A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 8 of 11)
17 Desviar do afflicto a sua mão, não receber usura em demasia, fizer os meus juizos, e andar nos meus estatutos, o tal não morrerá pela maldade de seu pae; certamente viverá.
18 Seu pae, porquanto fez oppressão, roubou os bens do irmão, e fez o que não era bom no meio de seu povo, [14] eis que elle morrerá pela sua maldade.
19 Porém dizeis: [15] Porque não levará o filho a maldade do pae? Porque o filho fez juizo e justiça, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso certamente viverá.
20 A alma [16] que peccar, essa morrerá: [17] o filho não levará a maldade do pae, nem o pae levará a maldade do filho: [18] a justiça do justo será sobre elle, e a impiedade do impio será sobre elle.
21 Mas [19] se o impio se converter de todos os seus peccados que commetteu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer juizo e justiça, certamente viverá; não morrerá.
22 De todas as suas transgressões que commetteu não haverá lembrança [20] contra elle: pela sua justiça que praticou viverá.
23 Porventura [21] de qualquer maneira desejaria eu a morte do impio? diz o Senhor JEHOVAH; porventura não desejo que se converta dos seus caminhos e viva?
24 Mas, [22] desviando-se o justo da sua justiça, e commettendo a iniquidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o impio, porventura viveria? [23] de todas as suas justiças que tiver feito não se fará memoria: na sua transgressão com que transgrediu, e no seu peccado com que peccou, n’elles morrerá.
25 Dizeis, porém: [24] O caminho do Senhor não é [ABE] direito. Ouvi agora, ó casa d’Israel: Porventura não são os vossos caminhos [ABF] indirectos?
26 Desviando-se [25] o justo da sua justiça, e commettendo iniquidade, morrerá por ella: na sua iniquidade que commetteu morrerá.
27 Porém, [26] convertendo-se o impio da sua impiedade que commetteu, e praticando o juizo e a justiça, conservará este a sua alma em vida.
28 Porquanto considera, [27] e se converte de todas as suas transgressões que commetteu; certamente viverá, não morrerá.
29 Comtudo, [28] diz a casa d’Israel: O caminho do Senhor não é direito. Porventura os meus caminhos não serão direitos, ó casa de Israel? porventura não são os vossos caminhos indirectos?
30 Portanto, [29] eu vos julgarei, cada um conforme os seus caminhos, ó casa d’Israel, diz o Senhor JEHOVAH: tornae-vos, [30] e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniquidade não vos servirá de tropeço.
31 Lançae [31] de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, [32] e fazei-vos um coração novo e um espirito novo; pois por que razão morrerieis, ó casa d’Israel?
32 Porque não tomo prazer [33] na morte do que morre, diz o Senhor JEHOVAH: convertei-vos, pois, e vivei.
[1] Jer. 31.29.
[2] ver. 20. Rom. 6.23.
[3] cap. 22.9.
[4] Lev. 18.20 e 20.10. Lev. 18.19 e 20.18.
[5] Exo. 22.21. Lev. 19.15 e 25.14.
[6] Deu. 15.7, 8. Isa. 58.7. Mat. 25.35, 36.
[7] Exo. 22.25. Lev. 25.36, 37. Deu. 23.19. Neh. 5.7.
[8] Deu. 1.16. Zac. 8.16.
[9] cap. 20.11. Amós 5.4.
[10] Gen. 9.6. Exo. 21.12. Num. 35.31.
[11] cap. 8.6, 17.
[12] Lev. 20.9, 11, 12, 13, 16, 27. Act. 18.6.
[13] ver. 6, etc.
[14] cap. 3.18.
[15] Exo. 20.5. Deu. 5.9. II Reis 23.26 e 24.3, 4.
[16] ver. 4.
[17] Deu. 24.16. II Reis 14.6. II Chr. 25.4. Jer. 31.29, 30.
[18] Isa. 3.10, 11. Rom. 2.9.
[19] ver. 27. cap. 33.12, 19.
[20] cap. 33.16.
[21] ver. 32. cap. 33.11. I Tim. 2.4. II Ped. 3.9.
[22] cap. 3.20 e 32.12, 13, 18.
[23] II Ped. 2.20.
[24] ver. 29. cap. 33.17, 20.
[25] ver. 24.
[26] ver. 21.
[27] ver. 14.
[28] ver. 25.
[29] cap. 7.3 e 33.20.
[30] Mat. 3.2. Apo. 2.5.
[31] Eph. 4.22, 23.
[32] Jer. 32.39. cap. 11.19 e 36.26.
[33] Lam. 3.33. ver. 23. cap. 33.11. II Ped. 3.9.
O lamento da leoa; a parabola da videira.
[Antes de Christo 593]
19 E tu levanta [1] uma lamentação sobre os principes d’Israel.
2 E dize: Quem foi tua mãe? uma leoa entre leões deitada creou os seus cachorros no meio dos leõesinhos.
3 E fez crescer um dos seus cachorrinhos, [2] e veiu a ser leãosinho e aprendeu a apanhar a preza; e devorou os homens,
4 E, ouvindo fallar d’elle as nações, foi apanhado na cova d’ellas, [3] e o trouxeram com ganchos á terra do Egypto.
5 Vendo pois ella que havia esperado muito, e que a sua expectação era perdida, tomou outro dos seus cachorros, e fez d’elle um leãosinho.
6 Este pois, andando [4] continuamente no meio dos leões, veiu a ser leãosinho, e aprendeu a apanhar a preza: e devorou homens.
7 E conheceu [ABG] os seus palacios, e destruiu as suas cidades; e assolou-se a terra, e a sua plenitude, ao ouvir o seu rugido.
8 Então se ajuntavam [5] contra elle as gentes das provincias em roda, e estenderam sobre elle a rede, e foi apanhado na cova d’ellas.
9 E metteram-n’o [6] em [ABH] carcere com ganchos, e o levaram ao rei de Babylonia; fizeram-n’o entrar nos logares fortes, [7] para que se não ouvisse mais a sua voz nos montes de Israel.
10 Tua mãe era como [8] uma videira [ABI] na tua quietação, plantada á borda das aguas, fructificando, e foi cheia de ramos, [9] por causa das muitas aguas.
11 E tinha varas fortes para sceptros de dominadores, [10] e elevou-se a sua estatura entre os espessos ramos; e foi vista na sua altura com a multidão dos seus ramos.
12 Porém foi arrancada com furor, foi abatida até á terra, [11] e o vento oriental seccou o seu fructo; quebraram-se e seccaram-se as suas fortes varas, o fogo as consumiu,
13 E agora está plantada no deserto, n’uma terra secca e sedenta.
14 E d’uma vara dos seus ramos saiu fogo [12] que consumiu o seu fructo de maneira que n’ella não ha mais vara forte, sceptro para dominar. Esta é a lamentação, e servirá de lamentação.
[1] cap. 26.17 e 27.2.
[2] ver. 6. II Reis 23.31, 32.
[3] II Reis 23.33. Jer. 22.11, 12.
[4] Jer. 22.13, 17. ver. 13.
[5] II Reis 24.2.
[6] II Chr. 36.6. Jer. 22.18.
[7] cap. 6.2.
[8] cap. 17.6.
[9] Deu. 8.7, 8, 9.
[10] cap. 31.3. Dan. 4.11.
[11] cap. 17.10. Ose. 13.15.
[12] Jui. 9.15.
As abominações da casa de Israel depois do exodo.
20 E aconteceu, no setimo anno, no mez quinto, aos dez do mez, [1] que vieram alguns dos anciãos de Israel, para consultarem o Senhor; e assentaram-se diante de mim.
2 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
3 Filho do homem, falla aos anciãos de Israel, e dize-lhes: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Vindes vós consultar-me? [2] vivo eu, que vós não me consultareis, diz o Senhor JEHOVAH.
4 Porventura tu os julgarias, [3] julgarias tu, ó filho do homem? notifica-lhes as abominações de seus paes;
5 E dize-lhes: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [4] No dia em que escolhi a Israel, levantei a minha mão para a semente da casa de Jacob, e me dei a conhecer a elles na terra do Egypto, [5] e levantei a minha mão para elles, dizendo: Eu sou o Senhor vosso Deus;
6 N’aquelle dia levantei a minha mão para elles, [6] que os tiraria da terra do Egypto, para uma terra que já tinha previsto para elles, que mana leite e mel, [7] que é a gloria de todas as terras.
7 Então lhes disse: [8] Cada um lance de si as abominações dos seus olhos, e não vos contamineis com os idolos do Egypto: eu sou o Senhor vosso Deus.
8 Porém rebellaram-se contra mim, e não me quizeram ouvir; ninguem lançava de si as abominações dos seus olhos, nem deixava os idolos do Egypto: então eu disse que derramaria sobre elles [9] o meu furor, para cumprir a minha ira contra elles no meio da terra do Egypto.
9 Porém [10] obrei por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos das nações, no meio das quaes estavam, a cujos olhos eu me dei a conhecer a elles, para os tirar para fóra da terra do Egypto.
10 E os tirei [11] para fóra da terra do Egypto, e os levei ao deserto.
11 E dei-lhes [12] os meus estatutos, e lhes mostrei os meus juizos, [13] os quaes, se os fizer o homem, viverá por elles.
12 E tambem lhes dei os meus [14] sabbados, para que servissem de signal entre mim e entre elles: para que soubessem que eu sou o Senhor que os sanctifica.
13 Mas a casa de Israel [15] se rebellou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos, e rejeitando os meus juizos, os quaes, fazendo-os, o homem viverá por elles; [16] e profanaram grandemente os meus sabbados; e eu disse que derramaria sobre elles o meu furor no deserto, para os consumir.
14 Porém obrei [17] por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos das nações perante cujos olhos os fiz sair.
15 E, comtudo, eu levantei [18] a minha mão para elles no deserto, que não os faria entrar na terra que lhes tinha dado, que mana leite e mel, que é a gloria de todas as terras,
16 Porque [19] rejeitaram os meus juizos, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sabbados; [20] porque o seu coração andava após os seus idolos.
17 Porém o meu olho lhes perdoou, para não os destruir nem os consumir no deserto.
18 Mas disse eu a seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos paes, nem guardeis os seus juizos, nem vos contamineis com os seus idolos.
19 Eu sou o Senhor vosso Deus; [21] andae nos meus estatutos, e guardae os meus juizos, e fazei-os.
20 E sanctificae [22] os meus sabbados, e servirão de signal entre mim e entre vós, para que saibaes que eu sou o Senhor vosso Deus.
21 Mas tambem os filhos se rebellaram contra mim, [23] e não andaram nos meus estatutos, nem guardaram os meus juizos para os fazer, os quaes, fazendo-os, [24] o homem viverá por elles; tambem profanaram os meus sabbados; [25] e eu disse que derramaria sobre elles o meu furor, para cumprir contra elles a minha ira no deserto.
22 Porém retirei a minha mão, [26] e obrei por amor do meu nome, para que não fosse profanado perante os olhos das nações, perante cujos olhos os fiz sair.
23 Tambem eu levantei a minha mão para elles no deserto, [27] que os espalharia entre as nações, e os derramaria pelas terras;
24 Porque [28] não fizeram os meus juizos, e rejeitaram os meus estatutos, e profanaram os meus sabbados, [29] e os seus olhos se iam após os idolos de seus paes.
25 Pelo que tambem eu lhes dei estatutos que não [30] eram bons, como tambem juizos pelos quaes não haviam de viver;
26 E os contaminei em os seus dons, [31] porquanto faziam passar pelo fogo tudo o que abre a madre: [32] para os assolar, para que soubessem que eu sou o Senhor.
27 Portanto falla á casa de Israel, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [33] Ainda até n’isto me blasphemaram vossos paes, que, com uma transgressão, transgrediram contra mim.
28 Porque, havendo-os eu introduzido na terra sobre a qual eu levantara a minha mão que lh’a havia de dar, [34] então olharam para todo o outeiro alto, e para toda a arvore espessa, e sacrificaram ali os seus sacrificios, e apresentaram ali a provocação das suas offertas, pozeram ali [35] os seus cheiros suaves, e ali derramaram as suas libações.
29 E eu lhes disse: Que alto é este, aonde vós ides? e seu nome foi chamado [ABJ] Bamah até ao dia de hoje.
30 Portanto dize á casa de Israel: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Estaes vós contaminados no caminho de vossos paes? e fornicaes após as suas abominações?
31 E, [36] quando offereceis os vossos dons, e fazeis passar os vossos filhos pelo fogo, então vós estaes contaminados com todos os vossos idolos, [37] até este dia? e vós me consultarieis, ó casa de Israel? vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, que vós me não consultareis.
32 E o que subiu [38] ao vosso espirito de maneira alguma succederá, quando dizeis: Seremos como as nações, como as demais gerações da terra, servindo ao madeiro e á pedra.
33 Vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, [39] que com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós,
34 E vos tirarei d’entre os povos, e vos congregarei das terras nas quaes andaes espalhados, com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada.
35 E vos levarei ao deserto dos povos; [40] e ali entrarei em juizo comvosco cara a cara.
36 Como já entrei em juizo com vossos [41] paes, no deserto da terra do Egypto, assim entrarei em juizo comvosco, diz o Senhor JEHOVAH.
37 E vos farei passar debaixo da vara, e vos farei entrar no vinculo do concerto.
38 E separarei [42] d’entre vós os rebeldes, e os que prevaricaram contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, [43] mas á terra de Israel não voltarão: e sabereis que eu sou o Senhor.
39 E, quanto a vós, ó casa de Israel, assim diz o Senhor JEHOVAH: Ide, [44] servi cada um os seus idolos, pois que a mim me não quereis ouvir; [45] não profaneis mais o meu sancto nome com as vossas dadivas e com os vossos idolos.
40 Porque [46] no meu sancto monte, no monte alto de Israel, diz o Senhor JEHOVAH, ali me servirá toda a casa de Israel, toda ella n’aquella terra: [47] ali me deleitarei n’elles, e ali demandarei as vossas offertas alçadas, e as primicias das vossas dadivas, com todas as vossas coisas sanctas.
41 Com cheiro suave [48] me deleitarei em vós, quando eu vos tirar d’entre os povos e vos congregar das terras em que andaes espalhados; e serei sanctificado em vós perante os olhos das nações.
42 E sabereis [49] que eu sou o Senhor, quando eu vos tiver tornado a trazer á terra de Israel, á terra pela qual levantei a minha mão para dal-a a vossos paes.
43 E ali [50] vos lembrareis de vossos caminhos, e de todos os vossos tratos com que vos contaminastes, [51] e tereis nojo de vós mesmos, por todas as vossas maldades que tendes commettido.
44 E sabereis [52] que eu sou o Senhor, quando eu obrar comvosco por amor do meu nome; não conforme os vossos maus caminhos, nem conforme os vossos tratos corruptos, ó casa de Israel, disse o Senhor JEHOVAH.
45 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
46 Filho do homem, [53] dirige o teu rosto para o caminho do sul, e derrama as tuas palavras contra o sul, e prophetiza contra o bosque do campo do sul.
47 E dize ao bosque do sul: Ouve a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [54] Eis que accenderei em ti um fogo que em ti consumirá toda a arvore verde e toda a arvore secca: não se apagará a chamma flammejante, antes com ella se queimarão todos os rostos, desde o sul até ao norte.
48 E verá toda a carne que eu, o Senhor, o accendi: não se apagará.
49 Então disse eu: Ah! Senhor JEHOVAH! elles dizem de mim: Porventura não falla este por parabolas?
[1] cap. 8.1 e 14.1.
[2] ver. 31. cap. 14.3.
[3] cap. 22.2 e 23.36. cap. 16.2.
[4] Exo. 6.7. Deu. 7.6.
[5] Exo. 3.8 e 4.31. Deu. 4.34. Exo. 20.2.
[6] Exo. 3.8, 17. Deu. 8.7, 8, 9. Jer. 32.22.
[7] Zac. 7.14.
[8] cap. 18.31. II Chr. 15.8. Lev. 17.7. Deu. 29.16, 17, 18. Jos. 24.14.
[9] cap. 7.8. ver. 13, 21.
[10] Num. 14.13, etc. ver. 14, 22.
[11] Exo. 13.18.
[12] Neh. 9.13, 14.
[13] Rom. 10.5. Gal. 3.12.
[14] Exo. 20.8 e 31.13, etc. e 35.2. Deu. 5.12. Neh. 9.14.
[15] Num. 14.22. Pro. 1.25.
[16] Num. 14.29 e 26.65.
[17] ver. 9, 22.
[18] Num. 14.30.
[19] ver. 13, 24.
[20] Amós 5.25, 26. Act. 7.42, 43.
[21] Deu. 5.32, 33 e 6.7 e 8 e 10 e 11 e 12.
[22] ver. 12. Jer. 17.22.
[23] Num. 25.1, 2. Deu. 9.23, 24 e 31.27.
[24] ver. 11, 13.
[25] ver. 8, 13.
[26] ver. 9, 14.
[27] Lev. 26.33. Deu. 28.64. Jer. 15.4.
[28] ver. 13, 16.
[29] cap. 6.9.
[30] ver. 39. Rom. 1.24. II The. 2.11.
[31] II Reis 17.17 e 21.6. II Chr. 28.3 e 33.6. Jer. 32.35. cap. 16.20, 21.
[32] cap. 6.7.
[33] Rom. 2.24.
[34] Isa. 57.5, etc. cap. 6.13.
[35] cap. 16.19.
[36] ver. 26.
[37] ver. 8.
[38] cap. 11.5.
[39] Jer. 21.5.
[40] Jer. 2.9, 35. cap. 17.20.
[41] Num. 14.21, 22, 23, 28, 29.
[42] cap. 34.17, 20. Mat. 25.32, 33.
[43] Jer. 44.14.
[44] Amós 4.4.
[45] Isa. 1.13. cap. 23.38, 39.
[46] Isa. 2.2, 3. cap. 17.23. Miq. 4.1.
[47] Isa. 56.7 e 60.7. Zac. 8.20, etc. Mal. 3.4. Rom. 12.1.
[48] Eph. 5.2. Phi. 4.18.
[49] ver. 38, 44. cap. 36.23 e 38.23.
[50] cap. 16.61.
[51] Lev. 26.39. cap. 6.9. Ose. 5.15.
[52] ver. 38. cap. 24.24 e 36.22.
[53] cap. 6.2 e 21.2.
[54] Jer. 21.14. Luc. 23.31.
A espada do Senhor.
21 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho [1] do homem, dirige o teu rosto contra Jerusalem, e derrama as tuas palavras contra os sanctuarios, e prophetiza contra a terra de Israel.
3 E dize á terra de Israel: Assim diz o Senhor: Eis me aqui contra ti, e tirarei a minha espada da sua bainha, [2] e exterminarei do meio de ti o justo e o impio.
4 E, porquanto hei de exterminar do meio de ti o justo e o impio, por isso sairá a minha espada da sua bainha contra toda a carne, [3] desde o sul até ao norte.
5 E saberá toda a carne que eu, o Senhor, tirei a minha espada da sua bainha: [4] nunca mais voltará a ella.
6 Tu, porém, ó filho do homem, suspira; suspira [5] aos olhos d’elles, com quebrantamento dos lombos e com amargura.
7 E será que, quando elles te disserem: Porque suspiras tu? dirás: Pela fama, porque já vem; e todo o coração desmaiará, e todas [6] as mãos se enfraquecerão, e todo o espirito se angustiará, e todos os joelhos se desfarão em aguas; eis que já vem, e se fará, diz o Senhor JEHOVAH.
8 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
9 Filho do homem, prophetiza, e dize: Assim diz o Senhor: dize: A espada, [7] a espada está afiada, e tambem açacalada.
10 Para matar com grande matança está afiada, para reduzir está açacalada: alegrar-nos-hemos pois? a vara de meu filho é que despreza todo o madeiro.
11 E a deu a açacalar, para usar d’ella com a mão: esta espada está afiada, e está açacalada, [8] para a metter na mão do que está para matar.
12 Grita e uiva, ó filho do homem, porque esta será contra o meu povo, será contra todos os principes de Israel: [9] espantos terá o meu povo por causa da espada; portanto bate na côxa.
13 Quando se fez [10] a prova que havia então? porventura tambem não haveria vara desprezadora? diz o Senhor JEHOVAH.
14 Tu pois, ó filho do homem, prophetiza, [11] e bate com as mãos uma na outra; porque a espada até á terceira vez se dobrará: a espada é dos atravessados grandes, [12] que entrará a elles até nas recamaras.
15 Para que desmaie o coração, e se multipliquem os tropeços, [13] contra todas as suas portas puz a ponta da espada, a que foi feita para reduzir, e está reservada para matar!
16 Ó [14] espada, [ABK] reune-te, vira-te para a direita; prepara-te, vira-te para a esquerda, para onde quer que o teu rosto se dirigir.
17 E tambem eu baterei [15] com as minhas mãos uma na outra, e farei descançar a minha indignação: eu, o Senhor, o fallei.
18 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
19 Tu pois, ó filho do homem, propõe dois caminhos, por onde venha a espada do rei de Babylonia: ambos procederão de uma mesma terra, e escolhe uma banda; no cimo do caminho da cidade o escolhe.
20 Um caminho proporás, [16] por onde virá a espada contra Rabba dos filhos d’Ammon, e contra Judah, em Jerusalem, a fortificada.
21 Porque o rei de Babylonia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos, para usar de adivinhações; aguçará as suas frechas, consultará os terafins, attentará para o figado.
22 Á sua direita estará a adivinhação sobre Jerusalem, para ordenar os arietes, para abrir a bocca á matança, [17] para levantar a voz com jubilo, para pôr os arietes contra as portas, para levantar uma tranqueira, para edificar um baluarte.
23 Isto será aos olhos d’elles como adivinhação vã, porquanto foram ajuramentados com juramentos entre elles; porém elle se lembrará da maldade, para que sejam apanhados.
24 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto me fazeis lembrar da vossa maldade, descobrindo-se as vossas prevaricações, apparecendo os vossos peccados em todos os vossos tratos, porquanto viestes em memoria, sereis apanhados na mão.
25 E tu, [18] ó profano e impio principe d’Israel, cujo dia virá no campo da extrema maldade,
26 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Tira para fóra o diadema, e levanta de ti a corôa; esta não será a mesma; [19] exalta ao humilde, e humilha ao soberbo.
27 Ao revéz, ao revéz, ao revéz porei aquella corôa, [20] e ella mais não será, até que venha aquelle a quem pertence de direito, e a elle a darei.
28 E tu, ó filho do homem, prophetiza, e dize: [21] Assim diz o Senhor JEHOVAH ácerca dos filhos de Ammon, e ácerca do seu desprezo: dize pois: A espada, a espada está desembainhada, açacalada para a matança, para consumir, para reluzir;
29 Entretanto que te [22] vêem vaidade, entretanto que te adivinham mentira, para te pôrem aos pescoços dos traspassados pelos impios, [23] cujo dia virá no tempo da extrema maldade.
30 Torna a tua espada á sua bainha: no logar em que foste creado, [24] na terra do teu nascimento, julgarei.
31 E derramarei sobre ti a minha indignação, [25] assoprarei contra ti o fogo do meu furor, entregar-te-hei nas mãos dos homens fogosos, inventores de destruição.
32 Para o fogo servirás de pasto: o teu sangue será no meio da terra: não virás em memoria; porque eu, o Senhor, o fallei.
[1] cap. 20.46. Deu. 52.2. Amós 7.16.
[2] Job 9.22.
[3] cap. 20.47.
[4] Isa. 45.23 e 55.11.
[5] Isa. 24.4.
[6] cap. 7.17.
[7] Deu. 32.41. ver. 15, 28.
[8] ver. 19.
[9] Jer. 31.19.
[10] Job 9.23. II Cor. 8.2.
[11] Num. 24.10. ver. 17. cap. 6.11.
[12] I Reis 20.30.
[13] ver. 10, 28.
[14] cap. 14.17.
[15] ver. 14. cap. 22.13. cap. 5.13.
[16] Jer. 40.2. cap. 25.5. Amós 1.14.
[17] Jer. 51.14. cap. 4.2.
[18] II Chr. 36.16. Jer. 52.2. cap. 17.19.
[19] cap. 17.24. Luc. 1.52.
[20] Gen. 49.10. ver. 13. Luc. 1.32, 33.
[21] Jer. 49.1. cap. 25.2, 3, 6. Sof. 2.8, 9, 10.
[22] cap. 12.24 e 22.28.
[23] ver. 25. Job 18.20.
[24] Jer. 47.6, 7. Gen. 15.14. cap. 16.38.
[25] cap. 22.20, 21.
As abominações de Jerusalem.
22 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Tu pois, ó filho do homem, [1] porventura julgarás, julgarás a cidade sanguinolenta? faze-lhe conhecer pois todas as suas abominações.
3 E dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Ai da cidade que derrama o sangue no meio d’ella, para que venha o seu tempo! que faz idolos contra si mesma, para se contaminar!
4 Pelo teu sangue [2] que derramaste te fizeste culpada, e pelos teus idolos que fabricaste te contaminaste, e fizeste chegar os teus dias, e vieste aos teus annos; [3] por isso eu te fiz o opprobrio das nações e o escarneo de todas as terras.
5 As que estão perto e as que estão longe de ti escarnecerão de ti, immunda de nome, cheia de inquietação.
6 Eis que [4] os principes de Israel, cada um conforme o seu poder, estiveram em ti, para derramarem o sangue.
7 Ao pae e á mãe [5] desprezaram em ti; para com o estrangeiro usaram de oppressão no meio de ti: ao orphão e á viuva opprimiram em ti.
8 As minhas [6] coisas sagradas desprezaste, e os meus sabbados profanaste.
9 Homens calumniadores [7] se acharam em ti, para derramarem o sangue; e em ti sobre os montes comeram; enormidade commetteram no meio de ti.
10 A vergonha do pae [8] descobriram em ti: a que estava immunda, na sua separação, humilharam no meio de ti.
11 Tambem um fez [9] abominação com a mulher do seu proximo, e outro contaminou abominavelmente a sua nora, e outro humilhou no meio de ti a sua irmã, filha de seu pae.
12 Presentes receberam [10] no meio de ti para derramarem o sangue: usura e demasia tomaste, e usaste de avareza com o teu proximo, opprimindo-o; [11] porém de mim te esqueceste, diz o Senhor JEHOVAH.
13 E eis que bati [12] as mãos contra a tua avareza, de que usaste, e por causa de teu sangue, que houve no meio de ti.
14 Porventura [13] estará firme o teu coração? porventura estarão fortes as tuas mãos, nos dias em que eu tratarei comtigo? eu, o Senhor, [14] o fallei, e o farei.
15 E espalhar-te-hei [15] entre as nações, e espalhar-te-hei pelas terras, e consumirei a tua immundicia.
16 Assim serás profanada em ti aos olhos das nações, e saberás que eu sou o Senhor.
17 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
18 Filho do homem, [16] a casa de Israel se tornou para mim em escorias: todos elles são bronze, e estanho, e ferro, e chumbo no meio do forno: em escorias de prata se tornaram.
19 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto todos vós vos tornastes em escorias, por isso eis que eu vos ajuntarei no meio de Jerusalem.
20 Como se ajuntam a prata, e o bronze, e o ferro, e o chumbo, e o estanho, no meio do forno, para assoprar o fogo sobre elles, para fundir, assim vos ajuntarei na minha ira e no meu furor, e ali vos deixarei e fundirei.
21 E congregar-vos-hei, [17] e assoprarei sobre vós o fogo do meu furor; e sereis fundidos no meio d’ella.
22 Como se funde a prata no meio do forno, assim sereis fundidos no meio d’ella; e sabereis que eu, o Senhor, [18] derramei o meu furor sobre vós.
23 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
24 Filho do homem, dize-lhe: Tu és uma terra que não está purificada: e não tem chuva no dia da indignação.
25 Conjuração [19] dos seus prophetas ha no meio d’ella, como um leão que dá bramido, que arrebata a preza: [20] elles devoram as almas; thesouros e coisas preciosas tomam, multiplicam as suas viuvas no meio d’ella.
26 Os seus sacerdotes [21] violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas sagradas; [22] entre o sancto e o profano não fazem differença, nem discernem o impuro do puro; e de meus sabbados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio d’elles.
27 Os seus principes [23] no meio d’ella são como lobos que arrebatam a preza, para derramarem o sangue, para destruirem as almas, para seguirem a avareza.
28 E os seus prophetas [24] os rebocam de cal não adubada, vendo vaidade, e predizendo-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor JEHOVAH; sem que o Senhor tivesse fallado.
29 Ao povo [25] da terra opprimem gravemente, [26] e andam fazendo roubos, e fazem violencia ao afflicto e necessitado, e ao estrangeiro opprimem sem razão.
30 E busquei [27] d’entre elles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruisse; porém a ninguem achei.
31 Por isso eu derramei sobre elle a minha indignação, com o fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu caminho recaisse sobre as suas cabeças, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] cap. 20.4 e 23.36. cap. 24.6, 9. Nah. 3.1.
[2] II Reis 21.16.
[3] Deu. 28.37. I Reis 9.7. cap. 5.14. Dan. 9.16.
[4] Isa. 1.23. Miq. 3.1, 2, 3.
[5] Deu. 27.16. Exo. 22.21, 22.
[6] ver. 26. Lev. 19.30. cap. 23.28.
[7] Exo. 23.1. Lev. 19.16. cap. 18.6, 11.
[8] Lev. 18.7, 8 e 20.11. I Cor. 5.1. Lev. 18.19 e 20.18. cap. 18.6.
[9] Lev. 18.20 e 20.10. Deu. 22.22. Lev. 18.9 e 20.17.
[10] Exo. 23.8. Deu. 16.19 e 27.25. Lev. 25.36. Deu. 23.19. cap. 18.13.
[11] Deu. 32.18. Jer. 3.21. cap. 23.35.
[12] cap. 21.17.
[13] cap. 21.7.
[14] cap. 17.24.
[15] Deu. 4.27 e 28.25, 64. cap. 12.14, 15 e 23.27, 48.
[16] Isa. 1.22. Jer. 6.28, etc.
[17] cap. 22.20, 21, 22.
[18] cap. 20.8, 33. ver. 31.
[19] Ose. 6.9.
[20] Mat. 23.14. Miq. 3.11. Sof. 3.3, 4.
[21] Mal. 2.8. Lev. 22.2, etc. I Sam. 2.29.
[22] Lev. 10.10. Jer. 15.19. cap. 44.23.
[23] Isa. 1.23. cap. 22.6. Miq. 3.2, 3, 9, 10, 11. Sof. 3.3.
[24] cap. 13.10. cap. 13.6, 7 e 21.29.
[25] Jer. 5.26, 27, 28. cap. 18.12.
[26] Exo. 22.21 e 23.9. Lev. 19.33. cap. 22.7.
[27] Jer. 5.1. cap. 13.5.
Ohola e Oholiba, as duas meretrizes.
23 Veiu mais a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] houve duas mulheres, filhas de uma mãe.
3 Estas fornicaram [2] no Egypto; na sua mocidade fornicaram; ali foram apertados os seus peitos, e ali foram apalpados os seios da sua virgindade.
4 E os seus nomes eram: Ohola, a mais velha, e Oholiba, sua irmã; e foram minhas, e pariram filhos e filhas; e, quanto aos seus nomes, Samaria é Ohola, e Jerusalem é Oholiba.
5 E fornicou Ohola, sendo minha; e enamorou-se dos seus amantes, [3] dos assyrios, seus visinhos,
6 Vestidos de azul, prefeitos e magistrados, todos mancebos de cobiçar, cavalleiros montados a cavallo.
7 Assim commetteu ella as suas fornicações com elles, os quaes todos eram a flôr dos filhos da Assyria, e com todos os de quem se enamorava; com todos os seus idolos se contaminou.
8 E as suas fornicações, [4] que trouxe do Egypto, não as deixou; porque com ella se deitaram na sua mocidade, e elles apalparam os seios da sua virgindade, e derramaram sobre ella a sua fornicação.
9 Portanto a entreguei na mão dos seus amantes, na mão dos filhos da Assyria, de quem se enamorara.
10 Estes descobriram [5] a sua vergonha, levaram seus filhos e suas filhas, mas a ella mataram á espada; e foi afamada entre as mulheres, e n’ella exerceram os juizos.
11 O que vendo [6] sua irmã Oholiba, corrompeu o seu amor mais do que ella, e as suas fornicações mais do que as fornicações de sua irmã.
12 Enamorou-se [7] dos filhos da Assyria, dos prefeitos e dos magistrados seus visinhos, vestidos com primor, cavalleiros que andam montados em cavallos, todos mancebos de cobiçar.
13 E vi que se tinha contaminado; que o caminho de ambas era o mesmo.
14 E augmentou as suas fornicações, porque viu homens pintados na parede, imagens dos chaldeos, pintadas de vermelho;
15 Cingidos de cinto nos seus lombos, e tiaras largas tingidas nas suas cabeças, todos de parecer de capitães, á similhança dos filhos de Babylonia em Chaldea, terra do seu nascimento.
16 E se enamorou [8] d’elles, vendo-os com os seus olhos: e lhes mandou mensageiros a Chaldea.
17 Então vieram a ella os filhos de Babylonia para a cama dos amores, e a contaminaram com as suas fornicações: e ella se contaminou com elles; [9] então apartou-se d’elles a alma d’ella.
18 Assim descobriu as suas fornicações, e descobriu a sua vergonha: então a minha alma se apartou d’ella, como já se tinha apartado a minha alma de sua irmã.
19 Porém multiplicou as suas fornicações, lembrando-se dos dias da sua mocidade, [10] em que fornicara na terra do Egypto.
20 E enamorou-se dos seus amantes, cujas carnes [11] são como carnes de jumentos, e cujo fluxo é como o fluxo de cavallos.
21 Assim trouxeste á memoria a enormidade da tua mocidade, quando os do Egypto apalpavam os teus seios, por causa dos peitos da tua mocidade.
22 Por isso, ó Oholiba, assim diz o Senhor JEHOVAH: [12] Eis que eu suscitarei contra ti os teus amantes, dos quaes se tinha apartado a tua alma, e os trarei contra ti de em redor:
23 Os filhos de Babylonia, e todos os chaldeos de Pecod, e de Soa, e de Coa, e todos os filhos da Assyria com elles, mancebos de cobiçar, prefeitos e magistrados todos elles, capitães e homens afamados, todos elles montados a cavallo.
24 E virão contra ti com carros, carretas e rodas, e com ajuntamento de povos; e se porão contra ti em redor com rodelas, e escudos, e capacetes; e porei diante d’elles o juizo, e julgar-te-hão segundo os teus juizos.
25 E porei contra ti o meu zelo, e usarão de indignação comtigo: o nariz e as orelhas te tirarão, e o que te ficar de resto cairá á espada: teus filhos e tuas filhas elles te tomarão, e o que ficar por ultimo em ti será consumido pelo fogo.
26 Tambem [13] te despirão os teus vestidos, e te tomarão as tuas joias de enfeite.
27 Assim farei cessar [14] em ti a tua enormidade e a tua fornicação da terra do Egypto; e não levantarás os teus olhos para elles, nem te lembrarás mais do Egypto.
28 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu te entregarei na mão dos que aborreces, [15] na mão d’aquelles de quem se tinha apartado a tua alma.
29 E te tratarão com odio, e levarão todo o teu trabalho, e te deixarão nua e despida: [16] e descobrir-se-ha a vergonha da tua fornicação, e a tua enormidade, e as tuas fornicações.
30 Estas coisas se te farão, [17] porquanto tu fornicaste após os gentios, e porquanto te contaminaste com os seus idolos.
31 No caminho de tua irmã andaste; [18] por isso te darei o seu copo na tua mão.
32 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Beberás o copo de tua irmã, fundo e largo: [19] servirás de riso e escarneo; elle leva muito.
33 De embriaguez e de dôr te encherás: o copo de tua irmã Samaria é copo de espanto e de assolação.
34 Bebel-o-has pois, [20] e esgotal-o-has, e os seus cacos roerás, e os teus peitos arrancarás; porque eu o fallei, diz o Senhor JEHOVAH.
35 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: [21] Porquanto te esqueceste de mim, e me lançaste para traz das tuas costas, leva tu pois tambem a tua enormidade e as tuas fornicações.
36 E disse-me o Senhor: Filho do homem, [22] porventura julgarias a Ohola e a Oholiba? mostra-lhes pois as suas abominações.
37 Porque commetteram adulterio, [23] e sangue se acha nas suas mãos, e com os seus idolos commetteram adulterio, e até os seus filhos, [24] que me geraram, fizeram passar pelo fogo por si, para os consumir.
38 E ainda isto me fizeram: contaminaram o meu sanctuario no mesmo dia, [25] e profanaram os meus sabbados.
39 Porque, havendo sacrificado seus filhos aos seus idolos, vinham ao meu sanctuario no mesmo dia para o profanarem; [26] e eis que assim fizeram no meio da minha casa.
40 E, o que mais é, enviaram uns homens, que haviam de vir de longe, [27] aos quaes fôra enviado um mensageiro, e eis que vieram, por amor dos quaes te lavaste, coloriste os teus olhos, e te enfeitaste de enfeites.
41 E te assentaste [28] sobre um leito de honra, diante do qual estava uma mesa preparada: e pozeste sobre ella o meu incenso e o meu oleo.
42 Havia com ella a voz de uma multidão satisfeita, e com varões da classe baixa foram trazidos beberrões do deserto; e pozeram braceletes nas suas mãos, e corôas de esplendor nas suas cabeças.
43 Então disse á envelhecida em adulterios: Agora devéras fornicarão as suas fornicações, como tambem ella.
44 E entraram a ella, como quem entra a uma prostituta: assim entraram a Ohola e a Oholiba, mulheres infames.
45 De maneira que homens justos elles as julgarão [29] conforme o juizo das adulteras, e conforme o juizo das que derramam o sangue; porque adulteras são, e sangue ha nas suas mãos.
46 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH: [30] Farei subir contra ellas uma congregação, e as entregarei ao desterro e ao roubo.
47 E [31] a congregação as apedrejará com pedras, e as acutilarão com as suas espadas: [32] a seus filhos e a suas filhas matarão, e as suas casas queimarão a fogo.
48 Assim [33] farei cessar a infamia da terra, para que se escarmentem todas as mulheres, e não façam conforme a vossa infamia.
49 E a vossa infamia [34] carregarão sobre vós, e levareis os peccados dos vossos idolos; e sabereis que eu sou o Senhor JEHOVAH.
[1] cap. 16.46.
[2] Lev. 17.7. cap. 20.8.
[3] Ose. 8.9.
[4] ver. 3.
[5] cap. 16.37, 41.
[6] Jer. 3.8. cap. 16.47, 51.
[7] II Chr. 28.16, 23. cap. 16.28.
[8] cap. 16.29.
[9] ver. 22, 28.
[10] ver. 3.
[11] cap. 16.26.
[12] cap. 16.37. ver. 28.
[13] cap. 16.39.
[14] cap. 16.41 e 22.15.
[15] cap. 16.37. ver. 17.
[16] cap. 16.39. ver. 26.
[17] cap. 6.9.
[18] Jer. 25.15, etc.
[19] cap. 22.4, 5.
[20] Isa. 51.17.
[21] Jer. 2.32 e 3.21 e 13.25. cap. 22.12. Neh. 9.26.
[22] cap. 20.4 e 22.2.
[23] cap. 16.38. ver. 45.
[24] cap. 16.20, 21, 36, 45 e 20.31.
[25] cap. 22.8.
[26] II Reis 21.4.
[27] Isa. 57.2. II Reis 9.30. Jer. 4.30.
[28] Est. 1.6. Isa. 57.7. Amós 2.8 e 6.4. Pro. 7.17. cap. 16.18, 19.
[29] cap. 16.38.
[30] cap. 16.40.
[31] cap. 16.40.
[32] II Chr. 36.17, 19. cap. 24.21.
[33] cap. 22.15. ver. 27. Deu. 13.11. II Ped. 2.6.
[34] ver. 35. cap. 20.28, 42, 44 e 25.5.
A parabola da panella.
[Antes de Christo 590]
24 E veiu a mim a palavra do Senhor, no nono anno, no decimo mez, aos dez do mez, dizendo:
2 Filho do homem, escreve o nome d’este dia, d’este mesmo dia; porque o rei de Babylonia se achega a Jerusalem [1] n’este mesmo dia.
3 E [2] usa de uma comparação para com a casa rebelde, e dize-lhe: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Põe a panella ao lume, põe-n’a, e deita-lhe tambem agua dentro.
4 Ajunta n’ella os seus pedaços, todos os bons pedaços, as pernas e as espadoas; enche-a de ossos escolhidos.
5 Pega no melhor do rebanho, e queima tambem os ossos debaixo d’ella: faze-a ferver bem, e cozam-se dentro d’ella os seus ossos.
6 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: [3] Ai da cidade sanguinaria, da panella cuja escuma está n’ella, e cuja escuma não saiu d’ella! tira d’ella pedaços a pedaços, não caia sorte sobre ella;
7 Porque o seu sangue está no meio d’ella, sobre uma penha descalvada o poz: [4] não o derramou sobre a terra, para o cobrir com pó.
8 Para que eu faça subir a indignação, para tomar vingança, tambem eu puz o seu sangue n’uma penha descalvada, para que não se encubra.
9 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: [5] Ai da cidade sanguinaria! tambem eu farei uma grande fogueira.
10 Amontoa muita lenha, accende o fogo, consome a carne, e tempera-a com especiarias, e ardam os ossos.
11 Então a porás vazia sobre as suas brazas, para que ella aqueça, e se queime a sua ferrugem, e se funda a sua immundicia no meio d’ella, e se consuma a sua escuma.
12 Com vaidades me cançou; e não saiu d’ella a sua muita escuma; ao fogo irá a sua escuma.
13 Na immundicia ha infamia, porquanto te purifiquei, e tu não te purificaste; nunca mais serás purificada da tua immundicia, [6] emquanto eu não fizer descançar sobre ti a minha indignação.
14 Eu, o Senhor, o fallei; virá, e o farei: não me tornarei atraz, e não pouparei, nem me arrependerei; conforme os teus caminhos, e conforme os teus tratos, te julgarão, diz o Senhor JEHOVAH.
Predicção da ruina de Jerusalem.
15 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
16 Filho do homem, eis que tirarei de ti o desejo dos teus olhos d’um golpe, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lagrimas.
17 Refreia-te de gemer, [7] não farás luto por mortos, ata o teu turbante, e mette nos pés os teus sapatos; e não te rebuçarás, e o pão dos homens não comerás.
18 E fallei ao povo pela manhã, e á tarde morreu minha mulher: e fiz pela manhã como se me deu ordem.
19 E o povo me disse: [8] Porventura não nos farás saber o que nos significam estas coisas que tu estás fazendo?
20 E eu lhes disse: Veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
21 Dize á casa de Israel: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [9] Eis que eu profanarei o meu sanctuario, a gloria da vossa fortaleza, o desejo dos vossos olhos, e o regalo das vossas almas; [10] e vossos filhos e vossas filhas, que deixastes, cairão á espada.
22 E fareis como eu fiz: não vos rebuçareis, [11] e não comereis o pão dos homens.
23 E tereis nas cabeças os vossos turbantes, e os vossos sapatos nos pés; [12] não lamentareis, nem chorareis, mas definhar-vos-heis nas vossas maldades, e dareis gemidos uns com os outros.
24 Assim vos servirá Ezequiel [13] de signal; conforme tudo quanto fez fareis: [14] vendo isto, [15] então sabereis que eu sou o Senhor JEHOVAH.
25 E tu, filho do homem, porventura não será no dia que eu lhes tirar a sua fortaleza, o gozo do seu ornamento, o desejo dos seus olhos, e a saudade das suas almas, seus filhos e suas filhas,
26 Aquelle dia em que virá ter comtigo algum que escapar, para t’o fazer ouvir com os ouvidos?
27 N’aquelle [16] dia abrir-se-ha a tua bocca para com aquelle que escapar, e fallarás, e mais não ficarás mudo: [17] assim lhes virás a ser um signal maravilhoso, e saberão que eu sou o Senhor.
[1] II Reis 25.1. Jer. 39.1 e 52.4.
[2] cap. 17.12. Jer. 1.13. cap. 11.3.
[3] cap. 22.3 e 23.37. ver. 9.
[4] Lev. 17.13. Deu. 12.16, 24.
[5] ver. 6. Nah. 3.1. Hab. 2.12.
[6] cap. 5.13 e 8.18 e 16.42.
[7] Jer. 16.5, 6, 7. Lev. 10.6 e 21.10. II Sam. 15.30. Miq. 3.7.
[8] cap. 12.9 e 37.18.
[9] Jer. 7.14. cap. 7.20, 21, 22.
[10] cap. 23.47.
[11] Jer. 16.6, 7. ver. 17.
[12] Job 27.15. Lev. 26.39. cap. 33.10.
[13] cap. 12.6, 11.
[14] Jer. 17.15. João 13.19 e 14.29.
[15] cap. 6.7 e 25.5.
[16] cap. 3.26, 27 e 29.21 e 33.22.
[17] ver. 24.
Prophecia contra Ammon.
[Antes de Christo 588]
25 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] dirige o teu rosto contra os filhos de Ammon, e prophetiza contra elles.
3 E dize aos filhos de Ammon: Ouvi a palavra do Senhor JEHOVAH: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto tu disseste: Ha! ha! ácerca do meu sanctuario, quando foi profanado; e ácerca da terra de Israel, quando foi assolada; e ácerca da casa de Judah, quando foram no captiveiro;
4 Portanto, eis que te entregarei em possessão aos do oriente, e estabelecerão os seus paços em ti, e porão em ti as suas moradas; elles comerão os teus fructos, e elles beberão o teu leite.
5 E farei de [2] Rabba uma estrebaria de camelos, e dos filhos de Ammon um curral de ovelhas: [3] e sabereis que eu sou o Senhor.
6 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH: [4] Porquanto bateste com as mãos, e pateaste com os pés, e te alegraste de coração em todo o teu despojo sobre a terra d’Israel,
7 Portanto, [5] eis que eu estenderei a minha mão contra ti, e te darei por despojo ás nações, e te arrancarei d’entre os povos, e te destruirei d’entre as terras, e te acabarei de todo; e saberás que eu sou o Senhor.
Prophecia contra Moab.
8 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto dizem Moab [6] e Seir: Eis que a casa de Judah é como todas as nações;
9 Portanto, eis que eu abrirei o lado de Moab desde as cidades, desde as suas cidades fóra das fronteiras, a gloria da terra, Beth-jesimoth, Baal-meon, e até Kiriathaim,
10 Para [7] os do oriente, com a terra dos filhos de Ammon, a qual entregarei em possessão, para que não haja memoria dos filhos de Ammon entre as nações.
11 Tambem executarei juizos em Moab, e saberão que eu sou o Senhor.
Prophecia contra Edom.
12 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [8] Porquanto Edom se houve vingativamente para com a casa de Judah, e se fizeram culpadissimos, quando se vingaram d’elles;
13 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: Tambem estenderei a minha mão contra Edom, e arrancarei d’ella homens e animaes; e a tornarei em deserto desde Teman, e até Dedan cairão á espada.
14 E exercitarei [9] a minha vingança sobre Edom, pela mão do meu povo de Israel; e farão em Edom segundo a minha ira e segundo o meu furor; e conhecerão a minha vingança, diz o Senhor JEHOVAH.
Prophecia contra os philisteos.
15 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [10] Porquanto os philisteos usaram de vingança, e executaram vingança de coração com despojo, para destruirem com perpetua inimizade,
16 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu [11] estendo a minha mão contra os philisteos, e arrancarei os cheretheos, e destruirei o resto do porto do mar.
17 E executarei n’elles grandes vinganças, com castigos de furor, e saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver exercido a minha vingança sobre elles.
[1] cap. 6.2 e 35.2. Amós 1.13. Sof. 2.9.
[2] cap. 21.20. Sof. 2.14, 15.
[3] cap. 24.24 e 26.6 e 35.9.
[4] Lam. 2.15. Sof. 2.15. cap. 36.5.
[5] cap. 35.3.
[6] Isa. 15 e 16. Jer. 48.1, etc. Amós 2.1. cap. 35.2, 5, 12.
[7] ver. 4.
[8] II Chr. 28.17. Jer. 49.7, 8, etc. Amós 1.11. Abd. 10, etc.
[9] Isa. 11.14. Jer. 49.2.
[10] Jer. 47.1, etc. Joel 3.4, etc. Amós 1.6.
[11] Jer. 47.4.
Prophecia contra Tyro.
26 E succedeu no undecimo anno, ao primeiro do mez, que veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] porquanto Tyro disse no tocante a Jerusalem: Ha! ha! já está quebrada a porta dos povos; já se virou para mim; eu me encherei, agora que ella está assolada:
3 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu estou contra ti, ó Tyro, e farei subir contra ti muitas nações, como se o mar fizesse subir as suas ondas,
4 Que destruirão os muros de Tyro, e derribarão as suas torres; e eu lhe varrerei o seu pó d’ella, [2] e d’ella farei uma penha descalvada.
5 No meio do mar virá a ser um enxugadouro [3] das redes; porque já eu o fallei, diz o Senhor JEHOVAH; e servirá de despojo para as nações.
6 E suas filhas, que estiverem no campo, serão mortas a espada; [4] e saberão que eu sou o Senhor.
7 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu trarei contra Tyro a Nabucodonosor, rei de Babylonia, desde o norte, [5] o rei dos reis, com cavallos, e com carros, e com cavalleiros, e companhias, e muito povo.
8 As tuas filhas no campo elle as matará á espada, e fará um baluarte contra ti, [6] e fundará uma tranqueira contra ti, e levantará rodelas contra ti.
9 E porá trabucos em frente de ti contra os teus muros, e derribará as tuas torres com os seus machados.
10 Com a multidão de seus cavallos te cobrirá o seu pó: os teus muros tremerão com o estrondo dos cavalleiros, e das rodas, e dos carros, quando elle entrar pelas tuas portas, como pelas entradas de uma cidade em que se fez brecha.
11 Com as unhas dos seus cavallos pisará todas as tuas ruas: ao teu povo matará á espada, e as columnas da tua fortaleza derribar-se-hão em terra.
12 E roubarão as tuas riquezas, e saquearão as tuas mercadorias, e derribarão os teus muros, e arrazarão as tuas casas preciosas; e as tuas pedras, e as tuas madeiras, e o teu pó, lançarão no meio das aguas.
13 E farei cessar [7] o arroido das tuas cantigas, e o som das tuas harpas não se ouvirá mais.
14 E farei [8] de ti uma penha descalvada; virás a ser um enxugadouro das redes, nunca mais serás edificada; porque eu, o Senhor, o fallei, diz o Senhor JEHOVAH.
15 Assim diz o Senhor JEHOVAH a Tyro: [9] Porventura não tremerão as ilhas com o estrondo da tua queda, quando gemerem os traspassados, quando se fizer uma espantosa matança no meio de ti?
16 E todos [10] os principes do mar descerão dos seus thronos, e tirarão de si os seus mantos, e despirão os seus vestidos bordados: de tremores se vestirão, [11] sobre a terra se assentarão, e estremecerão a cada momento; e em ti pasmarão.
17 E levantarão [12] uma lamentação sobre ti, e te dirão: Como pereceste do mar, ó bem povoada e afamada cidade, [13] que foste forte no mar; ella e os seus moradores, que atemorizaram a todos os moradores d’ella!
18 Agora [14] estremecerão as ilhas no dia da tua saida, e as ilhas, que estão no mar, turbar-se-hão da sua saida.
19 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH: Quando eu te tiver feito uma cidade assolada, como as cidades que se não habitam, quando fizer sobre ti um abysmo, e as muitas aguas te cobrirem,
20 Então te farei [15] descer com os que descem á cova, ao povo antigo, e te deitarei nas mais baixas partes da terra, em logares desertos antigos, com os que descem á cova, para que não sejas habitada; [16] e estabelecerei a gloria na terra dos viventes.
21 Mas por grande espanto te porei a ti, e não serás mais; [17] e quando te buscarem então nunca mais serás achada para sempre, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] Isa. 23. Jer. 25.22 e 47.4. Amós 1.9. Zac. 9.2.
[2] ver. 14.
[3] cap. 27.32.
[4] cap. 25.5.
[5] Esd. 7.12.
[6] cap. 21.22.
[7] Isa. 24.8. Jer. 7.24. Isa. 23.16. cap. 28.13. Apo. 18.22.
[8] ver. 4, 5.
[9] Jer. 49.21. ver. 18. cap. 27.28 e 31.16.
[10] Isa. 23.8. Jon. 3.6.
[11] Job 2.13. cap. 32.10. cap. 27.35.
[12] cap. 27.32. Apo. 18.9.
[13] Isa. 23.4.
[14] ver. 15.
[15] cap. 32.18, 24.
[16] cap. 32.23, 26, 27, 32.
[17] cap. 27.36 e 28.19.
A lamentação sobre Tyro.
27 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Tu pois, ó filho do homem, [1] levanta uma lamentação sobre Tyro.
3 E dize a Tyro, que habita nas estradas do mar, [2] e negoceia com os povos em muitas ilhas: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Ó Tyro, tu dizes: Eu sou perfeita em formosura.
4 No coração dos mares estão os teus termos; [3] os que te edificaram aperfeiçoaram a tua formosura.
5 Fabricaram todos os teus convezes de faias de Senir; [4] trouxeram cedros do Libano para te fazerem mastros.
6 Fizeram os teus remos de carvalhos de Basan: [5] a companhia dos assyrios fez os teus bancos de marfim das ilhas dos chitteos.
7 Linho fino bordado do Egypto era a tua cortina, para te servir de vela; azul e purpura das ilhas d’Elisa era a tua cobertura.
8 Os moradores de Sidon e de Arvad foram os teus remeiros; os teus sabios, ó Tyro, que se achavam em ti, esses foram os teus pilotos.
9 Os anciãos de Gebal e seus sabios foram em ti os que concertavam as tuas fendas: todos os navios do mar e os marinheiros se acharam em ti, para negociar os teus negocios.
10 Os persas, e os lidios, e os puteos eram [6] no teu exercito os teus soldados: escudos e capacetes penduraram em ti: elles te deram o teu renome.
11 Os filhos de Arvad e o teu exercito estavam sobre os teus muros em redor, e os gamaditas sobre as tuas torres: penduravam os seus escudos nos teus muros em redor; [7] elles aperfeiçoavam a tua formosura.
12 Tarsis era a que negociava comtigo, por causa da abundancia de toda a casta de fazenda: com prata, ferro, estanho, e chumbo negociavam em tuas feiras.
13 Javan, [8] Tubal e Mesech eram teus mercadores: com almas de homens e vasos de bronze fizeram negocios comtigo.
14 Da casa de [9] Togarma traziam ás tuas feiras cavallos, e cavalleiros e mulos.
15 Os filhos [10] de Dedan eram os teus mercadores; muitas ilhas eram o commercio da tua mão: dentes de marfim e pau preto tornavam a dar-te em presente.
16 A Syria negociava comtigo por causa da multidão das tuas boas obras: esmeralda, purpura, e obra bordada, e seda, e coraes e crystal traziam ás tuas feiras.
17 Judah e a terra de Israel, elles eram os teus mercadores: [11] com trigo de Minith, e pannagh, e mel, e azeite e balsamo fizeram negocios comtigo.
18 Damasco negociava comtigo, por causa da multidão das tuas obras, por causa da multidão de toda a sorte de fazenda, com vinho de Chelbon e lã branca.
19 Tambem Dan, e Javan, o caminhante, traficavam nas tuas feiras: ferro polido, casca, e canna aromatica entravam no teu negocio.
20 Dedan [12] negociava comtigo com pannos preciosos para carros.
21 Arabia, e todos os principes de Kedar, [13] eram elles os mercadores de tua mão, com cordeiros, e carneiros e bodes; n’estas coisas negociavam comtigo.
22 Os mercadores de Sheba [14] e Raama eram elles os teus mercadores em todos os mais subidos aromas, e em toda a pedra preciosa e oiro contratavam nas tuas feiras.
23 Haran, [15] e Canne e Eden, os mercadores de Sheba, Assur e Kilmad negociavam comtigo.
24 Estes eram teus mercadores em toda a sorte de mercadorias, em fardos de cardeo, e bordado, e em cofres de roupas preciosas, amarrados com cordas e mettidos em cofres de cedro, na tua mercadoria.
25 Os navios [16] de Tarsis cantavam de ti por causa de teu negocio; e te encheste, e te glorificaste muito no meio dos mares.
26 Os teus remeiros te conduziram sobre grandes aguas: o vento oriental te quebrantou no meio dos mares.
27 As tuas fazendas e as tuas feiras, o teu negocio, os teus marinheiros, e os teus pilotos, [ABL] os que concertavam as tuas fendas, e os que faziam os teus negocios, e todos os teus soldados, que estão em ti, juntamente com toda a tua congregação, que está no meio de ti, cairão no meio dos mares no dia da tua queda.
28 Ao estrondo da gritaria dos teus pilotos tremerão os arrabaldes.
29 E todos os que pegam [17] no remo, os marinheiros, e todos os pilotos do mar descerão de seus navios, e na terra pararão.
30 E farão ouvir a sua voz sobre ti, e gritarão amargamente; [18] e lançarão pó sobre as cabeças, e na cinza se revolverão.
31 E se farão [19] inteiramente calvos por tua causa, e se cingirão de saccos, e chorarão sobre ti com amargura da alma, e amarga lamentação.
32 E levantarão uma lamentação sobre ti no seu pranto, [20] e lamentarão sobre ti, dizendo: Quem foi como Tyro? como a destruida no meio do mar?
33 Quando as tuas mercadorias procediam [21] dos mares, fartaste a muitos povos; com a multidão da tua fazenda e do teu negocio, enriqueceste os reis da terra.
34 No tempo em que foste quebrantada [22] dos mares, nas profundezas das aguas, cairam os teus negocios e toda a tua congregação no meio de ti.
35 Todos os moradores das ilhas foram a teu respeito cheios de espanto; e os seus reis tremeram em grande maneira, e foram perturbados nos seus rostos.
36 Os mercadores d’entre os povos assobiaram sobre ti: [23] tu te tornaste em grande espanto, e nunca jámais serás para sempre.
[1] cap. 19.1 e 26.17 e 33.2.
[2] cap. 28.2. Isa. 23.3.
[3] cap. 28.12.
[4] Deu. 3.9.
[5] Jer. 2.10.
[6] Jer. 46.9. cap. 30.5.
[7] ver. 3.
[8] Gen. 10.2.
[9] Gen. 10.3. cap. 38.6.
[10] Gen. 10.7.
[11] I Reis 5.9, 11. Esd. 3.7.
[12] Gen. 25.3.
[13] Gen. 25.13. Isa. 60.7.
[14] Gen. 10.7. I Reis 10.1, 2. Isa. 60.6.
[15] Gen. 11.31. II Reis 19.12. Gen. 25.3.
[16] ver. 4.
[17] Apo. 18.17, etc.
[18] Job 2.12. Apo. 18.19. Est. 4.1, 3. Jer. 6.26.
[19] Jer. 16.6 e 47.5. Miq. 1.16.
[20] cap. 26.17. ver. 2. Apo. 18.18.
[21] Apo. 18.19.
[22] cap. 26.19. ver. 27.
[23] Jer. 18.16. cap. 26.21.
Prophecia contra o rei de Tyro.
28 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dize ao principe de Tyro: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto se eleva o teu coração, e dizes: [1] Eu sou Deus, na cadeira de Deus me assento no meio dos mares (sendo tu homem, [2] e não Deus), e [ABM] estimas o teu coração como se fôra o coração de Deus;
3 Eis que [3] mais sabio és que Daniel: nada ha de occulto que se possa esconder de ti.
4 Pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste o teu poder, e adquiriste oiro e prata nos teus thesouros.
5 Pela extensão [4] da tua sabedoria no teu commercio augmentaste o teu poder; e eleva-se o teu coração por causa do teu poder;
6 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto estimas o teu coração, como se fôra o coração de Deus,
7 Por isso eis que eu trarei sobre ti estranhos, [5] os mais formidaveis d’entre as nações, os quaes desembainharão as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria, e mancharão o teu resplandor.
8 Á cova te farão descer, e morrerás da morte dos traspassados no meio dos mares.
9 Porventura pois de alguma maneira dirás diante [6] d’aquelle que te matar: Eu sou Deus; sendo tu homem, e não Deus, na mão do que te traspassa?
10 Da morte dos incircumcisos morrerás, [7] por mão dos estranhos; porque eu o fallei, diz o Senhor JEHOVAH.
Lamentação sobre o rei de Tyro.
11 Veiu mais a mim a palavra do Senhor, dizendo:
12 Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tyro, e dize-lhe: [8] Assim diz o Senhor JEHOVAH: Tu és o sellador da somma, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.
13 Estavas no Eden, [9] jardim de Deus, toda a pedra preciosa era a tua cobertura, sardonia, topazio, diamante, turqueza, onyx, jaspe, saphira, carbunculo, esmeralda e oiro: [10] a obra dos teus tambores e dos teus pifaros estava em ti; no dia em que foste creado foram preparados.
14 Tu eras [11] o cherubim, ungido para cobridor, e te estabeleci: no monte sancto de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.
15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste creado, até que se achou iniquidade em ti.
16 Na multiplicação do teu commercio encheram o teu interior de violencia, e peccaste; pelo que te lançarei profanado do monte de Deus, e te farei perecer, [12] ó cherubim cobridor, do meio das pedras afogueadas.
17 Elevou-se o teu coração [13] por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplandor; por terra te lancei, diante dos reis te puz, para que olhem para ti.
18 Pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do teu commercio profanaste os teus sanctuarios: eu pois fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu a ti, e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem.
19 Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; [14] em grande espanto te tornaste, e nunca mais serás para sempre.
Prophecia contra Sidon.
20 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
21 Filho do homem, [15] dirige o teu rosto contra Sidon, e prophetiza contra ella,
22 E dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [16] Eis-me contra ti, ó Sidon, e serei glorificado no meio de ti; e saberão que eu sou o Senhor, quando n’ella executar juizos [17] e n’ella me sanctificar.
23 Porque [18] enviarei contra ella a peste, e o sangue nas suas ruas, e os traspassados cairão no meio d’ella, á espada, estando em roda contra ella; e saberão que eu sou o Senhor.
24 E a casa de Israel nunca mais terá espinho que a roce, [19] nem espinho que cause dôr, de todos os que de ao redor d’elles os [ABN] roubam; e saberão que eu sou o Senhor JEHOVAH.
25 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [20] Quando eu congregar a casa d’Israel d’entre os povos entre os quaes estão [21] espalhados, e eu me sanctificar entre elles, perante os olhos das nações, então habitarão na sua terra que dei a meu servo, a Jacob.
26 E [22] habitarão n’ella seguros, e edificarão casas, [23] e plantarão vinhas, e habitarão seguros, quando eu executar juizos contra todos os que roubam nos seus contornos; e saberão que eu sou o Senhor seu Deus.
[1] ver. 9. cap. 27.3, 4.
[2] Isa. 31.3.
[3] Zac. 9.2.
[4] Zac. 9.3.
[5] cap. 30.11 e 31.12 e 32.12.
[6] ver. 6.
[7] cap. 31.18 e 32.19, 21, 25, 27.
[8] cap. 27.2. ver. 3.
[9] cap. 31.8, 9.
[10] cap. 26.13.
[11] Exo. 25.20. ver. 16. cap. 20.40.
[12] ver. 14.
[13] ver. 2, 5.
[14] cap. 26.21 e 27.31.
[15] cap. 6.2 e 25.2 e 29.2. Isa. 23.4, 12.
[16] Exo. 14.4, 17. cap. 39.13.
[17] cap. 20.41 e 36.23. ver. 25.
[18] cap. 38.22.
[19] Num. 33.55. Jos. 23.13.
[20] Isa. 11.12. cap. 11.17 e 20.41 e 34.13 e 37.21.
[21] ver. 22.
[22] Jer. 23.6. cap. 36.28. Isa. 65.21. Amós 9.14.
[23] Jer. 31.5.
Prophecia contra o Egypto.
[Antes de Christo 589]
29 No decimo anno, no decimo mez, no dia doze do mez, veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] dirige o teu rosto contra Pharaó, rei do Egypto, e prophetiza contra elle e contra todo o Egypto.
3 Falla, e dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [2] Eis-me contra ti, ó Pharaó, rei do Egypto, o grande [ABO] dragão, que pousa no meio dos seus rios, e que diz: O meu rio é meu, [3] e eu o fiz para mim.
4 Porém [4] eu porei anzoes em teus queixos, e prenderei o peixe dos teus rios ás tuas escamas; e todo o peixe dos teus rios se pegará ás tuas escamas.
5 E te deixarei no deserto, a ti e a todo o peixe dos teus rios; [5] sobre a face do campo cairás: não serás recolhido nem ajuntado: aos animaes da terra e ás aves do céu te dei por mantimento.
6 E saberão todos os moradores do Egypto que eu sou o Senhor, [6] porquanto se fizera um bordão de canna para a casa d’Israel.
7 Tomando-te [7] elles pela tua mão, te quebrantaste, e lhes rasgaste todo o hombro, e, encostando-se elles a ti, te quebraste, e lhes fizeste [ABP] estar immoveis a todos os lombos.
8 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: [8] Eis que eu trarei sobre ti a espada, e destruirei de ti homem e animal.
9 E a terra do Egypto se tornará em assolação e deserto; e saberão que eu sou o Senhor, porquanto disse: O rio é meu, e eu o fiz.
10 Portanto, eis que eu estou contra ti e contra os teus rios; [9] e tornarei a terra do Egypto em desertas e assoladas solidões, [10] desde a torre de Sevene até aos confins da Ethiopia.
11 Não [11] passará por ella pé de homem, nem pé de animal passará por ella, nem será habitada quarenta annos.
12 Porque [12] tornarei a terra do Egypto em assolação no meio das terras assoladas; e as suas cidades no meio das cidades desertas se tornarão em assolação por quarenta annos; e espalharei os egypcios entre as nações, e os derramarei pelas terras.
13 Porém assim diz o Senhor JEHOVAH: [13] Ao cabo de quarenta annos ajuntarei os egypcios d’entre os povos entre os quaes foram espalhados.
14 E tornarei a trazer o captiveiro dos egypcios, e os tornarei á terra de Pathros, á terra do seu commercio; [14] e serão ali um reino baixo.
15 Mais baixo se fará do que os outros reinos, e nunca mais se exalçará sobre as nações; porque os diminuirei, para que não dominem sobre as nações.
16 E [15] não servirá mais á casa d’Israel de confiança, para lhe trazer á lembrança a sua iniquidade, quando olharem para traz d’elles; antes saberão que eu sou o Senhor JEHOVAH.
17 E succedeu que, no anno vinte e sete, no mez primeiro, no primeiro dia do mez, veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
18 Filho do homem, [16] Nabucodonozor, rei de Babylonia, fez com que o seu exercito prestasse um grande serviço contra Tyro; toda a cabeça se tornou calva, e todo o hombro se pelou: e não houve paga de Tyro para ella, nem para o seu exercito, pelo serviço que prestou contra ella.
19 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu darei a Nabucodonozor, rei de Babylonia, a terra do Egypto; e levará a sua multidão, e despojará o seu despojo, e roubará a sua preza, e isto será a paga para o seu exercito.
20 Por paga do seu trabalho, com que serviu contra ella, lhe dei a terra do Egypto; [17] porquanto trabalharam por mim, diz o Senhor JEHOVAH.
21 N’aquelle dia farei brotar o poder na casa de Israel, [18] e te darei abrimento da bocca no meio d’elles; e saberão que eu sou o Senhor.
[1] cap. 28.21. Isa. 19.1. Jer. 25.1.
[2] Jer. 44.30. cap. 28.22. ver. 10. cap. 32.2.
[3] cap. 28.2.
[4] Isa. 37.29. cap. 38.4.
[5] Jer. 8.2 e 16.4 e 25.33. Jer. 7.33 e 34.20.
[6] II Reis 18.21. Isa. 36.6.
[7] cap. 17.17.
[8] cap. 14.17 e 32.11, 12, 13.
[9] cap. 30.12.
[10] cap. 30.6.
[11] cap. 32.13.
[12] cap. 30.7, 26.
[13] Isa. 19.23. Jer. 46.26.
[14] cap. 17.6, 14.
[15] Isa. 30.2, 3 e 36.4, 6.
[16] Jer. 27.6. cap. 26.7, 8.
[17] Jer. 25.9.
[18] cap. 24.27.
Outra prophecia contra o Egypto e contra Pharaó.
[Antes de Christo 572]
30 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, prophetiza, e dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [1] Uivae: Ah! aquelle dia!
3 Porque [2] já está perto o dia, já está perto, digo, o dia do Senhor: dia nublado: o tempo dos gentios será.
4 E espada virá ao Egypto, e haverá grande dôr na Ethiopia, quando cairem os traspassados no Egypto; e [3] tomarão a sua multidão, e quebrar-se-hão os seus fundamentos.
5 Ethiopia, e [ABQ] Put, e Lud, e toda [4] a mistura de gente, e Cub, e os filhos da terra do concerto, com elles cairão á espada.
6 Assim diz o Senhor: Tambem cairão os que o Egypto sustem, e descerá a soberba de seu poder: [5] desde a torre de Sevene n’elle cairão á espada, diz o Senhor JEHOVAH.
7 E serão [6] assolados no meio das terras assoladas; e as suas cidades estarão no meio das cidades desertas.
8 E saberão que eu sou o Senhor, quando eu puzer fogo ao Egypto, e forem quebrados todos os que lhe davam auxilio.
9 N’aquelle dia sairão mensageiros de [7] diante de mim em navios, para espantarem a Ethiopia descuidada; e haverá n’elles grandes dôres, como no dia do Egypto; porque, eis que já vem.
10 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [8] Eu pois farei cessar a multidão do Egypto, por mão de Nabucodonozor, rei de Babylonia.
11 Elle e o seu povo [9] com elle, os mais formidaveis das nações, serão levados para destruirem a terra; e desembainharão as suas espadas contra o Egypto, e encherão a terra de traspassados.
12 E os rios farei seccos, [10] e venderei a terra á mão dos maus, e assolarei a terra e a sua plenitude pela mão dos estranhos; eu, o Senhor, o fallei.
13 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Tambem [11] destruirei os idolos, e farei cessar as imagens de Noph: [12] e não haverá mais um principe da terra do Egypto; e porei o temor na terra do Egypto.
14 E assolarei [13] a Pathros, e porei fogo a Zoan, e executarei juizos em No.
15 E derramarei o meu furor sobre Sin, a força do Egypto, [14] e exterminarei a multidão de No.
16 E porei fogo no Egypto; Sin terá grande dôr, e No será fendida, e Noph terá angustias quotidianas.
17 Os mancebos de Aven e Pibeseth cairão á espada, e as moças irão em captiveiro.
18 E em Tahpanes se escurecerá o dia, [15] quando eu quebrar ali os jugos do Egypto, e n’ella cessar a soberba da sua força: uma nuvem a cobrirá, e suas filhas irão em captiveiro.
19 Assim executarei juizos no Egypto, e saberão que eu sou o Senhor.
20 E succedeu que, no anno undecimo, no mez primeiro, aos sete do mez, veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
21 Filho do homem, [16] eu quebrei o braço de Pharaó, rei do Egypto, [17] e eis que não será atado com emplastos, nem lhe porão uma ligadura para o atar, para o esforçar, para que pegue na espada.
22 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu estou contra Pharaó, rei do Egypto, e quebrarei os seus braços, assim o forte como o quebrado, e farei cair da sua mão a espada.
23 E espalharei [18] os egypcios entre as nações, e os espalharei pelas terras.
24 E esforçarei os braços do rei de Babylonia, e darei a minha espada na sua mão; porém quebrarei os braços de Pharaó, e diante d’elle gemerá como geme o traspassado.
25 Esforçarei, digo, os braços do rei de Babylonia, mas os braços de Pharaó cairão; e saberão que eu sou o Senhor, quando eu metter a minha espada na mão do rei de Babylonia, e elle a estender sobre a terra do Egypto.
26 E espalharei os egypcios entre as nações, e os espalharei pelas terras: assim saberão que eu sou o Senhor.
[1] Isa. 13.6.
[2] cap. 7.7, 12. Joel 2.1. Sof. 1.7.
[3] cap. 29.19. Jer. 50.15.
[4] ver. 23, 24, 25.
[5] cap. 29.10.
[6] cap. 29.12.
[7] Isa. 18.1, 2.
[8] cap. 29.19.
[9] cap. 28.7.
[10] Isa. 19.5, 6.
[11] Isa. 19.1. Jer. 43.12 e 46.25. Zac. 13.2.
[12] Zac. 10.11. Isa. 19.16.
[13] cap. 29.14. Nah. 3.8, 9, 10.
[14] Jer. 46.25.
[15] Jer. 2.16.
[16] Jer. 48.25.
[17] Jer. 46.11.
[18] ver. 26. cap. 29.12.
Outra prophecia contra Pharaó, rei do Egypto.
[Antes de Christo 588]
31 E succedeu, no anno undecimo, no terceiro mez, ao primeiro do mez, que veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dize a Pharaó, rei do Egypto, e á sua multidão: [1] A quem és similhante na tua grandeza?
3 Eis que [2] a Assyria era um cedro no Libano, de ramos formosos, sombrio de ramagem e de alta estatura, e entre os ramos espessos estava a sua copa.
4 As aguas o fizeram crescer, o abysmo o exalçou: com as suas correntes corria em torno do seu plantio, e enviava os regatos a todas as arvores do campo.
5 Por isso [3] se elevou a sua estatura sobre todas as arvores do campo, e se multiplicaram os seus ramos, e se alongaram as suas varas, por causa das muitas aguas que enviava.
6 Todas as aves do céu se aninhavam nos seus ramos, e todos [4] os animaes do campo geravam debaixo dos seus ramos, e todos os grandes povos se assentavam á sua sombra.
7 Assim era elle formoso na sua grandeza, na extensão dos seus ramos, porque a sua raiz estava junto ás muitas aguas.
8 Os cedros não o escureciam no jardim [5] de Deus; as faias não egualavam os seus ramos, e os castanheiros não eram como os seus renovos: nenhuma arvore no jardim de Deus se assimilhou a elle na sua formosura.
9 Formoso o fiz com a multidão dos seus ramos; e todas as arvores do Eden, que estavam no jardim de Deus, tiveram inveja d’elle.
10 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto te elevaste na tua estatura, e se levantou a sua copa no meio dos espessos ramos, [6] e o seu coração se exalçou na sua altura,
11 Portanto o entreguei na mão da mais poderosa das nações, para que o tratasse com o tratamento merecido; pela sua impiedade o lançarei fóra.
12 E uns estranhos o exterminaram, [7] os mais formidaveis das nações, e o deixaram: cairam os seus ramos sobre os montes e por todos os valles, e os seus renovos foram quebrados por todas as correntes da terra; e todos os povos da terra se retiraram da sua sombra, e o deixaram.
13 Todas as aves do céu habitavam sobre a sua [8] ruina, e todos os animaes do campo se acolheram sob os seus renovos;
14 Para que todas as arvores das aguas não se elevem na sua estatura, nem levantem a sua copa no meio dos ramos espessos, nem todas as que bebem as aguas venham a confiar em si, por causa da sua altura; porque já todos estão entregues á morte, [9] até á terra mais baixa, no meio dos filhos dos homens, com os que descem á cova.
15 Assim diz o Senhor JEHOVAH: No dia em que elle desceu ao inferno, fiz eu que houvesse luto; fiz cobrir o abysmo, por sua causa, e retive as suas correntes, e se cohibiram; e cobri o Libano de preto por causa d’elle, e todas as arvores do campo por causa d’elle desfalleceram.
16 Ao som [10] da sua queda fiz tremer as nações, quando o fiz descer ao inferno com os que descem á cova; [11] e todas as arvores do Eden, a flor e o melhor do Libano, todas as arvores que bebem aguas, se consolavam na terra mais baixa.
17 Tambem estes com elles descerão ao inferno, aos que foram traspassados á espada, e os que foram seu braço, [12] e que estavam assentados á sombra no meio das nações.
18 A quem [13] pois és assim similhante em gloria e em grandeza entre as arvores do Eden? antes serás derribado com as arvores do Eden á terra mais baixa; no meio dos incircumcisos jazerás [14] com os que foram traspassados á espada: este é Pharaó e toda a sua multidão, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] ver. 18.
[2] Dan. 4.10.
[3] Dan. 4.11.
[4] cap. 17.28. Dan. 4.12.
[5] Gen. 2.8 e 13.10.
[6] Dan. 5.20.
[7] cap. 32.5 e 53.8.
[8] Isa. 18.6. cap. 32.4.
[9] cap. 32.18.
[10] cap. 26.15. Isa. 14.15.
[11] Isa. 14.8.
[12] Lam. 4.20.
[13] ver. 2. cap. 32.19.
[14] cap. 28.10 e 32.10, 21, 24, etc.
Lamentação sobre Pharaó, rei do Egypto.
[Antes de Christo 587]
32 E succedeu que, no anno duodecimo, no mez duodecimo, ao primeiro do mez, veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] levanta uma lamentação sobre Pharaó, rei do Egypto, e dize-lhe: [2] Similhante eras a um filho de leão entre as nações, e tu foste como um dragão nos mares, e trasbordavas os teus rios, e turbavas as aguas com os teus pés, [3] e enlameavas os seus rios.
3 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Portanto, [4] estenderei sobre ti a minha rede com ajuntamento de muitos povos, e te farão subir na minha rede.
4 Então [5] te deixarei em terra; sobre a face do campo te lançarei, e farei morar sobre ti todas as aves do céu, e fartarei de ti os animaes de toda a terra.
5 E [6] porei as tuas carnes sobre os montes, e encherei os valles da tua altura.
6 E a terra onde nadas regarei com o teu sangue até aos montes; e as correntes se encherão de ti.
7 E, apagando-te eu, cobrirei os céus, [7] e ennegrecerei as suas estrellas: ao sol encobrirei com uma nuvem, e a lua não deixará resplandecer a sua luz.
8 Todas as brilhantes luzes do céu ennegrecerei sobre ti, e trarei trevas sobre a tua terra, diz o Senhor JEHOVAH.
9 E farei vexar o coração de muitos povos, quando eu levar a tua destruição entre as nações, ás terras que não conheceste.
10 E farei com que muitos povos [8] fiquem pasmados de ti, e os seus reis tremam em grande maneira, quando eu brandir a minha espada ante os seus rostos; e estremecerão a cada momento, cada um pela sua vida, no dia da tua queda.
11 Porque [9] assim diz o Senhor JEHOVAH: A espada do rei de Babylonia virá sobre ti.
12 Farei cair a tua multidão com as espadas dos valentes, [10] que são todos os mais formidaveis das gentes; e destruirão a soberba do Egypto, e toda a sua multidão será perdida.
13 E destruirei todos os seus animaes de sobre as muitas aguas; [11] nem as turbará mais pé de homem, nem as turbarão unhas de animaes.
14 Então farei profundar as suas aguas, e farei correr os seus rios como o azeite, diz o Senhor JEHOVAH.
15 Quando eu tornar a terra do Egypto em assolação, e a terra fôr assolada em sua plenitude, e quando ferir a todos os que habitam n’ella, [12] então saberão que eu sou o Senhor.
16 Esta é a lamentação, [13] segundo a qual lamentarão; as filhas das nações assim lamentarão; sobre o Egypto e sobre toda a sua multidão assim lamentarão, diz o Senhor JEHOVAH.
Lamentação sobre o Egypto.
17 E succedeu que, no anno duodecimo, aos quinze do mez, veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
18 Filho do homem, pranteia sobre a multidão do Egypto, [14] e faze-a descer, a ella e ás filhas das nações magnificas, á terra mais baixa, aos que descem á cova.
19 A quem [15] sobrepujas tu em ser aprazivel? desce, e deita-te com os incircumcisos.
20 No meio d’aquelles que foram traspassados á espada cairão; á espada está entregue; arrastae-a e a toda a sua multidão.
21 Os [16] mais poderosos dos valentes lhe fallarão desde o meio do inferno, com os que a soccorrem: desceram, [17] jazeram os incircumcisos traspassados á espada.
22 Ali está Assur [18] com todo o seu ajuntamento; em redor d’elle estão os seus sepulchros; todos elles foram traspassados e cairam á espada.
23 Cujos sepulchros [19] foram postos nos lados da cova, e o seu ajuntamento está em redor do seu sepulchro: todos foram traspassados, e cairam á espada, [20] os quaes tinham causado espanto na terra dos viventes.
24 Ali [21] está Elam com toda a sua multidão em redor do seu sepulchro: todos elles foram traspassados, e cairam á espada, os quaes desceram incircumcisos ás mais baixas partes da terra, [22] os quaes causaram terror na terra dos viventes, e levaram a sua vergonha com os que desceram á cova.
25 No meio dos traspassados lhe pozeram uma cama entre toda a sua multidão; ao redor d’elle estão os seus sepulchros: todos elles são incircumcisos, traspassados á espada; porque causaram terror na terra dos viventes, e levaram a sua vergonha com os que desceram á cova; no meio dos traspassados foi posto.
26 Ali está [23] Mesech e Tubal com toda a sua multidão; ao redor d’elles estão os seus sepulchros: todos elles são incircumcisos, [24] e traspassados á espada, porquanto causaram terror na terra dos viventes.
27 Porém [25] não jazeram com os valentes que cairam dos incircumcisos, os quaes desceram ao inferno com as suas armas de guerra e pozeram as suas espadas debaixo das suas cabeças; e a sua iniquidade está sobre os seus ossos, porquanto eram o terror dos heroes na terra dos viventes.
28 Tambem tu serás quebrado no meio dos incircumcisos, e jazerás com os que foram traspassados á espada.
29 Ali está [26] Edom, os seus reis e todos os seus principes, que com o seu poder foram postos com os que foram traspassados á espada; estes jazem com os incircumcisos e com os que desceram á cova.
30 Ali [27] estão os principes do norte, todos elles, e todos os sidonios, que desceram com os traspassados, envergonhados com o terror causado pelo seu poder; e jazem incircumcisos com os que foram traspassados á espada, e levam a sua vergonha com os que desceram á cova.
31 Pharaó os verá, e se consolará com toda a sua multidão, os traspassados á espada, Pharaó, e todo o seu exercito, diz o Senhor JEHOVAH.
32 Porque tambem eu dei o meu espanto na terra dos viventes; pelo que jazerá no meio dos incircumcisos, com os traspassados á espada, Pharaó e toda a sua multidão, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] cap. 27.2. ver. 16.
[2] cap. 19.3, 6. cap. 29.3.
[3] cap. 34.18.
[4] cap. 12.13 e 17.20. Ose. 7.12.
[5] cap. 29.5 e 31.13.
[6] cap. 31.12.
[7] Isa. 13.10. Joel 2.31 e 3.15. Amós 8.9. Mat. 24.29. Apo. 6.12, 13.
[8] cap. 27.35. cap. 26.16.
[9] Jer. 46.26. cap. 30.4.
[10] cap. 28.7 e 29.19.
[11] cap. 29.11.
[12] Exo. 7.5 e 14.4, 18.
[13] ver. 2. II Sam. 1.17. II Chr. 35.25. cap. 26.17.
[14] cap. 26.20 e 31.14.
[15] cap. 31.2, 18. ver. 21, 24, etc. cap. 28.10.
[16] Isa. 1.31 e 14.9, 10. ver. 27.
[17] ver. 19, 25, etc.
[18] ver. 24, 26, 29, 30.
[19] Isa. 14.15.
[20] cap. 26.17. ver. 24, 25, 26, 27, 32.
[21] Jer. 49.34, etc. ver. 21.
[22] ver. 23.
[23] Gen. 10.2. cap. 27.13 e 38.2.
[24] ver. 19, 20, etc.
[25] ver. 21. Isa. 14.18, 19.
[26] cap. 25.12, etc.
[27] cap. 38.6, 15 e 30.2.
O officio do verdadeiro propheta.
33 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] falla aos filhos do teu povo, e dize-lhes: [2] Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e o povo da terra tomar um homem dos seus termos, [3] e o constituir por seu atalaia,
3 E elle vir que a espada vem sobre a terra, e tocar a trombeta, e avisar o povo,
4 E aquelle que ouvir o som da trombeta, não se der por avisado, e vier a espada, e o tomar, [4] o seu sangue será sobre a sua cabeça.
5 Elle ouviu o som da trombeta, e não se deu por avisado, o seu sangue será sobre elle; mas o que se dá por avisado salvará a sua vida.
6 Porém, quando o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não fôr avisado o povo, e a espada vier, e levar uma vida d’entre elles, [5] este tal foi levado na sua iniquidade, porém o seu sangue demandarei da mão do atalaia.
7 A ti pois, [6] ó filho do homem, te constitui por atalaia sobre a casa d’Israel; tu pois ouvirás a palavra da minha bocca, e lh’a annunciarás da minha parte.
8 Dizendo eu pois ao impio: Ó impio, certamente morrerás; e tu lhe não fallares, para dissuadir ao impio do seu caminho, morrerá esse impio na sua iniquidade, porém o seu sangue eu o demandarei da tua mão.
9 Mas, quando tu tiveres dissuadido ao impio do seu caminho, para que se converta d’elle, e elle se não converter do seu caminho, elle morrerá na sua iniquidade; porém tu livraste a tua alma.
10 Tu pois, filho do homem, dize á casa de Israel: Assim fallaes vós, dizendo: Visto que as nossas prevaricações e os nossos peccados estão sobre nós, e nós desfallecemos n’elles, [7] como viveremos então?
11 Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, que não tenho prazer na [8] morte do impio, mas que o impio se converta do seu caminho, e viva: convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; [9] pois por que razão morrereis, ó casa de Israel?
12 Tu pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: [10] A justiça do justo não o fará escapar no dia da sua prevaricação; e, quanto á impiedade do impio, não cairá por ella, no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo por ella poderá viver no dia em que peccar.
13 Quando eu disser ao justo que certamente viverá, [11] e elle confiar na sua justiça, e fizer iniquidade, não virão em memoria todas as suas justiças, mas na sua iniquidade, que faz, n’ella morrerá.
14 Quando eu tambem [12] disser ao impio: Certamente morrerás; e elle se converter do seu peccado, e fizer juizo e justiça,
15 Restituindo esse impio [13] o penhor, pagando o furtado, andando nos estatutos da vida, e não fazendo iniquidade, certamente viverá, não morrerá.
16 De todos os seus peccados [14] com que peccou não se fará memoria contra elle: juizo e justiça fez, certamente viverá.
17 Ainda [15] dizem os filhos do teu povo: Não é recto o caminho do Senhor: mas o proprio caminho d’elles é que não é recto.
18 Desviando-se [16] o justo da sua justiça, e fazendo iniquidade, morrerá n’ella.
19 E, convertendo-se o impio da sua impiedade, e fazendo juizo e justiça, elle viverá por elles.
20 Ainda dizeis: Não é recto o caminho do Senhor: [17] julgar-vos-hei a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel.
O castigo de Israel por causa da sua presumpção.
21 E succedeu que, no anno duodecimo, no decimo mez, [18] aos cinco do mez do nosso captiveiro, veiu a mim um que tinha escapado de Jerusalem, dizendo: [19] Já ferida é a cidade.
22 Ora a mão [20] do Senhor estivera sobre mim pela tarde, antes que viesse o que tinha escapado, [21] e abriu a minha bocca, até que chegou a mim pela manhã; e abriu-se a minha bocca, e não fiquei mais em silencio.
23 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
24 Filho do homem, [22] os moradores d’estes logares desertos da terra de Israel, fallando, dizem: Abrahão era um só, e possuiu esta terra; porém nós somos muitos, [23] esta terra a nós foi dada em possessão.
25 Dize-lhes portanto: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [24] A carne com o sangue comeis, e levantaes os vossos olhos para os vossos idolos, e derramaes o sangue! e possuireis esta terra?
26 Estribaes-vos sobre a vossa espada, commetteis abominação, [25] e contaminaes cada um a mulher do seu proximo! e possuireis a terra?
27 Assim lhes dirás: Assim disse o Senhor JEHOVAH: Vivo eu, [26] que os que estiverem em logares desertos, cairão á espada, e o que estiver sobre a face do campo o entregarei á fera, para que o coma, e os que estiverem em logares fortes e em cavernas [27] morrerão de pestilencia.
28 Porque tornarei a terra em assolação e espanto, [28] e cessará a soberba da sua força; e os montes de Israel serão tão assolados que não haja quem passe por elles.
29 Então saberão que eu sou o Senhor, quando eu tornar a terra em assolação e espanto, por todas as suas abominações que fizeram.
30 Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo fallam de ti junto ás paredes e nas portas das casas; [29] e falla um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do Senhor.
31 E elles [30] veem a ti, como o povo costumava vir, [31] e se assentam diante de ti, como o meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra: antes elles lisongeiam com a sua bocca, [32] porém o seu coração segue a sua avareza.
32 E eis que tu lhe és como uma canção de amores, de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.
33 Porém, quando [33] vier isto (eis que está para vir), então saberão que houve no meio d’elles um propheta.
[1] cap. 3.11.
[2] cap. 14.17.
[3] ver. 7.
[4] cap. 18.13.
[5] ver. 8.
[6] cap. 3.17, etc.
[7] cap. 24.23.
[8] II Sam. 14.14. cap. 18.23, 32. II Ped. 3.9.
[9] cap. 18.31.
[10] cap. 3.20 e 18.24, 26, 27.
[11] cap. 3.20 e 18.24.
[12] cap. 3.18, 19 e 18.27.
[13] cap. 18.7. Exo. 22.1, 4. Num. 5.6, 7. Lev. 18.5. cap. 20.11, 13, 21.
[14] cap. 18.22.
[15] ver. 20. cap. 18.25, 29.
[16] cap. 18.26, 27.
[17] ver. 17. cap. 18.25, 29.
[18] cap. 1.2.
[19] II Reis 25.4.
[20] cap. 1.3.
[21] cap. 24.27.
[22] cap. 34.2. ver. 27. cap. 36.4. Isa. 51.2. Act. 7.5.
[23] Mat. 3.9.
[24] Gen. 9.4. Lev. 3.17. Deu. 12.16. cap. 18.6 e 22.6, 9.
[25] cap. 18.6 e 22.11.
[26] ver. 24.
[27] cap. 39.4.
[28] Jer. 44.2, 6, 22. cap. 36.34, 35. cap. 30.6, 7.
[29] Isa. 29.13.
[30] cap. 14.11 e 20.1, etc.
[31] cap. 8.1. Isa. 29.13.
[32] Mat. 13.22.
[33] I Sam. 3.20. cap. 2.5.
Prophecia contra os pastores infieis de Israel.
34 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] prophetiza contra os pastores de Israel; prophetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [2] Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! porventura os pastores não apascentarão as ovelhas?
3 Comeis o [3] gordo, e vos vestis de lã; degolaes o cevado; porém não apascentaes as ovelhas.
4 As fracas não fortalecestes, [4] e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, [5] e a perdida não buscastes; porém dominaes sobre ellas com rigor e dureza.
5 Assim se espalharam, [6] por não haver pastor, e ficaram para pasto de toda a besta do campo, porquanto se espalharam.
6 As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro; e as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem [ABR] pergunte por ellas, sem haver quem as busque.
7 Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor:
8 Vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, que, porquanto as minhas ovelhas [7] foram entregues á rapina, e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto a toda a besta do campo, á falta de pastor, e os meus pastores não [ABS] perguntam pelas minhas ovelhas, [8] e os pastores se apascentam a si mesmos, e não apascentam as minhas ovelhas;
9 Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor:
10 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu estou contra os pastores, e [9] demandarei as minhas ovelhas da sua mão, e os farei cessar de apascentar as ovelhas, [10] e os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua bocca, e lhes não servirão mais de pasto.
11 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu, eu digo, perguntarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei.
12 Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e as farei escapar de todos os logares por onde andam espalhadas, [11] no dia da nuvem e da escuridão.
13 E as tirarei [12] dos povos, e as congregarei das terras, e as trarei á sua terra, e as apascentarei nos montes de Israel, junto ás correntes, e em todas as habitações da terra.
14 Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será a sua malhada; [13] ali se deitarão n’uma boa malhada, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel.
15 Eu apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor JEHOVAH.
16 A perdida buscarei, [14] e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada atarei, e a enferma fortalecerei; mas a gorda [15] e a forte destruirei; apascental-as-hei com juizo.
17 E quanto a vós, ó ovelhas minhas, assim diz o Senhor JEHOVAH: [16] Eis que eu julgarei entre gado pequeno e gado pequeno, entre carneiros e bodes.
18 Acaso não vos basta que pasteis o bom pasto, senão que pizeis o resto de vossos pastos a vossos pés? e que bebaes as profundas aguas, senão que enlameeis o resto com os vossos pés?
19 E as minhas ovelhas pastarão o que foi pizado com os vossos pés, e beberão o que tem sido turvado com os vossos pés.
20 Por isso o Senhor JEHOVAH assim lhes diz: [17] Eis que eu, sim, eu, julgarei entre o gado gordo e o gado magro.
21 Porquanto com o lado e com o hombro daes empurrões, e com as vossas pontas escorneaes todas as fracas, até que as espalhaes para fóra,
22 Portanto livrarei as minhas ovelhas, para que não sirvam mais de rapina, [18] e julgarei entre gado miudo e gado miudo.
23 E [19] levantarei sobre ellas um só pastor, e elle as apascentará: [20] meu servo David, este as apascentará, e este lhes servirá de pastor.
24 E eu, o Senhor, [21] lhes serei por Deus, e o meu servo David será principe no meio d’elles: eu, o Senhor, o fallei.
25 E [22] farei com elles um concerto de paz, e farei cessar a besta ruim da terra, e habitarão no deserto seguramente, e dormirão nos bosques.
26 E a elles, e aos logares ao redor do meu outeiro, [23] os porei por benção; e farei descer a chuva a seu tempo: chuvas de benção serão.
27 E [24] as arvores do campo darão o seu fructo, e a terra dará a sua novidade, e estarão seguros na sua terra; e saberão que eu sou o Senhor, [25] quando eu quebrar as varas do seu jugo [26] e os livrar da mão dos que se serviam d’elles.
28 E [27] não servirão mais de rapina aos gentios, e a besta fera da terra nunca mais os comerá: [28] e habitarão seguramente, e ninguem haverá que os espante.
29 E lhes [29] levantarei uma planta de nome, e nunca mais serão arrebatados da fome na terra, [30] nem mais levarão sobre si o opprobrio dos gentios.
30 Saberão, porém, que eu, o Senhor seu Deus, [31] estou com elles, e que elles são o meu povo, a casa d’Israel, diz o Senhor JEHOVAH.
31 Vós pois, [32] ó ovelhas minhas, ovelhas do meu pasto; homens sois; porém eu sou o vosso Deus, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] cap. 33.24.
[2] Jer. 23.1. Zac. 11.17.
[3] cap. 33.25, 26. Miq. 3.1, 2, 3.
[4] ver. 16. Zac. 11.16.
[5] Luc. 15.4. I Ped. 5.3.
[6] cap. 33.21, 28. I Sam. 22.17. Mat. 9.36. Isa. 56.9. Jer. 12.9. ver. 8.
[7] ver. 5, 6.
[8] ver. 2, 10.
[9] cap. 3.18. Heb. 13.17.
[10] ver. 2, 8.
[11] cap. 30.3. Joel 2.2.
[12] Isa. 65.9, 10. Jer. 23.3. cap. 28.25 e 36.24 e 37.21, 22.
[13] Jer. 33.12.
[14] ver. 4. Isa. 40.11. Miq. 4.6. Mat. 18.11. Mar. 2.17. Luc. 5.32.
[15] Amós 4.1.
[16] cap. 20.37, 38. ver. 20, 22. Mat. 25.32, 33.
[17] ver. 17.
[18] ver. 17.
[19] Isa. 40.11. Jer. 23.4, 5. João 10.11. Heb. 13.20. I Ped. 2.25 e 5.4.
[20] Jer. 30.9. cap. 37.24, 25. Ose. 3.5.
[21] ver. 30. Exo. 29.45. cap. 37.27.
[22] cap. 37.26. Lev. 26.6. Isa. 11.6-9 e 35.9. Ose. 2.18. ver. 28. Jer. 23.6.
[23] Isa. 56.7. Gen. 12.2. Isa. 19.24.
[24] Lev. 26.4. Isa. 4.2.
[25] Lev. 26.13. Jer. 2.20.
[26] Jer. 25.14.
[27] ver. 8.
[28] ver. 25. Jer. 30.10.
[29] Isa. 11.1. Jer. 23.5.
[30] cap. 36.3, 6, 15.
[31] ver. 24. cap. 37.27.
[32] João 10.11.
Prophecia contra o monte de Seir.
35 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] dirige o teu rosto contra o monte de Seir, e prophetiza contra elle.
3 E dize-lhe: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu estou contra ti, ó monte de Seir, [2] e estenderei a minha mão contra ti, e te porei em assolação e espanto.
4 [3] As tuas cidades porei em solidão, e tu te tornarás em assolação; e saberás que eu sou o Senhor.
5 Porquanto guardas inimizade perpetua, e fizeste derramar os filhos d’Israel pela violencia da espada [4] no tempo da extrema iniquidade,
6 Por isso vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, que te preparei para sangue, e o sangue te perseguirá; pois que não aborreceste o sangue, o sangue te perseguirá.
7 E farei do monte de Seir uma extrema assolação, [5] e exterminarei d’elle o que por elle passar, e o que por elle tornar.
8 E [6] encherei os seus montes dos seus traspassados; nos teus outeiros, e nos teus valles, e em todas as tuas correntes cairão os traspassados á espada.
9 Em assolações perpetuas [7] te porei, e as tuas cidades nunca mais serão habitadas: [8] assim sabereis que eu sou o Senhor.
10 Porquanto dizes: Os dois povos e as duas terras serão minhas, [9] e as possuiremos, sendo que o Senhor se achava ali,
11 Portanto, vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, [10] que usarei conforme a tua ira, e conforme a tua inveja, de que usaste, com o teu odio, contra elles; e serei conhecido d’elles, quando te julgar.
12 E [11] saberás que eu, o Senhor, ouvi todas as tuas blasphemias, que disseste contra os montes d’Israel, dizendo: Já estão assolados, a nós nos são entregues por pasto.
13 Assim [12] vos engrandecestes contra mim com a vossa bocca, e multiplicastes as vossas palavras contra mim: eu o ouvi.
14 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [13] Quando se alegra toda a terra te porei em assolação.
15 Como [14] te alegraste da herança da casa de Israel, porque está assolada, assim te farei a ti: [15] em assolação serás tomado, ó monte de Seir, e todo o Edom, todo, digo; e saberão que eu sou o Senhor.
[1] cap. 6.2. Deu. 2.5.
[2] cap. 6.14.
[3] ver. 9. Abd. 10.
[4] cap. 21.25, 29. Dan. 9.24. Abd. 11.
[5] cap. 29.11.
[6] cap. 31.12 e 32.5.
[7] Jer. 49.17, 18. ver. 4. Mal. 1.3, 4.
[8] cap. 6.7 e 7.4, 9 e 36.11.
[9] cap. 36.5. Abd. 13.
[10] Mat. 7.2. Thi. 2.13.
[11] cap. 6.7.
[12] I Sam. 2.3. Apo. 13.6.
[13] Isa. 65.13, 14.
[14] Abd. 12, 15.
[15] ver. 3, 4.
Prophecia feita aos montes de Israel.
36 E tu, ó filho do homem, [1] prophetiza aos montes de Israel, e dize: Montes de Israel, ouvi a palavra do Senhor.
2 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [2] Porquanto diz o inimigo sobre vós: Ah! ah! até as eternas alturas são por nossa herança;
3 Portanto, prophetiza, e dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto vos assolaram e devoraram em redor, para que vós ficasseis feitos herança do resto das nações, [3] e estaes levantados em labios do paroleiro, e em infamia do povo,
4 Portanto, ouvi, ó montes de Israel, a palavra do Senhor JEHOVAH: Assim diz o Senhor JEHOVAH aos montes e aos outeiros, ás correntes e aos valles, aos logares assolados e solitarios, e ás cidades desamparadas, que se tornaram em rapina e em escarneo ao resto das nações que lhes estão em redor;
5 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: [4] Certamente no fogo do meu zelo fallei contra o resto das nações, e contra todo o Edom, [5] que se appropriaram da minha terra, com alegria de todo o coração, e com menosprezo da alma, para ser lançada fóra á rapina.
6 Portanto, prophetiza sobre a terra de Israel, e dize aos montes e aos outeiros, ás correntes e aos valles: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que fallei no meu zelo e no meu furor, [6] porquanto levastes sobre vós o opprobrio dos gentios.
7 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: [7] Eu levantei a minha mão, para que os gentios que vos estão em redor levem o seu opprobrio sobre si mesmos.
8 Porém vós, ó montes de Israel, ainda produzireis o vosso ramo, e dareis o vosso fructo para o meu povo de Israel; porque estão para vir.
9 Porque eis que eu estou comvosco; e eu me virarei para vós, e sereis lavrados e semeados.
10 E multiplicarei os homens sobre vós, a toda a casa de Israel, a toda ella: e as cidades serão habitadas, [8] e as solidões serão edificadas.
11 E [9] multiplicarei homens e bestas sobre vós, e se multiplicarão, e fructificarão: e vos farei habitar como d’antes, e o farei melhor que nos vossos principios; [10] e sabereis que eu sou o Senhor.
12 E farei andar sobre vós uns homens; o meu povo de Israel: elles te possuirão, [11] e serás a sua herança, e nunca mais os desfilharás.
13 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto vos dizem: [12] Tu és uma terra que devora os homens, e és uma terra que desfilha os seus povos;
14 Por isso tu não devorarás mais os homens, nem desfilharás mais os teus povos, diz o Senhor JEHOVAH.
15 E farei que nunca mais se [13] ouça em ti a affronta dos gentios; nem levarás mais sobre ti o opprobrio das gentes, nem mais desfilharás a tua nação, diz o Senhor JEHOVAH.
A restauração de Israel.
16 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
17 Filho do homem, quando a casa de Israel habitava na sua terra, [14] então a contaminaram com os seus caminhos e com as suas acções: [15] como a immundicia de uma mulher separada, era o seu caminho perante o meu rosto.
18 Derramei pois o meu furor sobre elles, [16] por causa do sangue que derramaram sobre a terra, e dos seus idolos, com que a contaminaram.
19 E os espalhei [17] entre as nações, e foram espalhados pelas terras: [18] conforme os seus caminhos, e conforme os seus tratos, os julguei.
20 E, chegando ás nações para onde se foram, [19] profanaram o meu sancto nome; porquanto se dizia d’elles: Estes são o povo do Senhor, e sairam da sua terra.
21 Porém os poupei [20] por amor do meu sancto nome, o qual a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi.
22 Dize portanto á casa de Israel: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Não é por vosso respeito que eu o faço, ó casa de Israel, porém pelo meu sancto nome, que profanaste entre as nações para onde vós fostes.
23 E eu sanctificarei o meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio d’ellas; e as nações saberão que eu sou o Senhor, diz o Senhor JEHOVAH, [21] quando eu fôr sanctificado aos seus olhos.
24 E vos tomarei [22] d’entre as nações, e vos congregarei de todas as terras, e vos trarei para a vossa terra.
25 Então espalharei [23] agua pura sobre vós, e ficareis purificados: de todas as vossas immundicias e de todos os vossos idolos vos purificarei.
26 E vos darei [24] um coração novo, e porei dentro de vós um espirito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne, e vos darei um coração de carne.
27 E porei dentro de vós o meu espirito, [25] e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juizos, e os façaes.
28 E habitareis [26] na terra que eu dei a vossos paes, [27] e vós me sereis por povo, e eu vos serei por Senhor.
29 E vos livrarei [28] de todas as vossas immundicias; e chamarei o trigo, e o multiplicarei, [29] e não trarei fome sobre vós.
30 E multiplicarei [30] o fructo das arvores, e a novidade do campo, para que nunca mais recebaes o opprobrio da fome entre as nações.
31 Então vos [31] lembrareis dos vossos maus caminhos, e dos vossos tratos, que não foram bons; e tereis nojo em vós mesmos das vossas maldades e das vossas abominações.
32 Não [32] é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor JEHOVAH; notorio vos seja: envergonhae-vos, e ficae confusa sobre os vossos caminhos, ó casa de Israel.
33 Assim diz o Senhor JEHOVAH: No dia em que eu vos purificar de todas as vossas maldades, então farei com que sejam habitadas as cidades [33] e sejam edificadas as solidões.
34 E a terra assolada se lavrará, em logar de ser assolada aos olhos de todos os que passavam.
35 E dirão: Esta terra assolada ficou como [34] jardim do Eden; e as cidades solitarias, e assoladas, e destruidas, estão fortalecidas e habitadas.
36 Então saberão as nações, que ficarem de resto em redor de vós, que eu, o Senhor, reedifico as cidades destruidas, e planto o assolado: eu, o Senhor, [35] o fallei, e farei.
37 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Ainda por isso serei requerido da casa de Israel, que lh’o faça: multiplical-os-hei de homens, como a um rebanho.
38 Como o rebanho sanctificado, como o rebanho de Jerusalem nas suas solemnidades, assim as cidades desertas serão cheias de rebanhos de homens; e saberão que eu sou o Senhor.
[1] cap. 6.2, 3.
[2] Deu. 32.13. cap. 35.10.
[3] Deu. 28.37. I Reis 9.7. Dan. 9.16.
[4] Deu. 4.24. cap. 38.19.
[5] cap. 35.10, 12.
[6] cap. 34.29. ver. 15.
[7] cap. 20.5.
[8] ver. 33. Isa. 58.12 e 61.4.
[9] Jer. 31.27 e 33.12.
[10] cap. 35.9 e 27.6, 13.
[11] Abd. 17, etc. Jer. 15.7.
[12] Num. 13.32.
[13] cap. 34.29.
[14] Lev. 18.25, 27, 28. Jer. 2.7.
[15] Lev. 15.19, etc.
[16] cap. 16.36, 38 e 24.37.
[17] cap. 22.15.
[18] cap. 18.30 e 39.24.
[19] Isa. 52.5. Rom. 2.24.
[20] cap. 20.9, 14.
[21] cap. 20.41 e 28.22.
[22] cap. 34.13 e 37.21.
[23] Heb. 10.22. Jer. 33.8.
[24] Jer. 32.39. cap. 11.19.
[25] cap. 11.19 e 37.14.
[26] cap. 28.25 e 37.25.
[27] Jer. 30.22. cap. 11.20 e 37.27.
[28] Mat. 1.21. Rom. 11.26.
[29] cap. 34.29.
[30] cap. 34.27.
[31] cap. 16.61, 63. Lev. 26.39. cap. 6.9 e 20.43.
[32] Deu. 9.5. ver. 22.
[33] ver. 10.
[34] Isa. 51.3. cap. 28.13. Joel 2.3.
[35] cap. 17.24 e 22.14 e 37.14.
A visão d’um valle de ossos seccos.
37 Veiu sobre mim a mão do Senhor, [1] e o Senhor, pelo espirito, me levou e me poz no meio de um valle que estava cheio de ossos.
2 E me fez passar por toda a roda d’elles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do valle, e eis que estavam sequissimos.
3 E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: [2] Senhor JEHOVAH, tu o sabes.
4 Então me disse: Prophetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos seccos, ouvi a palavra do Senhor.
5 Assim diz o Senhor JEHOVAH a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espirito, e vivereis.
6 E porei nervos sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pelle, e porei em vós o espirito, e vivereis, [3] e sabereis que eu sou o Senhor.
7 Então prophetizei como se me deu ordem; e houve um arroido, prophetizando eu; e eis que se fez um reboliço, e os ossos se achegaram, [ABT] cada osso ao seu osso.
8 E olhei, e eis que vinham nervos sobre elles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pelle sobre elles por cima; porém não havia n’elles espirito.
9 E elle me disse: Prophetiza ao espirito, prophetiza, ó filho do homem, e dize ao espirito: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Vem dos quatro ventos, ó espirito, e assopra sobre estes mortos, e viverão.
10 E prophetizei como [4] elle me deu ordem: então o espirito entrou n’elles, e viveram, e se pozeram em seus pés, um exercito grande em extremo.
11 Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel: eis que dizem: Os nossos ossos se seccaram, e pereceu a nossa esperança: nós estamos cortados.
12 Portanto prophetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [5] Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, [6] e vos trarei á terra de Israel.
13 E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir as vossas sepulturas, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu.
14 E porei em vós [7] o meu espirito, e vivereis, e vos metterei na vossa terra, e sabereis que eu, o Senhor, fallei isto, e o fiz, diz o Senhor.
15 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
16 Tu, pois, ó filho do homem, [8] toma um pau, e escreve n’elle: A Judah e aos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pau, e escreve n’elle: A José, o pau de Ephraim, e de toda a casa de Israel, seus companheiros.
17 E ajunta [9] um ao outro, para que sejam um pau; e serão unidos na tua mão.
18 E quando te fallarem os filhos do teu povo, dizendo: Porventura [10] não nos declaras que significam estas coisas?
19 Então lhes dirás: [11] Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu tomarei o pau de José, que esteve na mão de Ephraim, e das tribus de Israel, seus companheiros, e os ajuntarei com elle ao pau de Judah, e farei d’elles um só pau, e elles se farão um só na minha mão.
20 E os paus, sobre que houveres escripto, estarão na tua mão, [12] perante os olhos d’elles.
21 Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [13] Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações, para onde elles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei á sua terra.
22 E d’elles farei [14] uma nação na terra, nos montes d’Israel, e todos elles terão por seu rei um só rei; [15] e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.
23 E nunca [16] mais se contaminarão com os seus idolos, nem com as suas abominações, nem com as suas prevaricações, [17] e os livrarei de todas as suas habitações, em que peccaram, e os purificarei: assim me serão por povo, e eu lhes serei por Deus.
24 E [18] meu Servo David será rei sobre elles, e todos elles terão um só pastor; e andarão nos meus juizos, e guardarão os meus estatutos, e os farão.
25 E [19] habitarão na terra que dei a meu servo Jacob, em que habitaram vossos paes; e habitarão n’ella, elles e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre, [20] e David, meu servo, será seu principe eternamente.
26 E farei com elles [21] um concerto de paz; será com elles um concerto perpetuo; e os porei, [22] e os multiplicarei, e porei o meu sanctuario no meio d’elles para sempre.
27 E o meu tabernaculo [23] estará com elles, e lhes serei por Deus e elles me serão por povo.
28 E [24] as nações saberão que eu sou o Senhor que sanctifico a Israel, quando estiver o meu sanctuario no meio d’elles para sempre.
[1] cap. 1.3 e 3.14 e 8.3 e 11.24. Luc. 4.1.
[2] Deu. 32.39. I Sam. 2.6. João 5.21. II Cor. 1.9.
[3] cap. 6.7 e 35.12. Joel 2.27 e 3.17.
[4] Apo. 11.11.
[5] Isa. 26.19. Ose. 13.14.
[6] cap. 36.24. ver. 25.
[7] cap. 36.27.
[8] Num. 17.2. II Chr. 15.9.
[9] ver. 22, 24.
[10] cap. 12.9 e 24.19.
[11] Zac. 10.6. ver. 16, 17.
[12] cap. 12.3.
[13] cap. 36.24.
[14] Ose. 1.11.
[15] cap. 34.23, 24.
[16] cap. 36.25.
[17] cap. 36.28, 29.
[18] Jer. 23.5 e 30.9. cap. 34.23, 24. Luc. 1.32. João 10.16.
[19] cap. 36.28.
[20] Isa. 60.21. Joel 3.20. Amós 9.15. ver. 24. João 12.34.
[21] Isa. 55.3. cap. 34.25.
[22] cap. 36.10, 37. II Cor. 6.16.
[23] Lev. 26.11, 12. cap. 43.7 e 11.20 e 14.11 e 36.28.
[24] cap. 36.23. cap. 20.12.
Prophecia contra Gog.
38 Veiu mais a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] dirige o teu rosto contra Gog, terra de Magog, [2] principe e chefe de Mesech e Tubal, e prophetiza contra elle,
3 E dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu estou contra ti, ó Gog, principe e chefe de Mesech e de Tubal;
4 E [3] te farei voltar, e porei anzoes nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exercito, cavallos e cavalleiros, todos vestidos bizarramente, congregação grande, com escudo e rodela, manejando todos a espada:
5 Persas, ethiopes, e puteos com elles, todos elles com escudo e capacete;
6 Gomer [4] e todas as suas tropas, a casa de Togarma, da banda do norte, e todas as suas tropas, muitos povos comtigo.
7 Prepara-te, [5] e dispõe-te, tu e todas as tuas congregações que se ajuntaram ao pé de ti, e serve-lhes tu de guarda.
8 Depois [6] de muitos dias serás visitado: no fim dos annos virás á terra que se retirou da espada, [7] e que foi congregada d’entre muitos povos aos montes de Israel, que sempre serviram de assolação; mas aquella terra foi tirada d’entre os povos, [8] e todos elles habitarão seguramente.
9 Então subirás, [9] virás como uma tempestade, far-te-has como uma nuvem para cobrir a terra, tu e todas as tuas tropas, e muitos povos comtigo.
10 Assim diz o Senhor JEHOVAH: E será n’aquelle dia que subirão conselhos sobre o teu coração, e maquinarás um mau designio,
11 E dirás: Subirei contra a terra das aldeias, [10] virei contra os que estão em repouso, que habitam seguros; todos elles habitam sem muro, e não teem ferrolho nem portas;
12 Para despojar o despojo, e para roubar o roubo, [11] para tornar a tua mão contra as terras desertas que agora se habitam, e contra o povo que se ajuntou d’entre as nações, e já tem gado e possessões, que habita no meio da terra.
13 Sheba, [12] e Dedan, e os mercadores de Tarsis, e todos os seus leõesinhos te dirão: Porventura tu vens a despojar o despojo? ou ajuntaste o teu ajuntamento para roubar o roubo? para levar a prata e o oiro, para tomar o gado e possessões, para despojar o grande despojo?
14 Portanto, prophetiza, ó filho do homem, e dize a Gog: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [13] Porventura não o experimentarás n’aquelle dia, quando o meu povo Israel habitar com segurança?
15 Virás pois [14] do teu logar, das bandas do norte, tu e muitos povos comtigo, montados todos a cavallo, grande ajuntamento, e exercito numeroso,
16 E [15] subirás contra o meu povo Israel, como uma nuvem, para cobrir a terra: no fim dos dias succederá; então te trarei contra a minha terra, [16] para que as nações me conheçam a mim, quando eu me houver sanctificado em ti aos seus olhos, ó Gog.
17 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Porventura não és tu aquelle de quem eu disse nos dias antigos, pelo ministerio de meus servos, os prophetas de Israel, que n’aquelles dias prophetizaram largos annos, que te traria contra elles?
18 Succederá, porém, n’aquelle dia, no dia em que vier Gog contra a terra de Israel, diz o Senhor JEHOVAH, que a minha indignação subirá a meus narizes.
19 Porque fallei no meu zelo, [17] no fogo do meu furor, [18] que n’aquelle dia haverá grande tremor sobre a terra de Israel;
20 De tal maneira que [19] tremerão diante da minha face os peixes do mar, e as aves do céu, e os animaes do campo, e todos os reptis que se arrastam sobre a terra, e todos os homens que estão sobre a face da terra; [20] e os montes serão deitados abaixo, e os precipicios cairão, e todos os muros cairão á terra.
21 Porque [21] chamarei sobre elle a espada por todos os meus montes, [22] diz o Senhor JEHOVAH: a espada de cada um se voltará contra seu irmão.
22 E contenderei com elle [23] pela peste e pelo sangue; e uma chuva inundante, [24] e grandes pedras de saraiva, fogo, e enxofre choverei sobre elle, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos que estiverem com elle.
23 Assim eu me engrandecerei [25] e me sanctificarei, e me farei conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor.
[1] cap. 39.1. cap. 35.2, 3.
[2] cap. 32.26.
[3] II Reis 19.28. cap. 39.2.
[4] Gen. 10.2. cap. 27.14.
[5] Isa. 8.9, 10. Jer. 46.3, 4, 14 e 51.12.
[6] Deu. 4.30.
[7] ver. 12. cap. 34.13. cap. 36.1, 4, 8.
[8] Jer. 23.6. cap. 34.23.
[9] Isa. 28.2. Jer. 4.13. ver. 16.
[10] Jer. 49.31. ver. 8.
[11] cap. 36.34, 35. ver. 8.
[12] cap. 27.22, 23. cap. 27.15, 20. cap. 27.12.
[13] Isa. 4.1. ver. 8.
[14] cap. 39.2. ver. 6.
[15] ver. 9.
[16] cap. 3.23 e 39.21.
[17] cap. 36.5, 6 e 39.25.
[18] Apo. 16.18.
[19] Ose. 4.3.
[20] Jer. 4.24.
[21] cap. 14.17.
[22] I Sam. 14.20. II Chr. 20.23.
[23] Isa. 66.16. cap. 5.17. Isa. 29.6 e 30.30.
[24] cap. 13.11. Apo. 16.21.
[25] cap. 36.23 e 37.28 e 39.7. ver. 16.
39 Tu pois, [1] ó filho do homem, prophetiza ainda contra Gog, e dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu estou contra ti, ó Gog, principe e chefe de Mesech e de Tubal.
2 E te farei voltar, e te porei seis anzoes, [2] e te farei subir das bandas do norte, e te trarei aos montes de Israel.
3 E tirarei o teu arco da tua mão esquerda, e farei cair as tuas frechas da tua mão direita.
4 Nos montes de Israel cairás, [3] tu e todas as tuas tropas, e os povos que estão comtigo; [4] e ás aves de rapina, e ás aves de toda a aza, e aos animaes do campo, te dei por pasto.
5 Sobre a face do campo cairás, porque eu o fallei, diz o Senhor JEHOVAH.
6 E [5] enviarei um fogo a Magog, e entre os que habitam seguros nas ilhas; e saberão que eu sou o Senhor.
7 E [6] farei conhecido o meu sancto nome no meio do meu povo Israel, e nunca mais deixarei profanar o meu sancto nome; [7] e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Sancto em Israel.
8 Eis que é vindo, e será feito, diz o Senhor JEHOVAH: este é o dia de que tenho fallado.
9 E os habitantes das cidades de Israel sairão, e accenderão fogo, e queimarão as armas, e os escudos e as rodelas, com os arcos, e com as frechas, e com os bastões de mão, e com as lanças; e accenderão fogo com ellas por sete annos.
10 E não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas accenderão fogo; e roubarão aos que os roubaram, [8] e despojarão aos que os despojaram, diz o Senhor JEHOVAH.
11 E succederá que, n’aquelle dia, darei ali a Gog um logar de sepultura em Israel, o valle dos que passam ao oriente do mar; e este tapará os narizes aos que passarem; e ali sepultarão a Gog, e a toda a sua multidão, e lhe chamarão o valle [ABU] da multidão de Gog.
12 E a casa de Israel os enterrará por sete mezes, [9] para purificar a terra.
13 Pois todo o povo da terra os enterrará, [10] e lhes será de nomeada o dia em que eu fôr glorificado, diz o Senhor JEHOVAH.
14 E separarão uns homens que incessantemente passarão pela terra, para que elles, juntamente com os que passam, sepultem os que tiverem ficado sobre a face da terra, [11] para a purificarem: ao cabo de sete mezes farão esta busca.
15 E os que passam pela terra passarão, e, vendo algum o osso de um homem, lhe levantará ao pé um signal, até que os enterradores o houverem enterrado no valle da [ABV] multidão de Gog.
16 E tambem o nome da cidade será [ABW] Hamona: assim purificarão a terra.
17 Tu, pois, ó filho do homem, assim diz o Senhor JEHOVAH, dize ás aves de toda a aza, e a todos os animaes do campo: [12] Ajuntae-vos e vinde, congregae-vos de ao redor para o meu sacrificio, que eu sacrifiquei por vós, um sacrificio grande, [13] nos montes de Israel, e comei carne e bebei sangue.
18 Comereis [14] a carne dos principes da terra; dos carneiros, dos cordeiros, e dos bodes, e dos bezerros, [15] todos cevados de Basan.
19 E comereis a gordura até vos fartardes, e bebereis o sangue até vos embebedardes, do meu sacrificio, que sacrifiquei por vós.
20 E vos fartareis á minha mesa, de cavallos, e de carros, [16] de valentes, e de todos os homens de guerra, diz o Senhor JEHOVAH.
21 E [17] eu porei a minha gloria entre as nações, e todas as nações verão o meu juizo, que eu tiver executado, e a minha mão, [18] que sobre ellas tiver carregado.
22 E saberão os da casa [19] de Israel que eu sou o Senhor seu Deus, desde aquelle dia em diante.
23 E as nações saberão [20] que os da casa d’Israel, por causa da sua iniquidade, foram levados em captiveiro, porque se rebellaram contra mim, e eu escondi d’elles a minha face, [21] e os entreguei nas mãos de seus adversarios, e todos cairam á espada.
24 Conforme a sua [22] immundicia e conforme as suas prevaricações usei com elles, e escondi d’elles a minha face.
25 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: [23] Agora tornarei a trazer os captivos de Jacob, [24] e me compadecerei de toda a casa d’Israel; zelarei pelo meu sancto nome;
26 Quando houverem levado [25] sobre si a sua vergonha, e toda a sua rebeldia, com que se rebellaram contra mim, [26] habitando elles seguros na sua terra, sem haver quem os espantasse.
27 Quando [27] eu os tornar a trazer de entre os povos, e os houver ajuntado das terras de seus inimigos, [28] e eu fôr sanctificado n’elles aos olhos de muitas nações,
28 Então saberão [29] que eu sou o Senhor seu Deus, vendo que eu os fiz levar em captiveiro entre as nações, e os tornei a ajuntar para a sua terra, e nenhum d’elles deixei lá mais.
29 Nem [30] esconderei mais a minha face d’elles, quando eu houver derramado o meu espirito [31] sobre a casa de Israel, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] cap. 38.2, 3.
[2] cap. 38.15.
[3] ver. 17.
[4] cap. 33.27.
[5] cap. 38.23. Amós 1.4.
[6] ver. 22. Lev. 18.21. cap. 20.39.
[7] cap. 38.16, 23.
[8] Isa. 14.2.
[9] Deu. 21.23. ver. 14, 16.
[10] cap. 28.22.
[11] ver. 12.
[12] Jer. 12.9. Sof. 1.7.
[13] ver. 4.
[14] Apo. 19.18.
[15] Deu. 32.14.
[16] Apo. 19.18.
[17] cap. 38.16, 23.
[18] Exo. 7.4.
[19] ver. 7, 28.
[20] cap. 36.18, 19, 20, 23.
[21] Lev. 26.25.
[22] cap. 36.19.
[23] Jer. 30.3, 18. cap. 34.13 e 36.24.
[24] cap. 20.40.
[25] Dan. 9.16.
[26] Lev. 26.5, 6.
[27] cap. 28.25, 26.
[28] cap. 36.23, 24 e 38.16.
[29] cap. 34.30. ver. 22.
[30] Isa. 54.8.
[31] Joel 2.28. Zac. 12.10.
A restauração do templo: os atrios e os vestibulos.
[Antes de Christo 574]
40 No anno vinte e cinco do nosso captiveiro, no principio do anno, no decimo dia do mez, [1] quatorze annos depois que a cidade foi ferida, n’aquelle mesmo dia veiu sobre mim a mão do Senhor, e me levou para lá.
2 Em visões [2] de Deus me levou á terra d’Israel, e me poz sobre um monte mui alto, e havia sobre elle como edificio de cidade para a banda do sul.
3 E, havendo-me levado ali, [3] eis que um homem cujo parecer era como o parecer de cobre tinha um cordel de linho na sua mão [4] e uma canna de medir; e elle estava em pé na porta.
4 E disse-me o homem: [5] Filho do homem, vê com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, e põe no teu coração tudo quanto eu te fizer vêr; porque afim de t’o mostrar foste tu aqui trazido: [6] annuncia pois á casa de Israel tudo quanto tu vires.
5 E eis um muro [7] fóra da casa em redor, e na mão do homem uma canna de medir, de seis covados, cada covado d’um covado e um palmo, e mediu a largura do edificio, d’uma canna, e a altura, d’uma canna.
6 Então veiu á porta que olhava para o caminho do oriente, e subiu pelos seus degraus; mediu o umbral da porta, uma canna de largo, e o outro umbral, d’uma canna de largo.
7 E cada camarinha era uma canna de comprido, e outra canna de largo, e entre as camarinhas havia cinco covados; e o umbral da porta, ao pé do vestibulo da porta, era d’uma canna, por dentro.
8 Tambem mediu o vestibulo da porta por dentro, d’uma canna.
9 Então mediu o outro alpendre da porta, de oito covados, e os seus pilares, de dois covados, e o vestibulo da porta, por dentro.
10 E as camarinhas da porta do caminho para o oriente eram tres d’esta e tres da outra banda, uma mesma medida era a das tres: tambem os pilares d’esta e da outra banda tinham a mesma medida.
11 Mediu mais a largura da entrada da porta, de dez covados; e o comprimento da porta, treze covados.
12 E o espaço de diante das camarinhas era de um covado, e de um covado o espaço da outra banda: e cada camarinha tinha seis covados d’uma e seis covados da outra banda.
13 Então mediu a porta desde o telhado d’uma camarinha até ao telhado da outra, vinte e cinco covados de largo, porta contra porta.
14 Tambem fez pilares de sessenta covados, a saber, para o pilar do atrio, em roda da porta.
15 E, desde a dianteira da porta da entrada até á dianteira do vestibulo da porta interior, havia cincoenta covados.
16 Fez [8] tambem janellas de fechar nas camarinhas, e nos seus pilares, dentro da porta ao redor, e da mesma sorte nos vestibulos: e as janellas estavam á roda pela parte de dentro, e nos pilares havia palmas.
17 E elle me levou [9] ao atrio exterior; e eis que havia n’elle camaras, e um [ABX] solhado que estava feito no atrio em redor: trinta camaras havia n’aquelle solhado.
18 E o solhado da banda das portas era a par do comprimento das portas: o solhado estava debaixo.
19 E mediu a largura da dianteira do atrio interior, por fóra, cem covados, da banda do oriente e do norte.
20 E, quanto á porta que olhava para o caminho do norte, no atrio exterior, elle mediu o seu comprimento e a sua largura.
21 E as suas camarinhas, tres d’uma banda, e tres da outra, e os seus pilares e os seus vestibulos eram da medida da primeira porta: cincoenta covados era o seu comprimento, e a largura vinte e cinco covados.
22 E as suas janellas, e os seus vestibulos, e as suas palmas, eram da medida da porta que olhava para o caminho do oriente; e subiam a ella por sete degraus, e os seus vestibulos estavam diante d’ellas.
23 E estava a porta do atrio interior defronte da porta do norte e do oriente; e mediu de porta a porta cem covados.
24 Então elle me levou ao caminho do sul, e eis uma porta que olhava para o caminho do sul, e mediu os seus pilares e os seus vestibulos conforme estas medidas.
25 E tinha tambem janellas em redor dos seus vestibulos, como estas janellas: cincoenta covados o comprimento, e a largura vinte e cinco covados.
26 E de sete degraus eram as suas subidas, e os seus vestibulos diante d’ellas; e tinha umas palmas, uma d’uma banda e outra da outra banda, nos seus pilares.
27 Tambem havia uma porta no atrio interior para o caminho do sul; e mediu de porta a porta, para o caminho do sul, cem covados.
28 Então me levou ao atrio interior pela porta do sul; e mediu a porta do sul, conforme estas medidas.
29 E as suas camarinhas, e os seus pilares, e os seus vestibulos eram conforme estas medidas; e tinham tambem janellas ao redor dos seus vestibulos: o comprimento era de cincoenta covados, e a largura de vinte e cinco covados.
30 E havia vestibulos em redor: [10] o comprimento era de vinte e cinco covados, e a largura de cinco covados.
31 E os seus vestibulos estavam no atrio exterior, e tinham palmas nos seus pilares; e de oito degraus eram as suas subidas.
32 Depois me levou ao atrio interior, para o caminho do oriente, e mediu a porta conforme estas medidas;
33 Como tambem as suas camarinhas, e os seus pilares, e os seus vestibulos, conforme estas medidas; e tinha tambem janellas em redor dos seus vestibulos: o comprimento de cincoenta covados, e a largura de vinte e cinco covados.
34 E os seus vestibulos estavam no atrio de fóra: tambem havia palmas nos seus pilares de uma e de outra banda; e eram as suas subidas de oito degraus.
35 Então me levou á porta do norte, e mediu conforme estas medidas;
36 As suas camarinhas, os seus pilares, e os seus vestibulos; tambem tinha janellas em redor: o comprimento era de cincoenta covados, e a largura de vinte e cinco covados.
37 E os seus pilares estavam no atrio exterior: tambem havia palmas nos seus pilares de uma e de outra banda; e eram as suas subidas de oito degraus.
38 E a sua camara e a sua porta estavam junto aos pilares das portas onde levavam o holocausto.
39 E no vestibulo da porta havia duas mesas de uma banda, e duas mesas da outra, para n’ellas se degolar o holocausto [11] e o sacrificio pelo peccado e pela culpa.
40 Tambem da banda de fóra da subida para a entrada da porta do norte havia duas mesas; e da outra banda, que estava no vestibulo da porta, havia duas mesas.
41 Quatro mesas de uma, e quatro mesas da outra banda; aos lados da porta oito mesas, sobre as quaes immolavam.
42 E as quatro mesas para o holocausto eram de pedras lavradas: o comprimento era de um covado e meio, e a largura de um covado e meio, e a altura de um covado: e sobre ellas se punham os instrumentos com que immolavam o holocausto e o sacrificio.
43 E as pedras do lar eram de um palmo de grossura, postas na casa em redor, e sobre as mesas a carne da offerta.
44 E fóra da porta interior estavam as camaras dos cantores, [12] no atrio de dentro, que estava da banda da porta do norte e olhava para o caminho do sul: uma estava á banda da porta do oriente, a qual olhava para o caminho do norte.
45 E elle me disse: Esta camara que olha para o caminho do sul é para os sacerdotes [13] que teem a guarda do templo.
46 Mas a camara que olha para o caminho do norte é para os sacerdotes [14] que teem a guarda do altar: estes são os filhos de Zadoc, que se chegam ao Senhor, d’entre os filhos de Levi, para o servir.
47 E mediu o atrio: o comprimento de cem covados e a largura de cem covados, quadrado; e o altar estava diante do templo.
48 Então me levou ao vestibulo do templo, e mediu a cada pilar do vestibulo, cinco covados de uma banda, e cinco covados da outra; e a largura da porta, tres covados de uma banda, e tres covados da outra.
49 O [15] comprimento do vestibulo era de vinte covados, e a largura de onze covados, e com degraus, pelos quaes se subia; e havia columnas junto aos pilares, [16] uma de uma banda e outra da outra.
[1] cap. 33.21. cap. 1.3.
[2] cap. 8.3. Apo. 21.1.
[3] Dan. 10.6. cap. 47.3.
[4] Apo. 11.1 e 21.15.
[5] cap. 44.5.
[6] cap. 43.10.
[7] cap. 42.20.
[8] I Reis 6.4.
[9] Apo. 11.2. I Reis 6.5.
[10] ver. 21, 25, 33.
[11] Lev. 4.2, 3. Lev. 5.6 e 6.6 e 7.1.
[12] I Chr. 6.31.
[13] Lev. 8.35. Num. 3.27, 28, 32, 38 e 18.5. I Chr. 9.23.
[14] Num. 18.5. cap. 44.15. I Reis 2.35. cap. 43.19 e 44.15, 16.
[15] I Reis 6.3.
[16] I Reis 7.21.
A restauração do templo: o sanctuario.
41 Então me levou ao templo, e mediu os pilares, seis covados de largura de uma banda, e seis covados de largura da outra, que era a largura da tenda.
2 E a largura da entrada, dez covados; e as bandas da entrada, cinco covados de uma banda e cinco covados da outra: tambem mediu o seu comprimento, de quarenta covados, e a largura, de vinte covados.
3 E entrou dentro, e mediu o pilar da entrada, dois covados, e a entrada, seis covados, e a largura da entrada, sete covados.
4 Tambem [1] mediu o seu comprimento, vinte covados, e a largura, vinte covados, diante do templo, e me disse: Esta é a Sanctidade das Sanctidades.
5 E mediu a parede do templo, seis covados, e a largura das camaras lateraes, quatro covados, por todo o redor do templo.
6 E [2] as camaras lateraes, camara sobre camara, eram trinta e tres por ordem, e entravam na parede que tocava no templo pelas camaras lateraes em redor, para travarem d’ellas, porque não travavam da parede do templo.
7 E [3] havia maior largura e volta nas camaras lateraes para cima, porque [ABY] o caracol do templo subia mui alto por todo o redor do templo, por isso que o templo tinha mais largura para cima; e assim da camara baixa se subia á mais alta pelo meio.
8 E olhei para a altura do templo em redor: e eram os fundamentos das camaras lateraes da medida de uma canna inteira, [4] seis covados, o covado tomado até ao sobaco.
9 A grossura da parede das camaras lateraes de fóra era de cinco covados; e o que foi deixado vazio era o logar das camaras lateraes, que estavam junto ao templo.
10 E entre as camaras havia a largura de vinte covados por todo o redor do templo.
11 E as entradas das camaras lateraes estavam voltadas para o logar vazio: uma entrada para o caminho do norte, e outra entrada para o do sul: e a largura do logar vazio era de cinco covados em redor.
12 Era tambem o edificio que estava diante da separação, á esquina do caminho do occidente, da largura de setenta covados; e a parede do edificio de cinco covados de largura em redor; e o seu comprimento era de noventa covados.
13 E mediu o templo, do comprimento de cem covados, como tambem a separação, e o edificio, e as suas paredes, cem covados de comprimento.
14 E a largura da dianteira do templo, e da separação para o oriente, de uma e de outra parte, de cem covados.
15 Tambem mediu o comprimento do edificio, diante da separação, que lhe estava por detraz, e as suas galerias de uma e de outra parte, de cem covados, com o templo de dentro e os vestibulos do atrio.
16 Os umbraes e as janellas estreitas, [5] e as galerias em redor dos tres, defronte do umbral, estavam cobertas de madeira em redor; e isto desde o chão até ás janellas; e as janellas estavam cobertas.
17 Até ao que havia em cima da porta, e até ao templo de dentro e de fóra, e até toda a parede em redor, por dentro e por fóra, tudo por medida.
18 E [6] foi feito com cherubins e palmas, de maneira que cada palma estava entre cherubim e cherubim, e cada cherubim tinha dois rostos,
19 A saber: [7] um rosto de homem olhava para a palma d’uma banda, e um rosto de leãosinho para a palma da outra: assim foi feito por toda a casa em redor.
20 Desde o chão até por cima da entrada estavam feitos os cherubins e as palmas, como tambem pela parede do templo.
21 As hombreiras do templo eram quadradas, e, no tocante á dianteira do sanctuario, a feição d’uma era como a feição da outra.
22 O altar [8] de madeira era de tres covados de altura, e o seu comprimento de dois covados, e tinha as suas esquinas; e [ABZ] o seu comprimento e as suas paredes eram de madeira; e me disse: [9] Esta é a mesa que está perante a face do Senhor.
23 E o templo e o sanctuario ambos tinham duas portas.
24 E havia dois batentes para as portas: dois batentes que viravam; dois para uma porta, e dois batentes para a outra.
25 E foram feitos n’ellas, nas portas do templo, cherubins e palmas, como estavam feitos nas paredes, e havia uma trave grossa de madeira na dianteira do vestibulo por fóra.
26 E havia janellas estreitas, e palmas, d’uma e d’outra banda, pelas bandas do vestibulo, como tambem nas camaras do templo e nas grossas traves.
[1] I Reis 6.20. II Chr. 3.8.
[2] I Reis 6.5, 6.
[3] I Reis 6.8.
[4] cap. 40.5.
[5] cap. 40.16. ver. 26.
[6] I Reis 6.29.
[7] cap. 1.10.
[8] Exo. 30.1.
[9] cap. 44.16. Mal. 1.7, 12. Exo. 30.8.
A restauração do templo: as camaras sanctas.
42 Depois d’isto fez-me sair para fóra, ao atrio exterior, para a banda do caminho do norte; [1] e me levou ás camaras que estavam defronte do largo vazio, e que estavam defronte do edificio, da banda do norte.
2 Defronte do comprimento de cem covados era a entrada do norte: e a largura era de cincoenta covados.
3 Defronte dos vinte covados, que tinha o atrio interior, e defronte do pavimento que tinha o atrio exterior, [2] havia galeria contra galeria em tres andares.
4 E diante das camaras havia um passeio de dez covados de largo, da banda de dentro, e um caminho d’um covado, e as suas entradas da banda do norte.
5 E as camaras de cima eram mais estreitas; porquanto as galerias eram mais altas do que aquellas, a saber, as de baixo e as do meio do edificio.
6 Porque ellas eram de tres andares, porém não tinham columnas como as columnas dos atrios; por isso desde o chão se iam estreitando, mais do que as de baixo e as do meio.
7 E o muro que estava de fóra, defronte das camaras, no caminho do atrio exterior, por diante das camaras, tinha cincoenta covados de comprimento.
8 Porque o comprimento das camaras, que tinha o atrio exterior, era de cincoenta covados; e eis que defronte do templo havia cem covados.
9 E debaixo d’estas camaras estava a entrada do oriente, quando se entra n’ellas do atrio de fóra.
10 Na largura do muro do atrio para o caminho do oriente, diante do logar vazio, e diante do edificio, havia tambem camaras.
11 E o caminho [3] de diante d’ellas era da feição das camaras, e olhava para o caminho do norte; conforme o seu comprimento, assim era a sua largura; e todas as suas saidas eram tambem conforme as suas feições, e conforme as suas entradas.
12 E conforme as entradas das camaras, que olhavam para o caminho do sul, havia tambem uma entrada no topo do caminho, do caminho de diante do muro direito, para o caminho do oriente, quando se entra por ellas.
13 Então me disse: As camaras do norte, e as camaras do sul, que estão diante do logar vazio, ellas são camaras sanctas, [4] em que os sacerdotes, que se chegam ao Senhor, comerão as coisas mais sanctas: ali porão as coisas mais sanctas, [5] e as offertas de comer, e a expiação pelo peccado, e a expiação pela culpa; porque o logar é sancto.
14 Quando [6] os sacerdotes entrarem, não sairão do sanctuario para o atrio exterior, mas porão ali as suas vestiduras com que ministraram, porque ellas são sanctidade; e vestir-se-hão d’outras vestiduras, e assim se approximarão do [ACA] que toca ao povo.
15 E, acabando elle de medir o templo interior, elle me fez sair pelo caminho da porta, cuja face olha para o caminho do oriente; e a mediu em redor.
16 Mediu a banda oriental com a canna de medir, quinhentas cannas com a canna de medir ao redor.
17 Mediu a banda do norte, quinhentas cannas com a canna de medir ao redor.
18 A banda do sul tambem mediu, quinhentas cannas com a canna de medir.
19 Deu uma volta para a banda do occidente, e mediu quinhentas cannas com a canna de medir.
20 Pelas quatro bandas a mediu, e tinha um muro em redor, [7] quinhentas cannas de comprimento, e quinhentas de largura, para fazer separação entre o sancto e o profano.
[1] cap. 41.12, 5.
[2] cap. 41.16.
[3] ver. 4.
[4] Lev. 6.16, 26 e 24.9.
[5] Lev. 2.3, 10 e 6.14, 17, 25, 29 e 7.1.
[6] cap. 44.19.
[7] cap. 40.5 e 45.2.
A restauração do templo: a gloria do Senhor.
43 Então me levou á porta, á porta que olha [1] para o caminho do oriente.
2 E eis que [2] a gloria do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas aguas, [3] e a terra resplandeceu por causa da sua gloria.
3 E o aspecto da visão [4] que vi era como o aspecto que eu tinha visto quando vim a destruir a cidade; e eram os aspectos da visão como o aspecto que vi [5] junto ao rio de Chebar; e cahi sobre o meu rosto.
4 E a gloria [6] do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta, cuja face está para o caminho do oriente.
5 E levantou-me o [7] espirito, e me levou ao atrio interior: [8] e eis que a gloria do Senhor encheu o templo.
6 E ouvi a um que fallava comigo de dentro do templo, [9] e estava um homem em pé junto comigo.
7 E me disse: Filho do homem, este é o logar do meu throno, e o logar das plantas dos meus pés, [10] onde habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre; [11] e os da casa de Israel não contaminarão mais o meu nome sancto, nem elles nem os seus reis, pelas suas fornicações, e pelos cadaveres dos seus reis, nos seus altos,
8 Pondo [12] o seu umbral ao pé do meu umbral, e a sua umbreira junto á minha umbreira, e havendo uma parede entre mim e entre elles; e contaminaram o meu sancto nome com as suas abominações que faziam; por isso eu os consumi na minha ira.
9 Agora lançarão para longe [13] de mim a sua fornicação, e os cadaveres dos seus reis, e habitarei no meio d’elles para sempre.
A restauração do templo: o altar dos holocaustos.
10 Tu pois, ó filho do homem, [14] mostra á casa de Israel esta casa, para que se envergonhe das suas maldades, e meça o exemplar d’ella.
11 E, envergonhando-se elles de tudo quanto fizeram, faze-lhes saber a forma d’esta casa, e a sua figura, e as suas saidas, e as suas entradas, e todas as suas formas, e todos os seus estatutos, todas as suas formas, e todas as suas leis; e escreve-as aos seus olhos, para que guardem toda a sua forma, e todos os seus estatutos, e os façam.
12 Esta é a lei da casa: [15] Sobre o cume do monte todo o seu contorno em redor será sanctidade de sanctidades; eis que esta é a lei da casa.
13 E estas são as medidas do altar, [16] pelos covados; o covado é um covado e um palmo: e [ACB] o seio d’um covado de altura, e um covado de largura, e o seu contorno da sua borda ao redor, d’um palmo; e [ACC] esta é a base do altar.
14 E [ACD] do seio desde a terra até á listra de baixo, dois covados, e de largura um covado; e desde a pequena listra até á listra grande, quatro covados, e a largura d’um covado.
15 E o [ACE] Harel, de quatro covados: e desde o [ACF] Ariel e até acima havia quatro cornos.
16 E o Ariel terá doze covados de comprimento, e doze de largura, quadrado nos quatro lados.
17 E a listra, quatorze covados de comprimento, e quatorze de largura, nos seus quatro lados; e o contorno, ao redor d’ella, de meio covado, e o [ACG] seio d’ella, de um covado, ao redor: [17] e os seus degraus olhavam para o oriente.
18 E me disse: Filho do homem, assim diz o Senhor JEHOVAH: Estes são os estatutos do altar, no dia em que o farão, [18] para offerecer sobre elle holocausto e para espalhar sobre elle sangue.
19 E aos sacerdotes levitas, que são da semente de Zadoc, que se chegam a mim (diz o Senhor JEHOVAH) para me servirem, [19] darás um bezerro, [20] para expiação do peccado.
20 E tomarás do seu sangue, e o porás sobre os seus quatro cornos, e nas quatro esquinas da listra, e no contorno ao redor: assim o purificarás e o expiarás.
21 Então tomarás o bezerro da expiação do peccado, [21] e o queimarão no logar da casa para isso ordenado, fóra do sanctuario.
22 E no segundo dia offerecerás um bode, sem mancha, para expiação do peccado: e purificarão o altar, como o purificaram com o bezerro.
23 E, acabando tu de o purificar, offerecerás um bezerro, sem mancha, e um carneiro do rebanho, sem mancha.
24 E os offerecerás perante a face do Senhor; [22] e os sacerdotes deitarão sal sobre elles, e os offerecerão em holocausto ao Senhor.
25 Por [23] sete dias prepararás um bode de expiação cada dia: tambem prepararão um bezerro, e um carneiro do rebanho, sem mancha.
26 Por sete dias expiarão o altar, e o purificarão, e [ACH] encherão as suas mãos.
27 E, [24] cumprindo elles estes dias, será que, ao oitavo dia, e d’ali em diante, prepararão os sacerdotes sobre o altar os vossos holocaustos e os vossos sacrificios pacificos; e eu [ACI] me deleitarei em vós, [25] diz o Senhor JEHOVAH.
[1] cap. 10.19 e 44.1 e 46.1.
[2] cap. 11.23 e 14.2 e 19.1, 6.
[3] cap. 10.4. Apo. 18.1.
[4] cap. 8.4.
[5] cap. 1.3 e 3.23.
[6] cap. 10.19 e 44.2.
[7] cap. 3.12, 14 e 8.3.
[8] I Reis 8.10, 11. cap. 44.4.
[9] cap. 40.3.
[10] Exo. 29.45. Joel 3.17. João 1.14. II Cor. 6.16.
[11] cap. 39.7. Lev. 26.30.
[12] II Reis 21.4, 5, 7.
[13] ver. 7.
[14] cap. 40.4.
[15] cap. 40.2.
[16] cap. 41.8.
[17] Exo. 20.26.
[18] Lev. 1.5.
[19] cap. 45.15.
[20] Exo. 29.10, 12. Lev. 8.14, 15. cap. 45.18, 19.
[21] Exo. 29.14. Heb. 13.11.
[22] Lev. 2.13.
[23] Exo. 29.35, 36. Lev. 8.33.
[24] Lev. 9.1.
[25] Job 42.8. cap. 20.40, 41. Rom. 12.1. I Ped. 2.5.
A restauração do templo: reformas no ministerio do sanctuario.
44 Então me fez voltar para o caminho da porta do sanctuario exterior, [1] que olha para o oriente, a qual estava fechada.
2 E disse-me o Senhor: Esta porta estará fechada, não se abrirá, nem ninguem entrará por ella; [2] porquanto o Senhor Deus de Israel entrou por ella: por isso estará fechada.
3 O principe, o principe, elle se assentará n’ella, [3] para comer o pão diante do Senhor; pelo caminho do vestibulo da porta entrará, e pelo caminho d’elle sairá.
4 Depois me levou pelo caminho da porta do norte, diante da casa; e olhei, [4] e eis que a gloria do Senhor encheu a casa do Senhor; então cahi sobre o meu rosto.
5 E disse-me o Senhor: Filho do homem, [5] [ACJ] põe no teu coração, e olha com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, tudo quanto eu fallar comtigo de todos os estatutos da casa do Senhor, e de todas as suas leis; e põe o teu coração na entrada da casa, com todas as saidas do sanctuario.
6 E dize ao rebelde, á casa de Israel: [6] Assim diz o Senhor JEHOVAH: Bastem-vos todas as vossas abominações, ó casa d’Israel!
7 Porque [7] introduzistes estranhos, incircumcisos de coração e incircumcisos de carne, para estarem no meu sanctuario, para o profanarem em minha casa, [8] quando offereceis o meu pão, a gordura, e o sangue; e elles invalidaram o meu concerto, por causa de todas as vossas abominações.
8 E não guardastes a ordenança das minhas coisas sagradas; antes vos constituistes, a vós mesmos, guardas da minha ordenança no meu sanctuario.
9 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Nenhum estranho, [9] incircumciso de coração nem incircumciso de carne, entrará no meu sanctuario, d’entre os estranhos que se acharem no meio dos filhos de Israel.
10 Mas [10] os levitas que se apartaram para longe de mim, quando Israel andava errado, os quaes andavam errados, desviados de mim, por irem atraz dos seus idolos, bem levarão sobre si a sua iniquidade.
11 Comtudo serão ministros no meu sanctuario, nos officios das portas da casa, [11] e servirão a casa: elles degolarão o holocausto, e o sacrificio para o povo, [12] e elles estarão perante elles, para os servir.
12 Porque lhes ministraram diante dos seus idolos, e serviram á casa de Israel de tropeço de maldade: por isso eu levantei a minha mão sobre elles, diz o Senhor JEHOVAH, e elles levarão sobre si a sua iniquidade.
13 E [13] não se chegarão a mim, para me servirem no sacerdocio, nem para se chegarem a alguma de todas as minhas coisas sagradas, ás sanctidades de sanctidades, [14] mas levarão sobre si a sua vergonha e as suas abominações que commetteram.
14 Comtudo, [15] os constituirei guardas da ordenança da casa, em todo o seu serviço, e em tudo o que n’ella se fizer.
15 Mas os sacerdotes [16] leviticos, os filhos de Zadoc, que guardaram a ordenança do meu sanctuario quando os filhos de Israel andavam errados de mim, elles se chegarão a mim, para me servirem, e estarão diante de mim, [17] para me offerecerem a gordura e o sangue, diz o Senhor JEHOVAH.
16 Elles entrarão no meu sanctuario, e elles se chegarão á minha mesa, para me servirem, e guardarão a minha ordenança.
17 E será que, quando entrarem pelas portas do atrio interior, [18] se vestirão de vestiduras de linho; e não subirá lã sobre elles, quando servirem nas portas do atrio interior, e dentro.
18 Coifas de linho [19] estarão sobre as suas cabeças, e ceroulas de linho estarão sobre os seus lombos: não se cingirão de modo que lhes venha suor.
19 E, saindo elles ao atrio exterior, ao atrio exterior ao povo, [20] despirão as suas vestiduras com que elles ministraram, e as porão nas sanctas camaras, e se vestirão de outros vestidos, [21] para que não sanctifiquem o povo estando com as suas vestiduras.
20 E a sua cabeça não raparão, [22] nem deixarão crescer o seu cabello; antes, como convem, tosquiarão as suas cabeças.
21 E [23] nenhum sacerdote beberá vinho quando entrar no atrio interior.
22 E elles [24] não se casarão nem com viuva nem com repudiada, mas tomarão virgens da semente da casa de Israel, ou viuva que fôr viuva de sacerdote.
23 E [25] a meu povo ensinarão a differença entre o sancto e o profano, e lhe farão saber a differença entre o impuro e o puro.
24 E, [26] quando houver pleito, elles assistirão a elle para o julgarem; pelos meus juizos o julgarão: e as minhas leis e os meus estatutos em todas as minhas solemnidades guardarão, e os meus sabbados sanctificarão.
25 E elles não entrarão a [27] homem morto, para se contaminarem; mas por pae, ou por mãe, ou por filho, ou por filha, ou por irmão, ou por irmã que não tiver marido, se poderão contaminar.
26 E, [28] depois da sua purificação, lhe contarão sete dias.
27 E, no dia em que elle entrar no logar sancto, [29] no atrio interior, para ministrar no logar sancto, offerecerá a sua expiação pelo peccado, diz o Senhor JEHOVAH.
28 E isto lhes será por herança: [30] eu serei a sua herança: não lhes dareis portanto possessão em Israel: eu sou a sua possessão.
29 A offerta de manjares, e o sacrificio pelo peccado, [31] e o sacrificio pela culpa elles comerão; e toda a coisa consagrada em Israel será d’elles.
30 E as primicias [32] de todos os primeiros fructos de tudo, e toda a offerta de todas as vossas offertas, serão dos sacerdotes; [33] tambem as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote; [34] para que faça repousar a benção sobre a tua casa.
31 Nenhuma coisa, que de si mesmo haja morrido ou haja sido arrebatada de aves e das bestas, comerão os sacerdotes.
[1] cap. 43.1.
[2] cap. 43.4.
[3] Gen. 31.54. I Cor. 10.18. cap. 46.2, 8.
[4] cap. 3.23 e 43.5.
[5] cap. 40.4.
[6] cap. 2.5. cap. 45.9. I Ped. 4.3.
[7] cap. 43.8. ver. 9. Act. 21.28. Lev. 22.25 e 26.41. Deu. 10.16.
[8] Lev. 21.6, 8, 17, 21. Lev. 3.16 e 17.11.
[9] ver. 7.
[10] II Chr. 29.4, 5. cap. 48.11.
[11] I Chr. 26.1. II Chr. 29.34.
[12] Num. 16.9.
[13] Num. 18.3. II Reis 23.9.
[14] cap. 32.30 e 36.7.
[15] Num. 18.4.
[16] cap. 40.46 e 43.19. ver. 10.
[17] ver. 7.
[18] Exo. 28.39, 40, 43 e 39.27, 28.
[19] Exo. 28.40, 42 e 39.28.
[20] cap. 42.14.
[21] cap. 46.20. Exo. 29.37 e 30.29. Lev. 6.27. Mat. 23.17, 19.
[22] Lev. 21.5.
[23] Lev. 10.9.
[24] Lev. 21.7, 13, 14.
[25] Lev. 10.10, 11. cap. 22.26. Mal. 2.7.
[26] Deu. 17.8, etc.
[27] Lev. 21.1, etc.
[28] Num. 6.10 e 19.11, etc.
[29] ver. 17. Lev. 4.3.
[30] Num. 18.20. Deu. 18.1, 2. Jos. 13.14, 33.
[31] Lev. 6.18, 29 e 7.6.
[32] Exo. 13.2 e 22.29, 30. Num. 3.13.
[33] Num. 15.20. Neh. 10.37. Pro. 3.9, 10.
[34] Exo. 22.31. Lev. 22.8.
A repartição da terra: o logar sancto.
45 Quando pois repartirdes a terra por sortes em herança, offerecereis uma offerta ao Senhor, um logar sancto da terra: o comprimento será o comprimento de vinte e cinco mil cannas de medir, e a largura de dez mil: este será sancto em todo o seu contorno ao redor.
2 Serão d’isto para [1] o sanctuario quinhentas com mais quinhentas, em quadrado do redor, e terá em redor um arrabalde de cincoenta covados.
3 E d’esta medida medirás o comprimento de vinte e cinco mil covados, e a largura de dez mil: [2] e ali estará o sanctuario e o logar sanctissimo.
4 Este será o logar [3] sancto da terra; elle será para os sacerdotes que administram o sanctuario e se approximam para servir ao Senhor; e lhes servirá de logar para casas, e de logar sancto para o sanctuario.
5 E terão os levitas, ministros da casa, em possessão sua, [4] vinte e cinco mil medidas de comprimento, [5] para vinte camaras.
6 E para possessão da cidade, [6] de largura dareis cinco mil cannas, e de comprimento vinte e cinco mil, [ACK] defronte da offerta sancta: o que será para toda a casa de Israel.
7 O principe porém terá a sua parte d’esta e da outra [7] banda da sancta offerta, e da possessão da cidade, diante da sancta offerta, e diante da possessão da cidade, da esquina occidental para o occidente, e da esquina oriental para o oriente; e será o comprimento, defronte d’uma das partes, desde o termo occidental até ao termo oriental.
8 E esta terra será a sua possessão em Israel; [8] e os meus principes nunca mais opprimirão o meu povo, antes deixarão a terra á casa de Israel, conforme as suas tribus.
9 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Já vos baste, ó principes de Israel; [9] affastae a violencia e a assolação, e praticae juizo e justiça: tirae as vossas imposições do meu povo, diz o Senhor JEHOVAH.
10 Balanças justas, [10] e epha justo, e bato justo tereis.
11 O epha e o bato serão d’uma mesma medida, de maneira que o bato contenha a decima parte do homer, e o epha a decima parte do homer; conforme o homer será a sua medida.
12 E o siclo [11] será de vinte geras: vinte siclos, vinte e cinco siclos, e quinze siclos vos servirão d’um arratel.
13 Esta será a offerta que haveis de offerecer: a sexta parte d’um epha de cada homer de trigo; tambem dareis a sexta parte d’um epha de cada homer de cevada.
14 Quanto ao estatuto do azeite, de cada bato de azeite offerecereis a decima parte d’um bato tirado d’um coro, que é um homer de dez batos; porque dez batos fazem um homer.
15 E um cordeiro do rebanho, de cada duzentos, da mais regada terra de Israel, para offerta de manjares, e para [12] holocausto, e para sacrificio pacifico; para fazer expiação por elles, diz o Senhor JEHOVAH.
16 Todo o povo da terra concorrerá a esta offerta, pelo principe em Israel.
17 E estarão a cargo do principe os holocaustos, e as offertas de manjares, e as libações, nas festas, e nas luas novas, e nos sabbados, em todas as solemnidades da casa de Israel: elle fará a expiação pelo peccado, e a offerta de manjares, e o holocausto, e os sacrificios pacificos, para fazer expiação pela casa de Israel.
18 Assim diz o Senhor JEHOVAH: No primeiro mez, no primeiro dia do mez, [13] tomarás um bezerro sem mancha, e purificarás o sanctuario.
19 E o sacerdote [14] tomará do sangue do sacrificio pela expiação, e porá d’elle nas hombreiras da casa, e nas quatro esquinas da listra do altar, e nas hombreiras da porta do atrio interior.
20 Assim tambem farás no setimo dia do mez, [15] por causa dos que erram, e por causa dos simplices: assim expiareis a casa.
21 No [16] primeiro mez, no dia quatorze do mez, tereis a paschoa, uma festa de sete dias; pão asmo se comerá.
22 E o principe no mesmo dia, por si e por todo o povo da terra, [17] preparará um bezerro de expiação pelo peccado.
23 E nos sete dias [18] da festa preparará um holocausto ao Senhor, de sete bezerros e sete carneiros sem mancha, cada dia durante os sete dias; [19] e o sacrificio de expiação d’um bode cada dia.
24 Tambem preparará [20] uma offerta de manjares, a saber, um epha, para cada bezerro, e um epha para cada carneiro, e um hin de azeite para cada epha.
25 No setimo mez, no dia quinze do mez, na festa, fará o mesmo todos os sete dias, [21] tanto o sacrificio pela expiação, como o holocausto, e como a offerta de manjares, e como o azeite.
[1] cap. 42.20.
[2] cap. 48.10.
[3] ver. 1. cap. 48.10, etc.
[4] cap. 48.13.
[5] cap. 40.17.
[6] cap. 48.15.
[7] cap. 48.21.
[8] cap. 46.18. Jer. 22.17. cap. 22.27.
[9] Jer. 22.3.
[10] Lev. 19.35, 36. Pro. 11.1.
[11] Exo. 30.13. Lev. 27.25. Num. 3.47.
[12] Lev. 1.4.
[13] Lev. 16.16.
[14] cap. 43.20.
[15] Lev. 4.27.
[16] Exo. 12.18. Lev. 23.5, 6. Num. 9.2, 3. Deu. 16.1, etc.
[17] Lev. 4.14.
[18] Lev. 23.8.
[19] Num. 28.15, 22, 30 e 20.5, 11, 16, 19.
[20] cap. 46.5, 7.
[21] Lev. 23.34. Num. 29.12. Deu. 16.13.
46 Assim diz o Senhor JEHOVAH: A porta do atrio interior, que olha para o oriente, estará fechada os seis dias que são de trabalho; porém no dia de sabbado ella se abrirá; tambem no dia da lua nova se abrirá.
2 E o principe [1] entrará pelo caminho do vestibulo da porta, por fóra, e estará em pé na hombreira da porta; e os sacerdotes prepararão o seu holocausto, e os seus sacrificios pacificos, e elle se prostrará no umbral da porta, e sairá; porém a porta não se fechará até á tarde.
3 E o povo da terra se prostrará á entrada da mesma porta, nos sabbados e nas luas novas, diante do Senhor.
4 E o holocausto, [2] que o principe offerecerá ao Senhor, será, no dia de sabbado, seis cordeiros sem mancha e um carneiro sem mancha.
5 E a offerta [3] de manjares será um epha para cada carneiro; e para cada cordeiro, a offerta de manjares será um dom da sua mão; e de azeite um hin para cada epha.
6 Mas no dia da lua nova será um bezerro, sem mancha; e seis cordeiros e um carneiro, elles serão sem mancha.
7 E preparará por offerta de manjares um epha para o bezerro e um epha para o carneiro, mas para os cordeiros, conforme o que alcançar a sua mão; e um hin de azeite para um epha.
8 E, quando [4] entrar o principe, entrará pelo caminho do vestibulo da porta, e sairá pelo mesmo caminho.
9 Mas, quando vier o povo da terra perante [5] a face do Senhor nas solemnidades, aquelle que entrar pelo caminho da porta do norte, para adorar, sairá pelo caminho da porta do sul; e aquelle que entrar pelo caminho da porta do sul sairá pelo caminho da porta do norte: não tornará pelo caminho da porta por onde entrou, mas sairá pela outra que está opposta.
10 E o principe no meio d’elles entrará, quando elles entrarem, e, saindo elles, sairão todos.
11 E nas festas e nas solemnidades será a offerta de manjares um epha para o bezerro, [6] e um epha para o carneiro, mas para os cordeiros um dom da sua mão; e de azeite um hin para um epha.
12 E, quando o principe fizer offerta voluntaria de holocaustos, ou de sacrificios pacificos, por offerta voluntaria ao Senhor, [7] então lhe abrirão a porta que olha para o oriente, e fará o seu holocausto e os seus sacrificios pacificos, como houver feito no dia de sabbado; e sairá, e se fechará a porta depois d’elle sair.
13 E prepararás um cordeiro d’um anno sem mancha, em holocausto ao Senhor, cada dia: [8] todas as manhãs o prepararás.
14 E, por offerta de manjares farás juntamente com elle, todas as manhãs, a sexta parte d’um epha, e de azeite a terça parte d’um hin, para [ACL] sovar a flor de farinha; por offerta de manjares para o Senhor, em estatutos perpetuos e continuos.
15 Assim prepararão o cordeiro, e a offerta de manjares, e o azeite, todas as manhãs, em holocausto continuo.
16 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Quando o principe der um presente da sua herança a algum de seus filhos, isto será para seus filhos: será possessão d’elles por herança.
17 Porém, dando elle um presente da sua herança a algum dos seus servos, será d’este até ao anno [ACM] da liberdade; então tornará para o principe, porque herança d’elle é; seus filhos, elles a herdarão.
18 E o principe [9] não tomará nada da herança do povo, para os defraudar da sua possessão: da sua possessão deixará herança a seus filhos, para que o meu povo não seja espalhado, cada um da sua possessão.
19 Depois d’isto me trouxe pela entrada que estava ao lado da porta, ás camaras sanctas dos sacerdotes, que olhavam para o norte; e eis que ali estava um logar em ambos os lados, para a banda do occidente.
20 E elle me disse: [10] Este é o logar onde os sacerdotes cozerão o sacrificio pela culpa, e o sacrificio pelo peccado, [11] e onde cozerão a offerta de manjares, para que a não tragam ao atrio exterior [12] para sanctificarem o povo.
21 Então me levou para fóra, para o atrio exterior, e me fez passar ás quatro esquinas do atrio: e eis que em cada esquina do atrio havia outro atrio.
22 Nas quatro esquinas do atrio havia outros atrios com chaminés de quarenta covados de comprimento e de trinta de largura: estas quatro esquinas tinham uma mesma medida.
23 E um muro havia ao redor d’ellas, ao redor das quatro: e havia cozinhas feitas por baixo dos muros ao redor.
24 E me disse: Estas são as casas dos cozinheiros, [13] onde os ministros da casa cozerão o sacrificio do povo.
[1] ver. 8.
[2] cap. 56.17.
[3] cap. 45.24. ver. 7, 11.
[4] ver. 2.
[5] Exo. 23.14-17. Deu. 16.16.
[6] ver. 5.
[7] cap. 44.3. ver. 2.
[8] Exo. 29.38. Num. 28.3.
[9] cap. 45.8.
[10] II Chr. 35.13.
[11] Lev. 2.4, 5, 7.
[12] cap. 44.19.
[13] ver. 20.
A torrente das aguas purificadoras.
47 Depois d’isto me fez voltar á entrada da casa, e eis que sahiam umas aguas [1] debaixo do umbral da casa para o oriente; porque a face da casa olhava para o oriente, e as aguas desciam de debaixo, desde a banda direita da casa, da banda do sul do altar.
2 E elle me tirou pelo caminho da porta do norte, e me fez dar uma volta pelo caminho de fóra, até á porta exterior, pelo caminho que olha para o oriente; e eis que manavam umas aguas desde a banda direita.
3 E, [2] saindo aquelle homem para o oriente, tinha na mão um cordel de medir; e mediu mil covados, e me fez passar pelas aguas, aguas que me davam pelos artelhos.
4 E mediu mil covados, e me fez passar pelas aguas, aguas que me davam pelos joelhos; e mediu mais mil, e me fez passar por aguas que me davam pelos lombos.
5 E mediu mais mil, e era um ribeiro, que eu não podia passar, porque as aguas eram profundas, aguas que se deviam passar a nado, ribeiro pelo qual não se podia passar.
6 E me disse: Porventura viste isto, ó filho do homem? Então me levou, e me tornou a trazer á borda do ribeiro.
7 E, tornando eu, eis que á borda do ribeiro havia uma grande abundancia de arvores, [3] de uma e de outra banda.
8 Então me disse: Estas aguas saem para a Galilea do oriente, e descem á campina, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, sararão as aguas.
9 E será que toda a creatura vivente que nadar por onde quer que entrarem estes dois ribeiros viverá, e haverá muitissimo peixe; porque lá chegarão estas aguas, e sararão, e viverá tudo por onde quer que entrar este ribeiro.
10 Será tambem que os pescadores estarão em pé junto a elle, desde Engedi até En-eglaim; haverá tambem logares para estender as redes: o seu peixe, segundo a sua especie, [4] será como o peixe do mar grande, em multidão excessiva.
11 Porém os seus charcos e os seus lamaceiros não sararão; serão deixados para sal.
12 E [5] junto ao ribeiro, á sua borda, de uma e de outra banda, subirá toda a sorte de arvore que dá fructo para se comer: não cairá a sua folha, nem perecerá o seu fructo: nos seus mezes produzirá novos fructos, porque as suas aguas saem do sanctuario; e o seu fructo servirá de comida [6] e a sua folha de remedio.
As fronteiras da terra de Israel.
13 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Este será o termo conforme o qual tomareis a terra em herança, segundo as doze tribus de Israel: [7] José terá duas partes.
14 E vós a herdareis, tanto um como o outro; [8] terra sobre a qual levantei a minha mão, para a dar a vossos paes: assim que esta mesma terra vos cairá a vós em herança.
15 E este será o termo da terra, da banda do norte: desde o mar grande, [9] caminho de Hethlon, até á entrada de Zedad;
16 Hamath, [10] Berotha, Sibraim, que estão entre o termo de Damasco e entre o termo de Hamath: Hazer-hattichon, que está junto ao termo de Havran.
17 E o termo será desde o [11] mar Hazer-enon, o termo de Damasco, e o norte, que olha para o norte, e o termo de Hamath: e este será o termo do norte.
18 E o termo do oriente, entre Hauran, e Damasco, e Gilead, e a terra de Israel será o Jordão; desde o termo do norte até ao mar do oriente medireis: e este será o termo do oriente.
19 E o termo do sul, ao sul será desde Tamar, até ás [12] aguas [ACN] da contenda de Cades, junto ao ribeiro, até ao mar grande: e este será o termo do sul ao sul.
20 E o termo do occidente será o mar grande, desde o termo do sul até a entrada de Hamath: este será o termo do occidente.
21 Repartireis pois esta terra entre vós, segundo as tribus de Israel.
22 Será, porém, que a sorteareis para vossa herança, e para a dos estrangeiros que peregrinam no meio de vós, que gerarão filhos no meio de vós; e vos serão como naturaes entre os filhos de Israel; comvosco entrarão em herança, no meio das tribus de Israel.
23 E será que na tribu em que peregrinar o estrangeiro ali lhe dareis a sua herança, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] Joel 3.18. Zac. 13.1 e 14.8. Apo. 22.1.
[2] cap. 40.3.
[3] ver. 12. Apo. 22.2.
[4] Num. 34.6. Jos. 23.4. cap. 48.28.
[5] ver. 7. Jer. 17.8.
[6] Apo. 22.2.
[7] I Chr. 5.1. cap. 48.4, 5.
[8] Gen. 12.7 e 13.15. cap. 20.5, 6.
[9] cap. 48.1. Num. 34.8.
[10] Num. 34.8. II Sam. 8.8.
[11] Num. 34.9. cap. 48.1.
[12] Num. 20.13. Deu. 32.51. cap. 48.28.
Os termos das doze tribus.
48 E estes são os nomes das tribus: [1] desde o fim do norte, da banda do caminho de Hethlon, vindo para Hamath, Hazer-enon, o termo de Damasco para o norte, ao pé de Hamath: e ella terá a banda do oriente e do occidente; Dan terá uma porção.
2 E junto ao termo de Dan, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Aser terá uma porção.
3 E junto ao termo de Aser, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Naphtali uma porção.
4 E junto ao termo de Naphtali, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Manassés uma porção.
5 E junto ao termo de Manassés, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Ephraim uma porção.
6 E junto ao termo de Ephraim, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Ruben uma porção.
7 E junto ao termo de Ruben, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Judah uma porção.
8 E junto ao termo de Judah, desde a banda do oriente até á banda do occidente, [2] será a offerta que haveis de offerecer, vinte e cinco mil cannas de largura, e de comprimento como uma das demais partes, desde a banda do oriente até á banda do occidente; e o sanctuario estará no meio d’ella.
9 A offerta que haveis de offerecer ao Senhor será do comprimento de vinte e cinco mil cannas, e da largura de dez mil.
10 E ali será a offerta sancta para os sacerdotes, para o norte vinte e cinco mil cannas de comprimento, e para o occidente dez mil de largura, e para o oriente dez mil de largura, e para o sul vinte e cinco mil de comprimento: e o sanctuario do Senhor estará no meio d’ella.
11 E será [3] para os sacerdotes sanctificados d’entre os filhos de Zadoc, que guardaram a minha ordenança, que não andaram errados, quando os filhos d’Israel andavam errados, [4] como erraram os outros levitas.
12 E o offerecido da offerta da terra lhes será sanctidade de sanctidades, junto ao termo dos levitas.
13 E os levitas terão defronte do termo dos sacerdotes vinte e cinco mil cannas de comprimento, e de largura dez mil: todo o comprimento será vinte e cinco mil, e a largura dez mil.
14 E [5] não venderão d’isto, nem trocarão, nem transferirão as primicias da terra, porque é sanctidade ao Senhor.
15 Porém [6] as cinco mil, as que ficaram da largura diante das vinte e cinco mil, [7] ficarão profanas para a cidade, para habitação e para arrabaldes; e a cidade estará no meio d’ellas.
16 E estas serão as suas medidas: a banda do norte de quatro mil e quinhentas cannas, e a banda do sul de quatro mil e quinhentas, e a banda do oriente de quatro mil e quinhentas, e a banda do occidente de quatro mil e quinhentas.
17 E os arrabaldes da cidade serão para o norte de duzentas e cincoenta cannas, e para o sul de duzentas e cincoenta, e para o oriente de duzentas e cincoenta, e para o occidente de duzentas e cincoenta.
18 E, quanto ao que ficou do resto do comprimento, defronte da sancta offerta, será dez mil para o oriente, e dez mil para o occidente; e estará defronte da sancta offerta; e a sua novidade será para sustento d’aquelles que servem a cidade.
19 E [8] os que servem a cidade servil-a-hão d’entre todas as tribus d’Israel.
20 Toda a offerta será de vinte e cinco mil cannas com mais vinte e cinco mil: em quadrado offerecereis a sancta offerta, com a possessão da cidade.
21 E o que ficou de resto [9] será para o principe; d’esta e da outra banda da sancta offerta, e da possessão da cidade, diante das vinte e cinco mil cannas da offerta, até ao termo do oriente e do occidente, diante das vinte e cinco mil, até ao termo do occidente, defronte das porções, será para o principe: [10] e a offerta sancta e o sanctuario da casa será no meio d’ella.
22 E desde a possessão dos levitas, e desde a possessão da cidade, no meio do que será para o principe, entre o termo de Judah e o termo de Benjamin, será para o principe.
23 E, quanto ao resto das tribus, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Benjamin terá uma porção.
24 E junto ao termo de Benjamin, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Simeão uma porção.
25 E junto ao termo de Simeão, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Issacar uma porção.
26 E junto ao termo de Issacar, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Zebulon uma porção.
27 E junto ao termo de Zebulon, desde a banda do oriente até á banda do occidente, Gad uma porção.
28 E junto ao termo de Gad, ao sul, da banda do sul, [11] será o termo de Tamar até ás aguas [ACO] da contenda de Cades, junto ao ribeiro até ao mar grande.
29 Esta [12] é a terra que sorteareis em herança ás tribus de Israel; e estas são as suas porções, diz o Senhor JEHOVAH.
30 E estas são as saidas da cidade, desde a banda do norte: quatro mil e quinhentas medidas.
31 E [13] as portas da cidade serão conforme os nomes das tribus de Israel: tres portas para o norte: a porta de Ruben uma, a porta de Judah outra, a porta de Levi outra.
32 E da banda do oriente quatro mil e quinhentas medidas, e tres portas, a saber: a porta de José uma, a porta de Benjamin outra, a porta de Dan outra.
33 E da banda do sul quatro mil e quinhentas medidas, e tres portas: a porta de Simeão uma, a porta de Issacar outra, a porta de Zebulon outra.
34 Da banda do occidente quatro mil e quinhentas medidas, e as suas tres portas: a porta de Gad uma, a porta de Aser outra, a porta de Naphtali outra.
35 Dezoito mil medidas em redor; [14] e o nome da cidade desde aquelle dia será: [ACP] O Senhor está ali.
[1] cap. 47.15, etc.
[2] cap. 46.1-6.
[3] cap. 44.15.
[4] cap. 44.10.
[5] Exo. 22.29. Lev. 27.10, 28, 33.
[6] cap. 45.6.
[7] cap. 42.20.
[8] cap. 45.6.
[9] cap. 45.7.
[10] ver. 8, 10.
[11] cap. 47.19.
[12] cap. 47.14, 21, 22.
[13] Apo. 21.12, etc.
[14] Jer. 33.16. Jer. 3.17. Joel 3.21. Zac. 2.10. Apo. 21.3 e 22.3.
DANIEL.
A educação de Daniel e outros jovens hebreos na côrte de Nabucodonozor.
[Antes de Christo 606]
1 No anno terceiro do reinado de Joaquim, [1] rei de Judah, veiu Nabucodonozor, rei de Babylonia, a Jerusalem, e a sitiou.
2 E o Senhor entregou nas suas mãos a Joaquim, rei de Judah, [2] e uma parte dos vasos da casa de Deus, e os levou para a terra de Shinar, para a casa do seu deus, [3] e poz os vasos na casa do thesouro do seu deus.
3 E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunuchos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da semente real e dos principes,
4 Mancebos [4] em quem não houvesse defeito algum, e formosos de parecer, e instruidos em toda a sabedoria, e sabios em sciencia, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistir no palacio do rei, e que os ensinassem [5] nas lettras e na lingua dos chaldeos.
5 E o rei lhes ordenou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei, e do vinho que elle bebia, e que assim fossem creados por tres annos, para que no fim d’elles [6] assistissem diante do rei.
6 E entre elles se achavam, d’entre os filhos de Judah, Daniel, Hananias, Misael e Azarias:
7 E o chefe dos eunuchos lhes poz [7] outros nomes, a saber: a Daniel poz o de Belteshazzar, e a Hananias o de Sadrach, e a Misael o de Mesach, e a Azarias o de Abed-nego.
8 E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção [8] do manjar do rei, nem com o vinho que elle bebia; portanto pediu ao chefe dos eunuchos para não se contaminar.
9 Ora [9] deu Deus a Daniel graça e misericordia diante do chefe dos eunuchos.
10 E disse o chefe dos eunuchos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que ordenou a vossa comida e a vossa bebida; pois porque veria elle os vossos rostos mais tristes do que os dos mancebos que são vossos eguaes? assim arriscareis a minha cabeça para com o rei.
11 Então disse Daniel ao [ACQ] dispenseiro a quem o chefe dos eunuchos havia constituido sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias:
12 Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos dêem legumes a comer, e agua a beber.
13 Então se veja diante de ti o nosso parecer, e o parecer dos mancebos que comem a porção do manjar do rei, e, conforme vires, te hajas com os teus servos.
14 E lhes consentiu isto, e os experimentou dez dias.
15 E, ao fim dos dez dias, appareceram os seus semblantes melhores, e elles estavam mais gordos de carne do que todos os mancebos que comiam porção do manjar do rei.
16 Então succedeu que o dispenseiro tirava a porção do manjar d’elles, e o vinho de que deviam beber, e lhes dava legumes.
17 Quanto a estes quatro mancebos, [10] Deus lhes deu o conhecimento e a intelligencia em todas as lettras, e sabedoria; [11] mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos.
18 E ao fim dos dias, em que o rei tinha dito que os trouxessem, o chefe dos eunuchos os trouxe diante de Nabucodonozor.
19 E o rei fallou com elles; porém entre todos elles não foram achados outros taes como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; e assistiam [12] diante do rei.
20 E em toda a materia de sabedoria e de intelligencia, que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos ou astrologos que havia em todo o seu reino.
21 E Daniel [13] esteve até ao primeiro anno do rei Cyro.
[1] II Reis 24.1. II Chr. 36.6.
[2] Jer. 27.19, 20. Gen. 10.10 e 11.2. Isa. 11.11. Zac. 5.11.
[3] II Chr. 36.7.
[4] Lev. 24.19, 20.
[5] Act. 7.22.
[6] ver. 19. Gen. 41.45. I Reis 10.3.
[7] Gen. 41.45. II Reis 24.17.
[8] Deu. 32.38. Eze. 4.13. Ose. 9.3.
[9] Gen. 39.21.
[10] I Reis 3.12. Act. 7.22.
[11] Num. 12.6.
[12] Gen. 41.46. ver. 5.
[13] cap. 6.28 e 10.1.
O decreto; o sonho do rei é interpretado por Daniel.
[Antes de Christo 603]
2 E no segundo anno do reinado de Nabucodonozor sonhou Nabucodonosor sonhos; [1] e o seu espirito se perturbou, e passou-se-lhe o seu somno.
2 E o rei mandou [2] chamar os magos, e os astrologos, e os encantadores, e os chaldeos, para que declarassem ao rei os seus sonhos: os quaes vieram e se apresentaram diante do rei.
3 E o rei lhes disse: Tive um sonho; e para saber o sonho está perturbado o meu espirito.
4 E os chaldeos disseram ao rei em syriaco: Ó rei, [3] vive eternamente! dize o sonho a teus servos, e declararemos a interpretação.
5 Respondeu o rei, e disse aos chaldeos: [ACR] A coisa me tem escapado; se me não fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, [4] e as vossas casas serão feitas um monturo;
6 Mas se [5] vós me declarardes o sonho e a sua interpretação, recebereis de mim dons, e dadivas, e grande honra; portanto declarae-me o sonho e a sua interpretação.
7 Responderam segunda vez, e disseram: Diga o rei o sonho a seus servos, e declararemos a sua interpretação.
8 Respondeu o rei, e disse: Conheço eu certamente que vós quereis ganhar tempo; porque vêdes que a coisa me tem escapado.
9 De maneira que, se me não fazeis saber o sonho, uma só sentença será a vossa; pois vós preparastes palavras mentirosas e perversas para as proferir na minha presença, até que se mude o tempo: portanto dizei-me o sonho, para que eu entenda que me podeis declarar a sua interpretação.
10 Responderam os chaldeos na presença do rei, e disseram: Não ha ninguem sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei; pois nenhum rei ha, grande ou dominador, que requeresse coisa similhante d’algum mago, ou astrologo, ou chaldeo.
11 Porque a coisa que o rei requer é difficil; nem ha outro que a possa declarar diante do rei, [6] senão os deuses, cuja morada não é com a carne.
12 Por isso o rei muito se irou e enfureceu; e ordenou que matassem a todos os sabios de Babylonia.
13 E saiu o mandado, e sairam a matar os sabios; e buscaram a Daniel e aos seus companheiros, para que fossem mortos.
14 Então Daniel fallou avisada e prudentemente a Arioch, capitão da guarda do rei, que tinha saido para matar os sabios de Babylonia.
15 Respondeu, e disse a Arioch, prefeito do rei: Porque se apressa tanto o mandado da parte do rei? Então Arioch fez saber a coisa a Daniel.
16 E Daniel entrou; e pediu ao rei que lhe désse tempo, para declarar a interpretação ao rei.
17 Então Daniel foi para a sua casa, e fez saber a coisa a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros:
18 Para [7] que pedissem misericordia ao Deus do céu, sobre este segredo, afim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, juntamente com o resto dos sabios de Babylonia.
19 Então foi revelado o segredo a Daniel n’uma [8] visão de noite: então Daniel louvou o Deus do céu.
20 Fallou Daniel, e disse: Seja bemdito o nome de Deus desde o seculo até ao seculo, porque d’elle é a sabedoria e a força;
21 E elle muda [9] os tempos e as horas; elle remove os reis e estabelece os reis: [10] elle dá sabedoria aos sabios e sciencia aos entendidos.
22 Elle revela o profundo e o escondido: [11] conhece o que está em trevas, e com elle a luz mora.
23 Ó Deus de meus paes, te louvo e celebro eu, que me déste sabedoria e força; [12] e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber [ACS] a coisa do rei.
24 Por isso Daniel entrou a Arioch, ao qual o rei tinha constituido para matar os sabios de Babylonia: entrou, e disse-lhe assim: Não mates os sabios de Babylonia; introduze-me na presença do rei, e declararei ao rei a interpretação.
25 Então Arioch depressa introduziu a Daniel na presença do rei, e disse-lhe assim: Achei um d’entre os filhos dos captivos de Judah, o qual fará saber ao rei a interpretação.
26 Respondeu o rei, e disse a Daniel (cujo nome era Belteshazzar): Podes tu fazer-me saber o sonho que vi e a sua interpretação?
27 Respondeu Daniel na presença do rei, e disse: O segredo que o rei requer, nem sabios, nem astrologos, nem magos, nem adivinhos o podem declarar ao rei;
28 Mas [13] ha um Deus nos céus, o qual revela os segredos; elle pois fez saber ao rei Nabucodonozor o que ha de ser [14] no fim dos dias; o teu sonho e as visões da tua cabeça na tua cama são estas:
29 Estando tu, ó rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos, ácerca do que ha de ser depois d’isto. Aquelle pois [15] que revela os segredos te fez saber o que ha de ser.
30 E a mim, [16] não pela sabedoria que em mim haja, mais do que em todos os viventes, me foi revelado este segredo, [17] mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesse os pensamentos do teu coração.
31 Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estatua: esta estatua era grande, e o seu esplendor era excellente, e estava em pé diante de ti; e a sua vista era terrivel.
32 A cabeça [18] d’aquella estatua era de oiro fino; o seu peito e os seus braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre;
33 As pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro.
34 Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada, [19] sem mão, a qual feriu a estatua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou.
35 Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o cobre, a prata e o oiro, [20] e se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os levou, e não se achou logar algum para elles; mas a pedra, que feriu a estatua, se fez um [21] grande monte, e encheu toda a terra.
36 Este é o sonho; tambem a interpretação d’elle diremos na presença do rei.
37 Tu, [22] ó rei, és rei de reis: pois o Deus do céu te tem dado o reino, a potencia, e a força, e a magestade.
38 E onde [23] quer que habitem filhos de homens, bestas do campo, e aves do céu, t’os entregou na tua mão, e fez que dominasses sobre todos elles; [24] tu és a cabeça de oiro.
39 E depois de ti se levantará outro reino, [25] inferior ao teu; e outro terceiro reino, de metal, o qual dominará sobre toda a terra.
40 E [26] o quarto reino será forte como ferro; da maneira que o ferro esmiuça e enfraquece tudo, como o ferro, que quebranta todas estas coisas, assim esmiuçará e quebrantará.
41 E, quanto [27] ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; comtudo haverá n’elle alguma coisa da firmeza do ferro, porquanto viste o ferro misturado com barro de lodo.
42 E os dedos dos pés, em parte de ferro e em parte de barro, querem dizer: por uma parte o reino será forte, e por outra será fragil.
43 Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-hão com semente humana, mas não se apegarão um ao outro, assim como o ferro se não mistura com o barro.
44 Mas, nos dias d’estes reis, [28] o Deus do céu levantará um reino que não será jámais destruido; e este reino não será deixado a outro povo: [29] esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas elle mesmo estará estabelecido para sempre.
45 Da maneira [30] que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem mãos, e ella esmiuçou o ferro, o cobre, o barro, a prata e o oiro, o Deus grande fez saber ao rei o que ha de ser depois d’isto; e certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.
46 Então [31] o rei Nabucodonozor caiu sobre o seu rosto, e adorou a Daniel, [32] e ordenou que lhe sacrificassem offerta de manjares e perfumes suaves.
47 Respondeu o rei a Daniel, e disse: Certo é que o vosso Deus é Deus de deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos segredos, [33] pois podeste revelar este segredo.
48 Então o rei engrandeceu a Daniel, [34] e lhe deu muitos e grandes dons, e o poz por governador de toda a provincia de Babylonia, [35] como tambem por principe dos prefeitos sobre todos os sabios de Babylonia.
49 E pediu Daniel ao rei, [36] e constituiu elle sobre os negocios da provincia de Babylonia a Sadrach, Mesach e Abed-nego; [37] porém Daniel estava á porta do rei.
[1] Gen. 41.8. cap. 4.5. Est. 6.1. cap. 6.18.
[2] Gen. 41.8. cap. 5.7.
[3] I Reis 1.31. cap. 3.9 e 5.10.
[4] Esd. 6.11. cap. 3.29.
[5] cap. 5.16.
[6] ver. 28. cap. 5.11.
[7] Mat. 18.19.
[8] Num. 12.6. Job 33.15, 16.
[9] I Chr. 29.30. Est. 1.13. cap. 7.25 e 11.6. Jer. 27.5.
[10] Thi. 1.5.
[11] Heb. 4.13. Thi. 1.17.
[12] ver. 18.
[13] Gen. 40.8. ver. 18, 47. Amós 4.13.
[14] Gen. 49.1.
[15] ver. 22, 28.
[16] Gen. 41.16. Act. 3.12.
[17] ver. 47.
[18] ver. 38, etc.
[19] cap. 8.25. II Cor. 5.1.
[20] Ose. 13.3.
[21] Isa. 2.2, 3.
[22] Esd. 7.12. Isa. 47.5. Jer. 27.6, 7. Eze. 26.7, 8, 10.
[23] cap. 4.21, 22. Jer. 27.6.
[24] ver. 32.
[25] cap. 5.28, 31. ver. 32.
[26] cap. 7.7, 23.
[27] ver. 33.
[28] ver. 28. cap. 4.34. Miq. 4.7. Luc. 1.32, 33.
[29] Isa. 60.12.
[30] ver. 35. Isa. 28.16.
[31] Act. 10.25 e 14.13.
[32] Esd. 6.10.
[33] ver. 28.
[34] ver. 6.
[35] cap. 5.11 e 9.4.
[36] cap. 3.12.
[37] Est. 2.19, 21 e 3.2.
A estatua de oiro: os companheiros de Daniel no forno de fogo ardente.
[Antes de Christo 580]
3 O rei Nabucodonozor fez uma estatua de oiro, a altura da qual era de sessenta covados, e a sua largura de seis covados: levantou-a no campo de Dura, na provincia de Babylonia.
2 E o rei Nabucodonozor mandou ajuntar os sátrapas, os prefeitos e presidentes, os juizes, os thesoureiros, os conselheiros, os officiaes, e todos os governadores das provincias, para que viessem á consagração da estatua que o rei Nabucodonozor tinha levantado.
3 Então se ajuntaram os sátrapas, os prefeitos e presidentes, os juizes, os thesoureiros, os conselheiros, os officiaes, e todos os governadores das provincias, á consagração da estatua que o rei Nabucodonozor tinha levantado, e estavam em pé diante da estatua que Nabucodonozor tinha levantado.
4 E o pregoeiro apregoava em alta voz: Ordena-se a vós, [1] ó povos, nações e linguagens:
5 Quando ouvirdes o som da buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca, do psalterio, da [ACT] symphonia, e de toda a sorte de musica, vos prostrareis, e adorareis a estatua de oiro que o rei Nabucodonozor tem levantado.
6 E qualquer que se não prostrar e a não adorar, [2] será na mesma hora lançado dentro do forno de fogo ardente.
7 Portanto, no mesmo instante em que todos os povos ouviram o som da buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca, do psalterio, e de toda a sorte de musica, se prostraram todos os povos, nações e linguas, e adoraram a estatua de oiro que o rei Nabucodonozor tinha levantado.
8 Por isso, no mesmo instante se chegaram [3] alguns homens chaldeos, e accusaram os judeos.
9 E fallaram, e disseram ao rei Nabucodonozor: [4] Ó rei, vive eternamente!
10 Tu, ó rei, fizeste um decreto, que todo o homem que ouvisse o som da buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca, do psalterio, e da symphonia, e de toda a sorte de musica, se prostrasse e adorasse a estatua de oiro;
11 E, qualquer que se não prostrasse e adorasse, fosse lançado dentro do forno de fogo ardente.
12 [5] Ha uns homens judeos, os quaes constituiste sobre os negocios da provincia de Babylonia: Sadrach, Mesach e Abed-nego: estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem, nem a estatua de oiro, que levantaste, adoraram.
13 Então Nabucodonozor, com ira e furor, mandou trazer a Sadrach, Mesach e Abed-nego. E trouxeram a estes homens perante o rei.
14 Fallou Nabucodonozor, e lhes disse: Porventura de proposito, ó Sadrach, Mesach e Abed-nego, vós não servis a meus deuses nem adoraes a estatua de oiro que levantei?
15 Agora pois, se estaes promptos, quando ouvirdes o som da buzina, do pifaro, da guitarra, da harpa, do psalterio, da symphonia, e de toda a sorte de musica, para vos prostrardes e adorardes a estatua que fiz, bom é; mas, se a não adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro do forno de fogo ardente: [6] e quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?
16 Responderam Sadrach, Mesach e Abed-nego, e disseram ao rei Nabucodonozor: Não necessitamos de te responder sobre este negocio.
17 Eis que é nosso Deus, a quem nós servimos, que nos pode livrar; elle nos livrará do forno de fogo ardente, e da tua mão, ó rei.
18 E, se não, sabe tu, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estatua de oiro que levantaste.
19 Então Nabucodonozor se encheu de furor, e se mudou o aspecto do seu semblante contra Sadrach, Mesach e Abed-nego: respondeu, e ordenou que o forno se accendesse sete vezes mais do que se costumava accender.
20 E ordenou aos homens mais valentes de força, que estavam no seu exercito, que atassem a Sadrach, Mesach e Abed-nego, para os lançar no forno de fogo ardente.
21 Então estes homens foram atados com as suas capas, seus calções, e seus chapeus, e seus vestidos, e foram lançados dentro do forno de fogo ardente.
22 E, porque a palavra do rei apertava, e o forno estava sobre-maneira acceso, a chamma do fogo matou aquelles homens que levantaram a Sadrach, Mesach e Abed-nego.
23 E estes tres homens, Sadrach, Mesach e Abed-nego, cairam atados dentro do forno de fogo ardente.
24 Então o rei Nabucodonozor se espantou, e se levantou depressa: fallou, e disse aos seus capitães: Porventura não lançámos tres homens atados dentro do fogo? Responderam e disseram ao rei: Verdade é, ó rei.
25 Respondeu, e disse: Eis aqui vejo quatro homens soltos, [7] que andam passeando dentro do fogo, e nada ha de lesão n’elles; [8] e o aspecto do quarto é similhante ao filho dos deuses.
26 Então se chegou Nabucodonozor á porta do forno de fogo ardente; fallou, e disse: Sadrach, Mesach e Abed-nego, servos do Deus Altissimo, sahi e vinde! Então Sadrach, Mesach e Abed-nego sairam do meio do fogo.
27 E ajuntaram-se os sátrapas, os prefeitos, e os presidentes, e os capitães do rei, contemplando estes homens, [9] como o fogo não tinha tido poder algum sobre os seus corpos: nem um só cabello da sua cabeça se tinha queimado, nem as suas capas se mudaram, nem cheiro de fogo tinha passado sobre elles.
28 Fallou Nabucodonozor, e disse: Bemdito seja o Deus de Sadrach, Mesach e Abed-nego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram n’elle, [10] pois [ACU] violaram a palavra do rei, e entregaram os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum outro deus, senão o seu Deus.
29 Por mim pois [11] se faz um decreto, que todo o povo, nação e lingua que disser blasphemia contra o Deus de Sadrach, Mesach e Abed-nego, seja despedaçado, e a sua casa seja feita um monturo; [12] porquanto não ha outro Deus que possa livrar como este.
30 Então o rei fez prosperar a Sadrach, Mesach e Abed-nego, na provincia de Babylonia.
[1] cap. 6.25.
[2] Apo. 13.15.
[3] cap. 6.12.
[4] cap. 2.4 e 5.10.
[5] cap. 2.49.
[6] Exo. 5.2. II Reis 18.35.
[7] Isa. 43.2.
[8] Job 1.6 e 38.7. ver. 28.
[9] Heb. 11.34.
[10] Jer. 17.7. cap. 6.22, 23.
[11] cap. 6.26.
[12] cap. 6.27.
O edito do rei. O seu sonho d’uma arvore grande: a sua loucura.
[Antes de Christo 570]
4 Nabucodonozor rei: a todos os povos, [1] nações, e linguas, que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada.
2 Pareceu-me bem fazer notorios os signaes e maravilhas que Deus, o Altissimo, [2] tem feito para comigo.
3 Quão [3] grandes são os seus signaes, e quão poderosas as suas maravilhas! [4] o seu reino é um reino sempiterno, e o seu dominio de geração em geração.
4 Eu, Nabucodonozor, estava socegado em minha casa, e florescente no meu palacio.
5 Tive um sonho, que me espantou; [5] e as imaginações na minha cama e as visões da minha cabeça [6] me turbaram.
6 Por mim pois se fez um decreto, para introduzir á minha presença todos os sabios de Babylonia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho.
7 Então [7] entraram os magos, os astrologos, os chaldeos, e os adivinhadores, e eu contei o sonho diante d’elles; mas não me fizeram saber a sua interpretação.
8 Porém por fim entrou na minha presença Daniel, cujo nome é Belteshazzar, [8] segundo o nome do meu deus, e no qual ha o espirito dos deuses sanctos; e eu contei o sonho diante d’elle:
9 Belteshazzar, [9] principe dos magos, pois eu sei que ha em ti o espirito dos deuses sanctos, e nenhum segredo te é difficil; dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação.
10 Eram pois as visões da minha cabeça, na minha cama: eu estava vendo, [10] e eis uma arvore no meio da terra, cuja altura era grande;
11 Crescia esta arvore, e se fazia forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e foi vista até á extremidade de toda a terra.
12 A sua folhagem era formosa, e o seu fructo muito, e havia n’ella sustento para todos: [11] debaixo d’ella as bestas do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e toda a carne se mantinha d’ella.
13 Estava vendo nas visões da minha cabeça, na minha cama; e eis que [12] um vigia, um sancto, descia do céu,
14 Clamando fortemente, e dizendo assim: [13] Cortae a arvore, e decotae-lhe os ramos, sacudi as suas folhas, espalhae o seu fructo; afugentem-se as bestas de debaixo d’ella, e as aves dos seus ramos.
15 Porém o tronco com as suas raizes deixae na terra, e com atadura de ferro e de bronze, na herva do campo: e seja molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com as bestas na [ACV] gramma da terra:
16 Seja mudado o seu coração, que não seja mais coração de homem, e lhe seja dado coração de besta; [14] e passem sobre elle sete tempos.
17 Esta sentença é por decreto dos vigiadores, e este [ACW] mando por dito dos sanctos; a fim de que conheçam os viventes [15] que o Altissimo domina sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer, e até ao mais baixo dos homens constitue sobre elles.
18 Isto em sonho vi eu, rei Nabucodonozor: tu, pois, Belteshazzar, dize a interpretação: [16] porque todos os sabios do meu reino não poderam fazer-me saber a sua interpretação; mas tu podes; pois ha em ti o espirito dos deuses sanctos.
19 Então Daniel, cujo nome era Belteshazzar, esteve attonito quasi uma hora, e os seus pensamentos o turbavam; fallou pois o rei, e disse: Belteshazzar, não te espante o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Belteshazzar, e disse; Senhor meu: [17] o sonho seja contra os que te teem odio, e a sua interpretação aos teus inimigos.
20 A arvore [18] que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegava até ao céu, e que foi vista por toda a terra,
21 E cujas folhas eram formosas, e o seu fructo muito, e em que para todos havia mantimento, debaixo da qual moravam as bestas do campo, e em cujos ramos habitavam as aves do céu;
22 Esta arvore [19] és tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; e a tua grandeza cresceu, e chegou [20] até ao céu, e o teu dominio até á extremidade da terra.
23 E quanto [21] ao que viu o rei, um vigia, um sancto, que descia do céu, e disse: Cortae a arvore, e a destrui, porém o tronco com as suas raizes deixae na terra, e com atadura de ferro e de bronze, na herva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e [22] a sua porção seja com as bestas do campo, até que passem sobre elle sete tempos;
24 Esta é a interpretação, ó rei: e este é o decreto do Altissimo, que virá sobre o rei, meu senhor,
25 A saber: [23] Lançar-te-hão de entre os homens, e a tua morada será com as bestas do campo, e te farão comer herva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-hão sete tempos por cima de ti: até que conheças que o Altissimo domina sobre o reino dos homens, e os dá a quem quer.
26 E quanto ao que foi dito, que deixassem o tronco com as raizes da arvore, o teu reino te ficará firme, [24] depois que tiveres conhecido que o céu reina.
27 Portanto, ó rei, acceita o meu conselho, [25] e desfaze os teus peccados pela justiça, e as tuas iniquidades usando de misericordia com os pobres, [26] se porventura houver prolongação da tua paz.
28 Todas estas coisas vieram sobre o rei Nabucodonozor.
29 Porque ao cabo de doze mezes, quando andava passeando sobre o palacio real de Babylonia,
30 Fallou [27] o rei, e disse: Porventura não é esta a grande Babylonia que eu edifiquei para a casa real, com a força da minha potencia, e para gloria da minha magnificencia?
31 Ainda estava a [28] palavra na bocca do rei, quando caiu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonozor: Passou de ti o reino.
32 E te lançarão d’entre os homens, e a tua morada será com as bestas do campo: far-te-hão comer herva como os bois, e passar-se-hão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altissimo domina sobre os reinos dos homens, e os dá a quem quer.
[Antes de Christo 563]
33 Na mesma hora se cumpriu a palavra sobre Nabucodonozor, e foi lançado d’entre os homens, e comia herva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pello, como as pennas da aguia, e as suas unhas como as das aves.
34 Mas ao fim d’aquelles dias [29] eu, Nabucodonozor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bemdisse o Altissimo, [30] e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo dominio é um dominio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.
35 E todos [31] os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade faz com o exercito do céu e os moradores da terra: não ha quem possa estorvar a sua mão, [32] e lhe diga, Que fazes?
36 No mesmo tempo me tornou a vir o meu entendimento, e para a dignidade do meu reino [33] tornou-me a vir a minha magestade e o meu resplandor; e me buscaram os meus capitães e os meus grandes; e fui restabelecido no meu reino, [34] e se me accrescentou uma gloria maior do que nunca.
37 Agora pois eu, Nabucodonozor, louvo, e exalço, e glorifico ao rei do céu; porque todas as suas obras são verdade, [35] e os seus caminhos juizo, e pode humilhar aos que andam na soberba.
[1] cap. 3.4 e 6.25.
[2] cap. 3.26.
[3] cap. 6.27.
[4] cap. 2.44 e 6.26.
[5] cap. 2.28, 29.
[6] cap. 2.1.
[7] cap. 2.2.
[8] cap. 1.7. Isa. 63.11. ver. 18. cap. 2.11.
[9] cap. 2.48 e 5.11.
[10] Eze. 31.3, etc. ver. 20.
[11] Eze. 17.23 e 31.6. Lam. 4.20.
[12] ver. 17, 23.
[13] Mat. 3.10. Eze. 31.12.
[14] cap. 11.13 e 12.7.
[15] cap. 2.21 e 5.21. ver. 25, 32.
[16] Gen. 41.8, 15. cap. 5.8, 15.
[17] II Sam. 18.32.
[18] ver. 11, 12.
[19] cap. 2.38.
[20] Jer. 27.6, 7, 8.
[21] ver. 13.
[22] cap. 5.21.
[23] ver. 32. cap. 5.21, etc.
[24] Mat. 21.25.
[25] I Ped. 4.8.
[26] I Reis 21.29.
[27] cap. 5.20.
[28] Luc. 12.20.
[29] ver. 26.
[30] Apo. 4.10. Miq. 4.7. Luc. 1.33.
[31] Isa. 40.15, 17.
[32] Job 34.29. Job 9.12. Isa. 45.9. Rom. 9.20.
[33] ver. 26.
[34] Mat. 6.33.
[35] Apo. 15.3 e 16.7.
O banquete do rei Belshazzar. A mão mysteriosa.
[Antes de Christo 538]
5 O rei Belshazzar deu [1] um grande banquete aos seus mil grandes, e bebeu vinho na presença dos mil.
2 Havendo Belshazzar provado o vinho, mandou trazer os vasos de oiro e de prata, [2] que Nabucodonozor, seu pae, tinha tirado do templo que estava em Jerusalem, para que bebessem por elles o rei, e os seus grandes, as suas mulheres e concubinas.
3 Então trouxeram os vasos de oiro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalem, e beberam por elles o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas.
4 Beberam o vinho, [3] e deram louvores aos deuses de oiro, e de prata, de cobre, de ferro, de madeira, e de pedra.
5 Na mesma hora sahiam uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na caiadura da parede do palacio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo.
6 Então se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram: as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no outro.
7 E clamou o rei [4] com força, que se introduzissem os astrologos, os chaldeos e os adivinhadores: e fallou o rei, e disse aos sabios de Babylonia: Qualquer que ler esta escriptura, e me declarar a sua interpretação, será vestido da purpura, e trará uma cadeia de oiro ao pescoço, e será, no reino, o terceiro dominador.
8 Então entraram todos os sabios do rei; [5] mas não poderam ler a escriptura, nem fazer saber ao rei a sua interpretação.
9 Então o rei Belshazzar perturbou-se muito, e mudou-se n’elle o seu semblante; e os seus grandes estavam sobresaltados.
10 A rainha, pois, por causa das palavras do rei e dos seus grandes, entrou na casa do banquete: e fallou a rainha, e disse: [6] Ó rei, vive para sempre! não te turbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante.
11 Ha um homem no teu reino, no qual ha o espirito dos deuses sanctos; e nos dias de teu pae se achou n’elle luz, e intelligencia, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pae, o rei Nabucodonozor, teu pae, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos astrologos, dos chaldeos, e dos adivinhadores;
12 Porquanto se achou n’este Daniel [7] um espirito excellente, e sciencia e entendimento, interpretando sonhos, e declarando enigmas, e solvendo duvidas, [8] ao qual rei poz o nome de Belteshazzar: chame-se pois agora Daniel, e elle declarará a interpretação.
13 Então Daniel foi introduzido á presença do rei. Fallou o rei, e disse a Daniel: És tu aquelle Daniel, dos captivos de Judah, que o rei, meu pae, trouxe de Judah?
14 Porque tenho ouvido dizer [9] a teu respeito que o espirito dos deuses está em ti, e que a luz, e o entendimento e a excellente sabedoria se acham em ti.
15 E agora [10] foram introduzidos á minha presença os sabios e os astrologos, [11] para lerem esta escriptura, e me fazerem saber a sua interpretação; mas não poderam declarar a interpretação d’estas palavras.
16 Eu porém tenho ouvido dizer de ti que podes dar interpretações e solver duvidas: agora, se poderes ler esta escriptura, e fazer-me saber a sua interpretação, serás vestido de purpura, e terás cadeia de oiro ao pescoço, e no reino serás o terceiro dominador.
17 Então respondeu Daniel, e disse na presença do rei: Os teus dons fiquem comtigo, e dá os teus presentes a outro; comtudo lerei ao rei a escriptura, e lhe farei saber a interpretação.
18 Quanto a ti, [12] ó rei! Deus, o Altissimo, deu a Nabucodonozor, teu pae, o reino, e a grandeza, e a gloria, e a magnificencia.
19 E por causa da grandeza, que lhe deu, [13] todos os povos, nações e linguas tremiam e temiam diante d’elle: a quem queria matava, e a quem queria dava a vida; e a quem queria engrandecia, e a quem queria abatia.
20 Mas quando o seu coração se exalçou, e o seu espirito se endureceu em soberba, foi derribado do seu throno real, e passou d’elle a sua gloria.
21 E foi lançado d’entre os filhos dos homens, e o seu coração foi feito similhante ao das bestas, e a sua morada foi com os jumentos montezes; fizeram-n’o comer a herva como os bois, e do orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altissimo, domina sobre os reinos dos homens, e a quem quer constitue sobre elles.
22 E tu, seu filho Belshazzar, [14] não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste tudo isto.
23 E [15] te levantaste contra o Senhor do céu, pois trouxeram os vasos da casa d’elle perante ti, e tu, os teus grandes, as tuas mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho por elles; de mais d’isto, déste louvores aos deuses de prata, de oiro, de cobre, de ferro, de madeira e de pedra, que nem vêem, nem ouvem, nem sabem; mas a Deus, [16] em cuja mão está a tua vida, e todos os teus caminhos, a elle não glorificaste.
24 Então d’elle foi enviada aquella parte da mão, e escreveu-se esta escriptura.
25 Esta pois é a escriptura que se escreveu: MENE, MENE, TEKEL, UPHARSIN.
26 Esta é a interpretação d’aquillo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o acabou.
27 TEKEL: [17] Pesado foste na balança, e foste achado em falta.
28 PERES: Dividido foi o teu reino, [18] e deu-se aos medos e aos persas.
29 Então mandou Belshazzar que vestissem a Daniel de purpura, e que lhe pozessem uma cadeia de oiro ao pescoço, [19] e proclamassem a respeito d’elle que havia de ser o terceiro dominador do reino.
30 Mas na mesma noite [20] foi morto Belshazzar, rei dos chaldeos.
31 E Dario, o medo, occupou o reino, sendo da edade de sessenta e dois annos.
[1] Est. 1.3.
[2] cap. 1.2. Jer. 52.19.
[3] Apo. 9.20.
[4] cap. 2.2 e 4.6. Isa. 47.13.
[5] cap. 2.27 e 4.7.
[6] cap. 2.4 e 3.9.
[7] cap. 6.3.
[8] cap. 1.7.
[9] ver. 11, 12.
[10] ver. 7, 8.
[11] ver. 7.
[12] cap. 2.37, 38 e 4.17, 22, 25.
[13] Jer. 27.7. cap. 3.4.
[14] II Chr. 33.23 e 36.12.
[15] ver. 3, 4.
[16] Jer. 10.23.
[17] Job 31.6. Jer. 6.30.
[18] Isa. 21.2. ver. 31. cap. 9.1. cap. 6.28.
[19] ver. 7.
[20] Jer. 51.31, 39, 57. cap. 9.1.
Daniel na cova dos leões.
[Antes de Christo 537]
6 E pareceu bem a Dario [1] constituir sobre o reino a cento e vinte presidentes, que estivessem sobre todo o reino;
2 E sobre elles tres principes, dos quaes Daniel era um, aos quaes estes presidentes déssem conta, para que o rei não soffresse damno.
3 Então o mesmo Daniel sobrepujou a estes principes e presidentes; [2] porque n’elle havia um espirito excellente; porquanto o rei pensava constituil-o sobre todo o reino.
4 Então os principes e os presidentes procuravam achar occasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar occasião ou culpa alguma; porque elle era fiel, e não se achava n’elle nenhum vicio nem culpa.
5 Então estes homens disseram: Nunca acharemos occasião alguma contra este Daniel, se não a acharmos contra elle na lei do seu Deus.
6 Então estes principes e presidentes foram juntos ao rei, e disseram-lhe assim: Ó rei Dario, [3] vive para sempre!
7 Todos os principes do reino, os prefeitos e presidentes, capitães e governadores, tomaram conselho afim de estabelecerem um edicto real e fazerem um mandamento firme: que qualquer que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões.
8 Agora pois, ó rei, confirma o edicto, e assigna a escriptura, para que não se mude, [4] conforme a lei dos medos e dos persas, que se não pode revogar.
9 Por esta causa o rei Dario assignou esta escriptura e edicto.
10 Daniel, pois, quando soube que a escriptura estava assignada, entrou na sua casa (ora havia no seu quarto [5] janellas abertas da banda de Jerusalem), e tres vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e confessava diante do seu Deus, [6] como tambem antes costumava fazer.
11 Então aquelles homens foram juntos, e acharam a Daniel orando e supplicando diante do seu Deus.
12 Então se chegaram, [7] e disseram diante do rei: No tocante ao edicto real, porventura não assignaste o edicto, que todo o homem que fizesse uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, por espaço de trinta dias, e não a ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões? Respondeu o rei, e disse: [8] Esta palavra é certa, conforme a lei dos medos e dos persas, que se não pode revogar.
13 Então responderam, e disseram diante do rei: [9] Daniel, que é dos transportados de Judah, [10] não tem feito caso de ti, ó rei, nem do edicto que assignaste, antes tres vezes por dia faz a sua oração.
14 Ouvindo então o rei o negocio, [11] ficou muito penalisado, e a favor de Daniel propoz dentro do seu coração tiral-o; e até ao pôr do sol trabalhou por o salvar.
15 Então aquelles homens se foram juntos ao rei, e disseram ao rei: [12] Sabe, ó rei, que é uma lei dos medos e dos persas que nenhum edicto ou ordenança, que o rei determine, se pode mudar.
16 Então o rei ordenou que trouxessem a Daniel, e o lançaram na cova dos leões. E, fallando o rei, disse a Daniel: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, elle te livrará.
17 E [13] foi trazida uma pedra, e foi posta sobre a bocca da cova; [14] e o rei a sellou com o seu annel e com o annel dos seus grandes, para que se não mudasse a sentença ácerca de Daniel.
18 Então o rei se foi para o seu palacio, e passou a noite em jejum, e não deixou trazer á sua presença instrumentos de musica; [15] e fugiu d’elle o somno.
19 Então o rei se levantou pela manhã cedo, e foi com pressa á cova dos leões.
20 E, chegando-se á cova, chamou por Daniel com voz triste; e, fallando o rei, disse a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo! [16] dar-se-hia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, te podesse livrar dos leões?
21 Então Daniel fallou ao rei: [17] Ó rei, vive para sempre!
22 O meu Deus [18] enviou o seu anjo, e fechou a bocca dos leões, para que não me fizessem damno, porque foi achada em mim innocencia diante d’elle; e tambem contra ti, ó rei, não tenho commettido delicto algum.
23 Então o rei muito se alegrou em si mesmo, e mandou tirar a Daniel da cova: assim foi tirado Daniel da cova, e nenhum damno se achou n’elle, [19] porque crêra no seu Deus.
24 Então ordenou o rei, [20] e foram trazidos aquelles homens que tinham accusado a Daniel, e foram lançados na cova dos leões, elles, [21] seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram d’elles, e lhes esmigalharam todos os ossos.
25 Então [22] o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e linguas que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada.
26 Da minha parte [23] é feito um decreto, que em todo o dominio do meu reino tremam todos e temam perante o Deus de Daniel; porque elle é o Deus vivo e permanecente para sempre, [24] e o seu reino não se pode destruir, e o seu dominio dura até ao fim.
27 Elle faz escapar e livra, e faz signaes e maravilhas no céu e na terra, o qual fez escapar a Daniel do poder dos leões.
28 Este Daniel, pois, prosperava no reinado de Dario, [25] e no reinado de Cyro, o persa.
[1] Est. 1.1.
[2] cap. 5.12.
[3] ver. 21. cap. 2.4.
[4] Est. 1.19 e 8.8. ver. 12, 15.
[5] I Reis 8.44, 48. Jon. 2.4.
[6] Act. 10.9.
[7] cap. 3.8.
[8] ver. 8.
[9] cap. 1.6 e 5.13.
[10] cap. 3.12.
[11] Mar. 6.26.
[12] ver. 8.
[13] Lam. 3.53.
[14] Mat. 27.66.
[15] cap. 2.1.
[16] cap. 3.15.
[17] cap. 2.4.
[18] cap. 3.28. Heb. 11.33.
[19] Heb. 11.33.
[20] Deu. 19.19.
[21] Est. 9.10. Deu. 24.16. II Reis 14.6.
[22] cap. 4.1.
[23] cap. 3.29.
[24] cap. 2.44 e 7.14, 27. Luc. 1.33.
[25] cap. 1.21. Eze. 1.1, 2.
A visão dos quatro animaes symbolicos.
[Antes de Christo 555]
7 No primeiro anno de Belshazzar, rei de Babylonia, [1] teve Daniel um sonho e visões da sua cabeça estando na sua cama: escreveu logo o sonho, e relatou a summa das coisas.
2 Fallou Daniel, e disse: Eu estava vendo na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu combatiam no mar grande.
3 E quatro animaes grandes, differentes uns dos outros, subiam do mar.
4 O primeiro [2] era como leão, e tinha azas de aguia: eu estava olhando, até que lhe foram arrancadas as azas; e foi levantado da terra, e posto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem.
5 E [3] eis aqui outro segundo animal, similhante a um urso, o qual se levantou de um lado, e tinha na bocca tres costellas entre os seus dentes, e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne.
6 Depois d’isto, eu estava olhando, e eis aqui outro, que era como leopardo, e tinha quatro azas de ave nas suas costas: [4] tinha tambem este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado dominio.
7 Depois d’isto, eu estava olhando nas visões da noite, [5] e eis aqui o quarto animal, terrivel e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro, devorava e fazia em pedaços, e pizava aos seus pés o que sobejava; e era differente de todos os animaes que foram antes d’elle, [6] e tinha [ACX] dez pontas.
8 Estando eu considerando as pontas, [7] eis que outra ponta pequena subia entre ellas, e tres das pontas primeiras foram arrancadas de diante d’elle; e eis que n’esta ponta havia olhos, como olhos de homem, [8] e uma bocca que fallava grandiosamente.
9 Eu estive olhando, [9] até que foram postos uns thronos, e o ancião de dias se assentou: o seu vestido era branco como a neve, e o cabello da sua cabeça como a limpa lã; o seu throno chammas de fogo, [10] e as rodas d’elle fogo ardente.
10 Um rio de fogo [11] manava e sahia de diante d’elle: milhares de milhares o serviam, [12] e milhões de milhões estavam em pé diante d’elle: assentou-se o juizo, e abriram-se os livros.
11 Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que fallava a ponta: [13] estive olhando até que mataram o animal, e o seu corpo foi desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo.
12 E, quanto aos outros animaes, foi-lhes tirado o dominio; todavia foi-lhes dado prolongação de vida até certo espaço de tempo.
13 Eu estava vendo nas minhas visões da noite, [14] e eis que era vindo nas nuvens do céu um como o filho do homem: e chegou até ao ancião dos dias, [15] e o fizeram chegar perante elle.
14 E [16] foi-lhe dado o dominio e a honra, e o reino, e que todos os povos, nações e linguas o servissem: o seu dominio é um dominio eterno, [17] que não passará, e o seu reino se não destruirá.
15 Quanto a mim, Daniel, o meu espirito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me espantavam.
16 Cheguei-me a um dos que estavam em pé, e pedi-lhe a certeza ácerca de tudo isto. E elle me disse, e fez-me saber a interpretação das coisas.
17 Estes [18] grandes animaes, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da terra.
18 Mas [19] os sanctos do Altissimo receberão o reino, e possuirão o reino para todo o sempre, e de eternidade em eternidade.
19 Então tive desejo de ter certeza do [20] quarto animal, que era differente de todos os outros, muito terrivel, cujos dentes eram de ferro, e as suas unhas de metal; que devorava, fazia em pedaços e pizava a pés o que sobrava.
20 Tambem das dez pontas que tinha na cabeça, e da outra que subia, de diante da qual cairam tres, d’aquella ponta, digo, que tinha olhos, e bocca que fallava grandiosamente, e cujo parecer era maior do que o das suas companheiras.
21 Eu olhava, [21] e eis que esta ponta fazia guerra contra os sanctos, e os vencia.
22 Até que [22] veiu o ancião de dias, e se deu o juizo aos sanctos do Altissimo, e chegou o tempo em que os sanctos possuiram o reino.
23 Disse assim: [23] O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será differente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pizará aos pés, e a fará em pedaços.
24 E, [24] quanto ás dez pontas, d’aquelle mesmo reino se levantarão dez reis; e depois d’elles se levantará outro, o qual será differente dos primeiros, e abaterá a tres reis.
25 E [25] fallará palavras contra o Altissimo, [26] e destruirá os sanctos do Altissimo, e cuidará em mudar os tempos [27] e a lei; e serão entregues na sua mão por um tempo, e tempos, e a metade d’um tempo.
26 E o juizo estará assentado, e tirarão o seu dominio, para o destruir e para o desfazer até ao fim.
27 E o reino, e o dominio, e a magestade dos reinos debaixo de todo o céu [28] se dará ao povo dos sanctos do Altissimo: o seu reino será um reino eterno, [29] e todos os dominios o servirão, e lhe obedecerão:
28 Até aqui foi o fim do negocio. Quanto a mim, Daniel, [30] os meus pensamentos muito me espantavam, e mudou-se em mim o meu semblante; [31] mas guardei o negocio no meu coração.
[1] Num. 12.6. Amós 3.7. cap. 2.28.
[2] Deu. 28.49. Jer. 4.7, 13 e 48.40. Eze. 17.3. Hab. 1.8.
[3] cap. 2.39.
[4] cap. 8.8, 22.
[5] cap. 2.40. ver. 19, 23.
[6] cap. 2.41. Apo. 13.1.
[7] ver. 20, 21, 24. cap. 8.9.
[8] Apo. 9.7. ver. 25. Apo. 13.5.
[9] Apo. 20.4. ver. 13, 22. Apo. 1.14.
[10] Eze. 1.15, 16.
[11] Isa. 30.33 e 66.15. I Reis 22.19. Heb. 12.22. Apo. 5.11.
[12] Apo. 20.4, 12.
[13] Apo. 19.20.
[14] Eze. 1.26. Mat. 24.30 e 26.64. Apo. 1.7, 13 e 14.14.
[15] ver. 9.
[16] Mat. 11.27 e 28.18. João 3.35. I Cor. 15.27. Eph. 1.22. cap. 3.4. cap. 2.44. ver. 27.
[17] Miq. 4.7. Luc. 1.33. João 12.34. Heb. 12.28.
[18] ver. 3.
[19] Isa. 60.12. ver. 22, 27. Apo. 2.26, 27 e 3.21 e 20.4.
[20] ver. 7.
[21] cap. 8.12, 24. Apo. 11.7 e 13.7 e 17.14 e 19.19.
[22] ver. 9. ver. 18. I Cor. 6.2. Apo. 1.6 e 5.10 e 20.4.
[23] cap. 2.40.
[24] ver. 7, 8, 20. Apo. 17.12.
[25] Isa. 37.23. cap. 8.24, 25 e 11.28, 30, 31, 36. Apo. 13.5, 6.
[26] Apo. 17.6 e 18.24.
[27] cap. 2.21 e 12.7. Apo. 12.14.
[28] ver. 14, 18, 22.
[29] cap. 2.44. Luc. 1.33. Isa. 60.12.
[30] ver. 15. cap. 10.8, 16.
[31] Luc. 2.19, 51.
A visão d’um carneiro e d’um bode.
[Antes de Christo 553]
8 No anno terceiro do reinado do rei Belshazzar appareceu-me uma visão, a mim, Daniel, [1] depois d’aquella que me appareceu no principio.
2 E vi n’uma visão [2] (e aconteceu, quando vi, que eu estava na cidadella de Susan, que está na provincia de Elam), vi pois, n’uma visão, que eu estava junto ao rio Ulai.
3 E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha duas pontas; e as duas pontas eram altas, porém uma era mais alta do que a outra; e a que era mais alta subiu por ultimo.
4 Vi que o carneiro dava marradas para o occidente, e para o norte e para o meio-dia; e nenhuns animaes podiam parar diante d’elle, nem havia quem livrasse da sua mão; e fazia conforme a sua vontade, [3] e se engrandecia.
5 E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do occidente sobre toda a terra, e não tocava a terra; [4] e aquelle bode tinha uma ponta insigne entre os olhos;
6 E vinha ao carneiro que tinha as duas pontas, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio; e correu contra elle com todo o impeto da sua força.
7 E o vi chegar perto do carneiro, e se irritou contra elle, e feriu o carneiro, e lhe quebrou as duas pontas, pois não havia força no carneiro para parar diante d’elle, e o lançou por terra, e o pizou a pés; nem houve quem livrasse o carneiro da sua mão.
8 E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua maior força, aquella grande ponta foi quebrada: e subiram no seu logar outras quatro insignes, [5] para os quatro ventos do céu.
9 E [6] de uma d’ellas saiu uma ponta mui pequena, a qual cresceu muito para o meio-dia, e para o oriente, e para a terra formosa.
10 E [7] se engrandeceu até ao exercito do céu: e a alguns do exercito, e das estrellas, deitou por terra, e as pizou.
11 E [8] se engrandeceu até ao principe do exercito: e por elle foi tirado o continuo sacrificio, [9] e o logar do seu sanctuario foi lançado por terra.
12 E [10] o exercito foi entregue por causa das transgressões contra o continuo sacrificio; e lançou a verdade por terra, [11] e o fez, e prosperou.
13 Depois [12] ouvi um sancto que fallava; e disse o sancto áquelle que fallava: Até quando durará a visão do continuo sacrificio, e da transgressão assoladora, para que seja entregue o sanctuario, e o exercito, para ser pizado?
14 E elle me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o sanctuario será justificado.
15 E aconteceu que, havendo eu, Daniel, visto a visão, [13] busquei o entendimento, [14] e eis que se me apresentou diante um com o parecer de homem.
16 E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão.
17 E veiu perto d’onde eu estava; e, vindo elle, me assombrei, [15] e cahi sobre o meu rosto; porém elle me disse: Entende, filho do homem, porque acontecerá esta visão no fim do tempo.
18 E, [16] estando elle fallando comigo, cahi adormecido sobre o meu rosto por terra: [17] elle, pois, me tocou, e me fez estar em pé.
19 E disse: Eis que te farei saber o que ha de acontecer no ultimo tempo da ira; [18] porque no tempo determinado será o fim.
20 Aquelle carneiro [19] que viste com duas pontas são os reis da Media e da Persia,
21 Porém [20] o bode pelludo é o rei da Grecia; e a ponta grande que tinha entre os olhos é o rei primeiro;
22 E que, [21] sendo quebrada ella, se levantassem quatro em logar d’ella, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a força d’ella.
23 Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem de prevaricar, [22] se levantará um rei, feroz de cara, e será entendido em adivinhações.
24 E [23] se fortalecerá a sua força, mas não pela força d’elle mesmo; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e o seu prazer fará: e destruirá os fortes [24] e o povo sancto.
25 E pelo seu entendimento tambem fará prosperar o engano na sua mão; e [25] no seu coração se engrandecerá, e pela tranquillidade destruirá muitos; e se levantará contra o principe dos principes, [26] mas sem mão será quebrado.
26 E [27] a visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdade: tu, porém, cerra a visão, porque é para muitos dias.
27 E eu, [28] Daniel, enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então levantei-me e fiz o negocio do rei: e espantei-me ácerca da visão, [29] e não havia quem a entendesse.
[1] cap. 7.1.
[2] Est. 1.2.
[3] cap. 5.19.
[4] ver. 21.
[5] ver. 22.
[6] cap. 7.8 e 11.25.
[7] cap. 11.28. Isa. 14.13. Apo. 12.4.
[8] Jer. 48.26, 42. cap. 11.36. ver. 25.
[9] Exo. 29.38. Num. 28.3. Eze. 46.13.
[10] cap. 11.31. Isa. 59.14.
[11] ver. 4.
[12] I Ped. 1.12.
[13] cap. 12.8. I Ped. 1.10, 11.
[14] Eze. 1.26.
[15] Eze. 2.1. Apo. 1.17.
[16] cap. 10.9, 10. Luc. 9.32.
[17] Eze. 2.2.
[18] cap. 9.27 e 11.27, 35, 36 e 12.7. Hab. 2.3.
[19] ver. 3.
[20] ver. 5. cap. 11.5.
[21] ver. 8. cap. 11.4.
[22] Deu. 28.50. ver. 6.
[23] Apo. 17.13, 17. ver. 12. cap. 11.36.
[24] ver. 10. cap. 7.25.
[25] cap. 11.36.
[26] Job 34.20. Lam. 4.6. cap. 2.34, 45.
[27] cap. 10.1. Eze. 12.27. cap. 10.14 e 12.4, 9. Apo. 22.10.
[28] cap. 7.28 e 10.8, 16. cap. 6.2, 3.
[29] ver. 16.
A oração de Daniel: as setenta semanas: o Messias.
[Antes de Christo 538]
9 No anno primeiro [1] de Dario, filho de Assuero, da nação dos medos, o qual foi constituido rei sobre o reino dos chaldeos,
2 No anno primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o numero dos annos, [2] dos quaes fallou o Senhor ao propheta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalem, era de setenta annos.
3 E [3] eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e rogos, com jejum, e sacco e cinza.
4 E orei ao Senhor meu Deus, e confessei, e disse: [4] Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericordia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos.
5 Peccámos, [5] e commettemos iniquidade, e fizemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juizos;
6 E não démos [6] ouvidos aos teus servos, os prophetas, que em teu nome fallaram aos nossos reis, aos nossos principes, e a nossos paes, como tambem a todo o povo da terra.
7 Tua, [7] ó Senhor, é a justiça, mas a nós pertence confusão de rosto, como se vê n’este dia, aos homens de Judah, e aos moradores de Jerusalem, e a todo o Israel; aos de perto e aos de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa da sua prevaricação, com que prevaricaram contra ti.
8 Ó Senhor, [8] a nós pertence a confusão de rosto, aos nossos reis, aos nossos principes, e a nossos paes, porque peccámos contra ti.
9 [9] Ao Senhor, nosso Deus, pertencem as misericordias e os perdões; ainda que nos rebellámos contra elle,
10 E não obedecemos [10] á voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu pela mão de seus servos, os prophetas.
11 E [11] todo o Israel traspassou a tua lei, apartando-se para não obedecer á tua voz; por isso a maldição e o juramento, [12] que está escripto na lei de Moysés, servo de Deus, se derramou sobre nós; porque peccámos contra elle.
12 E elle confirmou [13] a sua palavra, que fallou contra nós, e contra os nossos juizes que nos julgavam, trazendo sobre nós um grande mal; que nunca [14] foi feito debaixo de todo o céu como foi feito em Jerusalem.
13 Como [15] está escripto na lei de Moysés, todo aquelle mal nos sobreveiu: [16] comtudo não supplicámos á face do Senhor nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades, e para nos applicarmos á tua verdade.
14 E apressurou-se o Senhor [17] sobre o mal, e o trouxe sobre nós; porque justo é o Senhor, nosso Deus, em todas as suas obras, que fez, [18] pois não obedecemos á sua voz.
15 Ora pois, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste [19] o teu povo da terra do Egypto com mão poderosa, e [20] ganhaste para ti nome, como se vê n’este dia, peccámos; obrámos impiamente.
16 Ó Senhor, [21] segundo todas as tuas justiças pois, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalem, do teu sancto monte; [22] porque por causa dos nossos peccados, e por causa das iniquidades de nossos paes, vieram Jerusalem e o teu povo a servir de opprobrio a todos os que nos estão em redor.
17 Agora pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo, e as suas supplicas, [23] e sobre o teu sanctuario assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor.
18 Inclina, [24] ó Deus meu, os teus ouvidos; e ouve: abre os teus olhos, e olha para a nossa desolação, [25] e para a cidade a qual é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas supplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericordias.
19 Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, attende-nos e obra sem tardar; por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo se chamam pelo teu nome.
20 Estando [26] eu ainda fallando e orando, e confessando o meu peccado, e o peccado do meu povo Israel, e lançando a minha supplica perante a face do Senhor, meu Deus, pelo monte sancto do meu Deus,
21 Estando eu, digo, ainda fallando na oração, [27] o varão Gabriel, que eu tinha visto ao principio, veiu, voando rapidamente, [28] tocando-me, como á hora do sacrificio da tarde.
22 E me instruiu, e fallou comigo, e disse: Daniel, agora sahi para fazer-te entender o sentido.
23 No principio das tuas supplicas, saiu a palavra, [29] e eu vim, para t’o declarar, porque és mui amado: toma pois bem sentido da palavra, e entende a visão.
24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua sancta cidade, para consumir a transgressão, e para acabar os peccados, [30] e para expiar a iniquidade, e para trazer a justiça eterna, e para sellar a visão e o propheta, e para ungir o Sancto dos sanctos.
25 Sabe [31] e entende: desde a saida da palavra para fazer tornar, e para edificar a Jerusalem, [32] até ao Messias, o Principe, sete semanas, e sessenta e duas semanas: as ruas e as tranqueiras se reedificarão, [33] porém em tempos angustiados.
26 E depois das sessenta e duas semanas [34] será desarreigado o Messias, e não será mais: [35] e o povo do principe, que virá, destruirá a cidade e o sanctuario, e o seu fim será com uma innundação; e até ao fim da guerra estão determinadas as assolações.
27 E confirmará concerto com muitos [36] uma semana: e na metade da semana fará cessar o sacrificio e a offerta de manjares; e sobre a ala das abominações virá assolador, e isso até á consummação; e o que está determinado será derramado sobre o assolado.
[1] cap. 1.21 e 5.31 e 6.28.
[2] II Chr. 36.21. Jer. 25.11, 12 e 29.10.
[3] Neh. 1.4. Jer. 29.12, 13. Thi. 4.8, 9, 10.
[4] Exo. 20.6. Deu. 7.9. Neh. 1.5 e 9.32.
[5] I Reis 8.47, 48. Neh. 1.6, 7 e 9.33, 34. Isa. 64.5, 6, 7. Jer. 14.7. ver. 15.
[6] II Chr. 36.15, 16. ver. 10.
[7] Neh. 9.33.
[8] ver. 7.
[9] Neh. 9.17.
[10] ver. 6.
[11] Isa. 1.4, 5, 6. Jer. 8.5, 10.
[12] Lev. 26.14, etc. Deu. 27.15, etc. e 28.15, etc. e 29.20, etc. e 30.17, 18 e 31.17, etc. e 32.19, etc. Lam. 2.17.
[13] Zac. 1.6.
[14] Lam. 1.12 e 2.13. Eze. 5.9. Amós 3.2.
[15] Deu. 28.15. Lam. 2.17.
[16] Isa. 9.13. Jer. 2.30 e 5.3. Ose. 7.7, 10.
[17] Jer. 31.28 e 44.27. Neh. 9.33. ver. 7.
[18] ver. 10.
[19] Exo. 6.1, 6 e 32.11. I Reis 8.51. Neh. 1.10. Jer. 32.21.
[20] Neh. 9.10. Jer. 32.20. ver. 5.
[21] I Sam. 12.7. Miq. 6.4, 5.
[22] ver. 20. Zac. 8.3. Exo. 20.5.
[23] Num. 6.25. ver. 19.
[24] Isa. 37.17. Exo. 3.7.
[25] Jer. 25.29.
[26] Isa. 65.24.
[27] cap. 8.16.
[28] cap. 8.18 e 10.10, 16.
[29] cap. 10.12. cap. 10.11, 19. Mat. 24.15.
[30] Isa. 53.10, 11. Jer. 23.5, 6. Heb. 9.12. Apo. 14.6. Heb. 9.11.
[31] ver. 23. Mat. 24.15. Esd. 4.24 e 6.1, 15.
[32] João 4.25. Isa. 55.4.
[33] Neh. 4.8, 16, 17, 18.
[34] Isa. 53.8. Mar. 9.12. Luc. 24.26, 46. I Ped. 2.21 e 3.18. Mat. 22.7.
[35] Luc. 19.44. Mat. 24.12. Mat. 24.6, 14.
[36] Eze. 16.60, 61, 62. Mat. 26.28. Rom. 5.15, 19. Heb. 9.28. Mat. 24.15. Mar. 13.14. Luc. 21.20. Isa. 10.22, 23. cap. 11.36. Luc. 21.24. Rom. 11.26.
Um anjo annuncia a Daniel os acontecimentos dos ultimos dias.
[Antes de Christo 534]
10 No anno terceiro de Cyro, rei da Persia, foi revelada uma palavra a Daniel, cujo nome se chama [1] Belteshazzar; e a palavra é verdadeira, porém trata d’uma guerra prolongada, [2] e entendeu esta palavra, e tinha entendimento da visão.
2 N’aquelles dias eu, Daniel, me entristeci tres semanas de dias.
3 Manjar desejavel não comi, nem carne nem vinho entrou na minha bocca, [3] nem me untei com unguento, até que se cumpriram as tres semanas de dias.
4 E no dia vinte e quatro do primeiro mez eu estava na borda do grande rio [4] Hiddekel;
5 E levantei [5] os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, [6] e os seus lombos cingidos com oiro fino d’Uphaz:
6 E o seu corpo era como [7] turqueza, e o seu rosto parecia um relampago, [8] e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés como de côr de bronze açacalado; e a voz das suas palavras como a voz d’uma multidão.
7 E só eu, Daniel, [9] vi aquella visão; mas os homens que estavam comigo não viram aquella visão: comtudo caiu sobre elles um grande temor, e fugiram, escondendo-se.
8 Fiquei pois eu só, e vi esta grande visão, [10] e não ficou força em mim; [11] e mudou-se em mim a minha formosura em desmaio, sem reter força alguma.
9 E ouvi a voz das suas palavras; [12] e, ouvindo a voz das suas palavras, eu cahi n’um profundo somno sobre o meu rosto, com o meu rosto em terra.
10 E [13] eis que uma mão me tocou, e fez que me movesse sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos.
11 E me disse: Daniel, homem mui desejado, [14] está attento ás palavras que eu fallarei comtigo, e levanta-te sobre os teus pés; porque agora sou enviado a ti. E, fallando elle comigo esta palavra, eu estava tremendo.
12 Então me disse: [15] Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que applicaste o teu coração a entender e a humilhar-te perante o teu Deus [16] são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras.
13 Porém [17] o principe do reino da Persia se poz defronte de mim vinte e um dias, e eis que Michael, [18] um dos primeiros principes, veiu para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Persia.
14 Agora vim, para fazer-te entender o que ha de acontecer ao teu povo nos derradeiros dias; [19] porque a visão ainda está para muitos dias.
15 E, fallando elle comigo estas palavras, [20] abaixei o meu rosto em terra, e emmudeci.
16 E eis aqui alguem, [21] similhante aos filhos dos homens, me tocou os labios: então abri a minha bocca, e fallei, e disse áquelle que estava diante de mim: Senhor meu, por causa da visão sobrevieram-me dôres, e não me ficou força alguma.
17 Como pois pode o servo d’este meu Senhor fallar com aquelle meu Senhor? porque, quanto a mim, desde agora não resta força em mim, e não ficou em mim folego.
18 E alguem, que tinha apparencia d’um homem, me tocou outra vez, e me confortou.
19 E disse: [22] Não temas, homem mui desejado, paz seja comtigo; esforça-te, sim, esforça-te. E, fallando elle comigo, esforcei-me, e disse: Falla, meu Senhor, porque me confortaste.
20 E disse: Sabes porque eu vim a ti? [23] agora, pois, tornarei a pelejar contra o principe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o principe da Grecia.
21 Porém eu te declararei o que está escripto na escriptura da verdade; e ninguem ha que se esforce comigo contra aquelles, [24] senão Michael, vosso principe.
[1] cap. 1.7 e 8.26. Apo. 19.9. ver. 14.
[2] cap. 1.17 e 8.16.
[3] Mat. 6.17.
[4] Gen. 2.14.
[5] Jos. 5.13. cap. 12.6, 7.
[6] Apo. 1.13, 15 e 15.6.
[7] Eze. 1.14.
[8] Apo. 1.14 e 10.12. Eze. 1.7. Apo. 1.15.
[9] Act. 9.7.
[10] cap. 8.27.
[11] cap. 7.28.
[12] cap. 8.18.
[13] Jer. 1.9. cap. 9.21. Apo. 1.17.
[14] cap. 9.23.
[15] Apo. 1.17.
[16] cap. 9.3, 4, 22, 23. Act. 10.4.
[17] ver. 20.
[18] ver. 21. cap. 12.1. Jud. 9. Apo. 12.7.
[19] Gen. 49.1. cap. 2.28 e 8.26. ver. 1. Hab. 2.3.
[20] ver. 9. cap. 8.18.
[21] cap. 8.15. ver. 10. Jer. 1.9.
[22] ver. 11. Jui. 6.23.
[23] ver. 13.
[24] ver. 13. Jud. 9. Apo. 12.7.
O imperio medo-persa será destruido pelo rei da Grecia: o reino será dividido em quatro. Guerra entre o rei do sul e o rei do norte.
11 Eu, pois, [1] no primeiro anno de Dario, medo, estive para o esforçar e fortalecer.
2 E agora te declararei a verdade: Eis que ainda tres reis estarão na Persia, e o quarto será enriquecido de grandes riquezas mais do que todos; e, esforçando-se com as suas riquezas, suscitará a todos contra o reino da Grecia.
3 Depois [2] se levantará um rei valente, que reinará com grande dominio, [3] e fará o que lhe aprouver.
4 Mas, estando elle em pé, [4] o seu reino será quebrado, e será repartido para os quatro ventos do céu, porém não para a sua posteridade, nem tão pouco segundo o seu dominio com que reinou, porque o seu reino será arrancado, e será para outros fóra d’estes.
5 E se esforçará o rei do sul, um d’entre os seus principes; mas outro se esforçará, mais do que elle, e reinará, e dominio grande será o seu dominio,
6 Mas, ao cabo de alguns annos, um com outro fará concerto; e a filha do rei do sul virá ao rei do norte para fazer um tratado, mas ella não terá força de braço; nem elle persistirá, nem o seu braço, porque ella será entregue, e os que a tiverem trazido, e seu pae, e o que a esforçava n’aquelles tempos!
7 Mas do renovo das suas raizes um se levantará em seu logar, e virá com o exercito, e entrará nas fortalezas do rei do norte, e obrará contra elles, e prevalecerá.
8 E tambem os seus deuses com os seus principes, com os seus vasos preciosos de prata e oiro, levará captivos para o Egypto; e por alguns annos elle persistirá contra o rei do norte.
9 Assim entrará o rei do sul no reino, e tornará para a sua terra.
10 Porém seus filhos se entremetterão em guerra, e ajuntarão grande numero de exercitos, e um d’elles virá á pressa, [5] e inundará, e passará, [6] e tornará a entremetter-se em guerra, até chegar á sua fortaleza.
11 Então o rei do sul se exasperará, e sairá, e pelejará contra elle, a saber, contra o rei do norte, que porá em campo grande multidão, mas aquella multidão será entregue na sua mão.
12 Quando fôr tirada aquella multidão, o seu coração se elevará: ainda que derribará muitos milhares, comtudo não prevalecerá.
13 Porque o rei do norte tornará, e porá em campo uma multidão maior do que a primeira, e ao cabo dos tempos, isto é, annos, virá á pressa com grande exercito e com muita fazenda.
14 E, n’aquelles tempos, muitos se levantarão contra o rei do sul; e os filhos dos prevaricadores do teu povo se levantarão para confirmar a visão, e cairão.
15 E o rei do norte virá, e levantará baluartes, e tomará a cidade forte; e os braços do sul não poderão subsistir, nem o seu povo escolhido, pois não haverá força para subsistir.
16 O que pois ha de vir contra elle [7] fará segundo a sua vontade, e não haverá quem possa subsistir diante d’elle: e estará na terra gloriosa, e haverá consumição na sua mão.
17 E porá o seu rosto, para vir com a potencia de todo o seu reino, e com elle os rectos, e o fará: e lhe dará uma filha das mulheres, para a destruir a ella, mas ella não subsistirá, nem será por elle.
18 Depois virará o seu rosto para as ilhas, e tomará muitas; e um principe fará cessar o seu opprobrio contra elle, e ainda fará tornar sobre elle o seu opprobrio.
19 Virará pois o seu rosto para as fortalezas da sua terra, mas tropeçará, e cairá, [8] e não será achado.
20 E em seu logar se levantará quem fará passar o arrecadador em gloria real; mas em poucos dias será quebrantado, e isto não em ira nem em batalha.
21 Depois se levantará em seu logar um homem vil, ao qual não darão a dignidade real; mas virá [ACY] caladamente, e tomará o reino com engano.
22 E os braços da inundação serão inundados de diante d’elle; e serão quebrantados, [9] como tambem o principe do concerto.
23 E, depois dos concertos com elle, usará de engano; e subirá, e será esforçado com pouca gente.
24 Virá tambem caladamente aos logares gordos da provincia, e fará o que nunca fizeram seus paes, nem os paes de seus paes; repartirá entre elles a preza e os despojos, e a riqueza, e formará os seus projectos contra as fortalezas, porém sómente por certo tempo.
25 E suscitará a sua força e o seu coração contra o rei do sul com um grande exercito; e o rei do sul se entremetterá na guerra com um grande e mui poderoso exercito; mas não subsistirá, porque formarão projectos contra elle.
26 E os que comerem os seus manjares o quebrantarão; [10] e o exercito d’elle inundará, e cairão muitos traspassados.
27 Tambem estes dois reis terão o coração attento para fazerem o mal, e a uma mesma mesa fallarão a mentira, mas não prosperará, [11] porque o fim ainda terá logar no tempo determinado.
28 E tornará para a sua terra com grande riqueza, e o seu coração será contra o sancto concerto; e obrará, e tornará para a sua terra.
29 Ao tempo determinado tornará a vir contra o sul; mas não será a ultima como a primeira vez.
30 Porque virão contra elle navios de Chittim, de que se entristecerá; e tornará, [12] e se indignará contra o sancto concerto, e obrará, porque tornará a attender aos que tiverem desamparado o sancto concerto.
31 E [ACZ] sairão a elle uns braços, [13] e profanarão o sanctuario e a fortaleza, e tirarão o continuo sacrificio, e porão a abominação assoladora.
32 E aos violadores do concerto com lisonjas fará usar de hypocrisia, mas o povo que conhece ao seu Deus se esforçará e fará proezas.
33 E [14] os entendidos entre o povo ensinarão a muitos; e cairão pela espada, e pelo fogo, e pelo captiveiro, e pelo roubo, por muitos dias.
34 E, caindo elles, serão ajudados com pequeno soccorro; e muitos se ajuntarão com elles com lisonjas.
35 E alguns dos entendidos cairão, para os provar, [15] e purgar, e embranquecer, até ao fim do tempo, [16] porque será ainda até ao tempo determinado.
36 E este rei [17] fará conforme a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo o deus; [18] e contra o Deus dos deuses fallará coisas maravilhosas, e será prospero, até que a ira seja acabada; porque aquillo que está determinado será feito.
37 E não terá respeito algum ao Deus de seus paes, [19] nem terá respeito ao amor das mulheres, nem a algum outro deus, porque sobre tudo se engrandecerá.
38 E ao deus das fortalezas honrará em seu logar, a saber, ao deus a quem seus paes não conheceram honrará com oiro, e com prata, e com pedras preciosas, e com coisas desejadas.
39 E fará os castellos fortes com o deus estranho; aos que reconhecer multiplicará a honra, e os fará reinar sobre muitos, e repartirá a terra por preço.
40 E, [20] no fim do tempo, o rei do sul lhe dará marradas, e o rei do norte o accommetterá [21] com carros, e com cavalleiros, [22] e com muitos navios; e entrará nas terras, e as inundará, e passará.
41 E entrará na terra gloriosa, e muitas terras serão derribadas, mas escaparão da sua mão estes: [23] Edom e Moab, e as primicias dos filhos d’Amon.
42 E estenderá a sua mão ás terras, e a terra do Egypto não escapará.
43 E apoderar-se-ha dos thesouros de oiro e de prata, e de todas as coisas desejadas do Egypto; e os lybios e os ethiopes o seguirão.
44 Mas os rumores do oriente e do norte o espantarão; e sairá com grande furor, para destruir e extirpar a muitos.
45 E armará as tendas do seu palacio entre o mar grande, no monte sancto e glorioso; mas virá ao seu fim, e não haverá quem o soccorra.
[1] cap. 9.1. cap. 5.31.
[2] cap. 7.6.
[3] ver. 16, 36.
[4] cap. 8.8.
[5] Isa. 8.8. cap. 9.26.
[6] ver. 7.
[7] ver. 3, 36.
[8] Job 20.8. Eze. 26.21.
[9] cap. 8.10.
[10] ver. 22.
[11] ver. 35. cap. 8.19.
[12] ver. 28.
[13] cap. 8.11 e 12.11.
[14] Mal. 2.7.
[15] cap. 12.10. I Ped. 1.7. ver. 40.
[16] ver. 29.
[17] cap. 7.8, 25 e 8.25. II The. 2.4. Apo. 13.5, 6.
[18] cap. 8.11, 24, 25.
[19] I Tim. 4.3. II The. 2.4.
[20] ver. 35.
[21] Zac. 9.14.
[22] Eze. 38.4, 15. Apo. 9.16.
[23] Isa. 11.14.
Os ultimos tempos: as palavras selladas.
12 E n’aquelle tempo se [1] levantará Michael, o grande principe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, [2] e haverá um tempo de angustia, qual nunca houve, desde que houve nação até áquelle tempo; [3] porém n’aquelle tempo livrar-se-ha o teu povo, todo aquelle que se achar escripto no livro.
2 E muitos dos que dormem no pó da terra resuscitarão, uns para vida eterna, [4] e outros para vergonha e para nojo eterno.
3 Os entendidos [5] pois resplandecerão como o resplandor do firmamento, e os que a muitos ensinam [6] a justiça como as estrellas sempre e eternamente.
4 E tu, [7] Daniel, fecha estas palavras e sella este livro, até ao fim do tempo: então muitos passarão, lendo-o, e a sciencia se multiplicará.
5 E eu, Daniel, olhei, e eis que estavam em pé outros dois, um d’esta banda, á beira do rio, e o outro da outra banda, á [8] beira do rio.
6 E elle disse ao homem vestido de linho, que estava sobre as aguas do rio: Até quando será o fim das maravilhas?
7 E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as aguas do rio, [9] e levantou a sua mão direita e a sua mão esquerda ao céu, e jurou por aquelle que vive eternamente que depois do determinado tempo, determinados tempos [10] e a metade do tempo, e quando acabar de espalhar o poder do povo sancto, [11] todas estas coisas serão cumpridas.
8 Eu pois ouvi, mas não entendi; por isso eu disse: Senhor meu, qual será o fim d’estas coisas?
9 E disse: Vae, Daniel, [12] porque estas palavras estão fechadas e selladas até ao tempo do fim.
10 Muitos [13] serão purgados, e embranquecidos, e provados; mas os impios obrarão impiamente, e nenhum dos impios entenderá, [14] mas os entendidos entenderão.
11 E desde o tempo em que o continuo sacrificio [15] fôr tirado, e posta a abominação assoladora, serão mil, duzentos e noventa dias.
12 Bemaventurado o que espera e chega até mil, trezentos e trinta e cinco dias.
13 Tu, porém, [16] vae até ao fim; porque repousarás, e te levantarás na tua sorte, no fim dos dias.
[1] cap. 10.13, 21.
[2] Apo. 16.18.
[3] Rom. 11.26. Exo. 32.32. Luc. 10.20. Phi. 4.3. Apo. 3.5 e 13.8.
[4] Mat. 25.46. João 5.28, 29. Act. 24.15. Rom. 9.21.
[5] cap. 11.33, 35. Mat. 13.43.
[6] I Cor. 15.41, 42.
[7] cap. 5.15. Luc. 15.18. Eze. 16.8.
[8] cap. 10.4.
[9] Deu. 32.40. Apo. 10.5, 6.
[10] cap. 7.25 e 11.13. Apo. 12.14.
[11] Luc. 21.24. Apo. 10.7. cap. 8.24.
[12] ver. 4.
[13] cap. 11.35. Zac. 13.9. Ose. 14.9.
[14] cap. 11.33, 35.
[15] cap. 8.11 e 11.31.
[16] ver. 9. Apo. 14.13.
OSEAS.
Casamento symbolico de Oseas; idolatria e corrupção de Israel: ameaças e promessas de perdão.
[Antes de Christo 785]
1 Palavra do Senhor, que foi dita a Oseas, filho de Beeri, nos dias d’Uzias, Jothão, Achaz, Ezequias, reis de Judah, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel.
2 O principio da palavra do Senhor por Oseas: disse pois o Senhor a Oseas: [1] Vae, toma uma mulher de fornicações, e filhos de fornicações; porque a terra fornicando fornica, desviando-se de após o Senhor.
3 E foi-se, e tomou a Gomer, filha de Diblaim, e ella concebeu, e lhe pariu um filho.
4 E disse-lhe o Senhor: Chama o seu nome Jezreel; [2] porque d’aqui a pouco visitarei o sangue de Jezreel sobre a casa de Jehu, e farei cessar o reino da casa de Israel.
5 E será n’aquelle dia que quebrarei o arco de Israel no valle de Jezreel.
6 E tornou ella a conceber, e pariu uma filha; e elle disse: Chama o seu nome Lo-ruhama; [3] porque eu não me tornarei mais a compadecer da casa de Israel, mas tudo lhe tirarei.
7 Mas da casa de Judah me apiedarei, e os salvarei pelo Senhor seu [4] Deus, pois não os salvarei pelo arco, nem pela espada, nem pela guerra, nem pelos cavallos nem pelos cavalleiros.
8 E, depois de haver desmamado a Lo-ruhama, concebeu e pariu um filho.
9 E elle disse: Chama o seu nome Lo-ammi; porque vós não sois meu povo, nem eu serei vosso Deus.
10 Todavia o numero [5] dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não pode medir-se nem contar-se; e acontecerá [6] que no logar onde se lhes dizia: Vós não sois meu povo, [7] se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo.
11 E [8] os filhos de Judah e os filhos de Israel juntos se congregarão, e constituirão sobre si uma unica cabeça, e subirão da terra; porque grande será o dia de Jezreel.
[1] cap. 3.1. Deu. 31.16. Eze. 23.3, etc.
[2] II Reis 10.11. II Reis 15.10, 12.
[3] II Reis 17.6, 23.
[4] Zac. 9.10.
[5] Gen. 32.12. Rom. 9.27, 28.
[6] Rom. 9.25, 26. I Ped. 2.10.
[7] João 1.12. I João 3.1.
[8] Isa. 11.12, 13. Jer. 3.18. Eze. 34.23 e 37.16-24.
2 Dizei a vossos irmãos, Ammi, e a vossas irmãs, Ruhama:
2 Contendei com vossa mãe, contendei, [1] porque ella não é minha mulher, e eu não sou seu marido, e tire ella as suas fornicações da sua face e os seus adulterios de entre os seus peitos.
3 Para que [2] eu não a despoje despida, e a ponha como no dia em que nasceu, e a faça como um deserto, e a ponha como uma terra secca, e a mate á sede,
4 E não me apiede de seus filhos, [3] porque são filhos de fornicações.
5 Porque [4] sua mãe fornicou: aquella que os concebeu houve-se torpemente, porque diz: Irei atraz de meus namorados, [5] que me dão o meu pão e a minha agua, a minha lã e o meu linho, o meu oleo e as minhas bebidas.
6 Portanto, [6] eis que cercarei o teu caminho com espinhos; e levantarei uma parede de sebe, e não achará as suas veredas.
7 E irá em seguimento de seus amantes, mas não os alcançará; e buscal-os-ha, mas não os achará: então dirá: Ir-me-hei, [7] e tornar-me-hei a meu primeiro marido, porque melhor me ia então do que agora.
8 Ella pois não reconhece [8] que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o oleo, e lhe multipliquei a prata e o oiro, do que usaram para Baal.
9 Portanto, tornar-me-hei, [9] e a seu tempo tirarei o meu grão e o meu mosto ao seu determinado tempo; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, que tinha dado para cobrir a sua nudez.
10 E [10] agora descobrirei a sua vileza diante dos olhos dos seus namorados, e ninguem a livrará da minha mão.
11 E [11] farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sabbados, e todas as suas festividades.
12 E assolarei a sua vide e a sua figueira, [12] de que ella diz: Estas são a minha paga que me deram os meus amantes: eu pois farei d’ellas um bosque, e as bestas feras do campo as devorarão.
13 E sobre ella visitarei os dias de Baal, em que lhe queimou incenso, [13] e se adornou dos seus pendentes e das suas gargantilhas, e andou atraz de seus namorados, mas de mim se esqueceu, diz o Senhor.
14 Portanto, eis que eu a attrahirei, [14] e a levarei para o deserto, e lhe fallarei ao coração.
15 E [15] lhe darei as suas vinhas d’ali, e o valle de Achor, para porta de esperança; e ali cantará, [16] como nos dias da sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egypto.
16 E será n’aquelle dia, diz o Senhor, que me chamarás: Meu marido; e não me chamarás mais: Meu Baal.
17 E [17] da sua bocca tirarei os nomes de Baalim, e os seus nomes não virão mais em memoria.
18 E n’aquelle dia [18] lhes farei alliança com as bestas feras do campo, e com as aves do céu, e com os reptis da terra; e da terra quebrarei o arco, [19] e a espada, e a guerra, e os farei deitar em segurança.
19 E desposar-te-hei comigo para sempre: desposar-te-hei comigo em justiça, e em juizo, e em benignidade, e em misericordias.
20 E desposar-te-hei comigo em fidelidade, [20] e conhecerás ao Senhor.
21 E acontecerá n’aquelle dia que eu responderei, [21] diz o Senhor, eu responderei aos céus, e estes responderão á terra.
22 E a terra ouvirá ao trigo, como tambem ao mosto, e ao oleo, [22] e estes responderão a Jezreel.
23 E semeal-a-hei [23] para mim na terra, e apiedar-me-hei de Lo-ruhama; e a Lo-ammi direi: [24] Tu és meu povo; e elle dirá: Ó meu Deus!
[1] Isa. 50.1. Eze. 16.25.
[2] Jer. 13.22, 26. Eze. 16.37, 39. Eze. 16.4 e 19.13. Amós 8.11, 13.
[3] João 8.41.
[4] Isa. 1.21. Jer. 3.1, 6, 8, 9. Eze. 16.15, 16, etc.
[5] ver. 8, 12. Jer. 44.17.
[6] Job 3.23 e 19.8. Lam. 3.7, 9.
[7] cap. 5.15. Luc. 15.18. Eze. 16.8.
[8] Isa. 1.3. Eze. 16.17, 18, 19.
[9] ver. 3.
[10] Eze. 16.37 e 23.29.
[11] Amós 8.10. I Reis 12.32. Amós 8.5.
[12] ver. 5.
[13] Eze. 23.40, 42.
[14] Eze. 20.25.
[15] Jos. 7.26. Isa. 65.10.
[16] Jer. 2.2. Eze. 16.8, 22, 60. Exo. 15.1.
[17] Exo. 23.13. Jos. 23.7. Zac. 13.2.
[18] Job 5.22. Isa. 11.6, 9. Eze. 34.25.
[19] Isa. 2.4. Eze. 39.9, 10. Zac. 9.10. Lev. 26.5. Jer. 23.6.
[20] Jer. 31.33, 34. João 17.3.
[21] Zac. 8.12.
[22] cap. 1.4.
[23] Jer. 31.27. Zac. 10.9. cap. 1.6.
[24] cap. 1.10. Zac. 13.9. Rom. 9.26. I Ped. 2.10.
3 E o Senhor me disse: Vae outra vez, [1] ama uma mulher, amada de seu amigo, comtudo adultera, como o Senhor ama os filhos de Israel; mas elles olham para outros deuses, e amam os frascos das uvas.
[Antes de Christo 780]
2 E a comprei para mim por quinze dinheiros de prata, e um homer de cevada, e meio homer de cevada;
3 E lhe disse: [2] Tu ficarás para mim muitos dias (não fornicarás, nem serás de outro homem), e tambem eu ficarei para ti.
4 Porque os filhos de Israel [3] ficarão por muitos dias sem rei, e sem principe, e sem sacrificio, e sem estatua, e sem ephod, e sem teraphim.
5 Depois tornarão os filhos de Israel, [4] e buscarão ao Senhor seu Deus, e a David, seu rei; e temerão ao Senhor, e á sua bondade, no fim dos dias.
[1] cap. 1.2. Jer. 3.20.
[2] Deu. 21.13.
[3] cap. 10.3. Exo. 28.6. Jui. 17.5.
[4] Jer. 50.4, 5. cap. 5.6. Jer. 30.9. Eze. 34.23, 24 e 37.22, 24.
Israel e Judah são ameaçados com castigo por causa da sua impiedade: a ignorancia e malicia do povo.
4 Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel, [1] porque o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra, porque não ha verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na terra.
2 Mas o perjurar, e o mentir, e o matar, e o furtar, e o adulterar, prevalecem, e os homicidios se tocaram com homicidios.
3 Por isso a terra se lamentará, [2] e qualquer que morar n’ella desfallecerá, com os animaes do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar serão tirados.
4 Porém ninguem contenda, nem reprehenda a alguem, [3] porque o teu povo é como os que contendem com o sacerdote.
5 Por isso cairás de dia, e o propheta comtigo cairá de noite, e destruirei a tua mãe.
6 O meu povo [4] foi destruido, porque lhe faltou o conhecimento: porque tu rejeitaste o conhecimento, tambem eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, tambem eu me esquecerei de teus filhos.
7 Assim como elles se multiplicaram, [5] assim contra mim peccaram: eu mudarei a sua honra em vergonha.
8 Comem do peccado do meu povo, e da sua maldade d’elle teem desejo ardente.
9 Portanto, [6] como o povo, assim será o sacerdote; e visitarei sobre elle os seus caminhos, e lhe recompensarei as suas obras.
10 Comerão, [7] mas não se fartarão; fornicarão, mas não se multiplicarão; porque deixaram de olhar para o Senhor.
11 A fornicação, e o vinho, e o mosto [8] tiram o coração.
12 O meu povo consulta a sua madeira, [9] e a sua vara lhe responde, porque o espirito de fornicações os engana, e fornicam, apartando-se da sujeição do seu Deus.
13 Sacrificam [10] sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, e do alamo, e do olmeiro, porque é boa a sua sombra: [11] por isso vossas filhas fornicam, e as vossas noras adulteram.
14 Porventura não visitarei sobre vossas filhas, que fornicam, nem sobre vossas noras, que adulteram, porque elles mesmos com as prostitutas se desviam, e com as meretrizes sacrificam; [12] pois o povo que não tem entendimento será transtornado.
15 Se tu, ó Israel, queres fornicar, ao menos não se faça culpado Judah: [13] não venhaes a Gilgal, e não subaes a Beth-aven, e não jureis, dizendo: Vive o Senhor.
16 Porque [14] como uma vacca rebelde se rebellou Israel: agora o Senhor os apascentará como a um cordeiro n’um logar espaçoso.
17 Ephraim é dado a idolos; deixa-o.
18 A sua bebida se foi: fornicando, fornicam; certamente amaram a vergonha os seus principes.
19 Um vento [15] os atou nas suas azas, e envergonhar-se-hão por causa dos seus sacrificios.
[1] Isa. 1.18 e 3.13, 14. Jer. 35.31. cap. 12.2. Miq. 6.2.
[2] Jer. 4.28 e 12.4. Amós 5.16 e 8.8. Sof. 1.3.
[3] Deu. 17.12.
[4] Isa. 5.13.
[5] cap. 13.6.
[6] Isa. 24.2. Jer. 5.31.
[7] Miq. 6.14. Agg. 1.6.
[8] Isa. 28.7.
[9] Jer. 2.27. Hab. 2.19. cap. 5.4.
[10] Isa. 1.29 e 57.5, 7. Eze. 6.13 e 20.28.
[11] Amós 7.17. Rom. 1.28.
[12] ver. 1, 6.
[13] cap. 12.11. Amós 4.4 e 5.5. cap. 10.5. Amós 8.14.
[14] Jer. 3.6 e 7.24 e 8.5. Zac. 7.11.
[15] Jer. 4.11, 12 e 51.1. Isa. 1.29. Jer. 2.26.
Os principes e sacerdotes são reprehendidos e exhortados ao arrependimento.
5 Ouvi isto, ó sacerdotes, e escutae, ó casa de Israel, e escutae, ó casa do rei, porque a vós toca este juizo, [1] visto que fostes um laço para Mispah, e rede estendida sobre Tabor.
2 E, matando sacrificios errados, [2] abaixaram até ao profundo; mas eu serei a correcção de todos elles.
3 Eu [3] conheço a Ephraim, e Israel não se me esconde; porque agora tens fornicado, ó Ephraim, e se contaminou Israel.
4 Não querem ordenar as suas acções afim de voltarem para o seu Deus, [4] porque o espirito das fornicações está no meio d’elles, e não conhecem ao Senhor.
5 A [5] soberba de Israel testificará pois no seu rosto: e Israel e Ephraim cairão pela sua injustiça, e Judah cairá juntamente com elles.
6 Então [6] irão com as suas ovelhas, e com as suas vaccas, para buscarem ao Senhor, mas não o acharão: elle se retirou d’elles.
7 Aleivosamente se houveram [7] contra o Senhor, porque geraram filhos estranhos: [8] agora a lua nova os consumirá com as suas porções.
8 Tocae a buzina em Gibeath, a trombeta em Rama: [9] gritae altamente em Beth-aven; após ti, a Benjamin.
9 Ephraim será para assolação no dia do castigo: entre as tribus de Israel manifestei o que certo está.
10 Os principes de Judah foram feitos como os que traspassam os limites: derramarei pois o meu furor sobre elles como agua.
11 Ephraim opprimido [10] e quebrantado é no juizo, porque assim quiz: andou após o mandamento.
12 Portanto a Ephraim serei como a traça, [11] e á casa de Judah como a podridão.
13 Vendo pois Ephraim [12] a sua enfermidade, e Judah a sua inchação, subiu Ephraim á Assyria e enviou ao rei Jareb; mas elle não poderá sarar-vos, nem vos curará a inchação.
14 Porque a Ephraim serei como um leão, e como um leãosinho á casa de Judah: eu, [13] eu o despedaçarei, e ir-me-hei embora; eu levarei, e não haverá quem livre.
15 Andarei, e tornarei ao meu [14] logar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face: estando elles angustiados, de madrugada me buscarão.
[1] cap. 6.9.
[2] Isa. 29.15.
[3] Amós 3.2. cap. 4.17.
[4] cap. 4.12.
[5] cap. 7.10.
[6] Pro. 1.28. Isa. 1.15. Jer. 11.11. Miq. 3.4. João 7.34.
[7] Isa. 43.8. Jer. 5.11. cap. 6.7.
[8] Zac. 11.8.
[9] Jos. 7.2. cap. 4.15. Jui. 5.14.
[10] Deu. 28.33.
[11] Pro. 12.4.
[12] Jer. 30.20. cap. 7.11 e 12.1.
[13] Lam. 3.10. cap. 13.7, 8.
[14] Lev. 26.40, 41. Jer. 29.12, 13.
6 Vinde, e tornemos [1] ao Senhor, porque elle despedaçou, e nos sarará, feriu, e nos atará a ferida.
2 Depois [2] de dois dias nos dará a vida: ao terceiro dia nos resuscitará, e viveremos diante d’elle.
3 Então [3] conheceremos, e proseguiremos em conhecer, ao Senhor: como a alva, está apparelhada a sua saida: e elle a nós virá como a chuva, como chuva serodia que rega a terra.
4 Que te farei, ó Ephraim? que te farei, ó Judah? visto que a vossa beneficencia [4] é como a nuvem da manhã, e como o orvalho da madrugada, que passa.
5 Por isso os cortei [5] pelos prophetas: pelas palavras da minha bocca os matei; e os teus juizos sairão como a luz.
6 Porque o que eu quero é a misericordia, [6] e não o sacrificio; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.
7 Porém elles traspassaram o concerto, [7] como Adão; ali se portaram aleivosamente contra mim.
8 Gilead [8] é uma cidade dos que obram iniquidade, calcada de sangue.
9 Como as tropas dos salteadores a alguns esperam, [9] assim é a companhia dos sacerdotes; matam no caminho para Sichem, porque fazem abominações.
10 Vejo uma coisa horrenda na casa de Israel: [10] ali está a fornicação d’Ephraim; Israel é contaminado.
11 Tambem para ti, ó Judah, foi assignada uma sega; [11] quando eu [ADA] tornar o captiveiro do meu povo.
[1] I Sam. 2.6. Job 5.18. Jer. 30.17.
[2] I Cor. 15.4.
[3] Isa. 54.13. II Sam. 23.4. Job 29.23.
[4] cap. 13.3.
[5] Jer. 5.14 e 23.29. Heb. 4.12.
[6] I Sam. 15.22. Miq. 6.8. Mat. 9.13 e 12.7. Isa. 1.11.
[7] cap. 5.7.
[8] cap. 12.11.
[9] cap. 5.1, 2.
[10] Jer. 5.30.
[11] Jer. 51.33. Joel 3.13. Apo. 14.15.
7 Sarando eu a Israel, se descobriu a iniquidade d’Ephraim, como tambem as maldades de Samaria, [1] porque obraram a falsidade; e o ladrão entra, e a tropa dos salteadores despoja por fóra.
[Antes de Christo 773]
2 E não dizem no seu coração que eu me lembro [2] de toda a sua maldade: agora, pois, os cercam as suas obras; diante da minha face estão.
3 Com a sua malicia alegram ao rei, e com as suas maneiras aos principes.
4 Todos [3] juntamente adulteram: similhantes são ao forno acceso pelo padeiro, que cessa de vigiar, depois que amassou a massa, até que seja levedada.
5 E o dia do nosso rei os principes o fazem adoecer, por esquentamento do vinho: estende a sua mão com os escarnecedores.
6 Porque, como um forno, applicaram o coração, emboscando-se; toda a noite dorme o seu padeiro, pela manhã arde como fogo de chamma.
7 Todos juntos se esquentam como o forno, [4] e consomem os seus juizes: todos os seus reis caem, ninguem entre elles ha que clame a mim.
8 Ephraim com os povos se mistura; Ephraim é um bolo que não foi virado.
9 Estrangeiros [5] lhe comeram a força, e não o sabe; tambem as cãs se espalharam sobre elle, e não o sabe.
10 E [6] a soberba de Israel testificará em sua face; e não voltarão para o Senhor seu Deus, nem o buscarão em tudo isto.
11 Porque [7] Ephraim é como uma pomba enganada, sem entendimento: invocam o Egypto, vão para a Assyria.
12 Quando forem, [8] sobre elles estenderei a minha rede, e como aves do céu os farei descer: castigal-os-hei, [9] conforme ao que elles teem ouvido na sua congregação.
13 Ai d’elles, porque fugiram de mim: destruição sobre elles, porque se rebellaram contra mim: [10] eu os remi, porém fallam mentiras contra mim.
14 E [11] não clamaram a mim do seu coração, quando davam uivos nas suas camas; para o trigo e para o vinho se ajuntam, mas contra mim se rebellam.
15 Eu os castiguei, e lhes esforcei os braços, mas pensam mal contra mim.
16 Tornaram-se, [12] mas não ao Altissimo. Fizeram-se como um arco enganoso: caem á espada os seus principes, por causa da colera da sua lingua; este será o seu escarneo na terra do Egypto.
[1] cap. 5.1 e 6.10.
[2] Jer. 17.1.
[3] Jer. 9.2.
[4] cap. 8.4. Isa. 64.7.
[5] cap. 8.7.
[6] cap. 5.5. Isa. 9.13.
[7] cap. 11.11. cap. 5.3.
[8] Eze. 12.13.
[9] Lev. 26.14, etc. Deu. 28.15, etc. II Reis 17.13, 18.
[10] Miq. 6.4.
[11] Job 35.9, 10. Jer. 3.10. Zac. 7.5.
[12] cap. 11.7.
O castigo está proximo.
[Antes de Christo 760]
8 Põe [1] a trombeta á tua bocca; elle vem como a aguia contra a casa do Senhor, [2] porque traspassaram o meu concerto, e se rebellaram contra a minha lei.
2 Então [3] a mim clamarão: Deus meu! nós, Israel, te conhecemos.
3 Israel rejeitou o bem: o inimigo perseguil-o-ha.
4 Elles fizeram reis, [4] porém não de mim: constituiram principes, porém eu não o soube: da sua prata [5] e do seu oiro fizeram idolos para si, para serem destruidos.
5 O teu bezerro, ó Samaria, te rejeitou: a minha ira se accendeu contra elles; [6] até quando serão elles incapazes da innocencia?
6 Porque tambem isso é de Israel, um artifice o fez, e não é Deus, mas em pedaços será desfeito o bezerro de Samaria.
7 Porque [7] vento semearam, e segarão tormenta: seara não haverá, a herva não dará farinha: se a der, [8] tragal-a-hão os estrangeiros.
8 Israel [9] foi tragado: agora entre as nações será tido como um vaso em que ninguem tem prazer.
9 Porque subiram á Assyria, como um jumento montez, por si só: [10] mercou Ephraim amores.
10 Ainda que elles merquem entre as nações, [11] agora as congregarei: já começaram a ser diminuidos por causa da carga do rei dos principes.
11 Porquanto [12] Ephraim multiplicou os altares para peccar; teve altar para peccar.
12 Escrevi-lhe as grandezas da minha lei, [13] porém essas são estimadas como coisa estranha.
13 Quanto [14] aos sacrificios dos meus dons, sacrificam carne, e a comem, mas o Senhor não se deleitou n’elles: [15] agora se lembrará da sua injustiça, e visitará os seus peccados: elles voltarão para o Egypto.
14 Porque Israel se esqueceu [16] do seu Creador, e edificou templos, [17] e Judah multiplicou cidades fortes; mas eu enviarei um fogo contra as suas cidades, que consumirá os seus palacios.
[1] cap. 5.8. Deu. 28.49. Jer. 4.13. Hab. 1.8.
[2] cap. 6.7.
[3] Tito 1.16.
[4] II Reis 15.13, 17, 25.
[5] cap. 2.8 e 13.2.
[6] Jer. 13.27.
[7] Pro. 22.8. cap. 10.12, 13.
[8] cap. 7.9.
[9] Jer. 22.28 e 48.38.
[10] Eze. 16.33, 34.
[11] Eze. 16.37. cap. 10.10.
[12] cap. 12.11.
[13] Deu. 4.6, 8.
[14] Jer. 7.21 e 14.10, 12. Amós 5.22.
[15] cap. 9.9. Amós 8.7.
[16] Deu. 32.18. Isa. 29.23.
[17] Jer. 17.27. Amós 2.5.
O peccado de Israel e a sua consequencia.
9 Não te alegres, ó Israel, até saltar, como os povos; [1] porque pela fornicação abandonaste o teu Deus: amaste a paga de meretriz sobre todas as eiras de trigo.
2 A [2] eira e o lagar não os manterão; e o mosto lhe faltará.
3 Na [3] terra do Senhor não permanecerão; mas Ephraim tornará ao Egypto, [4] e na Assyria comerão o immundo.
4 Não [5] derramarão vinho ao Senhor, nem lhe serão suaves: os seus sacrificios lhes serão como pão de pranto; todos os que d’elle comerem serão immundos, porque o seu pão é por sua alma; não entrará na casa do Senhor.
5 Que fareis vós [6] no dia da solemnidade, e no dia da festa do Senhor?
6 Porque, eis que elles se foram por causa da destruição: [7] o Egypto os recolherá, Memphis os sepultará: o desejavel da sua prata as ortigas o possuirão por herança, [8] espinhos haverá nas suas moradas.
7 Já chegaram os dias da visitação, já chegaram os dias da retribuição; os de Israel o saberão: [9] o propheta é louco, o homem de espirito é furioso; por causa da abundancia da tua iniquidade tambem abundará o odio.
8 Ephraim [10] era o vigia com o meu Deus, mas o propheta é como um laço de caçador de aves em todos os seus caminhos, odio na casa do seu Deus.
9 Mui profundamente [11] se corromperam, como nos dias de Gibeah: lembrar-se-ha das suas injustiças, visitará os peccados d’elles.
10 Achei a Israel como uvas no deserto, [12] vi a vossos paes como a fructa temporã da figueira no seu principio; [13] porém entraram a Baalpeor, e se apartaram para essa vergonha, e se tornaram abominaveis como aquillo que amaram.
11 Quanto a Ephraim, a sua gloria como ave voará desde o nascimento, e desde o ventre, e desde o concebimento.
12 Ainda que [14] venham a crear seus filhos, comtudo os privarei d’elles d’entre os homens, porque tambem, [15] ai d’elles! quando me apartar d’elles.
13 Ephraim, [16] assim como vi a Tyro, plantada está n’um logar deleitoso; [17] mas Ephraim tirará para fóra seus filhos para o matador.
14 Dá-lhes, ó Senhor; que pois lhes darás? [18] dá-lhes uma madre que aborte e seios seccos.
15 Toda [19] a sua malicia se acha em Gilgal, porque ali os aborreci pela malicia das suas obras: lançal-os-hei para fóra de minha casa; não os amarei mais: [20] todos os seus principes são rebeldes.
16 Ephraim foi ferido, seccou-se a sua raiz; não darão fructo: [21] e, ainda que gerem, todavia matarei os desejaveis do seu ventre.
17 O meu Deus os rejeitará, porque não o ouvem, [22] e vagabundos andarão entre as nações.
[1] cap. 4.12 e 5.4, 7.
[2] cap. 2.9, 12.
[3] Lev. 25.23. Jer. 2.7 e 16.18. cap. 8.13 e 11.5.
[4] Eze. 4.13. Dan. 1.8.
[5] Jer. 6.20. cap. 8.13.
[6] cap. 2.11.
[7] cap. 7.16. ver. 3.
[8] Isa. 32.13. cap. 10.8.
[9] Eze. 13.3, etc. Sof. 3.4.
[10] Jer. 6.17 e 31.6.
[11] cap. 10.9. cap. 8.13.
[12] Isa. 28.4. Miq. 7.1. cap. 2.15.
[13] Num. 25.3. cap. 4.14. Jer. 11.13. Amós 4.5.
[14] Job 27.14. Deu. 28.41, 62.
[15] Deu. 31.17.
[16] Eze. 26 e 27 e 28.
[17] ver. 16. cap. 14.1.
[18] Luc. 23.29.
[19] cap. 4.15 e 12.11. cap. 1.6.
[20] Isa. 1.23.
[21] ver. 13.
[22] Deu. 28.64, 65.
10 Israel [1] é uma vide vasia; dá fructo para si mesmo: [2] segundo a multidão do seu fructo, multiplicou os altares, segundo a bondade da sua terra, fizeram boas as estatuas.
[Antes de Christo 740]
2 Lisonjeia-os [3] o seu coração, agora serão culpados: cortará os seus altares, e destruirá as suas estatuas.
3 Porque [4] agora dirão: Não temos rei, porque não tememos ao Senhor: que, pois, nos faria o rei?
4 Fallaram palavras, jurando falsamente, fazendo um concerto: [5] e florescerá o juizo como herva peçonhenta nos regos dos campos.
5 Os moradores de Samaria [6] serão atemorisados pelo bezerro de Beth-aven; porque o seu povo lamentará por causa d’elle, como tambem os seus sacerdotes (que por causa d’elle se alegravam), [7] por causa da sua gloria, que pois se foi d’ella.
6 Tambem a Assyria [8] será levada como um presente ao rei Jareb: Ephraim ficará confuso, e Israel se envergonhará por causa do seu conselho.
7 O rei de Samaria [9] será cortado como a escuma sobre a face da agua.
8 E os altos de Aven, [10] peccado de Israel, serão destruidos: espinhos e cardos crescerão sobre os seus altares; e dirão aos montes: [11] Cobri-nos! e aos outeiros: Cahi sobre nós!
9 Desde os dias de Gibeah peccaste, ó Israel; [12] ali pararam: a peleja em Gibeah contra os filhos da perversidade não os accommetterá.
10 Eu [13] os castigarei á medida do meu desejo; e congregar-se-hão contra elles os povos, quando os atar nos seus dois regos.
11 Porque [14] Ephraim é uma bezerra [ADB] acostumada, que gosta de trilhar; passei sobre a formosura do seu pescoço: porventura deixarei andar a cavallo Ephraim? Judah lavrará, Jacob lhe desfará os torrões.
12 Semeae [15] para vós a justiça, segae para beneficencia, e lavrae o campo de lavoura; porque o tempo é de buscar ao Senhor, até que venha e chova a justiça sobre vós.
13 Lavrastes [16] a impiedade, segastes a perversidade, e comestes o fructo da mentira; porque confiaste no teu caminho, na multidão dos teus valentes.
14 Portanto, entre os seus povos se levantará um grande tumulto, e todas as tuas fortalezas serão destruidas, [17] como Shalman destruiu a Beth-arbel no dia da guerra: a mãe ali foi despedaçada com os filhos.
15 Assim vos fará Beth-el, por causa da malicia de vossa malicia: o rei de Israel de madrugada será totalmente destruido.
[1] Nah. 2.2.
[2] cap. 8.11 e 12.11.
[3] Mat. 6.24.
[4] cap. 3.4 e 11.5. Miq. 4.9. ver. 7.
[5] Act. 8.23. Heb. 12.15.
[6] I Reis 12.28, 29. cap. 8.5, 6. cap. 4.15.
[7] I Sam. 4.21, 22. cap. 9.11.
[8] cap. 5.13 e 11.6.
[9] ver. 3, 15.
[10] cap. 4.15. Deu. 9.21. I Reis 12.30. cap. 9.6.
[11] Isa. 2.19. Luc. 23.30. Apo. 6.16 e 9.6.
[12] cap. 9.9. Jui. 20.
[13] Deu. 28.63. Eze. 23.46, 47.
[14] Jer. 50.11. Miq. 4.13.
[15] Pro. 11.18.
[16] Job 4.8. Pro. 22.8. cap. 8.7. Gal. 6.7, 8.
[17] II Reis 18.34 e 19.13. cap. 14.1.
A ingratidão de Israel. Ameaças e promessas.
[Antes de Christo 728]
11 Quando Israel [1] era menino, eu o amei; [2] e do Egypto chamei a meu filho.
2 Mas, como elles os chamavam, assim se iam da sua face: [3] sacrificavam a baalins, e queimavam incenso ás imagens de esculptura.
3 Eu, [4] todavia, ensinei a andar a Ephraim; tomei-os pelos seus braços, [5] mas não conheceram que eu os curava.
4 Attrahi-os com cordas humanas, com cordas de amor, [6] e fui para elles como os que levantam o jugo de sobre as suas queixadas, e lhe dei mantimento. 5 Não [7] voltará para a terra do Egypto, mas a Assyria será seu rei; porque recusam converter-se.
6 E ficará a espada sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, [8] e devorará, por causa dos seus conselhos.
7 Porque o meu povo se inclina a desviar-se de mim; [9] bem que chamam ao Altissimo, nenhum d’elles se levanta.
8 Como [10] te deixaria, ó Ephraim? como te entregaria, ó Israel? [11] como te faria como Adama? te poria como Zeboim? [12] Virou-se em mim o meu coração, todos os meus pezares juntamente estão accendidos.
9 Não executarei o furor da minha ira: não me tornarei para destruir a Ephraim, porque eu sou Deus [13] e não homem, o Sancto no meio de ti, e não entrarei na cidade.
10 Andarão após o Senhor, [14] elle bramará como leão: bramando pois elle, os filhos do occidente tremerão.
11 Tremendo, se achegarão como um passarinho os do Egypto, e como uma pomba os da terra da Assyria, [15] e os farei habitar em suas casas, diz o Senhor.
12 Ephraim [16] me cercou com mentira, e a casa de Israel com engano; mas Judah ainda domina com Deus, e com os sanctos está fiel.
[1] cap. 2.15.
[2] Mat. 2.15. Exo. 4.22, 23.
[3] II Reis 17.16. cap. 2.13 e 13.2.
[4] Deu. 1.31 e 32.10, 11, 12. Isa. 46.3.
[5] Exo. 15.26.
[6] Lev. 26.13.
[7] cap. 8.13 e 9.3. II Reis 17.13, 14.
[8] cap. 10.6.
[9] Jer. 3.6, etc. e 8.5. cap. 4.16 e 7.16.
[10] Jer. 9.7. cap. 6.4.
[11] Gen. 14.8 e 19.24, 25. Deu. 29.23. Amós 4.11.
[12] Deu. 32.36. Jer. 31.20.
[13] Num. 23.19. Mal. 3.6.
[14] Isa. 31.4. Joel 3.16. Amós 1.2.
[15] Isa. 60.8. cap. 7.11. Eze. 28.25, 26.
[16] cap. 12.1.
A controversia do Senhor com Judah e com Israel.
[Antes de Christo 725]
12 Ephraim [1] se apascenta de vento, e segue o vento leste: todo o dia multiplica a mentira e a destruição; [2] e fazem alliança com a Assyria, e o azeite se leva ao Egypto.
2 O Senhor [3] tambem com Judah tem contenda, e fará visitação sobre Jacob segundo os seus caminhos; segundo as suas obras lhe recompensará.
3 No ventre [4] pegou do calcanhar de seu irmão, e pela sua força como principe se houve com Deus.
4 Como principe se houve com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe supplicou: [5] em Beth-el o achou, e ali fallou comnosco,
5 A saber, o Senhor, o Deus dos Exercitos: [6] o Senhor é o seu memorial.
6 Tu, pois, [7] converte-te a teu Deus: guarda a beneficencia e o juizo, e em teu Deus espera sempre.
7 Na mão do mercador está uma balança enganosa; [8] ama a oppressão.
8 Ainda diz Ephraim: [9] Comtudo eu estou enriquecido, e tenho adquirido para mim grandes bens: em todo o meu trabalho não acharão em mim iniquidade alguma que seja peccado.
9 Mas eu sou o Senhor teu [10] Deus desde a terra do Egypto: eu ainda te farei habitar em tendas, como nos dias do ajuntamento.
10 E fallarei [11] aos prophetas, e multiplicarei a visão; e pelo ministerio dos prophetas proporei similes.
11 Porventura não é Gilead [12] iniquidade? pura vaidade são: em Gilgal sacrificam bois: [13] os seus altares como montões de pedras são nos regos dos campos.
12 Jacob [14] fugiu para o campo [ADC] da Syria, e Israel serviu por sua mulher, e por sua mulher guardou o gado.
13 Mas o Senhor por um propheta fez subir a Israel do Egypto, [15] e por um propheta foi elle guardado.
14 Ephraim [16] porém mui amargosamente o irou: portanto deixará ficar sobre elle o seu sangue, e o seu Senhor lhe recompensará [17] o seu opprobrio.
[1] cap. 8.7.
[2] II Reis 17.4. cap. 5.13.
[3] cap. 4.1. Miq. 6.2.
[4] Gen. 25.26 e 32.24, etc.
[5] Gen. 28.12, 19 e 35.9, 10, 15.
[6] Exo. 3.15.
[7] cap. 14.1. Miq. 6.8.
[8] Pro. 11.1. Amós 3.5.
[9] Zac. 11.5. Apo. 3.17.
[10] Lev. 23.42, 43. Neh. 8.17. Zac. 14.16.
[11] II Reis 17.13.
[12] Amós 4.4 e 5.5.
[13] cap. 8.11 e 10.1.
[14] Deu. 26.5. Gen. 29.20, 28.
[15] Exo. 12.50, 51 e 13.3. Isa. 63.11. Miq. 6.4.
[16] II Reis 17.11-18.
[17] Dan. 11.18. Deu. 28.37.
O peccado de Israel e o seu castigo.
13 Quando Ephraim fallava, tremia-se; foi exalçado em Israel; [1] mas quando se fez culpado em Baal, então morreu.
2 E agora accumularam peccados sobre peccados, [2] e da sua prata fizeram uma imagem de fundição, idolos segundo o seu entendimento, que todos são obra de artifices, dos quaes dizem: [3] Os homens que sacrificam beijem os bezerros.
3 Por isso [4] serão como a nuvem de manhã, e como orvalho da madrugada, que passa: como folhelho que a tempestade lança da eira, e como o fumo da chaminé.
4 Eu pois sou [5] o Senhor teu Deus desde a terra do Egypto; portanto não reconhecerás outro Deus fóra de mim, [6] porque não ha Salvador senão eu.
5 Eu te [7] conheci no deserto, na terra mui secca.
6 Depois elles se fartaram [8] á proporção do seu pasto; estando pois fartos, ensoberbeceu-se o seu coração, [9] por isso se esqueceram de mim.
7 Portanto [10] serei para elles como leão; como leopardo espiarei no caminho.
8 Como urso que tem perdido seus filhos, os encontrarei, [11] lhes romperei as teias do seu coração, e ali os devorarei como leão; as feras do campo os despedaçarão.
9 Isso te lançou a perder, [12] ó Israel, que te rebellaste contra mim, a saber, contra a tua ajuda.
10 Onde está agora o teu rei, [13] para que te guarde em todas as tuas cidades? e os teus juizes, dos quaes disseste: [14] Dá-me rei e principes?
11 Dei-te [15] um rei na minha ira, e t’o tirarei no meu furor.
12 A [16] iniquidade de Ephraim está atada, o seu peccado está enthesourado.
13 Dôres [17] de mulher de parto lhe virão: elle é um filho insensato: [18] porque não permanece o seu tempo na paridura.
14 Eu pois os remirei da [19] violencia do inferno, e os resgatarei da morte: onde estão, ó morte, as tuas pestes? onde está ó inferno, a tua perdição? [20] o arrependimento [21] será escondido de meus olhos.
15 Ainda que elle dê fructo entre os irmãos, virá o vento leste, vento do Senhor, subindo do deserto, e seccar-se-ha a sua veia, e seccar-se-ha a sua fonte: elle saqueará o thesouro de todos os vasos desejaveis.
16 Samaria virá [22] a ser deserta, porque se rebellou contra o seu Deus: cairão á espada, seus filhos serão despedaçados, e as suas gravidas serão fendidas pelo meio.
[1] II Reis 17.16, 18. cap. 11.2.
[2] cap. 2.8 e 8.4.
[3] I Reis 19.18.
[4] cap. 6.4. Dan. 2.35.
[5] Isa. 43.11. cap. 12.9.
[6] Isa. 43.11 e 45.21.
[7] Deu. 2.7 e 32.10. Deu. 8.15 e 32.10.
[8] Deu. 8.12, 14 e 32.15.
[9] cap. 8.14.
[10] Lam. 3.10. cap. 5.14. Jer. 5.6.
[11] II Sam. 17.8. Pro. 17.12.
[12] Pro. 6.32. Mal. 1.9. ver. 4.
[13] Deu. 32.38. cap. 10.3. ver. 4.
[14] I Sam. 8.5, 19.
[15] I Sam. 8.7 e 10.19 e 15.22, 23 e 16.1. cap. 10.3.
[16] Deu. 32.34. Job 14.17.
[17] Isa. 13.8. Jer. 30.6. Pro. 22.3.
[18] II Reis 19.3.
[19] Isa. 25.8. Eze. 37.12.
[20] I Cor. 15.54, 55.
[21] Gen. 41.52 e 48.19. Jer. 4.11. Eze. 17.10.
[22] II Reis 18.12. II Reis 8.12 e 15.16. Isa. 13.16. cap. 10.14, 15. Amós 1.13. Nah. 3.10.
Exhortação ao arrependimento, e promessa de perdão.
14 Converte-te, [1] ó Israel, ao Senhor teu Deus; porque pelos teus peccados tens caido.
2 Tomae comvosco palavras, e convertei-vos ao Senhor: dizei-lhe: Tira toda a iniquidade, e [ADD] recebe o bem; [2] e pagaremos os bezerros dos nossos labios.
3 Não nos salvará a [3] Assyria, não iremos montados em cavallos, [4] e á obra das nossas mãos não diremos mais: Tu és o nosso Deus; porque por ti o orphão alcançará misericordia.
4 Eu sararei a sua perversão, [5] eu voluntariamente os amarei; porque a minha ira se apartou d’elles.
5 Eu serei a Israel como [6] orvalho, elle florescerá como o lirio, e espalhará as suas raizes como o Libano.
6 Estender-se-hão as suas vergonteas, e a sua gloria será como a da oliveira, [7] e cheirará como o Libano.
7 Voltarão os que se assentarem debaixo da sua sombra; serão vivificados como o trigo, e florescerão como a vide; a sua memoria será como o vinho do Libano.
8 Ephraim então dirá: [8] Que mais tenho eu com os idolos? eu o tenho ouvido, e olharei para elle: ser-lhe-hei como a faia verde: [9] de mim é achado o teu fructo.
9 Quem é sabio, [10] para que entenda estas coisas; quem é prudente, para que as saiba? [11] porque os caminhos do Senhor são rectos, e os justos andarão n’elles, mas os transgressores cairão n’elles.
[1] cap. 12.6. Joel 2.13. cap. 13.9.
[2] Heb. 13.15.
[3] Jer. 31.18, etc. Deu. 17.16. Isa. 30.2, 16 e 31.1.
[4] ver. 8.
[5] cap. 11.7. Eph. 1.6.
[6] Job 29.19. Pro. 19.12.
[7] Gen. 27.27. Can. 4.11.
[8] ver. 3. Jer. 31.18.
[9] Thi. 1.17.
[10] Jer. 9.12. Dan. 12.10. João 8.47 e 18.37.
[11] Pro. 10.29. Luc. 2.34. II Cor. 2.16. I Ped. 2.7, 8.
JOEL.
A terrivel carestia causada pela locusta e pela secca.
[Antes de Christo 800]
1 Palavra do Senhor, que foi dirigida a Joel, filho de Pethuel.
2 Ouvi isto, vós, anciãos, e escutae, todos os moradores da terra: [1] Porventura isto aconteceu em vossos dias? ou tambem nos dias de vossos paes?
3 Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos a seus filhos, e os filhos d’estes á outra geração.
4 O que ficou da lagarta [2] o comeu o gafanhoto, e o que ficou do gafanhoto o comeu a locusta, e o que ficou da locusta o comeu o pulgão.
5 Despertae-vos, bebados, e chorae e uivae, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, [3] porque cortado é da vossa bocca.
6 Porque uma nação subiu sobre a minha terra, poderosa e sem numero: [4] os seus dentes são dentes de leão, e teem queixaes de um leão velho.
7 Fez [5] da minha vide uma assolação, e descortiçou a minha figueira: despiu-a toda, e a lançou por terra; os seus sarmentos se embranqueceram.
8 Lamenta [6] como uma virgem que está cingida de sacco, pelo marido da sua mocidade.
9 Cortou-se a offerta de manjar, [7] e a libação da casa do Senhor: os sacerdotes, servos do Senhor, estão entristecidos.
10 O [8] campo está assolado, e a terra triste; porque o trigo está destruido, o mosto se seccou, [9] o oleo falta.
11 Os lavradores [10] se envergonham, os vinhateiros uivam, sobre o trigo e sobre a cevada; porque a sega do campo pereceu.
12 A vide [11] se seccou, a figueira se murchou; a romeira, tambem, e a palmeira e a macieira; todas as arvores do campo se seccaram, [12] e a alegria se seccou entre os filhos dos homens.
13 Cingi-vos [13] e lamentae-vos, sacerdotes; uivae, ministros do altar; entrae e passae, vestidos de saccos, a noite, ministros do meu Deus; porque a offerta de manjares, [14] e a libação, affastada está da casa de vosso Deus.
14 Sanctificae [15] um jejum, apregoae um dia de prohibição, congregae os anciãos, [16] e todos os moradores d’esta terra, na casa do Senhor vosso Deus, e clamae ao Senhor.
15 Ah! aquelle dia! [17] porque o dia do Senhor está perto, e virá como uma assolação do Todo-poderoso.
16 Porventura o [18] mantimento não está cortado de diante de nossos olhos? a alegria e o regozijo da casa de nosso Deus?
17 A novidade apodreceu debaixo dos seus torrões, os celleiros foram assolados, os armazens derribados, porque se seccou o trigo.
18 Como geme o gado, [19] as manadas de vaccas estão confusas, porque não teem pasto: tambem os rebanhos de ovelhas são destruidos.
19 A ti, ó Senhor clamo, [20] porque o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chamma abrazou todas as arvores do campo.
20 Tambem todas as bestas do campo [21] bramam a ti; porque os rios de agua se seccaram, e o fogo consumiu os pastos do deserto.
[1] cap. 2.2.
[2] Deu. 28.38. cap. 2.25.
[3] Isa. 32.10. cap. 2.2, 11, 25.
[4] Apo. 9.8.
[5] Isa. 5.6.
[6] Isa. 22.12. Pro. 2.17. Jer. 3.4.
[7] ver. 13. cap. 2.14.
[8] Jer. 12.11 e 14.2.
[9] Isa. 24.7. ver. 12.
[10] Jer. 14.3, 4.
[11] ver. 10.
[12] Isa. 24.11. Jer. 48.33. Isa. 9.3.
[13] ver. 8. Jer. 4.8.
[14] ver. 9.
[15] II Chr. 20.3, 4. cap. 2.15, 16. Lev. 23.36.
[16] II Chr. 20.13.
[17] Jer. 30.7. Isa. 13.6, 9. cap. 2.1.
[18] Deu. 12.6, 7 e 16.11, 14, 15.
[19] Ose. 4.3.
[20] Jer. 9.10. cap. 2.3.
[21] Job 38.41. I Reis 17.7 e 18.5.
2 Tocae a buzina [1] em Sião, e clamae em alta voz no monte da minha sanctidade: perturbem-se todos os moradores da terra, [2] porque o dia do Senhor vem, porque está perto:
2 Dia de trevas [3] e de escuridade; dia de nuvens e grossas trevas; como a alva espalhada sobre os montes; [4] povo grande e poderoso, qual desde o tempo antigo nunca houve, nem depois d’elle haverá mais até aos annos de geração em geração.
3 Diante d’elle um fogo consome, [5] e atraz d’elle uma chamma abraza: a terra diante d’elle é como o jardim do Eden, mas atraz d’elle um deserto de assolação, nem tão pouco haverá coisa que d’ella escape.
4 O [6] seu parecer é como o parecer de cavallos: e correrão como cavalleiros.
5 Como o estrondo [7] de carros, irão saltando sobre os cumes dos montes, como o sonido da chamma de fogo que consome a pragana, como um povo poderoso, [8] ordenado para o combate.
6 Diante d’elle temerão os povos; [9] todos os rostos são como a tisnadura da panella.
7 Como valentes correrão, como homens de guerra subirão os muros; e irá cada um nos seus caminhos e não se desviarão da sua fileira.
8 Ninguem apertará a seu irmão; irá cada um pelo seu carreiro; sobre a mesma espada se arremessarão, e não serão feridos.
9 Irão pela cidade, correrão pelos muros, subirão ás casas, [10] pelas janellas entrarão como o ladrão.
10 Diante d’elle tremerá a terra, [11] abalar-se-hão os céus; o sol e a lua se ennegrecerão, e as estrellas retirarão o seu resplandor.
11 E o Senhor levanta a sua voz diante [12] do seu exercito; porque muitissimos são os seus arraiaes; [13] porque poderoso é, fazendo a sua palavra; porque o dia do Senhor é grande e mui terrivel, e quem o poderá soffrer?
12 Ora, pois, tambem falla o Senhor: [14] Convertei-vos a mim com todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto.
13 E rasgae [15] o vosso coração, e não os vossos vestidos, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque elle é misericordioso, [16] e é clemente, e tardio em irar-se, e grande em beneficencia, e se arrepende do mal.
14 Quem [17] sabe se se converterá e se arrependerá, [18] e deixará após si uma benção, em offerta de manjar e libação para o Senhor vosso Deus?
15 Tocae a buzina [19] em Sião, sanctificae um jejum, apregoae um dia de prohibição.
16 Congregae o povo, sanctificae a congregação, [20] ajuntae os anciãos, congregae os filhinhos, e os que mamam os peitos: saia o noivo da sua recamara, [21] e a noiva do seu thalamo.
17 Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, [22] entre o alpendre e o altar, e digam: [23] Poupa a teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opprobrio, para que as nações façam mofa d’elle; porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?
Promessa de abundancia.
18 Então o Senhor [24] terá zelo da sua terra, e se compadecerá do seu povo.
19 E o Senhor responderá, e dirá ao seu povo: Eis que vos envio o trigo, [25] e o mosto, e o oleo, e d’elles sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opprobrio entre as nações.
20 E [26] aquelle que é do norte farei partir para longe de vós, e lançal-o-hei em uma terra secca e deserta: a sua face para o mar oriental, e a sua extremidade para o mar occidental; e subirá o seu fedor, e subirá a sua podridão; porque fez grandes coisas.
21 Não temas, ó terra: regozija-te e alegra-te; porque o Senhor fez grandes coisas.
22 Não temaes, [27] animaes do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fructo, a vide e a figueira darão a sua força.
23 E vós, filhos de Sião, [28] regozijae-vos e alegrae-vos no Senhor vosso Deus, porque elle vos dará ensinador de justiça, [29] e vos fará descer a chuva, a temporã e a serodia, no primeiro mez.
24 E as eiras se encherão de trigo, e os lagares trasbordarão de mosto e de oleo.
25 E restituir-vos-hei os annos [30] que comeu o gafanhoto, a locusta, e o pulgão e a aruga, o meu grande exercito que enviei contra vós.
26 E comereis abundantemente [31] e até fartar-vos, e louvareis o nome do Senhor vosso Deus, o qual obrou para comvosco maravilhosamente; e o meu povo não será envergonhado para sempre.
27 E vós sabereis [32] que eu estou no meio de Israel, e que eu sou o Senhor vosso Deus, [33] e ninguem mais: e o meu povo não será envergonhado para sempre.
Promessa da effusão do Espirito.
28 E ha de ser que, depois, [34] derramarei o meu Espirito sobre toda a carne, e vossos filhos [35] e vossas filhas prophetizarão, os vossos velhos sonharão sonhos, os vossos mancebos verão visões.
29 E tambem sobre os servos e sobre as servas n’aquelles dias [36] derramarei o meu Espirito.
30 E darei [37] prodigios no céu, e na terra, sangue e fogo, e columnas de fumo.
31 O sol [38] se converterá em trevas, e a lua em sangue, [39] antes que venha o grande e terrivel dia do Senhor.
32 E ha de ser que todo aquelle que invocar [40] o nome do Senhor escapará; porque no monte de Sião e em Jerusalem haverá livramento, assim como o Senhor tem dito, [41] e nos que restarem, os quaes o Senhor chamará.
[1] Jer. 4.5. ver. 15. Num. 10.5, 9.
[2] cap. 1.15. Abd. 15. Sof. 1.14, 15.
[3] Amós 5.18, 20.
[4] ver. 5, 11. cap. 1.6. Exo. 10.14.
[5] cap. 1.19, 20. Gen. 2.8 e 13.10. Isa. 51.3. Zac. 7.14.
[6] Apo. 9.7.
[7] Apo. 9.9.
[8] ver. 2.
[9] Jer. 8.21. Lam. 4.8. Nah. 2.10.
[10] Jer. 9.21. João 10.1.
[11] Isa. 13.10. Eze. 32.7. Mat. 24.29.
[12] Jer. 25.30. cap. 3.16. Amós 1.2.
[13] Jer. 50.24. Apo. 18.8. Sof. 1.15. Num. 24.23. Mal. 3.2.
[14] Jer. 4.1. Ose. 12.6 e 14.2.
[15] Gen. 37.34. II Sam. 1.11. Job 1.20.
[16] Jon. 4.2.
[17] Jos. 14.12. II Sam. 12.22. Amós 5.15. Jon. 3.9.
[18] cap. 1.9, 13.
[19] Num. 10.3. ver. 1. cap. 1.14.
[20] Exo. 19.10, 22. cap. 1.14.
[21] I Cor. 7.5.
[22] Eze. 8.16. Mat. 23.35.
[23] Exo. 32.11, 12. Deu. 9.26-29.
[24] Zac. 1.14 e 8.2. Deu. 32.36.
[25] cap. 1.10. Mal. 3.10, 11, 12.
[26] Exo. 10.19. Jer. 1.14. Eze. 47.18. Zac. 14.8. Deu. 11.24.
[27] cap. 1.18, 20. Zac. 8.12. cap. 1.19.
[28] Isa. 41.16 e 61.10. Hab. 3.13. Zac. 10.7.
[29] Deu. 2.14 e 28.12. Thi. 5.7.
[30] cap. 1.4.
[31] Lev. 26.5, 16. Miq. 6.14.
[32] cap. 3.17. Lev. 26.11, 12. Eze. 37.26, 27, 28.
[33] Isa. 45.5, 21, 22. Eze. 39.22, 28.
[34] Isa. 44.3. Eze. 39.29. Act. 2.17. Zac. 12.10.
[35] Isa. 54.13. Act. 21.9.
[36] I Cor. 12.13. Col. 3.11.
[37] Mat. 24.29. Mar. 13.24. Luc. 21.11, 25.
[38] ver. 10. Isa. 13.9, 10. cap. 3.1, 15. Mat. 24.29. Mar. 13.24. Luc. 21.25. Apo. 6.12.
[39] Mal. 4.5.
[40] Rom. 10.13.
[41] Isa. 46.13 e 59.20. Rom. 11.26. Rom. 9.27 e 11.5, 7.
Os juizos de Deus sobre as nações inimigas: Israel será restaurado.
3 Porque, [1] eis que n’aquelles dias, e n’aquelle tempo, em que farei tornar o captiveiro de Judah e de Jerusalem,
2 Então congregarei [2] todas as nações, e as farei descer ao valle de Josaphat; e ali com ellas entrarei em juizo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elles espalharam entre as nações e repartiram a minha terra.
3 E lançaram a sorte [3] sobre o meu povo, e deram um menino por uma meretriz, e venderam uma menina por vinho, para beberem.
4 E tambem que tendes vós comigo, [4] Tyro e Sidon, e todos os termos da Palestina? É tal o pago que vós me daes? pois se me pagaes assim, bem depressa vos farei tornar a vossa paga sobre a vossa cabeça.
5 Porque levastes a minha prata e o meu oiro, e as minhas coisas desejaveis e formosas mettestes nos vossos templos.
6 E vendestes os filhos de Judah e os filhos de Jerusalem aos filhos dos gregos, para os apartar para longe dos seus termos.
7 Eis que [5] eu os suscitarei do logar para onde os vendestes, e farei tornar a vossa paga sobre a vossa propria cabeça.
8 E venderei vossos filhos e vossas filhas na mão dos filhos de Judah, [6] que os venderão aos de Sheba, a uma nação remota, porque o Senhor o fallou.
9 Proclamae [7] isto entre as nações, sanctificae uma guerra; suscitae os valentes; cheguem-se, subam todos os homens de guerra.
10 Forjae [8] espadas das vossas enxadas, e lanças das vossas foices: diga o fraco: Forte sou eu.
11 Ajuntae-vos, [9] e vinde, todos os povos de em redor, e congregae-vos (ó Senhor, faze descer ali os teus fortes!);
12 Suscitem-se [10] as nações, e subam ao valle de Josaphat; mas ali me assentarei, para julgar todas as nações em redor.
13 Lançae [11] a foice, porque já está madura a sega: vinde, descei, porque o lagar está cheio, e os vasos dos lagares trasbordam, porque a sua malicia é grande.
14 Multidões, multidões no valle da decisão, [12] porque o dia do Senhor perto está, no valle da decisão.
15 O sol [13] e a lua ennegrecerão, e as estrellas retirarão o seu resplandor.
16 E [14] o Senhor bramará de Sião, e dará a sua voz de Jerusalem, e os céus e a terra tremerão; mas o Senhor será o refugio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel.
17 E [15] vós sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que habito em Sião, o monte da minha sanctidade; e Jerusalem será sanctidade; [16] estranhos não passarão mais por ella.
18 E ha de ser que, n’aquelle dia, os montes distillarão mosto, [17] e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judah estarão cheios de aguas; e sairá uma fonte da casa do Senhor, e regará o valle de Sittim.
19 O Egypto [18] se fará uma assolação, e Edom se fará um deserto de solidão, por causa da violencia que fizeram aos filhos de Judah, em cuja terra derramaram sangue innocente.
20 Mas Judah será habitada para sempre, [19] e Jerusalem de geração em geração.
21 E [20] alimparei o sangue dos que eu não alimpei, e o Senhor habitará em Sião.
[1] Jer. 30.3. Eze. 38.14.
[2] Zac. 14.2, 3, 4. II Chr. 20.26. ver. 12. Isa. 66.16. Eze. 38.22.
[3] Abd. 11. Nah. 3.10.
[4] Eze. 25.15, 16, 17.
[5] Isa. 43.5, 6 e 43.12. Jer. 23.8.
[6] Jer. 6.20.
[7] Isa. 8.9, 10. Jer. 46.3, 4. Eze. 38.7.
[8] Isa. 2.4. Miq. 4.3.
[9] ver. 2. Isa. 13.3.
[10] ver. 2. Isa. 2.4 e 3.13.
[11] Mat. 13.39. Apo. 14.15, 18. Jer. 51.33. Ose. 6.11. Lam. 1.15. Apo. 14.19, 20.
[12] ver. 2. cap. 2.1.
[13] cap. 2.10, 31.
[14] Jer. 25.30. cap. 2.11. Amós 1.2. Agg. 2.6. Isa. 51.5, 6.
[15] cap. 2.27. Dan. 11.45. Abd. 16. Zac. 8.3.
[16] Isa. 35.8 e 52.1. Nah. 1.15. Zac. 14.21.
[17] Amós 9.13. Isa. 30.25. Apo. 22.1.
[18] Isa. 19.1, etc. Jer. 49.17. Eze. 25.12, 13. Amós 1.11. Abd. 10.
[19] Amós 9.15.
[20] Isa. 4.4. Eze. 48.35. ver. 17. Apo. 21.3.
AMÓS.
Ameaças contra diversas nações e contra Judah.
[Antes de Christo 787]
1 As palavras de Amós, [1] que era d’entre os pastores de Tecoa, as quaes viu sobre Israel, nos dias de Uzias, rei de Judah, [2] e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel, [3] dois annos antes do terremoto.
2 E disse: [4] O Senhor bramará de Sião, e de Jerusalem dará a sua voz: as habitações dos pastores prantearão, [5] e seccar-se-ha o cume do Carmelo.
3 Assim diz o Senhor: [6] Por tres transgressões de Damasco, e por quatro, não o afastarei, porque trilharam a Gilead com trilhos de ferro.
4 Por isso [7] porei fogo á casa de Hazael, e consumirá os palacios de Benhadad.
5 E [8] quebrarei o ferrolho de Damasco, e exterminarei o morador de Biqueat-aven, e ao que tem o sceptro de Beth-eden; e o povo da Syria será levado em captiveiro a Kir, diz o Senhor.
6 Assim diz o Senhor: [9] Por tres transgressões de Gaza, e por quatro, não o afastarei, porque levaram em captiveiro todos os captivos para os entregarem a Edom.
7 Por isso [10] porei fogo ao muro de Gaza, que consumirá os seus palacios.
8 E [11] exterminarei o morador de Asdod, e o que tem o sceptro de Ascalon, e tornarei a minha mão contra Ecron; e o resto dos philisteos perecerá, diz o Senhor JEHOVAH.
9 Assim diz o Senhor: [12] Por tres transgressões de Tyro, e por quatro, não o afastarei, [13] porque entregaram todos os captivos a Edom, e não se lembraram da alliança dos irmãos.
10 Por isso [14] porei fogo ao muro de Tyro, que consumirá os seus palacios.
11 Assim diz o Senhor: [15] Por tres transgressões de Edom, e por quatro, não o afastarei, [16] porque perseguiu a seu irmão á espada, e corrompeu as suas misericordias; [17] e a sua ira despedaça eternamente, e retem a sua indignação para sempre.
12 Por isso porei fogo a Teman, que consumirá os palacios de Bozra.
13 Assim diz o Senhor: [18] Por tres transgressões dos filhos de Ammon, e por quatro, não o afastarei, [19] porque fenderam as gravidas de Gilead, para dilatarem os seus termos.
14 Por isso [20] porei fogo ao muro de Rabba, que consumirá os seus palacios, com alarido no dia da batalha, com tempestade no dia da tormenta.
15 E o seu rei irá para o captiveiro, elle e os seus principes juntamente, diz o Senhor.
[1] cap. 7.14. II Chr. 20.20.
[2] Ose. 1.1. cap. 7.10.
[3] Zac. 14.5.
[4] Jer. 25.30. Joel 3.16.
[5] I Sam. 25.2. Isa. 33.9.
[6] Isa. 8.4 e 17.1. Jer. 49.23. Zac. 9.1.
[7] Jer. 17.27 e 49.27. ver. 7, 10, 12. cap. 2.2, 5.
[8] Jer. 51.30. Lam. 2.9.
[9] Jer. 47.4, 5. Eze. 25.15. Sof. 2.4.
[10] ver. 9.
[11] Sof. 2.4. Zac. 9.5, 6. Jer. 47.4.
[12] Isa. 23.1. Jer. 47.4. Eze. 26 e 27 e 28. Joel 3.4, 5.
[13] ver. 6.
[14] ver. 4, 7, etc.
[15] Isa. 21.11. Jer. 49.8, etc. Eze. 25.12, 13, 14. Mal. 1.4.
[16] Gen. 27.41. Deu. 23.7. Mal. 1.2.
[17] Eze. 35.5.
[18] Jer. 49.1, 2. Eze. 25.2.
[19] Jer. 49.1.
[20] Deu. 3.11. II Sam. 12.26. Jer. 49.2. Eze. 25.5. cap. 2.2.
2 Assim diz o Senhor: [1] Por tres transgressões de Moab, e por quatro, não o afastarei, [2] porque queimou os ossos do rei de Edom, até os tornar em cal.
2 Por isso [3] porei fogo a Moab, e consumirá os palacios de Querioth: e Moab morrerá com grande estrondo, com alarido, com sonido de buzina.
3 E [4] exterminarei o juiz do meio d’elle, e a todos os seus principes com elle matarei, diz o Senhor.
4 Assim diz o Senhor: Por tres transgressões de Judah, e por quatro, não o afastarei, [5] porque rejeitaram a lei do Senhor, e não guardaram os seus estatutos, e as suas mentiras os enganaram, após as quaes andaram seus paes.
5 Por isso porei fogo a Judah, e consumirá os palacios de Jerusalem.
6 Assim diz o Senhor: [6] Por tres transgressões de Israel, e por quatro, não o afastarei, [7] porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos,
7 Suspirando pelo pó da terra sobre a cabeça dos pobres, [8] e pervertem o caminho dos mansos; e o homem e seu pae entram a uma mesma moça, para profanarem o meu sancto nome.
8 E se deitam junto a qualquer altar sobre as roupas empenhadas, [9] e bebem o vinho dos multados na casa de seus deuses.
9 Não obstante eu ter destruido o amorrheo diante d’elles, [10] cuja altura foi como a altura dos cedros, e foi forte como os carvalhos; mas destrui o seu fructo por cima, [11] e as suas raizes por baixo.
10 Tambem [12] vos fiz subir da terra do Egypto, e quarenta annos vos guiei no deserto, para que possuisseis a terra do amorrheo.
11 E a alguns d’entre vossos filhos suscitei para prophetas, [13] e alguns d’entre os vossos mancebos para nazireos; e não é isto assim, filhos de Israel? diz o Senhor.
12 Mas vós aos nazireos déstes vinho a beber, e aos prophetas mandastes, dizendo: [14] Não prophetizareis.
13 Eis que eu vos apertarei no vosso logar como se aperta um carro cheio de manolhos.
14 Assim que [15] perecerá a fugida ao ligeiro; nem o forte corroborará a sua força, nem o valente livrará a sua vida.
15 E não ficará em pé o que leva o arco, nem o ligeiro de pés se livrará, nem tão pouco o que vae montado a cavallo livrará a sua alma.
16 E o mais animoso entre os valentes fugirá nú n’aquelle dia, disse o Senhor.
[1] Isa. 15 e 16. Jer. 48. Eze. 25.8. Sof. 2.8.
[2] II Reis 3.27.
[3] Jer. 48.41. cap. 1.14.
[4] Jer. 48.7.
[5] Lev. 26.14, 15. Neh. 1.7. Dan. 9.11. Jer. 16.19, 20. Rom. 1.25.
[6] Jer. 17.27. Ose. 8.14.
[7] Isa. 29.21. cap. 8.6.
[8] Isa. 10.2. Eze. 22.11. Lev. 20.3. Eze. 36.20. Rom. 2.24.
[9] Exo. 22.26. Eze. 23.41. I Cor. 8.10 e 10.21.
[10] Num. 21.24. Deu. 2.31. Jos. 24.8. Num. 13.28, 32, 33.
[11] Mal. 4.1.
[12] Exo. 12.51. Miq. 6.4. Deu. 2.7 e 8.2.
[13] Num. 6.2. Jui. 13.5.
[14] Jer. 11.21. cap. 7.12, 13. Miq. 2.6.
[15] cap. 9.1, etc. Jer. 9.23.
Os vicios e maldades de Israel: o annuncio de castigo.
3 Ouvi esta palavra que o Senhor falla contra vós, filhos de Israel, a saber, contra toda a geração que fiz subir da terra do Egypto, dizendo:
2 De [1] todas as gerações da terra a vós vos conheci só; portanto, todas as vossas injustiças visitarei sobre vós.
3 Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de concerto?
4 Bramará o leão no bosque, sem que elle tenha preza? levantará o leãosinho a sua voz da sua cova, se nada tiver apanhado?
5 Cairá a ave no laço em terra, se não houver laço para ella? levantar-se-ha o laço da terra, sem que tenha apanhado alguma coisa?
6 Tocar-se-ha a buzina na cidade; e o povo não estremecerá? [2] Succederá algum mal na cidade, o qual o Senhor não haja feito?
7 Certamente o Senhor JEHOVAH não fará coisa alguma, [3] sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os prophetas.
8 Bramou o leão, [4] quem não temerá? Fallou o Senhor JEHOVAH, quem não prophetizará?
9 Fazei-o ouvir nos palacios de Asdod, e nos palacios da terra do Egypto, e dizei: Ajuntae-vos sobre os montes de Samaria, e vêde os grandes alvoroços no meio d’ella, e os opprimidos dentro d’ella.
10 Porque [5] não sabem fazer o que é recto, diz o Senhor, enthesourando nos seus palacios a violencia e a destruição.
11 Portanto, o Senhor JEHOVAH diz assim: [6] O inimigo virá, e cercará a terra, derribará de ti a tua fortaleza, e os teus palacios serão saqueados.
12 Assim diz o Senhor: Assim como o pastor livra da bocca do leão as duas pernas, ou um pedacinho da orelha, assim serão livrados os filhos de Israel que habitam em Samaria, no canto da cama, e na barra do leito.
13 Ouvi, e protestae na casa de Jacob, diz o Senhor JEHOVAH, o Deus dos Exercitos:
14 N’aquelle dia, em que eu visitar as transgressões de Israel sobre elle, tambem farei visitação sobre os altares de Beth-el; e os cornos do altar serão cortados, e cairão em terra.
15 E ferirei a [7] casa de inverno com a casa de verão; e as casas de marfim perecerão, e as grandes casas terão fim, diz o Senhor.
[1] Deu. 7.6 e 10.15. Dan. 9.12. Luc. 12.47. Rom. 2.9. I Ped. 4.17.
[2] Isa. 45.7.
[3] Gen. 6.13 e 18.17. João 15.15.
[4] cap. 1.2. Act. 4.20 e 5.20, 29. I Cor. 9.16.
[5] Jer. 4.22.
[6] II Reis 17.3, 6 e 18.9, 10, 11.
[7] Jer. 36.22. Jui. 3.20.
4 Ouvi esta palavra, vós, [1] vaccas de Basan, vós, que estaes no monte de Samaria, vós, que opprimis aos pobres, que quebrantaes os necessitados, vós, que dizeis a seus senhores: Dae cá, para que bebamos.
2 Jurou o Senhor JEHOVAH, pela sua sanctidade, que eis que dias estão para vir sobre vós, em que vos levarão com anzoes [2] e a vossos descendentes com anzoes de pesca.
3 E saireis [3] pelas brechas, uma após outra, e lançareis fóra o que levastes para o palacio, disse o Senhor.
4 Vinde a Beth-el, [4] e transgredi, em Gilgal augmentae as transgressões, [5] e de manhã trazei os vossos sacrificios, e os vossos dizimos ao terceiro dia.
5 E [6] queimae o sacrificio de louvores do pão levedado, e apregoae os sacrificios voluntarios, fazei-o ouvir; porque assim o quereis, ó filhos de Israel, disse o Senhor JEHOVAH.
6 Por isso tambem vos dei limpeza de dentes em todas as vossas cidades, e falta de pão em todos os vossos logares; [7] comtudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.
7 Além d’isso, retive de vós a chuva, faltando ainda tres mezes até á sega; e fiz chover sobre uma cidade, e sobre outra cidade não fiz chover; sobre um campo choveu, mas o outro, sobre o qual não choveu, se seccou.
8 E andaram vagabundas duas ou tres cidades a uma cidade, para beberem agua, mas não se saciaram: [8] comtudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.
9 Feri-vos [9] com queimadura, e com ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, comeu a locusta; comtudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.
10 Enviei a peste contra vós, á maneira do Egypto: [10] os vossos mancebos matei á espada, e os vossos cavallos deixei levar presos, [11] e o fedor dos vossos exercitos fiz subir aos vossos narizes; comtudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.
11 Subverti a alguns d’entre vós, [12] como Deus subverteu a Sodoma e Gomorrah, sendo vós como um tição arrebatado do incendio; [13] comtudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.
12 Portanto, assim te farei, ó Israel! Porquanto pois isto te farei, [14] prepara-te, ó Israel, a encontrares o teu Deus.
13 Porque eis que o que fórma os montes, e cria o vento, [15] e declara ao homem qual seja o seu pensamento, o que faz da manhã trevas, e piza os altos da terra, [16] o Senhor Deus dos Exercitos é o seu nome.
[1] Eze. 39.19.
[2] Jer. 16.16. Hab. 1.15.
[3] Eze. 12.5, 12.
[4] Eze. 20.39. Ose. 4.15 e 12.11. cap. 5.5.
[5] Deu. 14.28.
[6] Lev. 7.13 e 23.17. Lev. 22.18, 21.
[7] Jer. 5.3. Agg. 2.17. ver. 8, 9.
[8] ver. 6, 10, 11.
[9] Deu. 28.22.
[10] Exo. 9.3, 6 e 12.29. Deu. 28.27, 60.
[11] ver. 6.
[12] Gen. 19.24, 25. Isa. 13.19. Jer. 49.18. Zac. 3.12. Jud. 23.
[13] ver. 6.
[14] Eze. 13.5. Luc. 14.31, 32.
[15] Dan. 2.28. cap. 5.8 e 8.9. Deu. 32.13 e 33.29. Miq. 1.3.
[16] Isa. 47.4. Jer. 10.16. cap. 5.8 e 9.6.
Predicção da ruina de Israel.
5 Ouvi esta palavra, [1] que levanto sobre vós uma lamentação, ó casa de Israel.
2 A virgem de Israel caiu, nunca mais tornará a levantar-se: desamparada está na sua terra, não ha quem a levante.
3 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH: A cidade da qual saem mil conservará cem, e aquella da qual saem cem conservará dez á casa de Israel.
4 Porque assim diz o Senhor á casa de Israel: Buscae-me, e vivei.
5 Porém [2] não busqueis a Beth-el, nem venhaes a Gilgal, nem passeis [3] a Berseba, porque Gilgal certamente será levado captivo, e Beth-el será desfeito em nada.
6 Buscae ao Senhor, [4] e vivei, para que não accommetta a casa de José como um fogo, e a consuma, e não haja em Beth-el quem o apague.
7 (Os que [5] pervertem o juizo em alosna, e deitam na terra a justiça.)
8 O [6] que faz o setestrello, e o orion, e torna a sombra da noite em manhã, e escurece o dia como a noite, [7] que chama as aguas do mar, e as derrama sobre a terra, o Senhor é o seu nome.
9 O que esforça o despojado contra o forte: assim que venha a assolação contra a fortaleza.
10 Na porta [8] aborrecem o que os reprehende, e abominam o que falla sinceramente.
11 Portanto, visto que pizaes o pobre, e d’elle tomaes [ADE] um cargo de trigo, edificastes casas de pedras lavradas, [9] mas n’ellas não habitareis; vinhas desejaveis plantastes, mas não bebereis do seu vinho.
12 Porque sei que são muitas as vossas transgressões, e grossos os vossos peccados: [10] affligem o justo, tomam [ADF] resgate, e rejeitam os necessitados na porta.
13 Portanto, o prudente n’aquelle tempo se calará, porque o tempo será mau.
14 Buscae o bem, e não o mal, para que vivaes: [11] e assim o Senhor, o Deus dos Exercitos, estará comvosco, como dizeis.
15 Aborrecei o mal, [12] e amae o bem, e estabelecei o juizo na porta: porventura o Senhor, o Deus dos Exercitos, terá piedade do resto de José.
16 Portanto, assim diz o Senhor Deus dos Exercitos, o Senhor: Em todas as ruas haverá pranto, e em todos os bairros dirão: [13] Ai! ai! E ao lavrador chamarão a choro, e ao pranto aos que souberem prantear.
17 E em todas as vinhas haverá pranto; [14] porque passarei pelo meio de ti, diz o Senhor.
18 Ai [15] d’aquelles que desejam o dia do Senhor! para que pois vos será este dia do Senhor? trevas será e não luz.
19 Como [16] o que foge de diante do leão, e se encontra com elle o urso, ou como se entrasse n’uma casa, e a sua mão encostasse á parede, e fosse mordido d’uma cobra.
20 Não será pois o dia do Senhor trevas e não luz? e escuridade, sem que haja resplandor?
21 Aborreço, [17] desprezo as vossas festas, [ADG] e os vossos dias de prohibição não me darão bom cheiro.
22 Porque [18] ainda que me offereceis holocaustos, como tambem as vossas offertas de manjares, não me agrado d’ellas: nem attentarei para as offertas pacificas de vossos animaes gordos.
23 Affasta de mim o estrepito dos teus canticos; porque não ouvirei as psalmodias dos teus instrumentos.
24 Corra porém o [19] juizo como as aguas, e a justiça como o ribeiro impetuoso.
25 Haveis-me porventura offerecido sacrificios e offertas no deserto por quarenta annos, [20] ó casa de Israel?
26 Antes levastes a tenda de vosso Moloch, e a estatua das vossas imagens, a estrella do vosso deus, que fizestes para vós mesmos.
27 Portanto vos levarei captivos, para além de Damasco, [21] diz o Senhor, cujo nome é o Deus dos exercitos.
[1] Jer. 7.29. Eze. 19.1 e 27.2.
[2] II Chr. 15.2. Jer. 29.13. ver. 6. Isa. 55.3.
[3] cap. 4.4 e 8.14. Ose. 4.15.
[4] ver. 4.
[5] cap. 6.12.
[6] Job 9.9 e 38.31.
[7] Job 38.34. cap. 9.6. cap. 4.13.
[8] Isa. 28.21. I Reis 22.8.
[9] Deu. 28.30, 33, 39. Miq. 6.15. Sof. 1.13. Agg. 1.6.
[10] cap. 2.6. Isa. 29.21.
[11] Miq. 3.11.
[12] Rom. 12.9. Exo. 32.30. II Reis 19.4.
[13] Jer. 9.17.
[14] Exo. 12.12. Nah. 1.12.
[15] Isa. 5.19. Eze. 12.22, 27. Jer. 30.7. Joel 2.2. Sof. 1.15.
[16] Jer. 48.44.
[17] Pro. 21.27. Jer. 6.20. Ose. 8.13.
[18] Miq. 6.6, 7.
[19] Miq. 6.8.
[20] Deu. 32.17. Jos. 24.14. Eze. 20.8, 16, 24. Act. 7.42. Isa. 43.23.
[21] cap. 4.13.
A corrupção de Israel. Ameaças.
6 Ai dos [1] descançados em Sião, e dos seguros no monte de Samaria: [2] que teem nome entre as primeiras das nações, e aos quaes se foi a casa de Israel!
2 Passae a Calne, [3] e vêde; e d’ali ide á grande Hamath; [4] e descei a Gath dos philisteos, se são melhores que estes reinos, ou maior o seu termo do que o vosso termo.
3 Vós que affastaes [5] o dia mau, e achegaes o assento de violencia.
4 Os que dormem em camas de marfim, e se estendem sobre os seus leitos, e comem os cordeiros do rebanho, e os bezerros do meio da manada:
5 Que cantam [6] ao som do alaúde, e inventam para si instrumentos musicos, assim como David:
6 Que bebem vinho de taças, e se ungem com o mais excellente oleo: mas não se affligem [ADH] pela quebra de José:
7 Portanto agora irão em captiveiro entre os primeiros dos que forem em captiveiro, e cessarão os festins dos estendidos.
8 Jurou [7] o Senhor JEHOVAH pela sua alma (diz o Senhor Deus dos exercitos): Tenho em abominação a soberba de Jacob, e aborreço os seus palacios; [8] e entregarei a cidade e a sua plenitude.
9 E acontecerá que, ficando de resto dez homens n’uma casa, morrerão.
10 E a alguem tomará o seu tio, ou o que o queima, para levar os ossos fóra da casa; e dirá ao que estiver nos cantos da casa: Está ainda alguem comtigo? E elle dirá: Nenhum. E dirá este: [9] Cala-te, porque não convem fazer menção do nome do Senhor.
11 Porque, eis que [10] o Senhor dá ordem, e ferirá a casa grande de [ADI] quebraduras, e a casa pequena de fendas.
12 Porventura correrão cavallos na rocha? arar-se-ha n’ella com bois? porque haveis vós tornado o juizo em fel, [11] e o fructo da justiça em alosna?
13 Vós que vos alegraes de nada, vós que dizeis: Não nos temos nós tornado poderosos por nossa força?
14 Porque, eis que eu levantarei sobre vós, ó casa de Israel, um povo, diz o Senhor Deus dos Exercitos, [12] e opprimir-vos-hão, desde [13] a entrada de Hamath até ao ribeiro da planicie.
[1] Luc. 6.24.
[2] Exo. 19.5.
[3] Isa. 10.9. II Reis 18.34.
[4] II Chr. 26.6.
[5] cap. 5.18 e 9.10. ver. 12.
[6] Isa. 5.12.
[7] Jer. 51.14. Heb. 6.13, 17.
[8] cap. 8.7.
[9] cap. 5.13 e 8.3.
[10] cap. 3.15.
[11] Ose. 10.4. cap. 5.7.
[12] Jer. 5.15.
[13] Num. 34.8.
A visão da locusta, do fogo e do prumo.
7 O Senhor JEHOVAH assim me fez ver, e eis que formava gafanhotos no principio do arrebento da herva serodia, e eis que havia a herva serodia depois da segada do rei.
2 E aconteceu que, como elles de todo tivessem comido a herva da terra, eu disse: Senhor JEHOVAH, ora perdoa: [1] como se levantará Jacob? porque é pequeno.
3 Então [2] o Senhor se arrependeu d’isso. Isto não acontecerá, disse o Senhor.
4 Assim me mostrou o Senhor JEHOVAH, e eis que o Senhor JEHOVAH chamava, que queria contender por fogo; o consumiu o grande abysmo, e tambem consumiu uma parte d’elle.
5 Então eu disse: Senhor JEHOVAH, cessa agora; [3] como se levantará Jacob? porque é pequeno.
6 E o Senhor se arrependeu d’isso. Nem isto acontecerá, disse o Senhor JEHOVAH.
7 Mostrou-me tambem assim; e eis que o Senhor estava sobre um muro, feito a prumo: e tinha um prumo na sua mão.
8 E o Senhor me disse: Que vês tu, Amós? E eu disse: Um prumo. Então disse o Senhor: [4] Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel, e d’aqui por diante nunca mais passarei por elle.
9 Mas os altos de Isaac serão [5] assolados, e destruidos os sanctuarios de Israel; [6] e levantar-me-hei com a espada contra a casa de Jeroboão.
10 Então [7] Amazia, o sacerdote em Beth-el, enviou a Jeroboão, rei de Israel, dizendo: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá soffrer todas as suas palavras.
11 Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá á espada, e Israel certamente será levado para fóra da sua terra em captiveiro.
12 Depois Amazia disse a Amós: Vae-te, ó vidente, e foge para a terra de Judah, e ali come o pão, e ali prophetiza;
13 Mas em Beth-el d’aqui por diante não [8] prophetizarás mais, porque é o sanctuario do rei e a casa do reino.
14 E respondeu Amós, e disse a Amazia: [9] Eu não era propheta, nem filho de propheta, mas boieiro, [ADJ] e colhia figos bravos.
15 Porém o Senhor me tomou de detraz do gado, e o Senhor me disse: Vae-te, e prophetiza ao meu povo Israel.
16 Ora, pois, ouve a palavra do Senhor: Tu dizes: [10] Não prophetizarás contra Israel, nem derramarás as tuas palavras contra a casa de Isaac.
17 Portanto assim diz o Senhor: [11] Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão á espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra immunda, e Israel certamente será levado captivo para fóra da sua terra.
[1] ver. 5.
[2] ver. 6.
[3] ver. 2, 3.
[4] Lam. 2.8.
[5] Gen. 26.23. cap. 5.5 e 8.14.
[6] II Reis 15.10.
[7] I Reis 12.32. II Reis 14.23.
[8] cap. 2.12. I Reis 12.32.
[9] I Reis 20.35. II Reis 2.5 e 4.38 e 6.1. cap. 1.1. Zac. 13.5.
[10] Eze. 21.2. Miq. 2.6.
[11] Jer. 29.21, 25, 31, 32. Isa. 13.16. Lam. 5.11. Ose. 4.13. Zac. 14.2.
A visão d’um cesto de fructos. Ameaças contra Israel.
8 O Senhor JEHOVAH assim me mostrou: e eis aqui um cesto de fructos do verão.
2 E disse: Que vês, Amós? E eu disse: Um cesto de fructos do verão. Então o Senhor me disse: Tem [1] vindo o fim sobre o meu povo Israel; d’aqui por diante nunca mais passarei por elle.
3 Mas os canticos do templo serão ouvidos n’aquelle dia, diz o Senhor JEHOVAH: multiplicar-se-hão os cadaveres, em todos os logares, serão lançados fóra em silencio.
4 Ouvi isto, vós que [ADK] anhelaes o abatimento do necessitado; e isto para destruirdes os miseraveis da terra:
5 Dizendo: Quando passará a lua nova, para vendermos o grão? [2] e o sabbado, para abrirmos os celleiros de trigo? diminuindo o epha, [3] e augmentando o siclo, e falsificando as balanças enganosas;
6 Para comprarmos os pobres por dinheiro, [4] e os necessitados por um par de sapatos? então venderemos as cascas do trigo.
7 Jurou o Senhor pela [5] gloria de Jacob: Eu me não esquecerei de todas as suas obras para sempre.
8 Por causa [6] d’isto não se commoveria a terra? e não choraria todo aquelle que habita n’ella? certamente levantar-se-ha toda como um rio, e será arrojada, [7] e será fundida como pelo rio do Egypto.
9 E [8] succederá que, n’aquelle dia, diz o Senhor, farei que o sol se ponha ao meio dia, e a terra se entenebreça no dia da luz.
10 E tornarei as vossas festas em luto, e todos os vossos canticos em lamentações, [9] e farei pôr sacco sobre todos os lombos, e calva sobre toda a cabeça; [10] e farei que isso seja como luto do filho unico, e o seu fim como dia de amarguras.
11 Eis que veem dias, diz o Senhor JEHOVAH, em que enviarei fome sobre a terra, não fome de pão, nem sêde de agua, [11] mas de ouvir as palavras do Senhor.
12 E irão vagabundos de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente: correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão.
13 N’aquelle dia as virgens formosas e os mancebos desmaiarão á sêde.
14 Os [12] que juram pelo delicto de Samaria, e dizem: Vive o teu deus, ó Dan, e: Vive o caminho de [ADL] Berseba; e cairão, e não se levantarão mais.
[1] Eze. 7.2. cap. 7.8.
[2] Neh. 13.15, 16.
[3] Miq. 6.10, 11.
[4] cap. 2.6.
[5] cap. 6.8. Ose. 8.13.
[6] Ose. 4.3.
[7] Eze. 26 e 27 e 28.
[8] Job 5.14. Isa. 13.10 e 59.9, 10. Jer. 15.9. Miq. 3.6.
[9] Isa. 15.2, 3. Jer. 48.37. Eze. 7.18 e 27.31.
[10] Jer. 6.26. Zac. 12.10.
[11] I Sam. 3.1. Eze. 7.26.
[12] Ose. 4.15. Deu. 9.21.
Visão da ruina do altar: promessa de restauração.
9 Vi o Senhor, que estava em pé sobre o altar, e me disse: Fere o capitel, e estremeçam os umbraes, [1] e corta-lhes em pedaços a cabeça a todos elles; e eu matarei á espada até ao ultimo d’elles: o que fugir d’entre elles não escapará, nem o que escapar d’entre elles se salvará.
2 Ainda que cavem até ao inferno, a minha mão os tirará d’ali, [2] e, se subirem ao céu, d’ali os farei descer.
3 E, se se esconderem no cume do Carmelo, buscal-os-hei, e d’ali os tirarei; e, se se occultarem aos meus olhos no fundo do mar, ali darei ordem á serpente, e ella os morderá.
4 E, se forem em captiveiro diante de seus inimigos, [3] ali darei ordem á espada que os mate; [4] e eu porei o meu olho sobre elles para mal, e não para bem.
5 Porque o Senhor JEHOVAH dos Exercitos é o que toca a terra, [5] e ella se derreterá, e todos os que habitam n’ella chorarão; e ella subirá toda como um rio, e submergirá como pelo rio do Egypto.
6 Elle é o que edifica [ADM] os seus degraus no céu, e [ADN] o seu esquadrão fundou na terra, [6] e o que chama as aguas do mar, e as derrama sobre a terra: o Senhor é o seu nome.
7 Não me sois, vós, ó filhos de Israel, como os filhos dos ethiopes? diz o Senhor; não fiz eu subir a Israel da terra do Egypto, [7] e aos philisteos de Caphtor, e aos syrios de Kir?
8 Eis que [8] os olhos do Senhor JEHOVAH estão contra este reino peccador, [9] e eu o destruirei de sobre a face da terra, excepto que não destruirei de todo a casa de Jacob, diz o Senhor.
9 Porque eis que darei ordem, e sacudirei a casa de Israel entre todas as nações, assim como se sacode grão no crivo, sem que caia na terra um só grão.
10 Todos os peccadores do meu povo morrerão á espada, [10] os que dizem: Não se avisinhará nem nos encontrará o mal.
11 N’aquelle dia [11] tornarei a levantar a caida tenda de David, e cercarei as suas aberturas, e tornarei a levantar as suas ruinas, e a edificarei como nos dias da antiguidade;
12 [12] Para que possuam o restante de Edom, e todas as nações que são chamadas pelo meu nome, diz o Senhor, que faz isto.
13 Eis que [13] veem dias, diz o Senhor, em que o que lavra alcançará ao que sega, e o que piza as uvas ao que semeia a semente, [14] e os montes distillarão mosto, e todos os outeiros se derreterão.
14 E [15] tornarei o captiveiro do meu povo Israel, e reedificarão as cidades assoladas, e n’ellas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão jardins, e lhes comerão o fructo.
15 E [16] os plantarei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus.
[1] Hab. 3.13. cap. 2.14.
[2] Job 20.6. Jer. 51.53. Oba. 4.
[3] Lev. 26.33. Deu. 28.65. Eze. 5.12.
[4] Lev. 17.10. Jer. 44.11.
[5] Miq. 1.4. cap. 8.8.
[6] cap. 5.8. cap. 4.13.
[7] Jer. 47.4. Deu. 2.23. cap. 1.5.
[8] ver. 4.
[9] Jer. 30.11 e 31.35, 36.
[10] cap. 6.3.
[11] Act. 15.16, 17.
[12] Oba. 19. Num. 24.18.
[13] Lev. 26.5.
[14] Joel 3.18.
[15] Jer. 30.3. Isa. 61.4 e 65.21. Eze. 36.33-36.
[16] Isa. 60.21. Eze. 34.28. Joel 3.20.
OBADIAS.
Os peccados e o castigo de Edom: a restauração e felicidade de Israel.
[Antes de Christo 587]
1 Visão de Obadias: [1] Assim diz o Senhor JEHOVAH a Edom: Temos ouvido a prégação do Senhor, e foi enviado entre as nações um embaixador; levantae-vos, e levantemo-nos contra ella para a guerra.
2 Eis que te fiz pequeno entre as nações; tu és mui desprezado.
3 A soberba do teu coração te enganou, [2] como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derribará em terra?
4 Se [3] te elevares como aguia, e pozeres o teu ninho entre as estrellas, d’ali te derribarei, diz o Senhor.
5 Se viessem a ti ladrões, [4] ou roubadores de noite (como és destruido!), porventura não furtariam o que lhes bastasse? se a ti viessem os vindimadores, [5] porventura não deixariam rabisco?
6 Como foram esquadrinhadas as coisas de Esaú! como foram investigados os seus esconderijos!
7 Todos os teus confederados te levaram para fóra até aos limites: os que gozam da tua paz te enganaram, [6] prevaleceram contra ti; os que comem o teu pão pozeram debaixo de ti uma armadilha: não ha n’elle entendimento.
8 Porventura [7] não acontecerá n’aquelle dia, diz o Senhor, que farei perecer os sabios de Edom, e o entendimento da montanha de Esaú?
9 E os teus valentes, [8] ó Teman, estarão atemorisados, para que da montanha de Esaú seja cada um exterminado pela matança.
10 Por [9] causa da violencia feita a teu irmão Jacob, cobrir-te-ha a confusão, e serás exterminado para sempre.
11 No dia em que o confrontaste, no dia em que os forasteiros levavam captivo o seu exercito, e os estranhos entravam pelas suas portas, [10] e lançavam sortes sobre Jerusalem, tu eras tambem como um d’elles.
12 Então tu não devias ver satisfeito o dia de teu irmão, [11] no dia do seu desterro; [12] nem alegrar-te sobre os filhos de Judah, no dia da sua ruina; nem alargar a tua bocca, no dia da angustia;
13 Nem entrar pela porta do meu povo, no dia da sua calamidade; nem tão pouco devias ver satisfeito o seu mal, no dia da sua calamidade; nem estender as tuas mãos contra o seu exercito, no dia da sua calamidade;
14 Nem parar nas encruzilhadas, para lhe exterminares os que escapassem: nem entregar os que lhe restassem, no dia da angustia.
15 Porque [13] o dia do Senhor está perto, sobre todas as nações: [14] como tu fizeste, assim se fará comtigo: a tua recompensa tornará sobre a tua cabeça.
16 Porque, [15] como vós bebestes no monte da minha sanctidade, beberão tambem de continuo todas as nações: beberão, e engulirão, e serão como se nunca fossem.
17 Porém [16] no monte de Sião haverá livramento; e elle será sanctidade; e os da casa de Jacob possuirão as suas herdades.
18 E a casa de Jacob será fogo, [17] e a casa de José chamma, e a casa de Esaú palha; e se accenderão contra elles, e os consumirão; e ninguem mais restará da casa de Esaú, porque o Senhor o fallou.
19 E os do sul possuirão a montanha de Esaú, e os das planicies os philisteos: possuirão tambem [18] os campos de Ephraim, e os campos de Samaria; e Benjamin a Gilead.
20 E os captivos d’este exercito, dos filhos de Israel, o que era dos [19] cananitas, até Zarephath; e os captivos de Jerusalem, o que está em Sepharad, possuirão as cidades do sul.
21 E levantar-se-hão salvadores [20] no monte Sião, para julgarem a montanha de Esaú; e o reino será do Senhor.
[1] Jer. 49.14, etc.
[2] Isa. 14.13, 14, 15. Apo. 18.7.
[3] Job 20.6. Jer. 49.16 e 51.53. Amós 9.2. Hab. 2.9.
[4] Jer. 49.9.
[5] Deu. 24.21. Isa. 17.6 e 24.13.
[6] Jer. 38.22.
[7] Job 5.12, 13. Isa. 29.14. Jer. 49.7.
[8] Amós 2.16. Jer. 49.7.
[9] Gen. 27.41. Amós 1.11. Eze. 35.9. Mal. 1.4.
[10] Joel 3.3. Nah. 3.10.
[11] Miq. 4.11 e 7.10.
[12] Job 31.29. Pro. 17.5 e 24.17, 18. Miq. 7.8.
[13] Eze. 30.3. Joel 3.15.
[14] Eze. 35.14. Hab. 2.8.
[15] Jer. 25.28, 29 e 49.12. Joel 3.17. I Ped. 4.17.
[16] Joel 2.32. Amós 9.8.
[17] Isa. 10.17. Zac. 12.6.
[18] Amós 9.12. Sof. 2.7.
[19] I Reis 17.9, 10. Jer. 32.44.
[20] Thi. 5.20. Zac. 14.9. Luc. 1.33. Apo. 11.15 e 19.6.
JONAS.
A vocação de Jonas; a sua fugida e o seu castigo.
[Antes de Christo 862]
1 E veiu a palavra do Senhor a [1] Jonas, filho de Amittai, dizendo:
2 Levanta-te, [2] vae á grande cidade de Ninive, e apregoa contra ella, [3] porque a sua malicia subiu até mim.
3 E Jonas se levantou [4] para fugir de diante da face do Senhor para Tarsis, e desceu a Joppe, e achou que um navio ia para Tarsis, e deu a sua passagem, e desceu para dentro d’elle, para ir com elles para Tarsis, [5] de diante da face do Senhor.
4 Mas o Senhor lançou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava para quebrar-se.
5 Então temeram os marinheiros, e clamavam cada um ao seu deus, [6] e lançavam no mar as fazendas, que estavam no navio, para o alliviarem do seu pezo; [7] porém Jonas desceu aos lados do porão, e se deitou, e dormia um profundo somno.
6 E o mestre do navio chegou-se a elle, e disse-lhe: Que tens, adormentado? [8] levanta-te, clama ao teu Deus; porventura Deus se lembrará de nós para que não pereçamos.
7 E diziam cada um ao seu companheiro: Vinde, [9] e lancemos sortes, para que saibamos por que causa nos tem vindo este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas.
8 Então lhe disseram: [10] Declara-nos tu agora, por cuja causa nos tem vindo este mal. Que occupação é a tua? e d’onde vens? qual é a tua terra? e de que povo és tu?
9 E elle lhes disse: Eu sou hebreo, [11] e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra secca.
10 Então estes homens tremeram com grande temor, e lhe disseram: Porque fizeste tu isto? Pois sabiam os homens que fugia de diante do Senhor, porque elle lh’o tinha declarado.
11 E disseram-lhe: Que te faremos nós, para que o mar se nos aquiete? Porque o mar se elevava e engrossava cada vez mais.
12 E elle lhes disse: Levantae-me, e lançae-me no mar, e o mar se vos aquietará; porque eu sei que por minha causa é que vos sobreveiu esta grande tempestade.
13 Mas os homens remavam, para tornar a trazer o navio para terra, [12] mas não podiam; porquanto o mar se ia embravecendo cada vez mais contra elles.
14 Então clamaram ao Senhor, e disseram: Ah Senhor! não pereçamos por causa da alma d’este [13] homem, e não ponhas sobre nós o sangue innocente; porque tu, Senhor, fizeste como quizeste.
15 E levantaram a Jonas, e o lançaram no mar, [14] e cessou o mar da sua furia.
16 Temeram pois estes homens ao Senhor com grande temor; [15] e sacrificaram sacrificios ao Senhor, e votaram votos.
17 Preparou pois o Senhor um grande peixe, que tragasse a Jonas; [16] e esteve Jonas tres dias e tres noites nas entranhas do peixe.
[1] II Reis 14.25.
[2] Gen. 10.11, 12. cap. 3.2, 3 e 4.11.
[3] Gen. 18.20, 21. Esd. 9.6. Thi. 5.4. Apo. 18.5.
[4] cap. 4.2. Jos. 19.46. II Chr. 2.16. Act. 9.36.
[5] Gen. 4.16. Job 1.12 e 2.7.
[6] Act. 27.18, 19, 38.
[7] I Sam. 24.3.
[8] Joel 2.14.
[9] Jos. 7.14, 16. I Sam. 10.20, 21 e 14.41, 42. Pro. 16.33. Act. 1.26.
[10] Jos. 7.19. I Sam. 14.43.
[11] Act. 17.24.
[12] Pro. 21.30.
[13] Deu. 21.8.
[14] Luc. 8.24.
[15] Mar. 4.41. Act. 5.11.
[16] Mat. 12.40 e 16.4. Luc. 11.30.
Jonas no ventre do grande peixe; sua oração e seu salvamento.
2 E orou Jonas ao Senhor, seu Deus, das entranhas do peixe.
2 E disse: Da minha angustia clamei [1] ao Senhor, e elle me respondeu; do ventre do [ADO] inferno gritei, e tu ouviste a minha voz.
3 Porque tu me lançaste no profundo, no coração dos mares, e a corrente me tem cercado; todas as tuas ondas e as tuas vagas teem passado por cima de mim.
4 E eu dizia: Lançado estou de diante dos teus olhos; todavia tornarei a ver o templo da tua sanctidade.
5 As aguas me cercaram até á alma, o abysmo me rodeou, e a alga se embrulhava á minha cabeça.
6 Eu desci até aos fundamentos dos montes: os ferrolhos da terra me encerrariam para sempre; mas tu fizeste subir a minha vida da perdição, ó Senhor meu Deus.
7 Desfallecendo em mim a minha alma, me lembrei do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no templo da tua sanctidade.
8 Os que observam as vaidades vãs [2] deixam a sua propria misericordia.
9 Mas eu [3] te sacrificarei com a voz do agradecimento; o que votei pagarei: do Senhor vem a salvação.
10 Fallou pois o Senhor ao peixe: e vomitou a Jonas na terra.
[1] Lam. 3.55, 56.
[2] II Reis 17.15. Jer. 10.8 e 16.19.
[3] Ose. 14.2. Heb. 13.15.
Jonas prega em Ninive: o arrependimento dos ninivitas.
3 E veiu a palavra do Senhor segunda vez a Jonas, dizendo:
2 Levanta-te, e vae á grande cidade de Ninive, e prega contra ella a prégação que eu te digo.
3 E levantou-se Jonas, e foi a Ninive, segundo a palavra do Senhor: era pois Ninive uma grande cidade de Deus, de tres dias de caminho.
4 E começava Jonas a entrar pela cidade caminho d’um dia, e prégava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Ninive será subvertida.
5 E os homens de Ninive [1] creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de sacco, desde o maior até ao menor.
6 Porque esta palavra chegou ao rei de Ninive, e levantou-se do seu throno, e tirou de si os seus vestidos, e cobriu-se de sacco, [2] e assentou-se sobre a cinza.
7 E [3] fez apregoar, e fallou-se em Ninive, pelo mandado do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animaes, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê pasto, nem bebam agua.
8 Mas os homens e os animaes estarão cobertos de saccos, e clamarão fortemente a Deus, [4] e se converterão, cada um do seu mau caminho, e da violencia que ha nas suas mãos.
9 Quem [5] sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?
10 E [6] Deus viu as obras d’elles, como se converteram do seu mau caminho: e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez.
[1] Mat. 12.41. Luc. 11.32.
[2] Job 2.8.
[3] II Chr. 20.3.
[4] Isa. 58.6 e 59.6.
[5] II Sam. 12.22. Joel 2.11.
[6] Jer. 18.8. Amós 7.3, 6.
O descontentamento de Jonas e a resposta do Senhor.
4 E desagradou-se Jonas extremamente d’isso, e ficou todo apaixonado.
2 E orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor! não foi esta a minha palavra, estando eu ainda na minha terra? [1] por isto é que me preveni, fugindo para Tarsis, pois sabia que és Deus piedoso, [2] e misericordioso, longanimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.
3 Peço-te, pois, [3] ó Senhor, tira-me a minha alma, [4] porque melhor me é morrer do que viver.
4 E disse o Senhor: É bem feito que assim te apaixones?
5 Jonas, pois, saiu da cidade, e assentou-se ao oriente da cidade: e ali fez uma cabana, e se assentou debaixo d’ella, á sombra, até ver que era o que acontecia á cidade.
6 E preparou o Senhor Deus uma aboboreira, e a fez subir por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu enfado: e Jonas se alegrou com grande alegria por causa da aboboreira.
7 Mas Deus enviou um bicho, no dia seguinte ao subir da alva, e feriu a aboboreira, e se seccou.
8 E aconteceu que, apparecendo o sol, Deus ordenou um vento calmoso oriental, e o sol feriu a cabeça de Jonas; e elle desmaiou, e desejou com toda a sua alma morrer, dizendo: [5] Melhor me é morrer do que viver.
9 Então disse Deus a Jonas: É bem feito que assim te apaixones por causa da aboboreira? E elle disse: É bem feito que me apaixone até á morte.
10 E disse o Senhor: Tiveste tu compaixão da aboboreira, na qual não trabalhaste, nem a fizeste crescer, que n’uma noite nasceu, e n’uma noite pereceu;
11 E [6] não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Ninive em que estão mais de cento e vinte mil homens [7] que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e muitos animaes?
[1] cap. 1.3.
[2] Exo. 34.6. Joel 2.13.
[3] I Reis 19.4.
[4] ver. 8.
[5] ver. 3.
[6] cap. 1.2 e 3.2, 3.
[7] Deu. 1.38.
MIQUEAS.
Ameaças contra Israel e Judah por causa de sua injustiça e rebellião.
[Antes de Christo 750]
1 Palavra do Senhor, [1] que veiu a Miqueas, morasthita, nos dias de Jothão, Achaz e Ezequias, reis de Judah, [2] a qual elle viu sobre Samaria e Jerusalem.
2 Ouvi, todos os povos, [3] attenta tu, terra, e a plenitude d’ella, e seja o Senhor JEHOVAH testemunha contra vós, [4] o Senhor, desde o templo da sua sanctidade.
3 Porque [5] eis que o Senhor sae do seu logar, e descerá, e pizará as alturas da terra.
4 E [6] os montes debaixo d’elle se derreterão, e os valles se fenderão, como a cera diante do fogo, como as aguas que se precipitam n’um abysmo.
5 Tudo isto por causa da prevaricação de Jacob, e dos peccados da casa de Israel: quem é o auctor da rebellião de Jacob? não é Samaria? e quem o das alturas de Judah? não é Jerusalem?
6 Por isso [7] farei de Samaria um montão de pedras do campo, uma terra de plantar vinhas, e farei rebolar as suas pedras no valle, [8] e descobrirei os seus fundamentos.
7 E todas as suas imagens de esculptura serão esmiuçadas, [9] e todos os seus salarios serão queimados pelo fogo, e de todos os seus idolos eu farei uma assolação, porque da paga de prostitutas os ajuntou, e para a paga de prostitutas voltarão.
8 Por isso lamentarei, [10] e uivarei, andarei despojado e nú: farei lamentação como de dragões, e pranto como de abestruzes.
9 Porque a sua chaga é incuravel, [11] porque chegou até Judah: estendeu-se até á porta do meu povo, até Jerusalem.
10 Não [12] o annuncieis em Gath, nem choreis muito: [13] revolve-te no pó, na casa de Aphra.
11 Passa, ó moradora de Saphir, [14] com nudez vergonhosa: a moradora de Zaanan não sae para fóra; o pranto de Beth-ezel receberá de vós a sua estancia.
12 Porque a moradora de Maroth teve dôr pelo bem; [15] porque desceu do Senhor o mal até á porta de Jerusalem.
13 Ata os animaes ligeiros ao carro, [16] ó moradora de Lachis (esta é o principio do peccado para a filha de Sião), porque em ti se acharam as transgressões de Israel.
14 Por isso [17] dá presentes a Moreshethgath: as casas de Achzib serão casas de mentira aos reis de Israel.
15 Ainda te trarei um herdeiro, [18] ó moradora de Maresha: [19] chegar-se-ha até Adullam, para gloria de Israel.
16 Faze-te calva, [20] e tosquia-te, por causa dos filhos das tuas delicias: alarga a tua calva como a aguia, porque te foram levados captivos.
[1] Jer. 26.18.
[2] Amós 1.1.
[3] Deu. 32.1. Isa. 1.2. Mal. 3.5.
[4] Heb. 2.20.
[5] Isa. 26.21. Deu. 32.13 e 33.29.
[6] Jui. 5.5. Isa. 64.1, 2, 3. Amós 9.5. Hab. 5.6, 10.
[7] II Reis 19.25. cap. 3.12.
[8] Eze. 13.14.
[9] Ose. 2.5, 12.
[10] Isa. 21.3 e 22.4. Jer. 4.19. Isa. 20.2, 3, 4.
[11] II Reis 18.13. Isa. 8.7, 8.
[12] II Sam. 1.20.
[13] Jer. 6.26.
[14] Isa. 20.4 e 47.2, 3. Jer. 13.22. Nah. 3.5.
[15] Amós 3.6.
[16] II Reis 18.14, 17.
[17] II Sam. 8.2. II Reis 18.14, 15, 16.
[18] Jos. 15.44.
[19] II Chr. 11.7.
[20] Isa. 15.2 e 22.12. Jer. 7.29.
2 Ai [1] d’aquelles que nas suas camas intentam a iniquidade, e obram o mal: [2] á luz da alva o põem em obra, porque está no poder da sua mão!
[Antes de Christo 710]
2 E [3] cobiçam campos, e os arrebatam, e casas, e as tomam: assim fazem violencia a um homem e á casa, a uma pessoa e á sua herança.
3 Portanto, assim diz o Senhor: [4] Eis que intento mal contra esta geração, d’onde não tirareis os vossos pescoços, [5] nem andareis tão altivos, porque o tempo será mau.
4 N’aquelle dia [6] se levantará um proverbio sobre vós, e se pranteará pranto lastimoso, dizendo: Nós estamos inteiramente desolados! [7] a porção do meu povo elle a troca! como me despoja! para nos tirar os nossos campos elle os reparte!
5 Portanto, [8] não terás tu na congregação do Senhor quem lance o cordel pela sorte.
6 Não [9] prophetizeis, os que prophetizam, não prophetizem d’este modo, que se não apartará a vergonha.
7 Ó vós que sois chamados a casa de Jacob, porventura se tem encurtado o Espirito do Senhor? são estas as suas obras? e não é assim que fazem bem as minhas palavras ao que anda rectamente?
8 Mas assim como fôra hontem, se levantou o meu povo por inimigo: de sobre a vestidura tirastes a capa d’aquelles que passavam seguros, como os que voltavam da guerra.
9 Lançaes fóra as mulheres do meu povo, da casa das suas delicias: dos seus meninos tirastes o meu louvor para sempre.
10 Levantae-vos, pois, e andae, [10] porque não será esta terra o descanço; porquanto está contaminada, vos corromperá, e isso com grande corrupção.
11 Se houver algum que siga o seu espirito, e está mentindo falsamente, dizendo: Eu te prophetizarei de vinho e de bebida forte; far-se-ha então este tal o propheta d’este povo.
12 Certamente [11] te ajuntarei todo inteiro, ó Jacob: certamente congregarei o restante de Israel: pôl-o-hei todo junto, como ovelhas de Bozra; [12] como o rebanho no meio do seu curral, farão estrondo pela multidão dos homens.
13 Subirá diante d’elles o que romperá o caminho: elles romperão, e entrarão pela porta, e sairão por ella; [13] e o rei irá adiante d’elles, e o Senhor á testa d’elles.
[1] Ose. 7.6.
[2] Gen. 31.29.
[3] Isa. 5.8.
[4] Jer. 8.3.
[5] Amós 5.13. Eph. 5.16.
[6] II Sam. 1.17.
[7] cap. 1.15.
[8] Deu. 32.8, 9.
[9] Amós 2.12.
[10] Deu. 12.9. Jer. 3.2.
[11] cap. 4.6, 7.
[12] Jer. 31.13. Eze. 36.37.
[13] Ose. 3.5. Isa. 52.12.
Ameaças contra os chefes e os falsos prophetas.
3 Mais disse eu: Ouvi agora vós, chefes de Jacob, e vós, principes da casa de Israel; [1] porventura não é a vós que pertence saber o direito?
2 Que aborreceis o bem, e amaes o mal, que lhes arrancaes a pelle de cima d’elles, e a sua carne de cima dos seus ossos,
3 E que comeis a carne do meu povo, e lhes esfolaes a sua pelle, e lhes esmiuçaes os ossos, [2] e os repartis como para a panella e como carne no meio do caldeirão.
4 Então [3] clamarão ao Senhor, mas não os ouvirá, antes esconderá d’elles a sua face n’aquelle tempo, visto que elles fizeram mal com as suas obras.
5 Assim [4] diz o Senhor contra os prophetas que fazem errar o meu povo, [5] que mordem com os seus dentes, e clamam paz; mas contra aquelle que nada lhes mette na bocca preparam guerra.
6 Portanto, [6] se vos fará noite [ADP] por causa da prophecia, e vos serão trevas [ADQ] por causa da adivinhação, [7] e se porá o sol sobre estes prophetas, e o dia sobre elles se ennegrecerá.
7 E os videntes se envergonharão, e os adivinhadores se confundirão; e todos juntos cobrirão o beiço superior, [8] porque não haverá resposta de Deus.
8 Mas decerto eu sou cheio da força do Espirito do Senhor, e cheio de juizo e animo, [9] para annunciar a Jacob a sua transgressão e a Israel o seu peccado.
9 Ouvi agora isto, vós, chefes da casa de Jacob, e vós, maioraes da casa de Israel, que abominaes o juizo e perverteis tudo o que é direito,
10 [10] Edificando a Sião com sangue, e a Jerusalem com injustiça.
11 Os [11] seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus prophetas adivinham por dinheiro; [12] e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Porventura não está o Senhor no meio de nós? nenhum mal nos sobrevirá.
12 Portanto, por causa de vós, [13] Sião será lavrada como um campo, e Jerusalem se fará montões de pedras, [14] e o monte d’esta casa alturas de bosque.
[1] Jer. 5.4, 5.
[2] Exo. 11.3, 7.
[3] Pro. 1.28. Isa. 1.15. Eze. 8.18. Zac. 7.13.
[4] Isa. 56.10, 11. Eze. 13.10 e 22.25.
[5] Mat. 7.15. Eze. 13.18, 19.
[6] Isa. 8.20, 22. Eze. 13.23.
[7] Amós 8.9.
[8] Amós 8.11.
[9] Isa. 58.1.
[10] Jer. 22.13. Hab. 2.12. Sof. 3.3.
[11] Isa. 1.23. cap. 7.3. Jer. 6.13.
[12] Isa. 48.2. Rom. 2.17.
[13] Jer. 26.18. cap. 1.6.
[14] cap. 4.2.
O annuncio da vocação dos gentios.
4 Mas [1] no ultimo dos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e concorrerão a elle os povos.
2 E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e á casa do Deus de Jacob, para que nos ensine os seus caminhos, e nós andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor de Jerusalem.
3 E julgará entre muitos povos, e castigará poderosas nações até mui longe, [2] e converterão as suas espadas em enxadas, e as suas lanças em foices: uma nação contra outra nação não levantará a espada, nem aprenderão mais a guerra.
4 Mas [3] assentar-se-hão, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a bocca do Senhor dos Exercitos o fallou.
5 Porque [4] todos os povos andarão, cada um no nome do seu deus; mas nós andaremos no nome do Senhor nosso Deus, eternamente e para sempre.
6 N’aquelle dia, diz o Senhor, [5] congregarei a que coxeava, e recolherei a que eu tinha expulsado, e a que eu tinha maltratado.
7 E [6] da que coxeava farei um resto, e da que estava rejeitada longe uma nação poderosa; [7] e o Senhor reinará sobre elles no monte de Sião, desde agora e para sempre.
8 E tu, [ADR] ó torre do rebanho, monte da filha de Sião, até a ti virá; certamente virá o primeiro dominio, o reino da filha de Jerusalem.
9 Ora porque farias tão grande pranto? [8] não ha em ti rei? pereceu o teu conselheiro? apoderou-se de ti dôr, como da que está de parto?
10 Soffre dôres, e trabalhos, para produzir, ó filha de Sião, como a que está de parto, porque agora sairás da cidade, e morarás no campo, e virás até Babylonia: ali, porém, serás livrada; ali te remirá o Senhor da mão de teus inimigos.
11 Agora [9] se congregaram muitas nações contra ti, que dizem: Seja profanada, e os nossos olhos verão seus desejos sobre Sião.
12 Mas [10] não sabem os pensamentos do Senhor, nem entendem o seu conselho: [11] porque as ajuntou como gavelas á eira.
13 Levanta-te, [12] e trilha, ó filha de Sião; porque eu farei de ferro [ADS] a tua ponta, e de cobre as tuas unhas; e esmiuçarás a muitos povos, [13] e o seu ganho consagrarei ao Senhor, e a sua fazenda ao Senhor de toda a terra.
[1] Isa. 2.2, etc. Eze. 17.22, 23.
[2] Isa. 2.4. Joel 3.10.
[3] I Reis 4.25. Zac. 3.10.
[4] Jer. 2.11.
[5] Eze. 34.16. Sof. 3.19. Eze. 34.13 e 37.21.
[6] cap. 2.12 e 5.3, 7, 8 e 7.18.
[7] Isa. 9.6 e 24.23. Dan. 7.14, 27. Luc. 1.33. Apo. 11.15.
[8] Jer. 8.19. Isa. 13.8 e 21.3. Jer. 30.6 e 50.43.
[9] Lam. 2.16. cap. 7.10.
[10] Isa. 55.8. Rom. 11.33.
[11] Isa. 21.10.
[12] Isa. 41.15, 16. Jer. 51.33.
[13] Isa. 18.7 e 23.18 e 60.6, 9. Zac. 4.13 e 6.5.
5 Agora ajunta-te com esquadrões, ó filha de esquadrões; pôr-se-ha cerco sobre nós: [1] ferirão com a vara no queixo ao juiz de Israel.
Predicção do nascimento do Messias e da instituição do seu reino.
2 E tu, Beth-lehem Ephrata, [2] ainda que és pequena entre os milhares de Judah, [3] de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saidas são desde os tempos antigos, [4] desde os dias da eternidade.
3 Portanto [5] os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver parido: então o resto de seus irmãos voltará com os filhos de Israel.
4 E elle estará em pé, [6] e apascentará ao povo na força do Senhor, na excellencia do nome do Senhor seu Deus: [7] e elles permanecerão, porque agora será engrandecido até aos fins da terra.
5 E este será a paz: quando a Assyria vier á nossa terra, e quando passar os nossos palacios, levantaremos contra elle sete pastores e oito principes d’entre os homens.
6 Esses consumirão a terra da Assyria á espada, [8] e a terra de Nimrod nas suas entradas. Assim nos livrará da Assyria, [9] quando vier á nossa terra, e quando calcar os nossos termos.
7 E [10] estará o resto de Jacob no meio de muitos povos, como orvalho do Senhor, como uns choviscos sobre a terra, que não espera pelo homem, nem aguarda a filhos de homens.
8 E o resto de Jacob estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animaes do bosque, como um leãosinho entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, pizará e despedaçará, sem que haja quem as livre.
9 A tua mão se exaltará sobre os seus adversarios; e todos os teus inimigos serão exterminados.
10 E [11] succederá n’aquelle dia, diz o Senhor, que eu exterminarei do meio de ti os teus cavallos, e destruirei os teus carros;
11 E destruirei as cidades da tua terra, e derribarei todas as tuas fortalezas;
12 E exterminarei as feitiçarias da tua mão: [12] e não terás agoureiros;
13 E [13] exterminarei do meio de ti as tuas imagens de esculptura e [ADT] as tuas estatuas; e tu não te inclinarás mais diante da obra das tuas mãos.
14 E arrancarei os teus bosques do meio de ti; e destruirei as tuas cidades.
15 E [14] com ira e com furor farei vingança das nações que não ouvem.
[1] Lam. 3.30. Mat. 5.39 e 27.30.
[2] Mat. 2.6. João 7.42. I Sam. 23.23.
[3] Isa. 9.6.
[4] João 1.1.
[5] cap. 4.10.
[6] Isa. 40.11 e 49.9. Eze. 34.23. cap. 7.14.
[7] Isa. 52.13. Zac. 9.10. Luc. 1.32 e 2.14.
[8] Gen. 10.8, 10, 11.
[9] Luc. 1.71.
[10] ver. 3. Deu. 32.2.
[11] Zac. 9.10.
[12] Isa. 2.6.
[13] Zac. 13.2. Isa. 2.8.
[14] II The. 1.8.
A contenda do Senhor com o seu povo. As maldades de Israel: Deus não terá compaixão.
6 Ouvi agora o que diz o Senhor: Levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz.
2 Ouvi [1] montes, a contenda do Senhor, e vós, fortes fundamentos da terra; porque o Senhor tem uma contenda com o seu povo, e com Israel entrará em juizo.
3 Ó povo meu; [2] que te tenho feito? e com que te enfadei? testifica contra mim.
4 Certamente te fiz [3] subir da terra do Egypto e da casa da servidão te remi; e enviei adiante de ti a Moysés, Aarão e Miriam.
5 Povo meu, ora lembra-te do que consultou [4] Balak, rei de Moab, e o que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, desde Sittim até Gilgal; para que conheças [5] as justiças do Senhor.
6 Com que coisa encontrarei ao Senhor, e me inclinarei ao Deus altissimo? encontral-o-hei com holocaustos? com bezerros de um anno?
7 Agradar-se-ha [6] o Senhor de milhares de carneiros? de dez mil ribeiros de azeite? [7] darei o meu primogenito pela minha transgressão? o fructo do meu ventre pelo peccado da minha alma?
8 Elle te declarou, [8] ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, [9] e ames a beneficencia, e andes humildemente com o teu Deus?
9 A voz do Senhor clama á cidade (porque o teu nome vê a inteireza): Ouvi a vara, e a quem a ordenou.
10 Ainda ha na casa do impio thesouros da impiedade? e epha pequena, [10] que é detestavel?
11 Seria eu limpo com balanças falsas? e com uma bolsa de pesos enganosos?
12 Porque os seus ricos estão cheios de violencia, e os seus habitantes fallam mentiras; [11] e a sua lingua é enganosa na sua bocca.
13 Assim eu tambem te enfraquecerei, ferindo-te e assolando-te por causa dos teus peccados.
14 Tu comerás, [12] mas não te fartarás; e a tua humilhação estará no meio de ti; e tu removerás, mas não livrarás; e aquillo que livrares, eu o entregarei á espada.
15 Tu semearás, [13] mas não segarás: pisarás a azeitona, mas não te ungirás com azeite; e o mosto, mas não beberás vinho.
16 Porque se guardaram [14] os estatutos de Omri, e toda a obra da casa de Acab, e vós andaes nos conselhos d’elles; [15] para que eu te faça uma desolação, e dos seus habitantes um assobio: assim trareis sobre vós o opprobrio do meu povo.
[1] Deu. 32.1. Isa. 1.2. Ose. 12.2. Isa. 43.26. Ose. 4.1.
[2] Jer. 2.5, 31.
[3] Exo. 12.51 e 14.30 e 20.2. Deu. 4.20. Amós 2.10.
[4] Num. 22.5 e 23.7. Deu. 23.4, 5. Jos. 24.9, 10. Apo. 2.14.
[5] Jui. 5.11.
[6] Isa. 1.11.
[7] II Reis 16.3 e 21.6 e 23.10. Jer. 7.31 e 19.5. Eze. 23.37.
[8] Deu. 10.12. I Sam. 15.22. Ose. 6.6 e 12.6.
[9] Gen. 18.19. Isa. 1.17.
[10] Deu. 25.13-16. Pro. 11.1 e 20.10, 23. Ose. 12.7.
[11] Jer. 9.3, 5, 6, 8.
[12] Lev. 26.26. Ose. 4.10.
[13] Deu. 28.38, 39, 40. Amós 5.11. Sof. 1.13. Agg. 1.6.
[14] I Reis 16.25, 26. Ose. 5.11. II Reis 21.3.
[15] Jer. 19.8. Isa. 25.8. Jer. 51.51. Lam. 5.1.
7 Ai de mim! porque estou feito como quando se tem colhido as fructas do verão, [1] como os rabiscos da vindima; não ha cacho de uvas para comer; [2] desejou a minha alma figos temporãos.
2 Já pereceu o benigno da terra, e não ha entre os homens um que seja recto: todos armam ciladas para sangue; [3] caçam cada um a seu irmão com rede,
3 Para com ambas as mãos [4] fazerem diligentemente o mal; assim demanda o principe, e o juiz julga pela recompensa, e o grande falla a corrupção da sua alma, e a [ADU] torcem.
4 O melhor [5] d’elles é como um espinho; o mais recto é peior do que o espinhal: veiu o dia dos teus vigias, veiu a tua visitação; agora será a sua confusão.
5 Não creias [6] no amigo, nem confieis no vosso guia, d’aquella que repousa no teu seio guarda as portas da tua bocca.
6 Porque [7] o filho despreza ao pae, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua casa.
7 Eu, porém, [8] esperarei no Senhor; esperei no Deus da minha salvação: o meu Deus me ouvirá.
8 Ó inimiga minha, [9] não te alegres de mim; ainda bem que eu tenho caido, levantar-me-hei: se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz.
9 Soffrerei [10] a ira do Senhor, porque pequei contra elle, até que julgue a minha causa, e execute o meu direito: elle tirar-me-ha á luz, verei satisfeito a sua justiça.
10 E a minha inimiga o verá, e cobril-a-ha a confusão; e aquella que me diz: [11] Onde está o teu Deus? os meus olhos a verão satisfeitos; [12] agora será ella pisada como a lama das ruas.
11 No dia em que reedificar os teus muros, [13] n’esse dia longe estará ainda o estatuto.
12 N’aquelle dia [14] virá até ti, desde a Assyria até ás cidades fortes, e das fortalezas até ao rio, e do mar até ao mar, e da montanha até á montanha.
13 Porém esta terra será posta em desolação, por causa dos seus moradores, [15] por causa do fructo das suas obras.
14 Apascenta o teu povo com a tua vara, o rebanho da tua herança, [16] que móra só no bosque, no meio da terra fertil; apascentem-se em Basan e Gilead, como nos dias da antiguidade.
15 Eu lhes mostrarei maravilhas, como nos dias da tua subida da terra do Egypto.
16 As nações o verão, [17] e envergonhar-se-hão, por causa de todo o seu poder: porão a mão sobre a bocca, e os seus ouvidos ficarão surdos.
17 Lamberão [18] o pó como serpentes, como uns reptis da terra, tremendo, sairão dos seus encerramentos; [19] com pavor virão ao Senhor nosso Deus, e terão medo de ti.
18 Quem [20] é Deus similhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa pela rebellião do restante da sua herança? não retem a sua ira para sempre, [21] porque tem prazer na benignidade.
19 Tornará a apiedar-se de nós: sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus peccados nas profundezas do mar.
20 Darás [22] a Jacob a fidelidade, e a Abrahão a benignidade, que juraste a nossos paes desde os dias antigos.
[1] Isa. 17.6 e 24.13.
[2] Isa. 28.4. Ose. 9.10.
[3] Hab. 1.15.
[4] Ose. 4.18. Isa. 1.23. cap. 3.11.
[5] II Sam. 23.6, 7. Eze. 2.6. Isa. 55.13.
[6] Jer. 9.4.
[7] Eze. 22.7. Mat. 10.21, 35, 36. Luc. 12.53 e 21.16. II Tim. 3.2, 5.
[8] Isa. 8.17.
[9] Pro. 24.17. Lam. 4.21.
[10] Lam. 3.39.
[11] cap. 4.11.
[12] II Sam. 22.43. Zac. 10.5.
[13] Amós 9.11, etc.
[14] Isa. 11.16 e 19.23, etc. e 27.13. Ose. 11.11.
[15] Jer. 21.14. cap. 3.12.
[16] Isa. 37.24.
[17] Isa. 26.11. Job 21.5 e 29.9.
[18] Isa. 49.23.
[19] Jer. 33.9.
[20] Exo. 15.11 e 34.6. Jer. 50.20. cap. 4.7 e 5.3, 7, 8.
[21] Jer. 3.5.
[22] Luc. 1.72, 73.
NAHUM.
A justiça e misericordia de Deus: a destruição de seus inimigos e o livramento do seu povo.
[Antes de Christo 713]
1 Carga de [1] Ninive. Livro da visão de Nahum, o elcoshita.
2 O Senhor [2] é Deus zeloso e que toma vingança, o Senhor toma vingança e tem furor: o Senhor toma vingança contra os seus adversarios, e guarda a ira contra os seus inimigos.
3 O Senhor é tardio [3] em irar-se, porém grande em força, e ao culpado não tem por innocente: [4] o Senhor, cujo caminho é na tormenta, e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.
4 Elle reprehende [5] ao mar, e o faz seccar, e esgota todos os rios: desfallecem Basan e Carmelo, [6] e a flor do Libano se murchou.
5 Os montes tremem perante [7] elle, e os outeiros se derretem; e a terra se levanta na sua presença; e o mundo, e todos os que n’elle habitam.
6 Quem parará diante do seu furor? [8] e quem persistirá diante do ardor da sua ira? a sua colera se derramou como um fogo, e as rochas foram por elle derribadas.
7 O Senhor é bom, [9] elle serve de fortaleza no dia da angustia, e conhece aos que confiam n’elle.
8 E com uma inundação trasbordante acabará d’uma vez com o seu logar; e as trevas perseguirão os seus inimigos.
9 Que pensaes vós contra o Senhor? [10] elle mesmo vos consumirá de todo: não se levantará por duas vezes a angustia.
10 Porque elles se entrelaçam como os espinhos, [11] e se embebedam como bebados; serão inteiramente consumidos como palha secca.
11 De ti saiu um que pensou mal contra o Senhor, [12] um conselheiro de Belial.
12 Assim diz o Senhor: Por mais seguros que estejam, [13] e por mais numerosos que sejam, ainda assim serão tosquiados, e elle passará: eu te affligi, porém não te affligirei mais.
13 Mas agora quebrarei [14] o seu jugo de sobre ti, e romperei os teus laços.
14 Porém contra ti o Senhor deu ordem, que mais ninguem do teu nome seja semeado: da casa do teu deus exterminarei as imagens de esculptura e de fundição: ali te [15] farei o teu sepulchro, porque és vil.
15 Eis que [16] sobre os montes os pés do que traz as boas novas, do que annuncia a paz! celebra as tuas festas, ó Judah, cumpre os teus votos, [17] porque o impio não tornará mais a passar por ti: elle é inteiramente exterminado.
[1] Sof. 2.13.
[2] Exo. 20.5 e 34.14. Deu. 4.24. Jos. 24.19. Deu. 32.35. Isa. 59.18.
[3] Exo. 34.6, 7. Neh. 9.17. Jon. 4.2.
[4] Hab. 3.5, 11, 12.
[5] Isa. 50.2. Mat. 8.26.
[6] Isa. 33.9.
[7] Jui. 5.5. Miq. 1.4. II Ped. 3.10.
[8] Mal. 3.2. Apo. 16.1.
[9] I Chr. 16.34. Jer. 33.11. Lam. 3.25.
[10] I Sam. 3.12.
[11] II Sam. 23.6, 7. cap. 3.11. Mal. 4.1.
[12] II Reis 19.22, 23.
[13] II Reis 19.35, 37. Dan. 11.10.
[14] Jer. 2.20 e 30.8.
[15] II Reis 19.37.
[16] Isa. 52.7. Rom. 10.15.
[17] ver. 11, 12. ver. 14.
O cerco e tomada de Ninive.
2 O destruidor [1] subiu diante de ti, guarda tu a fortaleza, observa o caminho, esforça os lombos, fortalece muito a força.
2 Porque [2] o Senhor tornará a excellencia de Jacob como a excellencia de Israel; porque os que despejam os vazaram, e corromperam os seus sarmentos.
3 Os escudos dos seus valentes serão tintos [3] de vermelho, os homens valorosos andam vestidos de escarlate, os carros correrão como fogo de tochas no dia do seu apercebimento, e os pinheiros se abalarão.
4 Os carros se enfurecerão nas praças, discorrerão pelas ruas: o seu parecer é como o de tochas, correrão como relampagos.
5 Este se lembrará dos seus valentes, elles porém tropeçarão na sua marcha: apresentar-se-hão ao seu muro, quando o amparo fôr apparelhado.
6 As portas do rio se abrirão, e o palacio se derreterá.
7 Pois determinado está; será levada captiva, será feita subir, e as suas servas a acompanharão, [4] gemendo como pombas, batendo em seus peitos.
8 Ninive desde que existiu tem sido como um tanque de aguas, porém ellas agora fogem. Parae, parae, clamar-se-ha; mas ninguem olhará para traz.
9 Saqueae a prata, saqueae o oiro, porque não tem termo o provimento, abastança ha de todo o genero de moveis appeteciveis.
10 Vazia, e vazada e esgotada ficará, e derreteu-se o seu coração, [5] e tremem os joelhos, e em todos os lombos ha dôr, e os rostos de todos elles ennegrecem.
11 Onde está agora o covil dos leões, [6] e as pastagens dos leõesinhos? onde passeava o leão velho, e o cachorro do leão, sem haver ninguem que os espantasse?
12 O leão arrebatava o que bastava para os seus cachorros, e afogava a preza para as suas leôas, e enchia de prezas as suas cavernas, e os seus covis de rapina.
13 Eis que [7] eu estou contra ti, diz o Senhor dos exercitos, e queimarei no fumo os seus carros, e a espada devorará os teus leõesinhos, e arrancarei da terra a tua preza, [8] e não se ouvirá mais a voz dos teus embaixadores.
[1] Jer. 50.23 e 51.11, 12.
[2] Isa. 10.12. Jer. 25.29.
[3] Isa. 63.2, 3.
[4] Isa. 38.14 e 59.11.
[5] Isa. 13.7, 8. Dan. 5.6. Jer. 30.6. Joel 2.6.
[6] Job 4.10, 11. Eze. 19.2, 7.
[7] Eze. 33.3 e 39.1. cap. 3.5.
[8] II Reis 18.17, 19 e 19.9, 23.
Os delictos de Ninive: a sua ruina inevitavel.
3 Ai [1] da cidade ensanguentada, que está toda cheia de mentiras e de rapina! não se aparta d’ella o roubo.
2 Estrepito [2] de açoite ha, e o estrondo do ruido das rodas; e os cavallos atropellam, e carros vão saltando.
3 O cavalleiro levanta assim a espada flammejante, como a lança relampagueante, e ali haverá uma multidão de mortos, e abundancia de cadaveres, e não terão fim os defuntos; tropeçarão nos seus corpos;
4 Por causa da multidão das fornicações da meretriz mui [3] graciosa, da mestra das feitiçarias, que vendeu os povos com as suas fornicações, e as gerações com as suas feitiçarias.
5 Eis que [4] eu estou contra ti, diz o Senhor dos Exercitos, e descobrirei as tuas fraldas sobre a tua face, [5] e ás nações mostrarei a tua nudez, e aos reinos a tua vergonha.
6 E lançarei sobre ti coisas abominaveis, e te envergonharei, [6] e pôr-te-hei como espectaculo.
7 E ha de ser que, todos os que te virem, fugirão de ti, [7] e dirão: Ninive está destruida, quem terá compaixão d’ella? d’onde te buscarei consoladores?
8 És [8] tu melhor do que Nóammon, que está assentada nos rios, cercada de aguas, que tinha por esplanada o mar, cuja muralha é do mar?
9 Ethiopia e Egypto eram a sua força, e não havia fim: Put e Lybia te foram de soccorro.
10 Todavia foi levada captiva para o desterro: [9] tambem os seus filhos são despedaçados no topo de todas [10] as ruas, e sobre os seus honrados lançaram sortes, e todos os seus grandes foram presos com grilhões.
11 Tu tambem [11] serás embriagada, e te esconderás; tambem buscarás força por causa do inimigo.
12 Todas as tuas fortalezas serão como figueiras [12] com figos temporãos; se se sacodem, caem na bocca do que os ha de comer.
13 Eis que [13] o teu povo no meio de ti será como de mulheres: as portas da tua terra estarão de todo abertas aos teus inimigos: o fogo consumirá os teus ferrolhos.
14 Tira aguas para o cerco, fortifica as tuas fortalezas, [14] entra no lodo, e pisa o barro, repara o forno dos ladrilhos.
15 O fogo ali te consumirá, a espada te exterminará, te consumirá, como a locusta; [15] multiplica-te como a locusta, multiplica-te como os gafanhotos.
16 Multiplicaste os teus negociantes mais do que as estrellas do céu, a locusta se espalhará e voará.
17 Os [16] teus coroados são como os gafanhotos, e os teus chefes como os gafanhotos grandes, que se acampam nas sebes nos dias de frio; em subindo o sol voam, de sorte que não se conhece mais o logar onde estiveram.
18 Os teus pastores [17] dormitarão, ó rei da Assyria, os teus illustres deitar-se-hão, o teu povo se derramará pelos montes; sem que haja quem o ajunte.
19 Não ha cura para a tua quebradura, [18] a tua ferida é dolorosa: todos os que ouvirem a tua fama baterão as palmas sobre ti; porque, sobre quem não passou continuamente a tua malicia?
[1] Eze. 22.2, 3 e 24.6, 9. Hab. 2.12.
[2] Jer. 47.3.
[3] Apo. 18.2, 3.
[4] cap. 2.13. Isa. 47.2, 3. Jer. 13.22, 26. Eze. 16.37. Miq. 1.11.
[5] Hab. 2.16.
[6] Mal. 2.9.
[7] Apo. 18.10. Jer. 15.5.
[8] Jer. 46.25, 26. Eze. 30.14-16.
[9] Isa. 13.16. Ose. 13.16. Lam. 2.19.
[10] Joel 3.3. Oba. 11.
[11] Jer. 25.17, 27. cap. 1.10.
[12] Apo. 6.13.
[13] Jer. 50.37 e 51.30.
[14] cap. 2.1.
[15] Joel 1.4.
[16] Apo. 9.7.
[17] Exo. 15.16. Eze. 31.3, etc.
[18] Miq. 1.9. Sof. 2.15. Isa. 14.8.
HABACUC.
A iniquidade de Judah: este será castigado pelos chaldeos: a intercessão do propheta.
[Antes de Christo 626]
1 A carga que viu o propheta Habacuc.
2 Até quando, Senhor, clamarei eu, [1] e tu não me escutarás? até quando gritarei a ti: Violencia! e não salvarás?
3 Por que razão me fazes vêr a iniquidade, e vês a vexação? porque a destruição e a violencia estão diante de mim, havendo tambem quem suscite a contenda e o litigio.
4 Por esta causa a lei se afrouxa, e a sentença nunca sae; [2] porque o impio cérca o justo, e sae a sentença torcida.
5 Vêde entre as nações, e olhae, e maravilhae-vos, [3] e estae maravilhados; porque obro uma obra em vossos dias que não crereis, quando se vos contar.
6 Porque [4] eis que suscito os chaldeos, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas que não são suas.
7 Horrivel e terrivel é; d’ella mesma sairá o seu juizo e a sua grandeza.
8 E os seus cavallos são mais ligeiros do que os leopardos, [5] e mais [ADV] perspicazes do que os lobos á tarde, e os seus cavalleiros se espalham; os seus cavalleiros virão de longe; [6] voarão como aguias que se apressam á comida.
9 Elles todos virão a fim de obrar violencia: os seus rostos buscarão o oriente, e congregará os captivos como areia.
10 E escarnecerão dos reis, e dos principes farão zombaria: elles se rirão de todas as fortalezas, porque amontoarão terra, e as tomarão.
11 Então passará como vento, e traspassará, e se fará culpada, attribuindo este seu poder ao seu deus.
12 Porventura não és tu desde sempre, ó Senhor meu Deus, meu Sancto? nós não morreremos: [7] ó Senhor, para juizo o pozeste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar.
13 Tu és tão puro de olhos, que não podes vêr o mal, e a vexação não podes contemplar: [8] porque olhas para os que obram aleivosamente? porque te calas quando o impio devora aquelle que é mais justo do que elle?
14 E porque farias os homens como os peixes do mar, como os reptis, que não teem quem os governe?
15 Elle [9] a todos tira com o anzol, apanhal-os-ha com a sua rede, e os ajunta na sua varredoura: por isso elle se alegra e se regozija.
16 Por isso sacrifica á sua rede, e queima incenso á sua varredoura; porque com ellas se engordou a sua porção, e se engrossou a sua comida.
17 Porventura por isso vazará a sua rede, e não poupará de matar os povos continuamente?
[1] Lam. 3.8.
[2] Job 21.7. Jer. 12.1.
[3] Isa. 29.14. Act. 13.41.
[4] Deu. 28.49, 50.
[5] Jer. 5.6. Sof. 3.3.
[6] Jer. 4.13.
[7] II Reis 19.25. Isa. 10.5, 6, 7. Eze. 30.25.
[8] Jer. 12.1.
[9] Jer. 16.16. Amós 4.2.
Os chaldeos serão castigados a seu turno.
2 Sobre a minha guarda estarei, [1] e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para vêr o que fallaria em mim, e o que eu responderei, quando eu fôr arguido.
2 Então o Senhor me respondeu, e disse: [2] Escreve a visão, e declara-a em taboas, para que n’ellas leia o que correndo passa.
3 Porque [3] a visão ainda está para o tempo determinado, pois até ao fim fallará, e não mentirá: se tardar, espera-o, [4] porque certamente virá, nem tardará.
4 Eis que de preguiça se retira, não é recta n’elle; [5] mas o justo pela sua fé viverá.
5 Quanto mais se é dado ao vinho mais desleal se é; aquelle homem soberbo, [6] que alarga como o sepulchro a sua alma, não permanecerá e é como a morte que não se farta, e ajunta a si todas as nações, e congrega a si todos os povos.
6 Não levantariam pois [7] todos estes contra elle uma parabola e dito agudo com enigmas para elle? e se dirá: Ai d’aquelle que multiplica o que não é seu! (até quando!) e d’aquelle que carrega sobre si divida!
7 Porventura não se levantarão de repente os que te morderão? e não despertarão os que te abalarão? e não lhes servirás tu de despojo?
8 Porquanto [8] despojaste a muitas nações, todos os mais povos te despojarão a ti, por causa do sangue dos homens, e da violencia ácerca da terra da cidade, e de todos os que habitam n’ella.
9 Ai [9] d’aquelle que ajunta bens para a sua casa, por uma avareza criminosa, [10] para que ponha o seu ninho no alto, a fim de se livrar da mão do mal!
10 Vergonha maquinaste para a tua casa; destruindo tu a muitos povos, peccaste contra a tua alma.
11 Porque a pedra clamará da parede, e a trave lhe responderá do madeiramento.
12 Ai [11] d’aquelle que edifica a cidade com sangue, e que funda a cidade com iniquidade!
13 Eis que porventura não vem do Senhor dos Exercitos [12] que os povos trabalham pelo fogo e os homens se cançam em vão?
14 Porque [13] a terra sera cheia do conhecimento da gloria do Senhor, como as aguas cobrem o mar.
15 Ai d’aquelle que dá de beber ao seu companheiro! [14] tu, que lhe chegas o teu odre, e o embebedas, [15] para vêr a sua nudez!
16 Tambem tu serás farto de ignominia em logar de honra: [16] bebe tu tambem, e [ADW] descobre o prepucio: o calix da mão direita do Senhor voltará a ti, e vomito ignominioso cairá sobre a tua gloria.
17 Porque a violencia commettida contra o Libano te cobrirá, e a destruição das bestas os assombrará, [17] por causa do sangue dos homens, e da violencia feita á terra, á cidade, e a todos os moradores.
18 Que [18] aproveitará a imagem de esculptura, depois de que a esculpiu o seu artifice? [19] ou a imagem de fundição, que ensina a mentira, para que o artifice confie na obra, fazendo idolos mudos?
19 Ai d’aquelle que diz ao pau: Acorda; e á pedra muda: Desperta; porventura ensinará? eis que está coberto de oiro e de prata, mas no meio d’elle não ha espirito algum.
20 Porém o Senhor está no seu sancto templo: [20] cale-se diante d’elle toda a terra.
[1] Isa. 21.8, 11.
[2] Isa. 8.1 e 30.8.
[3] Dan. 10.14 e 11.27, 35.
[4] Heb. 10.37.
[5] João 8.36. Rom. 1.17. Gal. 3.11. Heb. 10.58.
[6] Pro. 27.20 e 30.16.
[7] Miq. 2.4.
[8] Isa. 33.1.
[9] Jer. 22.13.
[10] Jer. 49.16. Oba. 4.
[11] Jer. 22.13. Eze. 24.9. Miq. 3.10. Nah. 3.1.
[12] Jer. 51.58.
[13] Isa. 11.9.
[14] Ose. 7.5.
[15] Gen. 9.22.
[16] Jer. 25.26, 27 e 51.57.
[17] ver. 8.
[18] Isa. 44.9, 10 e 46.2.
[19] Jer. 10.8, 14. Zac. 10.2.
[20] Sof. 1.7. Zac. 2.13.
A oração de Habacuc.
3 Oração do propheta Habacuc sobre Shigionoth.
2 Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi: aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos annos, no meio dos annos a notifica: na tua ira lembra-te de misericordia.
3 Deus veiu de Teman, [1] e o Sancto do monte de Paran (Selah). A sua gloria cobriu os céus, e a terra foi cheia do seu louvor.
4 E o resplandor se fez como a luz, raios brilhantes lhe sahiam da sua mão, [2] e ali estava o esconderijo da sua força.
5 Diante d’elle ia a peste, e queimaduras passavam diante dos seus pés.
6 Parou, e mediu a terra: olhou, e fez sair as nações: [3] e os montes perpetuos foram esmiuçados; os outeiros eternos se encurvaram, porque o andar eterno é seu.
7 Vi as tendas de Cusan [ADX] debaixo da vaidade: as cortinas da terra de Midian tremiam.
8 Acaso é contra os rios, Senhor, que tu estás irado? contra os ribeiros foi a tua ira? contra o mar foi o teu furor, quando andaste montado sobre os teus cavallos? [4] os teus carros foram a salvação?
9 Descoberto se despertou o teu arco, pelos juramentos feitos ás tribus, pela tua palavra (Selah). Tu fendeste a terra com rios.
10 Os montes te viram, [5] e tremeram: a inundação das aguas passou; deu o abysmo a sua voz, levantou as suas mãos ao alto.
11 O sol e a lua pararam nas suas moradas: [6] andaram á luz das tuas frechas, ao resplandor do relampago da tua lança.
12 Com indignação marchaste pela terra, [7] com ira trilhaste as nações.
13 Tu saiste para salvamento do teu povo, para salvamento do teu ungido: [8] tu feriste a cabeça da casa do impio, descobrindo o alicerce até ao pescoço (Selah).
14 Tu furaste com os teus cajados a cabeça [ADY] das suas aldeias; elles me accommetteram tempestuosos para me espalharem: alegravam-se, como se estivessem para devorar o pobre em segredo.
15 Tu [9] com os teus cavallos marchaste pelo mar, pelo montão de grandes aguas.
16 Ouvindo-o eu, o meu ventre se commoveu, á sua voz tremeram os meus labios; entrou a podridão nos meus ossos, e estremeci dentro de mim; no dia da angustia descançarei, quando subir contra o povo que nos destruirá.
17 Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fructo na vide; o producto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos curraes não haja vaccas:
18 Todavia [10] eu me alegrarei no Senhor: gozar-me-hei no Deus da minha salvação.
19 JEHOVAH, o Senhor, é minha força, [11] e fará os meus pés como os das cervas, [12] e me fará andar sobre as minhas alturas. Para o cantor-mór sobre os meus instrumentos de musica.
[1] Deu. 33.2. Jui. 5.4.
[2] Nah. 1.3.
[3] Nah. 1.5. Gen. 49.26.
[4] Deu. 33.26, 27.
[5] Exo. 19.16, 18. Jui. 5.4, 5. Exo. 14.22. Jos. 3.16.
[6] Jos. 10.12, 13. Jos. 10.11.
[7] Jer. 51.33. Amós 1.3. Miq. 4.13.
[8] Jos. 10.24 e 11.8, 12.
[9] ver. 8.
[10] Isa. 41.16 e 61.10.
[11] II Sam. 22.34.
[12] Deu. 32.13 e 33.29.
SOFONIAS.
Ameaças contra Judah e Jerusalem.
[Antes de Christo 630]
1 Palavra do Senhor, feita a Sofonias, filho de Cushi, filho de Gedalia, filho de Amaria, filho de Hizekia, nos dias de Josia, filho de Amon, rei de Judah.
2 Eu indubitavelmente hei de arrebatar tudo de sobre a face da terra, diz o Senhor.
3 Arrebatarei os homens e os animaes, [1] arrebatarei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços com os impios; e exterminarei os homens de cima da terra, disse o Senhor.
4 E estenderei a minha mão contra Judah, e contra todos os habitantes de Jerusalem, [2] e exterminarei d’este logar o resto de Baal, e o nome dos chemarins com os sacerdotes;
5 E [3] os que sobre os telhados se encurvam ao exercito do céu; e os que se inclinam jurando pelo Senhor, [4] e juram por Malcam;
6 E [5] os que se desviam de andar em seguimento do Senhor, [6] e os que não buscam ao Senhor, nem perguntam por elle.
7 Cala-te [7] diante do Senhor JEHOVAH, porque o dia do Senhor está perto, porque o Senhor apparelhou o sacrificio, e sanctificou os seus convidados.
8 E ha de ser que, no dia do sacrificio do Senhor, hei de fazer visitação sobre os principes, e sobre os filhos do rei, e sobre todos os que se vestem de vestidura estranha.
9 Farei tambem visitação n’aquelle dia sobre todo aquelle que salta sobre o umbral, que enche de violencia e engano a casa dos senhores d’elles.
10 E n’aquelle dia, diz o Senhor, haverá uma voz de clamor desde a porta do pescado, [8] e um uivo desde a segunda parte, e grande quebranto desde os outeiros.
11 Uivae [9] vós, moradores [ADZ] do valle, porque todo o povo que mercava está arruinado, todos os carregados de dinheiro são destruidos.
12 E ha de ser que, n’aquelle tempo, esquadrinharei a Jerusalem com lanternas, [10] e farei visitação sobre os homens que estão assentados sobre as suas fezes, que dizem no seu coração: O Senhor não faz bem nem faz mal.
13 Por isso será saqueada a sua fazenda, e assoladas as suas casas: [11] e edificarão casas, mas não habitarão n’ellas, e plantarão vinhas, mas não lhes beberão o seu vinho.
14 O [12] grande dia do Senhor está perto, perto está, e se apressa muito, a voz do dia do Senhor: amargosamente clamará ali o valente.
15 Aquelle dia [13] será um dia de indignação, dia de angustia e de ancia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas,
16 Dia de buzina [14] e de alarido contra as cidades fortes e contra as torres altas.
17 E angustiarei os homens, [15] que andarão como cegos, porque peccaram contra o Senhor; e o seu sangue se derramará como pó, [16] e a sua carne será como esterco.
18 Nem [17] a sua prata nem o seu oiro os poderá livrar no dia do furor do Senhor, [18] mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores d’esta terra uma destruição total e apressada.
[1] Ose. 4.3. Eze. 7.19 e 14.3, 4, 7. Mat. 13.41.
[2] II Reis 23.4, 5. Ose. 10.5.
[3] II Reis 23.12. Jer. 19.13. I Reis 18.21. II Reis 17.33, 41.
[4] Isa. 48.1. Ose. 4.15. Jos. 23.7.
[5] Isa. 1.4.
[6] Ose. 7.7.
[7] Hab. 2.20. Zac. 2.13. Isa. 13.6 e 34.6. Jer. 46.10. Eze. 39.17. Apo. 19.17.
[8] II Chr. 33.14.
[9] Thi. 5.1.
[10] Jer. 48.11.
[11] Deu. 28.30, 39. Amós 5.11. Miq. 6.15.
[12] Joel 2.1, 11.
[13] Isa. 22.5. Jer. 30.7. Joel 2.2, 11. Amós 5.18. ver. 18.
[14] Jer. 4.19.
[15] Deu. 28.29. Isa. 50.10.
[16] Jer. 9.22 e 16.4.
[17] Pro. 11.4. Eze. 7.19.
[18] cap. 3.8.
Ameaças contra diversas nações.
2 Congregae-vos, [1] sim, congregae-vos, ó nação que não tem [AEA] desejo,
2 Antes que o decreto produza o seu effeito, [2] antes que o dia passe como a pragana, antes que venha sobre vós a ira do Senhor, antes que venha sobre vós o dia da ira do Senhor.
3 Buscae [3] ao Senhor, vós todos os mansos da terra, que pondes em obra o seu juizo: buscae a justiça, buscae a mansidão; [4] porventura sereis escondidos no dia da ira do Senhor.
4 Porque [5] Gaza será desamparada, e Ascalon será assolada: [6] Asdod ao meio dia será expellida, e Ekron será desarreigada.
5 Ai dos habitantes da borda do mar, do povo dos chereteos! [7] a palavra do Senhor será contra vós, ó Canaan, terra dos philisteos, e eu vos farei destruir, até que não haja morador.
6 E a borda do mar será por cabanas, que cavam os pastores, [8] e curraes dos rebanhos.
7 E [9] será a borda para o resto da casa de Judah, que n’ella apascentem: á tarde se assentarão nas casas de Ascalon, porque o Senhor seu Deus os visitará, [10] e lhes tornará o seu captiveiro.
8 Eu [11] ouvi o escarneo de Moab, e as injuriosas palavras dos filhos de Ammon, com que escarneceram do meu povo, [12] e se engrandeceram contra o seu termo.
9 Portanto, vivo eu, diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel, [13] certamente Moab será como Sodoma, e os filhos de Ammon como Gomorrah, [14] campo de ortigas e poços de sal, e assolação perpetua; o resto do meu povo os saqueará, e o restante do meu povo os possuirá.
10 Isto [15] terão em recompensa da sua soberba, porque escarneceram, e se engrandeceram contra o povo do Senhor dos Exercitos.
11 O Senhor será terrivel contra elles, [16] porque emmagrecerá a todos os deuses da terra; e cada um se inclinará a elle desde o seu logar; todas as ilhas das nações.
12 Tambem vós, [17] ó ethiopes, sereis mortos com a minha espada.
13 Estenderá tambem a sua mão contra o norte, [18] e destruirá a Assyria; e fará de Ninive uma assolação, terra secca como o deserto.
14 E [19] no meio d’ella repousarão os rebanhos, todos os animaes dos povos; e alojar-se-hão nos seus capiteis assim o pelicano como o ouriço: a voz do seu canto retinirá nas janellas, a assolação estará no umbral, quando tiver descoberto a sua obra de cedro.
15 Esta é a cidade [20] que salta de alegria, que habita segura, que diz no seu coração: Eu sou, e não ha mais do que eu: como se tornou em assolação em pousada de animaes! qualquer que passar por ella assobiará, [21] e meneará a sua mão.
[1] Joel 2.16.
[2] Job 21.18. Isa. 17.13. Ose. 13.3. II Reis 23.26.
[3] Amós 5.6.
[4] Joel 2.14. Amós 5.15. Jon. 3.9.
[5] Jer. 47.4, 5. Eze. 25.15. Amós 1.6, 7, 8. Zac. 9.5, 6.
[6] Jer. 6.4 e 15.8.
[7] Jos. 13.3.
[8] Isa. 17.2. ver. 14.
[9] Isa. 11.11. Agg. 1.12. ver. 9.
[10] Exo. 4.31. Luc. 1.68. Jer. 29.14. cap. 3.20.
[11] Jer. 48.27.
[12] Jer. 49.1.
[13] Isa. 15. Jer. 48. Amós 2.1. Amós 1.13.
[14] Gen. 19.25. Isa. 13.19 e 34.13. Jer. 49.18 e 50.40.
[15] Isa. 16.6. Jer. 48.29.
[16] Mal. 1.11. João 4.21.
[17] Isa. 18.1 e 20.4. Jer. 46.9. Eze. 30.9.
[18] Isa. 10.12. Eze. 31.3. Neh. 2.10 e 3.15, 18.
[19] ver. 6. Isa. 13.21, 22.
[20] Isa. 47.8. Apo. 18.7.
[21] Job 27.23. Lam. 2.15. Nah. 3.19.
O castigo de Jerusalem: a promessa feita aos fieis.
3 Ai da suja e da contaminada, da cidade oppressora.
2 Não ouve a voz, [1] não acceita o castigo: não confia no Senhor; nem se approximou do seu Deus.
3 Os seus principes [2] são leões bramantes no meio d’ella; os seus juizes lobos da tarde, que não deixam os ossos até á manhã.
4 Os seus prophetas [3] são levianos, homens aleivosos: os seus sacerdotes profanaram o sanctuario, [4] e fizeram violencia á lei.
5 O Senhor, o Justo, [5] está no meio d’ella; elle não faz iniquidade: cada manhã tira o seu juizo á luz; nunca falta; [6] porém o perverso não conhece a vergonha.
6 Exterminei as nações, as suas torres estão assoladas: fiz desertar as suas praças, até não ficar quem passe: as suas cidades estão destruidas, até não ficar ninguem, até não haver quem as habite.
7 Eu dizia: [7] Certamente me temerás, e acceitarás a correcção, para que a sua morada não seja destruida, por tudo pelo que a visitei, mas elles se levantaram de madrugada, [8] corromperam todas as suas obras.
8 Portanto esperae-me a mim, [9] diz o Senhor, no dia em que eu me levantar para o despojo; porque o meu juizo é ajuntar as nações e [10] congregar os reinos, para sobre elles derramar a minha indignação, e todo o ardor da minha ira; [11] porque toda esta terra será consumida pelo fogo do meu zelo.
9 Porque então darei beiço puro aos povos, para que todos invoquem o nome do Senhor, para que o sirvam [AEB] com um mesmo hombro.
10 [12] D’além dos rios dos ethiopes, meus zelosos adoradores, e a filha de minha espargida, me trarão sacrificio.
11 N’aquelle dia não te envergonharás de nenhuma das tuas obras, com as quaes te rebellaste contra mim; porque então tirarei do meio de ti os que exultam na tua soberba, e tu nunca mais te ensoberbecerás no meu monte sancto.
12 Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; [13] mas elles confiarão no nome do Senhor.
13 O resto [14] de Israel não fará iniquidade, nem fallará mentira, e na sua bocca não se achará lingua enganosa; mas serão apascentados, [15] e deitar-se-hão, e não haverá quem os espante.
14 Canta alegremente, [16] ó filha de Sião: jubila, ó Israel: goza-te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalem.
15 O Senhor affastou os teus juizos, exterminou o teu inimigo: o Senhor, [17] o rei d’Israel, está no meio de ti; tu não verás mais mal algum.
16 N’aquelle [18] dia se dirá a Jerusalem: [19] Não temas, ó Sião, não se enfraqueçam as tuas mãos.
17 O Senhor teu Deus está no [20] meio de ti, poderoso te salvará; elle se deleitará em ti com alegria; calar-se-ha por seu amor, regozijar-se-ha em ti com jubilo.
18 Os entristecidos por causa do ajuntamento solemne congregarei, para quem a affronta foi um peso.
19 Eis que, n’aquelle tempo desfarei a todos os teus oppressores, [21] e salvarei a que coxeia, e recolherei a que foi expulsa; e farei d’elles um louvor e um nome em toda a terra em que foram envergonhados.
20 N’aquelle tempo [22] vos trarei para cá, a saber, no tempo em que vos recolher: certamente farei de vós um nome e um louvor entre todos os povos da terra, quando reconduzir [AEC] os vossos captivos diante dos vossos olhos.
[1] Jer. 22.21. Jer. 5.3.
[2] Eze. 22.27. Miq. 3.9, 10, 11.
[3] Jer. 23.11, 12. Lam. 2.14. Ose. 9.7.
[4] Eze. 22.26.
[5] Deu. 32.4. ver. 15, 17. Miq. 3.11.
[6] Jer. 3.3 e 6.15 e 8.12.
[7] Jer. 8.6.
[8] Gen. 6.12.
[9] Pro. 20.22.
[10] Joel 3.2.
[11] cap. 1.18.
[12] Isa. 18.1, 7 e 60.4, etc. Mal. 1.11. Act. 8.27.
[13] Isa. 14.32. Zac. 11.11. Mal. 5.3. Thi. 2.5.
[14] Miq. 4.7. Apo. 14.5.
[15] Eze. 34.28. Miq. 4.4 e 7.14.
[16] Isa. 12.6 e 54.1. Zac. 2.10.
[17] João 1.49. ver. 17. Eze. 48.35. Apo. 21.3, 4.
[18] Isa. 35.3, 4.
[19] Heb. 12.12.
[20] ver. 15. Deu. 30.9. Isa. 62.5 e 65.19. Jer. 32.41.
[21] Eze. 34.16.
[22] Isa. 11.12 e 27.12 e 56.8. Eze. 28.25 e 34.13.
AGGEO.
Aggeo reprehende o povo por causa de sua inercia, e o exhorta a reedificar o templo.
[Antes de Christo 520]
1 No anno segundo do [1] rei Dario, no sexto mez, no primeiro dia do mez, veiu a palavra do Senhor, pelo ministerio do propheta Aggeo, a Zorobabel, [2] filho de Sealtiel, principe de Judah, e a Josué, filho de Josadac, [3] o summo sacerdote, dizendo:
2 Assim falla o Senhor dos Exercitos, dizendo: Este povo diz: Não é vindo o tempo, o tempo em que a casa do Senhor se edifique.
3 Veiu pois a palavra do Senhor, [4] pelo ministerio do propheta Aggeo, dizendo:
4 Porventura é para vós tempo de habitardes nas vossas casas entaboladas, e esta casa ha de ficar deserta?
5 Ora pois, assim diz o Senhor dos Exercitos: [5] Applicae os vossos corações aos vossos caminhos.
6 Semeiaes muito, [6] e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartaes; bebeis, porém não vos saciaes; vestis-vos, porém ninguem fica quente; [7] e o que recebe salario, recebe salario n’um sacco furado.
7 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Applicae os vossos corações aos vossos caminhos.
8 Subi ao monte, e trazei madeira, e edificae a casa, e d’ella me agradarei, e serei glorificado, diz o Senhor.
9 Olhastes para [8] muito, mas eis que alcançastes pouco; e, quando o trouxestes a casa, eu lhe assoprei. Por que causa? disse o Senhor dos Exercitos: por causa da minha casa, que está deserta, e cada um de vós corre á sua propria casa.
10 Por isso [9] se cerram os céus sobre vós, para não darem orvalho e a terra detem os seus fructos.
11 Porque chamei [10] seccura sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo e sobre o mosto; e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz; como tambem sobre os homens, e sobre os animaes, e sobre todo o trabalho das mãos.
12 Então ouviu Zorobabel, [11] filho de Sealtiel, e Josué, filho de Josadac, summo sacerdote, e todo o resto do povo a voz do Senhor seu Deus; e as palavras do propheta Aggeo, assim como o Senhor seu Deus o enviou; e temeu o povo diante do Senhor.
13 Então Aggeo, o [AED] embaixador do Senhor, na [AEE] embaixada do Senhor, fallou ao povo, dizendo: Eu sou comvosco, [12] diz o Senhor.
14 E o Senhor suscitou o espirito de Zorobabel, filho de Sealtiel, principe de Judah, e o espirito de Josué, filho de Josadac, summo sacerdote, e o espirito do resto de todo o povo, e vieram, [13] e fizeram a obra na casa do Senhor dos Exercitos, seu Deus,
15 Ao vigesimo quarto dia do sexto mez, no segundo anno do rei Dario.
[1] Esd. 4.24 e 5.1. Zac. 1.1.
[2] I Chr. 3.17, 19. Luc. 3.27.
[3] I Chr. 6.15.
[4] Esd. 5.1.
[5] Lam. 3.40. ver. 7.
[6] Deu. 28.38. Ose. 4.10. Miq. 6.14, 15.
[7] Zac. 8.10.
[8] cap. 2.17.
[9] Lev. 26.19. Deu. 28.23. I Reis 8.35.
[10] I Reis 17.1. II Reis 8.1.
[11] Esd. 5.2.
[12] Mat. 28.20. Rom. 8.31.
[13] Esd. 5.2, 8.
A gloria do segundo templo.
2 No setimo mez, ao vigesimo primeiro do mez, foi a palavra do Senhor pelo ministerio do propheta Aggeo, dizendo:
2 Falla agora a Zorobabel, filho de Sealtiel, principe de Judah, e a Josué, filho de Josadac, summo sacerdote, e ao resto do povo, dizendo:
3 Quem [1] ha entre vós que resta, que viu esta casa na sua primeira gloria, e qual agora a vêdes? não é esta como nada em vossos olhos, comparada com aquella.
4 Ora, pois, [2] esforça-te, Zorobabel, diz o Senhor, e esforça-te, Josué, filho de Josadac, summo sacerdote, e esforça-te, todo o povo da terra, diz o Senhor, e obra; porque eu sou comvosco, diz o Senhor dos Exercitos,
5 Segundo [3] a palavra que concertei comvosco, quando saistes do Egypto, [4] e o meu Espirito ficou no meio de vós: não temaes.
6 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos: [5] Ainda uma vez d’aqui a pouco, e farei tremer os céus, e a terra, e o mar, e a terra secca;
7 E farei tremer a todas as nações, [6] e virão ao Desejado de todas as nações, e encherei esta casa de gloria, diz o Senhor dos Exercitos.
8 Minha é a prata, e meu é o oiro, disse o Senhor dos Exercitos.
9 A gloria [7] d’esta ultima casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exercitos, [8] e n’este logar darei a paz, diz o Senhor dos Exercitos.
Reprehensão e promessa de benção.
10 Ao vigesimo quarto do mez nono, no segundo anno de Dario, veiu a palavra do Senhor pelo ministerio do propheta Aggeo, dizendo:
11 Assim diz o Senhor dos Exercitos: [9] Pergunta agora aos sacerdotes, ácerca da lei, dizendo:
12 Se alguem leva carne sancta na aba do seu vestido, e com a sua aba toca no pão, ou no guizado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura isso será sanctificado? E os sacerdotes, respondendo, diziam: Não.
13 E disse Aggeo: [10] Se algum immundo, por causa d’um corpo morto, tocar n’alguma d’estas coisas, porventura ficará immunda? E os sacerdotes, respondendo, diziam: Ficará immunda.
14 Então respondeu Aggeo, e disse: [11] Assim é que este povo, e assim é que esta nação está diante do meu rosto, disse o Senhor; e assim é toda a obra das suas mãos: e tudo o que ali offerecem immundo é.
15 Agora pois, [12] applicae o vosso coração n’isto, desde este dia em diante, antes que pozesseis pedra sobre pedra no templo do Senhor.
16 Depois [13] que estas coisas se faziam, veiu alguem ao montão de grão, de vinte medidas, e havia sómente dez: vindo ao lagar para tirar cincoenta do lagar, havia sómente vinte.
17 Feri-vos [14] com queimadura, e com ferrugem, e com saraiva, [15] em toda a obra das vossas mãos; [16] e não houve entre vós quem voltasse para mim, diz o Senhor.
18 Ponde pois o vosso coração n’isto, desde este dia em diante: [17] desde o vigesimo quarto dia do mez nono, desde o dia em que se fundou o templo do Senhor, ponde o vosso coração n’isto.
19 Porventura [18] ainda ha semente no celleiro? nem ainda a videira, nem a figueira, nem a romeira, nem a oliveira, tem dado os seus fructos, mas desde este dia te abençoarei.
A destruição dos inimigos: a elevação de Zorobabel.
20 E veiu a palavra do Senhor segunda vez a Aggeo, aos vinte e quatro do mez, dizendo:
21 Falla a Zorobabel, [19] principe de Judah, dizendo: Farei tremer os céus e a terra:
22 E transtornarei [20] o throno dos reinos, e destruirei a força dos reinos das nações; e transtornarei o carro e os que n’elle se assentam; [21] e os cavallos e os que andam montados n’elles cairão, cada um pela espada do seu irmão.
23 N’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos, te tomarei, ó Zorobabel, filho de Sealtiel, servo meu, diz o Senhor, [22] e te farei como um annel de sellar; porque te escolhi, [23] diz o Senhor dos Exercitos.
[1] Esd. 3.12.
[2] Zac. 8.9.
[3] Exo. 29.45, 46.
[4] Neh. 9.20. Isa. 63.11.
[5] Heb. 12.26. Joel 3.16.
[6] Gen. 49.10. Mal. 3.1.
[7] João 1.14.
[8] Luc. 2.14. Eph. 2.14.
[9] Lev. 10.10, 11. Deu. 33.10. Mal. 2.7.
[10] Num. 19.11.
[11] Tito 1.15.
[12] cap. 1.5.
[13] cap. 1.6, 9.
[14] Deu. 28.22. I Reis 8.37. Amós 4.9. cap. 1.9.
[15] cap. 1.11.
[16] Jer. 5.3. Amós 4.6, 8, 9, 10, 11.
[17] Zac. 8.9.
[18] Zac. 8.12.
[19] cap. 1.41. Heb. 12.26.
[20] Mat. 24.7.
[21] Miq. 5.10.
[22] Can. 8.6.
[23] Isa. 42.1 e 43.10.
ZACHARIAS.
Exhortação ao arrependimento.
[Antes de Christo 519]
1 No oitavo mez do segundo anno [1] de Dario veiu a palavra do Senhor ao propheta Zacharias, [2] filho de Barachias, filho de Iddo, dizendo:
2 O Senhor se irou por extremo contra vossos paes.
3 Portanto dize-lhes: Assim diz o Senhor dos Exercitos: [3] Tornae para mim, diz o Senhor dos Exercitos, e eu tornarei para vós, diz o Senhor dos Exercitos.
4 E não sejaes como vossos paes, [4] aos quaes gritavam os primeiros prophetas, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exercitos: [5] Convertei-vos agora dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; porém não ouviam, nem me escutavam, diz o Senhor.
5 Vossos paes, onde estão? e os prophetas, viverão elles para sempre?
6 Comtudo as minhas palavras e os meus estatutos, que eu mandei aos prophetas, meus servos, não alcançaram a vossos paes? E elles tornaram, e disseram: [6] Assim como o Senhor dos Exercitos fez tenção de nos tratar, segundo os nossos caminhos, e segundo as nossas obras, assim elle nos tratou.
A primeira visão: os cavallos.
7 Aos vinte e quatro dias do mez undecimo (que é o mez de Sebat), no segundo anno de Dario, veiu a palavra do Senhor ao propheta Zacharias, filho de Barachias, filho de Iddo, dizendo:
8 Vi de noite, [7] e eis um homem montado n’um cavallo vermelho, e parava entre as murtas que estavam na [AEF] profundeza, e atraz d’elle estavam cavallos vermelhos, [8] morenos e brancos.
9 E eu disse: Senhor meu, quem são estes? E disse-me o anjo que fallava comigo: Eu te mostrarei quem estes são.
10 Então respondeu o homem que estava entre as murtas, e disse: [9] Estes são os que o Senhor tem enviado para andarem pela terra.
11 E elles responderam ao anjo do Senhor, que estava entre as murtas, e disseram: Nós já andámos pela terra, e eis que toda a terra está assentada e quieta.
12 Então o anjo do Senhor respondeu, e disse: [10] Ó Senhor dos Exercitos, até quando não terás compaixão de Jerusalem, e das cidades de Judah, [11] contra as quaes estiveste irado estes setenta annos?
13 E respondeu o Senhor ao anjo, que fallava comigo, [12] palavras boas, palavras consoladoras.
14 E o anjo que fallava comigo me disse: Clama, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exercitos: [13] Com grande zelo estou zelando por Jerusalem e por Sião.
15 E com grandissima ira estou irado contra as nações descançadas; [14] porque eu estava pouco irado, mas elles auxiliaram o mal.
16 Portanto, o Senhor diz assim: [15] Tornei-me a Jerusalem com misericordia, a minha casa n’ella será edificada, diz o Senhor dos Exercitos, [16] e o cordel será estendido sobre Jerusalem.
17 Clama mais, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exercitos: As minhas cidades ainda serão estendidas por causa do bem; [17] porque o Senhor ainda consolará a Sião e ainda escolherá a Jerusalem.
A segunda visão: os quatro cornos e os quatro ferreiros.
18 E levantei os meus olhos, e vi, e eis que vi quatro cornos.
19 E eu disse ao anjo que fallava comigo: Que são estes? E elle me disse: [18] Estes são os [AEG] poderes que espalharam a Judah, a Israel e a Jerusalem.
20 E o Senhor me mostrou quatro ferreiros.
21 Então eu disse: Que veem estes fazer? E elle fallou, dizendo: Estes são os poderes que espalharam a Jerusalem, de maneira que ninguem levantasse a sua cabeça; estes pois vieram para lhes metter medo, para derribarem os poderes das nações que levantaram o seu [AEH] poder contra a terra de Judah, para a espalharem.
[1] Esd. 4.24. Agg. 1.1.
[2] Esd. 5.1. Mat. 23.35.
[3] Jer. 25.5 e 35.15. Mal. 3.7. Thi. 4.8.
[4] II Chr. 36.15, 16.
[5] Isa. 31.6. Jer. 3.12 e 18.11. Eze. 18.30. Ose. 14.1.
[6] Lam. 1.18 e 2.17.
[7] Jos. 5.13. Apo. 6.4.
[8] cap. 6.2.
[9] Heb. 1.14.
[10] Apo. 6.10.
[11] Jer. 25.11, 12. Dan. 9.2. cap. 7.5.
[12] Jer. 29.10.
[13] Joel 2.18. cap. 8.2.
[14] Isa. 47.6.
[15] Isa. 12.1 e 54.8. cap. 2.10 e 8.3.
[16] cap. 2.1, 2.
[17] Isa. 51.3. Isa. 14.1. cap. 2.12 e 3.2.
[18] Esd. 4.1, 4, 7 e 5.3.
A terceira visão: Jerusalem é medida.
2 Tornei a levantar os meus olhos, e vi, [1] e eis aqui um homem em cuja mão estava um cordel de medir.
2 E eu disse: Para onde vaes tu? E elle me disse: [2] Vou a medir Jerusalem, para vêr qual é a sua largura e qual o seu comprimento.
3 E eis que saiu o anjo que fallava comigo, e outro anjo lhe saiu ao encontro.
4 E disse-lhe: Corre, falla a este mancebo, dizendo: [3] Jerusalem será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão dos homens e dos animaes que estarão no meio d’ella.
5 E [4] eu, diz o Senhor, serei para ella um muro de fogo em redor, e serei para gloria no meio d’ella.
6 Olá, oh! [5] fugi agora da terra do norte, diz o Senhor, [6] porque vos estendi pelos quatro ventos do céu, diz o Senhor.
7 Olá, Sião! [7] livra-te tu, que habitas com a filha de Babylonia.
8 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos: Depois da gloria elle me enviou ás nações que vos despojaram; [8] porque aquelle que tocar em vós toca na menina do seu olho.
9 Porque eis que [9] levantarei a minha mão sobre elles, e elles virão a ser a preza d’aquelles que os serviram: [10] assim sabereis vós que o Senhor dos Exercitos me enviou.
10 Exulta, [11] e alegra-te ó filha de Sião, [12] porque eis que venho, e habitarei no meio de ti, diz o Senhor.
11 E n’aquelle dia muitas nações se ajuntarão ao Senhor, [13] e me serão por povo, e habitarei no meio de ti, [14] e saberás que o Senhor dos Exercitos me enviou a ti.
12 Então [15] o Senhor herdará a Judah por sua porção na terra sancta, e ainda escolherá a Jerusalem.
13 Cala-te, [16] toda a carne, diante do Senhor, porque elle se despertou da sua sancta morada.
[1] Eze. 40.3.
[2] Apo. 11.1 e 21.15, 16.
[3] Eze. 36.10, 11.
[4] Isa. 26.1. cap. 9.8. Isa. 60.19. Apo. 21.23.
[5] Isa. 48.20. Jer. 1.14 e 50.8 e 51.6, 45.
[6] Deu. 28.64. Eze. 17.21.
[7] Apo. 18.4.
[8] Deu. 32.10.
[9] Isa. 19.16.
[10] cap. 4.9.
[11] Isa. 12.6 e 54.1. Sof. 3.14.
[12] Lev. 26.12. Eze. 37.27. cap. 8.3. João 1.14. II Cor. 6.16.
[13] Isa. 2.2, 3 e 60.3, etc. cap. 8.22, 23. cap. 3.10. Exo. 12.49.
[14] Eze. 33.33. ver. 9.
[15] Deu. 32.9. cap. 1.17.
[16] Hab. 2.20. Sof. 1.7. Isa. 57.15.
Quarta visão: o summo sacerdote é accusado por Satanaz e justificado por Deus.
3 E [1] me mostrou o summo sacerdote Josué, o qual estava diante do Senhor, [2] e Satanaz estava á sua mão direita, para se lhe oppôr.
2 Porém [3] o Senhor disse a Satanaz: O Senhor te reprehenda, ó Satanaz, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalem, te reprehenda: [4] não é este um tição tirado do fogo?
3 Josué [5] estava vestido de vestidos sujos, e estava diante do anjo.
4 Então respondeu, e fallou aos que estavam diante d’elle, dizendo: Tira-lhe estes vestidos sujos. E a elle lhe disse: [6] Eis que tenho feito passar de ti a tua iniquidade, e te vestirei de vestidos novos.
5 E disse eu: [7] Ponham-lhe uma mitra limpa sobre a sua cabeça. E pozeram uma mitra limpa sobre a sua cabeça, e o vestiram de vestidos: e o anjo do Senhor estava em pé.
6 E o anjo do Senhor protestou a Josué, dizendo:
7 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Se andares nos meus caminhos, [8] e se observares a minha carga, tambem tu julgarás a minha casa, e tambem guardarás os meus atrios, e te darei andaduras entre os que estão aqui.
8 Ouve pois, Josué, summo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens portentosos, [9] porque eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo.
9 Porque eis aqui a pedra que puz diante de Josué: [10] sobre esta pedra unica estarão sete olhos: eis que eu esculpirei a sua esculptura, diz o Senhor dos Exercitos, [11] e tirarei a iniquidade d’esta terra n’um dia.
10 N’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos, [12] cada um de vós convidará o seu companheiro para debaixo da videira e para debaixo da figueira.
[1] Agg. 1.1.
[2] Apo. 12.10.
[3] Jud. 9. cap. 1.17.
[4] Amós 4.11. Jud. 23.
[5] Isa. 64.6.
[6] Isa. 61.10. Luc. 15.22. Apo. 19.8.
[7] Exo. 29.6. cap. 6.11.
[8] Lev. 8.35. I Reis 2.3. Eze. 44.16. Deu. 17.9. Mal. 2.7.
[9] Jer. 23.5 e 33.15. cap. 6.12. Luc. 1.78.
[10] Isa. 28.16. cap. 4.10. Apo. 5.6.
[11] Jer. 31.34 e 50.20. Miq. 7.18, 19. cap. 13.1.
[12] cap. 2.11. I Reis 4.25. Isa. 36.16. Miq. 4.4.
A quinta visão: o castiçal de oiro e as sete lampadas.
4 E tornou [1] o anjo que fallava comigo, e me despertou, [2] como a um homem que se desperta do seu somno,
2 E me disse: Que vês? E eu disse: [3] Olho, e eis que vejo um castiçal todo de oiro, e um vaso de azeite sobre a sua cabeça, e as suas sete lampadas n’ella; e cada lampada que estava na sua cabeça tinha sete canudos.
3 E, [4] por cima d’elle, duas oliveiras, uma á direita do vaso de azeite, e outra á sua esquerda.
4 E respondi, e disse ao anjo que fallava comigo, dizendo: Senhor meu, que é isto?
5 Então respondeu o anjo que fallava comigo, e me disse: Não sabes tu o que isto é? E eu disse: Não, Senhor meu.
6 E respondeu, e me fallou, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: [5] Não por força nem por violencia, mas sim pelo meu Espirito, diz o Senhor dos Exercitos.
7 Quem és tu, [6] ó monte grande? diante de Zorobabel serás feito uma campina; [7] porque elle produzirá a primeira pedra com algazarras: Graça, graça a ella.
8 E a palavra do Senhor veiu mais a mim, dizendo:
9 As [8] mãos de Zorobabel teem fundado esta casa, tambem as suas mãos a acabarão, [9] para que saibaes que o Senhor dos Exercitos me enviou a vós.
10 Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas? pois aquelles sete se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel: [10] esses são os olhos do Senhor, que discorrem por toda a terra.
11 Respondi mais, e disse-lhe: [11] Que são as duas oliveiras á direita do castiçal e á sua esquerda?
12 E, respondendo-lhe outra vez, disse: Que são aquelles dois raminhos das oliveiras, que estão junto aos dois tubos d’oiro, e que vertem de si oiro?
13 E elle me fallou, dizendo: Não sabes tu o que isto é? E eu disse: Não, Senhor meu.
14 Então elle disse: [12] Estes são dois [AEI] ramos de oleo, que estão diante [13] do Senhor de toda a terra.
[1] cap. 2.3.
[2] Dan. 8.18.
[3] Exo. 25.31. Apo. 1.12. Exo. 25.37. Apo. 4.5.
[4] ver. 11, 12. Apo. 11.4.
[5] Ose. 1.7.
[6] Jer. 51.25. Mat. 21.21.
[7] Esd. 3.11, 13.
[8] Esd. 6.15.
[9] cap. 2.9, 11. Isa. 48.16. cap. 2.8.
[10] II Chr. 16.9. Pro. 15.3. cap. 3.9.
[11] ver. 3.
[12] Apo. 11.4. Luc. 1.19.
[13] cap. 6.5.
A sexta visão: o rolo voante.
5 E outra vez levantei os meus olhos, [1] e olhei, e eis que vi um rolo voante.
2 E me disse: Que vês? E eu disse: Vejo um rolo voante, que tem vinte covados de comprido e dez covados de largo.
3 Então me disse: [2] Esta é a maldição que sairá pela face de toda a terra; porque qualquer que furtar d’ahi, conforme a mesma maldição, será desarraigado; como tambem qualquer que jurar falsamente d’ahi, conforme a mesma maldição, será desarraigado.
4 Eu a tirarei para fóra, disse o Senhor dos Exercitos, e virá á casa do ladrão, [3] e á casa do que jurar falsamente pelo meu nome; e pernoitará no meio da sua casa, e a consumirá a ella com a sua madeira e com as suas pedras.
A setima visão: a mulher e o epha.
5 E saiu o anjo, que fallava comigo, e me disse: Levanta agora os teus olhos, e vê que é isto que sae.
6 E eu disse: Que é isto? E elle disse: Isto é um epha que sae. Mais disse: Este é o olho d’elles em toda a terra.
7 E eis que foi levantado um talento de chumbo, e havia uma mulher que estava assentada no meio do epha.
8 E elle disse: Esta é a impiedade. E a lançou dentro do epha; e lançou na bocca d’elle o peso de chumbo.
9 E levantei os meus olhos, e olhei, e eis que duas mulheres sairam, e havia vento nas suas azas, e tinham azas como as azas da cegonha; e levantaram o epha entre a terra e o céu.
10 Então eu disse ao anjo que fallava comigo: Para onde levam estas o epha?
11 E elle me disse: [4] Para lhe edificarem uma casa na terra de Sinear, e, sendo esta assentada, elle será posto ali sobre a sua base.
[1] Eze. 2.9.
[2] Mal. 4.6.
[3] Lev. 19.12. cap. 8.17. Mal. 3.5.
[4] Jer. 20.5, 28. Gen. 10.10.
A oitava visão: os quatro carros.
6 E outra vez levantei os meus olhos, e olhei, e eis que vi quatro carros que sairam d’entre dois montes, e estes montes eram montes de metal.
2 No primeiro carro [1] eram cavallos vermelhos, [2] e no segundo carro cavallos pretos,
3 E no terceiro [3] carro cavallos brancos, e no quarto carro cavallos saraivados, que eram fortes.
4 E respondi, [4] e disse ao anjo que fallava comigo: Que é isto, Senhor meu?
5 E o anjo respondeu, e me disse: [5] Estes são os quatro ventos do céu, saindo d’onde estavam perante o Senhor de toda a terra.
6 O carro em que estão os cavallos pretos, [6] sae para a terra do norte, e os brancos saem atraz d’elles, e os saraivados saem para a terra do sul.
7 E os cavallos fortes sahiam, [7] e procuravam ir por diante, para andarem pela terra. E elle disse: Ide, andae pela terra. E andavam pela terra.
8 E me chamou, e me fallou, dizendo: [8] Eis que aquelles que sairam para a terra do norte fizeram repousar o meu Espirito na terra do norte.
As corôas na cabeça de Josué: o Renovo.
9 E a palavra do Senhor veiu a mim, dizendo:
10 Toma dos que foram levados captivos: de Heldai, de Tobias, e de Jedaia (e vem n’aquelle dia, e entra na casa de Josias, filho de Sofonias), os quaes vieram de Babylonia.
11 Toma, digo, prata e oiro, [9] e faze corôas, e põe-as na cabeça de Josué, filho de Josadac, summo sacerdote.
12 E falla-lhe, dizendo: Assim falla o Senhor dos Exercitos, dizendo: [10] Eis aqui o homem cujo nome é o Renovo que brotará do seu logar, [11] e edificará o templo do Senhor.
13 Elle mesmo edificará o templo do Senhor, [12] e levará elle a gloria, e assentar-se-ha, e dominará no seu throno, e será sacerdote no seu throno, e conselho de paz haverá entre elles ambos.
14 E estas corôas serão de Helem, e de Tobias, e de Jedaia, e de Chen, filho de Sofonias, por memorial no templo do Senhor.
15 E aquelles que estão longe virão, e edificarão no templo do Senhor, [13] e vós sabereis que o Senhor dos Exercitos me tem enviado a vós; e isto acontecerá assim, se ouvirdes mui attentos a voz do Senhor vosso Deus.
[1] cap. 1.8. Apo. 6.4.
[2] Apo. 6.5.
[3] Apo. 6.2.
[4] cap. 5.10.
[5] Heb. 1.7, 14. I Reis 22.19. Dan. 7.10. cap. 4.14. Luc. 1.19.
[6] Jer. 1.14.
[7] Gen. 13.17. cap. 1.10.
[8] Jui. 8.3. Ecc. 10.4.
[9] Exo. 28.36 e 29.6. Lev. 8.9. cap. 3.5.
[10] Luc. 8.71. cap. 3.8.
[11] cap. 4.9. Mat. 16.18. Eph. 2.20, 21, 22. Heb. 3.3.
[12] Heb. 3.1.
[13] cap. 2.9 e 4.9.
O jejum que não agrada a Deus.
[Antes de Christo 518]
7 Aconteceu pois, no anno quarto do rei Dario, que a palavra do Senhor veiu a Zacharias, no dia quarto do nono mez, que é chisleu.
2 [AEJ] Quando foram enviados á casa de Deus, Saresar, e Regemmelech, e os homens d’elle, para supplicarem o rosto do Senhor,
3 Dizendo [1] aos sacerdotes, que estavam na casa do Senhor dos Exercitos, e aos prophetas: [2] Chorarei eu no quinto mez, separando-me, como o tenho feito por tantos annos?
4 Então a palavra do Senhor dos Exercitos veiu a mim, dizendo:
5 Falla a todo o povo d’esta terra, o aos sacerdotes, dizendo: Quando jejuastes, [3] e pranteastes, no quinto e no setimo mez, a saber, estes setenta annos, porventura, jejuando, [4] jejuastes para mim, para mim, digo?
6 Ou quando comestes, e quando bebestes, não fostes vós os que comieis e vós os que bebieis?
7 Não são estas as palavras que o Senhor prégou pelo ministerio dos prophetas primeiros, quando Jerusalem estava habitada e [AEK] quieta, com as suas cidades ao redor d’ella? [5] e o sul e a campina eram habitados?
8 E a palavra do Senhor veiu a Zacharias, dizendo:
9 Assim fallou o Senhor dos Exercitos, dizendo: [6] Julgae juizo verdadeiro, executae piedade e misericordias cada um com seu irmão;
10 E [7] não opprimaes a viuva, nem o orphão, nem o estrangeiro, nem o pobre, [8] nem intente o mal cada um contra o seu irmão no seu coração.
11 Porém não quizeram escutar, [9] e me deram o hombro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvidos, para que não ouvissem.
12 E fizeram [10] o seu coração como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exercitos enviava pelo seu Espirito pelo ministerio dos prophetas primeiros: [11] d’onde veiu a grande ira do Senhor dos Exercitos.
13 E aconteceu que, como elle clamou, e elles não ouviram, assim tambem elles clamaram, [12] mas eu não ouvi, diz o Senhor dos Exercitos.
14 E [13] os espalhei com tempestade entre todas as nações, que elles não conheciam, e a terra foi assolada atraz d’elles, de sorte que ninguem passava por ella, nem se tornava: porque teem feito da terra desejada uma desolação.
[1] Mal. 2.7.
[2] Jer. 52.12. cap. 8.19.
[3] Isa. 58.5. Jer. 41.1. cap. 8.19. cap. 1.12.
[4] Rom. 14.6.
[5] Jer. 17.26.
[6] Jer. 7.23. Miq. 6.8. cap. 8.16. Mat. 23.23.
[7] Exo. 22.21, 22. Deu. 24.17. Isa. 1.17. Jer. 5.28.
[8] cap. 8.17.
[9] Neh. 9.29. Jer. 7.24.
[10] Eze. 11.19 e 36.26. Neh. 9.29, 30.
[11] II Chr. 36.16. Dan. 9.11.
[12] Pro. 1.24, 28. Isa. 1.15. Jer. 11.11 e 14.12. Miq. 3.4.
[13] Deu. 4.27 e 28.64. Eze. 36.19. cap. 2.6. Deu. 28.33.
Bençãos promettidas.
8 Depois veiu a mim a palavra do Senhor dos Exercitos, dizendo:
2 Assim diz o Senhor dos Exercitos: [1] Zelei por Sião com grande zelo, e com grande furor zelei por ella.
3 Assim diz o Senhor: [2] Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalem; [3] e Jerusalem chamar-se-ha a cidade de verdade, e o monte do Senhor dos Exercitos monte de sanctidade.
4 Assim diz o Senhor dos Exercitos: [4] Ainda nas praças de Jerusalem habitarão velhos e velhas; e cada um terá na sua mão o seu bordão, por causa da sua muita edade.
5 E as ruas da cidade serão cheias de meninos e meninas, que brincarão nas ruas d’ella.
6 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Se isto será maravilhoso aos olhos do resto d’este povo n’aquelles dias, [5] sel-o-ha por isso tambem maravilhoso aos meus olhos? disse o Senhor dos Exercitos.
7 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Eis que [6] salvarei o meu povo da terra do oriente e da terra do pôr do sol;
8 E tral-os-hei, e habitarão no meio de Jerusalem; [7] e me serão por povo, e eu lhes serei a elles por Deus em verdade e em justiça.
9 Assim diz o Senhor dos Exercitos: [8] Esforcem-se as vossas mãos, ó vós que n’estes dias ouvistes estas palavras da bocca dos prophetas que estiveram no dia em que foi posto o fundamento da casa do Senhor dos Exercitos, para que o templo fosse edificado.
10 Porque [9] antes d’estes dias não tem havido [AEL] soldada de homens, nem soldada de bestas; nem havia paz para o que entrava nem para o que sahia, por causa do inimigo, porque eu incitei a todos os homens, cada um contra o seu companheiro.
11 Mas agora não me haverei eu para com o resto d’este povo como nos primeiros dias, diz o Senhor dos Exercitos.
12 Porque [10] a semente será prospera, a vide dará o seu fructo, e a terra dará a sua novidade, [11] e os céus darão o seu orvalho; e farei que o resto d’este povo herde tudo isto.
13 E [12] ha de ser, ó casa de Judah, e ó casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre as nações, assim vos salvarei, [13] e sereis uma benção: não temaes, esforcem-se as vossas mãos.
14 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos: [14] Assim como pensei fazer-vos mal, quando vossos paes me provocaram á ira, diz o Senhor dos Exercitos, [15] e não me arrependi,
15 Assim tornei a pensar de fazer bem a Jerusalem e á casa de Judah, n’estes dias: não temaes.
16 Estas são as coisas que fareis: [16] Fallae verdade cada um com o seu companheiro; julgae verdade e juizo de paz nas vossas portas.
17 E [17] nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu companheiro, nem ameis o juramento falso; porque todas estas coisas são as que eu aborreço, diz o Senhor.
18 E a palavra do Senhor dos Exercitos veiu a mim, dizendo:
19 Assim diz o Senhor dos Exercitos: O jejum do quarto, [18] e o jejum do quinto, e o jejum do setimo, [19] e o jejum do decimo mez se tornará para a casa de Judah em gozo, e em alegria, e em [AEM] festividades solemnes: [20] amae pois a verdade e a paz.
20 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Ainda succederá que virão os povos e os habitantes de muitas cidades.
21 E os habitantes de uma irão á outra, dizendo: [21] Vamos andando para supplicar a face do Senhor, e para buscar ao Senhor dos Exercitos; eu tambem irei.
22 Assim [22] virão muitos povos e poderosas nações, a buscar em Jerusalem ao Senhor dos Exercitos, e a supplicar a face do Senhor.
23 Assim diz o Senhor dos Exercitos: N’aquelle dia succederá que pegarão dez homens de entre todas as linguas das nações, pegarão, digo, da aba de um homem judaico, dizendo: [23] Iremos comvosco, porque temos ouvido que Deus está comvosco.
[1] Nah. 1.2. cap. 1.14.
[2] cap. 1.16.
[3] Isa. 1.21, 26. Isa. 2.2, 3.
[4] Isa. 65.20, 22.
[5] Gen. 18.14. Luc. 1.37 e 18.27.
[6] Isa. 11.11, 12 e 43.5, 6. Eze. 37.21.
[7] Jer. 30.22 e 31.1, 33. cap. 13.9. Jer. 4.2.
[8] ver. 18.
[9] Agg. 2.16.
[10] Joel 2.22.
[11] Agg. 1.10.
[12] Jer. 42.18.
[13] Gen. 12.2. Isa. 19.24, 25. Sof. 3.20. Agg. 2.19.
[14] Jer. 31.28.
[15] II Chr. 36.16.
[16] cap. 7.9. ver. 19. Eph. 4.25.
[17] Pro. 3.29. cap. 7.10.
[18] Jer. 52.6, 7. Jer. 52.12, 13. cap. 7.3, 5.
[19] Jer. 52.4. Isa. 35.10.
[20] ver. 16.
[21] Isa. 2.3. Miq. 4.1, 2.
[22] Isa. 60.3, etc. e 66.23.
[23] I Cor. 14.25.
O castigo de diversos povos.
[Antes de Christo 487]
9 Carga [1] da palavra do Senhor contra a terra de Haldrach, e Damasco será o seu repouso; porque o Senhor tem o olho sobre o homem, [2] como sobre todas as tribus de Israel.
2 E [3] tambem Hamath n’ella terá termo: Tyro e Sidon, [4] ainda que seja mui sabia.
3 E Tyro edificou para si fortalezas, [5] e amontoou prata como o pó, e oiro fino como a lama das ruas.
4 Eis que [6] o Senhor a arrancará da posse, e ferirá no mar a sua força, e ella será consumida pelo fogo.
5 Ascalon [7] o verá e temerá, tambem Gaza, e terá grande dôr; como tambem Ekron; porque a sua esperança será envergonhada; e o rei de Gaza perecerá, e Ascalon não será habitada.
6 E [8] um bastardo habitará em Asdod, e exterminarei a soberba dos philisteos.
7 E da sua bocca tirarei o seu sangue, e d’entre os seus dentes as suas abominações; e elle tambem ficará de resto para o nosso Deus; e será como principe em Judah, e Ekron como o jebuseo.
8 E [9] me acamparei ao redor da minha casa, por causa do exercito, por causa do que passa, e por causa do que volta, [10] para que não passe mais sobre elles o exactor; porque agora já o vi com os meus olhos.
9 Alegra-te [11] muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalem: [12] eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta.
10 E destruirei [13] os carros de Ephraim e os cavallos de Jerusalem: tambem o arco de guerra será destruido, [14] e elle fallará paz ás nações; e o seu dominio se estenderá de um mar até outro mar, e desde o rio até ás extremidades da terra.
11 Quanto a ti tambem ó Sião, pelo sangue do teu concerto, [15] soltei os teus presos da cova em que não havia agua.
12 Voltae á fortaleza [16] ó presos de esperança: tambem hoje vos annuncio que vos renderei em dobro.
13 [AEN] Quando estendi Judah para mim como um arco, e enchi com Ephraim o arco, suscitarei a teus filhos, ó Sião, contra os teus filhos, ó Grecia! e pôr-te-hei como a espada de um valente.
14 E o Senhor será visto sobre elles, e as suas frechas sairão como o relampago; e o Senhor JEHOVAH tocará buzina, [17] e irá com os redemoinhos do sul.
15 O Senhor dos Exercitos os amparará, e comerão, depois que os tiverem sujeitado as pedras da funda: tambem beberão e farão alvoroço como de vinho; e encher-se-hão como a bacia, [18] como os cantos do altar.
16 E o Senhor seu Deus n’aquelle dia os salvará, como ao rebanho do seu povo; porque como as pedras da corôa serão levantados na sua terra, como bandeira.
17 Porque, quão grande é a sua bondade! e quão grande é a sua formosura! [19] o trigo fará fallar os mancebos e o mosto as donzellas.
[1] Jer. 23.33.
[2] II Chr. 20.12.
[3] Jer. 49.23. Isa. 23. Eze. 26 e 27 e 28. I Reis 17.9. Eze. 28.21. Oba. 20.
[4] Eze. 28.3, etc.
[5] Job 27.16. Eze. 28.4, 5.
[6] Isa. 23.1. Eze. 26.17.
[7] Jer. 47.15. Sof. 2.4.
[8] Amós 1.8.
[9] cap. 2.5.
[10] Eze. 28.24. Exo. 3.7.
[11] Isa. 62.11. cap. 2.10. João 12.15.
[12] Jer. 23.5 e 30.9. Luc. 19.38. João 1.49.
[13] Ose. 1.7 e 2.18. Miq. 5.10.
[14] Eph. 2.14, 17.
[15] Isa. 42.7 e 51.14 e 61.1.
[16] Isa. 49.9 e 61.7.
[17] Isa. 21.1.
[18] Lev. 4.18, 25. Isa. 62.3. Mal. 3.17. Isa. 11.12. Deu. 12.27.
[19] Joel 3.18. Amós 9.14.
Promessas feitas a Israel.
10 Pedi [1] ao Senhor chuva no tempo da serodia: o Senhor faz relampagos, e lhes dará chuveiro de agua, e herva no campo a cada um.
2 Porque [2] os teraphins teem fallado vaidade, e os adivinhos teem visto mentira, e fallam sonhos vãos; [3] com vaidade consolam, por isso se foram como ovelhas, foram afflictos, [4] porque não havia pastor.
3 Contra os pastores se accendeu a minha ira, e visitarei os bodes; [5] mas o Senhor dos Exercitos visitará o seu rebanho, a casa de Judah, e os fará ser como o cavallo da sua magestade na peleja.
4 D’elle a pedra [6] de esquina, d’elle a estaca, d’elle o arco de guerra, d’elle juntamente sairão todos os exactores.
5 E serão como valentes [AEO] que pelo lodo das ruas entram na peleja, e pelejarão; porque o Senhor estará com elles, e envergonharão aos que andam montados em cavallos.
6 E fortalecerei a casa de Judah, e salvarei a casa de José, [7] e tornarei a plantal-os, porque me apiedei d’elles: e serão como se os não tivera rejeitado; porque eu sou o Senhor seu Deus, [8] e os ouvirei.
7 E os de Ephraim serão como um valente, e o seu coração se alegrará como de vinho, e seus filhos o verão, e se alegrarão; o seu coração se regozijará no Senhor.
8 Eu lhes assobiarei, [9] e os ajuntarei, porque eu os tenho remido, e multiplicar-se-hão, assim como antes se tinham multiplicado.
9 E eu [10] os semearei por entre os povos, e lembrar-se-hão de mim em logares remotos; e viverão com seus filhos, e voltarão.
10 Porque [11] eu os farei voltar da terra do Egypto, e os congregarei da Assyria; e tral-os-hei á terra de Gilead e do Libano, [12] e não se achará logar para elles.
11 E elle passará [13] o mar com angustia, e ferirá as ondas no mar, e todas as profundezas dos rios se seccarão: [14] então será derribada a soberba da Assyria, e o sceptro do Egypto se retirará.
12 E eu os fortalecerei no Senhor, [15] e andarão no seu nome, diz o Senhor.
[1] Jer. 14.22. Deu. 11.14. Job 29.23. Joel 2.23.
[2] Jer. 10.8. Hab. 2.18.
[3] Job 13.4.
[4] Eze. 34.5.
[5] Luc. 1.68.
[6] Num. 24.17. I Sam. 14.38. Isa. 22.23.
[7] Jer. 3.18. Eze. 37.21. Ose. 1.7.
[8] cap. 13.9.
[9] Isa. 5.26 e 49.19. Eze. 36.37.
[10] Ose. 2.23. Deu. 30.1.
[11] Isa. 11.11, 16. Ose. 11.11.
[12] Isa. 49.20.
[13] Isa. 11.15, 16.
[14] Isa. 14.25. Eze. 30.13.
[15] Miq. 4.5.
O castigo dos impenitentes.
11 Abre, ó Libano, [1] as tuas portas para que o fogo consuma os cedros.
2 Uivae, ó faias, porque os teus cedros cairam, porque estas excellentes arvores são destruidas; uivae, [2] ó carvalhos de Basan, porque o bosque forte é derribado.
3 Voz de uivo dos pastores se ouviu, porque a sua gloria é destruida: voz de bramido dos filhos de leões, porque foi destruida a soberba do Jordão.
4 Assim diz o Senhor [3] meu Deus: Apascenta as ovelhas da matança,
5 Cujos possuidores [4] as matam, e não se teem por culpados; e cujos vendedores dizem: Louvado seja o Senhor, porque hei enriquecido, e os seus pastores não teem piedade d’ellas.
6 Certamente não terei piedade mais dos moradores d’esta terra, diz o Senhor, mas, eis que entregarei os homens cada um na mão do seu companheiro e na mão do seu rei, e esmiuçarão a terra, e eu não os livrarei da sua mão.
7 E [5] eu apascentei as ovelhas da matança, porquanto são ovelhas coitadas; e tomei para mim duas varas, a uma das quaes chamei [AEP] Suavidade, e á outra chamei [AEQ] Conjuntadores, e apascentei as ovelhas.
8 E destrui os teus pastores [6] n’um mesmo mez, porque se angustiou d’elles a minha alma, e tambem a sua alma teve fastio de mim.
9 E eu disse: Não vos apascentarei mais: [7] o que morrer morra, e o que fôr destruido seja, e as que restarem comam cada uma a carne da sua companheira.
10 E tomei a minha vara Suavidade, e a quebrei, para desfazer o meu concerto, que tinha estabelecido com todos estes povos.
11 E foi desfeito n’aquelle [8] dia, e conheceram assim os pobres do rebanho que me aguardavam que isto era palavra do Senhor.
12 Porque eu lhes tinha dito: Se parece bem aos vossos olhos, dae-me a minha soldada, e, se não, deixae-vos d’isso. [9] E pesaram a minha soldada, trinta moedas de prata.
13 O Senhor pois me disse: Arroja-a ao oleiro, [10] bello preço em que fui apreçado por elles. E tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei, na casa do Senhor, ao oleiro.
14 Então quebrei a minha segunda vara Conjuntadores, para romper a irmandade entre Judah e Israel.
15 E o Senhor me disse: [11] Toma ainda para ti o instrumento de um pastor insensato.
16 Porque, eis que levantarei um pastor na terra, que não visitará as perdidas, não buscará a desgarrada, e não sarará a quebrada, nem apascentará a sã; mas comerá a carne da gorda, e lhe despedaçará as unhas.
17 Ai do pastor [12] de nada, que abandona o rebanho; a espada cairá sobre o seu braço e sobre o seu olho direito; o seu braço sem falta se seccará, e o seu olho direito sem falta se escurecerá.
[1] cap. 10.10.
[2] Isa. 32.19.
[3] ver. 7.
[4] Jer. 2.3.
[5] Sof. 3.12. Mat. 11.5.
[6] Ose. 5.7.
[7] Jer. 15.2 e 43.11.
[8] ver. 7. Sof. 3.12.
[9] Mat. 26.15. Exo. 21.32.
[10] Mat. 27.9, 10.
[11] Eze. 34.2, 3, 4.
[12] Jer. 23.1. Eze. 34.2. João 10.12, 13.
A destruição dos inimigos do povo de Deus. O arrependimento e a purificação de Israel.
12 Carga da palavra do Senhor sobre Israel: Falla o Senhor, [1] o que estende o céu, e que funda a terra, [2] e que forma o espirito do homem dentro n’elle.
2 Eis que eu porei a Jerusalem como um copo [3] de tremor para todos os povos em redor, e tambem para Judah, o qual será no cerco contra Jerusalem.
3 E será [4] n’aquelle dia que porei a Jerusalem por pedra pesada a todos os povos; todos os que carregarem com ella certamente serão despedaçados, e ajuntar-se-hão contra elle todas as nações da terra.
4 N’aquelle dia, diz o Senhor, [5] ferirei de espanto a todos os cavallos, e de loucura os que montam n’elles; mas sobre a casa de Judah abrirei os meus olhos, e ferirei de cegueira a todos os cavallos dos povos.
5 Então os chefes de Judah dirão no seu coração: A minha força são os habitantes de Jerusalem e o Senhor dos Exercitos, seu Deus.
6 N’aquelle dia porei os chefes de Judah [6] como um brazeiro de fogo debaixo da lenha, e como um tição de fogo entre gavelas; e á banda direita e esquerda consumirão a todos os povos em redor, e Jerusalem será habitada outra vez no seu logar, em Jerusalem.
7 E o Senhor primeiramente salvará as tendas de Judah, para que a gloria da casa de David e a gloria dos habitantes de Jerusalem não se engrandeça sobre Judah.
8 N’aquelle dia o Senhor amparará os habitantes de Jerusalem; [7] e o que tropeçar entre elles n’aquelle dia será como David, e a casa de David será como Deus, como o anjo do Senhor diante d’elles.
9 E será, n’aquelle dia, [8] que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalem;
10 Porém [9] sobre a casa de David, e sobre os habitantes de Jerusalem, derramarei o Espirito de graça e de supplicações; [10] e olharão para mim, a quem traspassaram: e farão pranto sobre elle, como o pranto sobre o unigenito; e chorarão amargosamente sobre elle, [11] como se chora amargosamente sobre o primogenito.
11 N’aquelle dia será grande o pranto em Jerusalem, [12] como o pranto de Hadadrimmon no valle de Meggiddon.
12 E a terra pranteará, [13] cada [AER] linhagem á parte: a linhagem da casa de David, á parte, e suas mulheres, á parte, e a linhagem da casa de Nathan, á parte, e suas mulheres, á parte;
13 A linhagem [14] da casa de Levi, á parte, e suas mulheres, á parte; a linhagem de Simei, á parte, e suas mulheres á parte.
14 Todas as mais linhagens, cada linhagem á parte, e suas mulheres á parte.
[1] Isa. 42.5 e 44.24.
[2] Num. 16.22. Ecc. 12.7. Isa. 57.16. Heb. 12.9.
[3] Isa. 51.17, 22, 23.
[4] ver. 4, 6, 8, 9, 11. cap. 13.1 e 14.4, 6, 8, 9, 13. Mat. 21.44.
[5] Eze. 38.4.
[6] Oba. 18.
[7] Joel 3.10.
[8] Agg. 2.22. ver. 3.
[9] Jer. 31.9 e 50.4. Eze. 39.29. Joel 2.28.
[10] João 19.34, 37. Apo. 1.7.
[11] Jer. 6.26. Amós 8.10.
[12] Act. 2.37. II Reis 23.29. II Chr. 35.24.
[13] Mat. 24.30. Apo. 1.7.
[14] II Sam. 5.14. Luc. 3.31.
13 N’aquelle [1] dia haverá uma fonte aberta para a casa de David, e para os habitantes de Jerusalem, contra o peccado, e contra a immundicia.
2 E será n’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos, [2] que desfarei da terra os nomes dos idolos, e d’elles não se fará mais memoria; [3] e tambem farei sair da terra os prophetas e o espirito da immundicia.
3 E será que, quando alguem prophetizar mais, seu pae e sua mãe, que o geraram, lhe dirão: Não viverás, porque fallaste mentira em nome do Senhor; e seu pae e sua mãe, que o geraram, [4] o traspassarão quando prophetizar.
4 E será n’aquelle dia que os prophetas se envergonharão, [5] cada um da sua visão, quando prophetizar; [6] nem elles se vestirão mais de manto de pellos, para mentirem.
5 E dirão: [7] Não sou propheta, lavrador sou da terra; porque certo homem para isso me adquiriu desde a minha mocidade.
6 E se alguem lhe disser: Que são estas feridas nas tuas mãos? Dirá elle: Feridas são com que fui ferido em casa dos meus amadores.
O Pastor ferido: o juizo final: a exaltação da Egreja.
7 Ó espada, [8] desperta-te contra o meu Pastor e contra o varão que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exercitos; fere ao Pastor, [9] e espalhar-se-hão as ovelhas; [10] mas volverei a minha mão para os pequenos.
8 E será em toda a terra, diz o Senhor, que as duas partes d’ella serão extirpadas, e expirarão; [11] mas a terceira parte restará n’ella.
9 E farei passar [12] esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o oiro: ella invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: Meu povo é, [13] e ella dirá: O Senhor é o meu Deus.
[1] cap. 12.3. Heb. 9.14. I Ped. 1.19. Apo. 1.5.
[2] Exo. 23.13. Jos. 23.7. Eze. 30.13. Ose. 2.17. Miq. 5.12, 13.
[3] II Ped. 2.1.
[4] Deu. 13.6, 8 e 18.20.
[5] Miq. 3.6, 7.
[6] Isa. 20.2. Mat. 3.4.
[7] Amós 7.14.
[8] Isa. 40.11. Eze. 34.23. João 10.30. Phi. 2.6.
[9] Mat. 26.31. Mar. 14.27.
[10] Mat. 18.10, 14. Luc. 12.32.
[11] Rom. 11.5.
[12] I Ped. 1.6, 7. cap. 10.6.
[13] Jer. 30.22. Eze. 11.20. cap. 8.8.
14 Eis que [1] o dia do Senhor vem; repartir-se-hão no meio de ti os teus despojos.
2 Porque [2] eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalem; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, [3] e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o captiveiro, mas o resto do povo não será extirpado da cidade.
3 E o Senhor sairá, e pelejará contra estas nações, como no dia em que pelejou no dia da batalha.
4 E [4] n’aquelle dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalem para o oriente; [5] e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o occidente, n’um valle muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade d’elle para o sul.
5 E fugireis ao valle dos meus montes (porque o valle dos montes chegará até Asel), [6] e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judah: [7] então virá o Senhor meu Deus, e todos os sanctos comtigo, ó Senhor.
6 E será que n’aquelle dia não haverá preciosa luz nem espessa escuridão.
7 Mas [8] será um dia o qual é conhecido do Senhor; nem dia nem noite será: e acontecerá que no tempo da tarde haverá luz.
8 N’aquelle dia tambem acontecerá que [9] sairão de Jerusalem aguas vivas, metade d’ellas para o mar oriental, e metade d’ellas até ao mar occidental: no estio e no inverno succederá isto.
9 E [10] o Senhor será rei sobre toda a terra: n’aquelle dia um só será o Senhor, e um só será o seu nome.
10 Toda a terra ao redor se tornará em planicie, [11] desde Geba até Rimmon, da banda do sul de Jerusalem, e será exalçada, e habitada no seu logar, desde a porta de Benjamin até ao logar da primeira porta, até á porta da esquina, [12] e desde a torre de Hananeel até aos lagares do rei.
11 E habitarão n’ella, [13] e não haverá mais anathema, porque Jerusalem habitará segura.
12 E esta será a praga com que o Senhor ferirá a todos os povos que guerrearam contra Jerusalem: fará consumir a carne, estando elles em pé, e lhes apodrecerão os olhos nas suas covas, e lhes apodrecerá a lingua de cada um na sua bocca.
13 N’aquelle dia tambem acontecerá que haverá uma grande perturbação do Senhor entre elles; porque pegará cada um na mão do seu companheiro, [14] e alçar-se-ha a mão de cada um contra a mão do seu companheiro.
14 E tambem Judah pelejará contra Jerusalem, [15] e se ajuntarão em redor as riquezas de todas as nações, oiro e prata e vestidos em grande abundancia.
15 Assim tambem será a praga dos cavallos, [16] dos mulos, dos camelos e dos jumentos, e de todos os animaes que estiverem n’aquelles exercitos, como foi a praga d’elles.
16 E será que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalem, [17] subirão de anno em anno para adorarem o Rei, o Senhor dos Exercitos, [18] e celebrarem a festa das cabanas.
17 E acontecerá que, [19] se alguma das familias da terra não subir a Jerusalem, para adorar o Rei, o Senhor dos Exercitos, não virá sobre elles a chuva.
18 E, se a familia dos egypcios, sobre os quaes não vem a chuva, não subir, nem vier, [20] virá sobre elles a praga com que o Senhor ferirá as nações que não subirem a celebrar a festa das cabanas.
19 Este será o [AES] peccado dos egypcios e o peccado de todas as nações que não subirem a celebrar a festa das cabanas.
20 N’aquelle dia será inscripto sobre as campainhas dos cavallos: [21] SANCTIDADE AO SENHOR; e as panellas na casa do Senhor serão como as bacias diante do altar.
21 E todas as panellas em Jerusalem e Judah serão sanctas ao Senhor dos Exercitos, e todos os que sacrificarem virão, e d’ellas tomarão, e n’ellas cozerão: [22] e não haverá mais cananita na casa do Senhor dos Exercitos n’aquelle dia.
[1] Isa. 13.9. Joel 2.32. Act. 2.20.
[2] Joel 3.2.
[3] Isa. 13.16.
[4] Eze. 11.23.
[5] Joel 3.12, 14.
[6] Amós 1.1.
[7] Jud. 14.
[8] Apo. 22.5. Mat. 24.36. Isa. 30.26 e 60.19, 20. Apo. 21.23.
[9] Eze. 47.1. Joel 3.18. Apo. 22.1.
[10] Dan. 2.44. Apo. 11.15. Eph. 4.5, 6.
[11] Isa. 40.4.
[12] Neh. 3.1. Jer. 31.38.
[13] Jer. 23.4.
[14] Jui. 7.22. II Chr. 20.23. Eze. 38.21.
[15] Eze. 39.10, 17, etc.
[16] ver. 12.
[17] Isa. 6.7, 9 e 66.23.
[18] Lev. 23.34, 43. Ose. 12.9. João 7.2.
[19] Isa. 60.12.
[20] Deu. 11.10.
[21] Isa. 23.18.
[22] Joel 3.17. Apo. 21.27 e 22.15. Eph. 2.19, 20, 21, 22.
MALACHIAS.
A ingratidão do povo; o formalismo dos sacerdotes.
[Antes de Christo 397]
1 Carga da palavra do Senhor contra Israel, pelo ministerio de Malachias.
2 Eu [1] vos amei, diz o Senhor; mas vós dizeis: Em que nos amastes? Não foi Esaú irmão de Jacob? disse o Senhor; [2] todavia amei a Jacob,
3 E aborreci a Esaú: [3] e fiz dos seus montes uma assolação, e dei a sua herança aos [AET] dragões do deserto.
4 Ainda que Edom dizia: Empobrecidos somos, porém tornaremos a edificar os logares desertos: elles edificarão, e eu destruirei: e lhes chamarão; Termo de impiedade, e povo contra quem o Senhor está irado para sempre.
5 E os vossos olhos o verão, e direis: O Senhor seja engrandecido desde o termo de Israel.
6 O [4] filho honrará a seu pae, e o servo ao seu senhor; e, se eu sou Pae, onde está a minha honra? e, se eu sou o Senhor, onde está o meu temor? diz o Senhor dos Exercitos a vós, ó sacerdotes, que desprezaes o meu nome; mas vós dizeis: [5] Em que desprezámos nós o teu nome?
7 Offereceis sobre o meu altar pão immundo, e dizeis: Em que te havemos profanado? N’isto que dizeis: [6] A mesa do Senhor é desprezivel.
8 Porque, [7] quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isto mau? e, quando offereceis o côxo ou o enfermo, não é isto mau? Ora apresenta-o ao teu principe; porventura terá elle agrado em ti? ou acceitará elle a tua pessoa? [8] diz o Senhor dos Exercitos.
9 Agora, pois, supplicae a face de Deus, e elle terá piedade de nós: [9] isto veiu da vossa mão, acceitará elle a vossa pessoa? diz o Senhor dos Exercitos.
10 Quem [10] ha tambem entre vós que feche as portas por nada? e não accendeis por nada o fogo do meu altar. Eu não tomo prazer em vós, diz o Senhor dos Exercitos, [11] nem acceitarei da vossa mão a oblação.
11 Mas desde o nascente do sol até ao poente [12] será grande entre as nações o meu nome; [13] e em todo o logar se offerecerá ao meu nome incenso e uma oblação pura; porque o meu nome será grande entre as nações, diz o Senhor dos Exercitos.
12 Mas vós o profanaes, quando dizeis: [14] A mesa do Senhor é immunda, e, quanto ao seu rendimento, sua comida é desprezivel.
13 E dizeis: Eis aqui, que canceira! e o lançastes com desprezo, diz o Senhor dos Exercitos: vós tambem offereceis o roubado, e o côxo e o enfermo, e offereceis a offerta: [15] ser-me-ha acceito isto de vossa mão? diz o Senhor.
14 Pois maldito [16] seja o enganoso que, tendo no seu rebanho um animal, promette e offerece ao Senhor o que é corrompido, porque eu sou grande Rei, [17] diz o Senhor dos Exercitos, o meu nome será tremendo entre as nações.
[1] Deu. 7.8 e 10.15.
[2] Rom. 9.13.
[3] Jer. 49.18. Eze. 35.3, 4, 7, 9, 14, 15. Oba. 10, etc.
[4] Exo. 20.12.
[5] cap. 2.14, 17 e 3.7, 8, 13.
[6] Eze. 41.22. ver. 22.
[7] Lev. 22.22. Deu. 15.21. ver. 14.
[8] Job 42.8.
[9] Ose. 13.9.
[10] I Cor. 9.13.
[11] Isa. 1.11. Jer. 6.20. Amós 5.21.
[12] Isa. 60.3, 5.
[13] I Tim. 2.8. Apo. 8.3. Isa. 66.19, 20.
[14] ver. 7.
[15] Lev. 22.20, etc.
[16] ver. 8.
[17] I Tim. 6.15.
2 Agora pois, ó sacerdotes, este mandamento vos toca a vós.
2 Se [1] o não ouvirdes, e se não propozerdes no coração, dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exercitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bençãos; e tambem já tenho maldito a cada qual d’ellas, porque vós não pondes isso no coração.
3 Eis que vos corromperei a semente, e espalharei esterco sobre os vossos rostos, o esterco das vossas festas; [2] e com elles sereis tirados.
4 Então sabereis que eu vos enviei este mandamento, para que o meu concerto seja com Levi, diz o Senhor dos Exercitos.
5 Meu concerto com [3] elle foi a vida e a paz, e eu lh’as dei para temor, e me temeu, e assombrou-se por causa do meu nome.
6 A lei [4] da verdade esteve na sua bocca, e a iniquidade não se achou nos seus labios: andou comigo em paz e em rectidão, e converteu [5] a muitos da iniquidade.
7 Porque [6] os labios do sacerdote guardarão a sciencia, e da sua bocca buscarão a lei, [7] porque elle é o anjo do Senhor dos Exercitos.
8 Mas vós vos desviastes do caminho, [8] a muitos fizestes tropeçar na lei: corrompestes o concerto de Levi, diz o Senhor dos Exercitos.
9 Por isso [9] tambem eu vos fiz despreziveis, e indignos diante de todo o povo, visto que não guardaes os meus caminhos, mas acceitaes pessoas na lei.
Os casamentos com mulheres estranhas e o divorcio são illicitos.
10 [10] Não temos nós todos um mesmo Pae? não nos creou um mesmo Deus? porque seremos desleaes cada um com seu irmão, profanando o concerto de nossos paes?
11 Judah foi desleal, e abominação se obrou em Israel e em Jerusalem; porque Judah profana a sanctidade do Senhor, a qual ama, [11] e se casou com a filha de deus estranho.
12 O Senhor destruirá das tendas de Jacob o homem que fizer isto, o que vela, e o que responde, [12] e o que offerece presente ao Senhor dos Exercitos.
13 Tambem fazeis esta segunda coisa: cobris o altar do Senhor de lagrimas, de choros e de gemidos; de sorte que elle não olha mais para o presente, nem o acceitará com prazer da vossa mão.
14 E dizeis: [13] Porque? porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, contra a qual tu foste desleal, sendo ella a tua companheira, e a mulher do teu concerto.
15 E não fez [14] elle sómente um? [AEU] sobejando-lhe espirito? e porque sómente este um? [15] buscava uma semente de Deus: portanto guardae-vos em vosso espirito, e contra a mulher da vossa mocidade nenhum seja desleal.
16 Porque o Senhor Deus de Israel diz que aborrece [16] o repudio, e aquelle que encobre a violencia com o seu vestido, diz o Senhor dos Exercitos: portanto guardae-vos em vosso espirito, e não sejaes desleaes.
17 Enfadaes [17] ao Senhor com vossas palavras: e ainda dizeis: Em que o enfadamos? N’isto que dizeis: Qualquer que faz mal é bom aos olhos do Senhor, e n’estes taes é que elle se agrada, ou, onde está o Deus do juizo?
[1] Lev. 26.14, etc. Deu. 28.15, etc.
[2] I Reis 14.10.
[3] Num. 25.12. Eze. 34.25 e 37.26.
[4] Deu. 33.10.
[5] Jer. 23.22. Thi. 5.20.
[6] Lev. 10.11. Deu. 17.9, 10. Esd. 7.10. Jer. 18.18. Agg. 2.11, 12.
[7] Gal. 4.14.
[8] I Sam. 2.17. Jer. 18.15. Neh. 13.29.
[9] I Sam. 2.30.
[10] I Cor. 8.6. Eph. 4.6. Job 31.15.
[11] Esd. 9.1 e 10.2. Neh. 13.23.
[12] Neh. 13.28, 29.
[13] Pro. 5.18 e 2.17.
[14] Mat. 19.4, 5.
[15] Esd. 9.2. I Cor. 7.14.
[16] Deu. 24.1. Mat. 5.32.
[17] Isa. 43.24. Amós 2.13. cap. 3.13, 14, 15.
O annuncio da vinda do Senhor, precedido pelo seu anjo.
3 Eis que [1] eu envio o meu anjo, que apparelhará o caminho diante de mim; [2] e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscaes, e o anjo do concerto, a quem vós desejaes; eis aqui que vem, diz o Senhor dos Exercitos.
2 Mas quem [3] supportará o dia da sua vinda? e quem subsistirá, quando elle apparecer? [4] porque elle será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros.
3 E assentar-se-ha, [5] affinando e purificando a prata; e purgará os filhos de Levi, e os affinará como oiro e como prata: [6] então ao Senhor trarão offerta em justiça.
4 E a offerta de Judah [7] e de Jerusalem será suave ao Senhor, como nos dias antigos, e como nos primeiros.
5 E chegar-me-hei a vós para juizo, [8] e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os adulteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o jornaleiro em seu jornal, e a viuva, e o orphão, que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exercitos.
6 Porque eu, o Senhor, [9] não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacob, não sois consumidos.
Não devemos roubar o Senhor nem duvidar da sua providencia e justiça.
7 Desde os dias de vossos paes [10] vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes: [11] tornae a mim, e eu tornarei a vós, diz o Senhor dos Exercitos; mas vós dizeis: [12] Em que havemos de tornar?
8 Roubará o homem a Deus? porque vós me roubaes, e dizeis: Em que te roubámos? [13] nos dizimos e nas offertas alçadas.
9 Com maldição sois malditos, porque me roubaes a mim, sim, toda a nação.
10 Trazei [14] todos os dizimos á casa do thesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provae-me n’isto, diz o Senhor dos Exercitos, [15] se eu então não vos abrirei as janellas do céu, e não vasarei sobre vós uma benção até que não caiba mais.
11 E por causa de vós reprehenderei o devorador, [16] para que não vos corrompa o fructo da terra; e a vide no campo vos não será esteril, diz o Senhor dos Exercitos.
12 E todas as nações vos chamarão bemaventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exercitos.
13 As vossas palavras [AEV] prevaleceram contra mim, diz o Senhor; mas vós dizeis: Que temos fallado contra ti?
14 Vós dizeis: [17] Debalde é servir a Deus: que nos aproveita termos guardado os seus preceitos, e andarmos vestidos de preto diante do Senhor dos Exercitos?
15 Ora pois, nós reputamos por bemaventurados os soberbos: tambem os que obram impiedade se edificam; tambem tentam ao Senhor, e escapam.
16 Então aquelles que temem ao Senhor [18] fallam cada um com o seu companheiro; e o Senhor attenta e ouve; e [19] ha um memorial escripto diante d’elle, para os que temem o Senhor, e para os que se lembram do seu nome.
17 E elles serão meus, [20] diz o Senhor dos Exercitos, [21] n’aquelle dia que farei me serão propriedade; poupal-os-hei, como um homem poupa a seu filho, que o serve.
18 Então tornareis e vereis a differença entre o justo e o impio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve.
[1] Mat. 11.10. Mar. 1.2. Luc. 1.76 e 7.27.
[2] Isa. 63.9. Agg. 2.7.
[3] cap. 4.1. Apo. 6.17.
[4] Mat. 3.10, 11, 12.
[5] Isa. 1.25. Zac. 13.9.
[6] I Ped. 2.5.
[7] cap. 1.11.
[8] Zac. 5.4. Thi. 5.4, 11.
[9] Num. 23.19. Rom. 11.29. Thi. 1.17. Lam. 3.22.
[10] Act. 7.51.
[11] Zac. 1.3.
[12] cap. 1.6.
[13] Nah. 13.10, 12.
[14] Pro. 3.9, 10. II Chr. 31.11. Neh. 10.38 e 13.12.
[15] Gen. 7.11. II Reis 7.2. II Chr. 31.10.
[16] Amós 4.9.
[17] Job 21.14, 15 e 22.17.
[18] Heb. 8.13.
[19] Isa. 65.6. Apo. 20.12.
[20] I Ped. 2.9.
[21] Isa. 62.3.
4 Porque [1] eis que aquelle dia vem ardendo como o forno: [2] todos os soberbos, e todos os que obram a impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrazará, diz o Senhor dos Exercitos, [3] de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo.
2 Mas [4] a vós, que temeis o meu nome, [5] nascerá o sol da justiça, e saude trará debaixo das suas azas; e saireis, e [AEW] crescereis como os bezerros do cevadouro.
3 E [6] pizareis os impios, porque se farão cinza debaixo das plantas de vossos pés, no dia em que fizer isto, diz o Senhor dos Exercitos.
4 Lembrae-vos [7] da lei de Moysés, meu servo, que lhe mandei em Horeb para todo o Israel, dos estatutos e juizos.
5 Eis que eu vos envio o propheta Elias, [8] antes que venha o dia grande e terrivel do Senhor;
6 E converterá o coração dos paes aos filhos, e o coração dos filhos a seus paes; [9] para que eu não venha, e fira a terra com maldição.
[1] Joel 2.31. cap. 3.2. II Ped. 3.7.
[2] cap. 3.18. Oba. 18.
[3] Amós 2.9.
[4] cap. 3.6.
[5] Luc. 1.78. Eph. 5.14. II Ped. 1.19.
[6] II Sam. 22.43. Miq. 7.10. Zac. 10.5.
[7] Exo. 20.3, etc. Deu. 4.10.
[8] Mat. 11.14 e 17.11. Luc. 1.17. Joel 2.11.
[9] Zac. 14.12. Zac. 5.3.
FIM DO VELHO TESTAMENTO.
O NOVO TESTAMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CHRISTO, PELO PADRE JOÃO FERREIRA D’ALMEIDA.
OS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO E O NUMERO DE SEUS CAPITULOS.
Pag. Cap. S. Mattheus 839 28 S. Marcos 875 16 S. Lucas 898 24 S. João 936 21 Actos 964 28 Aos Romanos 1000 16 I. Aos Corinthios 1015 16 II. Aos Corinthios 1030 13 Aos Galatas 1039 6 Aos Ephesios 1044 6 Aos Philippenses 1050 4 Aos Colossenses 1054 4 I. Aos Thessalonicenses 1057 5 II. Aos Thessalonicenses 1061 3 I. A Timotheo 1063 6 II. A Timotheo 1067 4 A Tito 1070 3 A Philemon 1072 1 Aos Hebreos 1073 13 S. Thiago 1084 5 I. S. Pedro 1088 5 II. S. Pedro 1092 3 I. S. João 1095 5 II. S. João 1099 1 III. S. João 1099 1 S. Judas 1100 1 Apocalypse da S. João 1101 22
O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. MATTHEUS.
A genealogia de Jesus Christo.
Luc. 3.23-38.
1 Livro [1] da geração de Jesus Christo, [2] filho de David, [3] filho d’Abrahão.
2 Abrahão [4] gerou a Isaac; [5] e Isaac gerou a Jacob; [6] e Jacob gerou a Judas e a seus irmãos;
3 E Judas gerou de Tamar [7] a Fares e a Zara; [8] e Fares gerou a Esrom; e Esrom gerou a Arão;
4 E Arão gerou a Aminadab; e Aminadab gerou a Naason; e Naason gerou a Salmon;
5 E Salmon gerou de Rachab a Booz, e Booz gerou de Ruth a Obed; e Obed gerou a Jessé;
6 E [9] Jessé gerou ao rei David; [10] e o rei David gerou a Salomão, da que foi mulher de Urias;
7 E Salomão [11] gerou a Roboão; e Roboão gerou a Abia; e Abia gerou a Asa;
8 E Asa gerou a Josaphat; e Josaphat gerou a Jorão; e Jorão gerou a Ozias;
9 E Ozias gerou a Joathão; e Joathão gerou a Achaz; e Achaz gerou a Ezequias;
10 E Ezequias gerou a Manassés; [12] e Manassés gerou a Amon; e Amon gerou a Josias;
11 E [13] Josias gerou a Jechonias e a seus irmãos na deportação para a Babylonia.
12 E, depois da deportação para a Babylonia, [14] Jechonias gerou a Salathiel; e Salathiel gerou a Zorobabel;
13 E [15] Zorobabel gerou a Abiud; e Abiud gerou a Eliakim; e Eliakim gerou a Azor;
14 E Azor gerou a Sadoc; e Sadoc gerou a Achim; e Achim gerou a Eliud;
15 E Eliud gerou a Eleazar; e Eleazar gerou a Matthan; e Matthan gerou a Jacob;
16 E Jacob gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Christo.
17 De sorte que todas as gerações, desde Abrahão até David, são quatorze gerações; e desde David até á deportação para a Babylonia, quatorze gerações; e desde a deportação para a Babylonia até o Christo, quatorze gerações.
O nascimento de Jesus Christo[AEX].
18 Ora o nascimento [16] de Jesus Christo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, [17] achou-se gravida do Espirito Sancto.
19 Então José, seu marido, como era justo, [18] e a não queria infamar, intentou deixal-a secretamente.
20 E, projectando elle isto, eis que n’um sonho lhe appareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de David, não temas receber a Maria tua mulher, porque [19] o que n’ella está gerado é do Espirito Sancto;
21 E dará á luz um filho [20] e chamarás o seu nome JESUS; [21] porque elle salvará o seu povo dos seus peccados.
[Anno Domini]
22 Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo propheta, que diz:
23 Eis que [22] a virgem conceberá e dará á luz um filho, e chamal-o-hão pelo nome EMMANUEL, que traduzido é: Deus comnosco.
24 E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenára, e recebeu a sua mulher;
25 E não a conheceu até que deu á luz o seu filho, [23] o primogenito; e poz-lhe por nome JESUS.
[1] Luc. 3.23.
[2] Psa. 132.11. Isa. 11.1. Jer. 23.5. João 7.42. Act. 2.30. Rom. 1.3.
[3] Gen. 12.3. Gal. 3.16.
[4] Gen. 21.2.
[5] Gen. 25.26.
[6] Gen. 29.35.
[7] Gen. 38.27.
[8] Ruth 4.18. I Chr. 2.5, 9.
[9] I Sam. 16.1.
[10] II Sam. 12.24.
[11] I Chr. 3.10.
[12] II Reis 20.21. I Chr. 3.13.
[13] I Chr. 3.15. II Reis 24.14. II Chr. 36.10. Jer. 27.20. Dan. 1.2.
[14] I Chr. 3.17, 19.
[15] Esd. 3.2 e 5.2. Neh. 12.1. Agg. 1.1.
[16] Luc. 1.27.
[17] Luc. 1.35.
[18] Deu. 24.1.
[19] Luc. 1.35.
[20] Luc. 1.31.
[21] Act. 4.12 e 5.31 e 13.23, 38.
[22] Isa. 7.14.
[23] Exo. 13.2. Luc. 2.7, 21.
Os magos do oriente[AEY].
2 E, tendo nascido Jesus em [1] Bethlehem de Judéa, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalem,
2 Dizendo: [2] Onde está aquelle que é nascido rei dos judeos? porque vimos a sua estrella no oriente, e viemos a adoral-o.
3 E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalem com elle.
4 E, congregados todos os principes dos sacerdotes, [3] e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Christo.
5 E elles lhe disseram: Em Bethlehem de Judea; porque assim está escripto pelo propheta:
6 E tu, Bethlehem, [4] terra de Judah, de modo nenhum és a menor entre [AEZ] as capitaes de Judah; porque de ti sairá o [AFA] Guia que ha de apascentar [5] o meu povo de Israel.
7 Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exactamente d’elles ácerca do tempo em que a estrella lhes apparecera.
8 E, enviando-os a Bethlehem, disse: Ide, e perguntae diligentemente pelo menino, e, quando o achardes, participae-m’o, para que tambem eu vá e o adore.
9 E, tendo elles ouvido o rei, foram-se; e eis-que a estrella, que tinham visto no oriente, ia adiante d’elles, até que, chegando, se deteve sobre o logar onde estava o menino.
10 E, vendo elles a estrella, alegraram-se muito com grande alegria.
11 E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus thesouros, lhe offertaram dadivas: [6] oiro, incenso e myrrha.
12 E, [7] sendo por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.
A fugida para o Egypto; a matança dos innocentes.
13 E, tendo-se elles retirado, eis-que o anjo do Senhor appareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egypto, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes ha de procurar o menino para o matar.
14 E, levantando-se elle, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egypto,
15 E esteve lá até á morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo propheta, que diz: [8] Do Egypto chamei o meu Filho.
16 Então Herodes, vendo que tinha sido illudido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Bethlehem, e em todos os seus contornos, de edade de dois annos e menos, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.
17 Então se cumpriu o que foi dito pelo propheta Jeremias, [9] que diz:
18 Em Rama se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto: Rachel chorando os seus filhos, e não quiz ser consolada, porque já não existem.
A volta do Egypto.
19 Morto porém Herodes, eis que o anjo do Senhor appareceu n’um sonho a José no Egypto,
20 Dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vae para a terra d’Israel; porque já estão mortos os que procuravam a [AFB] morte do menino.
21 Então elle se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra d’Israel.
22 E, ouvindo que Archelau reinava na Judea em logar de Herodes, seu pae, receiou ir para lá: mas avisado em sonho por divina revelação, [10] foi para as partes da Galilea.
23 E chegou, e habitou n’uma cidade chamada Nazareth, [11] para que se cumprisse o que fôra dito pelos prophetas: Que se chamará Nazareno.
[1] Luc. 2.4, 6, 7. Gen. 10.30 e 25.6. I Reis 4.30.
[2] Luc. 2.11. Num. 24.17. Isa. 60.3.
[3] II Chr. 36.14 e 34.13. Mal. 2.7.
[4] Miq. 5.2. João 7.42.
[5] Apo. 2.27.
[6] Psa. 72.10, 11. Isa. 60.6.
[7] Mat. 1.20.
[8] Ose. 11.1.
[9] Jer. 31.15.
[10] Mat. 3.13. Luc. 2.39.
[11] João 1.45. Jui. 13.5. I Sam. 1.11.
João Baptista.
Mar. 1.1-8. Luc. 3.1-18. João 1.6-8, 19-36.
[Anno Domini 26]
3 E, n’aquelles dias, [1] appareceu João Baptista prégando no deserto da Judea,
2 E dizendo: Arrependei-vos, [2] porque é chegado o reino dos céus;
3 Porque é este o annunciado pelo propheta Isaias, que disse: [3] Voz do que clama no deserto: preparae o caminho do Senhor, endireitae as suas veredas.
4 E este João tinha [4] o seu vestido de pellos de camelo, e um cinto de coiro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
5 Então ia ter com elle Jerusalem, [5] e toda a Judea, e toda a provincia adjacente ao Jordão,
6 E eram por elle baptizados no rio Jordão, [6] confessando os seus peccados.
7 E, vendo elle muitos dos phariseos e dos sadduceos, que vinham ao seu baptismo, dizia-lhes: [7] Raça de viboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?
8 Produzi pois fructos dignos de arrependimento;
9 E não presumaes de vós mesuros, dizendo: [8] Temos por pae a Abrahão; porque eu vos digo que mesmo d’estas pedras Deus pode suscitar filhos a Abrahão.
10 E tambem agora está posto o machado á raiz das arvores; toda [9] a arvore, pois, que não produz bom fructo, é cortada e lançada no fogo.
11 E eu, em verdade, [10] vos baptizo com agua, para o arrependimento; mas aquelle que vem após mim, é mais poderoso do que eu; cujas [AFC] alparcas não sou digno de levar; [11] elle vos baptizará com o Espirito Sancto, e com fogo.
12 Em sua mão tem a pá, [12] e limpará a sua eira, e recolherá no celleiro o seu trigo, [13] e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.
O baptismo de Jesus.
Mar. 1.9-11. Luc. 3.21, 22. João 1.32-34.
13 Então veiu Jesus da Galilea a João, [14] junto do Jordão, para ser baptizado por elle,
14 João oppunha-se-lhe, porém, dizendo: Eu careço de ser baptizado por ti, e vens tu a mim?
15 Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convem cumprir toda a justiça. Então elle o deixou.
16 E, sendo Jesus baptizado, [15] saiu logo da agua, e eis-que se lhe abriram os céus, e viu o Espirito de Deus [16] descendo como pomba e vindo sobre elle.
17 E eis que [17] uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
[1] Mar. 1.4. Luc. 3.2. João 1.28. Jos. 14.10.
[2] Dan. 2.44. cap. 4.17.
[3] Isa. 40.3. Mar. 1.3. Luc. 3.4. João 1.23. Luc. 1.76.
[4] Mar. 1.6. I Reis 1.8. Zac. 13.4. Lev. 11.22. I Sam. 14.25, 26.
[5] Mar. 1.5. Luc. 3.7.
[6] Act. 19.4, 18.
[7] Mat. 12.34. Luc. 3.7, 8, 9. Rom. 5.9. I The. 1.10.
[8] João 8.33, 39. Act. 13.26. Rom. 4.1, 11.
[9] Mat. 7.19. Luc. 13.7. João 15.6.
[10] Mar. 1.8. Luc. 3.16. João 1.15, 26, 33. Act. 1.5.
[11] Isa. 4.4 e 44.3. Mal. 3.2. Act. 2.3, 4. I Cor. 12.13.
[12] Mal. 3.3.
[13] Mal. 4.1.
[14] Mar. 1.9. Luc. 3.21. cap. 2.22.
[15] Mar. 1.10.
[16] Isa. 11.2. Luc. 3.22. João 1.32, 33 e 12.28.
[17] Psa. 2.7. Isa. 42.1. cap. 12.18. Mar. 1.11. Luc. 9.35. Eph. 1.6. Col. 1.13. II Ped. 1.17.
A tentação de Jesus.
Mar. 1.12-13. Luc. 4.1-13.
[Anno Domini 27]
4 Então foi conduzido Jesus pelo Espirito ao deserto, [1] para ser tentado pelo diabo.
2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;
3 E, chegando-se a elle o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se façam pães.
4 Elle, porém, respondendo, disse: Está escripto: [2] Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sae da bocca de Deus.
5 Então o diabo o levou á cidade sancta, [3] e collocou-o sobre o pinaculo do templo,
6 E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; [4] porque está escripto: Que aos seus anjos ordenará a respeito de ti; e tomar-te-hão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.
7 Disse-lhe Jesus: Tambem está escripto: [5] Não tentarás o Senhor teu Deus.
8 Novamente o levou o diabo a um monte muito alto, e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a gloria d’elles.
9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
10 Então disse-lhe Jesus: [6] Vae-te, Satanaz, porque está escripto: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a elle servirás.
11 Então o diabo o deixou; e, eis-que chegaram os anjos, [7] e o serviram.
Jesus em Galilea; os primeiros discipulos.
Mar. 1.14, etc. Luc. 4.14, etc.; 5.1-11.
[Anno Domini 30]
12 Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, [8] voltou para a Galilea;
13 E, deixando Nazareth, foi habitar em Capernaum, cidade maritima, nos confins de Zabulon e Naphtali;
14 Para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta Isaias, que diz:
15 A terra de Zabulon, [9] e a terra de Naphtali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galilea das nações;
16 O povo, [10] assentado em trevas, viu uma grande luz; e para os que estavam assentados na região e sombra da morte raiou a luz.
17 Desde então começou Jesus a prégar, e a dizer: [11] Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
18 E Jesus, andando junto ao mar da Galilea, [12] viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores:
19 E disse-lhes: [13] Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
20 Então elles, deixando logo as redes, [14] seguiram-n’o.
21 E, adiantando-se d’ali, [15] viu outros dois irmãos, Thiago, filho de Zebedeo, e João, seu irmão, n’um barco com seu pae Zebedeo, concertando as redes; e chamou-os;
22 Elles, deixando immediatamente o barco e seu pae, seguiram-n’o.
23 E percorria Jesus toda a Galilea, [16] ensinando nas suas synagogas e prégando o Evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e molestias entre o povo.
24 E a sua fama correu por toda a Syria, e traziam-lhe todos os que padeciam, accommettidos de varias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunaticos, e os paralyticos, e elle os curava.
25 E seguia-o uma grande multidão de gente da Galilea, [17] de Decapolis, de Jerusalem, da Judea, e d’além do Jordão.
[1] Mar. 1.12, etc. Luc. 4.1, etc. I Sam. 18.12. Eze. 3.14.
[2] Deu. 8.3.
[3] Neh. 11.1, 18. Isa. 48.2. cap. 27.53. Apo. 11.2.
[4] Psa. 91.11.
[5] Deu. 6.16.
[6] Deu. 6.13 e 10.20. Jos. 24.14. I Sam. 7.3.
[7] Heb. 1.14.
[8] Mar. 1.14. Luc. 3.20 e 4.14, 31. João 4.43.
[9] Isa. 9.1, 2.
[10] Isa. 42.7. Luc. 2.32.
[11] Mar. 1.14, 15. cap. 10.7.
[12] Mar. 1.16, 18. Luc. 5.2. João 1.42.
[13] Luc. 5.10, 11.
[14] Mar. 10.28. Luc. 18.28.
[15] Mar. 1.19. Luc. 5.10.
[16] cap. 9.35. Mar. 1.21. Luc. 4.15, 44. cap. 24.14. Mar. 1.14 e 1.34.
[17] Mar. 3.7.
O sermão da montanha. As beatitudes.
Luc. 6.20-29.
[Anno Domini 31]
5 E Jesus, vendo a multidão, [1] subiu a um monte, e, assentando-se, approximaram-se d’elle os seus discipulos:
2 E, abrindo a sua bocca, os ensinava, dizendo:
3 Bemaventurados os pobres de espirito, [2] porque d’elles é o reino dos céus;
4 Bemaventurados os que choram, [3] porque elles serão consolados;
5 Bemaventurados os mansos, [4] porque elles herdarão a terra;
6 Bemaventurados os que teem fome e sêde de justiça, [5] porque elles serão fartos;
7 Bemaventurados os misericordiosos, [6] porque elles alcançarão misericordia;
8 Bemaventurados os limpos de coração, [7] porque elles verão a Deus;
9 Bemaventurados os pacificadores, porque elles serão chamados filhos de Deus;
10 Bemaventurados os que soffrem perseguição por causa da justiça, [8] porque d’elles é o reino dos céus;
11 Bemaventurados sois vós, [9] quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, fallarem todo o mal contra vós por minha causa.
12 Exultae e alegrae-vos, [10] porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os prophetas que foram antes de vós.
Os discipulos são o sal da terra e a luz do mundo.
13 Vós sois o sal da terra; [11] e se o sal fôr insipido, com que se ha de salgar? para nada mais presta senão para se lançar fóra, e ser pisado pelos homens.
14 Vós sois a luz do mundo: não [12] se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte,
15 Nem se accende a candeia [13] e se colloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, [14] para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pae, que está nos céus.
O cumprimento da lei e dos prophetas.
17 Não cuideis [15] que vim destruir a lei ou os prophetas: não vim a derogar, mas a cumprir.
18 Porque em verdade vos digo, que, [16] até que o céu e a terra passem, nem um jota nem um só til se omittirá da lei, sem que tudo seja cumprido.
19 Qualquer [17] pois que violar um d’estes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquelle, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e phariseos, [18] de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
21 Ouvistes que foi dito aos antigos: [19] Não matarás; mas qualquer que matar será [AFD] réu de juizo.
22 Eu vos digo, porém, que [20] qualquer que, sem motivo, se encolerisar contra seu irmão, será réu de juizo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, [21] será réu do synhedrio; qualquer que lhe disser: Louco, será [AFE] réu do fogo do inferno.
23 Portanto, [22] se trouxeres a tua offerta ao altar, e ahi te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24 Deixa ali diante do altar a tua offerta, [23] e vae, reconcilia-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua offerta.
25 Concilia-te depressa com o teu adversario, [24] emquanto estás no caminho com elle, para que não aconteça que o adversario te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao [AFF] ministro, e te encerrem na prisão.
26 Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás d’ali emquanto não pagares o ultimo ceitil.
27 Ouvistes que foi dito aos antigos: [25] Não commetterás adulterio.
28 Eu vos digo, porém, que [26] qualquer que attentar n’uma mulher para a cobiçar, já em seu coração commetteu adulterio com ella.
29 Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, [27] arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.
30 E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.
31 Tambem foi dito: [28] Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite.
32 Eu, [29] porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, sem ser por causa de fornicação, faz que ella commetta adulterio, e qualquer que casar com a repudiada commette adulterio.
33 Outrosim, ouvistes que foi dito aos antigos: [30] Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor.
34 Eu vos digo, porém, [31] que de maneira nenhuma jureis: nem pelo céu, porque é o throno de Deus;
35 Nem pela terra, porque é o escabello de seus pés; nem por Jerusalem, [32] porque é a cidade do grande Rei;
36 Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabello branco ou preto.
37 Seja, porém, o vosso fallar: [33] Sim, sim, Não, não, porque o que passa d’isto é de procedencia maligna.
38 Ouvistes que foi dito: [34] Olho por olho, e dente por dente.
39 Eu vos digo, porém, [35] que não resistaes ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, offerece-lhe tambem a outra;
40 E ao que quizer pleitear comtigo, e tirar-te o vestido, larga-lhe tambem a capa;
41 E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, [36] vae com elle duas.
42 Dá a quem te pedir, [37] e não te desvies d’aquelle que quizer que lhe emprestes.
43 Ouvistes que foi dito: [38] Amarás o teu proximo, e aborrecerás o teu inimigo.
44 Eu vos digo, porém: [39] Amae a vossos inimigos, bemdizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orae pelos que vos maltratam e vos perseguem;
45 Para que sejaes filhos do vosso Pae que está nos céus; [40] porque faz que o seu sol se levante sobre os maus e os bons, e a chuva desça sobre os justos e os injustos.
46 Pois, se amardes os que vos amam, [41] que galardão havereis? não fazem os publicanos tambem o mesmo?
47 E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? não fazem os publicanos tambem assim?
48 Sêde vós pois perfeitos, [42] como é perfeito o vosso Pae que está nos céus.
[1] Mar. 3.13.
[2] Luc. 6.20. Psa. 51.19. Pro. 16.19. Isa. 57.15.
[3] Isa. 61.2. Luc. 6.21. João 16.20. II Cor. 1.7. Apo. 21.4.
[4] Psa. 37.14. Rom. 4.13.
[5] Isa. 55.1 e 65.13.
[6] Psa. 41.1. cap. 6.14. Mar. 11.25. II Tim. 1.16. Heb. 6.10. Thi. 2.13.
[7] Psa. 15.3. Heb. 12.14. I Cor. 13.12. I João 3.2.
[8] II Cor. 4.17. II Tim. 2.12. I Ped. 3.14.
[9] Luc. 6.22. I Ped. 4.14.
[10] Luc. 6.23. Act. 5.41. Rom. 5.3. Thi. 1.2. I Ped. 4.13. II Chr. 36.16. Neh. 9.26. cap. 23.34, 37. Act. 7.52. I The. 2.16.
[11] Mar. 9.49. Luc. 14.34, 35.
[12] Pro. 4.18. Phi. 2.15.
[13] Mar. 4.21. Luc. 8.16.
[14] I Ped. 2.12. João 15.8. I Cor. 14.25.
[15] Rom. 3.31 e 10.4. Gal. 3.24.
[16] Luc. 16.17.
[17] Thi. 2.10.
[18] Rom. 9.31 e 10.3.
[19] Exo. 20.13. Deu. 5.17.
[20] I João 3.15.
[21] Thi. 2.20.
[22] cap. 8.4.
[23] Job 42.8. cap. 18.19. I Tim. 2.8. I Ped. 3.7.
[24] Pro. 25.8. Luc. 12.58, 59. Psa. 31.6. Isa. 55.6.
[25] Exo. 20.14. Deu. 5.18.
[26] Job 31.1. Pro. 6.25. Gen. 34.2. II Sam. 11.2.
[27] cap. 18.8, 9. Mar. 9.43, 47. cap. 19.12. Rom. 8.13. I Cor. 9.27. Col. 3.5.
[28] Deu. 24.1. Jer. 3.1. cap. 19.3. Mar. 10.2.
[29] cap. 19.9. Luc. 16.18. Rom. 7.3. I Cor. 7.10.
[30] cap. 23.16. Exo. 20.7. Lev. 19.12. Num. 30.2. Deu. 5.11 e 23.23.
[31] cap. 23.16. Thi. 5.12. Isa. 66.1.
[32] Psa. 48.2.
[33] Col. 4.6. Thi. 5.12.
[34] Exo. 21.24. Lev. 24.20. Deu. 19.21.
[35] Pro. 20.22. Luc. 6.29. Rom. 12.17. I Cor. 6.7. I The. 5.15. I Ped. 3.9. Isa. 50.6. Lam. 3.30.
[36] cap. 27.32. Mar. 15.21.
[37] Deu. 15.8, 10. Luc. 6.30, 35.
[38] Lev. 19.18. Deu. 23.6.
[39] Luc. 6.27, 35. Rom. 12.14, 20. Luc. 23.34. Act. 7.59. I Cor. 4.12. I Ped. 2.23.
[40] Job 25.3.
[41] Luc. 6.32.
[42] Gen. 17.1. Lev. 11.44. Luc. 6.38. Col. 1.28. Thi. 1.4. I Ped. 1.15. Eph. 5.1.
Continuação do sermão da montanha. Esmolas. Oração. Jejum.
6 Guardae-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por elles: aliás não tereis galardão junto de vosso Pae, que está nos céus.
2 Quando pois deres esmola, não [1] faças tocar trombeta adiante de ti, como fazem os hypocritas nas synagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
3 Mas, quanto tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita;
4 Para que a tua esmola seja dada occultamente: e teu Pae, que vê em segredo, [2] te recompensará publicamente.
5 E, quando orares, não sejas como os hypocritas; pois se comprazem em orar em pé nas synagogas, e ás esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6 Mas tu, quando orares, [3] entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pae que está em occulto; e teu Pae, que vê secretamente, te recompensará.
7 E, orando, [4] não useis palavras vãs, como os gentios, que pensam que por muito [5] fallarem serão ouvidos.
8 Não vos assimilheis pois a elles; porque vosso Pae sabe o que vos é necessario, antes de vós lh’o pedirdes.
9 Portanto, vós orareis assim: [6] Pae nosso, que estás nos céus, sanctificado seja o teu nome;
10 Venha o teu reino, [7] seja feita a tua vontade, assim na terra [8] como no céu;
11 O pão nosso de cada [9] dia nos dá hoje;
12 E perdoa-nos as nossas dividas, [10] assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
13 E não nos induzas [11] á tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a gloria, para sempre. Amen.
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas offensas, [12] tambem vosso Pae celestial vos perdoará a vós;
15 Se, porém, [13] não perdoardes aos homens as suas offensas, tambem vosso Pae vos não perdoará as vossas offensas.
16 E, [14] quando jejuaes, não vos mostreis contristados como os hypocritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
17 Porém tu, quando jejuares, unge [15] a tua cabeça, e lava o teu rosto.
18 Para não parecer aos homens que jejuas, mas a teu Pae, que está em occulto; e teu Pae, que vê em occulto, te recompensará.
O thesouro no céu. O olho puro. Os dois senhores. A anciosa solicitude pela nossa vida.
19 Não ajunteis thesouros na terra, [16] onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
20 Mas ajuntae thesouros no céu, [17] onde nem a traça nem a ferrugem corrompe, e onde os ladrões não minam nem roubam.
21 Porque onde estiver o vosso thesouro, ahi estará tambem o vosso coração.
22 A candeia do corpo é o [18] olho; de sorte que, se o teu olho fôr bom, todo o teu corpo terá luz;
23 Se, porém, o teu olho fôr mau, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti ha são trevas, quão grandes serão as trevas!
24 Ninguem pode servir a [19] dois senhores; porque ou ha de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. [20] Não podeis servir a Deus e [AFG] a Mammon.
25 Por isso vos digo: [21] Não andeis cuidadosos emquanto á vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem, emquanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido?
26 Olhae para as aves do céu, [22] que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celleiros; e vosso Pae celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que ellas?
27 E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, accrescentar um covado á sua estatura?
28 E, emquanto ao vestido, porque andaes solicitos? Olhae para os lirios do campo, como elles crescem: não trabalham nem fiam;
29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua gloria, se vestiu como qualquer d’elles.
30 Pois, se Deus assim enfeita a herva do campo, que hoje existe e ámanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
31 Não andeis pois inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
32 (Porque todas estas coisas os gentios procuram) Pois vosso Pae celestial bem sabe que necessitaes de todas estas coisas;
33 Mas buscae primeiro o reino de Deus, [23] e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão accrescentadas.
34 Não vos inquieteis pois pelo dia d’ámanhã, porque o dia d’ámanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
[1] Rom. 12.8.
[2] Luc. 14.14.
[3] II Reis 4.33.
[4] Ecc. 5.2.
[5] I Reis 18.26, 29.
[6] Luc. 11.2.
[7] cap. 26.39, 42. Act. 21.14.
[8] Psa. 103.19.
[9] Job 23.12. Pro. 40.8.
[10] cap. 18.21.
[11] cap. 26.41. Luc. 22.40, 46. I Cor. 10.13. II Ped. 2.9. Apo. 5.10. João 17.5.
[12] Mar. 11.25, 26. Eph. 4.32. Col. 3.13.
[13] cap. 18.35. Thi. 2.13.
[14] Isa. 58.5.
[15] Ruth 3.3. Dan. 10.3.
[16] Pro. 23.4. I Tim. 6.17. Heb. 13.5. Thi. 5.1.
[17] cap. 19.21. Luc. 12.23, 34 e 18.22. I Tim. 6.19. I Ped. 1.4.
[18] Luc. 11.34, 36.
[19] Luc. 16.13.
[20] Gal. 1.10. I Tim. 6.17. I João 2.15.
[21] Psa. 55.23. Luc. 12.22. Phi. 4.6. I Ped. 5.7.
[22] Job 38.41. Psa. 147.9. Luc. 12.24.
[23] I Reis 3.13. Psa. 37.25. Mar. 10.30. Luc. 12.31. I Tim. 4.8.
Continuação do sermão da montanha. O juizo temerario. As coisas sanctas não deis aos cães. Perseverança na oração. A porta estreita. Os falsos prophetas. Devemos ouvir e executar as palavras de Jesus.
7 Não julgueis, [1] para que não sejaes julgados.
2 Porque com o juizo com que julgardes sereis julgados, [2] e com a medida com que tiverdes medido hão de medir para vós.
3 E porque reparas tu no argueiro que [3] está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho; e, eis uma trave no teu olho?
5 Hypocrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.
6 Não deis aos cães as coisas sanctas, [4] nem deiteis aos porcos as vossas perolas, não seja caso que as pizem com os pés, e, voltando-se, vos despedacem.
7 Pedi, [5] e dar-se-vos-ha; buscae, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-ha.
8 Porque, [6] aquelle que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, se abre.
9 E qual d’entre vós é o homem que, [7] pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?
10 E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
11 Se vós, pois, sendo maus, [8] sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pae, que está nos céus, [AFH] dará bens aos que lh’os pedirem?
12 Portanto, [9] tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lh’o tambem vós, porque esta é a lei e os prophetas.
13 Entrae pela porta [10] estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz á perdição, e muitos são os que entram por elle;
14 Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva á vida, e poucos ha que o encontrem.
15 Acautelae-vos, porém, dos falsos prophetas, [11] que veem para vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
16 Por seus fructos [12] os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
17 Assim, [13] toda a arvore boa produz bons fructos, e toda a arvore má produz fructos maus.
18 Não pode a arvore boa dar maus fructos; nem a arvore má dar fructos bons.
19 Toda a arvore [14] que não dá bom fructo corta-se e lança-se no fogo.
20 E, assim, pelos seus fructos os conhecereis.
21 Nem todo o que me diz: [15] Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquelle que faz a vontade de meu Pae, que está nos céus.
22 Muitos me dirão n’aquelle dia: Senhor, Senhor, [16] não prophetizámos nós em teu nome? e em teu nome não expulsámos demonios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23 E então lhes direi abertamente: [17] Nunca vos conheci: apartae-vos de mim, vós que obraes a iniquidade.
24 Todo aquelle, [18] pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assimilhal-o-hei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
25 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquella casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
26 E aquelle que ouve estas minhas palavras, e as não executa, comparal-o-hei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
27 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquella casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
28 E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, [19] a multidão se admirou da sua doutrina,
29 Porque os ensinava como tendo auctoridade; [20] e não como os escribas.
[1] Luc. 6.37. Rom. 2.1 e 14.3. I Cor. 4.3, 5. Thi. 4.11, 12.
[2] Mar. 4.24. Luc. 6.38.
[3] Luc. 6.41.
[4] Pro. 9.7, 8 e 23.9. Act. 13.45, 46.
[5] cap. 21.22. Mar. 11.24. Luc. 11.9, 10 e 18.1. João 14.13. Thi. 1.5, 6. I João 3.22.
[6] Pro. 8.17. Jer. 29.12.
[7] Luc. 11.11, 13.
[8] Gen. 6.5.
[9] Luc. 6.31. Lev. 19.18. cap. 22.40. Rom. 13.8, 10. Gal. 5.14. I Tim. 1.5.
[10] Luc. 13.24.
[11] Deu. 13.3. Jer. 23.16. Mar. 13.22. Rom. 16.17, 18. Eph. 5.6. Col. 2.8. II Ped. 2.1. I João 4.1. Miq. 3.5. Act. 20.29.
[12] ver. 20. cap. 12.33. Luc. 6.43.
[13] Jer. 11.19. cap. 12.33.
[14] cap. 3.10. Luc. 3.9. João 15.26.
[15] Ose. 8.2. cap. 25.11. Luc. 6.46 e 13.25. Act. 19.13. Rom. 2.13. Thi. 1.22.
[16] Num. 2.44. João 11.51. I Cor. 13.2.
[17] cap. 25.12. Luc. 13.25, 27. II Tim. 2.19. Psa. 5.5, 6, 9. cap. 25.41.
[18] Luc. 6.47.
[19] cap. 13.54. Mar. 1.22 e 6.2. Luc. 4.32.
[20] João 7.46.
O leproso purificado.
Mar. 1.40-45. Luc. 5.12-14.
8 E descendo elle do monte, seguiu-o uma grande multidão.
2 E, eis-que veiu um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se tu queres, podes purificar-me.
3 E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero: sê puro. E logo ficou purificado da lepra.
4 Disse-lhe então Jesus: [1] Olha não o digas a alguem, mas vae, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a offerta que Moysés determinou, [2] para lhes servir de testemunho.
O centurião de Capernaum.
Luc. 7.1-10.
5 E, entrando Jesus em Capernaum, chegou junto d’elle um centurião, rogando-lhe,
6 E dizendo: Senhor, o meu creado jaz em casa paralytico, e violentamente atormentado.
7 E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saude.
8 E o centurião, respondendo, disse: Senhor, [3] não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, [4] mas dize sómente uma palavra, e o meu creado sarará;
9 Pois tambem eu sou homem sujeito ao poder, e tenho soldados ás minhas ordens; e digo a este: Vae, e elle vae; e a outro: Vem, e elle vem; e ao meu creado: Faze isto, e elle o faz.
10 E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem em Israel encontrei tanta fé.
11 Mas eu vos digo que muitos virão do oriente [5] e do occidente, e assentar-se-hão á mesa com Abrahão, e Isaac, e Jacob, no reino dos céus;
12 E os filhos do reino [6] serão lançados nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes.
13 Então disse Jesus ao centurião: Vae, e como creste te seja feito. E n’aquella mesma hora o seu creado sarou.
A sogra de Pedro.
Mar. 1.29-31. Luc. 4.38-41.
14 E Jesus, entrando em casa de Pedro, [7] viu a sogra d’este jazendo com febre.
15 E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os.
16 E, chegada a tarde, [8] trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e com a palavra expulsou d’elles os espiritos malignos, e curou todos os que estavam enfermos;
17 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz: [9] Elle tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.
Como devemos seguir a Jesus.
Luc. 9.57, &c.
18 E Jesus, vendo em torno de si uma grande multidão, ordenou que passassem para a banda d’alem;
19 E, approximando-se d’elle um escriba, disse-lhe: Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei.
20 E disse Jesus: As raposas teem seus covis, e as aves do céu teem seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
21 E [10] outro de seus discipulos lhe disse: Senhor, [11] permitte-me que primeiro vá sepultar meu pae.
22 Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos.
Jesus apazigua a tempestade.
Mar. 4.35-41. Luc. 8.22-25.
23 E, entrando elle no barco, seus discipulos o seguiram;
24 E eis que no mar se levantou uma tempestade tão grande que o barco era coberto pelas ondas; elle, porém, estava dormindo.
25 E os seus discipulos, approximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos.
26 E elle disse-lhes: Porque temeis, homens de pouca fé? [12] Então, levantando-se, reprehendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.
27 E aquelles homens se maravilharam, dizendo: Quem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
Os endemoninhados gergesenos.
Mar. 5.1. Luc. 8.26, etc.
28 E, tendo chegado á outra banda, á provincia dos gergesenos, sairam-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulchros, tão ferozes que ninguem podia passar por aquelle caminho.
29 E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós comtigo, Jesus Filho de Deus? Vieste aqui a atormentar-nos antes de tempo?
30 E andava pastando distante d’elles uma manada de muitos porcos.
31 E os demonios rogaram-lhe, dizendo: Se nos expulsas, permitte-nos que entremos n’aquella manada de porcos.
32 E elle lhes disse: Ide. E, saindo elles, se introduziram na manada dos porcos; e eis que toda aquella manada de porcos se precipitou no mar por um despenhadeiro, e morreram nas aguas.
33 E os porqueiros fugiram, e, chegando á cidade, divulgaram todas aquellas coisas, e o que acontecera aos endemoninhados.
34 E eis que toda aquella cidade saiu ao encontro de Jesus, e, vendo-o, [13] rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.
[1] cap. 9.30. Mar. 5.43.
[2] Lev. 14.3, 10. Luc. 5.14.
[3] Luc. 15.19, 21.
[4] Psa. 107.20.
[5] Gen. 12.3. Isa. 2.2. Mal. 1.11. Luc. 13.29. Act. 10.45. Rom. 15.9.
[6] cap. 21.43 e 13.42. Luc. 13.28. II Ped. 2.17. Jud. 13.
[7] I Cor. 9.5.
[8] Mar. 1.32. Luc. 4.40, 41.
[9] Isa. 53.4. I Ped. 2.24.
[10] Luc. 9.59.
[11] I Reis 19.20.
[12] Psa. 65.8 e 89.9, 10 e 107.29.
[13] Deu. 5.25. I Reis 17.18. Luc. 5.8. Act. 16.39.
O paralytico de Capernaum.
Mar. 2.3-12. Luc. 5.18-36.
9 E, entrando no barco, passou para a outra banda, e chegou á sua cidade. E eis que [1] lhe trouxeram um paralytico deitado n’uma cama.
2 E [2] Jesus, vendo a sua fé, disse ao paralytico: Filho, tem bom animo, perdoados te são os teus peccados.
3 E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Elle blasphema.
4 Mas Jesus, [3] conhecendo os seus pensamentos, disse: Porque ajuizaes mal em vossos corações?
5 Pois qual é mais facil? dizer: Perdoados te são os teus peccados; ou dizer: Levanta-te e anda?
6 Ora, para que saibaes que o Filho do homem tem na terra auctoridade para perdoar peccados (disse então ao paralytico): Levanta-te; toma a tua cama, e vae para tua casa.
7 E, levantando-se, foi para sua casa.
8 E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal auctoridade aos homens.
A vocação de Mattheus.
Mar. 2.14-17. Luc. 5.27-32.
9 E Jesus, passando adiante d’ali, viu assentado na alfandega um homem, chamado Mattheus, e disse-lhe: Segue-me. E elle, levantando-se, o seguiu.
10 E aconteceu que, [4] estando elle em casa assentado á mesa, chegaram muitos publicanos e peccadores, e assentaram-se juntamente á mesa com Jesus e seus discipulos.
11 E os phariseos, vendo isto, disseram aos seus discipulos: [5] Porque come o vosso Mestre com os publicanos e peccadores?
12 Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de medico os sãos, senão os doentes.
13 Ide, porém, e aprendei o que significa: [6] Misericordia quero, e não sacrificio. Porque eu não vim para chamar os justos, mas os peccadores, ao arrependimento.
O jejum.
Mar. 2.18-22. Luc. 5.33, etc.
14 Então chegaram ao pé d’elle os discipulos de João, dizendo: Porque jejuamos nós e os phariseos muitas vezes, e os teus discipulos não jejuam?