A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 5 of 11)
3 E todos os filhos d’Israel vendo descer o fogo, e a gloria do Senhor sobre a casa, encurvaram-se com o rosto em terra sobre o pavimento, e adoraram e louvaram ao Senhor: porque é bom, porque a sua benignidade dura para sempre.
4 E [3] o rei e todo o povo offereciam sacrificios perante o Senhor.
5 E o rei Salomão offereceu sacrificios de bois, vinte e dois mil, e d’ovelhas cento e vinte mil: e o rei e todo o povo consagraram a casa de Deus.
6 E os sacerdotes segundo as suas turmas estavam [4] em pé; como tambem os levitas com os instrumentos musicos do Senhor, que o rei David tinha feito, para louvarem ao Senhor, porque a sua benignidade dura para sempre, quando David o louvava pelo ministerio d’elles: e os sacerdotes tocavam [5] as trombetas defronte d’elles, e todo o Israel estava em pé.
7 E Salomão [6] sanctificou o meio do pateo, que estava diante da casa do Senhor; porquanto ali tinha elle offerecido os holocaustos e a gordura dos sacrificios pacificos; porque no altar de metal, que Salomão tinha feito, não podia caber o holocausto, e a offerta de manjares, e a gordura.
8 E n’aquelle mesmo tempo celebrou [7] Salomão a festa sete dias e todo o Israel com elle, uma mui grande congregação, desde a entrada d’Hamath, até ao [8] rio do Egypto.
9 E ao dia oitavo celebraram o [LV] dia de prohibição; porque sete dias celebraram a consagração do altar, e sete dias a festa.
10 E [9] no dia vigesimo terceiro do setimo mez, deixou ir o povo para as suas tendas, alegres e de bom animo, pelo bem que o Senhor tinha feito a David, e a Salomão, e a seu povo Israel.
Deus apparece a Salomão pela segunda vez e lhe faz promessas.
11 Assim Salomão acabou [10] a casa do Senhor, e a casa do rei: e tudo quanto Salomão intentou fazer na casa do Senhor e na sua casa prosperamente o effeituou.
12 E o Senhor appareceu de noite a Salomão, e disse-lhe: Ouvi a tua oração, e [11] escolhi para mim este logar para casa de sacrificio.
13 Se eu cerrar os [12] céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo:
14 E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face [13] e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei [14] dos céus, e perdoarei os seus peccados, e sararei a sua terra.
15 Agora [15] estarão abertos os meus olhos e attentos os meus ouvidos á oração d’este logar.
16 Porque agora escolhi [16] e sanctifiquei esta casa, para que o meu nome esteja n’ella perpetuamente: e n’ella estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias.
17 E, quanto [17] a ti, se andares diante de mim, como andou David teu pae, e fizeres conforme a tudo o que te ordenei, e guardares os meus estatutos e os meus juizos,
18 Tambem confirmarei o throno do teu reino, conforme o concerto que fiz com David, teu pae, dizendo: Não [18] te faltará varão que domine em Israel.
19 Porém [19] se vós vos desviardes, e deixardes os meus estatutos, e os meus mandamentos, que vos tenho proposto, e fordes, e servirdes a outros deuses, e vos prostrardes a elles,
20 Então os arrancarei da minha terra que lhes dei, e lançarei da minha presença esta casa que consagrei ao meu nome, e farei com que seja por proverbio e mote entre todas as gentes.
21 E d’esta casa, que fôra tão exaltada, qualquer que passar por ella se espantará e dirá: [20] Porque fez o Senhor assim com esta terra e com esta casa?
22 E dirão: Porquanto deixaram ao Senhor Deus de seus paes, que os tirou da terra do Egypto, e se deram a outros deuses, e se prostraram a elles, e os serviram: por isso elle trouxe sobre elles todo este mal.
[1] I Reis 8.54. Lev. 9.24. Jui. 6.21. I Chr. 21.26. I Reis 8.10, 11.
[2] cap. 5.14.
[3] I Chr. 16.41. cap. 20.21. I Reis 8.62, 63.
[4] I Chr. 15.16.
[5] cap. 5.12.
[6] I Reis 8.64.
[7] I Reis 8.65.
[8] Jos. 13.3.
[9] I Reis 8.66.
[10] I Reis 9.1, etc.
[11] Deu. 12.5.
[12] cap. 6.26, 28.
[13] Thi. 4.10.
[14] cap. 6.27, 30.
[15] cap. 6.40.
[16] I Reis 9.3. cap. 6.6.
[17] I Reis 9.4, etc.
[18] cap. 6.16.
[19] Lev. 26.14, 33. Deu. 28.15, 36, 37.
[20] Deu. 29.24. Jer. 22.8, 9.
Salomão edifica cidades.
8 E succedeu, [1] ao cabo de vinte annos, nos quaes Salomão edificou a casa do Senhor, e a sua propria casa,
2 Que Salomão edificou as cidades que Hurão lhe tinha dado; e fez habitar n’ellas os filhos d’Israel.
3 Depois foi Salomão a Hamath Zoba, e a tomou.
4 Tambem [2] edificou a Tadmor no deserto, e todas as cidades das munições, que edificou em Hamath.
5 Edificou tambem a alta Beth-horon, e a baixa Beth-horon; cidades fortes com muros, portas e ferrolhos;
6 Como tambem a Baalath, e todas as cidades das munições, que Salomão tinha, e todas as cidades dos carros e as cidades dos cavalleiros; e tudo quanto, conforme ao seu desejo, Salomão quiz edificar em Jerusalem, e no Libano, e em toda a terra do seu dominio.
Salomão faz tributarios os hetheos.
7 Quanto a todo o povo, [3] que tinha ficado dos hetheos, e amorrheos, e pherezeos, e heveos, e jebuseos, que não eram d’Israel,
8 Dos seus filhos, que ficaram depois d’elles na terra, os quaes os filhos d’Israel não destruiram, Salomão os fez tributarios, até _ao dia d’_hoje.
9 Porém dos filhos d’Israel, a quem Salomão não fez servos para sua obra (mas eram homens de guerra, chefes dos seus capitães, e chefes dos seus carros, e dos seus cavalleiros),
10 D’estes pois eram os chefes dos officiaes que o rei Salomão [4] tinha, duzentos e cincoenta, que presidiam sobre o povo.
11 E Salomão fez subir [5] a filha de Pharaó da cidade de David para a casa que lhe tinha edificado; porque disse: Minha mulher não morará na casa de David, rei d’Israel, porquanto sanctos são os logares nos quaes entrou a arca do Senhor.
12 Então Salomão offereceu holocaustos ao Senhor, sobre o altar do Senhor, que tinha edificado diante do portico;
13 E isto segundo a ordem de cada dia, [6] offerecendo o mandamento de Moysés, nos sabbados e nas luas novas, e nas solemnidades, [7] tres vezes no anno: na festa dos pães asimos, e na festa das semanas, e na festa das tendas.
14 Tambem, conforme á ordem de David seu pae, ordenou as turmas [8] dos sacerdotes nos seus ministerios, como tambem as dos levitas ácerca de suas guardas, para louvarem a Deus, e ministrarem diante dos sacerdotes, segundo a ordenação de cada dia, e os porteiros [9] pelas suas turmas a cada porta; porque tal era o mandado de David, o homem de Deus.
15 E não se desviaram do mandado do rei aos sacerdotes e levitas, em negocio nenhum, nem ácerca dos thesouros.
16 Assim se preparou toda a obra de Salomão, desde o dia da fundação da casa do Senhor, até se acabar: e assim se aperfeiçoou a casa do Senhor.
17 Então foi Salomão [10] a Esion-geber, e a Eloth, á praia do mar, na terra d’Edom.
18 E enviou-lhe Hurão, [11] por mão de seus servos, navios, e servos praticos do mar, e foram com os servos de Salomão a Ophir, e tomaram de lá quatrocentos e cincoenta talentos d’oiro: e os trouxeram ao rei Salomão.
[1] I Reis 9.10, etc.
[2] I Reis 9.17, etc.
[3] I Reis 9.20, etc.
[4] I Reis 9.23.
[5] I Reis 3.1 e 7.8 e 9.24.
[6] Exo. 29.38. Num. 28.3, 9, 11, 26 e 29.1, etc.
[7] Exo. 23.14. Deu. 16.16.
[8] I Chr. 24.1. I Chr. 25.1.
[9] I Chr. 9.17 e 26.1.
[10] I Reis 9.26.
[11] I Reis 9.27. cap. 9.10, 13.
A rainha de Saba vem ver a Salomão.
[Antes de Christo 992]
9 E ouvindo [1] a rainha de Saba a fama de Salomão, veiu a Jerusalem, provar a Salomão com enigmas, com um mui grande exercito, e camelos carregados d’especiarias, e oiro em abundancia e pedras preciosas; e veiu a Salomão, e fallou com elle de tudo o que tinha no seu coração.
2 E Salomão lhe declarou todas as suas palavras: e nenhuma coisa se occultou a Salomão, que lhe não declarasse.
3 Vendo pois a rainha de Saba a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara;
4 E as iguarias da sua mesa, e o assentar dos seus servos, e o estar dos seus creados, e os vestidos d’elles; e os seus copeiros, e os vestidos d’elles; e a sua subida pela qual elle subia á casa do Senhor, [LW] ella ficou como fóra de si.
5 Então disse ao rei: Foi verdade a palavra que ouvi na minha terra ácerca dos teus feitos e da tua sabedoria.
6 Porém não cria as suas palavras, até que vim, e meus olhos o viram, e eis-que me não disseram a metade da grandeza da tua sabedoria: sobrepujaste á fama que ouvi.
7 Bemaventurados os teus homens, e bemaventurados estes teus servos, que estão sempre diante de ti, e ouvem a tua sabedoria!
8 Bemdito seja o Senhor teu Deus, que se agradou em ti para te pôr como rei sobre o seu throno, pelo Senhor teu Deus: porquanto teu Deus ama a Israel, para estabelecel-o perpetuamente; e poz-te por rei sobre elles, para fazeres juizo e justiça.
9 E deu ao rei cento e vinte talentos d’oiro, e especiarias em grande abundancia, e pedras preciosas: e nunca houve taes especiarias, quaes a rainha de Saba deu ao rei Salomão.
10 E tambem os servos d’Hurão, e os servos de Salomão, que de Ophir tinham trazido [2] oiro, trouxeram madeira d’algum, e pedras preciosas.
11 E fez o rei corredores de madeira d’algum, para a casa do Senhor, e para a casa do rei, como tambem harpas e alaudes para os cantores, quaes nunca d’antes se viram na terra de Judah.
12 E o rei Salomão deu á rainha de Saba tudo quanto lhe agradou, e o que lhe pediu, alem do que ella mesma trouxera ao rei: assim virou-se e foi para a sua terra, ella e os seus servos.
As riquezas e a magnificencia de Salomão.
13 E era o peso do oiro, que vinha em um anno a Salomão, seiscentos e sessenta e seis talentos d’oiro,
14 Afóra do que os negociantes e mercadores traziam: tambem todos os reis da Arabia, e os principes da mesma terra traziam a Salomão oiro e prata.
15 Tambem fez Salomão duzentos pavezes d’oiro batido: para cada pavez mandou pesar seiscentos siclos d’oiro batido.
16 Como tambem trezentos escudos d’oiro batido; para cada escudo mandou pezar trezentos siclos d’oiro: e Salomão os poz na casa do bosque do Libano.
17 Fez mais o rei um grande throno de marfim; e o cobriu d’oiro puro.
18 E o throno tinha seis degráus, e um estrado d’oiro, pegado ao throno, e encostos d’ambas as bandas no logar do assento: e dois leões estavam junto aos encostos.
19 E doze leões estavam ali d’ambas as bandas, sobre os seis degraus: outro tal se não fez em nenhum reino.
20 Tambem todos os vasos de beber do rei Salomão eram d’oiro, e todos os vasos da casa do bosque do Libano, d’oiro puro: a prata reputava-se por nada nos dias de Salomão.
21 Porque, indo os navios do rei com os servos d’Hurão, a Tharsis, tornavam os navios de Tharsis, uma vez em tres annos, e traziam oiro e prata, marfim, e bugios, e pavões.
22 Assim excedeu o rei Salomão todos os reis da terra, em riqueza e sabedoria.
23 E todos os reis da terra procuravam ver o rosto de Salomão, para ouvirem a sua sabedoria, que Deus lhe dera no seu coração.
24 E elles traziam cada um o seu presente, vasos d’oiro, e vestidos, armaduras, e especiarias, cavallos e mulos: cada coisa d’anno em anno.
25 Teve tambem Salomão [3] quatro mil estrebarias de cavallos e carros, e doze mil cavalleiros: e pôl-os nas cidades dos carros, e com o rei em Jerusalem.
26 E dominava [4] sobre todos os reis, desde o rio até á terra dos philisteos, e até ao termo do Egypto.
27 Tambem o rei fez [5] que houvesse prata em Jerusalem como pedras, e cedros em tanta abundancia como [LX] as figueiras bravas que ha pelas campinas.
28 E do Egypto e de todas aquellas terras traziam [6] cavallos a Salomão.
A morte de Salomão.
29 Os mais successos pois de Salomão, tanto os primeiros como os ultimos, porventura não estão escriptos no livro das fallas de Nathan, o propheta, e na prophecia d’Ahias [7], o silonita, e nas visões de Iddo, o vidente, ácerca de Jeroboão, filho de Nebat?
30 E reinou [8] Salomão em Jerusalem quarenta annos sobre todo o Israel.
31 E dormiu Salomão com seus paes, e o sepultaram na cidade de David seu pae: e Roboão, seu filho, reinou em seu logar.
[1] I Reis 10.1, etc. Mat. 12.42. Luc. 11.31.
[2] cap. 8.18. I Reis 10.11.
[3] I Reis 4.26 e 10.26. cap. 1.14.
[4] I Reis 4.21. Gen. 15.18.
[5] I Reis 10.27. cap. 1.15.
[6] I Reis 10.28. cap. 1.16.
[7] I Reis 11.41. I Reis 11.29. cap. 12.15 e 13.22.
[8] I Reis 11.42, 43.
A revolta de dez tribus de Israel.
[Antes de Christo 975]
10 E foi [1] Roboão a Sichem, porque todo o Israel tinha vindo a Sichem para o fazerem rei.
2 Succedeu pois que, ouvindo-o Jeroboão, filho de Nebat (o qual estava então no Egypto [2] para onde fugira da presença do rei Salomão), voltou Jeroboão do Egypto.
3 Porque enviaram a elle, e o chamaram: e veiu pois Jeroboão com todo o Israel: e fallaram a Roboão dizendo:
4 Teu pae fez duro o nosso jugo, allivia tu pois agora a dura servidão de teu pae, e o pesado jugo d’elle, que nos tinha imposto, e servir-te-hemos.
5 E elle lhes disse: D’aqui a tres dias tornae a mim. Então o povo se foi.
6 E teve Roboão conselho com os anciãos, que estiveram perante Salomão seu pae, emquanto viveu, dizendo: Como aconselhaes vós que se responda a este povo?
7 E elles lhe fallaram, dizendo: Se te fizeres benigno e affavel com este povo, e lhes fallares boas palavras, todos os dias serão teus servos.
8 Porém elle deixou o conselho, que os anciãos lhe deram: e teve conselho com os mancebos, que haviam crescido com elle, e estavam perante elle.
9 E disse-lhes: Que aconselhaes vós, que respondamos a este povo? que me fallou, dizendo: Allivia-nos o jugo que teu pae nos impoz?
10 E os mancebos, que com elle haviam crescido, lhe fallaram, dizendo: Assim dirás a este povo, que te fallou, dizendo: Teu pae aggravou o nosso jugo, tu porém allivia-nos: assim pois lhes fallarás: O meu dedo minimo é mais grosso do que os lombos de meu pae.
11 Assim que se meu pae vos fez carregar d’um jugo pesado, eu ainda accrescentarei sobre o vosso jugo: meu pae vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.
12 Veiu pois Jeroboão, e todo o povo a Roboão, no terceiro dia, como o rei tinha ordenado, dizendo: Tornae a mim ao terceiro dia.
13 E o rei lhe respondeu asperamente: porque o rei Roboão deixou o conselho dos anciãos.
14 E fallou-lhes conforme ao conselho dos mancebos, dizendo: Meu pae aggravou o vosso jugo, porém eu lhe accrescentarei mais: meu pae vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.
15 Assim o rei não deu ouvidos ao povo, [3] porque esta mudança vinha de Deus, para que o Senhor confirmasse a sua palavra, a qual fallara pelo ministerio d’Ahias, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebat.
16 Vendo pois todo o Israel, que o rei lhes não dava ouvidos, então o povo respondeu ao rei, dizendo: Que parte temos nós com David? já não temos herança no filho d’Isai; Israel, cada um ás suas tendas! Olha agora pela tua casa, ó David. Assim todo o Israel se foi para as suas tendas.
17 Porém, quanto aos filhos de Israel, que habitavam nas cidades de Judah, sobre elles reinou Roboão.
18 Então o rei Roboão enviou a Hadoram, que tinha cargo dos tributos; porém os filhos d’Israel o apedrejaram com pedras, de que morreu: então o rei Roboão se esforçou a subir para o seu carro, e fugiu para Jerusalem.
19 Assim se rebellaram [4] os israelitas contra a casa de David, até ao _dia d’_hoje.
[1] I Reis 12.1, etc.
[2] I Reis 11.40.
[3] I Sam. 2.25. I Reis 12.15, 24. I Reis 11.29.
[4] I Reis 12.19.
Deus prohibe fazer guerra contra as dez tribus.
11 Vindo pois Roboão [1] a Jerusalem, ajuntou da casa de Judah e Benjamin cento e oitenta mil escolhidos, dextros na guerra para pelejarem contra Israel, e para restituirem o reino a Roboão.
2 Porém a palavra [2] do Senhor veiu a Semaias, homem de Deus, dizendo:
3 Falla a Roboão, filho de Salomão, rei de Judah, e a todo o Israel, em Judah e Benjamin, dizendo:
4 Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra os vossos irmãos, tornae cada um á sua casa; porque de mim proveiu isto. E ouviram as palavras do Senhor, e tornaram d’irem contra Jeroboão.
5 E Roboão habitou em Jerusalem: e edificou cidades para fortalezas, em Judah.
6 Edificou pois a Bethlehem, e a Etam, e a Tekoa,
7 E a Beth-zur, e a Soco, e a Adullam,
8 E a Gath, e a Maresa, e a Ziph,
9 E a Adoraim, e a Lachis, e a Azeka,
10 E a Zora, e a Aijalon, e a Hebron, que estavam em Judah e em Benjamin; cidades fortes.
11 E fortificou estas fortalezas e poz n’ellas maioraes, e armazens de viveres, e d’azeite, e de vinho.
12 E poz em cada cidade pavezes e lanças; fortificou-as em grande maneira: e Judah e Benjamin foram seus.
Todos os que temem a Deus veem a Jerusalem.
13 Tambem os sacerdotes, e os levitas, que havia em todo o Israel, se ajuntaram a elle de todos os seus termos.
14 Porque os levitas deixaram os seus [3] arrabaldes, e a sua possessão, e vieram a Judah e a Jerusalem (porque Jeroboão e seus filhos os lançaram fóra para que não ministrassem ao Senhor.
15 E elle [4] constituiu para si sacerdotes, para os altos, e para os demonios, e para os bezerros, que fizera.)
16 Depois d’esses [5] tambem de todas as tribus d’Israel, os que deram o seu coração a buscarem ao Senhor Deus d’Israel, vieram a Jerusalem, para offerecerem sacrificios ao Senhor Deus de seus paes.
17 Assim [6] fortaleceram o reino de Judah e corroboraram a Roboão, filho de Salomão, por tres annos: porque tres annos andaram no caminho de David e Salomão.
18 E Roboão tomou para si, por mulher, a Mahalat, filha de Jerimoth, filho de David; e a Abihail, filha d’Eliab, filho de Jessé.
19 A qual lhe pariu filhos, a Jeus, e a Samarias, e a Zaham,
20 E depois d’ella [7] tomou a Maaca, filha d’Absalão; esta lhe pariu a Abias, e a Atthai, e a Ziza, e a Selomith.
21 E amava Roboão mais a Maaca, filha d’Absalão, do que a todas as suas outras mulheres e concubinas; porque elle tinha tomado dezoito mulheres, e sessenta concubinas; e gerou vinte e oito filhos, e sessenta filhas.
22 E Roboão poz [8] por cabeça a Abias, filho de Maaca, para ser maioral entre os seus irmãos; porque o queria fazer rei.
23 E usou de prudencia, e de todos os seus filhos alguns espalhou por todas as terras de Judah e Benjamin, por todas as cidades fortes; e deu-lhes viveres em abundancia: e lhes desejou uma multidão de mulheres.
[1] I Reis 12.21, etc.
[2] cap. 12.15.
[3] Num. 35.2. cap. 13.9.
[4] I Reis 12.31 e 13.33 e 14.9. Ose. 13.2. Lev. 17.7. I Cor. 10.20. I Reis 12.28.
[5] cap. 15.9 e 30.11, 18.
[6] cap. 12.1.
[7] I Reis 15.2. cap. 13.2.
[8] Deu. 21.15, 16, 17.
Deus castiga Roboão por causa da idolatria.
[Antes de Christo 971]
12 Succedeu pois [1] que, havendo Roboão confirmado o reino, e havendo-se fortalecido, deixou a lei do Senhor, e com elle todo o Israel.
2 Pelo que succedeu, [2] no anno quinto do rei Roboão, que Sisak, rei do Egypto, subiu contra Jerusalem (porque tinham transgredido contra o Senhor)
3 Com mil e duzentos carros, e com sessenta mil cavalleiros; e era innumeravel a gente que vinha com elle do Egypto, [3] de lybios, suchitas e ethiopes.
4 E tomou as cidades fortes, que Judah tinha; e veiu a Jerusalem.
5 Então veiu Semaias, o propheta, a [4] Roboão e aos principes de Judah que se ajuntaram em Jerusalem por causa de Sisak, e disse-lhes: Assim diz o Senhor: Vós me deixastes a mim, pelo que eu tambem vos deixei na mão de Sisak.
6 Então se humilharam os principes d’Israel, e o rei, [5] e disseram: O Senhor é justo.
7 Vendo pois o Senhor que se humilhavam, veiu a palavra do Senhor [6] a Semaias, dizendo: Humilharam-se, não os destruirei; antes em breve lhes darei logar d’escaparem, para que o meu furor se não derrame sobre Jerusalem, por mão de Sisak.
8 Porém [7] serão seus servos: para que conheçam a differença da minha servidão e da servidão dos reinos da terra.
9 Subiu pois [8] Sisak, rei do Egypto, contra Jerusalem, e tomou os thesouros da casa do Senhor, e os thesouros da casa do rei; levou tudo: tambem tomou os escudos d’oiro, que Salomão fizera.
10 E fez o rei Roboão em logar d’elles escudos de cobre, e os entregou [9] na mão dos capitães da guarda, que guardavam a porta da casa do rei.
11 E succedeu que, entrando o rei na casa do Senhor, vinham os da guarda, e os traziam, e os tornavam a pôr na camara da guarda.
12 E humilhando-se elle, a ira do Senhor se desviou d’elle, para que o não destruisse de todo; porque ainda em Judah havia boas coisas.
13 Fortificou-se pois o rei Roboão em Jerusalem, e reinou; porque Roboão era da edade [10] de quarenta e um annos, quando começou a reinar; e dezesete annos reinou em Jerusalem, a cidade que o Senhor escolheu d’entre todas as tribus d’Israel, para pôr ali o seu nome; e era o nome de sua mãe Naama, ammonita.
14 E fez o que era mal; porquanto não preparou o seu coração para buscar ao Senhor.
15 Os successos pois de Roboão, assim os primeiros, como os ultimos, porventura não estão escriptos nos livros de Semaias, o propheta, [11] e de Iddo, o vidente, na relação das genealogias? E havia guerras entre Roboão e Jeroboão em todos os seus dias.
16 E Roboão dormiu com seus paes, e foi sepultado na cidade de David: e [12] Abias, seu filho, reinou em seu logar.
[1] cap. 11.17. I Reis 14.22, 23, 24.
[2] I Reis 14.24, 25.
[3] cap. 16.8.
[4] cap. 11.2. cap. 15.2.
[5] Thi. 4.10. Exo. 9.27.
[6] I Reis 21.28, 29.
[7] Isa. 26.13. Deu. 28.47, 48.
[8] I Reis 14.25, 26. I Reis 10.16, 17. cap. 9.15, 16.
[9] II Sam. 8.18.
[10] I Reis 14.21. cap. 6.6.
[11] cap. 9.29 e 13.22. I Reis 14.30.
[12] I Reis 14.31.
Abias reina e peleja contra Jeroboão.
[Antes de Christo 958]
13 No [1] anno decimo oitavo do rei Jeroboão reinou Abias sobre Israel.
2 Tres annos reinou em Jerusalem; e era o nome de sua mãe [2] Michaia, filha d’Uriel de Gibea: e houve guerra entre Abias e Jeroboão.
3 E Abias ordenou a peleja com um exercito de varões bellicosos, de quatrocentos mil homens escolhidos: e Jeroboão dispoz contra elle a batalha de oitocentos mil homens escolhidos, todos varões valentes.
4 E poz-se Abias em pé em cima do monte de [3] Zemaraim, que está na montanha d’Ephraim, e disse: Ouvi-me, Jeroboão e todo o Israel:
5 Porventura não vos convem saber que o Senhor Deus d’Israel [4] deu para sempre a David a soberania sobre Israel, a elle e a seus filhos, por um concerto de sal?
6 Comtudo levantou-se Jeroboão, filho de Nebat, servo de Salomão, filho de David, e se [5] rebellou contra seu senhor.
7 E ajuntaram-se a [6] elle homens vadios, filhos de Belial; e fortificaram-se contra Roboão, filho de Salomão, sendo Roboão ainda mancebo, e terno de coração, e não se podia esforçar contra elles.
8 E agora cuidaes d’esforçar-vos contra o reino do Senhor, que está na mão dos filhos de David: bem sois vós uma grande multidão, e tendes comvosco os bezerros d’oiro que [7] Jeroboão vos fez para deuses.
9 Não [8] lançastes vós fora os sacerdotes do Senhor, os filhos d’Aarão, e os levitas, e não fizestes para vós sacerdotes, como as gentes das outras terras? qualquer que vem a consagrar-se com um novilho e sete carneiros logo se faz sacerdote d’aquelles que não são deuses.
10 Porém, quanto a nós, o Senhor é nosso Deus, e nunca o deixámos: e os sacerdotes, que ministram ao Senhor são filhos d’Aarão, e os levitas se occupam na sua obra.
11 E queimam ao Senhor cada [9] manhã e cada tarde holocaustos, incenso aromatico, com os pães da proposição sobre a mesa pura, e o castiçal d’oiro, e as suas alampadas para se accenderem cada tarde, porque nós temos cuidado do serviço do Senhor nosso Deus; porém vós o deixastes.
12 E eis-que Deus está comnosco na dianteira, como tambem [10] os seus sacerdotes, tocando com as trombetas, para dar alarme contra vós, ó filhos d’Israel; não pelejeis contra o Senhor Deus de vossos paes; porque não prosperareis.
13 Mas Jeroboão fez uma emboscada em volta, para darem sobre elles por detraz; de maneira que estavam defronte de Judah e a emboscada por detraz d’elles.
14 Então Judah olhou, e eis-que tinham a pelejar por diante e por detraz: então clamaram ao Senhor; e os sacerdotes tocaram as trombetas.
15 E os homens de Judah gritaram: e succedeu que, gritando os homens de Judah, Deus [11] feriu a Jeroboão e a todo o Israel diante d’Abias e de Judah.
16 E os filhos d’Israel fugiram de diante de Judah; e Deus os entregou na sua mão.
17 De maneira que Abias e o seu povo fez grande estrago entre elles; porque cairam feridos d’Israel quinhentos mil homens escolhidos.
18 E foram abatidos os filhos d’Israel n’aquelle tempo; e os filhos de Judah [12] prevaleceram porque confiaram no Senhor Deus de seus paes.
19 E Abias seguiu após Jeroboão; e tomou a Bethel com os logares da sua jurisdicção, e a Jesana com os logares da sua jurisdicção, e a Ephron [13] com os logares da sua jurisdicção.
20 E Jeroboão não reteve mais nenhuma força nos dias d’Abias: porém o Senhor [14] o feriu, e morreu.
21 Abias pois se fortificou, e tomou para si quatorze mulheres, e gerou vinte e dois filhos e dezeseis filhas.
22 Os mais successos pois d’Abias, tanto os seus caminhos como as suas palavras, estão escriptos na [15] historia do propheta Iddo.
[1] I Reis 15.1, etc.
[2] cap. 11.20.
[3] Jos. 18.22.
[4] II Sam. 7.12, 13, 16. Num. 18.
[5] I Reis 11.26 e 12.20.
[6] Jui. 9.4.
[7] I Reis 12.28 e 14.9. Ose. 8.6.
[8] cap. 11.14, 15. Exo. 29.35.
[9] cap. 2.4. Lev. 24.6. Exo. 27.20, 21. Lev. 24.2, 3.
[10] Num. 10.8. Act. 5.39.
[11] cap. 14.12.
[12] I Chr. 5.20.
[13] Jos. 15.9.
[14] I Sam. 25.38. I Reis 14.20.
[15] cap. 12.15.
Asa reina, e vence a Zera o ethiope.
[Antes de Christo 951]
14 E Abias dormiu com seus paes e o sepultaram na cidade de David; e [1] Asa, seu filho, reinou em seu logar: nos seus dias esteve a terra em paz dez annos.
2 E Asa fez o que era bom e recto aos olhos do Senhor seu Deus.
3 Porque tirou os altares dos deuses estranhos, [2] e os altos: e quebrou [3] [LY] as estatuas, e cortou os bosques.
4 E mandou a Judah que buscassem ao Senhor Deus de seus paes, e que observassem a lei e o mandamento.
5 Tambem tirou de todas as cidades de Judah os altos e as imagens do sol: e o reino esteve quieto diante d’elle.
6 E edificou cidades fortes em Judah: porque a terra estava quieta, e não havia guerra contra elle n’aquelles annos; porquanto o Senhor lhe dera repouso.
7 Disse pois a Judah: Edifiquemos estas cidades, e cerquemol-as de muros e torres, portas e ferrolhos, emquanto a terra ainda está quieta diante de nós, pois buscámos ao Senhor nosso Deus; buscámol-o, e deu-nos repouso em redor. Edificaram, pois, e prosperaram.
8 Tinha pois Asa um exercito de trezentos mil de Judah que traziam pavez e lança; e duzentos e oitenta mil de Benjamin, que traziam escudo e atiravam d’arco; todos estes eram varões valentes.
9 E Zera, o ethiope, [4] saiu contra elles, com um exercito de mil milhares, e trezentos carros, e chegou até Maresa.
10 Então Asa saiu contra elle: e ordenaram a batalha no valle de Zephatha, junto a Maresa.
11 E [5] Asa clamou ao Senhor seu Deus, e disse: Senhor, nada para ti é ajudar, quer o poderoso quer o de nenhuma força; ajuda-nos, pois, Senhor nosso Deus, porque em ti confiamos, e no teu nome viemos contra esta multidão: Senhor, tu és nosso Deus, não prevaleça contra ti o homem.
12 E [6] o Senhor feriu os ethiopes diante d’Asa e diante de Judah: e fugiram os ethiopes.
13 E Asa, e o povo que estava com elle os perseguiram até [7] Gerar, e cairam tantos dos ethiopes, que já não havia n’elles vigor algum; porque foram quebrantados diante do Senhor, e diante do seu exercito: e levaram d’ali mui grande despojo.
14 E feriram todas as cidades nos arredores de Gerar; porque [8] o terror do Senhor estava sobre elles; e saquearam todas as cidades, porque havia n’ellas muita preza.
15 Tambem feriram as [LZ] malhadas do gado; e levaram ovelhas em abundancia, e camelos, e voltaram para Jerusalem.
[1] I Reis 15.8, etc.
[2] I Reis 15.14. cap. 15.17.
[3] Exo. 34.13. I Reis 11.7.
[4] cap. 16.8. Jos. 15.44.
[5] Exo. 14.10. cap. 13.14. Psa. 22.6. I Sam. 14.6. I Sam. 17.45. Pro. 18.10.
[6] cap. 13.15.
[7] Gen. 10.19 e 20.1.
[8] Gen. 35.5. cap. 17.10.
Asa abole a idolatria e renova o pacto do Senhor.
[Antes de Christo 941]
15 Então veiu [1] o Espirito de Deus sobre Azarias, filho d’Obed.
2 E saiu ao encontro d’Asa, e disse-lhe: Ouvi-me, Asa, e todo o Judah e Benjamin: [2] O Senhor está comvosco, emquanto vós estaes com elle, e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixará.
3 E Israel esteve por [3] muitos dias sem o verdadeiro Deus, e sem sacerdote que o ensinasse, e sem lei.
4 Mas [4] quando na sua angustia se convertiam ao Senhor, Deus d’Israel, e o buscavam, o achavam.
5 E n’aquelles [5] tempos não havia paz, nem para o que sahia, nem para o que entrava, mas muitas perturbações sobre todos os habitantes d’aquellas terras.
6 Porque gente contra gente, e cidade [6] contra cidade se despedaçavam; porque Deus os perturbara com toda a angustia.
7 Mas esforçae-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa.
8 Ouvindo pois Asa estas palavras, e a prophecia do propheta, _filho d’_Obed, esforçou-se, e tirou as abominações de toda a terra de Judah e de Benjamin, como tambem das cidades que tomára nas [7] montanhas d’Ephraim: e renovou o altar do Senhor, que estava diante do portico do Senhor.
9 E ajuntou a todo o Judah, e Benjamin, e com elles [8] os estrangeiros d’Ephraim e Manasseh, e de Simeão; porque d’Israel descahiam a elle em grande numero, vendo que o Senhor seu Deus era com elle.
10 E ajuntaram-se em Jerusalem no terceiro mez; no anno decimo do reinado d’Asa.
11 E no mesmo dia offereceram em sacrificio [9] ao Senhor, do despojo que trouxeram, seiscentos bois e seis mil ovelhas.
12 E entraram no [10] concerto de buscarem o Senhor, Deus de seus paes, com todo o seu coração, e com toda a sua alma;
13 E de que todo aquelle [11] que não buscasse ao Senhor, Deus d’Israel, morresse; desde o menor até ao maior, e desde o homem até á mulher.
14 E juraram ao Senhor, em alta voz, com jubilo e com trombetas e buzinas.
15 E todo o Judah se alegrou d’este juramento; porque com todo o seu coração juraram, [12] e com toda a sua vontade o buscaram, e o acharam: e o Senhor lhes deu repouso em redor.
16 E tambem a Maaca, [13] mãe do rei Asa, elle a depoz, para que não fosse mais rainha; porquanto fizera a Aserá um horrivel idolo; e Asa destruiu o seu horrivel idolo, e o despedaçou, e o queimou junto ao ribeiro de Cedron.
17 Os altos porém não se tiraram d’Israel; [14] comtudo o coração d’Asa foi perfeito todos os seus dias.
18 E trouxe as coisas que tinha consagrado seu pae, e as coisas que mesmo tinha consagrado á casa de Deus: prata, e oiro, e vasos.
19 E não houve guerra até ao anno trigesimo quinto do reino d’Asa.
[1] Num. 24.2. Jui. 3.10. cap. 20.14 e 24.20.
[2] Thi. 4.8. ver. 4, 15. I Chr. 28.9. cap. 33.12, 13. Jer. 29.13. Mat. 7.7. cap. 24.20.
[3] Ose. 3.4. Lev. 10.11.
[4] Deu. 4.29.
[5] Jui. 5.6.
[6] Mat. 24.7.
[7] cap. 13.19.
[8] cap. 11.16.
[9] cap. 14.15. cap. 14.13.
[10] II Reis 23.3. cap. 34.31. Neh. 10.29.
[11] Exo. 22.20. Deu. 13.5, 9, 15.
[12] ver. 2.
[13] I Reis 15.13.
[14] cap. 14.3, 5. I Reis 15.14, etc.
Asa e o rei da Syria pelejam contra Baása.
16 No anno trigesimo sexto do reinado d’Asa, Baása, [1] rei d’Israel, subiu contra Judah e edificou a Rama, para ninguem deixar sair nem entrar a Asa, rei de Judah.
2 Então tirou a Asa a prata e o oiro dos thesouros da casa de Deus, e da casa do rei; e enviou a Benhadad, rei da Syria, que habitava em Damasco, dizendo:
3 Alliança ha entre mim e ti, como houve entre meu pae e teu: eis que te envio prata e oiro; vae, pois, e anniquila a tua alliança com Baása, rei d’Israel, para que se retire de sobre mim.
4 E Benhadad deu ouvidos ao rei Asa, e enviou o capitão dos exercitos que tinha, contra as cidades d’Israel, e feriram a Ijon, e a Dan, e a Abelmaim; e a todas as cidades das munições de Naphtali.
5 E succedeu que, ouvindo-o Baása, deixou d’edificar a Rama; e descontinuou a sua obra.
6 Então o rei Asa tomou a todo o Judah e levaram as pedras de Rama, e a sua madeira, com que Baása edificara; e edificou com isto a Geba e a Mispah.
7 N’aquelle mesmo tempo veiu Hanani, [2] o vidente, a Asa rei de Judah, e disse-lhe: Porquanto confiaste no rei da Syria, e não confiaste no Senhor teu Deus, portanto o exercito do rei da Syria escapou da tua mão.
8 Porventura não foram os ethiopes [3] e os lybios um grande exercito, com muitissimos carros e cavalleiros? confiando tu porém no Senhor, elle os entregou nas tuas mãos.
9 Porque, quanto ao Senhor, seus olhos [4] passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aquelles cujo coração é perfeito para com elle; n’isto pois fizeste loucamente [5] porque desde agora haverá guerras contra ti.
10 Porém Asa se indignou contra [6] o vidente, e lançou-o na casa do tronco; porque d’isto grandemente se alterou contra elle; tambem Asa no mesmo tempo opprimiu a alguns do povo.
11 E eis que os [7] successos d’Asa, tanto os primeiros, como os ultimos, estão escriptos no livro dos reis de Judah e Israel.
12 E caiu Asa doente de seus pés no anno trinta e nove do seu reinado; grande por extremo era a sua enfermidade, e comtudo na sua enfermidade não buscou [8] ao Senhor, mas antes aos medicos.
13 E Asa dormiu com seus paes; e morreu no anno quarenta e um do seu reinado.
14 E o sepultaram no seu sepulchro, que tinha cavado para si na cidade de David, havendo-o deitado na cama, que se enchera de cheiros e [9] especiarias preparadas segundo a arte dos perfumistas: e fizeram-lhe queima mui grande.
[1] I Reis 15.17, etc. cap. 15.9.
[2] I Reis 16.1. cap. 19.2. Isa. 31.1. Jer. 17.5.
[3] cap. 14.9. cap. 12.3.
[4] Job 34.21. Pro. 5.21 e 15.3. Jer. 16.17 e 32.19. Zac. 4.10.
[5] I Sam. 13.13. I Reis 15.32.
[6] cap. 18.26. Jer. 20.2. Mat. 14.3.
[7] I Reis 15.23.
[8] Jer. 17.5.
[9] Gen. 50.2. Mar. 16.1. João 19.39, 40. cap. 21.19. Jer. 34.5.
Josaphat e o seu cuidado em instruir o povo.
[Antes de Christo 914]
17 E Josaphat [1] seu filho reinou em seu logar; e fortificou-se contra Israel.
2 E poz gente de guerra em todas as cidades fortes de Judah e poz guarnições na terra de Judah, como tambem nas cidades d’Ephraim, que Asa seu pae [2] tinha tomado.
3 E o Senhor foi com Josaphat; porque andou nos primeiros caminhos de David seu pae, e não buscou a Baalim.
4 Antes buscou ao Deus de seu pae, e andou nos seus mandamentos, e [3] não segundo as obras d’Israel.
5 E o Senhor confirmou o reino na sua mão, e todo o Judah deu presentes a Josaphat: e teve riquezas e [4] gloria em abundancia.
6 E exaltou-se o seu coração nos caminhos do Senhor [5] e ainda de mais tirou os altos e os bosques de Judah.
7 E no terceiro anno do seu reinado enviou elle os seus principes, a Benchail, e a Obadias, e a Zacharias, e a Nathanael, e a Michaia, para ensinarem [6] nas cidades de Judah.
8 E com elles os levitas, Semaias e Nethanias, e Zebadias, e Asael, e Semiramoth, e Jonathan, e Adonias, e Tobias, e Tobadonias, levitas: e com elles os sacerdotes, Elisama e Jorão.
9 E ensinaram em [7] Judah e tinham comsigo o livro da lei do Senhor: e rodearam todas as cidades de Judah, e ensinaram entre o povo.
10 E veiu [8] o temor do Senhor sobre todos os reinos das terras, que estavam em roda de Judah e não guerrearam contra Josaphat.
11 E alguns d’entre os philisteos traziam presentes [9] a Josaphat, com o dinheiro do tributo: tambem os arabios lhe trouxeram gado miudo; sete mil e setecentos carneiros, e sete mil e setecentos bodes.
12 Cresceu pois Josaphat e se engrandeceu extremamente: e edificou fortalezas e cidades de munições em Judah.
13 E teve muitas obras nas cidades de Judah e gente de guerra, varões valentes em Jerusalem.
14 E este é o numero d’elles segundo as casas de seu paes: em Judah eram chefes dos milhares: o chefe Adna, e com elle trezentos mil varões valentes;
15 E após elle o chefe Johanan, e com elle duzentos e oitenta mil;
16 E após elle Amasias, filho de Zichri, que voluntariamente se [10] entregou ao Senhor, e com elle duzentos mil varões valentes:
17 E de Benjamin Eliada, varão valente, e com elle duzentos mil, armados d’arco e d’escudo;
18 E após elle Jozabad: e com elle cento e oitenta mil armados para a guerra.
19 Estes estavam no serviço do rei; afóra os que [11] o rei tinha posto nas cidades fortes por todo o Judah.
[1] I Reis 15.24.
[2] cap. 15.8.
[3] I Reis 12.28.
[4] I Sam. 10.27. I Reis 10.25. I Reis 10.27. cap. 18.1.
[5] I Reis 22.43. cap. 15.17 e 19.3 e 20.33.
[6] cap. 15.3.
[7] cap. 35.3. Neh. 8.7.
[8] Gen. 35.5.
[9] II Sam. 8.2.
[10] Jui. 5.2, 9.
[11] ver. 2.
Alliança entre Josaphat e Achab.
[Antes de Christo 897]
18 Tinha pois Josaphat riquezas [1] e gloria em abundancia: e aparentou-se com Achab.
2 E ao cabo d’alguns [2] annos desceu elle para Achab a Samaria; e Achab matou ovelhas e bois em abundancia, para elle e para o povo que vinha com elle: e o persuadiu a subir com elle a Ramoth-gilead.
3 Porque Achab, rei d’Israel, disse a Josaphat rei de Judah: Irás tu commigo a Ramoth-gilead? e elle lhe disse: Como tu és, serei eu; e o meu povo, como o teu povo; seremos comtigo n’esta guerra.
4 Disse mais Josaphat ao rei d’Israel: Consulta [3] hoje, peço-te, a palavra do Senhor.
5 Então o rei d’Israel ajuntou os prophetas, quatrocentos homens, e disse-lhes: Iremos á guerra contra Ramoth-gilead, ou deixal-o-hei? E elles disseram: Sobe; porque Deus a dará na mão do rei.
6 Disse porém Josaphat: Não ha ainda aqui propheta algum do Senhor, para que o consultemos?
7 Então o rei d’Israel disse a Josaphat: Ainda ha um homem por quem podemos consultar ao Senhor; porém eu o aborreço; porque nunca prophetiza de mim bem, senão sempre mal; este é Micha, filho de Imla. E disse Josaphat: Não falle o rei assim.
8 Então chamou o rei d’Israel um [MA] eunucho, e disse: Traze aqui depressa a Micha filho de Imla.
9 E o rei d’Israel, e Josaphat rei de Judah estavam assentados cada um no seu throno, vestidos de vestiduras, e estavam assentados na praça á entrada da porta de Samaria, e todos os prophetas prophetizavam na sua presença.
10 E Zedekias, filho de Canana, fez para si uns cornos de ferro, e disse: Assim diz o Senhor: Com estes escornearás aos syros, até de todo os consumires.
11 E todos os prophetas prophetizavam o mesmo, dizendo: Sobe a Ramoth-gilead, e prosperarás; porque o Senhor a dará na mão do rei.
12 E o mensageiro, que foi chamar a Micha, lhe fallou, dizendo: Eis-que as palavras dos prophetas, a uma bocca, são boas para com o rei: seja pois tambem a tua palavra como a d’um d’elles, e falla o que é bom.
13 Porém Micha disse: Vive o Senhor, que o que meu Deus [4] me disser, isso fallarei.
14 Vindo pois ao rei, o rei lhe disse: Micha, iremos a Ramoth-gilead á guerra, ou deixal-o-hei? E elle disse: Subi, e prosperareis; e serão dados na vossa mão.
15 E o rei lhe disse: Até quantas vezes te conjurarei, para que me não falles senão a verdade no nome do Senhor?
16 Então disse elle: Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não teem pastor: e disse o Senhor: Estes não teem senhor; torne cada um em paz para sua casa.
17 Então o rei d’Israel disse a Josaphat: Não te disse eu, que este não prophetizaria de mim bem, porém mal?
18 Disse mais: Pois ouvi a palavra do Senhor: Vi ao Senhor assentado no seu throno, e a todo o exercito celestial em pé á sua mão direita, e á sua esquerda.
19 E disse o Senhor: Quem persuadirá a Achab rei d’Israel, a que suba, e caia em Ramoth-gilead? disse mais: Um diz d’esta maneira, e outro diz d’outra.
20 Então saiu um espirito [5] e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o persuadirei. E o Senhor lhe disse: Com que?
21 E elle disse: Eu sairei, e serei um espirito de mentira na bocca de todos os seus prophetas. E disse o Senhor: Tu o persuadirás, e tambem prevalecerás; sae, e faze-o assim.
22 Agora pois, eis que o Senhor enviou um espirito [6] de mentira na bocca d’estes teus prophetas: e o Senhor fallou o mal a teu respeito.
23 Então Zedekias, filho de Canana, se chegou, e [7] feriu a Micha no queixo; e disse: Porque caminho passou de mim o Espirito do Senhor para fallar a ti?
24 E disse Micha: Eis que o verás n’aquelle dia, quando andares de camara em camara, para te esconderes.
25 Então disse o rei d’Israel: Tomae a Micha, e tornae a leval-o a Amon, o governador da cidade, e a Joás filho do rei.
26 E direis: Assim diz o rei: Mettei [8] este homem na casa do carcere; e sustentae-o com pão de angustia, e com agua d’angustia, até que eu volte em paz.
27 E disse Micha: Se é que tornares em paz, o Senhor não tem fallado por mim. Disse mais: Ouvi, povos todos!
A guerra contra Ramoth-gilead e a morte de Achab.
28 Subiram pois o rei d’Israel e Josaphat rei de Judah, a Ramoth-gilead.
29 E disse o rei d’Israel a Josaphat: Disfarçando-me eu, então entrarei na peleja; tu porém veste as tuas vestiduras. Disfarçou-se pois o rei d’Israel, e entraram na peleja.
30 Deu ordem porém o rei da Syria aos capitães dos carros que tinha, dizendo: Não pelejareis nem contra pequeno, nem contra grande: senão só contra o rei d’Israel.
31 Succedeu pois que, vendo os capitães dos carros a Josaphat, disseram: Este é o rei d’Israel, e o cercaram para pelejarem; porém Josaphat clamou, e o Senhor o ajudou. E Deus os desviou d’elle.
32 Porque succedeu que, vendo os capitães dos carros, que não era o rei d’Israel, tornaram de seguil-o.
33 Então um homem armou o arco na sua simplicidade, e feriu o rei d’Israel entre as junturas e a couraça: então disse ao carreteiro: Vira a tua mão, e tira-me do exercito, porque estou mui ferido.
34 E aquelle dia cresceu a peleja, mas o rei d’Israel susteve-se em pé no carro defronte dos syros até á tarde; e morreu ao tempo do pôr do sol.
[1] cap. 17.5. II Reis 8.18.
[2] I Reis 22.2, etc.
[3] I Sam. 23.2, 4, 9. II Sam. 2.1.
[4] Num. 22.18, 20, 35 e 23.12, 26 e 24.13. I Reis 22.14.
[5] Job 1.6.
[6] Job 12.16. Isa. 19.14. Eze. 14.9.
[7] Jer. 26.2. Mar. 14.65. Act. 23.2.
[8] cap. 16.10.
O propheta Jehu reprehende a Josaphat.
19 E Josaphat, rei de Judah, voltou á sua casa em paz a Jerusalem.
2 E Jehu, filho d’Hanani, [1] o vidente, lhe saiu ao encontro, e disse ao rei Josaphat: Devias tu ajudar ao impio, e amar aquelles que ao Senhor aborrecem? por isso virá sobre ti [2] grande ira de diante do Senhor.
3 Boas coisas comtudo se acharam [3] em ti; porque tiraste os bosques da terra, e preparaste [4] o teu coração, para buscar a Deus.
4 Habitou pois Josaphat em Jerusalem: e tornou a passar pelo povo desde Berseba até as montanhas d’Ephraim, e fez com que tornassem ao Senhor Deus de seus paes.
5 E estabeleceu juizes na terra, em todas as cidades fortes, de cidade em cidade.
6 E disse aos juizes: Vede o que fazeis; [5] porque não julgaes da parte do homem, senão da parte do Senhor, e elle está comvosco no negocio do juizo.
7 Agora pois, seja o temor do Senhor comvosco: guardae-o, e fazei-o; porque não ha no Senhor nosso Deus [6] iniquidade nem acceitação de pessoas, nem acceitação de presentes.
8 E tambem estabeleceu Josaphat a alguns dos levitas [7] e dos sacerdotes e dos chefes dos paes d’Israel sobre o juizo do Senhor, e sobre as causas judiciaes: e tornaram a Jerusalem.
9 E deu-lhes ordem, dizendo: Assim fazei [8] no temor do Senhor com fidelidade, e com coração inteiro.
10 E em toda a [9] differença que vier a vós de vossos irmãos que habitam nas suas cidades, entre sangue e sangue, entre lei e mandamento, entre estatutos e juizos, e admoestae-os, que se não façam culpados para com o Senhor, e não venha grande ira sobre [10] vós, e sobre vossos irmãos: fazei assim, e não vos fareis culpados.
11 E eis que Amarias, o summo sacerdote, presidirá sobre vós em todo o [11] negocio do Senhor; e Zebadias, filho d’Ishmael, principe da casa de Judah, em todo o negocio do rei; tambem os officiaes, os levitas, estão perante vós: esforçae-vos, [12] pois, e fazei-o; e o Senhor será com os bons.
[1] I Sam. 9.9.
[2] cap. 32.25.
[3] cap. 17.4, 6. cap. 12.12.
[4] cap. 30.19. Esd. 7.10.
[5] Deu. 1.17. Ecc. 5.8.
[6] Deu. 32.4. Rom. 9.14. Deu. 10.17. Job 34.19. Act. 10.34. Rom. 2.11. Gal. 2.6. Eph. 6.9. Col. 3.25. I Ped. 1.17.
[7] Deu. 16.18. cap. 17.8.
[8] II Sam. 23.3.
[9] Deu. 17.8, etc.
[10] Num. 16.46. Eze. 3.18.
[11] I Chr. 26.30.
[12] cap. 15.2.
Deus concede a Josaphat victoria sobre os seus inimigos.
[Antes de Christo 896]
20 E succedeu que, depois d’isto, os filhos de Moab, e os filhos d’Ammon, e com elles outros de mais dos ammonitas, vieram á peleja contra Josaphat.
2 Então vieram alguns que deram aviso a Josaphat, dizendo: Vem contra ti uma grande multidão d’além do mar e da Syria: e eis-que já estão em Hatson-thamar, [1] que é Engedi.
3 Então Josaphat temeu, e poz-se a buscar o Senhor; e apregoou [2] jejum em todo o Judah.
4 E Judah se ajuntou, para pedir soccorro ao Senhor: tambem de todas as cidades de Judah vieram para buscarem ao Senhor.
5 E poz-se Josaphat em pé na congregação de Judah e de Jerusalem, na casa do Senhor, diante do pateo novo.
6 E disse: Ah Senhor, Deus de nossos paes, porventura não és tu Deus nos céus? [3] pois tu és Dominador sobre todos os reinos das gentes, e na tua mão ha força e potencia, e não ha quem te possa resistir.
7 Porventura, ó Deus [4] nosso, não lançaste tu fóra os moradores d’esta terra, de diante do teu povo Israel, e a déste á semente d’Abrahão, teu amigo, para sempre?
8 E habitaram n’ella; e edificaram-te n’ella um sanctuario ao teu nome, dizendo:
9 Se algum [5] mal nos sobrevier, espada, juizo, peste, ou fome, nós nos apresentaremos diante d’esta casa e diante de ti; pois teu nome [6] está n’esta casa; e clamaremos a ti na nossa angustia, e tu nos ouvirás e livrarás.
10 Agora, pois, eis que os filhos d’Ammon e de Moab, e os das montanhas de Seir, [7] pelos quaes não permittiste passar a Israel, quando vinham da terra do Egypto; mas d’elles se desviaram e não os destruiram;
11 Eis que nos dão o pago, vindo para lançar-nos fóra da tua herança, que nos fizeste herdar.
12 Ah Deus nosso, porventura não os [8] julgarás? porque em nós não ha força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti.
13 E todo o Judah estava em pé perante o Senhor, como tambem as suas creanças, as suas mulheres, e os seus filhos.
14 Então veiu [9] o espirito do Senhor, no meio da congregação, sobre Jahaziel, filho de Zacharias, filho de Benaias, filho de Jehiel, filho de Mattanias, levita, dos filhos de Asaf,
15 E disse: Dae ouvidos todo o Judah, e vós, moradores de Jerusalem, e tu, ó rei Josaphat: assim o Senhor vos diz: Não temaes, nem vos assusteis [10] por causa d’esta grande multidão; pois a peleja não é vossa, senão de Deus.
16 Ámanhã descereis contra elles; eis que sobem pela ladeira de Zis, e os achareis no fim do valle, diante do deserto de Jeruel.
17 N’esta peleja não [11] tereis que pelejar: parae-vos, estae em pé, e vêde a salvação do Senhor para comvosco, ó Judah e Jerusalem; não temaes, nem vos assusteis, ámanhã sahi-lhes ao encontro, porque [12] o Senhor será comvosco.
18 Então Josaphat [13] se prostrou com o rosto em terra: e todo o Judah e os moradores de Jerusalem se lançaram perante o Senhor, adorando ao Senhor.
19 E levantaram-se os levitas, dos filhos dos kohathitas, e dos filhos dos korathitas, para louvarem ao Senhor Deus d’Israel, com grande voz até ao alto.
20 E pela manhã cedo se levantaram e sairam ao deserto de Tekoa: e, saindo elles, poz-se em pé Josaphat, e disse: Ouvi-me, ó Judah, e vós, moradores de Jerusalem: [14] Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus prophetas, e sereis prosperados.
21 E aconselhou-se com o povo, e ordenou cantores para o Senhor, que louvassem [15] a Magestade sancta, saindo diante dos armados, e dizendo: Louvae ao Senhor, porque a sua benignidade dura para sempre.
22 E, ao tempo que começaram com jubilo e louvor, o Senhor poz emboscadas [16] contra os filhos d’Ammon e de Moab, e os das montanhas de Seir, que vieram contra Judah e foram desbaratados.
23 Porque os filhos d’Ammon e de Moab se levantaram contra os moradores das montanhas de Seir, para os destruir e exterminar: e, acabando elles com os moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se.
24 Entretanto chegou Judah á atalaia do deserto: e olharam para a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, e nenhum escapou.
25 E vieram Josaphat e o seu povo para saquear os seus despojos, e acharam n’elles fazenda e cadaveres em abundancia, assim como vasos preciosos, e tomaram para si tanto, que não podiam levar mais: e tres dias saquearam o despojo, porque era muito.
26 E ao quarto dia se ajuntaram no valle de [MB] Beracha; porque ali louvaram o Senhor; por isso chamaram o nome d’aquelle logar o valle de Beracha, até ao dia d’hoje.
27 Então voltaram todos os homens de Judah e de Jerusalem, e Josaphat á frente d’elles, para virem a Jerusalem com alegria: porque o Senhor os alegrara ácerca [17] dos seus inimigos.
28 E vieram a Jerusalem com alaudes, e com harpas, e com trombetas, para a casa do Senhor.
29 E veiu o temor [18] de Deus sobre todos os reinos d’aquellas terras, ouvindo elles que o Senhor havia pelejado contra os inimigos d’Israel.
30 E o reino de Josaphat ficou quieto: e o seu Deus lhe [19] deu repouso em redor.
31 E Josaphat [20] reinou sobre Judah: era da edade de trinta e cinco annos quando começou a reinar e vinte e cinco annos reinou em Jerusalem; e era o nome de sua mãe, Azuba, filha de Silhi.
32 E andou no caminho d’Asa, seu pae, e não se desviou d’elle, fazendo o que era recto nos olhos do Senhor.
33 Comtudo os altos se não tiraram, [21] porque o povo não tinha ainda preparado o seu coração para com o Deus de seus paes.
34 Ora o resto dos successos de Josaphat, assim primeiros, como ultimos, eis que está escripto nas notas de Jehu, filho de Hanani, que lhe fizeram apontar [22] no livro dos reis de Israel.
35 Porém depois d’isto [23] Josaphat, rei de Judah, se alliou com Achazias, rei de Israel, que obrou com toda a impiedade.
36 E alliou-se com elle, para fazerem navios que fossem a Tharsis: e fizeram os navios em Esion-geber.
37 Porém Eliezer, filho de Dodava, de Maresa, prophetizou contra Josaphat, dizendo: Porquanto te alliaste com Achazias, o Senhor despedaçou as tuas obras. E os navios [24] se quebraram, e não poderam ir a Tharsis.
[1] Gen. 14.7. Jos. 15.62.
[2] cap. 19.3. Esd. 8.21. Jer. 36.9. Jon. 3.5.
[3] Deu. 4.39. Jos. 2.11. I Reis 8.23. Dan. 4.17, 25, 32. I Chr. 29.12. Mat. 6.13.
[4] Gen. 17.7. Exo. 6.7. Isa. 41.8. Thi. 2.23.
[5] I Reis 8.33, 37. cap. 6.28, 29, 30.
[6] cap. 6.20.
[7] Deu. 2.4, 9, 19. Num. 20.21.
[8] I Sam. 3.13.
[9] Num. 11.25, 26 e 24.2. cap. 15.1 e 24.20.
[10] Exo. 14.13, 14. Deu. 1.29, 30 e 31.6, 8. cap. 32.7.
[11] Exo. 14.13, 14.
[12] Num. 14.9. cap. 15.2 e 32.8.
[13] Exo. 4.31.
[14] Isa. 7.9.
[15] I Chr. 16.29. I Chr. 16.34. I Chr. 16.41. cap. 5.13 e 7.3, 6.
[16] Jui. 7.22. I Sam. 14.20.
[17] Neh. 12.43.
[18] cap. 17.10.
[19] cap. 15.15. Job 34.29.
[20] I Reis 22.41, etc.
[21] cap. 17.6. cap. 12.14 e 19.3.
[22] I Reis 16.1, 7.
[23] I Reis 22.48, 49.
[24] I Reis 22.48. cap. 9.21.
A morte de Josaphat e a impiedade de Jorão.
[Antes de Christo 892]
21 Depois Josaphat dormiu [1] com seus paes, e o sepultaram com seus paes na cidade de David: e Jorão, seu filho, reinou em seu logar.
2 E teve irmãos, filhos de Josaphat: Azarias, e Jehiel, e Zacharias, e Asarias, e Michael, e Sephatias: todos estes foram filhos de Josaphat, rei d’Israel.
3 E seu pae lhes deu muitos dons de prata, e d’oiro, e de coisas preciosissimas, com cidades fortes em Judah: porém o reino deu a Jorão, porquanto era o primogenito.
4 E, subindo Jorão ao reino de seu pae, e havendo-se fortificado, matou a todos os seus irmãos á espada, como tambem a alguns dos principes d’Israel.
5 Da edade de trinta [2] e dois annos era Jorão quando começou a reinar; e reinou oito annos em Jerusalem.
6 E andou no caminho dos reis d’Israel, como fazia a casa de Achab; porque tinha a filha [3] de Achab por mulher: e fazia o que parecia mal aos olhos do Senhor.
7 Porém o Senhor não quiz destruir a casa de David, em attenção ao concerto que tinha feito com David: e porque tambem tinha dito que lhe daria por todos os dias uma lampada, [4] a elle e a seus filhos.
8 Nos seus dias [5] se revoltaram os idumeos de debaixo do mando de Judah, e constituiram para si um rei.
9 Pelo que Jorão passou adiante com os seus chefes, e todos os carros com elle: e levantou-se de noite, e feriu aos idumeos, que o tinham cercado, como tambem aos capitães dos carros.
10 Todavia os idumeos se revoltaram de debaixo do mando de Judah até _ao dia d’_hoje; então no mesmo tempo Libna se revoltou de debaixo de seu mando; porque deixara ao Senhor, Deus de seus paes.
11 Elle tambem fez altos nos montes de Judah: e fez com que fornicassem [6] os moradores de Jerusalem, e até a Judah impelliu a isso.
12 Então lhe veiu um escripto da parte d’Elias o propheta, que dizia: Assim diz o Senhor, Deus de David teu pae: Porquanto não andaste nos caminhos de Josaphat, teu pae, e nos caminhos d’Asa, rei de Judah,
13 Mas andaste no caminho dos reis d’Israel, e fizeste fornicar a [7] Judah e aos moradores de Jerusalem, segundo a fornicação da casa d’Achab, e tambem mataste a teus irmãos, da casa de teu pae, melhores do que tu,
14 Eis-que o Senhor ferirá com um grande [MC] flagello ao teu povo, e aos teus filhos, e ás tuas mulheres e a todas as tuas fazendas.
15 Tu tambem terás uma grande enfermidade por causa d’uma doença de tuas entranhas, [8] até que te saiam as tuas entranhas, por causa da enfermidade, de dia em dia.
16 Despertou [9] pois o Senhor, contra Jorão o espirito dos philisteos e dos arabios, que estão da banda dos ethiopes.
17 Estes subiram a Judah, e deram sobre ella, e levaram toda a fazenda, que se achou na casa do rei, como tambem a seus filhos [10] e a suas mulheres; de modo que lhe não deixaram filho, senão a Joachaz, o mais moço de seus filhos.
18 E depois de tudo isto o Senhor [11] o feriu nas suas entranhas com uma enfermidade incuravel.
19 E succedeu que, depois de muitos dias, e chegado que foi o fim de dois annos, sairam-lhe as entranhas com a doença; e morreu de más enfermidades: e o seu povo lhe não fez uma queimada como a queimada [12] de seus paes.
20 Era da edade de trinta e dois annos quando começou a reinar, e reinou em Jerusalem oito annos: e foi-se sem deixar de si saudades algumas; e o sepultaram na cidade de David, porém não nos sepulchros dos reis.
[1] I Reis 22.50.
[2] II Reis 8.17, etc.
[3] cap. 22.2.
[4] II Sam. 7.12, 13. I Reis 11.36.
[5] II Reis 8.20, etc.
[6] Lev. 17.7 e 20.5. ver. 13.
[7] ver. 11. Exo. 34.15. Deu. 31.16. I Reis 16.31-33. II Reis 9.22.
[8] ver. 18, 19.
[9] I Reis 11.14, 23.
[10] cap. 24.7.
[11] ver. 15.
[12] cap. 16.14.
Achazias reina e é morto por Jehu.
[Antes de Christo 887]
22 E os moradores de Jerusalem fizeram rei a Achazias, [1] seu filho mais moço, em seu logar: porque a tropa, que viera com os arabios ao arraial, tinha morto a todos os mais velhos: e assim reinou Achazias, filho de Jorão, rei de Judah.
2 Era da edade [2] de quarenta e dois annos, quando começou a reinar, e reinou um anno em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Athalia, filha d’Omri.
3 Tambem este andou nos caminhos da casa d’Achab; porque sua mãe era sua conselheira, para obrar impiamente.
4 E fez o que era mal aos olhos do Senhor, como a casa d’Achab, porque elles eram seus conselheiros depois da morte de seu pae, para a sua perdição.
5 Tambem andou no seu conselho, e foi-se [3] com Jorão, filho d’Achab, rei d’Israel, á peleja contra Hazael, rei da Syria, junto a Ramoth-gilead: e os syros feriram a Jorão.
6 E tornou [4] a curar-se em Jezreel, das feridas que se lhe deram junto a Rama, pelejando contra Hazael, rei da Syria: e Azarias, filho de Jorão, rei de Judah, desceu para ver a Jorão, filho d’Achab, em Jezreel; porque estava doente.
7 Veiu pois [5] de Deus o abatimento d’Achazias, para que viesse a Jorão; porque vindo elle, saiu com Jorão contra Jehu, filho de Nimsi, a quem o Senhor tinha ungido para desarreigar a casa d’Achab.
8 E succedeu que, executando Jehu juizo [6] contra a casa d’Achab, achou os principes de Judah e os filhos dos irmãos d’Achazias, que serviam a Achazias, e os matou.
9 Depois buscou [7] a Achazias (porque se tinha escondido em Samaria), e o alcançaram, e o trouxeram a Jehu, e o mataram, e o sepultaram; porque disseram: Filho é de Josaphat, que buscou ao Senhor com todo o seu coração. E não tinha já a casa d’Achazias ninguem que tivesse força para o reino.
Athalia manda matar a familia real, mas Joás escapa.
[Antes de Christo 884]
10 Vendo pois [8] Athalia, mãe d’Achazias, que seu filho era morto, levantou-se, e destruiu, toda a semente real da casa de Judah.
11 Porém Josebath, [9] filha do rei, tomou a Joás, filho d’Achazias, e furtou-o d’entre os filhos do rei, a quem matavam, e o poz com a sua ama na camara dos leitos: assim Josebath, filha do rei Jorão, mulher do sacerdote Joiada (porque era irmã d’Achazias), o escondeu de diante d’Athalia, de modo que o não matou.
12 E esteve com elles escondido na casa de Deus seis annos: e Athalia reinou sobre a terra.
[1] II Reis 8.24, etc. ver. 6. cap. 21.17.
[2] II Reis 8.26. cap. 21.6.
[3] II Reis 8.28, etc.
[4] II Reis 9.15.
[5] Jui. 14.4. I Reis 12.15. cap. 10.15.
[6] II Reis 10.10, 11.
[7] II Reis 9.27. cap. 17.4.
[8] II Reis 11.1, etc.
[9] II Reis 11.2.
Joiada, o sacerdote, unge a Joás, como rei de Judah.
[Antes de Christo 878]
23 Porém no setimo [1] anno Joiada se esforçou, e tomou comsigo em alliança os chefes das centenas, a Azarias, filho de Joroão, e a Ishmael, filho de Jahanan, e a Azarias, filho d’Obed, e a Maaseias, filho d’Adaias, e a Elisaphat, filho de Sicri.
2 Estes rodeiaram a Judah e ajuntaram os levitas de todas as cidades de Judah e os cabeças dos paes d’Israel, e vieram para Jerusalem.
3 E toda aquella congregação fez alliança com o rei na casa de Deus: e Joiada lhes disse: Eis que o filho do rei reinará, como o Senhor fallou a respeito [2] dos filhos de David.
4 Esta é a coisa que haveis de fazer: uma terça parte de vós, os sacerdotes e os levitas que entram de sabbado, serão porteiros das portas;
5 E uma terça parte estará [3] na casa do rei; e a outra terça parte á porta do fundamento: e todo o povo estará nos pateos da casa do Senhor.
6 Porém ninguem entre na casa do Senhor, senão os sacerdotes e os levitas que [4] ministram; estes entrarão, porque sanctos são; mas todo o povo vigiará a guarda do Senhor,
7 E os levitas rodeiarão ao rei em volta, cada um com as suas armas na mão; e qualquer que entrar na casa morrerá; porém vós estareis com o rei, quando entrar e quando sair.
8 E fizeram os levitas e todo o Judah conforme a tudo o que ordenara o sacerdote Joiada; e tomou cada um os seus homens, os que entravam no sabbado com os que sahiam do sabbado; porque o sacerdote Joiada não tinha despedido as turmas.
9 Tambem o sacerdote Joiada deu aos chefes das centenas as lanças, e os escudos, e as rodelas que foram do rei [5] David os quaes estavam na casa de Deus.
10 E dispoz todo o povo, e a cada um com as suas armas na sua mão, desde a banda direita da casa até á banda esquerda da casa, da banda do altar e da casa, á roda do rei.
11 Então tiraram para fóra ao filho do rei, e lhe pozeram a corôa; deram-lhe o testemunho, [6] e o fizeram rei: e Joiada e seus filhos o ungiram, e disseram: Viva o rei!
12 Ouvindo pois Athalia a voz do povo que concorria e louvava o rei, veiu ao povo, á casa do Senhor.
13 E olhou: e eis-que o rei estava perto da sua columna, á entrada, e os chefes, e as trombetas junto ao rei; e todo o povo da terra estava alegre, e tocava as trombetas; e tambem os cantores tocavam instrumentos musicos, e davam a entender que se deviam cantar louvores: então Athalia rasgou [7] os seus vestidos, e clamou: Traição, traição!
14 Porém o sacerdote Joiada tirou para fóra os centuriões que estavam postos sobre o exercito e disse-lhes: Tirae-a para fóra das fileiras, e o que a seguir, morrerá á espada: porque dissera o sacerdote: Não a matareis na casa do Senhor.
15 E elles lhe lançaram as mãos, e ella foi á entrada da porta dos cavallos, da [8] casa do rei: e ali a mataram.
O pacto que Joiada fez.
16 E Joiada fez alliança entre si, e o povo, e o rei, que seriam o povo do Senhor.
17 Depois todo o povo entrou na casa de Baal, e a derribaram, e quebraram os seus altares, e as suas imagens, [9] e a Mathan, sacerdote de Baal, mataram diante dos altares.
18 E Joiada ordenou os officios na casa do Senhor, debaixo da mão dos sacerdotes, os levitas a quem David [10] repartira na casa do Senhor, para offerecerem os holocaustos do Senhor, como está escripto na lei de Moysés, com alegria e com canto, conforme a instituição de David.
19 E poz porteiros [11] ás portas da casa do Senhor, para que não entrasse n’ella ninguem immundo em coisa alguma.
20 E tomou [12] os centuriões, e os poderosos, e os que tinham dominio entre o povo e todo o povo da terra, e conduziu o rei da casa do Senhor, e entraram na casa do rei pelo meio da porta maior, e assentaram o rei no throno do reino.
21 E todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou em paz, depois que mataram a Athalia á espada.
[1] II Reis 11.4, etc.
[2] II Sam. 7.12. I Reis 2.4 e 9.5.
[3] I Chr. 9.25.
[4] I Chr. 23.28, 29.
[5] I Chr. 24 e 25.
[6] Deu. 17.18.
[7] I Chr. 25.8.
[8] Neh. 3.28.
[9] Deu. 13.9.
[10] I Chr. 23.6, 30, 31 e 24.1. Num. 28.2.
[11] I Chr. 26.1, etc.
[12] II Reis 11.19.
Joás dá ordens para concertar o templo.
[Antes de Christo 856]
24 Tinha Joás [1] sete annos d’edade quando começou a reinar, e quarenta annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Zibia, de Berseba.
2 E fez [2] Joás o que era recto aos olhos do Senhor, todos os dias do sacerdote Joiada.
3 E tomou-lhe Joiada duas mulheres, e gerou filhos e filhas.
4 E succedeu depois d’isto que veiu ao coração de Joás de renovar a casa do Senhor.
5 Ajuntou pois os sacerdotes e os levitas, e disse-lhes: Sahi pelas cidades de Judah, e ajuntae o dinheiro de todo o Israel [3] para reparar a casa do vosso Deus de anno em anno; e vós apressae este negocio. Porém os levitas não se apressaram.
6 E o [4] rei chamou a Joiada, o chefe, e disse-lhe: Porque não fizeste inquirição entre os levitas: para que trouxessem de Judah e de Jerusalem a offerta de [5] Moysés, servo do Senhor, e da congregação d’Israel, á tenda do testemunho?
7 Porque, sendo Athalia impia, seus filhos [6] arruinaram a casa de Deus, e até todas as coisas sagradas da casa do Senhor empregaram em Baalin.
8 E deu o rei ordem e [7] fizeram uma arca, e a pozeram fóra, á porta da casa do Senhor.
9 E publicou-se em Judah e em Jerusalem que trouxessem ao Senhor a offerta [8] de Moysés, o servo do Senhor, imposta a Israel no deserto.
10 Então todos os principes, e todo o povo se alegraram, e a trouxeram e a lançaram na arca, até que a acabaram de lançar.
11 E succedeu que, ao tempo que traziam a arca pelas mãos dos levitas, segundo o mandado do rei, e vendo que [9] já havia muito dinheiro, vinha o escrivão do rei, e o deputado do summo sacerdote, e esvaziavam a arca, e a tomavam, e a tornavam ao seu logar: assim faziam de dia em dia, e ajuntaram dinheiro em abundancia,
12 O qual o rei e Joiada davam aos que tinham cargo da obra do serviço da casa do Senhor; e alugaram pedreiros e carpinteiros, para renovarem a casa do Senhor; como tambem ferreiros e serralheiros, para repararem a casa do Senhor.
13 E os que tinham cargo da obra faziam que a reparação da obra fosse crescendo pela sua mão: e restauraram a casa de Deus no seu estado, e a fortaleceram.
14 E, depois de acabarem, trouxeram o resto do dinheiro para diante do rei e de Joiada, e d’elle [10] fez vasos para a casa do Senhor, vasos para ministrar, e offerecer, e [MD] perfumadores e vasos d’oiro e de prata. E continuamente sacrificaram holocaustos na casa do Senhor, todos os dias de Joiada.
15 E envelheceu Joiada, e morreu farto de dias: era da edade de cento e trinta annos quando morreu.
16 E o sepultaram na cidade de David com os reis; porque tinha feito bem em Israel, e para com Deus e a sua casa.
A idolatria de Joás.
17 Porém depois da morte de Joiada vieram os principes de Judah e prostraram-se perante o rei: e o rei os ouviu.
18 E deixaram a casa do Senhor, Deus de seus paes, e serviram as imagens do bosque [11] e os idolos: então veiu grande ira sobre Judah e Jerusalem por causa d’esta sua culpa.
19 Porém enviou [12] prophetas entre elles, para os fazer tornar ao Senhor, os quaes protestaram contra elles; mas elles não deram ouvidos.
20 E o Espirito [13] de Deus revestiu a Zacharias, filho do sacerdote Joiada, o qual se poz em pé acima do povo, e lhes disse: Assim diz Deus: Porque transgredis os mandamentos do Senhor? portanto não prosperareis; porque [14] deixastes ao Senhor, tambem elle vos deixará.
[Antes de Christo 840]
21 E elles conspiraram contra elle, e o apedrejaram [15] com pedras, pelo mandado do rei, no pateo da casa do Senhor.
22 Assim o rei Joás não se lembrou da beneficencia que seu pae Joiada lhe fizera, porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O Senhor o verá, e o requererá.
O juizo de Deus sobre Joás.
23 E succedeu, no decurso de um anno, que o exercito [16] da Syria subiu contra elle, e vieram a Judah e a Jerusalem, e destruiram d’entre o povo a todos os principes do povo; e todo o seu despojo enviaram ao rei de Damasco.
24 Porque, ainda que o exercito dos syros viera com poucos [17] homens, comtudo o Senhor deu na sua mão um exercito de grande multidão, porquanto deixaram ao Senhor, Deus de seus paes. Assim executaram os juizos [18] contra Joás.
25 E, retirando-se d’elle (porque em grandes enfermidades o deixaram) seus servos conspiraram contra elle por causa do sangue do filho do sacerdote Joiada, e o mataram na sua cama, [19] e morreu: e o sepultaram na cidade de David, porém não o sepultaram nos sepulchros dos reis.
26 Estes pois foram os que conspiraram contra elle: Zabad, filho de Simeath, a ammonita, e Jozabat, filho de Simreth, a moabita.
27 E, quanto a seus filhos, e á grandeza do cargo que [20] se lhe impôz, e ao estabelecimento da casa de Deus, eis que está escripto na historia do livro dos reis: e Amasias, seu filho, reinou em seu logar.
[1] II Reis 11.21 e 12.1, etc.
[2] cap. 26.5.
[3] II Reis 12.4.
[4] II Reis 12.7.
[5] Exo. 30.12, 13, 14, 16. Num. 1.50. Act. 7.44.
[6] cap. 21.17. II Reis 12.4.
[7] II Reis 12.9.
[8] ver. 6.
[9] II Reis 12.10.
[10] II Reis 12.13.
[11] I Reis 14.23. Jui. 5.8.
[12] cap. 36.15. Jer. 7.25, 26 e 25.4.
[13] cap. 15.1 e 20.14.
[14] Num. 14.41. cap. 15.2.
[15] Mat. 23.35. Act. 7.58, 59.
[16] II Reis 12.17.
[17] Lev. 26.8. Deu. 32.30. Isa. 30.17.
[18] cap. 22.8. Isa. 10.5.
[19] II Reis 12.20. ver. 21.
[20] II Reis 12.18. II Reis 12.21.
Amasias vence os edomitas.
[Antes de Christo 839]
25 Era Amasias [1] da edade de vinte e cinco annos, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove annos em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Joadan, de Jerusalem.
2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, [2] porém não com coração inteiro.
3 Succedeu pois [3] que, sendo-lhe o reino já confirmado, matou a seus servos que feriram o rei seu pae;
4 Porém não matou a seus filhos: mas fez como na lei está escripto, no livro de Moysés, como o Senhor ordenou, dizendo: Não morrerão os paes [4] pelos filhos, nem os filhos morrerão pelos paes; mas cada um morrerá pelo seu peccado.
5 E Amasias ajuntou a Judah e os poz segundo as casas dos paes, por chefes de milhares, e por chefes de centenas, por todo o Judah e Benjamin; e os numerou, de vinte annos e [5] d’ahi para cima, e achou d’elles trezentos mil escolhidos que sahiam ao exercito, e levavam lança e escudo.
6 Tambem d’Israel tomou a soldo cem mil varões valentes, por cem talentos de prata.
7 Porém um homem de Deus veiu a elle, dizendo: Oh rei, não deixes ir comtigo o exercito de Israel: porque o Senhor não é com Israel, a saber, com os filhos d’Ephraim.
8 Se porém fôres, faze-o, esforça-te para a peleja; Deus te fará cair diante do inimigo; porque força ha em Deus [6] para ajudar e para fazer cair.
9 E disse Amasias ao homem de Deus: Que se fará pois dos cem talentos de prata que dei ás tropas d’Israel? E disse o homem de Deus: Mais tem o Senhor que te [7] dar do que isso.
10 Então separou Amasias as tropas que lhe tinham vindo de Ephraim, para que se fossem ao seu logar; pelo que se accendeu a sua ira contra Judah, e voltaram para o seu logar em ardor d’ira.
11 Esforçou-se pois Amasias, e conduziu o seu povo, [8] e foi-se ao valle do sal; e feriu dos filhos de Seir dez mil.
12 Tambem os filhos de Judah prenderam vivos dez mil, e os trouxeram ao cume da rocha; e do mais alto da rocha os lançaram d’alto abaixo, e todos arrebentaram.
13 Porém os homens das tropas que Amasias despedira, para que não fossem com elle á peleja, deram sobre as cidades de Judah desde Samaria, até Beth-horon; e feriram d’elles tres mil, e saquearam grande despojo.
Deus castiga Amasias por causa da idolatria.
[Antes de Christo 827]
14 E succedeu que, depois que Amasias veiu da matança dos idumeos, e trouxe comsigo os deuses dos filhos de Seir, tomou-os por seus deuses, [9] e prostrou-se diante d’elles, e queimou-lhes incenso.
15 Então a ira do Senhor se accendeu contra Amasias; e mandou-lhe um propheta que lhe disse: Porque buscaste deuses do povo, que a seu [10] povo não livraram da tua mão?
16 E succedeu que, fallando-lhe elle, lhe respondeu: Pozeram-te por conselheiro do rei? cala-te, porque te feririam? então o propheta parou, e disse: Bem vejo eu que já o Senhor deliberou [11] destruir-te; porquanto fizeste isto, e não déste ouvidos a meu conselho.
17 E, tendo tomado conselho, Amasias, [12] rei de Judah, enviou a Joás, filho de Joachaz, filho de Jehu, rei d’Israel, a dizer: Vem, vejamo-nos cara a cara.
18 Porém Joás, rei d’Israel, mandou dizer a Amasias, rei de Judah: O cardo que estava no Libano mandou dizer ao cedro que estava no Libano: Dá tua filha a meu filho por mulher; porém os animaes do campo que estão no Libano passaram e pizaram o cardo.
19 Tu dizes: Eis que tenho ferido os idumeos; e elevou-se o teu coração, para te gloriares: agora pois fica em tua casa; porque te entremetterias no mal, para caires tu e Judah comtigo?
20 Porém Amasias não lhe deu ouvidos, porque isto vinha [13] de Deus, para entregal-os na mão dos seus inimigos; porquanto buscaram os deuses dos idumeos.
21 E Joás, rei d’Israel, subiu; e elle e Amasias, rei de Judah, se viram cara a cara em Beth-semes, que está em Judah.
22 E Judah foi ferido diante d’Israel: e foram-se cada um para as suas tendas.
23 E Joás, rei d’Israel, prendeu a Amasias, rei de Judah, filho de Joás, o filho de [14] Joachaz em Beth-semes, e o trouxe a Jerusalem; e derribou o muro de Jerusalem, desde a porta d’Ephraim até á porta da esquina, quatrocentos covados.
24 Tambem tomou todo o oiro, e a prata, e todos os vasos que se acharam na casa de Deus com Obed-edom, e os thesouros da casa do rei, e os refens; e voltou para Samaria.
25 E viveu Amasias, [15] filho de Joás, rei de Judah, depois da morte de Joás, filho de Joachaz, rei d’Israel, quinze annos.
26 Quanto ao mais dos successos d’Amasias, tanto os primeiros como os ultimos, eis-que porventura não estão escriptos no livro dos reis de Judah e d’Israel?
27 E desde o tempo que Amasias se desviou d’após o Senhor, conspiraram contra elle em Jerusalem, porém elle fugiu para Lachis, mas enviaram após elle a Lachis, e o mataram ali.
28 E o trouxeram sobre cavallos e o sepultaram com seus paes na cidade de Judah.
[1] II Reis 14.1, etc.
[2] II Reis 14.4. ver. 14.
[3] II Reis 14.5, etc.
[4] Deu. 24.16. II Reis 14.6. Jer. 31.30. Eze. 18.20.
[5] Num. 1.3.
[6] cap. 20.6.
[7] Pro. 10.22.
[8] II Reis 14.7.
[9] cap. 28.23. Exo. 20.3, 5.
[10] ver. 11.
[11] I Sam. 2.25.
[12] II Reis 14.8, 9, etc.
[13] I Reis 12.15. cap. 22.7. ver. 14.
[14] cap. 21.17 e 22.1, 6.
[15] II Reis 14.17.
Uzias reina e prospera.
[Antes de Christo 810]
26 Então todo o povo [1] tomou a Uzias, que era da edade de dezeseis annos, e o fizeram rei em logar de seu pae Amasias.
2 Este edificou a Elod, e a restituiu a Judah, depois que o rei adormeceu com seus paes.
3 Era Uzias da edade de dezeseis annos quando começou a reinar, e cincoenta e cinco annos reinou em Jerusalem; e era o nome de sua mãe Jecholia, de Jerusalem.
4 E fez o que era recto aos olhos do Senhor; conforme a tudo o que fizera Amasias seu pae.
5 Porque deu-se a [2] buscar a Deus nos dias de Zacharias, entendido nas visões de Deus; e nos dias em que buscou ao Senhor Deus o fez prosperar.
6 Porque saiu, e guerreou [3] contra os philisteos, e quebrou o muro de Gath, e o muro de Jabne, e o muro d’Asdod: e edificou cidades em Asdod, e entre os philisteos.
7 E Deus o ajudou contra [4] os philisteos e contra os arabios que habitavam em Gur-baal, e contra os meunitas.
8 E os ammonitas [5] deram presentes a Uzias: e o seu renome foi espalhado até á entrada do Egypto, porque se fortificou altamente.
9 Tambem Uzias edificou torres em Jerusalem, [6] á porta da esquina, e á porta do valle, e aos angulos, e as fortificou.
10 Tambem edificou torres no deserto, e cavou muitos poços; porque tinha muito gado, tanto nos valles como nas campinas; lavradores e vinhateiros, nos montes e nos campos ferteis; porque era amigo da agricultura.
11 Tinha tambem Uzias um exercito d’homens destros na guerra, que sahiam ao exercito em tropas, segundo o numero da sua mostra, por mão de Jeiel, chanceler, e Maaseias, official, debaixo da mão d’Hananias, um dos principes do rei.
12 Todo o numero dos chefes dos paes, varões valentes, era de dois mil e seiscentos.
13 E debaixo das suas ordens havia um exercito guerreiro de trezentos e sete mil e quinhentos homens, que faziam a guerra com força bellicosa, para ajudar o rei contra os inimigos.
14 E preparou-lhes Uzias, para todo o exercito, escudos, e lanças, e capacetes, e couraças e arcos; e até fundas para atirar pedras.
15 Tambem fez em Jerusalem machinas da invenção d’engenheiros, que estivessem nas torres e nos cantos, para atirarem frechas e grandes pedras: e voou a sua fama até muito longe; porque foi maravilhosamente ajudado, até que se fortificou.
Uzias é atacado de lepra.
16 Mas, havendo-se já [7] fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper: e transgrediu contra o Senhor, seu Deus, porque entrou [8] no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso.
17 Porém o sacerdote Azarias entrou após elle, [9] e com elle oitenta sacerdotes do Senhor, varões valentes.
18 E resistiram ao rei Uzias, e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, [10] filhos d’Aarão, que são consagrados para queimar incenso; sae do sanctuario, porque transgrediste; e não será isto para honra tua da parte do Senhor Deus.
19 Então Uzias se indignou: e tinha o incensario na sua mão para queimar incenso: indignando-se elle pois contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu á [11] testa perante os sacerdotes, na casa do Senhor, junto ao altar do incenso;
20 Então o summo sacerdote Azarias olhou para elle, como tambem todos os sacerdotes, e eis que já estava leproso na sua testa, e apressuradamente o lançaram fóra: e até elle mesmo se deu pressa a sair, visto que o Senhor o ferira.
21 Assim ficou leproso [12] o rei Uzias até ao dia da sua morte: e morou, por ser leproso, n’uma casa separada, porque foi excluido da casa do Senhor: e Jothão, seu filho, tinha o cargo da casa do rei, julgando o povo da terra.
22 Quanto ao mais dos successos d’Uzias, [13] tanto os primeiros como os derradeiros, o propheta Isaias, filho d’Amós, o escreveu.
23 E dormiu [14] Uzias com seus paes, e o sepultaram com seus paes no campo do sepulchro que era dos reis; porque disseram: Leproso é. E Jothão, seu filho, reinou em seu logar.
[1] II Reis 14.21, 22 e 15.1, etc.
[2] cap. 24.2. Gen. 41.15. Dan. 1.17 e 2.19 e 10.1.
[3] Isa. 14.29.
[4] cap. 21.16.
[5] II Sam. 8.2. cap. 17.11.
[6] II Reis 14.13. Neh. 3.13, 19, 32. Zac. 14.10.
[7] Deu. 32.15. Deu. 8.14. cap. 25.19.
[8] II Reis 16.12, 13.
[9] I Chr. 6.10.
[10] Num. 16.40 e 18.7. Exo. 30.7, 8.
[11] Num. 12.10. II Reis 5.27.
[12] II Reis 15.5. Lev. 13.46. Num. 5.2.
[13] Isa. 1.1.
[14] II Reis 15.7. Isa. 6.1.
Jothão reina bem e vence os ammonitas.
[Antes de Christo 765]
27 Tinha Jothão [1] vinte e cinco annos d’edade, quando começou a reinar, e dezeseis annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Jerusa, filha de Zadok.
2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, conforme a tudo o que fizera Uzias, seu pae, excepto que não entrou no templo do Senhor. [2] E ainda o povo se corrompia.
3 Este edificou a porta alta da casa do Senhor, e tambem edificou muito sobre o muro d’Ophel.
4 Tambem edificou cidades nas montanhas de Judah, e edificou nos bosques castellos e torres.
5 Elle tambem guerreou contra o rei dos filhos d’Ammon, e prevaleceu sobre elles, de modo que os filhos d’Ammon n’aquelle anno lhe deram cem talentos de prata, e dez mil coros de trigo, e dez mil de cevada: isto lhe trouxeram os filhos d’Ammon tambem o segundo e o terceiro anno.
6 Assim se fortificou Jothão, porque dirigiu os seus caminhos na presença do Senhor seu Deus.
7 O resto pois dos successos de Jothão, e todas as suas guerras e os seus caminhos eis que está escripto no livro dos reis d’Israel e de Judah.
8 Tinha vinte e cinco annos d’edade, quando começou a reinar, e dezeseis annos reinou em Jerusalem.
9 E dormiu Jothão [3] com seus paes, e o sepultaram na cidade de David: e Achaz, seu filho, reinou em seu logar.
[1] II Reis 15.32, etc.
[2] II Reis 15.35.
[3] II Reis 15.38.
Achaz é impio e os syros affligem-n’o.
[Antes de Christo 741]
28 Tinha Achaz [1] vinte annos d’edade, quando começou a reinar, e dezeseis annos reinou em Jerusalem: e não fez o que era recto aos olhos do Senhor, como David seu pae.
2 Antes andou nos caminhos dos reis d’Israel, e, de mais d’isto, fez imagens [2] fundidas a Baalim.
3 Tambem queimou incenso no valle do filho d’Hinnom, [3] e queimou a seus filhos no fogo, conforme ás abominações dos gentios que o Senhor tinha desterrado de diante dos filhos d’Israel.
4 Tambem sacrificou, e queimou incenso nos altos e nos outeiros, como tambem debaixo de toda a arvore verde.
5 Pelo que o Senhor seu Deus [4] o entregou na mão do rei dos syros, os quaes o feriram, e levaram d’elle em captiveiro uma grande multidão de presos, que trouxeram a Damasco: tambem foi entregue na mão do rei d’Israel, o qual o feriu de grande ferida.
6 Porque [5] Peka, filho de Remalias, matou n’um dia em Judah cento e vinte mil, todos homens bellicosos; porquanto deixaram ao Senhor, Deus de seus paes.
7 E Zichri, varão potente de Ephraim, matou a Maasias, filho do rei, e a Azrikam, o mordomo, e a Elkana, o segundo depois do rei.
8 E os filhos [6] d’Israel levaram presos de seus irmãos duzentos mil, mulheres, filhos e filhas: e saquearam tambem d’elles grande despojo, e trouxeram o despojo para Samaria.
9 E estava ali um propheta do Senhor, cujo nome era Oded, o qual saiu ao encontro do exercito que vinha para Samaria, e lhe disse: [7] Eis que, irando-se o Senhor Deus de vossos paes contra Judah, os entregou na vossa mão, e vós os matastes com uma raiva tal, [8] que chegou até aos céus.
10 E agora vós cuidaes em sujeitar a vós os filhos de Judah e Jerusalem, como [9] captivos e captivas: porventura não sois vós mesmos aquelles entre os quaes ha culpas contra o Senhor vosso Deus?
11 Agora pois ouvi-me, e tornae a enviar os prisioneiros que trouxestes presos de vossos irmãos; porque o ardor da ira [10] do Senhor está sobre vós.
12 Então se levantaram alguns homens d’entre os chefes dos filhos d’Ephraim; Azarias, filho de Johanan, Berechias, filho de Mesillemoth, e Jehizkias filho de Sallum, e Amasa, filho de Hadlai, contra os que voltavam da batalha.
13 E lhes disseram: Não fareis entrar aqui estes presos, porque, em relação á nossa culpa contra o Senhor, vós intentaes accrescentar mais a nossos peccados e a nossas culpas, sendo que já temos tanta culpa, e já o ardor da ira está sobre Israel.
14 Então os homens armados deixaram os presos e o despojo diante dos maioraes e de toda a congregação.
15 E os homens [11] que foram apontados por seus nomes se levantaram, e tomaram os presos, e vestiram do despojo a todos os que d’entre elles estavam nús; e os vestiram, e os calçaram, e lhes deram [12] de comer e de beber, e os ungiram, e a todos os que estavam fracos levaram sobre jumentos, e os trouxeram a Jericó, á cidade das palmeiras, a seus irmãos: depois voltaram para Samaria.
Achaz busca o soccorro dos reis d’Assyria e não o acha.
16 N’aquelle tempo [13] o rei Achaz enviou aos reis d’Assyria, a pedir que o ajudassem.
17 De mais d’isto tambem os idumeos vieram, e feriram a Judah, e levaram presos em captiveiro.
18 Tambem os philisteos [14] deram sobre as cidades da campina e do sul de Judah, e tomaram a Beth-semes, e Aijalon, e a Gederot e a Socoh, e os logares da sua jurisdicção, e a Thimna, e os logares da sua jurisdicção, e a Gimzo, e os logares da sua jurisdicção: e habitaram ali.
19 Porque o Senhor humilhou a Judah por causa [15] d’Achaz, rei d’Israel; porque abandonou a Judah, que de todo se dera a prevaricar contra o Senhor.
20 E veiu a elle [16] Tilgath-pilneser, rei d’Assyria; porém o poz em aberto, e não o corroborou.
21 Porque Achaz tomou uma porção da casa do Senhor, e da casa do rei, e dos principes, e a deu ao rei d’Assyria; porém não o ajudou.
22 E ao tempo em que este o apertou, então ainda mais transgrediu contra o Senhor, tal era o rei Achaz.
23 Porque sacrificou [17] aos deuses de Damasco, que o feriram, e disse: Visto que os deuses dos reis da Syria os ajudam, eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a [18] mim. Porém elles foram a sua ruina, e de todo o Israel.
24 E ajuntou Achaz os vasos da casa do Senhor, e fez em pedaços os vasos da casa de Deus, e fechou [19] as portas da casa do Senhor, e fez para si altares em todos os cantos de Jerusalem.
25 Tambem em cada cidade de Judah fez altos para queimar incenso a outros deuses: assim provocou á ira o Senhor, Deus de seus paes.
26 O resto [20] pois de seus successos e de todos os seus caminhos, tanto os primeiros como os derradeiros, eis que está escripto no livro dos reis de Judah e de Israel.
27 E dormiu Achaz com seus paes, e o sepultaram na cidade, em Jerusalem, porém não o pozeram nos sepulchros dos reis de Israel: e Ezequias, seu filho, reinou em seu logar.
[1] II Reis 16.2.
[2] Exo. 34.17. Lev. 19.4. Jui. 2.11.
[3] II Reis 23.10. Lev. 18.21. II Reis 16.3. cap. 33.6.
[4] Isa. 7.1. II Reis 16.5, 6.
[5] II Reis 15.27.
[6] cap. 11.4.
[7] Isa. 10.5 e 47.6. Eze. 25.12, 15 e 26.2. Zac. 1.15.
[8] Esd. 9.6. Apo. 18.5.
[9] Lev. 25.39, 42, 43, 46.
[10] Thi. 2.13.
[11] ver. 12.
[12] II Reis 6.22. Pro. 25.21, 22. Luc. 6.27. Rom. 12.20.
[13] II Reis 16.7.
[14] cap. 21.2. Eze. 16.27, 57.
[15] cap. 21.2. Exo. 32.25.
[16] II Reis 15.29 e 16.7, 8, 9.
[17] cap. 25.14.
[18] Jer. 44.17, 18.
[19] cap. 29.3, 7.
[20] II Reis 16.19, 20.
Ezequias manda purificar o templo.
[Antes de Christo 726]
29 Tinha Ezequias [1] vinte e cinco annos de edade, quando começou a reinar e reinou vinte e nove annos em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Abia, [2] filha de Zacharias.
2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, conforme a tudo quanto fizera David seu pae.
3 Este, no anno primeiro do seu reinado, no mez [3] primeiro, abriu as portas da casa do Senhor, e as reparou.
4 E trouxe os sacerdotes, e os levitas, e os ajuntou na praça oriental,
5 E lhes disse: Ouvi-me, ó levitas, sanctificae-vos agora, [4] e sanctificae a casa do Senhor, Deus de vossos paes, e tirae do sanctuario a immundicia.
6 Porque nossos paes transgrediram, e fizeram o que era mal aos olhos do Senhor nosso Deus, e o deixaram; e desviaram [5] os seus rostos do tabernaculo do Senhor, e lhe deram as costas.
7 Tambem fecharam [6] as portas do alpendre, e apagaram as lampadas, e não queimaram incenso nem offereceram holocaustos no sanctuario, ao Deus de Israel.
8 Pelo que veiu [7] grande ira do Senhor sobre Judah e Jerusalem, e os entregou á perturbação, á [8] assolação, e ao assobio, como vós o estaes vendo com os vossos olhos.
9 Porque eis que [9] nossos paes cairam á espada, e nossos filhos, e nossas filhas, e nossas mulheres por isso estiveram em captiveiro.
10 Agora me tem vindo ao coração, que façamos um concerto [10] com o Senhor, Deus de Israel; para que se desvie de nós o ardor da sua ira.
11 Agora, filhos meus, não sejaes negligentes; pois o [11] Senhor vos tem escolhido para estardes diante d’elle para o servirdes, e para serdes seus ministros e queimadores de incenso.
Os levitas purificam o templo.
12 Então se levantaram os levitas, Mahath, filho d’Amasai, e Joel filho de Azarias, dos filhos dos kohathitas: e dos filhos de Merari, Kis, filho d’Abdi, e Azarias, filho de Jehalelel: e dos gersonitas, Joah, filho de Zimma, e Eden filho de Joah;
13 E d’entre os filhos de Elisaphan, Simri e Jeiel: d’entre os filhos d’Asaph, Zacharias e Matthanias:
14 E d’entre os filhos d’Heman, Jehiel e Simei: e d’entre os filhos de Jeduthun, Semaias e Uziel.
15 E ajuntaram a seus irmãos, e sanctificaram-se [12] e vieram conforme ao mandado do rei, pelas palavras do Senhor, para purificarem a casa do Senhor.
16 E os sacerdotes entraram dentro da casa do Senhor, para a purificar, e tiraram para fóra, ao pateo da casa do Senhor, toda a immundicia que acharam no templo do Senhor: e os levitas a tomaram, para a levarem para fóra, ao ribeiro de Cedron.
17 Começaram pois a sanctificar ao primeiro do mez primeiro: e ao oitavo dia do mez vieram ao alpendre do Senhor, e sanctificaram a casa do Senhor em oito dias: e no dia decimo sexto do primeiro mez acabaram.
18 Então entraram para dentro, ao rei Ezequias, e disseram: Já purificámos toda a casa do Senhor, como tambem o altar do holocausto com todos os seus vasos e a mesa da proposição com todos os seus vasos.
19 Tambem todos os vasos que o rei Achaz [13] no seu reinado lançou fóra, na sua transgressão, já preparámos e sanctificámos: e eis que estão diante do altar do Senhor.
Ezequias restabelece o culto de Deus.
20 Então o rei Ezequias se levantou de madrugada, e ajuntou os maioraes da cidade, e subiu á casa do Senhor.
21 E trouxeram sete novilhos e sete carneiros, e sete cordeiros, e sete bodes, para sacrificio pelo peccado, [14] pelo reino, e pelo sanctuario, e por Judah, e disse aos filhos de Aarão, os sacerdotes, que os offerecessem sobre o altar do Senhor.
22 E elles mataram os bois, e os sacerdotes tomaram o sangue [15] e o espargiram sobre o altar: tambem mataram os carneiros, e espargiram o sangue sobre o altar: similhantemente mataram os cordeiros, e espargiram o sangue sobre o altar.
23 Então trouxeram os bodes para sacrificio pelo peccado, perante o rei e a congregação, e lhes impozeram [16] as suas mãos.
24 E os sacerdotes os mataram, e com o seu sangue fizeram expiação [17] do peccado sobre o altar, para reconciliar a todo o Israel: porque o rei tinha ordenado que se fizesse aquelle holocausto e sacrificio pelo peccado, por todo o Israel.
25 E poz [18] os levitas na casa do Senhor com cymbalos, com alaudes, e com harpas, conforme ao mandado de David e de Gad, o vidente do rei, e do propheta Nathan: porque este mandado veiu do Senhor, por mão de seus prophetas.
26 Estavam pois os levitas em pé com os instrumentos [19] de David, e os sacerdotes com as trombetas.
27 E deu ordem Ezequias que offerecessem o holocausto sobre o altar, e ao tempo em que começou o holocausto, [20] começou tambem o canto do Senhor, com as trombetas e com os instrumentos de David, rei de Israel.
28 E toda a congregação se prostrou, quando cantavam o canto, e as trombetas se tocavam: tudo isto até o holocausto se acabar.
29 E acabando de o offerecer, o rei [21] e todos quantos com elle se acharam se prostraram e adoraram.
30 Então disse o rei Ezequias, e os maioraes, aos levitas que louvassem ao Senhor com as palavras de David, e d’Asaph, o vidente. E o louvaram com alegria e se inclinaram e adoraram.
31 E respondeu Ezequias, e disse: Agora vos consagrastes a vós mesmos ao Senhor; chegae-vos e trazei sacrificios e offertas de louvor á casa do Senhor. E a congregação trouxe sacrificios e offertas [22] de louvor, e todo o voluntario de coração, holocaustos.
32 E o numero dos holocaustos, que a congregação trouxe, foi de setenta bois, cem carneiros, duzentos cordeiros: tudo isto em holocausto para o Senhor.
33 Houve, tambem de coisas consagradas, seiscentos bois e tres mil ovelhas.
34 Eram porém os sacerdotes mui poucos, e não podiam esfolar a todos os holocaustos; pelo que seus irmãos os levitas [23] os ajudaram, até a obra se acabar, e até que os outros sacerdotes se sanctificaram; porque os levitas foram mais rectos de coração, para se sanctificarem, do que os sacerdotes.
35 E houve tambem holocaustos em abundancia, com a gordura das offertas pacificas, e com as offertas de licor [24] para os holocaustos. Assim se estabeleceu o ministerio da casa do Senhor.
36 E Ezequias, e todo o povo se alegraram, de que Deus tinha preparado o povo; porque apressuradamente se fez esta obra.
[1] II Reis 18.1.
[2] cap. 26.5.
[3] cap. 28.24. ver. 7.
[4] I Chr. 15.12. cap. 35.6.
[5] Jer. 2.27. Eze. 8.16.
[6] cap. 28.24.
[7] cap. 24.18.
[8] I Reis 9.8. Jer. 18.16 e 19.8 e 25.9, 18 e 29.18.
[9] cap. 28.5, 6, 8, 17.
[10] cap. 15.12.
[11] Num. 3.6 e 8.14 e 18.2, 6.
[12] ver. 5. I Chr. 23.28.
[13] cap. 28.24.
[14] Lev. 4.3, 14.
[15] Lev. 8.14, 15, 19, 24. Heb. 9.21.
[16] Lev. 4.15, 24.
[17] Lev. 14.20.
[18] I Chr. 16.4 e 25.6. I Chr. 23.5 e 25.1. cap. 8.14. II Sam. 24.11. cap. 30.12.
[19] I Chr. 23.5. Amós 6.5. Num. 10.8, 10. I Chr. 15.24 e 16.6.
[20] cap. 23.18.
[21] cap. 20.18.
[22] Lev. 7.12.
[23] cap. 35.11. cap. 30.3.
[24] Lev. 3.16. Num. 15.5, 7, 10.
Ezequias convida todo o povo a vir a Jerusalem para celebrar a paschoa.
30 Depois d’isto Ezequias enviou por todo o Israel e Judah, e escreveu tambem cartas a Ephraim e a Manasseh que viessem á casa do Senhor a Jerusalem, para celebrarem a paschoa ao Senhor Deus de Israel.
2 Porque o rei tivera conselho com os seus maioraes, e com toda a congregação em Jerusalem, para celebrarem [1] a paschoa no segundo mez.
3 Porquanto no mesmo tempo não a poderam celebrar, [2] porque se não tinham sanctificado bastantes sacerdotes, e o povo se não tinha ajuntado em Jerusalem.
4 E foi isto recto aos olhos do rei, e aos olhos de toda a congregação.
5 E ordenaram que se fizesse passar pregão por todo o Israel, desde Berseba até Dan, para que viessem a celebrar a paschoa ao Senhor, Deus de Israel, a Jerusalem; porque muitos a não tinham celebrado como estava escripto.
6 Foram pois os correios com as cartas, da mão do rei e dos seus principes, por todo o Israel e Judah, e segundo o mandado do rei, dizendo: Filhos d’Israel, [3] convertei-vos ao Senhor, Deus d’Abrahão, d’Isaac e de Israel; para que elle se torne para aquelles de vós que escaparam, e ficaram da mão [4] dos reis d’Assyria.
7 E não sejaes como vossos paes [5] e como vossos irmãos, que transgrediram contra o Senhor, Deus de seus paes, [6] pelo que os deu em assolação como o vêdes.
8 Não endureçaes [7] agora a vossa cerviz, como vossos paes; dae a mão ao Senhor, e vinde ao seu sanctuario que elle sanctificou para sempre, e servi ao Senhor vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós.
9 Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericordia perante os que os levaram captivos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor vosso Deus é piedoso [8] e misericordioso, e não desviará de vós o seu rosto, se vos converterdes a elle.
10 E os correios foram passando de cidade em cidade, pela terra d’Ephraim e Manasseh até Zebulon; porém riram-se e zombaram [9] d’elles.
11 Todavia [10] alguns d’Aser, e de Manasseh, e de Zebulon, se humilharam, e vieram a Jerusalem.
12 E em Judah esteve a mão de [11] Deus, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandado do rei e dos principes, conforme á palavra do Senhor.
13 E ajuntou-se em Jerusalem muito povo, para celebrar a festa dos pães asmos, no segundo mez; uma mui grande congregação.
14 E levantaram-se, e tiraram os altares [12] que havia em Jerusalem: tambem tiraram todos os vasos de incenso, e os lançaram no ribeiro de Cedron.
15 Então sacrificaram a paschoa no dia decimo quarto do segundo mez; e os sacerdotes e levitas [13] se envergonharam e se sanctificaram e trouxeram holocaustos á casa do Senhor.
16 E pozeram-se no seu posto, segundo o seu costume, conforme a lei de Moysés o homem de Deus: e os sacerdotes espargiam o sangue, tomando-o da mão dos levitas.
17 Porque havia muitos na congregação que se não tinham sanctificado; pelo que [14] os levitas tinham cargo de matarem os cordeiros da paschoa por todo aquelle que não estava limpo, para o sanctificarem ao Senhor.
18 Porque uma multidão [15] do povo, muitos d’Ephraim e Manasseh, Issacar e Zebulon, se não tinham purificado, e comtudo comeram a paschoa, não como está escripto; porém Ezequias orou por elles, dizendo: O Senhor, que é bom, faça reconciliação com aquelle
19 Que tem preparado o seu coração para buscar [16] ao Senhor, Deus, o Deus de seus paes, ainda que não esteja purificado segundo a purificação do sanctuario.
20 E ouviu o Senhor a Ezequias, e sarou o povo.
21 E os filhos de Israel, que se acharam em Jerusalem, celebraram a festa dos pães asmos [17] sete dias com grande alegria: e os levitas e os sacerdotes louvaram ao Senhor de dia em dia com instrumentos fortemente retinintes ao Senhor.
22 E Ezequias fallou benignamente a todos os levitas, que tinham entendimento no bom [18] conhecimento do Senhor: e comeram as offertas da solemnidade por sete dias, offerecendo offertas pacificas, e louvando ao Senhor, Deus de seus paes.
23 E, tendo toda a congregação conselho para celebrarem outros sete dias, [19] celebraram ainda sete dias com alegria.
24 Porque Ezequias, [20] rei de Judah, apresentou á congregação mil novilhos e sete mil ovelhas; e os principes apresentaram á congregação mil novilhos e dez mil ovelhas: e os sacerdotes [21] se sanctificaram em grande numero.
25 E alegraram-se, toda a congregação de Judah, e os sacerdotes, e os levitas, [22] toda a congregação de todos os que vieram de Israel; como tambem os estrangeiros que vieram da terra de Israel e os que habitavam em Judah.
26 E houve grande alegria em Jerusalem; porque desde os dias de Salomão, filho de David, rei de Israel, tal não houve em Jerusalem.
27 Então os sacerdotes, os levitas, se levantaram [23] e abençoaram o povo; e a sua voz foi ouvida: porque a sua oração chegou até á sua sancta habitação, aos céus.
[1] Num. 9.10, 11.
[2] Exo. 12.18. cap. 29.34.
[3] Jer. 4.1. Joel 2.13.
[4] II Reis 15.19, 29.
[5] Eze. 20.18.
[6] cap. 29.8.
[7] Deu. 10.16. cap. 29.10.
[8] Exo. 34.6. Isa. 55.7.
[9] cap. 36.10.
[10] cap. 11.16. ver. 18, 21.
[11] Phi. 2.13. cap. 29.25.
[12] cap. 28.24.
[13] cap. 29.34.
[14] cap. 29.34.
[15] ver. 11. Exo. 12.43, etc.
[16] cap. 19.3.
[17] Exo. 12.15 e 13.6.
[18] Deu. 33.10. cap. 17.9 e 35.3. Esd. 10.11.
[19] I Reis 8.65.
[20] cap. 35.7, 8.
[21] cap. 29.34.
[22] ver. 11, 18.
[23] Num. 6.23.
31 E acabando tudo isto, todos os israelitas que ali se acharam sairam ás cidades de Judah e quebraram [ME] as estatuas [1] cortaram os bosques, e derribaram os altos e altares por toda Judah e Benjamin, como tambem em Ephraim e Manasseh, até que tudo destruiram: então tornaram todos os filhos de Israel, cada um para sua possessão, para as cidades d’elles.
Ezequias regula as turmas dos sacerdotes e levitas.
2 E estabeleceu [2] Ezequias as turmas dos sacerdotes e levitas, segundo as suas turmas, a cada um segundo o seu ministerio; aos sacerdotes e levitas [3] para o holocausto e para as offertas pacificas; para ministrarem, e louvarem, e cantarem, ás portas dos arraiaes do Senhor.
3 Tambem estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos; para os holocaustos da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos sabbados, e das luas novas, e das solemnidades: como está escripto na [4] lei do Senhor.
4 E ordenou ao povo, aos moradores de [5] Jerusalem, que dessem a parte dos sacerdotes e levitas; para que se podessem esforçar na lei do Senhor.
5 E, depois que este dito se divulgou, [6] os filhos de Israel trouxeram muitas primicias de trigo, mosto, e azeite, e mel, e de toda a novidade do campo: tambem os dizimos de tudo trouxeram em abundancia.
6 E aos filhos de Israel e de Judah, que habitavam na cidade de Judah tambem trouxeram dizimos das vaccas e das ovelhas, e dizimos das coisas sagradas que foram [7] consagradas ao Senhor seu Deus: e fizeram muitos montões.
7 No terceiro mez começaram a fazer os primeiros montões: e no setimo mez acabaram.
8 Vindo pois Ezequias e os principes, e vendo aquelles montões, bemdisseram ao Senhor e ao seu povo Israel.
9 E perguntou Ezequias aos sacerdotes e aos levitas ácerca d’aquelles montões.
10 E Azarias, o summo sacerdote da casa de Zadok, lhe fallou, dizendo: Desde [8] que esta offerta se começou a trazer á casa do Senhor, houve que comer e de que se fartar, e ainda sobejo em abundancia; porque o Senhor bemdisse ao seu povo, e sobejou esta abastança.
11 Então disse Ezequias que se preparassem camaras na casa do Senhor, e as prepararam.
12 Ali metteram fielmente as offertas, e os dizimos, e as coisas consagradas: e tinha cargo d’isto Conanias, [9] o levita maioral, e Simei, seu irmão, o segundo.
13 E Jehiel, e Azarias, e Nahath, e Asahel, e Jerimoth, e Jozabad, e Eliel, e Ismachias, e Mahath, e Benaias, eram superintendentes debaixo da mão de Conanias e Simei seu irmão, por mandado do rei Ezequias, e de Azarias, maioral da casa de Deus.
14 E Kore filho de Jimna, o levita, porteiro da banda do oriente, tinha cargo das offertas voluntarias de Deus, para distribuir as offertas alçadas do Senhor e as coisas sanctissimas.
15 E [MF] debaixo das suas ordens estavam Eden, e Miniamin, e Jesua, e Semaias, Amorias, e Sechanias, nas cidades [10] dos sacerdotes, para distribuirem com fidelidade a seus irmãos, segundo as suas turmas, tanto aos pequenos como aos grandes;
16 Além dos que estavam contados pelas genealogias dos machos, da edade de tres annos e d’ahi para cima; a todos os que entravam na casa do Senhor, para a obra de cada dia no seu dia, pelo seu ministerio [MG] nas suas guardas, segundo as suas turmas.
17 E os que estavam contados pelas genealogias dos sacerdotes, segundo a casa de seus paes; como tambem os levitas, da edade de vinte annos [11] e d’ahi para cima, nas suas guardas, segundo as suas turmas:
18 Como tambem conforme ás genealogias, com todas as suas creanças, suas mulheres, e seus filhos, e suas filhas, por toda a congregação: porque com fidelidade estes se sanctificavam nas coisas consagradas.
19 Tambem d’entre os filhos d’Aarão havia [12] sacerdotes nos campos dos arrabaldes das suas cidades, em cada cidade, homens que foram contados pelos seus nomes para distribuirem as porções a todo o macho entre os sacerdotes e a todos os que estavam contados pelas genealogias entre os levitas.
20 E assim fez Ezequias em todo o Judah: e fez [13] o que era bom, e recto, e verdadeiro, perante o Senhor seu Deus.
21 E em toda a obra que começou no serviço da casa de Deus, e na lei, e nos mandamentos, para buscar a seu Deus, com todo o seu coração o fez, e prosperou.
[1] II Reis 18.4.
[2] I Chr. 23.6 e 24.1.
[3] I Chr. 23.30, 31.
[4] Num. 28 e 29.
[5] Num. 18.8, etc. Neh. 13.10. Mal. 2.7.
[6] Exo. 22.29. Neh. 13.12.
[7] Lev. 27.30. Deu. 14.28.
[8] Mal. 3.10.
[9] Neh. 13.13.
[10] Jos. 21.9.
[11] I Chr. 23.24, 27.
[12] Lev. 25.34. Num. 35.2. ver. 12, 13, 14, 15.
[13] II Reis 20.3.
Sennaquerib invade Judah, e Deus destroe o seu exercito.
[Antes de Christo 713]
32 Depois [1] d’estas coisas e d’esta fidelidade, veiu Sennaquerib, rei d’Assyria, e entrou em Judah, e acampou-se contra as cidades fortes, e intentou separal-as para si.
2 Vendo pois Ezequias que Sennaquerib vinha, e que o seu rosto se dirigia á guerra contra Jerusalem,
3 Teve conselho com os seus principes e os seus varões, para que se tapassem as fontes das aguas que havia fóra da cidade: e elles o ajudaram.
4 Porque muito povo se ajuntou, que tapou todas as fontes, como tambem o ribeiro que se estendia pelo meio da terra, dizendo: Porque viriam os reis d’Assyria, e achariam tantas aguas?
5 E elle [2] se fortificou, e edificou todo o muro quebrado até ás torres, e levantou o outro muro para fóra; e fortificou a [3] Millo na cidade de David, e fez armas e escudos em abundancia.
6 E poz officiaes de guerra sobre o povo, e ajuntou-os a si na praça da porta da cidade, e fallou-lhes ao coração, dizendo:
7 Esforçae-vos, [4] e tende bom animo; não temaes, nem vos espanteis, por causa do rei d’Assyria, nem por causa de toda a multidão que está com elle, [5] porque ha um maior comnosco do que com elle.
8 Com elle está [6] o braço de carne, mas comnosco o Senhor nosso Deus, para nos ajudar, e para guerrear nossas guerras. E o povo descançou nas palavras d’Ezequias, rei de Judah.
9 Depois [7] d’isto Sennaquerib, rei d’Assyria, enviou os seus servos a Jerusalem (elle porém estava diante de Lachis, com todo o seu dominio), a Ezequias, rei de Judah, e a todo o Judah que estava em Jerusalem, dizendo:
10 Assim [8] diz Sennaquerib, rei d’Assyria: Em que confiaes vós, que vos ficaes na fortaleza em Jerusalem?
11 Porventura não vos incita Ezequias, para morrerdes á fome e á sede, dizendo: O Senhor nosso [9] Deus nos livrará das mãos do rei d’Assyria?
12 Não [10] é Ezequias o mesmo que tirou os seus altos e os seus altares, e fallou a Judah e a Jerusalem, dizendo: Diante do unico altar vos prostrareis, e sobre elle queimareis incenso?
13 Não sabeis vós o que eu e meus paes fizemos a todos os povos das terras? [11] porventura poderam de qualquer maneira os deuses das nações d’aquellas terras livrar a sua terra da minha mão?
14 Qual é, de todos os deuses d’aquellas nações que meus paes destruiram, que podesse livrar o seu povo da minha mão, para que vosso Deus vos possa livrar da minha mão?
15 Agora, pois, não vos engane [12] Ezequias, nem vos incite assim, nem lhe deis credito; porque nenhum deus de nação alguma, nem de reino algum, pode livrar o seu povo da minha mão, nem da mão de meus paes: quanto menos vos poderá livrar o vosso Deus da minha mão?
16 Tambem seus servos fallaram ainda mais contra o Senhor Deus, e contra Ezequias, o seu servo.
17 Escreveu [13] tambem cartas, para blasphemar do Senhor Deus d’Israel, e para fallar contra elle, dizendo: Assim como os deuses das nações das terras não livraram o seu povo da minha mão, assim tambem o Deus d’Ezequias não livrará o seu povo da minha mão.
18 E [14] clamaram em alta voz em judaico contra o povo de Jerusalem, que estava em cima do muro, para os atemorisarem e os perturbarem, para que tomassem a cidade.
19 E fallaram do Deus de Jerusalem, como dos deuses dos povos da [15] terra, obras das mãos dos homens.
20 Porém o rei Ezequias e o propheta Isaias, filho d’Amós, [16] oraram contra isso, e clamaram ao céu.
21 Então o Senhor [17] enviou um anjo que destruiu a todos os varões valentes, e os principes, e os chefes no arraial do rei d’Assyria: e tornou com vergonha de rosto á sua terra: e, entrando na casa de seu deus, os mesmos que sairam das suas entranhas, o mataram ali á espada.
22 Assim livrou o Senhor a Ezequias, e aos moradores de Jerusalem, da mão de Sennaquerib, rei d’Assyria, e da mão de todos: e de todos os lados os guiou.
23 E muitos traziam presentes a Jerusalem ao Senhor, e coisas preciosissimas a [18] Ezequias, rei de Judah, de modo que depois d’isto foi exaltado perante os olhos de todas as nações.
Doença e morte de Ezequias.
24 N’aquelles dias Ezequias adoeceu [19] de morte; e orou ao Senhor, o qual lhe fallou, e lhe deu um [MH] signal.
25 Mas não [20] correspondeu Ezequias ao beneficio que se lhe fez; porque o seu coração se exaltou; pelo que veiu grande indignação sobre elle, e sobre Judah e Jerusalem.
26 Ezequias [21], porém, se humilhou pela exaltação do seu coração, elle e os habitantes de Jerusalem: e a grande indignação do Senhor não veiu sobre elles, nos dias de Ezequias.
27 E teve Ezequias riquezas e gloria em grande abundancia: e fez-se thesouros de prata, e de oiro, e de pedras preciosas, e de especiarias, e d’escudos, e de todo o aviamento que se podia desejar.
28 Tambem armazens para a colheita do trigo, e do mosto, e do azeite; e estrebarias para toda a casta d’animaes, e curraes para os rebanhos.
29 Fez-se tambem cidades, e possessões d’ovelhas e vaccas em abundancia: porque Deus lhe tinha [22] dado muitissima fazenda.
30 Tambem [23] o mesmo Ezequias tapou o manancial superior das aguas de Gihon, e as fez correr por baixo para o occidente da cidade de David: porque Ezequias prosperou em toda a sua obra.
31 Comtudo, no negocio dos embaixadores dos principes de Babylonia, que foram enviados a [24] elle, a perguntarem ácerca do prodigio que se fez n’aquella terra, Deus o desamparou, para tental-o, para saber tudo o que havia no seu coração.
32 Quanto ao resto dos successos d’Ezequias, e as suas beneficencias, eis que estão escriptos na visão [25] do propheta Isaias, filho d’Amós, e no livro dos reis de Judah e d’Israel.
33 E dormiu [26] Ezequias com seus paes, e o sepultaram no mais alto dos sepulchros dos filhos de David; e todo o Judah e os habitantes de Jerusalem lhe fizeram honras [27] na sua morte: e Manasses, seu filho, reinou em seu logar.
[1] II Reis 18.13, etc. Isa. 36.1, etc.
[2] Isa. 22.9, 10. cap. 25.23.
[3] II Sam. 5.9. I Reis 9.24.
[4] Deu. 31.6. cap. 20.15.
[5] II Reis 6.16.
[6] Jer. 17.5. I João 4.4. cap. 13.12. Rom. 8.31.
[7] II Reis 18.17.
[8] II Reis 18.19.
[9] II Reis 18.30.
[10] II Reis 18.22.
[11] II Reis 18.33, 34, 35.
[12] II Reis 18.29.
[13] II Reis 19.9. II Reis 19.12.
[14] II Reis 18.28. II Reis 18.26, 27, 28.
[15] II Reis 19.18.
[16] II Reis 19.15. II Reis 19.2, 4.
[17] II Reis 19.35, etc.
[18] cap. 17.5. cap. 1.1.
[19] II Reis 20.1. Isa. 38.1.
[20] cap. 26.16. Hab. 2.4. cap. 24.2.
[21] Jer. 26.18, 19. II Reis 20.19.
[22] I Chr. 29.12.
[23] Isa. 22.9, 11.
[24] II Sam. 20.12. Isa. 39.1. Deu. 8.2.
[25] Isa. 36 e 37 e 38 e 39. II Reis 18 e 19 e 20.
[26] II Reis 20.21.
[27] Pro. 10.7.
A idolatria de Manassés.
[Antes de Christo 698]
33 Tinha Manasses [1] doze annos d’edade, quando começou a reinar, e cincoenta e cinco annos reinou em Jerusalem.
2 E fez o que era mal aos olhos do Senhor, conforme ás abominações dos gentios que o Senhor lançara fóra de diante dos filhos d’Israel.
3 Porque tornou a edificar os altos que Ezequias [2], seu pae, tinha derribado; e levantou altares a Baalim, e fez bosques, e prostrou-se diante de todo o exercito dos céus, e o serviu.
4 E edificou altares na casa do Senhor, da qual o Senhor tinha dito: [3] Em Jerusalem estará o meu nome eternamente.
5 Edificou altares a todo o exercito dos céus, em ambos os pateos da casa do Senhor.
6 Fez elle [4] tambem passar seus filhos pelo fogo no valle do filho de Hinnom, e usou d’adivinhações e d’agoiros, e de feitiçarias, e ordenou adivinhos e encantadores: e fez muitissimo mal aos olhos do Senhor, para o provocar á ira.
7 Tambem poz [5] uma imagem esculpida, o idolo que tinha feito, na casa de Deus, da qual Deus tinha dito a David e a Salomão seu filho: N’esta casa, em Jerusalem, que escolhi de todas as tribus d’Israel, porei eu o meu nome para sempre;
8 E nunca mais [6] removerei o pé d’Israel da terra que ordenei a vossos paes; comtanto que tenham cuidado de fazer tudo o que eu lhes ordenei, conforme a toda a lei, e estatutos, e juizos, dados pela mão de Moysés.
9 E Manasses tanto fez errar a Judah e aos moradores de Jerusalem, que fizeram peior do que as nações que o Senhor tinha destruido de diante dos filhos d’Israel.
10 E fallou o Senhor a Manasses e ao seu povo, porém não deram ouvidos.
O captiveiro de Manasses, sua oração e morte.
11 Pelo [7] que o Senhor trouxe sobre elles os principes do exercito do rei d’Assyria, os quaes prenderam a Manasses entre os espinhaes; e o amarraram com cadeias, e o levaram a Babylonia.
12 E elle, angustiado, orou devéras ao Senhor seu Deus, e humilhou-se muito perante o Deus de seus paes;
13 E lhe fez oração, e Deus se aplacou para com elle, e ouviu a sua supplica, e o tornou a trazer a Jerusalem, ao seu reino: então conheceu Manasses que o Senhor era Deus.
14 E depois d’isto edificou o muro de fóra da cidade de David, ao occidente de Gihon, no valle, e á entrada da porta do peixe, e á roda, até Ophel, e o levantou mui alto: tambem poz officiaes valentes em todas as cidades fortes de Judah.
15 E tirou da casa do Senhor os deuses estranhos e o idolo, como tambem todos os altares que tinha edificado no monte da casa do Senhor, e em Jerusalem, e os lançou fóra da cidade.
16 E reparou o altar do Senhor, e offereceu sobre elle offertas pacificas e de louvor: e mandou a Judah que servissem ao Senhor Deus d’Israel.
17 Mas ainda [8] o povo sacrificava nos altos, mas sómente ao Senhor seu Deus.
18 O resto pois dos successos de Manasses, e a sua oração ao seu Deus, e as palavras dos videntes que lhe fallaram no nome do Senhor, Deus d’Israel, eis que estão nos successos dos reis d’Israel.
19 E a sua oração, e como Deus se aplacou para com elle, e todo o seu peccado, e a sua transgressão, e os logares onde edificou altos, e poz bosques e imagens d’esculptura, antes que se humilhasse, eis que está escripto nos livros dos videntes.
20 E dormiu [9] Manasses com seus paes, e o sepultaram em sua casa; Amon, seu filho, reinou em seu logar.
O reinado de Amon e a sua impiedade.
[Antes de Christo 677]
21 Era Amon [10] de edade de vinte e dois annos, quando começou a reinar, e dois annos reinou em Jerusalem.
22 E fez o que era mal aos olhos do Senhor, como [11] havia feito Manasses, seu pae; porque Amon sacrificou a todas as imagens d’esculptura que Manasses, seu pae, tinha feito, e as serviu.
23 Mas não se humilhou perante o Senhor, como Manasses, seu pae, se humilhara: antes multiplicou Amon os seus delictos.
24 E conspiraram [12] contra elle os seus servos, e o mataram em sua casa.
25 Porém o povo da terra feriu a todos quantos conspiraram contra o rei Amon: e o povo da terra fez reinar em seu logar a Josias, seu filho.
[1] Deu. 18.9. II Chr. 28.3.
[2] II Reis 18.4. cap. 30.14 e 31.1 e 32.12. Deu. 16.21. Deu. 17.3.
[3] Deu. 12.11. I Reis 8.29 e 9.3. cap. 6.6 e 7.16.
[4] cap. 28.3. Eze. 23.37, 39. Deu. 18.10, 11. II Reis 21.6.
[5] II Reis 21.7.
[6] II Sam. 7.10.
[7] Deu. 28.36. Job 36.8.
[8] cap. 32.12.
[9] II Reis 21.18.
[10] II Reis 21.19, etc.
[11] ver. 12.
[12] II Reis 21.23, 24.
Josias abole a idolatria.
[Antes de Christo 624]
34 Tinha Josias [1] oito annos quando começou a reinar, e trinta e um annos reinou em Jerusalem.
2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor: e andou nos caminhos de David, seu pae, sem se desviar d’elles nem para a direita nem para a esquerda.
3 Porque no oitavo anno do seu reinado, sendo ainda moço, começou [2] a buscar o Deus de David, seu pae; e no duodecimo anno começou a purificar [3] a Judah e a Jerusalem, dos altos, e dos bosques, e das imagens d’esculptura e de fundição.
4 E derribaram [4] perante elle os altares de Baalim; e cortou as imagens do sol, que estavam acima d’elles: e os bosques, e as imagens d’esculptura e de fundição quebrou e reduziu a pó, e o espargiu [5] sobre as sepulturas dos que lhes tinham sacrificado.
5 E os ossos [6] dos sacerdotes queimou sobre os seus altares: e purificou a Judah e a Jerusalem.
6 O mesmo fez nas cidades de Manasseh, e d’Ephraim, e de Simeão, e ainda até Naphtali; em seus logares ao redor, assolados.
7 E, tendo derribado os altares, e os bosques, e as [7] imagens de esculptura, até reduzil-os a pó, e tendo cortado todas as imagens do sol em toda a terra d’Israel, então voltou para Jerusalem.
Josias repara o templo. Hilkias acha o livro da lei.
8 E no anno [8] decimo oitavo do seu reinado, havendo já purificado a terra e a casa, enviou a Saphan, filho d’Asalias, e a Maaseias, maioral da cidade, e a Joah, filho de Joachaz, registrador, para repararem a casa do Senhor, seu Deus.
9 E vieram a Hilkias, summo sacerdote, e deram [9] o dinheiro que se tinha trazido á casa do Senhor, e que os levitas que guardavam o umbral tinham colligido da mão de Manasseh, e d’Ephraim, e de todo o resto de Israel, como tambem de todo o Judah e Benjamin: e voltaram para Jerusalem.
10 E o deram na mão dos que tinham cargo da obra, e superintendiam sobre a casa do Senhor: e estes o deram aos que faziam a obra, e trabalhavam na casa do Senhor, para concertarem e repararem a casa.
11 E o deram aos mestres da obra, e aos edificadores, para comprarem pedras lavradas, e madeira para as junturas: e para sobradarem as casas que os reis de Judah tinham destruido.
12 E estes homens trabalhavam fielmente na obra; e os superintendentes sobre elles eram: Johath e Obadias, levitas, dos filhos de Merari, como tambem Zacharias e Mesullam, dos filhos dos kohathitas, para avançarem a obra: estes levitas todos eram entendidos em instrumentos de musica.
13 Estavam tambem sobre os carregadores e os inspectores de todos os que trabalhavam em alguma obra; e d’entre os [10] levitas eram os escrivães, e os officiaes e os porteiros.
14 E, tirando elles o dinheiro que se tinha trazido á casa do Senhor, Hilkias, o sacerdote, achou o [11] livro da lei do Senhor, dada pela mão de Moysés.
15 E Hilkias respondeu, e disse a Saphan, o escrivão: Achei o livro da lei na casa do Senhor. E Hilkias deu o livro a Saphan.
16 E Saphan levou o livro ao rei, e deu conta tambem ao rei, dizendo: Teus servos fazem tudo quanto se lhes encommendou.
17 E ajuntaram o dinheiro que se achou na casa do Senhor, e o deram na mão dos superintendentes e na mão dos que faziam a obra.
18 De mais d’isto, Saphan, o escrivão, fez saber ao rei, dizendo: O sacerdote Hilkias me deu um livro. E Saphan leu n’elle perante o rei.
19 Succedeu pois que, ouvindo o rei as palavras da lei, rasgou os seus vestidos.
20 E o rei mandou a Hilkias, e a Ahikam, filho de Saphan, e a Abdon, filho de Micah, e a Saphan, o escrivão, e a Asaias, ministro do rei, dizendo:
21 Ide, consultae ao Senhor por mim, e pelo que fica de resto em Israel e em Judah, sobre as palavras d’este livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor, que se derramou sobre nós; porquanto nossos paes não guardaram a palavra do Senhor, para fazerem conforme a tudo quanto está escripto n’este livro.
Hulda a prophetiza prediz a ruina de Jerusalem.
22 Então Hilkias, e os enviados do rei, foram ter com a prophetiza Hulda, mulher de Sallum, filho de Tokhath, [12] filho d’Hasra, guarda dos vestimentos (e habitava ella em Jerusalem na segunda parte); e fallaram-lhe segundo isto,
23 E ella lhes disse: Assim diz o Senhor, Deus d’Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim:
24 Assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre este logar, e sobre os seus habitantes, a saber: todas as maldições que estão escriptas no livro que se leu perante o rei de Judah.
25 Porque me deixaram, e queimaram incenso perante outros deuses, para me provocarem á ira com toda a obra das suas mãos; portanto o meu furor se derramou sobre este logar, e não se apagará.
26 Porém ao rei de Judah, que vos enviou a consultar ao Senhor, assim lhe direis: Assim diz o Senhor, Deus d’Israel, quanto ás palavras que ouviste:
27 Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, ouvindo as suas palavras contra este logar, e contra os seus habitantes, e te humilhaste perante mim, e rasgaste os teus vestidos, e choraste perante mim, tambem eu te tenho ouvido, diz o Senhor.
28 Eis que te ajuntarei a teus paes, e tu serás recolhido ao teu sepulchro em paz, e os teus olhos não verão todo este mal que hei de trazer sobre este logar e sobre os seus habitantes. E tornaram com esta resposta ao rei.
29 Então enviou o rei, [13] e ajuntou a todos os anciãos de Judah e Jerusalem.
30 E o rei subiu á casa do Senhor, com todos os homens de Judah, e os habitantes de Jerusalem, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o maior até ao mais pequeno: e elle leu aos ouvidos d’elles todas as palavras do livro do concerto, que se tinha achado na casa do Senhor.
31 E poz-se [14] o rei em pé em seu logar, e fez concerto perante o Senhor, para andar após o Senhor, e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o seu coração, e com toda a sua alma, fazendo as palavras do concerto, que estão escriptas n’aquelle livro.
32 E fez estar em pé a todos quantos se acharam em Jerusalem e em Benjamin; e os habitantes de Jerusalem fizeram conforme ao concerto de Deus, do Deus de seus paes.
33 E Josias tirou [15] todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos d’Israel; e a todos quantos se acharam em Israel obrigou a que com tal culto servissem ao Senhor seu Deus: [16] todos os seus dias não se desviaram d’após o Senhor, Deus de seus paes.
[1] II Reis 22.1, etc.
[2] cap. 15.2.
[3] I Reis 13.2. cap. 33.17, 22.
[4] Lev. 26.30. II Reis 23.4.
[5] II Reis 23.6.
[6] I Reis 13.2.
[7] Deu. 9.21.
[8] II Reis 22.3.
[9] II Reis 12.4, etc.
[10] I Chr. 23.4, 5.
[11] II Reis 22.8, etc.
[12] II Reis 22.14.
[13] II Reis 23.1, etc.
[14] II Reis 11.14 e 23.3. cap. 6.13.
[15] I Reis 11.5.
[16] Jer. 3.10.
A celebração da paschoa em Jerusalem.
[Antes de Christo 623]
35 Então Josias [1] celebrou a paschoa ao Senhor em Jerusalem: e mataram o cordeiro da paschoa no decimo quarto dia do mez primeiro.
2 E estabeleceu [2] os sacerdotes nas suas guardas, e os animou ao ministerio da casa do Senhor.
3 E disse aos levitas [3] que ensinavam a todo o Israel e estavam consagrados ao Senhor: Ponde a arca sagrada na casa que [4] edificou Salomão, filho de David, rei d’Israel; não tereis mais este cargo aos hombros: agora servi ao Senhor vosso Deus, e ao seu povo Israel.
4 E preparae-vos segundo as casas de vossos paes, [5] segundo as vossas turmas, conforme á prescripção de David rei d’Israel, e conforme á prescripção de Salomão, seu filho.
5 E estae no sanctuario segundo as divisões das casas paternas de vossos irmãos, os filhos do povo; e haja para cada um uma porção das casas paternas dos levitas.
6 E sacrificae a paschoa: e sanctificae-vos, [6] e preparae-a para vossos irmãos, fazendo conforme á palavra do Senhor, dada pela mão de Moysés.
7 E apresentou [7] Josias, aos filhos do povo, cordeiros e cabritos do rebanho, todos para os sacrificios da paschoa, por todo o que ali se achou, em numero de trinta mil, e de bois tres mil: isto era da fazenda do rei.
8 Tambem apresentaram os seus principes offertas voluntarias ao povo, aos sacerdotes e aos levitas: Hilkias, e Zacharias, e Jehiel, maioral da casa de Deus, deram aos sacerdotes para os sacrificios da paschoa duas mil e seiscentas rezes de gado miudo, e trezentos bois.
9 E Conanias, e Semaias, e Nathanael, seus irmãos, como tambem Hasabias, e Jeiel, e Jozabad, maioraes dos levitas, apresentaram aos levitas, para os sacrificios da paschoa, cinco mil rezes de gado miudo, e quinhentos bois.
10 Assim se preparou [8] o serviço: e pozeram-se os sacerdotes nos seus postos, e os levitas nas suas turmas, conforme ao mandado do rei.
11 Então sacrificaram a paschoa: [9] e os sacerdotes espargiam o sangue recebido das suas mãos, e os levitas esfollavam as rezes.
12 E pozeram de parte os holocaustos para os darem aos filhos do povo, segundo as divisões das casas paternas, para o offerecerem ao Senhor, [10] como está escripto no livro de Moysés: e assim fizeram com os bois.
13 E assaram [11] a paschoa no fogo, segundo o rito: e as offertas sagradas cozeram em panellas, e em caldeiras e em sertãs; e promptamente as repartiram entre todo o povo.
14 Depois prepararam para si e para os sacerdotes; porque os sacerdotes, filhos d’Aarão, se occuparam até á noite com o sacrificio dos holocaustos e da gordura; pelo que os levitas prepararam para si e para os sacerdotes, filhos d’Aarão.
15 E os cantores, filhos d’Asaph, estavam no seu posto, segundo o mandado [12] de David, e d’Asaph, e d’Heman, e de Jeduthun, vidente do rei, como tambem os porteiros [13] a cada porta; não necessitaram de se desviarem do seu ministerio; porquanto seus irmãos, os levitas, preparavam para elles.
16 Assim se estabeleceu todo o serviço do Senhor n’aquelle dia, para celebrar a paschoa, e sacrificar holocaustos sobre o altar do Senhor, segundo o mandado do rei Josias.
17 E os filhos d’Israel que ali se acharam celebraram a paschoa n’aquelle tempo, e a festa dos [14] pães asmos, sete dias.
18 Nunca [15] pois se celebrou tal paschoa em Israel, desde os dias do propheta Samuel: nem nenhuns reis d’Israel celebraram tal paschoa como a que celebrou Josias com os sacerdotes, e levitas, e todo o Judah e Israel, que ali se acharam, e os habitantes de Jerusalem.
19 No anno decimo oitavo do reinado de Josias se celebrou esta paschoa.
Josias provoca o rei do Egypto e é morto.
20 Depois [16] de tudo isto, havendo Josias já preparado [MI] a casa, subiu Necho, rei do Egypto, para guerrear contra Carchemis, junto ao Euphrates: e Josias lhe saiu ao encontro.
21 Então elle lhe mandou mensageiros, dizendo: Que tenho eu que fazer comtigo, rei de Judah? quanto a ti, contra ti não venho hoje, senão contra a casa que me faz guerra; e disse Deus que me apressasse: guarda-te de te oppores a Deus, que é comigo, para que não te destrua.
22 Porém Josias não virou d’elle o seu rosto, antes se [17] disfarçou, para pelejar com elle; e não deu ouvidos ás palavras de Necho, que sairam da bocca de Deus; antes veiu pelejar no valle de Megiddo.
23 E os frecheiros atiraram ao rei Josias: então o rei disse a seus servos: Tirae-me d’aqui, porque estou gravemente ferido.
24 E seus servos [18] o tiraram do carro, e o levaram no carro segundo que tinha, e o trouxeram a Jerusalem; e morreu, e o sepultaram nos sepulchros de seus paes: e todo [19] o Judah e Jerusalem tomaram luto por Josias.
25 E Jeremias fez uma [20] lamentação sobre Josias; e todos os cantores e cantoras fallaram de Josias nas suas lamentações, até ao _dia d’_hoje; porque as deram por estatuto em Israel; e eis que estão escriptas nas lamentações.
26 Quanto ao mais dos successos de Josias, e as suas beneficencias, conforme está escripto na lei do Senhor,
27 E os seus successos, tanto os primeiros como os ultimos, eis que estão escriptos no livro dos reis d’Israel e de Judah.
[1] II Reis 23.21, 22. Exo. 12.6. Esd. 6.19.
[2] cap. 23.18. Esd. 6.18. cap. 29.5, 11.
[3] Deu. 33.10. cap. 30.22. Mal. 2.7.
[4] cap. 34.14. cap. 5.7. I Chr. 23.26.
[5] I Chr. 9.10. I Chr. 23 e 24 e 25 e 26. cap. 8.14.
[6] cap. 29.5, 15 e 30.3, 15. Esd. 6.20.
[7] cap. 30.24.
[8] Esd. 6.18.
[9] cap. 29.22. cap. 29.34.
[10] Lev. 3.3.
[11] Exo. 12.8, 9. Deu. 16.7. I Sam. 2.13, 14, 15.
[12] I Chr. 25.1, etc.
[13] I Chr. 9.17, 18 e 26.11, etc.
[14] Exo. 12.15 e 13.6. cap. 30.21.
[15] II Reis 23.22, 23.
[16] II Reis 23.29. Jer. 46.2.
[17] I Reis 22.30.
[18] II Reis 23.30.
[19] Zac. 12.11.
[20] Lam. 4.20. Mat. 9.23. Jer. 22.20.
Joachaz é levado captivo para o Egypto.
[Antes de Christo 610]
36 Então o povo [1] da terra tomou a Joachaz, filho de Josias, e o fizeram rei em logar de seu pae, em Jerusalem.
2 Era Joachaz da edade de vinte e tres annos, quando começou a reinar: e tres mezes reinou em Jerusalem.
3 Porque o rei do Egypto o depoz em Jerusalem: e condemnou a terra á contribuição de cem talentos de prata e um talento de oiro.
4 E o rei do Egypto poz a Eliakim, seu irmão, rei sobre Judah e Jerusalem, e mudou-lhe o nome em Joaquim: mas a seu irmão Joachaz tomou Necho, e levou-o para o Egypto.
Joaquim reina.
5 Era Joaquim [2] de vinte e cinco annos d’edade, quando começou a reinar: e onze annos reinou em Jerusalem: e fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus.
6 Subiu pois contra [3] elle Nabucodonosor, rei de Babylonia, e o amarrou com [4] cadeias, para o levar a Babylonia.
7 Tambem [5] alguns dos vasos da casa do Senhor levou Nabucodonosor, a Babylonia, e pôl-os no seu [MJ] templo em Babylonia.
8 Quanto ao mais dos successos de Joaquim, e as suas abominações que fez, e o mais que se achou n’elle, eis que está escripto no livro dos reis d’Israel e de Judah: e Joaquim, seu filho, reinou em seu logar.
9 Era Joaquim [6] da edade d’oito annos, quando começou a reinar: e tres mezes e dez dias reinou em Jerusalem: e fez o que era mau aos olhos do Senhor.
10 E no decurso d’um anno enviou o [7] rei Nabucodonosor, e mandou trazel-o a Babylonia, com os mais preciosos vasos da casa do Senhor; e poz a Zedekias, seu irmão, rei sobre Judah e Jerusalem.
Zedekias reina.
[Antes de Christo 593]
11 Era Zedekias [8] da edade de vinte e cinco annos, quando começou a reinar: e onze annos reinou em Jerusalem.
12 E fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus; nem se humilhou perante o propheta Jeremias, que fallava da parte do Senhor.
13 De mais d’isto, tambem se rebellou contra o [9] rei Nabucodonosor, que o tinha ajuramentado por Deus; mas endureceu a sua [10] cerviz, e tanto se obstinou no seu coração, que se não converteu ao Senhor, Deus d’Israel.
14 Tambem todos os chefes dos sacerdotes e o povo augmentavam de mais em mais as transgressões, segundo todas as abominações dos gentios: e contaminaram a casa do Senhor, que elle tinha sanctificado em Jerusalem.
15 E o Senhor, Deus [11] de seus paes, lhes enviou a sua palavra pelos seus mensageiros, madrugando, e enviando-lh’os; porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação.
16 Porém zombaram [12] dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e mofaram dos seus prophetas; até o furor do Senhor tanto subiu contra o seu povo, que mais nenhum remedio houve.
17 Porque [13] fez subir contra elles o rei dos chaldeos, o qual matou os seus mancebos á espada, na casa do seu sanctuario; e não teve piedade nem dos mancebos, nem das donzellas, nem dos velhos, nem dos decrepitos: a todos os deu na sua mão.
18 E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, e os thesouros da casa do Senhor, e os thesouros do rei e dos seus principes, tudo levou [14] para Babylonia.
19 E queimaram [15] a casa do Senhor, e derrubaram o muro de Jerusalem: e todos os seus palacios queimaram a fogo, destruindo tambem todos os seus preciosos vasos.
20 E os que escaparam [16] da espada levou para Babylonia: e fizeram-se servos, d’elle e de seus filhos, até ao [MK] reinado do reino da Persia.
21 Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela bocca de [17] Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sabbados: todos os dias da assolação repousou, até que os setenta annos se cumpriram.
22 Porém, [18] no primeiro anno de Cyro, rei da Persia (para que se cumprisse a palavra do Senhor pela bocca de Jeremias), despertou o Senhor o espirito de Cyro, [19] rei da Persia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como tambem por escripto, dizendo:
23 Assim diz Cyro, [20] rei da Persia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalem, que está em Judah; quem de vós ha entre todo o seu povo, o Senhor seu Deus seja com elle, e suba.
[1] II Reis 23.30, etc.
[2] II Reis 23.36, 37.
[3] II Reis 24.1. Hab. 1.6.
[4] II Reis 24.6. Jer. 22.18, 19 e 36.30.
[5] II Reis 24.13. Dan. 1.1, 2 e 5.2.
[6] II Reis 24.8.
[7] II Reis 24.10-17. Dan. 1.1, 2 e 5.2.
[8] Jer. 37.1. II Reis 24.18. Jer. 52.1, etc.
[9] Jer. 52.3. Eze. 17.15, 18.
[10] II Reis 17.14.
[11] Jer. 25.3, 4 e 35.15 e 44.4.
[12] Jer. 5.12, 13. Pro. 1.25, 30. Jer. 32.3 e 38.6. Mat. 23.34.
[13] Deu. 28.49. II Reis 25.1, etc. Eze. 9.7.
[14] II Reis 25.13, etc.
[15] II Reis 25.9.
[16] II Reis 25.11. Jer. 27.7.
[17] Jer. 25.9, 11, 12 e 26.6, 7 e 29.10. Lev. 26.34, 35, 43. Dan. 9.2. Lev. 25.4, 5.
[18] Esd. 1.1. Jer. 25.12, 13 e 29.10 e 33.10, 11, 14.
[19] Isa. 44.28.
[20] Esd. 1.2, 3.
O LIVRO DE ESDRAS.
Cyro convida os judeos a voltarem para Jerusalem e edificarem o templo.
[Antes de Christo 536]
1 No primeiro anno de Cyro, rei da Persia (para que se cumprisse a palavra [1] do Senhor, por bocca de Jeremias) despertou o Senhor o espirito de Cyro, rei da Persia o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como tambem por escripto, dizendo:
2 Assim diz Cyro, rei da Persia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra: e elle me [2] encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalem, que está em Judah.
3 Quem ha entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com elle, e suba a Jerusalem, que está em Judah, e edifique a casa do Senhor, Deus d’Israel; elle é o [3] Deus que habita em Jerusalem.
4 E todo aquelle que ficar atraz em alguns logares em que andar peregrinando, os homens do seu logar o ajudarão com prata, e com oiro, e com fazenda, e com gados, afóra das dadivas voluntarias para a casa do Senhor, que habita em Jerusalem.
5 Então se levantaram os chefes dos paes de Judah e Benjamin, e os sacerdotes e os levitas, com todos aquelles cujo espirito Deus despertou, [4] para subirem a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalem.
6 E todos os que habitavam nos arredores lhes confortaram as mãos com vasos de prata, com oiro, com fazenda, e com gados, e com as coisas preciosas; afóra tudo o que voluntariamente se deu.
7 Tambem o rei Cyro [5] tirou os vasos da casa do Senhor, que Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalem, e que tinha posto na casa de seus deuses.
8 Estes tirou Cyro, rei da Persia, pela mão de Mithredath, o thesoureiro, que os deu por conta a Sesbazar, [6] principe de Judah.
9 E este é o numero d’elles: trinta bacias d’oiro, mil bacias de prata, vinte e nove facas,
10 Trinta taças d’oiro, mais outras quatrocentas e dez taças de prata, e mil outros vasos.
11 Todos os vasos d’oiro e de prata foram cinco mil e quatrocentos: todos estes levou Sesbazar, quando os do captiveiro subiram de Babylonia para Jerusalem.
[1] II Chr. 36.22, 23. Jer. 25.12 e 29.10. cap. 5.13, 14.
[2] Isa. 44.28 e 45.1, 13.
[3] Dan. 6.26.
[4] Phi. 2.13.
[5] cap. 5.14 e 6.5. II Reis 24.13. II Chr. 36.7.
[6] cap. 5.14.
A lista dos que voltaram de Babylonia para Jerusalem com Zorobabel.
2 Estes são [1] os filhos da provincia, que subiram do captiveiro, dos transportados, que Nabucodonosor, rei de Babylonia, tinha transportado a Babylonia, e tornaram a Jerusalem e a Judah, cada um para a sua casa;
2 Os quaes vieram com Zorobabel, Josué, Nehemias, Seraias, Reelaias, Mardocheo, Bilsan, Mispar, Bigvai, Rehum e Baana. O numero dos homens do povo de Israel:
3 Os filhos de Paros, dois mil, cento e setenta e dois.
4 Os filhos de Sephtias, trezentos e setenta e dois.
5 Os filhos d’Arah, [2] setecentos e setenta e cinco.
6 Os filhos de [3] Pahath-moab, dos filhos de Jesua-joab, dois mil, oitocentos e doze.
7 Os filhos d’Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.
8 Os filhos de Zatthu, novecentos e quarenta e cinco.
9 Os filhos de Zaccai, setecentos e sessenta.
10 Os filhos de Bani, seiscentos e quarenta e dois.
11 Os filhos de Bebai, seiscentos e vinte e tres.
12 Os filhos de Azgad, mil, duzentos e vinte e dois.
13 Os filhos de Adonikam, seiscentos e sessenta e seis.
14 Os filhos de Bigvai, dois mil e cincoenta e seis.
15 Os filhos de Adin, quatrocentos e cincoenta e quatro.
16 Os filhos d’Ater, d’Hizkia, noventa e oito.
17 Os filhos de Besai, trezentos e vinte e tres.
18 Os filhos de Jora, cento e doze.
19 Os filhos de Hasum, duzentos e vinte e tres.
20 Os filhos de Gibbar, noventa e cinco.
21 Os filhos de Bethlehem, cento e vinte e tres.
22 Os homens de Netopha, cincoenta e seis.
23 Os homens d’Anathoth, cento e vinte e oito.
24 Os filhos d’Azmaveth, quarenta e dois.
25 Os filhos de Kiriath-arim, Chephira e Bearoth, setecentos e quarenta e tres.
26 Os filhos de Rama, e Gibeah, seiscentos e vinte e um.
27 Os homens de Micmas, cento e vinte e dois.
28 Os homens de Bethel e Ai, duzentos e vinte e tres.
29 Os filhos de Nebo, cincoenta e dois.
30 Os filhos de Magbis, cento e cincoenta e seis.
31 Os filhos do outro [4] Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.
32 Os filhos d’Harim, trezentos e vinte.
33 Os filhos de Lod, Hadid e Ono, setecentos e vinte e cinco.
34 Os filhos de Jericó, trezentos e quarenta e cinco.
35 Os filhos de Senaa, tres mil, seiscentos e trinta.
36 Os sacerdotes: [5] os filhos de Jedaias, da casa de Jesua, novecentos e setenta e tres.
37 Os filhos [6] d’Immer, mil e cincoenta e dois.
38 Os filhos de [7] Pashur, mil, duzentos e quarenta e sete.
39 Os filhos [8] d’Harim, mil e dezesete.
40 Os levitas: os filhos de Jesua e Kadmiel, dos filhos d’Hodavias, setenta e quatro.
41 Os cantores: os filhos de Asaph, cento e vinte e oito.
42 Os filhos dos porteiros: os filhos de Sallum, os filhos d’Ater, os filhos de Talmon, os filhos d’Akkub, os filhos d’Hatita, os filhos de Sobai: por todos, cento e trinta e nove.
43 Os nethineos: [9] os filhos de Ziha, os filhos d’Hasupha, os filhos de Tabbaoth,
44 Os filhos de Keros, os filhos de Siaha, os filhos de Padon,
45 Os filhos de Lebana, os filhos d’Hagaba, os filhos d’Akkub,
46 Os filhos d’Hagab, os filhos de Samlai, os filhos d’Hanan,
47 Os filhos de Giddel, os filhos de Gahar, os filhos de Reaias,
48 Os filhos de Resin, os filhos de Nekoda, os filhos de Gazam,
49 Os filhos d’Uzar, os filhos de Paseah, os filhos de Besai,
50 Os filhos d’Asna, os filhos dos meuneos, os filhos dos nephuseos,
51 Os filhos de Bakbuk, os filhos d’Hakupha, os filhos d’Harhur,
52 Os filhos de Basluth, os filhos de Mehida, os filhos d’Harsa,
53 Os filhos de Barkos, os filhos de Sisera, os filhos de Temah,
54 Os filhos de Nesiah, os filhos d’Hatipha.
55 Os filhos dos servos de Salomão: [10] os filhos de Sotai, os filhos de Sophereth, os filhos de Peruda,
56 Os filhos de Jaala, os filhos de Darkon, os filhos de Giddel,
57 Os filhos de Sephatias, os filhos d’Hattil, os filhos de Pochereth-hat-sebaim, os filhos de Ami.
58 Todos os [11] nethineos, e os filhos dos servos de Salomão, trezentos e noventa e dois.
59 Tambem estes subiram de Tel-melah e Tel-harsa, Cherub, Addan e Immer: porém não poderam mostrar a casa de seus paes, e sua linhagem, se d’Israel eram.
60 Os filhos de Dalaias, os filhos de Tobias, os filhos de Nekoda, seiscentos e cincoenta e dois.
61 E dos filhos dos sacerdotes: os filhos d’Habaias, os filhos de Kos, os filhos de [12] Barzillai, que tomou mulher das filhas de Barzillai, o gileadita, e que foi chamado do seu nome.
62 Estes buscaram o seu registro entre os que estavam registrados nas genealogias, mas não se acharam n’ellas; pelo que por immundos foram rejeitados do sacerdocio.
63 E o [ML] tirsatha lhes disse que não comessem das coisas sagradas, [13] até que houvesse sacerdote com Urim e com Thummim.
64 Toda esta congregação junta [14] foi, quarenta e dois mil trezentos e sessenta,
65 Afóra os seus servos e as suas servas, que foram sete mil, trezentos e trinta e sete: tambem tinha duzentos cantores e cantoras.
66 Os seus cavallos, setecentos e trinta e seis: os seus mulos, duzentos e quarenta e cinco;
67 Os seus camelos, quatrocentos e trinta e cinco: os jumentos, seis mil, setecentos e vinte.
68 E alguns [15] dos chefes dos paes, vindo á casa do Senhor, que habita em Jerusalem, deram voluntarias offertas para a casa de Deus, para a fundarem no seu logar.
69 Conforme ao seu poder, deram para o thesouro [16] da obra, em oiro, sessenta e um mil [MM] drachmas, e em prata cinco mil libras, e cem vestes sacerdotaes.
70 E habitaram os sacerdotes [17] e os levitas, e alguns do povo, tanto os cantores, como os porteiros, e os nethineos, nas suas cidades; como tambem todo o Israel nas suas cidades.
[1] Neh. 7.6, etc. II Reis 24.14, 15, 16 e 25.11. II Chr. 36.20.
[2] Neh. 7.10.
[3] Neh. 7.11.
[4] ver. 7.
[5] I Chr. 24.7.
[6] I Chr. 24.14.
[7] I Chr. 9.12.
[8] I Chr. 24.8.
[9] I Chr. 9.2.
[10] I Reis 9.21.
[11] Jos. 9.21, 27. I Chr. 9.2. I Reis 9.21.
[12] II Sam. 17.27.
[13] Num. 3.10. Lev. 22.2, 10, 15, 16. Exo. 28.30. Num. 27.21.
[14] Neh. 7.66, etc.
[15] Neh. 7.70.
[16] I Chr. 26.20.
[17] cap. 6.16, 17. Neh. 7.73.
É levantado o altar.
3 Chegando pois o setimo mez, e estando os filhos d’Israel já nas cidades, se ajuntou o povo, como um só homem, em Jerusalem.
2 E levantou-se Josué, filho de Josadak, e seus irmãos, os sacerdotes, e Zorobabel, [1] filho de Sealthiel, e seus irmãos, e edificaram o altar do Deus d’Israel, para offerecerem sobre elle holocausto, como está escripto [2] na lei de Moysés, o homem de Deus.
3 E firmaram o altar sobre as suas bases, porque o terror estava sobre elles, por causa dos povos das terras: e offereceram sobre elle holocaustos ao Senhor, holocaustos [3] de manhã e de tarde.
4 E celebraram [4] a festa dos tabernaculos, como está escripto: offereceram holocaustos de dia em dia por ordem, conforme ao rito, cada coisa no seu dia.
5 E depois d’isto o holocausto [5] continuo, e os das luas novas e de todas as solemnidades sanctificadas do Senhor; como tambem de qualquer que offerecia offerta voluntaria ao Senhor:
6 Desde o primeiro dia do setimo mez começaram a offerecer holocaustos ao Senhor: porém ainda não estavam postos os fundamentos do templo do Senhor.
7 Deram pois o dinheiro aos [MN] cortadores e artifices, como tambem comida e bebida, [6] e azeite aos sidonios, e aos tyrios, para trazerem do Libano madeira de cedro ao mar de Joppe, segundo a concessão que lhes tinha feito Cyro, rei da Persia.
São postos os alicerces do templo.
8 E no segundo anno da sua vinda á casa de Deus em Jerusalem, no segundo mez, começaram Zorobabel, filho de Sealthiel, e Josué, filho de Josadak, e os outros seus irmãos, os sacerdotes e os levitas, e todos os que vieram do captiveiro a Jerusalem; e constituiram [7] os levitas da edade de vinte annos e d’ahi para cima, para que aviassem a obra da casa do Senhor.
9 Então se levantou [8] Josué, seus filhos, e seus irmãos, Kadmiel e seus filhos, os filhos de Judah, como um só homem, para aviarem os que faziam a obra na casa de Deus, com os filhos d’Henadad, seus filhos e seus irmãos, os levitas.
10 Quando pois os edificadores lançaram os alicerces do templo do Senhor, então apresentaram-se [9] os sacerdotes, já vestidos e com trombetas, e os levitas, filhos d’Asaph, com psalterios, para louvarem ao Senhor, conforme á instituição de David, rei d’Israel.
11 E cantavam [10] a revezes, louvando e celebrando ao Senhor; porque é bom; porque a sua benignidade dura para sempre sobre Israel. E todo o povo jubilou com grande jubilo, quando louvaram ao Senhor, pela fundação da casa do Senhor.
12 Porém muitos dos sacerdotes, e levitas e chefes dos paes, já velhos, que viram a primeira casa, sobre o seu fundamento, vendo perante os seus olhos esta casa, choraram em altas vozes; mas muitos levantaram as vozes com jubilo e com alegria.
13 De maneira que não discernia o povo as vozes do jubilo d’alegria, das vozes do choro do povo; porque o povo jubilava com tão grande jubilo, que as vozes se ouviam de mui longe.
[1] Mat. 1.12. Luc. 3.27.
[2] Deu. 12.5.
[3] Num. 28.3, 4.
[4] Neh. 8.14. Zac. 14.16, 17.
[5] Exo. 29.38. Num. 28.3, 11, 19, 26 e 29.2, 8, 13.
[6] I Reis 5.6, 9. II Chr. 2.10. Act. 12.20. Act. 9.36.
[7] I Chr. 23.24, 27.
[8] cap. 2.40.
[9] I Chr. 16.5, 6, 42. I Chr. 6.31 e 16.4 e 25.1.
[10] Exo. 15.21. II Chr. 7.3. Neh. 12.24. I Chr. 16.41. Jer. 33.11.
Os samaritanos accusam os judeos ao rei Artaxerxes, e a construcção do templo é prohibida.
[Antes de Christo 535]
4 Ouvindo pois os adversarios [1] de Judah e Benjamin que os que tornaram do captiveiro, edificavam o templo ao Senhor Deus d’Israel,
2 Chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos paes, e disseram-lhes: Deixae-nos edificar comvosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como tambem já lhe sacrificamos desde os dias [2] d’Asar-haddon, rei d’Assur, que nos fez subir aqui.
3 Porém Zorobabel, e Josué, e os outros chefes dos paes d’Israel lhes disseram: Não convem [3] que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus; mas nós sós a edificaremos ao Senhor, Deus d’Israel, como nos ordenou o rei Cyro, rei da Persia.
4 Todavia [4] o povo da terra debilitava as mãos do povo de Judah, e inquietava-os no edificar.
5 E alugaram contra elles conselheiros, para frustrarem o seu conselho, todos os dias de Cyro, rei da Persia, até ao reinado de Dario, rei da Persia.
[Antes de Christo 522]
6 E sob o reino d’Ahasuero, no principio do seu reinado, escreveram uma accusação contra os habitantes de Judah e de Jerusalem.
7 E nos dias d’Artaxerxes escreveu Bislam, Mithredath, Tabeel, e os outros da sua companhia, a Artaxerxes, rei da Persia: e a carta estava escripta em caracteres syriacos, e na lingua syriaca.
8 Escreveram pois Rhehum, o chanceller, e Simsai, o escrivão, uma carta contra Jerusalem, ao rei Artaxerxes, n’esta maneira:
9 Então escreveu Rhehum, o chanceller, e Simsai, o escrivão, e os outros da sua companhia: [5] os dinaitas e apharsathehitas, tarpelitas, apharsitas, archevitas, babylonios, susanchitas, dehavitas, elamitas.
10 E os outros [6] povos, que transportou o grande e afamado Asnappar, e que elle fez habitar na cidade de Samaria, e os outros d’áquem do rio, e em tal tempo.
11 Este pois é o teor da carta que ao rei Artaxerxes lhe mandaram: “Teus servos, os homens d’áquem do rio, e em tal tempo.
12 Saiba o rei que os judeos que subiram de ti vieram a nós a Jerusalem, e edificam aquella rebelde e malvada cidade, e vão restaurando os seus muros, e reparando os seus fundamentos.
13 Agora saiba o rei que, se aquella cidade se reedificar, e os muros se restaurarem, não pagarão os direitos, os tributos [7] e as rendas; e assim se damnificará a fazenda dos reis.
14 Agora pois, porquanto assalariados somos do paço, e não nos convem ver a deshonra do rei, por isso mandamos dar aviso ao rei,
15 Para que se busque no livro das chronicas de teus paes, e acharás no livro das chronicas, e saberás que aquella foi uma cidade rebelde, e damnosa aos reis e provincias, e que n’ella fizeram rebellião de tempos antigos; pelo que foi aquella cidade destruida.
16 Nós pois fazemos notorio ao rei que, se aquella cidade se reedificar, e os seus muros se restaurarem, d’esta maneira não terás porção alguma d’esta banda do rio.”
17 E o rei enviou esta resposta a Rhehum, o chanceller, e a Simsai, o escrivão, e aos mais da sua companhia, que habitavam em Samaria; como tambem ao resto dos que estavam d’além do rio: Paz hajaes! e em tal tempo.
18 A carta que nos enviastes foi explicitamente lida diante de mim.
19 E, ordenando-o eu, buscaram e acharam, que de tempos antigos aquella cidade se levantou contra os reis, e n’ella se tem feito rebellião e sedição.
20 Tambem houve reis poderosos sobre Jerusalem que d’além do rio dominaram [8] em todo o logar, e se lhes pagaram direitos, e tributos, e rendas.
21 Agora pois dae ordem para impedirdes aquelles homens, afim de que não se edifique aquella cidade, até que se dê uma ordem por mim.
22 E guardae-vos de commetterdes erro n’isto; porque cresceria o damno para prejuizo dos reis?
23 Então, depois que a copia da carta do rei Artaxerxes se leu perante Rhehum, e Simsai, o escrivão, e seus companheiros, apressadamente foram elles a Jerusalem, aos judeos, e os impediram á força de braço e com violencia.
24 Então cessou a obra da casa de Deus, que estava em Jerusalem: e cessou até ao anno segundo do reinado de Dario rei da Persia.
[1] ver. 7, 8, 9.
[2] II Reis 17.24, 32, 33 e 19.37.
[3] Neh. 2.20. cap. 1.1, 2, 3.
[4] cap. 3.3.
[5] II Reis 17.30, 31.
[6] ver. 1.
[7] cap. 7.24.
[8] I Reis 4.21. Gen. 15.18. Jos. 1.4.
Aggeo e Zacharias exhortam os judeos a continuarem a construcção do templo.
[Antes de Christo 520]
5 E Aggeo [1], propheta, e Zacharias, filho d’Iddo, prophetas, prophetizaram aos judeos que estavam em Judah, e em Jerusalem: em nome do Deus de Israel lhes prophetizaram.
2 Então se levantaram [2] Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Josadak, e começaram a edificar a casa de Deus, que está em Jerusalem; e com elles os prophetas de Deus, que os ajudavam.
3 N’aquelle tempo veiu a [3] elles Tattenai, governador d’áquem do rio, e Sethar-boznai, e os seus companheiros, e disseram-lhes assim: Quem vos deu ordem para edificardes esta casa, e restaurardes este muro?
4 Então [4] assim lhes dissemos: E quaes são os nomes dos homens que edificaram este edificio?
5 Porém os olhos de [5] Deus estavam sobre os anciãos dos judeos, e não os impediram, até que o negocio viesse a Dario, e então respondessem por carta sobre isso.
6 Copia da carta que Tattenai, o governador d’áquem do rio, com Sethar-boznai [6] e os seus companheiros, os apharsachitas, que estavam d’áquem do rio, enviaram ao rei Dario.
7 Enviaram-lhe uma relação; e assim estava escripto n’ella: “Toda a paz ao rei Dario.
8 Seja notorio ao rei, que nós fomos á provincia de Judah, á casa do grande Deus, que se edifica com grandes pedras, e já a madeira se está pondo sobre as paredes; e esta obra apressuradamente se faz, e se adianta em suas mãos.
9 Então perguntámos aos anciãos, e assim lhes dissemos: Quem vos deu ordem [7] para edificardes esta casa, e restaurardes este muro?
10 De mais d’isto, lhes perguntámos tambem pelos seus nomes, para t’os declararmos: para que te podessemos escrever os nomes dos homens que são entre elles os chefes.
11 E esta resposta nos deram, dizendo: Nós somos servos de Deus dos céus e da terra, e reedificamos a casa que foi edificada muitos annos antes; porque um grande rei d’Israel a edificou [8] e aperfeiçoou.
12 Mas depois [9] que nossos paes provocaram á ira o Deus dos céus, elle os entregou na mão de Nabucodonosor, rei de Babylonia, o chaldeo, o qual destruiu esta casa, e transportou o seu povo para Babylonia.
13 Porém no primeiro anno de Cyro, rei [10] de Babylonia, o rei Cyro deu ordem para que esta casa de Deus se edificasse.
14 E até [11] os vasos de oiro e prata, da casa de Deus, que Nabucodonosor tomou do templo que estava em Jerusalem e os metteu no templo de Babylonia, o rei Cyro os tirou do templo de Babylonia, e foram dados a um homem cujo nome era Sesbazar, [12] a quem nomeou governador.
15 E disse-lhe: Toma estes vasos, vae, e leva-os ao templo que está em Jerusalem, e faze edificar a casa de Deus, no seu logar.
16 Então veiu o dito Sesbazar, e poz os fundamentos da casa de Deus, que está em Jerusalem [13] e desde então para cá se está edificando, e ainda não está acabada.
17 Agora, pois, se parece bem ao rei, [14] busque-se lá na casa dos thesouros do rei, que está em Babylonia, se é verdade que se deu uma ordem pelo rei Cyro para edificar esta casa de Deus em Jerusalem; e sobre isto se nos manda saber a vontade do rei.”
[1] Agg. 1.1. Zac. 1.1.
[2] cap. 3.2.
[3] ver. 6. cap. 6.6.
[4] ver. 10.
[5] cap. 7.6, 28 e 6.6.
[6] cap. 4.9.
[7] ver. 3, 4.
[8] I Reis 6.1.
[9] II Chr. 36.16, 17.
[10] cap. 1.1.
[11] cap. 1.7, 8 e 6.5.
[12] Agg. 1.14 e 2.2, 21.
[13] cap. 3.8, 10. cap. 6.15.
[14] cap. 6.1, 2.
O rei Dario confirma a ordem de edificar o templo.
[Antes de Christo 536]
6 Então o rei Dario deu ordem, e buscaram [1] na chancellaria, onde se mettiam os thesouros em Babylonia.
2 E em Achmetha, no paço, que está na provincia de Media, se achou um rôlo, e n’elle estava escripto um memorial que dizia assim:
3 No anno primeiro do rei Cyro, o rei Cyro deu esta ordem: A casa de Deus em Jerusalem, esta casa se edificará para logar em que se offereçam sacrificios, e seus fundamentos serão firmes: a sua altura de sessenta covados, e a sua largura de sessenta covados;
4 Com tres carreiras [2] de grandes pedras, e uma carreira de madeira nova: e a despeza se fará da casa do rei.
5 De mais d’isto, os vasos [3] de oiro e de prata da casa de Deus, que Nabucodonosor transportou do templo que estava em Jerusalem, e levou para Babylonia, se tornarão a dar, para que vão ao seu logar, ao templo que está em Jerusalem, e os levarão á casa de Deus.
6 Agora [4] pois Tattenai, governador de além do rio, Sethar-boznai, e os seus companheiros, os apharsachitas, que estaes de além do rio, apartae-vos d’ali.
7 Deixa-os na obra d’esta casa de Deus; para que o governador dos judeos e os judeus edifiquem esta casa de Deus no seu logar.
8 Tambem por mim se decreta o que haveis de fazer com os anciãos dos judeos, para edificar esta casa de Deus, a saber: que da fazenda do rei dos tributos d’além do rio se dê promptamente a despeza a estes homens, para que não sejam impedidos.
9 E o que fôr necessario, como bezerros, e carneiros, e cordeiros, por holocausto ao Deus dos céus, trigo, sal, vinho e azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalem; e dê-se-lhes, de dia em dia, para que não haja falta.
10 Para que offereçam [5] sacrificios de cheiro suave ao Deus dos céus, e orem pela vida do rei e de seus filhos.
11 Tambem por mim se decreta que todo o homem que mudar este decreto, um madeiro se arrancará da sua casa, e, levantado, o pendurarão n’elle, [6] e da sua casa se fará por isso um monturo.
12 O Deus, pois, que fez habitar ali o seu nome [7] derribe a todos os reis e povos que estenderem a sua mão para o mudarem e para destruirem esta casa de Deus, que está em Jerusalem. Eu, Dario, dei o decreto; apressuradamente se faça.
Acaba-se o templo e é consagrado.
[Antes de Christo 519]
13 Então Tattenai, o governador de além do rio, Sethar-boznai e os seus companheiros, assim fizeram apressuradamente, conforme ao que decretara o rei Dario.
14 E os anciãos [8] dos judeos iam edificando e prosperando pela prophecia do propheta Aggeo, e de Zacharias, filho d’Iddo: e a edificaram e aperfeiçoaram conforme ao mandado do Deus de Israel, [9] e conforme ao mandado de Cyro e Dario, e d’Artaxerxes rei da Persia.
15 E acabou-se esta casa no dia terceiro do mez d’Adar que era o sexto anno do reinado do rei Dario.
[Antes de Christo 515]
16 E os filhos d’Israel, os sacerdotes, e os levitas, e o resto dos filhos do captiveiro, fizeram a consagração [10] d’esta casa de Deus com alegria.
17 E offereceram [11] para a consagração d’esta casa de Deus cem novilhos, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros, e doze cabritos por expiação do peccado de todo o Israel; segundo o numero das tribus d’Israel.
18 E pozeram os sacerdotes nas suas turmas [12] e os levitas nas suas divisões, para o ministerio de Deus, que está em Jerusalem; conforme ao escripto do livro de Moysés.
19 E os que vieram do captiveiro celebraram [13] a paschoa no dia quatorze do primeiro mez.
20 Porque os sacerdotes e levitas se purificaram [14] como se fossem um só homem, todos estavam limpos: e mataram o cordeiro da paschoa para todos os filhos do captiveiro, e para seus irmãos, os sacerdotes, e para si mesmos.
21 Assim comeram os filhos d’Israel que tinham voltado do captiveiro, com todos os que a elles se apartaram da immundicia [15] das gentes da terra, para buscarem o Senhor, Deus d’Israel:
22 E celebraram [16] a festa dos pães asmos os sete dias com alegria, porque o Senhor os tinha alegrado, e tinha mudado [17] o coração do rei de Assyria a favor d’elles; para lhes esforçar as mãos na obra da casa de Deus, o Deus d’Israel.
[1] cap. 5.17.
[2] I Reis 6.36.
[3] cap. 1.7, 8 e 5.14.
[4] cap. 5.3.
[5] cap. 7.23. Jer. 29.7. I Tim. 2.1, 2.
[6] Dan. 2.5 e 3.29.
[7] I Reis 9.3.
[8] cap. 5.1, 2.
[9] cap. 1.1 e 5.13. ver. 3.
[10] I Reis 8.63. II Chr. 7.5.
[11] cap. 8.35.
[12] I Chr. 24.1. I Chr. 23.6. Num. 3.6 e 8.9.
[13] Exo. 12.6.
[14] II Chr. 30.15. II Chr. 35.11.
[15] cap. 9.11.
[16] Exo. 12.15 e 13.6. II Chr. 30.21 e 35.17.
[17] Pro. 21.1. II Reis 23.29.
Artaxerxes envia Esdras a Jerusalem para proclamar o edicto em favor dos judeos.
[Antes de Christo 457]
7 E passadas estas coisas do reinado d’Artaxerxes, [1] rei da Persia, Esdras, filho de Seraias, filho d’Azarias, filho d’Hilkias,
2 filho de Sallum, filho de Zadok, filho d’Ahitub,
3 filho d’Amarias, filho d’Azarias, filho de Meraioth,
4 filho de Zerachias, filho de Uzi, filho de Bukki,
5 filho d’Abisua, filho de Phineas, filho d’Eleazar, filho d’Aarão, o summo sacerdote;
6 Este Esdras subiu de Babylonia; e era escriba [2] habil na lei de Moysés, que deu o Senhor Deus d’Israel; e, segundo a mão do Senhor seu Deus, que estava sobre elle, o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira.
7 Tambem [3] subiram a Jerusalem alguns dos filhos d’Israel, e dos sacerdotes, e dos levitas, e dos cantores, e dos porteiros, e dos nethineos, no anno setimo do rei Artaxerxes.
8 E no mez quinto veiu a Jerusalem; que era o setimo anno d’este rei.
9 Porque no primeiro dia do primeiro mez foi o principio da subida de Babylonia: e no primeiro dia do quinto mez chegou a Jerusalem, segundo a boa mão [4] do seu Deus sobre elle.
10 Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor e para fazel-a e para [5] ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos.
11 Esta é pois a copia da carta que o rei Artaxerxes deu ao sacerdote Esdras, o escriba das palavras dos mandamentos do Senhor, e dos seus estatutos sobre Israel.
12 “Artaxerxes, [6] rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus do céu, paz perfeita, e em tal tempo.
13 Por mim se decreta que no meu reino todo aquelle do povo d’Israel, e dos seus sacerdotes e levitas, que quizer ir comtigo a Jerusalem, vá.
14 Porquanto da parte do rei e dos seus [7] sete conselheiros és mandado, para fazeres inquirição em Judah e em Jerusalem, conforme á lei do teu Deus, que está na tua mão;
15 E para levares a prata e o oiro que o rei e os seus conselheiros voluntariamente deram ao Deus d’Israel, cuja habitação está [8] em Jerusalem;
16 E toda a prata e o oiro que achares em toda a provincia de Babylonia, com as offertas voluntarias do povo [9] e dos sacerdotes, que voluntariamente offerecerem, para a casa de seu Deus, que está em Jerusalem.
17 Portanto, logo compra com este dinheiro novilhos, carneiros, cordeiros, com as suas offertas de manjares, e as suas libações, e offerece-as [10] sobre o altar da casa de vosso Deus, que está em Jerusalem.
18 Tambem o que a ti e a teus irmãos bem te parecer fazerdes do resto da prata e do oiro, o fareis conforme á vontade do vosso Deus.
19 E os vasos que te foram dados para o serviço da casa de teu Deus, restitue-os perante o Deus de Jerusalem.
20 E o resto do que fôr necessario para a casa de teu Deus, que te convenha dar, o darás da casa dos thesouros do rei.
21 E por mim mesmo, o rei Artaxerxes, se decreta a todos os thesoureiros que estão d’além do rio que tudo quanto vos pedir o sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus dos céus, apressuradamente se faça,
22 Até cem talentos de prata, e até cem coros de trigo, e até cem batos de vinho, e até cem batos d’azeite; e sal sem conta.
23 Tudo quanto se ordenar, segundo o mandado do Deus do céu, promptamente se faça para a casa do Deus do céu: porque para que haveria grande ira sobre o reino do rei e de seus filhos?
24 Tambem vos fazemos saber ácerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, nethineos, e ministros da casa d’este Deus, que se lhes não possa impôr, nem direito, nem antigo tributo, nem renda.
25 E tu, Esdras, conforme á sabedoria do teu Deus, [11] que está na tua mão, põe regedores e juizes, que julguem a todo o povo que está d’além do rio, a todos os que sabem as leis de teu Deus; [12] e ao que as não sabe, as fareis saber.
26 E todo aquelle que não fizer a lei do teu Deus e a lei do rei, logo se faça justiça d’elle: quer seja morte, quer degredo, quer multa sobre os seus bens, quer prisão.
27 Bemdito [13] seja o Senhor Deus de nossos paes, que tal inspirou ao coração do rei, para ornarmos a casa do Senhor, que está em Jerusalem;
28 E que estendeu [14] para mim a sua beneficencia perante o rei e os seus conselheiros e todos os principes poderosos do rei: assim me esforcei, segundo a mão do Senhor [15] sobre mim, e ajuntei d’entre Israel uns chefes para subirem comigo.”
[1] Neh. 2.1. I Chr. 6.14.
[2] ver. 11, 12, 21.
[3] ver. 9. cap. 8.22, 31. cap. 8.1.
[4] ver. 6. Neh. 2.8, 10.
[5] ver. 6, 25. Deu. 33.10. Neh. 8.1-8. Mal. 2.7.
[6] Eze. 26.7. Dan. 2.37.
[7] Est. 1.14.
[8] II Chr. 6.2.
[9] cap. 8.25. I Chr. 29.6, 9.
[10] Deu. 12.5, 11.
[11] Exo. 18.21, 22. Deu. 16.18.
[12] ver. 10. II Chr. 17.7. Mal. 2.7. Mat. 23.2, 3.
[13] I Chr. 29.10. cap. 6.22.
[14] cap. 9.9.
[15] cap. 5.5. ver. 6, 9. cap. 8.18.
A lista dos que voltaram de Babylonia com Esdras.
8 Estes pois são os chefes de seus paes, com as suas genealogias, dos que subiram comigo de Babylonia no reinado do rei Artaxerxes:
2 Dos filhos de Phineas, Gersom; dos filhos d’Ithamar, Daniel; dos filhos de David, [1] Hatus;
3 Dos filhos de Sechanias, e dos filhos de Pareos, [2] Zacharias; e com elle por genealogias se contaram até cento e cincoenta homens.
4 Dos filhos de Pahath-moab, Elie-hoeni, filho de Zerachias; e com elle duzentos homens.
5 Dos filhos de Sechanias, o filho de Jehaziel; e com elle trezentos homens.
6 E dos filhos d’Adin, Ebed, filho de Jonathan; e com elle cincoenta homens.
7 E dos filhos d’Elam, Jesaias, filho d’Athalias; e com elle setenta homens.
8 E dos filhos de Sephatias, Zebadias, filho de Michael; e com elle oitenta homens.
9 Dos filhos de Joab, Obadias filho de Jehiel; e com elle duzentos e dezoito homens.
10 E dos filhos de Selomith, o filho de Josiphias; e com elle cento e sessenta homens.
11 E dos filhos de Bebai, Zacharias, o filho de Bebai; e com elle vinte e oito homens.
12 E dos filhos d’Azgad, Johanan, o filho de Katan; e com elle cento e dez homens.
13 E dos ultimos filhos d’Adonikam, cujos nomes eram estes: Eliphelet, Jeiel e Semais; e com elles sessenta homens.
14 E dos filhos de Bigvai, Uthai e Zabbud; e com elles setenta homens.
15 E ajuntei-os para o rio que vae a Ahava, e ficámos ali acampados tres dias: então attentei para o povo e para os sacerdotes, e não achei ali nenhum dos filhos [3] de Levi.
16 Enviei pois Eliezer, Ariel, Semaias, e Elnathan, e Jarib, e Elnathan, e Nethan, e Zacharias, e Mesullam, os chefes: como tambem a Joiarib, e a Elnathan, que eram sabios.
17 E dei-lhes mandado para Iddo, chefe no logar de Casiphia: e lhes puz palavras na bocca para dizerem a Iddo, seu irmão, e aos nethineos, no logar de Casiphia, que nos trouxessem ministros para a casa do nosso Deus.
18 E trouxeram-nos segundo a boa mão de Deus sobre nós, um [4] homem entendido, dos filhos de Machli, filho de Levi, filho de Israel: a saber: Serebias, com os seus filhos e irmãos, dezoito;
19 E a Hasabias, e com elle Jesaias, dos filhos de Merari; com seus irmãos e os filhos d’elles, vinte;
20 E dos nethineos [5] que David e os principes deram para o ministerio dos levitas, duzentos e vinte nethineos: que todos foram expressos por seus nomes.
21 Então apregoei ali um jejum junto ao rio Ahava, [6] para nos humilharmos diante da face de nosso Deus, para lhe pedirmos caminho direito para nós, e para nossos filhos, e para toda a nossa fazenda.
22 Porque me [7] envergonhei de pedir ao rei exercito e cavalleiros para nos defenderem do inimigo no caminho: porquanto tinhamos fallado ao rei, dizendo: A mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam para o bem d’elles, mas a sua força e a sua ira sobre todos os que o [8] deixam.
23 Nós pois jejuámos, e pedimos isto ao nosso Deus, e moveu-se [9] pelas nossas orações.
24 Então separei doze dos maioraes dos sacerdotes: Serebias, Hasabias, e com elles dez dos seus irmãos.
25 E pesei-lhes a prata, [10] e o oiro, e os vasos: que era a offerta para a casa de nosso Deus, que offereceram o rei e os seus conselheiros, e os seus principes, e todo o Israel que ali se achou.
26 E pesei em suas mãos seiscentos e cincoenta talentos de prata, e em vasos de prata cem talentos, e cem talentos de oiro.
27 E vinte taças d’oiro, de mil [MO] drachmas, e dois vasos de bom metal lustroso, tão desejavel como oiro.
28 E disse-lhes: Consagrados [11] sois do Senhor, e sagrados são estes vasos, como tambem esta prata e este oiro, offerta voluntaria, offerecida ao Senhor Deus de vossos paes,
29 Vigiae pois, e guardae-os até que os peseis na presença dos maioraes dos sacerdotes e dos levitas, e dos principes dos paes de Israel, em Jerusalem, nas camaras da casa de Deus.
30 Então receberam os sacerdotes e os levitas o peso da prata, e do oiro, e dos vasos, para o trazerem a Jerusalem, á casa do nosso Deus.
31 E partimos do rio d’Ahava, no dia doze do primeiro mez, para irmos para Jerusalem: e a mão [12] do nosso Deus estava sobre nós, e livrou-nos da mão dos inimigos, e dos que nos armavam ciladas no caminho.
32 E viemos [13] a Jerusalem, e repousámos ali tres dias.
33 E no dia quatro [14] se pesou a prata, e o oiro, e os vasos, na casa do nosso Deus, por mão de Meremoth, filho do sacerdote Urias, e com elle Eleazar, filho de Phineas: e com elles Jozabad, filho de Jesué, e Noadias, filho de Binui, levitas;
34 Conforme ao numero e conforme ao peso de tudo aquillo; e todo o peso se descreveu no mesmo tempo.
35 E os transportados, que vieram do captiveiro, [15] offereceram holocaustos ao Deus de Israel: doze novilhos por todo o Israel, noventa e seis carneiros, setenta e sete cordeiros, e doze bodes em sacrificio pelo peccado: tudo em holocausto ao Senhor.
36 Então deram as [16] ordens do rei aos satrapas do rei, e aos governadores de áquem do rio; e ajudaram o povo e a casa de Deus.
[1] I Chr. 3.22.
[2] cap. 2.3.
[3] cap. 7.7.
[4] Neh. 8.7 e 9.4, 5.
[5] cap. 2.43.
[6] II Chr. 20.3. Lev. 16.29 e 23.29. Isa. 58.3, 5.
[7] I Cor. 9.15. cap. 7.6, 9, 28. Rom. 8.28.
[8] II Chr. 15.2.
[9] I Chr. 5.20. II Chr. 33.13. Isa. 19.22.
[10] cap. 7.15, 16.
[11] Lev. 21.6, 7, 8. Deu. 33.8. Lev. 22.2, 3. Num. 4.4, 15, 19, 20.
[12] cap. 7.6, 9, 28.
[13] Neh. 2.11.
[14] ver. 25, 30.
[15] cap. 6.17.
[16] cap. 7.21.
Esdras sabe que muitos israelitas casaram com mulheres hetheas, e faz oração e confissão a Deus.
9 Acabadas pois estas coisas, chegaram-se a mim os principes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas, se não [1] teem separado dos povos d’estas terras; segundo as suas abominações, a saber: dos cananeos, dos hetheos, dos pherezeos, dos jebuseos, dos amonitas, dos moabitas, dos egypcios, e dos amorrheos.
2 Porque tomaram [2] das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a semente sancta com os povos d’estas terras: e até a mão dos principes e magistrados foi a primeira n’esta transgressão.
3 E, ouvindo eu tal coisa, rasguei [3] o meu vestido e o meu manto, e arranquei os cabellos da minha cabeça e da minha barba, e me assentei attonito.
4 Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam das [4] palavras do Deus d’Israel por causa da transgressão dos do captiveiro: porém eu me fiquei assentado attonito até ao sacrificio [5] da tarde.
5 E perto do sacrificio da tarde me levantei da minha afflicção, havendo já rasgado o meu vestido e o meu manto, e me puz de joelhos, [6] e estendi as minhas mãos para o Senhor meu Deus;
6 E disse: Meu Deus! Estou confuso [7] e envergonhado, de levantar a ti a minha face, meu Deus: porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa tem crescido até aos céus.
7 Desde os dias de nossos paes até ao dia de hoje estamos [8] em grande culpa, e por causa das nossas iniquidades somos entregues, nós, os nossos reis, e os nossos sacerdotes, na mão dos reis das terras, á espada, ao captiveiro, e ao roubo, e á confusão do rosto, como hoje se vê.
8 E agora, como por um pequeno momento, se nos fez graça da parte do Senhor, nosso Deus, para nos deixar aquelles que escapem, e para dar-nos uma estaca no seu sancto logar: para nos alumiar os olhos, ó Deus nosso, e para nos dar uma pouca de vida na nossa servidão;
9 Porque servos somos; porém na nossa servidão não nos desamparou [9] o nosso Deus; antes estendeu sobre nós beneficencia perante os reis da Persia, para que nos desse vida, para levantarmos a casa do nosso Deus, e para restaurarmos as suas assolações; e para que nos desse uma parede [10] em Judah e em Jerusalem.
10 Agora pois, ó nosso Deus, que diremos depois d’isto? pois deixámos os teus mandamentos,
11 Os quaes mandaste pelo ministerio de teus servos, os prophetas, dizendo: A terra em que entraes para a possuir, terra immunda é [11] pelas immundicias dos povos das terras, pelas suas abominações com que a encheram, d’uma extremidade á outra, com a sua immundicia.
12 Agora pois vossas [12] filhas não dareis a seus filhos, e suas filhas não tomareis para vossos filhos, e nunca procurareis a sua paz e o seu bem; para que vos esforceis, e comaes o bem da terra, e a façaes possuir a [13] vossos filhos para sempre.
13 E depois de tudo o que nos tem succedido por causa das nossas más obras, e da nossa grande culpa: porquanto tu, ó nosso Deus, estorvaste que fossemos destruidos, por causa da nossa iniquidade, e ainda nos deste livramento como este;
14 Tornaremos pois agora a violar os [14] teus mandamentos, e a aparentar-nos com os povos d’estas abominações? não te indignarias tu assim contra nós até de todo nos consumir, até que não ficasse resto nem quem escapasse?
15 Ah! Senhor Deus d’Israel, [15] justo és: pois ficamos escapos, como hoje se vê: eis que estamos diante de ti no nosso delicto; porque depois d’isto ninguem ha que possa estar na tua presença.
[1] cap. 6.21. Neh. 9.2. Deu. 12.30, 31.
[2] Exo. 34.16. Deu. 7.3. Neh. 13.23. II Cor. 6.14.
[3] Job 1.20.
[4] cap. 10.3. Isa. 66.2.
[5] Exo. 29.39.
[6] Exo. 9.29, 33.
[7] Dan. 9.7, 8.
[8] Dan. 9.5, 6, 8. Deu. 28.36, 64. Neh. 9.30. Dan. 9.7, 8.
[9] Neh. 9.36. cap. 7.28.
[10] Isa. 5.2.
[11] cap. 6.21.
[12] Exo. 23.32 e 34.16. Deu. 7.3. Deu. 23.6.
[13] Pro. 13.22 e 20.7.
[14] João 5.14. II Ped. 2.20, 21. ver. 2. Neh. 13.23, 27. Deu. 9.8.
[15] Neh. 9.33. Dan. 9.14. Rom. 3.19. I Cor. 15.17.
Os israelitas arrependem-se e despedem suas mulheres hetheas.
10 E orando [1] Esdras assim, e fazendo esta confissão, chorando, e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a elle d’Israel uma mui grande congregação, de homens e de mulheres, e de crianças; porque o povo chorava com grande choro.
2 Então respondeu Sechanias, filho de Jehiel, um dos filhos de Elam, e disse a Esdras: Nós temos transgredido [2] contra o nosso Deus, e casámos com mulheres estranhas do povo da terra, mas, no tocante a isto, ainda ha esperança para Israel.
3 Agora pois façamos [3] concerto com o nosso Deus de que despediremos todas as mulheres, e tudo o que é nascido d’ellas, conforme ao conselho do Senhor, e dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se conforme a lei.
4 Levanta-te, pois, porque te pertence este negocio, e nós seremos comtigo; [4] esforça-te, e obra.
5 Então Esdras se levantou, e ajuramentou os maioraes dos sacerdotes e dos levitas, e a todo o Israel, de que fariam conforme a esta palavra, [5] e juraram.
6 E Esdras se levantou de diante da casa de Deus, e entrou na camara de Johanan, filho de Eliasib: e, vindo lá, pão [6] não comeu, e agua não bebeu; porque estava annojado pela transgressão dos do captiveiro.
7 E fizeram passar pregão por Judah e Jerusalem, e todos os que vieram do captiveiro, para que se ajuntassem em Jerusalem.
8 E que todo aquelle que em tres dias não viesse, segundo o conselho dos principes e dos anciãos, toda a sua fazenda se poria em interdicto, e elle seria separado da congregação dos do captiveiro.
9 Então todos os homens de Judah e Benjamin em tres dias se ajuntaram em Jerusalem: era o nono mez, no dia vinte do mez: e todo [7] o povo se assentou na praça da casa de Deus, tremendo por este negocio e por causa das grandes chuvas.
10 Então se levantou Esdras, o sacerdote, e disse-lhes: Vós tendes transgredido, e casastes com mulheres estranhas, multiplicando o delicto d’Israel.
11 Agora pois fazei [8] confissão ao Senhor Deus de vossos paes; e fazei a sua vontade; e apartae-vos dos povos das terras, e das mulheres estranhas.
12 E respondeu toda a congregação, e disseram em altas vozes: Assim seja, conforme ás tuas palavras nos convem fazer.
13 Porém o povo é muito, e tambem é tempo de grandes chuvas, e não se pode estar aqui fóra: nem é obra d’um dia nem de dois, porque somos muitos os que transgredimos n’este negocio.
14 Ora ponham-se os nossos principes, por toda a congregação sobre este negocio; e todos os que em nossas cidades casaram com mulheres estranhas venham em tempos apontados, e com elles os anciãos de cada cidade, e os seus juizes, até que desviemos de nós o ardor da ira [9] do nosso Deus, por esta causa.
15 Porém sómente Jonathan, filho d’Asael, e Jehazias, filho de Tikva, se pozeram sobre este negocio: e Mesullam, e Sabbethai, levita, os ajudaram.
16 E assim o fizeram os que tornaram do captiveiro: e apartaram-se o sacerdote Esdras e os homens, cabeças dos paes, segundo a casa de seus paes, e todos pelos seus nomes; e assentaram-se no primeiro dia do decimo mez, para inquirirem n’este negocio.
17 E acabaram-n’o com todos os homens que casaram com mulheres estranhas, até ao primeiro dia do primeiro mez.
18 E acharam-se dos filhos dos sacerdotes que casaram com mulheres estranhas: dos filhos de Josué, filho de Josadak, e seus irmãos, Maaseias, e Eliezer, e Jarib, e Gadalias.
19 E deram a sua mão de que despediriam [10] suas mulheres: e, achando-se culpados, offereceram um carneiro do rebanho pelo seu delicto.
20 E dos filhos d’Immer: Hanani, e Zabadias.
21 E dos filhos d’Harim: Maaseias, e Elias, e Semaias, e Jehiel, e Uzias.
22 E dos filhos de Pashur: Elioenai, Maseias, Ishmael, Nathanel, Jozabad, e Elasa.
23 E dos levitas: Jozabad, e Simei, e Kelaias (este é Kelitas), Pethahias, Judah, e Eliezer.
24 E dos cantores: Eliasib: e dos porteiros: Sallum, e Telem, e Uri.
25 E d’Israel, dos filhos de Paros: Ramias, e Jezias, e Malchias, e Miamin, e Eleazer, e Malchias, e Benaias.
26 E dos filhos d’Elam: Matthanias, Zacharias, e Jehiel, e Abdi, e Jeremoth, e Elias.
27 E dos filhos de Zattu: Elioenai, Eliasib, Matthanias, e Jeremoth, e Zabad, e Aziza.
28 E dos filhos de Bebai: Johanan, Hananias, Zabbai, Athlai.
29 E dos filhos de Bani: Mesullam, Malluch, e Adaias, Jasub, e Seal, Jeremoth.
30 E dos filhos de Pahath-moab: Adna, e Chelal, Benaias, Maseias, Matthanias, Besaleel, e Binnui, e Manasseh.
31 E dos filhos d’Harim: Eliezer, Jesias, Malchias, Semaias, Simeão,
32 Benjamin, Malluch, Semarias.
33 Dos filhos d’Hasum: Mathnai, Matthattha, Zabad, Eliphelet, Jeremai, Manasseh, Simei.
34 Dos filhos de Bani: Maadai, Amram, e Uel,
35 Benaias, Bedias, Cheluhi,
36 Vanias, Meremoth, Eliasib,
37 Matthanias, Mathnai, e Jaasai,
38 E Bani, e Binnui, Simei,
39 E Selemias, e Nathan, e Adaias,
40 Machnadbai, Sasai, Sarai,
41 Azareel, e Selemias, Semarias,
42 Sallum, Amarias, José.
43 Dos filhos de Nebo: Jeiel, Mattithias, Zabad, Zebina, Jaddai, Joel, e Benaias.
44 Todos estes tomaram mulheres estranhas: e alguns d’elles tinham mulheres de quem alcançaram filhos.
[1] Dan. 9.20. II Chr. 20.9.
[2] Neh. 13.27.
[3] II Chr. 34.31. cap. 9.4. Deu. 7.2, 3.
[4] I Chr. 28.10.
[5] Neh. 5.12.
[6] Deu. 9.18.
[7] I Sam. 12.18.
[8] Jos. 7.19. Pro. 28.13. ver. 3.
[9] II Chr. 30.8.
[10] II Reis 10.15. I Chr. 29.24. II Chr. 30.8. Lev. 6.4, 6.
O LIVRO DE NEHEMIAS.
Nehemias, sabendo o triste estado de Jerusalem, ora a Deus.
[Antes de Christo 456]
1 As palavras de Nehemias, [1] filho d’Hacalias. E succedeu no mez de chisleu, no anno vigesimo, estando eu em Susan, [MP] a fortaleza,
2 Que veiu Hanani, um de meus irmãos, elle e alguns de Judah; e perguntei-lhes pelos judeos que escaparam, e que restaram do captiveiro, e ácerca de Jerusalem.
3 E disseram-me: Os restantes, que restaram do captiveiro, lá na provincia estão em grande miseria e desprezo: [2] e o muro de Jerusalem fendido, e as suas portas queimadas a fogo.
4 E succedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias: e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.
5 E disse: Ah Senhor, [3] Deus dos céus, Deus grande e terrivel! que guarda [4] o concerto e a benignidade para com aquelles que o amam e guardam os seus mandamentos;
6 Estejam pois attentos os teus ouvidos, e os teus olhos [5] abertos, para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje oro perante ti, de dia e de noite, pelos filhos d’Israel, teus servos: e faço confissão pelos peccados dos filhos d’Israel, que peccámos contra ti; tambem eu e a casa de meu pae peccámos.
7 De todo nos corrompemos contra ti, e não guardámos os mandamentos, nem os [6] estatutos, nem os juizos, que ordenaste a Moysés teu servo.
8 Lembra-te pois da palavra que ordenaste a Moysés, teu servo, dizendo: Vós transgredireis, [7] e eu vos espalharei entre os povos.
9 E vós [8] vos convertereis a mim, e guardareis os meus mandamentos, e os fareis: então, ainda que os vossos rejeitados estiverem no cabo do céu, de lá os ajuntarei e os trarei ao logar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome.
10 Ainda são [9] teus servos e o teu povo que resgataste com a tua grande força e com a tua forte mão.
11 Ah, Senhor, estejam [10] pois attentos os teus ouvidos á oração do teu servo, e á oração dos teus servos que desejam [11] temer o teu nome; e faze prosperar hoje o teu servo, e dá-lhe graça perante este homem. Então era eu copeiro do rei.
[1] cap. 10.1.
[2] cap. 2.17. II Reis 25.10.
[3] Dan. 9.4.
[4] Exo. 20.6.
[5] II Reis 8.28, 29. II Chr. 6.40. Dan. 9.17, 18.
[6] Deu. 28.15.
[7] Lev. 26.33. Deu. 4.25, 26, 27 e 28.64.
[8] Lev. 26.39, etc. Deu. 4.29, 30, 31 e 30.2. Deu. 30.4.
[9] Deu. 9.29. Dan. 9.15.
[10] ver. 6.
[11] Isa. 26.8. Heb. 13.18. cap. 2.1.
Artaxerxes permitte a Nehemias ir a Jerusalem e edificar os muros.
[Antes de Christo 445]
2 Succedeu pois no mez de nisan, no anno vigesimo do rei [1] Artaxerxes, que estava posto vinho diante d’elle, e eu tomei o vinho, e o dei ao rei; porém nunca estivera triste diante d’elle.
2 E o rei me disse: Porque está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isto senão tristeza de coração: [2] então temi muito em grande maneira.
3 E disse ao rei: Viva o rei para sempre! [3] Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o logar dos sepulchros de meus paes, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?
4 E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus,
5 E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é acceito em tua presença, peço-te que me envies a Judah, á cidade dos sepulchros de meus paes, para que eu a edifique.
6 Então o rei me disse, estando a rainha assentada junto a elle: Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? [4] E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um certo tempo.
7 Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, dêem-se-me cartas para os governadores d’além do rio, para que me dêem passagem até que chegue a Judah.
8 Como tambem uma carta para Asaph, guarda do jardim do rei, que me dê madeira para cobrir [5] as portas do paço da casa, e para o muro da cidade, e para a casa em que eu houver de entrar. E o rei m’as deu, segundo a boa [6] mão de Deus sobre mim.
9 Então vim aos governadores d’além do rio, e dei-lhes as cartas do rei: e o rei tinha enviado comigo chefes do exercito e cavalleiros.
10 O que ouvindo Sanballat, o horonita, e Tobias, o servo ammonita, lhes desagradou com grande desagrado que alguem viesse a procurar o bem dos filhos d’Israel.
11 E cheguei [7] a Jerusalem, e estive ali tres dias.
12 E de noite me levantei, eu e poucos homens comigo, e não declarei a ninguem o que o meu Deus me poz no coração para fazer em Jerusalem: e não havia comigo animal algum, senão aquelle em que estava montado.
13 E de noite sahi pela [8] porta do valle, e para a banda da fonte do dragão, e para a porta do monturo, e contemplei os muros de Jerusalem, que estavam fendidos, [9] e as suas portas, que tinham sido consumidas pelo fogo.
14 E passei á porta da [10] fonte, e ao viveiro do rei; e não havia logar por onde podesse passar a cavalgadura debaixo de mim.
15 Então de noite subi pelo ribeiro, e [11] contemplei o muro: e voltei, e entrei pela porta do valle, e assim voltei.
16 E não souberam os magistrados aonde eu fui nem o que eu fazia: porque ainda nem aos judeos, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra, até então tinha declarado coisa alguma.
17 Então lhes disse: Bem vêdes vós a miseria em que estamos, que Jerusalem está assolada, e que as suas portas teem sido queimadas a fogo: vinde pois e reedifiquemos o muro de Jerusalem, [12] e não sejamos mais em opprobrio.
18 Então lhes declarei [13] como a mão do meu Deus me fôra favoravel, como tambem as palavras do rei, que elle me tinha dito: então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos [14] para o bem.
19 O que ouvindo Sanballat, o horonita, e Tobias, o servo ammonita, e Gesem, o arabio, zombaram de nós, e desprezaram-n’os, e disseram: Que é isto que fazeis? quereis [15] rebellar-vos contra o rei?
20 Então lhes respondi, e disse: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos: [16] que vós não tendes parte, nem justiça, nem memoria em Jerusalem.
[1] Esd. 7.4. cap. 1.11.
[2] Pro. 15.13.
[3] I Reis 1.31. cap. 1.3.
[4] cap. 5.14 e 13.6.
[5] cap. 3.7.
[6] ver. 18. Esd. 5.5 e 7.6, 9, 28.
[7] Esd. 8.32.
[8] II Chr. 26.9. cap. 3.13.
[9] cap. 1.3. ver. 17.
[10] cap. 3.15.
[11] II Sam. 15.23. Jer. 31.40.
[12] cap. 1.3. Jer. 24.9. Eze. 5.14, 15 e 22.4.
[13] ver. 8.
[14] II Sam. 2.7.
[15] cap. 6.6.
[16] Esd. 4.3.
Dos que trabalharam na edificação dos muros.
3 E levantou-se [1] Eliasib, o summo sacerdote, com os seus irmãos, os sacerdotes, e edificaram a porta do gado, a qual consagraram; e levantaram as suas portas: e até a torre de Meah consagraram, e até a torre d’Hananel.
2 E junto a elle [2] edificaram os homens de Jericó: tambem ao seu lado edificou Zaccur, filho d’Imri.
3 E a porta do [3] peixe edificaram os filhos de Senaa; a qual emmadeiraram, e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos.
4 E ao seu lado reparou Meremoth, filho d’Urias, o filho de Kós; e ao seu lado reparou Mesullam, filho de Berechias, o filho de Mesezabel; e ao seu lado reparou Zadok, filho de Baana.
5 E ao seu lado repararam os tekoitas: porém os seus illustres não metteram [4] o seu pescoço ao serviço de seu senhor.
6 E a porta velha repararam-n’a Joiada, filho de Paseah, e Mesullam, filho de Besodias: [5] estes a emmadeiraram, e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos.
7 E ao seu lado repararam Melatias, o gibeonita, e Jadon, meronothita, homens de Gibeon e Mispah, até ao assento do governador [6] d’áquem do rio.
8 Ao seu lado reparou Uziel, filho d’Harhaias, um dos ourives; e ao seu lado reparou Hananias, filho d’um dos boticarios; e deixaram a Jerusalem até ao muro [7] largo.
9 E ao seu lado reparou Rephaias, filho d’Hur, maioral d’ametade de Jerusalem.
10 E ao seu lado reparou Jedaias, filho d’Harumaph, e defronte de sua casa; e ao seu lado reparou Hattus, filho d’Hasabneias.
11 A outra porção reparou Malchias, filho d’Harim, e Hasub, filho de Pahath-moab: como tambem a torre [8] dos fornos.
12 E ao seu lado reparou Sallum, filho de Lohes, maioral da outra meia parte de Jerusalem, elle e suas filhas.
13 A porta [9] do valle reparou-a Hanun e os moradores de Zanoah: estes a edificaram, e lhe levantaram as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos, como tambem mil covados no muro, até á porta do [10] monturo.
14 E a porta do monturo reparou-a Malchias, filho de Rechab, maioral do districto de Beth-cherem: este a edificou, e lhe levantou as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos.
15 E a porta [11] da fonte reparou-a Sallum, filho de Col-hose, maioral do districto de Mispah: este a edificou, e a cobriu, e lhe levantou as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos, como tambem o muro do viveiro [12] de Selah, ao pé do jardim do rei, e até aos degraus que descem da cidade de David.
16 Depois d’elle edificou Nehemias, filho d’Azbuk, maioral da metade de Beth-zur, até defronte dos sepulchros de David, e até ao viveiro [13] artificial, e até á casa dos varões.
17 Depois d’elle repararam os levitas, Rehum, filho de Bani: ao seu lado reparou Hasabias, maioral da metade de Keila, no seu districto.
18 Depois d’elle repararam seus irmãos, Bavai, filho d’Henadad, maioral da outra meia parte de Keila.
19 Ao seu lado reparou Ezer, filho de Josué, maioral de Mispah, outra porção, defronte da subida [14] á casa das armas, á esquina.
20 Depois d’elle reparou com grande ardor Baruch, filho de Zabbai, outra medida, desde a esquina até á porta da casa d’Eliasib, o summo sacerdote.
21 Depois d’elle reparou Meremoth, filho d’Urias, o filho de Kos, outra porção, desde a porta da casa d’Eliasib, até á extremidade da casa d’Eliasib.
22 E depois d’elle repararam os sacerdotes que habitavam na campina.
23 Depois reparou Benjamin e Hasub, defronte da sua casa: depois d’elle reparou Azarias, filho de Maaseias, o filho d’Ananias, junto á sua casa.
24 Depois d’elle reparou Binnui, filho d’Henadad, outra porção, desde a casa d’Azarias até á [15] esquina, e até ao canto.
25 Palal, filho d’Uzai, defronte da esquina, e a torre que sae da casa real superior, que está junto [16] ao pateo da prisão: depois d’elle Pedaias, filho de Parós.
26 E os nethineos [17] que habitavam em Ophel, até defronte da porta das aguas, para o oriente, e até á torre alta.
27 Depois repararam os tekoitas outra porção, defronte da torre grande e alta, e até ao muro d’Ophel.
28 Desde acima da porta [18] dos cavallos repararam os sacerdotes, cada um defronte da sua casa.
29 Depois d’elles reparou Zadok, filho d’Immer, defronte de sua casa: e depois d’elle reparou Semaias, filho de Sechanias, guarda da porta oriental.
30 Depois d’elle reparou Hananias, filho de Selemias, e Hanun, filho de Zalaph, o sexto, outra porção: depois d’elle reparou Mesullam, filho de Berechias, defronte da sua camara.
31 Depois d’elle reparou Malchias, filho d’um ourives, até á casa dos nethineos e mercadores, defronte da porta de Miphkad, e até á camara do canto.
32 E entre a camara do canto e a porta do gado, repararam os ourives e os mercadores.
[1] cap. 12.10. João 5.2. cap. 12.39.
[2] Esd. 2.34.
[3] II Chr. 33.14. cap. 12.39.
[4] Jui. 5.23.
[5] cap. 12.39.
[6] cap. 2.8.
[7] cap. 12.38.
[8] cap. 12.38.
[9] cap. 2.13.
[10] cap. 2.13.
[11] cap. 2.14.
[12] João 9.7.
[13] Jui. 5.23.
[14] II Chr. 26.9.
[15] ver. 19.
[16] Jer. 32.2 e 33.1 e 37.21.
[17] Esd. 2.43. cap. 11.21. II Chr. 27.3.
[18] II Reis 11.16. II Chr. 23.15. Jer. 31.40.
Os inimigos pretendem retardar a edificação dos muros.
4 E succedeu [1] que, ouvindo Sanballat que edificavamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito; e escarneceu dos judeos.
2 E fallou na presença de seus irmãos, e do exercito de Samaria, e disse: Que fazem estes fracos judeos? permittir-se-lhes-ha isto? sacrificarão? acabal-o-hão n’um só dia? vivificarão dos montões do pó as pedras que foram queimadas?
3 E estava com elle Tobias, [2] o ammonita, e disse: Ainda que edifiquem, comtudo, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra.
4 Ouve, ó nosso Deus, que somos tão desprezados, e torna o seu opprobrio sobre a sua cabeça, e faze com que sejam um despojo, na terra do captiveiro.
5 E não cubras a sua iniquidade, [3] e não se risque diante de ti o seu peccado, pois que te irritaram defronte dos edificadores.
6 Porém edificámos o muro, e todo o muro se cerrou até sua metade: porque o coração do povo se inclinava a trabalhar.
7 E succedeu que, [4] ouvindo Sanballat e Tobias, e os arabios, e os ammonitas, e os asdoditas, que tanto ia crescendo a reparação dos muros de Jerusalem, que já as roturas se começavam a tapar, iraram-se sobremodo,
8 E ligaram-se entre si todos, para virem guerrear a Jerusalem, e para os desviarem do seu intento.
9 Porém nós orámos ao nosso Deus, e pozemos uma guarda contra elles, de dia e de noite, por causa d’elles.
10 Então disse Judah: Já desfalleceram as forças dos acarretadores, e o pó é muito, e nós não poderemos edificar o muro.
11 Disseram porém os nossos inimigos: Nada saberão d’isto, nem verão, até que entremos no meio d’elles, e os matemos; assim faremos cessar a obra.
12 E succedeu que, vindo os judeos que habitavam entre elles, dez vezes nol-o disseram, de todos os logares, porque tornavam a nós.
13 Pelo que puz guardas nos logares baixos por detraz do muro e nos altos: e puz ao povo pelas suas familias com as suas espadas, com as suas lanças, e com os seus arcos.
14 E olhei, e levantei-me, e disse aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Não os temaes: [5] lembrae-vos do grande e terrivel Senhor, e pelejae pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas mulheres e vossas casas.
15 E succedeu que, ouvindo os nossos inimigos que nol-o fizeram saber, e que Deus [6] tinha dissipado o conselho d’elles, todos voltámos ao muro, cada um á sua obra.
16 E succedeu que desde aquelle dia metade dos meus moços trabalhava na obra, e metade d’elles tinha as lanças, os escudos, os arcos, e as couraças; e os chefes estavam por detraz de toda a casa de Judah.
17 Os que edificavam o muro, e os que traziam as cargas, e os que carregavam, cada um com uma mão fazia a obra e na outra tinha as armas.
18 E os edificadores cada um trazia a sua espada cingida aos lombos, e edificavam: e o que tocava a trombeta estava junto comigo.
19 E disse eu aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Grande e extensa é a obra, e nós estamos apartados do muro, longe uns dos outros.
20 No logar onde ouvirdes o som da buzina ali vos ajuntareis comnosco; o nosso Deus pelejará [7] por nós.
21 Assim trabalhavamos na obra: e metade d’elles tinha as lanças desde a subida da alva até ao sair das estrellas.
22 Tambem n’aquelle tempo disse ao povo: Cada um com o seu moço passe a noite em Jerusalem, para que de noite nos sirvam de guarda, e de dia na obra.
23 E nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os homens da guarda que me seguiam largavamos os nossos vestidos: cada um tinha suas armas e agua.
[1] cap. 2.10, 19.
[2] cap. 2.10, 19.
[3] Pro. 3.34. Jer. 18.23.
[4] ver. 1.
[5] Num. 14.9. Deu. 1.29 e 10.17.
[6] Job 5.12.
[7] Exo. 14.14, 25. Deu. 1.30 e 3.22 e 20.4. Jos. 23.10.
Os pobres murmuram contra os ricos, e Nehemias reprehende os ultimos.
5 Foi porém grande [1] o clamor do povo e de suas mulheres, contra os judeos, seus irmãos.
2 Porque havia quem dizia: Com nossos filhos, e nossas filhas, nós somos muitos; pelo que tomámos trigo, para que comamos e vivamos.
3 Tambem havia quem dizia: As nossas terras, as nossas vinhas, e as nossas casas empenhámos, para tomarmos trigo n’esta fome.
4 Tambem havia quem dizia: Tomámos emprestado dinheiro até para o tributo do rei, sobre as nossas terras e as nossas vinhas.
5 Agora pois a nossa carne [2] é como a carne de nossos irmãos, e nossos filhos como seus filhos; e eis que sujeitámos nossos filhos e nossas filhas para serem servos: e até algumas de nossas filhas são tão sujeitas, que já não estão no poder de nossas mãos; e outros teem as nossas terras e as nossas vinhas.
6 Ouvindo eu pois o seu clamor, e estas palavras, muito me enfadei.
7 E considerei comigo mesmo no meu coração; depois pelejei com os nobres e com os magistrados, e disse-lhes: [3] Usura tomaes cada um de seu irmão. E ajuntei contra elles um grande ajuntamento.
8 E disse-lhes: Nós resgatámos [4] os judeos, nossos irmãos, que foram vendidos ás gentes segundo nossas posses; e vós outra vez venderieis a vossos irmãos, ou vender-se-hão a nós? Então se callaram, e não acharam que responder.
9 Disse mais: Não é bom o que fazeis: Porventura não andarieis no temor do nosso Deus, [5] por causa do opprobrio dos gentios, os nossos inimigos?
10 Tambem eu, meus irmãos e meus moços, ao ganho lhes temos dado dinheiro e trigo. Deixemos este ganho.
11 Restitui-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivaes, e as suas casas; como tambem a centena do dinheiro, do trigo, do mosto, e do azeite, que vós exigis d’elles.
12 Então disseram: Restituir-lh’o-hemos, e nada procuraremos d’elles; faremos assim como dizes. Então chamei os sacerdotes, e os fiz [6] jurar que fariam conforme a esta palavra.
13 Tambem o meu regaço sacudi, e disse: [7] Assim sacuda Deus todo o homem da sua casa e do seu trabalho que não confirmar esta palavra, e assim seja sacudido e vazio. E toda a congregação disse: Amen! E louvaram ao Senhor; e o povo [8] fez conforme a esta palavra.
14 Tambem desde o dia em que me mandou que eu fosse seu governador na terra de Judah, [9] desde o anno vinte, até ao anno trinta e dois do rei Artaxerxes, doze annos, nem eu nem meus irmãos comemos o [10] pão do governador.
15 Mas os primeiros governadores, que foram antes de mim, opprimiram o povo, e tomaram-lhe pão e vinho, e além d’isso, quarenta siclos de prata, como tambem os seus moços dominavam sobre o povo: porém eu assim não fiz, por causa do [11] temor de Deus.
16 Como tambem na obra d’este muro fiz reparação, e terra nenhuma comprámos: e todos os meus moços se ajuntaram ali á obra.
17 Tambem dos judeos e dos magistrados, cento e cincoenta homens, e os que vinham a nós, d’entre as gentes, que estão á roda de nós, se [12] punham á minha mesa.
18 E o que se preparava para cada dia era [13] um boi e seis ovelhas escolhidas; tambem aves se me preparavam, e de dez em dez dias de todo o vinho muitissimo: e nem por isso exigi [14] o pão do governador, porquanto a servidão d’este povo era grande.
19 Lembra-te [15] de mim para bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz a este povo.
[1] Isa. 5.7. Lev. 25.35, 36, 37. Deu. 15.7.
[2] Isa. 58.7. Exo. 21.7. Lev. 25.39.
[3] Exo. 22.25. Lev. 35.36. Eze. 22.12.
[4] Lev. 25.48.
[5] Lev. 25.36. II Sam. 12.14. Rom. 2.24. I Ped. 2.12.
[6] Esd. 10.5. Jer. 34.8, 9.
[7] Mat. 10.14. Act. 13.51 e 18.6.
[8] II Reis 23.3.
[9] cap. 13.6.
[10] I Cor. 9.4, 15.
[11] II Cor. 11.9 e 12.13. ver. 9.
[12] II Sam. 9.7. I Reis 18.19.
[13] I Reis 4.22.
[14] ver. 14, 15.
[15] cap. 13.22.
Os inimigos conspiram para surprehender e intimidar Nehemias.
6 Succedeu mais [1] que, ouvindo Sanballat, Tobias, Gesem, o arabio, e o resto dos nossos inimigos que eu tinha edificado o muro, e que n’elle já não havia brecha alguma; ainda que [2] até este tempo não tinha posto as portas nos portaes;
2 Sanballat e Gesem [3] enviaram a dizer: Vem, e congreguemo-nos juntamente nas aldeias, no valle [4] d’Ono. Porém intentavam fazer-me mal.
3 E enviei-lhes mensageiros a dizer: Faço uma grande obra, de modo que não poderei descer: porque cessaria esta obra, emquanto eu a deixasse, e fosse ter comvosco?
4 E da mesma maneira enviaram a mim quatro vezes; e da mesma maneira lhes respondi.
5 Então Sanballat da mesma maneira a quinta vez me enviou seu moço com uma carta aberta na sua mão;
6 E na qual estava escripto: Entre as gentes se ouviu, e Gusmu diz: Tu e [5] os judeos intentaes rebellar-vos, pelo que edificas o muro; e tu te farás rei d’elles segundo estas palavras;
7 E que pozeste prophetas, para prégarem de ti em Jerusalem, dizendo: Este é rei em Judah: de modo que o rei o ouvirá, segundo estas palavras: vem pois agora e consultemos juntamente.
8 Porém eu enviei a dizer-lhe: De tudo o que dizes coisa nenhuma succedeu; mas tu do teu coração o inventas.
9 Porque todos elles nos procuravam atemorizar, dizendo: As suas mãos largarão a obra, e não se effeituará. Agora pois, ó Deus, esforça as minhas mãos.
10 E, entrando eu em casa de Semaias, filho de Delaias, o filho de Mehetabel (que estava encerrado), disse elle: Vamos juntamente á casa de Deus, ao meio do templo, e fechemos as portas do templo; porque virão matar-te: sim, de noite virão matar-te.
11 Porém eu disse: Um homem como eu fugiria? e quem ha, como eu, que entre no templo e viva? de maneira nenhuma entrarei.
12 E conheci que eis-que não era Deus quem o enviara; mas esta prophecia fallou contra mim, porquanto Tobias e Sanballat o alugaram.
13 Para isto o alugaram, para me atemorisar, e para que assim fizesse, e peccasse, para que tivessem alguma causa para me infamarem, e assim me vituperarem.
14 Lembra-te, [6] meu Deus, de Tobias e de Sanballat, conforme a estas suas obras: e tambem da prophetiza Noadia, e dos mais prophetas que procuraram atemorisar-me.
15 Acabou-se pois o muro aos vinte e cinco d’elul: em cincoenta e dois dias.
16 E succedeu que, ouvindo-o todos os nossos [7] inimigos, temeram, todos os gentios que havia em roda de nós, e abateram-se muito em seus proprios olhos; porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.
17 Tambem n’aquelles dias alguns nobres de Judah escreveram muitas cartas, que iam para Tobias: e as cartas de Tobias vinham para elles.
18 Porque muitos em Judah se lhe ajuramentaram, porque era genro de Sechanias, filho d’Arah; e seu filho Johanan tomara a filha de Mesullam, filho de Berechias.
19 Tambem as suas bondades contavam perante mim, e as minhas palavras lhe levavam a elle: portanto Tobias escrevia cartas para me atemorizar.
[1] cap. 2.10, 19 e 4.1, 7.
[2] cap. 3.1, 3.
[3] Pro. 26.24, 25.
[4] I Chr. 8.12. cap. 11.35.
[5] cap. 2.19.
[6] cap. 13.29. Eze. 13.17.
[7] cap. 2.10 e 4.1, 7 e 6.1.
Nehemias estabelece guardas e faz uma relação dos que primeiro vieram a Jerusalem.
[Antes de Christo 536]
7 Succedeu mais que, depois que o muro fôra edificado, eu levantei as portas; e [1] foram estabelecidos os porteiros, e os cantores, e os levitas.
2 Eu nomeei a Hanani, meu irmão, e a Hananias, maioral da fortaleza em [2] Jerusalem: porque era como homem fiel e temente [3] a Deus, mais do que muitos.
3 E disse-lhes: Não se abram as portas de Jerusalem até que o sol aqueça, e emquanto os que assistirem ali fechem as portas, e vós trancae-as: e ponham-se guardas dos moradores de Jerusalem, cada um na sua guarda, e cada um diante da sua casa.
4 E era a cidade larga d’espaço, e grande, porém pouco povo havia dentro d’ella: e ainda as casas não estavam edificadas.
5 Então o meu Deus me poz no coração que ajuntasse os nobres, e os magistrados, e o povo, para registrar as genealogias: e achei o livro da genealogia dos que subiram primeiro e assim achei escripto n’elle:
6 Estes [4] são os filhos da provincia, que subiram do captiveiro dos transportados, que transportara Nabucodonosor, rei de Babylonia; e voltaram para Jerusalem e para Judah, cada um para a sua cidade.
7 Os quaes vieram com Zorobabel, Jesué, Nehemias, Azarias, Raamias, Nahamani, Mardiques, Bilsan, Mispereth, Bigvai, Nehum, e Baana: este é o numero dos homens do povo d’Israel.
8 Foram os filhos de Paros, dois mil, cento e setenta e dois.
9 Os filhos de Sephatias, trezentos e setenta e dois.
10 Os filhos d’Arah, seiscentos e cincoenta e dois.
11 Os filhos de Pahath-moab, dos filhos de Jesué e de Joab, dois mil, oitocentos e dezoito.
12 Os filhos d’Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.
13 Os filhos de Zatthu, oitocentos e quarenta e cinco.
14 Os filhos de Zaccai, setecentos e sessenta.
15 Os filhos de Binnui, seiscentos e quarenta e oito.
16 Os filhos de Babai, seiscentos e vinte e oito.
17 Os filhos d’Azgad, dois mil, trezentos e vinte e dois.
18 Os filhos d’Adonikam, seiscentos e sessenta e sete.
19 Os filhos de Bigvai, dois mil e sessenta e sete.
20 Os filhos d’Adin, seiscentos e cincoenta e cinco.
21 Os filhos d’Ater, d’Hizkia, noventa e oito.
22 Os filhos d’Hassum, trezentos e vinte e oito.
23 Os filhos de Besai, trezentos e vinte e quatro.
24 Os filhos d’Hariph, cento e doze.
25 Os filhos de Gibeon, noventa e cinco.
26 Os homens de Bethlehem e de Netopha, cento e oitenta e oito.
27 Os homens d’Anathoth, cento e vinte e oito.
28 Os homens de Beth-azmaveth, quarenta e dois.
29 Os homens de Kiriath-jearim, Cephira, e Beeroth, setecentos e quarenta e tres.
30 Os homens de Rama e Gaba, seiscentos e vinte e um.
31 Os homens de Michmas, cento e vinte e dois.
32 Os homens de Beth-el e Ai, cento e vinte e tres.
33 Os homens d’outra Nebo, cincoenta e dois.
34 Os filhos d’outro [5] Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.
35 Os filhos d’Harim, trezentos e vinte.
36 Os filhos de Jericó, trezentos e quarenta e cinco.
37 Os filhos de Lod, Hadid e Ono, setecentos e vinte e um.
38 Os filhos de Senaa, tres mil, novecentos e trinta.
39 Os sacerdotes: Os filhos de [6] Jedaias, da casa de Jesué, novecentos e setenta e tres.
40 Os filhos [7] d’Immer, mil e cincoenta e dois.
41 Os filhos de [8] Pashur, mil, duzentos e quarenta e sete.
42 Os filhos [9] d’Harim, mil e dezesete.
43 Os levitas: Os filhos de Jesué, de Kadmiel, dos filhos d’Hodeva, setenta e quatro.
44 Os cantores: os filhos d’Asaph, cento e quarenta e oito.
45 Os porteiros: os filhos de Sallum, os filhos d’Ater, os filhos de Talmon, os filhos d’Hacub, os filhos d’Hattita, os filhos de Sobai, cento e trinta e oito.
46 Os nethineos: os filhos de Ziha, os filhos d’Hasupha, os filhos de Tabbaoth,
47 Os filhos de Keros, os filhos de Sia, os filhos de Padon,
48 Os filhos de Lebana, os filhos d’Hagaba, os filhos de Salmai,
49 Os filhos d’Hanan, os filhos de Giddel, os filhos de Gahar,
50 Os filhos de Reaias, os filhos de Resin, os filhos de Nekoda,
51 Os filhos de Gazam, os filhos d’Uza, os filhos de Paseah,
52 Os filhos de Besai, os filhos de Meunim, os filhos de Nephussim,
53 Os filhos de Bakbuk, os filhos d’Hakupha, os filhos d’Harhur,
54 Os filhos de Baslith, os filhos de Mehida, os filhos d’Harsa,
55 Os filhos de Barkos, os filhos de Sisera, os filhos de Tamah,
56 Os filhos de Nesiag, os filhos d’Hatipha.
57 Os filhos dos servos de Salomão: os filhos de Sotai, os filhos de Sophereth, os filhos de Perida,
58 Os filhos de Jaela, os filhos de Darkon, os filhos de Giddel,
59 Os filhos de Sephatias, os filhos d’Hattil, os filhos de Pochereth-zebaim, os filhos de Amon.
60 Todos os nethineos e os filhos dos servos de Salomão, trezentos e noventa e dois.
61 Tambem [10] estes subiram de Thel-melah, e Thel-harsa, Cherub, Addon, Immer: porém não poderam mostrar a casa de seus paes e a sua linhagem, se eram d’Israel.
62 Os filhos de Dalaias, os filhos de Tobias, os filhos de Nekoda, seiscentos e quarenta e dois.
63 E dos sacerdotes: os filhos d’Habaias, os filhos de Kos, os filhos de Barzillai, que tomara uma mulher das filhas de Barzillai, o gileadita, e se chamou do nome d’ellas.
64 Estes buscaram o seu registro, querendo contar a sua geração, porém não se achou: pelo que, como immundos, foram excluidos do sacerdocio.
65 E o tirsatha lhes disse, que não comessem das coisas sagradas, até que se apresentasse o sacerdote com Urim e Thummim.
66 Toda esta congregação junta foi de quarenta e dois mil, trezentos e sessenta,
67 Afóra os seus servos e as suas servas, que foram sete mil, trezentos e trinta e sete: e tinham duzentos e quarenta e cinco cantores e cantoras.
68 Os seus cavallos, setecentos e trinta e seis; os seus mulos, duzentos e quarenta e cinco.
69 Camelos, quatrocentos e trinta e cinco; jumentos, seis mil, setecentos e vinte.
70 E uma parte dos cabeças dos paes deram para a obra: o tirsatha deu [11] para o thesouro, em oiro, mil [MQ] drachmas, cincoenta bacias, e quinhentas e trinta vestes sacerdotaes.
71 E alguns mais dos cabeças dos paes deram para o thesouro da obra, em oiro, vinte mil drachmas: e em prata, duas mil e duzentas libras.
72 E o que deu o resto do povo, foi, em oiro, vinte mil drachmas: [12] e em prata duas mil libras: e sessenta e sete vestes sacerdotaes.
73 E habitaram os sacerdotes, e os levitas, e os porteiros, e os cantores, e alguns do povo, e os nethineos, e todo o Israel nas suas cidades.
[1] cap. 6.1.
[2] cap. 2.5.
[3] Exo. 18.21.
[4] Esd. 2.1, etc.
[5] ver. 12.
[6] I Chr. 24.7.
[7] I Chr. 24.14.
[8] I Chr. 9.12 e 24.9.
[9] I Chr. 24.8.
[10] Esd. 2.59.
[11] cap. 8.9.
[12] Esd. 2.69.
Esdras lê a lei diante do povo.
[Antes de Christo 445]
8 E chegado o setimo mez, e estando os filhos d’Israel nas suas cidades, todo o povo [1] se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta das aguas: e disseram a Esdras, [2] o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moysés, que o Senhor tinha ordenado a Israel.
2 E Esdras, [3] o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação, assim d’homens como de mulheres, e de todos os entendidos para ouvirem, no primeiro dia do setimo mez.
3 E leu n’elle diante da praça, que está diante da porta das aguas, desde a alva até ao meio dia, perante homens e mulheres, e entendidos: e os ouvidos de todo o povo estavam attentos ao livro da lei.
4 E Esdras, o escriba, estava sobre um pulpito de madeira, que fizeram para aquillo: e estava em pé junto a elle, á sua mão direita, Mattithias, e Sema, e Anaias, e Urias, e Hilkias, e Maaseias; e á sua mão esquerda, Pedaias, e Misael, e Melchias, e Hasum, e Hasbaddana, Zacharias, e Mesullam.
5 E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o elle, todo o povo se poz [4] em pé.
6 E Esdras louvou ao Senhor, o grande Deus: e todo o povo [5] respondeu, Amen, Amen! levantando as suas mãos; e inclinaram-se, e adoraram ao Senhor, com os rostos em terra.
7 E Jesua, e Bani, e Serebias, Jamin, Akkub, Sabbethai, Hodias, Maaseias, Kelita, Azarias, Jozabad, Hanan, Pelaias, e os levitas ensinavam [6] o povo na lei: e o povo estava no seu posto.
8 E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.
9 E [7] Nehemias (que era o [MR] tirsatha), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, [8] ouvindo as palavras da lei.
10 Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e [9] enviae porções aos que não teem nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor: portanto não vos entristeçaes: porque a alegria do Senhor é a vossa força.
11 E os levitas fizeram calar a todo o povo, dizendo: Calae-vos; porque este dia é santo: por isso não vos entristeçaes.
12 Então todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes alegrias: porque [10] entenderam as palavras que lhes fizeram saber.
A festa dos tabernaculos.
13 E no dia seguinte ajuntaram-se os cabeças dos paes de todo o povo, os sacerdotes, e os levitas, a Esdras, o escriba: e isto para attentarem nas palavras da lei.
14 E acharam escripto na lei que o Senhor ordenara, pelo ministerio de Moysés, que os filhos d’Israel habitassem em cabanas, [11] na solemnidade da festa, no setimo mez.
15 Assim o publicaram, e fizeram passar pregão por todas as suas cidades, e em Jerusalem, dizendo: [12] Sahi ao monte, e trazei ramos d’oliveiras, e ramos d’arvores olearias, e ramos de murtas, e ramos de palmeiras, e ramos d’arvores espessas, para fazer cabanas, como está escripto.
16 Saiu pois o povo, e os trouxeram, e fizeram para si cabanas, cada um no seu [13] terrado, e nos seus pateos, e nos atrios da casa de Deus, e na praça da porta das aguas, e na praça da porta d’Ephraim.
17 E toda a congregação dos que voltaram do captiveiro fizeram cabanas e habitaram nas cabanas, porque nunca fizeram assim os filhos d’Israel, desde os dias de Josué, filho de Nun, até áquelle dia: e houve mui [14] grande alegria.
18 E de dia em dia se leu no livro da lei de Deus, [15] desde o primeiro dia até ao derradeiro; e celebraram a solemnidade da festa sete dias, e no oitavo dia, o dia da prohibição, segundo o rito.
[1] Esd. 3.1. cap. 3.26.
[2] Esd. 7.6.
[3] Deu. 31.11, 12. Lev. 23.24.
[4] Jui. 3.20.
[5] I Cor. 14.16. I Tim. 2.8. Exo. 4.31 e 12.27.
[6] Lev. 10.11. Deu. 33.10. II Chr. 17.7, 8, 9. Mal. 2.7.
[7] Esd. 2.63. cap. 7.65 e 10.1. II Chr. 35.3. ver. 8. Lev. 23.24. Num. 29.1.
[8] Deu. 16.14, 15. Ecc. 3.4.
[9] Est. 9.19, 22. Apo. 11.10.
[10] ver. 7, 8.
[11] Lev. 23.34, 42. Deu. 16.13.
[12] Lev. 23.4. Deu. 16.16. Lev. 23.40.
[13] Deu. 22.8. cap. 12.37. II Reis 14.13. cap. 12.39.
[14] II Chr. 30.21.
[15] Deu. 31.10, etc. Lev. 23.36. Num. 29.35.
Arrependimento e confissão do peccado.
9 E no dia vinte e quatro d’este mez [1] se ajuntaram os filhos d’Israel com jejum e com saccos, e traziam terra sobre si.
2 E a geração [2] d’Israel se apartou de todos os estranhos, e pozeram-se em pé, e fizeram confissão pelos seus peccados e pelas iniquidades de seus paes.
3 Porque, levantando-se no seu posto, leram [3] no livro da lei do Senhor seu Deus uma quarta parte do dia; e na outra quarta parte fizeram confissão, e adoraram ao Senhor seu Deus.
4 E Jesué, Bani, Kadmiel, Sebanias, Bunni, Serebias, Bani e Chenani se pozeram em pé no logar alto dos levitas, e clamaram em alta voz ao Senhor seu Deus.
5 E os levitas, Jesué, e Kadmiel, Bani, Hasabneias, Serebias, Hodias, Sebanias, Pethachias, disseram: Levantae-vos, bemdizei ao Senhor vosso Deus d’eternidade em eternidade: ora bemdigam o nome [4] da tua gloria, que está levantado sobre toda a benção e louvor.
6 Tu [5] só és Senhor, tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exercito; a terra e tudo quanto n’ella ha; os mares e tudo quanto n’elles ha, e tu os guardas em vida a todos; e o exercito dos céus te adora.
7 Tu és Senhor, o Deus, que elegeste a [6] Abrão, e o tiraste d’Ur dos chaldeos, e lhe pozeste por nome Abrahão.
8 E achaste o seu coração fiel perante ti, [7] e fizeste com elle o concerto, que lhe darias a terra dos cananeos, dos hetheos, dos amorrheos, e dos pherezeos, e dos jebuseos, e dos girgaseos, para a dares á sua semente: e confirmaste [8] as tuas palavras, porquanto és justo.
9 E viste [9] a afflicção de nossos paes no Egypto: e ouviste o seu clamor junto ao Mar Vermelho.
10 E déste [10] signaes e prodigios a Pharaó, e a todos os seus servos, e a todo o povo da sua terra; porque soubeste que [11] soberbamente os trataram; e assim te adquiriste nome, como hoje se vê.
11 E o mar [12] fendeste perante elles, e passaram pelo meio do mar, em secco: e lançaste os seus perseguidores nas profundezas, como [13] uma pedra nas aguas violentas.
12 E os [14] guiaste de dia por uma columna de nuvem, e de noite por uma columna de fogo, para os alumiares no caminho por onde haviam de ir.
13 E sobre o [15] monte de Sinai desceste, e fallaste com elles desde os céus: e déste-lhes juizos rectos, e leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons.
14 E o teu sancto [16] sabbado lhes fizeste saber: e preceitos, e estatutos, e lei lhes mandaste pelo ministerio de Moysés, teu servo.
15 E pão dos céus lhes déste [17] na sua fome, e agua da penha lhes produziste na sua sêde: e lhes disseste que entrassem para possuirem a terra pela qual alçaste a tua mão, que lh’a havias de dar.
16 Porém [18] elles e nossos paes se houveram soberbamente: e endureceram a sua cerviz, e não deram ouvidos aos teus mandamentos.
17 E recusaram ouvir-te, e não se lembraram das tuas maravilhas, que lhes fizeste, e endureceram a sua cerviz, e na [19] sua rebellião levantaram um chefe, afim de voltarem para a sua servidão: porém tu, [20] ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e grande em beneficencia, comtudo os não desamparaste.
18 Ainda [21] mesmo quando elles fizeram para si um bezerro de fundição, e disseram: Este é o teu Deus, que te tirou do Egypto; e commetteram grandes blasphemias:
19 Todavia tu, pela [22] multidão das tuas misericordias, os não deixaste no deserto: a columna de nuvem nunca d’elles se apartou de dia, para os guiar pelo caminho, nem a columna de fogo de noite, para os alumiar: e isto pelo caminho por onde haviam de ir.
20 E déste [23] o teu bom espirito, para os ensinar: e o teu manná não retiraste da sua bocca; e agua lhes déste na sua sêde.
21 De tal modo os sustentaste [24] quarenta annos no deserto: falta nenhuma tiveram: os seus vestidos se não envelheceram, e os seus pés se não incharam.
22 Tambem lhes déste reinos e povos, e os repartiste em porções: e elles possuiram a terra de [25] Sihon, a saber, a terra do rei d’Hesbon, e a terra d’Og, rei de Basan.
23 E multiplicaste [26] os seus filhos como as estrellas do céu, e trouxeste-os á terra de que tinhas dito a seus paes que entrariam n’ella para a possuirem.
24 Assim entraram n’ella [27] os filhos, e tomaram aquella terra: e abateste perante elles os moradores da terra, os cananeos, e lh’os entregaste na mão, como tambem os reis, e os povos da terra, para fazerem d’elles conforme á sua vontade.
25 E tomaram cidades fortes e terra [28] grossa, e possuiram casas cheias de toda a fartura, cisternas cavadas, vinhas e olivaes, e arvores de mantimento, em abundancia: e comeram e se fartaram [29] e engordaram, e viveram em delicias, pela tua grande bondade.
26 Porém se obstinaram, e se rebellaram contra [30] ti, e lançaram a tua lei para traz das suas costas, e mataram [31] os teus prophetas, que protestavam contra elles, para que voltassem para ti: assim fizeram grandes abominações.
27 Pelo que os entregaste [32] na mão dos seus angustiadores, que os angustiaram: mas no tempo de sua angustia, clamando a ti, desde os céus tu ouviste; e segundo a tua grande misericordia lhes déste libertadores que os libertaram da mão de seus angustiadores.
28 Porém, em tendo repouso, tornavam [33] a fazer o mal diante de ti: e tu os deixavas na mão dos seus inimigos, para que dominassem sobre elles; e convertendo-se elles, e clamando a ti, tu os ouviste desde os céus, e segundo a tua misericordia os livraste muitas vezes.
29 E protestaste contra elles, para que voltassem para a tua lei; porém elles [34] se houveram soberbamente, e não deram ouvidos aos teus mandamentos, mas peccaram contra os teus juizos pelos quaes o homem que os fizer viverá; e te deram o hombro rebelde, e endureceram a sua cerviz, e não ouviram.
30 Porém estendeste a tua benignidade sobre elles por muitos annos, e protestaste contra elles [35] pelo teu Espirito, pelo ministerio dos teus prophetas; porém elles não deram ouvidos: pelo que os entregaste na mão dos povos das terras.
31 Mas pela tua grande misericordia [36] os não destruiste nem desamparaste: porque és um Deus clemente e misericordioso.
32 Agora pois, ó Deus nosso, ó Deus [37] grande, poderoso e terrivel, que guardas o concerto e beneficencia, não tenhas em pouca conta todo o trabalho que nos alcançou a nós, aos nossos reis, aos nossos principes, e aos nossos sacerdotes, e aos nossos prophetas, e aos nossos paes, e a todo o teu povo, desde os dias dos reis da Assyria até ao dia de hoje.
33 Porém tu és justo [38] em tudo quanto tem vindo sobre nós; porque tu tens obrado fielmente, e nós temos obrado impiamente.
34 E os nossos reis, os nossos principes, os nossos sacerdotes, e os nossos paes não guardaram a tua lei, e não deram ouvidos aos teus mandamentos e aos teus testemunhos, que protestaste contra elles.
35 Porque elles nem no seu reino, [39] nem na muita abundancia de bens que lhes déste nem na terra espaçosa e gorda que déste diante d’elles, te serviram, nem se converteram de suas más obras.
36 Eis-que hoje [40] somos servos: e até na terra que déste a nossos paes, para comerem o seu fructo e o seu bem, eis que somos servos n’ella.
37 E ella multiplica os seus productos [41] para os reis, que pozeste sobre nós, por causa dos nossos peccados: e conforme a sua vontade dominam [42] sobre os nossos corpos e sobre as nossas bestas; e estamos n’uma grande angustia.
38 E com tudo isto fizemos um [43] firme concerto, e o escrevemos: e sellaram-n’o os nossos principes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes.
[1] cap. 8.2. Jos. 7.6. II Sam. 1.2. Job 2.12.
[2] Esd. 10.11. cap. 13.3, 30.
[3] cap. 8.7, 8.
[4] I Chr. 29.13.
[5] II Reis 19.15, 19. Isa. 37.16, 20. Gen. 1.1. Apo. 14.7. Deu. 10.14.
[6] Gen. 11.31 e 12.1. Gen. 17.5.
[7] Gen. 15.6. Gen. 12.7 e 15.18 e 17.7, 8.
[8] Jos. 23.14.
[9] Exo. 2.25 e 3.7. Exo. 14.10.
[10] cap. 7, 8, 9, 10, 12 e 14.
[11] Exo. 18.11. Exo. 9.16. Isa. 63.12, 14. Jer. 32.20.
[12] Exo. 14.21, 22, 27, 28.
[13] Exo. 15.5, 10.
[14] Exo. 13.21.
[15] Exo. 19.20 e 20.1.
[16] Gen. 2.3. Exo. 20.8, 11.
[17] Exo. 16.14, 15. João 6.31. Exo. 17.6. Num. 20.9, etc. Deu. 1.8.
[18] ver. 29. Deu. 31.37. II Reis 17.14. Jer. 19.15.
[19] Num. 14.4.
[20] Exo. 34.6. Num. 14.18. Joel 2.13.
[21] Exo. 32.4.
[22] ver. 27. Exo. 13.21, 22. Num. 14.14. I Cor. 10.1.
[23] Num. 11.17. Isa. 63.11. Exo. 16.15. Jos. 5.12. Exo. 17.6.
[24] Deu. 2.7 e 8.4 e 29.5.
[25] Num. 21.21, etc.
[26] Gen. 22.17.
[27] Jos. 1.2, etc.
[28] ver. 35. Num. 13.27. Deu. 8.7, 8. Eze. 20.6. Deu. 6.11.
[29] Deu. 32.15. Ose. 3.5.
[30] Jui. 2.11, 12. Eze. 20.21. I Reis 14.9.
[31] I Reis 18.4 e 19.10. II Chr. 24.20, 21. Mat. 23.37. Act. 7.52.
[32] Jui. 2.14 e 3.8, etc. Jui. 2.18 e 3.9.
[33] Jui. 3.11, 12, 30 e 4.1 e 5.31 e 6.1.
[34] ver. 16. Lev. 18.5. Eze. 20.11. Rom. 10.5. Gal. 3.12.
[35] II Reis 17.13. II Chr. 36.15. Jer. 7.25 e 25.4. I Ped. 1.11. II Ped. 1.21. Isa. 5.5 e 42.24.
[36] Jer. 4.27 e 5.10, 18. ver. 17.
[37] Exo. 34.6, 7. cap. 1.5.
[38] II Reis 17.3. Dan. 9.14 e 9.5, 6, 8.
[39] Deu. 28.47. ver. 25.
[40] Deu. 28.48. Esd. 9.9.
[41] Deu. 28.33, 51.
[42] Deu. 28.48.
[43] II Reis 23.3. II Chr. 29.10 e 34.31. Esd. 10.3. cap. 10.29.
Os nomes dos que sellaram o concerto.
10 E os que sellaram foram [1] Nehemias, o [MS] tirsatha, filho de Hacalias, e Zedekias,
2 Seraias, [2] Azarias, Jeremias,
3 Pashur, Amarias, Malchias,
4 Hattus, Sebanias, Malluch,
5 Harim, Meremoth, Obadias,
6 Daniel, Ginnethon, Baruch,
7 Mesullum, Abias, Miamin,
8 Maasias, Bilgai, Semaias: estes foram os sacerdotes.
9 E os levitas: Jesué, filho de Azanias, Binnui, dos filhos de Henadad, Kadmiel,
10 E seus irmãos: Sebanias, Hodias, Kelita, Pelaias, Hanan,
11 Micha, Rehob, Hasabias,
12 Zacchur, Serebias, Sebanias,
13 Hodias, Bani, Beninu.
14 Os chefes do povo: [3] Pareos, Pahat-moab, Elam, Zatthu, Bani,
15 Bunni, Asgad, Bebai,
16 Adonias, Bigvai, Adin,
17 Ater, Hiskias, Azur,
18 Hodias, Hasum, Besai,
19 Hariph, Anathoth, Nebai,
20 Magpias, Mesullum, Hezir,
21 Mezezabeel, Zadok, Jaddua,
22 Pelatias, Hanan, Anaias,
23 Hoseas, Hananias, Hassub,
24 Hollohes, Pilha, Sobek,
25 Rehum, Hasabna, Maaseias;
26 E Ahias, Hanan, Anan,
27 Malluch, Harim, Baana.
28 E o resto [4] do povo, os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os cantores, os nethineos, todos os que se tinham separado dos povos das terras para [5] a lei de Deus, suas mulheres, seus filhos, e suas filhas; todos os sabios e entendidos;
29 Firmemente adheriam a seus irmãos os mais nobres de entre elles, e convieram n’um anathema e n’um juramento, de que andariam na lei de Deus, que foi dada pelo ministerio de Moysés, servo de Deus; e de que guardariam e fariam todos os mandamentos do Senhor, nosso Senhor, e os seus juizos e os seus estatutos;
30 E que não dariamos as nossas filhas [6] aos povos da terra, nem tomariamos as filhas d’elles para os nossos filhos.
31 E que, trazendo [7] os povos da terra no dia de sabbado algumas fazendas, e qualquer grão para venderem, não a tomariamos d’elles no sabbado, nem no dia sanctificado: e livre deixariamos o [8] anno setimo, e toda e qualquer cobrança.
32 Tambem nos pozemos preceitos, impondo-nos cada anno a terça parte d’um siclo, para o ministerio da casa do nosso Deus;
33 Para os pães [9] da proposição, e para a continua offerta de manjares, e para o continuo holocausto dos sabbados, das luas novas, para as festas solemnes, e para as coisas sagradas, e para os sacrificios pelo peccado, para reconciliar a Israel, e para toda a obra da casa do nosso Deus.
34 Tambem lançámos as sortes entre os sacerdotes, levitas, e o povo, ácerca da offerta da [10] lenha que se havia de trazer á casa do nosso Deus, segundo as casas de nossos paes, a tempos determinados, de anno em anno, para se queimar sobre o altar do Senhor nosso Deus, como está escripto [11] na lei.
35 Que tambem trariamos [12] as primeiras novidades da nossa terra, e todos os primeiros fructos de todas as arvores, de anno em anno, á casa do Senhor.
36 E os primogenitos dos nossos filhos, e os das nossas bestas, como está escripto [13] na lei: e que os primogenitos das nossas vaccas e das nossas ovelhas trariamos á casa do nosso Deus, aos sacerdotes, que ministram na casa do nosso Deus.
37 E que as primicias da nossa massa, e as nossas offertas alçadas, e o fructo de toda a arvore, o mosto e o azeite, [14] trariamos aos sacerdotes, ás camaras da casa do nosso Deus; e os dizimos [15] da nossa terra aos levitas: e que os levitas pagariam os dizimos em todas as cidades da nossa lavoura.
38 E que o sacerdote, filho de Aarão, estaria com os levitas quando os levitas recebessem os dizimos, [16] e que os levitas trariam os dizimos dos dizimos á casa do nosso Deus, ás camaras da casa do thesouro.
39 Porque áquellas camaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem [17] trazer offertas alçadas do grão, do mosto e do azeite: porquanto ali estão os vasos do sanctuario, como tambem os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os cantores: e que assim não [18] desamparariamos a casa do nosso Deus.
[1] cap. 8.9. cap. 1.1.
[2] cap. 12.1, 24.
[3] Esd. 2.3, etc. cap. 7.8, etc.
[4] Esd. 2.36, 43 e 9.1 e 10.11, 12, 19. cap. 13.3.
[5] Deu. 29.12, 14. cap. 5.12, 13. II Reis 23.3. II Chr. 34.31.
[6] Exo. 34.16. Deu. 7.3. Esd. 9.12, 14.
[7] Exo. 20.10. Lev. 23.3. Deu. 5.12. cap. 13.15, etc.
[8] Exo. 23.10, 11. Lev. 25.4. Deu. 15.1, 2. cap. 5.12.
[9] Lev. 24.5, etc. II Chr. 2.4. Num. 28 e 29.
[10] cap. 13.31. Isa. 40.16.
[11] Lev. 6.12.
[12] Exo. 23.19 e 34.26. Lev. 19.23. Num. 18.12. Deu. 26.2.
[13] Exo. 13.2, 12, 13. Lev. 27.26, 27. Num. 18.15, 16.
[14] Lev. 23.17. Num. 15.19 e 18.12, etc. Deu. 18.4 e 26.2.
[15] Lev. 27.30. Num. 18.21, etc.
[16] Num. 18.26.
[17] Deu. 12.6, 11. II Chr. 31.12. cap. 13.12.
[18] cap. 13.10, 11.
Relação dos que habitaram em Jerusalem.
11 E os principes do povo habitaram em Jerusalem, porém o resto do povo lançou sortes, para tirar um de dez, que habitasse na sancta [1] cidade de Jerusalem, e as nove partes nas outras cidades.
2 E o povo bemdisse a todos os homens que voluntariamente se offereciam [2] para habitarem em Jerusalem.
3 E estes [3] são os chefes da provincia, que habitaram em Jerusalem (porém nas cidades de Judah habitou cada um na sua possessão, nas suas cidades, Israel, os sacerdotes, e os levitas, e os [4] nethineos, e os filhos dos servos de Salomão):
4 Habitaram pois em [5] Jerusalem alguns dos filhos de Judah e dos filhos de Benjamin: dos filhos de Judah, Athaias, filho d’Uzias, filho de Zacharias, filho de Amarias, filho de Sephatias, filho de Mahalaleel, [6] dos filhos de Peres;
5 E Maaseias, filho de Baruch, filho de Col-hose, filho d’Hazaias, filho d’Adaias, filho de Joiarib, filho de Zacharias, filho de Siloni.
6 Todos os filhos de Peres, que habitaram em Jerusalem, foram quatrocentos e sessenta e oito homens valentes.
7 E estes são os filhos de Benjamin: Sallu, filho de Messullam, filho de Joed, filho de Pedaias, filho de Kolaias, filho de Maaseias, filho d’Ithiel, filho de Jesaias.
8 E depois d’elle Gabbai, Sallai: novecentos e vinte e oito.
9 E Joel, filho de Zichri, superintendente sobre elles: e Judah, filho de Senua, segundo sobre a cidade.
10 Dos [7] sacerdotes: Jedaias, filho de Joiarib, Jachin,
11 Seraias, filho d’Hilkias, filho de Mesullam, filho de Zadok, filho de Meraioth, filho d’Ahitub, maioral da casa de Deus.
12 E seus irmãos, que faziam a obra na casa, oitocentos e vinte e dois: e Adaias, filho de Jeroham, filho de Pelalias, filho de Amsi, filho de Zacharias, filho de Pashur, filho de Malchias.
13 E seus irmãos, cabeças dos paes, duzentos e quarenta e dois; e Amasai, filho d’Azareel, filho d’Ahazai, filho de Mesillemoth, filho d’Immer.
14 E os irmãos d’elles, varões valentes, cento e vinte e oito, e superintendente sobre elles Zabdiel, filho de Gedolim.
15 E dos levitas: Semaias, filho d’Hassub, filho d’Azrikam, filho d’Hasabias, filho de Buni;
16 E Sabbethai, e Jozabad, dos cabeças dos levitas, presidiam sobre [8] a obra de fóra da casa de Deus;
17 E Matthanias, filho de Micha, filho de Zabdi, filho d’Asaph, o cabeça, que começava a dar graças na oração, e Bakbukias, o segundo de seus irmãos: depois Abda, filho de Sammua, filho de Galal, filho de Jeduthun.
18 Todos os levitas na sancta [9] cidade, foram duzentos e oitenta e quatro.
19 E os porteiros, Akkub, Talmon, com seus irmãos, os guardas das portas, cento e setenta e dois.
Dos que habitaram nas cidades de Judah.
20 E o resto d’Israel, dos sacerdotes e levitas, esteve em todas as cidades de Judah, cada um na sua herdade.
21 E os [10] nethineos habitaram em Ophel; e Ziha e Gispa presidiam sobre os nethineos.
22 E o superintendente dos levitas em Jerusalem foi Uzzi, filho de Bani, filho d’Hasabias, filho de Matthanias, filho de Micha: dos filhos d’Asaph os cantores, no serviço da casa de Deus.
23 Porque havia um mandado do rei ácerca [11] d’elles: a saber, uma certa porção para os cantores, cada qual no seu dia.
24 E Petahias, filho de Mesezabeel, dos filhos de [12] Zerah, filho de Judah, estava á mão do rei, em todos os negocios do povo.
25 E nas aldeias, nas suas terras, alguns dos filhos de Judah habitaram em [13] Kiriath-arba, e nos logares da sua jurisdicção; e em Dibon, e nos logares da sua jurisdicção; e em Jekabseel, e nas suas aldeias,
26 E em Jesua, e em Molada, e em Beth-pelet,
27 E em Hasar-sual, e em Berseba, e nos logares da sua jurisdicção,
28 E em Siclag, e em Mechona, e nos logares da sua jurisdicção,
29 E em En-rimmon, e em Zora, e em Jarmuth;
30 Em Zanoah, Adullam, e nas suas aldeias; em Lachis, e nas suas terras; em Azaka, e nos logares da sua jurisdicção: acamparam-se desde Berseba até ao valle de Hinnom.
31 E os filhos de Benjamin, de Geba, habitaram em Michmas, e Aia, e Beth-el, e nos logares da sua jurisdicção,
32 E em Anathoth, em Nob, em Anania,
33 Em Hasor, em Rama, em Gitthaim,
34 Em Hadid, em Zeboim, em Neballat,
35 Em Lod, e em Ono, no valle [14] dos artifices.
36 E alguns dos levitas nos repartimentos de Judah e de Benjamin.
[1] ver. 18. Mat. 4.5 e 27.53.
[2] Jui. 5.9.
[3] I Chr. 9.2, 3.
[4] Esd. 2.43. Esd. 2.55.
[5] I Chr. 9.3, etc.
[6] Gen. 38.29.
[7] I Chr. 9.10, etc.
[8] I Chr. 26.29.
[9] ver. 1.
[10] cap. 3.26.
[11] Esd. 6.8, 9 e 7.20, etc.
[12] Gen. 38.30. I Chr. 18.17 e 23.28.
[13] Jos. 14.15.
[14] I Chr. 4.14.
Os sacerdotes que vieram para Jerusalem com Zorobabel.
[Antes de Christo 536]
12 Estes são sacerdotes [1] e levitas que subiram com Zorobabel, filho de Sealthiel, e com Jesué: [2] Seraias, Jeremias, Esdras,
2 Amarias, Malluch, Hattus,
3 Sechanias, Rehun, Meremoth,
4 Iddo, Ginnethoi, [3] Abias,
5 Miamin, Maadias, Bilga,
6 Semaias, e Joiarib, Jedaias,
7 Sallu, Amok, Hilkias, Jedaias: estes foram os chefes dos sacerdotes e de seus irmãos, nos dias de [4] Jesué.
8 E foram os levitas: Jesué, Binnui, Kadmiel, Serebias, Judah, Matthanias: este e seus irmãos presidiam sobre os louvores.
9 E Bakbukias e Uni, seus irmãos, defronte d’elle, nas guardas.
10 E Jesué gerou a Joaquim, e Joaquim gerou a Eliasib, e Eliasib gerou a Joiada,
11 E Joiada gerou a Jonathan, e Jonathan gerou a Jaddua.
12 E nos dias de Joaquim foram sacerdotes, cabeças dos paes: de Seraias, Meraias; de Jeremias, Hananias;
13 D’Esdras, Messullam; de Amarias, Johanan;
14 De Melichu, Jonathan; de Sebanias, José;
15 D’Harim, Adna; de Meraioth, Helkai;
16 D’Iddo, Zacharias; de Ginnethon, Messullam;
17 D’Abias, Zichri; de Miamin e de Moadias, Piltai;
18 De Bilga, Sammua; de Semaias, Jonathan;
19 E de Joiarib, Matthenai; de Jedaias, Ezzi;
20 De Sallai, Kallai; de Amok, Eber;
21 D’Hilkias, Hasabias; de Jedaias, Nethanael.
22 Dos levitas foram nos dias d’Eliasib escriptos como cabeças de paes, Joiada, e Johnan, e Jaddua; como tambem os sacerdotes, até ao reinado de Dario [5] o persa.
23 Os filhos de Levi escriptos como cabeças de paes no livro das chronicas, até aos dias de Johanan, filho d’Eliasib.
24 Foram pois os cabeças dos levitas: Hasabias, Serabias, e Jesué, filho de Kadmiel, e seus irmãos defronte d’elles, para louvarem e darem graças, [6] segundo o mandado de David, homem de Deus: guarda contra guarda.
25 Matthanias, e Bakbukias, Obadias, Mesullam, Talmon, e Akkub, eram porteiros, que faziam a guarda ás thesourarias das portas.
26 Estes foram nos dias de Joaquim, filho de Jesué, o filho de Josadak; como tambem nos dias de Nehemias, o governador, [7] e do sacerdote Esdras, o escriba.
A dedicação dos muros.
[Antes de Christo 445]
27 E na dedicação [8] dos muros de Jerusalem buscaram os levitas de todos os seus logares, para os trazerem, afim de fazerem a dedicação com alegrias, e com louvores, e com canto, psalterios, alaudes, e com harpas.
28 E assim ajuntaram os filhos dos cantores, tanto da campina dos arredores de Jerusalem, como das aldeias de Netophati;
29 Como tambem da casa de Gilgal, e dos campos de Gibeah, e Azmaveth: porque os cantores se edificaram aldeias nos arredores de Jerusalem.
30 E purificaram-se os sacerdotes e os levitas; e logo purificaram o povo, e as portas, e o muro.
31 Então fiz subir os principes de Judah sobre o muro, e ordenei dois grandes coros e procissões, um á mão direita [9] sobre o muro da banda da porta do monturo.
32 E após elles ia Hosaias, e a metade dos principes de Judah,
33 E Azarias, Esdras, e Mesullam,
34 Judah, e Benjamin, e Semaias, e Jeremias.
35 E dos filhos dos sacerdotes, com trombetas: Zacharias, filho de Jonathan, o filho de Semaias, filho de Matthanias, filho de Michaias, filho de Zacchur, filho d’Asaph,
36 E seus irmãos, Semaias, e Azareel, Milalai, Gilalai, Maai, Nethanael, e Judah, e Hanani, com [10] os instrumentos musicos de David, homem de Deus; e Esdras o escriba ia adiante d’elles.
37 Indo assim para a porta da fonte, e defronte d’elles, subiram as escadas da cidade de David pela subida do muro, desde cima da casa de David, até á porta das aguas, [11] da banda do oriente.
38 E o coro segundo ia defronte, e eu após elle; e a metade do povo ia sobre o muro, desde a torre dos fornos, até á muralha larga;
39 E desde a porta d’Ephraim, e para a porta velha, e para a porta do peixe, e a torre [12] d’Hananeel, e a torre de Mea, até á porta do gado; e pararam á porta da prisão.
40 Então ambos os coros pararam na casa de Deus; como tambem eu, e a metade dos magistrados comigo.
41 E os sacerdotes Eliakim, Maaseias, Miniamin, Michaias, Elioenai, Zacharias, e Hananias, com trombetas,
42 Como tambem, Maaseias, e Semaias, e Eleazar, e Uzzi, e Johanan, e Malchias, e Elam, e Ezer; e faziam-se ouvir os cantores, juntamente com Jezrahias, o superintendente.
43 E sacrificaram no mesmo dia grandes sacrificios, e se alegraram; porque Deus os alegrara com grande alegria; e até as mulheres e os meninos se alegraram, que a alegria de Jerusalem se ouviu até de longe.
O ministerio do templo.
44 Tambem no [13] mesmo dia se nomearam homens sobre as camaras, para os thesouros, para as offertas alçadas, para as primicias, e para os dizimos, para ajuntarem n’ellas, das terras das cidades, as partes da lei para os sacerdotes e para os levitas; porque Judah estava alegre por causa dos sacerdotes e dos levitas que assistiam ali.
45 E faziam a guarda do seu Deus, e a guarda da purificação; como tambem os cantores e porteiros, conforme ao [14] mandado de David e de seu filho Salomão.
46 Porque já nos dias de David e Asaph, desde a antiguidade, havia cabeças dos cantores, e dos canticos de louvores, e d’acção de graças a Deus.
47 Pelo que todo o Israel, já nos dias de Zorobabel, nos dias de Nehemias, dava as partes dos cantores e dos porteiros a cada um no seu dia; e sanctificavam [15] as porções aos levitas, e os levitas sanctificavam aos filhos d’Aarão.
[1] Esd. 2.1, 2.
[2] cap. 10.2, 8.
[3] Luc. 1.5.
[4] Esd. 3.2. Agg. 1.1. Zac. 3.1.
[5] I Chr. 9.14, etc.
[6] I Chr. 23 e 25 e 26. Esd. 3.11.
[7] cap. 8.9. Esd. 7.6, 11.
[8] Deu. 20.5. I Chr. 25.6. II Chr. 5.13 e 7.6.
[9] ver. 38. cap. 2.13 e 3.13.
[10] Num. 10.2, 8.
[11] cap. 2.14. cap. 3.15.
[12] cap. 3.1. cap. 3.32. Jer. 32.2.
[13] II Chr. 31.11, 12. cap. 13.5, 12, 13.
[14] I Chr. 25 e 26.
[15] Num. 18.21, 24, 26.
Nehemias remove diversos abusos.
[Antes de Christo 434]
13 N’aquelle dia [1] leu-se no livro de Moysés, aos ouvidos do povo: e achou-se escripto [2] n’elle que os ammonitas e os moabitas não entrassem jámais na congregação de Deus,
2 Porquanto não sairam ao encontro dos filhos d’Israel com pão e agua; antes alugaram contra [3] elles a Balaão para os amaldiçoar; ainda que o nosso Deus converteu a maldição em benção.
3 Succedeu pois que, ouvindo elles esta lei, apartaram [4] d’Israel toda a mistura.
4 E d’antes Eliasib, sacerdote, que presidia sobre a camara da casa do nosso Deus, se tinha aparentado com Tobias;
5 E fizera-lhe uma camara grande, onde d’antes se mettiam as offertas de manjares, [5] o incenso, e os vasos, e os dizimos do grão, do mosto, e do azeite, que se ordenaram para os levitas, e cantores, [6] e porteiros, como tambem a offerta alçada para os sacerdotes.
6 Porém em tudo isto não estava eu em Jerusalem; [7] porque no anno trinta e dois de Artaxerxes, rei de Babylonia, vim eu ter com o rei; mas ao cabo de alguns dias tornei a alcançar licença do rei.
7 E vim a Jerusalem, e entendi o mal que Eliasib fizera para Tobias, [8] fazendo-lhe uma camara nos pateos da casa de Deus.
8 O que muito me desagradou: de sorte que lancei todos os moveis da casa de Tobias fóra da camara.
9 E, ordenando-o eu, purificaram [9] as camaras: e tornei a trazer ali os vasos da casa de Deus, com as offertas de manjares, e o incenso.
10 Tambem entendi que o quinhão dos levitas [10] se lhes não dava: de maneira que os levitas e os cantores, que faziam a obra, tinham fugido cada um para a sua terra.
11 Então [11] contendi com os magistrados, e disse: Porque se desamparou a casa de Deus? Porém eu os ajuntei, e os restaurei no seu posto.
12 Então todo o Judah trouxe [12] os dizimos do grão, e do mosto, e do azeite aos celleiros.
13 E por thesoureiros [13] puz sobre os celleiros a Selemias o sacerdote, e a Zadok o escrivão, e a Pedaias, d’entre os levitas; e á mão d’elles Hanan, filho de Zacchur, o filho de Matthanias: porque se tinham achado [14] fieis: e se lhes encarregou a elles a distribuição para seus irmãos.
14 (Por isto, Deus meu, lembra-te de mim: [15] e não risques as minhas beneficencias que eu fiz á casa de meu Deus e ás suas guardas.)
15 N’aquelles dias vi em Judah os que pisavam lagares ao sabbado [16] e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos; como tambem vinho, uvas e figos, e toda a casta de [17] cargas, que traziam a Jerusalem no dia de sabbado; e protestei contra elles no dia em que vendiam mantimentos.
16 Tambem tyrios habitavam dentro, que traziam peixe, e toda a mercadoria, que no sabbado vendiam aos filhos de Judah, e em Jerusalem.
17 E contendi [18] com os nobres de Judah, e lhes disse: Que mal é este que fazeis, e profanaes o dia de sabbado?
18 Porventura [19] não fizeram vossos paes assim, e nosso Deus não trouxe todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? e vós ainda mais accrescentaes o ardor de sua ira sobre Israel, profanando o sabbado.
19 Succedeu pois que, dando [20] as portas de Jerusalem já sombra antes do sabbado, ordenando-o eu, as portas se fecharam; e mandei que as não abrissem até passado o sabbado; e puz ás portas alguns [21] de meus moços, para que carga nenhuma entrasse no dia de sabbado.
20 Então os negociantes e os vendedores de toda a mercadoria passaram a noite fóra de Jerusalem, uma ou duas vezes.
21 Protestei pois contra elles, e lhes disse: Porque passaes a noite defronte do muro? se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão de vós: d’aquelle tempo em diante não vieram no sabbado.
22 Tambem disse aos levitas que se [22] purificassem, e viessem guardar as portas, para sanctificar o sabbado. (N’isto tambem, Deus meu, lembra-te de mim; e perdoa-me segundo a abundancia da tua benignidade.)
23 Vi tambem n’aquelles dias judeos que tinham [23] casado com mulheres asdoditas, ammonitas, e moabitas.
24 E seus filhos fallavam meio asdotita, e não podiam fallar judaico, senão segundo a lingua de cada povo.
25 E contendi [24] com elles, e os amaldiçoei e espanquei alguns d’elles, e lhes arranquei os cabellos, e os fiz jurar por [25] Deus, dizendo: Não dareis mais vossas filhas a seus filhos, e não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos nem para vós mesmos.
26 Porventura [26] não peccou n’isto Salomão, rei d’Israel, não havendo entre muitas gentes rei similhante a elle, e sendo amado de seu Deus, e pondo-o Deus rei sobre todo o Israel? e comtudo as mulheres estranhas o fizeram peccar.
27 E dar-vos-hiamos nós ouvidos, para [27] fazermos todo este grande mal, prevaricando contra o nosso Deus, casando com mulheres estranhas?
28 Tambem um dos filhos de Joiada, [28] filho d’Eliasib, o summo sacerdote, era genro de Sanballat, o horonita, pelo que o afugentei de mim.
29 Lembra-te d’elles, [29] Deus meu, pois contaminaram o sacerdocio, como tambem o concerto do sacerdocio e dos levitas.
30 Assim os alimpei [30] de todo o estranho, e ordenei as guardas dos sacerdotes e dos levitas, cada um na sua obra.
31 Como tambem para com as offertas [31] da lenha em tempos determinados, e para com as primicias: lembra-te de mim, Deus meu, para bem.
[1] Deu. 31.11, 12. II Reis 23.2. cap. 8.3, 8 e 9.3. Isa. 34.16.
[2] Deu. 23.3, 4.
[3] Num. 22.5. Jos. 24.9, 10. Num. 23.11 e 24.10. Deu. 23.5.
[4] cap. 9.2 e 10.28.
[5] cap. 12.44.
[6] Num. 18.21, 24.
[7] cap. 5.14.
[8] ver. 1, 5.
[9] II Chr. 29.5, 15, 16, 18.
[10] Mal. 3.8. Num. 35.2.
[11] ver. 17, 25. Pro. 28.4. cap. 10.39.
[12] cap. 10.38, 39 e 12.44.
[13] II Chr. 31.12. cap. 12.44.
[14] cap. 7.2. I Cor. 4.2.
[15] ver. 22, 31. cap. 5.19.
[16] Exo. 20.10.
[17] cap. 10.31. Jer. 17.21, 22.
[18] ver. 11.
[19] Jer. 17.21, 22, 23.
[20] Lev. 23.32.
[21] Jer. 17.21, 22.
[22] cap. 12.30. ver. 14, 31.
[23] Esd. 9.2.
[24] ver. 11. Pro. 28.4.
[25] Esd. 10.5. cap. 10.29, 30.
[26] I Reis 11.1, etc. I Reis 3.13. II Chr. 1.12. II Sam. 12.24. I Reis 11.4, etc.
[27] Est. 10.2.
[28] cap. 12.10, 22.
[29] cap. 6.14. Mal. 2.4, 11, 12.
[30] cap. 10.30 e 12.1, etc.
[31] cap. 10.34. ver. 14, 22.
O LIVRO DE ESTHER.
O banquete de Assuero.
[Antes de Christo 519]
1 E succedeu nos dias [1] de Assuero (este é aquelle Assuero que reinou desde a India até Ethiopia, sobre cento e vinte e sete provincias):
2 N’aquelles dias, assentando-se [2] o rei Assuero sobre o throno do seu reino, que está na fortaleza de Susan,
3 No terceiro anno do seu reinado, fez [3] um convite a todos os seus principes e seus servos (o poder da Persia e Media e os maiores senhores das provincias estavam perante elle),
4 Para mostrar as riquezas da gloria do seu reino, e o esplendor da sua excellente grandeza, por muitos dias, a saber: cento e oitenta dias.
5 E, acabados aquelles dias, fez o rei um convite a todo o povo que se achou na fortaleza de Susan, desde o maior até ao menor, por sete dias, no pateo do jardim do palacio real.
6 As tapeçarias eram de branco, verde, e azul celeste, pendentes de cordões de linho fino e purpura, e argolas de prata, e columnas de marmore: [4] os leitos d’oiro e de prata, sobre um pavimento de porphyro, e de marmore, e d’alabastro, e de pedras preciosas.
7 E dava-se de beber em vasos d’oiro, e os vasos eram differentes uns dos outros; e havia muito vinho real, segundo o estado do rei.
8 E o beber era por lei, que ninguem forçasse a outro: porque assim o tinha ordenado o rei expressamente a todos os grandes da sua casa, que fizessem conforme á vontade de cada um.
9 Tambem a rainha Vasthi fez um convite ás mulheres, na casa real, que tinha o rei Assuero.
Vasthi, a rainha, recusa assistir ao banquete.
10 E ao setimo dia, [5] estando já o coração do rei alegre do vinho, mandou a Mehuman, Biztha, [6] Harbona, Bigtha, e Abagtha, Zethar, e a Carchas, os sete eunuchos que serviam na presença do rei Assuero,
11 Que introduzissem na presença do rei a rainha Vasthi, com a corôa real, para mostrar aos povos e aos principes a sua formosura, porque era formosa á vista.
12 Porém a rainha Vasthi recusou vir conforme á palavra do rei, pela mão dos eunuchos; pelo que o rei muito se enfureceu, e ardeu n’elle a sua ira.
13 Então disse o rei aos sabios que entendiam [7] dos tempos (porque assim se tratavam os negocios do rei na presença de todos os que sabiam a lei e o direito;
14 E os mais chegados a elle eram: Carsena, Sethar, Admatha, Tarsis, Meres, Marsena, Memuchan, os [8] sete principes dos persas e dos medos, que viam a face do rei, e se assentavam os primeiros no reino).
15 Que, segundo a lei, se devia fazer da rainha Vasthi, por não haver feito o mandado do rei Assuero, pela mão dos eunuchos?
16 Então disse Memuchan na presença do rei e dos principes: Não sómente peccou contra o rei a rainha Vasthi, porém tambem contra todos os principes, e contra todos os povos que ha em todas as provincias do rei Assuero.
17 Porque a noticia d’este feito da rainha sairá a todas as mulheres, [9] de modo que desprezarão a seus maridos aos seus olhos quando se disser: Mandou o rei Assuero que introduzissem á sua presença a rainha Vasthi, porém ella não veiu.
18 E n’este mesmo dia as princezas da Persia e da Media dirão o mesmo a todos os principes do rei, ouvindo o feito da rainha: e assim haverá assaz desprezo e indignação.
19 Se bem parecer ao rei, saia da sua parte um edicto real, e escreva-se nas leis dos persas e dos medos, e não se quebrante, a saber: que Vasthi não entre mais na presença do rei Assuero, e o rei dê o reino d’ella á sua companheira que seja melhor do que ella.
20 E, ouvindo-se o mandado, que o rei mandar em todo o seu reino (ainda que é grande), todas [10] as mulheres darão honra a seus maridos, desde a maior até á menor.
21 E pareceram bem estas palavras aos olhos do rei e dos principes: e fez o rei conforme á palavra de Memuchan.
22 Então enviou cartas a todas [11] as provincias do rei, a cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo segundo a sua lingua: [12] que cada homem fosse senhor em sua casa, e que se publicasse conforme á lingua do seu povo.
[1] Esd. 4.6. Dan. 9.1. cap. 8.9. Dan. 6.1.
[2] I Reis 1.46. Neh. 1.1.
[3] Gen. 40.20. cap. 2.18. Mar. 6.21.
[4] cap. 7.8. Eze. 23.41. Amós 2.8 e 6.4.
[5] II Sam. 13.28.
[6] cap. 7.9.
[7] Jer. 10.7. Dan. 2.12. Mat. 2.1. I Chr. 12.32.
[8] Esd. 7.14. II Reis 25.19.
[9] Eph. 5.33.
[10] Eph. 5.33. Col. 3.18. I Ped. 3.1.
[11] cap. 8.9.
[12] Eph. 5.22, 23, 24. I Tim. 2.12.
Assuero casa com Esther.
[Antes de Christo 518]
2 Passadas estas coisas, e apaziguado já o furor do rei Assuero, lembrou-se de Vasthi, e do que fizera, e do que se tinha decretado [1] a seu respeito.
2 Então disseram os mancebos do rei, que lhe serviam: Busquem-se para o rei moças virgens, formosas á vista.
3 E ponha o rei commissarios em todas as provincias do seu reino, que ajuntem a todas as moças virgens, formosas á vista, na fortaleza de Susan, na casa das mulheres, debaixo da mão d’Hegai, eunucho do rei, guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus enfeites.
4 E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em logar de Vasthi. E isto pareceu bem aos olhos do rei, e assim fez.
5 Havia então um homem judeo na fortaleza de Susan, cujo nome era Mardoqueo, filho de Jair, filho de Simei, filho de Kis, homem benjamita,
6 Que [2] fôra transportado de Jerusalem, com os transportados que foram transportados com Jechonias, rei de Judah, o qual transportara Nabucodonosor, rei de Babylonia.
7 Este criara a [3] Hadassa (que é Esther, filha de seu tio), porque não tinha pae nem mãe: e era moça bella de parecer, e formosa á vista; e, morrendo seu pae e sua mãe, Mardoqueo a tomara por sua filha.
8 Succedeu pois que, divulgando-se o mandado do rei e a sua lei, e ajuntando-se muitas moças na fortaleza de [4] Susan, debaixo da mão d’Hegai, tambem levaram Esther á casa do rei, debaixo da mão d’Hegai, guarda das mulheres.
9 E a moça pareceu formosa aos seus olhos, e alcançou graça perante elle; pelo que se apressurou [5] com os seus enfeites, e em lhe dar os seus quinhões, como tambem em lhe dar sete moças de respeito da casa do rei; e a fez passar com as suas moças ao melhor logar da casa das mulheres.
10 Esther [6] porém não declarou o seu povo e a sua parentela; porque Mardoqueo lhe tinha ordenado que o não declarasse.
11 E passeava Mardoqueo cada dia diante do pateo da casa das mulheres, para se informar de como Esther passava, e do que lhe succederia.
12 E, chegando já a vez de cada moça, para vir ao rei Assuero, depois que fôra feito a ella segundo a lei das mulheres, por doze mezes (porque assim se cumpriam os dias das suas purificações), seis mezes com oleo de myrrha, e seis mezes com especiarias, e com as coisas para a purificação das mulheres:
13 D’esta maneira pois entrava a moça ao rei: tudo quanto ella dizia se lhe dava, para se ir com aquillo da casa das mulheres á casa do rei:
14 Á tarde entrava, e pela manhã tornava á segunda casa das mulheres, debaixo da mão de Saasgaz, eunucho do rei, guarda das concubinas: não tornava mais ao rei, salvo se o rei a desejasse, e fosse chamada por nome.
15 Chegando pois a vez d’Esther, filha [7] d’Abihail, tio de Mardoqueo (que a tomara por sua filha), para ir ao rei, coisa nenhuma pediu, senão o que disse Hegai, eunucho do rei, guarda das mulheres: e alcançava Esther graça aos olhos de todos quantos a viam.
[Antes de Christo 514]
16 Assim foi levada Esther ao rei Assuero, á sua casa real, no decimo mez, que é o mez de tebeth, no setimo anno do seu reinado.
17 E o rei amou a Esther mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante elle graça e benevolencia mais do que todas as virgens: e poz a corôa real na sua cabeça, e a fez rainha em logar de Vasthi.
18 Então o rei fez um grande convite a [8] todos os seus principes e aos seus servos, que era o convite d’Esther: e deu repouso ás provincias, e fez presentes segundo o estado do rei.
19 E ajuntando-se segunda vez as virgens, [9] Mardoqueo estava assentado á porta do rei.
20 Esther [10] porém não declarava a sua parentela e o seu povo, como Mardoqueo lhe ordenara; porque Esther fazia o mandado de Mardoqueo, como quando a criara.
Mardoqueo descobre uma conspiração.
21 N’aquelles dias, assentando-se Mardoqueo á porta do rei, dois eunuchos do rei, dos guardas da porta, Bigthan e Theres, grandemente se indignaram, e procuraram pôr as mãos no rei Assuero.
22 E veiu isto ao conhecimento de Mardoqueo, [11] e elle fez saber á rainha Esther, e Esther o disse ao rei, em nome de Mardoqueo.
23 E inquiriu-se o negocio, e se descobriu, e ambos foram enforcados n’uma forca: e foi escripto [12] nas chronicas perante o rei.
[1] cap. 1.19, 20.
[2] II Reis 24.14, 15. II Chr. 36.10, 20. Jer. 24.1.
[3] ver. 15.
[4] ver. 3.
[5] ver. 3, 12.
[6] ver. 20.
[7] ver. 7.
[8] cap. 1.3.
[9] ver. 21. cap. 3.2.
[10] ver. 10.
[11] cap. 6.2.
[12] cap. 6.1.
Haman é exaltado, e cria odio a Mardoqueo.
[Antes de Christo 510]
3 Depois d’estas coisas o rei Assuero engrandeceu a Haman, filho d’Hammedatha, [1] agagita, e o exaltou: e poz o seu assento acima de todos os principes que estavam com elle.
2 E todos os servos do rei, que estavam [2] á porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Haman; porque assim tinha ordenado o rei ácerca d’elle: porém Mardoqueo [3] não se inclinava nem se prostrava.
3 Então os servos do rei, que estavam á porta do rei, disseram a Mardoqueo: Porque traspassas o [4] mandado do rei?
4 Succedeu pois que, dizendo-lhe elles isto de dia em dia, e não lhes dando elle ouvidos, o fizeram saber a Haman, para verem se as palavras de Mardoqueo se sustentariam, porque elle lhes tinha declarado que era judeo.
5 Vendo pois Haman que Mardoqueo se não inclinava nem se prostrava diante d’elle, [5] Haman se encheu de furor.
6 Porém em seus olhos teve em pouco de pôr as mãos só em Mardoqueo (porque lhe haviam declarado o povo de Mardoqueo); Haman pois procurou destruir a todos os judeos que havia em todo o reino d’Assuero, ao povo de Mardoqueo.
Haman pretende matar todos os judeos.
7 No primeiro mez (que é o mez de nisan), no anno duodecimo do rei Assuero, se lançou pur, isto [6] é, sorte, perante Haman, de dia em dia, e de mez em mez, até ao duodecimo mez, que é o mez d’adar.
8 E Haman disse ao rei Assuero: Ha um povo espargido e dividido entre os povos em todas as provincias do teu reino, [7] cujas leis são differentes das leis de todos os povos, e tão pouco fazem as leis do rei; pelo que não convém ao rei deixal-os ficar.
9 Se bem parecer ao rei, escreva-se que os matem: e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que se mettam nos thesouros do rei.
10 Então tirou o rei [8] o seu annel da sua mão, e o deu a Haman, filho d’Hammedatha, agagita, adversario dos judeos.
11 E disse o rei a Haman: Essa prata te é dada, como tambem esse povo, para fazeres d’elle o que bem parecer aos teus olhos.
12 Então [9] chamaram os escrivães do rei no primeiro mez, no dia treze do mesmo, e conforme a tudo quanto Haman mandou se escreveu aos principes do rei, e aos governadores que havia sobre cada provincia, e aos principaes de cada povo; a cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo segundo [10] a sua lingua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o annel do rei se sellou.
13 E as cartas se enviaram pela mão [11] dos correios a todas as provincias do rei, que destruissem, matassem, e lançassem a perder a todos os judeos desde o moço até ao velho, creanças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodecimo mez (que é o mez d’adar), [12] e que saqueassem o seu despojo.
14 Uma copia [13] do escripto que se proclamasse lei em cada provincia era publicada a todos os povos, para que estivessem preparados para aquelle dia.
15 Os correios, pois, impellidos pela palavra do rei, sairam, e a lei se proclamou na fortaleza de Susan; e o rei e Haman se assentaram a beber; porém a cidade de Susan [14] estava confusa.
[1] Num. 24.7. I Sam. 15.8.
[2] cap. 2.19.
[3] ver. 5.
[4] ver. 2.
[5] ver. 2. cap. 5.9. Dan. 3.19.
[6] cap. 9.24.
[7] Esd. 4.13. Act. 16.20.
[8] Gen. 41.42. cap. 8.2, 8.
[9] cap. 8.9.
[10] cap. 1.22 e 8.9.
[11] I Reis 21.8. cap. 8.8, 10, 12, etc.
[12] cap. 8.11.
[13] cap. 8.13, 14.
[14] cap. 8.15. Pro. 29.2.
A consternação e tristeza dos judeos.
4 Quando Mardoqueo soube tudo quanto havia passado, [1] rasgou Mardoqueo os seus vestidos, e vestiu-se de um sacco com cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande e amargo clamor;
2 E chegou até diante da porta do rei: porque ninguem vestido de sacco podia entrar pelas portas do rei.
3 E em todas as provincias aonde a palavra do rei e a sua lei chegava, havia entre os judeos grande luto, com jejum, e choro, e lamentação: e muitos estavam deitados em sacco e em cinza.
4 Então vieram as moças de Esther, e os seus eunuchos, e fizeram-lh’o saber, do que a rainha muito se doeu: e mandou vestidos para vestir a Mardoqueo, e tirar-lhe o seu sacco; porém elle os não acceitou.
5 Então Esther chamou a Hathach (um dos eunuchos do rei, que este tinha posto na presença d’ella), e deu-lhe mandado para Mardoqueo; para saber que era aquillo; e para quê.
6 E, saindo Hathach a Mardoqueo, á praça da cidade, que estava diante da porta do rei,
7 Mardoqueo lhe fez saber tudo quanto lhe tinha succedido; como tambem a offerta [2] da prata, que Haman dissera que daria para os thesouros do rei, pelos judeos, para os lançar a perder.
8 Tambem lhe deu a copia da lei escripta, [3] que se publicara em Susan, para os destruir, para a mostrar a Esther, e a fazer saber: e para lhe ordenar que, se fosse ter com o rei, e lhe pedisse e supplicasse na sua presença pelo seu povo.
9 Veiu pois Hathach, e fez saber a Esther as palavras de Mardoqueo.
10 Então disse Esther a Hathach, e mandou-lhe dizer a Mardoqueo:
11 Todos os servos do rei, e o povo das provincias do rei, bem sabem que todo o homem ou mulher que entrar no pateo interior ao rei [4] sem ser chamado não ha senão uma sentença, que morra, salvo se o rei estender para elle o sceptro d’oiro, para que viva; e eu estes trinta dias não sou chamada para entrar ao rei.
12 E fizeram saber a Mardoqueo as palavras d’Esther.
13 Então disse Mardoqueo que tornassem a dizer a Esther: Não imagines em teu animo que escaparás na casa do rei, mais do que todos os outros judeos.
14 Porque, se de todo te calares n’este tempo, soccorro e livramento d’outra parte sairá para os judeos, mas tu e a casa de teu pae perecereis: e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?
15 Então disse Esther que tornassem a dizer a Mardoqueo:
16 Vae, ajunta a todos os judeos que se acharem em Susan, e jejuae por mim, e não comaes nem bebaes por [5] tres dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças tambem assim jejuaremos: e assim entrarei a ter com o rei, ainda que não é segundo a lei; e, perecendo, pereça.
17 Então Mardoqueo foi, e fez conforme a tudo quanto Esther lhe ordenou.
[1] II Sam. 1.11. Jos. 7.6. Eze. 27.30. Gen. 27.34.
[2] cap. 3.9.
[3] cap. 3.14, 15.
[4] cap. 5.1. Dan. 2.9. cap. 5.2 e 8.4.
[5] cap. 3.5.
Esther entra á presença do rei, e convida-o, e a Haman, para dois banquetes.
5 Succedeu pois que ao terceiro dia [1] Esther se vestiu de seus vestidos reaes, e se poz no pateo interior da casa do rei, defronte do aposento do rei: e o rei estava assentado sobre o seu throno real, na casa real defronte da porta do aposento.
2 E succedeu que, vendo o rei a rainha Esther, que estava no pateo, alcançou graça aos seus [2] olhos, que o rei apontou para Esther com o sceptro d’oiro, que tinha na sua mão, e Esther chegou, e tocou a ponta do sceptro.
3 Então o rei lhe disse: Que é o que tens, rainha Esther? ou qual é a tua petição? até metade [3] do reino se te dará:
4 E disse Esther: Se bem parecer ao rei, venha o rei e Haman hoje ao convite que lhe tenho preparado.
5 Então disse o rei: Fazei apressar a Haman, que faça o mandado d’Esther. Vindo pois o rei e Haman ao banquete, que Esther tinha preparado,
6 Disse [4] o rei a Esther, no banquete do vinho: Qual é a tua petição? e se te dará: e qual é o teu requerimento? e se fará ainda até metade do reino.
7 Então respondeu Esther, e disse: Minha petição e requerimento é:
8 Se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a minha petição, e outorgar-me o meu requerimento, venha o rei com Haman ao banquete que lhes hei de preparar, e ámanhã farei conforme ao mandado do rei.
9 Então saiu Haman n’aquelle dia alegre e de bom animo: porém, vendo Haman a Mardoqueo á porta do rei, e que não se levantara [5] nem se movera por elle, então Haman se encheu de furor contra Mardoqueo.
10 Haman porém se refreou, e veiu á sua casa: e enviou, e mandou vir os seus amigos, e a Zeres sua mulher.
11 E contou-lhes Haman a gloria das suas riquezas [6] e a multidão de seus filhos, e tudo em que o rei o tinha engrandecido, e o em que o tinha exaltado sobre os principes e servos do rei.
12 Disse mais Haman: Tão pouco a rainha Esther a ninguem fez vir com o rei ao banquete que tinha preparado, senão a mim: e tambem para ámanhã estou convidado por ella juntamente com o rei.
13 Porém tudo isto me não satisfaz, emquanto vir o judeo Mardoqueo assentado á porta do rei.
14 Então lhe disse Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se uma forca [7] de cincoenta covados d’altura, e ámanhã dize ao rei que enforquem n’ella Mardoqueo, e então entra com o rei alegre ao convite. E este conselho bem pareceu a Haman, e mandou fazer [8] a forca.
[1] cap. 4.16. cap. 4.11. cap. 6.4.
[2] Pro. 21.1. cap. 4.11 e 8.4.
[3] Mar. 6.23.
[4] cap. 7.2 e 9.12.
[5] cap. 3.5.
[6] cap. 9.7, etc. cap. 3.1.
[7] cap. 7.9. cap. 6.4.
[8] cap. 7.10.
O rei lê as chronicas e determina honrar Mardoqueo.
6 N’aquella mesma noite fugiu o somno do rei: então mandou trazer o livro [1] das memorias das chronicas, e se leram diante do rei.
2 E achou-se escripto que Mardoqueo tinha dado noticia de Bigthan e de Teres, dois eunuchos do rei, dos da guarda da porta, que procuraram pôr as mãos no rei Assuero.
3 Então disse o rei: Que honra e magnificencia se fez por isto a Mardoqueo? E os mancebos do rei, seus servos, disseram: Coisa nenhuma se lhe fez.
4 Então disse o rei: Quem está no pateo? E Haman tinha [2] entrado no pateo exterior do rei, para dizer ao rei que enforcassem a Mardoqueo na forca que lhe tinha preparado.
5 E os mancebos do rei lhe disseram: Eis que Haman está no pateo. E disse o rei que entrasse.
6 E, entrando Haman, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada? Então Haman disse no seu coração: De quem se agradará o rei para lhe fazer honra mais do que a mim?
7 Pelo que disse Haman ao rei: O homem de cuja honra o rei se agrada,
8 Traga o vestido real de que o rei se costuma vestir, como tambem o cavallo em que o rei costuma andar montado, [3] e ponha-se-lhe a corôa real na sua cabeça;
9 E entregue-se o vestido e o cavallo, á mão d’um dos principes do rei, dos maiores senhores, e vistam d’elle aquelle homem de cuja honra se agrada: e levem-n’o a cavallo pelas ruas da cidade, [4] e apregôe-se diante d’elle: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!
10 Então disse o rei a Haman: Apressa-te, toma o vestido e o cavallo, como disseste, e faze assim para com o judeo Mardoqueo, que está assentado á porta do rei; e coisa nenhuma deixes cair de tudo quanto disseste.
11 E Haman tomou o vestido e o cavallo, e vestiu a Mardoqueo, e o levou a cavallo pelas ruas da cidade, e apregoou diante d’elle: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!
12 Depois d’isto Mardoqueo voltou para a porta do rei: porém Haman se retirou [5] correndo a sua casa, anojado, e coberta a cabeça.
13 E contou Haman a Zeres, sua mulher, e a todos os seus amigos, tudo quanto lhe tinha succedido. Então os seus sabios, e Zeres, sua mulher, lhe disseram: Se Mardoqueo, diante de quem já começaste a cair, é da semente dos judeos, não prevalecerás contra elle, antes certamente cairás perante elle.
14 Estando elles ainda fallando com elle, chegaram os eunuchos do rei, e se apressaram a levar Haman [6] ao banquete que Esther preparara.
[1] cap. 2.23.
[2] cap. 5.1, 14.
[3] I Reis 1.33.
[4] Gen. 41.43.
[5] II Chr. 26.20.
[6] cap. 5.8.
Esther denuncia Haman.
7 Vindo pois o rei com Haman, para beber com a rainha Esther,
2 Disse tambem o rei a Esther no segundo dia, [1] no banquete do vinho: Qual é a tua petição, rainha Esther? e se te dará: e qual é o teu requerimento? até metade do reino, se fará.
3 Então respondeu a rainha Esther, e disse: Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha petição, e o meu povo como meu requerimento.
4 Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, [2] para nos destruirem, matarem, e lançarem a perder: se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar-me-hia; ainda que o oppressor não recompensaria a perda do rei.
5 Então fallou o rei Assuero, e disse á rainha Esther: Quem é esse? e onde está esse, cujo coração o instigou a assim fazer?
6 E disse Esther: O homem, o oppressor, e o inimigo, é este mau Haman. Então Haman se perturbou perante o rei e a rainha.
7 E o rei no seu furor se levantou do banquete do vinho para o jardim do palacio; e Haman se poz em pé, para rogar á rainha Esther pela sua vida; porque viu que já o mal lhe era determinado pelo rei.
8 Tornando pois o rei do jardim do palacio á casa do banquete do vinho, Haman tinha caido prostrado [3] sobre o leito em que estava Esther. Então disse o rei: Porventura quereria elle tambem forçar a rainha perante mim n’esta casa? Saindo esta palavra da bocca do rei, cobriram a Haman [4] o rosto.
9 Então disse Harbona, [5] um dos eunuchos que serviam diante do rei: Eis aqui tambem a [6] forca de cincoenta covados de altura que Haman fizera para Mardoqueo, que fallara para bem do rei, está junto á casa de Haman. Então disse o rei: Enforcae-o n’ella.
10 Enforcaram pois a [7] Haman na forca, que elle tinha preparado para Mardoqueo. Então o furor do rei se aplacou.
[1] cap. 5.6.
[2] cap. 3.9 e 4.7.
[3] cap. 1.6.
[4] Job 9.24.
[5] cap. 1.10.
[6] cap. 5.14. Pro. 11.5, 6.
[7] Dan. 6.24.
O rei concede a Mardoqueo um edicto em favor dos judeos.
8 N’aquelle mesmo dia deu o rei Assuero á rainha Esther a casa d’Haman, inimigo dos judeos: e Mardoqueo veiu perante o rei; porque Esther tinha declarado [1] o que lhe era.
2 E tirou [2] o rei o seu annel, que tinha tomado a Haman, e o deu a Mardoqueo. E Esther ordenou a Mardoqueo sobre a casa d’Haman.
3 Fallou mais Esther perante o rei, e se lhe lançou aos pés: e chorou, e lhe supplicou que revogasse a maldade d’Haman, o agagita, e o seu intento que tinha intentado contra os judeos.
4 E estendeu o rei [3] para Esther o sceptro de oiro. Então Esther se levantou, e se poz em pé perante o rei,
5 E disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante elle, e se este negocio é recto diante do rei, e se eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se que se revoguem as cartas e o intento d’Haman filho d’Hammedatha, o agagita, as quaes elle escreveu para lançar a perder os judeos, que ha em todas as provincias do rei.
6 Porque [4] como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? e como poderei ver a perdição da minha geração?
7 Então disse o rei Assuero á rainha Esther e ao judeo Mardoqueo: Eis-que dei [5] a Esther a casa de Haman, e a elle enforcaram n’uma forca, porquanto quizera pôr as mãos nos judeos.
8 Escrevei pois aos judeos, como parecer bem aos vossos olhos, em nome do rei, e sellae-o com o annel do rei; porque [6] a escriptura que se escreve em nome do rei, e se sella com o annel do rei, não é para revogar.
9 Então foram chamados [7] os escrivães do rei, n’aquelle mesmo tempo, e no mez terceiro (que é o mez de sivan), aos vinte e tres do mesmo, e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueo aos judeos, como tambem aos satrapas, e aos governadores, e aos maioraes das provincias, que se estendem [8] da India até Ethiopia, cento e vinte e sete provincias, a cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo conforme a sua lingua: como tambem aos judeos segundo a sua escriptura, e conforme a sua lingua.
10 E se escreveu [9] em nome do rei Assuero, e se sellou com o annel do rei: e se enviaram as cartas pela mão de correios a cavallo, e que cavalgavam sobre ginetes, e sobre mulas e filhos de eguas.
11 Que o rei concedia aos judeos, que havia em cada cidade, que se ajuntassem, e se dispozessem para defenderem as suas vidas: para destruirem, matarem e assolarem a todas as forças do povo e provincia que com elles apertassem, creanças e mulheres, e que se [10] saqueassem os seus despojos,
12 N’um mesmo [11] dia, em todas as provincias do rei Assuero, no dia treze do duodecimo mez, que é o mez d’adar.
13 E a copia [12] da carta foi que uma ordem se annunciaria em todas as provincias, publicamente a todos os povos, para que os judeos estivessem preparados para aquelle dia, para se vingarem dos seus inimigos.
14 Os correios sobre ginetes e mulas apressuradamente sairam, impellidos pela palavra do rei: e foi publicada esta ordem na fortaleza de Susan.
15 Então Mardoqueo saiu da presença do rei com um vestido real azul celeste e branco, como tambem com uma grande corôa d’oiro, e com uma capa de linho fino e purpura, [13] e a cidade de Susan jubilou e se alegrou.
16 E para os judeos houve luz, e alegria, e gozo, e honra.
17 Tambem em toda a provincia, e em toda a cidade, aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeos alegria, e gozo, convites [14] e dias de folguedo: e muitos dos povos da terra se fizeram judeos; porque o temor dos judeos [15] tinha caido sobre elles.
[1] cap. 2.7.
[2] cap. 3.10.
[3] cap. 4.11 e 5.2.
[4] Neh. 2.3. cap. 7.4.
[5] ver. 1. Pro. 13.22.
[6] cap. 1.19. Dan. 6.8, 12, 15.
[7] cap. 3.12.
[8] cap. 1.32 e 3.12.
[9] I Reis 21.8. cap. 3.12, 13.
[10] cap. 9.10, 15, 16.
[11] cap. 3.13, etc. e 9.1.
[12] cap. 3.14, 15.
[13] cap. 3.15. Pro. 29.2.
[14] I Sam. 25.8. cap. 9.19, 22.
[15] Gen. 35.5. Exo. 15.16. Deu. 2.25 e 11.25. cap. 9.2.
Os judeos matam os seus inimigos.
[Antes de Christo 509]
9 E no [1] mez duodecimo, que é o mez d’adar, no dia treze do mesmo mez em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para a executar, no dia em que os inimigos dos judeos esperavam assenhorear-se d’elles, succedeu o contrario, porque os judeos foram os [2] que se assenhorearam dos seus aborrecedores.
2 Porque os judeos nas suas cidades, em todas as provincias do rei Assuero, [3] se ajuntaram para pôr as mãos n’aquelles que procuravam o seu mal: e nenhum parou diante d’elles; porque o seu terror caiu [4] sobre todos aquelles povos.
3 E todos os maioraes das provincias, e os satrapas, e os governadores, e os que faziam a obra do rei, exaltavam os judeos porque tinha caido sobre elles o temor de Mardoqueo.
4 Porque Mardoqueo era grande na casa do rei, e a sua fama sahia por todas as provincias; porque o homem Mardoqueo se ia engrandecendo.
5 Feriram pois os judeos a todos os seus inimigos, ás cutiladas da espada, e da matança e da destruição: e fizeram dos seus aborrecedores o que quizeram.
6 E na fortaleza de Susan mataram e destruiram os judeos quinhentos homens;
7 Como tambem a Parsandatha, e a Dalphon, e a Aspatha,
8 E a Poratha, e a Adalia, e a Aridatha,
9 E a Pharmasta, e a Arisai, e a Aridai, e a Vaizatha:
10 Os dez filhos d’Haman, filho d’Hammedatha, o inimigo dos judeos, mataram, [5] porém ao despojo não estenderam a sua mão.
11 No mesmo dia veiu perante o rei o numero dos mortos na fortaleza de Susan.
12 E disse o rei á rainha Esther: Na fortaleza de Susan mataram e destruiram os judeos quinhentos homens, e os dez filhos d’Haman; nas mais provincias do rei que fariam? qual é pois a [6] tua petição, e dar-se-te-ha; ou qual é ainda o teu requerimento? e far-se-ha.
13 Então disse Esther: Se bem parecer [7] ao rei, conceda-se tambem ámanhã aos judeos que se acham em Susan que façam conforme ao mandado d’hoje: e enforquem os dez filhos d’Haman n’uma forca.
14 Então disse o rei que assim se fizesse; e deu-se um edicto em Susan, e enforcaram os dez filhos d’Haman.
15 E ajuntaram-se [8] os judeos que se achavam em Susan tambem no dia quatorze do mez d’adar, e mataram em Susan a trezentos homens: porém ao despojo não estenderam a sua mão.
16 Tambem os demais [9] judeos que se achavam nas provincias do rei se ajuntaram para se pôrem em defeza da sua vida, e tiveram repouso dos seus inimigos; e mataram dos seus aborrecedores setenta e cinco mil; porém ao despojo não [10] estenderam a sua mão.
17 Succedeu isto no dia treze [11] do mez d’adar: e repousaram no dia quatorze do mesmo, e fizeram d’aquelle dia dia de banquetes e d’alegria.
18 Tambem os judeos, que se achavam em Susan se ajuntaram nos dias treze e quatorze do mesmo: e repousaram no dia quinze do mesmo, e fizeram d’aquelle dia dia de banquetes e d’alegria.
19 Os judeos porém das aldeias, que habitavam nas villas, fizeram do dia quatorze [12] do mez d’adar dia d’alegria e de banquetes, e dia de folguedo, e de mandarem presentes uns aos outros.
A festa de purim.
20 E Mardoqueo escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeos que se achavam em todas as provincias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe,
21 Ordenando-lhes que guardassem o dia quatorze do mez d’adar, e o dia quinze do mesmo, todos os annos,
22 Conforme aos dias em que os judeos tiveram repouso dos seus inimigos; e ao mez que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de folguedo; para que os fizessem dias de banquetes e d’alegria, e de mandarem [13] presentes uns aos outros, e aos pobres dadivas.
23 E se encarregaram os judeos de fazerem o que já tinham começado, como tambem o que Mardoqueo lhes tinha escripto.
24 Porque Haman, filho d’Hammedatha, o agagita, [14] inimigo de todos os judeos, tinha intentado destruir os judeos; e tinha lançado pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir.
25 Mas, vindo isto perante o rei, mandou elle por cartas que o seu mau intento, que intentara contra os judeos, se tornasse sobre [15] a sua cabeça; pelo que o enforcaram a elle e a seus filhos n’uma forca.
26 Por isso áquelles dias chamam purim, do nome pur; pelo que tambem por causa de todas as palavras d’aquella carta, [16] e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha succedido,
27 Confirmaram os judeos, [17] e tomaram sobre si, e sobre a sua semente, e sobre todos os que se achegassem a elles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevêra d’elles, e segundo o seu tempo determinado, todos os annos.
28 E que estes dias seriam lembrados e guardados por cada geração, familia, provincia, e cidade, e que estes dias de purim não traspassariam d’entre os judeos, e que a memoria d’elles nunca teria fim entre os de sua semente.
29 Depois d’isto escreveu a rainha Esther, [18] filha d’Abigail, e Mardoqueo o judeo, com toda a força, para confirmarem segunda vez esta carta de purim.
30 E mandaram cartas a todos os judeos, ás [19] cento e vinte e sete provincias do reino d’Assuero, com palavras de paz e fidelidade,
31 Para confirmarem estes dias de purim nos seus tempos determinados, como Mardoqueo, o judeo, e a rainha Esther lhes tinham estabelecido, e como elles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua semente, ácerca do jejum e do seu [20] clamor.
32 E o mandado d’Esther estabeleceu os successos d’aquelle purim: e escreveu-se n’um livro.
[1] cap. 8.12. cap. 3.13.
[2] II Sam. 22.41.
[3] cap. 8.11. ver. 16.
[4] cap. 8.17.
[5] cap. 5.11. Job 18.19 e 27.13, 14, 15. cap. 8.11.
[6] cap. 5.6 e 7.2.
[7] cap. 8.11. II Sam. 21.6, 9.
[8] ver. 2. cap. 8.11. ver. 10.
[9] ver. 2. cap. 8.11.
[10] cap. 8.11.
[11] ver. 11, 15.
[12] Deu. 16.11, 14. cap. 8.17. ver. 22. Neh. 8.10, 12.
[13] ver. 19. Neh. 8.11.
[14] cap. 3.6, 7.
[15] ver. 13, 14. cap. 7.5, etc. e 8.3, etc. cap. 7.10.
[16] ver. 20.
[17] cap. 8.17. Isa. 56.3, 6. Zac. 2.11.
[18] cap. 2.15. cap. 8.10. ver. 20.
[19] cap. 1.1.
[20] cap. 2.3 e 34.6.
Exaltação de Mardoqueo.
10 Depois d’isto poz o rei Assuero tributo sobre a terra, e sobre [1] as ilhas do mar,
2 E todas as obras do seu poder e do seu valor, e a declaração da grandeza de [2] Mardoqueo, a quem o rei engrandeceu, porventura não estão escriptas no livro das chronicas dos reis da Media e da Persia?
3 Porque o judeo Mardoqueo foi o segundo [3] depois do rei Assuero, e grande para com os judeos, e agradavel para com a multidão de seus irmãos, que procurava o [4] bem do seu povo, e fallava pela prosperidade de toda a sua nação.
[1] Gen. 10.5. Isa. 24.15.
[2] cap. 8.15 e 9.4.
[3] Gen. 41.40. II Chr. 28.7.
[4] Neh. 2.10.
[MT] O LIVRO DE JOB.
A virtude, tentação e perdas de Job.
[Antes de Christo 1520]
1 Havia um homem [1] na terra d’Uz, cujo nome era Job: e era este homem sincero, recto e temente a Deus e desviando-se do mal.
2 E nasceram-lhe sete filhos e tres filhas.
3 E era o seu gado sete mil ovelhas, e tres mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era tambem muitissima a gente ao seu serviço, de maneira que era este homem maior do que todos os do oriente.
4 E iam seus filhos, e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam, e convidavam as suas tres irmãs a comerem e beberem com elles.
5 Succedeu pois que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Job, e os sanctificava, e se levantava de madrugada, [2] e offerecia holocaustos segundo o numero de todos elles; porque dizia Job: Porventura peccaram meus filhos, e [MU] amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim o fazia Job continuamente.
6 E vindo [3] um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veiu tambem Satanaz entre elles.
7 Então o Senhor disse a Satanaz: D’onde vens? [4] E Satanaz respondeu ao Senhor, e disse: De rodeiar a terra, e passeiar por ella.
8 E disse o Senhor a Satanaz: [5] Consideraste tu a meu servo Job? porque ninguem ha na terra similhante a elle, homem sincero e recto, temente a Deus, e desviando-se do mal.
9 Então respondeu Satanaz ao Senhor, e disse: Porventura teme Job a Deus debalde?
10 Porventura não [6] o circumvallaste tu a elle, e a sua casa, e a tudo quanto tem? [7] A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado está augmentado na terra.
11 Mas estende [8] a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se te não amaldiçoa na tua face!
12 E disse o Senhor a Satanaz: Eis-que tudo quanto tem está na tua mão; sómente contra elle não estendas a tua mão. E Satanaz saiu da presença do Senhor.
13 E succedeu um [9] dia, em que seus filhos e suas filhas comiam, e bebiam vinho, na casa de seu irmão primogenito,
14 Que veiu um mensageiro a Job, e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a elles;
15 E deram sobre elles os sabeos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada: e só eu escapei tão sómente, para te trazer a nova.
16 Estando este ainda fallando, veiu outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu, e só eu escapei tão sómente para te trazer a nova.
17 Estando ainda este fallando, veiu outro, e disse: Ordenando os chaldeos tres tropas, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada: e só eu escapei tão sómente para te trazer a nova.
18 Estando ainda este fallando, veiu outro, e disse: Estando [10] teus filhos, tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogenito,
19 Eis que um grande vento sobreveiu d’além do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, e caiu sobre os mancebos, e morreram: e só eu escapei tão sómente, para te trazer a nova.
20 Então Job [11] se levantou, e rasgou o seu manto, e tosquiou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou,
21 E disse: Nu sahi do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, [12] e o Senhor o tomou: bemdito seja o nome do Senhor.
22 Em tudo [13] isto Job não peccou, nem attribuiu a Deus falta alguma.
[1] Gen. 22.20, 21. Eze. 14.14. Thi. 5.11. Gen. 6.9 e 17.1. cap. 2.3. Pro. 8.13 e 16.6.
[2] Gen. 8.20. cap. 42.8. I Reis 21.10, 13.
[3] cap. 2.1. I Reis 22.19. cap. 38.7.
[4] cap. 2.2. Mat. 12.43. I Ped. 5.8.
[5] cap. 2.3. ver. 1.
[6] Isa. 5.2.
[7] Pro. 10.22.
[8] cap. 2.6 e 19.21. Mal. 3.13, 14.
[9] Ecc. 9.12.
[10] ver. 4, 13.
[11] Gen. 37.29. Esd. 9.3. I Ped. 5.6.
[12] Ecc. 5.15. I Tim. 6.7. Ecc. 5.19. Thi. 1.17. Mat. 20.15. I The. 5.18.
[13] cap. 2.10.
A adversidade e cruel afflicção de Job.
2 E, vindo [1] outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veiu tambem Satanaz entre elles, apresentar-se perante o Senhor.
2 Então o Senhor [2] disse a Satanaz: D’onde vens? E respondeu Satanaz ao Senhor, e disse: De rodeiar a terra, e passeiar por ella.
3 E disse o Senhor a Satanaz: Consideraste ao meu servo Job? porque ninguem ha na terra similhante a elle, homem sincero e [3] recto, temente a Deus, e desviando-se do mal, e que ainda retem [4] a sua sinceridade; havendo-me tu incitado contra elle, para o consumir sem causa.
4 Então Satanaz respondeu ao Senhor, e disse: Pelle por pelle, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.
5 Porém estende [5] a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se te não amaldiçoa na tua face!
6 E disse [6] o Senhor a Satanaz: Eis-que elle está na tua mão; porém guarda a sua vida.
7 Então saiu Satanaz da presença do Senhor, e feriu a Job [MV] d’uma chaga maligna, [7] desde a planta do pé até ao alto da cabeça.
8 E tomou um caco para se raspar com elle: e estava [8] assentado no meio da cinza.
9 Então sua mulher lhe disse: Ainda [9] retens a tua sinceridade? amaldiçoa a Deus, e morre.
10 Porém elle lhe disse: Como falla qualquer das doidas, fallas tu; receberemos [10] o bem de Deus, e não receberiamos o mal? Em tudo isto não peccou Job com os seus labios.
11 Ouvindo [11] pois tres amigos de Job todo este mal que tinha vindo sobre elle, vieram cada um do seu logar; Eliphaz o temanita, e Bildad o suhita, e Sofar o naamathita; e concertaram juntamente de virem condoer-se d’elle, [12] e para o consolarem.
12 E, levantando de longe os seus olhos, não o conheceram: e levantaram a sua voz e choraram; e rasgaram cada um o seu manto, e sobre as suas cabeças lançaram [13] pó ao ar.
13 E se assentaram juntamente com elle na terra, sete dias [14] e sete noites: e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dôr era mui grande.
[1] cap. 1.6.
[2] cap. 1.7.
[3] cap. 1.1, 8.
[4] cap. 27.5, 6. cap. 9.17.
[5] cap. 1.11 e 19.20.
[6] cap. 1.12.
[7] Isa. 1.6.
[8] II Sam. 13.19. cap. 42.6. Eze. 27.30. Mat. 11.21.
[9] cap. 21.15. ver. 3.
[10] cap. 1.21. Rom. 12.12. Thi. 5.10, 11. cap. 1.22.
[11] Pro. 17.17. Gen. 36.11. Jer. 49.7. Gen. 25.2.
[12] cap. 42.11. Rom. 12.15.
[13] Neh. 9.1. Lam. 2.10. Eze. 27.30.
[14] Gen. 50.10.
Job amaldiçoa o seu nascimento e lamenta a sua miseria.
3 Depois d’isto abriu Job a sua bocca, e amaldiçoou o seu dia.
2 E Job respondeu, e disse:
3 Pereça [1] o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem!
4 Converta-se aquelle dia em trevas; e Deus de cima não tenha cuidado d’elle, nem resplandeça sobre elle a luz.
5 Contaminem-n’o as trevas [2] e a sombra de morte; habitem sobre elle nuvens: a escuridão do dia o espante!
6 A escuridão tome aquella noite, e não se goze entre os dias do anno, e não entre no numero dos mezes!
7 Ah que solitaria seja aquella noite, e suave musica não entre n’ella!
8 Amaldiçoem-n’a aquelles que amaldiçoam o dia, [3] que estão promptos para levantar o seu pranto.
9 Escureçam-se as estrellas do seu crepusculo; que espere a luz, e não venha: e não veja as pestanas dos olhos da alva!
10 Porque não fechou as portas do ventre; nem escondeu dos meus olhos a canceira?
11 Porque [4] não morri eu desde a madre? e em saindo do ventre, não expirei?
12 Porque [5] me receberam os joelhos? e porque os peitos, para que mamasse?
13 Porque já agora jazera e repousara; dormiria, e então haveria repouso para mim.
14 Com os reis e conselheiros da terra, que se edificavam casas nos logares [6] assolados,
15 Ou com os principes que tinham oiro, que enchiam as suas casas de prata,
16 Ou como aborto occulto, não existiria: como as creanças que não viram a luz.
17 Ali os maus cessam de perturbar: e ali repousam os cançados.
18 Ali os presos juntamente repousam, e não ouvem [7] a voz do exactor:
19 Ali está o pequeno e o grande, e o servo fica livre de seu senhor.
20 Porque [8] se dá luz ao miseravel, e vida aos [9] amargosos d’animo?
21 Que esperam [10] a morte, e não se acha: e cavam em busca d’ella mais do que de thesouros occultos:
22 Que d’alegria saltam, e exultam, achando a sepultura:
23 Ao homem, cujo caminho é occulto, e a quem [11] Deus o encobriu?
24 Porque antes do meu pão vem o meu suspiro: e os meus gemidos se derramam como agua.
25 Porque o temor que temo me veiu: e o que receiava me aconteceu.
26 Nunca estive descançado, nem soceguei, nem repousei, mas veiu sobre mim a perturbação.
[1] cap. 10.18, 19. Jer. 15.10, 20, 14.
[2] cap. 10.21, 22 e 16.16 e 28.3. Jer. 13.16. Amós 5.8.
[3] Jer. 9.17, 18.
[4] cap. 10.18.
[5] Gen. 30.3. Isa. 66.12.
[6] cap. 15.28.
[7] cap. 39.7.
[8] Jer. 20.18.
[9] I Sam. 1.10. II Reis 4.27. Pro. 31.6.
[10] Apo. 9.6. Pro. 2.4.
[11] cap. 19.8. Lam. 3.7.
Eliphaz reprehende Job.
4 Então respondeu Eliphaz o temanita, e disse:
2 Se intentarmos fallar-te, enfadar-te-has? mas quem poderia conter as palavras?
3 Eis que ensinaste a muitos, e esforçaste [1] as mãos fracas.
4 As tuas palavras levantaram os que tropeçavam [2] e os joelhos desfallecentes fortificaste.
5 Mas agora a ti te vem, e te enfadas: e, tocando-te a ti, te perturbas.
6 Porventura não era o [3] teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a sinceridade dos teus caminhos?
7 Lembra-te agora qual é o innocente que jamais perecesse? e onde foram os sinceros destruidos?
8 Como eu tenho visto, os que lavram iniquidade, e semeam trabalho segam [4] o mesmo.
9 Com o bafo de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem.
10 O bramido do leão, e a voz do leão feroz, e os dentes dos leõezinhos se quebrantam.
11 Perece o leão velho, porque não ha preza; e os filhos da leoa andam esparzidos.
12 Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro d’ella.
13 Entre imaginações de visões da noite, quando cae sobre os [5] homens o somno profundo;
14 Sobreveiu-me o espanto e o [6] tremor, e todos os meus ossos estremeceram.
15 Então um espirito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabellos da minha carne;
16 Parou elle, porém não conheci a sua feição; um vulto estava diante dos meus olhos: e, calando-me, ouvi uma voz que dizia:
17 Seria porventura [7] o homem mais justo do que Deus? seria porventura o varão mais puro do que o seu Creador?
18 Eis-que [8] nos seus servos não confiaria, e aos seus anjos imputaria loucura:
19 Quanto [9] menos n’aquelles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e são machucados como a traça!
20 Desde a manhã até á tarde são despedaçados: e eternamente perecem sem que d’isso se faça caso.
21 Porventura se não passa com elles a sua excellencia? morrem, porém sem sabedoria.
[1] Isa. 35.3.
[2] Isa. 35.3.
[3] cap. 1.1. Pro. 3.26.
[4] Pro. 22.8. Ose. 10.13. Gal. 6.7, 8.
[5] cap. 33.15.
[6] Hab. 3.16.
[7] cap. 9.2.
[8] cap. 15.15 e 25.5. II Ped. 2.4.
[9] cap. 15.16. II Cor. 4.7 e 5.1.
Eliphaz exhorta a Job a que busque a Deus.
5 Chama agora; ha alguem que te responda? e para qual dos sanctos te virarás?
2 Porque a ira destroe o louco; e o zelo mata o tolo.
3 Bem vi eu [1] o louco lançar raizes; porém logo amaldiçoei a sua habitação.
4 Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados ás portas, e não ha quem os livre.
5 A sua sega a devora o faminto, e até d’entre os [2] espinhos a tira; e o salteador traga a sua fazenda.
6 Porque do pó não procede a afflicção, nem da terra brota o trabalho.
7 Mas o homem [3] nasce para o trabalho, como as faiscas das brazas se levantam para voarem.
8 Porém eu buscaria a Deus; e a Elle dirigiria a minha falla.
9 Elle faz [4] coisas tão grandiosas, que se não podem esquadrinhar; e tantas maravilhas, que se não podem contar.
10 Que dá [5] a chuva sobre a terra, e envia aguas sobre os campos,
11 Para pôr [6] aos abatidos n’um logar alto: e para que os enlutados se exaltem na salvação.
12 Elle aniquila [7] as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a effeito.
13 Elle apanha [8] os sabios na sua propria astucia; e o conselho dos perversos se precipita.
14 Elles de dia [9] encontrem as trevas; e ao meio dia andem como de noite, ás apalpadelas.
15 Porém ao necessitado livra da espada, e da bocca d’elles, e da mão do forte.
16 Assim ha esperança para o pobre; [10] e a iniquidade tapa a sua bocca.
17 Eis que bemaventurado é o homem a quem [11] Deus castiga; pois não desprezes o castigo do Todo-poderoso.
18 Porque [12] elle faz a chaga, e elle mesmo a liga: elle fere, e as suas mãos curam.
19 Em seis angustias [13] te livrará; e na setima o mal te não tocará.
20 Na fome te livrará da morte; e na guerra da violencia da espada.
21 Do açoite da lingua estarás encoberto; e não temerás a assolação, quando vier.
22 Da assolação e [14] da fome te rirás, e os animaes da terra não temerás.
23 Porque até [15] com as pedras do campo terás a tua alliança; e os animaes do campo serão pacificos comtigo.
24 E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e não falharás.
25 Tambem saberás que se multiplicará a tua semente e a tua posteridade como a herva da terra.
26 Na [16] velhice virás á sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.
27 Eis que isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o, e medita n’isso para teu bem.
[1] Jer. 12.2, 3.
[2] Gen. 3.17, 18, 19. I Cor. 10.13.
[3] Gen. 3.17, 18, 19.
[4] cap. 9.10 e 37.5.
[5] cap. 28.23. Jer. 5.24 e 10.13 e 51.16. Act. 14.17.
[6] I Sam. 2.7.
[7] Neh. 4.15. Isa. 8.10.
[8] I Cor. 3.19.
[9] Deu. 28.29. Isa. 59.10. Amós 8.9.
[10] I Sam. 2.9.
[11] Pro. 3.11, 12. Heb. 12.5. Thi. 1.12. Apo. 3.19.
[12] Deu. 32.39. I Sam. 2.6. Isa. 30.26. Ose. 6.1.
[13] Pro. 24.16. I Cor. 10.13.
[14] Isa. 11.9 e 35.9 e 65.25. Eze. 34.25.
[15] Ose. 2.18.
[16] Pro. 9.11 e 10.27.
Job justifica as suas queixas.
6 Então Job respondeu, e disse:
2 Oh se a minha magoa rectamente se pezasse, e a minha miseria juntamente se alçasse n’uma balança!
3 Porque na verdade mais pesada seria, do que a areia [1] dos mares: por isso é que as minhas palavras se me afogam.
4 Porque as frechas do Todo-poderoso estão em mim, cujo ardente veneno me chupa o espirito: os terrores de Deus se armam contra mim.
5 Porventura zurrará o jumento montez junto á relva? ou berrará o boi junto ao seu pasto?
6 Ou comer-se-ha sem sal o que é insipido? ou haverá gosto na clara do ovo?
7 A minha alma recusa tocal-o, pois é como a minha comida fastienta.
8 Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me désse o que espero!
9 E que [2] Deus quizesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse!
10 Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me perdoando elle; porque não occultei [3] as palavras do Sancto.
11 Qual é a minha força, para que eu espere? ou qual é o meu fim, para que prolongue a minha vida?
12 É porventura a minha força a força de pedra? Ou é de cobre a minha carne?
13 Ou não está em mim a minha ajuda? ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?
14 Ao [4] que está afflicto devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-poderoso.
15 Meus irmãos [5] aleivosamente me fallaram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam.
16 Que estão encobertos com a geada, e n’elles se esconde a neve.
17 No tempo em que se derretem com o calor se desfazem, e em se aquentando, desapparecem do seu logar.
18 Desviam-se as veredas dos seus caminhos: sobem ao vacuo, e perecem.
19 Os caminhantes de [6] Tema os vêem; os passageiros de Sheba olham para elles.
20 Foram [7] envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem.
21 Agora [8] sois similhantes a elles: vistes o terror, e temestes.
22 Disse-vos eu: Dae-me ou offerecei-me da vossa fazenda presentes?
23 Ou livrae-me das mãos do oppressor? ou redemi-me das mãos dos tyrannos?
24 Ensinae-me, e eu me calarei: e dae-me a entender em que errei.
25 Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! mas que é o que argue a vossa arguição?
26 Porventura buscareis palavras para me reprehenderdes, visto que as razões do desesperado estão como vento?
27 Mas antes lançaes sortes sobre o orphão; e cavaes uma cova para o vosso amigo.
28 Agora pois, se sois servidos, virae-vos para mim; e vede se minto em vossa presença.
29 Voltae pois, não haja iniquidade: tornae-vos, [9] digo, que ainda a minha justiça apparecerá n’isso.
30 Ha porventura iniquidade na minha lingua? Ou não poderia o meu paladar dar a entender as minhas miserias?
[1] Pro. 27.3.
[2] I Reis 19.4.
[3] Act. 20.20. Lev. 19.2. Isa. 57.15. Ose. 11.9.
[4] Pro. 17.17.
[5] Jer. 15.18.
[6] Gen. 25.15. I Reis 10.1. Eze. 27.22, 23.
[7] Jer. 14.3.
[8] cap. 13.3.
[9] cap. 17.10.
7 Porventura [1] não tem o homem guerra sobre a terra? e não são os seus dias como os dias do jornaleiro?
2 Como o cervo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,
3 Assim me deram [2] por herança mezes de vaidade: e noites de trabalho me prepararam.
4 Deitando-me a dormir, então digo, [3] Quando me levantarei? mas comprida é a noite, e farto-me de me voltar na cama até á alva.
5 A minha carne se tem vestido de bichos [4] e de torrões de pó: a minha pelle está gretada, e se fez abominavel.
6 Os meus dias [5] são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e pereceram sem esperança.
7 Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.
8 Os olhos dos que agora me vêem não me verão [6] mais: os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.
9 Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquelle que desce á sepultura [7] nunca tornará a subir.
10 Nunca mais tornará á sua casa, nem o seu logar [8] jámais o conhecerá.
11 Por isso não reprimirei a [9] minha bocca: fallarei na angustia do meu espirito; queixar-me-hei na amargura da minha alma.
12 Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?
13 Dizendo eu: [10] Consolar-me-ha a minha cama: meu leito alliviará a minha ancia;
14 Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras:
15 Pelo que a minha alma escolheria antes a estrangulação: e antes a morte do que [MW] a vida.
16 A minha vida abomino, [11] pois não viveria para sempre: retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.
17 Que é [12] o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre elle o teu coração,
18 E cada manhã o visites, e cada momento o proves?
19 Até quando me não deixarás, nem me largarás, até que engula o meu cuspo?
20 Se pequei, que te farei, [13] ó Guarda dos homens? porque fizeste de mim um alvo para ti por tropeço, para que a mim mesmo me seja pesado?
21 E porque me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não estarei lá.
[1] cap. 14.5, 13, 14.
[2] cap. 29.2.
[3] Deu. 28.67. cap. 17.12.
[4] Isa. 14.11.
[5] cap. 9.25 e 16.22 e 17.11. Isa. 38.12. Thi. 4.14.
[6] cap. 20.9.
[7] II Sam. 12.23.
[8] cap. 8.18 e 20.9.
[9] I Sam. 1.10. cap. 10.1.
[10] cap. 9.27.
[11] cap. 10.20 e 14.6.
[12] Heb. 2.6.
[13] cap. 16.12. Lam. 3.12.
Bildad combate as palavras de Job e justifica a Deus.
8 Então respondeu Bildad o suhita, e disse:
2 Até quando fallarás taes coisas, e as razões da tua bocca serão como um vento impetuoso?
3 Porventura perverteria [1] Deus o direito? e perverteria o Todo-poderoso a justiça?
4 Se teus filhos [2] peccaram contra elle, tambem elle os lançou na mão da sua transgressão.
5 Mas, [3] se tu de madrugada buscares a Deus, e ao Todo-poderoso pedires misericordia,
6 Se fôres puro e recto, certamente logo despertará por ti, e restaurará a morada da tua justiça.
7 O teu principio, na verdade, terá sido pequeno, porém o teu ultimo estado crescerá em extremo.
8 Porque, pergunta [4] agora ás gerações passadas: e prepara-te para a inquirição de seus paes.
9 Porque [5] nós somos de hontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra.
10 Porventura não te ensinarão elles, e não te fallarão, e do seu coração não tirarão razões?
11 Porventura sobe o junco sem lodo? ou cresce a espadana sem agua?
12 Estando [6] ainda na sua verdura, ainda que a não cortem, todavia antes de qualquer outra herva se secca.
13 Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus: e a esperança do hypocrita [7] perecerá.
14 Cuja esperança fica frustrada: e a sua confiança será como a teia d’aranha.
15 Encostar-se-ha [8] á sua casa, mas não se terá firme: apegar-se-ha a ella, mas não ficará em pé.
16 Está sumarento antes que venha o sol, e os seus renovos saem sobre o seu jardim;
17 As suas raizes se entrelaçam junto á fonte, para o pedregal attenta.
18 Absorvendo-o [9] elle do seu logar, negal-o-ha este, dizendo: Nunca te vi?
19 Eis que este é alegria do seu caminho, e outros brotarão do pó.
20 Eis que Deus não rejeitará ao recto; nem toma pela mão aos malfeitores:
21 Até que de riso te encha a bocca, e os teus labios de jubilação.
22 Teus aborrecedores se vestirão de confusão, e a tenda dos impios não existirá mais.
[1] Gen. 18.25. Deu. 32.4. II Chr. 19.7. cap. 34.12, 17. Dan. 9.14. Rom. 3.5.
[2] cap. 1.5, 18.
[3] cap. 5.8 e 11.13 e 22.23, etc.
[4] Deu. 4.32 e 32.7. cap. 15.18.
[5] Gen. 47.9. I Chr. 29.15. cap. 7.6.
[6] Jer. 17.6.
[7] cap. 11.20 e 18.14 e 27.8. Pro. 10.28.
[8] cap. 27.18.
[9] cap. 7.10 e 20.9.
Job confessa a justiça de Deus e pede allivio á sua miseria.
9 Então Job respondeu, e disse:
2 Na verdade sei que assim é; porque como se justificaria o [1] homem para com Deus?
3 Se quizer contender com elle, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.
4 Elle é sábio [2] de coração, e forte de forças: quem se endureceu contra elle, e teve paz?
5 Elle é o que transporta as montanhas, sem que o sintam, e o que as transtorna no seu furor.
6 O que remove [3] a terra do seu logar, e as suas columnas estremecem.
7 O que falla ao sol, e não sae, e sella as estrellas.
8 O que só estende [4] os céus, e anda sobre os altos do mar.
9 O que faz [5] a Ursa, o Orion, e o Setestrello, e as recamaras do sul.
10 O que [6] faz coisas grandes, que se não podem esquadrinhar: e maravilhas taes que se não podem contar.
11 Eis que passa [7] por diante de mim, e não o vejo: e torna a passar perante mim, e não o sinto.
12 Eis que [8] arrebata; quem lh’o fará restituir? quem lhe dirá: Que é o que fazes?
13 Deus não revogará a sua ira: [9] debaixo d’elle se encurvam os auxiliadores soberbos.
14 Quanto menos lhe responderia eu! ou escolheria diante d’elle as minhas palavras!
15 A quem, [10] ainda que eu fosse justo, lhe não responderia: antes ao meu Juiz pediria misericordia.
16 Ainda que chamasse, e elle me respondesse, nem por isso creria que désse ouvidos á minha voz.
17 Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas [11] sem causa.
18 Nem me concede o respirar, antes me farta d’amarguras.
19 Quanto ás forças, eis que elle é o forte: e, quanto ao juizo, quem me citará com elle?
20 Se eu me justificar, a minha bocca me condemnará: se fôr recto, então me declarará por perverso.
21 Se fôr recto, não estimo a minha alma: deprezo a minha vida.
22 A coisa é esta; por isso eu digo que elle [12] consome ao recto e ao impio.
23 Matando o açoite de repente, então se ri da prova dos innocentes.
24 A terra se entrega na mão do impio; elle cobre [13] o rosto dos juizes: se não é elle, quem é logo?
25 E os meus [14] dias são mais velozes do que um correio: fugiram, e nunca viram o bem.
26 Passam como navios veleiros: como aguia [15] que se lança á comida.
27 Se eu [16] disser: Me esquecerei da minha queixa, e mudarei o meu rosto, e tomarei alento;
28 Receio todas as minhas dôres, porque bem [17] sei que me não terás por innocente.
29 E, sendo eu impio, por que trabalharei em vão?
30 Ainda que me lave [18] com agua de neve, e purifique as minhas mãos com sabão,
31 Ainda me submergirás no fosso, e os meus proprios vestidos me abominarão.
32 Porque elle não é homem, como eu, a quem eu [19] responda, vindo juntamente a juizo.
33 Não [20] ha entre nós arbitro que ponha a mão sobre nós ambos.
34 Tire [21] elle a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror.
35 Então fallarei, e não o temerei; porque assim não estou comigo.
[1] Rom. 3.20.
[2] cap. 36.5.
[3] Ecc. 9.2, 3. Eze. 21.3.
[4] II Sam. 15.30 e 19.4. Jer. 14.4.
[5] cap. 7.6, 7.
[6] Hab. 1.8.
[7] Jer. 2.22.
[8] Exo. 20.7.
[9] Jer. 2.22.
[10] cap. 10.15.
[11] cap. 2.3 e 34.6.
[12] Isa. 2.19, 21. Heb. 12.26. cap. 26.11.
[13] Gen. 1.6.
[14] Gen. 1.16. cap. 38.31, etc. Amós 5.8.
[15] cap. 5.9.
[16] cap. 23.8, 9 e 35.14.
[17] Isa. 45.9. Rom. 9.20.
[18] cap. 26.12.
[19] Ecc. 6.10. Rom. 9.20.
[20] ver. 19. I Sam. 2.25.
[21] cap. 13.20, 21, 22 e 33.7.
10 A minha alma [1] tem tedio á minha vida: darei livre curso á minha queixa, fallarei [2] na amargura da minha alma.
2 Direi a Deus: Não me condemnes: faze-me saber porque contendes comigo.
3 Parece-te bem que me opprimas? que rejeites o trabalho das tuas mãos? e resplandeças sobre o conselho dos impios?
4 Tens tu porventura olhos de carne? vês [3] tu como vê o homem?
5 São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus annos como os annos de um homem,
6 Para te informares da minha iniquidade, e averiguares o meu peccado?
7 Bem sabes tu que eu não sou impio: todavia ninguem ha que me livre da tua mão.
8 As tuas mãos me fizeram e me formaram todo em roda; comtudo me consomes.
9 Peço-te que te lembres de que como barro me formaste [4] e me farás tornar em pó.
10 Porventura não me vasaste como leite, e como queijo me não coalhaste?
11 De pelle e carne me vestiste, e com ossos e nervos me ligaste.
12 Vida e beneficencia me fizeste: e o teu cuidado guardou o meu espirito.
13 Porém estas coisas as occultaste no teu coração: bem sei eu que isto esteve comtigo.
14 Se eu peccar, tu me observas; e da minha iniquidade não me escusarás.
15 Se fôr impio, ai [5] de mim! e se fôr justo, não levantarei a minha cabeça: farto estou de affronta; e olho para a minha miseria.
16 Porque se vae crescendo; tu me caças [6] como a um leão feroz: tornaste, e fazes maravilhas contra mim.
17 Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; revezes e combate estão comigo.
18 Por [7] que pois me tiraste da madre? Ah se então dera o espirito, e olhos nenhuns me vissem!
19 Que tivera sido como se nunca fôra: e desde o ventre fôra levado á sepultura!
20 Porventura não são poucos os meus dias? [8] cessa pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento;
21 Antes que vá e d’onde nunca torne, á terra da escuridão e da sombra da morte;
22 Terra escurissima, como a mesma escuridão, terra da sombra, da morte e sem ordem alguma e onde a luz é como a escuridão.
[1] I Reis 19.4. cap. 7.16. Jon. 4.3, 8.
[2] cap. 7.11.
[3] I Sam. 16.7.
[4] Gen. 2.7 e 3.19. Isa. 64.8.
[5] Isa. 3.11. cap. 9.12, 15, 20, 21.
[6] Isa. 38.13. Lam. 3.10.
[7] cap. 3.11.
[8] cap. 7.16, 19.
Sofar reprehende Job, mostra a sabedoria de Deus e exhorta ao arrependimento.
11 Então respondeu Sofar, o naamathita, e disse:
2 Porventura não se dará resposta á multidão de palavras? E o homen fallador será justificado?
3 Ás tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguem te envergonhe?
4 Pois [1] tu disseste: A minha doutrina é pura, e limpo sou aos teus olhos.
5 Mas, na verdade, oxalá que Deus fallasse e abrisse os seus labios contra ti!
6 E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que ella é multiplice em efficacia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos [2] do que merece a tua iniquidade.
7 Porventura [3] alcançarás os caminhos de Deus? ou chegarás á perfeição do Todo-poderoso?
8 Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? mais profunda do que [MX] o inferno, que poderás tu saber?
9 Mais comprida é a sua medida do que a terra: e mais larga do que o mar.
10 Se [4] elle destruir, e encerrar, ou se recolher, quem o fará tornar para traz?
11 Porque elle conhece aos homens vãos, e vê o vicio; e não o terá em consideração?
12 Mas o homem vão é [5] falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montez.
13 Se tu preparaste [6] o teu coração, e estendeste as tuas mãos para elle!
14 Se ha iniquidade na tua mão, lança-a para longe de ti e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas.
15 Porque então [7] o teu rosto levantarás sem macula: e estarás firme, e não temerás.
16 Porque te esquecerás dos [8] trabalhos, e te lembrarás d’elles como das aguas que já passaram.
17 E a tua vida mais clara se levantará do que o meio dia; ainda que seja trevas, será como a manhã.
18 E terás confiança; porque haverá esperança; e buscarás e repousarás seguro.
19 E deitar-te-has, e ninguem te espantará; muitos supplicarão o teu rosto.
20 Porém os olhos [9] dos impios desfallecerão, e perecerá o seu refugio: e a sua esperança será o expirar da alma.
[1] cap. 6.10 e 10.7.
[2] Esd. 9.13.
[3] Ecc. 3.1, 1. Rom. 11.33.
[4] cap. 9.12 e 12.14. Apo. 3.7.
[5] Ecc. 3.18. Rom. 1.22.
[6] cap. 5.8 e 22.21. I Sam. 7.3.
[7] Gen. 4.5, 6. cap. 22.26. I João 3.21.
[8] Isa. 65.16.
[9] Lev. 26.16. Deu. 28.65. cap. 8.14 e 18.14. Pro. 11.7.
Job defende-se contra as accusaçoes de seus amigos.
12 Então Job respondeu, e disse:
2 Na verdade, que só vós sois o povo, e comvosco morrerá a sabedoria.
3 Tambem eu tenho [1] um coração como vós, e não vos sou inferior: e quem não sabe taes coisas como estas?
4 Eu sou irrisão aos [2] meus amigos; eu, que invoco a Deus, e elle me responde; o justo e o recto servem de irrisão.
5 Tocha desprezivel é [3] na opinião do que está descançado, aquelle que está prompto a tropeçar com os pés.
6 As tendas [4] dos assoladores teem descanço, e os que provocam a Deus estão seguros; nas suas mãos Deus lhes põe tudo.
7 Mas, pergunta agora ás bestas, e cada uma d’ellas t’o ensinará: e ás aves dos céus, e ellas t’o farão saber;
8 Ou falla com a terra, e ella t’o ensinará: até os peixes do mar t’o contarão.
9 Quem não entende por todas estas coisas que a mão do Senhor faz isto?
10 Em cuja mão está [5] a alma de tudo quanto vive, e o espirito de toda a carne humana.
11 Porventura o [6] ouvido não provará as palavras, como o paladar gosta as comidas?
12 Com os edosos está a [7] sabedoria, e na longura de dias o entendimento.
13 Com elle está a sabedoria [8] e a força: conselho e entendimento tem.
14 Eis que elle derriba, e não se reedificará: encerra o homem, e não se lhe abrirá.
15 Eis que elle retem [9] as aguas, e se seccam; e as larga, e transtornam a terra.
16 Com elle está a força e a sabedoria: seu é o errante e o que o faz errar.
17 Aos conselheiros leva despojados, e aos juizes faz [10] desvairar.
18 Solta a atadura dos reis, e ata o cinto aos seus lombos.
19 Aos principes leva despojados, aos poderosos transtorna.
20 Aos acreditados tira a [11] falla, e toma o entendimento aos velhos.
21 Derrama desprezo sobre os principes, e affrouxa o cinto dos violentos.
22 As profundezas das [12] trevas manifesta, e a sombra da morte traz á luz.
23 Multiplica [13] as gentes e as faz perecer; espalha as gentes, e as guia.
24 Tira o coração aos chefes das gentes da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho.
25 Nas trevas andam ás apalpadelas, [14] sem terem luz, e os faz desatinar como ebrios.
[1] cap. 13.2.
[2] cap. 16.10 e 21.3 e 30.1.
[3] Pro. 14.2.
[4] cap. 21.7. Jer. 12.1. Mal. 3.15.
[5] Num. 16.22. Dan. 5.23. Act. 17.29.
[6] cap. 34.3 e 6.30.
[7] cap. 32.7.
[8] cap. 9.4 e 36.5. cap. 11.10. Isa. 22.22. Apo. 3.7.
[9] I Reis 8.35 e 17.1.
[10] II Reis 15.31. Isa. 19.12 e 29.14. I Cor. 1.19.
[11] cap. 32.9. Isa. 3.1, 2, 3. Dan. 2.21.
[12] Dan. 2.22. Mat. 10.26. I Cor. 4.5.
[13] Isa. 9.3 e 26.15.
[14] Deu. 28.29. cap. 5.14.
13 Eis que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.
2 Como [1] vós o sabeis, o sei eu tambem; não vos sou inferior.
3 Mas [2] eu fallarei ao Todo-poderoso, e quero defender-me para com Deus.
4 Vós porém sois [3] inventores de mentiras, e vós todos medicos que não valem nada.
5 Oxalá vos calasseis de todo! que isso seria [4] a vossa sabedoria.
6 Ouvi agora a minha defeza, e escutae os argumentos dos meus labios.
7 Porventura [5] por Deus fallareis perversidade? e por elle fallareis engano?
8 Ou fareis acceitação da sua pessoa? ou contendereis por Deus?
9 Ser-vos-hia bom, se elle vos esquadrinhasse? ou zombareis d’elle, como se zomba d’algum homem?
10 Certamente vos reprehenderá, se em occulto fizerdes acceitação de pessoas.
11 Porventura não vos espantará a sua alteza? e não cairá sobre vós o seu temor?
12 As vossas memorias são como a cinza: as vossas alturas como alturas de lodo.
13 Calae-vos perante mim, e fallarei eu, e que fique alliviado algum tanto.
Job confia em Deus e deseja conhecei os seus peccados.
14 Por que razão tomo [6] eu a minha carne com os meus dentes, e ponho a minha [MY] vida na minha mão?
15 [7] Ainda que me matasse, n’elle esperarei; comtudo os meus caminhos defenderei diante d’elle.
16 Tambem elle será a salvação minha: porém o hypocrita não virá perante o seu rosto.
17 Ouvi com attenção as minhas razões, e com os vossos ouvidos a minha declaração.
18 Eis que já tenho ordenado a minha causa, e sei que serei achado justo.
19 Quem [8] é o que contenderá comigo? se eu agora me calasse, daria o espirito.
20 Duas coisas sómente [9] não faças para comigo; então me não esconderei do teu rosto:
21 Desvia a tua mão para longe, de sobre mim, e não me espante o teu terror.
22 Chama, pois, e eu responderei; ou eu fallarei, e tu responde-me.
23 Quantas culpas e peccados tenho eu? notifica-me a minha transgressão e o meu peccado.
24 Porque escondes [10] o teu rosto, e me [11] tens por teu inimigo?
25 Porventura quebrantarás a [12] folha arrebatada do vento? e perseguirás o restolho secco?
26 Porque escreves contra mim amarguras [13] e me fazes herdar as culpas da minha mocidade?
27 Tambem pões [14] no tronco os meus pés, e observas todos os meus caminhos, e marcas as solas dos meus pés.
28 Envelhecendo-se entretanto elle com a podridão, e como o vestido, ao qual roe a traça.
[1] cap. 12.3.
[2] cap. 23.3 e 31.35.
[3] cap. 6.21 e 16.2.
[4] Pro. 17.28.
[5] Deu. 28.29. cap. 5.14.
[6] cap. 18.4. I Sam. 28.21.
[7] Pro. 14.32. cap. 27.5.
[8] Isa. 50.8.
[9] cap. 9.34.
[10] Deu. 32.20. Isa. 8.17.
[11] Deu. 32.42. Lam. 2.5.
[12] Isa. 42.3.
[13] cap. 20.11.
[14] cap. 33.11.
Job roga o favor de Deus por causa da brevidade e miseria da vida humana.
14 O homem nascido da mulher é curto de dias e farto [1] de inquietação.
2 Sae como [2] a flôr, e se corta; foge tambem como a sombra, e não permanece.
3 E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar no juizo comtigo.
4 Quem do immundo tirará [3] o puro? Ninguem.
5 Visto que os seus dias estão [4] determinados, comtigo está o numero dos seus dias; e tu lhe pozeste limites, e não passará além d’elles.
6 Desvia-te [5] d’elle, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia.
7 Porque ha esperança para a arvore que, se fôr cortada, ainda se renovará, [6] e não cessarão os seus renovos
8 Se se envelhecer na terra a sua raiz, e morrer o seu tronco no pó,
9 Ao cheiro das aguas brotará, e dará ramos para a planta.
10 Porém, morrendo o homem, está abatido: e dando o homem o espirito, então onde está?
11 Como as aguas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica secco,
12 Assim o homem se deita, e não se levanta: até [7] que não haja mais céus não acordarão nem se erguerão de seu somno.
13 Oxalá me escondesses [MZ] na sepultura, e me occultasses até que a tua ira se desviasse: e me pozesses um limite, e te lembrasses de mim!
14 Morrendo o homem, porventura tornará a viver? todos os dias de meu combate esperaria, [8] até que viesse a minha mudança?
15 Chama-me, [9] e eu te responderei, e affeiçoa-te á obra de tuas mãos.
16 Pois agora [10] contas os meus passos: porventura não vigias sobre o meu peccado?
17 A minha transgressão está sellada [11] n’um sacco, e amontoas as minhas iniquidades.
18 E, na verdade, caindo a montanha, desfaz-se: e a rocha se remove do seu logar.
19 As aguas gastam as pedras, as cheias afogam o pó da terra: e tu fazes perecer a esperança do homem.
20 Tu para sempre prevaleces contra elle, e elle passa; tu, mudando o seu rosto, o despedes.
21 Os seus filhos estão em honra, sem que elle o saiba: ou ficam minguados [12] sem que elle o perceba:
22 Mas a sua carne n’elle tem dôres: e a sua alma n’elle lamenta.
[1] cap. 5.7. Ecc. 2.22.
[2] cap. 8.9. Isa. 40.6. Thi. 1.10, 11 e 4.14. I Ped. 1.24.
[3] Gen. 5.3. João 3.6. Rom. 5.12. Eph. 2.3.
[4] cap. 7.1.
[5] cap. 7.16, 19 e 10.20. cap. 7.1.
[6] ver. 14.
[7] Isa. 51.6 e 65.17 e 66.22. Act. 3.21. Rom. 8.20. II Ped. 3.7, 10, 11. Apo. 20.11 e 21.1.
[8] cap. 13.15. ver. 7.
[9] cap. 13.22.
[10] cap. 10.6, 14 e 13.27 e 31.4 e 34.21. Pro. 5.21. Jer. 32.19.
[11] Deu. 32.34. Ose. 13.12.
[12] Ecc. 9.5. Isa. 63.16.
Eliphaz accusa Job de impiedade.
15 Então respondeu Eliphaz o themanita, e disse:
2 Porventura dará o sabio por resposta sciencia de vento? e encherá o seu ventre de vento oriental?
3 Arguindo com palavras que de nada servem e com razões, com que nada aproveita?
4 E tu tens feito vão o temor, e diminues os rogos diante de Deus.
5 Porque a tua bocca declara a tua iniquidade; e tu escolheste a lingua dos astutos.
6 A tua bocca [1] te condemna, e não eu, e os teus labios testificam contra ti.
7 És tu porventura o primeiro homem que foi nascido? [2] ou foste gerado antes dos outeiros?
8 Ou ouviste [3] o secreto conselho de Deus? e a ti só limitaste a sabedoria?
9 Que sabes [4] tu, que nós não sabemos? e que entendes, que não haja em nós?
10 Tambem [5] ha entre nós encanecidos e edosos, muito mais edosos do que teu pae.
11 Porventura as consolações de Deus te são pequenas? ou alguma coisa se occulta em ti?
12 Porque te arrebata o teu coração? e porque acenam os teus olhos?
13 Para virares contra Deus o teu espirito, e deixares sair taes palavras da tua bocca?
14 Que [6] é o homem, para que seja puro? e o que nasce da mulher, para que fique justo?
15 Eis que nos [7] seus sanctos não confiaria, e nem os céus são puros aos seus olhos.
16 Quanto mais [8] abominavel e fedorento é o homem que bebe a [9] iniquidade como a agua?
Eliphaz mostra que o impio é atormentado n’esta vida.
17 Escuta-me, mostrar-t’o-hei: e o que vi te contarei
18 (O que os sabios annunciaram, ouvindo-o de seus paes, e o não [10] occultaram.
19 Aos quaes sómente se déra a terra, e nenhum estranho passou [11] por meis d’elles):
20 Todos os dias o impio se dá pena a si mesmo, e se reservam para o tyranno um certo numero d’annos.
21 O sonido dos horrores está nos seus [12] ouvidos: até na paz lhe sobrevem o assolador.
22 Não crê que tornará das trevas, e que está esperado da espada.
23 Anda vagueando por pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que já o dia [13] das trevas lhe está preparado á mão.
24 Assombram-n’o a angustia e a tribulação; prevalecem contra elle, como o rei preparado para a peleja.
25 Porque estende a sua mão contra Deus, e contra o Todo-poderoso se embravece.
26 Arremette contra elle com a dura cerviz, e contra os pontos grossos dos seus escudos.
27 Porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou enxundia nas ilhargas.
28 E habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguem morava, que estavam a ponto de fazer-se montões de ruinas.
29 Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela terra as suas possessões.
30 Não escapará das trevas; a chamma do fogo seccará os seus renovos, e ao assopro da sua bocca [14] desapparecerá.
31 Não confie pois na [15] vaidade enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa.
32 Antes [16] do seu dia ella se lhe cumprirá; e o seu ramo não reverdecerá.
33 Sacudirá as suas uvas verdes, como as da vide, e deixará cair a sua flor como a da oliveira.
34 Porque o ajuntamento dos hypocritas se fará esteril, e o fogo consumirá as tendas do soborno.
35 Concebem [17] o trabalho, e parem a iniquidade, e o seu ventre prepara enganos.
[1] Luc. 19.22.
[2] Pro. 8.25.
[3] Rom. 11.25, 34. I Cor. 2.11.
[4] cap. 13.2.
[5] cap. 32.6, 7.
[6] I Sam. 8.46. II Chr. 6.36. cap. 14.4. Pro. 20.9. Ecc. 7.20. I João 18.10.
[7] cap. 4.18 e 25.5.
[8] cap. 4.19.
[9] cap. 34.7. Pro. 19.28.
[10] cap. 8.8.
[11] Joel 3.17.
[12] I The. 5.3.
[13] cap. 18.12.
[14] cap. 4.9.
[15] Isa. 59.4.
[16] cap. 22.16.
[17] Isa. 59.4. Ose. 10.13.
Job accusa a seus amigos de falta de compaixão e misericordia.
16 Então respondeu Job, e disse:
2 Tenho ouvido muitas coisas como estas: todos vós sois consoladores [1] molestos.
3 Porventura não terão fim estas palavras de vento? ou que te irrita, para assim responderes?
4 Fallaria eu tambem como vós fallaes, se a vossa alma estivesse em logar da minha alma? ou amontoaria palavras contra vós, e menearia contra vós a minha cabeça?
5 Antes vos fortaleceria com a minha bocca, e a consolação dos meus labios abrandaria a dôr.
6 Se eu fallar, a minha dôr não cessa, e, calando-me eu, que mal me deixa?
7 Na verdade, agora me molestou: tu assolaste toda a minha companhia.
8 Testemunha d’isto é que já me fizeste enrugado, e a minha magreza já se levanta contra mim, e no meu rosto testifica contra mim.
9 Na sua ira me [2] despedaçou, e elle me perseguiu; rangeu os seus dentes contra mim: aguça o meu adversario os seus olhos [3] contra mim.
10 Bocejam [4] com a sua bocca contra mim; com desprezo me feriram nos queixos, e contra mim se ajuntam todos.
11 Entrega-me [5] Deus ao perverso, e nas mãos dos impios me faz cair.
12 Descançado estava eu, porém elle me quebrantou; e pegou-me pela cerviz, e me despedaçou; tambem me poz por seu alvo.
13 Cercam-me os seus frecheiros; atravessa-me os rins, e não me poupa, e o meu fel derrama em terra.
14 Quebranta-me com quebranto sobre quebranto: arremette contra mim como um valente.
15 Cosi sobre a minha [6] pelle o sacco, e revolvi a minha cabeça no pó.
16 O meu rosto todo está descorado de chorar, e sobre as minhas palpebras está a sombra da morte:
17 Não havendo porém violencia nas minhas mãos, e sendo pura a minha oração.
18 Ah! terra, não cubras o meu sangue; e não [7] haja logar para o meu clamor!
19 Eis que tambem agora está a minha [8] testemunha no céu, e a minha testemunha nas alturas.
20 Os meus amigos são os que zombam de mim; os meus olhos se desfazem em lagrimas diante de Deus.
21 Ah! [9] se se podesse contender com Deus pelo homem, como o filho do homem pelo seu amigo!
22 Porque se passarão poucos annos; e eu seguirei o caminho por onde não tornarei.
[1] cap. 13.4.
[2] cap. 10.16, 17.
[3] cap. 13.24.
[4] Lam. 3.30. Miq. 5.1.
[5] cap. 1.15, 17.
[6] cap. 30.19.
[7] cap. 27.9.
[8] Rom. 1.9.
[9] cap. 31.25. Ecc. 6.10. Isa. 45.9. Rom. 9.20.
17 O meu espirito se vae corrompendo, os meus dias se vão apagando, e tenho perante mim as [1] sepulturas.
2 Porventura não estão zombadores comigo? e os meus olhos não passam a noite chorando pelas suas amarguras?
3 Promette agora, e dá-me um fiador para comtigo: [2] quem ha que me dê a mão?
4 Porque aos seus corações encobriste o entendimento, pelo que não os exaltarás.
5 O que lisongeando falla aos amigos tambem os olhos de seus filhos desfallecerão.
6 Porém a mim me [3] poz por um proverbio dos povos, de modo que já sou uma abominação perante o rosto de cada um.
7 Pelo que já se escureceram de magoa os meus olhos, e já todos os meus membros são como a sombra:
8 Os rectos pasmarão d’isto, e o innocente se levantará contra o hypocrita.
9 E o justo seguirá o seu caminho firmemente, e o puro de mãos irá crescendo em força.
10 Mas, na verdade, tornae [4] todos vós, e vinde cá; porque sabio nenhum acho entre vós.
11 Os meus dias [5] passam, os meus propositos se quebraram, [NA] os pensamentos do meu coração.
12 Trocaram o dia em noite; a luz está perto do fim, por causa das trevas.
13 Se eu esperar, a sepultura será a minha casa; nas trevas estenderei a minha cama.
14 Á corrupção clamo: Tu és meu pae; e aos bichos: Vós sois minha mãe e minha irmã.
15 Onde pois estaria agora a minha esperança? emquanto á minha esperança, quem a poderá ver?
16 As barras da [6] sepultura descerão quando juntamente no pó haverá descanço.
[1] I Sam. 1.6, 7.
[2] Pro. 6.1 e 17.18 e 22.26.
[3] cap. 30.9.
[4] cap. 6.29.
[5] cap. 7.6 e 9.25.
[6] cap. 18.13. cap. 3.17.
Bildad accusa Job de presumpção e impaciencia.
18 Então respondeu Bildad, o suhita, e disse:
2 Até quando não fareis fim de palavras? considerae bem, e então fallaremos.
3 Porque somos estimados como bestas, e immundos aos vossos olhos?
4 Oh tu, que despedaças [1] a tua alma na tua ira, será a terra deixada por tua causa? e remover-se-hão as rochas do seu logar?
5 Na verdade, [2] a luz dos impios se apagará, e a faisca do seu fogo não resplandecerá.
6 A luz se escurecerá nas suas tendas, e a sua lampada [3] sobre elle se apagará.
7 Os passos do seu poder se estreitarão, e o seu conselho o derribará.
8 Porque [4] por seus proprios pés é lançado na rede, e andará nos fios enredados.
9 O laço o apanhará pelo calcanhar, e prevalecerá [5] contra elle o salteador.
10 Está escondida debaixo da terra uma corda, e uma armadilha na vereda.
11 Os assombros o espantarão em redor, e o farão correr d’uma parte para a outra, por onde quer que [6] apresse os passos.
12 Será faminto o seu rigor, [7] e a destruição está prompta ao seu lado.
13 O primogenito da morte consumirá as costellas da sua pelle: consumirá, digo, os seus membros.
14 A sua confiança [8] será arrancada da sua tenda, e isto o fará caminhar para o rei dos assombros.
15 Morará na sua mesma tenda, não lhe ficando nada: espalhar-se-ha enxofre sobre a sua habitação.
16 Por debaixo se seccarão as suas raizes, [9] e por de cima serão cortados os seus ramos.
17 A sua memoria [10] perecerá da terra, e pelas praças não terá nome.
18 Da luz o lançarão nas trevas, e afugental-o-hão do mundo.
19 Não terá filho [11] nem neto entre o seu povo, e resto nenhum d’elle ficará nas suas moradas.
20 Do seu dia se espantarão os vindouros, e os antigos serão sobresaltados de horror.
21 Taes são, na verdade, as moradas do perverso, e este é o logar do que não [12] conhece a Deus.
[1] cap. 13.14.
[2] Pro. 13.9 e 20.20 e 24.20.
[3] cap. 21.17.
[4] cap. 32.10.
[5] cap. 5.5.
[6] cap. 15.21 e 20.25. Jer. 6.25 e 20.3 e 46.5 e 49.29.
[7] cap. 15.23.
[8] cap. 8.14 e 11.20. Pro. 10.28.
[9] cap. 29.19. Isa. 5.24. Amós 2.9. Mal. 4.1.
[10] Pro. 2.22 e 10.7.
[11] Isa. 14.22. Jer. 22.30.
[12] Jer. 9.3 e 19.25. I The. 4.5. II The. 1.8. Tito 1.16.
Job queixa-se da obstinação e dureza dos seus amigos.
19 Respondeu porém Job, e disse:
2 Até quando entristecereis a minha alma, e me quebrantareis com palavras?
3 Já dez vezes [1] me envergonhastes; vergonha não tendes: contra mim vos endureceis.
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro.
5 Se devéras vos levantaes contra mim, e me arguis com o meu opprobrio,
6 Sabei agora que Deus é o que me transtornou, e com a sua rede me cercou.
7 Eis que clamo: Violencia; porém não sou ouvido; grito: Soccorro; porém não ha justiça.
8 O meu [2] caminho entrincheirou, e já não posso passar, e nas minhas veredas poz trevas.
9 Da minha honra me despojou; e tirou-me a corôa da minha cabeça.
10 Derribou-me elle em roda, e eu me vou, e arrancou a minha esperança, como a uma arvore.
11 E fez inflammar contrar mim a sua ira, [3] e me reputou para comsigo, como a seus inimigos.
12 Juntas vieram as suas tropas, [4] e prepararam contra mim o seu caminho, e se acamparam ao redor da minha tenda.
13 Poz longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem devéras me estranharam.
14 Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.
15 Os meus domesticos e as minhas servas me reputaram como um estranho, e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.
16 Chamei a meu creado, e elle me não respondeu, supplicando-lhe eu por minha propria bocca.
17 O meu bafo se fez estranho a minha mulher, e eu a supplico pelos filhos do meu corpo.
18 Até os rapazes [5] me desprezam, e, levantando-me eu, fallam contra mim.
19 Todos os homens do meu secreto conselho me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.
20 Os meus ossos se [6] apegaram á minha pelle e á minha carne, e escapei só com a pelle dos meus dentes.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, [7] porque a mão de Deus me tocou.
22 Porque me perseguis assim como Deus, e da minha carne vos não fartaes?
23 Quem me déra agora, que as minhas palavras se escrevessem! quem me dera, que se gravassem n’um livro!
24 E que, com penna de ferro, e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha!
25 Porque eu sei que o meu Redemptor vive, e que estará em pé no derradeiro dia sobre o pó.
26 E depois de roida a minha pelle, comtudo desde a minha carne [8] verei a Deus,
27 A quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outro: e por isso os meus rins se consomem no meu seio.
28 Na verdade, que devieis dizer: [9] Porque o perseguimos? Pois a raiz da [NB] accusação se acha em mim.
29 Temei vós mesmos a espada; porque o furor traz os castigos da espada, para saberdes que haverá um juizo.
[1] Gen. 31.7. Lev. 26.26.
[2] cap. 3.23.
[3] cap. 13.24. Lam. 2.5.
[4] cap. 30.12.
[5] II Reis 2.23.
[6] cap. 30.30. Lam. 4.8.
[7] cap. 1.11.
[8] I Cor. 13.12. I João 3.2.
[9] ver. 22.
Sofar descreve as calamidades que os impios soffrem.
20 Então respondeu Sofar, o naamathita, e disse:
2 Por isso é que os meus pensamentos me fazem responder, e portanto me apresso.
3 Eu ouvi a reprehensão, que me envergonha, mas o espirito do meu entendimento responderá por mim.
4 Porventura não sabes isto, que foi desde todo o tempo, desde que o homem foi posto sobre a terra?
5 A saber: que o jubilo dos impios é breve, e a alegria dos hypocritas como d’um momento?
6 Ainda que a sua altura [1] subisse até ao céu, e a sua cabeça chegasse até ás nuvens,
7 Comtudo como o seu proprio esterco perecerá para sempre: e os que o viam dirão: Onde está?
8 Como um sonho vôa, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite.
9 O olho [2] que já o viu jamais o verá, nem olhará mais para elle o seu logar.
10 Os seus filhos procurarão agradar aos pobres, e as suas mãos restaurarão [3] a sua fazenda.
11 Os seus ossos [4] se encherão dos seus peccados occultos, e juntamente se deitarão com elle no pó.
12 Ainda que o mal lhe seja doce na bocca, e elle o esconda debaixo da sua lingua,
13 E o guarde, e o não deixe, antes o retenha no seu paladar,
14 Comtudo a sua comida se mudará nas suas entranhas; fel d’aspides será interiormente.
15 Enguliu fazendas, porém vomitalas-ha; do seu ventre Deus as lançará.
16 Veneno d’aspides sorverá; lingua de vibora o matará.
17 Não verá as correntes, [5] os rios e os ribeiros de mel e manteiga.
18 Restituirá do seu trabalho, [6] e não o engulirá: conforme ao poder de sua mudança, e não saltará de gozo.
19 Porquanto opprimiu, desamparou os pobres, e roubou a casa que não edificou.
20 Porquanto não sentiu socego [7] no seu ventre; da sua tão desejada fazenda coisa nenhuma reterá.
21 Nada lhe sobejará do que coma; pelo que a sua fazenda não será duravel.
22 Estando já cheia a sua abastança, estará angustiado: toda a mão dos miseraveis virá sobre elle.
23 Haja porém ainda de que possa encher o seu ventre; comtudo Deus mandará sobre elle o ardor da sua ira, e a fará chover [8] sobre elle quando elle fôr a comer.
24 Ainda que fuja [9] das armas de ferro, o arco d’aço o atravessará.
25 Desembainhada a espada, sairá do seu corpo, e resplandecendo [10] virá do seu fel: e haverá sobre elle assombros.
26 Toda a escuridão se occultará nos seus esconderijos: um fogo não assoprado o consumirá: e com o que ficar na sua tenda irá mal.
27 Os céus manifestarão a sua iniquidade: e a terra se levantará contra elle.
28 As rendas de sua casa serão transportadas: no dia da sua ira todas se derramarão.
29 Esta, [11] da parte de Deus, é a porção do homem impio: e, da parte de Deus, a herança dos seus ditos.
[1] Isa. 14.13, 14. Abd. 3, 4.
[2] cap. 7.8, 10 e 8.18.
[3] ver. 18. cap. 13.26.
[4] cap. 21.26.
[5] Jer. 17.6.
[6] ver. 10, 15.
[7] Ecc. 5.13, 14.
[8] Num. 11.33.
[9] Isa. 24.18. Jer. 48.43. Amós 5.19.
[10] cap. 16.13 e 18.11.
[11] cap. 17.13 e 31.2, 3.
Job mostra que os impios muitas vezes gozam prosperidade n’esta vida.
21 Respondeu porém Job, e disse:
2 Ouvi attentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolações.
3 Soffrei-me, e eu fallarei: e, havendo eu fallado, [1] zombae.
4 Porventura eu me queixo a algum homem? porém, ainda que assim fosse, porque se não angustiaria o meu espirito?
5 Olhae para mim, e pasmae: e ponde a mão [2] sobre a bocca.
6 Porque, quando me lembro d’isto, me perturbo, e a minha carne é sobresaltada d’horror.
7 Por que razão [3] vivem os impios? envelhecem, e ainda se esforçam em poder?
8 A sua semente se estabelece com elles perante a sua face; e os seus renovos perante os seus olhos.
9 As suas casas teem paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre elles.
10 O seu touro gera, e não falha: pare a sua vacca, [4] e não aborta.
11 Mandam fóra as suas creanças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando.
12 Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som dos orgãos.
13 Na prosperidade gastam [5] os seus dias, e n’um momento descem á sepultura.
14 E, todavia, [6] dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.
15 Quem [7] é o Todo-poderoso, para que nós o sirvamos? e que nos aproveitará que lhe façamos orações?
16 Vêde porém que o seu bem não está na mão d’elles: [8] esteja longe de mim o conselho dos impios!
17 Quantas [9] vezes succede que se apaga a candeia dos impios, e lhes sobrevem a sua destruição? [10] e Deus na sua ira lhes reparte dôres!
18 Porque [11] são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho.
19 Deus guarda [12] a sua violencia para seus filhos, e lhe dá o pago, que o sente.
20 Seus olhos vêem a sua ruina, [13] e elle bebe do furor do Todo-poderoso.
21 Porque, que prazer teria na sua casa, depois de si, cortando-se-lhe o numero dos seus mezes?
22 Porventura [14] a Deus se ensinaria sciencia, a elle que julga os excelsos?
23 Este morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e socegado.
24 Os seus baldes estão cheios de leite, e os seus ossos estão regados de tutanos.
25 E outro morre, ao contrario, na amargura do seu coração, não havendo comido do bem.
26 Juntamente [15] jazem no pó, e os bichos os cobrem.
27 Eis que conheço bem os vossos pensamentos: e os maus intentos com que injustamente me fazeis violencia.
28 Porque direis: [16] Onde está a casa do principe? e onde a tenda das moradas dos impios?
29 Porventura o não perguntastes aos que passam pelo caminho? e não conheceis os seus signaes?
30 Que [17] o mau é preservado para o dia da destruição; e são levados no dia do furor.
31 Quem accusará diante d’elle [18] o seu caminho? e quem lhe dará o pago do que faz?
32 Finalmente é levado ás sepulturas, e vigia no montão.
33 Os torrões do valle lhe são doces, e attrahe a si a todo o homem; e diante de si ha innumeraveis.
34 Como pois me consolaes com vaidade? pois nas vossas respostas ainda resta a transgressão.
[1] cap. 16.10 e 17.2.
[2] Jui. 18.19. cap. 29.9 e 40.4.
[3] cap. 12.6. Jer. 12.1. Hab. 1.16.
[4] Exo. 23.26.
[5] cap. 36.11.
[6] cap. 22.17.
[7] Exo. 5.2. cap. 34.9. cap. 35.3. Mal. 3.14.
[8] cap. 22.18. Pro. 1.10.
[9] cap. 18.6.
[10] cap. 20.28, 29.
[11] Isa. 17.13 e 29.5. Ose. 13.3.
[12] Exo. 20.5.
[13] Isa. 51.17. Jer. 25.15. Apo. 14.10 e 19.15.
[14] Isa. 40.13 e 45.9. Rom. 11.34. I Cor. 2.16.
[15] cap. 20.11. Ecc. 9.2.
[16] cap. 20.7.
[17] Pro. 16.4. II Ped. 2.9.
[18] Gal. 2.11.
Eliphaz accusa Job de diversos peccados e o exhorta ao arrependimento.
22 Então respondeu Eliphaz o temanita, e disse:
2 Porventura [1] o homem será d’algum proveito a Deus? antes a si mesmo o prudente será proveitoso.
3 Ou tem o Todo-poderoso prazer em que tu sejas justo? ou lucro algum que tu faças perfeitos os teus caminhos?
4 Ou te reprehende, pelo temor que tem de ti? ou entra comtigo em juizo?
5 Porventura não é grande a tua malicia? e sem termo as tuas iniquidades?
6 Porque penhoraste a teus irmãos sem causa [2] alguma, e aos nus despiste os vestidos.
7 Não déste de beber agua ao cançado, [3] e ao faminto retiveste o pão.
8 Mas para o violento era a terra, e o homem tido em respeito habitava n’ella.
9 As viuvas despediste vazias, e os braços dos orphãos foram [4] quebrantados.
10 Por isso é que estás cercado de laços, [5] e te perturbou um pavor repentino,
11 Ou as trevas que não vês, e a abundancia [6] d’agua que te cobre.
12 Porventura Deus não está na altura dos céus? olha pois para o cume das estrellas, quão levantadas estão.
13 E dizes que sabe Deus d’isto? porventura julgará por entre a escuridão?
14 As nuvens são escondedura para elle, para que não veja: e passeia pelo circuito dos céus.
15 Porventura consideraste a vereda do seculo passado, que pisaram os homens iniquos?
16 Os quaes foram arrebatados [7] antes do seu tempo: sobre cujo fundamento um diluvio se derramou.
17 Diziam [8] a Deus: Retira-te de nós. E que é o que o Todo-poderoso lhes fez?
18 Sendo elle o que enchera de bens as suas casas: mas o [9] conselho dos impios esteja longe de mim.
19 Os justos o viram, e se alegraram, e o innocente escarneceu d’elles.
20 Porquanto o nosso estado não foi destruido, mas o fogo consumiu o resto d’elles.
21 Acostuma-te pois a elle, e [10] tem paz, e assim te sobrevirá o bem.
22 Acceita, peço-te, a lei da sua bocca, e põe as suas palavras no teu coração.
23 Se te converteres [11] ao Todo-poderoso, serás edificado: affasta a iniquidade da tua tenda.
24 Então amontoarás [12] oiro como pó, e o oiro d’Ophir como pedras dos ribeiros.
25 E até o Todo-poderoso te será por oiro, e a tua prata amontoada.
26 Porque então te deleitarás [13] no Todo-poderoso, [14] e levantarás o teu rosto para Deus.
27 Devéras orarás, a elle, e elle te ouvirá, e pagarás os teus votos.
28 Determinando tu algum negocio, ser-te-ha firme, e a luz brilhará em teus caminhos.
29 Quando abaterem, então tu dirás: Haja exaltação: e Deus salvará [15] ao humilde.
30 E livrará até ao que não é innocente; porque fica livre pela pureza de tuas mãos.
[1] cap. 35.7. Luc. 17.10.
[2] Exo. 22.26, 27. Deu. 24.10, etc. cap. 24.3, 9. Eze. 18.12.
[3] cap. 31.17. Deu. 15.7, etc. Isa. 58.7. Eze. 18.7, 16. Mat. 25.42.
[4] cap. 31.21. Isa. 10.2. Eze. 22.7.
[5] cap. 18.8, 9, 10 e 19.6.
[6] Lam. 3.54.
[7] cap. 15.32.
[8] cap. 21.14. Psa. 4.6.
[9] cap. 21.16.
[10] Isa. 27.5.
[11] cap. 8.5, 6 e 11.13, 14.
[12] II Chr. 1.15.
[13] cap. 27.10. Isa. 58.14.
[14] cap. 11.15. Isa. 58.9.
[15] Pro. 29.23. Thi. 4.6. I Ped. 5.5.
Job deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericordia.
23 Respondeu porém Job, e disse:
2 Ainda hoje a minha queixa está em amargura: a violencia da minha praga mais se aggrava do que o meu gemido.
3 Ah se eu [1] soubesse que o poderia achar! então me chegaria ao seu tribunal.
4 Com boa ordem exporia ante elle a minha causa, e a minha bocca encheria d’argumentos.
5 Saberia as palavras com que elle me responderia, e entenderia o que me dissesse.
6 Porventura segundo a grandeza de seu poder contenderia [2] comigo? não; elle só o põe em mim.
7 Ali o recto pleitearia com elle, e eu me livraria para sempre do meu Juiz.
8 Eis que se me [3] adianto, ali não está: se torno para traz, não o percebo.
9 Se obra a mão esquerda, não o vejo: se se encobre á mão direita, não o diviso.
10 Porém elle sabe o meu caminho: prove-me, [4] e sairei como o oiro.
11 Nas suas pizadas os meus pés se affirmaram: guardei o seu caminho, e não me desviei d’elle.
12 Do preceito de seus labios nunca me apartei, e as palavras da sua bocca guardei mais do que a minha porção.
13 Mas, se elle está contra alguem, quem então [5] o desviará? o que a sua alma quizer isso fará.
14 Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem [6] comsigo.
15 Por isso me perturbo perante elle, considero, e temo-me d’elle.
16 Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-poderoso me perturbou.
17 Porquanto não fui desarreigado antes das trevas, e nem encobriu com a escuridão o meu rosto.
[1] cap. 13.3 e 16.21.
[2] Isa. 57.16.
[3] cap. 9.11.
[4] Thi. 1.12.
[5] cap. 12.14. Rom. 9.19.
[6] I The. 3.3.
Job contesta que os impios, muitas vezes, ficam sem castigo n’esta vida.
24 Visto que do Todo-poderoso se não encobriram os tempos [1] porque, os que o conhecem, não vêem os seus dias?
2 Até os limites removem: [2] roubam os rebanhos, e os apascentam.
3 Levam [3] o jumento do orphão: tomam em penhor o boi da viuva.
4 Desviam do caminho aos necessitados; e os miseraveis da terra juntos se escondem [4] d’elles.
5 Eis que, como jumentos montezes no deserto, saem á sua obra, madrugando para a preza: o campo raso dá mantimento a elles e aos seus filhos.
6 No campo segam o seu pasto, e vindimam a vinha do impio.
7 Ao nu [5] fazem passar a noite sem roupa, não tendo elle coberta contra o frio.
8 Das correntes das montanhas são molhados, e, não tendo refugio, abraçam-se [6] com as rochas.
9 Ao orphãosinho arrancam dos peitos, e penhoram o que ha sobre o pobre.
10 Fazem com que os nus vão sem vestido e famintos aos que carregam com as espigas.
11 Entre as suas paredes espremem o azeite: pisam os lagares, e ainda teem sêde.
12 Desde as cidades gemem os homens, e a alma dos feridos exclama, e comtudo Deus lh’o não imputa como loucura.
13 Elles estão entre os que se oppõem á luz: não conhecem os seus caminhos d’ella, e não permanecem nas suas veredas.
14 De madrugada se levanta o homicida, mata o pobre e necessitado, e de noite é como o ladrão.
15 Assim como o [7] olho do adultero aguarda o crepusculo, dizendo: Não me verá olho nenhum: e occulta o rosto,
16 Nas trevas minam as casas que de dia se assignalaram: não [8] conhecem a luz.
17 Porque a manhã para todos elles é como a sombra de morte; porque, sendo conhecidos, sentem os pavores da sombra da morte.
18 É ligeiro sobre a face das aguas; maldita é a sua parte sobre a terra: não se vira pelo caminho das vinhas.
19 A seccura e o calor desfazem as aguas da neve; assim desfará a sepultura aos que peccaram.
20 A madre se esquecerá d’elle, os bichos o comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança [9] d’elle: e a iniquidade se quebrará como arvore.
21 Afflige á esteril que não pare, e á viuva não faz bem:
22 Até aos poderosos arrasta com a sua força: se se levanta, não ha vida segura.
23 Se Deus lhes dá descanço, estribam-se n’isso: seus [10] olhos porém estão nos caminhos d’elles.
24 Por um pouco se alçam, e logo desapparecem: são abatidos, encerrados como todos, e cortados como as cabeças das espigas.
25 Se agora não é assim, quem me desmentirá e desfará as minhas razões?
[1] Act. 1.7.
[2] Deu. 19.14 e 27.17. Pro. 22.28 e 23.10. Ose. 5.10.
[3] Deu. 24.6, 10, 12, 17. cap. 22.6.
[4] Pro. 28.28.
[5] Exo. 22.26, 27. Deu. 24.12, 13. cap. 22.6.
[6] Lam. 4.5.
[7] Pro. 7.9.
[8] João 3.20.
[9] Pro. 10.7.
[10] Pro. 15.3.
Bildad sustenta que o homem não pode, sem presumção, justificar-se diante de Deus.
25 Então respondeu Bildad o suhita, e disse:
2 Com elle estão dominio e temor; elle faz paz nas suas alturas.
3 Porventura teem numero as suas tropas? e sobre quem não surge a sua [1] luz?
4 Como pois seria justo [2] o homem para com Deus? e como seria puro aquelle que nasce da mulher?
5 Olha, até a lua não resplandece, e as estrellas não são puras aos seus olhos.
6 E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho.
[1] Thi. 1.17.
[2] cap. 4.17, etc. e 15.14, etc.
Job reprehende Bildad e exalta o poder de Deus.
26 Porém Job respondeu e disse:
2 Como ajudaste aquelle que não tinha força? e sustentaste o braço que não tinha vigor?
3 Como aconselhaste aquelle que não tinha sabedoria, e plenamente lhe fizeste saber a causa, assim como era?
4 A quem proferiste palavras? e cujo é o espirito que saiu de ti?
5 Os mortos tremem debaixo das aguas, com os seus moradores d’ellas.
6 O inferno está nú [1] perante elle, e não ha coberta para a perdição.
7 O norte estende [2] sobre o vazio: a terra pendura sobre o nada.
8 Prende as [3] aguas nas suas nuvens, todavia a nuvem não se rasga debaixo d’ellas.
9 Encobre a face do seu throno, e sobre ella estende a sua nuvem.
10 Assignalou limite [4] sobre a superficie das aguas ao redor d’ellas, até que se acabem a luz e as trevas.
11 As columnas do céu tremem, e se espantam da sua ameaça.
12 Com a sua força [5] fende o mar, e com o seu entendimento abate a sua soberba.
13 Pelo seu Espirito ornou os céus: a sua mão formou a serpente [6] enroscadiça.
14 Eis que isto são só as bordas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido d’elle! Quem pois entenderia o trovão do seu poder?
[1] Pro. 15.11. Heb. 4.13.
[2] cap. 9.8.
[3] Pro. 30.4.
[4] cap. 38.8. Pro. 8.29. Jer. 5.22.
[5] Isa. 51.15. Jer. 31.35.
[6] Isa. 27.1.
Job sustenta sua integridade e sinceridade.
27 E proseguiu Job em proferir o seu dito, e disse:
2 Vive Deus, [1] que desviou a minha causa, e o Todo-poderoso, que amargurou a minha alma.
3 Que, emquanto em mim houver alento, e o sopro de Deus nos meus narizes,
4 Não fallarão os meus labios iniquidade, nem a minha lingua pronunciará engano.
5 Longe de mim que eu vos justifique: até que [2] eu expire, nunca apartarei de mim a minha sinceridade.
6 A minha justiça me apegarei [3] e não a largarei: não me remorderá o meu coração em toda a minha vida.
7 Seja como o impio o meu inimigo, e o que se levantar contra mim como o perverso.
8 Porque [4] qual será a esperança do hypocrita, havendo sido avaro, quando Deus lhe arrancar a sua alma?
9 Porventura [5] Deus ouvirá o seu clamor, sobrevindo-lhe a tribulação?
10 Ou deleitar-se-ha no Todo-poderoso? ou invocará a Deus em todo o tempo?
11 Ensinar-vos-hei [6] ácerca da mão de Deus, e não vos encobrirei o que está com o Todo-poderoso.
12 Eis que todos vós já o vistes: porque pois vos desvaneceis na vossa vaidade?
13 Esta pois é a [7] porção do homem impio para com Deus, e a herança, que os tyrannos receberão do Todo-poderoso.
14 Se [8] os seus filhos se multiplicarem, será para a espada, e os seus renovos se não fartarão de pão.
15 Os que ficarem d’elle na morte serão enterrados, e as suas viuvas não chorarão.
16 Se amontoar prata como pó, e apparelhar vestidos como lodo;
17 Elle os apparelhará, porém [9] o justo os vestirá, e o innocente repartirá a prata.
18 E edificará a sua casa como a traça, e como o guarda que faz a [10] cabana.
19 Rico se deita, e não será recolhido: seus olhos abre, e elle não será.
20 Pavores se [11] apoderam d’elle como aguas: de noite o arrebatará a tempestade.
21 O vento oriental o levará, e ir-se-ha, e o tempestuoso o arrebatará do seu logar.
22 E Deus lançará isto sobre elle, e não lhe poupará; irá fugindo da sua mão.
23 Cada um baterá contra elle as palmas das mãos, e do seu logar o assobiará.
[1] cap. 34.5.
[2] cap. 2.9 e 13.15.
[3] Act. 24.16.
[4] Mat. 16.26. Luc. 12.20.
[5] cap. 35.12. Pro. 1.28 e 28.9. Eze. 8.18. Miq. 3.4. João 9.31. Thi. 4.3.
[6] cap. 22.26, 27.
[7] cap. 20.29.
[8] Deu. 28.41. Ose. 9.13.
[9] Pro. 28.8. Ecc. 2.26.
[10] Isa. 1.8. Lam. 2.6.
[11] cap. 18.11.
O homem tem sciencia das coisas da terra, mas a sabedoria é dom de Deus.
28 Na verdade, ha veia d’onde se tira a prata, e para o oiro logar em que o derretem.
2 O ferro se toma do pó, e da pedra se funde o metal.
3 Elle poz fim ás trevas, e toda a extremidade elle esquadrinha, a pedra da escuridão e da sombra da morte.
4 Trasborda o ribeiro junto ao que habita ali, de maneira que se não possa passar a pé: então se esgota do homem, e as aguas se vão.
5 Da terra procede o pão, e debaixo d’ella se converte como em fogo.
6 As suas pedras são o logar da saphira, e tem pósinhos d’oiro.
7 Vereda que ignora a ave de rapina, e que não viu os olhos da gralha.
8 Nunca a pisaram filhos d’animaes altivos, nem o feroz leão passou por ella.
9 Estendeu a sua mão contra o rochedo, e transtorna os montes desd’as suas raizes.
10 Dos rochedos faz sair rios, e o seu olho viu tudo o que ha precioso.
11 Os rios tapa, e nem uma gotta sae d’elles, e tira á luz o que estava escondido.
12 Porém d’onde se achará [1] a sabedoria? e onde está o logar da intelligencia?
13 O homem não sabe [2] a sua valia, e não se acha na terra dos viventes.
14 O abysmo diz: [3] Não está em mim: e o mar diz: Ella não está comigo.
15 Não se [4] dará por ella oiro fino, nem se pesará prata em cambio d’ella.
16 Nem se pode comprar por oiro fino d’Ophir, nem pelo precioso onyx, nem pela saphira.
17 Com ella se não póde comparar o oiro nem o crystal; nem se dá em troca d’ella joia d’oiro fino.
18 Não se fará menção de coral nem de perolas; porque o desejo da sabedoria é melhor que o dos rubins.
19 Não se lhe igualará o topazio de Cus, nem se póde comprar por oiro puro.
20 D’onde pois [5] vem a sabedoria? e onde está o logar da intelligencia?
21 Porque está encoberta aos olhos de todo o vivente, e occulta ás aves do céu.
22 A perdição [6] e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama.
23 Deus entende o seu caminho, e elle sabe o seu logar.
24 Porque elle vê as extremidades da terra; e vê tudo [7] o que ha debaixo dos céus:
25 Dando peso ao vento, e tomando a medida das aguas.
26 Prescrevendo [8] lei para a chuva e caminho para o relampago dos trovões.
27 Então a viu e relatou, a preparou, e tambem a esquadrinhou.
28 Porém disse ao homem: Eis que o temor [9] do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal, a intelligencia.
[1] ver. 20. Ecc. 7.24.
[2] Pro. 3.35.
[3] ver. 22. Rom. 11.32, 34.
[4] Pro. 3.13, 14, 15 e 8.10, 11, 19 e 16.16.
[5] ver. 12.
[6] ver. 14.
[7] Pro. 15.3.
[8] cap. 38.25.
[9] Deu. 4.6. Pro. 1.7 e 9.10. Ecc. 12.13.
Lamentação de Job lembrando-se do seu primeiro estado.
29 E proseguiu Job em proferir o seu dito, e disse:
2 Ah! quem me dera ser como eu fui nos mezes [1] passados! como nos dias em que Deus me guardava!
3 Quando [2] fazia resplandecer a sua candeia sobre a minha cabeça e quando eu pela sua luz caminhava pelas trevas:
4 Como era nos dias da minha mocidade, quando [NC] o segredo de Deus estava sobre a minha tenda:
5 Quando o Todo-poderoso ainda estava comigo, e os meus meninos em redor de mim.
6 Quando [3] lavava os meus passos na manteiga, e da rocha me corriam ribeiros de azeite:
7 Quando sahia a porta pela cidade, e na praça fazia preparar a minha cadeira:
8 Os moços me viam, e se escondiam, e até os edosos se levantavam e se punham em pé:
9 Os principes continham as suas palavras, e punham a [4] mão sobre a sua bocca:
10 A voz dos chefes se escondia: e a sua lingua se pegava ao seu paladar:
11 Ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bemaventurado: vendo-me algum olho, dava testemunho de mim;
12 Porque eu [5] livrava o miseravel, que clamava: como tambem o orfão que não tinha quem o soccoresse.
13 A benção do que ia perecendo vinha sobre mim, e eu fazia que jubilasse o coração da viuva.
14 Vestia-me da [6] justiça: e ella me servia de vestido: como manto e diadema era o meu juizo.
15 Eu fui o olho do cego, como tambem os pés do coxo:
16 Aos necessitados era pae, e as causas [7] de que eu não tinha conhecimento inquiria com diligencia;
17 E quebrava os queixaes do perverso, e dos seus dentes tirava a preza.
18 E dizia: No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia.
19 A minha [8] raiz se estendia junto ás aguas, e o orvalho fazia assento sobre os meus ramos;
20 A minha honra se renovava em mim, [9] e o meu arco se reforçava na minha mão.
21 Ouvindo-me esperavam, e em silencio attendiam ao meu conselho.
22 Acabada a minha palavra, não replicavam, e minhas razões distillavam sobre elles;
23 Porque me esperavam, como a chuva; e abriam a sua bocca, como a chuva [10] tardia.
24 Se me ria para elles, não o criam, e não faziam abater a luz do meu rosto;
25 Eu escolhia o seu caminho, assentava-me como chefe, e habitava como rei entre as tropas: como aquelle que consola os que pranteiam.
[1] cap. 7.3.
[2] cap. 18.6.
[3] Gen. 49.11. Deu. 32.13 e 33.24. cap. 20.17.
[4] cap. 21.5.
[5] Pro. 21.13 e 34.11.
[6] Isa. 59.17 e 61.10. Eph. 6.14, etc. Num. 10.31.
[7] Pro. 29.7.
[8] cap. 18.16. Jer. 17.8.
[9] Gen. 49.24.
[10] Zac. 10.1.
Job descreve o estado miseravel em que caiu.
30 Porém agora se riem de mim os de menos edade do que eu, cujos paes eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.
2 De que tambem me serviria a força das suas mãos? já de velhice se tinham esgotado n’elles.
3 De mingua e fome andavam sós, e recolhiam-se para os logares seccos, tenebrosos, assolados e desertos.
4 Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram as raizes dos zimbros.
5 Do meio dos homens foram expulsos, e gritavam contra elles, como contra o ladrão:
6 Para habitarem nos barrancos dos valles, e nas cavernas da terra e das rochas.
7 Bramavam entre os arbustos, e ajuntavam-se debaixo das ortigas.
8 Eram filhos de doidos, e filhos de gente sem nome, e da terra foram expulsos.
9 Porém [1] agora sou a sua canção, e lhes sirvo de rifão.
10 Abominam-me, e fogem para longe de mim, [2] e do meu rosto não reteem o seu escarro.
11 Porque Deus [3] desatou o meu cordão, e me opprimiu, pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto.
12 Á direita se levantam os moços; empurram os meus pés, e preparam contra [4] mim os seus caminhos de destruição.
13 Desbarataram-me o meu caminho: promovem a minha miseria: não teem ajudador.
14 Veem contra mim como por uma grande brecha, e revolvem-se entre a assolação.
15 Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha [ND] honra, e como nuvem passou a minha felicidade.
16 E agora derrama-se em mim a minha alma: os dias da afflicção se apoderaram de mim.
17 De noite se me traspassam os meus ossos, e os pulsos das minhas veias não descançam.
18 Pela grandeza da força das dôres se demudou o meu vestido, e elle como o cabeção da minha tunica me cinge.
19 Lançou-me na lama, e fiquei similhante ao pó e á cinza.
20 Clamo a ti, porém tu não me respondes: estou em pé, porém para mim não attentas.
21 Tornaste-te a ser cruel contra mim: com a força da tua mão resistes violentamente.
22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre elle, e derretes-me o ser.
23 Porque eu sei que me levarás á morte e á casa do ajuntamento determinado [5] a todos os viventes.
24 Porém não estenderá a mão para o montão de terra, se houve clamor n’elles contra mim na sua desventura.
25 Porventura, não chorei sobre aquelle que estava afflicto? ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
26 Todavia aguardando [6] eu o bem, então me veiu o mal, e esperando eu a luz, veiu a escuridão.
27 As minhas entranhas ferveram e não estão quietas: os dias da afflicção me surprehenderam.
28 Denegrido ando, porém não do sol, e, levantando-me na congregação, clamo por soccorro.
29 Irmão [7] me fiz dos [NE] dragões, e companheiro dos abestruzes.
30 Ennegreceu-se a minha pelle [8] sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor.
31 Pelo que se trocou a minha harmonia em lamentação, e o meu orgão em voz dos que choram.
[1] cap. 17.6. Lam. 3.14, 63.
[2] Pro. 3.15.
[3] ver. 22. Rom. 11.33, 34.
[4] Pro. 3.13, 14, 15 e 8.10, 11, 19 e 16.1.
[5] Heb. 9.27.
[6] Jer. 8.15.
[7] Miq. 1.8.
[8] Lam. 4.8 e 5.10.
Job declara sua integridade nos seus deveres.
31 Fiz concerto com os meus olhos: [1] como pois attentaria n’uma virgem?
2 Porque qual seria a parte [2] de Deus de cima? ou a herança do Todo-poderoso para mim desde as alturas?
3 Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que obram iniquidade?
4 Ou não vê [3] elle os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?
5 Se andei com vaidade, e se o meu pé se apressou para o engano
6 (Pese-me em balanças fieis, e saberá Deus a minha sinceridade),
7 Se os meus passos se desviavam do caminho, e se o meu coração [4] segue os meus olhos, e se ás minhas mãos se apegou coisa alguma,
8 Então semeie eu [5] e outro coma, e seja a minha descendencia arrancada até á raiz.
9 Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu armei traições á porta do meu proximo,
10 Então môa minha mulher para [6] outro, e outros se encurvem sobre ella.
11 Porque é uma infamia, [7] e é delicto pertencente aos juizes.
12 Porque fogo é que consomem até á perdição, e desarreigaria toda a minha renda.
13 Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando elles contendiam comigo,
14 Então que faria eu quando Deus se levantasse? e, inquirindo a causa, que lhe responderia?
15 Aquelle [8] que me fez no ventre não o fez tambem a elle? ou não nos formou do mesmo modo na madre?
16 Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfallecer os olhos da viuva,
17 Ou só comi o meu bocado, e o orphão não comeu d’elle.
18 (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pae, e o guiei desde o ventre de minha mãe),
19 Se a alguem vi perecer por falta de vestido, e ao necessitado por não ter coberta,
20 Se os seus lombos me não [9] abençoaram, se elle não se aquentava com as pelles dos meus cordeiros,
21 Se eu levantei a minha mão contra [10] o orphão, porquanto na porta via a minha ajuda,
22 Então caia do hombro a minha espadoa, e quebre-se o meu braço do osso.
23 Porque o castigo de Deus era para mim um [11] assombro, e eu não podia supportar a sua alteza.
24 Se [12] no oiro puz a minha esperança, ou disse ao oiro fino: Tu és a minha confiança;
25 Se [13] me alegrei de que era muita a minha fazenda, e de que a minha mão tinha alcançado muito;
26 Se olhei [14] para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa,
27 E o meu coração se deixou enganar em occulto, e a minha bocca beijou a minha mão,
28 Tambem isto seria [15] delicto pertencente ao juiz: pois assim negaria a Deus que está em cima.
29 Se me alegrei [16] da desgraça do que me tem odio, e se eu exultei quando mal o achou.
30 (Tambem não deixei [17] peccar o meu paladar, desejando a sua morte com maldição),
31 Se a gente da minha tenda não disse: Ah, quem nos désse da sua carne! nunca nos fartariamos d’ella:
32 O estrangeiro [18] não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante.
33 Se, como Adão, encobri as minhas [19] transgressões, occultando o meu delicto no meu seio;
34 Porque eu temia [20] a grande multidão, e o desprezo das familias me apavoraria, e eu me calaria, e não sairia da porta.
35 Ah quem me dera um que me ouvisse! eis que o meu intento é que o Todo-poderoso [21] me responda, e que o meu adversario escreva um livro.
36 Por certo que o levaria sobre o meu hombro, sobre mim o ataria por corôa.
37 O numero dos meus passos lhe mostraria: como [22] principe me chegaria a elle.
38 Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus regos juntamente chorarem,
39 Se comi a sua novidade sem dinheiro, e suffoquei a alma dos seus donos,
40 Por trigo me produza cardos, [23] e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de Job.
[1] Mat. 5.28.
[2] cap. 20.29 e 27.13.
[3] II Chr. 16.9. cap. 34.21. Pro. 5.21 e 15.3. Jer. 32.19.
[4] Num. 15.39. Ecc. 11.9. Eze. 6.9. Mat. 5.29.
[5] Lev. 26.16. Deu. 28.30, 38, etc.
[6] II Sam. 12.11. Jer. 8.10.
[7] Gen. 38.24. Lev. 20.10. Deu. 22.22. ver. 28.
[8] cap. 34.19. Pro. 14.31 e 22.2. Mal. 3.10.
[9] Deu. 24.13.
[10] cap. 22.9.
[11] Isa. 13.7. Joel 1.15.
[12] Mar. 10.24. I Tim. 6.17.
[13] Pro. 11.28.
[14] Deu. 4.19 e 11.16 e 17.3. Eze. 8.16.
[15] ver. 11.
[16] Pro. 17.5.
[17] Mat. 5.44. Rom. 12.14.
[18] Gen. 19.2, 3.
[19] Gen. 3.8, 12. Pro. 28.13.
[20] Exo. 23.2.
[21] cap. 13.22.
[22] Thi. 5.4. I Reis 21.19.
[23] Gen. 3.18.
Elihu reprehende Job e os seus tres amigos.
32 Então aquelles tres homens cessaram de responder a Job; porque era [1] justo aos seus proprios olhos.
2 E accendeu-se a ira d’Elihu, filho de Baracheel [2] o buzita, da familia de Ram: contra Job se accendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus.
3 Tambem a sua ira se accendeu contra os seus tres amigos: porque, não achando que responder, todavia condemnavam a Job.
4 Elihu porém esperou que Job fallasse; porquanto tinham mais edade do que elle.
5 Vendo pois Elihu que já não havia resposta na bocca d’aquelles tres homens, a sua ira se accendeu.
6 E respondeu Elihu, filho de Baracheel o buzita, e disse: Eu sou de menos [3] edade, e vós sois edosos; receei-me e temi de vos declarar a minha opinião.
7 Dizia eu: Fallem os dias, e a multidão doa annos ensine a sabedoria.
8 Na verdade, ha um espirito no homem, [4] e a inspiração do Todo-poderoso os faz entendidos.
9 Os grandes não são [5] os sabios, nem os velhos entendem juizo.
10 Pelo que digo: Dae-me ouvidos, e tambem eu declararei a minha opinião.
11 Eis que aguardei as vossas palavras, e dei ouvidos ás vossas considerações, até que buscasseis razões.
12 Attentando pois para vós, eis que nenhum de vós ha que possa convencer a Job, nem que responda ás suas razões:
13 Para que não digaes: [6] Achamos a sabedoria; Deus o derribou, e não homem algum.
14 Ora elle não dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as vossas palavras.
15 Estão pasmados, não respondem mais, faltam-lhes as palavras.
16 Esperei pois, porém não fallam: porque já pararam, e não respondem mais.
17 Tambem eu responderei pela minha parte: tambem eu declararei a minha opinião.
18 Porque estou cheio de palavras, e aperta-me o espirito do meu ventre.
19 Eis que o meu ventre é como o mosto, sem respiradouro, e virá a arrebentar, como odres novos.
20 Fallarei, e respirarei: abrirei os meus labios, e responderei.
21 Oxalá eu não faça accepção [7] de pessoas, nem use de sobrenomes com o homem!
22 Porque não sei usar de sobrenomes: em breve me levaria o meu Creador.
[1] cap. 33.9.
[2] Gen. 22.21.
[3] II Chr. 16.9. cap. 34.21. Pro. 5.21 e 15.3. Jer. 32.19.
[4] Mat. 11.25. Thi. 1.5.
[5] I Cor. 1.26.
[6] Jer. 9.23. I Cor. 1.29.
[7] Lev. 19.15. Deu. 1.17 e 16.19. Pro. 24.23. Mat. 22.16.
Elihu accusa Job de se oppôra Deus e de entender mal os seus caminhos.
33 Assim, na verdade, ó Job, ouve as minhas razões, e dá ouvidos a todas as minhas palavras.
2 Eis que já abri a minha bocca: já fallou a minha lingua debaixo do meu paladar.
3 As minhas razões sairão da sinceridade do meu coração, e a pura sciencia dos meus labios.
4 O Espirito [1] de Deus me fez: e a inspiração do Todo-poderoso me deu vida.
5 Se podes responde-me, põe por ordem diante de mim a tua causa, e levanta-te.
6 Eis que sou de Deus, como tu: do lodo tambem eu fui cortado.
7 Eis que não te perturbará o meu terror, nem será pesada sobre ti a minha mão.
8 Na verdade que disseste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das palavras, dizendo:
9 Limpo [2] estou, sem transgressão: puro sou; e não tenho culpa.
10 Eis que acha contra mim achaques, e me considerou [3] como seu inimigo.
11 Põe [4] no tronco os meus pés, e observa todas as minhas veredas.
12 Eis que n’isto te respondo: Não foste justo; porque maior é Deus do que o homem.
13 Por que razão [5] contendeste com elle? porque não responde ácerca de todos os seus feitos.
14 Antes Deus [6] falla uma e duas vezes; porém ninguem attenta para isso.
15 Em sonho [7] ou em visão de noite, quando cae somno profundo sobre os homens, e adormecem na cama,
16 Então o revela ao ouvido dos homens, e lhes sella a sua instrucção.
17 Para apartar o homem d’aquillo que faz, e esconder do homem a soberba.
18 Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada.
19 Tambem na sua cama é com dôres castigado; como tambem a multidão de seus ossos com fortes dôres.
20 De modo que a sua vida abomina até o pão, e a sua alma a comida appetecivel.
21 Desapparece a sua carne á vista d’olhos, e os seus ossos, que se não viam, agora apparecem:
22 E a sua alma se vae chegando á cova, e a sua vida ao que traz morte.
23 Se com elle pois houver um [NF] mensageiro, um interprete, um entre milhares, para declarar ao homem a sua rectidão,
24 Então terá misericordia d’elle, e lhe dirá: Livra-o, que não desça á cova; já achei resgate.
25 Sua carne se reverdecerá mais do que era na mocidade, e tornará aos dias da sua juventude.
26 Devéras orará a Deus, o qual se agradará d’elle, e verá a sua face com jubilo, e restituirá ao homem a sua justiça.
27 Olhará para os homens, e dirá: Pequei, [8] e perverti o direito, o que de nada me aproveitou.
28 Porém Deus livrou [9] a minha alma de que não passasse a cova; assim que a minha vida vê a luz.
29 Eis que tudo isto obra Deus, duas e tres vezes para com o homem;
30 Para desviar [10] a sua alma da perdição, e o alumiar com a luz dos viventes.
31 Escuta pois, ó Job, ouve-me: cala-te, e eu fallarei.
32 Se tens alguma coisa que dizer, responde-me: falla, porque desejo justificar-te.
33 Se não, escuta-me tu: cala-te, e ensinar-te-hei a sabedoria.
[1] Gen. 2.7.
[2] cap. 9.17.
[3] cap. 13.24 e 16.9 e 19.11.
[4] cap. 13.27 e 14.16 e 31.4.
[5] Isa. 45.9.
[6] cap. 38.35.
[7] Num. 12.6. cap. 4.13.
[8] II Sam. 12.13. Pro. 28.13. Luc. 15.21. I João 1.9.
[9] Isa. 38.17.
[10] ver. 28. Psa. 56.13.
Elihu accusa Job de fallar injustamente de Deus.
34 Respondeu mais Elihu, e disse:
2 Ouvi, vós, sabios, as minhas razões: e vós, entendidos, inclinae, os ouvidos para mim.
3 Porque [1] o ouvido prova as palavras, como o paladar gosta a comida.
4 O que é direito escolhamos para nós: e conheçamos entre nós o que é bom.
5 Porque Job disse: [2] Sou justo; e Deus [3] tirou o meu direito.
6 No meu direito me é forçoso mentir: [4] dolorosa é a minha frecháda sem transgressão.
7 Que homem ha como Job, que bebe a zombaria como agua?
8 E caminha em companhia com os que obram a iniquidade, e anda com homens impios?
9 Porque disse: [5] De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.
10 Pelo que vós, homens d’entendimento, escutae-me: Deus esteja [6] longe da impiedade, e o Todo-poderoso da perversidade!
11 Porque, segundo [7] a obra do homem, elle lh’o paga; e segundo o caminho de cada um lh’o faz achar.
12 Tambem, na verdade, Deus não obra impiamente; nem o Todo-poderoso perverte o juizo.
13 Quem lhe pedia conta do governo da terra? e quem dispoz a todo o mundo?
14 Se pozesse o seu coração contra elle, recolheria para si o seu espirito e o seu folego.
15 Toda [8] a carne juntamente expiraria, e o homem se voltaria para o pó.
16 Se pois ha em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos á voz do meu discurso.
17 Porventura o que aborrece o direito ataria as feridas? [9] e tu condemnarias aquelle que é justo?
18 Ou dir-se-ha a um rei, [10] Oh! Belial? aos principes, Oh! impios?
19 Quanto menos áquelle, que não faz accepção das pessoas de [11] principes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque [12] todos são obras de suas mãos.
20 Elles n’um momento morrem; e até á meia [13] noite os povos são perturbados, e passam, e o poderoso será tomado sem mão.
21 Porque [14] os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e elle vê todos os seus passos.
22 Não ha trevas [15] nem sombra de morte, onde se escondam os que obram a iniquidade.
23 Porque não se faz tanto caso do homem que contra Deus possa entrar em juizo.
24 Quebranta [16] aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu logar.
25 Elle conhece pois as suas obras, de noite os transtorna, e ficam moidos.
26 Elle os bate como impios que são, no logar dos expectadores:
27 Porquanto se [17] desviaram d’atraz d’elle, e não comprehenderam nenhum de seus caminhos.
28 Para fazer que o clamor do pobre subisse até elle, e que ouvisse o clamor dos afflictos.
29 Se elle aquietar, quem então inquietará? se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar, seja para com um povo, seja para com um homem só?
30 Para que o homem hypocrita nunca mais reine, e não haja laços [18] do povo.
31 Na verdade, quem a Deus disse: [19] Supportei castigo, não perecerei.
32 O que não vejo, ensina-m’o tu: se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer.
33 Virá de ti como o recompensará, pois tu o desprezas? farias tu pois, e não eu, a escolha: que é logo o que sabes? falla.
34 Os homens de entendimento dirão comigo, e o varão sabio me ouvirá.
35 Job [20] fallou sem sciencia; e ás suas palavras falta prudencia.
36 Pae meu! provado seja Job até ao fim, para as suas respostas entre os homens malignos.
37 Porque ao seu peccado accrescenta a transgressão; entre nós bateria as palmas das mãos, e multiplicaria contra Deus as suas razões.
[1] cap. 6.30 e 12.11.
[2] cap. 33.9.
[3] cap. 27.2.
[4] cap. 9.17.
[5] cap. 9.23 e 23.30 e 35.3. Mal. 3.14.
[6] Gen. 18.25. Deu. 32.4. Rom. 9.14.
[7] Pro. 24.12. Jer. 32.19. Eze. 33.20. Mat. 16.27. Rom. 2.6. II Cor. 5.10. I Ped. 1.17. Apo. 22.12.
[8] Gen. 3.19. Ecc. 12.7.
[9] Gen. 18.25.
[10] Exo. 22.28.
[11] Deu. 10.17. II Chr. 19.7. Act. 10.34. Rom. 2.11. Col. 3.25. I Ped. 1.17.
[12] cap. 31.15.
[13] Exo. 12.29, 30.
[14] II Chr. 16.9. cap. 31.4. Jer. 16.17 e 32.19.
[15] Psa. 140.12. Amós 9.2, 3. Heb. 4.18.
[16] Dan. 2.21.
[17] I Sam. 15.11. Isa. 5.12.
[18] I Reis 12.28, 30. II Reis 21.9.
[19] Dan. 9.7, 14.
[20] cap. 35.16.
O bem e o mal não podem affectar a Deus, mas algumas vezes, por falta de fé dos afflictos não os ouve.
35 Respondeu mais Elihu e disse:
2 Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?
3 Porque disseste: [1] De que te serviria elle? ou de que mais me aproveitarei do que do meu peccado?
4 Eu te farei resposta, a ti e aos teus amigos comtigo.
5 Attenta [2] para os céus, e vê; e contempla as mais altas nuvens, que são mais altas do que tu.
6 Se peccares, que effectuarás [3] contra elle? se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás.
7 Se fôres justo, que lhe darás? [4] ou que receberá da tua mão?
8 A tua impiedade damnaria outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria ao filho do homem.
9 Por causa da grandeza da oppressão fazem clamar [5] aos opprimidos: exclamam por causa do braço dos grandes.
10 Porém ninguem diz: [6] Onde está Deus que me fez, que dá psalmos na noite.
11 Que nos faz mais doutos do que os animaes da terra, e nos faz mais sabios do que as aves dos céus.
12 Ali clamam, [7] porém elle não responde, por causa da arrogancia dos maus.
13 Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem attentará para ella o Todo-poderoso.
14 E [8] quanto ao que disseste, que o não verás: juizo ha perante elle; por isso espera n’elle.
15 Mas agora, ainda que a ninguem a sua ira visitasse, nem advertisse muito na multidão dos peccadores:
16 Logo Job em vão abriu a sua bocca, e sem sciencia multiplicou palavras.
[1] cap. 34.9.
[2] cap. 22.12.
[3] Pro. 8.36. Jer. 7.19.
[4] cap. 22.2, 3. Pro. 9.12. Rom. 11.35.
[5] Exo. 2.23. cap. 34.28.
[6] Isa. 51.13.
[7] Pro. 1.28. Jer. 11.11.
[8] cap. 9.11.
Elihu justifica a Deus e diz a Job que o seu peccado estorva a benção d’Aquelle.
36 Proseguiu ainda Elihu, e disse:
2 Espera-me um pouco, e mostrar-te-hei que ainda ha razões a favor de Deus.
3 Desde longe repetirei a minha opinião; e ao meu Creador attribuirei a justiça.
4 Porque na verdade, as minhas palavras não serão falsas: comtigo está um que é sincero na sua opinião.
5 Eis que Deus é mui grande, comtudo [1] a ninguem despreza: grande é em força de coração.
6 Não deixa viver ao impio, e faz justiça aos afflictos.
7 Do justo não tira os seus olhos; antes estão com os reis no throno; ali os assenta para sempre, e assim são exaltados.
8 E, se estando presos em grilhões, os detem amarrados com cordas de afflicção,
9 Então lhes faz saber a obra d’elles, e as suas transgressões; porquanto prevaleceram n’ellas.
10 E revela-lh’o aos [2] seus ouvidos, para seu ensino; e diz-lhes que se convertam da maldade.
11 Se o ouvirem, e o servirem, acabarão seus dias [3] em bem, e os seus annos em delicias.
12 Porém se o não ouvirem, á espada os passarão, e expirarão sem conhecimento.
13 E os hypocritas de coração amontoam para [4] si a ira; e amarrando-os elle, não clamam por soccorro.
14 A sua alma morre [5] na mocidade, e a sua vida entre os sodomitas.
15 Ao afflicto livra, da sua afflicção, e na oppressão o revelará aos seus ouvidos.
16 Assim tambem te desviará da bocca da angustia para um logar espaçoso, em que não haja aperto, e as iguarias da tua mesa serão cheias de gordura.
17 E estarás satisfeito com o juizo do impio: o juizo e a justiça te sustentarão.
18 Porquanto ha furor, guarda-te de que porventura te não tire de pancada, pois por grande preço te não poderiam retirar d’ali.
19 Estimaria [6] elle tanto tuas riquezas, ou alguns esforços da força, que por isso não estivesses em aperto?
20 Não suspires pela noite, em que os povos sejam tomados do seu logar.
21 Guarda-te, e não declines para a iniquidade: [7] porquanto n’isto a escolheste, por causa da tua miseria.
22 Eis que Deus exalta com a sua força; [8] quem ensina como elle?
23 Quem [9] lhe pedirá conta do seu caminho? ou, quem lhe disse: Tu commetteste maldade?
24 Lembra-te de que engrandeças a sua obra [10] que os homens contemplam.
25 Todos os homens a veem, e o homem a enxerga de longe.
26 Eis que [11] Deus é grande, e nós o não comprehendemos, e o numero dos seus annos se não pode esquadrinhar.
27 Porque faz miudas as gottas das aguas que derramam a chuva do seu vapor.
28 A qual as nuvens distillam [12] e gotejam sobre o homem abundantemente.
29 Porventura tambem se poderão entender as extensões das nuvens, e os estalos [13] da sua tenda?
30 Eis que estende sobre ellas a sua luz, e encobre os altos do mar.
31 Porque por [14] estas coisas julga os povos e lhes dá mantimento em abundancia.
32 Com as mãos encobre a luz, e faz-lhe prohibição pela que passa por entre ellas.
33 O que dá a entender o seu pensamento, como tambem aos gados, [15] ácerca do temporal que sobe.
[1] cap. 9.4 e 12.13, 16 e 37.23.
[2] cap. 33.16, 23.
[3] cap. 21.13.
[4] Rom. 2.5.
[5] cap. 15.33 e 22.16.
[6] Pro. 11.4.
[7] Heb. 11.25.
[8] Isa. 40.13, 14. Rom. 11.34.
[9] cap. 34.10.
[10] Apo. 15.3.
[11] I Cor. 13.12. Heb. 1.12.
[12] Pro. 3.20.
[13] cap. 37.3.
[14] cap. 27.13. Act. 14.17.
[15] I Reis 18.45.
O homem, por conhecer as obras de Deus e a sua sabedoria, deve temel-o.
37 Sobre isto tambem treme o meu coração, e salta do seu logar.
2 Attentamente ouvi o movimento da sua voz, e o sonido que sae da sua bocca.
3 Elle o envia por debaixo de todos os céus, e a sua luz até aos confins da terra.
4 Depois d’isto brama com grande voz, troveja com a sua alta voz; e, ouvida a sua voz, não tarda com estas coisas.
5 Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente: faz grandes [1] coisas, e nós as não comprehendemos.
6 Porque á neve diz: Está sobre a terra: como tambem ao aguaceiro e á sua forte chuva.
7 Elle sella as mãos de todo o homem, para que conheça todos os homens de sua obra.
8 E as bestas entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas.
9 Da recamara sae o pé de vento, e dos ventos dispersivos o frio.
10 Pelo [2] assopro de Deus se dá a geada, e as largas aguas se endurecem.
11 Tambem com a humidade carrega as grossas nuvens, e esparge a nuvem [NG] da sua luz.
12 Então ellas, segundo o seu prudente conselho, se tornam pelas espheras, para que façam tudo quanto lhes ordena sobre a superficie do mundo habitavel,
13 Seja que por vara, ou para a sua terra, [3] ou por beneficencia [4] as faça vir.
14 A isto, ó Job, inclina os teus ouvidos: põe-te em pé, e considera as maravilhas de Deus.
15 Porventura sabes tu quando Deus considera n’ellas, e faz resplandecer a lua da sua nuvem?
16 Tens [5] tu noticia do equilibrio das grossas nuvens e das maravilhas de aquelle que é perfeito nos conhecimentos,
17 Ou de como os teus vestidos aquecem, quando do sul ha calma sobre a terra?
18 Ou estendeste com [6] elle os céus, que estão firmes como espelho fundido?
19 Ensina-nos o que lhe diremos; porque nós nada poderemos pôr em boa ordem, por causa das trevas.
20 Ou ser-lhe-hia contado, quando eu assim fallasse? dir-lhe-ha alguem isso? pois será devorado.
21 E agora se não pode olhar para o sol, quando resplandece nos céus; passando e purificando-os o vento.
22 O esplendor de oiro vem do norte: pois em Deus ha uma tremenda magestade.
23 Ao Todo-poderoso não [7] podemos alcançar; grande é em potencia; porém a ninguem opprime em juizo e grandeza de justiça.
24 Por isso o temem os [8] homens: elle não respeita aos sabios de coração.
[1] cap. 5.9 e 9.10 e 36.26. Apo. 15.3.
[2] cap. 38.29, 30.
[3] Exo. 9.18, 23. I Sam. 12.18, 19. Esd. 10.9. cap. 36.31.
[4] cap. 38.26, 27. II Sam. 21.10. I Reis 18.45.
[5] cap. 36.4, 29.
[6] Gen. 1.6. Isa. 44.24.
[7] Thi. 5.10. cap. 34.5.
[8] Mat. 10.28 e 11.25. I Cor. 1.26.
Deus responde a Job e mostra-lhe sua grandeza e sabedoria.
38 Depois d’isto o Senhor respondeu a Job [1] d’um redemoinho, e disse:
2 Quem é este [2] que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
3 Agora cinge [3] os teus lombos, como homem; e perguntar-te-hei, e tu me ensina.
4 Onde [4] estavas tu, quando eu fundava a terra? faze-m’o saber, se tens intelligencia.
5 Quem lhe poz as medidas? se tu o sabes; ou quem estendeu sobre ella o cordel?
6 Sobre que estão fundadas as suas bases? ou quem assentou a sua pedra da esquina,
7 Quando as estrellas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos [5] de Deus jubilavam?
8 Ou quem [6] encerrou o mar com portas, quando trasbordou e saiu da madre;
9 Quando eu puz as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por envolvedouro?
10 Quando passei [7] sobre elle o meu decreto, e lhe puz portas e ferrolhos;
11 E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrarão as tuas ondas empolladas?
12 Ou desde os teus dias déste ordem á madrugada? ou mostraste á alva o seu logar;
13 Para que pegasse dos fins da terra, [8] e os impios fossem sacudidos d’ella;
14 E se transformasse como o barro, sob o sello, e se pozessem como vestidos;
15 E dos impios se desvie a sua luz, e [9] o braço altivo se quebrante;
16 Ou entraste tu até ás origens do mar? ou passeaste no mais profundo do abysmo?
17 Ou descobriram-se-te as portas da morte? ou viste as portas da sombra da morte?
18 Ou com o teu entendimento chegaste ás larguras da terra? faze-m’o saber, se sabes tudo isto.
19 Onde está o caminho para onde mora a luz? e, quanto ás trevas, onde está o seu logar;
20 Para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa?
21 Acaso tu o sabes, porque já então eras nascido, e por ser grande o numero dos teus dias?
22 Ou entraste tu até aos thesouros da neve? e viste os thesouros da saraiva,
23 Que eu retenho [10] até do tempo da angustia, até ao dia da peleja e da guerra?
24 Onde está o caminho em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra?
25 Quem [11] abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relampagos dos trovões;
26 Para chover sobre a terra, onde não ha ninguem, e no deserto, em que não ha gente;
27 Para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer crescer os renovos da herva?
28 A chuva [12] porventura tem pae? ou quem géra as gottas do orvalho,
29 De cujo ventre procede o gelo? e quem gera a geada do céu?
30 Como debaixo de pedra as aguas se escondem: e a superficie do abysmo se coalha.
31 Ou poderás tu ajuntar as delicias das sete [13] estrellas, ou soltar os atilhos do Orion?
32 Ou produzir as constellações a seu tempo? e guiar a Ursa com seus filhos?
33 Sabes tu [14] as ordenanças dos céus? ou podes dispor do dominio d’elles sobre a terra?
34 Ou podes levantar a tua voz até ás nuvens, para que a abundancia das aguas te cubra?
35 Ou enviarás aos raios para que saiam, e te digam: Eis-nos aqui?
36 Quem [15] poz a sabedoria nas entranhas? ou quem deu ao sentido o entendimento?
37 Quem numerará as nuvens pela sabedoria? ou os odres dos céus, quem os abaixará,
38 Quando se funde o pó n’uma massa, e se apegam os torrões uns aos outros?
39 Porventura caçarás tu preza para a leôa? ou fartaras a fome dos filhos dos leões,
40 Quando se agacham nos covis, e estão á espreita nas covas?
41 Quem [16] prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem de comer?
[1] Exo. 19.16, 18. I Reis 19.11. Eze. 1.4. Nah. 1.3.
[2] cap. 34.35 e 42.3. I Tim. 1.7.
[3] cap. 40.7.
[4] Pro. 8.29 e 30.4.
[5] cap. 1.6.
[6] Gen. 1.9. Pro. 8.29. Jer. 5.22.
[7] cap. 26.10.
[8] Psa. 104.35.
[9] cap. 18.5.
[10] Exo. 9.18. Jos. 10.11. Isa. 30.30. Eze. 13.11, 13. Apo. 16.21.
[11] cap. 28.26.
[12] Jer. 14.22.
[13] cap. 9.9. Amós 5.8.
[14] Jer. 31.35.
[15] cap. 32.8. Ecc. 2.26.
[16] Mat. 6.26.
39 Sabes tu o tempo em que as cabras montezes parem? ou consideraste as dôres das cervas?
2 Contarás os mezes que cumprem? ou sabes o tempo do seu parto?
3 Quando se encurvam, produzem seus filhos, e lançam de si as suas dôres.
4 Seus filhos enrijam, crescem [NH] com o trigo: saem, e nunca mais tornam a ellas.
5 Quem despediu livre o jumento montez? e quem soltou as prisões ao jumento bravo?
6 Ao qual dei [1] o ermo por casa, e a terra salgada por suas moradas.
7 Ri-se do arroido da cidade: não ouve os muitos gritos do [NI] exactor.
8 O que descobre nos montes é o seu pasto, e anda buscando tudo que está verde.
9 Ou, querer-te-ha [2] servir o unicornio? ou ficará na tua cavallariça?
10 Ou amarrarás o unicornio com a sua corda no rego? ou estorroará apoz ti os valles?
11 Ou confiarás n’elle, por ser grande a sua força? ou deixarás a seu cargo o teu trabalho?
12 Ou fiarás d’elle que te torne o que semeaste e o recolherá na tua eira?
13 Vem de ti as alegres azas dos [NJ] pavões, que teem pennas de cegonha e d’aguia?
14 A qual deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó.
15 E se esquece de que algum pé os pise, ou os animaes do campo os calquem.
16 Endurece-se para [3] com seus filhos, como se não fossem seus: debalde é seu trabalho, porquanto está sem temor.
17 Porque Deus a privou de sabedoria, [4] e não lhe repartiu entendimento.
18 A seu tempo se levanta ao alto: ri-se do cavallo, e do que vae montado n’elle.
19 Ou darás tu força ao cavallo? ou vestirás o seu pescoço com trovão?
20 Ou espantal-o-has, como ao gafanhoto? terrivel é o fogoso respirar das suas ventas.
21 Escarva a terra, e folga na sua força, e [5] sae ao encontro dos armados.
22 Ri-se do temor, e não se espanta, e não torna atraz por causa da espada.
23 Contra elle rangem a aljava, o ferro flammante da lança e do dardo.
24 Sacudindo-se, e removendo-se, escarva a terra, e não faz caso do som da buzina.
25 Na furia do som das buzinas diz: Eia! e de longe cheira a guerra, e o trovão dos principes, e o alarido.
26 Ou vôa o gavião pela tua intelligencia, e estende as suas azas para o sul?
27 Ou se remonta a aguia ao teu mandado, e põe [6] no alto o seu ninho?
28 Nas penhas mora e habita: no cume das penhas, e nos logares seguros.
29 Desde ali descobre a preza: seus olhos a avistam desde longe.
30 E seus filhos chupam o sangue, e onde ha mortos [7] ahi está.
[1] cap. 24.5. Jer. 2.24. Ose. 8.9.
[2] Num. 23.22. Deu. 33.17.
[3] Lam. 4.3.
[4] cap. 35.11.
[5] Jer. 8.6.
[6] Jer. 49.16. Abd. 5.
[7] Mat. 24.28. Luc. 17.37.
40 Respondeu mais [1] o Senhor a Job e disse:
2 Porventura o contender contra o Todo-poderoso é ensinar? quem quer reprehender a Deus, responda a estas coisas.
3 Então Job respondeu ao Senhor, e disse:
4 Eis que sou vil; que te responderia eu? a minha mão ponho na minha bocca.
5 Já uma vez tenho fallado, porém mais não responderei: ou ainda duas vezes, porém não proseguirei.
6 Então o Senhor respondeu a Job desde a tempestade, e disse:
7 Ora, pois, cinge [2] os teus lombos como varão; eu te perguntarei a ti, e tu ensina-me.
8 Porventura [3] tambem farás tu vão o meu juizo? ou tu me condemnarás, para te justificares?
9 Ou tens braço como Deus? ou podes trovejar com voz [4] como a sua?
10 Orna-te pois com excellencia e alteza; e veste-te de magestade e de gloria.
11 Derrama os furores [5] da tua ira, e attenta para todo o soberbo, e abate-o.
12 Olha para todo o soberbo, e humilha-o, e atropella os impios no seu logar.
13 Esconde-os juntamente no pó: ata-lhes os rostos em occulto.
14 Então tambem eu a ti confessarei que a tua mão direita te haverá livrado.
15 Vês aqui a Behemoth, que eu fiz comtigo, que come a herva como o boi.
16 Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder [NK] no umbigo do seu ventre.
17 Quando quer, move a sua cauda como cedro: os nervos das suas coxas estão entretecidos.
18 Os seus ossos são como coxas de bronze: a sua ossada é como barras de ferro.
19 Elle é obra prima dos caminhos de Deus: o que o fez lhe apegou a sua espada.
20 Em verdade os montes lhe produzem pasto, onde todos os animaes do campo folgam.
21 Deita-se debaixo das arvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama.
22 As arvores sombrias o cobrem, com sua sombra: os salgueiros do ribeiro o cercam.
23 Eis que um rio trasborda, e elle não se apressa, confiando que o Jordão possa entrar na sua bocca.
24 Podel-o-hiam porventura caçar á vista de seus olhos? ou com laços lhe furar os narizes?
[1] cap. 38.1.
[2] cap. 38.3 e 42.4.
[3] Rom. 3.4.
[4] cap. 37.4.
[5] Isa. 2.12. Dan. 4.37.
41 Poderás tirar com anzol [1] o leviathan? ou ligarás a sua lingua com a corda?
2 Podes pôr um junco [2] no seu nariz? ou com um espinho furarás a sua queixada?
3 Porventura multiplicará muitas supplicações para comtigo? ou brandamente fallará?
4 Fará elle concertos comtigo? ou o tomarás tu por escravo para sempre?
5 Brincarás com elle, como com um passarinho? ou o atarás para tuas meninas?
6 Os teus companheiros farão d’elle um banquete? ou o repartirão entre os negociantes?
7 Encherás a sua pelle de ganchos? ou a sua cabeça com arpéos de pescadores?
8 Põe a tua mão sobre elle, lembra-te da peleja, e nunca mais tal intentarás.
9 Eis que a sua esperança falhará: porventura tambem á sua vista será derribado?
10 Ninguem ha tão atrevido, que a despertal-o se atreva: quem pois é aquelle que ousa pôr-se em pé diante de mim?
11 Quem [3] me preveniu, para que eu haja de retribuir-lhe? pois o que está debaixo de todos os céus é meu.
12 Não calarei os meus membros, nem a relação das suas forças, nem a graça da sua formação.
13 Quem descobriria a superficie do seu vestido? quem entrará entre as suas queixadas dobradas?
14 Quem abriria as portas do seu rosto? pois em roda dos seus dentes está o terror.
15 As suas fortes escamas são excellentissimas, cada uma fechada como com sello apertado.
16 Uma á outra se chega tão perto, que nem um assopro passa por entre ellas.
17 Umas ás outras se apegam: tanto se travam entre si, que não se podem separar.
18 Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz, e os seus olhos são como as pestanas da alva.
19 Da sua bocca saem tochas: faiscas de fogo arrebentam d’ella.
20 Dos seus narizes procede fumo, como d’uma panella fervente, ou d’uma grande caldeira.
21 O seu halito faria incender os carvões: e da sua bocca sae chamma.
22 No seu pescoço pousa a força: perante elle até a tristeza salta de prazer.
23 Os musculos da sua carne estão pegados entre si: cada um está firme n’elle, e nenhum se move.
24 O seu coração é firme como uma pedra e firme como parte da mó de baixo.
25 Levantando-se elle, tremem os valentes: em razão dos seus abalos se purificam.
26 Se alguem lhe tocar com a espada, essa não poderá penetrar, nem lança, dardo ou couraça.
27 Elle reputa o ferro por palha, e o cobre por pau podre.
28 A setta o não fará fugir: as pedras das fundas se lhe tornam em rastolho.
29 As pedras atiradas estima como arestas, e ri-se do brandir da lança.
30 Debaixo de si tem conchas ponteagudas: estende-se sobre coisas ponteagudas como na lama.
31 As profundezas faz ferver, como uma panella: torna o mar como quando os unguentos fervem.
32 Apoz elle allumia o caminho: parece o abysmo tornado em brancura de cãs.
33 Na terra não ha coisa que se lhe possa comparar, pois foi feito para estar sem pavor.
34 Todo o alto vê: é rei sobre todos os filhos d’animaes altivos.
[1] Isa. 27.1.
[2] Isa. 37.29.
[3] Rom. 11.35. Exo. 19.5. Deu. 10.14. I Cor. 10.26, 28.
Job humilha-se perante Deus e dá-lhe gloria.
42 Então respondeu Job ao Senhor, e disse:
2 Bem sei eu que tudo podes, [1] e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.
3 Quem [2] é aquelle, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosissimas, e eu as não entendia.
4 Escuta-me pois, e eu [3] fallarei: eu te perguntarei, e tu me ensinas.
5 Com o ouvido das orelhas te ouvi, mas agora te vê o meu olho.
6 Por isso me abomino [4] e me arrependo no pó e na cinza.
Deus manda os amigos de Job ir ter com elle e offerecer sacrificios.
7 Succedeu pois que, acabando o Senhor de fallar a Job aquellas palavras, o Senhor disse a Eliphaz, o temanita: A minha ira se accendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não fallaste de mim o que era recto, como o meu servo Job.
8 Tomae pois sete [5] bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Job, e offerecei holocaustos por vós, e o meu servo Job orará [6] por vós: porque devéras a elle acceitarei, para que vos não trate conforme a vossa loucura; porque vós não fallastes de mim o que era recto como o meu servo Job.
9 Então foram Eliphaz, o temanita, e Bildad, o suhita, e Sofar, o naamathita, e fizeram como o Senhor lhes dissera: e o Senhor acceitou a face de Job.
Deus confere a Job o dobro da prosperidade que antes tinha.
10 E o Senhor virou o captiveiro de Job, quando orava pelos seus amigos: e o Senhor accrescentou a Job outro tanto em [7] dobro, a tudo quanto d’antes possuia.
11 Então vieram [8] a elle todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos d’antes o conheceram, e comeram com elle pão em sua casa, e se condoeram d’elle, e o consolaram ácerca de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado: e cada um d’elles lhe deu uma peça de dinheiro, e cada um um pendente de oiro.
12 E assim abençoou [9] o Senhor ao ultimo estado de Job, mais do que o primeiro: porque teve quatorze [10] mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.
13 Tambem teve [11] sete filhos e tres filhas.
14 E chamou o nome da primeira Jemima, e o nome da outra Cassia, e o nome da terceira Keren-happuch.
15 E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Job; e seu pae lhes deu herança entre seus irmãos.
16 E depois d’isto viveu [12] Job cento e quarenta annos: e viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até á quarta geração.
17 Então morreu Job, velho e farto de [13] dias.
[1] Gen. 18.14. Mat. 19.26. Mar. 17.20 e 14.37. Luc. 18.27.
[2] cap. 38.2.
[3] cap. 38.3.
[4] Esd. 9.6.
[5] Num. 23.1. Mat. 5.24.
[6] Gen. 20.17. Thi. 5.15, 16. I João 5.16.
[7] Isa. 40.2.
[8] cap. 19.13.
[9] cap. 8.7. Thi. 5.11.
[10] cap. 1.3.
[11] cap. 1.2.
[12] cap. 5.26.
[13] Gen. 25.8.
O LIVRO DOS PSALMOS.
A felicidade dos justos e o castigo dos impios.
[Antes de Christo]
1 Bemaventurado o [1] varão que não anda no conselho dos impios, nem está no caminho dos peccadores, nem se assenta [2] no assento dos escarnecedores.
2 Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua [3] lei medita de dia e de noite.
3 Pois será como a arvore plantada junto [4] a ribeiros de aguas, que dá o seu fructo no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto [5] fizer prosperará.
4 Não são assim os impios: mas são como a [6] moinha que o vento espalha.
5 Pelo que os impios não subsistirão no juizo, nem os peccadores na congregação dos justos.
6 Porque o Senhor [7] conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos impios perecerá.
[1] Pro. 4.14, 15.
[2] Jer. 15.17.
[3] Jos. 1.8.
[4] Jer. 17.8. Eze. 47.12.
[5] Gen. 39.3, 23. Isa. 3.10.
[6] Job 21.18. Isa. 17.13 e 29.5. Ose. 13.3.
[7] Neh. 1.7. João 10.14. II Tim. 2.19.
A rebellião das gentes e a victoria do Messias.
2 Porque [1] se amotinam as gentes, e os povos imaginam a vaidade?
2 Os reis da terra se levantam, e os principes consultam juntamente contra o Senhor [2] e contra o seu ungido, dizendo:
3 Rompamos [3] as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.
4 Aquelle que habita nos céus se rirá: o Senhor zombará [4] d’elles.
5 Então lhes fallará na sua ira, e no seu furor os turbará.
6 Eu porém ungi o meu Rei sobre o meu sancto [5] monte de Sião.
7 Recitarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, [6] eu hoje te gerei.
8 Pede-me, [7] e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão.
9 Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; [8] tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.
10 Agora pois, ó reis, sêde prudentes; deixae-vos instruir, juizes da terra.
11 Servi [9] ao Senhor com temor, e alegrae-vos com tremor.
12 Beijae ao Filho, para que [10] se não ire, [11] e pereçaes no caminho, quando em breve se accender a sua ira: bemaventurados todos aquelles que n’elle confiam.
[1] Act. 4.25, 26.
[2] João 1.41.
[3] Jer. 5.5. Luc. 19.14.
[4] Pro. 1.26.
[5] II Sam. 5.7.
[6] Act. 13.33. Heb. 1.5 e 5.5.
[7] Psa. 22.28.
[8] Apo. 2.27 e 12.5 e 19.15.
[9] Heb. 12.28. Phi. 2.12.
[10] Gen. 41.40. I Sam. 10.1. João 5.23.
[11] Apo. 6.16, 17. Pro. 16.20. Isa. 30.18. Jer. 17.7. I Ped. 2.6.
David confia em Deus na sua adversidade.
Psalmo de David, quando fugiu de diante da face de Absalão seu filho.
3 Senhor, como se teem [1] multiplicado os meus adversarios! são muitos os que se levantam contra mim.
2 Muitos dizem da minha alma: Não ha salvação [2] para elle em Deus (Selah).
3 Porém tu, Senhor, és um escudo [3] para mim, a minha gloria, e o que exalta a minha cabeça.
4 Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu sancto monte (Selah).
5 Eu me deitei e dormi: [4] acordei; porque o Senhor me sustentou.
6 Não temerei os milhares de povo que se pozeram contra mim e me cercam.
7 Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois [5] feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos impios.
8 A salvação vem [6] do Senhor; sobre o teu povo seja a tua benção. (Selah).
[1] II Sam. 15.12 e 16.15.
[2] II Sam. 16.8.
[3] Gen. 15.1.
[4] Lev. 26.6. Pro. 3.24.
[5] Job 16.10 e 29.17. Lam. 3.30.
[6] Pro. 21.31. Isa. 43.11. Jer. 3.23. Ose. 13.4. Apo. 7.10 e 19.1.
David ora a Deus na sua angustia.
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.
4 Ouve-me; quando eu clamo, ó Deus da minha justiça, na angustia me déste largueza; tem misericordia de mim e ouve a minha oração.
2 Filhos dos homens, até quando convertereis a minha gloria em infamia? até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira? (Selah).
3 Sabei [1] pois que o Senhor separou para si aquelle que lhe é querido; o Senhor ouvirá quando eu clamar a elle.
4 Perturbae-vos [2] e não pequeis: fallae com o vosso coração sobre a vossa cama, e calae-vos. (Selah).
5 Offerecei sacrificios [3] de justiça, e confiae no Senhor.
6 Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Senhor, [4] exalta sobre nós a luz do teu rosto.
7 Pozéste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram [5] o seu trigo e o seu vinho.
8 Em paz tambem me deitarei e dormirei, [6] porque só tu, [7] Senhor, me fazes habitar em segurança.
[1] II Tim. 2.19. II Ped. 2.9.
[2] Eph. 4.26. II Chr. 13.5.
[3] Deu. 33.19.
[4] Num. 6.26.
[5] Isa. 9.3.
[6] Job 11.18, 19.
[7] Lev. 25.18, 19.
Deus aborrece os impios e abençoa os justos.
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Nehiloth.
5 Dá ouvidos ás minhas palavras, ó Senhor, entende a minha meditação.
2 Attende á voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei.
3 Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã me apresentarei a ti, e vigiarei.
4 Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem comtigo habitará o mal.
5 Os loucos não [1] pararão á tua vista; [2] aborreces a todos os que obram a maldade.
6 Destruirás aquelles que fallam a mentira; o Senhor aborrecerá o homem sanguinario e fraudulento.
7 Porém eu entrarei em tua casa pela grandeza de tua benignidade; e em teu temor me inclinarei para o teu sancto templo.
8 Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos: endireita diante de mim o teu caminho.
9 Porque não ha rectidão na bocca d’elles: as suas entranhas são verdadeiras maldades, a sua garganta é um sepulchro aberto; lisongeam com a sua lingua.
10 Declara-os culpados, ó Deus: caiam [3] por seus proprios conselhos; lança-os fóra por causa da multidão de suas transgressões, pois se rebellaram contra ti.
11 Porém alegrem-se [4] todos os que confiam em ti; exultem eternamente, porquanto tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome.
12 Pois tu, Senhor, abençoarás ao justo; coroal-o-has com a tua benevolencia, como de um escudo.
[1] Hab. 1.13.
[2] Apo. 21.8.
[3] II Sam. 15.31 e 17.14, 23.
[4] Isa. 65.14.
David recorre á misericordia de Deus e alcança perdão.
Psalmo de David para o cantor-mór em Neginoth, sobre Sheminith.
6 Senhor, [1] não me reprehendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.
2 Tem misericordia de mim, Senhor, porque sou fraco: [2] sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados.
3 Até a minha alma está perturbada; mas tu, Senhor, até quando?
4 Volta-te, Senhor, livra a minha alma: salva-me por tua benignidade.
5 Porque na morte [3] não ha lembrança de ti; no sepulchro quem te louvará?
6 Já estou cançado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lagrimas.
7 Já os meus olhos estão consumidos pela magoa, e teem-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos.
8 Apartae-vos de [4] mim todos os que obraes a iniquidade; porque o Senhor já ouviu a voz do meu pranto.
9 O Senhor já ouviu a minha supplica; o Senhor acceitará a minha oração.
10 Envergonhem-se e perturbem-se todos os meus inimigos; tornem atraz e envergonhem-se n’um momento.
[1] Jer. 10.24 e 46.28.
[2] Ose. 6.1, 2.
[3] Isa. 38.18.
[4] Mat. 25.41.
David confia em Deus e protesta a sua innocencia.
Schiggaion de David que cantou ao Senhor, sobre as palavras de Cush, filho de Jemini.
7 Senhor, meu [1] Deus, em ti confio: salva-me de todos os que me perseguem, e livra-me;
2 Para que [2] elle não arrebate a minha alma, como leão, despedaçando-a, sem que haja quem a livre;
3 Senhor, meu Deus, [3] se eu fiz isto, se ha perversidade nas minhas mãos,
4 Se paguei com o mal áquelle que tinha paz comigo (antes livrei ao que me opprimia sem causa):
5 Persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, calque aos pés a minha vida sobre a terra, e reduza a pó a minha gloria. (Selah.)
6 Levanta-te Senhor, na tua ira; exalta-te por causa do furor dos meus oppressores; [4] e desperta por mim para o juizo que ordenaste.
7 Assim te rodeará o ajuntamento de povos; por causa d’elles pois volta-te para as alturas.
8 O Senhor julgará aos povos; julga-me, Senhor, [5] conforme a minha justiça e conforme a integridade que ha em mim.
9 Tenha já fim a malicia dos impios; mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo [6] Deus, provas os corações e os rins.
10 O meu escudo é de Deus, que salva os rectos de coração.
11 Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias.
12 Se elle se não converter, amolará a sua espada; [7] já tem armado o seu arco, e está apparelhado.
13 E já para elle preparou armas mortaes; e porá em obra as suas settas inflammadas contra os perseguidores.
14 Eis que elle está [8] com dôres de perversidade; concebeu trabalhos, e parirá mentiras.
15 Cavou [9] um poço e o fez fundo, e caiu na cova que fez.
16 A sua obra cairá [10] sobre a sua cabeça; e a sua violencia descerá sobre a sua mioleira.
17 Eu louvarei ao Senhor segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor altissimo.
[1] Psa. 31.16.
[2] Psa. 38.13. Psa. 50.22.
[3] I Sam. 24.11.
[4] Psa. 44.23.
[5] Psa. 18.20.
[6] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Apo. 2.23.
[7] Deu. 32.41.
[8] Job 15.35. Thi. 1.15.
[9] Psa. 35.8.
[10] I Reis 2.32. Est. 9.25.
Deus é glorificado nas suas obras e na sua bondade para com o homem.
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Gittith.
8 Ó Senhor, [1] nosso Senhor, quão admiravel é o teu nome em toda a terra, [2] pois pozeste a tua gloria sobre os céus!
2 Tu ordenaste força [3] da bocca das creanças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador.
3 Quando vejo [4] os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrellas que preparaste;
4 Que é o homem [5] mortal para que te lembres d’elle? e o filho do homem, para que o visites?
5 Pois pouco menor o fizeste do que [NL] os anjos, e de gloria e de honra o coroaste.
6 Fazes com que elle tenha dominio sobre [6] as obras das tuas mãos; tudo pozeste debaixo de seus pés:
7 Todas as ovelhas e bois, assim como os animaes do campo,
8 As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares.
9 Ó Senhor, nosso Senhor, quão admiravel é o teu nome sobre toda a terra!
[1] Psa. 149.13.
[2] Psa. 113.4.
[3] Mat. 21.16. I Cor. 1.27.
[4] Psa. 111.2.
[5] Job 7.17. Heb. 2.6, 7.
[6] Gen. 1.26. I Cor. 15.27. Heb. 2.8.
Acção de graças por um grande livramento.
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Muth-labben.
9 Eu te louvarei, Senhor, com todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas.
2 Em ti me alegrarei [1] e saltarei de prazer; cantarei louvores ao teu nome, ó Altissimo.
3 Porquanto os meus inimigos voltaram para traz, cairam e pereceram diante da tua face.
4 Pois tu tens sustentado o meu direito e a minha causa; tu te assentaste no tribunal, julgando justamente.
5 Reprehendeste as nações, destruiste os impios; [2] apagaste o seu nome para sempre e eternamente.
6 Oh! inimigo! acabaram-se para sempre as assolações;—e tu arrazaste as cidades, e a sua memoria pereceu com ellas.
7 Mas o Senhor está assentado [3] perpetuamente; já preparou o seu tribunal para julgar.
8 Elle mesmo julgará o mundo com justiça; fará juizo aos povos com rectidão.
9 O Senhor será tambem [4] um alto refugio para o opprimido; um alto refugio em tempos de angustia.
10 E em ti confiarão os que conhecem [5] o teu nome; porque tu, Senhor, nunca desamparaste aos que te buscam.
11 Cantae louvores ao Senhor, que habita em Sião; annunciae entre os povos os seus feitos.
12 Pois quando [6] busca derramamento de sangue, lembra-se d’elles; não se esquece do clamor dos miseraveis.
13 Tem misericordia de mim, Senhor, olha para a minha miseria, que soffro d’aquelles que me aborrecem; tu que me levantas das portas da morte,
14 Para que eu conte todos os teus louvores nas portas da filha de Sião, e me alegre na tua salvação.
15 As gentes [7] enterraram-se na cova que fizeram; na rede que ocultaram ficou preso o seu pé.
16 O Senhor é conhecido [8] pelo juizo que fez; enlaçado foi o impio nas obras de suas mãos (Higgaion; Selah).
17 Os impios serão lançados no inferno, e todas as gentes [9] que se esquecem de Deus.
18 Porque o necessitado não será esquecido para sempre, [10] nem a expectação dos miseraveis perecerá perpetuamente.
19 Levanta-te, Senhor; não prevaleça o homem; sejam julgadas as gentes diante da tua face.
20 Põe-os em medo, Senhor, para que saibam as nações que não são mais do que homens (Selah).
[1] Psa. 5.12.
[2] Deu. 9.14. Pro. 10.7.
[3] Heb. 1.11.
[4] Psa. 32.7.
[5] Psa. 91.14.
[6] Gen. 9.5.
[7] Psa. 13.6. Pro. 5.22.
[8] Exo. 7.5.
[9] Job 8.13. Psa. 50.22.
[10] Pro. 23.18 e 24.14.
A audacia dos perseguidores, e o refugio em Deus.
10 Porque estás ao longe, Senhor? Porque te escondes nos tempos de angustia?
2 Os impios na [1] sua arrogancia perseguem furiosamente o miseravel; sejam apanhados nas ciladas que machinaram.
3 Porque o impio gloria-se do desejo da sua alma; [2] bemdiz ao avarento, e blasphema do Senhor.
4 Pela altivez do seu rosto o impio não busca a Deus: todas as suas cogitações são que não ha Deus.
5 Os seus caminhos atormentam sempre: os teus juizos estão longe da vista d’elle em grande altura, e despreza aos seus inimigos.
6 Diz em seu coração: [3] Não serei commovido, porque nunca me verei na adversidade.
7 A sua bocca está cheia [4] d’inprecações, d’enganos e d’astucia; debaixo da sua lingua ha molestia e maldade.
8 Põe-se nas emboscadas das aldeias; nos logares [5] occultos mata ao innocente; os seus olhos estão occultamente fitos contra o pobre.
9 Arma ciladas [6] no esconderijo, como o leão no seu covil; arma ciladas para roubar ao miseravel; rouba ao miseravel, trazendo-o na sua rede.
10 Encolhe-se, abaixa-se, para que os pobres caiam em suas fortes garras.
11 Diz em seu coração: Deus esqueceu-se, cobriu o seu rosto, [7] e nunca o verá.
12 Levanta-te, Senhor: oh! Deus, levanta [8] a tua mão; não te esqueças dos miseraveis.
13 Porque blasphema o impio de Deus? dizendo no seu coração: Tu não o esquadrinharás?
14 Tu o viste, porque attentas para o trabalho e enfado, para o entregar em tuas mãos; [9] a ti o pobre se encommenda, tu és o auxilio do orphão.
15 Quebra o braço do impio e malvado; busca a sua impiedade, até que nenhuma encontres.
16 O Senhor [10] é Rei eterno; da sua terra perecerão [NM] os gentios.
17 Senhor, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás [11] os seus corações; os teus ouvidos estarão abertos para elles;
18 Para fazer [12] justiça ao orphão e ao opprimido, afim de que o homem da terra não prosiga mais em usar da violencia.
[1] Pro. 5.22.
[2] Rom. 1.32.
[3] Psa. 30.7.
[4] Rom. 3.14.
[5] Hab. 3.14.
[6] Miq. 7.2.
[7] Job 22.13. Eze. 8.12.
[8] Miq. 5.9.
[9] I Ped. 4.19.
[10] Jer. 10.10. I Tim. 1.17.
[11] I Chr. 29.18.
[12] Isa. 11.4.
Deus salva os rectos e castiga os impios.
Psalmo de David para o cantor-mór.
11 No Senhor confio; como dizeis á minha alma: Foge para a vossa montanha como passaro?
2 Pois eis que os impios armam o arco, põem as frechas na corda, para com ellas atirarem ás escuras aos rectos de coração.
3 Na verdade que já os fundamentos se transtornam: o que pode fazer o justo?
4 O Senhor está [1] no seu sancto templo: o throno do Senhor está nos céus; os seus olhos attendem, e as suas palpebras provam os filhos dos homens.
5 O Senhor prova [2] ao justo; porém ao impio e ao que ama a violencia aborrece a sua alma.
6 Sobre os impios fará [3] chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso: isto será a porção do seu copo.
7 Porque o Senhor é justo, [4] e ama a justiça; o seu rosto olha para os rectos.
[1] Hab. 2.20. Isa. 66.1.
[2] Gen. 22.1.
[3] Gen. 19.24. Eze. 38.22.
[4] Job 36.7. I Ped. 3.12.
A falsidade do homem e a veracidade de Deus.
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Sheminith.
12 Salva-nos, Senhor, [1] porque faltam os homens bons; porque são poucos os fieis entre os filhos dos homens.
2 Cada um falla [2] a falsidade ao seu proximo: fallam com labios lisongeiros e coração dobrado.
3 O Senhor cortará todos os labios lisongeiros e a lingua que falla [3] soberbamente.
4 Pois dizem: Com a nossa lingua prevaleceremos: são nossos os beiços; quem é o Senhor sobre nós?
5 Pela oppressão dos miseraveis, pelo gemido dos [4] necessitados me levantarei agora, diz o Senhor; porei em salvo aquelle para quem elles assopram.
6 As palavras do Senhor [5] são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes.
7 Tu os guardarás, Senhor; d’esta geração os livrarás para sempre.
8 Os impios andam cercando, emquanto os mais vis dos filhos dos homens são exaltados.
[1] Isa. 57.1. Miq. 7.2.
[2] Jer. 9.8. Rom. 16.18.
[3] I Sam. 2.3. Dan. 7.8.
[4] Exo. 3.7. Isa. 33.10.
[5] II Sam. 22.31. Pro. 30.5.
David, na sua extrema tristeza, recorre a Deus e confia n’elle.
Psalmo de David para o cantor-mór.
13 Até quando te esquecerás de mim, Senhor? para sempre? até quando [1] esconderás de mim o teu rosto?
2 Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo?
3 Attende-me, ouve-me, ó Senhor meu Deus; [2] alumia os meus olhos para que eu não adormeça na morte;
4 Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra elle; e os meus adversarios se não alegrem, vindo eu a vacillar.
5 Mas eu confio [3] na tua benignidade: na tua [4] salvação se alegrará o meu coração.
6 Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem.
[1] Deu. 31.17. Job 13.24.
[2] Esd. 9.8. Jer. 51.39.
[3] Psa. 33.21, 22.
[4] Psa. 12.4, 7 e 119.17.
A corrupção do homem; sua redempção provém de Deus.
Psalmo de David para o cantor-mór.
14 Disse o nescio no seu coração: Não ha Deus. Teem-se corrompido, [1] fazem-se abominaveis em suas obras, não ha ninguem que faça o bem.
2 O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus.
3 Desviaram-se todos [2] e juntamente se fizeram immundos: não ha quem faça o bem, não ha sequer um.
4 Não terão conhecimento os que obram a iniquidade? [3] os quaes comem o meu povo, como se comessem pão, e não invocam ao Senhor.
5 Ali se acharam em grande pavor, porque Deus está na geração dos justos.
6 Vós envergonhaes o conselho dos pobres, porquanto o Senhor é o seu refugio.
7 Oh, se de Sião [4] tivera já vindo a redempção d’Israel! quando o Senhor fizer voltar os captivos do seu povo, se regozijará Jacob e se alegrará Israel.
[1] Gen. 6.11. Rom. 3.10.
[2] Rom. 3.10, 11, 12.
[3] Jer. 10.25. Amós 8.4. Miq. 3.3.
[4] Psa. 53.7. Job 42.10.
O verdadeiro cidadão dos céus.
Psalmo de David.
15 Senhor, quem habitará no teu tabernaculo? quem morará no teu sancto monte?
2 Aquelle que anda sinceramente, e [1] obra a justiça, e falla a verdade do seu coração.
3 Aquelle que não murmura com a sua lingua, nem faz mal ao seu proximo, [2] nem acceita nenhum opprobrio contra o seu proximo.
4 Em [3] cujos olhos o reprobo é desprezado; mas honra aos que temem ao Senhor. Aquelle que jura com damno seu, e comtudo não muda.
5 Aquelle que não dá o seu dinheiro á usura, nem recebe peitas contra o innocente: quem faz isto nunca será abalado.
[1] Isa. 33.15.
[2] Exo. 23.1.
[3] Est. 3.2.
A confiança e felicidade do crente e a certeza da vida eterna.
Psalmo excellentissimo de David.
16 Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio.
2 A minha alma disse ao Senhor: Tu és o meu Senhor, [1] a minha bondade não chega á tua presença,
3 Mas aos sanctos que estão na terra, e aos illustres em quem está todo o meu prazer.
4 As dôres se multiplicarão áquelles que fazem offerendas a outro deus; eu não offerecerei as suas libações de sangue, [2] nem tomarei os seus nomes nos meus labios.
5 O Senhor [3] é a porção da minha herança e do meu calix: tu sustentas a minha sorte.
6 As [NN] linhas caem-me em logares deliciosos: sim, coube-me uma formosa herança.
7 Louvarei ao Senhor que me aconselhou: até os meus rins me ensinam de noite.
8 Tenho [4] posto o Senhor continuamente diante de mim: por isso que elle está á minha mão direita, nunca vacillarei.
9 Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha gloria: tambem a minha carne repousará segura.
10 Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permittirás que o teu [NO] Sancto veja corrupção.
11 Far-me-has ver a vereda da vida; na tua presença ha fartura de [5] alegrias; á tua mão direita ha delicias perpetuamente.
[1] Rom. 11.35.
[2] Exo. 23.13. Jos. 23.16.
[3] Deu. 32.9.
[4] Act. 2.25.
[5] Mat. 5.8. I João 3.2.
David pede a Deus que o proteja dos seus inimigos; confia na sua innocencia e na justiça de Deus.
Oração de David.
17 Ouve, Senhor, a justiça, attende ao meu clamor; dá ouvidos á minha oração, que não é feita com labios enganosos.
2 Saia o meu juizo de diante do teu rosto; attendam os teus olhos á razão.
3 Provaste o meu coração; visitaste-me de noite; examinaste-me, e nada achaste; propuz que a minha bocca não transgredirá.
4 Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos teus labios me guardei das veredas do [NP] destruidor.
5 Dirige os meus passos nos teus caminhos, para que as minhas pégadas não vacillem.
6 Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir; inclina para mim os teus ouvidos, e escuta as minhas palavras.
7 Faze maravilhosas as tuas beneficencias, ó tu que livras aquelles que em ti confiam dos que se levantam contra a tua mão direita.
8 Guarda-me [1] como á menina do olho, esconde-me debaixo da sombra das tuas azas,
9 Dos impios que me [NQ] opprimem, dos meus inimigos mortaes que me andam cercando.
10 Na sua gordura se encerram, com a bocca fallam soberbamente.
11 Teem-nos cercado agora nossos passos; [NR] e abaixaram os seus olhos para a terra;
12 Parecem-se com o leão que deseja arrebatar a sua preza, e com o leãosinho que se põe em esconderijos.
13 Levanta-te, Senhor, detem-n’a, derriba-o, livra a minha alma do impio, com a espada tua,
14 Dos homens que são a tua mão, Senhor, dos homens do mundo, cuja porção está n’esta vida, e cujo ventre enches do teu thesouro occulto: estão fartos de filhos e dão os seus sobejos ás suas creanças.
15 Emquanto [2] a mim, contemplarei a tua face na justiça; satisfazer-me-hei da tua similhança quando acordar.
[1] Deu. 32.10. Zac. 2.8.
[2] João 3.2.
Cantico de louvor a Deus pelas suas muitas bençãos.
Para o cantor-mór: psalmo do servo do Senhor, David, o qual fallou as palavras d’este cantico ao Senhor, no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul, e disse:
18 Eu te amarei do coração, ó Senhor, fortaleza minha.
2 O Senhor é o meu rochedo, e o meu logar forte e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio, [1] o meu escudo, [NS] a força da minha salvação, e o meu alto refugio.
3 Invocarei o nome do Senhor, que é digno de louvor, e ficarei livre dos meus inimigos.
4 Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram.
5 Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surprehenderam.
6 Na angustia invoquei ao Senhor, e clamei ao meu Deus: desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face.
7 Então a terra [2] se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes tambem se moveram e se abalaram, porquanto se indignou.
8 Do seu nariz subiu fumo, e da sua bocca saiu fogo que consumia; carvões se accenderam d’elle.
9 Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus pés.
10 E montou n’um cherubim, e voou; sim, voou sobre as azas do vento.
11 Fez das trevas o seu logar occulto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das aguas e as nuvens dos céus.
12 Ao resplandor da sua presença as nuvens se espalharam; a saraiva e as brazas de fogo.
13 E o Senhor trovejou nos céus, o Altissimo levantou a sua voz; a saraiva e as brazas de fogo.
14 Despediu [3] as suas settas, e os espalhou: multiplicou raios, e os perturbou.
15 Então foram vistas as profundezas das aguas, e foram descobertos os fundamentos do mundo; pela tua reprehensão, Senhor, ao sopro do vento dos teus narizes.
16 Enviou desde o alto, e me tomou: tirou-me das muitas aguas.
17 Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me aborreciam, pois eram mais poderosos do que eu.
18 Surprehenderam-me no dia da minha calamidade; mas o Senhor foi o meu encosto.
19 Trouxe-me para um logar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim.
20 Recompensou-me [4] o Senhor conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.
21 Porque guardei os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do meu Deus.
22 Porque todos os seus juizos estavam diante de mim, e não rejeitei os seus estatutos.
23 Tambem fui sincero perante elle, e me guardei da minha iniquidade.
24 Portanto retribuiu-me o Senhor conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos perante os seus olhos.
25 Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero;
26 Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomavel.
27 Porque tu livrarás ao povo afflicto, e abaterás os olhos altivos.
28 Porque tu [5] accenderás a minha candeia; o Senhor meu Deus allumiará as minhas trevas.
29 Porque comtigo entrei pelo meio d’um esquadrão, com o meu Deus saltei uma muralha.
30 O caminho de Deus [6] é perfeito; a palavra do Senhor é provada: é um escudo para todos os que n’elle confiam.
31 Porque quem [7] é Deus senão o Senhor? e quem é rochedo senão o nosso Deus?
32 Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.
33 Faz os meus pés como os das cervas, e põe-me nas minhas alturas.
34 Ensina as minhas mãos para a guerra, de sorte que os meus braços quebraram um arco de cobre.
35 Tambem me déste o escudo da tua salvação: a tua mão direita me susteve, e a tua mansidão me engrandeceu.
36 Alargaste os meus passos debaixo de mim, de maneira que os meus artelhos não vacillaram.
37 Persegui os meus inimigos, e os alcancei: não voltei senão depois de os ter consumido.
38 Atravessei-os, de sorte que não se poderam levantar: cairam debaixo dos meus pés.
39 Pois me cingiste de força para a peleja: fizeste abater debaixo de mim aquelles que contra mim se levantaram.
40 Déste-me tambem o pescoço dos meus inimigos para que eu podesse destruir os que me aborrecem.
41 Clamaram, [8] mas não houve quem os livrasse: até ao Senhor, mas elle não lhes respondeu.
42 Então os esmiucei como o pó diante do vento; deitei-os fóra como a lama das ruas.
43 Livraste-me das contendas do povo, e me fizeste cabeça das nações; um povo que não conheci, me servirá.
44 Em ouvindo a minha voz, me obedecerão: os estranhos se submetterão a mim.
45 Os estranhos decairão, e terão medo nos seus encerramentos.
46 O Senhor vive: e bemdito seja o meu rochedo, e exaltado seja o Deus da minha salvação.
47 É Deus que me vinga inteiramente, [9] e sujeita os povos debaixo de mim;
48 O que me livra de meus inimigos;—sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim, tu me livras do homem violento.
49 Pelo que, ó Senhor, te louvarei entre as nações, e cantarei louvores ao teu nome.
50 Pois [10] engrandece a salvação do teu rei, e usa de benignidade com o seu ungido, com David, e com a sua semente para sempre.
[1] Heb. 1.13.
[2] Act. 4.31.
[3] Isa. 30.30.
[4] I Sam. 24.19.
[5] Job 18.6.
[6] Deu. 32.4.
[7] Deu. 32.31, 39.
[8] Pro. 1.28. Isa. 1.15.
[9] Psa. 47.4.
[10] II Sam. 7.13.
A excellencia da creação e das suas leis, assim como da palavra de Deus.
Psalmo de David para o cantor-mór.
19 Os céus [1] declararam a gloria de Deus e o firmamento annuncia a obra das suas mãos.
2 Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
3 Não ha linguagem nem falla onde se não oiçam as suas vozes.
4 A sua linha [2] se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. N’elles poz uma tenda para o sol,
5 O qual é como um noivo que sae do seu thalamo, e se alegra como um heroe, a correr o seu caminho.
6 A sua saida é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até ás outras extremidades d’elles, e nada se esconde ao seu calor.
7 A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma: o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simplices.
8 Os preceitos do Senhor são rectos e alegram o coração: o mandamento do Senhor é puro, e allumia os olhos.
9 O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente: os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.
10 Mais desejaveis são do que o oiro, sim, do que muito oiro fino; e mais doces do que o mel e [NT] o licor dos favos.
11 Tambem por elles é admoestado o teu servo; e em os guardar ha grande recompensa.
12 Quem pode entender os seus erros? expurga-me [3] tu dos que me são occultos.
13 Tambem das soberbas guarda o teu servo, para que se não assenhoreiem de mim: então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.
14 Sejam agradaveis as palavras da minha bocca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e [4] Libertador meu!
[1] Gen. 1.6. Rom. 1.19, 20.
[2] Rom. 10.18.
[3] Lev. 4.28.
[4] Isa. 44.6 e 47.4 e 48.14.
Oração pelo rei na guerra.
Psalmo de David para o cantor-mór.
20 O Senhor te oiça no dia da angustia, o nome do [1] Deus de Jacob te [NU] proteja.
2 Envie-te soccorro desde o seu sanctuario, e te sustenha desde Sião.
3 Lembre-se de todas as tuas offertas, e acceite os teus holocaustos (Selah).
4 Conceda-te conforme ao teu coração, e cumpra todo o teu conselho.
5 Nós nos alegraremos [2] pela tua [NV] salvação, e em nome do nosso Deus arvoraremos pendões; cumpra o Senhor todas as tuas petições.
6 Agora sei que o Senhor salva ao seu ungido: elle o ouvirá desde o seu sancto céu, com a força salvadora da sua mão direita.
7 Uns confiam em carros e outros em cavallos, mas [3] nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus.
8 Uns encurvam-se e caem, mas nós nos levantamos e estamos de pé.
9 Salva-nos, Senhor, oiça-nos o Rei quando clamarmos.
[1] Pro. 18.10.
[2] Exo. 17.6.
[3] II Chr. 32.8.
David louva a Deus pela victoria.
Psalmo de David para o cantor-mór.
21 O rei se alegra em tua força, Senhor; e na tua salvação grandemente se regozija.
2 Cumpriste-lhe o desejo do seu coração, e não negaste as supplicas dos seus labios (Selah).
3 Pois o prevines das bençãos de bondade; [1] pões na sua cabeça uma corôa d’oiro fino.
4 Vida te pediu, e lh’a déste, mesmo longura de dias para sempre e eternamente.
5 Grande é a sua gloria pela tua salvação; gloria e magestade pozeste sobre elle.
6 Pois o abençoaste para sempre: tu o enches de gozo com a tua face.
7 Porque o rei confia no Senhor, e pela misericordia do Altissimo nunca vacillará.
8 A tua mão [2] alcançará todos os teus inimigos, a tua mão direita alcançará aquelles que te aborrecem.
9 Tu os [3] farás como um forno de fogo no tempo da tua ira; o Senhor os devorará na sua indignação, e o fogo os consumirá.
10 Seu fructo [4] destruirás da terra, e a sua semente d’entre os filhos dos homens.
11 Porque intentaram o mal contra ti; machinaram uma trapaça, mas não prevalecerão.
12 Portanto tu lhes farás voltar as costas; e com tuas frechas postas nas cordas lhes apontarás ao rosto.
13 Exalta-te, Senhor, na tua força; então cantaremos e louvaremos o teu poder.
[1] II Sam. 12.30.
[2] I Sam. 31.3.
[3] Mal. 4.1.
[4] I Reis 13.34. Job 18.16, 17, 19.
O Messias soffre, mas triumpha.
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Aijeleth-hash-Shahar.
22 Meu Deus, [1] meu Deus, porque me desamparaste? porque te alongas do meu auxilio e das palavras do meu bramido?
2 Meu Deus, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho socego,
3 Porém tu és Sancto, o que habitas entre os louvores d’Israel.
4 Em ti confiaram nossos paes; confiaram, e tu os livraste.
5 A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram, e não foram confundidos.
6 Mas eu [2] sou verme, e não homem, opprobrio dos homens e desprezado do povo.
7 Todos [3] os que vêem zombam de mim, arreganham os beiços e meneiam a cabeça, dizendo:
8 Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois n’elle tem prazer.
9 Mas tu és o que me tiraste do ventre: fizeste-me esperar, estando aos peitos de minha mãe.
10 Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.
11 Não te alongues de mim, pois a angustia está perto, e não ha quem ajude.
12 Muitos [4] toiros me cercaram; fortes toiros de Bazan me rodearam.
13 Abriram contra mim suas boccas, como um leão que despedaça e que ruge.
14 Como agua me derramei, e todos os meus ossos [5] se desconjuntaram: o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.
15 A minha força se seccou como um caco, e a lingua se me pega ao paladar: e me pozeste no pó da morte.
16 Pois me rodearam cães: o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me [6] as mãos e os pés.
17 Poderia contar todos os meus ossos: elles o vêem e me contemplam.
18 Repartem [7] entre si os meus vestidos, e lançam sortes sobre a minha tunica.
19 Mas tu, Senhor, não te alongues de mim: força minha, apressa-te em soccorrer-me.
20 Livra-me a minha alma da espada, e a minha [NW] predilecta da força do cão.
21 Salva-me da bocca do leão, sim, ouviste-me, desde as pontas dos unicornios.
22 Então declararei o teu nome aos meus irmãos: louvar-te-hei no meio da congregação.
23 Vós, que temeis ao Senhor, louvae-o; todos vós, semente de Jacob, glorificae-o; e temei-o todos vós, semente d’Israel.
24 Porque não desprezou nem abominou a afflicção do afflicto, nem escondeu d’elle o seu rosto; antes, quando elle clamou, o ouviu.
25 O meu louvor virá de ti na grande congregação: pagarei os meus votos perante os que o temem.
26 Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam: [8] o vosso coração viverá eternamente.
27 Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor: e todas as gerações das nações adorarão perante a tua face.
28 Porque o reino é do Senhor, e elle domina entre as nações.
29 Todos os que na terra são gordos comerão e adorarão, e todos os que descem ao pó se prostrarão perante elle: e ninguem poderá reter viva a sua alma.
30 Uma semente o servirá: será contada ao Senhor de geração em geração.
31 Chegarão e annunciarão a sua justiça ao povo que nascer, porquanto elle o fez.
[1] Mat. 27.46. Mar. 15.34.
[2] Job 25.6.
[3] Mat. 27.29.
[4] Deu. 32.24.
[5] Dan. 5.6.
[6] Mat. 27.35. Mar. 15.24. Luc. 23.33.
[7] Luc. 23.34. João 19.23, 24.
[8] João 65.1.
A felicidade de termos o Senhor como nosso pastor.
Psalmo de David.
23 O Senhor [1] é o meu pastor, nada me faltará.
2 Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a aguas [NX] mui quietas.
3 Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
4 Ainda que eu andasse pelo valle da sombra [2] da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com oleo, o meu calix trasborda.
6 Certamente que a bondade e a misericordia me seguirão todos os dias da minha vida: e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
[1] Jer. 23.4. João 10.11.
[2] Job 3.5.
O dominio universal de Deus; quem é digno de entrar no seu sanctuario; Deus é o Rei da gloria.
Psalmo de David.
24 Do Senhor [1] é a terra e a sua plenitude, o mundo e aquelles que n’elle habitam.
2 Porque elle a fundou sobre os mares, e a firmou [2] sobre os rios.
3 Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu logar sancto?
4 Aquelle que é limpo de [3] mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma á vaidade, nem jura enganosamente,
5 Este receberá a benção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação.
6 Esta é a geração d’aquelles que buscam, d’aquelles que buscam a tua face, ó Deus de Jacob (Selah).
7 Levantae, [4] ó portas, as vossas cabeças; levantae-vos ó entradas eternas, e entrará o Rei da Gloria.
8 Quem é este Rei da Gloria? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.
9 Levantae, ó portas, as vossas cabeças, levantae-vos ó entradas eternas, e entrará o Rei da Gloria.
10 Quem é este Rei da Gloria? O Senhor dos Exercitos, elle é o Rei da Gloria (Selah).
[1] Exo. 9.29 e 19.5.
[2] Gen. 1.9.
[3] Mat. 5.8.
[4] Isa. 26.2.
David roga a Deus que o livre dos seus inimigos e lhe perdoe os seus peccados.
Psalmo de David.
25 A ti, Senhor, levanto [1] a minha alma.
2 Deus meu, em ti confio, não me deixes confundido, nem que os meus inimigos triumphem sobre mim.
3 Como, na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa.
4 Faz-me saber [2] os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas.
5 Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia.
6 Lembra-te, Senhor, das tuas misericordias e das tuas benignidades, porque são desde a eternidade.
7 Não te lembres dos peccados da minha mocidade, nem das minhas transgressões; mas segundo a tua misericordia, lembra-te de mim, por tua bondade, Senhor.
8 Bom e recto é o Senhor: pelo que ensinará o caminho aos peccadores.
9 Guiará os mansos em direitura: e aos mansos ensinará o seu caminho.
10 Todas as veredas do Senhor são misericordia e verdade para aquelles que guardam o seu concerto e os seus testemunhos.
11 Por amor do teu nome, Senhor, [3] perdoa a minha iniquidade, pois é grande.
12 Qual é o homem que teme ao Senhor? elle o ensinará no caminho que deve escolher.
13 A sua alma pousará no bem, e a sua semente herdará a terra.
14 O segredo do Senhor é com aquelles que o temem; e elle lhes mostrará o seu concerto.
15 Os meus olhos estão continuamente no Senhor, pois elle tirará os meus pés da rede.
16 Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitario e afflicto.
17 As ancias do meu coração se teem multiplicado: tira-me dos meus apertos.
18 Olha [4] para a minha afflicção e para a minha dôr, e perdoa todos os meus peccados.
19 Olha para os meus inimigos, pois se vão multiplicando e me aborrecem com odio cruel.
20 Guarda a minha alma, e livra-me; não me deixes confundido, porquanto confio em ti.
21 Guardem-me a sinceridade e a direitura, porquanto espero em ti.
22 Redime, ó Deus, a Israel de todas as suas angustias.
[1] Lam. 3.41.
[2] Exo. 33.13.
[3] Rom. 5.20.
[4] II Sam. 16.12.
David recorre a Deus, confiando na sua propria integridade.
Psalmo de David.
26 Julga-me, Senhor, pois tenho andado em minha sinceridade; tenho confiado tambem no Senhor; não vacillarei.
2 Examina-me, Senhor, e prova-me: esquadrinha os meus rins e o meu coração.
3 Porque a tua benignidade está diante dos meus olhos; e tenho andado na tua verdade.
4 Não me tenho assentado com homens vãos, nem converso com os homens dissimulados.
5 Tenho aborrecido [1] a congregação de malfeitores; nem me ajunto com os impios.
6 Lavo as [2] minhas mãos na innocencia; e assim andarei, Senhor, ao redor do teu altar.
7 Para publicar com voz de louvor, e contar todas as tuas maravilhas.
8 Senhor, eu tenho amado a habitação da tua casa e o logar onde permanece a tua gloria.
9 Não apanhes a minha alma com os peccadores, nem a minha vida com os homens sanguinolentos,
10 Em cujas mãos ha maleficio, e cuja mão direita está [3] cheia de subornos.
11 Mas eu ando na minha sinceridade; livra-me e tem piedade de mim.
12 O meu pé está posto em caminho plano; nas congregações louvarei ao Senhor.
[1] Psa. 31.7.
[2] Exo. 30.19, 20. I Tim. 2.8.
[3] Exo. 23.8. Deu. 16.19.
Confiança em Deus e anhelo pela sua presença.
Psalmo de David.
27 O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me receiarei?
2 Quando os malvados, meus adversarios e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e cairam.
3 Ainda que um exercito me cercasse, o meu coração não temeria: ainda que a guerra se levantasse contra mim, n’isto confiarei.
4 Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: [1] que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo.
5 Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão: no occulto do seu tabernaculo me esconderá: pôr-me-ha sobre uma rocha.
6 Tambem agora a minha cabeça será exaltada sobre os meus inimigos que estão em redor de mim; portanto offerecerei sacrificio de jubilo no seu tabernaculo; cantarei, sim, cantarei louvores ao Senhor.
7 Ouve, Senhor, a minha voz quando clamo; tem tambem piedade de mim, e responde-me.
8 Quando tu disseste: Buscae o meu rosto; o meu coração te disse a ti: O teu rosto, Senhor, buscarei.
9 Não escondas de mim a tua face, não rejeites ao teu servo com ira; tu foste a minha ajuda, não me deixes nem me desampares, ó Deus da minha salvação.
10 Porque, quando [2] meu pae e minha mãe me desampararem, o Senhor me recolherá.
11 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e guia-me pela vereda direita; por causa dos que me andam espiando.
12 Não me entregues á vontade dos meus adversarios; pois se levantaram falsas testemunhas contra mim, e os que respiram crueldade.
13 Pereceria sem duvida, se não cresse que veria os bens do Senhor na terra dos viventes.
14 Espera [3] no Senhor, anima-te, e elle fortalecerá o teu coração; espera pois no Senhor.
[1] Luc. 2.37.
[2] Isa. 49.15.
[3] Isa. 25.9. Hab. 2.3.
David roga a Deus que o aparte dos impios a e louva, Deus porque ouviu as suas supplicas.
Psalmo de David.
28 A ti clamarei, ó Senhor, Rocha minha; não emmudeças para comigo: se te calares para comigo, fique eu similhante aos que descem ao abysmo.
2 Ouve a voz das minhas supplicas, quando a ti clamar, [1] quando levantar as minhas mãos para o teu sancto oraculo.
3 Não me arremesses com os impios e com os que obram a iniquidade; que fallam de paz ao seu proximo, mas teem mal nos seus corações.
4 Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malicia dos seus esforços; dá-lhes conforme [2] a obra das suas mãos; torna-lhes a sua recompensa.
5 Porquanto não attendem ás obras do Senhor, nem á obra das suas mãos; pelo que elle os derribará e não os reedificará.
6 Bemdito seja o Senhor, porque ouviu a voz das minhas supplicas.
7 O Senhor é a minha força e o meu escudo; n’elle confiou o meu coração, e fui soccorrido: pelo que o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei.
8 O Senhor é a força d’elles: tambem é a força salvadora do seu ungido.
9 Salva o teu [3] povo, e abençoa a tua herança; e apascenta-os e exalta-os para sempre.
[1] II Reis 8.28, 29.
[2] II Tim. 4.14. Apo. 18.6.
[3] Deu. 9.29. I Reis 8.51, 53.
David exhorta a louvar a magestade de Deus.
Psalmo de David.
29 Dae ao Senhor, ó filhos dos poderosos, dae ao Senhor gloria e força.
2 Dae ao Senhor a gloria devida ao seu nome, adorae o Senhor [NY] na belleza da sanctidade.
3 A voz do Senhor se ouve sobre as suas aguas; o Deus da gloria troveja; o Senhor está sobre as muitas aguas,
4 A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de magestade.
5 A voz do Senhor quebra os cedros; sim, o Senhor quebra os cedros do Libano.
6 Elle os faz saltar como um bezerro; ao Libano e Sirion, como novos unicornios.
7 A voz do Senhor separa as labaredas do fogo.
8 A voz do Senhor faz tremer o deserto; o Senhor faz tremer o deserto de [1] Kades.
9 A voz do Senhor faz parir as cervas, e descobre as brenhas; e no seu templo cada um falla da sua gloria.
10 O Senhor [2] se assentou sobre o diluvio; o Senhor se assenta como Rei, perpetuamente.
11 O Senhor dará [3] força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com paz.
[1] Num. 13.26, 27.
[2] Gen. 6.17.
[3] Psa. 28.8.
A ira de Deus dura um momento só, mas a sua benignidade é eterna.
Psalmo e canção na dedicação da Casa. Psalmo de David.
30 Exaltar-te-hei, ó Senhor, porque tu me exaltaste; e não fizeste com que meus inimigos se alegrassem sobre mim.
2 Senhor, meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste.
3 Senhor, fizeste subir a minha alma [NZ] da sepultura: conservaste-me a vida para que não descesse ao abysmo.
4 Cantae ao Senhor, [1] vós que sois seus sanctos, e celebrae a [OA] memoria da sua sanctidade.
5 Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida: o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
6 Eu dizia [2] na minha prosperidade: Não vacillarei jámais.
7 Tu, Senhor, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha: tu encobriste o teu rosto, e fiquei perturbado.
8 A ti, Senhor, clamei, e ao Senhor suppliquei.
9 Que proveito ha no meu sangue, quando desço á cova? Porventura te louvará o pó? annunciará elle a tua verdade?
10 Ouve, Senhor, e tem piedade de mim, Senhor; sê o meu auxilio.
11 Tornaste [3] o meu pranto em folguedo: desataste o meu sacco, e me cingiste de alegria:
12 Para que a minha gloria a ti cante louvores, e não se cale: Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre.
[1] I Chr. 16.4.
[2] Job 29.18.
[3] II Sam. 6.14. Jer. 31.4.
David roga a Deus que o livre, louva a sua benignidade e exhorta a confiar n’Elle.
Psalmo de David para o cantor-mór.
31 Em ti, Senhor, confio; nunca me deixes confundido: livra-me pela tua justiça.
2 Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa; sê a minha firme rocha, uma casa fortissima que me salve.
3 Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; pelo que, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me.
4 Tira-me da rede que para mim esconderam, pois tu és a minha força.
5 Nas tuas mãos [1] encommendo o meu espirito: tu me redimiste, Senhor Deus da verdade.
6 Aborreço aquelles que se entregam a vaidades enganosas; eu porém confio no Senhor.
7 Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha afflicção: [2] conheceste a minha alma nas angustias.
8 E não me entregaste nas mãos do inimigo; pozeste os meus pés n’um logar espaçoso.
9 Tem misericordia de mim, ó Senhor, porque estou angustiado: consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu ventre.
10 Porque a minha vida está gasta de tristeza, e os meus annos de suspiros; a minha força descae por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem.
11 Fui opprobrio entre todos os meus inimigos, até entre os meus visinhos, e horror para os meus conhecidos: os que me viam na rua fugiam de mim.
12 Estou esquecido no coração d’elles, como um morto; sou como um vaso quebrado.
13 Pois ouvi [3] a murmuração de muitos, temor havia ao redor; emquanto juntamente consultavam contra mim, intentaram tirar-me a vida.
14 Mas eu confiei em ti, Senhor: e disse: Tu és o meu Deus.
15 Os meus tempos estão nas tuas mãos: livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem.
16 Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo: salva-me por tuas misericordias.
17 Não me deixes confundido, Senhor, porque te tenho invocado: deixa confundidos os impios, e emmudeçam na sepultura.
18 Emmudeçam os labios mentirosos que fallam [OB] coisas más com soberba e desprezo contra o justo.
19 Oh! quão grande é a tua bondade, que guardaste para os que te temem! a qual obraste para aquelles que em ti confiam na presença dos filhos dos homens!
20 Tu os esconderás, no secreto da tua presença, dos desaforos dos homens: encobril-os-has em um pavilhão da contenda das linguas.
21 Bemdito seja o Senhor, pois fez maravilhosa a sua misericordia para comigo em cidade segura.
22 Pois eu dizia [OC] na minha pressa: Estou cortado de diante dos teus olhos; não obstante, tu ouviste a voz das minhas supplicas, quando eu a ti clamei.
23 Amae ao Senhor, vós todos que sois seus sanctos; porque o Senhor guarda os fieis e retribue com abundancia ao que usa de soberba.
24 Esforçae-vos, e elle fortalecerá o vosso coração, vós todos que esperaes no Senhor.
[1] Luc. 23.46. Act. 7.58.
[2] Psa. 33.5.
[3] Jer. 20.10.
A felicidade do homem perdoado; exhortação ao arrependimento.
Maschil de David.
32 Bemaventurado aquelle cuja transgressão [1] é perdoada, e cujo peccado é coberto.
2 Bemaventurado o homem a quem o Senhor não [2] imputa maldade, e em cujo espirito não ha engano.
3 Quando eu guardei silencio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia.
4 Porque de dia e de noite a tua mão [3] pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio (Selah).
5 Confessei-te o meu peccado, e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu peccado (Selah).
6 Portanto todo aquelle que é sancto orará a ti, em tempo que te possa achar: até no trasbordar de muitas aguas, estas não lhe chegarão.
7 Tu és o logar [4] em que me escondo, tu me preservas da angustia: tu me cinges d’alegres cantos de livramento (Selah).
8 Instruir-te-hei, e ensinar-te-hei o caminho que deves seguir; guiar-te-hei com os meus olhos.
9 Não sejaes como o cavallo, nem como a mula, que não tem entendimento, cuja bocca precisa de cabresto e freio, para que se não cheguem a ti.
10 O impio tem [5] muitas dôres, mas áquelle que confia no Senhor a misericordia o cercará.
11 Alegrae-vos no Senhor, e regozijae-vos, vós os justos; e cantae alegremente, todos vós que sois rectos de coração.
[1] Rom. 4.6, 7, 8.
[2] II Cor. 5.19. João 1.47.
[3] I Sam. 5.6.
[4] Psa. 9.10.
[5] Pro. 13.21. Rom. 2.9.
O jubilo do crente na contemplação das obras de Deus.
33 Regozijae-vos no Senhor, vós, justos, pois aos rectos convem o louvor.
2 Louvae ao Senhor com harpa, cantae a elle com psalterio de dez cordas.
3 Cantae-lhe [1] um cantico novo: tocae bem e com jubilo.
4 Porque a palavra do Senhor é recta, e todas as suas obras são fieis.
5 Elle ama a justiça e o juizo: a terra está cheia da bondade do Senhor.
6 Pela [2] palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exercito d’elles pelo espirito da sua bocca.
7 Elle ajunta as aguas do mar como n’um montão; põe os abysmos em [OD] thesouros.
8 Tema toda a terra ao Senhor; temam-n’o todos os moradores do mundo.
9 Porque fallou, e foi feito: mandou, e logo appareceu.
10 O Senhor desfaz [3] o conselho das nações, quebranta os intentos dos povos.
11 O conselho do Senhor permanece para sempre: os intentos do seu coração de geração em geração.
12 Bemaventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu [4] para sua herança.
13 O Senhor olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens.
14 Do logar da sua habitação contempla todos os moradores da terra,
15 Aquelle que forma [5] o coração de todos elles, que contempla todas as suas obras.
16 Não ha rei que se salve com a grandeza d’um exercito, nem o homem valente se livra pela muita força.
17 O cavallo é fallaz para a segurança: não livra ninguem com a sua grande força.
18 Eis que [6] os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericordia;
19 Para lhes livrar as almas da morte, e para os conservar vivos na fome.
20 A nossa alma espera no Senhor: elle é o nosso auxilio e o nosso escudo.
21 Pois n’elle se alegra o [7] nosso coração; porquanto temos confiado no seu sancto nome.
22 Seja a tua misericordia, Senhor, sobre nós, como em ti esperamos.
[1] Isa. 42.10. Apo. 5.9.
[2] Gen. 1.6, 7. Heb. 11.3. II Ped. 3.5.
[3] Isa. 10.8.
[4] Exo. 19.5. Deu. 7.6.
[5] Jer. 32.19.
[6] Job 36.7. I Ped. 3.12.
[7] Zac. 10.7. João 16.22.
David louva a Deus, porque respondeu ás suas supplicas, e exhorta a confiar n’Elle.
Psalmo de David, quando mudou o seu semblante perante Abimelech, e o lançou fóra, e se foi.
34 Louvarei [1] ao Senhor em todo o tempo: o seu louvor estará continuamente na minha bocca.
2 A minha alma se [2] gloriará no Senhor: os mansos o ouvirão e se alegrarão.
3 Engrandecei ao Senhor comigo; e juntos exaltemos o seu nome.
4 Busquei [3] ao Senhor, e elle me respondeu: livrou-me de todos os meus temores.
5 Olharam para elle, e foram illuminados; e os seus rostos não ficaram confundidos.
6 Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o salvou de todas as suas angustias.
7 O anjo [4] do Senhor acampa-se em redor dos que o temem, e os livra.
8 Provae, e vêde que o Senhor é bom; bemaventurado o homem que n’elle confia.
9 Temei ao Senhor, vós, os seus sanctos, pois não teem falta alguma aquelles que o temem.
10 Os filhos dos leões necessitam e soffrem fome, mas aquelles que temem ao Senhor não teem falta de coisa alguma.
11 Vinde, meninos, ouvi-me: eu vos ensinarei o temor do Senhor.
12 Quem [5] é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para vêr o bem?
13 Guarda [6] a tua lingua do mal, e os teus labios de fallarem o engano.
14 Aparta-te do mal, e faze o bem: procura a paz, e segue-a.
15 Os olhos [7] do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos attentos ao seu clamor.
16 A face [8] do Senhor está contra os que fazem o mal, para desarreigar da terra a memoria d’elles.
17 Os justos clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angustias.
18 Perto [9] está o Senhor dos que teem o coração quebrantado, e salva os contritos de espirito.
19 Muitas são as afflicções do justo, mas o Senhor o livra de todas.
20 Elle lhe guarda [10] todos os seus ossos; nem sequer um d’elles se quebra.
21 A malicia matará o impio, e os que aborrecem o justo serão [OE] desolados.
22 O Senhor resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos que n’elle confiam será [OF] desolado.
[1] Eph. 5.20. I The. 5.18.
[2] Jer. 9.24. I Cor. 1.31.
[3] Mat. 7.7. Luc. 11.9.
[4] Dan. 6.22. Heb. 1.14.
[5] I Ped. 3.10, 11.
[6] I Ped. 2.22.
[7] I Ped. 3.12.
[8] Lev. 17.10. Jer. 44.11. Amós 9.4.
[9] Isa. 57.15 e 61.1.
[10] João 19.36.
David pede o castigo dos impios; descripção da miseria d’estes e supplica para que Deus os julgue.
Psalmo de David.
35 Pleiteia, Senhor, com aquelles que pleiteiam comigo: peleja contra [1] os que pelejam contra mim.
2 Pega do escudo e da rodela, e levanta-te em minha ajuda.
3 Tira da lança e [OG] obstroe o caminho aos que me perseguem; dize á minha alma: Eu sou a tua salvação.
4 Sejam [2] confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida: voltem atraz e envergonhem-se os que contra mim tentam mal.
5 Sejam como moinho perante o vento, o anjo do Senhor os faça fugir.
6 Seja o seu caminho tenebroso e escorregadio, e o anjo do Senhor os persiga.
7 Porque sem causa encobriram de mim a rede na cova, a qual sem razão cavaram para a minha alma.
8 Sobrevenha-lhe destruição sem o saber, e prenda-o a rede que occultou; caia elle n’essa mesma destruição.
9 E a minha alma se alegrará no Senhor; alegrar-se-ha na sua salvação.
10 Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem é como tu, que livras o pobre d’aquelle que é mais forte do que elle? sim, o pobre e o necessitado d’aquelle que o rouba.
11 Falsas testemunhas se levantaram: depozeram contra mim coisas que eu não sabia.
12 Tornaram-me o mal pelo bem, roubando a minha alma.
13 Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, o meu vestido era o sacco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para o meu seio.
14 Portava-me como se elle fôra meu irmão ou amigo; andava lamentando e muito encurvado, como quem chora por sua mãe.
15 Mas elles com a minha adversidade se alegravam e se congregavam: os objectos se congregavam contra mim, e eu não o sabia; [OH] rasgavam-me, e não cessavam.
16 Como hypocritas zombadores nas festas, rangiam os dentes contra mim.
17 Senhor, [3] até quando verás isto? resgata a minha alma das suas assolações, e a minha [OI] predilecta dos leões,
18 Louvar-te-hei na grande congregação: entre muitissimo povo te celebrarei.
19 Não se alegrem os meus inimigos de mim sem razão, nem acenem com os olhos aquelles que me aborrecem sem causa.
20 Pois não fallam de paz; antes projectam [OJ] enganar os quietos da terra.
21 Abrem a bocca de par em par contra mim, e dizem: Ólá, Ólá! os nossos olhos o viram.
22 Tu, Senhor, o tens visto, não te cales: Senhor, não te alongues de mim;
23 Desperta e acorda para o meu julgamento, para a minha causa, Deus meu, e Senhor meu.
24 Julga-me segundo a tua justiça, Senhor Deus meu, e não deixes que se alegrem de mim.
25 Não digam em seus corações: Eia, sus, alma nossa: não digam: Nós o havemos devorado.
26 Envergonhem-se [4] e confundam-se á uma os que se alegram com o meu mal; vistam-se de vergonha e de confusão os que se engrandecem contra mim.
27 Cantem [5] e alegrem-se os que amam a minha justiça, e digam continuamente: O Senhor seja engrandecido, o qual ama a prosperidade do seu servo.
28 E assim a minha lingua fallará da tua justiça e do teu louvor todo o dia.
[1] Lam. 3.58. Exo. 14.25.
[2] Isa. 29.5. Ose. 13.3.
[3] Hab. 1.13.
[4] ver. 4.
[5] Rom. 12.15. I Cor. 12.26.
A malicia dos impios. Nosso refugio está em Deus, que salva os rectos.
Psalmo de David, servo do Senhor, para o cantor-mór.
36 A prevaricação do impio diz no intimo do seu coração: Não ha temor [1] de Deus perante os seus olhos.
2 Porque em seus olhos se lisongeia, até que a sua iniquidade se descubra ser detestavel.
3 As palavras da sua bocca são malicia e engano: deixou de entender e de fazer o bem.
4 Projecta a malicia na sua cama; põe-se no caminho que não é bom: não aborrece o mal.
5 A tua misericordia, Senhor, está nos céus, e a tua fidelidade chega até ás mais excelsas nuvens.
6 A tua justiça é como as grandes montanhas; os teus juizos são um grande abysmo; Senhor, tu conservas os homens e os animaes.
7 Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam á sombra das tuas azas.
8 Elles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás [2] beber da corrente das tuas delicias;
9 Porque [3] em ti está o manancial da vida; na tua luz veremos a luz.
10 Estende a tua benignidade sobre os que te conhecem, e a tua justiça sobre os rectos de coração.
11 Não venha sobre mim o pé dos soberbos, e não me mova a mão dos impios.
12 Ali caem os que obram a iniquidade; cairão, e não se poderão levantar.
[1] Rom. 3.18.
[2] Apo. 22.1.
[3] Jer. 2.13. João 4.10, 14.
A prosperidade dos peccadores acaba, mas sómente os justos serão felizes.
Psalmo de David.
37 Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que obram a iniquidade.
2 Porque cedo serão ceifados como a herva, e murcharão como a verdura.
3 Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado.
4 Deleita-te [1] tambem no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.
5 Entrega o [2] teu caminho ao Senhor; confia n’elle, e elle o fará.
6 E elle fará sobresair a tua justiça como a luz, e o teu juizo como o meio-dia.
7 Descança no Senhor, e espera n’elle; não te indignes por causa d’aquelle que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos.
8 Deixa a ira, e abandona o furor: não te indignes para fazer sómente o mal.
9 Porque os malfeitores serão desarreigados; mas aquelles que esperam no Senhor herdarão a terra.
10 Pois ainda um pouco, e o impio não existirá; olharás para o seu logar, e não apparecerá.
11 Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundancia de paz.
12 O impio maquina contra o justo, e contra elle range os dentes.
13 O Senhor se rirá d’elle, pois vê que vem chegando o seu dia.
14 Os impios puxaram da espada e entesaram o arco, para derribarem o pobre e necessitado, e para matarem os [OK] de recta conversação.
15 Porém a sua espada lhes entrará no coração, e os seus arcos se quebrarão.
16 Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos impios.
17 Pois os braços dos impios se quebrarão, mas o Senhor sustem os justos.
18 O Senhor conhece os dias dos rectos, [3] e a sua herança permanecerá para sempre.
19 Não serão envergonhados nos dias maus, e nos dias de fome se fartarão.
20 Mas os impios perecerão, e os inimigos do Senhor serão como a gordura dos cordeiros; desapparecerão, e em fumo se desfarão.
21 O impio toma emprestado, e não paga; mas o justo se compadece, e dá.
22 Porque aquelles que elle abençoa herdarão a terra, e aquelles que forem por elle amaldiçoados serão desarreigados.
23 Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e deleita-se no seu caminho.
24 Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustem com a sua mão.
25 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão.
26 Compadece-se sempre, e empresta, e a sua semente é abençoada.
27 Aparta-te do mal e faze o bem; e habita para sempre.
28 Porque o Senhor ama o juizo e não desampara os seus sanctos; elles são preservados para sempre; mas a semente dos impios será desarreigada.
29 Os justos herdarão a terra e habitarão n’ella para sempre.
30 A bocca do justo falla a sabedoria: a sua lingua falla do juizo.
31 A lei do seu Deus está em seu coração; os seus passos não resvallarão.
32 O impio espreita ao justo, e procura matal-o.
33 O Senhor não o deixará em suas mãos, nem o condemnará quando fôr julgado.
34 Espera no Senhor, e guarda o seu caminho, e te exaltará para herdares a terra: tu o verás quando os impios forem desarreigados.
35 Vi o impio com grande poder espalhar-se como a arvore verde na terra natal.
36 Mas passou e já não apparece: procurei-o, mas não se poude encontrar.
37 Nota o homem sincero, e considera o recto, porque o fim d’esse homem é a paz.
38 Emquanto aos transgressores serão á uma destruidos, e as reliquias dos impios serão destruidas.
39 Mas a salvação dos justos vem do Senhor; elle é a sua fortaleza no tempo da angustia.
40 E o Senhor os [4] ajudará e os livrará; elle os livrará dos impios e os salvará, [5] porquanto confiam n’elle.
[1] Isa. 58.14.
[2] Luc. 12.22.
[3] Isa. 60.21.
[4] Isa. 31.5.
[5] Dan. 3.17, 28 e 6.23.
A dôr e o arrependimento do peccador; dirige-se a Deus para obter perdão e salvação.
Psalmo de David para lembrança.
38 Ó Senhor, não me reprehendas na tua ira, nem me castigues em teu furor.
2 Porque as tuas frechas se cravaram em mim, e a tua mão sobre mim desceu.
3 Não ha coisa sã na minha carne, por causa da tua colera; nem ha paz em meus ossos, por causa do meu peccado.
4 Pois já as minhas [1] iniquidades sobrepassam a minha cabeça: como carga pesada são de mais para as minhas forças.
5 As minhas chagas [2] cheiram mal e estão corruptas, por causa da minha loucura.
6 Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia.
7 Porque as minhas ilhargas estão cheias de ardor, e não ha coisa sã na minha carne.
8 Estou fraco e mui quebrantado; tenho rugido pela inquietação do meu coração.
9 Senhor, diante de ti está todo o meu desejo, e o meu gemido não te é occulto.
10 O meu coração dá voltas, a minha força me falta; emquanto á luz dos meus olhos, ella me deixou.
11 Os meus amigos e os meus propinquos estão ao longe da minha chaga; e os meus parentes se pôem em distancia.
12 Tambem os que buscam a minha vida me armam laços, e os que procuram o meu mal fallam coisas que damnificam, e imaginam astucias todo o dia.
13 Mas eu, como surdo, não ouvia, e era como mudo que não abre a bocca.
14 Assim eu sou como homem que não ouve, e em cuja bocca não ha reprovação.
15 Porque em ti, Senhor, espero; tu, Senhor meu Deus, me ouvirás.
16 Porque dizia eu: Ouve-me, para que se não alegrem de mim: quando escorrega o meu pé, elles se engrandecem contra mim.
17 Porque estou prestes a coxear; a minha dôr está constantemente perante mim.
18 Porque eu declararei a minha iniquidade; affligir-me-hei por causa do meu peccado.
19 Mas os meus inimigos estão vivos e são fortes, e os que sem causa me odeiam se engrandecem.
20 Os que dão mal pelo bem são meus adversarios, porquanto eu sigo o que é bom.
21 Não me desampares, Senhor, meu Deus, [3] não te alongues de mim.
22 Apressa-te em meu auxilio, Senhor, minha salvação.
[1] Esd. 9.6.
[2] Mat. 11.28.
[3] Isa. 12.2.
O cuidado com as nossas palavras; a brevidade e vaidade da vida; a supplica para que Deus o guarde da impaciencia.
Psalmo de David para o cantor-mór, para Jeduthun.
39 Disse: Guardarei os meus caminhos para não delinquir com a minha lingua: guardarei a bocca com um freio, emquanto o impio estiver diante de mim.
2 Com o silencio fiquei mudo; calava-me mesmo ácerca do bem, e a minha dôr se aggravou.
3 Esquentou-se-me o coração dentro de mim; emquanto eu meditava se accendeu um fogo: então fallei com a minha lingua.
4 Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou fragil.
5 Eis que fizeste os meus dias como a palmos, o tempo da minha vida é como nada diante de ti; na verdade que todo o homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade (Selah).
6 Na verdade que todo o homem anda como uma [OL] apparencia; na verdade que em vão se inquietam: amontoam riquezas, e não sabem quem as levará.
7 Agora, pois, Senhor, que espero eu? A minha esperança está em ti.
8 Livra-me de todas as minhas transgressões; não me faças o opprobrio dos loucos.
9 Emmudeci: não abro a minha bocca, porquanto tu o fizeste.
10 Tira de sobre mim a tua praga; estou desfallecido pelo golpe da tua mão.
11 Quando castigas o homem, por causa da iniquidade, com reprehensões, fazes com que a sua belleza se consuma como a traça: assim todo o homem é [OM] vaidade (Selah.)
12 Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lagrimas, porque [1] sou estranho para ti e peregrino como todos os meus paes.
13 Poupa-me, até que tome alento, antes que me vá, e não seja mais.
[1] Lev. 25.23. Heb. 11.13.
Deus ouve a alma paciente: a obediencia é melhor do que o sacrificio; oração a Deus para que o livre dos males.
Psalmo de David para o cantor-mór.
40 Esperei com paciencia ao Senhor, e elle se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
2 Tirou-me [ON] d’um lago horrivel, d’um charco de lodo, poz os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos,
3 E poz um novo cantico na minha bocca, um hymno ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor.
4 Bemaventurado [1] o homem que põe no Senhor a sua confiança, e o que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.
5 Muitas são, Senhor meu Deus, as maravilhas que tens obrado para comnosco, e os teus pensamentos não se podem contar por ordem diante de ti; se eu os quizera annunciar, e d’elles fallar, são mais do que se podem contar.
6 Sacrificio [2] e offerta não quizeste; as minhas orelhas [OO] abriste, holocausto e expiação pelo peccado não reclamaste.
7 Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escripto.
8 Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.
9 Préguei a justiça na grande congregação; eis-que não retive os meus labios, Senhor, tu o sabes.
10 Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação: [3] não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.
11 Não retires de mim, Senhor, as tuas misericordias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
12 Porque males sem numero me teem rodeado: as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima: são muitas mais do que os cabellos da minha cabeça; pelo que desfallece o meu coração.
13 Digna-te, Senhor, livrar-me: Senhor, apressa-te em meu auxilio.
14 Sejam á uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruil-a; tornem atraz e confundam-se os que me querem mal.
15 Desolados sejam em pago da sua affronta os que me dizem: Ha! Ha!
16 Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam: digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o Senhor.
17 Mas eu sou pobre e necessitado; comtudo o Senhor [4] cuida de mim: tu és o meu auxilio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.
[1] Jer. 17.7.
[2] I Sam. 15.22.
[3] Act. 20.20, 27.
[4] I Ped. 5.7.
O cuidado de Deus para com os pobres. David queixa-se da traição de seus inimigos e busca o soccorro de Deus.
Psalmo de David para o cantor-mór.
41 Bemaventurado [1] é aquelle que attende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal.
2 O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás á vontade de seus inimigos.
3 O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu farás toda a sua cama na doença.
4 Dizia eu: Senhor, tem piedade de mim; sára [2] a minha alma, porque pequei contra ti.
5 Os meus inimigos fallam mal de mim, dizendo: Quando morrerá elle, e perecerá o seu nome?
6 E, se algum d’elles vem ver-me, falla coisas vãs; no seu coração amontoa a maldade; saindo para fóra, falla d’ella.
7 Todos os que me aborrecem murmuram á uma contra mim; contra mim imaginam o mal, dizendo:
8 Uma má doença se lhe tem apegado; e, agora que está deitado, não se levantará mais.
9 Até o meu proprio amigo intimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar.
10 Porém tu, Senhor, tem piedade de mim, e levanta-me, para que eu lhes dê o pago.
11 Por isto conheço eu que tu me favoreces: que o meu inimigo não triumpha de mim.
12 Emquanto a mim, tu me sustentas na minha sinceridade, e me pozeste diante da tua face para sempre.
13 Bemdito seja o Senhor Deus d’Israel, de seculo em seculo: Amen e Amen.
[1] Pro. 14.21.
[2] Psa. 6.3.
A alma anhela por servir a Deus no seu templo.
Maschil para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.
42 Assim como o cervo [OP] brama pelas correntes das aguas, assim brama a minha alma por ti, ó Deus!
2 A minha alma tem sêde de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
3 As minhas lagrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, emquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?
4 Quando me lembro d’isto, dentro de mim derramo a minha alma: pois [1] eu havia ido com a multidão; fui com elles á casa de Deus, com voz d’alegria e louvor, com a multidão que festejava.
5 Porque estás abatida, ó alma minha, e porque te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.
6 Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; portanto lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde [OQ] o pequeno monte.
7 Um abysmo [2] chama outro abysmo; ao ruido das tuas catadupas: todas as tuas ondas e as tuas vagas teem passado sobre mim.
8 Comtudo o Senhor mandará a sua misericordia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, e a oração ao Deus da minha vida.
9 Direi a Deus, minha Rocha: Porque te esqueceste de mim? porque ando lamentando por causa da oppressão do inimigo?
10 [OR] Com ferida mortal em meus ossos me affrontam os meus adversarios, quando todo o dia me dizem: Onde está o teu Deus?
11 Porque estás [3] abatida, ó alma minha, e porque te perturbas dentro de mim? espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é [OS] a salvação da minha face, e o meu Deus.
[1] Isa. 30.29.
[2] Jer. 4.20. Eze. 7.26.
[3] ver. 5.
Oração para que seja restituido aos privilegios do sanctuario.
43 Faze-me justiça, ó Deus, e pleiteia a minha causa contra a [OT] gente impia; livra-me do homem fraudulento e injusto.
2 Pois tu és o Deus da minha fortaleza; porque me rejeitas? porque ando lamentando por causa da oppressão do inimigo?
3 Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu sancto monte, e aos teus tabernaculos.
4 Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é [OU] a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.
5 Porque estás abatida, ó alma minha? e porque te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face e Deus meu.
O povo de Deus recorda os favores antigos, e roga o livramento dos males presentes.
Maschil para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.
44 Ó Deus, nós ouvimos com os nossos ouvidos, [1] e nossos paes nos teem contado a obra que fizeste em seus dias, nos tempos da antiguidade.
2 Como expelliste as nações com a tua mão e os plantaste a elles: como affligiste os povos e [OV] os derribaste.
3 Pois não conquistaram a terra pela sua espada, nem o seu braço os salvou, mas a tua dextra e o teu braço, e a luz da tua face, porquanto te agradaste d’elles.
4 Tu és o meu Rei, ó Deus: ordena [OW] salvações para Jacob.
5 Por ti escornearemos [2] os nossos inimigos: pelo teu nome pizaremos os que se levantam contra nós:
6 Pois eu não confiarei no meu arco, nem a minha espada me salvará.
7 Mas tu nos salvaste dos nossos inimigos, e confundiste os que nos aborreciam.
8 Em Deus nos gloriamos todo o dia, e louvamos o teu nome eternamente (Selah).
9 Mas agora tu nos rejeitaste e nos confundiste, e não saes com os nossos exercitos.
10 Faze-nos [3] retirar do inimigo, e aquelles que nos odeiam nos saqueiam para si.
11 Tu nos entregaste como [4] ovelhas para comer, e nos espalhaste entre as nações.
12 Tu vendes por nada o teu povo, e não augmentas a tua riqueza com o seu preço.
13 Tu nos pões por opprobrio aos nossos visinhos, por escarneo e zombaria de aquelles que estão á roda de nós.
14 Tu nos pões por proverbio entre as nações, por movimento de cabeça entre os povos.
15 A minha [OX] confusão está constantemente diante de mim, e a vergonha do meu rosto me cobre:
16 Á voz d’aquelle que affronta e blasphema, por causa do inimigo e do vingador.
17 Tudo [5] isto nos sobreveiu: comtudo não nos esquecemos de ti, nem nos houvemos falsamente contra o teu concerto.
18 O nosso coração não voltou atraz, nem os nossos passos se desviaram das tuas veredas;
19 Ainda que nos quebrantaste n’um logar de [OY] dragões, e nos cobriste com a sombra da morte.
20 Se nós esquecemos o nome do nosso Deus, e estendemos as nossas mãos para um deus estranho,
21 Porventura não esquadrinhará Deus isso? pois elle sabe os segredos do coração.
22 Sim, por amor de ti, somos mortos todo o dia: somos tidos na conta de ovelhas para o matadouro.