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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 6 of 11)

Part 6 of 11 · Unknown author · Public domain text

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Contents (11)

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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 6 of 11)

23 Desperta, porque dormes, Senhor? acorda, não nos rejeites para sempre.

24 Porque escondes [6] a tua face, e te esqueces da nossa miseria e da nossa oppressão?

25 Pois a nossa alma está abatida até ao pó; o nosso ventre se apega á terra.

26 Levanta-te em nosso auxilio, e resgata-nos por amor das tuas misericordias.

[1] Exo. 12.26.

[2] Dan. 8.6.

[3] Lev. 26.17.

[4] Rom. 8.36.

[5] Dan. 9.13.

[6] Job 13.24.

Descripção prophetica da união entre Christo e a sua egreja.

Maschil, cantico d’amor, para o cantor-mór, entre os filhos de Korah, sobre Shoshannim.

45 O meu coração ferve com palavras boas, fallo do que tenho feito no tocante ao Rei: a minha lingua é a penna de um dextro escriptor.

2 Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; [1] a graça se derramou em teus labios; portanto Deus te abençoou para sempre.

3 Cinge [2] a tua espada á coxa, ó Valente, com a tua gloria e a tua magestade.

4 [OZ] E n’este teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da mansidão e da justiça; e a tua dextra te ensinará coisas terriveis.

5 As tuas frechas são agudas [PA] no coração dos inimigos do Rei, e por ellas os povos cairam debaixo de ti.

6 O teu throno, ó Deus, é eterno e perpetuo; o sceptro do teu reino é um sceptro d’equidade.

7 Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; portanto, Deus, o teu Deus, te ungiu com oleo de alegria, mais do que a teus companheiros.

8 Todos os teus vestidos cheiram a myrrha, e aloes e cassia, desde os palacios de marfim de onde te alegram.

9 As filhas dos reis estavam entre as tuas illustres donzellas; á tua direita estava a rainha ornada de finissimo oiro de Ophir.

10 Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pae.

11 Então o rei se afeiçoará da tua formosura, pois elle é teu Senhor; adora-o.

12 E a filha de Tyro estará ali com presentes; os ricos do povo supplicarão o teu favor.

13 A filha do rei é toda illustre por dentro: o seu vestido é de oiro engastado.

14 Leval-a-hão ao rei com vestidos bordados; as virgens que a acompanham a trarão a ti.

15 Com alegria e regozijo as trarão: ellas entrarão no palacio do rei.

16 Em logar de teus paes serão teus filhos; d’elles farás [3] principes sobre toda a terra.

17 Farei lembrado [4] o teu nome de geração em geração; pelo que os povos te louvarão eternamente.

[1] Luc. 4.22.

[2] Isa. 49.2. Heb. 4.12. Apo. 1.16.

[3] I Ped. 2.9. Apo. 1.6.

[4] Mal. 1.11.

A fé perfeita que aquelle que crê tem em Deus.

Cantico sobre Alamoth, para o cantor-mór entre os filhos de Korah.

46 Deus é o nosso refugio e fortaleza, soccorro [1] bem presente na angustia.

2 Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.

3 Ainda que as aguas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza (Selah).

4 Ha um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o sanctuario das moradas do Altissimo.

5 Deus está [2] no meio d’ella, não se abalará; Deus a ajudará ao romper da manhã.

6 As nações se embraveceram; os reinos se moveram; elle levantou a sua voz e a terra se derreteu.

7 O Senhor dos Exercitos está comnosco: o Deus de Jacob é o nosso refugio (Selah).

8 Vinde, contemplae as obras do Senhor; que desolações tem feito na terra!

9 Elle faz cessar as guerras até ao fim da terra: quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo.

10 Aquietae-vos, e sabei que eu sou Deus; [3] serei exaltado entre as nações; serei exaltado sobre a terra.

11 O Senhor dos Exercitos está comnosco: o Deus de Jacob é o nosso refugio (Selah).

[1] Deu. 4.7.

[2] Deu. 24.14. Isa. 12.6. Ose. 11.9.

[3] Isa. 2.11, 17.

O triumpho do reino de Deus.

Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

47 Applaudi com as mãos, todos os povos; cantae a Deus com voz de triumpho.

2 Porque o Senhor Altissimo é tremendo, e Rei grande sobre toda a terra.

3 Elle nos subjugará os povos e as nações debaixo dos nossos pés.

4 Escolherá para nós a nossa herança, a gloria de Jacob, a quem amou (Selah).

5 Deus subiu com jubilo, o Senhor subiu ao som de trombeta.

6 Cantae louvores a Deus, cantae louvores; cantae louvores ao nosso Rei, cantae louvores.

7 Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantae louvores com intelligencia.

8 Deus reina sobre as nações: Deus se assenta [PB] sobre o throno da sua sanctidade.

9 Os principes do povo se ajuntam, o povo do Deus de Abrahão; porque os escudos da terra são de Deus: elle está muito elevado!

A belleza e os privilegios de Sião.

Cantico e psalmo para os filhos de Korah.

48 Grande é o Senhor e mui digno de louvor, na cidade do nosso Deus, no seu monte sancto.

2 Formoso de [PC] sitio, e alegria de toda a terra é o monte de Sião sobre os lados do norte, a cidade do grande Rei.

3 Deus é conhecido nos seus palacios por um alto refugio.

4 Porque eis que os reis se ajuntaram: elles passaram juntos.

5 Viram-n’o, e ficaram maravilhados; ficaram assombrados e se apressaram em fugir.

6 Tremor ali os tomou, e dôres como de mulher de parto.

7 Tu quebras as náus de Tarsis com um vento oriental.

8 Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do Senhor dos Exercitos, na cidade do nosso Deus. [1] Deus a confirmará para sempre (Selah).

9 Lembramo-nos, ó Deus, da tua benignidade no meio do teu templo.

10 Segundo é o teu nome, ó Deus, assim é o teu louvor, até aos fins da terra: a tua mão direita está cheia de justiça.

11 Alegre-se o monte de Sião; alegrem-se as filhas de Judah por causa dos teus juizos.

12 Rodeae Sião, e cercae-a, contae as suas torres.

13 Marcae bem os seus antemuros, considerae os seus palacios, para que o conteis á geração seguinte.

14 Porque este Deus é o nosso Deus para sempre, elle será nosso guia até á morte.

[1] Isa. 2.2. Miq. 4.1.

A vaidade dos bens terrestres. Só Deus salva da morte.

Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

49 Ouvi isto, vós todos os povos; inclinae os ouvidos, todos os moradores do mundo,

2 Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres.

3 A minha bocca fallará de sabedoria; e a meditação do meu coração será de entendimento.

4 Inclinarei [1] os meus ouvidos a uma parabola: declararei o meu enigma na harpa.

5 Porque temerei eu nos dias maus, quando me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?

6 Aquelles [2] que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas,

7 Nenhum d’elles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate d’elle

8 (Pois a redempção da sua alma é carissima, e cessará para sempre);

9 Para que viva para sempre, e não veja corrupção:

10 Porque elle vê que os sabios morrem: perecem egualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens.

11 O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpetuas e as suas habitações de geração em geração; dão ás suas terras os seus proprios nomes.

12 Todavia o homem que está na honra [3] não permanece; antes é como os brutos que perecem.

13 Este caminho d’elles é a sua loucura; comtudo a sua posteridade approva as suas palavras (Selah).

14 Como ovelhas são postos na [PD] sepultura; a morte se alimentará d’elles; e os rectos terão dominio sobre elles na manhã, e a sua formosura na sepultura se consumirá [PE] da sua morada.

15 Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá (Selah).

16 Não temas, quando alguem se enriquece, quando a gloria da sua casa se engrandece.

17 Porque, quando morrer, nada levará comsigo, nem a sua gloria o acompanhará.

18 Ainda que na sua vida elle bemdisse a sua alma, e os homens te louvam, quando fizeres bem a ti mesmo,

19 Irá para a geração de seus paes; elles nunca verão a luz.

20 O homem que está na honra, e não tem entendimento, é similhante ás bestas que perecem.

[1] Mat. 13.35.

[2] Mar. 10.24. I Tim. 6.17.

[3] Luc. 12.10.

Deus governa o mundo: Deus tem mais prazer na obediencia do que no sacrificio.

Psalmo de Asaph.

50 O Deus poderoso, o Senhor, fallou e chamou a terra desde o nascimento do sol até ao seu occaso.

2 Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus.

3 Virá o nosso Deus, e não se calará; um fogo se irá consumindo diante d’elle, e haverá grande tormenta ao redor d’elle.

4 Chamará os céus lá do alto, e a terra, para julgar o seu povo.

5 Ajuntae-me os meus sanctos, aquelles que fizeram comigo um concerto com sacrificios.

6 E os céus annunciarão a sua justiça; pois Deus mesmo é o Juiz (Selah).

7 Ouve, povo meu, e eu fallarei; Ó Israel, e eu protestarei contia ti; Sou Deus, sou o teu Deus.

8 Não te reprehenderei pelos teus sacrificios, ou holocaustos, que estão continuamente perante mim.

9 Da tua casa não tirarei [1] bezerro nem bodes dos teus curraes.

10 Porque meu é todo o animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas.

11 Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo.

12 Se eu tivesse fome, não t’o diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude.

13 Comerei eu carne de toiros? ou beberei sangue de bodes?

14 Offerece a Deus sacrificio de louvor, e paga ao Altissimo os teus votos.

15 E invoca-me [2] no dia da angustia: eu te livrarei, e tu me glorificarás.

16 Mas ao impio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar o meu concerto na tua bocca?

17 Visto que [3] aborreces a correcção, e lanças as minhas palavras para detraz de ti.

18 Quando vês o ladrão, consentes com elle, e tens a tua parte com adulteros.

19 Soltas a tua bocca para o mal, e a tua lingua compõe o engano.

20 Assentas-te a fallar contra teu irmão; fallas mal contra o filho de tua mãe.

21 Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu; mas eu te arguirei, e as porei por ordem diante dos teus olhos.

22 Ouvi pois isto, vós que vos esqueceis de Deus; para que vos não faça em pedaços, sem haver quem vos livre.

23 Aquelle [4] que offerece o sacrificio de louvor me glorificará; e áquelle que bem ordena o seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus.

[1] Miq. 6.6. Act. 17.25.

[2] Zac. 13.9.

[3] Rom. 2.21, 22. Neh. 9.26.

[4] Rom. 12.1. Gal. 6.16.

David confessa o seu peccado, supplica o perdão e roga a Deus que lhe renove um espirito recto.

Psalmo de David para o cantor-mór, quando o propheta Nathan veiu a elle, depois d’entrar a Bathseba.

51 Tem misericordia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericordias.

2 Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu peccado.

3 Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu peccado está sempre diante de mim.

4 Contra ti, contra ti sómente pequei, e fiz o que é mau á tua vista, para que sejas justificado quando fallares, e puro quando julgares.

5 Eis que em iniquidade fui formado, e em peccado me concebeu minha mãe.

6 Eis que amas a verdade no intimo, e no occulto me fazes conhecer a sabedoria.

7 Purifica-me [1] com hyssope, e ficarei puro: lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.

8 Faze-me ouvir jubilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.

9 Esconde a tua face dos meus peccados, e apaga todas as minhas iniquidades.

10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espirito recto.

11 Não me lances fóra da tua presença, [2] e não retires de mim o teu Espirito Sancto.

12 Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustem-me com o teu Espirito voluntario.

13 Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os peccadores a ti se converterão.

14 Livra-me [3] dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha lingua louvará altamente a tua justiça.

15 Abre, Senhor, os meus labios, e a minha bocca entoará o teu louvor.

16 Pois não queres os sacrificios que eu daria; tu não te deleitas em holocaustos.

17 Os sacrificios para Deus são o espirito quebrantado; [4] a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

18 Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalem.

19 Então te agradarás [5] dos sacrificios da justiça, dos holocaustos e das offertas queimadas; então se offerecerão novilhos sobre o teu altar.

[1] Num. 19.18. Heb. 9.19. Isa. 1.18.

[2] Rom. 8.9. Eph. 4.30.

[3] II Sam. 11.17.

[4] Isa. 57.15.

[5] Mal. 3.3.

David prediz a ruina do impio, e confia em Deus.

Maschil de David para o cantor-mór, quando Doeg, o idumeo, o annunciou a Saul, e lhe disse: David veiu a casa de Abimelech.

52 Porque te glorias na malicia, ó homem poderoso? pois a bondade de Deus permanece continuamente.

2 A tua lingua intenta o mal, como uma navalha amolada, traçando enganos.

3 Tu amas mais o mal do que o bem, e a mentira [1] mais do que o fallar a rectidão (Selah).

4 Amas todas as palavras devoradoras, ó lingua fraudulenta.

5 Tambem Deus te destruirá para sempre; arrebatar-te-ha e arrancar-te-ha da tua habitação; e desarreigar-te-ha da terra dos viventes (Selah).

6 E os justos [2] o verão, e temerão: e se rirão d’elle:

7 Eis aqui o homem que não poz em Deus a sua fortaleza; antes confiou na abundancia das suas riquezas, e se fortaleceu na sua maldade.

8 Mas eu [3] sou como a oliveira verde na casa de Deus; confio na misericordia de Deus para sempre, eternamente.

9 Para sempre te louvarei, porque tu o fizeste, e esperarei no teu nome, porque é bom diante de teus sanctos.

[1] Jer. 9.4, 5.

[2] Mal. 1.5.

[3] Jer. 11.16.

O impio nega a existencia de Deus e se corrompe.

Maschil de David para o cantor-mór sobre Machalath.

53 Disse o [PF] nescio no seu coração: Não ha Deus. Teem-se corrompido, [1] e commettido abominavel iniquidade: não ha ninguem que faça o bem.

2 Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus.

3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram immundos; não ha quem faça o bem, não, nem sequer um.

4 Acaso não teem conhecimento [2] os que obram a iniquidade, os quaes comem o meu povo como se comessem pão? elles não invocaram a Deus.

5 Ali se acharam em grande temor, onde não havia temor, [3] pois Deus espalhou os ossos d’aquelle que te cercava; tu os confundiste, porque Deus os rejeitou.

6 Oh! se já de Sião viera a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os captivos do seu povo, então se regozijará Jacob e se alegrará Israel.

[1] Rom. 3.10.

[2] Jer. 4.22.

[3] Eze. 6.5.

David roga a Deus que o salve dos seus inimigos.

Maschil de David para o cantor-mór sobre Neginoth, quando os zipheos vieram e disseram a Saul: Porventura não está escondido entre nós?

54 Salva-me, ó Deus, pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder.

2 Ó Deus, ouve a minha oração, inclina os teus ouvidos ás palavras da minha bocca.

3 Porque os estranhos se levantam contra mim, e tyrannos procuram a minha vida: não teem posto Deus perante os seus olhos (Selah).

4 Eis que Deus é o meu ajudador, o Senhor está com aquelles que susteem a minha alma.

5 Elle recompensará com o mal aquelles que me andam espiando: destroe-os na tua verdade.

6 Eu te offerecerei voluntariamente sacrificios, louvarei o teu nome ó Senhor, porque é bom.

7 Pois me tem livrado de toda a angustia; e os meus olhos viram o meu desejo sobre os meus inimigos.

David queixa-se da malicia dos seus inimigos; persevera em oração, e lança a sua carga sobre o Senhor.

Maschil de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.

55 Inclina ó Deus os teus ouvidos á minha oração, e não te escondas da minha supplica.

2 Attende-me, e ouve-me: lamento na minha queixa, [1] e faço ruido,

3 Pelo clamor do inimigo e por causa da oppressão do impio: pois lançou sobre mim a iniquidade, e com furor me aborrecem.

4 O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores da morte cairam sobre mim.

5 Temor e tremor vieram sobre mim; e o horror me cobriu.

6 Pelo que disse: Oh! quem me déra azas como de pomba! porque então voaria, e estaria em descanço.

7 Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto (Selah).

8 Apressar-me-hia a escapar da furia do vento e da tempestade.

9 [PG] Despedaça, [2] Senhor, e divide as suas linguas, pois tenho visto violencia e contenda na cidade.

10 De dia e de noite a cercam sobre os seus muros; iniquidade e malicia estão no meio d’ella.

11 Maldade ha dentro d’ella: astucia e engano não se apartam das suas ruas.

12 Pois não era um inimigo que me affrontava: então eu o houvera supportado: nem era o que me aborrecia que se engrandecia contra mim, porque d’elle me teria escondido.

13 Mas eras tu, homem meu egual, meu guia e meu intimo amigo.

14 Consultavamos juntos suavemente, [3] e andavamos em companhia na casa de Deus.

15 A morte os assalte, e vivos desçam ao [PH] inferno; porque ha maldade nas suas habitações e no meio d’elles.

16 Porém eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará.

17 De tarde [4] e de manhã e ao meio dia orarei; e clamarei, e elle ouvirá a minha voz.

18 Livrou em paz a minha alma da peleja que havia contra mim; pois havia muitos [PI] comigo.

19 Deus ouvirá, e os affligirá, Aquelle que preside desde a antiguidade (Selah), porque não ha n’elles nenhuma mudança, e portanto não temem a Deus.

20 Elle [5] poz as suas mãos n’aquelles que teem paz com elle: quebrou a sua alliança.

21 As palavras da sua bocca eram mais macias do que a manteiga, mas havia guerra no seu coração: as suas palavras eram mais brandas do que o azeite; comtudo, eram espadas nuas.

22 Lança [6] a tua carga sobre o Senhor, e elle te susterá: não permittirá nunca que o justo seja abalado.

23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue e de fraude não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.

[1] Isa. 38.14.

[2] Jer. 6.7.

[3] Psa. 42.5.

[4] Dan. 6.10. Luc. 18.1.

[5] Act. 12.1.

[6] Mat. 6.25.

David roga a Deus que o livre dos seus inimigos, e confia em que elle lh’o conceda.

Mictam de David para o cantor-mór, sobre Jonath-elem-rechokin, quando os philisteos o prenderam em Gath.

56 Tem misericordia de mim, ó Deus, porque o homem procura devorar-me; pelejando todo o dia, me opprime.

2 Os que me andam espiando procuram devorar-me todo o dia; pois são muitos os que pelejam contra mim, ó Altissimo.

3 Em qualquer tempo que eu temer, me confiarei de ti.

4 Em Deus louvarei a sua palavra, em Deus puz a minha confiança; [1] não temerei o que me possa fazer a carne.

5 Todos os dias torcem as minhas palavras: todos os seus pensamentos são contra mim para o mal.

6 Ajuntam-se, escondem-se, marcam os meus passos, como aguardando a minha alma.

7 Porventura escaparão elles por meio da sua iniquidade? Ó Deus, derriba os povos na tua ira!

8 Tu contas as minhas [PJ] vagueações; [2] põe as minhas lagrimas no teu odre; não estão ellas no teu livro?

9 Quando eu a ti clamar, então voltarão para traz os meus inimigos: isto sei eu, porque Deus é por mim.

10 Em Deus louvarei a sua palavra; no Senhor louvarei a sua palavra.

11 Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem.

12 Os teus votos estão sobre mim, ó Deus; eu te renderei acções de graças;

13 Pois tu livraste a minha alma da morte; não livrarás os meus pés da queda, para andar diante de Deus na luz dos viventes?

[1] Isa. 31.3. Heb. 13.6.

[2] Mal. 3.16.

David acha soccorro contra os seus inimigos e louva a Deus.

Mictam de David para o cantor-mór Al-tascheth, quando fugia de diante de Saul na caverna.

57 Tem misericordia de mim, ó Deus, tem misericordia de mim, porque a minha alma confia em ti; e na sombra das tuas azas me abrigo, até que passem [1] as calamidades.

2 Clamarei ao Deus altissimo, ao Deus que por mim tudo executa.

3 Elle enviará desde os céus, e me salvará do desprezo d’aquelle que procurava devorar-me (Selah). Deus enviará a sua misericordia e a sua verdade.

4 A minha alma está entre leões, e eu estou entre aquelles que estão abrazados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e frechas, e a sua lingua espada afiada.

5 Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; seja a tua gloria sobre toda a terra.

6 Armaram uma rede aos meus passos; a minha alma está abatida; cavaram uma cova diante de mim, porém elles mesmos cairam no meio d’ella (Selah).

7 Preparado está o meu coração, ó Deus, preparado está o meu coração; cantarei, e direi psalmos.

8 Desperta, gloria minha, desperta, alaude e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva.

9 Louvar-te-hei, Senhor, entre os povos; eu te cantarei entre as nações.

10 Pois a tua misericordia é grande até aos céus, e a tua verdade até ás nuvens.

11 Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; e seja a tua gloria sobre toda a terra.

[1] Isa. 26.20.

David reprova os impios. Deus os castigará, e salvará os justos.

Mictam de David para o cantor-mór Al-tascheth.

58 Acaso fallaes vós devéras, ó congregação, a justiça? Julgaes realmente, ó filhos dos homens?

2 Antes no coração obraes perversidades: sobre a terra pesaes a violencia das vossas mãos.

3 Alienam-se os impios desde a madre; andam errados desde que nasceram, fallando mentiras.

4 O seu veneno é similhante ao veneno da serpente; são como a vibora surda que tapa os ouvidos,

5 Para não ouvir a voz dos encantadores, do encantador sabio em encantamentos.

6 Ó Deus, quebra-lhes os dentes nas suas boccas; arranca, Senhor, os dentes queixaes aos filhos dos leões.

7 Escorram como aguas que correm constantemente; quando elle armar as suas frechas, fiquem feitos em pedaços.

8 Como a lesma se derrete, assim se vá cada um d’elles, como o aborto d’uma mulher, que nunca viu o sol.

9 Antes que as vossas panellas sintam os espinhos, elle os arrebatará na sua indignação como com um redemoinho.

10 O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do impio.

11 Então dirá o homem: Devéras ha uma recompensa para o justo; devéras ha um Deus que julga na terra.

David supplica a Deus que o livre, e protesta a sua innocencia.

Mictam de David para o cantor-mór Al-taschet, quando Saul lhes mandou que guardassem a sua casa para o matarem.

59 Livra-me, meu Deus, dos meus inimigos, defende-me d’aquelles que se levantam contra mim.

2 Livra-me dos que obram a iniquidade, e salva-me dos homens sanguinarios.

3 Pois eis que põem ciladas á minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha ou por peccado meu, ó Senhor.

4 Elles correm, e se preparam, sem culpa minha: desperta para me ajudares, e olha.

5 Tu, pois, ó Senhor, Deus dos Exercitos, Deus d’Israel, desperta para visitares [PK] todos os gentios: não tenhas misericordia de nenhum dos perfidos que obram a iniquidade (Selah).

6 Voltam á tarde: dão ganidos como cães, e rodeiam a cidade.

7 Eis que elles dão gritos com as suas boccas; espadas estão nos seus labios, porque dizem elles: Quem ouve?

8 Mas tu, Senhor, te rirás d’elles: zombarás de todos os gentios.

9 Por causa da sua força eu te aguardarei; pois Deus é a minha alta defeza.

10 O Deus da minha misericordia me prevenirá: Deus me fará ver o meu desejo sobre os meus inimigos.

11 Não os mates, para que o meu povo se não esqueça: espalha-os pelo teu poder, e abate-os, ó Senhor, nosso escudo.

12 Pelo peccado da sua bocca e pelas palavras dos seus labios fiquem presos na sua soberba, e pelas maldições e pelas mentiras que fallam.

13 Consome-os na tua indignação, consome-os, para que não existam, e para que saibam que Deus reina em Jacob até aos fins da terra (Selah).

14 E tornem a vir á tarde, e dêem ganidos como cães, e cerquem a cidade.

15 Vagueiem para cima e para baixo por mantimento, e passem a noite sem se saciarem.

16 Eu porém cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericordia; porquanto tu foste o meu alto refugio, e protecção no dia da minha angustia.

17 A ti, ó fortaleza minha, cantarei psalmos; porque Deus é a minha defeza e o Deus da minha misericordia.

Acção de graças por varias victorias.

Mictam de David, de doutrina, para o cantor-mór, sobre Susan Eduth, quando pelejou com os syros de Mesopotamia, e com os syros de Zoba, e Joab, tornando, feriu no Valle do Sal a doze mil dos idumeos.

60 Ó Deus, tu nos rejeitaste, tu nos espalhaste, tu te indignaste; oh, volta-te para nós.

2 Abalaste a terra, e a fendeste; sara as suas fendas, pois ella treme.

3 Fizeste ver ao teu povo coisas arduas; [1] fizeste-nos beber o vinho da perturbação.

4 Déste um estandarte aos que te temem, para arvorarem no alto, por causa da verdade (Selah).

5 Para que os teus amados sejam livres, salva-nos com a tua dextra, e ouve-nos;

6 Deus fallou na sua sanctidade: Eu me regozijarei, [2] repartirei a Sichem e medirei o valle de Succoth.

7 Meu é Galaad, e meu é Manasseh; Ephraim é a força da minha cabeça; Judah é o meu legislador.

8 Moab é o meu vaso de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato; alegra-te, ó Palestina, por minha causa.

9 Quem me conduzirá á cidade forte? Quem me guiará até Edom?

10 Não serás tu, ó Deus, que nos tinhas rejeitado? tu, ó Deus, que não saiste com os nossos exercitos?

11 Dá-nos auxilio na angustia, porque vão é [PL] o soccorro do homem.

12 Em Deus faremos proezas; porque elle é que pisará os nossos inimigos.

[1] Isa. 51.17. Jer. 51.17, 21.

[2] Jos. 1.6. Gen. 12.6.

David confia em Deus como seu refugio.

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.

61 Ouve, ó Deus, o meu clamor; attende á minha oração.

2 Desde o fim da terra clamarei a ti, quando o meu coração estiver desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu.

3 Pois tens sido um refugio para mim, e uma torre forte contra o inimigo.

4 Habitarei no teu tabernaculo para sempre: abrigar-me-hei no occulto das tuas azas (Selah).

5 Pois tu, ó Deus, ouviste os meus votos: déste-me a herança dos que temem o teu nome.

6 Prolongarás os dias do rei; e os seus annos serão como muitas gerações.

7 Elle permanecerá diante de Deus para sempre; prepara-lhe misericordia e verdade que o preservem.

8 Assim cantarei psalmos ao teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos de dia em dia.

Exhortação a que se confie sómente em Deus.

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Jeduthun.

62 A minha alma [PM] espera sómente em Deus: d’elle vem a minha salvação.

2 Só elle é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defeza; não serei grandemente abalado.

3 Até quando maquinareis o mal contra um homem? sereis mortos todos vós, [1] sereis como uma parede encurvada e um vallado bambaleante.

4 Elles sómente consultam como o hão de derribar da sua excellencia: deleitam-se em mentiras; com a bocca bemdizem, mas nas suas entranhas maldizem (Selah).

5 Ó minha alma, [PN] espera sómente em Deus, porque d’elle vem a minha esperança.

6 Só elle é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defeza; não serei abalado.

7 Em Deus está a minha [2] salvação e a minha gloria: a rocha da minha fortaleza, e o meu refugio estão em Deus.

8 Confiae n’elle, ó povo, em todos os tempos; derramae perante elle o vosso coração; Deus é o nosso refugio (Selah).

9 Certamente [3] que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens d’ordem elevada são mentira; pesados em balanças, elles juntos são mais leves do que a vaidade.

10 Não confieis na oppressão, nem vos ensoberbeçaes na rapina; se as vossas riquezas augmentam, não ponhaes n’ellas o coração.

11 Deus fallou uma vez; duas vezes tenho ouvido isto: que o poder pertence a Deus.

12 A ti tambem, Senhor, pertence a misericordia; [4] pois retribuirás a cada um segundo a sua obra.

[1] Isa. 30.13.

[2] Jer. 3.23.

[3] Rom. 3.4.

[4] Jer. 32.19. Eze. 7.27 e 33.21. Rom. 2.8. Col. 3.25. I Ped. 1.17. Apo. 22.12.

David anhela pela presença de Deus.

Psalmo de David quando estava no deserto de Judah.

63 Ó Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei: a minha alma tem sêde de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra secca e cançada, onde não ha agua,

2 Para [1] ver a tua fortaleza e a tua gloria, como te vi no sanctuario.

3 Porque a tua benignidade é melhor do que a vida; os meus labios te louvarão.

4 Assim eu te bemdirei emquanto viver: em teu nome levantarei as minhas mãos.

5 A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha bocca te louvará com alegres labios,

6 Quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigilias da noite.

7 Porque tu tens sido o meu auxilio; portanto na sombra das tuas azas me regozijarei.

8 A minha alma te segue de perto: a tua dextra me sustenta.

9 Mas aquelles que procuram a minha alma para a destruir, irão para as profundezas da terra.

10 Cairão á espada, serão uma ração para as raposas.

11 Mas o rei se regozijará em Deus; [2] qualquer que por elle jurar se gloriará; porque se taparão as boccas dos que fallam a mentira.

[1] I Sam. 4.21.

[2] Deu. 6.13.

David supplica a Deus que guarde a sua vida, e espera que lh’o conceda.

Psalmo de David para o cantor-mór.

64 Ouve, ó Deus, a minha voz na minha oração: guarda a minha vida do temor do inimigo.

2 Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do tumulto dos que obram a iniquidade.

3 Que afiaram as suas linguas como espadas; e armaram por suas frechas palavras amargas,

4 A fim de atirarem em logar occulto ao que é recto; disparam sobre elle repentinamente, e não temem.

5 Firmam-se em mau intento; fallam de armar laços secretamente, e dizem: Quem os verá?

6 Andam inquirindo malicias, inquirem tudo o que se pode inquirir; e o intimo pensamento de cada um d’elles, e o coração, é profundo.

7 Mas Deus atirará sobre elles uma setta, e de repente ficarão feridos.

8 Assim elles farão com que as suas linguas tropecem contra si mesmos; todos aquelles que os virem fugirão.

9 E todos os homens temerão, [1] e annunciarão a obra de Deus; e considerarão prudentemente os feitos d’elle.

10 O justo se alegrará no Senhor, e confiará n’elle, e todos os rectos de coração se gloriarão.

[1] Jer. 50.28 e 51.10.

David louva a Deus e dá-lhe graças pelas bençãos concedidas.

Psalmo e cantico de David para o cantor-mór.

65 [PO] A ti, ó Deus, espera o louvor em Sião, e a ti se pagará o voto.

2 Ó tu que ouves as orações, [1] a ti virá toda a carne.

3 Prevalecem as iniquidades contra mim; porém tu expias as nossas transgressões.

4 Bemaventurado aquelle a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite em teus atrios: nós seremos fartos da bondade da tua casa e do teu sancto templo.

5 Pelas coisas tremendas em justiça nos responderás, ó Deus da nossa salvação; tu és a esperança de todas as extremidades da terra, e d’aquelles que estão longe sobre o mar.

6 O que pela sua força consolida os montes, cingido de fortaleza:

7 O que applaca o ruido dos mares, o ruido das suas ondas, e o tumulto das gentes.

8 E os que habitam nos fins da terra temem os teus signaes; tu fazes alegres as saidas da manhã e da tarde.

9 Tu visitas [2] a terra, e a refrescas; tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus, que está cheio d’agua; tu lhe preparas o trigo, quando assim a tens preparada.

10 Enches d’agua os seus regos, fazendo-a descer em suas margens: tu a amoleces com a muita chuva: abençoas as suas novidades.

11 Coroas o anno da tua bondade, e as tuas veredas distillam gordura.

12 Distillam sobre os pastos do deserto, e os outeiros os cingem de alegria.

13 Os campos se vestem de rebanhos, [3] e os valles se cobrem de trigo: elles se regozijam e cantam.

[1] Isa. 66.23.

[2] Deu. 11.12. Jer. 5.24.

[3] Isa. 55.12.

Cantico de louvor a Deus pelas suas grandes obras.

Cantico e psalmo para o cantor-mór.

66 Jubilae a Deus, todas as terras.

2 Cantae a gloria do seu nome; dae gloria ao seu louvor.

3 Dizei a Deus: Quão terrivel és tu nas tuas obras! pela grandeza do teu poder se submetterão a ti os teus inimigos.

4 Toda a terra te adorará e te cantará louvores: elles cantarão o teu nome (Selah).

5 Vinde, e vêde as obras de Deus: é terrivel nos seus feitos para com os filhos dos homens.

6 Converteu o [1] mar em terra secca; passaram o rio a pé; ali nos alegrámos n’elle.

7 Elle domina eternamente pelo seu poder: os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes (Selah).

8 Bemdizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor:

9 Ao que sustenta com vida a nossa alma, e não consente que sejam abalados os nossos pés.

10 Pois tu, ó Deus, nos provaste; [2] tu nos afinaste como se afina a prata.

11 Tu nos metteste na rede; affligiste os nossos lombos.

12 Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; [3] passámos pelo fogo e pela agua; mas nos trouxeste a um logar copioso.

13 Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-hei os meus votos.

14 Os quaes pronunciaram os meus labios, e fallou a minha bocca, quando estava na angustia.

15 Offerecer-te-hei holocaustos gordurosos com incenso de carneiros; offerecerei novilhos com cabritos (Selah).

16 Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que elle tem feito á minha alma.

17 A elle clamei com a minha bocca, e elle foi exaltado pela minha lingua.

18 Se eu attender [4] á iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá;

19 Mas, na verdade, Deus me ouviu; attendeu á voz da minha oração.

20 Bemdito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem desviou de mim a sua misericordia.

[1] Exo. 14.21.

[2] Zac. 13.9. I Ped. 1.6, 7.

[3] Isa. 43.2.

[4] Isa. 1.15. João 9.31. Thi. 4.3.

O reino de Deus abrange toda a terra.

Psalmo e cantico para o cantor-mór sobre Neginoth.

67 Deus tenha misericordia de nós e nos abençõe; [1] e faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selah).

2 Para [2] que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação.

3 Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.

4 Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos com equidade, e governarás as nações sobre a terra (Selah).

5 Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.

6 Então a terra dará [3] o seu fructo; e Deus, o nosso Deus, nos abençoará.

7 Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão.

[1] Num. 6.25.

[2] Act. 18.25.

[3] Lev. 26.4.

Cantico de louvor e acção de graças a Deus como nosso salvador.

Psalmo e cantico de David para o cantor-mór.

68 Levante-se Deus, [1] e sejam [PP] dissipados os seus inimigos; fugirão de diante d’elle os que o aborrecem.

2 Como se impelle o fumo assim tu os impelles; assim como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os impios diante de Deus.

3 Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem d’alegria.

4 Cantae a Deus, cantae louvores ao seu nome; louvae aquelle que vae montado sobre os céus, pois o seu nome é JAH, e exultae diante d’elle.

5 Pae d’orphãos e juiz de viuvas é Deus, no seu logar sancto.

6 Deus faz que o solitario viva em familia; liberta aquelles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra secca.

7 Ó Deus, [2] quando sahias diante do teu povo, quando caminhavas pelo deserto, (Selah).

8 A terra se abalava, e os céus distillavam perante a face de Deus; [3] até o proprio Sinai foi commovido na presença de Deus, do Deus de Israel.

9 Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundancia, confortaste a tua herança, quando estava cançada.

10 N’ella habitava o teu rebanho; tu, ó Deus, preparaste na tua bondade para o pobre.

11 O Senhor deu a palavra: grande era o exercito dos que annunciavam as boas novas.

12 Reis de exercitos fugiram á pressa; e aquella que ficava em casa repartia os despojos.

13 Ainda que vos tenhaes deitado entre [PQ] panellas, comtudo sereis como as azas d’uma pomba, cobertas de prata, e as suas pennas d’oiro amarello.

14 Quando o Omnipotente ali espalhou os reis, ella ficou alva como a neve em Salmon.

15 O monte de Deus é como o monte de Basan, um monte elevado como o monte de Basan.

16 Porque [PR] saltaes, ó montes elevados? este é o monte que Deus desejou para a sua habitação, e o Senhor habitará n’elle eternamente.

17 Os [4] carros de Deus são vinte milhares, milhares de milhares. O Senhor está entre elles, como em Sinai, no logar sancto.

18 Tu subiste ao alto, levaste captivo o captiveiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse entre elles.

19 Bemdito seja o Senhor, que de dia em dia nos carrega de beneficios: o Deus que é a nossa salvação (Selah).

20 Aquelle que é o nosso Deus é o Deus da salvação; e a JEHOVAH, o Senhor, pertencem as saidas da morte.

21 Mas Deus ferirá gravemente a cabeça de seus inimigos e o craneo cabelludo do que anda em suas culpas.

22 Disse o Senhor: Eu os farei voltar de Basan, farei voltar o meu povo das profundezas do mar.

23 Para que o teu pé mergulhe no sangue de teus inimigos, e no mesmo a lingua dos teus cães.

24 Ó Deus, elles teem visto os teus caminhos; os caminhos do meu Deus, meu Rei, no sanctuario.

25 Os cantores iam adiante, os tocadores de instrumentos atraz; entre elles as donzellas tocando adufes.

26 Celebrae a Deus nas congregações; ao Senhor, desde a fonte d’Israel.

27 Ali está o pequeno Benjamin, que domina sobre elles, os principes de Judah com o seu ajuntamento, os principes de Zabulon e os principes de Naphtali.

28 O teu Deus ordenou a tua força: fortalece, ó Deus, o que já obraste para nós.

29 Por amor do teu templo em Jerusalem, os reis te trarão presentes.

30 Reprehende asperamente as feras das cannas, a multidão dos toiros, com os novilhos dos povos, até que cada um se submetta com pedaços de prata; dissipa os povos que desejam a guerra.

31 Embaixadores reaes virão do Egypto; a Ethiopia cedo estenderá para Deus as suas mãos.

32 Reinos da terra, cantae a Deus, cantae louvores ao Senhor (Selah),

33 Áquelle que vae montado sobre os céus dos céus, que existiam desde a antiguidade; eis que envia a sua voz, dá um brado vehemente.

34 Dae a Deus fortaleza: a sua excellencia está sobre Israel e a sua fortaleza nas mais altas nuvens.

35 Ó Deus, tu és tremendo desde os teus sanctuarios: o Deus d’Israel é o que dá fortaleza e poder ao seu povo. Bemdito seja Deus!

[1] Num. 10.35. Isa. 33.3.

[2] Exo. 13.21. Jui. 4.14. Hab. 3.13.

[3] Exo. 19.16.

[4] Deu. 33.2. Heb. 12.12.

Os soffrimentos de David prefiguram os do Messias.

Psalmo de David para o cantor-mór sobre Shoshannim.

69 Livra-me, ó Deus, pois as aguas entraram até á minha alma.

2 Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não póde estar em pé; entrei na profundeza das aguas, onde a corrente me leva.

3 Estou cançado de clamar; a minha garganta se seccou: os meus olhos desfallecem esperando o meu Deus.

4 Aquelles que me aborrecem sem causa [1] são mais do que os cabellos da minha cabeça; aquelles que procuram destruir-me, sendo injustamente meus inimigos, são poderosos: então restitui o que não furtei.

5 Tu, ó Deus, bem conheces a minha insipiencia; e os meus peccados não te são encobertos.

6 Não sejam envergonhados por minha causa aquelles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exercitos; não sejam confundidos por minha causa aquelles que te buscam, ó Deus d’Israel.

7 Porque por amor de ti tenho supportado affrontas; a confusão cobriu o meu rosto.

8 Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe.

9 Pois o zelo da tua casa me devorou, e as affrontas dos que te affrontam cairam sobre mim.

10 Quando chorei, e castiguei com jejum a minha alma, isto se me tornou em affrontas.

11 Puz por vestido um sacco, e me fiz um proverbio para elles.

12 Aquelles que se assentam á porta fallam contra mim; e fui o cantico dos bebedores de bebida forte.

13 Eu porém faço a minha oração a ti, Senhor, [2] n’um tempo acceitavel: ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericordia, segundo a verdade da tua salvação.

14 Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me aborrecem, e das profundezas das aguas.

15 Não me leve a corrente das aguas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a sua bocca sobre mim.

16 Ouve-me, Senhor, pois boa é a tua misericordia: olha para mim segundo a tua muitissima piedade.

17 E não escondas o teu rosto do teu servo, porque estou angustiado: ouve-me depressa.

18 Approxima-te da minha alma, e resgata-a; livra-me por causa dos meus inimigos.

19 Bem tens [3] conhecido a minha affronta, e a minha vergonha, e a minha confusão; diante de ti estão todos os meus adversarios.

20 Affrontas me quebrantaram o coração, e estou fraquissimo: esperei por alguem que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei.

21 Deram-me fel por mantimento, e na minha sêde me deram a beber vinagre.

22 Torne-se-lhes a sua mesa diante d’elles em laço e [PS] para sua recompensa em ruina.

23 Escureçam-se-lhes os seus olhos, para que não vejam, e faze com que os seus lombos tremam constantemente.

24 Derrama sobre elles a tua indignação, e prenda-os o ardor da tua ira.

25 Fique desolado o seu [PT] palacio; e não haja quem habite nas suas tendas.

26 Pois perseguem áquelle a quem feriste, e conversam sobre a dôr d’aquelles a quem chagaste.

27 Accrescenta iniquidade á iniquidade d’elles, e não entrem na tua justiça.

28 Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam escriptos com os justos.

29 Eu porém sou pobre, e estou triste; ponha-me a tua salvação, ó Deus, n’um alto retiro.

30 Louvarei o nome de Deus com um cantico, e engrandecel-o-hei com acção de graças.

31 Isto será mais agradavel ao Senhor do que o boi ou bezerro que tem pontas e unhas.

32 Os mansos verão isto, e se agradarão; o vosso coração viverá, pois que buscaes a Deus.

33 Porque o Senhor ouve os necessitados, e não despreza os seus captivos.

34 Louvem-n’o os céus e a terra, os mares e tudo quanto n’elles se move.

35 Porque Deus salvará a Sião, e edificará as cidades de Judah, para que habitem n’ella e as possuam.

36 E herdal-a-ha a semente de seus servos, e os que amam o seu nome habitarão n’ella.

[1] João 15.25.

[2] Isa. 49.8 e 55.6. II Cor. 6.2.

[3] Isa. 53.3. Heb. 12.2.

Na sua afflicção David supplica a Deus que se apresse em livral-o.

Psalmo de David para o cantor-mór, para lembrança.

70 Apressa-te, ó Deus, em me livrar; Senhor, apressa-te em ajudar-me.

2 Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma; voltem para traz e confundam-se os que me desejam mal.

3 Virem as costas por causa da recompensa da sua vergonha os que dizem: Ha! ha!

4 Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aquelles que amam a tua salvação digam continuamente: Engrandecido seja Deus.

5 Eu porém estou afflicto e necessitado; apressa-te a mim, ó Deus; tu és o meu auxilio e o meu libertador: Senhor, não te detenhas.

David confia em Deus, e roga que o livre dos seus inimigos, e o proteja.

71 Em ti, Senhor, confio; nunca seja eu confundido.

2 Livra-me na tua justiça, e faze-me escapar: inclina os teus ouvidos para mim, e salva-me.

3 Sê tu a minha habitação forte, á qual possa recorrer continuamente: déste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.

4 Livra-me, meu Deus, das mãos do impio, das mãos do homem injusto e cruel.

5 Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a minha confiança desde a [1] minha mocidade.

6 Por ti tenho sido sustentado desde o ventre: tu és aquelle que me tiraste das entranhas de minha mãe: o meu louvor será para ti constantemente.

7 Sou como um prodigio para muitos, mas tu és o meu refugio forte.

8 Encha-se a minha bocca do teu louvor da tua gloria todo o dia.

9 Não me rejeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se fôr acabando a minha força.

10 Porque os meus inimigos fallam contra mim, e os que espiam a minha alma consultam juntos,

11 Dizendo: Deus o desamparou: persegui-o e tomae-o, pois não ha quem o livre.

12 Ó Deus, não te alongues de mim: meu Deus, apressa-te em ajudar-me.

13 Sejam confundidos e consumidos os que são adversarios da minha alma; cubram-se d’opprobrio e de confusão aquelles que procuram o meu mal.

14 Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais.

15 A minha bocca manifestará a tua justiça e a tua salvação todo o dia, pois não conheço o numero d’ellas.

16 Sairei na força do Senhor Deus, farei menção da tua justiça, e só d’ella.

17 Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho annunciado as tuas maravilhas.

18 Agora tambem, quando estou velho e de cabellos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha annunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os vindouros.

19 Tambem a tua justiça, ó Deus, está muito alta, pois fizeste grandes coisas: ó Deus, quem é similhante a ti?

20 Tu, que me tens feito ver muitos males e angustias, me [2] darás ainda a vida, e me tirarás dos abysmos da terra.

21 Augmentarás a minha grandeza, e de novo me consolarás.

22 Tambem eu te louvarei com o psalterio, bem como á tua verdade, ó meu Deus, cantarei com a harpa a ti, ó [3] Sancto d’Israel.

23 Os meus labios exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma que tu remiste.

24 A [4] minha lingua fallará da tua justiça todo o dia; pois estão confundidos e envergonhados aquelles que procuram o meu mal.

[1] Jer. 17.7, 17.

[2] Ose. 6.1, 2.

[3] Isa. 60.9.

[4] ver. 8, 15.

A excellencia, justiça e gloria do reino de Salomão prefiguram as do Messias.

Psalmo [PU] de Salomão.

72 Ó Deus, dá ao rei dos teus juizos, e a tua justiça ao filho do rei.

2 Elle julgará [1] ao teu povo com justiça, e aos teus pobres com juizo.

3 Os montes trarão paz ao povo e os outeiros com justiça.

4 Julgará os afflictos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o oppressor.

5 Temer-te-hão emquanto durar o sol e a lua, de geração em geração.

6 Elle descerá [2] como a chuva sobre a herva ceifada, como os chuveiros que humedecem a terra.

7 Nos seus dias florescerá o justo, [3] e abundancia de paz emquanto durar a lua.

8 Dominará de mar a mar, e desde o rio até ás extremidades da terra.

9 Aquelles que habitam no deserto se inclinarão ante elle, e os seus inimigos lamberão o pó.

10 Os reis de Tarsis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sheba e de Saba offerecerão dons.

11 E todos os reis se prostrarão perante elle; todas as nações o servirão.

12 Porque elle livrará ao necessitado quando clamar, como tambem ao afflicto e ao que não tem quem o ajude.

13 Compadecer-se-ha do pobre e do afflicto, e salvará as almas dos necessitados.

14 Libertará as suas almas do engano e da violencia, e precioso será o seu sangue aos olhos d’elle.

15 E viverá, e se lhe dará do oiro de Sheba; e continuamente se fará por elle oração; e todos os dias o bemdirão.

16 Haverá um punhado de trigo em terra sobre as cabeças dos montes; o seu fructo se abalará como o Libano, e os da cidade florescerão como a herva da terra.

17 O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de paes a filhos emquanto o sol durar, e os homens serão abençoados n’elle; todas as nações lhe chamarão bemaventurado.

18 Bemdito [4] seja o Senhor Deus, o Deus d’Israel, que só elle faz maravilhas.

19 E bemdito seja para sempre o seu nome glorioso; e encha-se toda a terra da sua gloria. Amen e Amen.

20 Aqui acabam as orações de David, filho de Jessé.

[1] Isa. 11.2, 3, 4 e 32.1.

[2] Ose. 6.3.

[3] Isa. 2.4. Dan. 2.44.

[4] Gen. 12.3 e 22.18. Jer. 4.2.

A prosperidade dos impios faz duvidar da justiça de Deus, mas o seu fim a demonstra.

Psalmo de Asaph.

73 Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração.

2 Emquanto a mim, os meus pés quasi que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos.

3 Pois eu tinha inveja dos loucos, quando via a prosperidade dos impios.

4 Porque não ha apertos na sua morte, mas firme está a sua força.

5 Não se acham em trabalhos como outra gente, nem são afflictos como outros homens.

6 Pelo que a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violencia como de adorno.

7 Os olhos d’elles estão inchados de gordura: elles teem mais do que o coração podia desejar.

8 São corrompidos e tratam maliciosamente de oppressão; [1] fallam arrogantemente.

9 Põem as suas boccas contra os céus, e as suas linguas andam pela terra.

10 Pelo que o seu povo volta aqui, e aguas de copo cheio se lhes espremem.

11 E dizem: Como o sabe Deus? ou ha conhecimento no Altissimo?

12 Eis que estes são impios, e [PV] prosperam no mundo; augmentam em riquezas.

13 Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração; [2] e lavei as minhas mãos na innocencia.

14 Pois todo o dia tenho sido afflicto, e castigado cada manhã.

15 Se eu dissesse: Fallarei assim; eis que offenderia a geração de teus filhos.

16 Quando pensava em entender isto [3] foi para mim muito doloroso;

17 Até que entrei no sanctuario de Deus: então entendi eu o fim d’elles.

18 Certamente tu os pozeste em logares escorregadios: tu os lanças em destruição.

19 Como caem na desolação, quasi n’um momento! ficam totalmente consumidos de terrores.

20 Como um sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a apparencia d’elles.

21 Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins.

22 Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como uma besta perante ti.

23 Todavia estou de continuo comtigo; tu me sustentaste pela minha mão direita.

24 Guiar-me-has com o teu conselho, e depois me receberás em gloria.

25 Quem tenho [4] eu no céu senão a ti? e na terra não ha a quem eu deseje além de ti.

26 A minha carne e o meu coração desfallecem; mas Deus é a [PW] fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.

27 Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu [5] tens destruido todos aquelles que se desviam de ti.

28 Mas para mim, bom é approximar-me de Deus; puz a minha confiança no Senhor Deus, para annunciar todas as tuas obras.

[1] Ose. 7.16. II Ped. 2.18.

[2] Mal. 3.14.

[3] Ecc. 8.17.

[4] Col. 3.8.

[5] Exo. 34.15.

A assolação do sanctuario, e a supplica para que se lembrasse do seu povo afflicto.

Maschil de Asaph.

74 Ó Deus, porque nos rejeitaste para sempre? Porque se accende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto?

2 Lembra-te da tua congregação que compraste [1] desde a antiguidade, [PX] da vara da tua herança que remiste, este monte de Sião, em que habitaste.

3 Levanta os teus pés para as perpetuas assolações, para tudo o que o inimigo tem feito de mal no sanctuario.

4 Os teus inimigos bramam [2] no meio das tuas synagogas; põem n’ellas as suas insignias por signaes.

5 Cada qual se fez afamado, conforme levantara o machado contra a espessura do arvoredo.

6 Mas agora toda a obra entalhada por uma vez quebram com machados e martellos.

7 Lançaram fogo no teu sanctuario; profanaram, derribando-a até ao chão, a morada do teu nome.

8 Disseram nos seus corações: Despojemol-os d’uma vez. Queimaram todas as synagogas de Deus na terra.

9 Já não vemos os nossos signaes, já não ha propheta: nem ha entre nós alguem que saiba até quando isto durará.

10 Até quando, ó Deus, nos affrontará o adversario? Blasphemará o inimigo o teu nome para sempre?

11 Porque retiras a tua mão, a saber, a tua dextra? tira-a de dentro do teu seio, e consome-os.

12 Todavia Deus é o meu Rei desde a antiguidade, obrando a salvação no meio da terra.

13 Tu dividiste o [3] mar pela tua força; quebrantaste as cabeças dos [PY] dragões nas aguas.

14 Fizeste em pedaços as cabeças do leviathan, e o déste por mantimento aos habitantes do deserto.

15 Fendeste a fonte e o ribeiro: seccaste os rios impetuosos.

16 Teu é o dia e tua é a noite: [4] preparaste a luz e o sol.

17 Estabeleceste todos os limites da terra; [5] verão e inverno tu os formaste.

18 Lembra-te d’isto: [6] que o inimigo affrontou ao Senhor, e que um povo louco blasphemou o teu nome.

19 Não entregues ás feras a alma da tua rola: não te esqueças para sempre da vida dos teus afflictos.

20 Attende ao teu concerto; pois os logares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de [PZ] crueldade.

21 Oh, não volte envergonhado o opprimido: louvem o teu nome o afflicto e o necessitado.

22 Levanta-te, ó Deus, pleiteia a sua propria causa; lembra-te da affronta que o louco te faz cada dia.

23 Não te esqueças [QA] dos gritos dos teus inimigos: o tumulto d’aquelles que se levantam contra ti augmenta continuamente.

[1] Exo. 15.16. Deu. 9.29.

[2] Lam. 2.7.

[3] Exo. 14.21.

[4] Gen. 1.14.

[5] Gen. 8.22.

[6] Apo. 16.19.

O propheta louva a Deus e promette fazer observar a justiça.

Para o cantor-mór Al-tascheth. Psalmo e cantico de Asaph.

75 A ti, ó Deus, glorificamos, a ti damos louvor, pois o teu nome está perto, as tuas maravilhas o declaram.

2 Quando eu occupar o logar determinado, julgarei rectamente.

3 A terra e todos os seus moradores estão dissolvidos, mas eu fortaleci as suas columnas (Selah).

4 Disse eu aos loucos: Não enlouqueçaes; e aos impios: Não levanteis a fronte:

5 Não levanteis a vossa fronte altiva, nem falleis com cerviz dura;

6 Porque nem do oriente, nem do occidente, nem do deserto vem a exaltação.

7 Mas Deus é o Juiz; a um abate, e a outro exalta.

8 Porque na mão do Senhor ha um calix, cujo vinho é roxo; está cheio de mistura; e dá a beber d’elle; mas as fezes d’elle todos os impios da terra as sorverão e beberão.

9 E eu o declararei para sempre; cantarei louvores ao Deus de Jacob.

10 E [QB] quebrarei todas as forças dos impios, mas as forças dos justos serão exaltadas.

A magestade e o poder de Deus.

Psalmo e cantico de Asaph, para o cantor-mór, sobre Neginoth.

76 Conhecido é Deus em Judah: grande é o seu nome em Israel.

2 E em Salem está o seu tabernaculo, e a sua morada em Sião.

3 Ali quebrou as frechas do arco; o escudo, e a espada e a guerra (Selah).

4 Tu és mais illustre, ó glorioso, do que os montes de preza.

5 Os que são ousados de coração são despojados; dormiram o seu somno, e nenhum dos homens de força achou as suas mãos.

6 Á tua reprehensão, [1] ó Deus de Jacob, carros e cavallos são lançados n’um somno profundo.

7 Tu, tu és terrivel; e quem subsistirá á tua vista, uma vez que te irares?

8 Desde os céus fizeste ouvir o teu juizo; a terra tremeu e se aquietou,

9 Quando Deus se levantou para fazer juizo, para livrar a todos os mansos da terra (Selah).

10 Porque a colera do homem redundará em teu louvor; o restante da colera tu o restringirás.

11 Fazei votos, e pagae ao Senhor, vosso Deus: tragam presentes, os que estão em redor d’elle, áquelle que é tremendo.

12 Elle ceifará o espirito dos principes: é tremendo para com os reis da terra.

[1] Exo. 15.1, 21. Eze. 39.20.

O estado interno do psalmista; elle anima a sua alma pela consideração das grandes obras e da misericordia de Deus.

Psalmo de Asaph, para o cantor-mór, por Jeduthun.

77 Clamei ao Senhor com a minha voz: a Deus levantei a minha voz, e elle inclinou para mim os ouvidos.

2 No dia da minha angustia busquei ao Senhor: a minha mão se estendeu de noite, e não cessava; a minha alma recusava ser consolada.

3 Lembrava-me de Deus, e me perturbei: queixava-me, e o meu espirito desfallecia (Selah).

4 Sustentaste os meus olhos acordados: estou tão perturbado que não posso fallar.

5 Considerava [1] os dias da antiguidade, os annos dos tempos antigos.

6 De noite chamei á lembrança o meu cantico: meditei em meu coração, e o meu espirito esquadrinhou.

7 Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favoravel?

8 Cessou para sempre a sua benignidade? acabou-se já a promessa de geração em geração?

9 Esqueceu-se Deus de ter misericordia? ou encerrou elle as suas misericordias na sua ira? (Selah).

10 E eu disse: A minha enfermidade é esta: mas eu me lembrei dos annos da dextra do Altissimo.

11 Eu me lembrarei das obras do Senhor: certamente que eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade.

12 Meditarei tambem em todas as tuas obras, e fallarei dos teus feitos.

13 O teu caminho, ó Deus, está no sanctuario. [2] Quem é Deus tão grande como o nosso Deus?

14 Tu és o Deus que fazes maravilhas: tu fizeste notoria a tua força entre os povos.

15 Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacob e de José (Selah).

16 As aguas te viram, ó Deus, as aguas te viram, e tremeram; os abysmos tambem se abalaram.

17 As nuvens lançaram agua, os céus deram um som; as tuas frechas correram d’uma para outra parte.

18 A voz do teu trovão estava no céu; os relampagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu.

19 O teu caminho é no mar, e as tuas veredas nas grandes aguas, e os teus passos não são conhecidos.

20 Guiaste o [3] teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moysés e d’Aarão.

[1] Deu. 32.7.

[2] Exo. 15.11.

[3] Exo. 13.21 e 14.19.

A salvação que Deus concedeu a Israel; a rebellião contra Elle; Deus escolheu Judah e David para pastorear Israel.

Maschil de Asaph.

78 Escutae a minha lei, [1] povo meu: inclinae os vossos ouvidos ás palavras da minha bocca.

2 Abrirei a minha bocca n’uma parabola; fallarei enigmas da antiguidade.

3 As quaes temos ouvido e sabido, e nossos paes nol-as teem contado.

4 Não as encobriremos [2] aos seus filhos, mostrando á geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez.

5 Porque elle estabeleceu um testemunho em Jacob, e poz uma lei em Israel, [3] a qual deu aos nossos paes para que a fizessem conhecer a seus filhos.

6 Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quaes se levantassem e a contassem a seus filhos.

7 Para que pozessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos.

8 E não fossem como seus paes, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espirito não foi fiel com Deus.

9 Os filhos de Ephraim, armados e trazendo arcos, viraram costas no dia da peleja.

10 Não guardaram o concerto de Deus, e recusaram andar na sua lei.

11 E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.

12 Maravilhas [4] que elle fez á vista de seus paes na terra do Egypto, no campo de Zoan.

13 Dividiu o mar, e os fez passar por elle; fez com que as aguas parassem como n’um montão.

14 De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo.

15 Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abysmos.

16 Fez sair fontes da rocha, e fez correr as aguas como rios.

17 E ainda proseguiram em peccar contra elle, [5] provocando ao Altissimo na solidão.

18 E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu appetite.

19 E fallaram [6] contra Deus, e disseram: Acaso pode Deus preparar-nos uma mesa no deserto?

20 Eis que [7] feriu a penha, e aguas correram d’ella; rebentaram ribeiros em abundancia: poderá tambem dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo?

21 Pelo que o Senhor [8] os ouviu, e se indignou: e accendeu um fogo contra Jacob, e furor tambem subiu contra Israel;

22 Porquanto não creram [9] em Deus, nem confiaram na sua salvação:

23 Ainda que mandara ás altas nuvens, [10] e abriu as portas dos céus,

24 E chovera [11] sobre elles o manná para comerem, e lhes dera do trigo do céu.

25 O homem comeu o pão dos [QC] anjos; elle lhes mandou comida a fartar.

26 Fez ventar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua força.

27 E choveu sobre elles carne como pó, e aves d’azas como a areia do mar.

28 E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações.

29 Então comeram [12] e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo.

30 Não refreiaram o seu appetite. Ainda [13] lhes estava a comida na bocca,

31 Quando a ira de Deus desceu sobre elles, e matou os mais gordos d’elles, e feriu os escolhidos d’Israel.

32 Com tudo isto ainda peccaram, e não deram credito ás suas maravilhas.

33 Pelo que consumiu os seus dias na vaidade e os seus annos na angustia.

34 Quando os [14] matava, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus.

35 E se lembravam de que Deus era a sua rocha, [15] e o Deus Altissimo o seu Redemptor.

36 Todavia lisongeavam-n’o com a bocca, e com a lingua lhe mentiam.

37 Porque o seu coração não era recto para com elle, nem foram fieis no seu concerto.

38 Porém elle, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade: e não os destruiu, antes muitas vezes desviou d’elles o seu furor, e não despertou toda a sua ira.

39 Porque se lembrou de que eram de carne, vento que vae e não torna.

40 Quantas vezes o provocaram no deserto, e o molestaram na solidão!

41 Voltaram atraz, [16] e tentaram a Deus; e limitaram o Sancto d’Israel.

42 Não se lembraram da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversario;

43 Como obrou os seus signaes no Egypto, e as suas maravilhas no campo de Zoan;

44 E converteu [17] os seus rios em sangue, e as suas correntes, para que não podessem beber.

45 Enviou [18] entre elles enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruiram.

46 Deu tambem ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos.

47 Destruiu [19] as suas vinhas com saraiva, e os seus sycomoros com pedrisco.

48 Tambem entregou o seu gado á saraiva, e os seus rebanhos ás brazas ardentes.

49 Lançou sobre elles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angustia, mandando maus anjos contra elles.

50 Preparou caminho á sua ira; não retirou as suas almas da morte, mas entregou á pestilencia as suas vidas.

51 E feriu a todo o primogenito no Egypto, primicias da sua força nas tendas de Cão.

52 Mas fez com que o seu povo saisse como ovelhas, e os guiou pelo deserto como um rebanho.

53 E os guiou com segurança, que não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos.

54 E o trouxe até ao termo [20] do seu sanctuario, até este monte que a sua dextra adquiriu.

55 E expulsou as nações de diante d’elles, e as partiu em herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribus d’Israel.

56 Comtudo tentaram [21] e provocaram o Deus altissimo, e não guardaram os seus testemunhos.

57 Mas retiraram-se para traz, e portaram-se infielmente como seus paes: viraram-se como um arco enganoso.

58 Pois o provocaram á ira com os seus altos, e moveram o seu zelo com as suas imagens de esculptura.

59 Deus ouviu isto e se indignou; e aborreceu a Israel em grande maneira.

60 Pelo que desamparou [22] o tabernaculo em Silo, a tenda que estabeleceu entre os homens.

61 E deu [23] a sua força ao captiveiro; e a sua gloria á mão do inimigo.

62 E entregou [24] o seu povo á espada; e se enfureceu contra a sua herança.

63 O fogo consumiu os seus mancebos, e as suas donzellas não foram dadas em casamento.

64 Os seus sacerdotes cairam á espada, e as suas viuvas não fizeram lamentação.

65 Então o Senhor despertou, [25] como quem acaba de dormir, como um valente que se alegra com o vinho.

66 E feriu os seus adversarios por detraz, e pôl-os em perpetuo desprezo.

67 Além d’isto, recusou o tabernaculo de José, e não elegeu a tribu d’Ephraim.

68 Antes elegeu a tribu de Judah; o monte de Sião, que elle amava.

69 E edificou o seu sanctuario como altos palacios, como a terra que fundou para sempre.

70 Tambem elegeu a David seu servo, [26] e o tirou dos apriscos das ovelhas:

71 E o tirou do cuidado das que se achavam prenhes; para apascentar a Jacob, seu povo, e a Israel, sua herança.

72 Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela [QD] industria de suas mãos.

[1] Isa. 51.4.

[2] Deu. 4.9 e 6.7.

[3] Deu. 4.9.

[4] Exo. 7 e 8 e 9 e 10 e 11 e 12. Gen. 32.3. Num. 13.22.

[5] Deu. 9.22. Heb. 3.16.

[6] Num. 11.4.

[7] Exo. 17.6. Num. 20.11.

[8] Num. 11.1, 10.

[9] Heb. 3.18.

[10] Gen. 7.11. Mal. 3.10.

[11] Exo. 16.4, 14. João 6.31. I Cor. 10.3.

[12] Num. 11.30.

[13] Num. 11.35.

[14] Ose. 5.15.

[15] Exo. 15.13. Deu. 7.8.

[16] Num. 14.22.

[17] Exo. 7.20.

[18] Exo. 8.24.

[19] Exo. 9.23, 25.

[20] Exo. 15.17.

[21] Jui. 2.11, 12.

[22] I Reis 4.11.

[23] Jui. 18.30.

[24] I Reis 4.10.

[25] Isa. 42.13.

[26] Gen. 33.13. Isa. 40.11.

A assolação de Jerusalem e a supplica de soccorro.

Psalmo de Asaph.

79 Ó Deus, [QE] os gentios vieram á tua [1] herança; contaminaram o teu sancto templo; reduziram Jerusalem a montões de pedras.

2 Deram os corpos mortos dos teus servos por comida ás aves dos céus, e a carne dos teus sanctos ás bestas da terra.

3 Derramaram o sangue d’elles como agua ao redor de Jerusalem, e não houve quem os enterrasse.

4 Somos feitos opprobrio para nossos visinhos, escarneo e zombaria para os que estão á roda de nós.

5 Até quando, Senhor? Acaso te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?

6 Derrama o teu furor sobre os gentios que te não conhecem, e sobre os reinos que não invocam o teu nome.

7 Porque devoraram a Jacob, e assolaram as suas moradas.

8 Não te lembres [2] das nossas iniquidades passadas: previnam-nos depressa as tuas misericordias, pois já estamos muito abatidos.

9 Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela gloria do teu nome: e livra-nos, e espia os nossos peccados por amor do teu nome.

10 Porque diriam os gentios: Onde está o seu Deus? Seja elle conhecido entre os gentios, a nossa vista, pela vingança do sangue dos teus servos, que foi derramado.

11 Venha perante a tua face o gemido dos presos; segundo a grandeza do teu braço preserva aquelles que estão sentenciados á morte.

12 E torna aos nossos visinhos, no seu regaço, sete vezes tanto da sua injuria com a qual te injuriaram, Senhor.

13 Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente: de geração em geração cantaremos os teus louvores.

[1] Exo. 15.17.

[2] Isa. 64.9.

O propheta supplica a Deus que livre a sua vinha dos que a destroem.

Para o cantor-mór. Sobre Sosanim Eduth. Psalmo de Asaph.

80 Tu, que és pastor d’Israel, dá ouvidos: tu, que guias a José como a um rebanho: tu, que te assentas entre os [1] cherubins, resplandece.

2 Perante Ephraim, Benjamin e Manasseh, desperta o teu poder, e vem salvar-nos.

3 Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.

4 Ó Senhor Deus dos Exercitos, até quando te indignarás contra a oração do teu povo?

5 Tu os sustentas com pão de lagrimas, [2] e lhes dás a beber lagrimas, [QF] com abundancia.

6 Tu nos pões em contendas com os nossos visinhos: e os nossos inimigos zombam de nós entre si.

7 Faze-nos voltar, [3] ó Deus dos Exercitos, e faze resplandecer o teu rosto; e seremos salvos.

8 Trouxeste uma vinha do Egypto: lançaste fóra as nações, e a plantaste.

9 Preparaste-lhe logar, e fizeste com que ella deitasse raizes; e encheu a terra.

10 Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram como os formosos cedros.

11 Ella estendeu a sua ramagem até ao mar, e os seus ramos até ao rio.

12 Porque quebraste então os seus vallados, de modo que todos os que passam por ella a vindimam?

13 O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram.

14 Oh Deus dos Exercitos, volta-te, nós te rogamos, attende dos céus, e vê, e visita esta vide;

15 E a videira que a tua dextra plantou, e o sarmento que fortificaste para ti.

16 Está queimada pelo fogo, está cortada: pereceu pela reprehensão da tua face.

17 Seja a tua mão sobre o varão da tua dextra, sobre o filho do homem, que fortificaste para ti.

18 Assim nós não te viraremos as costas; guarda-nos em vida, e invocaremos o teu nome.

19 Faze-nos voltar, Senhor Deus dos Exercitos: faze resplandecer o teu rosto; e seremos salvos.

[1] Exo. 25.20, 22.

[2] Isa. 30.20.

[3] Isa. 5.17.

Deus reprehende a Israel pela sua ingratidão e rebellião.

Psalmo de Asaph para o cantor-mór, sobre Gittith.

81 Exultae a Deus, nossa fortaleza: jubilae ao Deus de Jacob.

2 Tomae o psalterio, e trazei o adufe, a harpa suave e o alaude.

3 Tocae a trombeta na lua nova, no tempo apontado da nossa solemnidade.

4 Porque isto era um estatuto para Israel, e uma ordenança do Deus de Jacob.

5 Ordenou-o em José por testemunho, quando saira pela terra do Egypto, onde ouvi uma lingua que não entendia.

6 Tirei de seus hombros a carga; as suas mãos foram livres [QG] das marmitas.

7 Clamaste na angustia, e te livrei; respondi-te no logar occulto dos trovões; [1] provei-te nas aguas de Meribah (Selah).

8 Ouve-me, povo meu, e eu te attestarei: ah, Israel, se me ouvisses!

9 Não haverá entre ti Deus alheio nem te prostrarás ante um Deus estranho.

10 Eu [2] sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egypto: abre bem a tua bocca, e t’a encherei.

11 Mas o meu povo não quiz ouvir a minha voz, e Israel não me quiz.

12 Pelo que eu os entreguei aos desejos dos seus proprios corações, e andaram nos seus mesmos conselhos.

13 Oh! se o meu povo me tivesse ouvido! se Israel andasse nos meus caminhos!

14 Em breve abateria os seus inimigos, e viraria a minha mão contra os seus adversarios.

15 Os que aborrecem ao Senhor ter-se-lhe-hiam sujeitado, e o seu tempo seria eterno.

16 E o sustentaria com o trigo mais fino, e te fartaria com o mel saido da [QH] pedra.

[1] Exo. 17.6.

[2] Exo. 20.2.

O propheta reprehende os juizes por causa da sua injustiça.

Psalmo de Asaph.

82 Deus está [1] na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.

2 Até quando julgareis injustamente, e acceitareis as pessoas dos impios? (Selah).

3 Fazei justiça ao pobre e ao orphão: justificae o afflicto e necessitado.

4 Livrae o pobre e o necessitado; tirae-os das mãos dos impios.

5 Elles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacillam.

6 Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altissimo.

7 Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos principes.

8 Levanta-te, [2] ó Deus, julga a terra, pois tu possues todas as nações.

[1] II Chr. 19.6.

[2] Miq. 7.2, 7.

As nações congregam-se contra Israel, e o propheta supplica a Deus que o livre.

Cantico e psalmo de Asaph.

83 Ó Deus, não estejas em silencio; não te cales, nem te aquietes, ó Deus.

2 Porque eis que teus inimigos fazem tumulto, e os que te aborrecem levantaram a cabeça.

3 Tomaram astuto conselho contra o teu povo, e consultavam contra os teus escondidos.

4 Disseram: Vinde, e desarreiguemol-os para que não sejam nação, nem haja mais memoria do nome de Israel.

5 Porque consultaram juntos e unanimes; elles se alliam contra ti:

6 As tendas de Edom, e dos ismaelitas, de Moab, e dos agarenos,

7 De Gebal, e de Ammon, e de Amalek, de Palestina, com os moradores de Tyro.

8 Tambem Assyria se ajuntou com elles: foram ajudar aos filhos de Lot (Selah).

9 Faze-lhes como aos madianitas; como a Sisera, como a Jabin na ribeira de Kison.

10 Os quaes pereceram em Endor; tornaram-se como estrume para a terra.

11 Faze aos seus nobres como [1] a Oreb, e como a Zeeb e a todos os seus principes, como a Zebah e como a Zalmuna;

12 Que disseram: Tomemos para nós as casas de Deus em possessão.

13 Deus meu, [2] faze-os como um tufão, como a aresta diante do vento.

14 Como o fogo que queima um bosque, e como a chamma que incendeia as [QI] brenhas,

15 Assim os persegue com a tua tempestade, e os assombra com o teu torvelinho.

16 Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome, Senhor.

17 Confundam-se e assombrem-se perpetuamente; envergonhem-se, e pereçam.

18 Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome de [QJ] JEHOVAH, és o Altissimo sobre toda a terra.

[1] Jui. 7.25.

[2] Isa. 17.13.

A felicidade d’aquelle que habita no sanctuario de Deus.

Para o cantor-mór sobre Gittith. Psalmo para os filhos de Korah.

84 Quão amaveis são os teus tabernaculos, Senhor dos Exercitos.

2 A minha alma está desejosa, e desfallece pelos atrios do Senhor: o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.

3 Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos exercitos, Rei meu e Deus meu.

4 Bemaventurados os que habitam em tua casa: louvar-te-hão continuamente. (Selah)

5 Bemaventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.

6 Que, passando pelo valle das [QK] amoreiras, faz d’elle uma fonte; a chuva tambem enche os tanques.

7 Vão indo de força em força; cada um d’elles em Sião apparece perante Deus.

8 Senhor Deus dos Exercitos, escuta a minha oração: inclina os ouvidos, ó Deus de Jacob! (Selah)

9 Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.

10 Porque vale mais um dia nos teus atrios do que mil. Preferiria estar á porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos impios.

11 Porque o Senhor Deus é um sol e escudo: o Senhor dará graça e gloria; não retirará bem algum aos que andam na rectidão.

12 Senhor dos Exercitos, bemaventurado o homem que em ti põe a sua confiança.

Fundando-se nos livramentos passados, o povo de Deus pede o livramento das afflicções presentes.

Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

85 Abençoaste, Senhor, a tua terra: fizeste voltar o captiveiro de Jacob.

2 Perdoaste a iniquidade do teu povo: cobriste todos os seus peccados. (Selah)

3 Fizeste cessar toda a tua indignação: desviaste-te do ardor da tua ira.

4 Torna-nos a trazer, ó Deus da nossa salvação, e faze cessar a tua ira de sobre nós.

5 Acaso estarás sempre irado contra nós? ou estenderás a tua ira a todas as gerações?

6 Não tornarás a reviver-nos, para que o teu povo se alegre em ti?

7 Mostra-nos, Senhor, a tua misericordia, e concede-nos a tua salvação.

8 Escutarei [1] o que Deus, o Senhor, fallar; porque fallará de paz ao seu povo, e aos sanctos para que não voltem á loucura.

9 Certamente que a salvação está perto d’aquelles que o temem, para que a gloria habite na nossa terra.

10 A misericordia [2] e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram.

11 A verdade [3] brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus.

12 Tambem o Senhor dará o que é bom, e a nossa terra dará o seu fructo.

13 A justiça irá adiante d’elle, e a porá no caminho das suas pisadas.

[1] Hab. 2.1. Zac. 9.10.

[2] Isa. 46.13. João 1.14.

[3] Isa. 45.8.

David implora ardentemente o soccorro de Deus.

Oração de David.

86 Inclina, Senhor, os teus ouvidos, e ouve-me, porque estou necessitado e afflicto.

2 Guarda a minha alma, pois sou sancto; oh Deus meu, salva o teu servo, que em ti confia.

3 Tem misericordia de mim, ó Senhor, pois a ti clamo todo o dia.

4 Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, levanto a minha alma.

5 Pois tu, Senhor, és bom, e prompto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam.

6 Dá ouvidos, Senhor, á minha oração, e attende á voz das minhas supplicas.

7 No dia da minha angustia clamo a ti, porquanto me respondes.

8 Entre os deuses não ha similhante a ti, Senhor, nem ha obras como as tuas.

9 Todas [1] as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome.

10 Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus.

11 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade: une o meu coração ao temor do teu nome.

12 Louvar-te-hei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para sempre.

13 Pois grande é a tua misericordia para comigo; e livraste a minha alma da sepultura mais profunda.

14 Ó Deus, os soberbos se levantaram contra mim, e as assembléas dos tyrannos procuraram a minha alma; e não te pozeram perante os seus olhos.

15 Porém tu, [2] Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, soffredor, e grande em benignidade e em verdade.

16 Volta-te para mim, e tem misericordia de mim; dá a tua fortaleza ao teu servo, e salva ao filho da tua serva.

17 Mostra-me um signal para bem, para que o vejam aquelles que me aborrecem, e se confundam; porque tu, Senhor, me ajudaste e me consolaste.

[1] Isa. 43.7. Apo. 15.4.

[2] Exo. 34.6. Num. 14.18. Neh. 9.17.

Deus tem o maior prazer em Sião.

Psalmo e canto para os filhos de Korah.

87 O seu fundamento está nos montes sanctos.

2 O Senhor ama as portas de Sião, mais do que todas as habitações de Jacob.

3 Coisas [1] gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus. (Selah)

4 Farei menção de Rahab e de Babylonia áquelles que me conhecem: eis-que da Philisteia, e de Tyro, e [QL] da Ethiopia, se dirá: Este homem nasceu ali.

5 E de Sião se dirá: Este e aquelle nasceu ali; e o mesmo Altissimo a estabelecerá.

6 O Senhor contará na descripção dos povos que este homem nasceu ali. (Selah)

7 Assim como os cantores e tocadores de instrumentos estarão lá, todas as minhas fontes estão dentro de ti.

[1] Isa. 60.14, 15.

O psalmista queixa-se das suas grandes desgraças, e supplica a Deus que o livre.

Cantico e psalmo para os filhos de Korah e para o cantor-mór sobre Mahalat Leannoth, instrucção de Heman Ezrahita.

88 Senhor Deus da minha salvação, [1] diante de ti tenho clamado de dia e de noite.

2 Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;

3 Porque a minha alma está cheia de angustias, e a minha vida se approxima da sepultura.

4 Estou contado com aquelles que descem ao abysmo: estou como homem sem forças,

5 Apartado entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quaes te não lembras mais, e estão cortados da tua mão.

6 Pozeste-me no abysmo mais profundo, em trevas e nas profundezas.

7 Sobre mim peza o teu furor: tu me affligiste com todas as tuas ondas (Selah).

8 Alongaste de mim os meus conhecidos, pozeste-me em extrema abominação para com elles: estou fechado, e não posso sair.

9 A minha vista desmaia por causa da afflicção: Senhor, tenho clamado a ti todo o dia, tenho estendido para ti as minhas mãos.

10 Mostrarás tu maravilhas aos mortos, ou os mortos se levantarão e te louvarão? (Selah)

11 Será annunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade na perdição?

12 Saber-se-hão as tuas maravilhas nas trevas, e a tua justiça na terra do esquecimento?

13 Eu, porém, Senhor, tenho clamado a ti, e de madrugada te esperará a minha oração.

14 Senhor, porque rejeitas a minha alma? porque escondes de mim a tua face?

15 Estou afflicto, e prestes tenho estado a morrer desde a minha mocidade: emquanto soffro os teus terrores, estou distrahido.

16 A tua ardente indignação sobre mim vae passando: os teus terrores me teem retalhado.

17 Elles me rodeiam todo o dia como agua; elles juntos me sitiam.

18 Desviaste para longe de mim amigos e companheiros, e os meus conhecidos estão em trevas.

[1] Luc. 18.7.

Traz-se á memoria o pacto de Deus com David, a fim de que Deus livre o seu povo dos males presentes.

Maschil de Ethan, o ezrahita.

89 As benignidades do Senhor cantarei perpetuamente: com a minha bocca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração.

2 Pois disse eu: A tua benignidade será edificada para sempre: tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo:

3 Fiz [1] um concerto com o meu escolhido: jurei ao meu servo David, dizendo:

4 A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu throno de geração em geração (Selah).

5 E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, a tua fidelidade tambem na congregação dos sanctos.

6 Pois quem no céu se pode egualar ao Senhor? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser similhante ao Senhor?

7 Deus é muito formidavel na assembléa dos sanctos, e para ser reverenciado por todos os que o cercam.

8 Ó Senhor, Deus dos Exercitos, quem é forte como tu, Senhor? pois a tua fidelidade está á roda de ti?

9 Tu dominas o impeto do mar: quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar.

10 Tu quebrantaste a Rahab como se fôra ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte.

11 Teus são os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste.

12 O norte e o sul tu os creaste; Tabor e Hermon jubilam em teu nome.

13 Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e alta está a tua dextra.

14 Justiça e juizo são o assento do teu throno, misericordia e verdade irão adiante do teu rosto.

15 Bemaventurado o povo que conhece o som alegre: andará, ó Senhor, na luz da tua face.

16 Em teu nome se alegrará todo o dia, e na tua justiça se exaltará.

17 Pois tu és a gloria da sua força; e no teu favor será exaltado o nosso [QM] poder.

18 Porque o Senhor é a nossa defeza, e o Sancto d’Israel o nosso Rei.

19 Então fallaste em visão ao teu sancto, e disseste: Puz o soccorro sobre um que é poderoso: exaltei a um eleito do povo.

20 Achei a David, meu servo; com sancto oleo o ungi:

21 Com o qual a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá.

22 O inimigo não [QN] apertará com elle, nem o filho da perversidade o affligirá.

23 E eu derribarei os seus inimigos perante a sua face, e ferirei aos que o aborrecem.

24 E a minha fidelidade e a minha benignidade estarão com elle; e em meu nome será exaltado o seu poder.

25 Porei tambem a sua mão no mar, e a sua direita nos rios.

26 Elle me chamará, dizendo: Tu és meu pae, meu Deus, e a rocha da minha salvação.

27 Tambem o farei meu primogenito, mais elevado do que os reis da terra.

28 A minha benignidade lhe conservarei eu para sempre, e o meu concerto lhe será firme.

29 E conservarei para sempre a sua semente, e o seu throno como os dias do céu.

30 Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nos meus juizos,

31 Se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos,

32 Então visitarei a sua transgressão com a vara, e a sua iniquidade com açoites.

33 Porém não retirarei totalmente d’elle a minha benignidade, nem faltarei á minha fidelidade.

34 Não quebrarei o meu concerto, não alterarei o que saiu dos meus labios.

35 Uma vez jurei pela minha sanctidade que não mentirei a David.

36 A sua semente durará para sempre, e o seu throno, como o sol diante de mim,

37 Será estabelecido para sempre como a lua, e como uma testemunha fiel no céu (Selah).

38 Porém tu rejeitaste e aborreceste; tu te indignaste contra o teu ungido.

39 Abominaste o concerto do teu servo: profanaste a sua corôa, lançando-a por terra.

40 Derribaste todos os seus vallados; arruinaste as suas fortificações.

41 Todos os que passam pelo caminho o despojam; é um opprobrio para os seus visinhos.

42 Exaltaste a dextra dos seus adversarios; fizeste com que todos os seus inimigos se regozijassem.

43 Tambem embotaste os fios da sua espada, e não o sustentaste na peleja.

44 Fizeste cessar [QO] a sua gloria, e deitaste por terra o seu throno.

45 Abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha (Selah).

46 Até quando, Senhor? Acaso te esconderás para sempre? arderá a tua ira como fogo?

47 Lembra-te de quão breves são os meus dias; pelo que debalde creaste todos os filhos dos homens.

48 Que homem ha, que viva, e não veja a morte? Livrará elle a sua alma do poder [QP] da sepultura? (Selah)

49 Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades, que juraste a David pela tua verdade?

50 Lembra-te, Senhor, do opprobrio dos teus servos; como eu trago no meu peito o opprobrio de todos os povos poderosos:

51 Com o qual, Senhor, os teus inimigos teem diffamado, com o qual teem diffamado as pisadas do teu ungido.

52 Bemdito seja o Senhor para sempre. Amen, e Amen.

[1] I Reis 8.16.

A fraqueza do homem e a providencia de Deus.

Oração de Moysés, varão de Deus.

90 Senhor, tu tens sido [QQ] o nosso refugio, de geração em geração.

2 Antes [1] que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade em eternidade, tu és Deus.

3 Tu reduzes o homem á destruição; e dizes: [2] Tornae-vos, filhos dos homens.

4 Porque mil annos são aos teus olhos como o dia de hontem quando passou, e como a vigilia da noite.

5 Tu os levas como com uma corrente d’agua: são como um somno: de manhã são como a herva que cresce.

6 De madrugada floresce e se muda: á tarde se corta e se secca.

7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados.

8 Diante de ti pozeste as [3] nossas iniquidades: os nossos peccados occultos á luz do teu rosto.

9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos annos como um conto que se conta.

10 Os dias da nossa vida chegam a setenta annos, e se alguns pela sua robustez chegam a oitenta annos, o orgulho d’elles é canceira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.

11 Quem conhece o poder da tua ira? segundo és tremendo, assim é o teu furor.

12 Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sabios.

13 Volta-te para nós, Senhor: até quando? e aplaca-te para com os teus servos.

14 Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.

15 Alegra-nos pelos dias em que nos affligiste, e pelos annos em que vimos o mal.

16 Appareça [4] a tua obra aos teus servos, e a tua gloria sobre seus filhos.

17 E seja sobre nós a formosura do Senhor, nosso Deus: e confirma sobre nós [5] a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.

[1] Pro. 8.25, 26.

[2] Gen. 3.19.

[3] Psa. 50.21.

[4] Hab. 3.2.

[5] Isa. 26.12.

A segurança d’aquelle que se acolhe em Deus.

91 Aquelle que habita no esconderijo do Altissimo, á sombra do Omnipotente descançará.

2 Direi do Senhor: Elle é o meu Deus, o meu refugio, a minha fortaleza, e n’elle confiarei.

3 Porque elle te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.

4 Elle te cobrirá com as suas pennas, e debaixo das suas azas te confiarás: a sua verdade será o teu escudo e rodella.

5 Não terás medo do terror de noite nem da setta que vôa de dia,

6 Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.

7 Mil cairão ao teu lado, e dez mil á tua direita, mas não chegará a ti.

8 Sómente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos impios.

9 Porque tu, ó Senhor, és o meu refugio: no Altissimo fizeste a tua habitação.

10 Nenhum mal te succederá, nem praga alguma chegará á tua tenda.

11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito para te guardarem em todos os teus caminhos.

12 Elles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.

13 Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e [QR] o dragão.

14 Porquanto tão encarecidamente me amou, tambem eu o livrarei; pôl-o-hei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.

15 Elle me invocará, e eu lhe responderei; estarei com elle na angustia; d’ella o retirarei, e o glorificarei.

16 Fartal-o-hei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.

O psalmista louva a Deus por amor da sua obra, justiça e graça.

Psalmo e cantico para o sabbado.

92 Bom é louvar ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altissimo:

2 Para de manhã annunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade:

3 Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o psalterio: sobre a harpa com som solemne.

4 Pois tu, Senhor, me alegraste pelos teus feitos: exultarei nas obras das tuas mãos.

5 Quão grandes são, Senhor, as tuas obras! mui profundos são os teus pensamentos.

6 O homem brutal não conhece, nem o louco entende isto.

7 Quando o impio crescer como a herva, e quando florescerem todos os que obram a iniquidade, é que serão destruidos perpetuamente.

8 Mas tu, Senhor, és o Altissimo para sempre.

9 Pois eis que os teus inimigos, Senhor, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que obram a iniquidade,

10 Porém tu exaltarás o meu [QS] poder, como o do unicornio: serei ungido com oleo fresco.

11 Os meus olhos verão o meu desejo sobre os meus inimigos, e os meus ouvidos ouvirão o meu desejo ácerca dos malfeitores que se levantam contra mim.

12 O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Libano.

13 Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos atrios do nosso Deus.

14 Na velhice ainda darão fructos: serão viçosos e florescentes;

15 Para annunciar que o Senhor é recto: elle é a minha rocha, e n’elle não ha injustiça.

O poder e magestade do reino de Deus.

93 O Senhor reina; está vestido de magestade: o Senhor está vestido; cingiu-se de fortaleza: o mundo tambem está firmado, e não poderá vacillar.

2 O teu throno está firme desde então: tu és desde a eternidade.

3 Os rios levantam, ó Deus, os rios levantam o seu ruido, os rios levantam as suas ondas.

4 Mas o Senhor nas alturas é mais poderoso do que o ruido das grandes aguas e do que as grandes ondas do mar.

5 Mui fieis são os teus testemunhos: a sanctidade convem á tua casa, Senhor, para sempre.

Appellação á justiça de Deus contra os malfeitores.

94 Ó Senhor Deus, a quem a vingança pertence, [1] ó Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente.

2 Exalta-te, tu, que és juiz da terra: dá a paga aos soberbos.

3 Até quando os impios, Senhor, até quando os impios [QT] saltarão de prazer?

4 Até quando proferirão, e fallarão coisas duras, e se gloriarão todos os que obram a iniquidade?

5 Reduzem a pedaços o teu povo, e affligem a tua herança.

6 Matam a viuva e o estrangeiro, e ao orphão tiram a vida.

7 Comtudo dizem: O Senhor não o verá; nem para isso attenderá o Deus de Jacob.

8 Attendei, ó brutaes d’entre o povo; e vós, loucos, quando sereis sabios?

9 Aquelle que fez o ouvido não ouvirá? e o que formou o olho não verá?

10 Aquelle que argúe as gentes não castigará? e o que ensina ao homem o conhecimento não saberá?

11 O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.

12 Bemaventurado é o homem a quem tu castigas, ó Senhor, e a quem ensinas a tua lei;

13 Para lhe dares descanço dos dias maus, até que se abra a cova para o impio.

14 Pois o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança.

15 Mas o juizo voltará á rectidão, e seguil-o-hão todos os rectos do coração.

16 Quem será por mim contra os malfeitores? quem se porá por mim contra os que obram a iniquidade?

17 Se o Senhor não tivera ido em meu auxilio, a minha alma quasi que teria ficado no silencio.

18 Quando eu disse: O meu pé vacilla; a tua benignidade, Senhor, me susteve.

19 Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, as tuas consolações recrearam a minha alma.

20 Porventura [2] o throno d’iniquidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei?

21 Elles se ajuntam contra a alma do justo, e condemnam o sangue innocente.

22 Mas o Senhor é a minha defeza; e o meu Deus é a rocha do meu refugio.

23 E trará sobre elles a sua propria iniquidade; e os destruirá na sua propria malicia: o Senhor nosso Deus os destruirá.

[1] Deu. 32.35.

[2] Amós 6.3. Isa. 10.

O psalmista convida a louvar o Senhor e celebral-o de viva voz.

95 Vinde, cantemos ao Senhor: jubilemos á rocha da nossa salvação.

2 Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremol-o com psalmos.

3 Porque o Senhor é Deus grande, e Rei grande sobre todos os deuses.

4 Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas.

5 Seu é o mar, e elle o fez, e as suas mãos formaram a terra secca.

6 Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos: [1] ajoelhemos diante do Senhor que nos creou.

7 Porque elle é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz,

8 Não endureçaes [2] os vossos corações, assim como [QU] na provocação e como no dia [QV] da tentação no deserto;

9 Quando vossos paes me tentaram, me provaram, e viram a minha obra.

10 Quarenta annos estive desgostado com esta geração, e disse: É um povo que erra do coração, e não tem conhecido os meus caminhos.

11 A quem jurei [3] na minha ira que não entrarão no meu repouso.

[1] I Cor. 6.20.

[2] Exo. 17.2. Num. 14.22.

[3] Num. 14.23, 28, 30.

Convite a toda a terra para louvar e temer o Senhor.

96 Cantae ao Senhor um cantico novo, cantae ao Senhor toda a terra.

2 Cantae ao Senhor, bemdizei o seu nome; annunciae a sua salvação de dia em dia.

3 Annunciae entre as nações a sua gloria; entre todos os povos as suas maravilhas.

4 Porque grande é o Senhor, e digno de louvor, mais tremendo do que todos os deuses.

5 Porque [1] todos os deuses dos povos são idolos, mas o Senhor fez os céus.

6 Gloria e magestade estão ante a sua face, força e formosura no seu sanctuario.

7 Dae ao Senhor, ó familias dos povos, dae ao Senhor gloria e força.

8 Dae ao Senhor a gloria devida ao seu nome: trazei offerenda, e entrae nos seus atrios.

9 Adorae ao Senhor na belleza da sanctidade: tremei diante d’elle toda a terra.

10 Dizei entre as nações que o Senhor reina: o mundo tambem se firmará para que se não abale: julgará os povos com rectidão.

11 Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra: brama o mar e a sua plenitude.

12 Alegre-se o campo com tudo o que ha n’elle: então se regozijarão todas as arvores do bosque,

13 Ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra: [2] julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade.

[1] Jer. 10.11, 12.

[2] Apo. 19.11.

A magestade do reino de Deus: o castigo dos impios: exhortação á piedade e ao regozijo.

97 O Senhor reina; regozije-se a terra: [1] alegrem-se as muitas ilhas.

2 Nuvens [2] e obscuridade estão ao redor d’elle: justiça e juizo são a base do seu throno.

3 Um fogo vae adiante d’elle, [3] e abraza os seus inimigos em redor.

4 Os seus relampagos alumiam o mundo; a terra viu e tremeu.

5 Os montes [4] se derretem como cera na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra.

6 Os céus annunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua gloria.

7 Confundidos sejam todos os que servem imagens de esculptura, que se gloriam de idolos: prostrae-vos diante d’elle, todos os deuses.

8 Sião ouviu e se alegrou; e os filhos de Judah se alegraram por causa da tua justiça, ó Senhor.

9 Pois tu, Senhor, és o mais alto sobre toda a terra; tu és muito mais exaltado [5] do que todos os deuses.

10 Vós, que amaes ao Senhor, aborrecei o mal: elle guarda as almas dos seus sanctos, elle os livra das mãos dos impios.

11 A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os rectos de coração.

12 Alegrae-vos, ó justos, no Senhor, e dae louvores á memoria da sua sanctidade.

[1] Isa. 60.9.

[2] I Reis 8.12.

[3] Dan. 7.10. Hab. 3.5.

[4] Jui. 5.5. Miq. 1.4.

[5] Exo. 18.11.

Convite a louvar o Senhor por amor de sua salvação.

Psalmo.

98 Cantae ao Senhor um cantico novo, porque fez maravilhas; a sua dextra e o seu braço sancto lhe alcançaram a salvação.

2 O Senhor fez [1] notoria a sua salvação, manifestou a sua justiça perante os olhos das nações.

3 Lembrou-se da sua benignidade e da sua verdade para com a casa d’Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus.

4 Exultae no Senhor, toda a terra; exclamae e alegrae-vos de prazer, e cantae louvores.

5 Cantae louvores ao Senhor com a harpa; com a harpa e a voz do canto.

6 Com trombetas e som de cornetas, exultae perante a face do Senhor, o Rei.

7 Brama o mar e a sua plenitude; o mundo, e os que n’elle habitam.

8 Os rios [2] batam as palmas: regozijem-se tambem as montanhas,

9 Perante a face do Senhor, porque vem a julgar a terra: com justiça julgará o mundo, e o povo com equidade.

[1] Isa. 52.10. Luc. 2.30, 31.

[2] Isa. 55.12.

A grandeza do reino de Deus.

99 O Senhor reina; tremam as nações: [1] está assentado entre os cherubins; commova-se a terra.

2 O Senhor é grande em Sião, e mais alto do que todas as nações.

3 Louvem o teu nome, grande e tremendo, pois é sancto.

4 Tambem o poder do Rei ama o juizo: tu firmas a equidade, fazes juizo e justiça em Jacob.

5 Exaltae ao Senhor nosso Deus, e prostrae-vos diante do escabello de seus pés, pois é sancto.

6 Moysés [2] e Aarão, entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que invocam o seu nome, clamavam [3] ao Senhor, e Elle os ouvia.

7 Na columna de nuvem lhes fallava: elles guardavam os seus testemunhos, e os estatutos que lhes dera.

8 Tu os escutaste, Senhor nosso Deus: tu foste um Deus que lhes perdoaste, ainda que tomaste vingança dos seus feitos.

9 Exaltae ao Senhor nosso Deus e adorae-o no seu monte sancto, pois o Senhor nosso Deus é sancto.

[1] Exo. 25.22.

[2] Jer. 15.1.

[3] Exo. 14.15 e 15.25.

Exhortação a toda a creatura a celebrar ao Senhor.

Psalmo de louvor.

100 Celebrae com jubilo ao Senhor, todas as terras.

2 Servi ao Senhor com alegria; e entrae diante d’elle com canto.

3 Sabei que o Senhor é Deus: foi elle que nos fez, e não nós outros a nós; somos povo seu e ovelhas do seu pasto.

4 Entrae pelas portas d’elle com louvor, e em seus atrios com hymno: louvae-o, e bemdizei o seu nome.

5 Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericordia; e a sua verdade dura de geração em geração.

David promette a Deus andar perante elle com sinceridade e oppor-se aos impios.

Psalmo de David.

101 Cantarei a misericordia e o juizo: a ti, Senhor, cantarei.

2 Portar-me-hei [1] com intelligencia no caminho recto. Quando virás a mim? Andarei em minha casa com um coração sincero.

3 Não porei coisa má diante dos meus olhos: aborreço a obra d’aquelles que se desviam; não se me pegará a mim.

4 Um coração perverso se apartará de [2] mim: não conhecerei o homem mau.

5 Aquelle que murmura do seu proximo ás escondidas, eu o destruirei: aquelle que tem olhar altivo, e coração soberbo, não soffrerei.

6 Os meus olhos estarão sobre os fieis da terra, para que se assentem comigo: o que anda n’um caminho recto esse me servirá.

7 O que usa de engano não ficará dentro da minha casa: o que falla mentiras não está firme perante os meus olhos.

8 Pela manhã destruirei todos os impios da terra, para desarreigar da cidade do Senhor todos os que obram a iniquidade.

[1] I Sam. 18.14.

[2] Mat. 7.23. II Tim. 2.19.

Na sua grande afflicção, o psalmista recorre a Deus para que restabeleça o seu povo e o reconduza á sua terra.

Oração do afflicto, vendo-se desfallecido, e derramando a sua queixa perante a face do Senhor.

102 Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor.

2 Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angustia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.

3 Porque os meus dias se consomem como o fumo, e os meus ossos ardem como um lar.

4 O meu coração está ferido e secco como a herva, pelo que me esqueço de comer o meu pão.

5 Por causa da voz do meu gemido os meus ossos se apegam á minha pelle.

6 Sou similhante ao pelicano [1] no deserto: sou como um mocho nas solidões.

7 Vigio, sou como o pardal solitario no telhado.

8 Os meus inimigos me affrontam todo o dia: os que se enfurecem contra mim teem jurado.

9 Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lagrimas a minha bebida.

10 Por causa da tua ira e da tua indignação, pois tu me levantaste e me arremeçaste.

11 Os meus dias são como a sombra que declina, e como a herva me vou seccando.

12 Mas tu, Senhor, permanecerás para sempre, e a tua memoria de geração em geração.

13 Tu te levantarás [2] e terás piedade de Sião; pois o tempo de te compadeceres d’ella, o tempo determinado, já chegou.

14 Porque os teus servos teem prazer nas suas pedras, e se compadecem do seu pó.

15 Então as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a tua gloria.

16 Quando o Senhor edificar a Sião, apparecerá na sua gloria.

17 Elle attenderá á oração do desamparado, e não desprezará a sua oração.

18 Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se crear louvará ao Senhor.

19 Pois [3] olhou desde o alto do seu sanctuario, desde os céus o Senhor contemplou a terra.

20 Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados á morte;

21 Para annunciarem o nome do Senhor em Sião, e o seu louvor em Jerusalem;

22 Quando os povos se ajuntarem, e os reinos, para servirem ao Senhor.

23 Abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.

24 Dizia eu: Meu Deus, não me leves no meio dos meus dias, os teus annos são por todas as gerações.

25 Desde a antiguidade [4] fundaste a terra: e os céus são obra das tuas mãos.

26 Elles perecerão, [5] mas tu permanecerás: todos elles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.

27 Porém tu és [6] o mesmo, e os teus annos nunca terão fim.

28 Os filhos dos teus servos continuarão, e a sua semente ficará firmada perante ti.

[1] Isa. 34.11. Sof. 2.14.

[2] Isa. 60.10. Zac. 1.12.

[3] Deu. 26.15.

[4] Gen. 1.1 e 2.1. Heb. 1.12.

[5] Isa. 34.4. II Ped. 3.7.

[6] Mal. 3.6. Heb. 13.8.

Convite a louvar a Deus por amor de sua graça.

Psalmo de David.

103 Bemdize, ó alma minha ao Senhor, e tudo o que ha em mim, bemdiga o seu sancto nome.

2 Bemdize, ó alma minha, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus beneficios.

3 O que perdôa [1] todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades,

4 Que redime [2] a tua vida da [QW] perdição; que te corôa de benignidade e de misericordia,

5 Que farta a tua bocca de bens, de sorte que a tua mocidade se renove como a da aguia.

6 O Senhor faz justiça e juizo a todos os opprimidos.

7 Fez conhecidos os seus caminhos a Moysés, e os seus feitos aos filhos d’Israel.

8 Misericordioso e [3] piedoso é o Senhor; longanimo e grande em benignidade.

9 Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira.

10 Não nos tratou segundo os nossos peccados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades.

11 Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericordia para com os que o temem.

12 Assim como está longe o oriente do occidente, assim affasta de nós as nossas transgressões.

13 Assim como [4] um pae se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece d’aquelles que o temem.

14 Pois elle conhece a nossa estructura, [5] lembra-se de que somos pó.

15 Emquanto ao homem, os seus dias são como a herva, como a flor do campo assim floresce.

16 Passando por ella o vento, logo se vae, e o seu logar não será mais conhecido.

17 Mas a misericordia do Senhor é desde a eternidade e até á eternidade sobre aquelles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos;

18 Sobre aquelles que guardam o seu concerto, e sobre os que se lembram dos seus mandamentos para os cumprirem.

19 O Senhor tem estabelecido o seu throno nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.

20 Bemdizei ao Senhor, todos os seus anjos, vós que excedeis em força, que guardaes os seus mandamentos, obedecendo á voz da sua palavra.

21 Bemdizei ao Senhor, todos os seus exercitos, vós, [6] ministros seus, que executaes o seu beneplacito.

22 Bemdizei ao Senhor, todas as suas obras, em todos os logares do seu dominio; bemdize, ó alma minha, ao Senhor.

[1] Mat. 9.2, 6. Mar. 2.5, 10, 11.

[2] Exo. 15.26. Jer. 17.14.

[3] Exo. 34.6, 7. Num. 14.18. Deu. 5.10.

[4] Mal. 3.1.

[5] Gen. 3.19.

[6] Dan. 7.9, 10. Heb. 1.14.

A gloria de Deus é manifestada na creação e conservação de todas as coisas.

104 Bemdize, ó alma minha, ao Senhor: Senhor Deus meu, tu és magnificentissimo, estás vestido de gloria e de magestade.

2 Elle se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina.

3 Põe nas aguas as vigas das suas camaras; faz das nuvens o seu carro, anda sobre as azas do vento.

4 Faz [1] dos seus anjos espiritos, dos seus ministros um fogo abrazador.

5 Lançou os fundamentos da terra, para que não vacille em tempo algum.

6 Tu a cobres com o abysmo, como com um vestido: as aguas estavam sobre os montes.

7 Á tua reprehensão [2] fugiram: á voz do teu trovão se apressaram.

8 Sobem aos montes, descem aos valles, até ao logar que para ellas fundaste.

9 Termo lhes pozeste, que não ultra-passarão, para que não tornem mais a cobrir a terra.

10 Tu, que fazes sair as fontes nos valles, as quaes correm entre os montes.

11 Dão de beber a todo o animal do campo; os jumentos montezes matam a sua sêde.

12 Junto d’ellas as aves do céu terão a sua habitação, cantando entre os ramos.

13 Elle rega os montes desde as suas camaras: a terra se farta do fructo das suas obras.

14 Faz crescer a herva para as bestas, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão,

15 E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.

16 As arvores do Senhor fartam-se de seiva, [3] os cedros do Libano que elle plantou,

17 Onde as aves se aninham: emquanto á cegonha, a sua casa é nas faias.

18 Os altos montes são um refugio para as cabras montezes, e as rochas para os coelhos.

19 Designou [4] a lua para as estações: o sol conhece o seu occaso.

20 Ordenas [5] a escuridão, e faz-se noite, na qual saem todos os animaes da selva.

21 Os leõesinhos bramam pela preza, e de Deus buscam o seu sustento.

22 Nasce o sol e logo se acolhem, e se deitam nos seus covis.

23 Então sae [6] o homem á sua obra e ao seu trabalho, até á tarde.

24 Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas.

25 Assim é este mar grande e muito espaçoso, onde ha reptis sem numero, animaes pequenos e grandes.

26 Ali andam os navios; e o leviathan que formaste para n’elle folgar.

27 Todos esperam de ti, que lhes dês o seu sustento em tempo opportuno.

28 Dando-lh’o tu, elles o recolhem; abres a tua mão, e se enchem de bens.

29 Escondes o teu rosto, e ficam perturbados: se lhes tiras o folego, morrem, e voltam para o seu pó.

30 Envias o teu Espirito, e são creados, e assim renovas a face da terra.

31 A gloria do Senhor durará para sempre: o Senhor se alegrará nas suas obras.

32 Olhando [7] elle para a terra, ella treme; tocando nos montes, logo fumegam.

33 Cantarei ao Senhor emquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus, emquanto eu tiver existencia.

34 A minha meditação ácerca d’elle será suave: eu me alegrarei no Senhor.

35 Desçam da terra os peccadores, e os impios não sejam mais. Bemdize, ó alma minha, ao Senhor. [QX] Louvae ao Senhor.

[1] Heb. 1.7.

[2] Gen. 7.19. Gen. 8.1.

[3] Num. 24.6.

[4] Gen. 1.14.

[5] Isa. 45.7.

[6] Gen. 3.19.

[7] Hab. 3.10.

O psalmista louva a Deus por haver guardado o seu pacto com os patriarchas, por haver livrado Israel d’Egypto, e pelo haver conduzido pelo deserto até Canaan.

105 Louvae [1] ao Senhor, e invocae o seu nome; fazei conhecidas as suas obras entre os povos.

2 Cantae-lhe, cantae-lhe psalmos: fallae de todas as suas maravilhas.

3 Gloriae-vos no seu sancto nome: alegre-se o coração d’aquelles que buscam ao Senhor.

4 Buscae ao Senhor e a sua força: buscae a sua face continuamente.

5 Lembrae-vos das maravilhas que fez, dos seus prodigios e dos juizos da sua bocca;

6 Vós, semente d’Abrahão, seu servo, vós, filhos de Jacob, seus escolhidos.

7 Elle é o Senhor, nosso Deus; [2] os seus juizos estão em toda a terra.

8 Lembrou-se [3] do seu concerto para sempre, da palavra que mandou a milhares de gerações.

9 O qual [4] concerto fez com Abrahão, e o seu juramento a Isaac.

10 E confirmou o mesmo a Jacob por estatuto, e a Israel por concerto eterno,

11 Dizendo: [5] A ti darei a terra de Canaan, a sorte da vossa herança.

12 Quando eram poucos homens em numero, sim, mui poucos e estrangeiros n’ella.

13 Quando andavam de nação em nação e d’um reino para outro povo.

14 Não permittiu [6] a ninguem que os opprimisse, e por amor d’elles reprehendeu a reis, dizendo:

15 Não toqueis os meus ungidos, e não maltrateis os meus prophetas.

16 Chamou [7] a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão.

17 Mandou [8] perante elles um varão, José, que foi vendido por escravo:

18 Cujos pés apertaram com grilhões: foi mettido em ferros:

19 Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou.

20 Mandou [9] o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou.

21 Fel-o [10] senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda;

22 Para sujeitar os seus principes a seu gosto, e instruir os seus anciãos.

23 Então Israel entrou no Egypto, e Jacob peregrinou na terra de Cão.

24 E augmentou [11] o seu povo em grande maneira, e o fez mais poderoso do que os seus inimigos.

25 Virou [12] o coração d’elles para que aborrecessem o seu povo, para que tratassem astutamente aos seus servos.

26 Enviou [13] Moysés, seu servo, e Aarão, a quem escolhera.

27 Mostraram entre elles os seus signaes e prodigios, na terra de Cão.

28 Mandou trevas, e a fez escurecer; e não foram rebeldes á sua palavra.

29 Converteu [14] as suas aguas em sangue, e matou os seus peixes.

30 A sua terra produziu [15] rãs em abundancia, até nas camaras dos seus reis.

31 Fallou elle, e vieram enxames de moscas e piolhos em todo o seu termo.

32 Converteu [16] as suas chuvas em saraiva, e fogo abrazador na sua terra.

33 Feriu as suas vinhas e os seus figueiraes, e quebrou as arvores dos seus termos.

34 Fallou elle, e vieram gafanhotos e pulgão sem numero.

35 E comeram toda a herva da sua terra, e devoraram o fructo dos seus campos.

36 Feriu [17] tambem a todos os primogenitos da sua terra, as primicias de todas as suas forças.

37 E tirou-os para fóra com prata e oiro, e entre as suas tribus não houve um só fraco.

38 O Egypto [18] se alegrou quando elles sairam, porque o seu temor caira sobre elles.

39 Estendeu [19] uma nuvem por coberta, e um fogo para alumiar de noite.

40 Oraram, [20] e elle fez vir codornizes, e os fartou de pão do céu.

41 Abriu a penha, e d’ella correram aguas; correram pelos logares seccos como um rio.

42 Porque [21] se lembrou da sua sancta palavra, e de Abrahão, seu servo.

43 E tirou d’ali o seu povo com alegria, e os seus escolhidos com regozijo.

44 E deu-lhes [22] as terras das nações; e herdaram o trabalho dos povos;

45 Para que guardassem os seus preceitos, e observassem as suas leis. Louvae ao Senhor.

[1] I Chr. 16.8, 22.

[2] Isa. 26.9.

[3] Luc. 1.72.

[4] Gen. 17.2 e 22.16, etc. e 26.3. Luc. 1.73. Heb. 6.17.

[5] Gen. 13.15 e 15.18.

[6] Gen. 35.5.

[7] Gen. 41.45.

[8] Gen. 37.28 e 45.5, 36.

[9] Gen. 41.14.

[10] Gen. 41.40.

[11] Exo. 1.7.

[12] Exo. 1.8.

[13] Exo. 3.10 e 4.12, 14.

[14] Exo. 7.20.

[15] Exo. 8.6.

[16] Exo. 9.23, 25.

[17] Exo. 12.29. Gen. 49.3.

[18] Exo. 12.33.

[19] Exo. 16.21.

[20] Exo. 16.12.

[21] Gen. 15.14.

[22] Deu. 6.10.

Deus é louvado por haver supportado o seu povo, apezar das suas muitas rebelliões.

106 Louvae ao Senhor. Louvae ao Senhor, porque elle é bom, porque a sua misericordia dura para sempre.

2 Quem pode referir as obras poderosas do Senhor? Quem annunciará os seus louvores?

3 Bemaventurados os que guardam o juizo, [1] o que obra justiça em todos os tempos.

4 Lembra-te de mim, Senhor, segundo a tua boa vontade para com o teu povo: visita-me com a tua salvação;

5 Para que eu veja os bens de teus escolhidos, para que eu me alegre com a alegria do teu povo, para que me glorie com a tua herança.

6 Nós peccámos [2] com os nossos paes, commettemos a iniquidade, obrámos perversamente.

7 Nossos paes não entenderam as tuas maravilhas no Egypto; [3] não se lembraram da multidão das tuas misericordias; antes o provocaram no mar, sim no Mar Vermelho.

8 Não obstante, [4] elle os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder.

9 Reprehendeu o Mar Vermelho e se seccou, e os fez caminhar pelos abysmos como pelo deserto.

10 E os livrou [5] da mão d’aquelle que os aborrecia, e os remiu da mão do inimigo.

11 E as aguas [6] cobriram os seus adversarios: nem um só d’elles ficou.

12 Então creram [7] as suas palavras, e cantaram os seus louvores.

13 Porém cedo se esqueceram das suas obras; não esperaram o seu conselho,

14 Mas deixaram-se levar da cubiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão.

15 E elle lhes cumpriu o seu desejo, mas enviou magreza ás suas almas.

16 E invejaram a [8] Moysés no campo, e a Aarão, o sancto do Senhor.

17 Abriu-se [9] a terra, e enguliu a Dathan, e cobriu a gente de Abiram.

18 E um fogo se accendeu [10] na sua gente: a chamma abrazou os impios.

19 Fizeram um bezerro [11] em Horeb, e adoraram a imagem fundida.

20 E converteram [12] a sua gloria na figura de um boi que come herva.

21 Esqueceram-se de Deus, seu salvador, que fizera grandezas no Egypto,

22 Maravilhas na terra de Cão, coisas tremendas no Mar Vermelho.

23 Pelo que disse que os [13] destruiria, se Moysés, seu escolhido, se não pozesse perante elle na abertura, para desviar a sua indignação, afim de os não destruir.

24 Tambem desprezaram [14] a terra aprazivel: não creram na sua palavra.

25 Antes murmuraram [15] nas suas tendas, e não deram ouvidos á voz do Senhor.

26 Pelo que levantou [16] a sua mão contra elles, para os derribar no deserto;

27 Para derribar tambem a sua semente entre as nações, e espalhal-os pelas terras.

28 Tambem se juntaram [17] com Baal-peor, e começaram os sacrificios dos mortos.

29 Assim o provocaram á ira com as suas invenções; e a peste rebentou entre elles.

30 Então se levantou [18] Phineas, e fez juizo, e cessou aquella peste.

31 E isto lhe foi contado [19] como justiça, de geração em geração, para sempre.

32 Indignaram-n’o [20] tambem junto ás aguas da contenda, de sorte que succedeu mal a Moysés, por causa d’elles;

33 Porque irritaram o seu espirito, [21] de modo que fallou imprudentemente com seus labios.

34 Não [22] destruiram os povos, como o Senhor lhes dissera.

35 Antes se misturaram com as nações, e aprenderam as suas obras.

36 E serviram aos seus idolos, que vieram a ser-lhes um laço.

37 Demais d’isto, [23] sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demonios,

38 E derramaram sangue innocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que sacrificaram aos idolos de Canaan; [24] e a terra foi manchada com sangue.

39 Assim se contaminaram [25] com as suas obras, e se prostituiram com os seus feitos.

40 Pelo que se accendeu a ira do Senhor contra o seu povo, de modo que abominou a sua herança.

41 E os entregou [26] nas mãos das nações; e aquelles que os aborreciam se assenhorearam d’elles.

42 E os seus inimigos os opprimiram, e foram humilhados debaixo das suas mãos.

43 Muitas vezes os livrou, mas o provocaram com o seu conselho, e foram abatidos pela sua iniquidade.

44 Comtudo, attendeu á sua afflicção, ouvindo o seu clamor.

45 E se lembrou [27] do seu concerto, e se arrependeu segundo a multidão das suas misericordias.

46 Pelo que fez [28] com que d’elle tivessem misericordia os que os levaram captivos.

47 Salva-nos, Senhor, nosso Deus, e congrega-nos d’entre as nações, para que louvemos o teu nome sancto, e nos gloriemos no teu louvor.

48 Bemdito seja o Senhor, Deus d’Israel, de eternidade em eternidade, e todo o povo diga: Amen. Louvae ao Senhor.

[1] Act. 24.16. Gal. 6.9.

[2] Lev. 26.40. Dan. 9.5.

[3] Exo. 14.11, 12.

[4] Eze. 20.14. Exo. 9.16.

[5] Exo. 14.30.

[6] Exo. 14.27, 28 e 15.5.

[7] Exo. 14.31 e 15.1.

[8] Num. 16.1, etc.

[9] Num. 16.31, 32. Deu. 11.6.

[10] Num. 16.35, 46.

[11] Exo. 32.4.

[12] Jer. 2.11. Rom. 1.23.

[13] Exo. 32.10, 11, 32. Deu. 9.19, 25 e 10.10.

[14] Deu. 8.7.

[15] Num. 14.2, 27.

[16] Num. 14.28. Heb. 3.11, 18.

[17] Num. 25.2, 3.

[18] Num. 25.7, 8.

[19] Num. 25.11, 12, 13.

[20] Num. 20.3, 13. Deu. 1.37 e 3.26.

[21] Num. 20.10.

[22] Jui. 1.21, 27, 28, 29, etc.

[23] II Reis 16.3. Isa. 57.5. I Cor. 10.20.

[24] Num. 35.33.

[25] Eze. 20.30, 31. Lev. 17.7.

[26] Jui. 2.14. Neh. 9.27.

[27] Lev. 26.41, 42.

[28] Esd. 9.9. I Chr. 16.35, 36. Jer. 42.12.

A bondade de Deus em proteger os viajantes, os encarcerados, os doentes, os que navegam, e em geral todos os homens.

107 Louvae ao Senhor, porque elle é bom, porque a sua benignidade dura para sempre.

2 Digam-n’o os remidos do Senhor, os que remiu da mão do inimigo,

3 E os que congregou das terras do oriente [1] e do occidente, do norte e do sul.

4 Andaram desgarrados pelo deserto, por caminhos solitarios; não acharam cidade para habitarem.

5 Famintos e sedentos, a sua alma n’elles desfallecia.

6 E clamaram [2] ao Senhor na sua angustia, e os livrou das suas necessidades.

7 E os levou por caminho direito, para irem a uma cidade de habitação.

8 Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens.

9 Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bondade a alma faminta.

10 Tal como a que se assenta nas trevas e sombra da morte, presa em afflicção e em ferro;

11 Porquanto se rebellaram contra as palavras de Deus, e desprezaram o conselho do Altissimo,

12 Portanto lhes abateu o coração com trabalho; tropeçaram, e não houve quem os ajudasse.

13 Então clamaram ao Senhor na sua angustia, e os livrou das suas necessidades.

14 Tirou-os das trevas e sombra da morte; e quebrou as suas prisões.

15 Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens.

16 Pois quebrou [3] as portas de bronze; e despedaçou os ferrolhos de ferro.

17 Os loucos, por causa da sua transgressão, e por causa das suas iniquidades, são afflictos.

18 A sua alma aborreceu toda a comida, e chegaram até ás portas da morte.

19 Então clamaram ao Senhor na sua angustia: e elle os livrou das suas necessidades.

20 Enviou a sua palavra, e os sarou; e os livrou da sua destruição.

21 Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens.

22 E offereçam os sacrificios de louvor, e relatem as suas obras com regozijo.

23 Os que descem ao mar em navios, mercando nas grandes aguas,

24 Esses vêem as obras do Senhor, e as suas maravilhas no profundo.

25 Pois elle manda, e se levanta o vento tempestuoso, que eleva as suas ondas.

26 Sobem aos céus; descem aos abysmos, e a sua alma se derrete em angustias.

27 Andam e cambaleam como ebrios, e perderam todo o tino.

28 Então clamam ao Senhor na sua angustia; e elle os livra das suas necessidades.

29 Faz cessar a tormenta, e calam-se as suas ondas.

30 Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao seu porto desejado.

31 Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens.

32 Exaltem-n’o na congregação do povo, e glorifiquem-n’o na assembléa dos anciãos.

33 Elle converte [4] os rios em um deserto, e as fontes em terra sedenta:

34 A terra fructifera [5] em esteril, pela maldade dos que n’ella habitam.

35 Converte o deserto em lagoa, e a terra secca em fontes.

36 E faz habitar ali os famintos, para que edifiquem cidade para habitação;

37 E semeiam os campos e plantam vinhas, que produzem fructo abundante.

38 Tambem os abençoa, [6] de modo que se multiplicam muito; e o seu gado não diminue.

39 Depois se diminuem e se abatem, pela oppressão, afflicção e tristeza.

40 Derrama o desprezo sobre os principes, e os faz andar desgarrados pelo deserto, onde não ha caminho.

41 Porém livra ao necessitado da oppressão em um logar alto, e multiplica as familias como rebanhos.

42 Os rectos o verão, e se alegrarão, e toda a iniquidade tapará a bocca.

43 Quem [7] é sabio observará estas coisas, e elles comprehenderão as benignidades do Senhor.

[1] Isa. 43.5, 6. Jer. 39.14 e 31.3, 10.

[2] Ose. 5.15.

[3] Isa. 45.2.

[4] I Reis 17.1, 7.

[5] Gen. 13.10 e 14.3.

[6] Gen. 12.2 e 17.16, 20. Exo. 1.7.

[7] Jer. 9.12. Ose. 14.

David louva a Deus pela victoria que lhe concedeu.

Cantico e psalmo de David.

108 Preparado está o meu coração, ó Deus; cantarei e direi psalmos até com a minha gloria.

2 Desperta-te, psalterio e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva.

3 Louvar-te-hei entre os povos, Senhor, e a ti cantarei psalmos entre as nações.

4 Porque a tua benignidade se estende até aos céus, e a tua verdade chega até ás mais altas nuvens.

5 Exalta-te sobre os céus, ó Deus, e a tua gloria sobre toda a terra,

6 Para que sejam livres os teus amados: salva-nos com a tua dextra, e ouve-nos.

7 Deus fallou na sua sanctidade: eu me regozijarei; repartirei a Sichem, e medirei o valle de Succoth.

8 Meu é [QY] Galaad, meu é Manassés; e Ephraim a força da minha cabeça, Judah [1] o meu legislador,

9 Moab o meu vaso de lavar: sobre Edom lançarei o meu sapato, sobre a Palestina jubilarei.

10 Quem me levará á cidade forte? Quem me guiará até Edom?

11 Porventura não serás tu, ó Deus, que nos rejeitaste? E não sairás, ó Deus, com os nossos exercitos?

12 Dá-nos auxilio [QZ] para sair da angustia, porque vão é o soccorro da parte do homem.

13 Em Deus faremos proezas, pois elle calcará aos pés os nossos inimigos.

[1] Gen. 49.10.

David roga a Deus o castigo dos impios, e que o livre das suas afflicções.

Psalmo de David para o cantor-mór.

109 Ó Deus do meu louvor, não te cales,

2 Pois a bocca do impio e a bocca do enganador estão abertas contra mim: teem fallado contra mim com uma lingua mentirosa.

3 Elles me cercaram com palavras odiosas, e pelejaram contra mim sem causa.

4 Em recompensa do meu amor são meus adversarios: mas eu faço oração.

5 E me deram mal pelo bem, e odio pelo meu amor.

6 Põe [1] sobre elle um impio, e Satanaz esteja á sua direita.

7 Quando fôr julgado, saia condemnado; e a sua oração se lhe torne em peccado.

8 Sejam poucos [2] os seus dias, e outro tome o seu officio.

9 Sejam orphãos [3] os seus filhos, e viuva sua mulher.

10 Sejam vagabundos e pedintes os seus filhos, e busquem o pão dos seus logares desolados.

11 Lance o credor a mão a tudo quanto tenha, e despojem os estranhos o seu trabalho.

12 Não haja ninguem que se compadeça d’elle, nem haja quem favoreça os seus orphãos.

13 Desappareça a sua posteridade, o seu nome seja apagado na seguinte geração.

14 Esteja na memoria do Senhor a iniquidade [4] de seus paes, e não se apague o peccado de sua mãe.

15 Antes estejam sempre perante o Senhor, para que faça desapparecer a sua memoria da terra.

16 Porquanto não se lembrou de fazer misericordia; antes perseguiu ao varão afflicto e ao necessitado, para que podesse até matar o quebrantado de coração.

17 Visto que amou a maldição, ella lhe sobrevenha, [5] e assim como não desejou a benção, ella se affaste d’elle.

18 Assim como se vestiu de maldição, como d’um vestido, assim penetre ella nas suas entranhas como agua, e em seus ossos como azeite.

19 Seja para elle como o vestido que o cobre, e como cinto que o cinja sempre.

20 Seja este o galardão dos meus contrarios, da parte do Senhor, e dos que fallam mal contra a minha alma.

21 Mas tu, Deus Senhor, trata comigo por amor do teu nome, porque a tua misericordia é boa; livra-me,

22 Pois estou afflicto e necessitado, e o meu coração está ferido dentro de mim.

23 Vou-me como a sombra que declina; sou sacudido como o gafanhoto.

24 De jejuar estão enfraquecidos os meus joelhos, [6] e a minha carne emmagrece.

25 E ainda lhes sou opprobrio; quando me contemplam, [7] movem as cabeças.

26 Ajuda-me, Senhor Deus meu, salva-me segundo a tua misericordia.

27 Para que saibam que esta é a tua mão, e que tu, Senhor, o fizeste.

28 Amaldiçoem [8] elles, mas abençoa tu: quando se levantarem fiquem confundidos; e alegre-se o teu servo.

29 Vistam-se os meus adversarios de vergonha, e cubram-se com a sua propria confusão como com uma capa.

30 Louvarei grandemente ao Senhor com a minha bocca: louval-o-hei entre a multidão.

31 Pois se porá á mão direita do pobre, para o livrar dos que condemnam a sua alma.

[1] Zac. 13.1.

[2] Act. 1.20.

[3] Exo. 22.24.

[4] Exo. 20.5. Neh. 4.5. Jer. 18.23.

[5] Num. 5.22.

[6] Heb. 12.12.

[7] Mat. 27.39.

[8] II Sam. 16.11, 12. Isa. 65.14.

O reino, o sacerdocio e a conquista do Messias.

Psalmo de David.

110 Disse o Senhor [1] ao meu Senhor: Assenta-te á minha mão direita, até que ponha aos teus inimigos por escabello dos teus pés.

2 O Senhor enviará o sceptro da tua fortaleza desde Sião, dizendo: Domina no meio dos teus inimigos.

3 O teu povo será [RA] mui voluntario no dia do teu poder, [RB] nos ornamentos de sanctidade, desde a madre da alva: tu tens o orvalho da tua mocidade.

4 Jurou [2] o Senhor, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melchisedec.

5 O Senhor, á tua direita, ferirá os reis no dia da sua ira.

6 Julgará entre as nações: tudo encherá de corpos mortos: ferirá os cabeças de [RC] grandes terras.

7 Beberá [3] do ribeiro no caminho, pelo que exaltará a cabeça.

[1] Mat. 22.44. Mar. 12.36. Luc. 20.42.

[2] Heb. 5.6 e 6.20.

[3] Jui. 7.5, 6.

Deus é louvado por amor das suas obras maravilhosas.

111 Louvae ao Senhor. Louvarei ao Senhor de todo o meu coração, na assembléa dos justos e na congregação.

2 Grandes são as obras do Senhor, procuradas por todos os que n’ellas tomam prazer.

3 A sua obra tem gloria e magestade, e a sua justiça permanece para sempre.

4 Fez com que as suas maravilhas fossem lembradas: piedoso e misericordioso é o Senhor.

5 Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-ha sempre do seu concerto.

6 Annunciou ao seu povo o poder das suas obras, para lhe dar a herança das nações.

7 As obras [1] das suas mãos são verdade e juizo, seguros todos os seus mandamentos.

8 Permanecem firmes para sempre, e sempre; e são feitos em verdade e rectidão.

9 Redempção enviou ao seu povo; ordenou o seu concerto para sempre; [2] sancto e tremendo é o seu nome.

10 O temor do Senhor é o principio da sabedoria: [3] bom entendimento teem todos os que cumprem os seus mandamentos: o seu louvor permanece para sempre.

[1] Apo. 15.3.

[2] Luc. 1.49.

[3] Deu. 4.6.

A felicidade d’aquelle que teme a Deus.

112 Louvae ao Senhor. Bemaventurado o homem que teme ao Senhor, que em seus mandamentos tem grande prazer.

2 A sua semente será poderosa na terra: a geração dos rectos será abençoada.

3 Fazenda [1] e riquezas haverá na sua casa, e a sua justiça permanece para sempre.

4 Aos justos nasce luz nas trevas: elle é piedoso, misericordioso e justo.

5 O homem bom se compadece, e empresta: [RD] disporá as suas coisas com juizo.

6 Na verdade que nunca será commovido: o justo estará em memoria eterna.

7 Não temerá maus rumores: o seu coração está firme, confiando no Senhor.

8 O seu coração bem confirmado, elle não temerá, até que veja o seu desejo sobre os seus inimigos.

9 Elle espalhou, [2] deu aos necessitados: a sua justiça permanece para sempre, e a sua força se exaltará em gloria.

10 O impio o verá, e se entristecerá: rangerá com os dentes, e se consumirá: o desejo dos impios perecerá.

[1] Mat. 6.33.

[2] II Cor. 9.9. Deu. 24.13.

Exhortação a louvar a Deus pela sua grandeza e por amor da sua bondade para com os pobres.

113 Louvae ao Senhor. Louvae, servos do Senhor, louvae o nome do Senhor.

2 Seja bemdito [1] o nome do Senhor, desde agora para sempre.

3 Desde o [2] nascimento do sol até ao occaso, seja louvado o nome do Senhor.

4 Exaltado está o Senhor acima de todas as nações, e a sua gloria sobre os céus.

5 Quem é como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas?

6 O qual se abate, para vêr o que está nos céus e na terra!

7 Levanta o pobre do pó, e do monturo levanta o necessitado,

8 Para o fazer assentar com os principes, mesmo com os principes do seu povo.

9 Faz com que a mulher esteril habite na casa, e seja alegre mãe de filhos. Louvae ao Senhor.

[1] Dan. 2.20.

[2] Isa. 50.19. Mal. 1.11.

O psalmista celebra a passagem maravilhosa pelo Mar Vermelho e Jordão.

114 Quando Israel saiu [1] do Egypto, e a casa de Jacob de um povo barbaro,

2 Judah [2] ficou seu sanctuario, e Israel seu dominio.

3 O mar o viu, e fugiu: o Jordão voltou para traz.

4 Os montes saltaram como carneiros, e os outeiros como cordeiros.

5 Que tiveste tu, ó mar, que fugiste, e tu, ó Jordão, que voltaste para traz?

6 Montes, que saltastes como carneiros, e outeiros, como cordeiros?

7 Treme, terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacob.

8 O qual converteu [3] o rochedo em lago de aguas, e o seixo em fonte de agua.

[1] Exo. 13.3.

[2] Exo. 6.7 e 19.6 e 25.8.

[3] Exo. 17.6. Num. 20.11.

A gloria do Senhor e a vaidade dos idolos. Exhortação a confiar só em Deus.

115 Não a nós, [1] Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá gloria, por amor da tua benignidade e da tua verdade.

2 Porque dirão as nações: Onde está o seu Deus?

3 Porém o nosso Deus está nos céus: fez tudo o que lhe aprouve.

4 Os idolos d’elles [2] são prata e oiro, obra das mãos dos homens.

5 Teem bocca mas não fallam: olhos teem, mas não vêem:

6 Teem ouvidos, mas não ouvem; narizes teem, mas não cheiram:

7 Teem mãos, mas não apalpam; pés teem, mas não andam; nem som algum sae da sua garganta.

8 A elles se tornem similhantes os que os fazem, assim como todos os que n’elles confiam.

9 Israel, confia no Senhor: elle é o seu auxilio e o seu escudo.

10 Casa de Aarão, confia no Senhor: elle é o seu auxilio e o seu escudo.

11 Vós, os que temeis ao Senhor, confiae no Senhor: elle é o seu auxilio e o seu escudo.

12 O Senhor se lembrou de nós; elle nos abençoará; abençoará a casa d’Israel; abençoará a casa d’Aarão.

13 Abençoará os que temem ao Senhor, tanto pequenos como grandes.

14 O Senhor vos augmentará cada vez mais, a vós e a vossos filhos.

15 Sois bemditos [3] do Senhor que fez os céus e a terra.

16 Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens.

17 Os mortos não louvam ao Senhor, [4] nem os que descem ao silencio.

18 Mas [5] nós bemdiremos ao Senhor, desde agora e para sempre. Louvae ao Senhor.

[1] Isa. 48.11. Eze. 36.32.

[2] Deu. 4.28.

[3] Gen. 1.1 e 14.19.

[4] Isa. 38.18.

[5] Dan. 2.20.

Amor e gratidão a Deus pela sua salvação.

116 Amo ao Senhor, porque elle ouviu a minha voz e a minha supplica.

2 Porque inclinou a mim os seus ouvidos; portanto o invocarei emquanto viver.

3 Os cordeis da morte me cercaram, e angustias do inferno se apoderaram de mim: encontrei aperto e tristeza.

4 Então invoquei o nome do Senhor, dizendo: Ó Senhor, livra a minha alma.

5 Piedoso é o Senhor e justo: o nosso Deus tem misericordia.

6 O Senhor guarda aos simplices: fui abatido, mas elle me livrou.

7 Alma minha, volta para o [1] teu repouso, pois o Senhor te fez bem.

8 Porque tu, Senhor, livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lagrimas, e os meus pés da queda.

9 Andarei perante a face do Senhor na terra dos viventes.

10 Cri, [2] por isso fallei: estive muito afflicto.

11 Dizia na minha pressa: Todos os homens são mentirosos.

12 Que darei eu ao Senhor, por todos os beneficios que me tem feito?

13 Tomarei o calix da salvação, e invocarei o nome do Senhor.

14 Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo.

15 Preciosa é á vista do Senhor a morte dos seus sanctos.

16 Ó Senhor, devéras sou teu servo: sou teu servo, filho da tua serva; soltaste as minhas ataduras.

17 Offerecer-te-hei [3] sacrificios de louvor, e invocarei o nome do Senhor.

18 Pagarei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o meu povo.

19 Nos atrios da casa do Senhor, no meio de ti, ó Jerusalem. Louvae ao Senhor.

[1] Jer. 6.16. Mat. 11.29.

[2] II Cor. 4.13.

[3] Lev. 7.12.

Deus é louvado por amor da sua bondade e veracidade.

117 Louvae [1] ao Senhor todas as nações, louvae-o todos os povos.

2 Porque a sua benignidade é grande para comnosco, e a verdade do Senhor dura para sempre. Louvae ao Senhor.

[1] Rom. 15.11.

O psalmista louva a Deus por amor do livramento de muitos inimigos.

118 Louvae ao Senhor, porque elle é bom, porque a sua benignidade dura para sempre.

2 Diga agora Israel que a sua benignidade dura para sempre.

3 Diga agora a casa d’Aarão que a sua benignidade dura para sempre.

4 Digam agora os que temem ao Senhor que a sua benignidade dura para sempre.

5 Invoquei o Senhor na angustia; o Senhor me ouviu, e me tirou para um logar largo.

6 O Senhor está comigo: [1] não temerei o que me pode fazer o homem.

7 O Senhor está comigo com aquelles que me ajudam; pelo que verei cumprido o meu desejo sobre os que me aborrecem.

8 É melhor confiar no Senhor [2] do que confiar no homem.

9 É melhor confiar no Senhor do que confiar nos principes.

10 Todas as nações me cercaram, mas no nome do Senhor as despedaçarei.

11 Cercaram-me, e tornaram a cercar-me; mas no nome do Senhor eu as despedaçarei.

12 Cercaram-me como abelhas: porém apagaram-se como o fogo d’espinhos; pois no nome do Senhor os despedaçarei.

13 Com força me impelliste para me fazeres cair, porém o Senhor me ajudou.

14 O Senhor [3] é a minha força e o meu cantico; e se fez a minha salvação.

15 Nas tendas dos justos ha voz de jubilo e de salvação: a dextra do Senhor faz proezas.

16 A dextra [4] do Senhor se exalta: a dextra do Senhor faz proezas.

17 Não morrerei, [5] mas viverei; e contarei as obras do Senhor.

18 O Senhor me [6] castigou muito, mas não me entregou á morte.

19 Abri-me [7] as portas da justiça: entrarei por ellas, e louvarei ao Senhor.

20 Esta é a porta do Senhor, [8] pela qual os justos entrarão.

21 Louvar-te-hei, pois me escutaste, e te fizeste a minha salvação.

22 A Pedra [9] que os edificadores rejeitaram se tornou a cabeça da esquina.

23 Da parte do Senhor se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos.

24 Este é o dia que fez o Senhor: regozijemo-nos, e alegremo-nos n’elle.

25 Salva-nos, agora, te pedimos, ó Senhor, ó Senhor, te pedimos, prospera-nos.

26 Bemdito [10] aquelle que vem em nome do Senhor: nós vos bemdizemos desde a casa do Senhor.

27 Deus é o Senhor [11] que nos mostrou a luz: atae a victima da festa com cordas, até aos cornos do altar.

28 Tu és o meu Deus, e eu te louvarei; [12] tu és o meu Deus, e eu te exaltarei.

29 Louvae [13] ao Senhor, porque elle é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.

[1] Isa. 51.12. Heb. 13.6.

[2] Jer. 17.5, 7.

[3] Exo. 15.2. Isa. 12.2.

[4] Exo. 15.6.

[5] Hab. 1.12.

[6] II Cor. 6.9.

[7] Isa. 26.2.

[8] Isa. 35.8. Apo. 21.27 e 22.14, 15.

[9] Mat. 21.42. Mar. 12.10. Luc. 20.17. Act. 4.11. Eph. 2.20. I Ped. 2.4, 7.

[10] Mat. 21.9 e 23.39. Mar. 11.9. Luc. 19.38.

[11] I Ped. 2.9.

[12] Exo. 15.2. Isa. 25.1.

[13] ver. 1.

A excellencia da lei do Senhor e a felicidade d’aquelle que a observa.

Aleph.

119 Bemaventurados os rectos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor.

2 Bemaventurados os que guardam os seus testemunhos, e que o buscam com todo o coração.

3 E não obram iniquidade: andam nos seus caminhos.

4 Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observassemos.

5 Oxalá que os meus caminhos fossem dirigidos a observar os teus estatutos.

6 Então não serei envergonhado, quando tiver respeito a todos os teus mandamentos.

7 Louvar-te-hei com rectidão de coração, quando tiver aprendido os teus justos juizos.

8 Observarei os teus estatutos: não me desampares totalmente.

Beth.

9 Com que purificará o mancebo o seu caminho? observando-o conforme a tua palavra.

10 Com todo [1] o meu coração te busquei: não me deixes desviar dos meus mandamentos.

11 A tua palavra tenho eu escondido [2] no meu coração, para não peccar contra ti.

12 Bemdito és tu, ó Senhor; ensina-me os teus estatutos.

13 Com os meus labios declarei todos os juizos da tua bocca.

14 Folguei tanto no caminho dos teus testemunhos, como em todas as riquezas.

15 Meditarei nos teus preceitos, e terei respeito aos teus caminhos.

16 Recrear-me-hei nos teus estatutos: não me esquecerei da tua palavra.

Gimel.

17 Faze bem ao teu servo, para que viva e observe a tua palavra.

18 Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei.

19 Sou peregrino [3] na terra: não escondas de mim os teus mandamentos.

20 A minha alma está quebrantada de desejar os teus juizos em todo o tempo.

21 Tu reprehendeste asperamente os soberbos que são amaldiçoados, que se desviam dos teus mandamentos.

22 Tira de sobre mim o opprobrio e o desprezo, pois guardei os teus testemunhos.

23 Principes tambem se assentaram, e fallaram contra mim, mas o teu servo meditou nos teus estatutos.

24 Tambem os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros.

Daleth.

25 A minha alma está pegada ao pó: vivifica-me segundo a tua palavra.

26 Eu te contei os meus caminhos, e tu me ouviste: ensina-me os teus estatutos.

27 Faze-me entender os caminhos dos teus preceitos: assim fallarei das tuas maravilhas.

28 A minha alma se derrete de tristeza: fortalece-me segundo a tua palavra.

29 Desvia de mim o caminho da falsidade, e concede-me piedosamente a tua lei.

30 Tenho escolhido o caminho da verdade: os teus juizos tenho posto diante de mim.

31 Tenho-me apegado aos teus testemunhos: ó Senhor, não me confundas.

32 Percorrerei o caminho dos teus mandamentos, [4] quando dilatares o meu coração.

He.

33 Ensina-me, [5] ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e guardal-o-hei até ao fim.

34 Dá-me [6] entendimento, e guardarei a tua lei, e observal-a-hei de todo o meu coração.

35 Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque n’ella tenho prazer.

36 Inclina o meu coração aos teus testemunhos, e não á cubiça.

37 Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.

38 Confirma a tua palavra ao teu servo, que é dedicado ao teu temor.

39 Desvia de mim o opprobrio que temo, pois os teus juizos são bons.

40 Eis que tenho desejado os teus preceitos; vivifica-me na tua justiça.

Vau.

41 Venham sobre mim tambem as tuas misericordias, ó Senhor, e a tua salvação segundo a tua palavra.

42 Assim terei que responder ao que me affronta, pois confio na tua palavra.

43 E não tires totalmente a palavra de verdade da minha bocca, pois tenho esperado nos teus juizos.

44 Assim observarei de continuo a tua lei para sempre e eternamente.

45 E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos.

46 Tambem fallarei [7] dos teus testemunhos perante os reis, e não me envergonharei.

47 E recrear-me-hei em teus mandamentos, que tenho amado.

48 Tambem levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos, que amei, e meditarei nos teus estatutos.

Zain.

49 Lembra-te da palavra dada ao teu servo, na qual me fizeste esperar.

50 Isto [8] é a minha consolação na minha afflicção, porque a tua palavra me vivificou.

51 Os soberbos [9] zombaram grandemente de mim; comtudo não me desviei da tua lei.

52 Lembrei-me dos teus juizos antiquissimos, ó Senhor, e assim me consolei.

53 Grande indignação se apoderou de mim por causa dos impios que desamparam a tua lei.

54 Os teus estatutos teem sido os meus canticos, na casa da minha peregrinação.

55 Lembrei-me do teu nome, ó Senhor, de noite, e observei a tua lei.

56 Isto fiz eu, porque guardei os teus mandamentos.

Heth.

57 O Senhor é a minha porção: eu disse que observaria as tuas palavras.

58 Roguei devéras o teu favor com todo o meu coração: tem piedade de mim, segundo a tua palavra.

59 Considerei [10] os meus caminhos, e voltei os meus pés para os teus testemunhos.

60 Apressei-me, e não me detive, a observar os teus mandamentos.

61 Bandos de impios me despojaram, mas eu não me esqueci da tua lei.

62 Á meia noite [11] me levantarei para te louvar, pelos teus justos juizos.

63 Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos.

64 A terra, ó Senhor, está cheia da tua benignidade: ensina-me os teus estatutos.

Teth.

65 Fizeste bem ao teu servo, Senhor, segundo a tua palavra.

66 Ensina-me bom juizo e sciencia, pois cri nos teus mandamentos.

67 Antes de ser afflicto andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra.

68 Tu és bom e [12] fazes bem: ensina-me os teus estatutos.

69 Os soberbos forjaram mentiras contra mim; mas eu com todo o meu coração guardarei os teus preceitos.

70 Engrossa-se-lhes o coração como gordura, mas eu me recreio na tua lei.

71 Foi-me bom ter sido afflicto, para que aprendesse os teus estatutos.

72 Melhor é para mim a lei da tua bocca do que milhares de oiro ou prata.

Jod.

73 As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me intelligencia para entender os teus mandamentos.

74 Os que te temem alegraram-se quando me viram, porque tenho esperado na tua palavra.

75 Bem sei eu, ó Senhor, que os teus juizos são justos, e que segundo a tua fidelidade me affligiste.

76 Sirva pois a tua benignidade para me consolar, segundo a palavra que déste ao teu servo.

77 Venham sobre mim as tuas misericordias, para que viva, pois a tua lei é as minhas delicias.

78 Confundam-se os soberbos, pois me trataram d’uma maneira perversa, sem causa; mas eu meditarei nos teus preceitos.

79 Voltem-se para mim os que te temem, e aquelles que teem conhecido os teus testemunhos.

80 Seja recto o meu coração nos teus estatutos, para que não seja confundido.

Caph.

81 Desfallece a minha alma pela tua salvação, mas espero na tua palavra.

82 Os meus olhos desfallecem pela tua palavra; entretanto dizia: Quando me consolarás tu?

83 Pois estou como odre no fumo; comtudo não me esqueço dos teus estatutos.

84 Quantos serão os dias do teu servo? [13] Quando me farás justiça contra os que me perseguem?

85 Os soberbos me cavaram covas, o que não é conforme á tua lei.

86 Todos os teus mandamentos são verdade: com mentiras me perseguem; ajuda-me.

87 Quasi que me teem consumido sobre a terra, mas eu não deixei os teus preceitos.

88 Vivifica-me segundo a tua benignidade; assim guardarei o testemunho da tua bocca.

Lamed.

89 Para sempre, ó Senhor, [14] a tua palavra permanece no céu.

90 A tua fidelidade dura de geração em geração: tu firmaste a terra, e ella permanece firme.

91 [RE] Elles continuam até _ao dia d’_hoje, segundo as tuas ordenações; porque todos são teus servos.

92 Se a tua lei não fôra toda a minha recreação, ha muito que pereceria na minha afflicção.

93 Nunca me esquecerei dos teus preceitos; pois por elles me tens vivificado.

94 Sou teu, salva-me; pois tenho buscado os teus preceitos.

95 Os impios me esperam para me destruirem, mas eu considerarei os teus testemunhos.

96 Tenho visto [15] fim a toda a perfeição, mas o teu mandamento é amplicissimo.

Mem.

97 Oh! quanto amo a tua lei! é a minha meditação em todo o dia.

98 Tu pelos teus mandamentos me fazes mais sabio [16] do que os meus inimigos, pois estão sempre comigo.

99 Tenho mais [17] entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação.

100 Entendo mais do que os antigos; porque guardo os teus preceitos.

101 Desviei os meus pés de todo o caminho mau, para guardar a tua palavra.

102 Não me apartei dos teus juizos, pois tu me ensinaste.

103 Oh! quão [18] doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel á minha bocca.

104 Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; pelo que aborreço todo o falso caminho.

Nun.

105 A tua palavra é uma lampada para os meus pés e uma luz para o meu caminho.

106 Jurei, [19] e o [RF] cumprirei, que guardarei os teus justos juizos.

107 Estou afflictissimo; vivifica-me, ó Senhor, segundo a tua palavra.

108 Acceita, eu te rogo, as offerendas voluntarias [20] da minha bocca, ó Senhor; ensina-me os teus juizos.

109 A minha alma está de continuo nas minhas mãos; todavia não me esqueço da tua lei.

110 Os impios me armaram laço; comtudo não me desviei dos teus preceitos.

111 Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança [21] para sempre, pois são o gozo do meu coração.

112 Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos, para sempre, até ao fim.

Samech.

113 Aborreço a duplicidade, mas amo a tua lei.

114 Tu és o meu refugio e o meu escudo; espero na tua palavra.

115 Apartae-vos [22] de mim, malfeitores, pois guardarei os mandamentos do meu Deus.

116 Sustenta-me conforme a tua palavra, para que viva, [23] e não me deixes envergonhado da minha esperança.

117 Sustenta-me, e serei salvo, e de continuo terei respeito aos teus estatutos.

118 Tu tens [RG] pisado aos pés todos os que se desviam dos teus estatutos, pois o engano d’elles é falsidade.

119 Tu tiraste da terra todos os impios, como a escoria, pelo que amo os teus testemunhos.

120 O meu corpo se arrepiou com temor [24] de ti, e temi os teus juizos.

Ain.

121 Fiz juizo e justiça: não me entregues aos meus oppressores.

122 Fica por fiador do teu servo para o bem; não deixes que os soberbos me opprimam.

123 Os meus olhos desfalleceram pela tua salvação e pela promessa da tua justiça.

124 Usa com o teu servo segundo a tua benignidade, e ensina-me os teus estatutos.

125 Sou teu servo: dá-me intelligencia, para entender os teus testemunhos.

126 Já é tempo de operares ó Senhor, pois elles teem quebrantado a tua lei.

127 Pelo que amo os teus mandamentos mais do que o oiro, e ainda mais do que o oiro fino.

128 Por isso estimo todos os teus preceitos ácerca de tudo, como rectos, e aborreço toda a falsa vereda.

Pe.

129 Maravilhosos são os teus testemunhos; portanto a minha alma os guarda.

130 A entrada das tuas palavras dá luz, [25] dá entendimento aos simplices.

131 Abri a minha bocca, e respirei, pois que desejei os teus mandamentos.

132 Olha para mim, e tem piedade de mim, conforme usas com os que amam o teu nome.

133 Ordena os meus passos na tua palavra, [26] e não se apodere de mim iniquidade alguma.

134 Livra-me [27] da oppressão do homem; assim guardarei os teus preceitos.

135 Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus estatutos.

136 Rios [28] d’aguas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua lei.

Tsade.

137 Justo és, [29] ó Senhor, e rectos são os teus juizos.

138 Os teus testemunhos que ordenaste são rectos e muito fieis.

139 O meu zelo me consumiu, porque os meus inimigos se esqueceram da tua palavra.

140 A tua palavra é muito pura; portanto o teu servo a ama.

141 Pequeno sou e desprezado, porém não me esqueço dos teus mandamentos.

142 A tua justiça é uma justiça eterna, [30] e a tua lei é a verdade.

143 Aperto e angustia se apoderam de mim; comtudo os teus mandamentos são o meu prazer.

144 A justiça dos teus testemunhos é eterna; dá-me intelligencia, e viverei.

Koph.

145 Clamei de todo o meu coração; escuta-me, Senhor, e guardarei os teus estatutos.

146 A ti te invoquei; salva-me, e guardarei os teus testemunhos.

147 Preveni a alva da manhã, e clamei: esperei na tua palavra.

148 Os meus olhos preveniram as vigilias da noite, para meditar na tua palavra.

149 Ouve a minha voz, segundo a tua benignidade; vivifica-me, ó Senhor, segundo o teu juizo.

150 Approximam-se os que se dão a maus tratos; affastam-se da tua lei.

151 Tu estás perto ó Senhor, e todos os teus mandamentos são a verdade.

152 Ácerca dos teus testemunhos soube, desde a antiguidade, [31] que tu os fundaste para sempre.

Res.

153 Olha para a minha afflicção, e livra-me, pois não me esqueci da tua lei.

154 Pleiteia a minha causa, e livra-me: vivifica-me segundo a tua palavra.

155 A salvação está longe dos impios, pois não buscam os teus estatutos.

156 Muitas são, ó Senhor, as tuas misericordias: vivifica-me segundo os teus juizos.

157 Muitos são os meus perseguidores e os meus inimigos; porém não me desvio dos teus testemunhos.

158 Vi os transgressores, e me affligi, porque não observam a tua palavra.

159 Considera como amo os teus preceitos: vivifica-me, ó Senhor, segundo a tua benignidade.

160 A tua palavra é a verdade desde o principio, e cada um dos teus juizos dura para sempre.

Sin.

161 Principes me perseguiram sem causa, mas o meu coração temeu a tua palavra.

162 Folgo com a tua palavra, como aquelle que acha um grande despojo.

163 Abomino e aborreço a falsidade, porém amo a tua lei.

164 Sete vezes no dia te louvo pelos juizos da tua justiça.

165 Muita paz teem os que amam a tua lei, e para elles não ha tropeço.

166 Senhor, tenho esperado na tua salvação, [32] e tenho cumprido os teus mandamentos.

167 A minha alma tem observado os teus testemunhos; amo-os excessivamente.

168 Tenho observado os teus preceitos e os teus testemunhos, porque todos os meus caminhos estão diante de ti.

Tau.

169 Chegue a ti o meu clamor, ó Senhor: dá-me entendimento conforme a tua palavra.

170 Chegue a minha supplica perante a tua face: livra-me segundo a tua palavra.

171 Os meus labios proferiram o louvor, quando me ensinaste os teus estatutos.

172 A minha lingua fallará da tua palavra, pois todos os teus mandamentos são justiça.

173 Venha a tua mão soccorrer-me, [33] pois elegi os teus preceitos.

174 Tenho desejado a tua salvação, ó Senhor, a tua lei é todo o meu prazer.

175 Viva a minha alma, e louvar-te-ha: ajudem-me os teus juizos.

176 Desgarrei-me [34] como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não me esqueci dos teus mandamentos.

[1] II Chr. 15.15.

[2] Luc. 2.18, 51.

[3] Gen. 47.9. I Chr. 29.15. II Cor. 5.6. Heb. 11.13.

[4] I Sam. 4.29. Isa. 60.5. II Cor. 6.11.

[5] ver. 12. Mat. 10.22. Apo. 2.26.

[6] ver. 73.

[7] Mat. 10.18, 19. Act. 26.1, 2.

[8] Rom. 15.4.

[9] Jer. 20.7.

[10] Luc. 15.17, 18.

[11] Act. 16.25.

[12] Mat. 19.17.

[13] Apo. 6.10.

[14] Mat. 24.34, 35.

[15] Mat. 5.18 e 24.35.

[16] Deu. 4.6, 8.

[17] II Tim. 3.15.

[18] Pro. 8.11.

[19] Neh. 10.29.

[20] Ose. 14.2. Heb. 13.5.

[21] Deu. 33.4.

[22] Mat. 7.23.

[23] Rom. 5.5 e 9.33 e 10.11.

[24] Hab. 3.16.

[25] Pro. 1.4.

[26] Rom. 6.12.

[27] Luc. 1.74.

[28] Jer. 9.1 e 14.17. Eze. 9.4.

[29] Esd. 9.15. Neh. 9.33. Jer. 12.1. Dan. 9.7.

[30] João 17.17.

[31] Luc. 21.33.

[32] Gen. 49.18.

[33] Jos. 24.22. Luc. 10.42.

[34] Isa. 53.6. Luc. 15.4. I Ped. 2.25.

O psalmista ora para que seja livre do mentiroso e calumniador.

[RH] Cantico dos degraus.

120 Na minha angustia [1] clamei ao Senhor, e me ouviu.

2 Senhor, livra a minha alma dos labios mentirosos e da lingua enganadora.

3 Que te será dado, ou que te será accrescentado, lingua enganadora?

4 Frechas agudas do valente, com brazas vivas de zimbro.

5 Ai de mim, que peregrino em Mesech, [2] e habito nas tendas de Kedar.

6 A minha alma bastante tempo habitou com os que detestam a paz.

7 Pacifico sou, porém quando eu fallo já elles procuram guerra.

[1] Jon. 2.2.

[2] Gen. 25.13. Jer. 49.28, 29.

Deus é o guarda fiel do seu povo.

Cantico dos degraus.

121 Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem a minha salvação.

2 O meu soccorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.

3 Não deixará vacillar o teu pé: aquelle que te guarda não tosquenejará.

4 Eis-que não tosquenejará nem dormirá o guarda d’Israel.

5 O Senhor é quem te guarda: o Senhor é a tua sombra á tua direita.

6 O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.

7 O Senhor te guardará de todo o mal: guardará a tua alma.

8 O Senhor guardará a tua entrada e a tua saida, desde agora e para sempre.

Oração para que a paz de Jerusalem continue.

Cantico dos degraus, de David.

122 Alegrei-me quando me disseram: [1] Vamos á casa do Senhor.

2 Os nossos pés estão dentro das tuas portas, ó Jerusalem.

3 Jerusalem está edificada como uma cidade que é [2] compacta,

4 Onde sobem as tribus, as tribus do Senhor, até o testemunho d’Israel, para darem [RI] graças ao nome do Senhor.

5 Pois ali estão os thronos do juizo, os thronos da casa de David.

6 Orae pela paz de Jerusalem: prosperarão aquelles que te amam.

7 Haja paz dentro de teus muros, e prosperidade dentro dos teus palacios.

8 Por causa dos meus irmãos e amigos, direi: Paz esteja em ti.

9 Por causa da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o teu bem.

[1] Isa. 2.3. Zac. 8.21.

[2] II Sam. 5.9.

A oração do crente desprezado.

Cantico dos degraus.

123 A ti levanto os meus olhos, ó tu que habitas nos céus.

2 Assim como os olhos dos servos attentam para as mãos dos seus senhores, e os olhos da serva para as mãos de sua senhora, assim os nossos olhos attentam para o Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós.

3 Tem piedade de nós, ó Senhor, tem piedade de nós, pois estamos assaz fartos de desprezo.

4 A nossa alma está extremamente cheia da zombaria d’aquelles que estão á sua vontade e com o desprezo dos soberbos.

Só Deus pode livrar o seu povo.

Cantico dos degraus, de David.

124 Se não fôra o Senhor, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel;

2 Se não fôra o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós,

3 Elles então nos teriam engulido vivos, quando a sua ira se accendesse contra nós.

4 Então as aguas teriam trasbordado sobre nós, e a corrente teria passado sobre a nossa alma;

5 Então as aguas altivas teriam passado sobre a nossa alma.

6 Bemdito seja o Senhor, que não nos deu por preza aos seus dentes.

7 A nossa alma escapou, como um passaro do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapámos.

8 O nosso soccorro está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

A segurança d’aquelle que confia em Deus.

Cantico dos degraus.

125 Os que confiam no Senhor serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre.

2 Assim como estão os montes á roda de Jerusalem, assim o Senhor está em volta do seu povo desde agora e para sempre.

3 Porque o sceptro da impiedade não permanecerá [1] sobre a sorte dos justos, a não ser que o justo estenda as suas mãos para a iniquidade.

4 Faze bem, ó Senhor, aos bons e aos que são rectos de coração.

5 Emquanto áquelles que se inquietam para os seus caminhos tortuosos, leval-os-ha o Senhor com os que obram [2] a maldade: paz haverá sobre Israel.

[1] Isa. 14.5.

[2] Gal. 6.16.

Deus é louvado porque fez retirar do captiveiro o seu povo.

Cantico dos degraus.

126 Quando o Senhor [RJ] trouxe do captiveiro os que voltaram a Sião estavamos com os que sonham.

2 Então a nossa bocca se encheu do riso e a nossa lingua de cantico: então se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor a estes.

3 Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quaes estamos alegres.

4 Traze-nos outra vez, ó Senhor, do captiveiro, como as correntes das aguas no sul.

5 Os que semeiam em lagrimas segarão com alegria.

6 Aquelle que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem duvida com alegria, trazendo comsigo os seus molhos.

Segurança, prosperidade e fecundidade veem de Deus só.

Cantico dos degraus, de Salomão.

127 Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam: se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinella.

2 Inutil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dôres, pois assim dá elle aos seus amados o somno.

3 Eis que [1] os filhos são herança do Senhor, e o fructo do ventre o seu galardão.

4 Como frechas na mão d’um homem valente, assim são os filhos da mocidade.

5 Bemaventurado o homem que enche d’elles a sua aljava: não serão confundidos, mas fallarão com os seus inimigos á porta.

[1] Gen. 33.5 e 48.4. Jos. 24.3, 4. Deu. 28.4.

Aquelle que teme a Deus será abençoado na sua familia.

Cantico dos degraus.

128 Bemaventurado aquelle que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos.

2 Pois comerás [1] do trabalho das tuas mãos: feliz serás, e te irá bem.

3 A tua mulher será [2] como a videira fructifera aos lados da tua casa, os teus filhos como plantas de oliveira á roda da tua mesa.

4 Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.

5 O Senhor te abençoará desde Sião, e tu verás os bens de Jerusalem em todos os dias da tua vida.

6 E verás [3] os filhos de teus filhos, e a paz sobre Israel.

[1] Isa. 3.10.

[2] Eze. 19.10.

[3] Gen. 50.23.

A egreja é perseguida, mas não destruida.

Cantico dos degraus.

129 Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, diga agora Israel:

2 Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, todavia não prevaleceram contra mim.

3 Os lavradores araram sobre as minhas costas: compridos fizeram os seus sulcos.

4 O Senhor é justo: cortou as cordas dos impios.

5 Sejam confundidos, e voltem para traz, todos os que aborrecem a Sião.

6 Sejam como a herva dos telhados, que se secca antes que [RK] a arranquem.

7 Com a qual o segador não enche a sua mão, nem o que ata os feixes enche o seu braço.

8 Nem tão pouco os que passam digam: A benção do Senhor seja sobre vós: nós vos abençoamos em nome do Senhor.

A confissão do peccado e a esperança do perdão.

Cantico dos degraus.

130 Das profundezas a ti clamo, ó Senhor.

2 Senhor, escuta a minha voz: sejam os teus ouvidos attentos á voz das minhas supplicas.

3 Se tu, Senhor, [1] observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá?

4 Porém comtigo está [2] o perdão, para que sejas temido.

5 Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra.

6 A minha alma aguarda ao Senhor, mais do que os guardas pela manhã, mais do que aquelles que vigiam pela manhã.

7 Espere Israel no Senhor, porque no Senhor ha misericordia, e n’elle ha abundante redempção.

8 E elle remirá [3] a Israel de todas as suas iniquidades.

[1] Rom. 3.20, 23, 24.

[2] Exo. 34.7.

[3] Mat. 1.20.

A humildade do psalmista.

Cantico dos degraus, de David.

131 Senhor, o meu coração não se elevou [1] nem os meus olhos se levantaram: não me exercito em grandes materias, nem em coisas muito elevadas para mim.

2 Certamente que me tenho portado [RL] e socegado como uma creança [2] desmamada de sua mãe: a minha alma está como uma creança desmamada.

3 Espere Israel no Senhor, desde agora e para sempre.

[1] Rom. 12.16.

[2] Mat. 18.3. I Cor. 14.20.

O zelo de David pelo templo e pela arca. As promessas feitas por Deus.

Cantico dos degraus.

132 Lembra-te, Senhor, de David, e de todas as suas afflicções.

2 Como jurou ao Senhor, [1] e fez votos ao poderoso de Jacob, dizendo:

3 Certamente que não entrarei na tenda de minha casa, nem subirei ao leito da minha cama.

4 Não darei somno aos meus olhos, nem adormecimento ás minhas pestanas,

5 Emquanto [2] não achar logar para o Senhor, uma morada para o Poderoso de Jacob.

6 Eis que ouvimos fallar d’ella em Ephrata, e a achámos no campo do bosque.

7 Entraremos nos seus tabernaculos: prostrar-nos-hemos ante o escabello de seus pés.

8 Levanta-te, [3] Senhor, no teu repouso, tu e a arca da tua força.

9 Vistam-se os teus sacerdotes de justiça, e alegrem-se os teus sanctos.

10 Por amor de David, teu servo, não faças virar o rosto do teu ungido.

11 O Senhor jurou na verdade a David: não se apartará [4] d’ella: Do fructo do teu ventre porei sobre o teu throno.

12 Se os teus filhos guardarem o meu concerto, e os meus testemunhos, que eu lhes hei de ensinar, tambem os seus filhos se assentarão perpetuamente no teu throno.

13 Porque o Senhor elegeu a Sião; desejou-a para a sua habitação, dizendo:

14 Este é o meu repouso para sempre: aqui habitarei, pois o desejei.

15 Abençoarei abundantemente o seu mantimento; fartarei de pão os seus necessitados.

16 Vestirei os seus sacerdotes de salvação, e os seus sanctos saltarão de prazer.

17 Ali farei brotar [5] [RM] a força de David; preparei uma lampada para o meu ungido.

18 Vestirei os seus inimigos de confusão; mas sobre elle florescerá a sua corôa.

[1] Gen. 49.24.

[2] Act. 7.46.

[3] Num. 10.35. II Chr. 6.41, 42.

[4] II Sam. 7.12. I Reis 8.25.

[5] Eze. 29.21. Ose. 11.12.

A excellencia do amor fraternal.

Cantico dos degraus, de David.

133 Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos habitem [1] em união.

2 É como [2] o oleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba, d’Aarão, e que desce á orla dos seus vestidos.

3 Como o orvalho [3] de Hermon e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o [4] Senhor ordena a benção e vida para sempre.

[1] Gen. 13.8. Heb. 13.1.

[2] Exo. 30.25, 30.

[3] Deu. 4.48.

[4] Lev. 25.21. Deu. 28.8.

Exhortação a bemdizer o Senhor.

Cantico dos degraus.

134 Eis-aqui, bemdizei ao Senhor todos vós, servos do Senhor, que assistis na casa do Senhor todas as noites.

2 Levantae as vossas mãos no sanctuario, e bemdizei ao Senhor.

3 O Senhor, que fez o céu e a terra, te abençõe desde Sião.

Deus é louvado pela sua bondade, poder e justiça. A vaidade dos idolos.

135 Louvae ao Senhor. Louvae o nome do Senhor; louvae-o, servos do Senhor.

2 Vós que assistis na casa do Senhor, nos atrios da casa do nosso Deus.

3 Louvae ao Senhor, porque o Senhor é bom: cantae louvores ao seu nome, porque é agradavel.

4 Porque [1] o Senhor escolheu para si a Jacob, e a Israel para seu proprio thesouro.

5 Porque eu conheço que o Senhor é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses.

6 Tudo o que o Senhor quiz fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abysmos.

7 Faz [2] subir os vapores das extremidades da terra; faz os relampagos para a chuva; produz os ventos dos seus thesouros.

8 O que feriu os primogenitos do Egypto, desde os homens até ás bestas.

9 O que enviou signaes e prodigios no meio de ti, ó Egypto, contra Pharaó e contra os seus servos.

10 O que feriu [3] muitas nações, e matou poderosos reis;

11 A Sehon, rei dos amorrheos, e a Og, rei de Basan, e a todos os reinos de Canaan.

12 E deu a sua terra em herança, em herança a Israel, seu povo.

13 O teu nome, ó Senhor, dura perpetuamente; e a tua memoria, ó Senhor, de geração em geração.

14 Pois o Senhor julgará o seu povo, e se arrependerá com respeito aos seus servos.

15 Os idolos das nações são prata e oiro, obra das mãos dos homens.

16 Teem bocca, mas não fallam; teem olhos, e não vêem.

17 Teem ouvidos, mas não ouvem, nem ha respiro algum nas suas boccas.

18 Similhantes a elles se tornem os que os fazem, e todos os que confiam n’elles.

19 Casa d’Israel, bemdizei ao Senhor; casa d’Aarão bemdizei ao Senhor.

20 Casa de Levi, bemdizei ao Senhor: vós, os que temeis ao Senhor, louvae ao Senhor.

21 Bemdito seja o Senhor desde Sião, que habita em Jerusalem. Louvae ao Senhor.

[1] Exo. 19.5. Deu. 7.6, 7 e 10.15.

[2] Jer. 10.13 e 51.16.

[3] Num. 21.24, 25, 26, 34, 35.

Deus é louvado pelas suas obras e porque sua benignidade dura para sempre.

136 Louvae ao Senhor, porque elle é bom; porque [1] a sua benignidade dura para sempre.

2 Louvae ao Deus dos deuses; porque a sua benignidade dura para sempre.

3 Louvae ao Senhor dos senhores; porque a sua benignidade dura para sempre.

4 Aquelle que só faz maravilhas; porque a sua benignidade dura para sempre.

5 Aquelle que por entendimento fez os céus, [2] porque a sua benignidade dura para sempre.

6 Aquelle que estendeu a terra sobre as aguas; porque a sua benignidade dura para sempre.

7 Aquelle que fez os grandes luminares; porque a sua benignidade dura para sempre.

8 O sol [3] para governar de dia; porque a sua benignidade dura para sempre.

9 A lua e as estrellas para presidirem á noite; porque a sua benignidade dura para sempre.

10 O que feriu [4] o Egypto nos seus primogenitos; porque a sua benignidade dura para sempre.

11 E tirou a [5] Israel do meio d’elles; porque a sua benignidade dura para sempre.

12 Com mão [6] forte, e com braço estendido; porque a sua benignidade dura para sempre.

13 Aquelle que dividiu o Mar Vermelho [7] em duas partes; porque a sua benignidade dura para sempre.

14 E fez passar Israel por meio d’elles; porque a sua benignidade dura para sempre.

15 Mas derribou [8] a Pharaó com o seu exercito no Mar Vermelho, porque a sua benignidade dura para sempre.

16 Aquelle que guiou [9] o seu povo pelo deserto; porque a sua benignidade dura para sempre.

17 Aquelle que feriu [10] os grandes reis; porque a sua benignidade dura para sempre.

18 E matou reis famosos; porque a sua benignidade dura para sempre.

19 Sehon, rei dos amorrheos; porque a sua benignidade dura para sempre.

20 E Og, rei de Basan; porque a sua benignidade dura para sempre.

21 E deu a terra d’elles em herança; porque a sua benignidade dura para sempre.

22 E mesmo em herança a Israel, seu servo; porque a sua benignidade dura para sempre.

23 Que se lembrou da [11] nossa baixeza; porque a sua benignidade dura para sempre.

24 E nos remiu dos nossos inimigos; porque a sua benignidade dura para sempre.

25 O que dá mantimento a toda a carne; porque a sua benignidade dura para sempre.

26 Louvae ao Deus dos céus; porque a sua benignidade dura para sempre.

[1] I Chr. 16.34, 41. II Chr. 20.21.

[2] Gen. 1.1. Pro. 3.19.

[3] Gen. 1.16.

[4] Exo. 12.29.

[5] Exo. 12.15 e 13.3, 17.

[6] Exo. 6.6.

[7] Exo. 14.21, 22.

[8] Exo. 14.27.

[9] Deu. 8.15.

[10] Deu. 29.7.

[11] Gen. 8.1. Deu. 32.36.

137 Junto dos rios de Babylonia, ali nos assentámos e chorámos, quando nos lembrámos de Sião:

2 Sobre os salgueiros que ha no meio d’ella, pendurámos as nossas harpas.

3 Pois lá aquelles que nos levaram captivos, nos pediam uma canção; e os que nos destruiram, que os alegrassemos, dizendo; Cantae-nos uma das canções de Sião.

4 Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha?

5 Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalem, esqueça-se a minha direita da sua destreza.

6 Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a lingua ao meu paladar; se não prefiro Jerusalem á minha maior alegria.

7 Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom [1] no dia de Jerusalem, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces.

8 Ah! filha de Babylonia, que vaes ser assolada; feliz aquelle que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós.

9 Feliz aquelle que pegar em teus filhos e der [2] com elles pelas pedras.

[1] Jer. 49.7, etc.

[2] Jer. 50.15, 29.

Acção de graças a Deus por amor da sua fidelidade. Todos os reis o louvarão.

Psalmo de David.

138 Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração: na presença dos deuses a ti cantarei louvores.

2 Inclinar-me-hei para o teu sancto templo, e louvarei o teu nome pela sua benignidade, e pela tua verdade: pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome.

3 No dia em que eu clamei, me escutaste; e alentaste com força a minha alma.

4 Todos os reis da terra te louvarão, ó Senhor, quando ouvirem as palavras da tua bocca;

5 E cantarão os caminhos do Senhor; pois grande é a gloria do Senhor.

6 Ainda que o Senhor é excelso, attende todavia para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de longe.

7 Andando eu no meio da angustia, tu me reviverás: estenderás a tua mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua dextra me salvará.

8 O Senhor aperfeiçoará o que me toca; a tua benignidade, ó Senhor, dura para sempre; não desampares as obras das tuas mãos.

A omnipresença e a omnipotencia de Deus.

Psalmo de David para o cantor-mór.

139 Senhor, [1] tu me sondaste, e me conheces.

2 Tu sabes [2] o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.

3 Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.

4 Não havendo ainda palavra alguma na minha lingua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.

5 Tu me cercaste por detraz e por diante; e pozeste sobre mim a tua mão.

6 Tal sciencia é para mim maravilhosissima; tão alta que não a posso attingir.

7 Para onde me irei do teu Espirito, ou para onde fugirei da tua face?

8 Se subir [3] ao céu, lá tu estás: se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás tambem.

9 Se tomar as azas da alva, se habitar nas extremidades do mar,

10 Até ali a tua mão me guiará e a tua dextra me susterá.

11 Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz á roda de mim.

12 Nem ainda [4] as trevas me encobrem de ti: mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.

13 Pois possuiste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.

14 Eu te louvarei, porque de um modo terrivel, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

15 Os meus ossos não te foram encobertos, quando no occulto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra.

16 Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escriptas; as quaes em continuação foram formadas, quando nem ainda uma d’ellas havia.

17 E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as sommas d’elles!

18 Se as contasse, seriam em maior numero do que a areia: quando acordo ainda estou comtigo.

19 Ó Deus, tu matarás decerto o impio: apartae-vos portanto de mim, homens de sangue.

20 Pois fallam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.

21 Não aborreço eu, ó Senhor, aquelles que te aborrecem, e não me afflijo por causa dos que se levantam contra ti?

22 Aborreço-os com odio perfeito: tenho-os por inimigos.

23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me, e conhece os meus pensamentos.

24 E vê se ha em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.

[1] Jer. 12.3.

[2] II Reis 19.27. Mat. 9.4. João 2.25.

[3] Amós 9.2, 3, 4.

[4] Dan. 2.22. Heb. 4.13.

O psalmista ora para que seja livre de inimigos potentes e injustos.

Psalmo de David para o cantor-mór.

140 Livra-me, ó Senhor, do homem mau: guarda-me do homem violento;

2 Que pensa o mal no coração: continuamente se ajuntam para a guerra.

3 Aguçaram as linguas como a serpente; o veneno das viboras está debaixo dos seus labios (Selah).

4 Guarda-me, ó Senhor, das mãos do impio; guarda-me do homem [1] violento, os quaes se propozeram empuxar os meus passos.

5 Os soberbos [2] armaram-me laços e cordas; estenderam a rede ao lado do caminho: armaram-me laços corrediços (Selah).

6 Eu disse ao Senhor: Tu és o meu Deus: ouve a voz das minhas supplicas, ó Senhor.

7 Senhor Deus, [RN] fortaleza da minha salvação, tu cobriste a minha cabeça no dia da batalha.

8 Não concedas, ó Senhor, ao impio os seus desejos: não promovas o seu mau proposito, para que não se exalte (Selah).

9 Quanto á cabeça dos que me cercam, cubra-os a maldade dos seus labios.

10 Caiam sobre elles brazas vivas: sejam lançados no fogo: em covas profundas para que se não tornem a levantar.

11 Não terá firmeza na terra o homem de má lingua: o mal perseguirá o homem violento até que seja desterrado.

12 Sei que o Senhor [RO] sustentará a causa do opprimido, e o direito do necessitado.

13 Assim os justos louvarão o teu nome: os rectos habitarão na tua presença.

[1] Rom. 3.13.

[2] Jer. 18.22.

O psalmista ora para que seja preservado no meio da tentação.

Psalmo de David.

141 Senhor, a ti clamo, escuta-me; inclina os teus ouvidos á minha voz, quando a ti clamar.

2 Suba a minha [1] oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrificio da tarde.

3 Põe, ó Senhor, uma guarda á minha bocca: guarda a porta dos meus labios.

4 Não inclines o meu coração a coisas más, a praticar obras más, com aquelles que obram a iniquidade; e não coma das suas delicias.

5 Fira-me o justo, será uma benignidade; e reprehenda-me, será um excellente oleo, que me não quebrará a cabeça; porque orarei nas suas proprias calamidades.

6 Quando os seus juizes forem derribados pelos lados da rocha, ouvirão as minhas palavras, pois são agradaveis.

7 Os nossos ossos são espalhados á bocca da sepultura como se alguem [RP] fendera e partira lenha em terra.

8 Mas os meus olhos te contemplam, o Deus, Senhor: em ti confio; não desnudes a minha alma.

9 Guarda-me dos laços que me armaram; e dos laços corrediços dos que obram a iniquidade.

10 Caiam os impios nas suas proprias redes, até que eu tenha escapado inteiramente.

[1] Apo. 5.8 e 3.4.

Oração no meio de grande perigo.

Maschil de David: oração que fez quando estava na caverna.

142 Com a minha voz clamei ao Senhor, com a minha voz suppliquei ao Senhor.

2 Derramei a minha queixa perante a sua face; expuz-lhe a minha angustia.

3 Quando o meu espirito estava angustiado em mim, então conheceste a minha vereda: no caminho em que eu andava, esconderam-me um laço.

4 Olhei para a minha direita, e vi; mas não havia quem me conhecesse: refugio me faltou, ninguem cuidou da minha alma.

5 A ti, ó Senhor, clamei; disse: Tu és o meu refugio, e a minha porção na terra dos viventes.

6 Attende ao meu clamor; porque estou muito abatido: livra-me dos meus perseguidores; porque são mais fortes do que eu.

7 Tira a minha alma da prisão, para que louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me fizeste bem.

O psalmista ora para que seja livre de inimigos.

Psalmo de David.

143 Ó Senhor, ouve a minha oração, inclina os ouvidos ás minhas supplicas: escuta-me segundo a tua verdade, e segundo a tua justiça,

2 E não entres em juizo com o teu servo, [1] porque á tua vista não se achará justo nenhum vivente.

3 Pois o inimigo perseguiu a minha alma; atropellou-me até ao chão; fez-me habitar na escuridão, como aquelles que morreram ha muito.

4 Pelo que o meu espirito se angustia em mim; e o meu coração em mim está desolado.

5 Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos.

6 Estendo para ti as minhas mãos; a minha alma tem sêde de ti, como terra sedenta (Selah).

7 Ouve-me depressa, ó Senhor; o meu espirito desmaia; não escondas de mim a tua face, para que não seja similhante aos que descem á cova.

8 Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma.

9 Livra-me, ó Senhor, dos meus inimigos; fujo para ti, para me esconder.

10 Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus: [2] o teu Espirito é bom; guia-me por terra plana.

11 Vivifica-me, ó Senhor, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira a minha alma da angustia.

12 E por tua misericordia desarreiga os meus inimigos, e destroe a todos os que angustiam a minha alma: pois sou teu servo.

[1] Rom. 3.20. Gal. 2.16.

[2] Neh. 9.20. Isa. 26.10.

Acção de graças pela protecção de Deus e oração por outros livramentos.

Psalmo de David.

144 Bemdito seja o Senhor, minha rocha, [1] que ensina as minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra;

2 Benignidade minha e fortaleza minha; alto retiro meu e meu libertador és tu: escudo meu, em quem eu confio, e que me sujeita o meu povo.

3 Senhor, que é o homem, para que o conheças, e o filho do homem, para que o estimes?

4 O homem é similhante á vaidade; os seus dias são como a sombra que passa.

5 Abaixa, ó Senhor, os teus céus, e desce; toca os montes, e fumegarão.

6 Vibra os teus raios, e dissipa-os; envia as tuas frechas, e desbarata-os.

7 Estende as tuas mãos desde o alto; livra-me, e, arrebata-me das muitas aguas e das mãos dos filhos estranhos,

8 Cuja bocca falla vaidade, e a sua direita é direita de falsidade.

9 A ti, ó Deus, cantarei um cantico novo, com o psalterio e instrumento de dez cordas te cantarei louvores.

10 A ti, que dás a salvação aos reis, e que livras a David, teu servo, da espada maligna.

11 Livra-me, e tira-me das mãos dos filhos estranhos, cuja bocca falla vaidade, e a sua direita é direita de iniquidade;

12 Para que nossos filhos sejam como plantas crescidas na sua mocidade; para que as nossas filhas sejam como pedras d’esquina lavradas á moda de palacio.

13 Para que as nossas dispensas se encham de todo o provimento; para que os nossos gados produzam a milhares e a dezenas de milhares nas nossas ruas.

14 Para que os nossos bois sejam fortes para o trabalho; para que não haja nem assaltos, nem saidas, nem gritos nas nossas ruas.

15 Bemaventurado o povo, ao qual assim acontece: bemaventurado é o povo cujo Deus é o Senhor.

[1] II Sam. 22.2, 3, 40, 48.

A bondade, grandeza e providencia de Deus.

Cantico de David.

145 Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu, e bemdirei o teu nome pelo seculo do seculo e para sempre.

2 Cada dia te bemdirei, e louvarei o teu nome pelo seculo do seculo e para sempre.

3 Grande é o Senhor, e muito digno de louvor, [1] e a sua grandeza inexcrutavel.

4 Uma geração louvará as tuas obras á outra geração, e annunciarão as tuas proezas.

5 Fallarei da magnificencia gloriosa da tua magestade e das tuas obras maravilhosas.

6 E se fallará da força dos teus feitos terriveis; e contarei a tua grandeza.

7 Proferirão abundantemente a memoria da tua grande bondade, e cantarão a tua justiça.

8 Piedoso e benigno é o Senhor, soffredor e de grande misericordia.

9 O Senhor é bom para todos, e as suas misericordias são sobre todas as suas obras.

10 Todas as tuas obras te louvarão, ó Senhor, e os teus sanctos te bemdirão.

11 Fallarão da gloria do teu reino, e relatarão o teu poder,

12 Para fazer saber aos filhos dos homens as tuas proezas e a gloria da magnificencia do teu reino.

13 O teu reino [2] é um reino eterno; o teu dominio dura em todas as gerações.

14 O Senhor sustenta a todos os que caem, e levanta a todos os abatidos.

15 Os olhos de todos esperam em ti, e lhes dás o seu mantimento a seu tempo.

16 Abres a tua mão, e fartas os desejos de todos os viventes.

17 Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e sancto em todas as suas obras.

18 Perto está o Senhor de todos os que o invocam, [3] de todos os que o invocam em verdade.

19 Elle cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor, e os salvará.

20 O Senhor guarda a todos os que o amam; porém todos os impios serão destruidos.

21 A minha bocca fallará o louvor do Senhor, e toda a carne louvará o seu sancto nome pelo seculo do seculo e para sempre.

[1] Rom. 11.33.

[2] I Tim. 1.17.

[3] João 4.24.

A fraqueza do homem e a fidelidade de Deus.

146 Louvae ao Senhor. Ó alma minha, louva ao Senhor.

2 Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus emquanto eu fôr vivo.

3 Não confieis em principes, nem no filho do homem, em quem não ha salvação.

4 Sae-lhe o espirito, volta para a terra: [1] n’aquelle mesmo dia perecem os seus pensamentos.

5 Bemaventurado [2] aquelle que tem o Deus de Jacob por seu auxilio, e cuja esperança está posta no Senhor seu Deus.

6 O que fez os céus e a terra, [3] o mar e tudo quanto ha n’elles, e o que guarda a verdade para sempre;

7 O que faz justiça aos opprimidos, o que dá pão aos famintos. O Senhor solta os encarcerados.

8 O Senhor abre [4] os olhos aos cegos: O Senhor levanta os abatidos: o Senhor ama os justos.

9 O Senhor guarda os estrangeiros: [5] sustem o orphão e a viuva, mas transtorna o caminho dos impios.

10 O Senhor reinará [6] eternamente; o teu Deus, ó Sião, é de geração em geração. Louvae ao Senhor.

[1] I Cor. 2.6.

[2] Jer. 17.7.

[3] Gen. 1.1. Apo. 14.7.

[4] Mat. 9.30. João 9.7, 32.

[5] Deu. 10.18.

[6] Exo. 15.18. Apo. 11.15.

Exhortação a louvar ao Senhor pela sua beneficencia.

147 Louvae ao Senhor, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus, porque é agradavel; decoroso é o louvor.

2 O Senhor edifica a Jerusalem, congrega os dispersos de Israel.

3 Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas.

4 Conta o numero das estrellas, chama-as a todas pelos seus nomes.

5 Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito.

6 O Senhor eleva os humildes, e abate os impios até á terra.

7 Cantae ao Senhor em acção de graça; cantae louvores ao nosso Deus sobre a harpa.

8 Elle é o que cobre o céu de nuvens, o que prepara a chuva para a terra, e o que faz produzir herva sobre os montes.

9 O que dá aos animaes o seu sustento, e aos filhos dos corvos, quando clamam.

10 Não se deleita na força do cavallo, nem se compraz nas pernas do varão.

11 O Senhor se agrada dos que o temem e dos que esperam na sua misericordia.

12 Louva, ó Jerusalem, ao Senhor; louva, ó Sião, ao teu Deus.

13 Porque fortaleceu os ferrolhos das tuas portas; abençôa aos teus filhos dentro de ti.

14 Elle é o que põe em paz os teus termos, e da flor da farinha te farta.

15 O que envia o seu mandamento á terra, a sua palavra corre velozmente.

16 O que dá a neve como lã, esparge a geada como cinza.

17 O que lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio?

18 Manda a sua palavra, e os faz derreter; faz soprar o vento, e correm as aguas.

19 Mostra a sua palavra a Jacob, os seus estatutos e os seus juizos a Israel.

20 Não fez assim a nenhuma outra nação; e, emquanto aos seus juizos, não os conhecem. Louvae ao Senhor.

Toda a creação deve louvar ao Senhor.

148 Louvae ao Senhor. Louvae ao Senhor desde os céus, louvae-o nas alturas.

2 Louvae-o, todos os seus anjos; louvae-o todos os seus exercitos.

3 Louvae-o, sol e lua; louvae-o, todas as estrellas luzentes.

4 Louvae-o, [1] céus dos céus, e as aguas que estão sobre os céus.

5 Louvem o nome do Senhor, pois mandou, e logo foram creados.

6 E os confirmou para sempre, e lhes deu uma lei que não ultra-passarão.

7 Louvae ao Senhor desde a terra: vós, baleias, [2] e todos os abysmos,

8 Fogo e saraiva, neve e vapores, e vento tempestuoso que executa a sua palavra:

9 Montes e todos os outeiros, [3] arvores fructiferas e todos os cedros:

10 As feras e todos os gados, reptis e aves voadoras:

11 Reis da terra e todos os povos, principes e todos os juizes da terra:

12 Mancebos e donzellas, velhos e creanças,

13 Louvem o nome do Senhor, pois só o seu nome é exaltado: a sua gloria está sobre a terra e o céu.

14 Elle tambem exalta o [RQ] poder do seu povo, o louvor de todos os seus sanctos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvae ao Senhor.

[1] I Reis 8.27. II Cor. 12.2. Gen. 1.7.

[2] Isa. 43.20.

[3] Isa. 44.23 e 49.13 e 55.12.

Os fieis louvam a seu Deus com canticos e instrumentos de musica.

149 Louvae ao Senhor. [1] Cantae ao Senhor um cantico novo, e o seu louvor na congregação dos sanctos.

2 Alegre-se Israel n’aquelle que o fez, gozem-se os filhos de Sião no seu rei.

3 Louvem o seu nome com [RR] flauta; cantem-lhe o seu louvor com adufe e harpa.

4 Porque o Senhor se agrada do seu povo; ornará os mansos com a [RS] salvação.

5 Exultem os sanctos na gloria, alegrem-se nas suas camas.

6 Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, [2] e espada de dois fios nas suas mãos,

7 Para tomarem vingança das nações, e darem reprehensões aos povos;

8 Para aprisionarem os seus reis com cadeias, e os seus nobres com grilhões de ferro;

9 Para fazerem n’elles o juizo escripto; [RT] esta será a gloria de todos os sanctos. Louvae ao Senhor.

[1] Isa. 42.10.

[2] Heb. 4.12. Apo. 1.16.

O psalmista exhorta toda a creatura a louvar o Senhor.

150 Louvae ao Senhor. Louvae a Deus no seu sanctuario, louvae-o no firmamento do seu poder.

2 Louvae-o pelos seus actos poderosos, [1] louvae-o conforme a excellencia da sua grandeza.

3 Louvae-o com o som de trombeta, louvae-o com o psalterio e a harpa.

4 Louvae-o com o adufe e a [RU] flauta, louvae-o com instrumento de cordas e com orgãos.

5 Louvae-o [2] com os cymbalos sonoros, louvae-o com cymbalos altisonantes.

6 Tudo quanto tem folego louve [RV] ao Senhor. Louvae ao Senhor.

[1] Deu. 3.24.

[2] I Chr. 15.16, 19, 28.

PROVERBIOS DE SALOMÃO.

Introducção geral.

[Antes de Christo 1000]

1 Proverbios [1] de Salomão, filho de David, rei d’Israel;

2 Para se conhecer a sabedoria e a instrucção; para se entenderem as palavras da prudencia;

3 Para se receber a instrucção do entendimento, [2] a justiça, o juizo, e a equidade;

4 Para dar aos simplices prudencia, [3] e aos moços conhecimento e bom siso;

5 Para o sabio [4] ouvir e crescer em doutrina, e o entendido adquirir sabios conselhos;

6 Para entender proverbios e a sua declaração: como tambem as palavras dos sabios, e as suas adivinhações.

Não te deixes seduzir por peccadores.

7 O temor do Senhor é o principio da sciencia: os loucos desprezam a sabedoria e a instrucção.

8 Filho meu, ouve [5] a instrucção de teu pae, e não deixes a doutrina de tua mãe.

9 Porque diadema [6] de graça serão para a tua cabeça, e colares para o teu pescoço.

10 Filho meu, se os peccadores te attrahirem com afagos, [7] não consintas.

11 Se disserem: Vem comnosco; espiemos [8] o sangue; espreitemos o innocente sem razão;

12 Traguemol-os vivos, como a sepultura; e inteiros, como os que descem á cova;

13 Acharemos toda a sorte de [RW] fazenda preciosa; encheremos as nossas casas de despojos;

14 Lança a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa.

15 Filho meu, não te ponhas a caminho com elles: desvia o pé das suas veredas;

16 Porque os seus pés [9] correm para o mal, e se apressam a derramar sangue.

17 Na verdade debalde se estende a rede perante os olhos de toda a sorte d’aves.

18 E estes armam ciladas contra o seu proprio sangue; e as suas proprias [RX] vidas espreitam.

19 Assim são [10] as veredas de todo aquelle que usa d’avareza: ella prenderá a [RY] alma de seus amos.

O convite e exhortação da Sabedoria.

20 A suprema sabedoria [11] altamente clama de fóra: pelas ruas levanta a sua voz.

21 Nas encruzilhadas, em que ha tumultos, clama: ás entradas das portas, na cidade profere as suas palavras.

22 Até quando, ó simplices, amareis a simplicidade? e vós, escarnecedores, desejareis o escarneo? e vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?

23 Tornae-vos á minha reprehensão: eis que abundantemente vos derramarei [12] de meu espirito e vos farei saber as minhas palavras.

24 Porquanto [13] clamei, e vós recusastes; estendi a minha mão, e não houve quem désse attenção;

25 Mas rejeitastes [14] todo o meu conselho, e não quizestes a minha reprehensão.

26 Tambem eu me rirei na vossa perdição, e zombarei, vindo o vosso temor;

27 Vindo como a [15] assolação o vosso temor, e vindo a vossa perdição como uma tormenta, sobrevindo-vos aperto e angustia.

28 Então a mim clamarão, [16] porém eu não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me acharão.

29 Porquanto aborreceram o conhecimento; e não elegeram o temor do Senhor;

30 Não consentiram ao meu conselho e desprezaram toda a minha reprehensão.

31 Assim que comerão do fructo do seu caminho, e fartar-se-hão [17] dos seus proprios conselhos.

32 Porque o desvio dos simplices os matará, e a prosperidade dos loucos os destruirá.

33 Porém o que me der ouvidos habitará seguramente, e estará descançado do temor do mal.

[1] II Reis 4.32. cap. 10.1 e 25.1.

[2] cap. 2.1, 9.

[3] cap. 9.4.

[4] cap. 9.9.

[5] cap. 4.1 e 6.20.

[6] cap. 3.22.

[7] Gen. 39.7, etc. Eph. 5.11.

[8] Jer. 5.26.

[9] Isa. 59.7. Rom. 3.15.

[10] cap. 15.27. I Tim. 6.10.

[11] cap. 8.1, etc. e 9.3. João 7.37.

[12] Joel 2.28.

[13] Isa. 65.12 e 66.4. Jer. 7.13. Zac. 7.11.

[14] ver. 3. Luc. 7.30.

[15] cap. 10.24.

[16] Isa. 1.15. Miq. 3.4. Zac. 7.13. Thi. 4.3.

[17] Isa. 3.11. Jer. 6.19.

A excellencia e vantagem da Sabedoria.

2 Filho meu, se acceitares as minhas palavras, e esconderes [1] comtigo os meus mandamentos,

2 Para fazeres attento á sabedoria o teu ouvido, e inclinares o teu coração ao entendimento,

3 E se clamares por entendimento, e por intelligencia alçares a tua voz,

4 Se como a prata a [2] buscares e como a thesouros escondidos a esquadrinhares,

5 Então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.

6 Porque [3] o Senhor é o que dá a sabedoria: da sua bocca é que sae o conhecimento e o entendimento.

7 Elle reserva a verdadeira sabedoria para os rectos: escudo é para os que caminham na sinceridade.

8 Para que guardem as veredas do juizo: e elle o [4] caminho dos seus sanctos conservará.

9 Então entenderás justiça, e juizo, e equidades, e todas as boas veredas,

10 Quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento fôr suave á tua alma.

11 O bom siso te guardará e a [5] intelligencia te conservará;

12 Para te fazer escapar do mau caminho, e do homem que falla coisas perversas.

13 Dos que deixam as veredas da rectidão, para andarem [6] pelos caminhos das trevas.

14 Que se alegram [7] de mal fazer, e folgam com as perversidades dos maus.

15 Cujas veredas são tortuosas e que se desviam nas suas carreiras,

16 Para te fazer escapar da mulher estranha, [8] e da estrangeira que lisongeia com suas palavras.

17 Que deixa [9] o guia da sua mocidade e se esquece do concerto do seu Deus.

18 Porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para os defuntos.

19 Todos os que entrarem a ella não tornarão a sair, e não atinarão com as veredas da vida.

20 Para andares pelo caminho dos bons, e guardares as veredas dos justos.

21 Porque os rectos habitarão a terra, e os sinceros permanecerão n’ella.

22 Mas os impios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão d’ella exterminados.

[1] cap. 4.21 e 7.1.

[2] cap. 3.14. Mat. 13.14.

[3] I Reis 3.9, 12. Thi. 1.5.

[4] I Sam. 2.9.

[5] cap. 6.22.

[6] João 3.19, 20.

[7] cap. 10.23. Jer. 11.15. Rom. 1.32.

[8] cap. 5.20. cap. 5.3 e 6.24 e 7.5.

[9] Mal. 2.14, 15.

3 Filho meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração [1] guarde os meus mandamentos.

2 Porque elles te accrescentarão longura de dias, e annos de vida e paz.

3 Não te desamparem a benignidade e a fidelidade: ata-as [2] ao teu pescoço; escreve-as na taboa do teu coração.

4 E acharás [3] graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens.

5 Confia no Senhor com todo o teu coração, e não te [4] estribes no teu proprio entendimento.

6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e elle endireitará [5] as tuas veredas.

7 Não sejas [6] sabio a teus proprios olhos: teme ao Senhor e aparta-te do mal.

8 Isto será saude para o teu umbigo, e regadura para os teus ossos.

9 Honra [7] ao Senhor com a tua fazenda, e com as primicias de toda a tua renda.

10 E se encherão [8] os teus celleiros de fartura, e trasbordarão de mosto os teus lagares.

11 Filho meu, não [9] rejeites a correcção do Senhor, nem te enojes da sua reprehensão.

12 Porque o Senhor reprehende aquelle a quem ama, assim como [10] o pae ao filho a quem quer bem.

13 Bemaventurado [11] o homem que acha sabedoria, e o homem que produz intelligencia.

14 Porque melhor é a sua mercadoria do que a mercadoria de prata, e a sua renda do que o oiro mais fino.

15 Mais preciosa é do que os rubins, e tudo o que [12] mais podes desejar não se póde comparar a ella.

16 Longura [13] de dias ha na sua mão direita: na sua esquerda riquezas e honra.

17 Os caminhos d’ella [14] são caminhos de delicias, e todas as suas veredas paz.

18 É arvore [15] da vida para os que d’ella pegam, e bemaventurados são todos os que a reteem.

19 O Senhor com sabedoria [16] fundou a terra: preparou os céus com entendimento.

20 Pelo seu conhecimento [17] se fenderam os abysmos, e as nuvens distillam o orvalho.

21 Filho meu, não se apartem estes dos teus olhos: guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso;

22 Porque serão vida para a tua alma, e graça para o teu pescoço.

23 Então andarás com confiança pelo teu caminho, e não tropeçará o teu pé.

24 Quando te deitares, [18] não temerás: mas te deitarás e o teu somno será suave.

25 Não temas o pavor repentino, nem a assolação dos impios quando vier.

26 Porque o Senhor será a tua esperança, e guardará os teus pés de os prenderem.

27 Não detenhas [19] dos seus donos o bem, tendo na tua mão poder fazel-o.

28 Não digas [20] ao teu proximo: Vae, e torna, e ámanhã t’o darei: tendo-o tu comtigo.

29 Não maquines mal contra o teu proximo, pois habita comtigo confiadamente.

30 Não contendas [21] contra alguem sem razão, se te não tem feito mal.

31 Não tenhas inveja do homem violento, nem elejas algum de seus caminhos.

32 Porque o perverso é abominação ao Senhor, mas com os sinceros está o seu segredo.

33 A maldição do Senhor habita [22] na casa do impio, mas á habitação dos justos abençoará.

34 Certamente elle escarnecerá [23] dos escarnecedores, mas dará graça aos mansos.

35 Os sabios herdarão honra, porém os loucos tomam sobre si confusão.

[1] Deu. 8.1 e 30.16, 20.

[2] Exo. 13.9. Deu. 6.8. cap. 6.21 e 7.3. Jer. 17.1. II Cor. 3.3.

[3] I Sam. 2.26. Luc. 2.52. Act. 2.47. Rom. 14.18.

[4] Jer. 9.23.

[5] Jer. 10.23.

[6] Rom. 12.16.

[7] Exo. 22.29 e 23.19 e 34.26. Deu. 26.2, etc. Mal. 3.10, etc.

[8] Deu. 28.8.

[9] Heb. 12.5, 6. Apo. 3.19.

[10] Deu. 8.5.

[11] cap. 8.34, 35. cap. 2.4 e 8.11, 19 e 16.16.

[12] Mat. 13.44.

[13] cap. 8.18.

[14] Mat. 11.29, 30.

[15] Gen. 2.9 e 3.22.

[16] Jer. 10.12 e 51.15.

[17] Gen. 1.9. Deu. 33.28. Job 36.28.

[18] Lev. 26.6.

[19] Rom. 13.7. Gal. 6.10.

[20] Lev. 19.13. Deu. 24.15.

[21] Rom. 12.18.

[22] Zac. 5.4. Mal. 2.2.

[23] Thi. 4.6. I Ped. 5.5.

Exhortação a adquirir a Sabedoria e apartar-se do caminho dos impios.

4 Ouvi, filhos, a correcção do pae, e estae attentos para conhecerdes a prudencia.

2 Pois dou-vos boa doutrina: não deixeis a minha lei.

3 Porque eu era filho de meu pae: tenro, [1] e unico diante de minha mãe.

4 E elle ensinava-me, [2] e dizia-me: Retenha as minhas palavras o teu coração: guarda [3] os meus mandamentos, e vive.

5 Adquire [4] a sabedoria, adquire a intelligencia, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha bocca.

6 Não a desampares, e ella te guardará: ama-a, [5] e ella se te conservará.

7 O principio da sabedoria é adquirir a sabedoria: adquire pois a sabedoria, e com toda a tua possessão adquire o entendimento.

8 Exalta-a, [6] e ella te exaltará; e, abraçando-a tu, ella te honrará.

9 Dará á tua cabeça [7] um diadema de graça e uma corôa de gloria te entregará.

10 Ouve, filho meu, e acceita as minhas palavras, e se te multiplicarão os annos [8] de vida.

11 No caminho da sabedoria te ensinei, e pelas carreiras direitas te fiz andar.

12 Por ellas andando, não se estreitarão os teus passos; e, se correres, não tropeçarás.

13 Pega-te á correcção e não a largues: guarda-a, porque ella é a tua vida.

14 Não entres [9] na vereda dos impios, nem andes pelo caminho dos maus.

15 Rejeita-o; não passes por elle: desvia-te d’elle e passa de largo.

16 Pois [10] não dormem, se não fizerem mal, e foge d’elles o somno se não fizerem tropeçar alguem.

17 Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho das violencias.

18 Porém a vereda [11] dos justos é como a luz resplandecente que vae adiante e alumia até ao dia perfeito.

19 O caminho [12] dos impios é como a escuridão: nem sabem em que tropeçarão.

20 Filho meu, attenta para as minhas palavras: ás minhas razões inclina o teu ouvido.

21 Não [13] as deixes apartar-se dos teus olhos: guarda-as no meio do teu coração.

22 Porque são vida para os que as acham, e saude [14] para todo o seu corpo.

23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque d’elle procedem as saidas da vida.

24 Desvia de ti a tortuosidade da bocca, e alonga de ti a perversidade dos beiços.

25 Os teus olhos olhem direitos, e as tuas palpebras olhem directamente diante de ti.

26 Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados!

27 Não declines [15] nem para a direita nem para a esquerda: retira o teu pé do mal.

[1] I Chr. 29.1.

[2] I Chr. 28.9. Eph. 6.4.

[3] cap. 7.2.

[4] cap. 2.2, 3.

[5] II The. 2.10.

[6] I Sam. 2.30.

[7] cap. 1.9 e 3.22.

[8] cap. 3.2.

[9] cap. 1.10, 15.

[10] Isa. 57.20.

[11] Mat. 5.14, 45. II Sam. 23.4.

[12] I Sam. 2.9. Job 18.5, 6. Isa. 59.9, 10. Jer. 23.12. João 12.35.

[13] cap. 3.3, 21. cap. 2.1.

[14] cap. 3.8 e 12.18.

[15] Deu. 5.32 e 28.14. Jos. 1.7. Isa. 1.16. Rom. 12.9.

5 Filho meu, attende á minha sabedoria: á minha intelligencia inclina o teu ouvido;

2 Para que conserves [RZ] os meus avisos e os teus beiços guardem o [1] conhecimento.

3 Porque [2] os labios da estranha distillam favos de mel, e o seu palladar é mais macio do que o azeite.

4 Porém o seu fim é amargoso como o absinthio, agudo [3] como a espada de dois fios.

5 Os seus pés [4] descem á morte: os seus passos pegam no [SA] inferno.

6 Para que não ponderes a vereda da vida, são as suas carreiras variaveis, e não saberás d’ellas.

7 Agora, pois, filhos, dae-me ouvidos, e não vos desvieis das palavras da minha bocca.

8 Alonga d’ella o teu caminho, e não chegues á porta da sua casa;

9 Para que não dês a outros a tua honra, nem os teus annos a crueis.

10 Para que não se fartem os estranhos [SB] do teu poder, e todos os teus afadigados trabalhos não entrem na casa do estrangeiro,

11 E gemas no teu fim, consumindo-se a tua carne e o teu corpo.

12 E digas: Como aborreci [5] a correcção! e desprezou o meu coração a reprehensão!

13 E não escutei a voz dos meus ensinadores, nem a meus mestres inclinei o meu ouvido!

14 Quasi que em todo o mal me achei no meio da congregação e do ajuntamento.

15 Bebe agua da tua cisterna, e das correntes do teu poço.

16 Derramem-se por de fóra as tuas fontes, e pelas ruas os ribeiros d’aguas.

17 Sejam para ti só, e não para os estranhos comtigo.

18 Seja bemdito o teu manancial, e alegra-te [6] da mulher da tua mocidade.

19 Como serva amorosa, e gazella graciosa, os seus peitos te saciarão em todo o tempo: e pelo seu amor sejas attrahido perpetuamente.

20 E porque, filho meu, andarias attrahido pela estranha, e abraçarias [7] o seio da estrangeira?

21 Porque os caminhos [8] do homem estão perante os olhos do Senhor, e elle pesa todas as suas carreiras.

22 Quanto ao impio, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu peccado será detido.

23 Elle morrerá, [9] porque sem correcção andou, e pelo excesso da sua loucura andará errado.

[1] Mal. 2.7.

[2] cap. 2.16 e 6.24.

[3] Heb. 4.12.

[4] cap. 7.27.

[5] cap. 1.29. cap. 1.25 e 12.1.

[6] Mal. 2.14.

[7] cap. 2.16 e 7.5.

[8] II Chr. 16.9. Jer. 16.17 e 32.19. Heb. 4.13.

[9] Job 4.21 e 36.12.

Advertencia contra o servir de fiador, contra a preguiça e contra a maldade.

6 Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, se déste a tua mão ao estranho,

2 Enredaste-te com as palavras da tua bocca: prendeste-te com as palavras da tua bocca.

3 Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, pois já caiste nas mãos do teu companheiro; vae, humilha-te, e aperta com o teu companheiro.

4 Não dês somno aos teus olhos, nem adormecimento ás tuas palpebras.

5 Livra-te como [SC] o corço da mão do passarinheiro.

6 Vae-te á formiga, [1] ó preguiçoso: olha para os seus caminhos, e sê sabio.

7 A qual, não tendo [SD] superior, nem official, nem dominador.

8 Prepara no verão o seu pão: na sega ajunta o seu mantimento.

9 Oh! preguiçoso, até quando [2] ficarás deitado? quando te levantarás do teu somno?

10 Um pouco de somno, um pouco tosquenejando; um pouco encruzando as mãos, para estar deitado.

11 Assim te sobrevirá a tua [3] pobreza como o caminhante, e a tua necessidade como um homem armado.

12 O homem de [SE] Belial, o homem vicioso, anda em perversidade de bocca.

13 Acena com os olhos, falla com os pés, ensina com os dedos.

14 Perversidade ha no seu coração, todo o tempo maquina mal: anda semeando contendas.

15 Pelo que a sua destruição virá repentinamente: subitamente será quebrantado, [4] sem que haja cura.

16 Estas seis coisas aborrece o Senhor, e sete a sua alma abomina:

17 Olhos altivos, lingua mentirosa, e mãos [5] que derramam sangue innocente:

18 O coração [6] que maquina pensamentos viciosos; pés que se apressam a correr para o mal;

19 A testemunha falsa que respira mentiras: e o que semeia [7] contendas entre irmãos.

O mancebo é advertido contra a mulher adultera.

20 Filho meu, guarda [8] o mandamento de teu pae, e não deixes a lei de tua mãe;

21 Ata-os [9] perpetuamente ao teu coração, e pendura-os ao teu pescoço.

22 Quando caminhares, [10] te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, ella fallará comtigo.

23 Porque o mandamento é uma lampada, e a lei uma luz: e as reprehensões da correcção são o caminho da vida.

24 Para te guardarem [11] da má mulher, e das lisonjas da lingua estranha.

25 Não cubices [12] no teu coração a sua formosura, nem te prendas com os seus olhos.

26 Porque por causa d’uma mulher prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a mulher dada a homens [13] anda á caça da preciosa alma.

27 Porventura tomará alguem fogo no seu seio, sem que os seus vestidos se queimem?

28 Ou andará alguem sobre as brazas, sem que se queimem os seus pés?

29 Assim será o que entrar á mulher do seu proximo: não ficará innocente todo aquelle que a tocar.

30 Não injuriam ao ladrão, quando furta, para saciar a sua alma, tendo fome;

31 Mas, achado, pagará [14] sete vezes tanto: dará toda a fazenda de sua casa.

32 Porém o que adultéra com uma mulher é falto de entendimento; destroe a sua alma, [15] o que tal faz.

33 Achará castigo e vilipendio, e o seu opprobrio nunca se apagará.

34 Porque ciumes são furores do marido, e de maneira nenhuma perdoará no dia da vingança.

35 Nenhum resgate acceitará, nem consentirá, ainda que augmentes os presentes.

[1] Job 12.7.

[2] cap. 24.33, 34.

[3] cap. 10.4 e 13.4 e 20.4.

[4] Jer. 19.11. II Chr. 36.16.

[5] Isa. 1.15.

[6] Gen. 6.5. Isa. 59.7. Rom. 3.15.

[7] ver. 14.

[8] cap. 1.8. Eph. 6.1.

[9] cap. 3.3 e 7.3.

[10] cap. 3.23, 24. cap. 2.11.

[11] cap. 2.16 e 5.3 e 7.5.

[12] Mat. 5.28. cap. 29.3.

[13] Gen. 39.14. Eze. 13.18.

[14] Exo. 22.1, 4.

[15] cap. 7.7.

7 Filho meu, guarda as minhas palavras, e esconde [1] dentro de ti os meus mandamentos.

2 Guarda [2] os meus mandamentos, e vive; e a minha lei, como as meninas dos teus olhos.

3 Ata-os [3] aos teus dedos, escreve-os na taboa do teu coração.

4 Dize á sabedoria, Tu és minha irmã; e á prudencia chama parenta.

5 Para te guardarem [4] da mulher alheia, da estrangeira, que lisongeia com as suas palavras.

6 Porque da janella da minha casa, por minhas grades olhando eu,

7 Vi entre os simplices, descobri entre os moços, um mancebo falto de juizo,

8 Que passava pela rua junto á sua esquina, e seguia o caminho da sua casa;

9 No crepusculo, [5] á tarde do dia, na tenebrosa noite e na escuridão;

10 E eis que uma mulher lhe saiu ao encontro, com enfeites de prostituta, e astuta de coração:

11 Esta era alvoroçadora, [6] e contenciosa; não paravam em sua casa os seus pés;

12 Agora por fóra, depois pelas ruas, e espreitando por todos os cantos:

13 E pegou d’elle, e o beijou; esforçou o seu rosto, e disse-lhe:

14 Sacrificios pacificos tenho comigo; hoje paguei os meus votos.

15 Por isto sahi ao encontro a buscar diligentemente a tua face, e te achei.

16 Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas com linho fino do [7] Egypto.

17 Já perfumei o meu leito com myrrha, aloes, e canella.

18 Vem, saciemo-nos de amores até pela manhã: alegremo-nos com amores.

19 Porque já o marido não está em sua casa: foi fazer uma jornada ao longe:

20 Um saquitel de dinheiro levou na sua mão: ao dia apontado virá a sua casa.

21 Seduziu-o com a multidão [8] das suas palavras, com as lisonjas dos seus labios o persuadiu.

22 Segue-a logo, como boi que vae ao matadouro, e como o louco ao castigo das prisões;

23 Até que a frecha lhe atravesse o figado, como a ave [9] que se apressa para o laço, e não sabe que está armado contra a sua vida.

24 Agora pois, filhos, dae-me ouvidos, e estae attentos ás palavras da minha bocca.

25 Não se desvie para os seus caminhos o teu coração, e não andes perdido nas suas veredas.

26 Porque a muitos feridos derribou; e são muitissimos [10] os que por ella foram mortos.

27 Caminhos da sepultura são [11] a sua casa, que descem ás camaras da morte.

[1] cap. 2.1.

[2] Lev. 18.5. cap. 4.4. Isa. 55.3. Deu. 32.10.

[3] Deu. 6.8 e 11.18. cap. 3.3 e 6.21.

[4] cap. 2.16 e 5.3 e 6.24. cap. 6.32.

[5] Job 24.51.

[6] cap. 9.13. I Tim. 5.18. Tito 2.5.

[7] Isa. 19.9.

[8] cap. 5.3.

[9] Ecc. 9.12.

[10] Neh. 13.26.

[11] cap. 2.18 e 5.5 e 9.18.

A excellencia e justiça dos preceitos da Sabedoria.

8 Não clama porventura a [1] sabedoria, e a intelligencia não dá a sua voz?

2 No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas se põe.

3 Da banda das portas da cidade, á entrada da cidade, e á entrada das portas está gritando.

4 A vós, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.

5 Entendei, ó simplices, a prudencia: e vós, loucos, entendei do coração.

6 Ouvi, porque [2] fallarei coisas excellentes: os meus labios se abrirão para a equidade.

7 Porque a minha bocca proferirá a verdade, e os meus labios abominam a impiedade.

8 Em justiça estão todas as palavras da minha bocca: não ha n’ellas nenhuma coisa tortuosa nem perversa.

9 Todas ellas são rectas para o que bem as entende, e justas para os que acham o conhecimento.

10 Acceitae a minha correcção, e não a prata: e o conhecimento, mais do que o oiro fino escolhido.

11 Porque [3] melhor é a sabedoria do que os rubins; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ella.

12 Eu, a sabedoria, habito com a prudencia, e acho a sciencia dos conselhos.

13 O [4] temor do Senhor é aborrecer o mal: a soberba, e a arrogancia, e o mau caminho, e a bocca perversa, aborreço.

14 Meu é o conselho e verdadeira sabedoria: eu sou o entendimento, minha é [5] a fortaleza.

15 Por mim reinam [6] os reis e os principes ordenam justiça.

16 Por mim dominam os dominadores, e principes, todos os juizes da terra.

17 Eu amo [7] aos que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão.

18 Riquezas e honra estão comigo; [8] como tambem opulencia duravel e justiça.

19 Melhor é o meu fructo do [9] que o fino oiro e do que o oiro refinado, e as minhas novidades do que a prata escolhida.

20 Faço andar pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juizo.

21 Para que faça herdar bens permanentes aos que me amam, e eu encha os seus thesouros.

A Sabedoria existiu desde a eternidade.

22 O Senhor me possuiu [10] no principio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras.

23 Desde a eternidade fui ungida, desde o principio, antes do começo da terra.

24 Quando ainda não havia abysmos, fui gerada, quando ainda não havia fontes carregadas d’aguas.

25 Antes [11] que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu era gerada.

26 Ainda não tinha feito a terra, nem os campos, nem o principio dos mais miudos do mundo.

27 Quando preparava os céus, ahi estava eu, quando compassava ao redor a face do abysmo,

28 Quando affirmava as nuvens de cima, quando fortificava as fontes do abysmo,

29 Quando [12] punha ao mar o seu termo, para que as aguas não trespassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra.

30 Então eu estava [13] com elle por alumno: e eu era cada dia as suas delicias, folgando perante elle em todo o tempo;

31 Folgando no seu mundo habitavel, e achando as minhas delicias com os filhos dos homens.

32 Agora, pois, filhos, [14] ouvi-me, porque bemaventurados serão os que guardarem os meus caminhos.

33 Ouvi a correcção, e sêde sabios, e não a rejeiteis.

34 Bemaventurado [15] o homem que me dá ouvidos, velando ás minhas portas cada dia, esperando ás hombreiras das minhas entradas.

35 Porque o que me achar achará a vida, [16] e alcançará favor do Senhor.

36 Mas o que peccar contra mim violentará a sua [17] propria alma: todos os que me aborrecem amam a morte.

[1] cap. 1.20 e 9.3.

[2] cap. 22.20.

[3] Job 28.15, etc.

[4] cap. 16.6. cap. 6.17. cap. 4.24.

[5] Ecc. 7.19.

[6] Dan. 2.21. Rom. 13.1.

[7] I Sam. 2.30. João 14.21.

[8] cap. 3.16. Mat. 6.33.

[9] cap. 3.14. ver. 10.

[10] cap. 3.19. João 1.1.

[11] Job 15.7, 8.

[12] Gen. 1.9, 10. Job 38.10, 11. Jer. 5.22.

[13] João 1.1, 2, 18.

[14] Luc. 11.28.

[15] cap. 3.13, 18.

[16] cap. 12.2.

[17] cap. 20.2.

O banquete da Sabedoria.

9 A Sabedoria já edificou [1] a sua casa, já lavrou as suas sete columnas.

2 Já sacrificou as [2] suas victimas, misturou o seu vinho: e já preparou a sua mesa.

3 Já mandou [3] as suas creadas, já anda convidando desde as alturas da cidade, dizendo:

4 Quem é simples, [4] volte-se para aqui. Aos faltos d’entendimento diz:

5 Vinde, [5] comei do meu pão, e bebei do vinho que tenho misturado.

6 Deixae a parvoice, e vivei; e andae pelo caminho do entendimento.

7 O que reprehende ao escarnecedor, affronta toma para si; e o que redargue ao impio, pega-se-lhe a sua mancha.

8 Não reprehendas ao escarnecedor, para que te não aborreça: reprehende ao sabio, e amar-te-ha.

9 Dá ao sabio, e elle se fará mais sabio: ensina ao justo, e se augmentará em doutrina.

10 O temor do Senhor é o principio da sabedoria, e a sciencia do Sancto a prudencia.

11 Porque [6] por mim se multiplicam os teus dias, e annos de vida se te augmentarão.

12 Se fores sabio, para ti sabio serás; e, se fores escarnecedor, tu só o supportarás.

13 A mulher louca é alvoroçadora, é simples, e não sabe coisa nenhuma.

14 E assenta-se á porta da sua casa sobre uma cadeira, nas alturas da cidade,

15 Para chamar aos que passam pelo caminho, e endireitam as suas veredas, dizendo:

16 Quem é simples, volte-se para aqui. E aos faltos de entendimento diz:

17 As aguas roubadas são doces, e o pão tomado ás escondidas é suave.

18 Porém não sabes que ali estão os mortos: os seus convidados estão nas profundezas do inferno.

[1] Mat. 16.18. Eph. 2.20, 21, 22. I Ped. 2.5.

[2] Mat. 22.3, etc. ver. 5. cap. 23.30.

[3] Rom. 10.15. cap. 8.1, 2. ver. 14.

[4] ver. 16. cap. 6.32. Mat. 11.25.

[5] ver. 2. Can. 5.1. Isa. 55.1.

[6] cap. 3.2, 16 e 10.27.

Proverbios ácerca de varios assumptos.

10 Proverbios de Salomão. O filho sabio alegra a seu pae, mas o filho louco é a tristeza de sua mãe.

2 Os thesouros [1] da impiedade de nada aproveitam; porém a justiça livra da morte.

3 O Senhor não deixa ter fome a alma do justo, mas a fazenda dos impios rechaça.

4 O que trabalha com mão enganosa [2] empobrece, mas [3] a mão dos diligentes enriquece.

5 O que ajunta no verão é filho entendido, mas o que dorme na sega é filho que faz envergonhar.

6 Bençãos ha sobre a cabeça do justo, mas a violencia [4] cobre a bocca dos impios.

7 A memoria do justo é abençoada, mas o nome dos impios apodrecerá.

8 O sabio de coração acceita os mandamentos, mas o louco de labios será transtornado.

9 Quem anda [5] em sinceridade, anda seguro; mas o que perverte os seus caminhos será conhecido.

10 O que acena com os olhos dá dôres, e o tolo de labios será transtornado.

11 A bocca do justo é fonte de vida, mas a bocca dos impios cobre a violencia.

12 O odio excita [6] contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.

13 Nos labios do entendido se acha a sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de entendimento.

14 Os sabios escondem a sabedoria; mas a bocca [7] do tolo está perto da ruina.

15 A fazenda [8] do rico é a cidade da sua fortaleza: a pobreza dos pobres é a sua ruina.

16 A obra do justo conduz á vida, as novidades do impio ao peccado.

17 O caminho para a vida é d’aquelle que guarda a correcção, mas o que deixa a reprehensão faz errar.

18 O que encobre o odio tem labios falsos, e o que produz má fama é um insensato.

19 Na [9] multidão de palavras não ha falta de transgressão, mas o que modera os seus labios é prudente.

20 Prata escolhida é a lingua do justo: o coração dos impios é de nenhum preço.

21 Os labios do justo apascentam a muitos, mas os tolos, por falta de entendimento, morrem.

22 A benção [10] do Senhor é a que enriquece; e não lhe accrescenta dôres.

23 Como brincadeira [11] é para o tolo fazer abominação, mas sabedoria [12] para o homem entendido.

24 O temor do impio virá sobre elle, mas o desejo dos justos [13] Deus lhe cumprirá.

25 Como passa a tempestade, assim o impio mais não é; mas o justo [14] tem perpetuo fundamento.

26 Como vinagre para os dentes, como o fumo para os olhos, assim é o preguiçoso para aquelles que o mandam.

27 O temor do Senhor augmenta os dias, mas os annos dos impios serão abreviados.

28 A esperança dos justos é alegria, mas a expectação dos impios perecerá.

29 O caminho do Senhor é fortaleza para os rectos, mas ruina será para os que obram iniquidade.

30 O justo nunca jámais será abalado, mas os impios não habitarão a terra.

31 A bocca do justo em abundancia produz sabedoria, mas a lingua da perversidade será desarreigada.

32 Os beiços do justo sabem o que agrada, mas a bocca dos impios anda cheia de perversidades.

[1] Luc. 12.19, 20.

[2] cap. 12.24 e 19.15.

[3] cap. 13.4 e 21.5.

[4] ver. 11. Est. 7.8.

[5] Isa. 33.15, 16. ver. 8.

[6] cap. 17.9. I Cor. 13.4. I Ped. 4.8.

[7] cap. 18.7 e 21.23.

[8] Job 31.24. cap. 18.11. I Tim. 6.17.

[9] Ecc. 5.3, 5. Thi. 3.2.

[10] Gen. 24.35 e 26.12.

[11] cap. 14.9 e 15.21.

[12] Job 15.21.

[13] Mat. 5.6. I João 5.14, 15.

[14] Mat. 7.24, 25 e 16.18.

11 Balança [1] enganosa é abominação ao Senhor, mas o peso justo o seu prazer.

2 Vinda a soberba, [2] virá tambem a affronta; mas com os humildes está a sabedoria.

3 A sinceridade [3] dos sinceros os encaminhará, mas a perversidade dos aleives os destruirá.

4 Não aproveitam as [4] riquezas no dia da indignação, mas a justiça livra da morte.

5 A justiça do sincero endireitará o seu caminho, mas o impio pela sua impiedade cairá.

6 A justiça dos virtuosos os livrará, mas na sua perversidade serão apanhados os iniquos.

7 Morrendo o homem [5] impio perece a sua expectação, e a esperança dos injustos se perde.

8 O justo [6] é livre da angustia, e o impio vem em seu logar.

9 O hypocrita [7] com a bocca destroe ao seu companheiro, mas os justos são livres pelo conhecimento.

10 No bem dos justos [8] exulta a cidade; e, perecendo os impios, ha jubilo.

11 Pela benção dos sinceros se exalta [9] a cidade, mas pela bocca dos impios se derriba.

12 O que carece de entendimento despreza a seu companheiro, mas o homem bem entendido cala-se.

13 O que anda [10] praguejando descobre o segredo, mas o fiel de espirito encobre o negocio.

14 Não havendo sabios conselhos, o povo cae, [11] mas na multidão de conselheiros ha segurança.

15 Decerto [SF] soffrerá severamente aquelle que fica por fiador do estranho, mas o que aborrece aos que dão as mãos estará seguro.

16 A mulher aprazivel [12] guarda a honra, como os violentos guardam as riquezas.

17 O homem benigno [13] faz bem á sua propria alma, mas o cruel perturba a sua propria carne.

18 O impio [SG] faz obra falsa, mas para [14] o que semeia justiça haverá galardão fiel.

19 Como a justiça encaminha para a vida, assim o que segue o mal vae para a sua morte.

20 Abominação são ao Senhor os perversos de coração, mas os sinceros de caminho são o seu deleite.

21 Ainda que o mau junte mão [15] á mão, não será inculpavel, mas a semente dos justos escapará.

22 Como joia de oiro na tromba da porca, assim é a mulher formosa, que se aparta da [SH] razão.

23 O desejo dos justos tão sómente é o bem, mas a esperança [16] dos impios é a indignação.

24 Alguns ha que espalham, e ainda se lhes accrescenta mais, e outros que reteem mais do que é justo, mas é para a sua perda.

25 A alma [17] abençoante engordará, e o que regar, elle tambem será regado.

26 Ao que retem [18] o trigo o povo amaldiçoa, mas benção haverá sobre a cabeça do vendedor.

27 O que busca cedo o bem busca favor, [19] porém o que procura o mal a esse lhe sobrevirá.

28 Aquelle [20] que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos [21] reverdecerão como a rama.

29 O que perturba a sua casa herdará o vento, e o tolo será servo do entendido de coração.

30 O fructo do justo é arvore de vida, e o que ganha almas [22] sabio é.

31 Eis que [23] o justo é recompensado na terra; quanto mais o será o impio e o peccador.

[1] Lev. 19.35, 36. Deu. 25.13, 16. cap. 16.11 e 20.10, 23.

[2] cap. 15.33 e 16.18 e 18.12.

[3] cap. 13.6.

[4] Eze. 7.19. Sof. 1.18. Gen. 7.1.

[5] cap. 10.28.

[6] cap. 21.18.

[7] Job 8.13.

[8] Est. 8.15. cap. 28.12, 28.

[9] cap. 29.8.

[10] Lev. 19.16. cap. 10.19.

[11] I Reis 12.1, etc. cap. 15.22 e 24.6.

[12] cap. 31.30.

[13] Mat. 5.7 e 25.34, etc.

[14] Ose. 10.12. Gal. 6.8, 9. Thi. 3.18.

[15] cap. 16.5.

[16] Rom. 2.8, 9.

[17] II Cor. 9.6, 7, 8, 9, 10.

[18] Amós 8.5, 6. Job 29.13.

[19] Est. 7.10.

[20] Mar. 10.24. Luc. 12.21. I Tim. 6.17.

[21] Jer. 17.8.

[22] Dan. 12.3. I Cor. 9.19, etc. Thi. 5.20.

[23] Jer. 25.29. I Ped. 4.17, 18.

12 O que ama a correcção ama o conhecimento, mas o que aborrece a reprehensão é brutal.

2 O homem de bem alcançará o favor do Senhor, mas ao homem de perversas imaginações elle condemnará.

3 O homem não se estabelecerá pela impiedade, mas a raiz dos justos não será removida.

4 A mulher virtuosa [1] é a corôa do seu senhor, mas a que faz vergonha é como apodrecimento nos seus ossos.

5 Os pensamentos dos justos são juizo, mas os conselhos dos impios engano.

6 As palavras dos impios são de armarem ciladas ao sangue, mas a bocca dos rectos os fará escapar.

7 Transtornados [2] serão os impios, e não serão mais, mas a casa dos justos permanecerá.

8 Segundo o seu entendimento, será louvado cada qual, mas o perverso de coração estará em desprezo.

9 Melhor é o que se estima em pouco, e tem servos, do que o que se honra a si mesmo e tem falta de pão.

10 O justo attende [3] pela vida dos seus animaes, mas as misericordias dos impios são crueis.

11 O que [4] lavra a sua terra se fartará de pão mas o que segue os ociosos está falto de juizo.

12 Deseja o impio a rede dos males, mas a raiz dos justos produz o seu fructo.

13 O laço do impio está na transgressão dos labios, mas o [5] justo sairá da angustia.

14 Do fructo da bocca cada um se farta de bem, e a recompensa [6] das mãos dos homens se lhe tornará.

15 O caminho [7] do tolo é recto aos seus olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sabio.

16 A ira do louco se conhece no mesmo dia, mas o avisado encobre a affronta.

17 O que produz a verdade manifesta a justiça, mas a testemunha da falsidade o engano.

18 Ha alguns que fallam palavras como estocadas de espada, mas a lingua dos sabios é saude.

19 O labio de verdade ficará para sempre, mas a lingua de falsidade dura por um só momento.

20 Engano ha no coração dos que maquinam mal, mas alegria teem os que aconselham a paz.

21 Nenhum aggravo sobrevirá ao justo, mas os impios ficam cheios de mal.

22 Os labios mentirosos [8] são abominaveis ao Senhor, mas os que obram fielmente são o seu deleite.

23 O homem avisado encobre o conhecimento, mas o coração dos tolos proclama a estulticia.

24 A mão dos diligentes dominará, mas os enganadores serão tributarios.

25 A solicitude no coração do homem o abate, mas uma boa palavra o alegra.

26 [SI] Mais excellente é o justo do que o companheiro, mas o caminho dos impios os faz errar.

27 O preguiçoso não assará a sua caça, mas o precioso bem do homem é ser diligente.

28 Na vereda da justiça está a vida, e no caminho da sua carreira não ha morte.

[1] I Cor. 11.7. cap. 14.30.

[2] Mat. 7.24, 25, 26, 27.

[3] Deu. 5.4.

[4] Gen. 3.19. cap. 28.49.

[5] II Ped. 2.9.

[6] Isa. 3.10, 11.

[7] cap. 3.7. Luc. 18.11.

[8] Apo. 22.15.

13 O filho sabio ouve a correcção do pae; mas o escarnecedor [1] não ouve a reprehensão.

2 Do fructo [2] da bocca cada um comerá o bem, mas a alma dos prevaricadores comerá a violencia.

3 O que [3] guarda a sua bocca conserva a sua alma, mas o que dilata os seus labios tem perturbação.

4 A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes se engorda.

5 O justo aborrece a palavra de mentira, mas o impio se faz vergonha, e se confunde.

6 A justiça [4] guarda ao sincero de caminho, mas a impiedade transtornará o peccador.

7 Ha alguns que se fazem ricos, e não teem coisa nenhuma, e outros que se fazem pobres e teem muita fazenda.

8 O resgate da vida de cada um são as suas riquezas, mas o pobre não ouve as ameaças.

9 A luz dos justos alegra, mas a candeia dos impios se apagará.

10 Da soberba só provém a contenda, mas com os que se aconselham se acha a sabedoria.

11 A fazenda que procede da vaidade se diminuirá, mas quem a ajunta com a mão a augmentará.

12 A esperança deferida enfraquece o coração, mas o desejo chegado é arvore de vida.

13 O que despreza a [5] palavra perecerá, mas o que teme o mandamento será galardoado.

14 A doutrina [6] do sabio é uma fonte de vida para se desviar dos laços da morte.

15 O bom entendimento [SJ] dá graça, mas o caminho dos prevaricadores é aspero.

16 Todo o prudente [7] obra com conhecimento, mas o tolo espraia a sua loucura.

17 O impio mensageiro cae no mal, mas o embaixador fiel é saude.

18 Pobreza e affronta virão ao que rejeita a correcção, mas o que guarda a reprehensão será venerado.

19 O desejo que se cumpre deleita a alma, mas apartar-se do mal é abominavel para os loucos.

20 O que anda com os sabios, ficará sabio, mas o companheiro dos tolos [SK] soffrerá severamente.

21 O mal perseguirá aos peccadores, mas os justos serão galardoados com bem.

22 O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a fazenda [8] do peccador se deposita para o justo.

23 A lavoura dos pobres dá abundancia de mantimento, mas alguns ha que se consomem por falta de juizo.

24 O que retem [9] a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama madruga a castigal-o.

25 O justo come até fartar-se a sua alma, mas o ventre dos impios terá necessidade.

[1] I Sam. 2.25.

[2] cap. 12.14.

[3] Thi. 3.2.

[4] cap. 11.3, 5, 6.

[5] II Chr. 36.16.

[6] cap. 10.11 e 14.27 e 16.22. II Sam. 22.6.

[7] cap. 12.23 e 15.2.

[8] Job 27.16, 17. cap. 28.8. Ecc. 2.26.

[9] cap. 19.18 e 22.15 e 23.13 e 29.15, 17.

14 Toda a mulher sabia edifica [1] a sua casa: mas a tola a derriba com as suas mãos.

2 O que anda na sua sinceridade teme ao Senhor, mas o que se desvia de seus caminhos o [2] despreza.

3 Na bocca do tolo está a vara da soberba, mas [3] os labios dos sabios os conservam.

4 Não havendo bois, a mangedoura está limpa, mas pela força do boi ha abundancia de colheitas.

5 A testemunha [4] verdadeira não mentirá, mas a testemunha falsa se desboca em mentiras.

6 O escarnecedor busca sabedoria, e nenhuma acha, mas para o prudente o conhecimento é facil.

7 Vae-te de diante do homem insensato, porque n’elle não divisarás os labios do conhecimento.

8 A sabedoria do prudente é entender o seu caminho, mas a estulticia dos tolos é engano.

9 Os loucos [5] zombam do peccado, mas entre os rectos ha benevolencia.

10 O coração conhece a sua propria amargura, e o estranho não se entremetterá na sua alegria.

11 A casa [6] dos impios se desfará, mas a tenda dos rectos florescerá.

12 Ha [7] caminho que ao homem parece direito, mas o fim d’elle são os caminhos da morte.

13 Até no riso terá dôr o coração, e o fim da alegria é tristeza.

14 Dos seus caminhos se fartará [8] o que declina no coração, mas o homem bom se fartará de si mesmo.

15 O simples dá credito a cada palavra, mas o prudente attenta para os seus passos.

16 O sabio teme, [9] e desvia-se do mal, mas o tolo se encoleriza, e dá-se por seguro.

17 O que presto se indigna, fará doidices, e o homem de más imaginações será aborrecido.

18 Os simplices herdarão a estulticia, mas os prudentes se coroarão de conhecimento.

19 Os máus se inclinaram diante dos bons, e os impios diante das portas do justo.

20 O [10] pobre é aborrecido até do companheiro, porém os amigos dos ricos são muitos.

21 O que despreza ao seu companheiro pecca, mas o que se compadece dos humildes é bemaventurado.

22 Porventura não erram os que obram o mal? mas beneficencia e fidelidade serão para os que obram o bem.

23 Em todo o trabalho proveito ha, mas a palavra dos labios só encaminha á pobreza.

24 A corôa dos sabios é a sua riqueza, a estulticia dos tolos é só estulticia.

25 A testemunha verdadeira livra as almas, mas o que se desboca em mentiras é enganador.

26 No temor do Senhor ha firme confiança, e elle será um refugio para seus filhos.

27 O temor [11] do Senhor é uma fonte de vida, para se desviarem dos laços da morte.

28 Na multidão do povo está a magnificencia do rei, mas na falta do povo a perturbação do principe.

29 O [12] longanimo é grande em entendimento, mas o que é de espirito impaciente [SL] assignala a sua loucura.

30 O coração com saude é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos.

31 O que opprime [13] ao pobre insulta áquelle que o creou, mas o que se compadece do necessitado o honra.

32 Pela sua malicia será lançado fóra o impio, mas [14] o justo até na sua morte tem [SM] confiança.

33 No coração do prudente repousa a sabedoria, [15] mas o que ha no interior dos tolos se conhece.

34 A justiça exalta ao povo, mas o peccado é o opprobrio das nações.

35 O [16] Rei tem seu contentamento no servo prudente, mas sobre o que envergonha cairá o seu furor.

[1] Ruth 4.11.

[2] Job 12.4.

[3] cap. 12.6.

[4] Exo. 20.16 e 23.1. cap. 6.19 e 12.17. ver. 25.

[5] cap. 10.23.

[6] Job 8.15.

[7] cap. 16.25. Rom. 6.24.

[8] cap. 1.31 e 12.14.

[9] cap. 22.3.

[10] cap. 19.7.

[11] cap. 13.14.

[12] cap. 16.32. Thi. 1.19.

[13] cap. 17.5. Mat. 25.40, 45. Job 31.15, 16. cap. 22.2.

[14] Job 13.15 e 19.26. II Cor. 1.9 e 5.8. II Tim. 4.18.

[15] cap. 11.16 e 29.11.

[16] Mat. 24.45, 47.

15 A resposta branda [1] desvia o furor, [2] mas a palavra de dôr suscita a ira.

2 A lingua dos sabios adorna a sabedoria, [3] mas a bocca dos tolos derrama a estulticia.

3 Os olhos do Senhor estão em todo o logar, contemplando os maus e os bons.

4 A medicina da lingua é arvore de vida, mas a perversidade n’ella quebranta o espirito.

5 O tolo [4] despreza a correcção de seu pae, mas o que observa a reprehensão prudentemente se haverá.

6 Na casa do justo ha um grande thesouro, mas nos fructos do impio ha perturbação.

7 Os labios dos sabios derramarão o conhecimento, mas o coração dos tolos não fará assim.

8 O sacrificio [5] dos impios é abominavel ao Senhor, mas a oração dos rectos é o seu contentamento.

9 O caminho do impio é abominavel ao Senhor, mas ao que segue a [6] justiça amará.

10 Correcção molesta [7] ha para o que deixa a vereda, e o que aborrece a reprehensão morrerá.

11 [SN] O inferno e a perdição estão perante o Senhor: quanto mais [8] os corações dos filhos dos homens?

12 Não ama o escarnecedor [9] aquelle que o reprehende, nem se chegará aos sabios.

13 O coração alegre [10] aformosea o rosto, mas pela dôr do coração o espirito se abate.

14 O coração entendido buscará o conhecimento, mas a bocca dos tolos se apascentará de estulticia.

15 Todos os dias do opprimido são maus, [11] mas o coração alegre é um banquete continuo.

16 Melhor é o pouco [12] com o temor do Senhor, do que um grande thesouro, onde ha inquietação.

17 Melhor [13] é a comida de hortaliça, onde ha amor, do que o boi cevado, e com elle o odio.

18 O homem [14] iracundo suscita contendas, mas o longanimo apaziguará a lucta.

19 O caminho [15] do preguiçoso é como a sebe d’espinhos, mas a vereda dos rectos está bem egualada.

20 O filho sabio [16] alegrará a seu pae, mas o homem insensato despreza a sua mãe.

21 A estulticia [17] é alegria para o que carece d’entendimento, mas o homem entendido [18] anda rectamente.

22 Os pensamentos se dissipam, quando [19] não ha conselho, mas com a multidão de conselheiros se confirmarão.

23 O homem se alegra na resposta da sua bocca, e a [20] palavra a seu tempo quão boa é!

24 Para o entendido, o caminho [21] da vida vae para cima, para que se desvie do inferno de baixo.

25 O Senhor arrancará [22] a casa dos soberbos, mas estabelecerá o termo da viuva.

26 Abominaveis são ao Senhor os pensamentos [23] do mau, mas as palavras dos limpos são apraziveis.

27 O que [24] exercita avareza perturba a sua casa, mas o que aborrece presentes viverá.

28 O coração do justo [25] medita o que ha de responder, mas a bocca dos impios derrama em abundancia coisas más.

29 Longe está o Senhor dos impios, mas escutará a oração dos justos.

30 A luz dos olhos alegra o coração, a boa fama engorda os ossos.

31 Os ouvidos [26] que escutam a reprehensão da vida no meio dos sabios farão a sua morada.

32 O que rejeita a correcção menospreza a sua alma, mas o que escuta a reprehensão adquire entendimento.

33 O temor [27] do Senhor é a correcção da sabedoria, e diante da honra vae a humildade.

[1] Jui. 8.1, 2, 3. cap. 25.15.

[2] I Sam. 25.10, etc. II Reis 12.13, 14, 16.

[3] ver. 28. cap. 12.23 e 13.16. Jer. 16.17 e 32.19. Heb. 4.13.

[4] cap. 10.1 e 13.18. ver. 31, 32.

[5] cap. 21.27 e 28.9. Isa. 1.11 e 61.8 e 66.3. Jer. 6.20 e 7.22. Amós 5.22.

[6] cap. 21.21. I Tim. 6.11.

[7] I Reis 22.8. cap. 5.12 e 10.17.

[8] II Chr. 6.30. João 2.24, 25 e 21.17. Act. 1.24.

[9] Amós 5.10. II Tim. 4.3.

[10] cap. 17.22. cap. 12.25.

[11] cap. 17.22.

[12] cap. 16.8. I Tim. 6.6.

[13] cap. 17.1.

[14] cap. 26.21 e 29.22.

[15] cap. 22.5.

[16] cap. 10.1 e 29.3.

[17] cap. 10.23.

[18] Eph. 5.15.

[19] cap. 11.14 e 20.18.

[20] cap. 25.11.

[21] Phi. 3.20. Col. 3.1, 2.

[22] cap. 12.7 e 14.11.

[23] cap. 6.16, 18.

[24] cap. 11.19. Isa. 5.8. Jer. 17.11.

[25] I Ped. 3.15.

[26] ver. 5.

[27] cap. 1.7 e 18.12.

16 Do homem [1] são as preparações do coração, mas [2] do Senhor a resposta da bocca.

2 Todos os caminhos [3] do homem são limpos aos seus olhos, [4] mas o Senhor pesa os espiritos.

3 Confia [5] do Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos.

4 O Senhor fez [6] todas as coisas para si, para os seus proprios fins, e até ao impio para o dia do mal.

5 Abominação [7] é ao Senhor todo o altivo de coração: ainda que elle junte mão á mão, não será innocente.

6 Pela misericordia [8] e pela fidelidade se expia a iniquidade, e pelo temor do Senhor os homens se desviam do mal.

7 Sendo os caminhos do homem agradaveis ao Senhor, até a seus inimigos faz que tenham paz com elle.

8 Melhor é o pouco [9] com justiça, do que a abundancia de colheita com injustiça.

9 O coração [10] do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.

10 Adivinhação se acha nos labios do rei: em juizo não prevaricará a sua bocca.

11 O peso e a balança [11] justa são do Senhor: obra sua são todos [SO] os pesos da bolsa.

12 Abominação é para os reis obrarem impiedade, porque com justiça se estabelece [12] o throno.

13 Os labios de justiça são o contentamento dos reis, [13] e elles amarão ao que falla coisas rectas.

14 O furor [14] do rei é como uns mensageiros da morte, mas o homem sabio o apaziguará.

15 Na luz do rosto do rei está a vida, e a sua [15] benevolencia é como a nuvem da chuva serodia.

16 Quanto melhor é adquirir a sabedoria [16] do que o oiro! e quanto mais excellente adquirir a prudencia do que a prata!

17 A carreira dos rectos é desviar-se do mal; o que guarda a sua alma conserva o seu caminho.

18 A soberba [17] precede a ruina, e a altivez do espirito precede a quéda.

19 Melhor é ser humilde d’espirito com os mansos, do que repartir o despojo com os soberbos.

20 O que attenta prudentemente para a palavra achará o bem, e o que confia [18] no Senhor será bemaventurado.

21 O sabio de coração será chamado prudente, e a doçura dos labios augmentará o ensino.

22 O entendimento, [19] para aquelles que o possuem, é uma fonte de vida, mas a instrucção dos tolos é a sua estulticia.

23 O coração [20] do sabio instrue a sua bocca, e sobre os seus labios augmentará a doutrina.

24 Favo de mel são as palavras suaves, doces para a alma, e saude para os ossos.

25 Ha caminho, [21] que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte.

26 O trabalhador [22] trabalha para si mesmo, porque a sua bocca o insta.

27 O homem de Belial cava o mal, e nos seus labios se acha como um fogo ardente.

28 O homem [23] perverso levanta a contenda, e o murmurador separa os maiores amigos.

29 O homem violento [24] persuade ao seu companheiro, e o guia por caminho não bom.

30 Fecha os olhos para imaginar perversidades; mordendo os labios, effectua o mal.

31 Corôa de honra são [25] as cãs, achando-se ellas no caminho de justiça.

32 Melhor é o longanimo [26] do que o valente, e o que governa o seu espirito do que o que toma uma cidade.

33 A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda a sua disposição.

[1] ver. 9. cap. 19.21 e 20.24. Jer. 10.23.

[2] Mat. 10.19, 20.

[3] cap. 21.2.

[4] I Sam. 16.7.

[5] Psa. 36.5. Phi. 4.6. I Ped. 5.7.

[6] Isa. 43.7. Rom. 11.36. Job 21.30. Rom. 9.22.

[7] cap. 6.17 e 8.13. cap. 11.21.

[8] cap. 14.16.

[9] Psa. 37.16. cap. 15.16.

[10] cap. 19.21. Psa. 37.23. Jer. 10.23.

[11] Lev. 19.36. cap. 11.1.

[12] cap. 25.5 e 29.14.

[13] cap. 14.35 e 22.11.

[14] cap. 19.12 e 20.2.

[15] cap. 19.12. Job 29.23. Zac. 10.1.

[16] cap. 8.11, 19.

[17] cap. 11.2 e 17.19 e 18.12.

[18] Psa. 2.13. Isa. 30.18. Jer. 17.7.

[19] cap. 13.14 e 14.27.

[20] Psa. 37.30.

[21] cap. 14.12.

[22] Ecc. 6.7.

[23] cap. 6.14, 19 e 15.18 e 26.21 e 29.22. cap. 17.9.

[24] cap. 1.10, etc.

[25] cap. 20.29.

[26] cap. 19.11.

17 Melhor é um bocado [1] secco, e com elle a tranquillidade, do que a casa cheia de victimas, com contenda.

2 O servo prudente dominará sobre o filho [2] que faz envergonhar; e entre os irmãos repartirá a herança.

3 O crisol é para a prata, [3] e o forno para o oiro; mas o Senhor prova os corações.

4 O malfazejo attenta para o labio iniquo: o mentiroso inclina os ouvidos á lingua maligna.

5 O que escarnece do [4] pobre insulta ao que o creou; o que se alegra da calamidade não ficará innocente.

6 Corôa dos velhos são os filhos dos filhos; e a gloria dos filhos são seus paes.

7 Não convem ao tolo o labio excellente: quanto menos ao principe o labio mentiroso.

8 Pedra preciosa [5] é o presente aos olhos dos que o recebem; para onde quer que se volver, servirá de proveito.

9 O que [6] encobre a transgressão busca a amizade, mas o que renova a [SP] coisa, separa os maiores amigos.

10 Mais profundamente entra a reprehensão no prudente, do que cem açoites no tolo.

11 Na verdade o rebelde não busca senão o mal, mas mensageiro cruel se enviará contra elle.

12 Encontre-se [7] com o homem a ursa roubada dos filhos; mas não o louco na sua estulticia.

13 Quanto áquelle que torna mal por bem, [8] não se apartará o mal da sua casa.

14 Como o que solta as aguas, é o principio da contenda, pelo que, antes que sejas envolto, deixa a porfia.

15 O que justifica [9] ao impio, e condemna ao justo, ambos são abominaveis ao Senhor, tanto um como o outro.

16 De que serviria o preço na mão do tolo para comprar a sabedoria, visto que não tem entendimento?

17 Em todo o tempo ama [10] o amigo; e para a angustia nasce o irmão.

18 O homem falto [11] d’entendimento dá a mão, ficando por fiador diante do seu companheiro.

19 O que ama a contenda ama a transgressão; o que alça a sua porta [12] busca a ruina.

20 O perverso de coração nunca achará o bem; [13] e o que tem a lingua dobre virá a cair no mal.

21 O que gera [14] a um tolo para a sua tristeza o faz; e o pae do insensato não se alegrará.

22 O coração [15] alegre serve de bom remedio, mas o espirito abatido virá a seccar os ossos.

23 O impio tomará o presente do seio, [16] para perverter as veredas da justiça.

24 No rosto do entendido se vê a sabedoria, [17] porém os olhos do louco estão nas extremidades da terra.

25 O filho insensato [18] é tristeza para seu pae, e amargura para a que o pariu.

26 Não é bom tambem [19] pôr pena ao justo, nem que firam os principes ao que obra justamente.

27 Retem as suas palavras [20] o que possue o conhecimento, e o homem d’entendimento é de [SQ] precioso espirito.

28 Até o tolo, [21] quando se cala, será reputado por sabio; e o que cerrar os seus labios por entendido.

[1] cap. 15.17.

[2] cap. 10.5 e 19.26.

[3] cap. 27.21. Jer. 17.10. Mal. 3.3.

[4] cap. 14.31. Job 31.29. Abd. 12.

[5] cap. 18.16 e 19.6.

[6] cap. 10.12. cap. 16.28.

[7] Ose. 13.8.

[8] Jer. 18.20. Rom. 12.17. I The. 5.15. I Ped. 3.9.

[9] Exo. 23.7. cap. 24.24. Isa. 5.23.

[10] cap. 18.24.

[11] cap. 6.1 e 11.15.

[12] cap. 16.18.

[13] Thi. 3.8.

[14] cap. 10.1 e 19.13. ver. 25.

[15] cap. 12.25 e 15.13, 15.

[16] Exo. 23.8.

[17] cap. 14.6. Ecc. 2.14 e 8.1.

[18] cap. 10.1 e 15.20 e 19.13. ver. 21.

[19] ver. 15. cap. 18.5.

[20] Thi. 1.19.

[21] Job 13.5.

18 Busca coisas desejaveis aquelle que se separa e se entremette em toda a sabedoria.

2 Não toma prazer o tolo na intelligencia, senão em que se descubra o seu coração.

3 Vindo o impio, vem tambem o desprezo, e com a vergonha a ignominia.

4 Aguas profundas são as [1] palavras da bocca do homem, e ribeiro trasbordante é a fonte da sabedoria.

5 Não [2] é bom ter respeito á pessoa do impio para derribar o justo em juizo.

6 Os beiços do tolo entram na contenda, e a sua bocca por açoites brada.

7 A bocca do tolo [3] é a sua propria destruição, e os seus labios um laço para a sua alma.

8 As palavras [4] do assoprador são como doces bocados; e ellas descem ao intimo do ventre.

9 Tambem o negligente na sua obra é irmão do desperdiçador.

10 Torre forte é o [5] nome do Senhor; a elle correrá o justo, e estará em alto retiro.

11 A fazenda [6] do rico é a cidade da sua fortaleza, e como um muro alto na sua imaginação.

12 Antes de ser quebrantado eleva-se o coração [7] do homem; e diante da honra vae a humildade.

13 O que responde antes d’ouvir, estulticia [8] lhe é, e vergonha.

14 O espirito do homem sosterá a sua enfermidade, mas ao espirito abatido quem levantará?

15 O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sabios busca o conhecimento.

16 O presente [9] do homem lhe alarga o caminho e o leva diante dos grandes.

17 O que primeiro começa o seu pleito justo é; porém vem o seu companheiro, e o examina.

18 A sorte faz cessar os pleitos, e faz separação entre os poderosos.

19 O irmão offendido é mais difficil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos d’um palacio.

20 Do fructo [10] da bocca de cada um se fartará o seu ventre: dos renovos dos seus labios se fartará.

21 A morte e a vida estão no poder da lingua; e aquelle que a ama comerá do seu fructo.

22 O que acha [11] mulher acha o bem e alcança a benevolencia do Senhor.

23 O pobre falla com rogos, mas o rico responde [12] com durezas.

24 O homem que tem amigos haja-se amigavelmente, [13] e ha amigo mais chegado do que um irmão.

[1] cap. 10.11 e 20.5.

[2] Lev. 19.1, 5. Deu. 1.17 e 16.19. cap. 24.23 e 28.21.

[3] cap. 10.14 e 12.13 e 13.3. Ecc. 10.12.

[4] cap. 12.18 e 26.22.

[5] II Sam. 22.3, 51.

[6] cap. 10.15.

[7] cap. 11.2 e 15.33 e 16.18.

[8] João 7.51.

[9] cap. 21.14. Gen. 32.20.

[10] cap. 12.14 e 13.2.

[11] cap. 19.14 e 31.10.

[12] Thi. 2.3.

[13] cap. 17.17.

19 Melhor é o [1] pobre que anda na sua sinceridade, do que o perverso de labios e tolo:

2 Assim como ficar a alma sem conhecimento não é bom, e o apressado nos pés pecca.

3 A estulticia do homem perverterá o seu caminho, e o seu coração se irará contra o Senhor.

4 As riquezas [2] grangeiam muitos amigos, mas ao pobre o seu proprio amigo o deixa.

5 A falsa testemunha [3] não ficará innocente, e o que respira mentiras não escapará.

6 Muitos [4] supplicam a face do principe, e cada um é amigo d’aquelle que dá dadivas.

7 Todos os irmãos [5] do pobre o aborrecem; quanto mais se alongarão d’elles os seus amigos! corre d’após elles com palavras, que não servem de nada.

8 O que adquire entendimento ama a sua alma: [6] o que guarda intelligencia achará o bem.

9 A falsa testemunha [7] não ficará innocente; e o que respira mentiras perecerá.

10 Ao tolo não está bem o deleite; quanto menos ao servo [8] dominar os principes!

11 O entendimento [9] do homem retem a sua ira, e a sua gloria é passar sobre a transgressão.

12 Como o bramido do filho do leão, é a [10] indignação do rei; mas como o orvalho sobre a herva é a sua benevolencia.

13 Grande miseria é para o pae o filho insensato, [11] e um gotejar continuo as contenções da mulher.

14 A casa [12] e a fazenda são a herança dos paes; porém do Senhor vem a mulher prudente.

15 A preguiça [13] faz cair em profundo somno, e a alma enganadora padecerá fome.

16 O que guardar [14] o mandamento guardará a sua alma; porém o que desprezar os seus caminhos morrerá.

17 Ao Senhor empresta o que se compadece [15] do pobre, e elle lhe pagará o seu beneficio.

18 Castiga [16] a teu filho emquanto ha esperança, porém para o matar não alçarás a tua alma.

19 O que é de grande indignação supportará o damno; porque se tu o livrares, ainda terás de tornar a fazel-o.

20 Ouve o conselho, e recebe a correcção, para que sejas sabio [17] nos teus ultimos dias.

21 Muitos propositos ha [18] no coração do homem, porém o conselho do Senhor permanecerá.

22 O desejo do homem é a sua beneficencia; porém o pobre é melhor do que o mentiroso.

23 O [19] temor do Senhor encaminha para a vida; aquelle que o tem ficará satisfeito, e não o visitará mal nenhum.

24 O preguiçoso [20] esconde a sua mão no seio; enfada-se de tornal-a á sua bocca.

25 Fere o escarnecedor, [21] e o simples tomará aviso; reprehende ao entendido, e aprenderá conhecimento.

26 O que afflige a seu pae, ou afugenta a sua mãe, filho é que traz vergonha e [22] deshonra.

27 Cessa, filho meu, ouvindo a instrucção, de te desviares das palavras do conhecimento.

28 A testemunha de Belial escarnece do juizo, e a [23] bocca dos impios engole a iniquidade.

29 Preparados estão os juizos para os escarnecedores e [24] açoites para as costas dos tolos.

[1] cap. 28.6.

[2] cap. 14.20.

[3] ver. 9. Exo. 23.1. Deu. 19.16, 19. cap. 6.19 e 21.28.

[4] cap. 29.26 e 21.14.

[5] cap. 14.20. Psa. 38.12.

[6] cap. 16.20.

[7] ver. 5.

[8] cap. 30.22. Ecc. 10.6, 7.

[9] cap. 14.29. Thi. 1.19. cap. 16.32.

[10] cap. 16.14, 15 e 20.2 e 28.15. Ose. 14.5.

[11] cap. 10.1 e 15.20 e 17.21, 25. cap. 21.9, 19, 27 e 15.

[12] II Cor. 12.14. cap. 18.22.

[13] cap. 6.9. cap. 10.4 e 20.13 e 23.21.

[14] Luc. 10.28 e 11.28.

[15] cap. 28.27. Ecc. 11.1. Mat. 10.42 e 25.40. II Cor. 9.6, 7, 8. Heb. 6.10.

[16] cap. 13.24 e 23.13 e 29.17.

[17] Psa. 37.37.

[18] Job 23.13. cap. 16.1, 9. Isa. 14.26, 27 e 46.10. Act. 5.39. Heb. 6.17.

[19] I Tim. 4.8.

[20] cap. 15.19 e 26.13, 15.

[21] cap. 21.11. Deu. 13.11. cap. 9.8.

[22] cap. 17.2.

[23] Job 15.16 e 20.12, 13 e 34.7.

[24] cap. 10.13 e 26.3.

20 O [1] vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoraçadora; e todo aquelle que n’elles errar nunca será sabio.

2 Como o bramido do leão é o terror [2] do rei, o que o provoca á ira pecca contra a sua propria alma.

3 Honra é do [3] homem desviar-se do pleito, mas todo o tolo se entremette n’elle.

4 O preguiçoso [4] não lavrará por causa do inverno, pelo que mendigará na sega, porém nada receberá.

5 Como as aguas profundas é o conselho [5] no coração do homem; mas o homem d’intelligencia o tirará para fóra.

6 Cada um da multidão dos [6] homens apregoa a sua beneficencia; porém o homem fiel, quem é o que o achará?

7 O justo [7] anda na sua sinceridade; bemaventurados serão os seus filhos depois d’elle.

8 Assentando-se [8] o rei no throno do juizo, com os seus olhos dissipa todo o mal.

9 Quem podéra dizer: [9] Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu peccado!

10 Duas sortes de [10] peso, e duas sortes de medida, são abominação ao Senhor, tanto uma como outra.

11 Até a creança se dará a [11] conhecer pelas suas acções, se a sua obra será pura e recta.

12 O ouvido [12] que ouve, e o olho que vê, o Senhor os fez a ambos.

13 Não [13] ames o somno, para que não empobreças; abre os teus olhos, e te fartarás de pão.

14 Nada vale, nada vale, dirá o comprador, mas, indo-se, então se gabará.

15 Ha oiro e abundancia de rubins, mas [14] os labios do conhecimento são joia preciosa.

16 Quando alguem fica por fiador do estranho, toma-lhe [15] a sua roupa, e o penhora pela estranha.

17 Suave é ao homem o pão [16] de mentira, mas depois a sua bocca se encherá de pedrinhas d’areia.

18 Cada [17] pensamento com conselho se confirma, e com conselhos prudentes faze a guerra.

19 O que anda murmurando descobre o segredo; pelo que com o que afaga com seus beiços [18] não te entremettas.

20 O que [19] a seu pae ou a sua mãe amaldiçoar, apagar-se-lhe-ha a sua lampada em trevas negras.

21 Adquirindo-se apressadamente a herança [20] no principio, o seu fim não será bemdito.

22 Não digas: [21] Vingar-me-hei do mal: espera [22] pelo Senhor, e elle te livrará.

23 Duas sortes [23] de peso são abominaveis ao Senhor, e balanças enganosas não são boas.

24 Os passos [24] do homem são dirigidos pelo Senhor: o homem, pois, como entenderá o seu caminho?

25 Laço é para o homem engulir o que é sancto; e, feitos os votos, [25] então inquirir.

26 O rei sabio [26] dissipa os impios e torna sobre elles a roda.

27 A alma [27] do homem é a lampada do Senhor, que esquadrinha todo o mais intimo do ventre.

28 Benignidade e verdade guardam ao rei, [28] e com benignidade sustem elle o seu throno.

29 O ornato dos mancebos é a sua força: e a belleza [29] dos velhos as cãs.

30 Os vergões das feridas são a purificação dos maus, como tambem as pancadas que penetram até o mais intimo do ventre.

[1] Gen. 9.21. cap. 23.29, 30. Isa. 28.7. Ose. 4.11.

[2] cap. 16.14 e 19.12. cap. 8.36.

[3] cap. 17.14.

[4] cap. 10.4 e 19.24. cap. 19.15.

[5] cap. 18.4.

[6] cap. 25.14. Mat. 6.2. Luc. 18.11.

[7] II Cor. 1.12. Psa. 37.26 e 112.2.

[8] ver. 26.

[9] I Reis 8.46. Job 14.4. Ecc. 7.20. I Cor. 4.4. I João 1.8.

[10] Deu. 25.13, etc. cap. 11.1 e 16.11. Miq. 6.10, 11.

[11] Mat. 7.16.

[12] Exo. 4.11.

[13] cap. 6.9 e 12.11 e 19.15. Rom. 12.11.

[14] Job 28.12, 16, 17, 18, 19. cap. 3.15 e 8.11.

[15] cap. 22.26, 27 e 27.13.

[16] cap. 9.17.

[17] cap. 15.22 e 24.6. Luc. 14.31.

[18] cap. 11.13. Rom. 16.18.

[19] Exo. 21.17. Lev. 20.9. Mat. 15.4. Job 18.5, 6. cap. 24.20.

[20] cap. 28.20. Hab. 2.6.

[21] Deu. 32.35. Rom. 12.17, 19. I The. 5.15. I Ped. 3.9.

[22] II Sam. 16.12.

[23] ver. 10.

[24] Psa. 37.23. cap. 16.9. Jer. 10.23.

[25] Ecc. 5.4, 5.

[26] ver. 8.

[27] I Cor. 2.11.

[28] Psa. 101.1. cap. 29.24.

[29] cap. 16.31.

21 Como ribeiros d’aguas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o inclina.

2 Todo [1] o caminho do homem é recto aos seus olhos, mas o Senhor pondera os corações.

3 Fazer justiça [2] e juizo é mais acceito ao Senhor do que lhe offerecer sacrificio.

4 Altivez dos olhos, e [3] inchação de coração, e a lavoura dos impios é peccado.

5 Os pensamentos [4] do diligente tendem só á abundancia, porém os de todo o apressado tão sómente á pobreza.

6 Trabalhar por ajuntar [5] thesouro com lingua falsa é uma vaidade impellida d’aquelles que buscam a morte.

7 As rapinas dos impios os virão a destruir, porquanto recusam fazer a justiça.

8 O caminho do homem é todo perverso e estranho, porém a obra do puro é recta.

9 Melhor [6] é morar n’um canto do terraço, do que com a mulher contenciosa, e isso em casa em que mais companhia haja.

10 A alma [7] do impio deseja o mal: o seu proximo lhe não agrada aos seus olhos.

11 Castigado o escarnecedor, o simples se torna sabio; e, ensinado o sabio, recebe o conhecimento.

12 Prudentemente considera o justo a casa do impio, quando Deus transtorna os impios para o mal.

13 O que [8] tapa o seu ouvido ao clamor do pobre elle tambem clamará e não será ouvido.

14 O presente [9] que se dá em segredo abate a ira, e a dadiva no seio a grande indignação.

15 O fazer justiça [10] é alegria para o justo, mas espanto para os que obram a iniquidade.

16 O homem, que anda errado do caminho do entendimento, na congregação dos mortos repousará.

17 Necessidade padecerá o que ama a galhofa; o que ama o vinho e o azeite nunca enriquecerá.

18 O resgate do justo é [11] o impio; o do recto o iniquo.

19 Melhor [12] é morar n’uma terra deserta do que com a mulher contenciosa e iracunda.

20 Thesouro [13] desejavel e azeite ha na casa do sabio, mas o homem insensato o devora.

21 O que segue [14] a justiça e a beneficencia achará a vida, a justiça e a honra.

22 Á cidade dos fortes [15] sobe o sabio, e derruba a força da sua confiança.

23 O que [16] guarda a sua bocca e a sua lingua, guarda das angustias a sua alma.

24 O soberbo e presumido, zombador é seu nome: trata com indignação e soberba.

25 O desejo [17] do preguiçoso o mata, porque as suas mãos recusam trabalhar.

26 Todo o dia deseja coisas de cubiçar, mas o justo dá, e nada retem.

27 O sacrificio dos [18] impios é abominação: quanto mais offerecendo-o com intenção maligna?

28 A testemunha mentirosa perecerá, porém o homem que ouve com constancia fallará.

29 O homem impio endurece o seu rosto, mas o recto considera o seu caminho.

30 Não ha sabedoria, [19] nem intelligencia, nem conselho contra o Senhor.

31 O cavallo prepara-se para o dia da batalha, [20] porém do Senhor vem a victoria.

[1] cap. 16.2. cap. 24.12. Luc. 16.15.

[2] I Sam. 15.22. cap. 15.8. Isa. 1.11, etc. Ose. 6.6. Miq. 6.7, 8.

[3] cap. 6.17.

[4] cap. 10.4 e 13.4.

[5] cap. 10.2 e 13.11 e 20.21. II Ped. 2.3.

[6] ver. 19. cap. 19.13 e 25.24 e 27.15.

[7] Thi. 4.5.

[8] Mat. 7.2, 18, 30, etc. Thi. 2.13.

[9] cap. 17.8, 23 e 18.16.

[10] cap. 10.29.

[11] cap. 11.8. Isa. 43.3, 4.

[12] ver. 9.

[13] Mat. 25.3, 4.

[14] cap. 15.9. Mat. 5.6.

[15] Ecc. 9.14, etc.

[16] cap. 12.13 e 13.3 e 18.21. Thi. 3.2.

[17] cap. 13.4.

[18] cap. 15.8. Isa. 66.3. Jer. 6.20. Amós 5.22.

[19] Isa. 8.9, 10. Jer. 9.23. Act. 5.39.

[20] Isa. 31.1.

22 Mais digno de ser escolhido [1] é o bom nome do que as muitas riquezas; e a graça é melhor do que a riqueza e o oiro.

2 O rico [2] e o pobre se encontraram: a todos os fez o Senhor.

3 O avisado [3] vê o mal, e esconde-se; mas os simples passam, e pagam a pena.

4 O galardão [4] da humildade com o temor do Senhor são riquezas, a honra e a vida.

5 Espinhos [5] e laços ha no caminho do perverso; o que guarda a sua alma retira-se para longe d’elle.

6 Instrue ao menino conforme o seu caminho; [6] e até quando envelhecer não se desviará d’elle.

7 O [7] rico domina sobre os pobres, e o que toma emprestado servo é do que empresta.

8 O que [8] semear a perversidade segará males; e a vara da sua indignação se acabará.

9 O que é de [9] bons olhos será abençoado, porque deu do seu pão ao pobre.

10 Lança [10] fóra ao escarnecedor, e se irá a contenda; e cessará o pleito e a vergonha.

11 O que ama a pureza do coração, e tem graça nos seus labios, seu amigo será o rei.

12 Os olhos do Senhor conservam o conhecimento, mas as palavras do iniquo transtornará.

13 Diz o preguiçoso: [11] Um leão está lá fóra; serei morto no meio das ruas.

14 Cova profunda [12] é a bocca das mulheres estranhas; aquelle contra quem o Senhor se irar, cairá n’ella.

15 A estulticia está ligada no coração do menino, mas a vara [13] da correcção a afugentará d’elle.

16 O que opprime ao pobre para se engrandecer a si, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá.

Breves discursos moraes do sabio ácerca de varios assumptos.

17 Inclina a tua orelha, e ouve as palavras dos sabios, e applica o teu coração á minha sciencia.

18 Porque é coisa suave, se as guardares nas tuas entranhas, se applicares todas ellas aos teus labios.

19 Para que a tua confiança esteja no Senhor: a ti t’as faço saber hoje; tu tambem a outros as faze saber.

20 Porventura não te escrevi excellentes coisas, [14] ácerca de todo o conselho e conhecimento?

21 Para fazer-te saber [15] a certeza das palavras da verdade, para que possas responder palavras de verdade aos [16] que te enviarem.

22 Não roubes [17] ao pobre, porque é pobre, nem atropelles na porta ao afflicto.

23 Porque [18] o Senhor defenderá a sua causa em juizo, e aos que os roubam lhes roubará a alma.

24 Não acompanhes com o iracundo, nem andes com o homem colerico.

25 Para que não aprendas as suas veredas, e tomes um laço para a tua alma.

26 Não [19] estejas entre os que dão a mão, e entre os que ficam por fiadores de dividas.

27 Se não tens com que pagar, porque tirariam [20] a tua cama de debaixo de ti?

28 Não removas [21] os limites antigos que fizeram teus paes.

29 Viste a um homem ligeiro na sua obra? perante reis será posto: não será posto perante os de baixa sorte.

[1] Ecc. 7.1, 2.

[2] cap. 29.13. I Cor. 12.21. Job 31.15. cap. 14.31.

[3] cap. 14.16 e 27.13.

[4] Mat. 6.33.

[5] cap. 15.19. I João 5.18.

[6] Eph. 6.4. II Tim. 3.15.

[7] Thi. 2.6.

[8] Job 4.8. Ose. 10.13.

[9] II Chr. 9.6.

[10] Gen. 21.9, 10.

[11] cap. 26.13.

[12] cap. 2.16 e 5.3 e 7.5 e 23.27.

[13] cap. 13.24 e 19.18 e 23.13, 14 e 29.15, 17.

[14] cap. 8.6.

[15] Luc. 1.3, 4.

[16] I Ped. 3.15.

[17] Exo. 23.6. Job 31.16, 21. Zac. 7.10. Mal. 3.5.

[18] Jer. 51.36.

[19] cap. 6.1 e 11.15.

[20] cap. 20.16.

[21] Deu. 19.14 e 27.17. cap. 23.10.

23 Quando te assentares a comer com um governador, attenta bem para o que se te poz diante,

2 E põe uma faca á tua garganta, se és homem de grande appetite.

3 Não cubices os seus manjares gostosos, porque são pão de mentiras.

4 Não te cances [1] para enriqueceres; dá de mão á tua prudencia.

5 Porventura fitarás os teus olhos n’aquillo que não é nada? porque certamente se fará azas e voará ao céu como a aguia.

6 Não comas o pão d’aquelle que tem o olho maligno, nem cubices os seus manjares gostosos.

7 Porque, como imaginou na sua alma, te dirá: Come e bebe; porém o seu coração não estará comtigo.

8 Vomitarias o bocado que comeste, e perderias as tuas suaves palavras.

9 Não falles [2] aos ouvidos do tolo, porque desprezará a sabedoria das tuas palavras.

10 Não removas [3] os limites antigos, nem entres nas herdades dos orphãos,

11 Porque o seu redemptor [4] é o Forte, que pleiteará a sua causa contra ti.

12 Applica á disciplina o teu coração, e os teus ouvidos ás palavras do conhecimento.

13 Não retires [5] a disciplina da creança, quando a fustigares com a vara; nem por isso morrerá.

14 Tu a fustigarás com a vara, e livrarás [6] a sua alma do [SR] inferno.

15 Filho meu, [7] se o teu coração fôr sabio, alegrar-se-ha o meu coração, sim, o meu proprio,

16 E exultarão os meus rins, quando os teus labios fallarem coisas rectas.

17 Não inveje aos peccadores o teu coração; antes [8] sê no temor do Senhor todo o dia.

18 Porque devéras ha [9] um bom fim: não será cortada a tua expectação.

19 Ouve tu, filho meu, e sê sabio, e dirige no caminho o teu coração.

20 Não [10] estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne.

21 Porque o beberrão e o comilão empobrecerão; e a [11] somnolencia faz trazer os vestidos rotos.

22 Ouve [12] a teu pae, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer.

23 Compra [13] a verdade, e não a vendas: a sabedoria, e a disciplina, e a prudencia.

24 Grandemente se regozijará o pae do [14] justo, e o que gerar a um sabio se alegrará n’elle.

25 Alegrem-se teu pae e tua mãe, e regozije-se a que te gerou.

26 Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos.

27 Porque cova [15] profunda é a prostituta, e poço estreito a estranha.

28 Tambem ella, [16] como um salteador, se põe a espreitar, e multiplica entre os homens os iniquos.

29 Para quem são os ais? para quem os pezares? para quem as pelejas? para quem as queixas? para quem as feridas sem causa? e para quem [17] os olhos vermelhos?

30 Para [18] os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando bebida misturada.

31 Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.

32 No seu fim morderá como a cobra, e como o basilisco picará.

33 Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração fallará perversidades.

34 E serás como o que dorme no meio do mar, e como o que dorme no topo do mastro.

35 E dirás: Espancaram-me, [19] e não me doeu; maçaram-me, e não o senti; quando virei a [20] despertar? ainda tornarei a buscal-a outra vez.

[1] cap. 28.20. I Tim. 6.9, 10. cap. 3.5. Rom. 12.16.

[2] cap. 9.8. Mat. 7.6.

[3] Deu. 19.14 e 27.17. cap. 22.28.

[4] Job 31.21. cap. 22.23.

[5] cap. 13.24 e 19.18 e 22.15 e 29.16, 17.

[6] I Cor. 5.5.

[7] ver. 24, 25. cap. 29.3.

[8] cap. 28.14.

[9] cap. 24.14. Luc. 16.25.

[10] Isa. 5.22. Mat. 24.49. Luc. 21.34. Rom. 13.13. Eph. 5.18.

[11] cap. 19.15.

[12] cap. 1.8 e 30.17. Eph. 6.1, 2.

[13] cap. 4.5, 7.

[14] cap. 10.1 e 15.20. ver. 15.

[15] cap. 22.14.

[16] cap. 7.12.

[17] Gen. 49.12.

[18] cap. 20.1. Eph. 5.18.

[19] Jer. 5.3.

[20] Deu. 29.19. Isa. 56.12.

24 Não tenhas inveja dos homens malignos, nem desejes estar com elles,

2 Porque o seu coração medita a rapina, e os seus labios fallam a malicia.

3 Com a sabedoria se edifica a casa, e com a intelligencia se estabelece:

4 E pelo conhecimento se encherão as camaras de todas as substancias preciosas e deleitaveis.

5 E o varão sabio [1] é forte, e o varão de conhecimento consolida a força.

6 Porque [2] com conselhos prudentes tu farás a guerra; e ha victoria na multidão dos conselheiros.

7 É demasiadamente alta para o tolo toda a sabedoria; na porta não abrirá a sua bocca.

8 A’quelle que cuida em fazer mal mestre de maus intentos o chamarão.

9 O pensamento do tolo é peccado, e é abominavel aos homens o escarnecedor.

10 Se te mostrares frouxo no dia da angustia, a tua força será estreita.

11 Livra [3] aos que estão tomados para a morte, e aos que levam para matança, se os poderes retirar.

12 Se disseres: Eis que o não sabemos: porventura [4] aquelle que pondera os corações não o entenderá? e aquelle que attenta para a tua alma não o saberá? porque pagará ao homem conforme [5] a sua obra.

13 Come mel, meu filho, porque é bom, e o favo de mel é doce ao teu paladar.

14 Tal será o conhecimento da sabedoria para a tua alma: se a achares, haverá para ti galardão, e não será cortada a tua expectação.

15 Não espies a habitação do justo, ó impio, nem assoles a sua camara.

16 Porque [6] sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os impios tropeçarão no mal.

17 Quando cair o teu inimigo, não te alegres, [7] nem quando tropeçar se regozije o teu coração.

18 Para que o Senhor o não veja, e seja mau aos seus olhos, e desvie d’elle a sua ira.

19 Não te indignes ácerca [8] dos malfeitores, nem tenhas inveja dos impios,

20 Porque [9] o maligno não terá galardão, e a lampada dos impios se apagará.

21 Teme [10] ao Senhor, filho meu, e ao rei, e não te entremettas com os que buscam mudança.

22 Porque de repente se levantará a sua perdição, e a ruina d’elles ambos quem a sabe?

23 Tambem estes são proverbios dos sabios: Ter respeito a pessoas [11] no juizo não é bom.

24 O que [12] disser ao impio: Justo és: os povos o amaldiçoarão, as nações o detestarão.

25 Mas para os que o reprehenderem haverá delicias, e sobre elles virá a benção do bem.

26 Beijados serão os labios do que responde com palavras rectas.

27 Prepara [13] de fóra a tua obra, e apparelha-a no campo, e então edifica a tua casa.

28 Não sejas [14] testemunha sem causa contra o teu proximo; porque enganarias com os teus beiços?

29 Não digas: [15] Como elle me fez a mim, assim o farei eu a elle: pagarei a cada um segundo a sua obra.

30 Passei pelo campo do preguiçoso, e junto á vinha do homem falto de entendimento;

31 E eis que toda [16] estava cheia de cardos, e a sua superficie coberta d’ortigas, e a sua parede de pedra estava derribada.

32 O que tendo eu visto, o tomei no coração, e, vendo-o, recebi instrucção.

33 Um pouco [17] de somno, adormecendo um pouco; encruzando as mãos outro pouco, para estar deitado.

34 Assim te sobrevirá a tua pobreza como um caminhante, e a tua necessidade como um homem armado.

[1] cap. 21.22. Ecc. 9.16.

[2] cap. 11.14 e 15.22 e 20.18.

[3] Isa. 58.6, 7. I João 3.16.

[4] cap. 21.2.

[5] Job 34.11. Rom. 2.6. Apo. 2.23 e 22.12.

[6] Job 5.19. Miq. 7.8. Amós 8.14.

[7] Job 31.29. cap. 17.5. Abd. 12.

[8] cap. 23.17. ver. 1.

[9] Job 18.5, 6 e 21.17. cap. 13.9 e 20.20.

[10] Rom. 13.7. I Ped. 2.17.

[11] Lev. 19.15. Deu. 1.17 e 16.19. cap. 18.5 e 28.21. João 7.24.

[12] cap. 17.15. Isa. 15.23.

[13] I Reis 5.17, 18. Luc. 14.28.

[14] Eph. 4.25.

[15] cap. 20.22. Mat. 5.39, 44. Rom. 12.17, 19.

[16] Gen. 3.18.

[17] cap. 6.9, etc.

Outros proverbios de Salomão, que foram colligidos no tempo do rei Ezequias.

[Antes de Christo 700]

25 Tambem estes [1] são proverbios de Salomão, os quaes transcreveram os homens d’Ezequias, rei de Judah.

2 A gloria [2] de Deus é encobrir o negocio; mas a gloria dos reis esquadrinhar o negocio.

3 Para a altura dos céus, e para a profundeza da terra, e para o coração dos reis, não ha investigação.

4 Tira [3] da prata as escorias, e sairá vaso para o fundidor.

5 Tira [4] o impio da presença do rei, e o seu throno se affirmará na justiça.

6 Não te glories na presença do rei, nem te ponhas no logar dos grandes;

7 Porque [5] melhor é que te digam: Sobe aqui; do que seres humilhado diante do principe que já viram os teus olhos.

8 Não saias [6] depressa a litigar, para que depois ao fim não saibas que fazer, podendo-te confundir o teu proximo.

9 Pleiteia [7] o teu pleito com o teu proximo, e não descubras o segredo d’outro:

10 Para que não te deshonre o que o ouvir, e a tua infamia se não aparte de ti.

11 Como maçãs d’oiro em [SS] salvas de prata, assim é a palavra dita [8] a seu tempo.

12 Como pendentes d’oiro e gargantilhas d’oiro fino, assim é o sabio reprehensor para o ouvido ouvinte.

13 Como frieza [9] de neve no tempo da sega, assim é o mensageiro fiel para com os que o enviam; porque recreia a alma de seu senhor.

14 Como nuvens e ventos que não trazem chuva, [10] assim é o homem que se gaba falsamente de dadivas.

15 Pela longanimidade se persuade o principe, [11] e a lingua branda quebranta os ossos.

16 Achaste mel? come o que te basta; para que porventura não te fartes d’elle, e o venhas a vomitar.

17 Retira o teu pé da casa do teu proximo; para que se não enfade de ti, e te aborreça.

18 Martello, e espada, e frecha aguda é o homem que diz falso testemunho contra o seu proximo.

19 Como dente quebrado, e pé desengonçado, é a confiança no desleal, no tempo da angustia.

20 O que canta canções ao coração afflicto é como aquelle que despe o vestido n’um dia de frio, e como vinagre sobre [ST] salitre.

21 Se [12] o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; e se tiver sêde, dá-lhe agua para beber;

22 Porque assim brazas lhe amontoarás sobre a cabeça; [13] e o Senhor t’o pagará.

23 O vento norte afugenta a chuva, e a face irada a lingua fingida.

24 Melhor [14] é morar n’um canto do terraço, do que com a mulher contenciosa, e isso em casa em que mais companhia haja.

25 Como agua fria á alma cançada, taes são as boas novas de terra remota.

26 Como fonte turva, e manancial corrupto, assim é o justo que cae diante do impio.

27 Comer [15] muito mel não é bom; assim a pesquiza da propria gloria não é gloria.

28 Como a cidade [16] derribada, sem muro, assim é o homem que não pode conter o seu espirito.

[1] II Reis 4.32.

[2] Deu. 29.29. Rom. 11.33. Job 29.16.

[3] II Tim. 2.21.

[4] cap. 20.8.

[5] Luc. 14.8, 9, 10.

[6] cap. 17.14. Mat. 5.25.

[7] Mat. 5.25 e 18.15.

[8] cap. 15.23. Isa. 50.4.

[9] cap. 13.17.

[10] cap. 20.6. Jud. 12.

[11] I Sam. 25.24, etc. cap. 15.1 e 16.14.

[12] Exo. 23.4, 5. Mat. 5.44. Rom. 12.20.

[13] II Sam. 16.12.

[14] cap. 19.13 e 21.9, 19.

[15] ver. 16. cap. 27.2.

[16] cap. 16.32.

26 Como a neve no verão, [1] e como a chuva na sega, assim não convem ao louco a honra.

2 Como ao passaro o vaguear, como á andorinha o voar, [2] assim a maldição sem causa não virá.

3 O açoite para o cavallo, o freio para o jumento, e a vara para as costas dos tolos.

4 Não respondas ao tolo segundo a sua estulticia; para que tambem te não faças similhante a elle.

5 Responde [3] ao tolo segundo a sua estulticia; para que não seja sabio aos seus olhos.

6 Os pés corta, e o damno bebe, quem manda mensagens pela mão d’um tolo.

7 Como as pernas do côxo, que pendem frouxas, assim é o proverbio na bocca dos tolos.

8 Como o que ata a pedra preciosa na funda, assim é aquelle que dá honra ao tolo.

9 Como o espinho que entra na mão do bebado, assim é o proverbio na bocca dos tolos.

10 Os grandes molestam a todos, e alugam os tolos e transgressores.

11 Como o cão que torna ao seu vomito, [4] assim é o tolo que reitera a sua estulticia.

12 Tens visto [5] a um homem que é sabio a seus proprios olhos? maior esperança ha do tolo do que d’elle.

13 Diz o preguiçoso: [6] Um leão está no caminho; um leão está nas ruas.

14 Como a porta se revolve nos seus gonzos, assim o preguiçoso na sua cama.

15 O preguiçoso [7] esconde a sua mão no seio: enfada-se de tornal-a á sua bocca.

16 Mais sabio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem.

17 O que, passando, se entremette em pleito alheio é como aquelle que toma um cão pelas orelhas.

18 Como o louco que lança de si faiscas, frechas, e mortandades,

19 Assim é o homem que engana o seu proximo, e diz: Não o fiz eu por brincar?

20 Sem lenha, o fogo se apagará; e, não havendo [8] murmurador, cessará a contenda.

21 Como o [9] carvão é para as brazas, e a lenha para o fogo, assim é o homem contencioso para accender rixas.

22 As palavras [10] do murmurador são como as palavras do espancado, e ellas descem ao intimo do ventre.

23 Como o caco coberto d’escorias de prata, assim são os labios ardentes com o coração maligno.

24 Aquelle que aborrece se contrafaz pelos seus beiços, mas no seu interior encobre o engano.

25 Quando [11] te supplicar com a sua voz, não te fies n’elle, porque sete abominações ha no seu coração,

26 Cujo odio se encobre com engano; a sua malicia se descobrirá na congregação.

27 O que cava uma cova n’ella cairá; e o que revolve a pedra esta sobre elle tornará.

28 A lingua falsa aborrece aos que ella afflige, e a bocca lubrica obra a ruina.

[1] I Sam. 12.17.

[2] Num. 23.8. Deu. 23.5.

[3] Mat. 21.24, 27.

[4] II Ped. 2.22.

[5] cap. 29.20. Luc. 18.11. Rom. 12.16. Apo. 3.17.

[6] cap. 22.13.

[7] cap. 19.24.

[8] cap. 22.10.

[9] cap. 15.18 e 29.22.

[10] cap. 18.8.

[11] Jer. 9.8.

27 Não presumas do [1] dia d’ámanhã, porque não sabes o que parirá o dia.

2 Louve-te [2] o estranho, e não a tua bocca, o estrangeiro e não os teus labios.

3 Pesada é a pedra, e a areia é carregada; porém a ira do insensato é mais pesada do que ellas ambas.

4 Cruel é o furor e a impetuosa ira, [3] mas quem parará perante a inveja?

5 Melhor [4] é a reprehensão aberta do que o amor encoberto.

6 Fieis são as feridas feitas pelo que ama, mas os beijos do que aborrece são [SU] enganosos.

7 A alma farta piza o favo de mel, [5] mas á alma faminta todo o amargo é doce.

8 Qual é a ave que vagueia do seu ninho, tal é o homem que anda vagueando do seu logar.

9 O oleo e o perfume alegram o coração: assim a doença do amigo d’alguem com o conselho cordial.

10 Não deixes a teu amigo, nem ao amigo de teu pae, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade: [6] melhor é o visinho de perto do que o irmão ao longe.

11 Sê sabio, [7] filho meu, e alegra o meu coração; para que tenha alguma coisa que responder áquelle que me desprezar.

12 O avisado vê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e pagam a pena.

13 Quando alguem fica por fiador do estranho, [8] toma-lhe tu a sua roupa; e o penhora pela estranha.

14 O que bemdiz ao seu amigo em alta voz, madrugando pela manhã, por maldição se lhe contará.

15 O gotejar [9] continuo no dia de grande chuva, e a mulher contenciosa, uma e outra são similhantes.

16 Todos os que a esconderem esconderão o vento: e o oleo da sua dextra clama.

17 Como o ferro com o ferro se aguça, assim o homem aguça o rosto do seu amigo.

18 O [10] que guarda a figueira comerá do seu fructo; e o que attenta para seu senhor, será honrado.

19 Como na agua o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem.

20 Como o [11] [SV] inferno e a perdição nunca se fartam, assim os olhos do homem nunca se fartam.

21 Como [12] o crisol é para a prata, e o forno para o oiro, assim se prova o homem pelos louvores.

22 Ainda quando pizares [13] o tolo com uma mão de gral entre grãos de cevada pilada, não se irá d’elle a sua estulticia.

23 Procura conhecer o estado das tuas ovelhas: põe o teu coração sobre o gado.

24 Porque o thesouro não dura para sempre: ou durará a corôa de geração em geração?

25 Quando se mostrar a herva, e apparecerem os renovos, então ajunta as hervas dos montes.

26 Os cordeiros serão para te vestires, e os bodes para o preço do campo.

27 E a abastança do leite das cabras para o teu sustento, para sustento da tua casa, e para sustento das tuas creadas.

[1] Luc. 12.19, 20. Thi. 4.13, etc.

[2] cap. 25.27.

[3] I João 3.12.

[4] cap. 28.23. Gal. 2.14.

[5] Job 6.7.

[6] cap. 17.17 e 18.24.

[7] cap. 10.1 e 23.15, 24. Psa. 127.5.

[8] Exo. 22.26. cap. 20.16.

[9] cap. 19.13.

[10] I Cor. 9.7, 13.

[11] cap. 30.16. Hab. 2.5. Ecc. 1.8 e 6.7.

[12] cap. 17.3.

[13] cap. 23.35. Isa. 1.5. Jer. 5.3.

28 Fogem os [1] impios, sem que ninguem os persiga; mas qualquer justo está confiado como o filho do leão.

2 Pela transgressão da [SW] terra são muitos os seus principes, mas por homens prudentes e entendidos a sua continuação será prolongada.

3 O homem pobre que opprime aos pobres é como chuva impetuosa, com que ha falta de pão.

4 Os que deixam a lei louvam o impio; [2] porém os que guardam a lei pelejam contra elles.

5 Os homens maus não entendem o juizo, [3] mas os que buscam ao Senhor entendem tudo.

6 Melhor [4] é o pobre que anda na sua sinceridade do que o perverso de caminhos, ainda que seja rico.

7 O [5] que guarda a lei é filho entendido, mas o companheiro dos comilões envergonha a seu pae.

8 O [6] que augmenta a sua fazenda com usura e onzena, o ajunta para o que se compadece do pobre.

9 O [7] que desvia os seus ouvidos d’ouvir a lei até a sua oração será abominavel.

10 O [8] que faz com que os rectos errem n’um mau caminho elle mesmo cairá na sua cova: mas os bons herdarão o bem.

11 O homem rico é sabio aos seus proprios olhos, mas o pobre que é entendido o esquadrinha.

12 Quando os justos [9] exultam, grande é a gloria; mas quando os impios sobem, os homens se andam escondendo.

13 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa alcançará misericordia.

14 Bemaventurado [10] o homem que continuamente teme: mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal.

15 Como leão bramante, [11] e urso faminto, assim é o impio que domina sobre um povo pobre.

16 O principe falto d’intelligencia tambem multiplica as oppressões, mas o que aborrece a avareza prolongará os seus dias.

17 O [12] homem carregado do sangue de qualquer pessoa fugirá até á cova: ninguem o retenha.

18 O [13] que anda sinceramente salvar-se-ha, mas o perverso em seus caminhos cairá logo.

19 O [14] que lavrar a sua terra virá a fartar-se de pão, mas o que segue a ociosos se fartará de pobreza.

20 O homem fiel abundará em bençãos, [15] mas o que se apressa a enriquecer não será innocente.

21 Ter respeito [16] á apparencia de pessoas não é bom, porque até por um bocado de pão prevaricará o homem.

22 O que se apressa [17] a enriquecer é homem de mau olho, porém não sabe que ha de vir sobre elle a pobreza.

23 O [18] que reprehende ao homem depois achará mais favor do que aquelle que lisongeia com a lingua.

24 O que rouba a seu pae, ou a sua mãe, e diz: Não ha transgressão; companheiro é do homem dissipador.

25 O altivo d’animo [19] levanta contendas, mas o que confia no Senhor engordará.

26 O que confia no seu coração é insensato, mas o que anda em sabedoria elle escapará.

27 O [20] que dá ao pobre não terá necessidade, mas o que esconde os seus olhos terá muitas maldições.

28 Quando [21] os impios se elevam, os homens se andam escondendo, mas quando perecem, os justos se multiplicam.

[1] Lev. 26.17, 36.

[2] Rom. 1.32. II Reis 18.18, 21. Mat. 3.7. Eph. 5.11.

[3] João 7.17. I Cor. 2.15. I João 2.20, 27.

[4] ver. 18. cap. 19.1.

[5] cap. 29.3.

[6] Job 27.6, 17. cap. 13.22. Ecc. 2.26.

[7] Zac. 7.11. cap. 15.8.

[8] cap. 26, 27. Mat. 6.33.

[9] ver. 28. cap. 11.10 e 29.2. Ecc. 10.6.

[10] cap. 23.17. Rom. 2.5 e 11.20.

[11] I Ped. 5.8. Mat. 2.16.

[12] Gen. 9.6. Exo. 21.14.

[13] cap. 10.9, 25. ver. 6.

[14] cap. 12.11.

[15] cap. 13.11 e 20.21 e 23.4. I Tim. 6.9.

[16] cap. 18.5 e 24.23. Eze. 13.19.

[17] ver. 20.

[18] cap. 27.5, 6.

[19] cap. 13.10.

[20] Deu. 15.7, etc. cap. 19.17 e 22.9.

[21] ver. 12. cap. 29.2. Job 24.4.

29 O [1] homem que muitas vezes reprehendido endurece a cerviz de repente será quebrantado sem que haja cura.

2 Quando os justos se [2] engrandecem, o povo se alegra, mas quando o impio domina o povo suspira.

3 O homem [3] que ama a sabedoria alegra a seu pae, mas o companheiro de prostitutas desperdiça a fazenda.

4 O rei com juizo sustem a terra, mas o amigo de peitas a transtorna.

5 O homem que lisongeia a seu proximo, arma uma rede aos seus passos.

6 Na transgressão do homem mau ha laço, mas o justo jubila e se alegra.

7 Informa-se o [4] justo da causa dos pobres, mas o impio não comprehende o conhecimento.

8 Os homens escarnecedores [5] abrazam a cidade, mas os sabios desviam a ira.

9 O homem sabio que pleiteia com o tolo, [6] quer se turbe quer se ria, não terá descanço.

10 Os homens sanguinolentos [7] aborrecem ao sincero, mas os rectos procuram o seu bem.

11 Todo o seu espirito profere o tolo, [8] mas o sabio o encobre e reprime.

12 O governador que dá attenção ás palavras mentirosas, achará que todos os seus servos são impios.

13 O pobre e o usurario [9] se encontram, e o Senhor allumia os olhos d’ambos.

14 O [10] rei, que julga os pobres conforme a verdade, firmará o seu throno para sempre.

15 A vara e a reprehensão dão sabedoria, [11] mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe.

16 Quando os impios se multiplicam, multiplicam-se as transgressões, mas os justos verão a sua quéda.

17 Castiga [12] a teu filho, e te fará descançar; e dará delicias á tua alma.

18 Não havendo prophecia, [13] o povo fica dissoluto; porém o que guarda a lei [14] esse é bemaventurado:

19 O servo se não emendará com palavras, porque, ainda que te entenda, todavia não responderá.

20 Tens visto um homem arremessado nas suas palavras? [15] maior esperança ha d’um tolo do que d’elle.

21 Quando alguem cria delicadamente o seu servo desde a mocidade, por derradeiro quererá ser seu filho.

22 O homem iracundo [16] levanta contendas; e o furioso multiplica as transgressões.

23 A soberba [17] do homem o abaterá, mas o humilde d’espirito reterá a gloria.

24 O que tem parte com o ladrão aborrece a sua propria alma: ouve maldições, [18] e não o denuncia.

25 O temor do homem armará laços, mas o que confia no Senhor será posto em alto retiro.

26 Muitos buscam a face do principe, mas o juizo de cada um vem do Senhor.

27 Abominação é para os justos o homem iniquo, mas abominação é para o impio o de rectos caminhos.

[1] I Sam. 2.25. II Chr. 36.16. cap. 1.24, 27.

[2] Est. 8.15. cap. 11.10 e 28.12, 28.

[3] cap. 10.1 e 15.20 e 27.11. cap. 28.7. Luc. 15.13, 30.

[4] Job 29.16.

[5] cap. 11.11. Eze. 22.30.

[6] Mat. 11.17.

[7] Gen. 4.5, 8. I João 3.12.

[8] cap. 12.16 e 14.33.

[9] cap. 22.2.

[10] cap. 20.28 e 25.5.

[11] cap. 10.1 e 17.21, 25.

[12] ver. 15. cap. 13.24 e 19.18 e 22.15 e 23.13, 14.

[13] I Sam. 3.1. Amós 8.11, 12.

[14] João 13.17. Thi. 1.25.

[15] cap. 26.12.

[16] cap. 15.18 e 26.21.

[17] Job 22.29. cap. 15.33. Mat. 23.12. Luc. 14.11 e 18.14. Thi. 4.6, 10. I Ped. 5.5.

[18] Lev. 5.1.

As palavras de Agur.

30 Palavras d’Agur, filho de Jake, [SX] a prophecia: [1] disse este varão a Ithiel; a Ithiel e a Ucal:

2 Na verdade que eu sou mais brutal do que ninguem, não tenho o entendimento do homem.

3 Nem aprendi a sabedoria, nem conheci o conhecimento dos sanctos.

4 Quem [2] subiu ao céu e desceu? quem encerrou os ventos nos seus punhos? quem amarrou as aguas n’um panno? quem estabeleceu todas as extremidades da terra? qual é o seu nome? e qual é o nome de seu filho? se é que o sabes?

5 Toda a palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam n’elle.

6 Nada accrescentes [3] ás suas palavras, para que não te reprehenda e sejas achado mentiroso.

7 Duas coisas te pedi; não m’as negues, antes que morra:

8 Alonga de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza: [4] mantem-me do pão da minha porção acostumada.

9 Para [5] que porventura de farto te não negue, e diga: Quem é o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e lance mão do nome de Deus.

10 Não calumnies o servo diante de seu senhor, para que te não amaldiçoe e fiques culpado.

11 Ha uma geração que amaldiçoa a seu pae, e que não bemdiz a sua mãe.

12 Ha uma geração que é pura [6] aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua immundicia.

13 Ha uma geração cujos olhos são altivos, e as suas palpebras levantadas para cima.

14 Ha uma geração [7] cujos dentes são espadas, e cujos queixaes são facas, para consumirem da terra os afflictos, e os necessitados d’entre os homens.

15 A sanguesuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Estas tres coisas nunca se fartam; e quatro nunca dizem: Basta.

16 A sepultura; [8] a madre esteril; a terra que se não farta d’agua; e o fogo nunca diz: Basta.

17 Os olhos [9] que zombam do pae, ou desprezam a obediencia da mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os pintãos da aguia os comerão.

18 Estas tres coisas me maravilham; e quatro ha que não conheço:

19 O caminho da aguia no céu; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com uma virgem.

20 Tal é o caminho da mulher adultera: ella come, e limpa a sua bocca, e diz: Não commetti maldade.

21 Por tres coisas se alvoroça a terra: e por quatro, que não pode supportar:

22 Pelo servo, [10] quando reina; e pelo tolo, quando anda farto de pão;

23 Pela mulher aborrecida, quando se casa; e pela serva, quando ficar herdeira da sua senhora.

24 Estas quatro coisas são das mais pequenas da terra, porém sabias, bem providas de sabedoria:

25 As formigas [11] são um povo impotente; todavia no verão preparam a sua comida:

26 Os coelhos são um povo debil; e comtudo põem a sua casa na penha:

27 Os gafanhotos não teem rei; e comtudo todos saem, e em bandos se repartem:

28 A [SY] aranha apanha com as mãos, e está nos paços dos reis.

29 Estas tres teem um bom andar, e quatro que passeiam mui bem:

30 O leão, o mais forte entre os animaes, que por ninguem torna atraz:

31 O [SZ] cavallo de guerra, bem cingido pelos lombos; e o bode; e o rei a quem se não pode resistir.

32 Se obraste loucamente, elevando-te, e se imaginaste o mal, [12] põe a mão na bocca.

33 Porque o espremer do leite produz manteiga, e o espremer do nariz produz sangue, e o espremer da ira produz contenda.

[1] cap. 31.1.

[2] João 3.13. Job 38.4, etc. Isa. 40.12, etc.

[3] Deu. 4.2 e 12.32. Apo. 22.18, 19.

[4] Mat. 6.11.

[5] Deu. 8.12, 14, 17 e 31.20 e 32.15. Ose. 13.6.

[6] Luc. 18.11.

[7] cap. 12.18. Amós 8.4.

[8] cap. 27.20. Hab. 2.5.

[9] Gen. 9.22. Lev. 20.9. cap. 20.20 e 23.32.

[10] Ecc. 10.7.

[11] cap. 6.6, etc.

[12] Job 21.5. Miq. 7.16.

Os conselhos que a mãe do rei Lemuel deu a seu filho.

[Antes de Christo 1015]

31 Palavras do rei Lemuel: [1] a prophecia com que lhe ensinou a sua mãe.

2 Como, [2] filho meu? e como, ó filho do meu ventre? e como, ó filho das minhas promessas?

3 Não dês [3] ás mulheres a tua força, nem os teus caminhos ás que destroem os reis.

4 Não é dos reis, [4] ó Lemuel, não é dos reis beber vinho, nem dos principes desejar bebida forte.

5 Para que não bebam, [5] e se esqueçam do estatuto, e pervertam o juizo de todos os afflictos.

6 Dae bebida forte aos que perecem, e o vinho aos amargosos d’espirito:

7 Para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e do seu trabalho não se lembrem mais.

8 Abre [6] a tua bocca a favor do mudo, pelo direito de todos que vão perecendo.

9 Abre a tua bocca; [7] julga rectamente; e faze justiça aos pobres e aos necessitados.

10 Aleph. [8] Mulher virtuosa quem a achará? porque a sua valia muito excede a de rubins.

11 Beth. O coração do seu marido está n’ella tão confiado que fazenda lhe não faltará.

12 Gimel. Ella lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.

13 Daleth. Busca lã e linho, e trabalha com a industria de suas mãos.

14 He. É como o navio de mercador; de longe traz o seu pão.

15 Vau. Ainda até de noite [9] se levanta, e dá mantimento á sua casa, e ordinaria porção ás suas servas.

16 Zain. Considera uma herdade, e adquire-a; planta uma vinha do fructo de suas mãos.

17 Heth. Cinge os seus lombos de força, e corrobora os seus braços.

18 Teth. Prova e vê que é boa a sua mercancia; e a sua lampada não se apaga de noite.

19 Jod. Estende as suas mãos ao fuso, e as palmas das suas mãos pegam na roca.

20 Caph. [10] Abre a sua mão ao afflicto; e ao necessitado estende as suas mãos.

21 Lamed. Não temerá, por causa da neve, por sua casa, porque toda a sua casa anda forrada de roupa dobrada.

22 Mem. Faz para si tapeçaria; de linho fino e purpura é o seu vestido.

23 Nun. [11] Conhece-se o seu marido nas portas, quando se assenta com os anciãos da terra.

24 Samech. Faz pannos de linho fino, e vende-os, e dá cintas aos mercadores.

25 Ain. A força e a gloria são os seus vestidos, e ri-se do dia futuro.

26 Pé. Abre a sua bocca com sabedoria, e a lei da beneficencia está na sua lingua.

27 Tsade. Attenta pelos passos de sua casa, e não come o pão da preguiça.

28 Koph. Levantam-se seus filhos, prezam-n’a por bemaventurada; como tambem seu marido, que a louva, dizendo:

29 Res. Muitas filhas obraram virtuosamente; porém tu a todas as sobrepujas.

30 Sin. Enganosa é a graça e vaidade a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor essa será louvada.

31 Thau. Dae-lhe do fructo das suas mãos, e louvem-n’a nas portas as suas obras.

[1] cap. 30.1.

[2] Isa. 49.15.

[3] cap. 5.9. Neh. 13.26. cap. 7.36.

[4] Ecc. 10.17.

[5] Ose. 4.11.

[6] Job 29.15, 16. I Sam. 19.4. Est. 4.16.

[7] Lev. 19.15. Deu. 1.16. Job 29.12. Isa. 1.17. Jer. 22.16.

[8] cap. 12.4 e 18.22 e 19.14.

[9] Rom. 12.11. Luc. 12.42.

[10] Eph. 4.28. Heb. 13.16.

[11] cap. 12.4.

LIVRO DO ECCLESIASTES, OU PRÉGADOR.

A vaidade de todas as coisas terrestres.

[Antes de Christo 977]

1 Palavras [1] do prégador, filho de David, rei em Jerusalem:

2 Vaidade [2] de vaidades! diz o prégador, vaidade de vaidades! é tudo vaidade.

3 Que vantagem [3] tem o homem, de todo o seu trabalho, que elle trabalha debaixo do sol?

4 Uma geração vae, e outra geração vem; porém a terra para sempre permanece.

5 E nasce o sol, e põe-se o sol, e aspira ao seu logar d’onde nasceu.

6 Vae para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vae girando o vento, [4] e volta o vento sobre os seus giros.

7 Todos os ribeiros vão para o mar, e comtudo o mar não se enche: para o logar para onde os ribeiros vão, para ali tornam elles a ir.

8 Todas estas coisas se cançam tanto, que ninguem o póde declarar: [5] os olhos se não fartam de vêr, nem se enchem os ouvidos de ouvir.

9 O [6] que foi isso é o que ha de ser; e o que se fez isso se fará; de modo que nada ha de novo debaixo do sol.

10 Ha alguma coisa de que se possa dizer: Vês isto, é novo? já foi nos seculos passados, que foram antes de nós.

11 Já não ha lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser tambem d’ellas não haverá lembrança, nos que hão de ser depois.

12 Eu, [7] o prégador, fui rei sobre Israel em Jerusalem.

13 E appliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto succede debaixo do céu: [8] esta enfadonha occupação deu Deus aos filhos dos homens, para n’ella os exercitar.

14 Attentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e afflicção d’espirito.

15 Aquillo que é torto não se póde endireitar; aquillo que falta não se póde contar.

16 Fallei eu com o meu coração, dizendo: [9] Eis que eu me engrandeci, e augmentei em sabedoria, sobre todos os que houve antes de mim em Jerusalem: e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e a sciencia.

17 E appliquei [10] o meu coração a entender a sabedoria e a sciencia, os desvarios e as doidices, e vim a saber que tambem isto era afflicção d’espirito.

18 Porque [11] na muita sabedoria ha muito enfado; e o que se augmenta em sciencia, accrescenta o trabalho.

[1] ver. 12. cap. 7.27 e 12.8, 9.

[2] cap. 12.8.

[3] cap. 2.22 e 3.9.

[4] João 3.8.

[5] Pro. 27.20.

[6] cap. 3.15.

[7] ver. 1.

[8] Gen. 3.19. cap. 3.10.

[9] I Reis 3.12, 13 e 4.30 e 10.7, 23. cap. 2.9.

[10] cap. 2.3, 12 e 7.23, 25. I The. 5.21.

[11] cap. 12.12.

Os prazeres e as riquezas não produzem a felicidade.

2 Disse eu no meu coração: [1] Ora vem, eu te provarei com alegria, attenta pois para o bem; porém eis que tambem isto era vaidade.

2 Ao riso disse: [2] Estás doido; e á alegria: De que serve esta?

3 Busquei [3] no meu coração como me daria ao vinho (regendo porém o meu coração com sabedoria), e como reteria a loucura, até vêr o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu, durante o numero dos dias de sua vida.

4 Fiz para mim obras magnificas: edifiquei para mim casas: plantei para mim vinhas.

5 Fiz para mim hortas e jardins, e plantei n’elles arvores de toda a especie de fructa.

6 Fiz para mim tanques d’aguas, para regar com elles o bosque em que reverdeciam as arvores.

7 Adquiri servos e servas, e tive filhos de casa; tambem tive grande possessão de vaccas e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalem.

8 Amontoei tambem para mim prata e oiro, e as joias de reis e das provincias; provi-me de cantores e cantoras, e das delicias dos filhos dos homens: d’instrumentos de musica, e de toda a sorte d’instrumentos.

9 E engrandeci, e [4] augmentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalem: perseverou tambem comigo a minha sabedoria.

10 E tudo quanto desejaram os meus olhos não lh’o neguei, nem retive o meu coração d’alegria alguma; mas o meu coração se alegrou de todo o meu trabalho, [5] e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.

11 E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como tambem para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade [6] e afflicção d’espirito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.

12 Então passei á contemplação da sabedoria, e dos desvarios, [7] e da doidice; porque que fará o homem que seguir ao rei? o que outros já fizeram;

13 Então vi eu que a sabedoria é mais excellente do que a estulticia, quanto a luz é mais excellente do que as trevas.

14 Os olhos [8] do sabio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas: tambem então entendi eu que o mesmo successo lhes succede a todos.

15 Pelo que eu disse no meu coração: Como succeder ao tolo, assim me succederá a mim; porque pois então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que tambem isto era vaidade.

16 Porque nunca haverá mais lembrança do sabio do que do tolo; porquanto de tudo quanto agora ha nos dias futuros total esquecimento haverá. E como morre o sabio? assim como o tolo.

17 Pelo que aborreci esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me parece má; porque tudo é vaidade e afflicção d’espirito.

18 Tambem eu aborreci todo o meu trabalho, em que eu trabalhei debaixo do sol, visto que eu havia de deixal-o ao homem que viesse depois de mim.

19 Porque quem sabe se será sabio ou tolo? todavia se assenhoreará sobre todo o meu trabalho em que trabalhei, e em que me houve sabiamente debaixo do sol; tambem isto é vaidade.

20 Pelo que eu me appliquei a fazer que o meu coração perdesse a esperança de todo o trabalho, em que trabalhei debaixo do sol.

21 Porque ha homem que trabalha com sabedoria, e sciencia, e destreza; todavia deixará o seu trabalho, como porção sua, a um homem que não trabalhou n’elle: tambem isto é vaidade e grande enfado.

22 Porque, [9] que mais tem o homem de todo o seu trabalho, e fadiga do seu coração, em que elle anda trabalhando debaixo do sol?

23 Porque todos os seus dias [10] são dôres, e a sua occupação é vexação; até de noite não descança o seu coração: tambem isto é vaidade.

24 Não é pois bom para o homem que [11] coma e beba, e que faça gozar a sua alma do bem do seu trabalho? tambem eu vi que isto vem da mão de Deus.

25 (Porque quem pode comer, ou quem [TA] o pode gozar melhor do que eu?).

26 Porque ao homem que é bom diante d’elle dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria, porém ao peccador dá trabalho, para que elle ajunte, e amontoe, [12] para o dar ao bom perante a sua face. Tambem isto é vaidade e afflicção d’espirito.

[1] Luc. 12.19.

[2] Pro. 14.13.

[3] cap. 1.17.

[4] cap. 1.16.

[5] cap. 3.22 e 5.18 e 9.9.

[6] cap. 1.3, 14.

[7] cap. 1.17.

[8] Pro. 17.24. cap. 8.

[9] cap. 1.3 e 3.9.

[10] Job 5.7 e 14.1.

[11] cap. 3.12, 13, 22 e 5.18 e 8.15.

[12] Job 27.16, 17. Pro. 28.8.

Ha, para todas as coisas, um tempo determinado por Deus.

3 Tudo tem o seu [1] tempo determinado, e todo o proposito debaixo do céu tem o seu tempo:

2 Ha tempo de nascer, [2] e tempo de morrer: tempo de plantar, e tempo d’arrancar o que se plantou:

3 Tempo de matar, e tempo de curar: tempo de derribar, e tempo de edificar:

4 Tempo de chorar, e tempo de rir: tempo de prantear, e tempo de saltar:

5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras: tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar:

6 Tempo de buscar, e tempo de perder: tempo de guardar, e tempo de deitar fóra:

7 Tempo de rasgar, e tempo de coser: tempo de calar, [3] e tempo de fallar:

8 Tempo de amar, [4] e tempo de aborrecer: tempo de guerra, e tempo de paz.

9 Que [5] vantagem tem o trabalhador d’aquillo em que trabalha?

10 Tenho [6] visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com elle os affligir.

11 Tudo fez formoso em seu tempo: tambem poz o seculo no coração d’elles, [7] sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o principio até ao fim.

12 Já tenho advertido [8] que não ha coisa melhor para elles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;

13 Como tambem que todo o homem [9] coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho: isto é um dom de Deus.

14 Sei eu que tudo quanto Deus faz isso durará eternamente: nada se lhe deve accrescentar, [10] e nada d’elle se deve diminuir; e isto faz Deus para que haja temor diante d’elle.

15 O que houve [11] d’antes ainda o ha agora: e o que ha de ser, já foi; e Deus pede conta do que passou.

16 Vi mais debaixo [12] do sol, no logar do juizo, que havia ali impiedade, e no logar da justiça que ali havia impiedade.

17 Eu disse no meu coração: [13] Deus julgará o justo e o impio; porque ali será o tempo para julgar de todo o intento e sobre toda a obra.

18 Disse eu no meu coração ácerca do estado dos filhos dos homens, que Deus lhes declararia; e elles o veriam, [14] que elles são como as bestas em si mesmos.

19 Porque o que succede aos filhos dos homens, isso mesmo tambem succede ás bestas, e o mesmo succede a elles ambos: como morre um, assim morre o outro; e todos teem o mesmo folego, e a vantagem dos homens sobre as bestas não é nenhuma, porque todos são vaidade.

20 Todos vão para um logar: [15] todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.

21 Quem [16] adverte que o folego dos filhos dos homens sobe para cima, e que o folego das bestas desce para baixo da terra?

22 Assim que tenho visto [17] que não ha coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; [18] porque quem o levará a vêr o que será depois d’elle?

[1] ver. 17. cap. 8.6.

[2] Heb. 9.27.

[3] Amós 5.13.

[4] Luc. 14.26.

[5] cap. 1.3.

[6] cap. 1.13.

[7] cap. 8.17. Rom. 11.33.

[8] ver. 22.

[9] cap. 2.24.

[10] Thi. 1.17.

[11] cap. 1.9.

[12] cap. 5.8.

[13] Rom. 2.6, 7, 8. II Cor. 5.10. II The. 1.6, 7. ver. 1.

[14] cap. 2.16.

[15] Gen. 3.19.

[16] cap. 12.7.

[17] ver. 12. cap. 2.24 e 5.18 e 11.9.

[18] cap. 2.10 e 8.7 e 10.14.

Os males e as tribulações da vida.

4 Depois me virei, [1] e attentei em todas as oppressões que se fazem debaixo do sol; e eis que vi as lagrimas dos que foram opprimidos e dos que não teem consolador; e a força estava da banda dos seus oppressores; porém elles não tinham consolador.

2 Pelo que eu louvei [2] os mortos que já morreram, mais do que os vivos que vivem ainda,

3 E melhor [3] que uns e outros é aquelle que ainda não é; que não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.

4 Tambem vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, attrahe ao homem a inveja do seu proximo. Tambem isto é vaidade e afflicção d’espirito.

5 O tolo [4] cruza as suas mãos, e come a sua propria carne.

6 Melhor [5] é uma mão cheia com descanço do que ambos os punhos cheios com trabalho, e afflicção d’espirito.

7 Outra vez me tornei a virar, e vi uma vaidade debaixo do sol.

8 Ha um tal que é só, e não tem segundo, nem tão pouco filho nem irmã; e de todo o seu trabalho não ha fim, [6] nem o seu olho se farta de riquezas; nem diz: Para quem trabalho eu, e privo a minha alma do bem? Tambem isto é vaidade e enfadonha occupação.

9 Melhores são dois do que um, porque teem melhor paga do seu trabalho.

10 Porque se vierem a cair, um levanta ao seu companheiro: mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.

11 Tambem, se dois dormirem juntos, elles se aquentarão; mas um só como se aquentará?

12 E, se alguem prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de tres dobras não se quebra tão depressa.

13 Melhor é o mancebo pobre e sabio do que o rei velho e insensato, que se não deixa mais admoestar.

14 Porque um sae do carcere para reinar; sim, um que nasceu pobre no seu reino.

15 Vi a todos os viventes andarem debaixo do sol com o mancebo, o successor que estará no seu logar.

16 Não tem fim todo o povo, todo o que houve antes d’elle; tão pouco os descendentes se alegrarão d’elle. Na verdade que tambem isto é vaidade e afflicção d’espirito.

[1] cap. 3.16 e 5.8.

[2] Job 3.17, etc.

[3] Job 3.11, 16, 21. cap. 6.3.

[4] Pro. 6.10 e 24.33.

[5] Pro. 15.16, 17 e 16.8.

[6] Pro. 27.20. I João 2.16.

Varios conselhos praticos.

5 Guarda [1] o teu pé, quando entrares na casa de Deus; e inclina-te mais a ouvir do que a offerecer sacrificios de tolos, pois não sabem que fazem mal.

2 Não te precipites com a tua bocca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; [2] pelo que sejam poucas as tuas palavras.

3 Porque, da muita occupação vem os sonhos, [3] e a voz do tolo da multidão das palavras.

4 Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpril-o; [4] porque não se agrada de tolos: o que votares, paga-o.

5 Melhor [5] é que não votes do que votes e não pagues.

6 Não consintas que a tua bocca faça peccar a tua carne, nem [6] digas diante do anjo que foi erro: por que causa se iraria Deus contra a tua voz, que destruisse a obra das tuas mãos?

7 Porque, como na multidão dos sonhos ha vaidades, assim o ha nas muitas palavras: [7] mas tu teme a Deus.

8 Se vires em alguma provincia oppressão de pobres, e violencia do juizo e da justiça, não te maravilhes de similhante caso; porque o que mais alto é do que os altos n’isso attenta; e ha mais altos do que elles.

9 O proveito da terra é para todos: até o rei se serve do campo.

10 O que amar o dinheiro nunca se fartará do dinheiro; e quem amar a abundancia nunca se fartará da renda: tambem isto é vaidade.

11 Onde a fazenda se multiplica, ali se multiplicam tambem os que a comem: que mais proveito pois teem os seus donos do que verem-n’a com os seus olhos?

12 Doce é o somno do trabalhador, quer coma pouco quer muito; porém a fartura do rico não o deixa dormir.

13 Ha mal que vi debaixo do sol, [8] e attrahe enfermidades: as riquezas que os seus donos guardam para o seu proprio mal;

14 Porque as mesmas riquezas se perdem com enfadonhas occupações, e gerando algum filho nada lhe fica na sua mão.

15 Como [9] saiu do ventre de sua mãe, assim nú se tornará, indo-se como veiu; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão.

16 Assim que tambem isto é um mal que attrahe enfermidades, que, infallivelmente, como veiu, assim se vae: e que proveito lhe vem de trabalhar para o vento,

17 E de haver comido todos os seus dias nas trevas, e de padecer muito enfado, e enfermidade, e cruel furor?

18 Eis aqui o que eu vi, uma boa e bella coisa: [10] comer e beber, e gozar-se do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol, durante o numero dos dias da sua vida que Deus lhe deu, [11] porque esta é a sua porção.

19 E todo [12] o homem, a quem Deus deu riquezas e fazenda, e lhe deu poder para comer d’ellas, e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho: isto é dom de Deus.

20 Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe responde com alegria do seu coração.

[1] Exo. 3.5.

[2] Pro. 10.19. Mat. 6.7.

[3] Pro. 10.19.

[4] Num. 30.2. Deu. 23.21, 22, 23.

[5] Pro. 20.25. Act. 5.4.

[6] I Cor. 11.10.

[7] cap. 12.13.

[8] cap. 6.1.

[9] Job 1.21. I Tim. 6.7.

[10] cap. 2.24 e 3.12, 13, 22 e 9.7 e 11.9.

[11] cap. 2.10 e 3.22.

[12] cap. 2.24 e 3.13 e 6.2.

É licito gozar os bens que Deus deu, mas estes não podem satisfazer a alma.

6 Ha [1] um mal que tenho visto debaixo do sol, e mui frequente é entre os homens:

2 Um homem a quem Deus deu riquezas, fazenda e honra, [2] e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, [3] e Deus não lhe dá poder para d’ahi comer, antes o estranho lh’o come: tambem isto é vaidade e uma má enfermidade.

3 Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos annos, e os dias dos seus annos forem muitos, porém a sua alma se não fartar do bem, [4] e tambem não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que elle.

4 Porquanto debalde veiu, e ás trevas se vae, e de trevas se encobre o seu nome.

5 E ainda que nunca viu o sol, nem o conheceu, mais descanço tem do que o tal.

6 E, ainda que vivesse duas vezes mil annos e não visse o bem, porventura todos não vão para um mesmo logar?

7 Todo [5] o trabalho do homem é para a sua bocca, e comtudo nunca se enche a sua cubiça.

8 Porque, que mais tem o sabio do que o tolo? e que mais tem o pobre que sabe andar perante os vivos?

9 Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cubiça: tambem isto é vaidade, e afflicção de espirito.

10 Seja qualquer o que fôr, já o seu nome foi nomeado, e sabe-se que é homem, [6] e que não póde contender com o que é mais forte do que elle.

11 Na verdade que ha muitas coisas que multiplicam a vaidade: que mais tem o homem com ellas!

12 Porque quem sabe o que é bom n’esta vida para o homem, durante o numero dos dias da vida da sua vaidade, os quaes gasta como sombra? porque quem declarará ao homem que é o que passará depois d’elle debaixo do sol?

[1] cap. 5.13.

[2] Job 21.10, etc.

[3] Luc. 12.20.

[4] Isa. 14.19, 20. Jer. 22.19. Job 3.16. cap. 4.3.

[5] Pro. 16.26.

[6] Job 9.32. Isa. 45.9. Jer. 49.19.

As vantagens do soffrimento, da paciencia, e da moderação.

7 Melhor é a boa fama do que o melhor unguento, e o dia da morte do que o dia do nascimento d’alguem.

2 Melhor [1] é ir á casa do luto do que ir á casa do banquete, porque n’ella é o fim de todos os homens; e os vivos o applicam ao seu coração.

3 Melhor é o nojo do que o riso, [2] porque com a tristeza do rosto se encommenda o coração.

4 O coração dos sabios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria.

5 Melhor [3] é ouvir a reprehensão do sabio, do que ouvir alguem a canção do tolo.

6 Porque qual o ruido dos espinhos debaixo d’uma panella, tal é o riso do tolo: tambem isto é vaidade.

7 Verdadeiramente que a oppressão faria endoidecer até ao sabio, [4] e a peita corrompe o coração.

8 Melhor é o fim das coisas do que o principio d’ellas: [5] melhor é o longanimo do que o altivo de coração.

9 Não te [6] apresses no teu espirito a irar-te, porque a ira repousa no seio dos tolos.

10 Nunca digas: Porque foram os dias passados melhores do que estes? porque nunca com sabedoria isto perguntarias.

11 Tão boa é a sabedoria como a herança, [7] e d’ella os que vêem o sol tiram proveito.

12 Porque a sabedoria serve de sombra, como de sombra serve o dinheiro; mas a excellencia do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor.

13 Attenta para a obra de Deus; [8] porque quem poderá endireitar o que elle fez torto?

14 No dia da prosperidade goza do bem, [9] mas no dia da adversidade considera; porque tambem Deus fez a este em opposição áquelle, para que o homem nada ache do que haverá depois d’elle.

15 Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: [10] ha um justo que perece na sua justiça, e ha um impio que prolonga os seus dias na sua maldade.

16 Não sejas [11] demasiadamente justo, nem demasiadamente sabio: para que te destruirias a ti mesmo?

17 Não sejas demasiadamente impio, nem sejas demasiadamente louco: para [12] que morrerias fóra de teu tempo?

18 Bom é que retenhas isto, e tambem d’isto não retires a tua mão; porque quem teme a Deus escapa de tudo isto.

19 A sabedoria [13] fortalece ao sabio, mais do que dez governadores que haja na cidade.

20 Na verdade que [14] não ha homem justo sobre a terra, que faça bem, e nunca peque.

21 Tão pouco appliques o teu coração a todas as palavras que se disserem, para que não venhas a ouvir que o teu servo te amaldiçoa.

22 Porque o teu coração tambem já confessou muitas vezes que tambem tu amaldiçoaste a outros.

23 Tudo isto inquiri com sabedoria; e disse: [15] Sabedoria adquirirei; mas ella ainda estava longe de mim.

24 Longe [16] está o que foi; e o profundissimo quem o achará?

25 Eu virei o meu coração para saber, e inquirir, e buscar a sabedoria e a razão, e para saber a impiedade da estulticia e a doidice dos desvarios.

26 E eu achei [17] uma coisa mais amarga do que a morte, a mulher cujo coração são redes e laços, e as suas mãos ataduras: quem fôr bom diante de Deus escapará d’ella, mas o peccador virá a ser preso por ella.

27 Vedes aqui, isto achei, [18] diz o prégador, conferindo uma coisa com a outra para assim achar a razão d’ellas;

28 A qual ainda busca a minha alma, porém ainda não a achei; um homem entre mil achei eu, mas uma mulher entre todas estas não achei.

29 Vedes aqui, que isto tão sómente achei: que Deus fez ao homem recto, porém elles buscaram muitas invenções.

[1] Pro. 15.30 e 22.1.

[2] II Cor. 7.10.

[3] Pro. 13.18 e 15.31, 32.

[4] Exo. 23.8. Deu. 16.19.

[5] Pro. 14.29.

[6] Pro. 14.17 e 16.32. Thi. 1.19.

[7] cap. 11.7.

[8] Job 12.14. cap. 1.15. Isa. 14.27.

[9] cap. 3.4.

[10] cap. 8.14.

[11] Pro. 25.16. Rom. 12.3.

[12] Job 15.32. Pro. 10.27.

[13] Pro. 21.22 e 24.5. cap. 9.16, 18.

[14] I Reis 8.46. II Chr. 6.36. Pro. 20.9. Rom. 3.23. I João 1.8.

[15] Rom. 1.22.

[16] Rom. 11.33.

[17] Pro. 5.3, 4 e 22.14.

[18] cap. 1.1, 2.

A obediencia devida ao rei.

8 Quem é tal como o sabio? e quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem allumia o seu rosto, e a aspereza do seu rosto se muda.

2 Eu digo: [1] Observa o mandamento do rei, porém segundo a palavra do juramento que fizeste a Deus.

3 Não te apresses [2] a sair da presença d’elle, nem persistas em alguma coisa má, porque elle faz tudo o que quer.

4 Onde ha a palavra do rei, ahi está o poder; [3] e quem lhe dirá: Que fazes?

5 Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal; e o coração do sabio saberá o tempo e o modo.

6 Porque para [4] todo o proposito ha seu tempo e seu modo; porquanto o mal do homem é muito sobre elle.

7 Porque não sabe [5] o que ha de succeder: e, quando haja de succeder, quem lh’o dará a entender?

8 Nenhum homem ha que tenha dominio sobre o espirito, para reter o espirito; nem tão pouco tem elle poder [6] sobre o dia da morte: como tambem nem armas n’esta peleja: nem tão pouco a impiedade livrará aos impios.

9 Tudo isto vi quando appliquei o meu coração a toda a obra que se faz debaixo do sol: tempo ha em que um homem tem dominio sobre outro homem, para desgraça sua.

10 Assim tambem vi os impios sepultados, [TB] e os que vinham, e sahiam do logar sancto, que foram esquecidos na cidade em que fizeram bem: tambem isto é vaidade.

O peccador não é logo castigado; o justo vê-se muitas vezes em adversidade.

11 Porquanto [7] logo se não executa o juizo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para obrar o mal.

12 Ainda [8] que o peccador faça mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, comtudo bem sei eu, [9] que bem succede aos que temem a Deus, aos que temerem diante d’elle.

13 Porém ao impio não irá bem, e elle não prolongará os dias; será como a sombra; visto que elle não teme diante de Deus.

14 Ainda ha outra vaidade que se faz sobre a terra: que ha justos a quem succede segundo as obras dos impios, e ha impios a quem succede segundo as obras dos justos. Digo que tambem isto é vaidade.

15 Assim que louvei eu a alegria, porquanto o homem coisa nenhuma melhor tem debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; porque isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da sua vida que Deus lhe dá debaixo do sol.

16 Applicando eu o meu coração a entender a sabedoria, e a ver a occupação que ha sobre a terra; que nem de dia nem de noite vê o homem somno nos seus olhos.

17 Então vi toda a obra de Deus, [10] que o homem não pode alcançar, a obra que se faz debaixo do sol, pela qual trabalha o homem para a buscar, porém não a achará; e, ainda que diga o sabio que a virá a saber, nem por isso a poderá alcançar.

[1] Pro. 4.8, 9. Act. 6.15.

[2] Rom. 13.5. cap. 10.4.

[3] Job 34.18.

[4] cap. 3.1.

[5] Pro. 24.22. cap. 6.12 e 9.12 e 10.14.

[6] Job 14.5.

[7] Isa. 26.10.

[8] Isa. 65.20. Rom. 2.5.

[9] Isa. 3.10, 11. Mat. 25.34, 41.

[10] Job 5.9. cap. 3.11. Rom. 11.33.

As mesmas coisas succedem aos justos e injustos. Gozemos os bens que Deus nos dá.

9 Devéras revolvi todas estas coisas no meu coração, para claramente entender tudo isto: [1] que os justos, e os sabios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, como tambem que não conhece o homem nem o amor nem o odio, por tudo o que passa perante a sua face.

2 Tudo [2] succede a uns, como a todos os outros; o mesmo succede ao justo e ao impio; ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao peccador; ao que jura como ao que teme o juramento.

3 Este mal ha entre tudo quanto se faz debaixo do sol, que a todos succede o mesmo; e que tambem o coração dos filhos dos homens esteja cheio de maldade, e que haja desvarios no seu coração, na sua vida, e depois se vão aos mortos.

4 Porque para o que acompanha com todos os vivos ha esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto).

5 Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco teem elles jámais paga, [3] mas a sua memoria ficou entregue ao esquecimento.

6 Até o seu amor, até o seu odio, e até a sua inveja já pereceu, e já não teem parte alguma n’este seculo, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.

7 Vae, pois, come com alegria o teu pão [4] e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras.

8 Em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o oleo sobre a tua cabeça.

9 Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da vida da tua vaidade, os quaes Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade: porque esta é a tua porção n’esta vida, e no teu trabalho, em que tu trabalhaste debaixo do sol.

10 Tudo quanto te vier á mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vaes, não ha obra, nem industria, nem sciencia, nem sabedoria alguma.

A sabedoria é muitas vezes mais util aos outros do que áquelle que a possue.

11 Volvi-me, [5] e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes a peleja, nem tão pouco dos sabios o pão, nem tão pouco dos prudentes as riquezas, nem tão pouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e o acaso lhes succedem a todos.

12 Que tambem [6] o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, [7] assim se enlaçam tambem os filhos dos homens no mau tempo, quando cae de repente sobre elles.

13 Tambem vi esta sabedoria debaixo do sol, que foi para comigo grande;

14 Houve [8] uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veiu contra ella um grande rei, e a cercou e levantou contra ella grandes tranqueiras:

15 E se achou n’ella um sabio pobre, que livrou aquella cidade pela sua sabedoria, e ninguem se lembrava d’aquelle pobre homem.

16 Então disse eu: [9] Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas.

17 As palavras dos sabios em silencio se devem ouvir, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos.

18 Melhor [10] é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só peccador destroe muitos bens.

[1] cap. 8.14.

[2] Job 21.7, etc. Mal. 3.15.

[3] Job 7.8, 9, 10. Isa. 26.14.

[4] cap. 8.15.

[5] Amós 2.14, 15. Jer. 9.23.

[6] cap. 8.7.

[7] Pro. 29.6. Luc. 12.20, 39 e 17.26, etc. I The. 5.3.

[8] II Sam. 20.16-22.

[9] Pro. 21.22 e 24.5. cap. 7.19. ver. 18. Mar. 6.2, 3.

[10] ver. 16. Jos. 7.1, 11, 12.

A loucura é a causa de muitas desgraças.

10 Assim como a mosca morta faz [TC] exhalar mau cheiro e evaporar o unguento do perfumador, assim o faz ao famoso em sabedoria e em honra uma pouca de estulticia.

2 O coração do sabio está á sua dextra, mas o coração do tolo está á sua esquerda.

3 E, até quando o tolo vae pelo caminho, falta-lhe o seu entendimento [1] e diz a todos que é tolo.

4 Levantando-se contra ti o espirito do governador, [2] não deixes o teu logar, porque [TD] é um remedio que aquieta grandes peccados.

5 Ainda ha um mal que vi debaixo do sol, como o erro que procede de diante do governador.

6 Ao tolo [3] assentam em grandes alturas, mas os ricos estão assentados na baixeza.

7 Vi os servos [4] a cavallo, e os principes que andavam a pé como servos sobre a terra.

8 Quem [5] cavar uma cova, cairá n’ella, e, quem romper um muro, uma cobra o morderá.

9 Quem acarretar pedras, será maltratado por ellas, e o que rachar lenha perigará com ella.

10 Se estiver embotado o ferro, e não se amollar o córte, então se devem pôr mais forças: mas a sabedoria é excellente para dirigir.

11 [TE] Se a cobra [6] morder, não estando encantada, então remedio nenhum se espera do encantador, por mais habil que seja.

12 Nas palavras [7] da bocca do sabio ha favor, porém os labios do tolo o devoram.

13 O principio das palavras da sua bocca é a estulticia, e o fim da sua bocca um desvario pessimo.

14 Bem que [8] o tolo multiplique as palavras, não sabe o homem o que ha de ser; e quem lhe fará saber o que será depois d’elle?

15 O trabalho dos tolos a cada um d’elles fatiga, porque não sabem ir á cidade.

16 Ai de ti, [9] ó terra, cujo rei é criança, e cujos principes comem de manhã.

17 Bemaventurada tu, ó terra, cujo rei é filho dos nobres, [10] e cujos principes comem a tempo, para refazerem as forças, e não para bebedice.

18 Pela muita preguiça se [TF] enfraquece o tecto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa.

19 Para rir se fazem convites, e o vinho alegra a vida, e por tudo o dinheiro responde.

20 Nem [11] ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tão pouco no mais interior da tua recamara amaldiçoes ao rico: porque as aves dos céus levariam a voz, e os que teem azas dariam noticia da palavra.

[1] Pro. 13.16 e 18.2.

[2] cap. 8.3.

[3] Est. 3.1.

[4] Pro. 19.10 e 30.22.

[5] Pro. 26.27.

[6] Jer. 8.17.

[7] Pro. 10.32 e 12.13. Pro. 10.14 e 18.7.

[8] Pro. 15.2. cap. 3.22 e 8.7.

[9] Isa. 3.4, 5, 12 e 5.11.

[10] Pro. 31.4.

[11] Exo. 22.28. Act. 23.5.

Façamos o que é bom no tempo opportuno.

11 Lança o [1] teu pão sobre as aguas, porque depois de muitos dias o acharás.

2 Reparte [2] com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra.

3 Estando as nuvens cheias, vazam a chuva sobre a terra, e caindo a arvore para o sul, ou para o norte, no logar em que a arvore cair ali ficará.

4 Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.

5 Assim como tu não sabes [3] qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher gravida, assim tu não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.

6 Pela manhã semeia a tua semente, e á tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual será recto, se isto, se aquillo, ou se ambas estas coisas egualmente serão boas.

7 Devéras suave é a luz, e agradavel é aos olhos ver o sol.

8 Porém se o homem viver muitos annos, e em todos elles se alegrar, tambem se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos, e tudo quanto succedeu é vaidade.

9 Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e [4] anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos: sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juizo.

10 Afasta pois a ira do teu coração, [5] e remove da tua carne o mal, porque a adolescencia e a juventude são vaidade.

[1] Isa. 32.20. Pro. 19.17. Mat. 10.42. II Cor. 9.8. Gal. 6.9, 10.

[2] Luc. 6.30. I Tim. 6.18, 19. Miq. 5.5. Eph. 5.16.

[3] João 3.8.

[4] cap. 12.14. Rom. 2.6-11.

[5] II Cor. 7.1. II Tim. 2.22.

A mocidade deve preparar-se para a velhice e morte.

12 Lembra-te [1] do teu Creador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os annos dos quaes venhas a dizer: [2] Não tenho n’elles contentamento:

2 Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrellas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva;

3 No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os fortes varões, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janellas;

4 E as duas portas da rua se fecharem por causa do baixo ruido da moedura, e se levantar á voz das aves, [3] e todas as vozes do canto se encurvarem:

5 Como tambem quando temerem os logares altos, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto o carregar, e perecer o appetite, porque o homem se vae á sua [TG] eterna casa, [4] e os pranteadores andarão rodeando pela praça.

6 Antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo d’oiro, e se despedace o cantaro junto á fonte, e se despedace a roda junto ao poço,

7 E o pó voltar [5] á terra, como o era, e o espirito voltar a Deus, que o deu.

8 Vaidade de vaidade, diz o prégador, tudo é vaidade.

9 E, quanto mais o prégador foi sabio, tanto mais sabedoria ao povo ensinou, e attentou, e esquadrinhou, [6] e compoz muitos proverbios.

Todo o dever do homem consiste em temer a Deus e em guardar os seus mandamentos.

10 Procurou o prégador achar palavras agradaveis; e o escripto é a rectidão, palavras de verdade.

11 As palavras dos sabios são como aguilhões, e como pregos, bem affixados pelos mestres das congregações, que nos foram dados pelo unico Pastor.

12 E, de mais d’isto, filho meu, attenta: não ha limite para [TH] fazer livros, e o muito estudar [7] enfado é da carne.

13 De tudo o que se tem ouvido, o fim da coisa é: [8] Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.

14 Porque [9] Deus ha de trazer a juizo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau.

[1] Pro. 22.6. Lam. 3.27.

[2] II Sam. 19.35.

[3] II Sam. 19.35.

[4] Job 17.13. Jer. 9.17.

[5] Gen. 3.19. Job 34.15. cap. 3.21. Job 34.14. Isa. 57.16. Zac. 12.1.

[6] I Reis 4.32.

[7] cap. 1.18.

[8] Deu. 6.2 e 10.12.

[9] cap. 11.9. Mat. 12.36. Act. 17.30, 31. Rom. 2.16 e 14.10, 12. I Cor. 4.5. II Cor. 5.10.

CANTARES DE SALOMÃO.

A esposa anhela pelo seu esposo.

[Antes de Christo 1014]

1 Cantico de canticos, que é de Salomão.

2 Beije-me elle com os beijos da sua bocca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.

3 Para [1] cheirar são bons os teus unguentos, como o unguento derramado o teu nome é; por isso as virgens te amam.

4 Leva-me tu, correremos após ti. O rei me introduziu nas suas recamaras: em ti nos regozijaremos e nos alegraremos: do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho: os rectos te amam.

5 Morena sou, porém aprazivel, ó filhas de Jerusalem, como as tendas de Kedar, como as cortinas de Salomão.

6 Não olheis para o eu ser morena; porque o sol resplandeceu sobre mim: os filhos de minha mãe se indignaram contra mim, pozeram-me por guarda de vinhas; a minha vinha que me pertence não guardei.

7 Dize-me, ó tu, a quem a minha alma ama: Onde apascentas o teu rebanho, onde o recolhes pelo meio-dia: pois por que razão seria eu como a que se cobre ao pé dos rebanhos de teus companheiros?

8 Se tu o não sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sae-te pelas pizadas das ovelhas, e apascenta [TI] as tuas cabras junto ás moradas dos pastores.

9 Ás eguas dos carros de Pharaó te comparo, [2] ó amiga minha.

10 Agradaveis são as tuas [3] faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os collares.

11 Enfeites d’oiro te faremos, com bicos de prata.

12 Emquanto o rei está assentado á sua mesa, dá o meu nardo o seu cheiro.

13 O meu amado é para mim um ramalhete de myrrha, morará entre os meus peitos.

14 Um [TJ] cacho de Chypre nas vinhas d’Engedi é para mim o meu amado.

15 Eis que és formosa, [4] ó amiga minha, eis que és formosa: os teus olhos são como os das pombas.

16 Eis que és gentil e agradavel, ó amado meu; o nosso leito é viçoso.

17 As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cypreste.

[1] Phi. 3.12, 13, 14. João 14.2. Eph. 2.6.

[2] cap. 2.2, 10, 13 e 4.1, 7 e 5.2 e 6.4. João 15.14, 15. II Chr. 1.16, 17.

[3] Eze. 16.11, 12, 13.

[4] cap. 4.1 e 5.12.

2 Eu sou a rosa de Saron, o lyrio dos valles.

2 Qual o lyrio entre os espinhos, tal é a minha amiga entre as filhas.

3 Qual a macieira entre as arvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos: desejo muito a sua sombra, e debaixo d’ella me assento; [1] e o seu fructo é doce ao meu paladar.

4 Levou-me á [TK] sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.

5 Sustentae-me com passas, esforçae-me com maçãs, porque desfalleço d’amor.

6 A [2] sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.

7 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, pelas [TL] corças e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.

8 Esta é a voz do meu amado: eil-o ahi, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros.

9 O meu amado [4] é similhante ao corço, ou ao filho do veado: eis que está detraz da nossa parede, olhando pelas janellas, reluzindo pelas grades.

10 O meu amado responde e me diz: Levanta-te, [5] amiga minha, formosa minha, e vem.

11 Porque eis que passou o inverno: a chuva cessou, e se foi:

12 As flores se mostram na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola se ouve em nossa terra:

13 A figueira brotou os seus figuinhos, e as vides em flor dão o seu cheiro: [6] levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem.

14 Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no occulto das ladeiras, mostra-me a tua face, [7] faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face aprazivel.

15 Tomae-nos [8] as raposas, as raposinhas, que fazem mal ás vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.

16 O meu amado [9] é meu, e eu sou d’elle: elle apascenta o seu rebanho entre os lyrios.

17 Até [10] que sopre o dia, e fujam as sombras, [11] volta, amado meu: faze-te similhante á corça ou ao filho dos veados sobre os montes de Bether.

[1] Apo. 22.1, 2.

[2] cap. 8.3.

[3] cap. 3.5 e 8.4.

[4] ver. 17.

[5] ver. 13.

[6] ver. 10.

[7] cap. 8.13.

[8] Eze. 13.4. Luc. 13.32.

[9] cap. 6.3 e 7.10.

[10] cap. 4.6.

[11] ver. 9. cap. 8.14.

3 De noite [1] busquei em minha cama a quem a minha alma ama: busquei-o, e não o achei.

2 Levantar-me-hei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei a quem ama a minha alma: busquei-o; e não o achei.

3 Acharam-me [2] os guardas, que rondavam pela cidade: eu lhes perguntei: Vistes a quem ama a minha alma?

4 Apartando-me eu um pouco d’elles, logo achei a quem ama a minha alma: agarrei-me a elle, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha mãe, na camara d’aquella que me gerou.

5 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, pelas corças e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o meu amor, até que queira.

O cortejo nupcial. O esposo exprime o seu amor pela esposa.

6 Quem é esta [4] que sobe do deserto, como umas columnas de fumo, perfumada de myrrha, de incenso, e de toda a sorte de pós do especieiro?

7 Eis que é a cama de Salomão; sessenta valentes estão ao redor d’ella, dos valentes d’Israel:

8 Todos armados d’espadas, dextros na guerra: cada um com a sua espada á coxa por causa dos temores nocturnos.

9 O rei Salomão fez para si um [TM] thalamo de madeira do Libano.

10 Fez-lhe as columnas de prata, o estrado d’oiro, o assento de purpura, o interior [TN] coberto com o amor das filhas de Jerusalem.

11 Sahi, ó filhas de Sião, e contemplae ao rei Salomão com a corôa com que o coroou sua mãe no dia do seu desposorio e no dia do jubilo do seu coração.

[1] Isa. 26.9.

[2] cap. 5.7.

[3] cap. 2.7 e 8.4.

[4] cap. 8.5.

4 Eis que [1] és formosa, amiga minha, eis que és formosa: os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças: o teu cabello é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gilead.

2 Os [2] teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e todas ellas produzem gemeos, e nenhuma ha esteril entre ellas.

3 Os teus labios são como um fio d’escarlate, e o teu fallar é doce: [3] a fonte da tua cabeça como um pedaço de romã [TO] entre as tuas tranças.

4 O teu pescoço [4] é como a torre de David, edificada para pendurar armas: mil escudos pendem d’ella, todos rodellas de valorosos.

5 Os teus dois peitos [5] são como dois filhos gemeos da corça, que se apascentam entre os lyrios.

6 Até [6] que sopre o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da myrrha e ao outeiro do incenso.

7 Tu és toda formosa, [7] amiga minha, e em ti não ha mancha.

8 Vem comigo do Libano, ó esposa, comigo do Libano vem: olha desde o cume de Amana, [8] desde o cume de Senir e de Hermon, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos.

9 Tiraste-me o coração, irmã minha, ó esposa: tiraste-me o coração com um dos teus olhos, com um collar do teu pescoço.

10 Que bellos são os teus amores, irmã minha! oh esposa minha! quanto melhores são os teus amores [9] do que o vinho! e o cheiro dos teus unguentos do que o de todas as especiarias!

11 Favos de mel estão manando dos teus labios, [10] ó esposa! mel e leite estão debaixo da tua lingua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Libano.

12 Jardim fechado és tu, irmã minha, esposa minha, manancial fechado, fonte sellada.

13 Os teus renovos são um pomar de romãs, com fructos excellentes, o cypreste com o nardo,

14 O nardo, e o açafrão, o calamo, e a canella, com toda a sorte d’arvores d’incenso, a myrrha e aloes, com todas as principaes especiarias.

15 És a fonte [11] dos jardins, poço das aguas vivas, que correm do Libano!

16 Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul: assopra no meu jardim, para que distillem os seus aromas: ah! se viesse o meu amado para o seu jardim, e comesse os seus fructos excellentes!

[1] cap. 1.15 e 5.12.

[2] cap. 6.6.

[3] cap. 6.7.

[4] cap. 7.4.

[5] Pro. 5.19. cap. 7.3.

[6] cap. 2.17.

[7] Eph. 5.27.

[8] Deu. 3.9.

[9] cap. 1.2.

[10] Pro. 24.13, 14. cap. 5.1. Gen. 27.27. Ose. 14.6, 7.

[11] João 4.10 e 7.38.

A esposa finge indifferença pelo esposo, mas segue-o immediamente, busca-o e reconcilia-se com elle.

5 Já vim para o meu jardim, irmã minha, ó esposa: colhi a minha myrrha com a minha especiaria, [1] comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite: [2] comei, amigos, [TP] bebei, ó amados, e embriagae-vos.

2 Eu estava dormindo, mas o meu coração vigiava: [3] eis a voz do meu amado que estava batendo: abre-me, irmã minha, amiga minha, pomba minha, perfeita minha, porque a minha cabeça está cheia d’orvalho, as minhas guedelhas das gottas da noite;

3 Já despi os meus vestidos; como os tornarei a vestir? já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar?

4 O meu amado metteu a sua mão pelo buraco da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor d’elle.

5 Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos distillavam myrrha, e os meus dedos gottejavam myrrha sobre as aldrabas da fechadura.

6 Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado se tinha retirado, e tinha ido: a minha alma se derreteu quando elle fallou; [4] busquei-o e não o achei, chamei-o, e não me respondeu.

7 Acharam-me os guardas [5] que rondavam pela cidade: espancaram-me, feriram-me, tiraram-me o meu véu os guardas dos muros.

8 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalem, que, se achardes o meu amado, lhe digaes que estou enferma de amor.

9 Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, [6] a mais formosa entre as mulheres? que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuraste?

10 O meu amado é candido e rubicundo; elle traz a bandeira entre dez mil.

11 A sua cabeça é como o oiro mais apurado, as suas guedelhas crespas, pretas como o corvo.

12 Os seus olhos [7] são como os das pombas junto ás correntes das aguas, lavados em leite, postos em engaste.

13 As suas faces são como um canteiro de [TQ] especiaria, como [TR] caixas aromaticas; os seus labios são como lyrios que gottejam myrrha distillante.

14 As suas mãos como anneis d’oiro que teem engastadas as turquezas: o seu [TS] ventre como alvo marfim, coberto de saphiras.

15 As suas pernas como columnas de marmore, fundadas sobre bases de oiro puro; o seu parecer como o Libano, excellente como os cedros.

16 O seu [TT] fallar é muitissimo suave, e todo elle totalmente desejavel. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalem.

[1] cap. 4.16. cap. 4.11.

[2] João 15.14.

[3] Apo. 3.20.

[4] cap. 3.1.

[5] cap. 3.3.

[6] cap. 1.8.

[7] cap. 1.15 e 4.1.

6 Para onde foi o teu amado, [1] ó mais formosa entre as mulheres? para onde virou a vista o teu amado, e o buscaremos comtigo?

2 O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros da especiaria, para se apascentar nos jardins e para colher os lyrios.

3 Eu sou [2] do meu amado, [3] e o meu amado é meu: elle se apascenta entre os lyrios.

4 Formosa és, amiga minha, como Tirza, aprazivel como Jerusalem, formidavel como um exercito com bandeiras.

5 Desvia de mim os teus olhos, porque elles me perturbam. [4] O teu cabello é como o rebanho das cabras que pastam em Gilead.

6 Os teus dentes [5] são como o rebanho d’ovelhas que sobem do lavadouro, e todas produzem gemeos, e não ha esteril entre ellas.

7 Como [6] um pedaço de romã, assim são as tuas faces [TU] entre as tuas tranças.

8 Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem numero.

9 Porém uma é a minha pomba, a minha perfeita, a unica de sua mãe, e a mais querida de aquella que a pariu: vendo-a, as filhas a chamarão bemaventurada, as rainhas e as concubinas a louvarão.

10 Quem é esta que apparece como a alva do dia, formosa como a lua, [7] lustrosa como o sol, formidavel como um exercito com bandeiras?

11 Desci ao jardim das nogueiras, para ver os novos fructos do valle, a ver se floresciam as vides e brotavam as romeiras.

12 Antes de eu o sentir, me poz a minha alma nos carros do meu povo voluntario.

13 Volta, volta, ó Sulamitha, volta, volta, para que nós te vejamos. Porque olhas para a Sulamitha [TV] como para as fileiras de dois exercitos?

[1] cap. 1.8.

[2] cap. 2.16 e 7.10.

[3] cap. 4.1.

[4] cap. 4.2.

[5] cap. 4.3.

[6] ver. 4.

[7] cap. 7.12.

7 Que formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do principe! As voltas de tuas coxas são como joias, segundo a obra de mãos d’artifice.

2 O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como montão de trigo, sitiado de lyrios.

3 Os teus dois peitos [1] como dois filhos gemeos da corça.

4 O teu pescoço [2] como a torre de marfim: os teus olhos como os viveiros de Hesbon, junto á porta de Bath-arabbim: o teu nariz como torre do Libano, que olha para Damasco.

5 A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabellos da tua cabeça como a purpura: o rei está atado [TW] ás varandas.

6 Quão formosa, e quão aprazivel és, ó amor em delicias!

7 Esta tua estatura é similhante á palmeira; e os teus peitos são similhantes aos cachos d’uvas.

8 Dizia eu: Subirei á palmeira, pegarei de seus ramos; e então os teus peitos serão como os cachos na vide, e o cheiro dos teus narizes como os das maçãs.

9 E o teu paladar como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e faz com que fallem os labios dos que dormem.

10 Eu sou [3] do meu amado, e elle me tem affeição.

11 Vem, ó amado meu, saiamos nós ao campo, passemos as noites nas aldeias.

12 Levantemo-nos de manhã para ir ás vinhas, [4] vejamos se florescem as vides, se se abre a flor, se já brotam as romeiras; ali te darei o meu grande amor.

13 As mandragoras [5] dão cheiro, e ás nossas portas ha toda a sorte d’excellentes fructos, novos e velhos: ó amado meu, eu os guardei para ti.

[1] cap. 4.5.

[2] cap. 4.4.

[3] cap. 2.16 e 6.2.

[4] cap. 6.11.

[5] Gen. 30.14. Mat. 13.52.

8 Ah! quem me dera que me fôras como irmão, e mamáras os peitos de minha mãe! que te achara na rua, e te beijára, e nem me desprezariam!

2 Te levaria e introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; [1] e te daria a beber vinho aromatico e do mosto das minhas romãs.

3 A sua mão esquerda [2] esteja debaixo da minha cabeça, e a sua direita me abrace.

4 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.

O amor inalteravel do esposo para com a esposa.

5 Quem [4] é esta que sobe do deserto, e vem encostada tão aprazivelmente ao seu amado? Debaixo d’uma macieira te despertei, ali te produziu tua mãe com dores; ali te produziu com dores aquella que te pariu.

6 Põe-me [5] como sello sobre o teu coração, como sello sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciume: as suas brazas são brazas de fogo, labaredas do Senhor.

7 As muitas aguas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogal-o: ainda que desse alguem toda a fazenda de sua casa por este amor, certamente a desprezariam.

8 Temos uma irmã pequena, que ainda não tem peitos: que faremos a esta nossa irmã, no dia em que d’ella se fallar?

9 Se ella fôr um muro, edificaremos sobre ella um palacio de prata; e, se ella fôr uma porta, a cercaremos com taboas de cedro.

10 Eu sou um muro, e os meus peitos são como umas torres: então eu era aos seus olhos como aquella que acha paz.

11 Teve [6] Salomão uma vinha em Baal-hamon; entregou esta vinha a uns guardas; e cada um lhe trazia pelo seu fructo mil peças de prata.

12 A minha vinha que tenho está diante de mim: as mil peças de prata são para ti, ó Salomão, e duzentas para os guardas do seu fructo.

13 Ó tu, a que habitas nos jardins, para a tua voz os companheiros attentam; [7] faze-m’a pois tambem ouvir.

14 Vem depressa, [8] amado meu, e faze-te similhante ao corço ou ao filho dos veados sobre os montes dos aromas.

[1] Pro. 9.2.

[2] cap. 2.6.

[3] cap. 2.7 e 3.5.

[4] cap. 3.6.

[5] Agg. 2.23.

[6] Mat. 21.33.

[7] cap. 2.14.

[8] cap. 2.17.

ISAIAS.

Descripção dos peccados e dos soffrimentos do povo, com exhortações e ameaças.

[Antes de Christo 760]

1 Visão [1] d’Isaias, filho d’Amós, a qual viu sobre Judah e Jerusalem, nos dias d’Uzias, Jothão, Achaz, e Ezequias, reis de Judah.

2 Ouvi, [2] ó céus, e presta ouvido, tu ó terra; porque falla o Senhor: Criei filhos, e exalcei-os; mas elles prevaricaram contra mim.

3 O boi conhece [3] o seu possuidor, e o jumento a mangedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.

4 Ai da nação peccadora, do povo carregado d’iniquidade, da semente de malignos, [4] dos filhos corruptores: deixaram ao Senhor, blasphemaram o Sancto d’Israel, tornaram-se para traz.

5 Porque [5] ainda mais serieis castigados? ainda tanto mais vos rebellarieis: toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco.

6 Desde a planta do pé até á cabeça não ha n’elle coisa inteira, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, [6] nem vendadas, nem nenhuma d’ellas amollecida com oleo.

7 A vossa terra é uma assolação, [7] as vossas cidades estão abrazadas do fogo: a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença; e é uma assolação, como a subversão por estranhos.

8 E a filha de Sião se ficou como a cabana na vinha, [8] como a choupana no pepinal, como a cidade cercada.

9 Se o [9] Senhor dos Exercitos nos não deixara algum pouco de resto, [10] já como Sodoma seriamos, e similhantes a Gomorrha.

10 Ouvi a palavra do Senhor, vós [TX] [11] principes de Sodoma: prestae ouvidos á lei do nosso Deus, vós, ó povo de Gomorrha.

11 De que me serve a mim a multidão de vossos [12] sacrificios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura d’animaes cevados: nem folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.

12 Quando [13] vindes a apparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viesseis a pisar os meus atrios?

13 Não me tragaes [14] mais offertas debalde: o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sabbados, e a convocação das congregações; não posso supportar iniquidade, nem mesmo o ajuntamento solemne.

14 As vossas luas novas, [15] e as vossas solemnidades as aborrece a minha alma; já me são pesadas: já estou cançado de as soffrer.

15 Pelo que, quando estendeis [16] as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; [17] e até quando multiplicaes a oração não ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.

16 Lavae-vos, [18] purificae-vos, tirae a maldade de vossos actos de diante dos meus olhos: cessae de fazer mal:

17 Aprendei a fazer bem; [19] procurae o juizo; ajudae o oppresso; fazei justiça ao orphão; tratae da causa das viuvas.

18 Vinde agora, e argui-me, [20] diz o Senhor: ainda que os vossos peccados sejam como a escarlata, elles se tornarão brancos como a neve: ainda que sejam vermelhos como o carmezim, se tornarão como a branca lã.

19 Se quizerdes, e ouvirdes, comereis o bem d’esta terra.

20 Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados á espada; [21] porque a bocca do Senhor o disse.

21 Como [22] se fez prostituta a cidade fiel! ella que estava cheia de juizo, justiça habitava n’ella, mas agora homicidas.

22 A tua prata [23] se tornou em escorias, o teu vinho se misturou com agua.

23 Os teus principes [24] são rebeldes, e companheiros dos ladrões: cada um d’elles ama as peitas, e correm após salarios: não fazem justiça ao orphão, e não chega perante elles a causa das viuvas.

24 Porquanto diz o Senhor Deus dos Exercitos, o Forte de Israel: [25] Ah, consolar-me-hei ácerca dos meus adversarios, e vingar-me-hei dos meus inimigos:

25 E tornarei contra a minha mão, [26] e purificarei [TY] inteiramente as tuas escorias; e tirar-te-hei todo o teu estanho.

26 E te restituirei os teus juizes, [27] como foram d’antes; e os teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel.

27 Sião será remida com juizo, e os que voltam para ella com justiça.

28 Mas para os transgressores [28] e os peccadores haverá juntamente [TZ] destruição; e os que deixarem o Senhor serão consumidos.

29 Porque vos envergonhareis pelos carvalhos que cubiçastes, e sereis confundidos [29] pelos jardins que escolhestes.

30 Porque sereis como o carvalho, ao qual caem as folhas, e como a floresta que não tem agua.

31 E o forte se [30] tornará em estopa, e a sua obra em faisca; e ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague.

[1] Num. 12.6.

[2] Deu. 32.1. Jer. 2.12 e 6.19 e 22.29. Eze. 36.4. Miq. 1.2 e 6.1, 2.

[3] Jer. 8.7. Jer. 9.3, 6.

[4] cap. 57.3, 4. Mat. 3.7.

[5] cap. 9.13. Jer. 2.30 e 5.3.

[6] Jer. 8.22.

[7] Deu. 28.51, 52.

[8] Job 27.18. Lam. 2.6. Jer. 4.17.

[9] Lam. 3.22. Rom. 9.29.

[10] Gen. 19.24.

[11] Deu. 32.32.

[12] I Sam. 15.22. Pro. 21.27. cap. 66.3. Jer. 6.20 e 7.21. Amós 5.21, 22. Miq. 6.7.

[13] Exo. 23.17 e 34.23.

[14] Mat. 15.9. Joel 1.14.

[15] Num. 28.11. Lev. 23.2, etc. cap. 43.24.

[16] Job 27.9. cap. 59.2. Jer. 14.12. Miq. 3.4.

[17] I Tim. 2.8. cap. 59.3.

[18] Jer. 4.14. Amós 5.15. Rom. 12.9. I Ped. 3.11.

[19] Jer. 22.3, 16. Miq. 6.8. Zac. 7.9.

[20] cap. 43.26. Miq. 6.2. Apo. 7.14.

[21] Num. 23.19. Tito 1.2.

[22] Jer. 2.20, 21.

[23] Jer. 6.28, 30. Eze. 22.18, 19.

[24] Ose. 9.15. Pro. 29.24. Jer. 22.17. Eze. 22.12. Ose. 4.18. Miq. 3.11 e 7.3. Jer. 5.28. Zac. 7.10.

[25] Deu. 28.63. Eze. 5.13.

[26] Jer. 6.29 e 9.7. Mal. 3.3.

[27] Jer. 33.7. Zac. 8.3.

[28] Job 31.3.

[29] cap. 57.5. cap. 65.3 e 66.17.

[30] Eze. 32.21. cap. 43.17.

A gloria futura do verdadeiro Israel. Juizos preparatorios. O dia do Senhor. A purificação de Jerusalem.

2 [UA] Visão que viu Isaias, filho de Amós, no tocante a Judah e a Jerusalem:

2 E acontecerá no ultimo dos dias que [1] se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros: e concorrerão a elle todas as nações.

3 E irão muitos povos, e dirão: Vinde, [2] subamos ao monte do Senhor, á casa do Deus de Jacob, para que nos ensine ácerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; [3] porque de Sião sairá a [UB] lei, e de Jerusalem a palavra do Senhor.

4 E julgará entre as gentes, e reprehenderá a muitos povos; [4] e converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices: não alçará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear.

5 Vinde, ó casa de Jacob: [5] e andemos na luz do Senhor.

6 Porém tu desamparaste ao teu povo, a casa de Jacob; [6] porque se encheram [UC] d’impiedade mais do que os do oriente e são agoureiros como os philisteos; e [UD] mostram o seu contentamento nos filhos dos estranhos.

7 E a sua terra está [7] cheia de prata e oiro, e não ha fim de seus thesouros: tambem está cheia a sua terra de cavallos, e dos seus carros não ha fim.

8 Tambem está cheia [8] a sua terra de idolos: inclinaram-se perante a obra das suas mãos, perante o que fabricaram os seus dedos.

9 Ali o povo se abate, e os nobres se humilham: portanto lhes não perdoarás.

10 Vae, entra nas [9] rochas, e esconde-te no pó, da presença espantosa do Senhor e da gloria da sua magestade.

11 Os olhos altivos [10] dos homens serão abatidos, e a altivez dos varões será humilhada: [11] e só o Senhor será exaltado n’aquelle dia.

12 Porque o dia do Senhor dos Exercitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o exalçado, para que seja abatido;

13 E contra todos [12] os cedros do Libano, altos e sublimes, e contra todos os carvalhos de Basan;

14 E contra todos [13] os montes altos, e contra todos os outeiros levantados;

15 E contra toda a torre alta, e contra todo o muro firme;

16 E contra [14] todos os navios de Tarsis, e contra todas as [UE] pinturas desejaveis.

17 E a altivez [15] do homem será humilhada, e a altivez dos varões se abaterá, e só o Senhor será exaltado n’aquelle dia.

18 E todos os idolos totalmente perecerão.

19 Então metter-se-hão pelas cavernas das rochas, [16] e pelas concavidades da terra, por causa da presença espantosa do Senhor, e por causa da gloria da sua magestade, quando elle se levantar para espantar a terra.

20 N’aquelle [17] dia o homem lançará ás toupeiras e aos morcegos os seus idolos de prata, e os seus idolos d’oiro, que se fizeram para se prostrarem diante d’elles.

21 E metter-se-hão [18] pelas fendas das rochas, e pelas cavernas das penhas, por causa da presença espantosa do Senhor, e por causa da gloria da sua magestade, quando elle se levantar para espantar a terra.

22 Pelo que deixae-vos do homem cujo folego está no seu nariz; porque em que se deve elle estimar?

[1] Miq. 4.1, etc. Gen. 49.1. Jer. 23.20.

[2] Jer. 31.6 e 50.5. Zac. 8.21, 23.

[3] Luc. 24.47.

[4] Ose. 2.18. Zac. 9.10.

[5] Eph. 5.8.

[6] Deu. 18.14.

[7] Deu. 17.16, 17.

[8] Jer. 2.28.

[9] ver. 19, 21. Apo. 6.15.

[10] ver. 17. cap. 5.15, 16 e 13.11.

[11] cap. 4.1 e 11.10, 11 e 12.1, 4 e 24.21 e 25.9 e 26.1 e 27.1, 2, 12, 13 e 28.5 e 29.18 e 30.23 e 52.6. Jer. 30.7, 8. Eze. 38.14, 19 e 39.11, 22. Ose. 2.16, 18, 21. Joel 3.18. Amós 9.11. Abd. 8. Miq. 4.6 e 5.10 e 7.11, 12. Sof. 3.11, 16. Zac. 9.16.

[12] cap. 14.8 e 37.24. Eze. 31.3. Zac. 11.1, 2.

[13] cap. 30.25.

[14] I Reis 10.22.

[15] ver. 11.

[16] ver. 10. II The. 1.9.

[17] cap. 30.32 e 31.7.

[18] ver. 19.

3 Porque, eis que o Senhor Deus dos Exercitos [1] tirará de Jerusalem e de Judah o bordão e o cajado: a todo o [UF] sustento de pão, e a toda a borda d’agua;

2 Ao valente, [2] e ao soldado, ao juiz, e ao propheta, e ao adivinho, e ao ancião,

3 Ao capitão de cincoenta, e ao respeitavel, e ao conselheiro, e ao sabio entre os artifices, e ao eloquente.

4 E dar-lhes-hei mancebos [3] por principes, e creanças dominarão sobre elles.

5 E o povo será opprimido; um será contra o outro, e cada um contra o seu proximo: o menino se atreverá contra o ancião, e o vil contra o nobre.

6 Quando algum travar de seu irmão da casa de seu pae, dizendo: Capa tens, sê nosso principe, e toma sob a tua mão esta ruina;

7 Então levantará a sua voz n’aquelle dia, dizendo: Não posso ser medico, nem tão pouco ha em minha casa pão, nem vestido algum: não me ponhaes por principe do povo.

8 Porque tropeçou Jerusalem, [4] e Judah é caido; porquanto a sua lingua e as suas obras são contra o Senhor, para irritarem os olhos da sua gloria.

9 A apparencia das suas faces testifica contra elles; [5] e publicam os seus peccados como Sodoma; não os dissimulam: ai da sua alma! porque se fazem mal a si mesmos.

10 Dizem ao justo [6] que bem lhe irá; que comerão do fructo das suas obras.

11 Ai do impio! mal lhe irá: porque o galardão das suas mãos se lhe dará.

12 Os exactores do meu [7] povo são creanças, e mulheres dominam sobre elle: ah, povo meu! os que te guiam te enganam, e devoram o caminho das tuas veredas.

13 O Senhor se apresenta a pleitear, [8] e se põe a julgar os povos.

14 O Senhor vem em juizo contra os anciãos do seu povo, e contra os seus principes; porque vós consumistes esta vinha, [9] o despojo do afflicto está em vossas casas.

15 Que tendes vós, [10] que atropellaes o meu povo e moeis as faces dos afflictos? diz o Senhor, o Deus dos Exercitos.

16 Diz ainda mais o Senhor: Porquanto as filhas de Sião se exalçam, e andam com o pescoço emproado, fazendo acenos com os olhos, e, indo andando, andam como dançando, e [UG] cascavelando com os pés:

17 Portanto o Senhor fará [UH] calva a mioleira das filhas de Sião, e o Senhor descobrirá as suas vergonhas.

18 N’aquelle dia tirará o Senhor o enfeite [11] das ligas, e as redezinhas, e as luetas,

19 Os pendentes, e as manilhas, e os vestidos resplandecentes,

20 Os diademas, e os enfeites dos braços, e os cendaes, e as bocetas cheirosas, e as arrecadas,

21 Os anneis, e as joias pendentes do nariz,

22 Os vestidos de festa, e os mantos, e as coifas, e os alfinetes,

23 Os espelhos, e as capinhas de linho finissimas, e as toucas, e os véus.

24 E será que em logar de cheiro suave haverá fedor; e por cinto uma corda; [12] e em logar d’encrespadura de cabellos, calva; e em logar de veste larga, cingimento de sacco; e queimadura em logar de formosura.

25 Teus varões cairão á espada, e teus valentes na peleja.

26 E as suas portas [13] gemerão e prantearão; e ella, ficando desolada, se assentará no chão.

[1] Jer. 38.9. Lev. 26.26.

[2] II Reis 24.14.

[3] Ecc. 10.16.

[4] Miq. 3.12.

[5] Gen. 13.13 e 18.20, 21.

[6] Ecc. 8.12.

[7] ver. 4. cap. 9.16.

[8] Miq. 6.2.

[9] cap. 5.7. Mat. 21.33.

[10] Miq. 3.2, 3.

[11] Jui. 8.21.

[12] cap. 22.12. Miq. 1.16.

[13] Jer. 14.2. Lam. 1.4 e 2.10.

4 E sete mulheres n’aquelle [1] dia lançarão mão d’um homem, dizendo: Nós comeremos do nosso pão, e nos vestiremos de nossos vestidos: tão sómente que sejamos chamadas pelo teu nome; [2] tira o nosso opprobrio.

2 N’aquelle dia [3] o Renovo do Senhor será [UI] um ornamento e uma gloria; e o fructo da terra excellente e formoso para os que escaparem d’Israel.

3 E será que aquelle que ficar de resto em Sião, e o que ficar em Jerusalem, [4] será chamado sancto: todo aquelle que em Jerusalem está escripto para vida;

4 Quando [5] o Senhor lavar a immundicia das filhas de Sião, e limpar o sangue de Jerusalem do meio d’ella, com o espirito de juizo, e com o espirito de ardor.

5 E creará o Senhor sobre toda a habitação do monte de Sião, e sobre as suas congregações, [6] uma nuvem de dia, e um fumo, e um resplandor de fogo chammejante de noite; porque sobre toda a gloria haverá protecção.

6 E haverá um tabernaculo para sombra com o calor do dia: [7] e para refugio e esconderijo contra o alagamento e contra a chuva.

[1] cap. 2.11, 17. II The. 3.12.

[2] Luc. 1.25.

[3] Jer. 23.5.

[4] Apo. 3.5.

[5] Mal. 3.2, 3.

[6] Exo. 13.21. Zac. 2.5.

[7] cap. 25.4.

A parabola da vinha, e a sua applicação.

5 Agora cantarei ao meu amado o cantico do meu bem querido da sua [1] vinha. O meu amado tem uma vinha n’um outeiro fertil.

2 E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou d’excellentes vides; e edificou no meio d’ella uma torre, e tambem fundou n’ella um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas.

3 Agora pois, ó moradores de Jerusalem, e homens de Judah, [2] julgae, vos peço, entre mim e a minha vinha.

4 Que mais se podia fazer á minha vinha, que eu lhe não tenha feito? como, esperando eu que desse uvas boas, veiu a dar uvas bravas?

5 Agora pois vos farei saber o que eu hei de fazer á minha vinha: tirarei a sua cerca, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada;

6 E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão n’ella sarças e espinheiros; e ás nuvens darei ordem que não chovam chuva sobre ella.

7 Porque a vinha do Senhor dos Exercitos é a casa d’Israel, e os homens de Judah são a planta das suas delicias: e esperou que fizesse juizo, e eis aqui é [UJ] oppressão; justiça, e eis aqui clamor.

8 Ai dos que ajuntam [3] casa a casa, achegam herdade a herdade, até que não haja mais logar, e só vós fiqueis os moradores no meio da terra!

9 Nos meus ouvidos [4] estão estas coisas, disse o Senhor dos Exercitos: em verdade que muitas casas se tornarão em deserto, as grandes e excellentes sem moradores.

10 E dez geiras de vinha não darão mais do que um [UK] batho: e um homer de semente não dará mais do que um efa.

11 Ai [5] dos que se levantam pela manhã, e seguiram a bebedice; e se deteem ali até á noite, até que o vinho os esquenta!

12 E harpas [6] e alaudes, tamboris e gaitas, e vinho ha nos seus banquetes; e não olham para a obra do Senhor, nem consideram as obras das suas mãos.

13 Portanto [7] o meu povo será levado captivo, porque não tem entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se seccará de sêde.

14 Portanto a sepultura grandemente se alargou, e se abriu a sua bocca desmesuradamente; e a gloria d’elles, e a sua multidão, com o seu arruido, e com os que galhofam a ella desceram.

15 Então o plebeu se abaterá, [8] e o nobre se humilhará; e os olhos dos altivos se humilharão.

16 Porém o Senhor dos Exercitos será exaltado com juizo; e Deus, o Sancto, será sanctificado com justiça.

17 Então os cordeiros pastarão como de costume, e os estranhos comerão dos logares assolados dos gordos.

18 Ai dos que puxam pela iniquidade com cordas de vaidade, e pelo peccado como com cordagens de carros!

19 E dizem: [9] Avie-se já com isso, e acabe a sua obra, para que já a vejamos; e achegue-se e venha já o conselho do Sancto de Israel, para que o venhamos a saber.

20 Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal: que fazem das escuridades luz, e da luz escuridades; e fazem do amargoso doce, e do doce amargoso!

21 Ai dos que são sabios [10] a seus proprios olhos, e prudentes em si mesmos!

22 Ai [11] dos que são poderosos para beber vinho, e varões fortes para misturar bebida forte:

23 Dos que justificam [12] ao impio por peitas, e da justiça dos justos se desviam!

24 Pelo [13] que como a lingua do fogo consome a estopa, e a palha se desfaz [14] pela chamma, assim será a sua raiz como podridão, e a sua flor se esvaecerá como pó: porquanto rejeitaram a lei do Senhor dos Exercitos, e desprezaram a palavra do Sancto de Israel.

25 Pelo [15] que se accendeu a ira do Senhor contra o seu povo, e estendeu a sua mão contra elle, e o feriu, [16] de modo que as montanhas tremeram, e os seus cadaveres foram como immundicia pelo meio das ruas: com tudo isto não tornou atraz a sua ira, antes ainda está alçada a sua mão.

26 Porque arvorará [17] o estandarte entre as nações de longe, e lhes assobiará a que venham desde a extremidade da terra: e eis que virão apressurada e ligeiramente.

27 Não haverá entre elles cançado, nem tropeçante; ninguem tosquenejará nem dormirá: nem se lhe desatará o cinto dos seus lombos, nem se lhe quebrará a correia dos seus sapatos.

28 As [18] suas frechas serão agudas, e todos os seus arcos entezados: as unhas dos seus cavallos serão tidas na conta de [UL] penha, e as rodas dos seus carros como redemoinho de vento.

29 O seu bramido será como o do leão: bramarão como filhos de leão, e rugirão, e arrebatarão a preza, e a levarão, e redemptor não haverá.

30 E bramarão contra elles n’aquelle dia, como o bramido do mar: [19] então olharão para a terra, e eis aqui trevas e ancia, e a luz se escurecerá em suas assolações.

[1] Jer. 2.21. Mat. 21.33. Mar. 12.1. Luc. 20.9.

[2] Rom. 3.4.

[3] Miq. 3.2.

[4] cap. 22.14.

[5] Pro. 23.29, 30. Ecc. 10.16. ver. 22.

[6] Amós 6.5, 6.

[7] Ose. 4.6. cap. 1.3.

[8] cap. 2.9, 11, 17.

[9] Jer. 17.15. II Ped. 3.3, 4.

[10] Pro. 3.7. Rom. 1.22 e 12.16.

[11] ver. 11.

[12] Pro. 17.15 e 24.24.

[13] Exo. 15.7.

[14] Job 18.16. Ose. 9.16. Amós 2.9.

[15] II Reis 22.13, 17.

[16] Jer. 4.14. Lev. 26.14, etc. cap. 9.12, 17, 21 e 10.4.

[17] cap. 11.12. cap. 7.18. Joel 2.7.

[18] Jer. 5.16.

[19] cap. 8.22. Jer. 4.23. Lam. 3.2. Eze. 32.7, 8.

Isaias é escolhido e consagrado para propheta.

6 No anno em que morreu o rei [1] Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime throno; e as suas [UM] fraldas enchiam o templo.

2 Seraphins estavam por cima d’elle: cada um tinha seis azas: [2] com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés e com duas voavam.

3 E clamavam uns aos outros, dizendo: Sancto, Sancto, Sancto é o Senhor dos Exercitos: toda a terra está cheia da sua gloria.

4 E os umbraes das portas se moveram com a voz do que clamava, [3] e a casa se encheu de fumo.

5 Então disse eu: [4] Ai de mim! que vou perecendo, porquanto sou de labios immundos, e habito no meio d’um povo immundo de labios, porque os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exercitos.

6 Porém um dos seraphins voou para mim, trazendo na sua mão uma braza viva, [5] que tomara do altar com uma tenaz;

7 E com ella [6] tocou a minha bocca, e disse: Eis que isto tocou os teus labios: assim já se tirou de ti a tua culpa, e já está expiado o teu peccado.

8 Depois d’isto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem ha e ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.

9 Então disse elle: Vae, e dize a este povo: [7] Ouvi, de facto, e não entendeis, e vede, em verdade, mas não percebeis.

10 Engorda [8] o coração d’este povo, e aggrava-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta, e elle o venha a sarar.

11 Então disse eu: Até quando, Senhor? E respondeu: [9] Até que se assolem as cidades, e não fique morador algum, nem homem algum nas casas, e a terra seja assolada de todo.

12 E [10] o Senhor alongue d’ella aos homens, e no meio da terra seja grande o desamparo.

13 Porém ainda a decima parte ficará n’ella, e tornará a ser pastada: e como no carvalho, e como na azinheira, em que depois de se desfolharem, ainda fica firmeza, [11] assim a sancta semente será a firmeza d’ella.

[1] II Reis 15.7. I Reis 22.19. Apo. 4.2.

[2] Eze. 1.11.

[3] I Reis 8.10.

[4] Jui. 6.22 e 13.22. Jer. 1.6.

[5] Apo. 8.3.

[6] Jer. 1.9. Dan. 10.16.

[7] cap. 43.8. Mat. 13.14. Mar. 4.12. Luc. 8.10. João 12.40. Act. 28.26. Rom. 11.8.

[8] cap. 63.17. Jer. 5.21.

[9] Miq. 3.12.

[10] II Reis 25.21.

[11] Esd. 9.2. Mal. 2.15.

Prophecias contra Israel e Syria. Manassés contra Judah.

[Antes de Christo 742]

7 Succedeu pois nos dias [1] de Achaz, filho de Jothão, filho d’Uzias, rei de Judah, que Resin, rei da Syria, e Peka, filho de Remalias, rei d’Israel, subiram a Jerusalem, para pelejar contra ella, porém, pelejando, nada poderam contra ella.

2 E deram aviso á casa de David, dizendo: A Syria repousa sobre Ephraim. Então se commoveu o seu coração, e o coração do seu povo, como se commovem as arvores do bosque com o vento.

3 Então disse o Senhor a Isaias: [2] Agora tu e teu filho Sear-jasub sahi ao encontro de Achaz, ao fim do canal do viveiro superior, ao caminho do campo do lavandeiro.

4 E dize-lhe: Guarda-te, e está descançado, não temas, nem se desanime o teu coração por causa d’estes dois rabos de tições fumegantes, por causa do ardor da ira de Resin, e da Syria, e do filho de Remalias.

5 Porquanto a Syria teve contra ti maligno conselho, com Ephraim, e com o filho de Remalias, dizendo:

6 Vamos subir contra Judah, e despertemol-o, e repartamol-o entre nós, e façamos reinar no meio d’elle como rei o filho de Tabeal.

7 Assim diz o Senhor Deus: [3] Isto não subsistirá, nem tão pouco acontecerá.

8 Porém o cabeça da Syria será Damasco, e o cabeça de Damasco Resin: e dentro de sessenta e cinco annos Ephraim será quebrantado, e deixará de ser povo.

9 Entretanto o cabeça de Ephraim será Samaria, e o cabeça de Samaria o filho de Remalias: [4] se o não crerdes, devéras não ficareis firmes.

10 E continuou o Senhor a fallar com Achaz, dizendo:

11 Pede [5] para ti ao Senhor teu Deus um signal; pede-o ou em baixo nas profundezas ou em cima nas alturas.

12 Porém disse Achaz: Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor.

13 Então disse: Ouvi agora, ó casa de David: Pouco vos é afadigardes os homens, senão que ainda afadigareis tambem ao meu Deus?

14 Portanto o mesmo Senhor vos dará um signal: [6] Eis que a virgem conceberá, e parirá um filho, e chamará o seu nome [UN] EMMANUEL.

15 Manteiga e mel comerá, até que elle saiba rejeitar o mal e escolher o bem.

16 Na verdade, [7] antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra de que te enfadas será desamparada dos seus dois reis.

17 Porém o Senhor [8] fará vir sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre a casa de teu pae, dias taes, quaes nunca vieram, desde o dia em que Ephraim se desviou de Judah, pelo rei d’Assyria.

18 Porque ha de acontecer que n’aquelle dia assobiará [9] o Senhor ás moscas, que ha no extremo dos rios do Egypto, e ás abelhas que andam na terra da Assyria;

19 E virão, e pousarão todas nos valles desertos e nas fendas [10] das penhas, e em todos os espinhos e em todas as florestas.

20 N’aquelle dia rapará o Senhor com uma navalha [11] alugada, que está d’além do rio, com o rei da Assyria, a cabeça e os cabellos dos pés: e até a barba totalmente tirará.

21 E succederá n’aquelle dia que alguem creará uma vacca e duas ovelhas:

22 E acontecerá que por causa da abundancia do leite que lhe derem comerá manteiga; e manteiga e mel comerá todo aquelle que ficar de resto no meio da terra.

23 Succederá tambem n’aquelle dia que todo o logar, em que houver mil vides, do valor de mil moedas de prata, [12] será para as sarças e para os espinheiros.

24 Com arco e frechas se entrará n’elle, porque toda a terra será sarças e espinheiros.

25 E tambem todos os montes, que costumam cavar com enxadas, se não irá a elles por causa do temor das sarças e dos espinheiros, porém servirão para enviarem ali bois e serem pisados do gado miudo.

[1] II Reis 16.5. II Chr. 28.5, 6.

[2] II Reis 18.17. cap. 36.2.

[3] Pro. 21.30. cap. 8.10.

[4] II Chr. 20.20.

[5] Mat. 12.38.

[6] Mat. 1.23. Luc. 1.31, 34. cap. 9.6. cap. 8.8.

[7] cap. 8.4.

[8] II Chr. 28.19.

[9] cap. 5.26.

[10] cap. 2.19. Jer. 16.16.

[11] II Reis 16.7, 8. II Chr. 28.20, 21. Eze. 5.1.

[12] cap. 5.6.

A ruina dos reinos de Israel e Syria.

[Antes de Christo 740]

8 Disse-me tambem o Senhor: Toma um grande volume, [1] e escreve n’elle em estylo de homem: [UO] Apressando-se ao despojo, apressurou-se á preza.

2 Então tomei comigo fieis testemunhas, [2] a Urias sacerdote, e a Zacharias, filho de Jeberechias,

3 E cheguei-me á prophetiza, a qual concebeu, e pariu um filho; e o Senhor me disse: Chama o seu nome Maher-shalal-hash-baz.

4 Porque [3] antes que o menino saiba chamar pae meu, ou mãe minha, se levarão as riquezas de Damasco, e os despojos de Samaria, diante do rei da Assyria.

5 E continuou o Senhor a fallar ainda comigo, dizendo:

6 Porquanto este povo desprezou as aguas de [4] Siloé que correm brandamente, e com Resin e com o filho de Remalias se alegrou:

7 Portanto eis que o Senhor fará subir sobre elles as aguas do rio, fortes e impetuosas, ao rei da Assyria, com toda a sua gloria, e subirá acima sobre todos os seus leitos, e trasbordará por todas as suas ribanceiras.

8 E passará a Judah, inundando-a, e irá passando por elle [5] e chegará até ao pescoço: e a extensão de suas azas encherá a largura da tua terra, ó Emmanuel.

9 Ajuntae-vos [6] em companhia, ó povos, e quebrantae-vos; e dae ouvidos, todos os que sois de longes terras, cingi-vos e sêde feitos em pedaços, cingi-vos e sêde feitos em pedaços.

10 Tomae [7] juntamente conselho, e será dissipado: dizei a palavra, porém não subsistirá, porque Deus é comnosco.

11 Porque assim me disse o Senhor com mão forte, e me ensinou que não andasse pelo caminho d’este povo, dizendo:

12 Não [8] chameis conjuração, a tudo quanto este povo chama conjuração: e não temaes o seu temor, nem tão pouco vos assombreis.

13 Ao [9] Senhor dos Exercitos, a elle sanctificae: e [10] seja elle o vosso temor e seja elle o vosso assombro.

14 Então [11] elle vos será por sanctuario, mas por pedra d’escandalo, e por penha de tropeço, ás duas casas d’Israel, por laço e rede aos moradores de Jerusalem.

15 E muitos tropeçarão [12] entre elles, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos.

16 Liga o testemunho, sella a lei entre os meus discipulos.

17 E esperarei ao Senhor, [13] que esconde o seu rosto da casa de Jacob, e a elle aguardarei.

18 Eis-me aqui [14] e os filhos que me deu o Senhor, por signaes e por maravilhas em Israel, da parte do Senhor dos Exercitos, que habita no monte de Sião.

19 Quando pois vos disserem: [15] Consultae os adivinhos e os encantadores, e que, chilrando entre dentes, murmuram: Porventura não perguntará o povo a seu Deus? ou perguntar-se-ha pelos vivos aos mortos?

20 Á Lei [16] e ao Testemunho, que se elles não fallarem segundo esta palavra, [UP] nunca verão a alva.

21 E passarão pela terra duramente opprimidos e famintos: e será que, tendo fome, e enfurecendo-se, [17] então amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima.

22 E, [18] olhando para a terra, eis-que haverá angustia e escuridão, e serão entenebrecidos com ancia, e empuxados com escuridão.

[1] cap. 30.8. Hab. 2.2.

[2] II Reis 16.10.

[3] cap. 7.16. II Reis 15.29 e 16.9.

[4] Neh. 3.15. João 9.7. cap. 7.1, 2, 6.

[5] cap. 30.28.

[6] Joel 3.9, 11.

[7] Job 5.12. cap. 7.7. Act. 5.38, 39. Rom. 8.31.

[8] I Ped. 3.14, 15.

[9] Num. 20.12.

[10] Luc. 12.5.

[11] Eze. 11.16. cap. 28.16. Rom. 9.33. I Ped. 2.8.

[12] Mat. 21.44. Luc. 20.18. Rom. 9.32.

[13] cap. 54.8.

[14] Heb. 2.13. Zac. 3.8.

[15] I Sam. 28.8. cap. 19.3 e 29.4.

[16] Miq. 3.6.

[17] Apo. 16.11.

[18] cap. 5.30 e 9.1.

O advento e o poder do Messias.

[Antes de Christo 738]

9 Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; [1] envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zabulon, e a terra de Naphtali; mas nos ultimos a ennobreceu junto ao caminho do mar, d’além do Jordão, na Galilea dos gentios.

2 O povo [2] que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na terra da sombra de morte resplandeceu uma luz.

3 Tu multiplicaste a este povo, [UQ] porém a alegria lhe augmentaste: todos se alegrarão perante ti, como se alegram na sega, [3] e como exultam quando se repartem os despojos.

4 Porque tu quebraste o jugo da sua carga, [4] e o bordão dos seus hombros, e a vara do [UR] que o guiava, como no dia dos midianitas,

5 Quando toda a peleja d’aquelles que pelejavam se fazia com ruido, [5] e os vestidos se revolviam em sangue e se queimavam para pasto do fogo.

6 Porque [6] um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus hombros, e o seu nome se chama Maravilhoso, Conselheiro, Deus [7] forte, Pae da eternidade, Principe da paz.

7 Da grandeza d’este principado e da paz [8] não haverá fim, sobre o throno de David e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juizo e com justiça, desde agora para sempre: [9] o zelo do Senhor dos Exercitos fará isto.

Ameaças contra o reino de Israel.

8 O Senhor enviou palavra a Jacob, e ella caiu em Israel.

9 E todo este povo o saberá, Ephraim e os moradores de Samaria, em soberba e altivez de coração, dizendo:

10 Os ladrilhos cairam, mas com cantaria tornaremos a edificar; cortaram-se as figueiras bravas, mas em cedros as mudaremos.

11 Porque o Senhor exalçará os adversarios de Resin contra elle, e misturará entre si os seus inimigos.

12 Porque diante virão os syros, e por detraz os philisteos, e devorarão a Israel á bocca aberta: [10] e nem com tudo isto se apartou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão.

13 Porque [11] este povo se não torna para quem o fere, nem busca ao Senhor dos Exercitos.

14 Pelo que o Senhor cortará a cabeça, e a cauda, o ramo e o junco d’Israel n’um mesmo dia.

15 (O ancião e o varão de respeito é a cabeça, e o propheta que ensina a falsidade é a cauda.)

16 Porque [12] os guias d’este povo são enganadores, e os guiados por elles serão devorados.

17 Pelo que o Senhor não tomará contentamento nos seus mancebos, e não se compadecerá dos seus orphãos e das suas viuvas, [13] porque todos elles são hypocritas e malfazejos, e toda a bocca falla doidices: e nem com tudo isto se apartou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão.

18 Porque a impiedade se [14] accende como um fogo, e até as sarças e os espinheiros devorará: e accenderá os confusos troncos da brenha, e subirão em espessas nuvens de fumo.

19 Pelo furor do Senhor dos Exercitos [15] a terra se escurecerá, e será o povo como pasto do fogo; ninguem poupará ao seu irmão.

20 Se cortar da banda direita, ainda terá fome, e se comer da banda esquerda, [16] ainda se não fartará: cada um comerá a carne de seu braço.

21 Manassés a Ephraim, e Ephraim a Manassés, e ambos elles serão contra Judah, e nem com tudo isto se apartou a sua ira, [17] mas ainda está estendida a sua mão.

[1] cap. 8.22. II Reis 15.29. II Chr. 16.4.

[2] Mat. 4.16. Eph. 5.8, 14.

[3] Jui. 5.30.

[4] cap. 10.5 e 14.5. Jui. 7.22.

[5] cap. 66.15, 16.

[6] cap. 7.14. Luc. 2.11. João 3.16. Mat. 28.18. Jui. 13.18.

[7] Tito 2.13. Eph. 2.14.

[8] Luc. 1.32, 33.

[9] II Reis 19.31. cap. 37.32.

[10] cap. 5.25 e 10.4. Jer. 4.8.

[11] Jer. 5.3. Ose. 7.10.

[12] cap. 3.12.

[13] Miq. 7.2. ver. 12, 21. cap. 5.25 e 10.4.

[14] cap. 10.17. Mal. 4.1.

[15] cap. 8.22. Miq. 7.2, 6.

[16] Lev. 26.26. cap. 49.26. Jer. 19.9.

[17] ver. 12, 17. cap. 5.25 e 10.4.

10 Ai dos que ordenam ordenanças injustas, e dos que prescrevem [US] trabalho aos escrivães.

[Antes de Christo 713]

2 Para desviarem aos pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos afflictos do meu povo, para despojarem as viuvas e para roubarem os orphãos!

3 Mas que fareis [1] vós-outros no dia da visitação, e da assolação, que ha de vir de longe? a quem vos refugiareis para obter soccorro, e onde deixareis a vossa gloria?

4 Sem que cada um se abata entre as prezas, e caia entre os mortos? [2] Com tudo isto a sua ira se não apartou, mas ainda está estendida a sua mão.

Predicção da ruina da Assyria.

5 Ai da Assyria! [3] a vara da minha ira: porque a minha indignação é o bordão nas suas mãos.

6 Envial-o-hei contra uma nação [4] hypocrita, e contra o povo do meu furor lhe darei ordem, para que lhe roube o roubo, e lhe despoje o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas:

7 Ainda que elle não cuide [5] assim, nem o seu coração assim o imagine: antes no seu coração intentará destruir e desarraigar nações não poucas.

8 Porque diz: [6] Porventura todos os meus principes não são elles reis?

9 Não [7] é Calno como Carchemis? não é Hamath como Arphad? e Samaria como Damasco?

10 Como a minha mão achou os reinos dos idolos, ainda que as suas imagens de vulto fossem melhores do que as de Jerusalem e de que as de Samaria.

11 Porventura como fiz a Samaria e aos seus idolos, não faria eu tambem assim a Jerusalem e aos seus idolos?

12 Porque acontecerá que, havendo o Senhor acabado toda a sua obra no monte de Sião [8] e em Jerusalem, então visitarei o fructo da arrogante grandeza do coração do rei da Assyria e a pompa da altivez dos seus olhos.

13 Porquanto disse: Com a força da minha mão o fiz, e com a minha sabedoria, porque sou entendido: e terei os limites dos povos, e roubei [UT] a sua provisão, e como valente abati aos [UU] moradores.

14 E achou [9] a minha mão as riquezas dos povos como a um ninho, e como se ajuntam os ovos deixados, assim eu ajuntei a toda a terra, e não houve quem movesse a aza, ou abrisse a bocca, ou chilrasse.

15 Porventura gloriar-se-ha [10] o machado contra o que corta com elle? ou presumirá a serra contra o que puxa por ella? como se o bordão movesse aos que o levantam, ou a vara se levantasse como não sendo pau?

16 Pelo que o Senhor, o Senhor dos Exercitos, enviará magreza entre [11] os seus gordos, e debaixo da sua gloria accenderá incendio, como incendio de fogo.

17 Porque a Luz d’Israel virá a ser por fogo e o seu Sancto por labareda, que abraze [12] e consuma os seus espinheiros e as suas sarças n’um dia.

18 Tambem consumirá a gloria [13] da sua brenha, e do seu campo fertil, [UV] desde a alma até á carne, e será como quando o porta-bandeira se desmaia.

19 E o resto das arvores da sua brenha será tão pouco em numero, que um menino as possa escrever.

20 E acontecerá n’aquelle dia que os residuos d’Israel, e os escapados da casa de Jacob, nunca mais se estribarão sobre o que os feriu: antes se estribarão verdadeiramente sobre o Senhor, o Sancto d’Israel.

21 Os residuos se converterão, os residuos, digo, de Jacob, ao Deus forte.

22 Porque [14] ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, todavia só um resto d’elle se converterá: já a destruição está determinada, trasbordando em justiça.

23 Porque [15] determinada já a destruição, o Senhor JEHOVAH dos Exercitos a executará no meio de toda esta terra.

24 Pelo que assim diz o Senhor JEHOVAH dos Exercitos: Não temas, povo meu, que habitas em Sião, [16] á Assyria, quando te ferir com a vara, e contra ti levantar o seu bordão ao modo dos egypcios,

25 Porque [17] d’aqui a bem pouco se cumprirão a minha indignação e a minha ira, para os consumir.

26 Porque o Senhor dos Exercitos levantará um açoite [18] contra elle, qual a matança de Midian junto á rocha d’Oreb, e qual a sua vara sobre o mar, que levantará ao modo dos egypcios.

27 E acontecerá, no mesmo dia, que tirará a sua carga do teu hombro, [19] e o seu jugo do teu pescoço: e o jugo será despedaçado por amor [UW] do ungido.

28 Já vem chegando a Aiath, já vae passando por Migron, e em Michmas lança a sua bagagem.

29 Já vão passando [20] o vau, já se alojam em Geba: já Rama treme, e Gibeah de Saul vae fugindo.

30 Grita altamente [21] com a tua voz, ó filha de Gallim! ouve ó Lais! ó tu pobre Anathoth.

31 Já Madmena [22] se foi, os moradores de Gebim vão fugindo em bandos.

32 Ainda um dia parará [23] em Nob: moverá a sua mão contra o monte da filha de Sião, o outeiro de Jerusalem.

33 Porém eis-que o Senhor JEHOVAH dos Exercitos decotará os ramos com violencia, e os de alta estatura serão cortados, e os altivos serão abatidos.

34 E cortará com o ferro a espessura da brenha, e o Libano cairá á mão de um poderoso.

[1] Job 31.14. Ose. 9.7. Luc. 19.44.

[2] cap. 5.25 e 9.12, 17, 21.

[3] Jer. 51.20.

[4] cap. 9.17. Jer. 34.22.

[5] Gen. 50.20. Miq. 4.12.

[6] II Reis 18.24, 33, etc. e 19.10, etc.

[7] Amós 6.2. II Chr. 35.20.

[8] II Reis 19.31. Jer. 50.18.

[9] Job 31.25.

[10] Jer. 51.20.

[11] cap. 5.17.

[12] cap. 9.18 e 27.4.

[13] II Reis 19.23.

[14] Rom. 9.27.

[15] cap. 28.22. Dan. 9.27. Rom. 9.28.

[16] cap. 37.6.

[17] cap. 54.7.

[18] II Reis 19.35. Jui. 7.25. cap. 9.4. Exo. 14.26, 27.

[19] cap. 14.25.

[20] I Sam. 13.23.

[21] I Sam. 25.44. Jos. 21.18.

[22] Jos. 15.31.

[23] I Sam. 21.1 e 22.19. Neh. 11.32. cap. 13.2 e 37.22.

O reino do Messias é pacifico e prospero.

11 Porque sairá [1] uma vara do tronco de Jessé, e um renovo crescerá das suas raizes.

2 E repousará sobre elle o [2] espirito do Senhor, o espirito de sabedoria e de intelligencia, o espirito de conselho e de fortaleza, o espirito de conhecimento e do temor do Senhor.

3 E [UX] o seu deleite será no temor do Senhor: e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem reprehenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos,

4 Mas julgará [3] com justiça aos pobres, e reprehenderá com equidade aos mansos da terra, [4] porém ferirá a terra com a vara de sua bocca, e com o assopro dos seus labios matará ao impio,

5 Porque a justiça [5] será o cinto dos seus lombos, e a verdade o cinto dos seus rins.

6 E morará o lobo [6] com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará.

7 A vacca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi.

8 E brincará a creança de peito sobre o buraco do aspide, e o já desmamado metterá a sua mão na cova do basilisco.

9 Não se fará mal nem [7] damno algum em nenhuma parte de todo o monte da minha sanctidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as aguas cobrem o fundo do mar.

10 Porque acontecerá n’aquelle dia [8] que as nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por pendão dos povos, e o seu repouso será glorioso.

11 Porque ha de acontecer [9] n’aquelle dia que o Senhor tornará a pôr a sua mão para adquirir outra vez os residuos do seu povo, [10] que restarem da Assyria, e do Egypto, e de Pathros, e da Ethiopia, e de Elam, e de Sinear, e de Hamath, e das ilhas do mar.

12 E levantará um pendão entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, [11] e os dispersos de Judah congregará desde os quatro confins da terra.

13 E a inveja de Ephraim se [12] desviará, e os adversarios de Judah serão desarraigados: Ephraim não invejará a Judah e Judah não opprimirá a Ephraim.

14 Antes voarão sobre os hombros dos philisteos ao occidente, juntos despojarão aos do oriente: [13] em Edom e Moab porão as suas mãos, e os filhos de Ammon lhes obedecerão.

15 E [14] o Senhor [UY] destruirá totalmente o braço do mar do Egypto, e moverá a sua mão contra o rio com a força do seu vento, e o ferirá nas sete correntes e fará que se passe [15] por elle com sapatos.

16 E haverá caminho [16] plano para os residuos do seu povo, que restarem da Assyria, como succedeu a Israel no dia em que subiu da terra do Egypto.

[1] cap. 53.2. Zac. 6.12. Apo. 5.5. Act. 13.23. ver. 10. cap. 4.2. Jer. 23.5.

[2] cap. 61.1. Mat. 3.16. João 1.32, 33 e 3.34.

[3] Apo. 19.11.

[4] Job 4.9. Mal. 4.6. II The. 2.8. Apo. 1.16 e 2.16 e 19.15.

[5] Eph. 6.14.

[6] cap. 65.25. Eze. 34.25. Ose. 2.18.

[7] Job 5.23. cap. 2.4 e 35.9. Hab. 2.14.

[8] cap. 2.11. ver. 1. Rom. 15.12.

[9] cap. 2.11.

[10] Zac. 10.10.

[11] João 7.35. Thi. 1.1.

[12] Jer. 3.18. Eze. 37.16, 17, 22. Ose. 1.11.

[13] Dan. 11.41.

[14] Zac. 10.11.

[15] Apo. 16.12.

[16] cap. 19.23. Exo. 14.29. cap. 51.10 e 63.12, 13.

Deus é louvado por haver restaurado o seu povo.

[Antes de Christo 712]

12 E dirás [1] n’aquelle dia: Graças te dou, ó Senhor, de que, ainda que te iraste contra mim, comtudo a tua ira se retirou, e tu me consolas.

2 Eis que Deus é a minha salvação; n’elle confiarei, e não temerei; porque a minha força e o meu cantico é Deus JEHOVAH, e elle foi a minha salvação.

3 E vós tirareis aguas com alegria das fontes da salvação.

4 E direis n’aquelle dia: [2] Dae graças ao Senhor, invocae o seu nome, manifestae os seus feitos entre os povos, contae quão exalçado é o seu nome.

5 Psalmodiae [3] ao Senhor, porque fez coisas grandiosas: saiba-se isto em toda a terra.

6 Exulta [4] e canta de gozo, ó moradora de Sião, porque o Sancto de Israel grande é no meio de ti.

[1] cap. 2.11.

[2] João 4.10, 14 e 7.37, 38. I Chr. 16.8.

[3] Exo. 15.1, 21.

[4] cap. 54.1. Sof. 3.14. cap. 41.14, 16.

A ruina de Babylonia e o livramento de Israel.

13 Pezo [1] de Babylonia, que viu Isaias, filho de Amós.

2 Alçae [2] uma bandeira sobre um alto monte, levantae a voz a elles: movei a mão em alto, para que entrem pelas portas dos principes.

3 Já eu passei ordens aos meus sanctificados: [3] já tambem chamei aos meus valentes para minha ira, os quaes são exaltados na minha magestade.

4 Já se ouve a voz de arroido sobre os montes, como de muito povo: a voz do reboliço de reinos e de nações já congregadas. O Senhor dos Exercitos passa a [UZ] mostra do exercito de guerra.

5 Já vem da terra de longe desde a extremidade do céu, assim o Senhor, como os instrumentos da sua indignação, para destruir toda aquella terra.

6 Uivae, [4] pois, porque o dia do Senhor já está perto: já vem como assolação do Todo-poderoso.

7 Pelo que todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens se desanimará.

8 E assombrar-se-hão, e apoderar-se-hão d’elles dôres e ais, e se angustiarão, como a mulher com dôres de parto; cada um se espantará do seu proximo; os seus rostos serão rostos flammejantes.

9 Eis que [5] o dia do Senhor vem, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e destruir os peccadores d’ella.

10 Porque as estrellas dos céus e os seus astros não luzirão com a sua luz: [6] o sol se escurecerá em nascendo, e a lua não resplandecerá com a sua luz.

11 Porque visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os impios a sua iniquidade: [7] e farei cessar a arrogancia dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tyrannos.

12 Farei que um homem seja mais precioso do que o oiro puro, e um homem mais do que o oiro fino d’Ophir.

13 Pelo que [8] farei estremecer os céus; e a terra se moverá do seu logar, por causa do furor do Senhor dos Exercitos, e por causa do dia da sua ardente ira.

14 E cada um será como a corça que foge, e como a ovelha que ninguem recolhe: [9] cada um voltará para o seu povo, e cada um fugirá para a sua terra.

15 Qualquer que fôr achado será traspassado; e qualquer que se ajuntar com elle cairá á espada.

16 E suas creanças serão [10] despedaçadas perante os seus olhos: as suas casas serão saqueadas, e as suas mulheres forçadas.

17 Eis que [11] eu despertarei contra elles os médos, que não farão caso da prata, nem tão pouco desejarão oiro.

18 E os seus arcos despedaçarão os mancebos, e não se compadecerão do fructo do ventre; o seu olho não poupará aos filhos.

19 Assim será Babylonia, [12] o ornamento dos reinos, a gloria e a soberba dos chaldeos, [13] como Sodoma e Gomorrha, quando Deus as transtornou.

20 Nunca mais [14] haverá habitação n’ella, nem se habitará de geração em geração: nem o arabe armará ali a sua tenda, nem tão pouco os pastores ali [VA] farão as suas malhadas.

21 Mas as bestas feras do deserto repousarão ali, [15] e as suas casas se encherão de horriveis animaes: e ali habitarão as avestruzinhas, e os satyros pularão ali.

22 E as bestas feras que uivam se apuparão umas ás outras nos seus palacios vazios, como tambem os [VB] dragões nos seus palacios de prazer; pois bem perto já vem chegando o seu tempo, e os seus dias se não prolongarão.

[1] cap. 21.1 e 47.1. Jer. 50 e 51.

[2] cap. 5.26 e 18.3. Jer. 50.2.

[3] Joel 3.11.

[4] Sof. 1.7. Apo. 6.17. Job 31.23. Joel 1.15.

[5] Mal. 4.1. Pro. 2.22.

[6] cap. 24.21, 23. Eze. 32.7. Joel 2.31 e 3.15. Mat. 24.29. Mar. 13.24. Luc. 21.25.

[7] cap. 2.17.

[8] Agg. 2.7.

[9] Jer. 50.16 e 51.9.

[10] Nah. 3.10. Zac. 14.2.

[11] cap. 21.2. Jer. 51.11, 28. Dan. 5.28, 31.

[12] cap. 14.4, 22.

[13] Gen. 19.24, 25. Deu. 29.23. Jer. 49.18 e 50.40.

[14] Jer. 50.3, 39 e 51.29, 62.

[15] cap. 34.11, 15. Apo. 18.2.

14 Porque o Senhor se compadecerá [1] de Jacob, e ainda escolherá a Israel e os porá na sua propria terra: [2] e ajuntar-se-hão com elles os estranhos, e se achegarão á casa de Jacob.

2 E os povos os receberão, [3] e os levarão aos seus logares, e a casa d’Israel os possuirá por servos e por servas, na terra do Senhor: e captivarão aquelles que os captivaram, [4] e dominarão sobre os seus oppressores.

3 E acontecerá que no dia em que Deus vier a dar-te descanço do teu trabalho, e do teu tremor, e da dura servidão com que te fizeram servir,

4 Então levantarás este dito contra o rei de Babylonia, e dirás: Como já cessou o oppressor? como já cessou a cidade [VC] dourada?

5 Já quebrantou o Senhor o bastão dos impios e o sceptro dos dominadores.

6 Aquelle que feria aos povos com furor, com praga sem cessar, o que com ira dominava sobre as nações agora é perseguido, sem que alguem o possa impedir.

7 Já descança, já está socegada toda a terra: exclamam com jubilo.

8 Até as faias [5] se alegram sobre ti, e os cedros do Libano, dizendo: Desde que tu ahi estás por terra já ninguem sobe contra nós que nos possa cortar.

9 O [VD] inferno [6] debaixo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda: desperta por ti os mortos, e todos os principes da terra, e faz levantar dos seus thronos a todos os reis das nações.

10 Estes todos responderão, e te dirão: Tu tambem adoeceste como nós, e foste similhante a nós.

11 Já foi derribada no inferno a tua soberba com o som dos teus alaudes: os bichinhos debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão.

12 Como [7] caiste desde o céu, ó estrella da manhã, filha da alva do dia? como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações?

13 E tu dizias no teu coração: [8] Eu subirei ao céu, por cima das estrellas de Deus exaltarei o meu throno, e no monte da congregação me assentarei, da banda dos lados do norte.

14 Subirei sobre as alturas das nuvens, [9] e serei similhante ao Altissimo.

15 E comtudo derribado [10] serás no inferno, aos lados da cova.

16 Os que te virem te contemplarão, considerar-te-hão, e dirão: É este o varão que fazia estremecer a terra, e que fazia tremer os reinos?

17 Que punha o mundo como o deserto, e assolava as suas cidades? que a seus presos não deixava ir soltos para suas casas?

18 Todos os reis das nações, todos quantos elles são, jazem com honra, cada um na sua casa.

19 Porém tu és lançado da tua sepultura, como um renovo abominavel, como um vestido de mortos atravessados á espada, como os que descem ao covil de pedras, como corpo morto e atropellado.

20 Com elles não serás ajuntado na sepultura; porque destruiste a tua terra e mataste o teu povo: a semente dos malignos não será nomeada para sempre.

21 Preparae a matança [11] para os seus filhos pela maldade de seus paes, para que não se levantem, e possuam a terra, e encham o mundo de cidades.

22 Porque me levantarei contra elles, diz o Senhor dos Exercitos, [12] e desarraigarei de Babylonia o nome, e os residuos, e o filho, e o neto, diz o Senhor.

23 E pôl-a-hei [13] por possessão [VE] das corujas e lagôas d’aguas: e varrel-a-hei com vassoura de perdição, diz o Senhor dos Exercitos.

Prophecia contra os assyrios.

24 O Senhor dos Exercitos jurou, dizendo: Como pensei, assim succederá, e como determinei, assim se effectuará.

25 Quebrantarei a Assyria na minha terra, e nas minhas montanhas a atropellarei, para que o seu jugo se aparte [14] d’elles e a sua carga se desvie dos seus hombros.

26 Este é o conselho que se consultou sobre toda esta terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações.

27 Porque o Senhor dos Exercitos o determinou; [15] quem pois o invalidará? e a sua mão estendida está; quem pois a tornará atraz?

Prophecia contra os philistinos.

28 No anno em que morreu [16] o rei Achaz, aconteceu esta carga.

29 Não te alegres, ó tu, toda a Philistia, [17] de que é quebrantada a vara que te feria; porque da raiz da cobra sairá um basilisco, e o seu fructo será uma serpente ardente, voadora.

30 E os primogenitos dos pobres serão apascentados, e os necessitados se deitarão seguros; porém farei morrer de fome a tua raiz, e elle matará os teus residuos.

31 Dá uivos, ó porta, grita, ó cidade, que já tu, ó Philistia, estás toda derretida; porque do norte vem um fumo, e nenhum solitario haverá nas suas congregações.

32 Que se responderá pois aos mensageiros do povo? Que o Senhor fundou a Sião, [18] para que os oppressos do seu povo n’ella tenham refugio.

[1] Jer. 51.33.

[2] Zac. 1.17 e 2.12. cap. 60.4, 5, 10. Eph. 2.12, 13, etc.

[3] cap. 49.22 e 60.9 e 66.20.

[4] cap. 60.14.

[5] cap. 55.12. Eze. 31.16.

[6] Eze. 32.21.

[7] cap. 34.4.

[8] Mat. 11.23.

[9] cap. 47.8. II The. 2.4.

[10] Mat. 11.23.

[11] Exo. 20.5. Mat. 23.35.

[12] Job 18.19.

[13] cap. 34.11. Sof. 2.14.

[14] cap. 10.27.

[15] II Chr. 20.6. Job 9.12 e 23.13. cap. 43.13. Dan. 4.31.

[16] II Reis 16.20.

[17] II Chr. 26.6. II Reis 18.8.

[18] Sof. 3.12.

Predicção da ruina de Moab.

[Antes de Christo 726]

15 Pezo [1] de Moab. Certamente de noite foi destruida Ar de Moab, e foi desfeita: certamente de noite foi destruida Kir de Moab, e foi desfeita.

2 Vae subindo [2] a Bayith, e a Dibon, aos logares altos, a chorar: por Nebo e por Medeba Moab uivará; sobre todas as suas cabeças haverá calva, e toda a barba será rapada.

3 Cingiram-se de saccos nas suas ruas; [3] nos seus terraços e nas suas praças todos andam uivando, e veem descendo e chorando.

4 Assim Hesbon como Eleale, andam gritando, [4] até Jahas se ouve a sua voz; pelo que os armados de Moab fazem grande grita, a sua alma lhes será penosa.

5 O meu coração [5] dá gritos por Moab: fugiram os seus [VF] fugitivos até Zoar, como a novilha de tres annos: porque vae subindo com choro pela subida de Luhith, porque no caminho de Horonaim levantam um lastimoso pranto.

6 Porque as aguas de Nimrim serão uma pura assolação; porque já seccou o feno, pereceu a herva, e não ha verdura alguma.

7 Pelo que a abundancia que ajuntaram, e o de mais que guardaram, ao ribeiro dos salgueiros o levaram.

8 Porque o pranto rodeará aos limites de Moab; até Eglaim chegará o seu uivo, e ainda até Beerelim chegará o seu uivo.

9 Porquanto as aguas de Dimon estão cheias de sangue, porque ainda accrescentarei a Dimon os sobejos; [6] a saber, leões contra aquelles que escaparem de Moab, como tambem contra as reliquias da terra.

[1] Jer. 48.1, etc. Eze. 25.8, 11. Amós 2.1. Num. 21.28.

[2] Lev. 21.5. cap. 3.24 e 22.12. Jer. 47.5 e 48.1, 37, 38. Eze. 7.18.

[3] Jer. 48.38.

[4] cap. 16.9.

[5] cap. 16.11. Jer. 48.31. cap. 16.14. Jer. 48.5, 34.

[6] II Reis 17.25.

16 Enviae [1] o cordeiro ao dominador da terra desde Sela, ao deserto, até ao monte da filha de Sião.

2 D’outro modo succederá que serão as filhas de Moab junto aos váos [2] de Arnon como o passaro vagueante, lançado do ninho.

3 Toma conselho, faze juizo, põe a tua sombra no pino do meio-dia como a noite; esconde os desterrados, e não descubras os vagueantes.

4 Habitem entre ti os meus desterrados, ó Moab: serve-lhes de refugio perante a face do destruidor; porque o oppressor tem fim; a destruição é desfeita, e os atropelladores já são consumidos sobre a terra.

5 Porque [3] o throno se confirmará em benignidade, e sobre elle no tabernaculo de David em verdade se assentará um que julgue, e busque o juizo, e se apresse á justiça.

6 Já ouvimos a [4] soberba de Moab, que é soberbissimo: a sua altivez, e a sua soberba, e o seu furor; [5] [VG] os seus ferrolhos não são tão seguros.

7 Portanto Moab [6] uivará por Moab; todos uivarão: gemereis pelos fundamentos de Kir-hareseth, pois já estão quebrados.

8 Porque [7] já os campos d’Hesbon enfraqueceram, como tambem a vide de Sibma; já os senhores das nações atropellaram as suas melhores plantas; vão chegando a Jazer; andam vagueando pelo deserto: os seus renovos se estenderam e já passaram além do mar.

9 Pelo que prantearei, [8] com o pranto de Jazer, a vide de Sibma; regar-te-hei com as minhas lagrimas, [9] ó Hesbon e Eleale; porque já o jubilo dos teus fructos de verão e da tua sega caiu.

10 Assim que já se tirou o folguedo e a alegria [10] do fertil campo, e já nas vinhas se não canta, nem jubilo algum se faz: já o pisador não pisará as uvas nos lagares; já fiz cessar o jubilo.

11 Pelo que minhas entranhas fazem ruido [11] por Moab como harpa, e o meu interior por Kirheres.

12 E será que, quando virem que já Moab está cançado [12] nos altos, então entrará no seu sanctuario a orar, porém nada alcançará.

13 Esta é a palavra que fallou o Senhor desde então contra Moab.

14 Porém agora fallou o Senhor, dizendo: Dentro em tres annos (taes quaes os annos [13] de jornaleiros), então se virá a envilecer a gloria de Moab, com toda a sua grande multidão; e o residuo será pouco, pequeno e impotente.

[1] II Reis 3.4.

[2] Num. 21.13.

[3] Dan. 7.14, 27. Miq. 4.7. Luc. 1.33.

[4] Jer. 48.29. Sof. 2.10.

[5] cap. 28.15.

[6] Jer. 48.20. II Reis 3.25.

[7] cap. 24.7. ver. 9.

[8] Jer. 48.32.

[9] cap. 15.4.

[10] cap. 24.8. Jer. 48.33.

[11] cap. 15.5. Jer. 48.36.

[12] cap. 15.2.

[13] cap. 21.16.

Prophecia contra Damasco e Ephraim.

[Antes de Christo 714]

17 Pezo [1] de Damasco. Eis que Damasco será tirada, e mais não será cidade, antes será um montão de ruinas.

2 As cidades d’Aroer serão desamparadas: hão de ser para os rebanhos que se deitarão [2] sem que alguem os espante.

3 E a fortaleza [3] d’Ephraim cessará, como tambem o reino de Damasco e o residuo da Syria; serão como a gloria dos filhos de Israel, diz o Senhor dos Exercitos.

4 E será n’aquelle dia que ficará attenuada a gloria de Jacob, e a gordura da sua carne se emmagrecerá.

5 Porque será [4] como o segador que colhe a ceara e com o seu braço sega as espigas: e será tambem como o que colhe espigas no valle de Rephaim.

6 Porém ainda ficarão [5] n’elle alguns rabiscos, como no sacudir da oliveira, em que só duas ou tres azeitonas ficam na mais alta ponta dos ramos, e quatro ou cinco em seus ramos fructiferos, diz o Senhor Deus d’Israel.

7 N’aquelle dia attentará [6] o homem para o seu Creador, e os seus olhos olharão para o Sancto d’Israel.

8 E não attentará para os altares, obra das suas mãos, nem tão pouco olhará para o que fizeram seus dedos, nem para os bosques, nem para as imagens do sol.

9 N’aquelle dia serão as suas cidades fortes como [VH] plantas desamparadas, e como os mais altos ramos, os quaes vieram a deixar por causa dos filhos d’Israel, e haverá assolação.

10 Porquanto te esqueceste do Deus da tua salvação, e não te lembraste da rocha da tua fortaleza: pelo que bem plantarás plantas formosas, e as cercarás de sarmentos estranhos.

11 E no dia em que as plantares as farás crescer, e pela manhã farás que a tua semente brote: porém sómente será um montão do segado no dia da enfermidade e das dôres insoffriveis.

Prediz-se a ruina do exercito dos assyrios.

12 Ai da multidão dos grandes povos que bramam como bramem os mares, [7] e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas aguas.

13 Bem rugirão as nações, como rugem as muitas aguas, porém reprehendel-o-ha e fugirá para longe; [8] e será afugentado como a pragana dos montes diante do vento, e como a bola diante do tufão.

14 No tempo da tarde eis que ha pavor, mas antes que amanheça já não apparece: esta é a parte d’aquelles que nos despojam, e a sorte d’aquelles que nos saqueiam.

[1] Jer. 49.23. Amós 1.3. Zac. 9.1. II Reis 16.9.

[2] Jer. 7.33.

[3] cap. 7.16 e 8.4.

[4] Jer. 51.33.

[5] cap. 24.13.

[6] Miq. 7.7.

[7] Jer. 6.23.

[8] Ose. 13.3.

A destruição dos assyrios é annunciada á Ethiopia.

18 Ai da terra [1] [VI] que ensombreia com as suas azas, que está alem dos rios [VJ] da Ethiopia,

2 Que envia embaixadores por mar, e em navios de junco sobre as aguas, dizendo: Ide, mensageiros ligeiros, [2] á nação arrastada e pellada, a um povo terrivel desde o seu principio e d’ahi em diante; a uma nação [VK] de regra em regra e de atropellar, cuja terra [VL] despojam os rios.

3 Vós, todos os habitadores do mundo, e vós os moradores da terra, [3] quando se arvorar a bandeira nos montes, o vereis; e quando se tocar a trombeta, o ouvireis.

4 Porque assim me disse o Senhor: Estarei quieto, olhando desde a minha morada, como o ardor resplandecente depois da chuva, como a nuvem do orvalho no ardor da sega.

5 Porque antes da sega, quando já o gomo está perfeito, e as uvas verdes amadurecem depois de brotarem, então podará os sarmentos com a podoa, e, cortando os ramos, os tirará d’ali.

6 Juntamente serão deixados ás aves dos montes e aos animaes da terra: e sobre elles passarão o verão as aves de rapina, e todos os animaes da terra invernarão sobre elles.

7 N’aquelle tempo trará um presente [4] ao Senhor dos exercitos o povo arrastado e pellado, e o povo terrivel desde o seu principio e d’ahi em diante; uma nação de regra em regra e d’atropellar, cuja terra despojam os rios, ao logar do nome do Senhor dos exercitos, ao monte de Sião.

[1] cap. 20.4, 5. Eze. 30.4, 5, 9. Sof. 2.12 e 3.10.

[2] ver. 7.

[3] cap. 5.26.

[4] cap. 16.1. Sof. 3.10. Mal. 1.11.

Prophecia contra o Egypto.

19 Pezo [1] do Egypto. Eis que o Senhor vem cavalgando n’uma nuvem ligeira, e virá ao Egypto: [2] e os idolos do Egypto serão movidos perante a sua face, e o coração dos egypcios se derreterá no meio d’elles.

2 Porque farei [3] com que os egypcios se levantem contra os egypcios, e cada um pelejará contra o seu irmão, e cada um contra o seu proximo, cidade contra cidade, reino contra reino.

3 E o espirito dos egypcios se esvaecerá no seu interior, e [VM] destruirei o seu conselho: [4] então consultarão aos seus idolos, e encantadores, e adivinhos e magicos.

4 E entregarei [5] os egypcios nas mãos de um senhor duro, e um rei rigoroso dominará sobre elles, diz o Senhor, o Senhor dos Exercitos.

5 E farão perecer [6] as aguas do mar, e o rio se esgotará e seccará.

6 Tambem aos rios farão apodrecer e os esgotarão [7] e farão seccar [VN] as correntes das cavas: as canas e os juncos se murcharão.

7 [VO] A relva junto ao rio, junto ás ribanceiras dos rios, e tudo o semeado junto ao rio, se seccará, ao longe se lançará, e mais não subsistirá.

8 E os pescadores gemerão, e suspirarão todos os que lançam anzol ao rio, e os que estendem rede sobre as aguas desfallecerão.

9 E envergonhar-se-hão os que trabalham em linho fino, e os que tecem panno branco.

10 E juntamente com os seus fundamentos [VP] serão quebrantados todos os que fazem por pago viveiros de prazer.

11 Na verdade loucos são os principes de Zoan, [8] o conselho dos sabios conselheiros de Pharaó se embruteceu: como pois a Pharaó direis: Sou filho dos sabios, filho dos antigos reis?

12 Onde [9] estão agora os teus sabios? notifiquem-te agora, ou informem-se sobre o que o Senhor dos Exercitos determinou contra o Egypto.

13 Loucos se tornaram os principes de Zoan, [10] enganados estão os principes de Noph: elles farão errar o Egypto, aquelles que são a pedra de esquina das suas tribus.

14 Já o Senhor derramou no meio d’elle um perverso [11] espirito, e fizeram errar o Egypto em toda a sua obra, como o bebado quando se revolve no seu vomito.

15 E não aproveitará ao Egypto obra nenhuma que possa fazer a [12] cabeça, a cauda, o ramo, ou o junco.

16 N’aquelle tempo os egypcios serão como mulheres, [13] e tremerão e temerão por causa do movimento da mão do Senhor dos Exercitos, que ha de mover contra elles.

17 E a terra de Judah será um espanto para os egypcios, e quem d’isso fizer menção se assombrará de si mesmo, por causa do conselho do Senhor dos Exercitos, que determinou contra elles.

18 N’aquelle tempo haverá cinco cidades na terra do Egypto que fallem a lingua de Canaan e façam juramento ao Senhor dos Exercitos: e uma se chamará: Cidade de destruição.

19 N’aquelle tempo o Senhor [14] terá um altar no meio da terra do Egypto, e um titulo ao Senhor, arvorado junto do seu termo.

20 E servirá de signal [15] e de testemunho ao Senhor dos Exercitos na terra do Egypto, porque ao Senhor clamarão por causa dos oppressores, e elle lhes enviará um Redemptor e um Protector, que os livre.

21 E o Senhor se fará conhecer aos egypcios, e os egypcios conhecerão ao Senhor n’aquelle dia, [16] e servirão com sacrificios e offertas, e votarão votos ao Senhor, e os pagarão.

22 E ferirá o Senhor aos egypcios, e os curará: e converter-se-hão ao Senhor, e mover-se-ha ás suas orações, e os curará;

23 N’aquelle [17] dia haverá estrada do Egypto até á Assyria, e os assyrios virão ao Egypto, e os egypcios á Assyria: e os egypcios servirão com os assyrios ao Senhor.

24 N’aquelle dia Israel será o terceiro com os egypcios e os assyrios, uma benção no meio da terra.

25 Porque o Senhor dos Exercitos os abençoará, dizendo: Bemdito seja o meu povo do Egypto e Assyria, [18] a obra de minhas mãos, e Israel a minha herança.

[1] Jer. 46.13. Eze. 29 e 30.

[2] Exo. 12.12. Jer. 43.12.

[3] Jui. 7.22. I Sam. 14.16, 20. II Chr. 20.23.

[4] cap. 8.19.

[5] cap. 20.4. Jer. 46.26. Eze. 29.19.

[6] Jer. 51.36. Eze. 30.12.

[7] II Reis 19.24.

[8] Num. 13.22.

[9] I Cor. 1.20.

[10] Jer. 2.16.

[11] I Reis 22.22. cap. 29.10.

[12] cap. 9.14.

[13] Jer. 51.30. Nah. 3.13.

[14] Jos. 22.10, 26, 27.

[15] Jos. 4.20 e 22.27.

[16] Mal. 1.11.

[17] cap. 11.16.

[18] cap. 29.23. Eph. 2.10.

Prophecia symbolica do captiveiro dos egypcios e dos ethiopes.

20 No anno em que [1] veiu Tartan a Asdod, enviando-o Sargon, rei da Assyria, e guerreou contra Asdod, e a tomou;

2 No mesmo tempo fallou o Senhor pelo ministerio d’Isaias, filho d’Amós, dizendo: [2] Vae, solta o sacco de teus lombos, e descalça os teus sapatos dos teus pés. E assim o fez, indo nú e descalço.

3 Então disse o Senhor: Assim como anda o meu servo Isaias, nú e descalço, [3] por signal e prodigio de tres annos sobre o Egypto e sobre a Ethiopia,

4 Assim o rei da Assyria levará em captiveiro os presos do Egypto, e os captivados da Ethiopia, assim moços como velhos, nús e descalços, [4] e descobertas as nadegas para vergonha dos egypcios.

5 E assombrar-se-hão, [5] e envergonhar-se-hão, por causa dos ethiopes, para quem attentavam, como tambem dos egypcios, sua gloria.

6 Então dirão os moradores d’esta ilha n’aquelle dia: Olhae que tal foi aquelle, para quem attentavamos, a quem nos acolhemos por soccorro, para nos livrarmos da face do rei da Assyria! como pois escaparemos nós?

[1] II Reis 18.17.

[2] I Sam. 19.24. Miq. 1.8.

[3] cap. 3.18.

[4] II Sam. 10.4. Jer. 13.22, 26.

[5] II Reis 18.21. cap. 30.3, 5, 7 e 36.6.

Predicção da queda de Babylonia.

21 Pezo do deserto da banda do mar. [1] Como os tufões de vento passam por meio da terra do sul, assim do deserto virá, da terra horrivel.

2 Visão dura se notificou: o perfido trata perfidamente, [2] e o destruidor anda destruindo: sobe, [3] ó Elam, sitía, ó médo, que já fiz cessar todo o seu gemido.

3 Pelo que [4] os meus lombos estão cheios de grande enfermidade, angustias se apoderaram de mim como as angustias da que pare: já me encurvo de ouvir, e estou espantado de ver.

4 O meu coração anda errado, espavorece-me o horror: e o crepusculo, que desejava, [5] me tornou em tremores.

5 Põe a mesa, vigia na atalaia, come, bebe: levantae-vos, principes, e untae o escudo.

6 Porque assim me disse o Senhor: Vae, põe uma sentinella, e que diga o que vir.

7 E viu [6] um carro com um par de cavalleiros, um carro de jumentos, e um carro de camelos, e attentou attentamente com grande attenção.

8 E clamou: Um leão vejo, Senhor, [7] sobre a atalaia de vigia estou em pé continuamente de dia, e sobre a minha guarda me ponho noites inteiras.

9 E eis agora vem um carro de homens, e cavalleiros aos pares. Então respondeu e disse: [8] Caída é Babylonia, caída é! e todas as imagens de esculptura dos seus deuses quebrantou contra a terra.

10 Ah malhada [9] minha, e trigo da minha eira! o que ouvi do Senhor dos Exercitos, Deus de Israel, isso vos notifiquei.

Prophecia contra Duma.

11 Pezo [10] de Duma. Dão-me gritos de Seir: Guarda, que houve de noite? guarda, que houve de noite?

12 E disse o guarda: Vem a manhã, e tambem a noite; se quereis perguntar, perguntae; tornae-vos, e vinde.

Prophecia contra Arabia.

13 Pezo contra Arabia. Nos bosques de Arabia passareis a noite, ó viandantes de Dedanim.

14 Sahi ao encontro dos sequiosos com agua: os moradores da terra de Tema com o seu pão encontraram os que fugiam.

15 Porque fogem de diante das espadas, de diante da espada nua, e de diante do arco armado, e de diante do pezo da guerra.

16 Porque assim me disse o Senhor: [11] Ainda dentro d’um anno, como os annos de jornaleiro, será arruinada toda a gloria de Kedar.

17 E os residuos do numero dos frecheiros, os valentes dos filhos de Kedar, serão diminuidos, porque assim o disse o Senhor, Deus de Israel.

[1] Zac. 9.14.

[2] cap. 33.1.

[3] Jer. 49.34.

[4] cap. 13.8.

[5] Deu. 28.67.

[6] ver. 9.

[7] Hab. 2.1.

[8] Jer. 51.8. Apo. 14.8 e 18.2. cap. 46.1. Jer. 50.2 e 51.44.

[9] Jer. 51.33.

[10] I Chr. 1.30. Eze. 35.2.

[11] cap. 16.4.

Quadro prophetico do cerco de Jerusalem.

[Antes de Christo 712]

22 Pezo do valle da visão. Que tens agora, que toda tu subiste aos telhados?

2 Tu, cheia de arroidos, cidade turbulenta, [1] cidade que salta de alegria, os teus mortos não foram mortos á espada, nem morreram na guerra.

3 Todos os teus principes juntamente fugiram, os frecheiros os amarraram: todos os que em ti se acharam, foram amarrados juntamente, e fugiram de longe.

4 Portanto digo: Virae de mim a vista, e chorarei amargamente: [2] não vos canceis mais em consolar-me pela destruição da filha do meu povo.

5 Porque [3] é um dia d’alvoroço, e de atropellamento, e de confusão da parte do Senhor Jehovah dos Exercitos, no valle da visão: dia de derribar o muro e de gritar até ao monte.

6 Porque já Elam [4] tomou a aljava, já o homem está no carro, tambem ha cavalleiros: e Kir descobre os escudos.

7 E será que os teus mais formosos valles se encherão de carros, e os cavalleiros se porão em ordem ás portas.

8 E descobrirá a coberta de Judah, [5] e n’aquelle dia olharás para as armas da casa do bosque.

9 E vereis [6] as roturas da cidade de David, porquanto já são muitas, e ajuntareis as aguas do viveiro de baixo.

10 Tambem contareis as casas de Jerusalem, e derribareis as casas, para fortalecer os muros.

11 Fareis tambem [7] uma cova entre ambos os muros para as aguas do viveiro velho, porém não olhastes acima para o que fez isto, nem considerastes o que o formou desde a antiguidade.

12 E o Senhor, o Senhor dos Exercitos chamará n’aquelle [8] dia ao choro, e ao pranto, e á rapadura da cabeça, e ao cingidouro do sacco.

13 Porém eis aqui gozo e alegria, matando-se vaccas e degolando-se ovelhas, comendo-se carne, e bebendo-se vinho, e dizendo-se: [9] Comamos e bebamos, porque ámanhã morreremos.

14 Mas [10] o Senhor dos Exercitos se manifestou nos meus ouvidos, dizendo: Vivo eu, que esta maldade não vos será [VQ] perdoada até que morraes, diz o Senhor Jehovah dos Exercitos.

Sebna é degradado; Eliakim é exaltado.

15 Assim diz o Senhor Jehovah dos Exercitos: Anda e vae-te com este thesoureiro, com Sebna, o mordomo, e dize-lhe:

16 Que é o que tens aqui? ou a quem tens tu aqui, que te lavrasses aqui sepultura? [11] como o que lavra em logar alto a sua sepultura e debuxa na penha uma morada para si.

17 Eis que o Senhor d’aqui te transportará do transporte de varão, e de todo te cobrirá.

18 Certamente te fará rodar, como se faz rodar a bola em terra larga e espaçosa: ali morrerás, e ali acabarão os carros da tua gloria, ó opprobrio da casa do teu Senhor.

19 E rejeitar-te-hei do teu estado, e te repuxará do teu assento.

20 E será n’aquelle dia que chamarei a meu servo Eliakim [12] filho d’Hilkias.

21 E vestil-o-hei da tua tunica, e esforçal-o-hei com o teu talabarte, e entregarei nas suas mãos o teu dominio, e será como pae para os moradores de Jerusalem, e para a casa de Judah.

22 E porei a chave da casa de David sobre o seu hombro, [13] e abrirá, e ninguem fechará, e fechará, e ninguem abrirá.

23 E pregal-o-hei como a um [14] prego n’um logar firme, e será como um throno de honra para a casa de seu pae.

24 E n’elle pendurarão toda a honra da casa de seu pae, dos renovos e dos descendentes, como tambem todos os vasos menores, desde os vasos das taças até todos os vasos dos odres.

25 N’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos, o prego pregado em logar firme será tirado: e será cortado, e cairá, e a carga que n’elle está se cortará, porque o Senhor o disse.

[1] cap. 32.13.

[2] Jer. 9.1.

[3] cap. 37.3.

[4] Jer. 49.35. cap. 15.1.

[5] I Reis 7.2 e 10.17.

[6] II Reis 20.20. II Chr. 32.4, 5, 30.

[7] Neh. 3.16.

[8] Joel 1.13. Esd. 9.3. cap. 15.2. Miq. 1.10.

[9] cap. 56.12. I Cor. 15.32.

[10] cap. 5.9. I Sam. 3.14.

[11] Mat. 27.60.

[12] II Reis 18.18.

[13] Job 12.14. Apo. 3.7.

[14] Esd. 9.8.

A ruina e restauração de Tyro.

[Antes de Christo 715]

23 Pezo [1] de Tyro. Uivai, navios de Tharsis, porque já assolada está até n’ella casa nenhuma mais ficar e n’ella ninguem mais entrar: desde a terra de Chittim lhes foi isto revelado.

2 Calae-vos, moradores da ilha, vós a quem encheram os mercadores de Sidon, navegando pelo mar.

3 E a sua provisão era a semente de Sichor, que vinha com as muitas aguas da sega do rio, e era a feira das nações.

4 Envergonha-te, ó Sidon, porque já o mar, a fortaleza do mar, falla, dizendo: Eu não tive dôres de parto, nem pari, nem ainda creei mancebos, nem eduquei donzellas.

5 Como com as novas do Egypto, assim haverá dôres quando se ouvirem as de Tyro.

6 Passae a Tharsis: uivae, moradores da ilha.

7 É esta porventura [2] a vossa cidade que andava pulando de alegria? cuja antiguidade é dos dias antigos? pois leval-a-hão os seus proprios pés para longe andarem a peregrinar.

8 Quem formou este designio contra Tyro, a coroadora? cujos mercadores são principes e cujos negociantes os mais nobres da terra?

9 O Senhor dos Exercitos formou este designio para profanar a soberba de todo o ornamento, e envilecer os mais nobres da terra.

10 Passa-te como rio pela tua terra, ó filha de Tharsis, pois já não ha precinta.

11 A sua mão estendeu sobre o mar, e turbou os reinos: o Senhor deu mandado contra Canaan, que se destruissem as suas fortalezas.

12 E disse: [3] Nunca mais pularás de alegria, ó opprimida donzella, filha de Sidon: levanta-te, passa a Chittim, e ainda ali não terás descanço.

13 Vêde a terra dos chaldeos, ainda este povo não era povo; a Assyria o fundou para os que moravam no deserto: levantaram as suas fortalezas, e edificaram os seus paços; porém a arruinou de todo.

14 Uivae, [4] navios de Tharsis, porque já é destruida a vossa força.

15 E será n’aquelle dia que Tyro será posta em esquecimento por setenta annos, como os dias d’um rei: porém no fim de setenta annos haverá em Tyro cantigas, como a cantiga d’uma prostituta.

16 Toma a harpa, rodeia a cidade, ó prostituta entregue ao esquecimento; toca bem, canta e repete a aria, para que haja memoria de ti.

17 Porque será no fim de setenta annos que o Senhor visitará a Tyro, e se tornará á sua ganancia de prostituta, e fornicará com todos os reinos da terra que ha sobre a face da terra.

18 E o seu commercio e a sua ganancia de prostituta será [5] consagrado ao Senhor; não se enthesourará, nem se fechará; mas o seu commercio será para os que habitam perante o Senhor, para que comam até se saciarem, e tenham vestimenta duravel.

[1] Jer. 25.22 e 47.4. Eze. 26 e 27 e 28. Amós 1.9. Zac. 9.2, 4. ver. 12.

[2] cap. 22.2.

[3] Apo. 18.22. ver. 1.

[4] ver. 1. Eze. 27.25, 30.

[5] Zac. 14.20, 21.

Predicção do castigo dos israelitas, e o seu bom effeito. A promessa de livramento e da ruina dos seus inimigos. Cantico de louvor pela misericordia de Deus.

[Antes de Christo 712]

24 Eis que o Senhor esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua face, e espalha os seus moradores.

2 E assim como fôr o povo, [1] assim será o sacerdote; como o servo, assim o seu senhor; como a serva, assim a sua senhora; [2] como o comprador, assim o vendedor; como o que empresta, assim o que toma emprestado; como o que dá usura, assim o que toma usura.

3 De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada, porque o Senhor pronunciou esta palavra.

4 A terra pranteia e se murcha: o mundo enfraquece e se murcha: enfraquecem os mais altos do povo da terra.

5 Porque a terra [3] está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e aniquilam a alliança eterna.

6 Por isso [4] a maldição consome a terra; e os que habitam n’ella serão desolados; por isso serão queimados os moradores da terra, e poucos homens ficarão de resto.

7 Pranteia o mosto, [5] enfraquece a vida; e suspirarão todos os alegres de coração.

8 Já cessou o folguedo [6] dos tamboris, acabou o arruido dos que pulam de prazer, e descançou a alegria da harpa.

9 Com cantares não beberão vinho; a bebida forte será amarga para os que a beberem.

10 Já demolida está a cidade vazia, todas as casas fecharam, ninguem já pode entrar.

11 Um lastimoso clamor por causa do vinho se ouve nas ruas: toda a alegria se escureceu, já se desterrou o gozo da terra.

12 Desolação ainda ficou de resto na cidade, e com estalidos se quebra a porta.

13 Porque assim será no interior da terra, e no meio d’estes povos, [7] como a sacudidura da oliveira, e como os rabiscos, quando está acabada a vindima.

14 Estes alçarão a sua voz, e cantarão com alegria; e por causa da gloria do Senhor exultarão desde o mar.

15 Por isso glorificae ao Senhor nos valles, [8] e nas ilhas do mar ao nome do Senhor Deus d’Israel.

16 Dos ultimos fins da terra ouvimos psalmos para gloria do Justo; porém agora digo eu: Emmagreço, emmagreço, ai de mim! [9] os perfidos tratam perfidamente, e com perfidia tratam os perfidos perfidamente.

17 O temor, e a cova, e o laço veem sobre ti, [10] ó morador da terra.

18 E será que aquelle que fugir da voz do temor cairá na cova, e o que subir da cova o laço o prenderá; [11] porque já as janellas do alto se abrem, e os fundamentos da terra tremerão.

19 De todo será quebrantada a terra, [12] de todo se romperá a terra, e de todo se moverá a terra.

20 De todo balanceará [13] a terra como o bebado, e será movida e removida como a choça de noite; e a sua transgressão se aggravará sobre ella, e cairá, e nunca mais se levantará.

21 E será que n’aquelle dia o Senhor visitará os exercitos do alto na altura, e os reis da terra sobre a terra.

22 E juntamente serão amontoados como presos n’uma masmorra, e serão encarcerados n’um carcere: e outra vez serão visitados depois de muitos dias.

23 E a lua [14] se envergonhará, e o sol se confundirá quando [15] o Senhor dos Exercitos reinar no monte de Sião e em Jerusalem; e então perante os seus anciãos haverá gloria.

[1] Ose. 4.9.

[2] Eze. 7.12, 13.

[3] Gen. 3.17. Num. 35.33.

[4] Mal. 4.6.

[5] cap. 16.8, 9. Joel 1.10, 12.

[6] Jer. 7.34 e 16.9 e 25.10. Eze. 26.13. Ose. 2.11. Apo. 18.22.

[7] cap. 17.5, 6.

[8] Mal. 1.11.

[9] Jer. 5.11.

[10] I Reis 19.17. Jer. 48.43, 44. Amós 5.19.

[11] Gen. 7.11.

[12] Jer. 4.23.

[13] cap. 19.14.

[14] cap. 13.10 e 60.19. Eze. 32.7. Joel 2.11 e 3.15.

[15] Apo. 19.4, 6. Heb. 12.22.

25 Ó Senhor, tu és o meu Deus; [1] exaltar-te-hei a ti, e louvarei o teu nome, porque fizeste maravilhas: os teus conselhos antigos são verdade e firmeza.

2 Porque da cidade fizeste [2] um montão de pedras, e da forte cidade uma inteira ruina, e do paço dos estranhos, que não seja mais cidade, e jámais se torne a edificar.

3 Pelo que te glorificará [3] um poderoso povo, e a cidade das nações formidaveis te temerá.

4 Porque foste a fortaleza do pobre, e a fortaleza do necessitado, na sua angustia: refugio contra o alagamento, [4] e sombra contra o calor; porque o sopro dos tyrannos é como o alagamento contra o muro.

5 Como o calor em logar secco, assim abaterás o impeto dos estranhos; como se aplaca o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o cantico dos tyrannos será humilhado.

6 E o Senhor dos Exercitos [5] fará n’este monte a todos os povos um convite de cevados, convite de vinhos puros, de tutanos gordos, e de vinhos puros, bem purificados.

7 E devorará n’este monte a mascara do rosto, com que todos os povos andam cobertos, [6] e a cobertura com que todas as nações se cobrem.

8 Devorará tambem [7] a morte com victoria, [8] e assim enxugará o Senhor JEHOVAH as lagrimas de todos os rostos, e tirará o opprobrio do seu povo de toda a terra; porque o Senhor o disse.

9 E n’aquelle dia se dirá: [9] Eis-que este é o nosso Deus, a quem aguardavamos, e elle nos salvará: este é o Senhor, a quem aguardavamos: na sua salvação pois nos gozaremos e alegraremos.

10 Porque a mão do Senhor descançará n’este monte; mas Moab será trilhado debaixo d’elle, como se trilha a palha no monturo.

11 E estenderá as suas mãos por entre elles, como as estende o nadador para nadar: e abaterá a sua altivez com as ciladas das suas mãos d’elles.

12 E abaixará as altas fortalezas dos teus muros, as abaterá e as derribará em terra até ao pó.

[1] Exo. 15.2.

[2] cap. 21.9 e 23.13. Jer. 51.37.

[3] Apo. 11.13.

[4] cap. 4.6.

[5] cap. 2.2, 3. Pro. 9.2. Mat. 22.4. Dan. 7.14. Mat. 8.11.

[6] II Cor. 3.15.

[7] Ose. 13.14. I Cor. 15.54. Apo. 7.17 e 21.4.

[8] Apo. 7.17 e 21.4.

[9] Gen. 49.18. Tito 2.13.

26 N’aquelle dia [1] se cantará este cantico na terra de Judah: Uma forte cidade temos, Deus lhe poz a salvação por muros e antemuros.

2 Abri as portas, para que entre n’ellas a nação justa, que observa a verdade.

3 Tu conservarás em paz aquelle cuja mente está firme em ti, porque confiará em ti.

4 Confiae no Senhor perpetuamente; [2] porque em Deus Senhor ha uma rocha eterna.

5 Porque elle abate os que habitam em logares sublimes, como tambem a cidade exalçada [3] humilhará até ao chão, e a derribará até ao pó.

6 O pé a atropellará; os pés dos afflictos, e os passos dos pobres.

7 O caminho do justo é todo plano: tu rectamente pesas o andar do justo.

8 Até no caminho dos teus juizos, Senhor, te esperamos, [4] no teu nome e na tua lembrança está o desejo da nossa alma.

9 Na minha alma [5] te desejei de noite, e com o meu espirito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te; porque, havendo os teus juizos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.

10 Ainda que se faça favor [6] ao impio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da rectidão obra iniquidade, e não olha para a alteza do Senhor.

11 Ó Senhor, ainda que esteja exaltada a tua mão, [7] nem por isso a vêem: vel-a-hão, porém, e confundir-se-hão por causa do zelo que tens do teu povo; e o fogo consumirá a teus adversarios.

12 Ó Senhor, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras.

13 Ó Senhor Deus nosso, [8] já outros senhores teem tido dominio sobre nós; porém, por ti só, nos lembramos do teu nome.

14 Morrendo elles, não tornarão a viver; fallecendo, não resuscitarão; por isso os visitaste e destruiste, e apagaste toda a sua memoria.

15 Tu, Senhor, augmentaste a esta gente, tu augmentaste a esta gente, fizeste-te glorioso; mas longe os lançaste, a todos os fins da terra.

16 Ó Senhor, no aperto te visitaram; [9] vindo sobre elles a tua correcção, derramaram a sua oração secreta.

17 Como [10] a mulher gravida, quando está proxima ao parto, tem dôres do parto, e dá gritos nas suas dôres, assim fomos nós por causa da tua face, ó Senhor!

18 Bem concebemos nós, e tivemos dôres de parto, porém parimos só vento: livramento não trouxemos á terra, nem cairam os moradores do mundo.

19 Os [11] teus mortos viverão, como tambem o meu corpo morto, e assim resuscitarão; despertae e exultae, os que habitaes no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho de hortaliças, e a terra lançará de si os mortos.

20 Vae pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti: [12] esconde-te por um só momento, até que passe a ira.

21 Porque eis-que o Senhor [13] sairá do seu logar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos á espada.

[1] cap. 2.11 e 60.18.

[2] cap. 45.17.

[3] cap. 25.12 e 32.19.

[4] cap. 64.4, 5.

[5] Can. 3.1.

[6] Ecc. 8.12. Rom. 2.4.

[7] cap. 5.12.

[8] II Chr. 12.8.

[9] Ose. 5.15.

[10] cap. 13.8. João 16.21.

[11] Dan. 12.2.

[12] cap. 54.7, 8. II Cor. 4.17.

[13] Miq. 1.3. Jud. 14.

27 N’aquelle dia o Senhor castigará com a sua espada dura, grande e forte, ao Leviathan, aquella serpente [VR] comprida, e ao Leviathan, aquella serpente [1] tortuosa, e matará o dragão, que está no mar.

2 N’aquelle dia haverá uma vinha de vinho tinto; [2] cantae d’ella.

3 Eu o Senhor a guardo, e cada momento a regarei; para que ninguem lhe faça damno, de noite e de dia a guardarei.

4 Já não ha furor em mim: [3] quem me poria sarças e espinheiros diante de mim na guerra? eu iria contra elles e juntamente os queimaria.

5 Ou pegue [4] da minha força, e faça paz comigo: paz fará comigo.

6 Dias virão em que Jacob lançará raizes, [5] e florescerá e brotará Israel, e encherão de fructo a face do mundo.

7 Porventura feriu-o elle como feriu aos que o feriram? ou matou-o elle assim como matou aos que foram mortos por elle?

8 Com medida contendeste com ella, quando a rejeitaste, [6] quando a tirou com o seu vento forte, no tempo do vento leste.

9 Por isso se expiará a iniquidade de Jacob, e este será todo o fructo, de se ter dado peccado: quando fizer a todas as pedras do altar como pedras de cal feitas em pedaços, então os bosques e as imagens do sol não poderão ficar em pé.

10 Porque a forte cidade ficará solitaria, e a morada será rejeitada e desamparada como um deserto; ali [7] pastarão os bezerros, e ali se deitarão, e devorarão as suas ramas.

11 Quando as suas ramas se seccarem, serão quebradas, e, vindo as mulheres, as accenderão, [8] porque este povo não é povo de entendimento, pelo que aquelle que o fez não se compadecerá d’elle, nem aquelle que o formou lhe fará graça alguma.

12 E será [9] n’aquelle dia que o Senhor o padejará como se padeja o trigo, desde as correntes do rio, até ao rio do Egypto; e vós, ó filhos de Israel, sereis colhidos um a um.

13 E será n’aquelle dia que se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assyria, e os que foram desterrados para a terra do Egypto tornarão a vir, e adorarão ao Senhor no monte sancto em Jerusalem.

[1] Eze. 32.2.

[2] cap. 5.1. Jer. 2.21.

[3] II Sam. 23.6. cap. 9.18.

[4] cap. 25.4. Job 22.21.

[5] cap. 37.31. Ose. 14.5, 6.

[6] Jer. 10.24 e 30.11 e 46.28.

[7] cap. 17.2 e 32.14.

[8] Deu. 32.28. cap. 1.3. Jer. 8.7. Deu. 32.18. cap. 43.1, 7 e 44.2, 21, 24.

[9] cap. 2.11. Mat. 24.31. Apo. 11.15.

O annuncio do castigo de Ephraim e de Judah por causa da sua impenitencia.

[Antes de Christo 725]

28 Ai da corôa [1] de soberba dos bebados de Ephraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cae, que está sobre a cabeça do fertil valle dos feridos do vinho.

2 Eis que o Senhor tem um valente e poderoso que [2] como um alagamento de saraiva, tormenta de destruição, e como um alagamento de impetuosas aguas que trasbordam, com a mão derribará por terra.

3 A corôa [3] de soberba dos bebados de Ephraim será pisada aos pés.

4 E a flor caida do seu [4] glorioso ornamento, que está sobre a cabeça do fertil valle, será como a bêbera antes do verão, que, vendo a alguem, e tendo-a ainda na mão, a engole.

5 N’aquelle dia o Senhor dos Exercitos será por corôa gloriosa, e por grinalda formosa, para os residuos de seu povo;

6 E por espirito de juizo, para o que se assenta a julgar, e por fortaleza para os que fazem retirar a peleja até á porta.

7 Mas tambem estes [VS] erram com o vinho [5] e com a bebida forte se desencaminham: até [6] o sacerdote e o propheta erram por causa da bebida forte; são devorados do vinho; se desencaminham com a bebida forte, andam errados na visão, e tropeçam no juizo.

8 Porque todas as suas mesas estão cheias de vomitos e sujidade, até não haver mais logar limpo.

9 A quem [7] pois se ensinaria a sciencia? e a quem se daria a entender o que se ouviu? ao desmamado do leite, e ao arrancado dos peitos.

10 Porque é mandamento, sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra: um pouco aqui, um pouco ali.

11 Pelo que por [8] labios de gago, e por outra lingua, fallará a este povo.

12 Ao qual disse: Este é o descanço, dae descanço ao cançado, e este é o refrigerio: porém não quizeram ouvir.

13 Assim pois a palavra do Senhor lhes será mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para traz, e se quebrantem, e se enlacem, e sejam presos.

14 Pelo que ouvi a palavra do Senhor, homens escarnecedores, que dominam este povo, que está em Jerusalem.

15 Porquanto dizeis: Fizemos concerto com a morte, e com o [VT] inferno fizemos alliança; quando passar o diluvio do açoite, não chegará a nós, porque pozemos a mentira por nosso refugio, e debaixo da falsidade nos escondemos.

16 Portanto assim diz o Senhor Jehovah: [9] Eis que eu fundo em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada: aquelle que crer não se apresse.

17 E regrarei o juizo ao cordel, e a justiça ao nivel, [10] e a saraiva varrerá o refugio da mentira, e as aguas cobrirão o esconderijo.

18 E o vosso concerto com a morte se annulará; e a vossa alliança com o inferno não subsistirá; e, quando o diluvio do açoite passar, então sereis d’elle pisados.

19 Desde que começa a passar, vos arrebatará, porque todas as manhãs passará, de dia e de noite: e será que sómente o ouvir a fama causará grande turbação.

20 Porque a cama será tão curta que ninguem se poderá estender n’ella; e o cobertor tão estreito que se não possa cobrir com elle.

21 Porque o Senhor se levantará como no monte [11] de Perazim, e se irará, como no valle de Gibeon, para fazer a sua obra, a sua estranha obra, e para executar o seu acto, o seu estranho acto.

22 Agora pois mais não escarneçaes, para que vossas ataduras se não façam mais fortes: porque já ao Senhor Jehovah dos Exercitos ouvi [12] fallar d’uma [VU] destruição, e essa já está determinada sobre toda a terra.

23 Inclinae os ouvidos, e ouvi a minha voz: attendei bem, e ouvi o meu discurso.

24 Porventura lavra todo o dia o lavrador, para semear? ou abre e desterroa todo o dia a sua terra?

25 Porventura não é assim? quando já tem gradado a sua superficie, então esparge n’ella ervilhaca, e derrama cominho: ou lança n’ella do melhor trigo, ou cevada escolhida, ou centeio, cada qual no seu logar.

26 O seu Deus o ensina, e o instrue ácerca do que ha de fazer.

27 Porque a ervilhaca não se trilha com trilho, nem sobre o cominho passa roda de carro; mas com uma vara se sacode a ervilhaca, e o cominho com um páu.

28 O trigo é esmiuçado, mas não se trilha continuamente, nem se esmiuça com as rodas do seu carro, nem se quebranta com os seus cavallos.

29 Até isto procede do Senhor dos Exercitos; [13] porque é maravilhoso em conselho e grande em obra.

[1] ver. 3 e 4.

[2] cap. 30.30. Eze. 13.11.

[3] ver. 1.

[4] ver. 1.

[5] Pro. 20.1. Ose. 4.11.

[6] cap. 56.10, 12.

[7] Jer. 6.10.

[8] I Cor. 14.21.

[9] Gen. 49.24. Mat. 21.42. Act. 4.11. Rom. 9.33 e 10.11. Eph. 2.20. I Ped. 2.6, 7, 8.

[10] ver. 15.

[11] II Sam. 5.20. I Chr. 14.11. Jos. 10.10, 12. II Sam. 5.25. I Chr. 14.16.

[12] cap. 10.22, 23. Dan. 9.27.

[13] Jer. 32.19.

Prophecia contra Judah infiel: promessa de livramento.

[Antes de Christo 712]

29 Ai d’Ariel, [1] Ariel, a cidade em que David assentou o seu arraial! accrescentae anno a anno, e [VV] sacrifiquem sacrificios festivos.

2 Comtudo porei a Ariel em aperto, e haverá pranto e tristeza: e a cidade me será como Ariel.

3 Porque te cercarei com o meu arraial, e te sitiarei com baluartes, e levantarei tranqueiras contra ti.

4 Então serás abatida, fallarás desde debaixo da terra, e a tua falla desde o pó sairá fraca, [2] e será a tua voz desde debaixo da terra, como a d’um feiticeiro, e a tua falla assobiará desde debaixo do pó.

5 E a multidão dos teus [VW] inimigos será como [3] o pó miudo, e a multidão dos [VX] tyrannos como a pragana que passa, e n’um momento repentino succederá.

6 Do Senhor dos Exercitos serás visitada com trovões, e com terremotos, e grande arroido com tufão de vento, e tempestade, e labareda de fogo consumidor.

7 E como o sonho de visão de noite, assim será a multidão de todas as nações que pelejarão contra Ariel, como tambem todos os que pelejarão contra ella e contra os seus muros, e a porão em aperto.

8 Será tambem como [4] o faminto que sonha, e eis-que lhe parece que come, porém, acordando, se acha a sua alma vazia, ou como o sequioso que sonha, e eis-que lhe parece que bebe, porém, acordando, eis-que ainda desfallecido se acha, e a sua alma com sêde: assim será toda a multidão das nações, que pelejarem contra o monte de Sião.

9 Tardam, porém, pelo que vos maravilhae, andam folgando, portanto clamae: [5] bebados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte.

10 Porque [6] o Senhor derramou sobre vós um espirito de profundo somno, e fechou os vossos olhos; vendou os prophetas, e os vossos cabeças, e os videntes.

11 Pelo que toda a visão vos é como as palavras d’um [7] livro sellado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora lê isto: e elle dirá: Não posso, [8] porque está sellado.

12 Ou dá-se o livro ao que não sabe lêr, dizendo: Ora lê isto: e elle dirá: Não sei ler.

13 Porque o Senhor disse: [9] Pois que este povo se chega para mim com a sua bocca, e com os seus labios me honra, porém o seu coração afugenta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em [10] mandamentos de homens, [VY] em que foi instruido;

14 Portanto [11] eis-que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio d’este povo; uma obra maravilhosa e um assombro, porque [12] a sabedoria dos seus sabios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá.

15 Ai [13] dos que querem esconder profundamente o conselho do Senhor, e fazem as suas obras ás escuras, e dizem: Quem nos vê? e quem nos conhece?

16 Vossa perversidade é, como se o oleiro fosse egual ao barro, [14] e a obra dissesse ao seu artifice: Não me fez; e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Nada sabe.

17 Porventura não se converterá o Libano, n’um breve momento, em campo fertil? e o campo fertil não se reputará por um bosque?

18 E n’aquelle dia [15] os surdos ouvirão as palavras do livro, e d’entre a escuridão e d’entre as trevas as verão os olhos dos cegos.

19 E os mansos [16] terão gozo sobre gozo no Senhor; e os necessitados entre os homens se alegrarão no sancto de Israel:

20 Porque o [VZ] tyranno fenece, [17] e se consome o escarnecedor, e todos os que se dão á iniquidade são extirpados;

21 Os que fazem culpado ao homem por uma palavra, [18] e armam laços ao que os reprehende na porta, e os que [WA] lançam o justo para o deserto.

22 Portanto assim diz o Senhor, [19] que remiu a Abrahão, ácerca da casa de Jacob: Jacob não será agora mais envergonhado, nem agora se descorará mais a sua face.

23 Mas vendo elle a seus filhos, [20] a obra das minhas mãos, no meio d’elle, então sanctificarão o meu nome, e sanctificarão ao Sancto de Jacob, e temerão ao Deus de Israel.

24 E os errados [21] de espirito virão a ter entendimento, e os murmuradores aprenderão [WB] doutrina.

[1] Eze. 43.15, 16. II Sam. 5.9.

[2] cap. 8.19.

[3] Job 21.18. cap. 17.13.

[4] Job 20.8.

[5] cap. 28.7, 8 e 51.21.

[6] Rom. 11.8. cap. 6.10.

[7] cap. 8.16.

[8] Dan. 12.4, 9. Apo. 5.1, 5, 9 e 6.1.

[9] Eze. 33.31. Mat. 15.8, 9. Mar. 7.6, 7.

[10] Col. 2.22.

[11] Hab. 1.5.

[12] Jer. 49.7. Abd. 8. I Cor. 1.19.

[13] cap. 30.1.

[14] cap. 45.9. Rom. 9.20.

[15] cap. 35.5.

[16] cap. 61.1. Thi. 2.5.

[17] cap. 28.14, 22. Miq. 2.1.

[18] Amós 5.10, 12. Pro. 28.21.

[19] Jos. 24.3.

[20] cap. 19.25 e 45.11 e 60.21. Eph. 2.10.

[21] cap. 28.7.

30 Ai dos filhos que se rebellam, diz o Senhor, [1] que tomaram conselho, mas não de mim; e que se cobriram com cobertura, mas não que venha do meu espirito; para assim accrescentarem peccado sobre peccado.

[Antes de Christo 713]

2 Que [2] vão descer ao Egypto, e não perguntam á minha bocca; para se fortificarem com a força de Pharaó, e para confiarem na sombra do Egypto.

3 Porque a força de Pharaó se vos tornará [3] em vergonha, e a confiança na sombra do Egypto em confusão.

4 Havendo estado [4] os seus principes em Zoan, e havendo chegado os seus embaixadores a Hanes,

5 Então todos [5] se envergonharão de um povo que de nada lhes aproveitará nem d’ajuda, nem de proveito, antes de vergonha, e até d’opprobrio, lhes servirá.

6 Peso [6] das bestas do sul. Para a terra d’afflicção e de angustia (d’onde vem a leôa e o leão, o basilisco, e o aspide ardente voador) levarão ás costas de jumentinhos as suas fazendas, e sobre as corcovas de camelos os seus thesouros, a um povo que de nada lhes aproveitará.

7 Porque [7] o Egypto os ajudará em vão, e por demais: pelo que clamei ácerca d’isto: No estarem quietos será a sua força.

8 Vae pois agora, [8] escreve isto n’uma taboa perante elles, e aponta-o n’um livro; para que fique firme até ao dia ultimo, para sempre e perpetuamente.

9 Porque [9] um povo rebelde é este, são filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor.

10 Que dizem aos videntes: Não vejaes; e aos que attentam: Não attenteis para nós no que é recto: dizei-nos coisas apraziveis, e vede para nós enganadoras lisonjas.

11 Desviae-vos do caminho, apartae-vos da vereda: fazei que cesse o Sancto de Israel de vir perante nós.

12 Pelo que assim diz o Sancto de Israel: Porquanto rejeitaes esta palavra, e confiaes na oppressão e perversidade, e sobre isso vos estribaes,

13 Por isso esta maldade vos será como a parede fendida, que vae caindo e já fórma barriga desde o mais alto muro, cuja queda virá subitamente n’um momento.

14 E os quebrará [10] como quebram o vaso do oleiro, e, quebrando-os, não se compadecerá d’elles: nem ainda um se achará entre os seus pedaços para tomar fogo do lar, ou tirar agua da poça.

15 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH, o Sancto d’Israel: [11] Tornando-vos e descançando, ficarieis livres, e no socego e na confiança estaria a vossa força, porém não quizestes.

16 E dizeis: Não; antes sobre cavallos fugiremos; mas por isso mesmo fugireis; e, Sobre cavallos ligeiros cavalgaremos; por isso os vossos perseguidores tambem serão ligeiros.

17 Mil [12] homens fugirão ao grito d’um, e ao grito de cinco todos vós fugireis, até que sejaes deixados como o mastro no cume do monte, e como a bandeira no outeiro.

18 Por isso pois o Senhor esperará, para ter misericordia de vós; e por isso será exalçado, para se compadecer de vós, porque o Senhor é um Deus de equidade: [13] bemaventurados todos os que o esperam.

19 Porque o povo em Sião habitará, em Jerusalem: não chorarás de nenhuma sorte; certamente se compadecerá de ti, á voz do teu clamor, e, ouvindo-a, te responderá.

20 Bem vos dará [14] o Senhor, pão d’angustia e agua d’aperto, [15] mas os teus [WC] doutores nunca mais fugirão de ti, como voando com azas; antes os teus olhos verão a todos os teus mestres.

21 E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detraz de ti, dizendo: Este é o caminho, andae n’elle, [16] sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda.

22 E terás por contaminadas [17] as coberturas das tuas esculpturas de prata, e a coberta das tuas esculpturas fundidas d’oiro; e as lançarás fóra como um panno immundo, e dirás a cada uma d’ellas: Fóra d’aqui.

23 Então te dará [18] chuva sobre a tua semente, com que semeares a terra, como tambem pão da novidade da terra; e esta será fertil e cheia; n’aquelle dia tambem o teu gado pastará em logares largos de pasto.

24 E os bois e os jumentinhos que lavram a terra, comerão grão puro, que fôr padejado com a pá, e cirandado com a ciranda.

25 E haverá em todo [19] o monte alto, e em todo o outeiro levantado, ribeiros e correntes d’aguas, no dia da grande matança, quando cairem as torres.

26 E será a [20] luz da lua como a luz do sol, e a luz do sol sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor soldar a quebradura do seu povo, e curar a chaga da sua ferida.

27 Eis que o nome do Senhor vem de longe, a sua ira está ardendo, e a carga é pesada: os seus labios estão cheios de indignação, e a sua lingua como um fogo consumidor.

28 E o seu assopro [21] como o ribeiro trasbordando, que chega até ao pescoço: para sacudir as nações com sacudidura de [WD] vaidade, e como um freio de fazer errar nas queixadas dos povos.

29 Um cantico haverá entre vós, como na noite em que se sanctifica a festa; e alegria de coração, como aquelle que anda com gaita, [22] para vir ao monte do Senhor, á Rocha d’Israel.

30 E o Senhor [23] fará ouvir a gloria da sua voz, e fará ver o abaixamento do seu braço, com indignação de ira, e labareda de fogo consumidor, [24] raios e diluvio e pedra de saraiva.

31 Porque [25] com a voz do Senhor será desfeita em pedaços Assyria, que feriu com a vara.

32 E será, em todas as partes por onde passar o bordão affincado, que, sobre aquelle que o Senhor o puzer, ali estarão com tamboris e harpas; porque com combates de agitação combaterá contra elles.

33 Porque [26] já Tophet está preparada desde hontem, e já está preparada para o rei, já a afundou e alargou: a sua facha é de fogo, e tem muita lenha; o assopro do Senhor como a torrente de enxofre a accenderá.

[1] cap. 29.15.

[2] cap. 31.1. Jos. 9.14. I Reis 22.7.

[3] cap. 20.5.

[4] cap. 19.11.

[5] Jer. 2.36.

[6] Ose. 3.9.

[7] ver. 15.

[8] Hab. 2.2.

[9] Deu. 32.20. cap. 1.4. ver. 1.

[10] cap. 29.5. Jer. 19.11.

[11] ver. 7. cap. 7.4. Mat. 23.37.

[12] Lev. 26.8. Deu. 28.25 e 32.30. Jos. 23.10.

[13] Pro. 16.20. Jer. 17.7.

[14] I Reis 22.27.

[15] Amós 8.11.

[16] Jos. 1.7.

[17] cap. 2.20 e 31.7.

[18] Mat. 6.33.

[19] cap. 2.14, 15 e 44.3.

[20] cap. 60.19, 20.

[21] cap. 11.4. II The. 2.8. cap. 8.8.

[22] cap. 2.3.

[23] cap. 29.6.

[24] cap. 28.2 e 32.19.

[25] cap. 37.36. cap. 10.5, 24.

[26] Jer. 7.31 e 19.6, etc.

31 Ai dos que [1] descem ao Egypto a buscar soccorro, e se estribam em cavallos; e teem confiança em carros, porque são muitos, e nos cavalleiros, porque são poderosissimos: [2] e não attentam para o Sancto d’Israel, e não buscam ao Senhor.

2 Todavia tambem elle é sabio, e faz vir o mal, [3] e não retirou as suas palavras; e se levantará contra a casa dos malfeitores, e contra a ajuda dos que obram a iniquidade.

3 Porque os egypcios são homens, e não Deus; e os seus cavallos carne, e não espirito; e o Senhor estenderá a sua mão, e dará comsigo em terra o auxiliador, e cairá o ajudado, e todos juntamente serão consumidos.

4 Porque assim me disse o Senhor: [4] Como o leão, e o cachorro do leão, ruge sobre a sua preza, ainda que se convoquem contra elle uma multidão de pastores; não se espanta das suas vozes, nem se abate pela sua multidão: [5] assim o Senhor dos Exercitos descerá, para pelejar pelo monte de Sião, e pelo seu outeiro.

5 Como as aves [6] andam voando, assim o Senhor dos Exercitos amparará a Jerusalem: e, amparando, a livrará, e, passando, a salvará.

6 Convertei-vos pois áquelle contra quem os filhos d’Israel se rebellaram tão profundamente.

7 Porque n’aquelle dia cada um lançará [7] fóra os seus idolos de prata, e os seus idolos d’oiro, que vos fabricaram as vossas mãos para peccardes.

8 E a Assyria cairá pela espada, não de varão; e a espada, não de homem, a consumirá; e fugirá perante a espada, e os seus mancebos serão derrotados.

9 E de medo se passará [8] á sua rocha, e os seus principes se assombrarão da bandeira, diz o Senhor, cujo fogo está em Sião e a sua fornalha em Jerusalem.

[1] cap. 30.2 e 36.6. Eze. 17.15. cap. 36.9.

[2] Dan. 9.13.

[3] Num. 23.19.

[4] Ose. 11.10. Amós 3.8.

[5] cap. 42.13.

[6] Deu. 32.11.

[7] cap. 2.20 e 30.22. I Reis 12.30.

[8] cap. 37.37.

32 Eis ahi está que reinará [1] um Rei em justiça, e dominarão os principes segundo o juizo.

2 E será aquelle Varão como um esconderijo contra o vento, [2] e um refugio contra a tempestade, como ribeiros d’aguas em logares seccos, e como a sombra d’uma grande rocha em terra sedenta.

3 E os olhos dos que veem não olharão para [3] traz: e os ouvidos dos que ouvem estarão attentos.

4 E o coração dos imprudentes entenderá a sabedoria; e a lingua dos gagos estará prompta para fallar distinctamente.

5 Ao louco nunca mais se chamará liberal; e do avarento nunca mais se dirá que é generoso.

6 Porque o louco falla louquices, e o seu coração obra a iniquidade, para usar d’hypocrisia, e para fallar erros contra o Senhor, para deixar vazia a alma do faminto, e fazer com que o sedento venha a ter falta de beber.

7 Tambem todos os instrumentos do avarento são maus: elle maquina invenções malignas, para destruir os afflictos com palavras falsas, como tambem ao juizo, quando o pobre chega a fallar.

8 Mas o liberal projecta liberalidade, e pela liberalidade está em pé.

9 Levantae-vos, mulheres que estaes em repouso, e ouvi a minha voz: e vós, filhas, que estaes tão seguras, inclinae os ouvidos ás minhas palavras.

10 Muitos dias de mais do anno vireis a ser turbadas, ó filhas que estaes tão seguras; porque a vindima se acabará, e a colheita não virá.

11 Tremei vós que estaes em repouso, e turbae-vos vós, filhas, que estaes tão seguras: despi-vos, e ponde-vos nuas, e cingi com sacco os vossos lombos.

12 Lamentar-se-ha sobre os peitos, sobre os campos desejaveis, e sobre as vides fructuosas.

13 Sobre a terra [4] do meu povo virão espinheiros e sarças; como tambem sobre todas as casas de alegria, [5] na cidade que anda pulando de prazer.

14 Porque [6] o palacio será desamparado, o arroido da cidade cessará: e Ophel e as torres da guarda servirão de cavernas eternamente, para alegria dos jumentos montezes, e para pasto dos gados;

15 Até que se derrame sobre nós o espirito [7] do alto: então o deserto se tornará em campo fertil, e o campo fertil será reputado por um bosque.

16 E o juizo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fertil.

17 E o effeito [8] da justiça será paz, e a operação da justiça repouso e segurança, para sempre.

18 E o meu povo habitará em morada de paz, e em moradas bem seguras, e em logares quietos de descanço.

19 Mas, descendo ao bosque, [9] saraivará e a cidade se abaixará inteiramente.

20 Bemaventurados vós os que semeaes sobre todas as aguas: [10] e para lá enviaes o pé do boi e do jumento.

[1] Jer. 23.5. Zac. 9.9.

[2] cap. 4.6 e 25.4.

[3] cap. 29.18 e 35.5, 6.

[4] cap. 34.13. Ose. 9.6.

[5] cap. 22.2.

[6] cap. 27.10.

[7] Joel 2.28. cap. 29.17 e 35.2.

[8] Thi. 3.18.

[9] cap. 30.30. Zac. 11.2.

[10] cap. 30.24.

Os inimigos do povo de Deus serão destruidos: Jerusalem será restaurada á sua gloria e felicidade.

33 Ai de ti [1] desolador, que não foste desolado, e que obras perfidamente contra os que não obraram perfidamente contra ti! acabando tu de desolar, serás desolado: e, acabando tu de tratar perfidamente, se tratará perfidamente contra ti.

2 Senhor, tem misericordia de nós, [2] por ti temos esperado: sê tu o seu braço nas madrugadas, como tambem a nossa salvação no tempo da tribulação.

3 Á voz do arroido fugirão os povos: á tua exaltação as gentes serão dispersas.

4 Então ajuntar-se-ha o vosso despojo como se apanha o pulgão: como os gafanhotos saltam, ali saltará.

5 O Senhor está exalçado, pois habita nas alturas: encheu a Sião de juizo e justiça.

6 E será que a firmeza dos teus tempos, e a força das tuas salvações, será a sabedoria e a sciencia: e o temor do Senhor será o seu thesouro.

7 Eis-que os seus embaixadores estão clamando de fóra; e os mensageiros de paz estão chorando amargamente.

8 As estradas estão desoladas, [3] cessam os que passam pelas veredas: desfaz a alliança, despreza as cidades, e a homem nenhum estima.

9 A terra geme e pranteia, o Libano se envergonha e se murcha; Saron se tornou como um deserto; e Basan e Carmelo foram sacudidos.

10 Agora pois me levantarei, diz o Senhor: agora serei exaltado, agora serei posto em alto.

11 Concebestes [4] palha, parireis pragana: e o vosso espirito vos devorará como fogo.

12 E os povos serão como os incendios de cal: [5] como espinhos cortados arderão no fogo.

13 Ouvi, [6] vós os que estaes longe, o que tenho feito: e vós, que estaes visinhos, conhecei o meu poder.

14 Os peccadores de Sião se assombraram, o tremor surprehendeu os hypocritas. Quem d’entre nós habitará com o fogo consumidor? quem d’entre nós habitará com as labaredas eternas?

15 O que [7] anda em justiça, e o que falla equidades; o que arremessa para longe de si o ganho de oppressões; o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir ácerca de sangue [8] e fecha os seus olhos para não ver o mal,

16 Este habitará nas alturas, as fortalezas das rochas serão o seu alto refugio, o seu pão se lhe dá, as suas aguas são certas.

17 Os teus olhos verão o Rei na sua formosura, e verão a terra que está longe.

18 O teu coração considerará o assombro, dizendo: [9] Onde o escrivão, onde o [WE] pagador? onde o que conta as torres?

19 Não verás [10] mais aquelle povo espantavel, povo de falla tão profunda, que não se pode perceber e de lingua tão estranha que não se pode entender.

20 Olha [11] para Sião, a cidade das nossas solemnidades: os teus olhos verão a Jerusalem, habitação quieta, tenda que não será derribada, [12] cujas estacas nunca serão arrancadas, e de cujas cordas nenhuma se quebrará.

21 Mas o Senhor ali nos será grandioso, logar de rios e correntes largas será: barco nenhum de remo passará por elles, nem navio grande navegará por elles.

22 Porque o Senhor é o nosso Juiz: O Senhor é o nosso Legislador: [13] O Senhor é o nosso Rei, elle nos salvará.

23 As tuas cordas se affrouxaram: não poderam ter firme o seu mastro, e vela não estenderam: então a preza d’abundantes despojos se repartirá; e até os côxos roubarão a preza.

24 E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar n’ella será absolto d’iniquidade.

[1] Hab. 2.8. Apo. 13.10.

[2] cap. 25.9.

[3] Jui. 5.6. II Reis 18.14, 15, 16, 17.

[4] cap. 59.4.

[5] cap. 9.18.

[6] cap. 49.1.

[7] Psa. 15.2.

[8] Psa. 119.37.

[9] I Cor. 1.20.

[10] Deu. 28.49, 50. Jer. 5.13.

[11] Psa. 48.13.

[12] cap. 54.2.

[13] Thi. 4.12.

34 Chegae-vos, nações, para ouvir, e vós, povos, escutae: [1] ouça a terra, e a sua plenitude, o mundo, e tudo quanto produz.

2 Porque a indignação do Senhor está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o seu exercito: elle as destruiu totalmente, entregou-as á matança.

3 E os seus mortos serão arremeçados [2] e dos seus corpos subirá o seu fedor; e os montes se derreterão com o seu sangue.

4 E todo o exercito [3] dos céus se [WF] gastará, e os céus se enrolarão como um livro: [4] e todo o seu exercito cairá, como cae a folha da vide, e como cae o figo da figueira.

5 Porque [5] a minha espada se embriagou nos céus: eis que sobre Edom descerá, e sobre o povo do meu anathema para juizo.

6 A espada do Senhor está cheia de sangue, está engordurada da gordura de sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; [6] porque o Senhor tem sacrificio em Bozra, e grande matança na terra de Edom.

7 E os unicornios descerão com elles, e os bezerros com os toiros: e a sua terra beberá sangue até se fartar, e o seu pó de gordura engordará.

8 Porque será o dia da vingança [7] do Senhor, anno de retribuições pela porfia de Sião.

9 E os seus ribeiros [8] se tornarão em pez, e o seu pó em enxofre, e a sua terra em pez ardente.

10 Nem de noite nem de dia se apagará; [9] para sempre o seu fumo subirá: de geração em geração será assolada; de seculo em seculo ninguem passará por ella.

11 Mas o pelicano e a coruja a [10] possuirão, e o bufo e o corvo habitarão n’ella: porque estenderá sobre ella cordel de confusão e nivel de vaidade.

12 Os seus nobres (que já não ha n’ella) ao reino chamarão; porém todos os seus principes não serão coisa nenhuma.

13 E nos seus palacios [11] crescerão espinhos, ortigas e cardos nas suas fortalezas; e será uma habitação de dragões, e sala para os filhos do avestruz.

14 E [WG] os cães bravos se encontrarão com [WH] os gatos bravos; e o [WI] demonio clamará ao seu companheiro: e os animaes nocturnos ali pousarão, e acharão logar de repouso para si.

15 Ali se aninhará a melroa e porá os seus ovos, e tirará os seus pintãos, e os recolherá debaixo da sua sombra: tambem ali os abutres se ajuntarão uns com os outros.

16 Buscae no livro [12] do Senhor, e lêde; nenhuma d’estas coisas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a minha propria bocca o ordenou, e o seu espirito mesmo as ajuntará.

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