24. cap. 3.19. Luc. 1.80 e 2.40.

[21] Exo. 38.8.

[22] Num. 15.30.

[23] Jos. 11.20. Pro. 15.10.

[24] ver. 21. Pro. 3.4. Luc. 2.52. Act. 2.47. Rom. 14.18.

[25] I Reis 13.1. Exo. 4.14, 27.

[26] Exo. 28.1, 4. Num. 16.5 e 18.1, 7.

[27] Lev. 2.3, 10 e 6.16. Num. 5.9.

[28] Deu. 32.15 e 12.5, 6.

[29] Exo. 29.9.

[30] Jer. 18.9, 10. Psa. 18.21 e 91.14. Mal. 2.9.

[31] II Reis 2.27. Eze. 44.10. cap. 4.11, 18, 20 e 14.3 e 22.18, etc.

[32] Zac. 8.4.

[33] I Reis 13.3. cap. 4.11.

[34] I Reis 2.35. I Chr. 29.22. Eze. 44.15.

[35] II Sam. 7.11, 27. I Reis 11.38. Psa. 2.2 e 18.50.

[36] I Reis 2.27.

Deus falla com Samuel em sonhos.

[Antes de Christo 1141]

3 E o mancebo [1] Samuel servia ao Senhor perante Eli: e a palavra do Senhor era de muita valia n’aquelles dias; não havia visão manifesta.

2 E succedeu n’aquelle dia que, estando Eli deitado no seu locar (e os seus olhos se começavam [2] já a escurecer, que não podia ver),

3 E estando tambem Samuel já deitado, antes que a [3] lampada de Deus se apagasse no templo do Senhor, em que estava a arca de Deus,

4 O Senhor chamou a Samuel, e disse elle: Eis-me aqui.

5 E correu a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas elle disse: Não te chamei eu, torna a deitar-te. E foi e se deitou.

6 E o Senhor tornou a chamar outra vez a Samuel, e Samuel se levantou, e foi-se a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas elle disse: Não te chamei eu, filho meu, torna a deitar-te.

7 Porém Samuel [4] ainda não conhecia ao Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor.

8 O Senhor pois tornou a chamar a Samuel terceira vez, e elle se levantou, e foi a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Então entendeu Eli que o Senhor chamava o mancebo.

9 Pelo que Eli disse a Samuel: Vae te deitar, e ha de ser que, se te chamar, dirás: Falla, Senhor, porque o teu servo ouve. Então Samuel foi e se deitou no seu logar.

10 Então veiu o Senhor, e poz-se ali, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Falla, porque o teu servo ouve.

11 E disse o Senhor a Samuel: Eis aqui vou eu a fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que ouvir [5] lhe tinirão ambas as orelhas.

12 N’aquelle mesmo dia suscitarei contra Eli tudo [6] quanto tenho fallado contra a sua casa: começal-o-hei e acabal-o-hei.

13 Porque já eu lhe fiz saber que julgarei [7] a sua casa para sempre, pela iniquidade que bem conhecia, porque, fazendo-se os seus filhos execraveis, não os reprehendeu.

14 Portanto, jurei á casa d’Eli [8] que nunca jámais será expiada a iniquidade da casa d’Eli com sacrificio nem com offerta de manjares.

Samuel conta a visão a Eli.

15 E Samuel ficou deitado até pela manhã, e então abriu as portas da casa do Senhor: porém temia Samuel de relatar esta visão a Eli.

16 Então chamou Eli a Samuel, e disse: Samuel, meu filho. E disse elle: Eis-me aqui.

17 E elle disse: Que é a palavra que te fallou? peço-te que m’a não encubras: [9] assim Deus te faça, e outro tanto, se me encobrires alguma palavra de todas as palavras que te fallou.

18 Então Samuel lhe contou todas aquellas palavras, e nada lhe encobriu. E disse elle: O Senhor é, [10] faça o que bem parecer aos seus olhos.

19 E crescia Samuel, [11] e o Senhor era com elle, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra.

20 E todo o Israel, desde [12] Dan até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado por propheta do Senhor.

21 E continuou o Senhor a apparecer em Silo: porquanto o Senhor se manifestava a Samuel [13] em Silo pela palavra do Senhor.

[1] cap. 2.11. Psa. 74.9. Amós 8.11. ver. 21.

[2] Gen. 27.1 e 48.10. cap. 2.22 e 4.15.

[3] Exo. 27.21. Lev. 24.3. II Chr. 13.11. cap. 1.9.

[4] Act. 19.2.

[5] II Reis 21.22. Jer. 19.3.

[6] cap. 2.30, 36.

[7] cap. 2.29, 30, 31, etc. Eze. 7.3 e 18.30. cap. 2.12, 17, 22, 23, 25.

[8] Num. 15.30, 31. Isa. 22.14.

[9] Ruth 1.17.

[10] Job 1.21 e 2.10. Psa. 39.19. Isa. 39.8.

[11] cap. 2.21. Gen. 39.2, 21, 23. cap. 9.6.

[12] Jui. 20.1.

[13] ver. 1, 4.

Os philisteos vencem os israelitas.

4 E veiu a palavra de Samuel a todo o Israel: e Israel saiu ao encontro, á peleja, aos philisteos, [1] e se acamparam junto a Eben-ezer: e os philisteos se acamparam junto a Afek.

2 E os philisteos se dispozeram em ordem de batalha, para sair ao encontro a Israel; e, estendendo-se a peleja, Israel foi ferido diante dos philisteos, porque feriram na batalha, no campo, uns quatro mil homens.

3 E tornando o povo ao arraial, disseram os anciãos d’Israel: Porque nos feriu o Senhor hoje diante dos philisteos? tragamos de Silo a arca do concerto do Senhor, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos.

4 Enviou pois o povo a Silo, e trouxeram de lá a arca do concerto do Senhor dos exercitos, que habita entre [2] os cherubins: e os dois filhos d’Eli, Hophni e Phineas estavam ali com a arca do concerto de Deus.

5 E succedeu que, vindo a arca do concerto do Senhor ao arraial, todo o Israel jubilou com grande jubilo, até que a terra estremeceu.

6 E os philisteos, ouvindo a voz do jubilo, disseram: Que voz de tão grande jubilo é esta no arraial dos hebreos? então souberam que a arca do Senhor era vinda ao arraial.

7 Pelo que os philisteos se atemorisaram; porque diziam: Deus veiu ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! que tal nunca jámais succedeu antes.

8 Ai de nós! quem nos livrará da mão d’estes grandiosos deuses? estes são os deuses que feriram aos egypcios com todas as pragas junto ao deserto.

9 Esforçae-vos, e sêde homens, [3] ó philisteos, para que porventura não venhaes a servir aos hebreos, como elles serviram a vós; [4] sêde pois homens, e pelejae.

10 Então pelejaram os philisteos, [5] e Israel foi ferido, e fugiram cada um para a sua tenda; e foi tão grande o estrago, que cairam de Israel trinta mil homens de pé.

A arca é tomada. Hophni e Phineas são mortos.

11 E foi tomada a [6] arca de Deus: e os dois filhos d’Eli, Hophni e Phineas, morreram.

12 Então correu da batalha um homem de Benjamin, e chegou no mesmo [7] dia a Silo: e trazia os vestidos rotos, e terra sobre a cabeça.

13 E, chegando elle, eis que Eli estava assentado sobre uma [8] cadeira, vigiando ao pé do caminho; porquanto o seu coração estava tremendo pela arca de Deus: entrando pois aquelle homem a annunciar isto na cidade, toda a cidade gritou.

14 E Eli, ouvindo a voz do grito, disse: Que voz de alvoroço é esta? Então chegou aquelle homem a grande pressa, e veiu, e o annunciou a Eli.

15 E era Eli da edade de noventa e oito annos: e estavam os seus olhos tão escurecidos, [9] que já não podia ver.

16 E disse aquelle homem a Eli: Eu sou o que venho da batalha; porque eu fugi hoje da batalha. E disse elle: [10] Que coisa succedeu, filho meu?

17 Então respondeu o que trazia as novas, e disse: Israel fugiu de diante dos philisteos, e houve tambem grande desfeita entre o povo: e, de mais d’isto, tambem teus dois filhos, Hophni e Phineas, morreram, e a arca de Deus é tomada.

A morte de Eli e da mulher de Phineas.

18 E succedeu que, fazendo elle menção da arca de Deus, Eli caiu da cadeira para traz, da banda da porta, e quebrou-se-lhe o pescoço e morreu: porquanto o homem era velho e pesado; e tinha elle julgado a Israel quarenta annos.

19 E, estando sua nora, a mulher de Phineas, gravida, e proxima ao parto, e ouvindo estas novas, de que a arca de Deus era tomada, e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e pariu; porquanto as dores lhe sobrevieram.

20 E, ao tempo em que ia morrendo, disseram as [11] mulheres que estavam com ella: Não temas, pois pariste um filho. Ella porém não respondeu, nem fez caso d’isso.

21 E chamou ao menino [JJ] Icabod, dizendo: [12] Foi-se [13] a gloria de Israel. Porquanto a arca de Deus foi levada presa, e por causa de seu sogro e de seu marido.

22 E disse: De Israel a gloria é levada presa: pois é tomada a arca de Deus.

[1] cap. 5.1 e 7.13.

[2] II Sam. 6.2. Psa. 80.1 e 99.1. Exo. 25.18, 22. Num. 7.89.

[3] I Cor. 16.13.

[4] Jui. 13.1.

[5] ver. 2. Lev. 26.17. Deu. 28.25. Psa. 78.9, 62.

[6] cap. 2.32. Psa. 78.61. cap. 2.34. Psa. 78.64.

[7] II Sam. 1.2. Jos. 7.6. II Sam. 13.19 e 15.32. Neh. 9.1. Job 2.12.

[8] cap. 1.9.

[9] cap. 3.2.

[10] II Sam. 1.4.

[11] Gen. 35.17.

[12] cap. 14.3.

[13] Psa. 26.8 e 78.61.

A arca, na terra dos philisteos, causa-lhes afflicções.

5 Os philisteos pois tomaram a arca de Deus, e a trouxeram [1] de Eben-ezer, a Asdod.

2 E tomaram os philisteos a arca de Deus, e a metteram na casa de Dagon, e a pozeram junto a [2] Dagon.

3 Levantando-se porém de madrugada os d’Asdod, no dia seguinte, eis que Dagon estava [3] caido com o rosto em terra diante da arca do Senhor: e tomaram a Dagon, e tornaram a pôl-o no seu logar.

4 E, levantando-se de madrugada no dia seguinte pela manhã, eis que [4] Dagon jazia caido com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e a cabeça de Dagon e ambas as palmas das suas mãos cortadas sobre o lumiar; sómente o tronco ficou a Dagon.

5 Pelo que nem os sacerdotes de Dagon, nem nenhum de todos os que entram [5] na casa de Dagon pisam o lumiar de Dagon em Asdod, até _ao dia d’_hoje.

6 Porém a mão [6] do Senhor se aggravou sobre os d’Asdod, e os assollou: e os feriu com hemorrhoidas, a Asdod e aos seus termos.

7 Vendo então os homens d’Asdod que assim foi, disseram: Não fique comnosco a arca do Deus de Israel; pois a sua mão é dura sobre nós, e sobre Dagon, nosso deus.

8 Pelo que enviaram e congregaram a si todos os principes dos philisteos, e disseram: Que faremos nós da arca do Deus d’Israel? E responderam: A arca do Deus d’Israel dará volta a Gath. Assim a rodearam com a arca do Deus de Israel.

9 E succedeu que, desde que a rodearam com ella, a mão [7] do Senhor veiu contra aquella cidade, com mui grande vexação: pois feriu aos homens d’aquella cidade, desde o pequeno até ao grande: e tinham hemorrhoidas nas partes secretas.

10 Então enviaram a arca de Deus a Ekron. Succedeu porém que, vindo a arca de Deus a Ekron, os de Ekron exclamaram, dizendo: Transportaram para mim a arca do Deus de Israel, para me matarem, a mim e ao meu povo.

11 E enviaram, e congregaram a todos os principes dos philisteos, e disseram: Enviae a arca do Deus de Israel, e torne para o seu logar, para que não mate nem a mim nem ao meu povo. Porque havia mortal vexação em toda a cidade, e a mão [8] de Deus muito se aggravara ali.

12 E os homens que não morriam eram tão feridos com hemorrhoidas que o clamor da cidade subia até o céu.

[1] cap. 4.1 e 7.12.

[2] Jui. 16.23.

[3] Isa. 19.1 e 46.1, 2. Isa. 46.7.

[4] Jer. 50.2. Eze. 6.4, 6. Miq. 1.7.

[5] Sof. 1.9.

[6] ver. 7, 11. Exo. 9.3. Psa. 32.4. Act. 3.11. cap. 6.5. Deu. 28.27. Psa. 78.66.

[7] Deu. 2.15. cap. 7.13 e 12.15. ver. 6, 11. Psa. 78.66.

[8] ver. 6, 9.

Os philisteos enviam a arca para fóra da tua terra.

[Antes de Christo 1140]

6 Havendo pois estado a arca do Senhor na terra dos philisteos sete mezes,

2 Os philisteos [1] chamaram os sacerdotes e os adivinhadores, dizendo: Que faremos nós da arca do Senhor? fazei-nos saber com que a tornaremos a enviar ao seu logar.

3 Os quaes disseram: Se enviardes a arca do Deus de Israel, não a envieis vazia, [2] porém sem falta lhe enviareis uma offerta para a expiação da culpa: então sereis curados, e se vos fará saber porque a sua mão se não tira de vós.

4 Então disseram: Qual é a expiação da culpa que lhe havemos de render? E disseram: Segundo o numero dos principes dos philisteos, cinco hemorrhoidas de oiro e [3] cinco ratos de oiro: porquanto a praga [4] é uma mesma sobre todos vós e sobre todos os vossos principes.

5 Fazei pois umas imagens das vossas hemorrhoidas e as imagens dos vossos ratos, que andam destruindo a terra, e dae gloria ao Deus de Israel: porventura alliviará a sua mão de cima de vós, e de cima do vosso deus, [5] e de cima da vossa terra.

6 Porque pois endurecereis o vosso coração, como os egypcios e Pharaó endureceram o seu coração? porventura depois de os haver tratado tão mal, os não deixaram ir, e elles não se foram?

7 Agora, pois, tomae e fazei-vos [6] um carro novo, e tomae duas vaccas que criem, sobre as quaes não tenha subido o jugo, e atae as vaccas ao carro, e levae os seus bezerros d’após d’ellas a casa.

8 Então tomae a arca do Senhor, e ponde-a sobre o carro, e mettei n’um cofre, ao seu lado, as figuras de oiro que lhe haveis de render em expiação da culpa, e assim a enviareis, para que se vá.

9 Vêde então: se subir pelo caminho do seu termo a Beth-semes, [7] foi elle que nos fez este grande mal; e, se não, saberemos que não nos tocou a sua mão, e que isto nos succedeu por acaso.

10 E assim fizeram aquelles homens, e tomaram duas vaccas que criavam, e as ataram ao carro: e os seus bezerros encerraram em casa.

11 E pozeram a arca do Senhor sobre o carro, como tambem o cofre com os ratos de oiro e com as imagens das suas hemorrhoidas.

12 Então as vaccas se encaminharam direitamente pelo caminho de Beth-semes, e seguiam um mesmo caminho, andando e berrando, sem se desviarem nem para a direita nem para a esquerda: e os principes dos philisteos foram atraz d’ellas, até ao termo de Beth-semes.

A arca chega a Beth-semes.

13 E andavam os de Beth-semes segando a sega do trigo no valle, e, levantando os seus olhos, viram a arca, e, vendo-a, se alegraram.

14 E o carro veiu ao campo de Josué, o beth-semita, e parou ali; e ali estava uma grande pedra: e fenderam a madeira do carro, e offereceram as vaccas ao Senhor em holocausto.

15 E os levitas descenderam a arca do Senhor, como tambem o cofre que estava junto a ella, em que estavam as obras de oiro, e pozeram-n’os sobre aquella grande pedra: e os homens de Beth-semes offereceram holocaustos, e sacrificaram sacrificios ao Senhor no mesmo dia.

16 E, vendo aquillo [8] os cinco principes dos philisteos, voltaram para Ekron no mesmo dia.

17 Estas [9] pois são as hemorrhoidas de oiro que enviaram os philisteos ao Senhor em expiação da culpa: por Asdod uma, por Gaza outra, por Askelon outra, por Gath outra, por Ekron outra.

18 Como tambem os ratos de oiro, segundo o numero de todas as cidades dos philisteos, pertencentes aos cinco principes, desde as cidades fortes até ás aldeias, e até Abel, a grande pedra sobre a qual pozeram a arca do Senhor, que ainda está até ao dia de hoje no campo de Josué, o beth-semita.

19 E feriu [10] o Senhor os homens de Beth-semes, porquanto olharam para dentro da arca do Senhor, até ferir do povo cincoenta mil e setenta homens: então o povo se entristeceu, porquanto o Senhor fizera tão grande estrago entre o povo.

20 Então disseram os homens de Beth-semes: Quem poderia [11] estar em pé perante o Senhor, este Deus sancto? e a quem subirá desde nós?

21 Enviaram pois mensageiros aos habitantes de Kiriath-jearim, [12] dizendo: Os philisteos remetteram a arca do Senhor; descei, pois, e fazei-a subir para vós.

[1] Gen. 41.8. Exo. 7.11. Dan. 2.2 e 5.7. Mat. 2.4.

[2] Exo. 23.15. Deu. 16.16. Lev. 5.15, 16. ver. 9.

[3] ver. 17, 18. Jos. 13.3. Jui. 3.3.

[4] cap. 5.6. Jos. 7.19. Isa. 42.12. Mal. 2.2. João 9.24.

[5] cap. 5.4, 7. Exo. 7.13 e 8.15 e 14.17 e 12.31.

[6] II Sam. 6.3. Num. 19.2. ver. 4, 5.

[7] Jos. 15.10. ver. 3.

[8] Jos. 13.3.

[9] ver. 4.

[10] Exo. 19.21. Num. 4.5, 15, 20. II Sam. 6.7.

[11] II Sam. 6.9. Mal. 3.2.

[12] Jos. 18.14. Jui. 18.12. I Chr. 13.5, 6.

7 Então vieram os homens de [1] Kiriath-jearim, e levaram a arca do Senhor, e a trouxeram á casa de Abinadab, [2] no outeiro: e consagraram a Eleazar, seu filho, para que guardasse a arca do Senhor.

Samuel exhorta ao arrependimento.

[Antes de Christo 1120]

2 E succedeu que, desde aquelle dia, a arca ficou em Kiriath-jearim, e tantos dias se passaram que até chegaram vinte annos, e lamentava toda a casa de Israel após do Senhor.

3 Então fallou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com [3] todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirae d’entre vós os deuses estranhos e os astaroths, e [4] preparae o vosso coração ao Senhor, e servi a elle só, e vos livrará da mão dos philisteos.

4 Então os filhos de Israel tiraram d’entre si aos baalins e aos [5] astaroths, e serviram só ao Senhor.

5 Disse mais Samuel: [6] Congregae a todo o Israel em Mispah: e orarei por vós ao Senhor.

6 E congregaram-se em Mispah, e tiraram agua, [7] e a derramaram perante o Senhor, e jejuaram aquelle dia, e disseram ali: Peccámos contra o Senhor. E julgava Samuel os filhos de Israel em Mispah.

Os philisteos são vencidos.

7 Ouvindo pois os philisteos que os filhos d’Israel estavam congregados em Mispah, subiram os maioraes dos philisteos contra Israel: o que ouvindo os filhos de Israel, temeram por causa dos philisteos.

8 Pelo que disseram os filhos d’Israel a Samuel: Não cesses de [8] clamar ao Senhor nosso Deus por nós, para que nos livre da mão dos philisteos.

9 Então tomou Samuel um cordeiro de mama, e sacrificou-o inteiro em holocausto ao Senhor: e clamou [9] Samuel ao Senhor por Israel, e o Senhor lhe deu ouvidos.

10 E succedeu que, estando Samuel sacrificando o holocausto, os philisteos chegaram á peleja contra Israel: e trovejou [10] o Senhor aquelle dia com grande trovoada sobre os philisteos, e os aterrou de tal modo que foram derrotados diante dos filhos d’Israel.

11 E os homens d’Israel sairam de Mispah, e perseguiram os philisteos, e os feriram até abaixo de Beth-car.

12 Então tomou [11] Samuel uma pedra, e a poz entre Mispah e Sen, e chamou o seu nome [JK] Eben-ezer: e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor.

13 Assim os philisteos foram abatidos, [12] e nunca mais vieram aos termos d’Israel, porquanto foi a mão do Senhor contra os philisteos todos os dias de Samuel.

14 E as cidades que os philisteos tinham tomado a Israel foram restituidas a Israel, desde Ekron até Gath, e até os seus termos Israel arrebatou da mão dos philisteos; e houve paz entre Israel e entre os amorrheos.

15 E Samuel julgou [13] a Israel todos os dias da sua vida.

16 E ia de anno, em anno, e rodeava a Beth-el, e a Gilgal, e a Mispah, e julgava a Israel em todos aquelles logares.

17 Porém voltava [14] a Rama, porque estava ali a sua casa, e ali julgava a Israel: e edificou [15] ali um altar ao Senhor.

[1] cap. 6.21. Psa. 132.6.

[2] II Sam. 6.4.

[3] Deu. 30.2-10. I Reis 8.48. Isa. 55.7, 8. Jos. 24.14, 23. Jui. 2.13.

[4] II Chr. 30.19. Job 11.13, 14. Deu. 6.13 e 10.20 e 13.4. Mat. 4.10. Luc. 4.8.

[5] Jui. 2.11.

[6] Jui. 20.1. II Reis 25.23.

[7] II Sam. 14.14. Neh. 9.1, 2. Dan. 9.3, 4, 5. Joel 2.12. Jui. 10.10. I Reis 8.47. Psa. 106.6.

[8] Isa. 37.4.

[9] Psa. 99.6. Jer. 15.1.

[10] Jos. 10.10. Jui. 4.15 e 5.20. cap. 2.10. II Sam. 22.14, 15.

[11] Gen. 28.18 e 31.45 e 35.14. Jos. 4.9 e 24.26.

[12] Jui. 13.1. cap. 13.5.

[13] ver. 6. cap. 12.11. Jui. 2.16.

[14] cap. 8.4.

[15] Jui. 21.4.

Os israelitas pedem um rei e Deus concede-o.

[Antes de Christo 1095]

8 E succedeu que, tendo Samuel envelhecido, constituiu [1] a seus filhos por juizes sobre Israel.

2 E era o nome do seu filho primogenito Joel, e o nome do seu segundo Abia: e foram juizes em Berseba.

3 Porém seus filhos não andaram pelos caminhos d’elle, [2] antes se inclinaram á avareza, e tomaram presentes, e perverteram o juizo.

4 Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Rama.

5 E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitue-nos [3] pois agora um rei sobre nós, para que elle nos julgue, como o teem todas as nações.

6 Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao Senhor.

7 E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te disserem, pois não te teem rejeitado a ti, [4] antes a mim me teem rejeitado para eu não reinar sobre elles.

8 Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egypto até ao dia de hoje, e a mim me deixaram, e a outros deuses serviram, assim tambem te fizeram a ti.

9 Agora, pois, ouve a sua voz, porém protesta-lhes solemnemente, e declara-lhes qual será o [5] costume do rei que houver de reinar sobre elles.

10 E fallou Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedia um rei.

11 E disse: Este será [6] o costume do rei que houver de reinar sobre vós: elle tomará [7] os vossos filhos, e os empregará para os seus carros, e para seus cavalleiros, para que corram adiante dos seus carros.

12 E os porá por principes de milhares e por cincoentenarios; e para que lavrem a sua lavoura, e seguem a sua sega, e façam as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros.

13 E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras, e padeiras.

14 E tomará [8] o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivaes, e os dará aos seus creados.

15 E as vossas, sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus [JL] eunuchos, e aos seus creados.

16 Tambem os vossos creados, e as vossas creadas, e os vossos melhores mancebos, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.

17 Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de creados.

18 Então n’aquelle dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá n’aquelle [9] dia.

19 Porém o povo não quiz ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós [10] um rei.

20 E nós tambem seremos como todas [11] as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras.

21 Ouvindo pois Samuel todas as palavras do povo, as fallou perante os ouvidos do Senhor.

22 Então o Senhor disse a Samuel: Dá ouvidos á sua voz, [12] e constitue-lhes rei. Então Samuel disse aos filhos de Israel: Vá-se cada qual á sua cidade.

[1] Deu. 16.18. II Chr. 19.5. Jui. 10.4 e 12.14. Jui. 5.10. I Chr. 6.28.

[2] Jer. 22.15, 16, 17. Exo. 18.21. I Tim. 3.3 e 6.10. Deu. 16.19. Psa. 15.5.

[3] ver. 19, 20. Deu. 17.14. Ose. 13.10. Act. 13.21.

[4] Exo. 16.8. cap. 10.19 e 12.17, 19. Ose. 13.10, 11.

[5] ver. 11.

[6] Deu. 17.16, etc.

[7] cap. 14.52.

[8] I Reis 21.7. Eze. 46.18.

[9] Pro. 1.25, 26, 27, 28. Isa. 1.15. Miq. 3.4.

[10] Jer. 44.16.

[11] ver. 5.

[12] ver. 7. Ose. 13.11.

Saul busca as jumentas extraviadas e vae ter com Samuel.

9 E havia um homem de Benjamin, cujo nome era Kis, [1] filho de Abiel, filho de Zeror, filho de Bechorath, filho de Aphia, filho d’um homem de Benjamin: varão alentado em força.

2 Este tinha um filho, cujo nome era Saul, mancebo, e tão bello que entre os filhos de Israel não havia outro homem mais bello do que elle; desde os hombros [2] para cima sobresahia a todo o povo.

3 E perderam-se as jumentas de Kis, pae de Saul; pelo que disse Kis a Saul, seu filho: Toma agora comtigo um dos moços, e levanta-te e vae a buscar as jumentas.

4 Passou pois pela montanha de Ephraim, e d’ali passou á terra de Salisa, porém [3] não as acharam: depois passaram á terra de Sahalim, porém tão pouco estavam ali: tambem passou á terra de Benjamin, porém tão pouco as acharam.

5 Vindo elles então á terra de Zuph, Saul disse para o seu moço, com quem elle ia: Vem, e voltemos; para que porventura meu pae não deixe de inquietar-se pelas jumentas e se afflija por causa de nós.

6 Porém elle lhe disse: Eis que ha n’esta cidade um homem de Deus, e homem honrado é: [4] tudo quanto diz, succede assim infallivelmente: vamo-nos agora lá; porventura nos mostrará o caminho que devemos seguir.

7 Então Saul disse ao seu moço: Eis, porém, se lá formos, que levaremos então áquelle homem? porque o pão de nossos alforges se acabou, e presente nenhum temos que levar [5] ao homem de Deus: que temos?

8 E o moço tornou a responder a Saul, e disse: Eis que ainda se acha na minha mão um quarto d’um siclo de prata, o qual darei ao homem de Deus, para que nos mostre o caminho.

9 (Antigamente em Israel, indo qualquer consultar [6] a Deus, dizia assim: Vinde, e vamos ao vidente: porque ao propheta de hoje antigamente se chamava [7] vidente.)

10 Então disse Saul ao moço: Bem dizes, vem, pois, vamos. E foram-se á cidade onde estava o homem de Deus.

11 E, subindo elles pela subida da cidade, acharam [8] umas moças que sahiam a tirar agua; e disseram-lhes: Está cá o vidente?

12 E ellas lhes responderam, e disseram: Sim, eil-o aqui tens diante de ti: apressa-te pois, porque hoje veiu á cidade; porquanto o povo tem hoje sacrificio [9] no alto.

13 Entrando vós na cidade, logo o achareis, antes que suba ao alto para comer; porque o povo não comerá, até que elle venha; porque elle é o que abençoa o sacrificio, e depois comem os convidados: subi pois agora, que hoje o achareis.

14 Subiram pois á cidade: e, vindo elles no meio da cidade, eis que Samuel lhes saiu ao encontro, para subir ao alto.

15 Porque o Senhor o revelara aos ouvidos [10] de Samuel, um dia antes que Saul viesse, dizendo:

16 Ámanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamin, o qual ungirás [11] por capitão sobre o meu povo de Israel, e elle livrará o meu povo da mão dos philisteos; [12] porque tenho olhado para o meu povo; porque o clamor chegou a mim.

17 E quando Samuel viu a Saul, o Senhor lhe respondeu: Eis aqui [13] o homem de quem já te tenho dito. Este dominará sobre o meu povo.

18 E Saul se chegou a Samuel no meio da porta, e disse: Mostra-me, peço-te, onde está aqui a casa do vidente.

19 E Samuel respondeu a Saul, e disse: Eu sou o vidente; sobe diante de mim ao alto, e comei hoje comigo; e pela manhã te despedirei, e tudo quanto está no teu coração, t’o declararei.

20 E quanto ás jumentas [14] que ha tres dias se te perderam, não occupes o teu coração com ellas, porque já se acharam. E para quem é todo o desejo de Israel? porventura não é para [15] ti, e para toda a casa de teu pae?

21 Então respondeu Saul, e disse: Porventura não sou eu filho de Benjamin, da mais pequena das tribus de Israel? [16] e a minha familia a mais pequena de todas as familias da tribu de Benjamin? porque pois me fallas com similhantes palavras?

22 Porém Samuel tomou a Saul e ao seu moço, e os levou á camara; e deu-lhes logar a cima de todos os convidados, que eram uns trinta homens.

23 Então disse Samuel ao cozinheiro: Dá cá a porção que te dei, de que te disse: Pôe-n’a á parte comtigo.

24 Levantou pois o cozinheiro a espadoa, [17] com o que havia n’ella, e pôl-a diante de Saul: e disse Samuel: Eis que isto é o sobejo; pôe-n’o diante de ti, e come; porque se guardou para ti para esta occasião, dizendo eu: Tenho convidado o povo. Assim comeu Saul aquelle dia com Samuel.

25 Então desceram do alto para a cidade; e fallou com Saul sobre o eirado.

26 E se levantaram de madrugada; e succedeu que, quasi ao subir da alva, chamou Samuel a Saul ao eirado, dizendo: Levanta-te, e despedir-te-hei. Levantou-se Saul, e sairam para fóra ambos, elle e Samuel.

27 E, descendo elles para a extremidade da cidade, Samuel disse a Saul: Dize ao moço que passe adiante de nós; (e passou) porém tu espera agora, e te farei ouvir a palavra de Deus.

[1] cap. 14.51. I Chr. 8.33 e 9.39.

[2] cap. 10.26.

[3] II Reis 4.42.

[4] Deu. 33.1. I Reis 13.1. cap. 3.19.

[5] Jui. 6.18 e 13.17. I Reis 14.3. II Reis 4.42 e 8.8.

[6] Gen. 25.22.

[7] II Sam. 24.11. II Reis 17.13. I Chr. 26.28 e 29.29. II Chr. 16.7, 10. Isa. 30.10. Amós 7.12.

[8] Gen. 24.11.

[9] Gen. 31.54. cap. 16.2. I Reis 3.2.

[10] cap. 15.1. Act. 13.21.

[11] cap. 10.1.

[12] Exo. 2.25 e 3.7, 9.

[13] cap. 16.12. Ose. 13.11.

[14] ver. 3.

[15] cap. 8.5, 19 e 12.13.

[16] cap. 15.17. Jui. 20.46, 47, 48. Psa. 68.28. Jui. 6.15.

[17] Lev. 7.32, 33. Eze. 24.4.

Samuel unge Saul como rei de Israel.

10 Então tomou Samuel [1] um vaso de azeite, e lh’o derramou sobre a cabeça, e o beijou, e disse: Porventura te não tem ungido [2] o Senhor por capitão sobre a sua herdade?

2 Partindo-te hoje de mim, acharás dois homens junto ao [3] sepulchro de Rachel, no termo de Benjamin, em Zelsah, os quaes te dirão: Acharam-se as jumentas que foste buscar, e eis que já o teu pae deixou o negocio das jumentas, e anda afflicto por causa de vós, dizendo: Que farei eu por meu filho?

3 E quando d’ali passares mais adiante, e chegares ao carvalho de Tabor, ali te encontrarão tres homens, que vão subindo a [4] Deus a Beth-el: um levando tres cabritos, o outro tres bolos de pão, e o outro um odre de vinho.

4 E te perguntarão como estás, e te darão dois pães, que tomarás da sua mão.

5 Então virás ao [5] outeiro de Deus, onde está a guarnição dos philisteos; e ha de ser que, entrando ali na cidade, encontrarás um rancho de prophetas que descem do alto, e [6] trazem diante de si psalterios, e tambores, e flautas, e harpas; e prophetizarão.

6 E o espirito [7] do Senhor se apoderará de ti, e prophetizarás com elles, e te mudarás em outro homem.

7 E ha de ser que, quando estes signaes [8] te vierem, faze o que achar a tua mão, porque Deus é comtigo.

8 Tu porém descerás diante de mim a Gilgal, [9] e eis que eu descerei a ti, para sacrificar holocaustos, e para offerecer offertas pacificas: ali sete dias esperarás, [10] até que eu venha a ti, e te declare o que has de fazer.

9 Succedeu pois que, virando elle as costas para partir de Samuel, Deus lhe mudou o coração em outro: e todos aquelles signaes aconteceram aquelle mesmo dia.

10 E, chegando [11] elles ao outeiro, eis que um rancho de prophetas lhes saiu ao encontro: e o espirito do Senhor se apoderou d’elle, e prophetizou no meio d’elles.

11 E aconteceu que, como todos os que d’antes o conheciam viram que eis que com os prophetas prophetizava, então disse o povo, cada qual ao seu companheiro: Que é o que succedeu ao filho de Kis? Está tambem [12] Saul entre os prophetas?

12 Então um homem d’ali respondeu, e disse: Pois quem é [13] o pae d’elles? Pelo que se tornou em proverbio: Está tambem Saul entre os prophetas?

13 E, acabando de prophetizar, veiu ao alto.

14 E disse-lhe o tio de Saul, a elle e ao seu moço: Aonde fostes? E disse elle: A buscar as jumentas, e, vendo que não appareciam, viemos a Samuel.

15 Então disse o tio de Saul: Declara-me, peço-te, que é o que vos disse Samuel?

16 E disse Saul a seu tio: Declarou-nos, na verdade, que as jumentas se acharam. Porém o negocio do reino, de que Samuel fallara, lhe não declarou.

O povo escolhe Saul para seu rei.

17 Convocou pois Samuel o povo ao Senhor [14] em Mispah.

18 E disse aos filhos de Israel: [15] Assim disse o Senhor Deus de Israel: Eu fiz subir a Israel do Egypto, e livrei-vos da mão dos egypcios e da mão de todos os reinos que vos opprimiam.

19 Mas vós tendes rejeitado hoje [16] a vosso Deus, que vos livrou de todos os vossos males e trabalhos, e lhe tendes dito: Põe um rei sobre nós: agora, pois, ponde-vos perante o Senhor, pelas vossas tribus e pelos vossos milhares.

20 Fazendo pois chegar [17] Samuel todas as tribus, tomou-se a tribu de Benjamin.

21 E, fazendo chegar a tribu de Benjamin pelas suas familias, tomou-se a familia de Matri: e d’ella se tomou Saul, filho de Kis; e o buscaram, porém não se achou.

22 Então tornaram a perguntar [18] ao Senhor se aquelle homem ainda viria ali. E disse o Senhor: Eis que se escondeu entre a bagagem.

23 E correram, e o tomaram d’ali, e poz-se no meio do povo: e era [19] mais alto do que todo o povo desde o hombro para cima.

24 Então disse Samuel a todo o povo: Vêdes já a quem o Senhor tem elegido? [20] pois em todo o povo não ha nenhum similhante a elle. Então jubilou todo o povo, e disseram: Viva o rei!

25 E declarou Samuel ao povo o direito do reino, [21] e escreveu-o n’um livro, e pôl-o perante o Senhor: então enviou Samuel a todo o povo, cada um para sua casa.

26 E foi-se tambem Saul a sua casa, a [22] Gibeah: e foram com elle do exercito aquelles cujos corações Deus tocara.

27 Mas os filhos [23] de Belial disseram: É este o que nos ha de livrar? E o desprezaram, [24] e não lhe trouxeram presentes: porém elle se fez como surdo.

[1] cap. 9.16 e 16.13. II Reis 9.3, 6. Psa. 2.12. Act. 13.21.

[2] Deu. 32.9. Psa. 78.71.

[3] Gen. 35.19, 20. Jos. 18.28.

[4] Gen. 28.22 e 35.1, 3, 7.

[5] ver. 10. cap. 13.3.

[6] cap. 9.12. Exo. 15.20, 21. II Reis 3.15. I Cor. 14.1.

[7] Num. 11.25. cap. 16.13. ver. 10. cap. 19.23.

[8] Exo. 4.8. Luc. 2.12. Jui. 6.12.

[9] cap. 11.14, 15 e 13.4.

[10] cap. 13.8.

[11] ver. 5. cap. 19.20. ver. 6.

[12] cap. 19.24. Mat. 13.54, 55. João 7.15. Act. 4.13.

[13] Isa. 54.13. João 6.45 e 7.16.

[14] Jui. 11.11 e 20.1. cap. 11.15 e 7.5, 6.

[15] Jui. 6.8, 9.

[16] cap. 8.7, 19 e 12.12.

[17] Jos. 7.14, 16, 17. Act. 1.24, 26.

[18] cap. 23.2, 4, 10, 11.

[19] cap. 9.2.

[20] II Sam. 21.6. I Reis 1.25, 39. II Reis 11.12.

[21] Deu. 17.14, etc. cap. 8.11.

[22] Jui. 20.14. cap. 11.4.

[23] cap. 11.12. Deu. 13.13.

[24] II Sam. 8.2. I Reis 4.21 e 10.25. II Chr. 17.5. Psa. 72.10. Mat. 2.11.

Saul vence os ammonitas.

11 Então subiu Nahas, ammonita, [1] e sitiou a Jabez-gilead: e disseram todos os homens de Jabez a Nahas: Faze alliança [2] comnosco, e te serviremos.

2 Porém Nahas, ammonita, lhes disse: Com esta condição farei alliança comvosco: que a todos vos arranque o olho direito, e assim ponha esta affronta [3] sobre todo o Israel.

3 Então os anciãos de Jabez lhe disseram: Deixa-nos por sete dias, para que enviemos mensageiros por todos os termos de Israel, e, não havendo ninguem que nos livre, então sairemos a ti.

4 E, vindo os mensageiros a Gibeah [4] de Saul, fallaram estas palavras aos ouvidos do povo. Então todo o povo levantou a sua voz, e chorou.

5 E eis que Saul vinha do campo, atraz dos bois; e disse Saul: Que tem o povo, que chora? E contaram-lhe as palavras dos homens de Jabez.

6 Então o [5] espirito de Deus se apoderou de Saul, ouvindo estas palavras: e accendeu-se em grande maneira a sua ira.

7 E tomou um par de bois, e cortou-os em pedaços, [6] e os enviou a todos os termos de Israel pelas mãos dos mensageiros, dizendo: Qualquer que não sair atraz [7] de Saul e atraz de Samuel, assim se fará aos seus bois. Então caiu o temor do Senhor sobre o povo, e sairam como um só homem.

8 E contou-os em Bezek: [8] e houve dos filhos d’Israel trezentos mil, e dos homens de Judah trinta mil.

9 Então disseram aos mensageiros que vieram: Assim direis aos homens de Jabez-gilead: Ámanhã, em aquecendo o sol, vos virá livramento. Vindo pois os mensageiros, e annunciando-o aos homens de Jabez, se alegraram.

10 E os homens de Jabez disseram: Ámanhã sairemos a vós; então [9] nos fareis conforme a tudo o que parecer bem aos vossos olhos.

11 E succedeu que ao outro dia Saul [10] poz o povo em tres companhias, e vieram ao meio do arraial pela vela da manhã, e feriram a Ammon, até que o dia aqueceu: e succedeu que os restantes se espalharam, que não ficaram dois d’elles juntos.

12 Então disse o povo a Samuel: Quem é aquelle que [11] dizia que Saul não reinaria sobre nós? Dae cá aquelles homens, e os mataremos.

13 Porém Saul disse: Hoje não morrerá nenhum, [12] pois hoje tem obrado o Senhor um livramento em Israel.

14 E disse Samuel ao povo: Vinde, vamos nós a Gilgal, [13] e renovemos ali o reino.

15 E todo o povo partiu para Gilgal, e levantaram ali a Saul por rei perante o Senhor em Gilgal, [14] e offereceram ali offertas pacificas perante o Senhor: e Saul se alegrou muito ali com todos os homens d’Israel.

[1] cap. 12.12. Jui. 21.8.

[2] Gen. 26.28. Exo. 23.32. I Reis 20.34. Job 41.4. Eze. 17.13.

[3] Gen. 34.14. cap. 17.26.

[4] cap. 10.26 e 15.34. II Sam. 21.6. Jui. 2.4 e 21.2.

[5] Jui. 3.10 e 6.34 e 11.29 e 13.25 e 14.6. cap. 10.10 e 16.13.

[6] Jui. 19.29.

[7] Jui. 21.5, 8, 10.

[8] Jui. 1.5. II Sam. 24.9.

[9] ver. 3.

[10] cap. 31.11. Jui. 7.16.

[11] cap. 10.27. Luc. 19.27.

[12] II Sam. 19.22. Exo. 14.13, 30. cap. 19.5.

[13] cap. 10.8.

[14] cap. 10.17 e 10.8.

Samuel resigna o seu cargo.

12 Então disse Samuel a todo o Israel: Eis que ouvi a vossa voz em tudo quanto me dissestes, [1] e puz sobre vós um rei.

2 Agora, pois, eis que o rei [2] vae diante de vós, e já envelheci e encaneci, e eis que meus filhos estão comvosco, e eu tenho andado diante de vós desde a minha mocidade até ao dia de hoje.

3 Eis-me aqui, testificae contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido, [3] a quem o boi tomei, a quem o jumento tomei, [4] e a quem defraudei, a quem tenho opprimido, e de cuja mão tenho tomado presente e com elle encobri os meus olhos, e vol-o restituirei.

4 Então disseram: Em nada nos defraudaste, nem nos opprimiste, nem tomaste coisa alguma da mão de ninguem.

5 E elle lhes disse: O Senhor seja testemunha contra vós, e o seu ungido seja hoje testemunha, que nada [5] tendes achado na minha mão. E disse o povo: Seja testemunha.

6 Então disse Samuel ao povo: O Senhor é o que fez [6] a Moysés e a Aarão, e tirou a vossos paes da terra do Egypto.

7 Agora pois ponde-vos aqui em pé, e contenderei comvosco [7] perante o Senhor, sobre todas as justiças do Senhor, que fez a vós e a vossos paes.

8 Havendo entrado Jacob no Egypto, vossos paes [8] clamaram ao Senhor, e o Senhor enviou a Moysés e a Aarão, que tiraram a vossos paes do Egypto, e os fizeram habitar n’este logar.

9 Porém esqueceram-se [9] do Senhor seu Deus: então os vendeu á mão de Sisera, cabeça do exercito de Hazor, e em mão [10] dos philisteos, e em mão do rei dos moabitas, que pelejaram contra elles.

10 E clamaram ao Senhor, e disseram: Peccámos, [11] pois deixámos ao Senhor, e servimos aos baalins e astaroths: agora pois livra-nos da mão [12] de nossos inimigos, e te serviremos.

11 E o Senhor enviou a Jerubbaal, e a [13] Bedan, e a Jefte, e a Samuel; e livrou-vos da mão de vossos inimigos em redor, e habitastes seguros.

12 E vendo vós que Nahas, [14] rei dos filhos de Ammon, vinha contra vós, me dissestes: Não, mas reinará sobre nós um rei: sendo porém o [15] Senhor vosso Deus, o vosso Rei.

13 Agora [16] pois vedes ahi o rei que elegestes e que pedistes; e eis que o Senhor tem posto [17] sobre vós um rei.

14 Se temerdes [18] ao Senhor, e o servirdes, e derdes ouvidos á sua voz, e não fordes rebeldes ao dito do Senhor, assim vós, como o rei que reina sobre vós, seguireis o Senhor vosso Deus.

15 Mas se não derdes ouvidos á [19] voz do Senhor, mas antes fordes rebeldes ao dito do Senhor, a mão do Senhor será contra vós, como o era [20] contra vossos paes.

16 Ponde-vos [21] tambem agora aqui, e vêde esta grande coisa que o Senhor vae fazer diante dos vossos olhos.

17 Não é hoje a [22] sega dos trigos? [23] clamarei pois ao Senhor, e dará trovões e chuva; e sabereis e vereis que é grande a vossa maldade que tendes feito perante o Senhor, pedindo para vós um rei.

18 Então invocou Samuel ao Senhor, e o Senhor deu trovões e chuva n’aquelle dia; pelo que todo o povo temeu em grande maneira ao Senhor e a Samuel.

19 E todo o povo [24] disse a Samuel: Roga [25] pelos teus servos ao Senhor teu Deus, para que não venhamos a morrer: porque a todos os nossos peccados temos accrescentado este mal, de pedirmos para nós um rei.

20 Então disse Samuel ao povo: Não temaes; vós tendes commettido todo este mal; porém não vos desvieis de detraz do Senhor, mas servi ao Senhor com todo o vosso coração.

21 E não vos desvieis; [26] pois seguirieis as vaidades, que nada aproveitam, e tão pouco vos livrarão, porque vaidades são.

22 Pois o Senhor não desamparará o seu povo, por causa do seu grande nome: [27] porque aprouve ao Senhor fazer-vos o seu povo.

23 E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando [28] de orar por vós: antes vos ensinarei o caminho bom e direito.

24 Tão sómente temei [29] ao Senhor, e servi-o fielmente com todo o vosso coração: porque vede quão grandiosas coisas vos fez.

25 Porém, se perseverardes em fazer mal, perecereis, assim vós [30] como o vosso rei.

[1] cap. 8.5, 19, 20 e 10.24 e 11.14, 15.

[2] Num. 27.17. cap. 8.20 e 8.1, 6.

[3] ver. 5. cap. 10.1 e 24.6. II Sam. 1.14.

[4] Num. 16.15. Act. 20.33. I The. 2.5. Deu. 16.19.

[5] João 18.38. Act. 23.9 e 24.16, 20. Exo. 22.4.

[6] Miq. 6.4.

[7] Isa. 1.18 e 5.3, 4. Miq. 6.2, 3.

[8] Gen. 46.4, 6. Exo. 2.23 e 3.10 e 4.10.

[9] Jui. 3.7.

[10] Jui. 4.2 e 10.7 e 13.1.

[11] Jui. 3.12 e 10.10 e 2.13.

[12] Jui. 10.15, 16.

[13] Jui. 6.14, 32 e 11.1. cap. 7.13.

[14] cap. 11.1 e 8.5, 19.

[15] Jui. 8.23. cap. 8.7 e 10.19, 24.

[16] cap. 8.5 e 9.20.

[17] Ose. 13.11.

[18] Jos. 24.14. Psa. 81.14, 15, etc.

[19] Lev. 26.14, 15, etc. Deu. 28.15. Jos. 24.20.

[20] ver. 9.

[21] Exo. 14.13, 31.

[22] Pro. 26.1.

[23] Jos. 10.12. cap. 7.9, 10. Thi. 5.16, 17, 18. cap. 8.7.

[24] Exo. 14.31. Esd. 10.9.

[25] Exo. 9.28 e 10.17. Thi. 5.15. I João 5.16.

[26] Deu. 11.16. Jer. 16.19. Hab. 2.18. I Cor. 8.4.

[27] I Reis 6.13. Psa. 94.14. Jos. 7.9. Jer. 14.21. Eze. 20.9. Deu. 7.7, 6 e 14.2. Mal. 1.2.

[28] Act. 12.5. Rom. 1.9. Col. 1.9. II Tim. 1.3. Psa. 34.12. Pro. 4.11. I Reis 8.36. II Chr. 6.27. Jer. 6.16.

[29] Ecc. 12.13. Isa. 5.12. Deu. 10.21. Psa. 126.2, 3.

[30] Jos. 24.20. Deu. 28.36.

Guerra entre os israelitas e os philisteos.

[Antes de Christo 1093]

13 Um anno tinha estado Saul em seu reinado: e o segundo anno reinou sobre Israel.

2 Então Saul escolheu para si tres mil de Israel; e estavam com Saul dois mil em Michmas, e na montanha de Beth-el, e mil estavam com Jonathan em Gibeah [1] de Benjamin: e o resto do povo despediu, cada um para sua casa.

3 E Jonathan feriu [2] a guarnição dos philisteos que estava em Gibeah, o que os philisteos ouviram: pelo que Saul tocou a trombeta por toda a terra, dizendo: Ouçam os hebreos.

4 Então todo o Israel ouviu dizer: Saul feriu a guarnição dos philisteos, e tambem Israel se fez abominavel aos philisteos. Então o povo foi convocado atraz de Saul em Gilgal.

5 E os philisteos se ajuntaram para pelejar contra Israel, trinta mil carros, e seis mil cavalleiros, e povo em multidão como a areia que está á borda do mar; e subiram, e se acamparam em Michmas, ao oriente de Beth-aven.

6 Vendo pois os homens de Israel que estava em angustia (porque o povo estava apertado) o povo se escondeu [3] pelas cavernas, e pelos espinhaes, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas.

7 E os hebreos passaram o Jordão para a terra de Gad e Gilead: e, estando Saul ainda em Gilgal, todo o povo veiu atraz d’elle tremendo.

Saul offerece sacrificios e Samuel reprova-o.

8 E esperou [4] sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se espalhava d’elle.

9 Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e offertas pacificas. E offereceu o holocausto.

10 E succedeu que, acabando elle de offerecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar.

11 Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os philisteos já se tinham ajuntado em Michmas,

12 Eu disse: Agora descerão os philisteos sobre mim a Gilgal, e ainda á face do Senhor não orei: e violentei-me, e offereci holocausto.

13 Então disse Samuel a Saul: Obraste nesciamente, [5] e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre.

14 Porém [6] agora não subsistirá o teu reino: já tem buscado [7] o Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou.

15 Então se levantou Samuel, e subiu de Gilgal a Gibeah de Benjamin: e Saul numerou o povo que achou com elle, [8] uns seiscentos varões.

16 E Saul e Jonathan, seu filho, e o povo que se achou com elles, ficaram em Gibeah de Benjamin: porém os philisteos se acamparam em Michmas.

17 E os destruidores sairam do campo dos philisteos em tres companhias: uma das companhias voltou pelo caminho [9] d’Ophra á terra de Sual:

18 Outra companhia voltou pelo caminho de [10] Beth-horon: e a outra companhia voltou pelo caminho do termo que olha para o valle Zeboim contra o deserto.

19 E em toda a terra de Israel nem um ferreiro se achava: [11] porque os philisteos tinham dito: Para que os hebreos não façam espada nem lança.

20 Pelo que todo o Israel tinha que descer aos philisteos para amolar cada um a sua relha, e a sua enxada, e o seu machado, e o seu sacho.

21 Tinham porém limas adentadas para os seus sachos, e para as suas enxadas, e para as forquilhas de tres dentes, e para os machados, e para concertar as aguilhadas.

22 E succedeu que, no dia da peleja, se não achou [12] nem espada nem lança na mão de todo o povo que estava com Saul e com Jonathan: porém acharam-se com Saul e com Jonathan seu filho.

23 E saiu a guarnição [13] dos philisteos ao passo de Michmas.

[1] cap. 10.26.

[2] cap. 10.5.

[3] Jui. 6.2.

[4] cap. 10.8.

[5] II Chr. 16.9. cap. 15.11.

[6] cap. 15.28.

[7] Psa. 89.20. Act. 13.22.

[8] cap. 14.2.

[9] Jos. 18.23.

[10] Jos. 16.3 e 13.13, 14. Neh. 11.34.

[11] II Reis 24.14. Jer. 24.1.

[12] Jui. 5.8.

[13] cap. 14.1, 4.

A victoria de Jonathan sobre os philisteos.

[Antes de Christo 1087]

14 Succedeu pois que um dia disse Jonathan, filho de Saul, ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos á guarnição dos philisteos, que está lá d’aquella banda. Porém não o fez saber a seu pae.

2 E estava Saul á extremidade de Gibeah, debaixo da romeira que estava em Migron; e o povo que havia com elle eram uns [1] seiscentos homens.

3 E Ahija, [2] filho d’Ahitub, irmão d’Icabod, o filho de Phineas, filho d’Eli, sacerdote do Senhor em Silo, trazia o ephod: porém o povo não sabia que Jonathan tinha ido.

4 E entre os passos pelos quaes Jonathan procurava passar á guarnição [3] dos philisteos, d’esta banda havia uma penha aguda, e da outra banda uma penha aguda: e era o nome de uma Bozez, e o nome da outra Senné.

5 Uma penha para o norte estava defronte de Michmas, e a outra para o sul defronte de Gibeah.

6 Disse pois Jonathan ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos á guarnição d’estes incircumcisos; porventura obrará o Senhor por nós, porque para com o Senhor nenhum impedimento ha de livrar [4] com muitos ou com poucos.

7 Então o seu pagem d’armas lhe disse: Faze tudo o que tens no coração; volta, eis-me aqui comtigo, conforme ao teu coração.

8 Disse pois Jonathan: Eis que passaremos áquelles homens, e nos descobriremos a elles.

9 Se nos disserem assim: Parae até que cheguemos a vós; então ficaremos no nosso logar, e não subiremos a elles.

10 Porém, dizendo assim: Subi a nós; então subiremos, pois o Senhor os tem entregado na nossa mão, [5] e isto nos será por signal.

11 Descobrindo-se ambos elles pois á guarnição dos philisteos, disseram os philisteos: Eis que já os hebreos sairam das cavernas em que se tinham escondido.

12 E os homens da guarnição responderam a Jonathan e ao seu pagem d’armas, e disseram: Subi a nós, e nós vol-o ensinaremos. E disse Jonathan ao seu pagem d’armas: Sobe atraz de mim, porque o Senhor os tem entregado na mão d’Israel.

13 Então trepou Jonathan com os pés e com as mãos, e o seu pagem d’armas atraz d’elle: e cairam diante de Jonathan, e o seu pagem d’armas os matava atraz d’elle.

14 E succedeu esta primeira desfeita, em que Jonathan e o seu pagem d’armas feriram até uns vinte homens, quasi no meio de uma geira de terra que uma junta de bois podia lavrar.

15 E houve tremor [6] no arraial, no campo e em todo o povo; tambem a mesma guarnição e os destruidores tremeram, e até a terra se alvoroçou, porquanto era tremor de Deus.

16 Olharam pois as sentinellas de Saul em Gibeah de Benjamin, e eis que a multidão se derramava, e fugia batendo-se.

17 Disse então Saul ao povo que estava com elle: Ora numerae, e vêde quem é que saiu d’entre nós. E numeraram, e eis que nem Jonathan nem o seu pagem d’armas estavam ali.

18 Então Saul disse a Ahija: Traze aqui a arca de Deus (porque n’aquelle dia estava a arca de Deus com os filhos d’Israel).

19 E succedeu que, estando Saul ainda fallando com [7] o sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos philisteos ia crescendo muito, e se multiplicava, pelo que disse Saul ao sacerdote: Retira a tua mão.

20 Então Saul e todo o povo que havia com elle se convocaram, e vieram á peleja; e eis que a espada d’um era contra o outro, [8] e houve mui grande tumulto.

21 Tambem com os philisteos havia hebreos, como d’antes, que subiram com elles ao arraial em redor; e tambem estes se ajuntaram com os israelitas que estavam com Saul e Jonathan.

22 Ouvindo pois todos os homens d’Israel que se esconderam [9] pela montanha d’Ephraim que os philisteos fugiam, elles tambem os perseguiram de perto na peleja.

23 Assim livrou o Senhor a Israel n’aquelle dia: [10] e o arraial passou a Beth-aven.

O atrevido voto de Saul.

24 E estavam os homens d’Israel já exhaustos n’aquelle dia, porquanto Saul conjurou [11] o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão até á tarde, para que me vingue de meus inimigos. Pelo que todo o povo se absteve de provar pão.

25 E toda [12] a terra chegou a um bosque: e havia mel na superficie do campo.

26 E, chegando o povo ao bosque, eis que havia um manancial de mel: porém ninguem chegou a mão á bocca, porque o povo temia a conjuração.

27 Porém Jonathan não tinha ouvido quando seu pae conjurava o povo, e estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, tornando a mão á bocca, aclararam-se os seus olhos.

28 Então respondeu um do povo, e disse: Solemnemente conjurou teu pae o povo, dizendo: Maldito o homem que comer hoje pão. Pelo que o povo desfallecia.

29 Então disse Jonathan: Meu pae tem turbado a terra; ora vêde como se me aclararam os olhos por ter gostado um pouco d’este mel.

30 Quanto mais se o povo hoje livremente tivesse comido do despojo que achou de seus inimigos. Porém agora não foi tão grande o estrago dos philisteos.

31 Feriram porém aquelle dia aos philisteos, desde Michmas até Ajalon, e o povo desfalleceu em extremo.

32 Então o povo se lançou ao despojo, e tomaram ovelhas, e vaccas, e bezerros, e os degolaram no chão; e o povo os comeu [13] com sangue.

33 E o annunciaram a Saul, dizendo: Eis que o povo pecca contra o Senhor, comendo com sangue. E disse elle: Aleivosamente obrastes; revolvei-me hoje uma grande pedra.

34 Disse mais Saul: Derramae-vos entre o povo, e dizei-lhes: Trazei-me cada um o seu boi, e cada um a sua ovelha, e degolae-os aqui, e comei, e não pequeis contra o Senhor, comendo com sangue. Então todo o povo trouxe de noite, cada um com a sua mão, o seu boi, e os degolaram ali.

35 Então edificou [14] Saul um altar ao Senhor: este foi o primeiro altar que edificou ao Senhor.

Jonathan é condemnado á morte.

36 Depois disse Saul: Desçamos de noite atraz dos philisteos, e despojemol-os, até que amanheça a luz, e não deixemos de resto um homem d’elles. E disseram: Tudo o que parecer bem aos teus olhos faze. Disse porém o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus.

37 Então consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei atraz dos philisteos? entregal-os-has na mão de Israel? Porém aquelle dia lhe não [15] respondeu.

38 Então disse Saul: [16] Chegae-vos para cá de todos os chefes do povo, e informae-vos, e vêde em que se commetteu hoje este peccado;

39 Porque vive [17] o Senhor que salva a Israel, que, ainda que fosse em meu filho Jonathan, certamente morrerá. E nenhum de todo o povo lhe respondeu.

40 Disse mais a todo o Israel: Vós estareis d’uma banda, e eu e meu filho Jonathan estaremos da outra banda. Então disse o povo a Saul: Faze o que parecer bem aos teus olhos.

41 Fallou pois Saul ao Senhor Deus d’Israel: Mostra o innocente. Então Jonathan e Saul [18] foram tomados por sorte, e o povo saiu livre.

42 Então disse Saul: Lançae a sorte entre mim e Jonathan, meu filho. E foi tomado Jonathan.

43 Disse então Saul a Jonathan: Declara-me [19] o que tens feito. E Jonathan lh’o declarou, e disse: Tão sómente gostei um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão; eis que devo morrer.

44 Então disse Saul: [20] Assim me faça Deus, e outro tanto, que com certeza morrerás, Jonathan.

45 Porém o povo disse a Saul: Morrerá Jonathan, que obrou tão grande salvação em Israel? nunca tal succeda; vive o Senhor, [21] que não lhe ha de cair no chão um só cabello da sua cabeça! pois com Deus fez isso hoje. Assim o povo livrou a Jonathan, para que não morresse.

46 E Saul deixou de seguir os philisteos: e os philisteos se foram ao seu logar.

47 Então tomou Saul o reino sobre Israel; e pelejou contra todos os seus inimigos em redor: contra Moab, e contra os [22] filhos de Ammon, e contra Edom, e contra os reis de Zoba, [23] e contra os philisteos, e para onde quer que se tornava executava castigos.

48 E houve-se valorosamente, e feriu [24] aos amalekitas: e libertou a Israel da mão dos que o saqueavam.

49 E os filhos [25] de Saul eram Jonathan, e Isvi, e Malchisua: e os nomes de suas duas filhas eram estes: o nome da mais velha Merab, e o nome da mais nova, Michal.

50 E o nome da mulher de Saul, Ahinoam, filha d’Ahimaas: e o nome do general do exercito, Abner, filho de Ner, tio de Saul.

51 E Kis, [26] pae de Saul, e Ner, pae d’Abner, eram filhos d’Abiel.

52 E houve uma forte guerra contra os philisteos, todos os dias de Saul: pelo que Saul a todos os homens valentes e valorosos que via os aggregava [27] a si.

[1] cap. 13.15.

[2] cap. 22.9, 11, 20 e 4.21 e 2.28.

[3] cap. 13.23.

[4] Jui. 7.4, 7. II Chr. 14.11.

[5] Gen. 24.14. Jui. 7.11.

[6] II Reis 7.7. Job 18.11.

[7] Num. 27.21.

[8] Jui. 7.22. II Chr. 20.23.

[9] cap. 13.6.

[10] Exo. 14.30. Psa. 44.7, 8. Ose. 1.7. cap. 13.5.

[11] Jos. 6.26.

[12] Deu. 9.28. Mat. 3.5. Exo. 3.8. Num. 13.27. Mat. 3.4.

[13] Lev. 3.17 e 7.26 e 17.10 e 19.26. Deu. 12.16, 23, 24.

[14] cap. 7.17.

[15] cap. 28.6.

[16] Jos. 7.14. cap. 10.19.

[17] II Sam. 12.5.

[18] Pro. 16.33. Act. 1.24. Jos. 7.16. cap. 10.20, 21.

[19] Jos. 7.19. ver. 27.

[20] Ruth 1.17. ver. 39.

[21] II Sam. 14.11. I Reis 1.52. Luc. 21.18.

[22] cap. 11.11.

[23] II Sam. 10.6.

[24] cap. 15.3, 7.

[25] cap. 31.2. I Chr. 8.33.

[26] cap. 9.1.

[27] cap. 8.11.

Samuel manda a Saul destruir os amalekitas.

[Antes de Christo 1079]

15 Então disse Samuel a Saul: Enviou-me [1] o Senhor a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel: ouve pois agora a voz das palavras do Senhor.

2 Assim diz o Senhor dos exercitos: Eu me recordei do que fez Amalek a Israel; como se lhe oppoz [2] no caminho, quando subia do Egypto.

3 Vae pois agora e fere a Amalek; e destroe totalmente a [3] tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até á mulher, desde os meninos até aos de mama, desde os bois até ás ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.

4 O que Saul annunciou ao povo, e os contou em Teilaim, duzentos mil homens de pé, e dez mil homens de Judah.

5 Chegando pois Saul á cidade d’Amalek, poz emboscada no valle.

6 E disse Saul aos keneos: [4] Ide-vos, retirae-vos e sahi do meio dos amalekitas, para que vos não destrua juntamente com elles, porque vós usastes de misericordia [5] com todos os filhos de Israel, quando subiram do Egypto. Assim os keneos se retiraram do meio dos amalekitas.

7 Então feriu Saul [6] aos amalekitas desde Havia até chegar a Sur, [7] que está defronte do Egypto.

8 E tomou [8] vivo a Agag, rei dos amalekitas; porém a todo o povo destruiu ao fio da espada.

9 E Saul e o povo [9] perdoaram a Agag, e ao melhor das ovelhas e das vaccas, e ás da segunda sorte, e aos cordeiros e ao melhor que havia, e não os quizeram destruir totalmente: porém a toda a coisa vil e desprezivel destruiram totalmente.

Deus manda Samuel reprehender a Saul.

10 Então veiu a palavra do Senhor a Samuel, dizendo:

11 Arrependo-me [10] de haver posto a Saul como rei; porquanto se tornou de detraz de mim, e não executou as minhas palavras. [11] Então Samuel se contristou, e toda a noite clamou ao Senhor.

12 E madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã: e annunciou-se a Samuel, dizendo: Já chegou Saul ao [12] Carmelo, e eis que levantou para si uma columna. Então fez volta, e passou e desceu a Gilgal.

13 Veiu pois Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bemdito [13] tu do Senhor; executei a palavra do Senhor.

14 Então disse Samuel: Que balido pois de ovelhas é este nos meus ouvidos, e o mugido de vaccas que oiço?

15 E disse Saul: De Amalek as trouxeram; porque o povo perdoou ao [14] melhor das ovelhas e das vaccas, para as offerecer ao Senhor teu Deus: o resto porém temos destruido totalmente.

16 Então disse Samuel a Saul: Espera, e te declararei o que o Senhor me disse esta noite. E elle disse-lhe: Falla.

17 E disse Samuel: Porventura, sendo tu pequeno [15] aos teus olhos, não foste por Cabeça das tribus de Israel? e o Senhor te ungiu rei sobre Israel.

18 E enviou-te o Senhor a este caminho, e disse: Vae, e destroe totalmente a estes peccadores, os amalekitas, e peleja contra elles, até que os aniquiles.

19 Porque pois não déste ouvidos á voz do Senhor, antes voaste ao despojo, e fizeste o que parecia mal aos olhos do Senhor?

20 Então disse Saul a Samuel: Antes dei ouvidos á [16] voz do Senhor, e caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou; e trouxe a Agag, rei de Amalek, e os amalekitas destrui totalmente;

21 Mas o povo tomou [17] do despojo ovelhas e vaccas, o melhor do [JM] interdicto, para offerecer ao Senhor teu Deus em Gilgal.

22 Porém Samuel disse: Tem porventura [18] o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrificios, como em que se obedeça á palavra do Senhor? eis que o obedecer [19] é melhor do que o sacrificar, e o attender melhor é do que a gordura de carneiros.

23 Porque a rebellião é como o peccado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, elle tambem te rejeitou [20] a ti, para que não sejas rei.

24 Então disse Saul [21] a Samuel: Pequei, porquanto tenho traspassado o dito do Senhor e as tuas palavras: porque [22] temi ao povo, e dei ouvidos á sua voz.

25 Agora pois, te rogo, perdoa-me o meu peccado: e torna-te comigo, para que adore ao Senhor.

26 Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei comtigo: porquanto rejeitaste [23] a palavra do Senhor, já te rejeitou o Senhor, para que não sejas rei sobre Israel.

27 E virando-se Samuel para se ir, elle lhe pegou [24] pela borda da capa, e a rasgou.

28 Então Samuel lhe disse: O Senhor tem rasgado de ti hoje o [25] reino de Israel, e o tem dado ao teu proximo, melhor do que tu.

29 E tambem aquelle que é a Força de Israel não mente nem se [26] arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa.

30 Disse elle então: Pequei; honra-me [27] porém agora diante dos anciãos do meu povo, e diante de Israel: e torna-te comigo, para que adore ao Senhor teu Deus.

31 Então Samuel se tornou atraz de Saul: e Saul adorou ao Senhor.

Samuel mata a Agag.

32 Então disse Samuel: Trazei-me aqui a Agag, rei dos amalekitas. E Agag veiu a elle melindrosamente: e disse Agag: Na verdade já passou a amargura da morte.

33 Disse porém Samuel: Assim como [28] a tua espada desfilhou as mulheres, assim ficará desfilhada a tua mãe entre as mulheres. Então Samuel despedaçou a Agag perante o Senhor em Gilgal.

34 Então Samuel se foi a Rama: e Saul subiu a sua casa, a [29] Gibeah de Saul.

35 E [30] nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte; porque [31] Samuel teve dó de Saul. E o Senhor se arrependeu de que pozera a Saul rei sobre Israel.

[1] cap. 9.16.

[2] Exo. 17.8, 14. Num. 24.20. Deu. 25.17.

[3] Lev. 27.28. Jos. 6.17, 21.

[4] Num. 24.21. Jui. 1.16 e 4.11. Gen. 18.25 e 19.12, 14. Apo. 18.4.

[5] Exo. 18.10, 19. Num. 10.29, 32.

[6] cap. 14.48. Gen. 2.11 e 25.18.

[7] Gen. 16.7.

[8] I Reis 20.34, 35, etc. cap. 30.1.

[9] ver. 3, 15.

[10] ver. 35. Gen. 6.6, 7. II Sam. 24.16. Jos. 22.16. ver. 3, 9. cap. 13.13.

[11] ver. 35. cap. 16.1.

[12] Jos. 15.55.

[13] Gen. 14.19. Jui. 17.2. Ruth 3.10.

[14] ver. 9, 21. Gen. 3.12. Pro. 28.13.

[15] cap. 9.21.

[16] ver. 13.

[17] ver. 15.

[18] Psa. 50.8, 9. Pro. 21.3. Isa. 1.11, 17. Jer. 7.22. Miq. 6.6-8. Heb. 10.69.

[19] Ecc. 5.1. Ose. 6.6. Mat. 5.24 e 19.13 e 12.7. Mar. 12.33.

[20] cap. 13.14.

[21] II Sam. 12.13.

[22] Exo. 23.2. Pro. 29.25. Isa. 51.12, 13.

[23] cap. 2.30.

[24] I Reis 11.30.

[25] cap. 28.17, 18. I Reis 11.31.

[26] Num. 23.19. Eze. 24.14. II Tim. 2.13. Tito 1.2.

[27] João 5.41 e 12.43.

[28] Exo. 17.11. Num. 14.45. Jui. 1.7.

[29] cap. 11.4.

[30] cap. 19.24.

[31] ver. 11. cap. 16.1.

Deus manda Samuel ungir a David como rei.

[Antes de Christo 1063]

16 Então disse o Senhor a Samuel: Até quando terás dó [1] de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? enche [2] o teu [JN] vaso d’azeite, e vem, enviar-te-hei a Jessé o beth-lehemita; porque d’entre os seus filhos me tenho provido de um rei.

2 Porém disse Samuel: Como irei eu? pois, ouvindo-o Saul, me matará. Então disse o Senhor: Toma uma bezerra das vaccas em tuas mãos, e dize: Vim para sacrificar [3] ao Senhor.

3 E convidarás a [JO] Jessé ao sacrificio: e eu te farei saber [4] o que has de fazer, e ungir-me-has a quem eu te disser.

4 Fez pois Samuel o que dissera o Senhor, e veiu a Beth-lehem: então os anciãos da cidade sairam [5] ao encontro, tremendo, e disseram: De paz é a tua vinda?

5 E disse elle: É de paz, vim sacrificar ao Senhor; sanctificae-vos, [6] e vinde comigo ao sacrificio. E sanctificou elle a Jessé e a seus filhos, e os convidou ao sacrificio.

6 E succedeu que, entrando elles, viu a Eliab, [7] e disse: Certamente está perante o Senhor o seu ungido.

7 Porém o Senhor disse a Samuel: Não attentes para a sua apparencia, [8] nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o Senhor não vê como vê [9] o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.

8 Então chamou Jessé a [10] Abinadab: e o fez passar diante de Samuel, o qual disse: Nem a este tem escolhido o Senhor.

9 Então Jessé fez passar a Samma: porém disse: Tão pouco a este tem escolhido o Senhor.

10 Assim fez passar Jessé a seus sete filhos diante de Samuel: porém Samuel disse a Jessé: O Senhor não tem escolhido a estes.

11 Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os mancebos? E disse: Ainda falta [11] o menor, e eis que apascenta as ovelhas. Disse pois Samuel a Jessé: Envia, e manda-o [12] chamar, porquanto não nos assentaremos em roda da mesa até que elle venha aqui.

12 Então mandou, e o trouxe (e era ruivo [13] e formoso de semblante e de boa presença): e disse o Senhor: Levanta-te, e unge-o, porque este mesmo é.

13 Então Samuel tomou o vaso do azeite, e ungiu-o [14] no meio de seus irmãos; e desde aquelle dia em diante o espirito do Senhor se apoderou de David: então Samuel se levantou, e se tornou a Rama.

Saul é atormentado pelo espirito maligno.

14 E o espirito [15] do Senhor se retirou de Saul, e o assombrava o espirito mau [16] da parte do Senhor.

15 Então os creados de Saul lhe disseram: Eis que agora o espirito mau da parte do Senhor te assombra:

16 Diga pois nosso senhor a seus servos, que estão [17] em tua presença, que busquem um homem que saiba tocar harpa, e será que, quando o espirito mau da parte do Senhor vier sobre ti, então elle tocará [18] com a sua mão, e te acharás melhor.

17 Então disse Saul aos seus servos: Buscae-me pois um homem que toque bem, e trazei-m’o.

18 Então respondeu um dos mancebos, e disse: Eis que tenho visto a um filho de Jessé, o beth-lehemita, que sabe tocar, e é valente e animoso, [19] e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença: o Senhor é com elle.

19 E Saul enviou mensageiros a Jessé, dizendo: Envia-me David, teu filho, o que está com as ovelhas.

20 Então tomou Jessé um [20] jumento carregado de pão, e um odre de vinho, e um cabrito, e enviou-os a Saul pela mão de David, seu filho.

21 Assim David veiu a Saul, e esteve perante [21] elle, e o amou muito, e foi seu pagem d’armas.

22 Então Saul mandou dizer a Jessé: Deixa estar a David perante mim, pois achou graça em meus olhos.

23 E succedia que, quando o espirito mau da parte [22] de Deus vinha sobre Saul, David tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia allivio, e se achava melhor, e o espirito mau se retirava d’elle.

[1] cap. 15.35 e 15.23.

[2] cap. 9.16. II Reis 9.1. Act. 13.22.

[3] cap. 9.12 e 20.29.

[4] Exo. 4.15. cap. 9.16.

[5] cap. 21.1. I Reis 2.13. II Reis 9.22.

[6] Exo. 19.10, 14.

[7] cap. 17.13. I Chr. 27.18. I Reis 12.26.

[8] Psa. 147.10, 11.

[9] Isa. 55.8. II Cor. 10.7. I Reis 8.39. I Chr. 28.9. Jer. 11.20 e 17.10. Act. 1.24.

[10] cap. 17.13.

[11] cap. 17.12.

[12] II Sam. 7.8. Psa. 78.70.

[13] cap. 17.42. Can. 5.10. cap. 9.17.

[14] cap. 10.1. Psa. 89.20. Num. 27.18. Jui. 11.29 e 13.25 e 14.6. cap. 10.6, 10.

[15] Jui. 16.20. cap. 11.6 e 28.15. Psa. 51.11.

[16] Jui. 9.23. cap. 18.10 e 19.9.

[17] Gen. 41.46. ver. 21, 22. I Reis 10.8.

[18] ver. 23. II Reis 3.15.

[19] cap. 17.32, 34, 35, 36.

[20] ver. 11. cap. 17.15, 34 e 10.27 e 17.18. Gen. 43.11. Pro. 18.16.

[21] Gen. 41.46. I Reis 10.8. Pro. 22.29.

[22] ver. 14, 16.

Guerra entre os israelitas e os philisteos.

17 E os philisteos [1] ajuntaram os seus arraiaes para a guerra e congregaram-se em [2] Socoh, que está em Judah, e acamparam-se entre Socoh e Azeka, no termo de Dammim.

2 Porém Saul e os homens de Israel se ajuntaram e acamparam no valle do carvalho, e ordenaram a batalha contra os philisteos.

3 E os philisteos estavam n’um monte da banda d’além, e os israelitas estavam no outro monte da banda d’áquem; e o valle estava entre elles.

4 Então saiu do arraial dos philisteos um homem guerreiro, cujo nome era Goliath, [3] de Gath, que tinha de altura seis covados e um palmo.

5 Trazia na cabeça um capacete de bronze, e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de bronze.

6 E trazia grevas de bronze por cima de seus pés, e um escudo de bronze entre os seus hombros.

7 E a haste da sua lança [4] era como o orgão do tecelão, e o ferro da sua lança de seiscentos siclos de ferro, e diante d’elle ia o escudeiro.

8 E parou, e clamou ás companhias d’Israel, e disse-lhes: Para que saireis a ordenar a batalha? não sou eu philisteo e vós servos [5] de Saul? escolhei d’entre vós um homem que desça a mim.

9 Se elle puder pelejar comigo, e me ferir, a vós seremos por servos; porém, se eu o vencer, e o ferir, então a nós sereis por servos, e [6] nos servireis.

10 Disse mais o philisteo: Hoje desafio [7] as companhias de Israel, dizendo: Dae-me um homem, para que ambos pelejemos.

11 Ouvindo então Saul e todo o Israel estas palavras do philisteo, espantaram-se, e temeram muito.

Jessé envia David a seus irmãos.

12 E David [8] era filho de um homem, ephrateo, de Beth-lehem de Judah, cujo nome era Jessé, que tinha oito filhos: e nos dias de Saul era este homem já velho e adiantado na edade entre os homens.

13 Foram-se os tres filhos mais velhos de Jessé, e seguiram a Saul á guerra: e eram os nomes [9] de seus tres filhos, que se foram á guerra, Eliab, o primogenito, e o segundo Abinadab, e o terceiro Samma.

14 E David era o menor; e os tres maiores seguiram a Saul.

15 David porém foi-se e voltou de Saul, para apascentar [10] as ovelhas de seu pae em Beth-lehem.

16 Chegava-se pois o philisteo pela manhã e á tarde; e apresentou-se por quarenta dias.

17 E disse Jessé a David, seu filho: Toma, peço-te, para teus irmãos um epha d’este grão tostado e estes dez pães, e corre a leval-os ao arraial, a teus irmãos.

18 Porém estes dez queijos de leite leva ao chefe de mil; [11] e visitarás a teus irmãos, a ver se lhes vae bem; e tomarás o seu penhor.

19 E estavam Saul, e elles, e todos os homens d’Israel no valle do carvalho, pelejando com os philisteos.

20 David então de madrugada se levantou pela manhã, e deixou as ovelhas a um guarda, e carregou-se, e partiu, como Jessé lhe ordenara: e chegou ao logar dos carros, quando já o arraial sahia em ordem de batalha, e a gritos chamavam á peleja.

21 E os israelitas e philisteos se pozeram em ordem, fileira contra fileira.

22 E David deixou a carga que trouxera na mão do guarda da bagagem, e correu á batalha; e, chegando, perguntou a seus irmãos se estavam bem.

O gigante Goliath insulta os israelitas.

23 E, estando elle ainda fallando com elles, eis que vinha subindo do exercito dos philisteos o homem guerreiro, cujo nome era Goliath, o philisteo de Gath e fallou conforme áquellas palavras, [12] e David as ouviu.

24 Porém todos os homens em Israel, vendo aquelle homem, fugiam de diante d’elle e temiam grandemente.

25 E diziam os homens de Israel: Vistes aquelle homem que subiu? pois subiu para affrontar a Israel: ha de ser pois que o homem que o ferir o rei o enriquecerá de grandes riquezas, e lhe dará [13] a sua filha, e fará franca a casa de seu pae em Israel.

26 Então fallou David aos homens que estavam com elle, dizendo: Que farão áquelle homem que ferir a este philisteo, e tirar a affronta [14] de sobre Israel? quem é pois este incircumciso philisteo, [15] para affrontar os exercitos do Deus vivo?

27 E o povo lhe tornou a fallar conforme áquella palavra dizendo: [16] Assim farão ao homem que o ferir.

28 E, ouvindo Eliab, seu irmão mais velho, fallar áquelles homens, accendeu-se a ira [17] d’Eliab contra David, e disse: Porque desceste aqui? e a quem deixaste aquellas poucas ovelhas no deserto? bem conheço a tua presumpção, e a maldade do teu coração, que desceste para ver a peleja.

29 Então disse David: Que fiz eu agora? porventura não [18] ha razão para isso?

30 E desviou-se d’elle para outro, e fallou [19] conforme áquella palavra: e o povo lhe tornou a responder conforme ás primeiras palavras.

31 E, ouvidas as palavras que David havia fallado, as annunciaram a Saul, e mandou em busca d’elle.

David dispõe-se a pelejar contra o gigante.

32 E David disse a Saul: Não desfalleça [20] o coração de ninguem por causa d’elle: teu servo irá, e pelejará contra este philisteo.

33 Porém Saul disse a David: Contra este philisteo não poderás [21] ir para pelejar com elle: pois tu ainda és moço, e elle homem de guerra desde a sua mocidade.

34 Então disse David a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pae; e vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho;

35 E eu sahi após elle, e o feri, e livrei-a da sua bocca: e, levantando-se elle contra mim, lancei-lhe mão da barba, e o feri, e o matei.

36 Assim feriu o teu servo o leão, como o urso: assim será este incircumciso philisteo como um d’elles; porquanto affrontou os exercitos do Deus vivo.

37 Disse mais David: O Senhor me livrou [22] da mão do leão, e da do urso; elle me livrará da mão d’este philisteo. Então disse Saul a David: Vae-te embora, e o Senhor [23] seja comtigo.

38 E Saul vestiu a David dos seus vestidos, e poz-lhe sobre a cabeça um capacete de bronze: e o vestiu de uma couraça.

39 E David cingiu a espada sobre os seus vestidos, e começou a andar; porém nunca o havia experimentado: então disse David a Saul: Não posso andar com isto, pois nunca o experimentei. E David tirou aquillo de sobre si.

40 E tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco seixos do ribeiro, e pôl-os no alforge de pastor, que trazia, a saber, no surrão, e lançou mão da sua funda: e foi-se chegando ao philisteo.

41 O philisteo tambem veiu e se vinha chegando a David: e o que lhe levava o escudo ia diante d’elle.

42 E, olhando o philisteo, e vendo a David, [24] o desprezou, porquanto era mancebo, ruivo, e de gentil aspecto.

43 Disse pois o philisteo a David: Sou eu algum cão, [25] para tu vires a mim com paus? E o philisteo amaldiçoou a David pelos seus deuses.

44 Disse mais o philisteo a David: Vem a mim, [26] e darei a tua carne ás aves do céu e ás bestas do campo.

45 David porém disse ao philisteo: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do Senhor dos exercitos, o Deus dos exercitos [27] de Israel, a quem tens affrontado.

46 Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão, e ferir-te-hei, e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos [28] philisteos darei hoje mesmo ás aves do céu e ás bestas da terra: e toda a terra saberá que ha Deus em Israel:

47 E saberá toda esta congregação que o Senhor salva, [29] não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e elle vos entregará na nossa mão.

David encontra-se com o gigante e mata-o.

48 E succedeu que, levantando-se o philisteo, e indo encontrar-se com David, apressou-se David, e correu ao combate, a encontrar-se com o philisteo.

49 E David metteu a mão no alforge, e tomou d’ali uma pedra e com a funda lh’a atirou, e feriu o philisteo na testa, e a pedra se lhe encravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra.

50 Assim David [30] prevaleceu contra o philisteo, com uma funda e com uma pedra, e feriu o philisteo, e o matou sem que David tivesse uma espada na mão.

51 Pelo que correu David, e poz-se em pé sobre o philisteo, e tomou a sua espada, e tirou-a da bainha, e o matou, e lhe cortou com ella a cabeça: vendo então os philisteos, que o seu [JP] campeão era morto, [31] fugiram.

52 Então os homens de Israel e Judah se levantaram, e jubilaram, e seguiram os philisteos, até chegar ao valle, e até ás portas d’Ekron: e cairam os feridos dos philisteos pelo caminho de Saaraim [32] até Gath e até Ekron.

53 Então voltaram os filhos de Israel de perseguirem os philisteos, e despojaram os seus arraiaes.

54 E David tomou a cabeça do philisteo, e a trouxe a Jerusalem: porém poz as armas d’elle na sua tenda.

55 Vendo porém Saul sair David a encontrar-se com o philisteo, disse a Abner, o chefe do exercito: [33] De quem é filho este mancebo, Abner? E disse Abner: Vive a tua alma, ó rei, que o não sei.

56 Disse então o rei: Pergunta, pois, de quem é filho este mancebo.

57 Voltando pois David de ferir o philisteo, Abner o tomou comsigo, e o trouxe á presença de Saul, trazendo elle na mão a cabeça [34] do philisteo.

58 E disse-lhe Saul: De quem és filho, mancebo? E disse David: [35] Filho de teu servo Jessé, beth-lehemita.

[1] cap. 13.5.

[2] Jos. 15.35. II Chr. 28.18.

[3] II Sam. 21.19. Jos. 11.22.

[4] II Sam. 21.19.

[5] cap. 8.17.

[6] cap. 11.1.

[7] ver. 26. II Sam. 21.21.

[8] ver. 58. Ruth 4.22. cap. 16.1. Gen. 35.19.

[9] cap. 16.6, 8, 9. I Chr. 2.13.

[10] cap. 16.19.

[11] Gen. 37.14.

[12] ver. 8.

[13] Jos. 15.16.

[14] cap. 11.2.

[15] cap. 14.6. ver. 10. Deu. 5.26.

[16] ver. 25.

[17] Gen. 37.4, 8, 11. Mat. 10.36.

[18] ver. 17.

[19] ver. 26, 27.

[20] Deu. 20.1, 3. cap. 16.18.

[21] Num. 13.31. Deu. 9.2.

[22] II Cor. 1.10. II Tim. 4.17, 18.

[23] cap. 20.13. I Chr. 22.11, 16.

[24] I Cor. 1.27, 28. cap. 16.12.

[25] cap. 24.14. II Sam. 3.8 e 9.8 e 16.9. II Reis 8.13.

[26] I Reis 20.10, 11.

[27] II Sam. 22.33, 35. Psa. 124.8 e 125.1. II Cor. 10.4. Heb. 11.33, 34.

[28] Deu. 28.26. Jos. 4.24. II Reis 19.19. Isa. 52.10.

[29] Psa. 44.6, 7. Ose. 1.7. Zac. 4.6. II Chr. 20.15.

[30] cap. 21.9. Jui. 3.31 e 15.15. II Sam. 23.21.

[31] Heb. 11.34.

[32] Jos. 15.36.

[33] cap. 16.21, 22.

[34] ver. 54.

[35] ver. 12.

Amizade de Jonathan para com David.

18 E succedeu que, acabando elle de fallar com Saul, [1] a alma de Jonathan se ligou com a alma de David: e Jonathan o amou, como á sua propria alma.

2 E Saul n’aquelle dia o tomou, [2] e não lhe permittiu que tornasse para casa de seu pae.

3 E Jonathan e David fizeram alliança: porque Jonathan o amava como á sua propria alma.

4 E Jonathan se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a David, como tambem os seus vestidos, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto.

5 E sahia David aonde quer que Saul o enviava, e conduzia-se com prudencia, e Saul o poz sobre a gente de guerra: e era acceito aos olhos de todo o povo, e até aos olhos dos servos de Saul.

6 Succedeu porém que, vindo elles, quando David voltava de ferir os philisteos, [3] as mulheres de todas as cidades de Israel sairam ao encontro do rei Saul, cantando, e em danças, com adufes, com alegria, e com instrumentos de musica.

O cantico das mulheres indigna a Saul.

7 E as mulheres tangendo, se respondiam umas ás outras, [4] e diziam: Saul feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares.

8 Então Saul se indignou muito, e aquella palavra pareceu [5] mal aos seus olhos, e disse: Dez milhares deram a David, e a mim sómente milhares; na verdade, que lhe falta, senão [6] só o reino?

9 E, desde aquelle dia em diante, Saul tinha David em suspeita.

10 E aconteceu ao outro dia, que o mau espirito [7] da parte de Deus se apoderou de Saul, e prophetizava no meio da casa: e David tangia com a sua mão, como de dia em dia: [8] Saul porém tinha na mão uma lança.

11 E Saul atirou [9] com a lança, dizendo: Encravarei a David na parede. Porém David se desviou d’elle por duas vezes.

12 E temia [10] Saul a David, porque o Senhor era com elle e se tinha retirado de Saul.

13 Pelo que Saul o desviou de si, e o poz por chefe de mil: e sahia e [11] entrava diante do povo.

14 E David se conduzia com prudencia em todos os seus caminhos, e o Senhor era [12] com elle.

15 Vendo então Saul que tão prudentemente se conduzia, tinha receio d’elle.

16 Porém todo o Israel e Judah amava [13] a David, porquanto sahia e entrava diante d’elles.

Saul intenta matar David pela astucia.

17 Pelo que Saul disse a David: Eis que Merab, [14] minha filha mais velha, te darei por mulher; sê-me somente filho valoroso, e guerreia as guerras do Senhor (porque Saul dizia comsigo: Não seja contra elle a minha mão, mas sim a dos philisteos).

18 Mas David disse a Saul: Quem sou eu, [15] e qual é a minha vida e a familia de meu pae em Israel, para vir a ser genro do rei?

19 Succedeu, porém, que ao tempo que Merab, filha de Saul, devia ser dada a David, ella foi dada [16] por mulher a Adriel, meholathita.

Michal, a filha de Saul, ama a David e casa com elle.

20 Mas Michal, [17] a outra filha de Saul amava a David: o que, sendo annunciado a Saul, pareceu isto bom aos seus olhos.

21 E Saul disse: Eu lh’a darei, para que lhe sirva [18] de laço, e para que a mão dos philisteos venha a ser contra elle. Pelo que Saul disse a David: Com a outra serás hoje meu genro.

22 E Saul deu ordem aos seus servos: Fallae em segredo a David, dizendo: Eis que o rei te está mui affeiçoado, e todos os seus servos te amam; agora, pois, consente em ser genro do rei.

23 E os servos de Saul fallaram todas estas palavras aos ouvidos de David. Então disse David: Parece-vos pouco aos vossos olhos ser genro do rei, sendo eu homem pobre e desprezivel?

24 E os servos de Saul lhe annunciaram isto, dizendo: Foram taes as palavras que fallou David.

25 Então disse Saul: Assim direis a David: O rei não tem necessidade de dote, senão de cem [19] prepucios de philisteos, para se tomar vingança dos inimigos do rei. Porquanto Saul tentava fazer cair a David pela mão dos philisteos.

26 E annunciaram os seus servos estas palavras a David, e este negocio pareceu bem aos olhos de David, de que fosse genro do rei: porém ainda os dias se não haviam cumprido.

27 Então David se levantou, e partiu elle com os seus homens, [20] e feriram d’entre os philisteos duzentos homens, e David trouxe os seus prepucios, [21] e os entregaram todos ao rei, para que fosse genro do rei: então Saul lhe deu por mulher a sua filha.

28 E viu Saul, e notou que o Senhor era com David: e Michal, filha de Saul, o amava.

29 Então Saul temeu muito mais a David: e Saul foi todos os seus dias inimigo de David.

30 E, saindo [22] os principes dos philisteos, succedeu que, saindo elles, David se conduziu mais prudentemente do que todos os servos de Saul: portanto o seu nome era mui estimado.

[1] Gen. 44.30. cap. 19.2 e 20.17. II Sam. 1.26. Deu. 13.6.

[2] cap. 17.15.

[3] Exo. 15.20. Jui. 11.34.

[4] Exo. 15.21. cap. 21.11 e 29.5.

[5] Ecc. 4.4.

[6] cap. 15.28.

[7] cap. 16.14 e 19.24. I Reis 18.29. Act. 16.16.

[8] cap. 19.9.

[9] cap. 19.20 e 20.33. Pro. 27.4.

[10] ver. 15, 29. cap. 16.13, 18 e 16.14 e 28.15.

[11] ver. 16. Num. 27.17. II Sam. 5.2.

[12] Gen. 39.2, 3, 23. Jos. 6.27.

[13] ver. 5.

[14] cap. 17.25. Num. 32.20, 27, 29. cap. 25.28. ver. 21, 25. II Sam. 12.9.

[15] ver. 23. cap. 9.21. II Sam. 7.18.

[16] II Sam. 21.8. Jui. 7.22.

[17] ver. 28.

[18] Exo. 10.7. ver. 17.

[19] Gen. 34.12. Exo. 14.24. cap. 22.17. ver. 17.

[20] ver. 13.

[21] II Sam. 3.14.

[22] II Sam. 11.1. ver. 5.

Jonathan aplaca o ciume que seu pae tem de David.

[Antes de Christo 1062]

19 E fallou Saul a Jonathan, seu filho, e a todos os seus servos, para que matassem a David. Porém Jonathan, filho de Saul, estava [1] mui affeiçoado a David.

2 E Jonathan o annunciou a David, dizendo: Meu pae, Saul, procura matar-te, pelo que agora guarda-te pela manhã, e fica-te em occulto, e esconde-te.

3 E sairei eu, e estarei á mão de meu pae no campo em que estiveres, e eu fallarei de ti a meu pae, e verei o que houver, e t’o annunciarei.

4 Então Jonathan fallou [2] bem de David a Saul, seu pae, e disse-lhe: Não peque o rei contra seu servo David, porque elle não peccou contra ti, e porque os seus feitos te são mui bons.

5 Porque poz a [3] sua alma na mão, e feriu aos philisteos, e fez o Senhor um grande livramento a todo o Israel; tu mesmo o viste, e te alegraste: porque, pois, peccarias [4] contra o sangue innocente, matando a David sem causa?

6 E Saul deu ouvidos á voz de Jonathan, e jurou Saul: Vive o Senhor, que não morrerá.

7 E Jonathan chamou a David, e contou-lhe todas estas palavras: e Jonathan levou David a Saul, e esteve perante elle [5] como d’antes.

8 E tornou a haver guerra: e saiu David, e pelejou contra os philisteos, e feriu-os de grande ferida, e fugiram diante d’elle.

9 Porém o espirito mau [6] da parte do Senhor se tornou sobre Saul, estando elle assentado em sua casa, e tendo na mão a sua lança, e tangendo David com a mão o instrumento de musica.

10 E procurava Saul encravar a David com a parede, porém elle se desviou de diante de Saul, o qual feriu com a lança na parede: então fugiu David, e escapou n’aquella mesma noite.

11 Porém Saul mandou mensageiros á casa de David, que o guardassem, e o matassem pela manhã: do que Michal, sua mulher, avisou a David, dizendo: Se não salvares a tua vida esta noite, ámanhã te matarão.

Michal engana a seu pae e salva a David.

12 Então Michal desceu [7] a David por uma janella: e elle se foi, e fugiu, e escapou.

13 E Michal tomou [JQ] uma estatua e a deitou na cama, e poz-lhe á cabeceira uma pelle de cabra, e a cobriu com uma coberta.

14 E, mandando Saul mensageiros que trouxessem a David, ella disse: Está doente.

15 Então Saul mandou mensageiros que viessem a David, dizendo: Trazei-m’o na cama, para que o mate.

16 Vindo pois os mensageiros, eis aqui a estatua na cama, e a pelle de cabra á sua cabeceira.

17 Então disse Saul a Michal: Porque assim me enganaste, e deixaste ir e escapar o meu inimigo? E disse Michal a Saul: Porque elle me disse: Deixa-me ir, porque [8] hei de eu matar-te?

18 Assim David fugiu e escapou, e veiu a Samuel, a Rama, e lhe participou tudo quanto Saul lhe fizera: e foram, elle e Samuel, e ficaram em Naioth.

19 E o annunciaram a Saul, dizendo: Eis que David está em Naioth, em Rama.

20 Então enviou Saul mensageiros para [9] trazerem a David, os quaes viram uma congregação de prophetas prophetizando, onde estava Samuel que presidia sobre elles: e o espirito de Deus veiu sobre os mensageiros de Saul, e tambem [10] elles prophetizaram.

21 E, avisado d’isto Saul, enviou outros mensageiros, e tambem estes prophetizaram: então enviou Saul ainda uns terceiros mensageiros, os quaes tambem prophetizaram.

22 Então foi tambem elle mesmo a Rama, e chegou ao poço grande que estava em Secu; e, perguntando, disse: Onde estão Samuel e David? E disseram-lhe: Eis que estão em Naioth, em Rama.

23 Então foi-se lá para Naioth, em Rama: e o mesmo espirito de Deus veiu [11] sobre elle, e ia prophetizando, até chegar a Naioth, em Rama.

24 E elle tambem despiu [12] os seus vestidos, e elle tambem prophetizou diante de Samuel, e esteve nú por terra todo aquelle dia e toda aquella noite; pelo que se diz: Está tambem Saul entre os prophetas?

[1] cap. 18.1.

[2] Pro. 31.8, 9. Gen. 42.22. Psa. 35.12 e 109.5. Pro. 17.13. Jer. 18.20.

[3] Jui. 9.17 e 12.3. cap. 28.21. cap. 17.49, 50. I Sam. 11.13. I Chr. 11.14.

[4] cap. 20.32. Mat. 27.4.

[5] cap. 16.21 e 18.2, 13.

[6] cap. 16.14 e 18.10, 11.

[7] Jos. 2.15. Act. 9.24.

[8] II Sam. 2.22.

[9] João 7.32, 45, etc. cap. 10.5. I Cor. 14.3, 24, 25.

[10] Num. 11.25. Joel 2.28.

[11] cap. 10.10.

[12] Isa. 20.2. Miq. 1.8. II Sam. 6.14, 20. cap. 10.11.

A entrevista de David com Jonathan.

20 Então fugiu David de Naioth, em Rama: e veiu, e disse perante Jonathan: Que fiz eu? qual é o meu crime? e qual é o meu peccado diante de teu pae, que procura tirar-me a vida?

2 E elle lhe disse: Tal não haja: não morrerás; eis que meu pae não faz coisa nenhuma grande, nem pequena, sem primeiro me dar parte; porque pois meu pae me encobriria este negocio? não ha tal.

3 Então David tornou a jurar, e disse: Mui bem sabe teu pae que achei graça em teus olhos; pelo que disse: Não saiba isto Jonathan, para que se não magõe, e, na verdade, vive o Senhor, e vive a tua alma, que apenas ha um passo entre mim e a morte.

4 E disse Jonathan a David: O que disser a tua alma, eu te farei.

5 Disse David a Jonathan: Eis que ámanhã é a [1] lua nova, em que costumo assentar-me com o rei para comer: deixa-me tu ir, porém, e esconder-me-hei no campo, até á terceira tarde.

6 Se teu pae notar a minha ausencia, dirás: David me pediu muito que o deixasse ir correndo a Beth-lehem, [2] sua cidade; porquanto se faz lá o sacrificio annual para toda a linhagem.

7 Se disser assim, [3] Está bem; então teu servo tem paz: porém se muito se indignar, sabe que já está inteiramente determinado no mal.

8 Usa pois de misericordia [4] com o teu servo, porque fizeste a teu servo entrar comtigo em alliança do Senhor: se porém ha em mim crime, mata-me tu mesmo: [5] porque me levarias a teu pae?

9 Então disse Jonathan: Longe de ti tal coisa: porém se d’alguma maneira soubesse que já este mal está inteiramente determinado por meu pae, para que viesse sobre ti, não t’o descobriria eu?

10 E disse David a Jonathan: Quem tal me fará saber, se por acaso teu pae te responder asperamente?

Jonathan faz um pacto com David.

11 Então disse Jonathan a David: Vem e saiamos ao campo. E sairam ambos ao campo.

12 E disse Jonathan a David: Ó Senhor Deus de Israel, se, sondando eu a meu pae ámanhã a estas horas, ou depois d’ámanhã, e eis que houver coisa favoravel para David: e eu então não enviar a ti, e não t’o fizer saber;

13 O Senhor [6] faça assim com Jonathan outro tanto; que se aprouver a meu pae fazer-te mal, tambem t’o farei saber, e te deixarei partir, e irás em paz: e o Senhor seja comtigo, [7] assim como foi com meu pae.

14 E, se eu então ainda viver, porventura não usarás comigo da beneficencia do Senhor, para que não morra?

15 Nem tão pouco cortarás [8] da minha casa a tua beneficencia eternamente: nem ainda quando o Senhor desarraigar da terra a cada um dos inimigos de David.

16 Assim fez Jonathan alliança com a casa de David, dizendo: O Senhor o [9] requeira da mão dos inimigos de David.

17 E Jonathan fez jurar a David de novo, porquanto o amava; porque o amava com todo o amor [10] da sua alma.

18 E disse-lhe Jonathan: [11] Ámanhã é a lua nova, e não te acharão no teu logar, pois o teu assento se achará vazio.

19 E, ausentando-te tu tres dias, desce apressadamente, e vae áquelle logar [12] onde te escondeste no dia do negocio: e fica-te junto á pedra de Ezel.

20 E eu atirarei tres frechas para aquella banda, como se atirara ao alvo.

21 E eis que mandarei o moço dizendo: Anda, busca as frechas: se eu expressamente disser ao moço: Olha que as frechas estão para cá de ti; toma-o comtigo, e vem; porque ha paz para ti, e não ha nada, vive o Senhor.

22 Porém se disser ao moço assim: Olha que as frechas estão para lá de ti; vae-te embora; porque o Senhor te deixa ir.

23 E quanto ao negocio [13] de que eu e tu fallámos, eis que o Senhor está entre mim e ti eternamente.

24 Escondeu-se pois David no campo: e, sendo a lua nova, assentou-se o rei para comer pão.

25 E, assentando-se o rei no seu assento, como as outras vezes, no logar junto á parede, Jonathan se levantou, e assentou-se Abner ao lado de Saul: e o logar de David appareceu vasio.

26 Porém n’aquelle dia não disse Saul nada, porque dizia: Aconteceu-lhe alguma coisa, pela qual não está limpo; certamente [14] não está limpo.

27 Succedeu tambem ao outro dia, o segundo da lua nova, que o logar de David appareceu vasio: disse pois Saul a Jonathan, seu filho: Porque não veiu o filho de Jessé nem hontem nem hoje a comer pão?

28 E respondeu [15] Jonathan a Saul: David me pediu encarecidamente que o deixasse ir a Beth-lehem,

29 Dizendo: Peço-te que me deixes ir, porquanto a nossa linhagem tem um sacrificio na cidade, e meu irmão mesmo me mandou ir: se pois agora tenho achado graça em teus olhos, peço-te que me deixes partir, para que veja a meus irmãos: por isso não veiu á mesa do rei.

30 Então se accendeu a ira de Saul contra Jonathan, e disse-lhe: Filho da perversa em rebeldia; não sei eu que tens elegido o filho de Jessé, para vergonha tua e para vergonha da nudez de tua mãe?

31 Porque todos os dias que o filho de Jessé viver sobre a terra nem tu serás firme, nem o teu reino: pelo que envia, e traze-m’o n’esta hora; porque é digno de morte.

32 Então respondeu Jonathan a Saul, seu pae, e lhe disse: Porque [16] ha de elle morrer? que tem feito?

33 Então Saul atirou-lhe com a lança, [17] para o ferir: assim entendeu Jonathan que já seu pae tinha determinado matar a David.

34 Pelo que Jonathan, todo encolerisado, se levantou da mesa: e no segundo dia da lua nova não comeu pão; porque se magoava por causa de David, porque seu pae o tinha maltratado.

35 E aconteceu, pela manhã, que Jonathan saiu ao campo, ao tempo que tinha ajustado com David, e um moço pequeno com elle.

36 Então disse ao seu moço: Corre a buscar as frechas que eu atirar. Correu pois o moço, e elle atirou uma frecha, que fez passar além d’elle.

37 E, chegando o moço ao logar da frecha que Jonathan tinha atirado, gritou Jonathan atraz do moço, e disse: Não está porventura a frecha mais para lá de ti?

38 E tornou Jonathan a gritar atraz do moço: Apressa-te, avia-te, não te demores. E o moço de Jonathan apanhou as frechas, e veiu a seu senhor.

39 E o moço não entendeu coisa alguma: só Jonathan e David sabiam d’este negocio.

40 Então Jonathan deu as suas armas ao moço que trazia, e disse-lhe: Anda, e leva-as á cidade.

41 E, indo-se o moço, levantou-se David da banda do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se tres vezes: e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos até que David chorou muito mais.

42 E disse Jonathan a David: Vae-te [18] em paz: o que nós temos jurado ambos em nome do Senhor, dizendo: O Senhor seja entre mim e ti, e entre a minha semente e a tua semente, seja perpetuamente.

43 Então se levantou David, e se foi; e Jonathan entrou na cidade.

[1] Num. 10.10 e 28.11. cap. 19.2.

[2] cap. 16.4.

[3] Deu. 1.23. II Sam. 17.4.

[4] Jos. 2.14. ver. 16. cap. 18.3 e 23.18.

[5] II Sam. 14.32.

[6] Ruth 1.17.

[7] Jos. 1.5. cap. 17.37. I Chr. 22.11, 16.

[8] II Sam. 9.1, 3, 7 e 21.7.

[9] cap. 25.22 e 31.2. II Sam. 4.7 e 21.8.

[10] cap. 18.1.

[11] ver. 5.

[12] cap. 19.2.

[13] ver. 14, 15, 42.

[14] Lev. 7.21 e 15.5, etc.

[15] ver. 6.

[16] cap. 19.5. Mat. 27.23. Luc. 23.22.

[17] cap. 18.11. ver. 7.

[18] cap. 1.17.

David vae ter com o sacerdote Achimelech.

21 Então veiu David a Nob, ao sacerdote [1] Achimelech; e Achimelech, tremendo, saiu ao encontro de David, e disse-lhe: Porque vens só, e ninguem comtigo?

2 E disse David ao sacerdote Achimelech: O rei me encommendou um negocio, e me disse: Ninguem saiba d’este negocio, pelo qual eu te enviei, e o qual te ordenei; quanto aos mancebos, apontei-lhes tal e tal logar.

3 Agora, pois, que tens á mão? dá-me cinco pães na minha mão, ou o que se achar.

4 E, respondendo o sacerdote a David, disse: Não tenho pão commum á mão; ha porém pão sagrado, [2] se ao menos os mancebos se abstiveram das mulheres.

5 E respondeu David ao sacerdote, e lhe disse: Sim, em boa fé, as mulheres se nos vedaram desde hontem: e ante hontem, quando eu sahi, os vasos [3] dos mancebos tambem eram sanctos: e em alguma maneira é pão commum, quanto mais que hoje se sanctificará outro nos vasos.

6 Então o sacerdote lhe deu o pão sagrado, [4] porquanto não havia ali outro pão senão os pães da proposição, que se tiraram de diante do Senhor para se pôr ali pão quente no dia em que aquelle se tirasse.

7 Estava, porém, ali n’aquelle dia um dos creados de Saul, detido perante o Senhor, e era seu nome Doeg, idumeo, [5] o mais poderoso dos pastores de Saul.

8 E disse David a Achimelech: Não tens aqui á mão lança ou espada alguma? porque não trouxe á mão nem a minha espada nem as minhas armas, porque o negocio do rei era apressado.

9 E disse o sacerdote: A espada de Goliath, o philisteo, a quem tu feriste no [6] valle do carvalho, eis que aquella aqui está envolta n’um panno detraz do ephod: se tu a queres tomar, toma-a, porque nenhuma outra ha aqui, senão aquella. E disse David: Não ha outra similhante; dá-m’a.

David foge para Achis rei de Gath.

10 E David levantou-se, e fugiu aquelle dia de diante de Saul, e veiu a Achis, rei de Gath.

11 Porém os creados de Achis lhe disseram: Não é este David, o rei da terra? não se cantava d’este nas danças, dizendo: [7] Saul feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares?

12 E David considerou [8] estas palavras no seu animo, e temeu muito diante d’Achis, rei de Gath.

13 Pelo que se contrafez diante dos olhos d’elles, e fez-se como doido entre as suas mãos, e esgravatava nas portas do portal, e deixava correr a saliva pela barba.

14 Então disse Achis aos seus creados: Eis que bem vêdes que este homem está louco; porque m’o trouxestes a mim?

15 Faltam-me a mim doidos, para que trouxesseis a este que fizesse doidices diante de mim? ha de este entrar na minha casa?

[1] cap. 14.3 e 16.4.

[2] Exo. 25.30. Lev. 24.5. Mat. 12.4.

[3] I The. 4.4.

[4] Lev. 8.26. Mat. 12.3. Mar. 2.25. Luc. 6.3. Lev. 24.8.

[5] cap. 22.9.

[6] cap. 17.2, 50 e 31.10.

[7] cap. 18.7 e 29.5.

[8] Luc. 2.19.

David esconde-se na caverna de Adullam.

22 Então David se retirou d’ali, e escapou para a caverna de Adullam: e [1] ouviram-n’o seus irmãos e toda a casa de seu pae, e desceram ali para elle.

2 E ajuntou-se a elle todo [2] o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espirito desgostoso, e elle se fez chefe d’elles: e eram com elle uns quatrocentos homens.

3 E foi-se David d’ali a Mispeh dos moabitas, e disse ao rei dos moabitas: Deixa estar meu pae e minha mãe comvosco, até que saiba o que Deus ha de fazer de mim.

4 E trouxe-os perante o rei dos moabitas, e ficaram com elle todos os dias que David esteve no logar forte.

5 Porém o propheta [3] Gad disse a David: Não fiques n’aquelle logar forte; vae, e entra na terra de Judah. Então David se foi, e veiu para o bosque de Chereth.

Saul mata todos os sacerdotes de Nob.

6 E ouviu Saul que já se sabia de David e dos homens que estavam com elle: e estava Saul em Gibeah, debaixo d’um arvoredo, em Rama, e tinha na mão a sua lança, e todos os seus creados estavam com elle.

7 Então disse Saul a todos os seus creados que estavam com elle: Ouvi, peço-vos, filhos de Benjamin, [4] dar-vos-ha tambem o filho de Jessé, a todos vós, terras e vinhas, e far-vos-ha a todos chefes de milhares e chefes de centenas?

8 Para que todos vos tenhaes conspirado contra mim, e ninguem ha que me dê aviso de que meu filho tem feito alliança [5] com o filho de Jessé, e nenhum d’entre vós ha que se dôa de mim, e m’o participe, pois meu filho tem contra mim sublevado a meu servo, para me armar ciladas, como se vê n’este dia.

9 Então [6] respondeu Doeg, o idumeo, que tambem estava com os creados de Saul, e disse: Ao filho de Jessé vi vir a Nob, a Achimelech, [7] filho de Ahitub,

10 O qual consultou [8] por elle ao Senhor, e lhe deu mantimento, e lhe deu tambem a espada de Goliath, o philisteo.

11 Então o rei mandou chamar a Achimelech, sacerdote, filho de Ahitub, e a toda a casa de seu pae, os sacerdotes que estavam em Nob; e todos elles vieram ao rei.

12 E disse Saul: Ouve, peço-te, filho d’Ahitub. E elle disse: Eis-me aqui, senhor meu.

13 Então lhe disse Saul: Porque conspirastes contra mim, tu e o filho de Jessé? pois deste-lhe pão e espada, e consultaste por elle a Deus, para que se levantasse contra mim a armar-me ciladas, como se vê n’este dia?

14 E respondeu Achimelech ao rei, e disse: E quem, entre todos os teus creados, ha tão fiel como David, o genro do rei, prompto na sua obediencia, e honrado na tua casa?

15 Comecei, porventura, hoje a consultar por elle a Deus? longe de mim tal! não impute o rei coisa nenhuma a seu servo, nem a toda a casa de meu pae, pois o teu servo não soube nada de tudo isso, nem muito nem pouco.

16 Porém o rei disse: Achimelech, morrerás certamente, tu e toda a casa de teu pae.

17 E disse o rei aos da sua guarda que estavam com elle: Virae-vos, e matae os sacerdotes do Senhor, porque tambem a sua mão é com David, e porque souberam que fugiu e não m’o fizeram saber. Porém os creados do rei não quizeram estender [9] as suas mãos para arremetter contra os sacerdotes do Senhor.

18 Então disse o rei a Doeg: Vira-te tu, e arremette contra os sacerdotes. Então se virou Doeg, o idumeo, e arremetteu contra os sacerdotes, e matou n’aquelle dia oitenta e cinco homens [10] que vestiam ephod de linho.

19 Tambem a Nob, [11] cidade d’estes sacerdotes, passou a fio de espada, desde o homem até á mulher, desde os meninos até aos de mama, e até os bois, jumentos e ovelhas passou a fio de espada.

Abiathar um dos sacerdotes escapa e vem ter com David.

20 Porém escapou [12] um dos filhos de Achimelech, filho de Ahitub, cujo nome era Abiathar, o qual fugiu atraz de David.

21 E Abiathar annunciou a David que Saul tinha matado os sacerdotes do Senhor.

22 Então David disse a Abiathar: Bem sabia eu n’aquelle dia que, estando ali Doeg, o idumeo, não deixaria de o denunciar a Saul: eu dei occasião contra todas as almas da casa de teu pae.

23 Fica comigo, não temas, porque quem procurar [13] a minha morte tambem procurará a tua, pois estarás salvo comigo.

[1] II Sam. 23.13.

[2] Jui. 11.3.

[3] II Sam. 24.11. I Chr. 21.9. II Chr. 29.25.

[4] cap. 8.14.

[5] cap. 18.3 e 20.30.

[6] cap. 21.7. Psa. 52.2. ver. 1, 2, 3.

[7] cap. 21.1 e 14.3.

[8] Num. 27.21.

[9] Exo. 1.17.

[10] cap. 2.31.

[11] ver. 9, 11.

[12] cap. 23.6 e 2.33.

[13] I Reis 2.26.

David livra Keila.

[Antes de Christo 1061]

23 E foi annunciado a David, dizendo: Eis que os philisteos pelejam contra Keila, [1] e saqueiam as eiras.

2 E consultou [2] David ao Senhor, dizendo: Irei eu, e ferirei a estes philisteos? E disse o Senhor a David: Vae, e ferirás aos philisteos, e livrarás a Keila.

3 Porém os homens de David lhe disseram: Eis que tememos aqui em Judah, quanto mais indo a Keila contra os esquadrões dos philisteos.

4 Então David tornou a consultar ao Senhor, e o Senhor lhe respondeu, e disse: Levanta-te, desce a Keila, porque te dou os philisteos na tua mão.

5 Então David partiu com os seus homens a Keila, e pelejou contra os philisteos, e levou os gados, e fez grande estrago entre elles: e David livrou os moradores de Keila.

6 E succedeu que, quando Abiathar, filho de Achimelech, fugiu [3] para David, a Keila, desceu com o ephod na mão.

7 E foi annunciado a Saul que David era vindo a Keila, e disse Saul: Deus o entregou nas minhas mãos, pois está encerrado, entrando n’uma cidade de portas e ferrolhos.

8 Então Saul mandou chamar a todo o povo á peleja, para que descessem a Keila, para cercar a David e os seus homens.

9 Sabendo pois David, que Saul maquinava este mal contra elle, disse a Abiathar, sacerdote: [4] Traze aqui o ephod.

10 E disse David: Ó Senhor, Deus de Israel, teu servo decerto tem ouvido que Saul procura vir a Keila, para destruir a [5] cidade por causa de mim.

11 Entregar-me-hão os cidadãos de Keila na sua mão? descerá Saul, como o teu servo tem ouvido? ah Senhor Deus d’Israel! fal-o saber ao teu servo. E disse o Senhor: Descerá.

12 Disse mais David: Entregar-me-hiam os cidadãos de Keila, a mim e aos meus homens, nas mãos de Saul? E disse o Senhor: Entregariam.

13 Então se levantou David com os seus homens, [6] uns seiscentos, e sairam de Keila, e foram-se aonde poderam: e sendo annunciado a Saul, que David escapara de Keila, cessou de sair contra elle.

Saul persegue David no deserto de Ziph.

14 E David permaneceu no deserto, nos logares fortes, e ficou em um monte [7] no deserto de Ziph: e Saul o buscava todos os dias, [8] porém Deus não o entregou na sua mão.

15 Vendo pois David, que Saul sairá á busca da sua vida, David esteve no deserto de Ziph, n’um bosque.

16 Então se levantou Jonathan, filho de Saul, e foi para David ao bosque, e confortou a sua mão em Deus;

17 E disse-lhe: Não temas, que não te achará a mão de Saul, meu pae, porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei comtigo o segundo: o que tambem Saul [9] meu pae, bem sabe.

18 E ambos fizeram [10] alliança perante o Senhor: David ficou no bosque, e Jonathan voltou para a sua casa.

19 Então [11] subiram os zipheos a Saul, a Gibeah, dizendo: Não se escondeu David entre nós, nos logares fortes no bosque, no outeiro de Hachila, que está á mão direita de Jesimon?

20 Agora pois, ó rei, apressadamente desce conforme a todo o desejo da tua alma; por nós fica [12] entregar-mol-o nas mãos do rei.

21 Então disse Saul: Bemditos sejaes vós do Senhor, porque vos compadecestes de mim.

22 Ide pois, e diligenciae ainda mais, e sabei e notae o logar que frequenta, e quem o tenha visto ali; porque me foi dito que é astutissimo.

23 Pelo que attentae bem, e informae-vos ácerca de todos os esconderijos, em que elle se esconde; e então voltae para mim com toda a certeza, e ir-me-hei comvosco; e ha de ser que, se estiver n’aquella terra, o buscarei entre todos os milhares de Judah.

24 Então se levantaram elles, e se foram a Ziph, diante de Saul: David porém e os seus homens estavam no deserto de Maon, [13] na campanha, á direita de Jesimon.

25 E Saul e os seus homens se foram em busca d’elle; o que annunciaram a David, e desceu para aquella penha, e ficou no deserto de Maon: o que ouvindo Saul, seguiu a David para o deserto de Maon.

26 E Saul ia d’esta banda do monte, e David e os seus homens da outra banda do monte: e succedeu que David se apressou [14] a escapar de Saul; Saul porém e os seus homens cercaram a David e aos seus homens, para lançar mão d’elles.

27 Então veiu [15] um mensageiro a Saul, dizendo: Apressa-te, e vem, porque os philisteos com impeto entraram na terra.

28 Pelo que Saul voltou de perseguir a David, e foi-se ao encontro dos philisteos: por esta razão aquelle logar se chamou [JR] Sela-hammahlecoth.

29 E subiu David d’ali, e ficou nos logares fortes de Engedi.

[1] Jos. 15.44.

[2] ver. 4, 6, 9. cap. 30.8. II Sam. 5.19, 23.

[3] cap. 22.20.

[4] Num. 27.21. cap. 30.7.

[5] cap. 22.19.

[6] cap. 22.2 e 25.13.

[7] Psa. 11.2. Jos. 15.55.

[8] Psa. 54.3, 4.

[9] cap. 24.20.

[10] cap. 18.3 e 20.16, 42. II Sam. 21.7.

[11] cap. 26.1.

[12] Psa. 54.3.

[13] Jos. 15.55. cap. 25.2.

[14] Psa. 31.22 e 17.9.

[15] II Reis 19.9.

David corta a orla do manto de Saul.

24 E succedeu que, voltando Saul de perseguir os philisteos, lhe annunciaram, dizendo: Eis que David está no deserto [1] de Engedi.

2 Então tomou Saul [2] tres mil homens, escolhidos d’entre todo o Israel, e foi á busca [3] de David e dos seus homens, até sobre os cumes das penhas das cabras montezes.

3 E chegou a uns curraes de ovelhas no caminho, onde estava uma caverna; e entrou n’ella Saul, [4] a cobrir seus pés: e David e os seus homens estavam aos lados da caverna.

4 Então os homens de David lhe disseram: [5] Eis aqui o dia, do qual o Senhor te diz: Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos, e far-lhe-has como te parecer bem aos teus olhos. E levantou-se David, e mansamente cortou a orla do manto de Saul.

5 Succedeu, porém, que depois [6] o coração picou a David, por ter cortado a orla do manto de Saul.

6 E disse aos seus homens: O Senhor me guarde [7] de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra elle; pois é o ungido do Senhor.

7 E com estas palavras [8] David conteve os seus homens, e não lhes permittiu que se levantassem contra Saul: e Saul se levantou da caverna, e proseguiu o seu caminho.

8 Depois tambem David se levantou, e saiu da caverna, e gritou por detraz de Saul, dizendo: Rei, meu senhor! E, olhando Saul para traz, David se inclinou com o rosto em terra, e se prostrou.

9 E disse David a Saul: Porque [9] dás tu ouvidos ás palavras dos homens que dizem: Eis que David procura o teu mal?

10 Eis que este dia os teus olhos viram, que o Senhor hoje te poz em minhas mãos n’esta caverna, e alguns disseram que te matasse; porém a minha mão te poupou: porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do Senhor.

11 Olha pois, meu pae, vês aqui a orla do teu manto na minha mão; porque, cortando-te eu a orla do manto, te não matei. Adverte, pois, e [10] vê que não ha na minha mão nem mal nem prevaricação nenhuma, e não pequei contra ti; porém tu andas á caça da minha vida, para m’a tirar.

12 Julgue o Senhor [11] entre mim e ti, e vingue-me o Senhor de ti; porém a minha mão não será contra ti.

13 Como diz o proverbio dos antigos: Dos impios procede a impiedade; porém a minha mão não será contra ti.

14 Após quem saiu o rei de Israel? a quem persegues? a um cão [12] morto? a uma pulga?

15 O Senhor porém será [13] juiz, e julgará entre mim e ti, e verá, e advogará a minha causa, e me defenderá da tua mão.

16 E succedeu que, acabando David de fallar a Saul todas estas palavras, disse Saul: É esta a tua voz, [14] meu filho David? Então Saul alçou a sua voz e chorou.

17 E disse a David: [15] Mais justo és do que eu; pois tu me recompensaste com bem, e eu te recompensei com mal.

18 E tu mostraste hoje que usaste comigo bem; pois o Senhor me tinha posto em tuas mãos, [16] e tu me não mataste.

19 Porque, quem ha que, encontrando o seu inimigo, o deixaria ir por bom caminho? o Senhor pois te pague com bem, pelo que hoje me fizeste.

20 Agora [17] pois eis que bem sei que certamente has de reinar, e que o reino de Israel ha de ser firme na tua mão.

21 Portanto agora jura-me pelo Senhor [18] que não desarreigarás a minha semente depois de mim, nem desfarás o meu nome da casa de meu pae.

22 Então jurou David a Saul. E foi Saul para a sua casa; porém David e os seus homens subiram ao logar forte.

[1] II Chr. 20.2.

[2] cap. 23.28.

[3] Psa. 38.12.

[4] Psa. 141.6. Jui. 3.24.

[5] cap. 26.8.

[6] II Sam. 24.10.

[7] cap. 26.11.

[8] Psa. 7.4. Mat. 5.44. Rom. 12.17, 19.

[9] Psa. 141.6. Pro. 16.28 e 17.9.

[10] Psa. 7.3 e 35.7. cap. 26.20.

[11] Gen. 16.5. Jui. 11.27. cap. 26.10. Job 5.8.

[12] cap. 17.43. II Sam. 9.8. cap. 26.20.

[13] ver. 12. II Chr. 24.22.

[14] cap. 26.17.

[15] cap. 26.21. Gen. 38.26. Mat. 5.44.

[16] cap. 26.23.

[17] cap. 23.17.

[18] Gen. 21.23. II Sam. 21.6, 8.

A morte de Samuel e a retirada de David para o deserto de Paran.

[Antes de Christo 1060]

25 E falleceu [1] Samuel, e todo o Israel se ajuntou, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Rama. E David, se levantou e desceu ao deserto de Paran.

2 E havia um homem em [2] Maon, que tinha as suas possessões no Carmelo: e era este homem mui poderoso, e tinha tres mil ovelhas e mil cabras: e estava tosquiando as suas ovelhas no Carmelo.

3 E era o nome d’este homem Nabal, e o nome de sua mulher Abigail; e era a mulher de bom entendimento e formosa, porém o homem era duro, e maligno nas obras, e era da casa de Caleb.

4 E ouviu David no deserto que Nabal tosquiava [3] as suas ovelhas,

5 E enviou David dez mancebos, e disse aos mancebos: Subi ao Carmelo, e, vindo a Nabal, perguntae-lhe, em meu nome, como está.

6 E assim direis áquelle prospero: Paz tenhas, [4] e que a tua casa tenha paz, e tudo o que tens tenha paz!

7 Agora, pois, tenho ouvido que tens tosquiadores: ora os pastores que tens estiveram comnosco; aggravo nenhum lhes fizemos, nem [5] coisa alguma lhes faltou todos os dias que estiveram no Carmelo.

8 Pergunta-o aos teus mancebos, e elles t’o dirão; estes mancebos pois achem graça em teus olhos, [6] porque viemos em bom dia: dá pois a teus servos e a David, teu filho, o que achares á mão.

9 Chegando pois os mancebos de David, e fallando a Nabal todas aquellas palavras em nome de David, se calaram.

Nabal recusa dar viveres aos servos de David.

10 E Nabal respondeu aos creados de David, e disse: [7] Quem é David, e quem o filho de Jessé? muitos servos ha hoje, que cada um foge a seu senhor.

11 Tomaria [8] eu pois o meu pão, e a minha agua, e a carne das minhas rezes que degolei para os meus tosquiadores, e o daria a homens que eu não sei d’onde veem?

12 Então os mancebos de David se tornaram para o seu caminho: e voltaram, e vieram, e lhe annunciaram tudo conforme a todas estas palavras.

13 Pelo que disse David aos seus homens: Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e cingiu tambem David a sua: e subiram após David uns quatrocentos homens, [9] e duzentos ficaram com a bagagem.

14 Porém um d’entre os mancebos o annunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que David enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém elle se lançou a elles.

15 Todavia, aquelles homens teem-nos sido muito bons, [10] e nunca fomos aggravados d’elles, e nada nos faltou em todos os dias que conversámos com elles quando estavamos no campo.

16 De muro em redor nos [11] serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que andámos com elles apascentando as ovelhas.

17 Olha pois, agora, e vê o que has de fazer, porque já de todo determinado está [12] o mal contra o nosso amo e contra toda a sua casa, e elle é um tal filho de Belial, que não ha quem lhe possa fallar.

Abigail apazigua David.

18 Então Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, [13] e dois odres de vinho, e cinco ovelhas guisadas, e cinco medidas de trigo tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos passados, e os poz sobre jumentos.

19 E disse aos seus mancebos: [14] Ide adiante de mim, eis que vos seguirei de perto. O que, porém, não declarou a seu marido Nabal.

20 E succedeu que, andando ella montada n’um jumento, desceu pelo encoberto do monte, e eis que David e os seus homens lhe vinham ao encontro, e encontrou-se com elles.

21 E disse David: Na verdade que em vão tenho guardado tudo quanto este tem no deserto, e nada lhe faltou de tudo quanto tem, e elle me pagou mal [15] por bem.

22 Assim faça [16] Deus aos inimigos de David, e outro tanto, se eu deixar até á manhã de tudo o que tem, mesmo até [JS] um menino.

23 Vendo pois Abigail a David, apressou-se, e desceu [17] do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de David, e se inclinou á terra.

24 E lançou-se a seus pés, e disse: Ah, Senhor meu, minha seja a transgressão; deixa pois fallar a tua serva aos teus ouvidos, e ouve as palavras da tua serva.

25 Meu senhor, agora não faça este homem de Belial, a saber, Nabal, impressão no seu coração, porque tal é elle qual é o seu nome. [JT] Nabal é o seu nome, e a loucura está com elle, e eu, tua serva, não vi os mancebos de meu senhor, que enviaste.

26 Agora, pois, meu senhor, [18] vive o Senhor, e vive a tua alma, que o Senhor te impediu [19] de vires com sangue, e de que a tua mão te salvasse: e, agora, taes quaes Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor.

27 E agora esta é a benção [20] que trouxe a tua serva a meu senhor: dê-se aos mancebos que andam após das pisadas de meu senhor.

28 Perdôa pois á tua serva esta transgressão, porque certamente [21] fará o Senhor casa firme a meu senhor, porque meu senhor guerreia [22] as guerras do Senhor, e não se tem achado mal em ti por todos os teus dias.

29 E, levantando-se algum homem para te perseguir, e para procurar a tua morte; comtudo a vida de meu senhor será atada no feixe dos que vivem com o Senhor teu Deus; porém a vida de teus inimigos se arrojará ao longe, como do meio do concavo de uma funda.

30 E ha de ser que, usando o Senhor com o meu senhor conforme a todo o bem que já tem dito de ti, e te tiver estabelecido chefe sobre Israel,

31 Então, meu senhor, não te será por tropeço, nem por pezar no coração, o sangue que sem causa derramaste, nem tão pouco o haver-se salvado meu senhor a si mesmo: e quando o Senhor fizer bem a meu senhor, lembra-te então da tua serva.

32 Então David disse a Abigail: Bemdito [23] o Senhor Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro.

33 E bemdito o teu conselho, e bemdita tu, que hoje me estorvaste de vir com sangue, e de que a minha mão me salvasse.

34 Porque, na verdade, vive o Senhor Deus d’Israel, que me [24] impediu de que te fizesse mal, que se tu não te apressaras, e me não vieras ao encontro, não ficaria a Nabal pela luz da manhã nem mesmo um menino.

35 Então David tomou da sua mão o que tinha trazido, e lhe disse: Sobe em paz á [25] tua casa; vês aqui que tenho dado ouvidos á tua voz, e tenho acceitado a tua face.

36 E, vindo Abigail a Nabal, eis que tinha [26] em sua casa um banquete, como banquete de rei; e o coração de Nabal estava alegre n’elle, e elle já mui embriagado, pelo que não lhe deu a entender palavra alguma, pequena nem grande, até á luz da manhã.

37 Succedeu pois que pela manhã, havendo já saido de Nabal o vinho, sua mulher lhe deu a entender aquellas palavras: e se amorteceu n’elle, o seu coração, e ficou elle como pedra.

38 E aconteceu que, passados quasi dez dias, feriu o Senhor a Nabal, e este morreu.

39 E, ouvindo David que Nabal morrera, disse: Bemdito [27] seja o Senhor, que pleiteou o pleito da minha affronta da mão de Nabal, e deteve a seu servo do mal, fazendo o Senhor tornar o mal de Nabal [28] sobre a sua cabeça. E mandou David fallar a Abigail, para tomal-a por sua mulher.

40 Vindo pois os creados de David a Abigail, no Carmelo, lhe fallaram, dizendo: David nos tem mandado a ti, para te tomar por sua mulher.

41 Então ella se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis aqui a tua serva servirá de creada para [29] lavar os pés dos creados de meu senhor.

42 E Abigail se apressou, [30] e se levantou, e montou n’um jumento com as suas cinco moças que seguiam as suas pisadas: e ella seguiu os mensageiros de David, e foi sua mulher.

43 Tambem tomou David a Achinoam de Jizreel: e tambem ambas foram suas mulheres.

44 Porque Saul tinha dado [31] sua filha Michal, mulher de David, a Phalti, filho de Lais, o qual era de Gallim.

[1] cap. 28.3. Num. 20.29. Deu. 34.8. Gen. 21.21. Psa. 120.5.

[2] cap. 23.24. Jos. 15.55.

[3] Gen. 38.13. II Sam. 13.23.

[4] I Chr. 12.18. Psa. 122.7. Luc. 10.5.

[5] ver. 15, 21.

[6] Neh. 8.10. Est. 9.19.

[7] Jui. 9.28. Psa. 73.7, 8 e 123.3, 4.

[8] Jui. 8.6.

[9] cap. 30.24.

[10] ver. 7.

[11] Exo. 14.22. Job 1.10.

[12] cap. 20.7. Deu. 13.13. Jui. 19.22.

[13] Gen. 32.13. Pro. 18.16 e 21.14.

[14] Gen. 32.16, 20.

[15] Psa. 109.5. Pro. 17.13.

[16] Ruth 1.17. cap. 3.17 e 20.13, 16. ver. 34. I Reis 14.10 e 21.21. II Reis 9.8.

[17] Jos. 15.18. Jui. 1.14.

[18] II Reis 2.2.

[19] ver. 33. Gen. 20.6. Rom. 12.19. II Sam. 18.32.

[20] Gen. 33.11. cap. 30.26. II Reis 5.15.

[21] II Sam. 7.11, 27. I Reis 9.5. I Chr. 17.10, 25.

[22] cap. 18.17 e 24.11. Jer. 10.18.

[23] Gen. 24.27. Exo. 18.10. Psa. 41.3 e 72.18. Luc. 18.6.

[24] ver. 26, 22.

[25] cap. 20.42. II Sam. 15.9. II Reis 5.19. Luc. 7.50 e 8.48. Gen. 19.21.

[26] II Sam. 13.23.

[27] ver. 32. Pro. 22.23. ver. 26, 34.

[28] I Reis 2.44. Psa. 7.17.

[29] Ruth 2.10, 13. Pro. 15.33.

[30] Jos. 15.56. cap. 27.3 e 30.5.

[31] II Sam. 3.14. Isa. 10.30.

David poupa outra vez a vida de Saul.

26 E vieram os zipheos a Saul, a Gibeah, dizendo: Não [1] está David escondido no outeiro d’Hachila, á entrada de Jesimon?

2 Então Saul se levantou, e desceu ao deserto de Ziph, e com elle tres mil homens escolhidos de Israel, a buscar a David no deserto de Ziph.

3 E acampou-se Saul no outeiro d’Hachila, que está á entrada de Jesimon, junto ao caminho: porém David ficou no deserto, e viu que Saul vinha após d’elle ao deserto.

4 Pois David enviou espias, e soube que Saul vinha decerto.

5 E David se levantou, e veiu ao logar onde Saul se tinha acampado; viu David o logar onde se tinha deitado Saul, e Abner, [2] filho de Ner, chefe do seu exercito: e Saul estava deitado dentro do logar dos carros, e o povo estava acampado ao redor d’elle.

6 E respondeu David, e fallou a Achimelech, o hetheo, e a Abisai, filho de [3] Zeruia, irmão de Jacob, dizendo: Quem descerá comigo a Saul ao arraial? E disse Abisai: Eu descerei comtigo.

7 Vieram pois David e Abisai de noite ao povo, e eis que Saul estava deitado dormindo dentro do logar dos carros, e a sua lança estava pregada na terra á sua cabeceira: e Abner e o povo deitavam-se ao redor d’elle.

8 Então disse Abisai a David: Deus te entregou hoje nas mãos a teu inimigo; deixa-m’o pois agora encravar com a lança d’uma vez com a terra, e não o ferirei segunda vez.

9 E disse David a Abisai: Nenhum damno lhe faças: porque quem [4] estendeu a sua mão contra o ungido do Senhor, e ficou innocente?

10 Disse mais David: Vive o Senhor, [5] que o Senhor o ferirá, ou o seu dia chegará em que morra, ou descerá para a batalha e perecerá;

11 O Senhor me guarde, [6] de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor: agora porém toma lá a lança que está á sua cabeceira e a bilha da agua, e vamo-nos.

12 Tomou pois David a lança e a bilha da agua, da cabeceira de Saul, e foram-se: e ninguem houve que o visse, nem que o advertisse, nem que acordasse; porque todos estavam dormindo, [7] porque havia caido sobre elles um profundo somno do Senhor.

13 E David, passando á outra banda, poz-se no cume do monte ao longe, de maneira que entre elles havia grande distancia.

14 E David bradou ao povo, e a Abner, filho de Ner, dizendo: Não responderás, Abner? Então Abner respondeu e disse: Quem és tu, que bradas ao rei?

15 Então disse David a Abner: Porventura não és varão? e quem ha em Israel como tu, porque, pois, não guardaste tu o rei teu senhor? porque um do povo veiu para destruir o rei teu senhor.

16 Não é bom isto, que fizeste; vive o Senhor, que sois dignos de morte, vós que não guardastes a vosso senhor, o ungido do Senhor: vede pois agora onde está a lança do rei, e a bilha da agua, que tinha á sua cabeceira.

17 Então conheceu Saul a voz de David, e disse: Não é esta a tua voz, meu [8] filho David? E disse David: Minha voz é, ó rei meu senhor.

18 Disse mais: Porque persegue o meu senhor assim o seu servo? porque, [9] que fiz eu? e que maldade se acha nas minhas mãos?

19 Ouve pois agora, te rogo, rei meu senhor, as palavras de teu servo: Se o Senhor te incita [10] contra mim, cheire elle a offerta de manjares; porém se os filhos dos homens, malditos sejam perante o Senhor: pois elles me teem expellido [11] hoje para que eu não fique apegado á herança do Senhor, dizendo: Vae, serve a outros deuses.

20 Agora pois não se derrame o meu sangue na terra diante do Senhor: pois saiu o rei d’Israel em busca d’uma pulga; [12] como quem persegue uma perdiz nos montes.

21 Então disse Saul: Pequei; [13] volta, meu filho David, porque não ordenarei a fazer-te mal; porque foi hoje [14] preciosa a minha vida aos teus olhos: eis que fiz loucamente, e errei grandissimamente.

22 David então respondeu, e disse: Eis aqui a lança do rei; passe cá um dos mancebos, e leve-a.

23 O Senhor porém [15] pague a cada um a sua justiça e a sua lealdade; pois o Senhor te tinha dado hoje na minha mão, porém não quiz estender a minha mão contra o ungido do Senhor.

24 E eis que assim como foi a tua vida hoje de tanta estima aos meus olhos, d’outra tanta estima seja a minha vida aos olhos do Senhor, e elle me livre de toda a tribulação.

25 Então Saul disse a David: Bemdito sejas tu, meu filho David; pois grandes coisas farás e [16] tambem prevalecerás. Então David se foi pelo seu caminho e Saul voltou para o seu logar.

[1] cap. 23.19.

[2] cap. 14.50 e 17.55.

[3] I Chr. 2.16. Jui. 7.10, 11.

[4] cap. 24.6, 7. II Sam. 1.16.

[5] cap. 25.38. Psa. 94.1, 2, 23. Luc. 18.7. Rom. 12.19. Gen. 47.29.

[6] cap. 24.6, 12.

[7] Gen. 2.21 e 15.12.

[8] cap. 24.16.

[9] cap. 24.9, 11.

[10] II Sam. 16.11 e 24.1.

[11] Deu. 4.28. Psa. 120.5. II Sam. 14.16 e 20.19.

[12] cap. 24.14.

[13] cap. 15.24 e 24.17.

[14] cap. 18.30.

[15] Psa. 7.8, 18.20.

[16] Gen. 32.28.

David vae ter outra vez com Achis rei de Gath.

[Antes de Christo 1058]

27 Disse porém David no seu coração: Ora ainda algum dia perecerei pela mão de Saul; não ha coisa melhor para mim do que escapar apressadamente para a terra dos philisteos, para que Saul perca a esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; e assim escaparei da sua mão.

2 Então David se levantou, [1] e passou com os seiscentos homens que com elle estavam a Achis, filho de Maoch, rei de Gath.

3 E David ficou com [2] Achis em Gath, elle e os seus homens, cada um com a sua casa: David com ambas as suas mulheres, Achinoam, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.

4 E, sendo Saul avisado que David tinha fugido para Gath, não cuidou mais em o buscar.

5 E disse David a Achis: Se eu tenho achado graça em teus olhos, dá-me logar n’uma das cidades da terra, para que ali habite: pois por que razão habitaria o teu servo comtigo na cidade real?

6 Então lhe deu Achis n’aquelle dia a cidade de Siclag: (pelo que Siclag pertence [3] aos reis de Judah, até ao dia de hoje.)

7 E foi o numero dos dias, que David habitou na terra dos philisteos, um anno e quatro mezes.

8 E subia David com os seus homens, e deram sobre [4] os gesuritas, e os gersitas, e os amalekitas; porque antigamente foram estes os moradores da terra desde como quem vae para Sur [5] até á terra do Egypto.

9 E David feria aquella terra, e não dava vida nem a homem nem a mulher, e tomava ovelhas, e vaccas, e jumentos, e camelos, e vestidos; e voltava, e vinha a Achis.

10 E dizendo Achis: Sobre onde déstes hoje? David dizia: Sobre o sul de Judah, e sobre o sul dos [6] jerahmeleos, e sobre o sul dos keneos.

11 E David não dava vida nem a homem nem a mulher, para trazel-os a Gath, dizendo: Para que porventura não nos denunciem, dizendo: Assim David o fazia. E este era o seu costume por todos os dias que habitou na terra dos philisteos.

12 E Achis se confiava de David, dizendo: Fez-se elle por certo aborrecivel para com o seu povo em Israel; pelo que me será por servo para sempre.

[1] cap. 25.13 e 21.10.

[2] cap. 25.43.

[3] Jos. 15.31 e 19.5.

[4] Jos. 13.2 e 16.10. Jui. 1.29. Exo. 17.16. cap. 15.7, 8.

[5] Gen. 25.18.

[6] I Chr. 2.9, 25. Jui. 1.16.

Saul consulta uma pythonissa de Endor.

28 E succedeu [1] n’aquelles dias que, juntando os philisteos os seus exercitos á peleja, para fazer guerra contra Israel, disse Achis a David: Sabe de certo que comigo sairás ao arraial, tu e os teus homens.

2 Então disse David a Achis: Assim saberás tu o que fará o teu servo. E disse Achis a David: Por isso te terei por guarda da minha cabeça para sempre.

3 E já Samuel [2] era morto, e todo o Israel o tinha chorado, e o tinha sepultado em Rama, que era a sua cidade: e Saul tinha desterrado os [3] adivinhos e os encantadores.

4 E ajuntaram-se os philisteos, e vieram, e acamparam-se em Sunem: e ajuntou Saul [4] a todo o Israel, e se acamparam em Gilboa.

5 E, vendo Saul o arraial dos philisteos, temeu, e estremeceu muito [5] o seu coração.

6 E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor lhe [6] não respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por prophetas.

7 Então disse Saul aos seus creados: Buscae-me uma mulher que tenha o espirito de feiticeira, para que vá a ella, e consulte por ella. E os seus creados lhe disseram: Eis que em Endor ha uma mulher que tem o espirito d’adivinhar.

8 E Saul se disfarçou e vestiu outros vestidos, e foi elle, e com elle dois homens, e de noite vieram á mulher; e disse: Peço-te que me adivinhes [7] pelo espirito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser.

9 Então a mulher lhe disse: Eis aqui tu sabes o que Saul fez, como tem destruido [8] da terra os adivinhos e os encantadores: porque, pois, me armas um laço á minha vida, para me fazer matar?

10 Então Saul lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Vive o Senhor, que nenhum mal te sobrevirá por isso.

11 A mulher então lhe disse: A quem te farei subir? E disse elle: Faze-me subir a Samuel.

12 Vendo pois a mulher a Samuel, gritou com alta voz, e a mulher fallou a Saul, dizendo: Porque me tens enganado? pois tu mesmo és Saul.

13 E o rei lhe disse: Não temas: porém que é o que vês? Então a mulher disse a Saul: Vejo deuses [9] que sobem da terra.

14 E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ella: Vem subindo um homem ancião, e está envolto n’uma capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou.

15 Samuel disse a Saul: Porque me desinquietaste, [10] fazendo-me subir? Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os philisteos guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministerio dos prophetas, nem por sonhos; por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer.

16 Então disse Samuel: Porque pois a mim me perguntas, visto que o Senhor te tem desamparado, e se tem feito teu inimigo?

17 Porque o Senhor tem feito para comtigo como pela minha bocca te disse, e tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu companheiro David.

18 Como tu não déste ouvidos [11] á voz do Senhor, e não executaste o fervor da sua ira contra Amalek, por isso o Senhor te fez hoje isto.

19 E o Senhor entregará tambem a Israel comtigo na mão dos philisteos, e ámanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o Senhor entregará na mão dos philisteos.

20 E immediatamente Saul caiu estendido por terra, e grandemente temeu por causa d’aquellas palavras de Samuel: e não houve força n’elle; porque não tinha comido pão todo aquelle dia e toda aquella noite.

21 Então veiu a mulher a Saul, e, vendo que estava tão perturbado, disse-lhe: Eis que deu ouvidos a tua creada á tua voz, e puz a minha vida na minha mão, e ouvi as palavras que disseste.

22 Agora pois ouve tambem tu as palavras da tua serva, e porei um bocado de pão diante de ti, e come, para que tenhas forças para te pôres a caminho.

23 Porém elle o recusou, e disse: Não comerei. Porém os seus creados e a mulher o constrangeram; e deu ouvidos á sua voz: e levantou-se do chão, e se assentou sobre uma cama.

24 E tinha a mulher em casa uma bezerra cevada, e se apressou, e a degolou, e tomou farinha, e a amassou, e a cozeu em bolos asmos.

25 E os trouxe diante de Saul e de seus creados, e comeram: depois levantaram-se e se foram n’aquella mesma noite.

[1] cap. 29.1.

[2] cap. 25.1.

[3] ver. 9. Exo. 22.18. Lev. 19.31 e 20.27. Deu. 18.10, 11.

[4] Jos. 19.18. II Reis 4.8. cap. 31.1.

[5] Job 18.11.

[6] cap. 14.37. Pro. 1.28. Lam. 2.9. Num. 12.6. Exo. 28.30. Num. 27.21. Deu. 33.8.

[7] Deu. 18.11. I Chr. 10.13. Isa. 8.19.

[8] ver. 3.

[9] Exo. 22.28.

[10] Pro. 5.11.

[11] I Reis 20.42.

David marcha com Achis contra os israelitas.

29 E ajuntaram os philisteos todos os seus exercitos em [1] Aphek: e acamparam-se os israelitas junto á fonte que está em Jizreel.

2 E os principes dos philisteos se foram para lá com centenas e com milhares: porém David e os seus homens iam com [2] Achis na rectaguarda.

3 Disseram então os principes dos philisteos: Que fazem aqui estes hebreos? E disse Achis aos principes dos philisteos: Não é este David, o creado de Saul, rei de Israel, que esteve comigo ha alguns dias ou annos? e coisa nenhuma achei [3] n’elle desde o dia em que se revoltou, até ao dia d’hoje.

4 Porém os principes dos philisteus muito se indignaram contra elle; e disseram-lhe os principes dos philisteus: Faze voltar a este homem, [4] e torne ao seu logar em que tu o pozeste, e não desça comnosco á batalha, para que não se nos torne na batalha em adversario: porque com que aplacaria este a seu senhor? porventura não seria com as cabeças d’estes homens?

5 Não é este aquelle David, de quem uns aos outros respondiam nas danças, dizendo: Saul feriu os seus milhares, [5] porém David as suas dezenas de milhares?

6 Então Achis chamou a David e disse-lhe: Vive o Senhor, que tu és recto, e que a tua entrada e a tua saida [6] comigo no arraial é boa aos meus olhos; porque nenhum mal em ti achei, desde o dia em que a mim vieste, até ao dia d’hoje; porém aos olhos dos principes não agradas.

7 Volta pois agora, e volta em paz: para que não faças mal aos olhos dos principes dos philisteos.

8 Então David disse a Achis: Porque? que fiz? ou que achaste no teu servo, desde o dia em que estive diante de ti, até ao dia d’hoje, para que não vá e peleje contra os inimigos do rei meu senhor?

9 Respondeu porém Achis, e disse a David: Bem o sei; e que na verdade aos meus olhos és bom como [7] um anjo de Deus: porém disseram os principes dos philisteos: Não suba este comnosco á batalha.

10 Agora pois ámanhã de madrugada levanta-te com os creados de teu senhor, que teem vindo comtigo: e, levantando-vos pela manhã de madrugada, e havendo luz, parti.

11 Então David de madrugada se levantou, elle e os seus homens, para partirem pela manhã, e voltarem á terra dos philisteos: e os [8] philisteos subiram a Jizreel.

[1] cap. 4.1.

[2] cap. 28.1, 2.

[3] Dan. 6.5.

[4] I Chr. 12.19.

[5] cap. 18.7 e 21.11.

[6] II Sam. 3.25. II Reis 19.27.

[7] II Sam. 14.17 e 19.27.

[8] II Sam. 4.4.

Siclag é saqueada pelos amalekitas.

30 Succedeu pois que, chegando David e os seus homens ao terceiro dia a Siclag, [1] já os amalekitas com impeto tinham dado sobre o sul, e sobre Siclag, e tinham ferido a Siclag e a tinham queimado a fogo.

2 E as mulheres que estavam n’ella levaram captivas, porém a ninguem mataram, nem pequenos nem grandes; tão sómente os levaram comsigo, e foram pelo seu caminho.

3 E David e os seus homens vieram á cidade, e eis que estava queimada a fogo, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas eram levados captivos.

4 Então David e o povo que se achava com elle alçaram a sua voz, e choraram, até que n’elles não houve mais força para chorar.

5 Tambem as duas [2] mulheres de David foram levadas captivas; Achinoam, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.

6 E David muito se angustiou, porque o povo [3] fallava de apedrejal-o, porque o animo de todo o povo estava em amargura, cada um por causa dos seus filhos e das suas filhas: todavia David se esforçou no Senhor seu Deus.

David persegue os amalekitas e livra os captivos.

7 E disse David a Abiathar, o sacerdote, filho de Achimelech: Traze-me, peço-te, aqui o ephod. E Abiathar trouxe o ephod a David.

8 Então consultou David [4] ao Senhor, dizendo: Perseguirei eu a esta tropa? alcançal-a-hei? E o Senhor lhe disse: Persegue-a, porque decerto a alcançarás, e tudo libertarás.

9 Partiu pois David, elle e os seiscentos homens que [5] com elle se achavam, e chegaram ao ribeiro de Besor, onde os que ficaram atraz pararam.

10 E seguiu-os David, elle e os quatrocentos homens, pois que duzentos homens ficaram, por não poderem, de cançados que estavam, passar o ribeiro de Besor.

11 E acharam no campo um homem egypcio, e o trouxeram a David: deram-lhe pão, e comeu, e deram-lhe a beber agua.

12 Deram-lhe tambem um pedaço de massa de figos seccos e dois cachos de passas, e comeu, e voltou-lhe o seu espirito, porque havia tres dias e tres noites que não tinha comido pão nem bebido agua.

13 Então David lhe disse: De quem és tu, e d’onde és? E disse o moço egypcio: Sou servo d’um homem amalekita, e meu senhor me deixou, porque adoeci ha tres dias.

14 Nós démos com impeto para a banda do sul dos cherethitas, [6] e para a banda de Judah, e para a banda do sul de [7] Caleb, e pozemos fogo a Siclag.

15 E disse-lhe David: Poderias, descendo, guiar-me a essa tropa? E disse-lhe: Por Deus me jura que me não matarás, nem me entregarás na mão de meu senhor, e, descendo, te guiarei a essa tropa.

16 E, descendo, o guiou e eis que estavam espalhados sobre a face de toda a terra, comendo, e bebendo, [8] e dançando, por todo aquelle grande despojo que tomaram da terra dos philisteos e da terra de Judah.

17 E feriu-os David, desde o crepusculo até á tarde do dia seguinte, e nenhum d’elles escapou, senão só quatrocentos mancebos que, montados sobre camelos, fugiram.

18 Assim livrou David tudo quanto tomaram aos amalekitas: tambem as suas duas mulheres livrou David.

19 E ninguem lhes faltou, desde o menor até ao maior, e até os filhos e as filhas; e tambem desde o despojo até tudo quanto lhes tinham tomado, [9] tudo David tornou a trazer.

20 Tambem tomou David todas as ovelhas e vaccas, e levavam-n’as diante do outro gado, e diziam: Este é o despojo de David.

21 E, chegando David aos [10] duzentos homens que, de cançados que estavam, não poderam seguir a David, e que deixaram ficar no ribeiro de Besor, estes sairam ao encontro de David e do povo que com elle vinha: e, chegando-se David ao povo, os saudou em paz.

David estabelece a lei da divisão da presa.

22 Então todos os maus, e filhos de Belial, d’entre os homens que tinham ido com David, responderam, [11] e disseram: Visto que não foram comnosco, não lhes daremos do despojo que libertámos; mas que leve cada um sua mulher e seus filhos, e se vá.

23 Porém David disse: Não fareis assim, irmãos meus, com o que nos deu o Senhor, que nos guardou, e entregou a tropa que contra nós vinha nas nossas mãos.

24 E quem a tal vos daria ouvidos? porque qual é a parte dos que desceram á [12] peleja, tal tambem será a parte dos que ficaram com a bagagem; egualmente repartirão.

25 O que assim foi desde aquelle dia em diante, porquanto o poz por estatuto e direito em Israel até ao dia de hoje.

26 E, chegando David a Siclag, enviou do despojo aos anciãos de Judah, seus amigos, dizendo: Eis ahi para vós uma benção do despojo dos inimigos do Senhor;

27 Aos de Beth-el, e aos de Ramoth do [13] sul, e aos de Jatter,

28 E aos [14] d’Aroer, e aos de Siphmoth, e aos [15] d’Esthemoa,

29 E aos de Rachal, e aos que estavam nas cidades [16] jerahmeelitas e nas cidades dos [17] keneos,

30 E aos [18] d’Horma, e aos de Corasan, e aos d’Athak,

31 E aos [19] d’Hebron, e a todos os logares em que andara David, elle e os seus homens.

[1] cap. 15.7 e 27.8.

[2] cap. 25.42. II Sam. 2.2.

[3] Exo. 17.4. Hab. 3.17, 18.

[4] cap. 23.2, 4.

[5] ver. 21.

[6] ver. 16. II Sam. 8.18.

[7] Jos. 14.13.

[8] I The. 5.3.

[9] ver. 8.

[10] ver. 10.

[11] Deu. 13.13. Jui. 19.22.

[12] Num. 31.27. Jos. 22.8.

[13] Jos. 19.8 e 15.48.

[14] Jos. 13.16.

[15] Jos. 15.50.

[16] cap. 27.10.

[17] Jui. 1.16.

[18] Jui. 1.17.

[19] Jos. 14.13. II Sam. 2.1.

A matança dos israelitas e a morte de Saul.

31 Os philisteos, [1] pois, pelejaram contra Israel: e os homens de Israel fugiram de diante dos philisteos, e cairam atravessados [2] na montanha de Gilboa.

2 E os philisteos apertaram com Saul e seus filhos: e os philisteos mataram a Jonathan, [3] e a Abinadab, e a Malchisua, filhos de Saul.

3 E a peleja se aggravou [4] contra Saul, e os frecheiros o alcançaram; e muito temeu por causa dos frecheiros.

4 Então disse [5] Saul ao seu pagem d’armas: Arranca a tua espada, e atravessa-me com ella, para que porventura não venham estes incircumcisos, e me atravessem e escarneçam de mim. Porém o seu pagem d’armas não quiz, porque [6] temia muito: então Saul tomou a espada, e se lançou sobre ella.

5 Vendo pois o seu pagem d’armas que Saul já era morto, tambem elle se lançou sobre a sua espada, e morreu com elle.

6 Assim falleceu Saul, e seus tres filhos, e o seu pagem d’armas, e tambem todos os homens morreram juntamente n’aquelle dia.

7 E, vendo os homens d’Israel, que estavam d’esta banda do valle e d’esta banda do Jordão, que os homens d’Israel fugiram, e que Saul e seus filhos estavam mortos, desampararam as cidades, e fugiram; e vieram os philisteos, e habitaram n’ellas.

8 Succedeu pois que, vindo os philisteos ao outro dia a despojar os mortos, acharam a Saul e a seus tres filhos estirados na montanha de Gilboa.

9 E cortaram-lhe a cabeça, e o despojaram das suas armas, e enviaram pela terra dos philisteos, em redor, a annuncial-o no templo dos seus idolos e [7] entre o povo.

10 E pozeram [8] as suas armas no templo d’Astaroth, e o seu corpo o affixaram no muro de Beth-san.

11 Ouvindo então isto os [9] moradores de Jabez-gilead, o que os philisteos fizeram a Saul,

12 Todo o homem valoroso [10] se levantou, e caminharam toda a noite, e tiraram o corpo de Saul e os corpos de seus filhos do muro de Beth-san, e, vindo a Jabez, os queimaram.

13 E tomaram os seus ossos, e os sepultaram debaixo d’um [11] arvoredo, em Jabez, e jejuaram sete dias.

[1] I Chr. 10.1-12.

[2] cap. 28.4.

[3] cap. 14.49. I Chr. 8.33.

[4] II Sam. 1.6, etc.

[5] Jui. 9.54. cap. 14.6 e 17.26.

[6] II Sam. 1.14.

[7] II Sam. 1.20.

[8] cap. 21.9. Jui. 2.13. II Sam. 21.12. Jos. 17.11. Jui. 1.27.

[9] cap. 11.3, 9, 11.

[10] cap. 11.1-11. II Sam. 2.4, 7. II Chr. 16.14. Jer. 34.5. Amós 6.10.

[11] II Sam. 2.4, 5 e 21.12, 13, 14. Gen. 50.10.

O SEGUNDO LIVRO DE SAMUEL.

David mata o amalekita que lhe traz a noticia da morte de Saul.

[Antes de Christo 1056]

1 E succedeu, depois da morte de Saul, voltando David da [1] derrota dos amalekitas, e ficando David dois dias em Siclag,

2 Succedeu ao terceiro dia que eis que um homem [2] veiu do arraial de Saul com os vestidos rotos e com terra sobre a cabeça; e, succedeu que chegando elle a David, se lançou no chão, e se inclinou.

3 E David lhe disse: D’onde vens? E elle lhe disse: Escapei do exercito d’Israel.

4 E disse-lhe David: Como foi lá isso? peço-te, dize-m’o. E elle lhe respondeu: O povo fugiu da batalha, e muitos do povo cairam, e morreram, assim como tambem Saul e Jonathan, seu filho, foram mortos.

5 E disse David ao mancebo que lhe trazia as novas: Como sabes tu que Saul e Jonathan, seu filho, são mortos?

6 Então disse o mancebo que lhe dava a noticia: Cheguei por acaso [3] á montanha de Gilboa, e eis que Saul estava encostado sobre a sua lança, e eis que carros e capitães de cavallaria apertavam com elle.

7 E, olhando elle para traz de si, viu-me a mim, e chamou-me; e eu disse: Eis-me aqui.

8 E elle me disse: Quem és tu? E eu lhe disse: Sou amalekita.

9 Então elle me disse: Peço-te, arremessa-te sobre mim, e mata-me, porque angustias me teem cercado, pois toda a minha vida está ainda em mim.

10 Arremessei-me pois sobre [4] elle, e o matei, porque bem sabia eu que não viveria depois da sua queda, e tomei a corôa que tinha na cabeça, e a manilha que trazia no braço, e as trouxe aqui a meu senhor.

11 Então apanhou David os seus vestidos, e os rasgou, [5] como tambem todos os homens que estavam com elle.

12 E prantearam, e choraram, e jejuaram até á tarde por Saul, e por Jonathan, seu filho, e pelo povo do Senhor, e pela casa de Israel, porque tinham caido á espada.

13 Disse então David ao mancebo que lhe trouxera a nova: D’onde és tu? E disse elle: Sou filho de um homem estrangeiro, amalekita.

14 E David lhe disse: Como [6] não temeste tu estender a mão para matares ao ungido do Senhor?

15 Então chamou [7] David a um dos mancebos, e disse: Chega, e lança-te sobre elle. E elle o feriu, e morreu.

16 E disse-lhe David: O [8] teu sangue seja sobre a tua cabeça, porque a tua propria bocca testificou contra ti, dizendo: Eu matei o ungido do Senhor.

O pranto de David por Saul e Jonathan.

17 E lamentou David a Saul e a Jonathan, seu filho, com esta lamentação,

18 Dizendo [9] elle que ensinassem aos filhos de Judah o uso do arco: Eis que está escripto no livro do Recto:

19 Ah, ornamento d’Israel! nos teus altos fui ferido: como cairam [10] os valentes!

20 Não o noticieis [11] em Gath, não o publiqueis nas ruas d’Ascalon, para que não se alegrem as filhas dos philisteos, para que não saltem de contentamento as filhas dos incircumcisos.

21 Vós, montes de Gilboa, [12] nem orvalho, nem chuva caia sobre vós, nem sobre vós, campos de offertas alçadas, pois ahi desprezivelmente foi arrojado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, como se não fôra ungido [13] com oleo.

22 Do sangue dos feridos, da gordura dos valentes, nunca se retirou para traz o arco de Jonathan, nem voltou vazia a espada de Saul.

23 Saul e Jonathan, tão amados [14] e queridos na sua vida, tambem na sua morte se não separaram: eram mais ligeiros do que as aguias, mais [15] fortes do que os leões.

24 Vós, filhas d’Israel, chorae por Saul, que vos vestia de escarlata em delicias, que vos fazia trazer ornamentos de oiro sobre os vossos vestidos.

25 Como cairam os valentes no meio da peleja! Jonathan nos teus altos foi ferido.

26 Angustiado estou por ti, meu irmão Jonathan; quão amabilissimo me eras! mais maravilhoso me era o teu amor [16] do que o amor das mulheres.

27 Como cairam [17] os valentes, e pereceram as armas de guerra!

[1] I Sam. 30.17, 26.

[2] cap. 4.10. I Sam. 4.12.

[3] I Sam. 31.1, 2, 3, 4.

[4] Jui. 9.54.

[5] cap. 3.31 e 13.31.

[6] Num. 12.8. I Sam. 31.4 e 24.6 e 26.9.

[7] cap. 4.10, 12.

[8] I Sam. 26.9. I Reis 2.32, 33, 37. ver. 10. Luc. 19.22.

[9] I Sam. 31.3. Jos. 10.13.

[10] ver. 27.

[11] I Sam. 31.9. Miq. 1.10. Jui. 16.23 e 11.34. I Sam. 18.6 e 31.4.

[12] I Sam. 31.1. Jui. 5.23. Job 3.3, 4. Jer. 20.14.

[13] I Sam. 10.1.

[14] I Sam. 18.4.

[15] Jui. 14.18.

[16] I Sam. 18.1, 3 e 19.2 e 20.17, 41 e 23.16.

[17] ver. 19.

David é acclamado rei de Judah.

[Antes de Christo 1055]

2 E succedeu depois d’isto que David consultou [1] ao Senhor, dizendo: Subirei a alguma das cidades de Judah? E disse-lhe o Senhor: Sobe. E disse David: Para onde subirei? E disse: [2] Para Hebron.

2 E subiu David para lá, e tambem as suas duas mulheres, [3] Achinoam, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.

3 Fez tambem [4] David subir os homens que estavam com elle, cada um com a sua familia: e habitaram nas cidades de Hebron.

4 Então vieram os homens de Judah, e [5] ungiram ali a David rei sobre a casa de Judah. E deram avisos a David, dizendo: Os homens de Jabez-gilead são os que sepultaram a Saul.

5 Então enviou David mensageiros aos homens de Jabez-gilead, e disse-lhes: Bemditos [6] sejaes vós do Senhor, que fizestes tal beneficencia a vosso senhor, a Saul, e o sepultastes!

6 Agora, pois, [7] o Senhor use comvosco de beneficencia e fidelidade: e tambem eu vos farei este bem, porquanto fizestes isto.

7 Esforcem-se pois agora as vossas mãos, e sêde homens valentes, pois Saul, vosso senhor, é morto, mas tambem os da casa de Judah já me ungiram a mim rei sobre si.

Abner faz Isboseth rei de Israel.

8 Porém Abner, [8] filho de Ner, capitão do exercito de Saul, tomou a Isboseth, filho de Saul, e o fez passar a Mahanaim,

9 E o constituiu rei sobre Gilead, e sobre os assuritas, e sobre Jizreel, e sobre Ephraim, e sobre Benjamin, e sobre todo o Israel.

10 Da edade de quarenta annos era Isboseth, filho de Saul, quando começou a reinar sobre Israel, e reinou dois annos: mas os da casa de Judah seguiam a David.

11 E foi o numero dos dias que David [9] reinou em Hebron, sobre a casa de Judah, sete annos e seis mezes.

Victoria de David sobre Isboseth.

12 Então saiu Abner, filho de Ner, com os servos de Isboseth, filho de Saul, de Mahanaim a [10] Gibeon.

13 Sairam tambem Joab, filho de Zeruia, e os servos de David, e se encontraram uns com os outros perto [11] do tanque de Gibeon: e pararam estes d’esta banda do tanque, e os outros d’aquella banda do tanque.

14 E disse Abner a Joab: Deixa levantar os mancebos, e joguem diante de nós. E disse Joab: Levantem-se.

15 Então se levantaram, e passaram, por conta, doze de Benjamin, da parte d’Isboseth, filho de Saul, e doze dos servos de David.

16 E cada um lançou mão da cabeça do outro, metteu-lhe a espada pela ilharga, e cairam juntamente: d’onde se chamou áquelle logar [JU] Helkath-hazzurim, que está junto a Gibeon.

17 E seguiu-se n’aquelle dia uma crua peleja: porém Abner e os homens de Israel foram feridos diante dos servos de David.

18 E estavam ali [12] os tres filhos de Zeruia, Joab, Abisai, e Asael: e Asael era ligeiro de pés, como uma das cabras montezes que ha no campo.

19 E Asael perseguiu a Abner: e não declinou de detraz de Abner, nem para a direita nem para a esquerda.

20 E Abner, olhando para traz, disse: És tu este Asael? E disse elle: Eu sou.

21 Então lhe disse Abner: Desvia-te para a direita, ou para a esquerda, e lança mão d’um dos mancebos, e toma os seus despojos. Porém Asael não quiz desviar-se de detraz d’elle.

22 Então Abner tornou a dizer a Asael: Desvia-te de detraz de mim: porque hei de eu ferir-te e dar comtigo em terra? e como levantaria eu o meu rosto diante de Joab teu irmão?

23 Porém, não se querendo elle desviar, Abner o feriu com o conto da lança pela quinta costella, [13] e a lança lhe saiu por detraz, e caiu ali, e morreu n’aquelle mesmo logar; e succedeu que todos os que chegavam ao logar onde Asael caiu e morreu paravam.

24 Porém Joab e Abisai perseguiram a Abner: e poz-se o sol, chegando elles ao outeiro de Amma, que está diante de Giah, junto ao caminho do deserto de Gibeon.

25 E os filhos de Benjamin se ajuntaram detraz d’Abner, e fizeram um batalhão, e pozeram-se no cume d’um outeiro.

26 Então Abner gritou a Joab, e disse: Consumirá a espada para sempre? não sabes tu que por fim haverá amargura? e até quando não has de dizer ao povo que se torne de detraz de seus irmãos?

27 E disse Joab: Vive Deus, que, se não tivesses fallado, [14] já desde pela manhã o povo teria cessado cada um de perseguir a seu irmão.

28 Então Joab tocou a bozina, e todo o povo parou, e não perseguiram mais a Israel: e tão pouco pelejaram mais.

29 E caminharam Abner e os seus homens toda aquella noite pela planicie: e, passando o Jordão, caminharam por todo o Bithron, e vieram a Mahanaim.

30 Tambem Joab se tornou de detraz d’Abner, e ajuntou todo o povo: e dos servos de David faltaram dezenove homens, e Asael.

31 Porém os servos de David feriram d’entre os de Benjamin, e d’entre os homens d’Abner, a trezentos e sessenta homens, que ali ficaram mortos.

32 E levantaram a Asael, e sepultaram-n’o na sepultura de seu pae, que estava em Beth-lehem: e Joab e seus homens caminharam toda aquella noite, e amanheceu-lhes em Hebron.

[1] Jui. 1.1. I Sam. 23.2, 4, 9 e 30.7, 8.

[2] I Sam. 30.31. ver. 11. cap. 5.1, 3. I Reis 2.11.

[3] I Sam. 30.5.

[4] I Sam. 27.2, 3 e 30.1. I Sam. 12.1.

[5] ver. 11. cap. 5.5. I Sam. 31.11, 13.

[6] Ruth 2.20 e 3.10. Psa. 115.15.

[7] II Tim. 1.16, 18.

[8] I Sam. 14.50.

[9] cap. 5.5. I Reis 2.11.

[10] Jos. 18.25.

[11] Jer. 41.12.

[12] I Chr. 2.16 e 12.3. Can. 2.17 e 8.14.

[13] cap. 3.27 e 4.6 e 20.10.

[14] ver. 14. Pro. 17.14.

3 E houve uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de David: porém David se ia fortalecendo, mas os da casa de Saul se iam enfraquecendo.

Os filhos de David que nasceram em Hebron.

[Antes de Christo 1053]

2 E a David [1] nasceram filhos em Hebron: e foi o seu primogenito Amnon, de Achinoam a jizreelita;

3 E seu segundo Chileab, de Abigail, mulher de Nabal, o carmelita; e o terceiro Absalão, filho de Maaka, filha de Talmai, rei de [2] Gesur;

4 E o quarto Adonias, [3] filho d’Haggith; e o quinto Sephatias, filho d’Abital;

5 E o sexto Jithream, d’Egla, tambem mulher de David: estes nasceram a David em Hebron.

6 E, havendo guerra entre a casa de Saul, e a casa de David, succedeu que Abner se esforçava na casa de Saul.

Abner faz alliança com David.

[Antes de Christo 1048]

7 E tinha tido Saul uma concubina, cujo nome era Rispa, [4] filha de Aia: e disse Isboseth a Abner: Porque entraste á [5] concubina de meu pae?

8 Então se irou muito Abner pelas palavras de Isboseth, e disse: Sou eu cabeça de cão, [6] que pertença a Judah? ainda hoje faço beneficencia á casa de Saul, teu pae, a seus irmãos, e a seus amigos, e te não entreguei nas mãos de David, e tu hoje buscas motivo para me arguires por respeito da maldade d’uma mulher.

9 Assim faça Deus [7] a Abner, e outro tanto, que como o Senhor jurou a David assim lhe hei de fazer,

10 Transferindo o reino da casa de Saul, e levantando o throno de David sobre Israel, e sobre Judah, desde [8] Dan até Berseba.

11 E nem ainda uma palavra podia responder a Abner: porque o temia.

12 Então ordenou Abner da sua parte mensageiros a David, dizendo: De quem é a terra? E disse: Comigo faze a tua alliança, e eis que a minha mão será comtigo, para tornar a ti todo o Israel.

13 E disse David: Bem, eu farei comtigo alliança, porém uma coisa te peço, que é: não verás [9] a minha face, se primeiro me não trouxeres a Michal, filha de Saul, quando vieres ver a minha face.

14 Tambem enviou David mensageiros a Isboseth, filho de Saul, dizendo: Dá-me minha mulher Michal, que eu desposei [10] comigo por cem prepucios de philisteos.

15 E enviou Isboseth, [11] e a tirou a seu marido, a Phaltiel, filho de Lais.

16 E ia com ella seu marido, caminhando, e chorando detraz d’ella, até Baurim. [12] Então lhe disse Abner: Vae-te agora, volta. E elle voltou.

17 E praticava Abner com os anciãos de Israel, dizendo: Muito tempo ha que procuraveis que David reinasse sobre vós.

18 Fazei-o pois agora, porque o Senhor fallou [13] a David, dizendo: Pela mão de David meu servo livrarei o meu povo das mãos dos philisteos e das mãos de todos os seus inimigos.

19 E fallou tambem Abner o mesmo aos ouvidos de Benjamin: [14] e foi tambem Abner dizer aos ouvidos de David, em Hebron, tudo o que era bom aos olhos de Israel e aos olhos de toda a casa de Benjamin.

20 E veiu Abner a David, a Hebron, e vinte homens com elle: e David fez um banquete a Abner e aos homens que com elle vinham.

21 Então disse Abner a David: Eu me levantarei, e irei, e ajuntarei [15] ao rei meu senhor todo o Israel, para fazerem alliança comtigo; e tu reinarás sobre tudo o que [16] desejar a tua alma. Assim despediu David a Abner, e foi-se elle em paz.

Joab mata Abner á traição.

22 E eis que os servos de David e Joab vieram d’uma sortida, e traziam comsigo grande despojo; e já Abner não estava com David em Hebron, porque o tinha despedido, e se tinha ido em paz.

23 Chegando pois Joab, e todo o exercito que vinha com elle, deram aviso a Joab, dizendo: Abner, filho de Ner, veiu ao rei, e o despediu, e foi-se em paz.

24 Então Joab entrou ao rei, e disse: Que fizeste? eis que Abner veiu ter comtigo; porque pois o despediste, de maneira que se fosse assim livremente?

25 Bem conheces a Abner, filho de Ner, que te veiu enganar, e saber a tua saida [17] e a tua entrada, e entender tudo quanto fazes.

26 E Joab, retirando-se de David, enviou mensageiros atraz d’Abner, e o fizeram voltar desde o poço de Sira, sem que David o soubesse.

27 Tornando pois Abner a Hebron, Joab o tirou á parte, á entrada da porta, [18] para lhe fallar em segredo: e feriu-o ali pela quinta costella, e morreu, por causa do sangue de Asael seu irmão.

28 O que David depois ouvindo, disse: Innocente sou eu, e o meu reino, para com o Senhor, para sempre, do sangue d’Abner, filho de Ner.

29 Fique-se [19] sobre a cabeça de Joab e sobre toda a casa de seu pae, e nunca da casa de Joab falte quem tenha fluxo, nem quem seja [20] leproso, nem quem se atenha a bordão, nem quem caia á espada, nem quem necessite de pão.

30 Joab pois e Abisai, seu irmão, mataram a Abner, por ter morto a Asael, seu irmão, [21] na peleja em Gibeon.

David lamenta a morte de Abner.

31 Disse pois David a Joab, e a todo o povo que com elle estava: Rasgae os vossos vestidos; [22] e cingi-vos de saccos e ide pranteando diante de Abner. E o rei David ia seguindo o feretro.

32 E, sepultando a Abner em Hebron, o rei levantou a sua voz, e chorou junto da sepultura de Abner; e chorou todo o povo.

33 E o rei, pranteando a Abner, disse: Não morreu Abner como [23] morre o vilão?

34 As tuas mãos não estavam atadas, nem os teus pés carregados de grilhões de bronze, mas caiste como os que caem diante dos filhos da maldade! Então todo o povo chorou muito mais por elle.

35 Então todo o povo veiu fazer que David comesse pão, sendo ainda dia, porém David jurou, [24] dizendo: Assim Deus me faça, e outro tanto, se, antes que o sol se ponha, eu provar pão ou alguma coisa.

36 O que todo o povo entendendo, pareceu bem aos seus olhos, assim como tudo quanto o rei fez pareceu bem aos olhos de todo o povo.

37 E todo o povo e todo o Israel entenderam n’aquelle mesmo dia que não procedera do rei que matassem a Abner, filho de Ner.

38 Então disse o rei aos seus servos: Não sabeis que hoje caiu em Israel um principe e um grande?

39 Que eu ainda sou tenro, ainda que ungido rei; estes homens, filhos de Zeruia, são [JV] mais [25] duros do que eu: o Senhor pagará ao malfeitor, conforme a sua maldade.

[1] I Chr. 3.1-4. I Sam. 25.43.

[2] I Sam. 27.8. cap. 13.37.

[3] I Reis 1.5.

[4] cap. 21.8, 10.

[5] cap. 16.21.

[6] Deu. 23.18. I Sam. 24.14. cap. 9.8 e 16.9.

[7] Ruth 1.17. I Reis 19.2. I Sam. 15.28 e 16.1, 12 e 28.17. I Chr. 12.23.

[8] Jui. 20.1. cap. 17.11. I Reis 4.25.

[9] Gen. 43.3. I Sam. 18.20.

[10] I Sam. 18.25, 27.

[11] I Sam. 25.44.

[12] cap. 19.16.

[13] ver. 9.

[14] I Chr. 12.29.

[15] ver. 10, 12.

[16] I Reis 11.37.

[17] I Sam. 29.6. Isa. 37.28.

[18] I Reis 2.5. cap. 20.9, 10 e 4.6 e 2.23.

[19] I Reis 2.32, 33.

[20] Lev. 15.2.

[21] cap. 2.23.

[22] Jos. 7.6. cap. 1.2, 11. Gen. 37.34.

[23] cap. 13.12, 13.

[24] cap. 12.17. Jer. 16.7. Ruth 1.17. cap. 1.12.

[25] cap. 19.7. I Reis 2.5, 6, 33, 34.

Dois servos de Isboseth o matam e trazem a cabeça a David.

4 Ouvindo pois o filho de Saul que Abner morrera em Hebron, as mãos se lhe afrouxaram: [1] e todo o Israel pasmou.

2 E tinha o filho de Saul dois homens capitães de tropas: e era o nome d’um Baena, e o nome do outro Rekab, filhos de Rimmon, o beerothita, dos filhos de Benjamin, porque tambem Beeroth se reputava [2] de Benjamin.

3 E tinham fugido os beerothitas para [3] Gittaim, e ali tinham peregrinado até ao dia de hoje.

4 E Jonathan, [4] filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés: era da edade de cinco annos quando as novas de Saul e Jonathan vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu: e succedeu que, apressando-se ella a fugir, elle caiu, e ficou côxo; e o seu nome era Mephiboseth.

5 E foram os filhos de Rimmon, o beerothita, Rekab e Baena, e entraram em casa de Isboseth no maior calor do dia, estando elle deitado a dormir, ao meio dia.

6 E ali entraram até ao meio da casa, como que vindo tomar trigo, e o feriram na quinta costella: e Rekab e Baena, seu irmão, [5] escaparam;

7 Porque entraram na sua casa, estando elle na cama deitado, na sua recamara, e o feriram, e o mataram, e lhe cortaram a cabeça; e, tomando a sua cabeça, andaram toda a noite caminhando pela planicie.

8 E trouxeram a cabeça d’Isboseth a David, a Hebron, e disseram ao rei: Eis aqui a cabeça de Isboseth, filho de Saul, teu inimigo, que te procurava [6] a morte: assim o Senhor vingou hoje ao rei meu senhor de Saul e da sua semente.

9 Porém David, respondendo a Rekab e a Baena, seu irmão, filhos de Rimmon, o beerothita, disse-lhes: Vive o Senhor, que remiu [7] a minha alma de toda a angustia,

10 Que, pois se áquelle [8] que me trouxe novas (dizendo: Eis que Saul morto é, parecendo-lhe porém aos seus olhos que era como quem trazia boas novas), eu logo lancei mão d’elle, e o matei em Siclag, cuidando elle que eu por isso lhe désse alviçaras;

11 Quanto mais a impios homens, que mataram um homem justo em sua casa, sobre a sua cama: agora, pois, não requereria [9] eu o seu sangue de vossas mãos, e não vos exterminaria da terra?

12 E deu David ordem [10] aos seus mancebos que os matassem: e cortaram-lhes os pés e as mãos, e os penduraram sobre o tanque de Hebron: tomaram porém a cabeça d’Isboseth, e a sepultaram na sepultura [11] de Abner, em Hebron.

[1] Esd. 4.4. Isa. 13.7. Mat. 2.3.

[2] Jos. 18.25.

[3] Neh. 11.33.

[4] cap. 9.3. I Sam. 29.1, 11.

[5] cap. 2.23.

[6] I Sam. 19.2, 10, 11 e 23.15 e 25.29.

[7] Gen. 48.16. I Reis 1.29.

[8] cap. 1.2, 4, 15.

[9] Gen. 9.5, 6.

[10] cap. 1.15.

[11] cap. 3.32.

David é constituido rei de todo o Israel.

[Antes de Christo 1043]

5 Então [1] todas as tribus d’Israel vieram a David, a Hebron, e fallaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos.

2 E tambem d’antes, sendo Saul ainda [2] rei sobre nós, eras tu o que sahias e entravas com Israel; e tambem o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo d’Israel, [3] e tu serás chefe sobre Israel.

3 Assim pois todos [4] os anciãos d’Israel vieram ao rei, a Hebron; e o rei David fez com elles alliança em Hebron, perante o Senhor: e ungiram a David rei sobre Israel.

4 Da edade de trinta annos era David quando começou a [5] reinar: quarenta annos reinou.

5 Em Hebron reinou sobre Judah sete annos [6] e seis mezes, e em Jerusalem reinou trinta e tres annos sobre todo o Israel e Judah.

6 E partiu o rei com os seus homens a Jerusalem, [7] contra os jebuseos que habitavam n’aquella terra; e fallaram a David, dizendo: Não entrarás aqui, que os cegos e os côxos te rechaçaram d’aqui (querendo dizer: Não entrará David aqui).

7 Porém David tomou a fortaleza de Sião: esta [8] é a cidade de David.

8 Porque David disse n’aquelle dia: Qualquer que ferir aos jebuseos, e chegar ao canal, e aos côxos e aos cegos, que [9] a alma de David aborrece, será cabeça e capitão. Por isso se diz: Nem cego nem côxo entrará n’esta casa.

9 Assim habitou David na fortaleza, e a chamou [10] a cidade de David: e David foi edificando em redor, desde Millo até dentro.

10 E David se ia cada vez mais augmentando e crescendo, porque o Senhor Deus dos exercitos era com elle.

11 E Hirão, [11] rei de Tyro, enviou mensageiros a David, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros: edificaram a David uma casa.

12 E entendeu David que o Senhor o confirmara rei sobre Israel, e que exaltara o seu reino por amor do seu povo.

Os filhos de David que nasceram em Jerusalem.

13 E tomou [12] David mais concubinas e mulheres de Jerusalem, depois que viera de Hebron: e nasceram a David mais filhos e filhas.

14 E estes [13] são os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalem: Sammua, e Sobab, e Nathan, e Salomão,

15 E Ibhar, e Elisua, e Nepheg, e Japhia,

16 E Elisama, e Eliada, e Eliphelet.

17 Ouvindo [14] pois os philisteos que haviam ungido a David rei sobre Israel, todos os philisteos subiram em busca de David: o que ouvindo David, desceu á fortaleza.

18 E os philisteos vieram, e se estenderam pelo valle [15] de Rephaim.

19 E David consultou [16] ao Senhor, dizendo: Subirei contra os philisteos? entregar-m’os-has nas minhas mãos? E disse o Senhor a David: Sobe, porque certamente entregarei os philisteos nas tuas mãos.

20 Então veiu David a Baal-perasim; [17] e feriu-os ali David, e disse: Rompeu o Senhor a meus inimigos diante de mim, como quem rompe aguas. Por isso chamou o nome d’aquelle logar Baal-perasim.

21 E deixaram [18] ali os seus idolos; e David e os seus homens os tomaram.

22 E os philisteos tornaram a subir, e se estenderam pelo valle de Rephaim.

23 E David consultou [19] ao Senhor, o qual disse: Não subirás: mas rodeia por detraz d’elles, e virás a elles por defronte das amoreiras.

24 E ha de ser que, ouvindo tu um estrondo [20] de marcha pelas copas das amoreiras, então te apressarás: porque o Senhor saiu então [21] diante de ti, a ferir o arraial dos philisteos.

25 E fez David assim como o Senhor lhe tinha ordenado: e feriu os philisteos desde Gibeah, [22] até chegar a Gezer.

[1] I Chr. 11.1 e 12.23. Gen. 29.14.

[2] I Sam. 18.13.

[3] I Sam. 16.1, 2. Psa. 78.70. cap. 7.7.

[4] I Chr. 11.3. II Reis 11.17. Jui. 11.11. I Sam. 23.18.

[5] I Chr. 26.31 e 29.27.

[6] cap. 2.11. I Chr. 3.4.

[7] Jui. 1.21. Jos. 15.63. Jui. 1.8 e 19.11, 12.

[8] ver. 9. I Reis 2.10 e 8.1.

[9] I Chr. 11.6-9.

[10] ver. 7.

[11] I Reis 5.2. I Chr. 14.1.

[12] Deu. 17.17. I Chr. 3.9 e 14.3.

[13] I Chr. 3.5 e 14.4.

[14] I Chr. 11.16 e 14.8. cap. 23.14.

[15] Jos. 15.8. Isa. 17.5.

[16] I Sam. 23.2, 4 e 30.8. cap. 2.1.

[17] Isa. 28.21.

[18] Deu. 7.5, 25. I Chr. 14.12.

[19] ver. 19.

[20] II Reis 7.6.

[21] Jui. 4.14.

[22] I Chr. 14.16. Jos. 16.10.

David traz a arca para Jerusalem.

[Antes de Christo 1042]

6 E tornou David a ajuntar todos os escolhidos de Israel, em numero de trinta mil.

2 E levantou-se [1] David, e partiu com todo o povo que tinha comsigo de Baalim de Judah, para levarem d’ali para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o nome, o nome do Senhor dos exercitos, que se [2] assenta entre os cherubins.

3 E puzeram a arca de Deus em um [3] carro novo, e a levaram da casa de Abinadab, que está em Gibeah: e Uza e Ahio, filhos de Abinadab, guiavam o carro novo.

4 E levando-o da casa [4] d’Abinadab, que está em Gibeah, com a arca de Deus, Ahio ia diante da arca.

5 E David, e toda a casa de Israel, fazia alegrias perante o Senhor, com toda a sorte de instrumentos de pau de faia: como com harpas, e com psalterios, e com tamboris, e com pandeiros, e com cymbalos.

6 E, chegando [5] á eira de Nachon, estendeu Uza a mão á arca de Deus, e teve mão n’ella; porque os bois a deixavam pender.

7 Então a ira do Senhor se accendeu contra Uza, e Deus o feriu [6] ali por esta imprudencia: e morreu ali junto á arca de Deus.

8 E David se contristou, porque o Senhor abrira rotura em Uza; e chamou aquelle logar [JW] Peres-uza, até ao dia d’hoje.

9 E temeu [7] David ao Senhor n’aquelle dia; e disse: Como virá a mim a arca do Senhor?

10 E não quiz David retirar a si a arca do Senhor á cidade de David; mas David a fez levar á casa [8] de Obed-edom, o getheo.

11 E ficou a arca do Senhor em casa d’Obed-edom, o getheo, [9] tres mezes: e abençoou [10] o Senhor a Obed-edom, e a toda a sua casa.

12 Então avisaram a David, dizendo: Abençoou o Senhor a casa d’Obed-edom, e tudo quanto tem, por amor da arca de Deus; [11] foi pois David, e trouxe a arca de Deus para cima, da casa de Obed-edom, á cidade de David, com alegria.

13 E succedeu que, quando os que levavam a [12] arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava bois e carneiros cevados.

14 E David saltava [13] com todas as suas forças diante do Senhor: e estava David cingido d’um ephod de linho.

15 Assim subindo, levavam David [14] e todo o Israel a arca do Senhor, com jubilo, e ao som das trombetas.

16 E succedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de David, [15] Michal, a filha de Saul, estava olhando pela janella: e, vendo ao rei David, que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração.

17 E introduzindo [16] a arca do Senhor, a puzeram no seu logar, na tenda que David lhe armara: e offereceu David holocaustos e offertas pacificas perante o Senhor.

18 E acabando David de offerecer os holocaustos e offertas pacificas, abençoou [17] o povo em nome do Senhor dos exercitos.

19 E repartiu [18] a todo o povo, e a toda a multidão de Israel, desde os homens até ás mulheres, a cada um, um bolo de pão, e um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então foi-se todo o povo, cada um para sua casa.

20 E, voltando David para abençoar a sua casa, Michal, a filha de Saul, saiu a encontrar-se com David, e disse: Quão honrado foi o rei d’Israel, descobrindo-se [19] hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre qualquer dos vadios.

21 Disse porém David a Michal: Perante o Senhor, [20] que me escolheu a mim antes do que a teu pae, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel: perante o Senhor tenho feito alegrias.

22 E ainda mais do que isto me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos: e das servas, de quem fallaste, d’ellas serei honrado.

23 E Michal, a filha de Saul, [21] não teve filhos, até ao dia da sua morte.

[1] I Chr. 13.5, 6.

[2] I Sam. 4.4.

[3] Num. 7.9. I Sam. 6.7.

[4] I Sam. 7.1.

[5] I Chr. 13.9. Num. 4.15.

[6] I Sam. 6.19.

[7] Luc. 5.8, 9.

[8] I Chr. 13.13.

[9] I Chr. 13.14.

[10] Gen. 30.27 e 39.5.

[11] I Chr. 15.25.

[12] Num. 4.15. Jos. 3.3. I Chr. 15.2, 15. I Reis 8.5. I Chr. 15.26.

[13] Exo. 15.20. I Sam. 2.18. I Chr. 15.27.

[14] I Chr. 15.28.

[15] I Chr. 15.29.

[16] I Chr. 16.1 e 15.1. I Reis 8.5, 62, 63.

[17] I Reis 8.55. I Chr. 16.2.

[18] I Chr. 16.3.

[19] ver. 14, 16. I Sam. 19.24. Jui. 9.4.

[20] I Sam. 13.14 e 15.28.

[21] I Sam. 15.35. Isa. 22.14. Mat. 1.25.

David deseja edificar um templo ao Senhor.

7 E Succedeu que, [1] estando o rei David em sua casa, e que o Senhor lhe tinha dado descanço de todos os seus inimigos em redor:

2 Disse o rei ao propheta Nathan: Ora olha, eu moro em casa de [2] cedros, e a arca de Deus mora dentro de cortinas.

3 E disse Nathan ao rei: Vae, e faze tudo quanto está no teu coração; porque [3] o Senhor é comtigo.

4 Porém succedeu n’aquella mesma noite, que a palavra do Senhor veiu a Nathan, dizendo:

5 Vae, e dize a meu servo, a David: Assim diz o Senhor: Edificar-me-hias [4] tu casa para minha habitação?

6 Porque em casa nenhuma habitei desde o [5] dia em que fiz subir os filhos de Israel do Egypto até _ao dia d’_hoje: mas andei em tenda e em tabernaculo.

7 E em todo o logar em que andei [6] com todos os filhos d’Israel, fallei porventura alguma palavra com alguma das tribus d’Israel, a quem mandei apascentar [7] o meu povo d’Israel, dizendo: Porque me não edificaes uma casa de cedros?

8 Agora, pois, assim dirás ao meu servo, a David: Assim diz o Senhor dos exercitos: Eu te tomei [8] da malhada detraz das ovelhas, para que fosses o chefe sobre o meu povo, sobre Israel.

9 E fui comtigo, [9] por onde quer que foste, e destrui a teus inimigos diante de ti: e fiz para ti um grande [10] nome, como o nome dos grandes que ha na terra.

10 E prepararei logar para o meu povo, para Israel, e o plantarei, [11] para que habite no seu logar e não mais seja movido, e nunca mais os filhos de perversidade o afflijam, como d’antes,

11 E desde o dia [12] em que mandei, que houvesse juizes sobre o meu povo Israel: a ti porém te dei descanço de todos os teus inimigos: tambem o Senhor te faz saber que o Senhor te fará casa.

12 Quando teus dias forem completos, [13] e vieres a dormir com teus paes, então farei levantar depois de ti a tua semente, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino.

13 Este edificará [14] uma casa ao meu nome, e confirmarei o throno do seu reino para sempre.

14 Eu lhe serei por pae, [15] e elle me será por filho: e, se vier a transgredir, castigal-o-hei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.

15 Mas a minha benignidade se não apartará d’elle; como [16] a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.

16 Porém a tua casa [17] e o teu reino será affirmado para sempre diante de ti: teu throno será firme para sempre.

17 Conforme a todas estas palavras, e conforme a toda esta visão, assim fallou Nathan a David.

18 Então entrou o rei David, e ficou perante o Senhor, e disse: Quem sou eu, [18] Senhor JEHOVAH, e qual é a minha casa, que me trouxeste até aqui?

19 E ainda foi isto [19] pouco aos teus olhos, Senhor JEHOVAH, senão que tambem fallaste da casa de teu servo para tempos distantes: é isto [JX] o costume dos homens, ó Senhor JEHOVAH?

20 E que mais te fallará ainda David? pois tu conheces bem [20] a teu servo, ó Senhor JEHOVAH.

21 Por causa da tua palavra, e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza: fazendo-a saber a teu servo.

22 Portanto, grandioso és, ó Senhor JEHOVAH, [21] porque não ha similhante a ti, e não ha outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos.

23 E quem [22] ha como o teu povo, como Israel, gente unica na terra? a quem Deus foi resgatar para seu povo; e a fazer-se nome, e a fazer-vos estas grandes e terriveis coisas á tua terra, diante do teu povo, que tu resgataste do Egypto, desterrando as nações e a seus deuses.

24 E confirmaste [23] a teu povo Israel por teu povo para sempre, e tu, Senhor, te fizeste o seu Deus.

25 Agora, pois, ó Senhor JEHOVAH, esta palavra que fallaste ácerca de teu servo e ácerca da sua casa, confirma-a para sempre, e faze como tens fallado.

26 E engrandeça-se o teu nome para sempre, para que se diga: O Senhor dos exercitos é Deus sobre Israel; e a casa de teu servo será confirmada diante de ti.

27 Pois tu, Senhor dos exercitos, Deus d’Israel, revelaste aos ouvidos de teu servo, dizendo: Edificar-te-hei casa. Portanto o teu servo achou no seu coração o fazer-te esta oração.

28 Agora, pois, Senhor JEHOVAH, tu és o mesmo Deus, e as tuas palavras serão verdade, [24] e tens fallado a teu servo este bem.

29 Sejas pois agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor JEHOVAH, disseste; e com a tua benção será para sempre [25] bemdita a casa de teu servo.

[1] I Chr. 17.1, etc.

[2] cap. 5.11. Act. 7.46.

[3] I Reis 8.17, 18. I Chr. 22.7 e 28.2.

[4] I Reis 5.3 e 8.19. I Chr. 22.8 e 28.3.

[5] I Reis 8.16. Exo. 40.18, 19, 34.

[6] Lev. 26.11, 12. Deu. 23.14.

[7] cap. 5.2. Mat. 2.6. Act. 20.28.

[8] I Sam. 16.11, 12.

[9] I Sam. 18.14. cap. 5.10 e 8.6, 14. I Sam. 31.6. Psa. 89.24.

[10] Gen. 12.2.

[11] Jer. 24.6. Amós 9.15.

[12] Jui. 2.14, 15, 16. I Sam. 12.9, 11. ver. 1. Exo. 1.21. ver. 27. I Reis 11.38.

[13] I Reis 2.1. Deu. 31.16. I Reis 1.21. Act. 13.36. I Reis 11.38.

[14] I Reis 5.5 e 6.12 e 8.19. I Chr. 22.10 e 28.6. ver. 16.

[15] Psa. 89.27, 28. Heb. 1.5.

[16] I Sam. 15.23 e 16.14. I Reis 11.13, 34.

[17] ver. 13. Psa. 89.37, 38. João 12.34.

[18] Gen. 32.10.

[19] ver. 12, 13. Isa. 55.8.

[20] Gen. 18.19.

[21] I Chr. 16.25. II Chr. 2.5. Jer. 10.6. Deu. 3.24 e 4.35 e 32.39. I Sam. 2.2. Isa. 45.5, 18, 22.

[22] Deu. 4.7, 32, 34 e 33.29. Psa. 148.20. Deu. 9.26. Neh. 1.10.

[23] Deu. 26.18.

[24] João 17.17.

[25] cap. 22.51.

As victorias de David sobre varias nações.

[Antes de Christo 1040]

8 E Succedeu depois [1] d’isto que David feriu os philisteos, e os sujeitou: e David tomou a [JY] Metheg-ammah das mãos dos philisteos.

2 Tambem feriu [2] os moabitas, e os mediu com cordel, fazendo-os deitar por terra, e os mediu com dois cordeis para os matar, e com um cordel inteiro para os deixar em vida: ficaram assim os moabitas por servos [3] de David, trazendo presentes.

3 Feriu tambem David a Hadadezer, filho de Rechob, rei de Zoba, indo [4] elle a virar a sua mão para o rio Euphrates.

4 E tomou-lhe David mil e seiscentos cavalleiros e vinte mil homens de pé: e David jarretou [5] a todos os cavallos dos carros, e reservou d’elles cem carros.

5 E vieram [6] os syros de Damasco a soccorrer a Hadadezer, rei de Zoba: porém David feriu dos syros vinte e dois mil homens.

6 E David poz guarnições em Syria de Damasco, e os syros ficaram por servos de [7] David, trazendo presentes: e o Senhor guardou a David por onde quer que ia.

7 E David tomou [8] os escudos de oiro que havia com os servos de Hadadezer, e os trouxe a Jerusalem.

8 Tomou mais o rei David uma quantidade mui grande de bronze de Betah e de Berothai, cidades de Hadadezer.

9 Ouvindo então Toi, rei de Hamath, que David ferira a todo o exercito de Hadadezer,

10 Mandou Toi seu filho Joram [9] ao rei David, para lhe perguntar como estava, e para lhe dar os parabens por haver pelejado contra Hadadezer, e por o haver ferido (porque Hadadezer de continuo fazia guerra a Toi); e na sua mão trazia vasos de prata, e vasos de oiro, e vasos de bronze,

11 Os quaes tambem o rei David [10] consagrou ao Senhor, juntamente com a prata e oiro que já havia consagrado de todas as nações que sujeitara,

12 De Syria, e de Moab, e dos filhos d’Ammon, e dos philisteos, e d’Amalek, e dos despojos de Hadadezer, filho de Rechob, rei de Zoba.

13 Tambem David ganhou nome, voltando elle de ferir os syros no valle do sal, a saber, [11] a dezoito mil.

14 E poz guarnições em Edom, em todo o Edom poz guarnições, e todos os idumeos [12] ficaram por servos de David: e o Senhor ajudava a David por onde quer que ia.

15 Reinou pois David sobre todo o Israel: e David fazia direito e justiça a todo o seu povo.

16 E Joab, [13] filho de Zeruia, era sobre o exercito; e Josaphat, filho de Ahilud, era chronista.

17 E Zadok, [14] filho de Ahitub, e Ahimelek, filho de Abiathar, eram sacerdotes, e Seraias escrivão,

18 Tambem Benaia, filho de Joiada, estava [15] com os cheretheos e peletheos: porém os filhos de David eram [JZ] principes.

[1] I Chr. 18.1, etc.

[2] Num. 24.17.

[3] ver. 6, 14. I Sam. 10.27.

[4] cap. 10.6. Gen. 15.18.

[5] Jos. 11.6, 9.

[6] I Reis 11.23, 24, 25.

[7] ver. 2, 14. cap. 7.9.

[8] I Reis 10.16.

[9] I Chr. 18.10.

[10] I Reis 7.51. I Chr. 18.11 e 26.26.

[11] I Chr. 18.12.

[12] Gen. 27.29, 37, 40. Num. 24.18. ver. 6.

[13] cap. 19.13 e 20.23. I Chr. 11.6 e 18.15. I Reis 4.3.

[14] I Chr. 24.3.

[15] I Chr. 18.17. I Sam. 30.14.

A bondade de David para com o filho de Jonathan.

9 E disse David: Ha ainda alguem que ficasse da casa de Saul, para que lhe faça beneficencia [1] por amor de Jonathan?

2 E havia um servo na casa de Saul cujo nome era Ziba: [2] e o chamaram que viesse a David, e disse-lhe o rei: És tu Ziba? E elle disse: Servo teu.

3 E disse o rei: Não ha ainda algum da casa de Saul para que use com elle de [3] beneficencia de Deus? Então disse Ziba ao rei: Ainda ha um filho de Jonathan, aleijado de ambos os pés.

4 E disse-lhe o rei: Onde está? E disse Ziba ao rei: Eis que está em casa de [4] Machir, filho d’Ammiel, em Lo-debar.

5 Então mandou o rei David, e o tomou da casa de Machir, filho d’Ammiel, de Lo-debar.

6 E entrando Mephiboseth, filho de Jonathan, o filho de Saul, a David, se prostrou com o rosto por terra e se inclinou; e disse David: Mephiboseth! E elle disse: Eis aqui teu servo.

7 E disse-lhe David: Não temas, porque [5] decerto usarei comtigo de beneficencia por amor de Jonathan, teu pae, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pae, e tu de continuo comerás pão á minha mesa.

8 Então se inclinou, e disse: Quem é teu servo, para tu teres olhado para um [6] cão morto tal como eu?

9 Então chamou David a Ziba, moço de Saul, e disse-lhe: Tudo o que pertencia a Saul, e de toda a sua casa, tenho dado [7] ao filho de teu senhor.

10 Trabalhar-lhe-heis pois a terra, tu e teus filhos, e teus servos, e recolherás os fructos, para que o filho de teu senhor tenha pão que coma, e Mephiboseth, filho de teu senhor, de continuo comerá [8] pão á minha mesa. E tinha Ziba quinze filhos [9] e vinte servos.

11 E disse Ziba ao rei: Conforme a tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim fará teu servo; porém Mephiboseth comerá á minha mesa como um dos filhos do rei.

12 E tinha Mephiboseth um filho pequeno, cujo nome era [10] Mica: e todos quantos moravam em casa de Ziba eram servos de Mephiboseth.

13 Morava pois Mephiboseth em Jerusalem, porquanto de continuo comia á mesa do rei, [11] e era côxo de ambos os pés.

[1] I Sam. 18.3 e 20.14, 15, 16, 17, 42. Pro. 27.10.

[2] cap. 16.1 e 19.17, 29.

[3] I Sam. 20.14. cap. 4.4.

[4] cap. 17.27.

[5] ver. 1, 3.

[6] I Sam. 24.14. cap. 16.9.

[7] cap. 16.4 e 19.29.

[8] ver. 7, 11, 13. cap. 19.28.

[9] cap. 19.17.

[10] I Chr. 8.34.

[11] ver. 7, 10 e 3.

David derrota os ammonitas e os syros.

[Antes de Christo 1037]

10 E aconteceu depois d’isto que morreu o rei dos filhos de Ammon, [1] e seu filho Hanun reinou em seu logar.

2 Então disse David: Usarei de beneficencia com Hanun, filho de Nahas, como seu pae usou de beneficencia comigo. E enviou David a consolal-o, pelo ministerio de seus servos, ácerca de seu pae: e vieram os servos de David á terra dos filhos de Ammon.

3 Então disseram os principes dos filhos d’Ammon a seu senhor, Hanun: Porventura honra David a teu pae aos teus olhos, porque te enviou consoladores? porventura não te enviou David os seus servos para reconhecerem esta cidade, e para espial-a, e para transtornal-a?

4 Então tomou Hanun os servos de David, e lhes rapou metade da barba, e lhes cortou metade dos vestidos, até ás nadegas, [2] e os despediu.

5 O que fazendo saber a David, enviou a encontral-os; porque estavam estes homens sobremaneira envergonhados; e disse o rei: Deixae-vos estar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba; e então vinde.

6 Vendo pois os filhos de Ammon, que se tinham feito abominaveis [3] para David, enviaram os filhos d’Ammon, e alugaram dos syros de Beth-rechob e dos syros de Zoba vinte mil homens de pé, e do rei de Maaca mil homens e dos homens de Tob doze mil homens.

7 O que ouvindo David, enviou a [4] Joab e a todo o exercito dos valentes.

8 E sairam os filhos d’Ammon, e ordenaram a batalha á entrada da porta: mas os syros de Zoba e [5] Rechob, e os homens de Tob e Maaca estavam á parte no campo.

9 Vendo pois Joab que estava preparada contra elle a frente da batalha, por diante e por detraz, escolheu d’entre todos os escolhidos de Israel, e formou-os em linha contra os syros.

10 E o resto do povo entregou na mão de Abisai seu irmão, o qual formou em linha contra os filhos de Ammon.

11 E disse: Se os syros forem mais fortes do que eu, tu me virás em soccorro; e, se os filhos de Ammon forem mais fortes do que tu, irei a soccorrer-te a ti.

12 Esforça-te, pois, [6] e esforcemo-nos pelo nosso povo, e pelas cidades de nosso Deus: e faça o Senhor então o que bem parecer aos seus olhos.

13 Então se achegou Joab, e o povo que estava com elle, á peleja contra os syros; e fugiram de diante d’elle.

14 E, vendo os filhos d’Ammon que os syros fugiam, tambem elles fugiram de diante de Abisai, e entraram na cidade: e voltou Joab dos filhos d’Ammon, e veiu para Jerusalem.

15 Vendo pois os syros que foram feridos diante d’Israel, tornaram a refazer-se.

16 E enviou Hadadezer, e fez sair os syros que estavam da outra banda do rio, e vieram a Helam: e Sobach, chefe do exercito de Hadadezer, marchava diante d’elles.

17 Do que informado David, ajuntou a todo o Israel, e passou o Jordão, e veiu a Helam: e os syros se pozeram em ordem contra David, e pelejaram com elle.

18 Porém os syros fugiram de diante de Israel, e David feriu d’entre os syros aos homens de setecentos carros, e quarenta mil homens de cavallo: [7] tambem ao mesmo Sobach, general do exercito, feriu, e morreu ali.

19 Vendo pois todos os reis, servos de Hadadezer, que foram feridos diante de Israel, [8] fizeram paz com Israel, e o serviram: e temeram os syros de soccorrer mais aos filhos de Ammon.

[1] I Chr. 19.1, etc.

[2] Isa. 20.4 e 47.2.

[3] Gen. 24.30. Exo. 5.21. I Sam. 13.4. cap. 8.3, 5.

[4] cap. 23.8.

[5] ver. 6.

[6] Deu. 31.6. I Sam. 4.9. I Cor. 16.13. I Sam. 3.18.

[7] I Chr. 19.18.

[8] cap. 8.6.

David commette um adulterio e um homicidio.

[Antes de Christo 1035]

11 E aconteceu que, tendo decorrido um anno, no tempo em que os reis saem, enviou [1] David a Joab, e a seus servos com elle, e a todo o Israel, para que destruissem os filhos de Ammon, e cercassem a Rabba; porém David ficou em Jerusalem.

2 E aconteceu á hora da tarde que David se levantou do seu leito, e andava passeando [2] no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando: e era esta mulher mui formosa á vista.

3 E enviou David, e perguntou por aquella mulher: e disseram: Porventura não é esta Bathseba, filha d’Eliam, mulher [3] de Urias, o hetheo?

4 Então enviou David mensageiros, e a mandou trazer; e, entrando ella a elle, se deitou [4] com ella (e já ella se tinha purificado da sua immundicia): então voltou ella para sua casa.

5 E a mulher concebeu; e enviou, e fel-o saber a David, e disse: Prenhe estou.

6 Então enviou David a Joab, dizendo: Envia-me Urias o hetheo. E Joab enviou Urias a David.

7 Vindo pois Urias a elle, perguntou David como ficava Joab, e como ficava o povo, e como ia a guerra.

8 Depois disse David a Urias: Desce a tua casa, e lava [5] os teus pés. E, saindo Urias da casa real, logo saiu atraz d’elle iguaria do rei.

9 Porém Urias se deitou á porta da casa real, com todos os servos do seu senhor: e não desceu á sua casa.

10 E o fizeram saber a David, dizendo: Urias não desceu a sua casa. Então disse David a Urias: Não vens tu d’uma jornada? Porque não desceste a tua casa?

11 E disse Urias a David: [6] A arca, e Israel, e Judah ficam em tendas; e Joab meu senhor e os servos de meu senhor estão acampados no campo; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa.

12 Então disse David a Urias: Fica cá ainda hoje, e ámanhã te despedirei. Urias pois ficou em Jerusalem aquelle dia e o seguinte.

13 E David o convidou, e comeu e bebeu diante d’elle, e [7] o embebedou: e á tarde saiu a deitar-se na sua cama como os servos de seu senhor; porém não desceu a sua casa.

14 E succedeu que pela manhã David [8] escreveu uma carta a Joab: e mandou-lh’a por mão de Urias.

15 Escreveu na carta, dizendo: Ponde a Urias na frente da maior força da peleja; e retirae-vos de detraz d’elle, para que seja ferido [9] e morra.

16 Aconteceu, pois, que, tendo Joab observado bem a cidade, poz a Urias no logar onde sabia que havia homens valentes.

17 E, saindo os homens da cidade, e pelejando com Joab, cairam alguns do povo, dos servos de David: e morreu tambem Urias, o hetheo.

18 Então enviou Joab, e fez saber a David todo o successo d’aquella peleja.

19 E deu ordem ao mensageiro, dizendo: Acabando tu de contar ao rei todo o successo d’esta peleja;

20 E succedendo que o rei se encolerize, e te diga: Porque vos chegastes tão perto da cidade a pelejar? Não sabieis vós que haviam de atirar do muro?

21 Quem feriu a Abimelech, [10] filho de Jerubbeseth? Não lançou uma mulher sobre elle do muro um pedaço d’uma mó corredora, de que morreu em Thebes? Porque vos chegastes ao muro? Então dirás: Tambem morreu teu servo Urias, o hetheo.

22 E foi o mensageiro, e entrou, e fez saber a David tudo, porque Joab o enviara dizer.

23 E disse o mensageiro a David: Na verdade que mais poderosos foram aquelles homens do que nós, e sairam a nós ao campo; porém nós fomos contra elles, até á entrada da porta.

24 Então os frecheiros atiraram contra os teus servos desde o alto do muro, e morreram alguns dos servos do rei: e tambem morreu o teu servo Urias, o hetheo.

25 E disse David ao mensageiro: Assim dirás a Joab: Não te pareça isto mal aos teus olhos; pois a espada tanto consome este como aquelle: esforça a tua peleja contra a cidade, e a derrota: esforça-o tu assim.

26 Ouvindo pois a mulher de Urias que Urias seu marido era morto, lamentou a seu senhor.

27 E, passado o nojo, enviou David, e a recolheu em sua casa, e lhe foi por mulher, [11] e pariu-lhe um filho. Porém esta coisa que David fez pareceu mal aos olhos do Senhor.

[1] I Chr. 20.1.

[2] Deu. 22.8. Gen. 34.2. Job 31.1. Mat. 5.28.

[3] cap. 23.39.

[4] Thi. 1.14. Lev. 15.19, 28 e 18.19.

[5] Gen. 18.4 e 19.2.

[6] cap. 7.2, 6 e 20.6.

[7] Gen. 19.33, 35. ver. 9.

[8] I Reis 21.8, 9.

[9] cap. 12.9.

[10] Jui. 9.53 e 6.32.

[11] cap. 12.9.

Nathan, o propheta, reprehende a David.

[Antes de Christo 1034]

12 E o Senhor enviou Nathan a David: e, entrando elle a David, disse-lhe: Havia [1] n’uma cidade dois homens, um rico e outro pobre.

2 O rico tinha muitissimas ovelhas e vaccas;

3 Mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e creara; e ella tinha crescido com elle e com seus filhos egualmente; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha.

4 E, vindo ao homem rico um viajante, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vaccas para guizar para o viajante que viera a elle: e tomou a cordeira do homem pobre, e a preparou para o homem que viera a elle.

5 Então o furor de David se accendeu em grande maneira contra aquelle homem, e disse a Nathan: Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso.

6 E pela cordeira [2] tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa, e porque não se compadeceu.

7 Então disse Nathan a David: Tu és este homem. Assim diz o Senhor Deus d’Israel: Eu te ungi [3] rei sobre Israel, e eu te livrei das mãos de Saul,

8 E te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio, e tambem te dei a casa d’Israel e de Judah, e, se isto é pouco, mais te accrescentaria taes e taes coisas.

9 Porque, pois, [4] desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o hetheo, feriste á espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a elle mataste com a espada dos filhos d’Ammon:

10 Agora, pois, [5] não se apartará a espada jámais da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o hetheo, para que te seja por mulher.

11 Assim diz o Senhor: Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres [6] perante os teus olhos, e as darei a teu proximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol.

12 Porque tu o fizeste em occulto, mas eu farei [7] este negocio perante todo o Israel e perante o sol.

13 Então disse David a Nathan: [8] Pequei contra o Senhor. E disse Nathan a David: [9] Tambem o Senhor traspassou o teu peccado; não morrerás.

14 Todavia, porquanto com este feito déste logar sobremaneira a que os inimigos do Senhor blasphemem, [10] tambem o filho que te nasceu certamente morrerá.

15 Então Nathan se foi para sua casa; e o Senhor feriu a creança que a mulher de Urias parira a David, e adoeceu gravemente.

16 E buscou David a Deus pela creança; e jejuou David, e entrou, e passou a noite prostrado [11] sobre a terra:

17 Então os anciãos da sua casa se levantaram a elle, para o levantar da terra; porém elle não quiz, e não comeu pão com elles.

18 E succedeu que ao setimo dia morreu a creança: e temiam os servos de David dizer-lhe que a creança era morta, porque diziam: Eis que, sendo a creança ainda viva, lhe fallavamos, porém não dava ouvidos á nossa voz; como pois lhe diremos que a creança é morta? Porque mais mal lhe faria.

19 Viu porém David que seus servos fallavam baixo, e entendeu David que a creança era morta, pelo que disse David a seus servos: É morta a creança? E elles disseram: É morta.

20 Então David se levantou da terra, e se lavou, [12] e se ungiu, e mudou de vestidos, e entrou na casa do Senhor, e adorou: então veiu a sua casa, e pediu pão; e lhe pozeram pão, e comeu.

21 E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela creança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a creança te levantaste e comeste pão.

22 E disse elle: Vivendo ainda a creança, jejuei e chorei, porque dizia: [13] Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim, e viva a creança?

23 Porém, agora que é morta, porque jejuaria eu agora? Poderei eu fazel-a mais voltar? Eu irei a ella, porém [14] ella não voltará para mim.

24 Então consolou David a Bath-seba, sua mulher, e entrou a ella, e se deitou [15] com ella: e pariu ella um filho, e chamou o seu nome Salomão: e o Senhor o amou.

25 E enviou pela mão do propheta Nathan, e chamou o seu nome Jedid-jah, por amor do Senhor.

26 Entretanto [16] pelejou Joab contra Rabba, dos filhos de Ammon, e tomou a cidade real.

27 Então mandou Joab mensageiros a David, e disse: Pelejei contra Rabba, e tambem tomei a cidade das aguas.

28 Ajunta, pois, agora o resto do povo, e cerca a cidade, e toma-a, para que, tomando eu a cidade, não se acclame sobre ella o meu nome.

29 Então ajuntou David a todo o povo, e marchou para Rabba, e pelejou contra ella, e a tomou.

30 E tirou a corôa da cabeça [17] do seu rei, cujo peso era d’um talento de oiro, e havia n’ella pedras preciosas, e foi posta sobre a cabeça de David: e da cidade levou mui grande despojo.

31 E, trazendo o povo que havia n’ella, o poz ás serras, e ás talhadeiras de ferro, e aos machados de ferro, e os fez passar por forno de tijolos; e assim fez a todas as cidades dos filhos de Ammon: e voltou David e todo o povo para Jerusalem.

[1] cap. 14.5, etc. I Reis 20.35-41. Isa. 5.3.

[2] Exo. 22.1. Luc. 19.8.

[3] I Sam. 16.13.

[4] I Sam. 15.19. Num. 15.31. cap. 11.15, 16, 17, 27.

[5] Amós 7.9.

[6] Deu. 28.30. cap. 16.22.

[7] cap. 16.22.

[8] I Sam. 15.24. cap. 24.10. Job 7.20. Pro. 28.13.

[9] cap. 24.10. Job 7.21. Miq. 7.18. Zac. 3.4.

[10] Isa. 52.5. Eze. 36.20, 23. Rom. 2.24.

[11] cap. 13.31.

[12] Ruth 3.3. Job 1.20.

[13] Isa. 38.1, 5. Jon. 3.9.

[14] Job 7.8, 9, 10.

[15] Mat. 1.6. I Chr. 22.9.

[16] I Chr. 20.1. Deu. 3.11.

[17] I Chr. 20.2.

Amnon ama Tamar e commette um incesto.

[Antes de Christo 1033]

13 E aconteceu depois d’isto que, tendo Absalão, [1] filho de David, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnon, filho de David, amou-a.

2 E angustiou-se Amnon, até adoecer, por Tamar, sua irmã, porque era virgem: e parecia aos olhos de Amnon difficultoso fazer-lhe coisa alguma.

3 Tinha porém Amnon um amigo, cujo nome era Jonadab, filho de Simea, irmão de David: e era Jonadab homem mui [2] sagaz.

4 O qual lhe disse: Porque tu de manhã em manhã tanto emmagreces, sendo filho do rei? não m’o farás saber a mim? Então lhe disse Amnon: Amo a Tamar, irmã de Absalão, meu irmão,

5 E Jonadab lhe disse: Deita-te na tua cama, e finge-te doente; e, quando teu pae te vier visitar, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e me dê de comer pão, e apreste a comida diante dos meus olhos, para que eu a veja e coma da sua mão.

6 Deitou-se pois Amnon, e fingiu-se doente; e, vindo o rei visital-o, disse Amnon ao rei: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e apreste dois bolos diante dos meus olhos, [3] que eu coma de sua mão.

7 Mandou então David a casa, a Tamar, dizendo: Vae a casa de Amnon, teu irmão, e faze-lhe alguma comida.

8 E foi Tamar a casa de Amnon, seu irmão (elle porém estava deitado), e tomou massa, e a amassou, e fez bolos diante dos seus olhos, e cozeu os bolos.

9 E tomou a sertã, e os tirou diante d’elle; porém elle recusou comer. E disse Amnon: Fazei retirar [4] a todos da minha presença. E todos se retiraram d’elle.

10 Então disse Amnon a Tamar: Traze a comida á camara, e comerei da tua mão. E tomou Tamar os bolos que fizera, e os trouxe a Amnon, seu irmão, á camara.

11 E chegando-lh’os, para que comesse, pegou [5] d’ella, e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, irmã minha.

12 Porém ella lhe disse: Não, irmão meu, não me forces, [6] porque não se faz assim em Israel; não faças tal loucura.

13 Porque, aonde iria eu com a minha vergonha? E tu serias como um dos loucos d’Israel. Agora, pois, peço-te que falles ao rei, porque não me negará a [7] ti.

14 Porém elle não quiz dar ouvidos á sua voz; antes, sendo mais forte do que ella, a forçou, [8] e se deitou com ella.

15 Depois Amnon a aborreceu com grandissimo aborrecimento, porque maior era o aborrecimento com que a aborrecia do que o amor com que a amara, E disse-lhe Amnon: Levanta-te, e vae-te.

16 Então ella lhe disse: Não ha razão de me despedires assim; maior seria este mal do que o outro que já me tens feito. Porém não lhe quiz dar ouvidos.

17 E chamou a seu moço que o servia, e disse: Deita a esta fóra, e fecha a porta após ella.

18 E trazia [9] ella uma roupa de muitas côres (porque assim se vestiam as filhas virgens dos reis, com capas), e seu creado a deitou fóra, e fechou a porta após ella.

19 Então Tamar tomou cinza [10] sobre a sua cabeça, e a roupa de muitas côres que trazia rasgou: e poz as mãos sobre a cabeça, [11] e foi-se andando e clamando.

20 E Absalão, seu irmão, lhe disse: Esteve Amnon, teu irmão, comtigo? Ora pois, irmã minha, cala-te; é teu irmão. Não se angustie o teu coração por isto. Assim ficou Tamar, e esteve solitaria em casa d’Absalão seu irmão.

21 E, ouvindo o rei David todas estas coisas, muito se accendeu em ira.

22 Porém Absalão não fallou com Amnon, nem mal [12] nem bem; porque Absalão aborrecia a Amnon, por ter forçado a Tamar sua irmã.

Absalão mata Amnon.

23 E aconteceu que, passados dois annos inteiros, Absalão tinha tosquiadores [13] em Bal-hasor, que está junto a Ephraim: e convidou Absalão a todos os filhos do rei.

24 E veiu Absalão ao rei, e disse: Eis que teu servo tem tosquiadores: peço que o rei e os seus servos venham com o teu servo.

25 O rei porém disse a Absalão: Não, filho meu, não vamos todos juntos, para não te sermos pezados. E instou com elle; porém elle não quiz ir, mas o abençoou.

26 Então disse Absalão: Quando não, deixa ir comnosco Amnon, meu irmão. Porém o rei lhe disse: Para que iria comtigo?

27 E, instando Absalão com elle, deixou ir com elle a Amnon, e a todos os filhos do rei.

28 E Absalão deu ordem aos seus moços, dizendo: Tomae sentido; quando o coração d’Amnon estiver [14] alegre do vinho, e eu vos disser: Feri a Amnon, então o matareis; não temaes; porque porventura não sou eu quem vol-o ordenei? Esforçae-vos, e sede valentes.

29 E os moços d’Absalão fizeram a Amnon como Absalão lh’o havia ordenado. Então todos os filhos do rei se levantaram, e montaram cada um no seu mulo, e fugiram.

30 E aconteceu que, estando elles ainda no caminho, veiu a nova a David, dizendo-se: Absalão feriu a todos os filhos do rei, e nenhum d’elles ficou.

31 Então o rei [15] se levantou, e rasgou os seus vestidos, e se lançou por terra: da mesma maneira todos os seus servos estavam com vestidos rotos.

32 Mas Jonadab, [16] filho de Simea, irmão de David, respondeu, e disse: Não diga o meu senhor que mataram a todos os mancebos filhos do rei, porque só morreu Amnon: porque assim o tinha resolvido fazer Absalão, desde o dia em que forçou a Tamar sua irmã.

33 Não [17] se lhe metta pois agora no coração do rei meu senhor tal coisa, dizendo: Morreram todos os filhos do rei: porque só morreu Amnon.

34 E Absalão fugiu: [18] e o mancebo que estava de guarda, levantou os seus olhos, e olhou; e eis que muito povo vinha pelo caminho por detraz d’elle, pela banda do monte.

35 Então disse Jonadab ao rei: Eis aqui veem os filhos do rei: conforme á palavra de teu servo, assim succedeu.

36 E aconteceu que, como acabou de fallar, os filhos do rei vieram, e levantaram a sua voz, e choraram: e tambem o rei e todos os seus servos choraram com mui grande choro.

Absalão foge para Talmai e depois de tres annos volta para Jerusalem.

37 Assim Absalão fugiu, e se foi a Talmai, [19] filho d’Ammihur, rei de Gesur. E David trouxe dó por seu filho todos aquelles dias.

38 Assim Absalão fugiu, e foi para Gesur: [20] esteve ali tres annos.

39 Então tinha o rei David saudades de Absalão: porque já se tinha consolado ácerca de Amnon, [21] que era morto.

[1] cap. 3.2, 3. I Chr. 3.9.

[2] I Sam. 16.9.

[3] Gen. 18.6.

[4] Gen. 45.1.

[5] Gen. 39.12.

[6] Lev. 18.9, 11 e 20.17. Gen. 34.7. Jui. 19.23 e 20.6.

[7] Lev. 18.9, 11.

[8] Deu. 22.25. cap. 12.11.

[9] Gen. 37.2. Jui. 5.30.

[10] Jos. 7.6. cap. 1.2. Job 2.12.

[11] Jer. 2.37.

[12] Gen. 24.50 e 31.21. Lev. 19.17, 18.

[13] Gen. 38.12, 13. I Sam. 25.4, 36.

[14] Jui. 19.6, 9, 22. Ruth 3.7. I Sam. 25.36. Est. 1.10.

[15] cap. 1.11 e 12.16.

[16] ver. 3.

[17] cap. 19.19.

[18] ver. 38.

[19] cap. 3.3.

[20] cap. 14.23, 32 e 15.8.

[21] Gen. 38.12.

14 Conhecendo pois Joab, filho de Zeruia, que o coração do rei [1] era inclinado para Absalão,

[Antes de Christo 1030]

2 Enviou Joab a Tecoa, e tomou de lá uma mulher [2] sabia, e disse-lhe: Ora finge que estás de nojo; veste vestidos de nojo, e não te unjas [3] com oleo, e sejas como uma mulher que ha já muitos dias está de nojo por algum morto.

3 E entra ao rei, e falla-lhe conforme a esta palavra. E Joab lhe poz as palavras na [4] bocca.

4 E a mulher tecoita fallou ao rei, e, deitando-se com o rosto [5] em terra, se prostrou e disse: Salva-me, ó rei.

5 E disse-lhe o rei: Que tens? E disse ella: Na verdade que [6] sou uma mulher viuva, e morreu meu marido.

6 Tinha pois a tua serva dois filhos, e ambos estes brigaram no campo, e não houve quem os apartasse: assim um feriu ao outro, e o matou.

7 E eis que toda a [7] linhagem se levantou contra a tua serva, e disseram: Dá-nos aquelle que feriu a seu irmão, para que o matemos, por causa da vida de seu irmão, a quem matou, e para que destruamos tambem ao herdeiro. Assim apagarão a braza que me ficou, de sorte que não deixam a meu marido nome, nem resto sobre a terra.

8 E disse o rei á mulher: Vae para tua casa: e eu mandarei ordem ácerca de ti.

9 E disse a mulher tecoita ao rei: [8] A injustiça, rei meu senhor, venha sobre mim e sobre a casa de meu pae: e o rei e o seu throno fique inculpavel.

10 E disse o rei: Quem fallar contra ti, traze-m’o a mim: e nunca mais te tocará.

11 E disse ella: Ora lembre-se o rei do Senhor seu Deus, para que os vingadores do sangue se não multipliquem a deitar-nos a perder, e não destruam a meu filho. Então disse elle: Vive o Senhor, [9] que não ha de cair no chão nem um dos cabellos de teu filho.

12 Então disse a mulher: Peço-te que a tua serva falle uma palavra ao rei meu senhor. E disse elle: Falla.

13 E disse a mulher: Porque pois pensaste tu uma tal coisa contra [10] o povo de Deus? Porque, fallando o rei tal palavra, fica como culpado; visto que o rei não torna a trazer o seu [11] desterrado.

14 Porque certamente [12] morreremos, e seremos como aguas derramadas na terra, que não se ajuntam mais: Deus pois lhe não tirará a vida, mas ideiará pensamentos, [13] para que se não desterre d’elle o seu desterrado.

15 E que eu agora vim fallar esta palavra ao rei, meu senhor, é porque o povo me atemorisou: dizia pois a tua serva: Fallarei pois ao rei; porventura fará o rei segundo a palavra da sua serva.

16 Porque o rei ouvirá, para livrar a sua serva da mão do homem que intenta destruir juntamente a mim e a meu filho da herança de Deus.

17 Dizia mais a tua serva: Seja agora a palavra do rei meu senhor para descanço: [14] porque como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor, para ouvir o bem e o mal; e o Senhor teu Deus será comtigo.

18 Então respondeu o rei, e disse á mulher: Peço-te que não me encubras o que eu te perguntar. E disse a mulher: Ora falle o rei, meu senhor.

19 E disse o rei: Não é verdade que a mão de Joab anda comtigo em tudo isto? E respondeu a mulher, e disse: Vive a tua alma, ó rei meu senhor, que ninguem se poderá desviar, nem para a direita nem para a esquerda, de tudo quanto o rei, meu senhor, tem dito; porque Joab, teu servo, é quem me deu ordem, e foi elle que poz na bocca da tua serva todas [15] estas palavras:

20 Que eu virasse a fórma d’este negocio, Joab, teu servo, fez isto: porém sabio [16] é meu senhor, conforme á sabedoria d’um anjo de Deus, para entender tudo o que ha na terra.

21 Então o rei disse a Joab: Eis que fiz isto: vae pois, e torna a trazer o mancebo Absalão.

22 Então Joab se prostrou sobre o seu rosto em terra, e se inclinou, e o agradeceu ao rei; e disse Joab: Hoje conheceu o teu servo que achei graça aos teus olhos, ó rei meu senhor, porque o rei fez segundo a palavra do teu servo.

23 Levantou-se pois [17] Joab, e foi a Gesur, e trouxe Absalão a Jerusalem.

24 E disse o rei: Torne para a sua casa, e não veja [18] a minha face. Tornou pois Absalão para sua casa, e não viu a face do rei.

25 Não havia porém em todo o Israel homem tão bello e tão aprazivel como Absalão, [19] desde a planta do pé até á cabeça não havia n’elle defeito algum.

26 E, quando tosquiava a sua cabeça (e succedia que no fim de cada anno a tosquiava, porquanto muito lhe pesava, e por isso a tosquiava), pesava o cabello da sua cabeça duzentos siclos, segundo o peso real.

27 Tambem nasceram [20] a Absalão tres filhos e uma filha, cujo nome era Tamar; e esta era mulher formosa á vista.

[Antes de Christo 1027]

28 Assim ficou Absalão dois annos inteiros em Jerusalem, e não viu [21] a face do rei.

29 Mandou pois Absalão chamar a Joab, para o enviar ao rei; porém não quiz vir a elle: e enviou ainda segunda vez, e, comtudo, não quiz vir.

30 Então disse aos seus servos: Vêdes ali o pedaço de campo de Joab pegado ao meu, e tem cevada n’elle; ide, e ponde-lhe fogo. E os servos de Absalão pozeram fogo ao pedaço de campo.

31 Então Joab se levantou, e veiu a Absalão, em casa, e disse-lhe: Porque pozeram os teus servos fogo ao pedaço de campo que é meu?

32 E disse Absalão a Joab: Eis que enviei a ti, dizendo: Vem cá, para que te envie ao rei, a dizer-lhe: Para que vim de Gesur? Melhor me fôra estar ainda lá. Agora, pois, veja eu a face do rei; e, se ha ainda em mim alguma culpa, que me mate.

33 Então entrou Joab ao rei, e assim lh’o disse. Então chamou a Absalão, e elle entrou ao rei, e se inclinou sobre o seu rosto em terra diante do rei: e o rei [22] beijou a Absalão.

[1] cap. 13.39.

[2] II Chr. 11.6.

[3] Ruth 3.3.

[4] ver. 19. Exo. 4.15.

[5] I Sam. 20.41. cap. 1.2. II Reis 6.26, 28.

[6] cap. 12.1.

[7] Num. 35.19. Deu. 19.12.

[8] Gen. 27.13. I Sam. 25.24. Mat. 27.25. cap. 3.28, 29. I Reis 2.33.

[9] Num. 35.19. I Sam. 14.45. Act. 27.34.

[10] Jui. 20.2.

[11] cap. 13.37, 38.

[12] Job 34.15. Heb. 9.27.

[13] Num. 35.15, 25, 28.

[14] ver. 20. cap. 19.27.

[15] ver. 3.

[16] ver. 17. cap. 19.27.

[17] cap. 13.37.

[18] Gen. 43.3. cap. 3.13.

[19] Isa. 1.6.

[20] cap. 18.18.

[21] ver. 24.

[22] Gen. 33.4 e 45.15. Luc. 15.20.

A rebellião de Absalão e a fuga de David.

15 E aconteceu depois [1] d’isto que Absalão fez apparelhar carros e cavallos, e cincoenta homens que corressem adiante d’elle.

2 Tambem Absalão se levantou pela manhã, e parava a uma banda do caminho da porta. E succedia que a todo o homem que tinha alguma demanda para vir ao rei a juizo, o chamava Absalão a si, e lhe dizia: De que cidade és tu? E, dizendo elle: D’uma das tribus d’Israel é teu servo;

3 Então Absalão lhe dizia: Olha, os teus negocios são bons e rectos, porém não tens quem te ouça da parte do rei.

4 Dizia mais Absalão: Ah, quem me dera ser juiz na [2] terra! para que viesse a mim todo o homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça.

5 Succedia tambem que, quando alguem se chegava a elle para se inclinar diante d’elle, elle estendia a sua mão, e pegava d’elle, e o beijava.

6 E d’esta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juizo: assim furtava Absalão [3] o coração dos homens de Israel.

[Antes de Christo 1023]

7 Aconteceu, pois, ao cabo de quarenta annos, que Absalão disse ao rei: Deixa-me ir pagar em Hebron o meu voto que votei ao Senhor.

8 Porque, morando eu em Gesur, em Syria, votou o teu servo um voto, [4] dizendo: Se o Senhor outra vez me fizer tornar a Jerusalem, servirei ao Senhor.

9 Então lhe disse o rei: Vae em paz, Levantou-se, pois, e foi para Hebron.

10 E enviou Absalão espias por todas as tribus d’Israel, dizendo: Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão reina em Hebron.

11 E de Jerusalem foram com Absalão duzentos homens convidados, [5] porém iam na sua simplicidade, porque nada sabiam d’aquelle negocio.

12 Tambem Absalão enviou por Achitophel, o gilonita, do conselho [6] de David, á sua cidade de Gilo, estando elle sacrificando os seus sacrificios: e a conjuração se fortificava, e vinha o povo, e se augmentava com Absalão.

13 Então veiu um mensageiro a David, dizendo: O coração [7] de cada um em Israel segue a Absalão.

14 Disse pois David a todos os seus servos que estavam com elle em Jerusalem: Levantae-vos, [8] e fujamos, porque não poderiamos escapar diante de Absalão. Dae-vos pressa a caminhar, para que porventura não se apresse elle, e nos alcance, e lance sobre nós algum mal, e fira a cidade a fio de espada.

15 Então os servos do rei disseram ao rei: Eis aqui os teus servos, para tudo quanto determinar o rei, nosso senhor.

16 E saiu o rei, com toda a sua casa, a pé: deixou porém o rei dez mulheres concubinas, para guardarem a casa.

17 Tendo pois saido o rei com todo o povo a pé, pararam n’um logar distante.

18 E todos os seus servos iam a seu lado, como tambem todos os cheretheos e todos [9] os peletheos: e todos os getheos, seiscentos homens que vieram de Gath a pé, caminhavam diante do rei.

19 Disse pois o rei a Ittai, [10] o getheo: Porque irias tu tambem comnosco? Volta, e fica-te com o rei, porque estranho és, e tambem te tornarás a teu logar.

20 Hontem vieste, e te levaria eu hoje comnosco a caminhar? Pois força me é ir aonde quer que podér ir: volta, pois, [11] e torna a levar teus irmãos comtigo, com beneficencia e fidelidade.

21 Respondeu porém Ittai ao rei, e disse: Vive o Senhor, [12] e vive o rei meu senhor, que no logar em que estiver o rei meu senhor, seja para morte seja para vida, ahi certamente estará tambem o teu servidor.

22 Então David disse a Ittai: Vem pois, e passa adiante. Assim passou Ittai, o getheo, e todos os seus homens, e todas as creanças que havia com elle.

23 E toda a terra chorava a grandes vozes, passando todo o povo: tambem o rei passou o ribeiro de Cedron, e passou todo o povo na direcção do caminho do [13] deserto.

24 Eis que tambem Zadok ali estava, e com elle todos os levitas que levavam [14] a arca do concerto de Deus; e pozeram ali a arca de Deus, e subiu Abiathar, até que todo o povo acabou de passar da cidade.

25 Então disse o rei a Zadok: Torna a levar a arca de Deus á cidade; que, se achar graça nos olhos do Senhor, elle me tornará a trazer para lá, e me deixará vêr a ella e a sua habitação.

26 Se porém disser assim: Não tenho prazer em [15] ti; eis-me aqui, faça de mim [16] como parecer bem aos seus olhos.

27 Disse mais o rei a Zadok, o sacerdote: Não és tu porventura o vidente? [17] torna pois em paz para a cidade, e comvosco tambem vossos dois filhos, Ahimaas, teu filho, e Jonathan, filho d’Abiathar.

28 Olhae que me demorarei [18] nas campinas do deserto até que tenha novas vossas.

29 Zadok pois e Abiathar tornaram a levar para Jerusalem a arca de Deus: e ficaram ali.

30 E subiu David pela subida das oliveiras, subindo e chorando, e com a cabeça coberta; [19] e caminhava com os pés descalços: e todo o povo que ia com elle cobria cada um a sua cabeça, e subiam chorando sem cessar.

31 Então fizeram saber a David, dizendo: Tambem Achitophel [20] está entre os que se conjuraram com Absalão. Pelo que disse David: Ó Senhor, enlouquece o conselho de Achitophel.

32 E aconteceu, que chegando David ao cume, para adorar ali a Deus, eis que Husai, o archita, [21] veiu encontrar-se com elle com o vestido rasgado e terra sobre a cabeça.

33 E disse-lhe David: Se passares comigo, ser-me-has [22] pesado.

34 Porém se voltares para a cidade, e disseres a Absalão: Eu serei, ó rei, teu servo; [23] bem fui d’antes servo de teu pae, mas agora serei teu servo: dissipar-me-has então o conselho de Achitophel.

35 E não estão ali comtigo Zadok e Abiathar, sacerdotes? E será que todas as coisas que ouvires da casa do rei, farás saber [24] a Zadok e a Abiathar, sacerdotes.

36 Eis que estão tambem ali com elles [25] seus dois filhos, Ahimaas filho de Zadok, e Jonathan filho de Abiathar: pela mão d’elles aviso me mandareis pois de todas as coisas que ouvirdes.

37 Husai pois, amigo de [26] David, veiu para a cidade: e Absalão entrou em Jerusalem.

[1] cap. 12.11. I Reis 1.5.

[2] Jui. 9.29.

[3] Rom. 16.18.

[4] I Sam. 16.2. Gen. 28.20, 21. cap. 13.38.

[5] I Sam. 9.13 e 16.3, 5.

[6] Gen. 20.5. Jos. 15.51. Psa. 3.2.

[7] ver. 6. Jui. 9.3.

[8] cap. 19.9 e 16.21, 22.

[9] cap. 8.18.

[10] cap. 18.2.

[11] I Sam. 23.13.

[12] Ruth 1.16, 17. Pro. 17.17 e 18.24.

[13] cap. 16.2.

[14] Num. 4.15.

[15] Num. 14.8. cap. 22.20. I Reis 10.9. II Chr. 9.8. Isa. 62.4.

[16] I Sam. 3.18.

[17] I Sam. 9.9. cap. 17.17.

[18] cap. 17.16.

[19] cap. 19.4. Est. 6.12. Isa. 20.2, 4. Jer. 14.3, 4.

[20] Psa. 3.2, 3. cap. 16.23 e 17.14, 23.

[21] Jos. 16.2. cap. 1.2.

[22] cap. 19.35.

[23] cap. 16.19.

[24] cap. 17.15, 16.

[25] ver. 27.

[26] cap. 16.16. I Chr. 27.33. cap. 16.15.

David é enganado por Ziba e amaldiçoado por Semei.

16 E passando [1] David um pouco mais adiante do cume, eis que Ziba, o [2] moço de Mephiboseth, veiu encontrar-se com elle, com um par de jumentos albardados, e sobre elles duzentos pães, com cem cachos de passas, e cem de fructas de verão e um odre de vinho.

2 E disse o rei a Ziba: Que pretendes com isto? E disse Ziba: Os jumentos são para a casa do rei, para se montarem n’elles; e o pão e as fructas de verão para comerem os moços; e o vinho para beberem os cançados no [3] deserto.

3 Então disse o rei: Ora, onde está o filho de teu senhor? E disse Ziba [4] ao rei: Eis que ficou em Jerusalem; porque disse: Hoje me restaurará a casa de Israel o reino de meu pae.

4 Então disse [5] o rei a Ziba: Eis que teu é tudo quanto tem Mephiboseth. E disse Ziba: Eu me inclino, que eu ache graça em teus olhos, ó rei meu senhor.

5 E, chegando o rei David a Bahurim, eis que d’ali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, cujo nome era Simei, [6] filho de Gera, e, saindo, ia amaldiçoando.

6 E apedrejava com pedras a David, e a todos os servos do rei David: ainda que todo o povo e todos os valentes iam á sua direita e á sua esquerda.

7 E, amaldiçoando-o Simei, assim dizia: Sae, sae, homem de sangue, [7] e homem de Belial:

8 O Senhor te deu agora a [8] paga de todo o sangue da casa de Saul, em cujo logar tens reinado; já deu o Senhor o reino na mão de Absalão teu filho; e eis-te agora na tua desgraça, porque és um homem de sangue.

9 Então disse Abisai, filho de Zeruia, ao rei: Porque amaldiçoaria este cão morto [9] ao rei meu senhor? Deixa-me passar, e lhe tirarei a cabeça.

10 Disse porém o rei: Que tenho eu [10] comvosco, filhos de Zeruia? Ora deixae-o amaldiçoar; pois o Senhor lhe disse: Amaldiçôa a David; quem pois diria: [11] Porque assim fizeste?

11 Disse mais David a Abisai, e a todos os seus servos: [12] Eis que meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura a minha morte: quanto mais ainda este filho de Jemini? Deixae-o, que amaldiçoe; porque o Senhor lh’o disse.

12 Porventura o Senhor olhará para a minha miseria: e o Senhor me pagará com bem [13] sua maldição d’este dia.

13 Proseguiam pois o seu caminho, David e os seus homens: e tambem Simei ia ao longo do monte, defronte d’elle, caminhando e amaldiçoando, e atirava pedras contra elle, e levantava poeira.

14 E o rei e todo o povo que ia com elle chegaram cansados, e refrescaram-se ali.

Os conselhos que Achitophel e Husai dão a Absalão.

15 Absalão pois, [14] e todo o povo, os homens de Israel, vieram a Jerusalem: e Achitophel com elle.

16 E succedeu que, chegando Husai, o archita, [15] amigo de David, a Absalão, disse Husai a Absalão: Viva o rei, viva o rei!

17 Porém Absalão disse a Husai: É esta a tua beneficencia para com o teu amigo? Porque não foste [16] com o teu amigo?

18 E disse Husai a Absalão: Não, porém d’aquelle que eleger o Senhor, e todo este povo, e todos os homens de Israel, d’elle serei e com elle ficarei.

19 E, demais d’isto, [17] a quem serviria eu? Porventura não seria diante de seu filho? Como servi diante de teu pae, assim serei diante de ti.

20 Então disse Absalão a Achitophel: Dae conselho entre vós sobre o que devemos fazer.

21 E disse Achitophel a Absalão: Entra ás concubinas [18] de teu pae, que deixou para guardarem a casa; e assim todo o Israel ouvirá que te fizeste aborrecivel para [19] com teu pae; e se esforçarão as mãos de todos os que estão comtigo.

22 Estenderam pois para Absalão uma tenda no terrado: [20] e entrou Absalão ás concubinas de seu pae, perante os olhos de todo o Israel.

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