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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 10 of 11)

Part 10 of 11 · Unknown author · Public domain text

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Contents (11)

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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento (part 10 of 11)

23 E Jesus lhes respondeu, dizendo: [21] É chegada a hora em que o Filho do homem ha de ser glorificado.

24 Na verdade, na verdade vos digo [22] que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica elle só; porém, se morrer, dá muito [23] fructo.

25 Quem ama a sua vida perdel-a-ha, e quem n’este mundo aborrece a sua vida guardal-a-ha para a vida eterna.

26 Se alguem me serve, siga-me, [24] e, onde eu estiver, ali estará tambem o meu servo. E, se alguem me servir, meu Pae o honrará.

27 Agora [25] a minha alma está turbada; e que direi eu? Pae, salva-me d’esta hora, [26] mas para isto vim a esta hora.

28 Pae, glorifica o teu nome. [27] Então veiu uma voz do céu, que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.

29 Ora a multidão que ali estava, e que a tinha ouvido, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe fallou.

30 Respondeu Jesus, e disse: [28] Não veiu esta voz por amor de mim, mas por amor de vós.

31 Agora é o juizo d’este mundo: agora será expulso [29] o principe d’este mundo.

32 E eu, [30] quando fôr levantado da terra, [31] todos attrahirei a mim.

33 E dizia isto, [32] significando de que morte havia de morrer.

34 Respondeu-lhe a multidão: [33] Nós temos ouvido da lei, que o Christo permanece para sempre; e como dizes tu que convem que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse Filho do homem?

35 Disse-lhes pois Jesus: A luz ainda está comvosco [34] por um pouco de tempo; [35] andae emquanto tendes luz, para que as trevas vos não apanhem. E quem [36] anda nas trevas não sabe para onde vae.

36 Emquanto tendes luz, crêde na luz, para que sejaes [37] filhos da luz. Estas coisas disse Jesus; e, retirando-se, [38] escondeu-se d’elles.

37 E, ainda que tinha feito tantos signaes diante d’elles, não criam n’elle;

38 Para que se cumprisse a palavra do propheta Isaias, que diz: [39] Senhor, quem creu na nossa prégação? e a quem foi revelado o braço do Senhor?

39 Por isso não podiam crêr, porquanto Isaias disse outra vez:

40 Cegou-lhes [40] os olhos, e endureceu-lhes o coração, afim de que não vejam com os olhos, e não comprehendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.

41 Isaias disse isto [41] quando viu a sua gloria e fallou d’elle.

42 Comtudo, até muitos dos principaes crêram n’elle; mas [42] não o confessavam por causa dos phariseos, para não serem expulsos da synagoga.

43 Porque [43] amavam mais a gloria dos homens do que a gloria de Deus.

44 E Jesus clamou, e disse: [44] Quem crê em mim, crê, não em mim, mas n’aquelle que me enviou.

45 E quem [45] me vê a mim, vê aquelle que me enviou.

46 Eu [46] sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquelle que crê em mim não permaneça nas trevas.

47 E, se alguem ouvir as minhas palavras, e não crêr, [47] eu não o julgo: porque [48] eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

48 Quem [49] me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a [50] palavra que tenho fallado, essa o ha de julgar no ultimo dia.

49 Porque [51] eu não tenho fallado de mim mesmo; porém o Pae, que me enviou, elle me deu mandamento [52] sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de fallar:

50 E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Assim que, o que eu fallo, fallo-o como o Pae m’o tem dito.

[1] cap. 11.1, 43.

[2] Mar. 14.3.

[3] Luc. 10.38, 39. cap. 11.2.

[4] cap. 13.29.

[5] Mat. 26.11. Mar. 14.7.

[6] cap. 11.43, 44.

[7] Luc. 16.31.

[8] cap. 11.45. ver. 18.

[9] Mar. 11.8.

[10] Psa. 118.25, 26.

[11] Mat. 21.7.

[12] Zac. 9.9.

[13] Luc. 18.34.

[14] cap. 7.39.

[15] cap. 14.26.

[16] ver. 11.

[17] cap. 11.47, 48.

[18] Act. 17.4.

[19] I Reis 8.41, 42. Act. 8.27.

[20] cap. 1.44.

[21] cap. 13.32 e 17.1.

[22] I Cor. 15.36.

[23] Mat. 10.39. Mar. 8.35.

[24] cap. 14.3 e 17.24. I The. 4.17.

[25] Mat. 26.38, 39. Luc. 12.50.

[26] Luc. 22.53.

[27] Mat. 3.17.

[28] cap. 11.42.

[29] Mat. 12.29. Act. 26.18. II Cor. 4.4.

[30] cap. 3.14 e 8.28.

[31] Rom. 5.18. Heb. 2.9.

[32] cap. 18.32.

[33] Isa. 9.7. Dan. 2.44 e 7.14, 27.

[34] cap. 1.9. ver. 46.

[35] Jer. 13.16. Eph. 5.8.

[36] cap. 11.10. I João 2.11.

[37] I The. 5.5. I João 2.9, 10, 11.

[38] cap. 8.59.

[39] Isa. 53.1. Rom. 10.16.

[40] Isa. 6.9, 10. Mat. 13.14.

[41] Isa. 6.1.

[42] cap. 7.13 e 9.22.

[43] cap. 5.44.

[44] Mar. 9.37. I Ped. 1.21.

[45] cap. 14.9.

[46] ver. 35, 36. cap. 3.19.

[47] cap. 5.45.

[48] cap. 3.17.

[49] Luc. 10.16.

[50] Deu. 18.19. Mar. 16.16.

[51] cap. 8.38.

[52] Deu. 18.18.

Jesus lava os pés aos discipulos.

13 Ora, [1] antes da festa da paschoa, sabendo Jesus que já era chegada [2] a sua hora de passar d’este mando para o Pae, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim.

2 E, acabada a ceia, [3] tendo já o diabo insinuado no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o trahisse,

3 Jesus, sabendo [4] que o Pae tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e [5] que havia saido de Deus e ia para Deus,

4 Levantou-se [6] da ceia, tirou os vestidos, e, tomando uma toalha, cingiu-se.

5 Depois deitou agua n’uma bacia, e começou a lavar os pés aos discipulos, e a enxugar-lh’os com a toalha com que estava cingido.

6 Approximou-se pois de Simão Pedro, e elle lhe disse: Senhor, [7] tu lavas-me os pés a mim?

7 Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, [8] mas tu o saberás depois.

8 Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu [9] te não lavar, não tens parte comigo.

9 Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas tambem as mãos e a cabeça.

10 Disse-lhe Jesus: Aquelle que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. [10] Ora vós estaes limpos, mas não todos.

11 Porque [11] bem sabia elle quem o havia de trahir; por isso disse: Nem todos estaes limpos.

12 Depois que lhes lavou os pés, e tomou os seus vestidos, tornou-se a assentar á mesa, e disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?

13 Vós [12] me chamaes Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou:

14 Pois se [13] eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, [14] vós deveis tambem lavar os pés uns aos outros.

15 Porque [15] eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façaes vós tambem.

16 Na [16] verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquelle que o enviou.

17 Se [17] sabeis estas coisas, bemaventurados sois se as fizerdes.

18 Não fallo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escriptura, [18] que diz: O que come o pão comigo levantou contra mim o seu calcanhar.

19 Já [19] agora vol-o digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou.

20 Na [20] verdade, na verdade vos digo que, se alguem receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim recebe aquelle que me enviou.

Jesus prediz que Judas o ha de trahir.

Mat. 26.21. Mar. 14.18.

21 Tendo Jesus dito isto, [21] turbou-se em espirito, e testificou, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que [22] um de vós me ha de trahir.

22 Então os discipulos olhavam uns para os outros, duvidando de quem elle fallava.

23 Ora [23] um de seus discipulos, aquelle a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.

24 Então Simão Pedro fez signal a este, para que perguntasse quem era aquelle de quem elle fallava.

25 E, inclinando-se elle sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?

26 Jesus respondeu: É aquelle a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão.

27 E, [24] após o bocado, entrou n’elle Satanás. Disse pois Jesus: O que fazes, fal-o depressa.

28 E nenhum dos que estavam assentados á mesa comprehendeu a que proposito lhe dissera isto;

29 Porque, como [25] Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessario para a festa; ou que désse alguma coisa aos pobres.

30 E, tendo tomado o bocado, saiu logo. E era já noite.

As ultimas instrucções de Jesus aos discipulos. A razão da sua saida do mundo. A promessa do Consolador.

31 Tendo elle pois saido, disse Jesus: [26] Agora é glorificado o Filho do homem, [27] e Deus é glorificado n’elle.

32 Se [28] Deus é glorificado n’elle, tambem Deus o glorificará em si mesmo, [29] e logo o ha de glorificar.

33 Filhinhos, ainda por um pouco estou comvosco. Vós me buscareis, [30] e, como tinha dito aos judeos: Para onde eu vou não podeis vós ir: assim vol-o digo eu tambem agora.

34 Um [31] novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós, que tambem vós uns a outros vos ameis.

35 N’isto [32] todos conhecerão que sois meus discipulos, se vós tiverdes amor uns aos outros.

36 Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vaes? Jesus lhe respondeu: Para onde eu vou não podes agora seguir-me, [33] porém depois me seguirás.

37 Disse-lhe Pedro: Porque não posso seguir-te agora? [34] Por ti darei a minha vida.

38 Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade te digo: não cantará o gallo emquanto me não tiveres negado tres vezes.

[1] Mat. 26.2.

[2] cap. 12.23.

[3] Luc. 22.3. ver. 27.

[4] Mat. 11.27. I Cor. 15.27.

[5] cap. 8.42.

[6] Luc. 22.27. Phi. 2.7, 8.

[7] Mat. 3.14.

[8] ver. 12.

[9] Eph. 5.26. Tito 3.5. Heb. 10.22.

[10] cap. 15.3.

[11] cap. 6.65.

[12] Mat. 23.8, 10. Luc. 6.46.

[13] Luc. 22.27.

[14] Rom. 12.10. I Ped. 5.5.

[15] Mat. 11.29. I João 2.6.

[16] Mat. 10.24. Luc. 6.40.

[17] Thi. 1.25.

[18] Psa. 41.9. Mat. 26.23. ver. 21.

[19] cap. 14.29 e 16.4.

[20] Mat. 10.40. Luc. 10.16.

[21] cap. 12.27.

[22] Act. 1.17. I João 2.19.

[23] cap. 19.26.

[24] Luc. 22.3. cap. 6.70.

[25] cap. 12.6.

[26] cap. 12.23.

[27] cap. 14.13. I Ped. 4.11.

[28] cap. 17.1, 4, 5, 6.

[29] cap. 12.23.

[30] cap. 7.34 e 8.21.

[31] Lev. 19.18. I Ped. 1.22. I João 2.7, 8.

[32] I João 2.5 e 4.20.

[33] cap. 21.18. II Ped. 1.14.

[34] Mat. 26.33, 34, 35. Luc. 22.33, 34.

14 Não [1] se turbe o vosso coração: crêdes em Deus, crêde tambem em mim.

2 Na casa de meu Pae ha muitas moradas; senão, eu vol-o teria dito; [2] vou preparar-vos logar.

3 E, se eu fôr, e vos preparar logar, [3] virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que [4] onde eu estiver estejaes vós tambem.

4 E já sabeis para onde vou, e sabeis o caminho.

5 Disse-lhe Thomé: Senhor, nós não sabemos para onde vaes; e como podemos saber o caminho?

6 Disse-lhe Jesus: Eu sou [5] o caminho, [6] e a verdade e [7] a vida. [8] Ninguem vem ao Pae, senão por mim.

7 Se [9] vós me conhecesseis a mim, tambem conhecerieis a meu Pae; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.

8 Disse-lhe Philippe: [10] Senhor, mostra-nos o Pae, e isso nos basta.

9 Disse-lhe Jesus: Estou ha tanto tempo comvosco, e não me tendes conhecido, Philippe? quem me vê a mim vê o Pae: e como dizes tu: Mostra-nos o Pae?

10 Não crês tu que [11] eu estou no Pae, e que o Pae está em mim? As palavras que eu vos digo [12] não as digo de mim mesmo, mas o Pae, que está em mim, é quem faz as obras.

11 Crêde-me que estou no Pae, e que o Pae está em mim: crêde-me, ao menos, por causa das mesmas obras.

12 Na verdade, na verdade vos digo que aquelle que crê [13] em mim tambem fará as obras [14] que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para meu Pae.

13 E [15] tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pae seja glorificado no Filho.

14 Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.

15 Se [16] me amaes, guardae os meus mandamentos.

16 E eu rogarei ao Pae, e [17] elle vos dará outro Consolador, para que fique comvosco para sempre:

17 O [18] Espirito de verdade, [19] que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece: mas vós o conheceis, porque habita comvosco, [20] e estará em vós.

18 Não [21] vos deixarei orphãos; [22] voltarei para vós.

19 Ainda um pouco, e o mundo não me verá [23] mais, porém vós [24] me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis.

20 N’aquelle dia conhecereis que [25] estou em meu Pae, e vós em mim, e eu em vós.

21 Aquelle [26] que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquelle que me ama será amado de meu Pae, e eu o amarei, e me manifestarei a elle.

22 Disse-lhe [27] Judas (não o Iscariotes): Senhor, d’onde vem que te has de manifestar a nós, e não ao mundo?

23 Jesus respondeu, e disse-lhe: Se [28] alguem me ama, guardará a minha palavra, e meu Pae o amará, [29] e viremos para elle, e faremos n’elle morada.

24 Quem me não ama não guarda as minhas palavras; e [30] a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pae que me enviou.

25 Tenho-vos dito estas coisas, estando ainda comvosco.

26 Mas [31] aquelle [AHU] Consolador, o Espirito Sancto, que o Pae enviará em meu nome, [32] esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

27 Deixo-vos a [33] paz, a minha paz vos dou: não vol-a dou como o mundo a dá. [34] Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

28 Ouvistes que [35] eu vos disse: Vou, e venho para vós. Se me amasseis, certamente exultarieis por ter dito: [36] Vou para o Pae; porque meu [37] Pae é maior do que eu.

29 Eu vol-o [38] disse agora antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

30 Já não fallarei muito comvosco; porque já [39] se approxima o principe d’este mundo, e nada tem em mim.

31 Mas para que o mundo saiba que eu amo o Pae, [40] e que faço como o Pae me mandou, levantae-vos, vamo-nos d’aqui.

[1] ver. 27. cap. 16.22, 23.

[2] cap. 13.33, 36.

[3] ver. 18, 28. Act. 1.11.

[4] cap. 12.26. I The. 4.16.

[5] Heb. 9.8.

[6] cap. 1.17.

[7] cap. 1.4.

[8] cap. 10.9.

[9] cap. 8.19.

[10] cap. 12.45. Col. 1.15. Heb. 1.3.

[11] cap. 10.38.

[12] cap. 5.19 e 12.49.

[13] cap. 5.36.

[14] Mat. 21.21. Luc. 10.17.

[15] Mat. 7.7. Mar. 11.24. Luc. 11.9.

[16] ver. 21, 23. I João 5.3.

[17] cap. 15.26. Rom. 8.15, 26.

[18] cap. 15.26. I João 4.6.

[19] I Cor. 2.14.

[20] I João 2.27.

[21] Mat. 28.20.

[22] ver. 3, 28.

[23] cap. 16.16.

[24] I Cor. 15.20.

[25] ver. 10. cap. 10.38.

[26] ver. 15, 23. I João 2.5.

[27] Luc. 6.16.

[28] ver. 15.

[29] I João 2.24. Apo. 3.20.

[30] ver. 10. cap. 5.19, 38.

[31] ver. 16. Luc. 24.49.

[32] cap. 2.22. I João 2.20, 27.

[33] Phi. 4.7. Col. 3.15.

[34] ver. 1.

[35] ver. 3, 18.

[36] ver. 12.

[37] cap. 5.18. Phi. 2.6.

[38] cap. 13.19.

[39] cap. 12.31.

[40] Phi. 2.8. Heb. 5.8.

Continuação das ultimas instrucções aos discipulos. União intima entre Jesus e os crentes.

15 Eu sou a videira verdadeira, e meu Pae é o lavrador.

2 Toda [1] a vara em mim, que não dá fructo, a tira; e alimpa toda a que dá fructo, para que dê mais fructo.

3 Vós [2] já estaes limpos, pela palavra que vos tenho fallado.

4 Estae [3] em mim, e eu em vós: como a vara de si mesma não pode dar fructo, se não estiver na videira, assim nem vós, se não estiverdes em mim.

5 Eu sou a videira, vós as varas: quem está em mim, e eu n’elle, esse dá muito [4] fructo; porque sem mim nada podeis fazer.

6 Se alguem não estiver em mim, será [5] lançado fóra, como a vara, e seccará; e os colhem, e os lançam no fogo, e ardem.

7 Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, [6] pedireis tudo o que quizerdes, e vos será feito.

8 N’isto é glorificado meu Pae, que [7] deis muito fructo; [8] e assim sereis meus discipulos.

9 Como o Pae me amou, tambem eu vos amei a vós; permanecei n’este meu amor.

10 Se [9] guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pae, e permaneço no seu amor.

11 Tenho-vos dito estas coisas, para que o meu gozo permaneça em vós, [10] e o vosso gozo seja cumprido.

12 O [11] meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

13 Ninguem [12] tem maior amor do que este: de dar alguem a sua vida pelos seus amigos.

14 Vós [13] sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.

15 Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, [14] porque tudo quanto ouvi de meu Pae vos tenho feito conhecer.

16 Não [15] me escolhestes vós a mim, porém eu vos escolhi a vós, e vos [16] constitui, para que vades e deis fructo, e o vosso fructo permaneça; [17] para que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pae elle vol-o conceda.

17 Isto [18] vos mando: que vos ameis uns aos outros.

18 Se [19] o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim.

19 Se [20] vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque [21] não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos aborrece.

20 Lembrae-vos da palavra que vos disse: [22] Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, tambem vos perseguirão a vós; [23] se guardaram a minha palavra, tambem guardarão a vossa.

21 Mas [24] tudo isto vos farão por causa do meu nome; porque não conhecem aquelle que me enviou.

22 Se [25] eu não viera, nem lhes houvera fallado, não teriam peccado, [26] mas agora não teem desculpa do seu peccado.

23 Aquelle [27] que me aborrece aborrece tambem a meu Pae.

24 Se eu entre elles não fizesse obras, [28] quaes nenhum outro tem feito, não teriam peccado; mas agora, viram-n’as e me aborreceram a mim e a meu Pae.

25 Mas isto é para que se cumpra a palavra que está escripta na sua lei: [29] Aborreceram-me sem causa.

26 Mas, quando [30] vier o Consolador, que eu da parte do Pae vos hei de enviar, a saber, aquelle Espirito de verdade, que procede do Pae, elle [31] testificará de mim.

27 E [32] vós tambem testificareis, pois estivestes [33] comigo desde o principio.

[1] Mat. 15.13.

[2] Eph. 5.26. I Ped. 1.22.

[3] Col. 1.23. I João 2.6.

[4] Ose. 14.8. Phi. 1.11.

[5] Mat. 3.10 e 7.19.

[6] ver. 16. cap. 14.13, 14.

[7] Mat. 5.16. Phi. 1.11.

[8] cap. 8.31.

[9] cap. 14.15, 21, 23.

[10] cap. 16.24. I João 1.4.

[11] I The. 4.9. I Ped. 4.8. I João 3.11.

[12] I João 3.16.

[13] cap. 14.15, 23. Mat. 12.50.

[14] Gen. 18.17. Act. 20.27.

[15] cap. 6.70. I João 4.10, 19.

[16] Mat. 28.19. Col. 1.6.

[17] ver. 7. cap. 14.13.

[18] ver. 12.

[19] I João 3.1, 13.

[20] I João 4.5.

[21] cap. 17.14.

[22] Mat. 10.24. Luc. 6.40.

[23] Eze. 3.7.

[24] Mat. 10.22 e 24.9.

[25] cap. 9.41.

[26] Rom. 1.20. Thi. 4.17.

[27] I João 2.23.

[28] cap. 3.2 e 7.31.

[29] Psa. 35.19 e 69.4.

[30] Luc. 24.49. Act. 2.33.

[31] I João 5.6.

[32] Luc. 24.48. Act. 1.8, 21, 22.

[33] Luc. 1.2. I João 1.1, 2.

Continuação das ultimas instrucções aos discipulos—Jesus repete a promessa do Consolador e da sua propria volta.

16 Tenho-vos dito estas coisas, para que vos [1] não escandalizeis.

2 Expulsar-vos-hão [2] das synagogas; vem mesmo a hora [3] em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus.

3 E [4] estas coisas vos farão, porquanto não conheceram ao Pae nem a mim.

4 Mas [5] tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquella hora, vos lembreis de que já vol-o tinha dito; mas eu não [6] vos disse isto desde o principio, porquanto estava comvosco.

5 E [7] agora vou para aquelle que me enviou: e nenhum de vós me pergunta: Para onde vaes?

6 Antes, porque-vos tenho dito estas coisas, [8] o vosso coração se encheu de tristeza.

7 Porém digo-vos a verdade, que vos convem que eu vá: porque, se eu não fôr, [9] o Consolador não virá para vós; mas, [10] se eu fôr, enviar-vol-o-hei.

8 E, quando elle vier, convencerá o mundo do peccado, e da justiça e do juizo.

9 Do [11] peccado, porque não crêem em mim;

10 Da [12] justiça, [13] porque vou para meu Pae, e não me vereis mais;

11 E [14] do juizo, porque já [15] o principe d’este mundo está julgado.

12 Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, [16] mas vós não as podeis supportar agora,

13 Porém, quando vier aquelle Espirito [17] de verdade, [18] elle vos guiará em toda a verdade; porque não fallará de si mesmo, mas fallará tudo o que tiver ouvido, e vos annunciará as coisas que hão de vir.

14 Elle me glorificará, porque ha de receber do que é meu, e vol-o ha de annunciar.

15 Tudo [19] quanto o Pae tem é meu; por isso vos disse que ha de receber do que é meu e vol-o ha de annunciar.

16 Um [20] pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-heis; porquanto [21] vou para o Pae.

17 Então alguns dos seus discipulos disseram uns para os outros: Que é isto que nos diz? Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-heis; e; porquanto vou para o Pae?

18 Diziam pois: Que quer dizer isto: Um pouco? não sabemos o que diz.

19 Conheceu pois Jesus que lh’o queriam interrogar, e disse-lhes: Indagaes entre vós ácerca d’isto que disse: Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-heis?

20 Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes; mas a vossa tristeza se converterá em alegria.

21 A [22] mulher, quando está para dar á luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas depois de ter dado á luz a creança já se não lembra da afflicção, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.

22 Assim [23] tambem vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, [24] e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguem vol-a tirará.

23 E n’aquelle dia nada me perguntareis. [25] Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pae, em meu nome, elle vol-o ha de dar.

24 Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que [26] o vosso gozo se cumpra.

25 Disse-vos estas coisas por parabolas: chega, porém, a hora em que vos não fallarei mais por parabolas, mas abertamente vos fallarei ácerca do Pae.

26 N’aquelle [27] dia pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pae,

27 Pois [28] o mesmo Pae vos ama; porque vós me amastes, [29] e crêstes que sahi de Deus.

28 Sahi [30] do Pae, e vim ao mundo: outra vez deixo o mundo, e vou para o Pae.

29 Disseram-lhe os seus discipulos: Eis que agora fallas abertamente, e não dizes parabola alguma.

30 Agora conhecemos que [31] sabes todas as coisas, e não has mister de que alguem te interrogue. Por isso [32] crêmos que saiste de Deus.

31 Respondeu-lhes Jesus: Crêdes agora?

32 Eis [33] que chega a hora, e já se approxima, em que vós sereis dispersos cada [34] um para sua parte, e me deixareis só; [35] mas não estou só, porque o Pae está comigo.

33 Tenho-vos dito estas coisas, para que [36] em mim tenhaes paz; [37] no mundo tereis afflicção, [38] mas tende bom animo, eu [39] venci o mundo.

[1] Mat. 11.6 e 26.31.

[2] cap. 9.22, 34 e 12.42.

[3] Act. 8.1 e 9.1.

[4] cap. 15.21. Rom. 10.2.

[5] cap. 13.19 e 14.29.

[6] Mat. 9.15.

[7] ver. 10, 16. cap. 14.28.

[8] ver. 22. cap. 14.1.

[9] cap. 7.39 e 14.16, 26.

[10] Act. 2.33. Eph. 4.8.

[11] Act. 2.22, 37.

[12] Act. 2.32.

[13] cap. 3.14.

[14] Act. 26.18.

[15] Luc. 10.18. Heb. 2.14.

[16] Mar. 4.33. Heb. 5.12.

[17] cap. 14.17.

[18] cap. 14.26. I João 2.20, 27.

[19] Mat. 11.27. cap. 13.3.

[20] ver. 10. cap. 7.33 e 13.33 e 14.19.

[21] ver. 28. cap. 13.3.

[22] Isa. 26.17.

[23] ver. 6.

[24] Luc. 24.41, 52. I Ped. 1.8.

[25] Mat. 7.7. cap. 14.13.

[26] cap. 15.11.

[27] ver. 23.

[28] cap. 14.21, 23.

[29] cap. 3.13.

[30] cap. 13.3.

[31] cap. 21.17.

[32] ver. 27. cap. 17.8.

[33] Mat. 26.31. Mat. 14.27.

[34] cap. 20.10.

[35] cap. 8.29.

[36] Isa. 9.6. Rom. 5.1.

[37] cap. 15.19, 20, 21. II Tim. 3.12.

[38] cap. 14.1.

[39] Rom. 8.37.

Oração de Jesus pelos seus discipulos.

17 Jesus disse estas coisas, e levantou seus olhos ao céu, e disse: Pae, é [1] chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que tambem o teu Filho te glorifique a ti:

2 Assim [2] como lhe déste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos [3] quantos lhe déste.

3 E [4] a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, [5] por unico Deus verdadeiro, e a Jesus Christo, [6] a quem enviaste.

4 [7] Eu glorifiquei-te na terra, [8] tendo consummado a obra [9] que me dés-te a fazer.

5 E agora glorifica-me tu, ó Pae, junto de ti mesmo, com aquella gloria que [10] tinha comtigo antes que o mundo existisse.

6 Manifestei [11] o teu nome aos homens [12] que do mundo me déste: eram teus, e tu m’os déste, e guardaram a tua palavra.

7 Agora já teem conhecido que tudo quanto me déste vem de ti,

8 Porque lhes dei as palavras [13] que tu me déste; e elles as receberam, [14] e teem verdadeiramente conhecido que sahi de ti, e creram que me enviaste.

9 Eu rogo por elles: não [15] rogo pelo mundo, mas por aquelles que me déste, porque são teus.

10 E todas as minhas coisas são tuas, [16] e as tuas coisas são minhas; e n’elles sou glorificado.

11 E [17] eu já não estou mais no mundo; porém elles estão no mundo, e eu vou para ti. Pae sancto, [18] guarda em teu nome aquelles que me déste, [19] para que sejam um, [20] assim como nós.

12 Estando eu com elles no mundo, guardava-os em teu nome. [21] Tenho guardado aquelles que tu me déste, [22] e nenhum d’elles se perdeu, senão o [23] filho da perdição, [24] para que a Escriptura se cumprisse.

13 Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos.

14 Dei-lhes [25] a tua palavra, [26] e o mundo os aborreceu, porque não são do mundo, [27] assim como eu não sou do mundo.

15 Não rogo que os tires do mundo, [28] mas que os livres do mal.

16 Não [29] são do mundo, como eu do mundo não sou.

17 Sanctifica-os [30] na tua verdade: [31] a tua palavra é a verdade.

18 Assim [32] como tu me enviaste ao mundo, tambem eu os enviei ao mundo.

19 E por elles [33] me sanctifico a mim mesmo, para que tambem elles sejam sanctificados na verdade.

20 E não rogo sómente por estes, mas tambem por aquelles que pela sua palavra hão de crêr em mim.

21 Para [34] que todos sejam um [35] como tu, ó Pae, em mim, e eu em ti; que tambem elles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

22 E eu dei-lhes a gloria que a mim me déste, [36] para que sejam um, como nós somos um:

23 Eu n’elles, e tu em mim, [37] para que sejam perfeitos em um, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a elles como me tens amado a mim.

24 Pae, [38] aquelles que me déste quero que, onde eu estiver, tambem elles estejam comigo, para que vejam a minha gloria que me déste: [39] porque tu me has amado antes da fundação do mundo.

25 Pae justo, [40] o mundo não te conheceu; mas [41] eu te conheci, [42] e estes conheceram que tu me enviaste a mim.

26 E eu [43] lhes fiz conhecer o teu nome, e lh’o farei conhecer mais, para que o amor com [44] que me tens amado n’elles esteja, e eu n’elles.

[1] cap. 12.23 e 13.32.

[2] Dan. 7.14. Heb. 2.8.

[3] ver. 6, 9, 24.

[4] Isa. 53.11.

[5] I Cor. 8.4.

[6] cap. 3.34.

[7] cap. 13.31 e 14.13.

[8] cap. 4.34.

[9] cap. 14.31.

[10] cap. 1.1. Phi. 2.6.

[11] ver. 26. Psa. 22.23.

[12] ver. 2, 9, 11.

[13] cap. 8.28.

[14] ver. 25. cap. 16.27, 30.

[15] I João 5.19.

[16] cap. 16.15.

[17] cap. 13.1 e 16.28.

[18] I Ped. 1.5. Jud. 1.

[19] ver. 21, etc.

[20] cap. 10.30.

[21] cap. 6.39. Heb. 2.13.

[22] I João 2.19.

[23] cap. 6.70.

[24] Psa. 109.8. Act. 1.20.

[25] ver. 8.

[26] cap. 15.18, 19. I João 3.13.

[27] cap. 8.23.

[28] Mat. 6.13. II The. 3.3. I João 5.18.

[29] ver. 14.

[30] Act. 15.9. Eph. 5.26. I Ped. 1.22.

[31] II Sam. 7.28. Psa. 119.142, 151.

[32] cap. 20.21.

[33] I Cor. 1.2, 30. I The. 4.7. Heb. 10.10.

[34] ver. 11, 22, 23. Rom. 12.5. Gal. 3.28.

[35] cap. 10.38.

[36] cap. 14.20. I João 1.3.

[37] Col. 3.14.

[38] cap. 12.26 e 14.3. I The. 4.16.

[39] ver. 5.

[40] cap. 15.21 e 16.3.

[41] cap. 7.29.

[42] ver. 8. cap. 16.27.

[43] ver. 6. cap. 15.15.

[44] cap. 15.9.

Jesus preso em Gethsemane.

Mat. 26.36-56 e refs.

18 Tendo Jesus dito estas coisas, [1] saiu com os seus discipulos para [2] além do ribeiro de Cedron, onde havia um horto, no qual elle entrou e seus discipulos.

2 E Judas, que o trahia, tambem conhecia aquelle logar, [3] porque Jesus muitas vezes se ajuntava ali com os seus discipulos.

3 Tendo [4] pois Judas tomado uma [AHV] companhia de soldados e alguns creados dos principaes dos sacerdotes e phariseos, veiu para ali com lanternas, e archotes e armas.

4 Sabendo pois Jesus todas as coisas que sobre elle haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscaes?

5 Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o trahia, estava tambem com elles.

6 Quando pois lhes disse: Sou eu, recuaram, e cairam por terra.

7 Tornou-lhes pois a perguntar: A quem buscaes? E elles disseram: A Jesus Nazareno.

8 Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu: se pois me buscaes a mim, deixae ir estes.

9 Para que se cumprisse a palavra que tinha dito: [5] Dos que me déste nenhum d’elles perdi.

10 Então [6] Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do summo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco.

11 Porém Jesus disse a Pedro: Mette a tua espada na bainha; [7] não beberei eu o calix que o Pae me deu?

Jesus perante o synhedrio: Pedro nega-o.

Mat. 26.57-75 e refs.

12 Então a cohorte, e o tribuno, e os servos dos judeos prenderam a Jesus e o manietaram.

13 E conduziram-n’o primeiramente a [8] Annás, por ser sogro de Caiphás, o qual era o summo sacerdote d’aquelle anno.

14 Ora, Caiphás [9] era quem tinha aconselhado aos judeos que convinha que um homem morresse pelo povo.

15 E [10] Simão Pedro e outro discipulo seguiam a Jesus. E este discipulo era conhecido do summo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do summo sacerdote.

16 E [11] Pedro estava fóra, á porta. Saiu então o outro discipulo que era conhecido do summo sacerdote, e fallou á porteira, e levou a Pedro para dentro.

17 Então a porteira disse a Pedro: Não és tu tambem dos discipulos d’este homem? Disse elle: Não sou.

18 Ora estavam ali os servos e os creados, que tinham feito brazas, e se aquentavam, porquanto fazia frio; e com elles estava Pedro, aquentando-se tambem.

19 E o summo sacerdote interrogou Jesus ácerca dos seus discipulos e da sua doutrina.

20 Jesus lhe respondeu: [12] Eu fallei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na synagoga e no templo onde todos os judeos se ajuntam, e nada disse em occulto;

21 Para que me perguntas a mim? pergunta aos que ouviram o que é que lhes tenho fallado: eis que elles sabem o que eu lhes tenho dito.

22 E, tendo elle dito isto, um dos creados que ali estavam deu [13] uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim respondes ao summo sacerdote?

23 Respondeu-lhe Jesus: Se fallei mal, dá testemunho do mal; e, se bem, porque me feres?

24 E [14] Annás mandou-o, manietado, ao summo sacerdote Caiphás.

25 E Simão Pedro estava ali, e aquentava-se. [15] Disseram-lhe pois: Não és tambem tu dos seus discipulos? Elle negou, e disse: Não sou.

26 E um dos servos do summo sacerdote, parente d’aquelle a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com elle?

27 E Pedro negou outra vez, e [16] logo o gallo cantou.

Jesus perante Pilatos.

Mat. 27.1, 2, 31 e refs.

28 Depois levaram [17] Jesus da casa de Caiphás para a audiencia. E era pela manhã. [18] E não entraram na audiencia, para não se contaminarem, mas poderem comer a paschoa.

29 Então Pilatos saiu fóra e disse-lhes: Que accusação trazeis contra este homem?

30 Responderam, e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, não t’o entregariamos.

31 Disse-lhes pois Pilatos: Levae-o vós, e julgae-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe pois os judeos: A nós não nos é licito matar alguem.

32 (Para [19] que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer.)

33 Tornou [20] pois a entrar Pilatos na audiencia, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o rei dos judeos?

34 Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-t’o outros de mim?

35 Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeo? a tua nação e os principaes dos sacerdotes entregaram-te a mim: que fizeste?

36 Respondeu [21] Jesus: [22] O meu reino não é d’este mundo: se o meu reino fosse d’este mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeos: porém agora o meu reino não é d’aqui.

37 Disse-lhe pois Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, para dar testemunho á verdade. Todo aquelle que [23] é da verdade ouve a minha voz.

38 Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a sair para os judeos, e disse-lhes: [24] Não acho n’elle crime algum;

39 Mas [25] vós tendes por costume que eu vos solte um pela paschoa. Quereis pois que vos solte o Rei dos Judeos?

40 Então [26] todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabbás. [27] E Barrabbás era um salteador.

[1] Mar. 14.32.

[2] II Sam. 15.23.

[3] Luc. 21.37 e 22.39.

[4] Mat. 26.47. Mar. 14.43. Act. 1.16.

[5] cap. 17.12.

[6] Mat. 26.51. Luc. 22.49, 50.

[7] Mat. 20.22.

[8] Luc. 3.2.

[9] cap. 11.50.

[10] Mat. 26.58. Mar. 14.54. Luc. 22.54.

[11] Mat. 26.69. Mar. 14.66. Luc. 22.54.

[12] Mat. 26.55. Luc. 4.15.

[13] Jer. 20.2. Act. 23.2.

[14] Mat. 26.57.

[15] Mat. 26.69, 71. Mar. 14.69. Luc. 22.58.

[16] Mat. 26.74. Mar. 14.72.

[17] Mar. 15.1. Act. 3.13.

[18] Act. 10.28 e 11.3.

[19] Mat. 20.19. cap. 12.32, 33.

[20] Mat. 27.11.

[21] I Tim. 6.13.

[22] Dan. 2.44 e 7.14. Luc. 12.14.

[23] cap. 8.47. I João 3.19.

[24] Mat. 27.24. Luc. 23.4. cap. 19.4, 6.

[25] Mat. 27.15. Mar. 15.6. Luc. 23.17.

[26] Act. 3.14.

[27] Luc. 23.19.

19 Pilatos [1] pois tomou então a Jesus, e o açoitou:

2 E os soldados, tecendo uma corôa de espinhos, lh’a pozeram sobre a cabeça, e lhe vestiram uma veste de purpura.

3 E diziam: Salve, Rei dos Judeos. E davam-lhe bofetadas.

4 Então Pilatos saiu outra vez fóra, e disse-lhes: Eis aqui vol-o trago fóra, para [2] que saibaes que não acho n’elle crime algum.

5 Saiu pois Jesus fóra, levando a corôa de espinhos e o vestido de purpura. E disse-lhes Pilatos: Eis-aqui o homem.

6 Vendo-o pois [3] os principaes dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomae-o vós, e crucificae-o; porque eu nenhum crime acho n’elle.

7 Responderam-lhe os judeos: [4] Nós temos uma lei, e, segundo a nossa [5] lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.

8 E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorisado ficou.

9 E entrou outra vez na audiencia, e disse a Jesus: D’onde és tu? [6] Mas Jesus não lhe deu resposta.

10 Disse-lhe pois Pilatos: Não me fallas a mim? não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?

11 Respondeu Jesus: [7] Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado; porém aquelle que me entregou a ti maior peccado tem.

12 Desde então Pilatos procurava soltal-o; mas os judeos clamavam, dizendo: [8] Se soltas este, não és amigo do Cesar: [9] qualquer que se faz rei [AHW] contradiz ao Cesar.

13 Ouvindo pois Pilatos este dito, levou a Jesus para fóra, e assentou-se no tribunal, no logar chamado Lithostrótos, e em hebraico Gabbatha.

14 E [10] era a preparação da paschoa, e quasi á hora sexta; e disse aos judeos: Eis aqui o vosso Rei.

15 Mas elles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principaes dos sacerdotes: [11] Não temos rei, senão o Cesar.

16 Então [12] entregou-lh’o, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram.

A crucifixão.

Mat. 27.31-56 e refs.

17 E, levando [13] elle ás costas a sua cruz, saiu [14] para o logar chamado Caveira, que em hebraico se chama Golgotha,

18 Onde o crucificaram, e com elle outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.

19 E Pilatos [15] escreveu tambem um titulo, e pôl-o em cima da cruz; e n’elle estava escripto: JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEOS.

20 E muitos dos judeos leram este titulo; porque o logar onde Jesus estava crucificado era proximo da cidade; e estava escripto em hebraico, grego e latim.

21 Diziam pois os principaes sacerdotes dos judeos a Pilatos: Não escrevas, Rei dos Judeos; mas que elle disse: Sou Rei dos Judeos.

22 Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.

23 Tendo pois [16] os soldados crucificado a Jesus, tomaram os seus vestidos, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte, e a tunica. Porém a tunica, tecida toda d’alto a baixo, não tinha costura.

24 Disseram pois uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ella, para vêr de quem será. Para que se cumprisse a Escriptura que diz: Dividiram [17] entre si os meus vestidos, e sobre a minha vestidura lançaram sortes. E os soldados, pois, fizeram estas coisas.

25 E [18] junto á cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria, mulher [19] de Cleophas, e Maria Magdalena.

26 Ora Jesus, vendo ali a sua mãe, e [20] o discipulo a quem elle amava estando presente, disse a sua mãe: [21] Mulher, eis ahi o teu filho.

27 Depois disse ao discipulo: Eis ahi tua mãe. E desde aquella hora o discipulo a recebeu [22] em sua casa.

28 Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam [23] acabadas, para que a Escriptura se cumprisse, disse: Tenho sêde.

29 Estava pois ali um vaso cheio de vinagre. [24] E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a n’um hyssope, lh’a chegaram á bocca.

30 E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: [25] Está consummado. E, inclinando a cabeça, entregou o espirito.

31 Os judeos, pois, para [26] que no sabbado não ficassem os corpos na cruz, porque era a preparação [27] (pois era grande o dia de sabbado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.

32 Foram pois os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que com elle fôra crucificado;

33 Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas.

34 Porém um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu [28] sangue e agua.

35 E aquelle que isto viu o testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que tambem vós o creiaes.

36 Porque estas coisas aconteceram para que [29] se cumprisse a Escriptura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado.

37 E outra vez diz a Escriptura: [30] Verão o que traspassaram.

A sepultura de Jesus.

Mat. 27.57, etc. e refs.

38 Depois d’isto, [31] José de Arimathea (o que era discipulo de Jesus, mas occulto, [32] por medo dos judeos) rogou a Pilatos que lhe permittisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lh’o permittiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus.

39 E foi tambem [33] Nicodemos (aquelle que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), [34] levando quasi cem arrateis d’um composto de myrrha e aloes.

40 Tomaram pois o corpo de Jesus e o envolveram em lençoes com as especiarias, como os judeos teem por costume preparar para o sepulchro.

41 E havia um horto n’aquelle logar onde fôra crucificado, e no horto um sepulchro novo, em que ainda ninguem havia sido posto.

42 Ali pois (por causa da preparação [35] dos judeos, e por estar perto aquelle sepulchro), [36] pozeram a Jesus.

[1] Mat. 20.19. Mar. 15.15. Luc. 18.33.

[2] cap. 18.38. ver. 6.

[3] Act. 3.13.

[4] Lev. 24.16.

[5] Mat. 26.65. cap. 5.18.

[6] Isa. 53.7. Mat. 27.12, 14.

[7] Luc. 22.53. cap. 7.30.

[8] Luc. 23.2.

[9] Act. 17.7.

[10] Mat. 27.62.

[11] Gen. 49.10.

[12] Mat. 27.26, 31. Luc. 23.24.

[13] Mar. 15.21, 22.

[14] Num. 15.36. Heb. 13.12.

[15] Mat. 27.37. Luc. 23.38.

[16] Mat. 27.35. Mar. 15.24. Luc. 23.34.

[17] Psa. 22.18.

[18] Mat. 27.55. Mar. 15.40. Luc. 23.49.

[19] Luc. 24.18.

[20] cap. 13.23 e 20.2.

[21] cap. 2.4.

[22] cap. 1.11 e 16.32.

[23] Psa. 69.21.

[24] Mat. 27.48.

[25] cap. 17.4.

[26] ver. 42. Mar. 15.42.

[27] Deu. 21.23.

[28] I João 5.6, 8.

[29] Exo. 12.46. Num. 9.12. Psa. 34.20.

[30] Psa. 22.17, 18. Zac. 12.10. Apo. 1.7.

[31] Mar. 15.42. Luc. 23.50.

[32] cap. 9.22 e 12.42.

[33] cap. 3.1, 2 e 7.50.

[34] Act. 5.6.

[35] ver. 21.

[36] Isa. 53.9.

A resurreição.

Mat. 28.1-10 e refs.

20 E no [1] primeiro dia da semana Maria Magdalena foi ao sepulchro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra já tirada do sepulchro.

2 Correu pois, e foi a Simão Pedro, e ao [2] outro discipulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulchro, e não sabemos onde o pozeram.

3 Então [3] Pedro saiu com o outro discipulo, e foram ao sepulchro.

4 E estes dois corriam juntos, porém o outro discipulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulchro.

5 E abaixando-se, viu postos os lençoes; todavia não entrou.

6 Chegou pois Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulchro, e viu postos os lençoes,

7 E [4] que o lenço, que tinha sido posto sobre a sua cabeça, não estava com os lençoes, mas enrolado n’um logar á parte.

8 Então entrou tambem o outro discipulo, que chegara primeiro ao sepulchro, e viu, e creu.

9 Porque ainda não sabiam a Escriptura: [5] que era necessario que resuscitasse dos mortos.

10 Tornaram pois os discipulos para casa.

Jesus apparece a Maria Magdalena.

11 E Maria [6] estava chorando fóra, junto ao sepulchro. Estando ella pois chorando, abaixou-se para o sepulchro.

12 E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um á cabeceira e outro aos pés.

13 E disseram-lhe elles: Mulher, porque choras? Ella lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o pozeram.

14 E, tendo [7] dito isto, voltou-se para traz, e viu Jesus em pé, [8] porém não sabia que era Jesus.

15 Disse-lhe Jesus: Mulher, porque choras? Quem buscas? Ella, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o pozeste, e eu o levarei.

16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ella, voltando-se, disse-lhe: Rabboni (que quer dizer, Mestre).

17 Disse-lhe Jesus: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pae, mas vae para [9] meus irmãos, e dize-lhes: [10] Subo para meu Pae e vosso Pae, [11] e para meu Deus e vosso Deus.

18 Maria Magdalena foi [12] e annunciou aos discipulos que vira o Senhor, e que elle lhe dissera estas coisas.

Jesus apparece aos onze. A incredulidade de Thomé.

Luc. 24.33-43 e refs.

19 Chegada [13] pois a tarde de aquelle dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discipulos, com medo dos judeos, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e poz-se no meio, e disse-lhes: Paz comvosco.

20 E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. [14] De sorte que os discipulos se alegraram vendo o Senhor.

21 Disse-lhes pois Jesus outra vez: Paz comvosco; [15] assim como o Pae me enviou, tambem eu vos envio a vós.

22 E, havendo dito isto, assoprou sobre elles e disse-lhes: Recebei o Espirito Sancto:

23 Áquelles a quem [16] perdoardes os peccados lhes são perdoados: e áquelles a quem os retiverdes lhes são retidos.

24 Ora Thomé, um dos doze, chamado [17] Didymo, não estava com elles quando Jesus chegou.

25 Disseram-lhe pois os outros discipulos: Vimos o Senhor. Porém elle disse-lhes: Se eu não vir o signal dos cravos em suas mãos e não metter o dedo no logar dos cravos, e não metter a minha mão no seu lado, em maneira nenhuma o crerei.

26 E oito dias depois estavam outra vez os seus discipulos dentro, e com elles Thomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz comvosco.

27 Depois disse a Thomé: Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; [18] e chega a tua mão, e mette-a no meu lado; e não sejas incredulo, mas crente.

28 Thomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!

29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Thomé, creste; [19] bemaventurados os que não viram, e creram.

30 Jesus pois operou tambem em presença de seus discipulos muitos outros [20] signaes, que não estão escriptos n’este livro.

31 Porém [21] estes foram escriptos para que creiaes que Jesus é o Christo, o Filho de Deus, [22] e para que, crendo, tenhaes vida em seu nome.

[1] Mar. 16.1. Luc. 24.1.

[2] cap. 13.23 e 19.26 e 21.7, 20, 24.

[3] Luc. 24.12.

[4] cap. 11.44.

[5] Psa. 16.10. Act. 2.25 e 13.31, 34, 35.

[6] Mar. 16.5.

[7] Mat. 28.9. Mar. 16.9.

[8] Luc. 24.16, 31. cap. 21.4.

[9] Mat. 28.10. Heb. 2.11.

[10] cap. 16.28.

[11] Eph. 1.17.

[12] Mat. 28.10. Luc. 24.10.

[13] Mar. 16.14. I Cor. 15.5.

[14] cap. 16.22.

[15] Mat. 28.18. cap. 17.18, 19. II Tim. 2.2. Heb. 3.1.

[16] Mat. 16.19 e 18.18.

[17] cap. 11.16.

[18] I João 1.1.

[19] II Cor. 5.7. I Ped. 1.8.

[20] cap. 21.25.

[21] Luc. 1.4.

[22] cap. 3.15, 16 e 5.24. I Ped. 1.8, 9.

Jesus apparece a alguns dos discipulos junto do mar de Tiberiades.

21 Depois d’isto manifestou-se Jesus outra vez aos discipulos junto do mar de Tiberiades; e manifestou-se assim:

2 Estavam juntos Simão Pedro, e Thomé, chamado Didymo, [1] e Nathanael, o de Caná da Galilea, [2] os filhos de Zebedeo, e outros dois dos seus discipulos.

3 Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe elles: Tambem nós vamos comtigo. Foram, e subiram logo para o barco, e n’aquella noite nada apanharam.

4 E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, [3] porém os discipulos não conheceram que era Jesus.

5 Disse-lhes [4] pois Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.

6 E elle lhes disse: [5] Lançae a rede para a banda direita do barco, e achareis. Lançaram-n’a pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes.

7 Então [6] aquelle discipulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a tunica (porque estava nu) e lançou-se ao mar.

8 E os outros discipulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quasi duzentos covados), levando a rede dos peixes.

9 Logo que desceram para terra, viram ali umas brazas, e um peixe posto em cima, e pão.

10 Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes.

11 Simão Pedro subiu, puxou a rede para terra, cheia de cento e cincoenta e tres grandes peixes, e, sendo tantos, não se rompeu a rede.

12 Disse-lhes Jesus: [7] Vinde, jantae. E nenhum dos discipulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor.

13 Chegou pois Jesus, e tomou o pão, e deu-lh’o, e, similhantemente o peixe.

14 E já [8] esta era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discipulos, depois de ter resuscitado dos mortos.

15 E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E elle respondeu: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.

16 Tornou a dizer-lhe segunda vez. Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. [9] Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

17 Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? e disse-lhe: Senhor, tu [10] sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

18 Na [11] verdade, na verdade, te digo, que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos; e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.

19 E disse isto, significando com [12] que morte havia elle de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me.

20 E Pedro, voltando-se, [13] viu que o seguia aquelle discipulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara tambem ao seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te ha de trahir.

21 Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e d’este que será?

22 Disse-lhe Jesus: Se eu quero que elle fique [14] até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.

23 Divulgou-se pois entre os irmãos este dito, que aquelle discipulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que elle fique até que eu venha, que te importa a ti?

24 Este é o discipulo que testifica d’estas coisas, e estas coisas escreveu; e [15] sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.

25 Ha, porém, ainda [16] muitas outras coisas que Jesus fez, as quaes, se cada uma de per si fosse escripta, [17] cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amen.

[1] cap. 1.45.

[2] Mat. 4.21.

[3] cap. 20.14.

[4] Luc. 24.41.

[5] Luc. 5.4, 6, 7.

[6] cap. 13.23 e 20.2.

[7] Act. 10.41.

[8] cap. 20.19, 26.

[9] Act. 20.28. Heb. 13.20. I Ped. 2.25 e 5.2, 4.

[10] cap. 2.24, 25 e 16.30.

[11] cap. 13.36. Act. 12.3, 4.

[12] II Ped. 1.14.

[13] cap. 13.23, 25 e 20.2.

[14] Mat. 16.27, 28 e 25.31. I Cor. 4.5 e 11.26. Apo. 2.25 e 3.11 e 22.7, 20.

[15] cap. 19.35. III João 12.

[16] cap. 20.30.

[17] Amós 7.10.

ACTOS DOS APOSTOLOS.

Introducção. A ascenção.

[Anno Domini 33]

1 Fiz o primeiro tratado, ó [1] Theophilo, ácerca de todas as coisas que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar,

2 Até [2] ao dia em que [3] foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espirito Sancto, aos apostolos que escolhera;

3 Aos [4] quaes tambem, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalliveis provas, sendo visto por elles por espaço de quarenta dias, e fallando do que respeita ao reino de Deus.

4 E, [5] ajuntando-os, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalem, mas que esperassem a promessa do Pae que (disse elle) de mim [6] ouvistes.

5 Porque, [7] na verdade, João baptizou com agua, [8] porém vós sereis baptizados com o Espirito Sancto, não muito depois d’estes dias.

6 Aquelles pois que se haviam ajuntado perguntaram-lhe, dizendo: [9] Senhor, [10] restaurarás tu n’este tempo o reino a Israel?

7 E disse-lhes: [11] Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pae poz em seu proprio poder.

8 Mas [12] recebereis a virtude do [13] Espirito Sancto, que ha de vir sobre vós; e ser-me-heis [14] testemunhas, tanto em Jerusalem como em toda a Judea e Samaria, e até aos confins da terra.

9 E, [15] havendo dito estas coisas, vendo-o elles, [16] foi elevado ás alturas, e uma nuvem o recebeu, occultando-o a seus olhos.

10 E, estando elles com os olhos fitos no céu, emquanto elle ia subindo, eis que junto d’elles se pozeram dois varões [17] vestidos de branco,

11 Os quaes então disseram: [18] Varões galileos, porque estaes olhando para o céu? Esse Jesus, que d’entre vós foi recebido acima no céu, [19] ha de vir assim como para o céu o vistes ir.

12 Então [20] voltaram para Jerusalem, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalem, á distancia do caminho de um sabbado.

13 E, entrando, subiram [21] ao cenaculo, onde ficaram [22] Pedro e Thiago, João e André, Philippe e Thomé, Bartholomeo e Matheus, Thiago, filho de Alpheo, [23] Simão, o zelador, e [24] Judas, irmão de Thiago.

14 Todos [25] estes perseveravam unanimemente em orações e supplicas, com [26] as mulheres, e Maria mãe de Jesus, [27] e com seus irmãos.

Mathias é escolhido apostolo em logar de Judas.

15 E n’aquelles dias, levantando-se Pedro no meio dos discipulos, disse (ora [28] a multidão junta era de quasi cento e vinte pessoas):

16 Varões irmãos, convinha que se cumprisse a Escriptura [29] que o Espirito Sancto predisse pela bocca de David, ácerca de Judas, [30] que foi o guia d’aquelles que prenderam a Jesus;

17 Porque foi [31] contado comnosco e alcançou sorte n’este [32] ministerio.

18 Ora este [33] adquiriu um campo com o [34] galardão da iniquidade; e, precipitando-se, arrebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.

19 E foi notorio a todos os que habitam em Jerusalem; de maneira que na sua propria lingua esse campo se chama Aceldama, isto é, Campo de sangue:

20 Porque no livro dos Psalmos está escripto: [35] Fique deserta a sua habitação, e não haja quem n’ella habite, [36] e tome outro [AHX] o seu bispado.

21 É necessario pois que, dos varões que conviveram comnosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu d’entre nós,

22 Começando [37] desde o baptismo de João até ao dia [38] em que d’entre nós foi recebido em cima, um d’elles se faça comnosco [39] testemunha da sua resurreição.

23 E apresentaram dois: José, chamado [40] Barsabbás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matthias.

24 E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor [41] dos corações de todos, mostra qual d’estes dois tens escolhido,

25 Para [42] que tome parte n’este ministerio e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu proprio logar.

26 E lançaram-lhes sortes, e caiu a sorte sobre Matthias. E por voto commum foi contado com os onze apostolos.

[1] Luc. 1.3.

[2] Mar. 16.19. Luc. 9.51 e 24.51. ver. 9. I Tim. 3.16.

[3] Mat. 28.19. Mar. 16.15. João 20.21. cap. 10.41, 42.

[4] Mar. 16.14. Luc. 24.36. João 20.19, 26 e 21.1, 14. I Cor. 15.6.

[5] Luc. 24.43, 49.

[6] Luc. 24.49. João 14.16, 26, 27 e 15.26 e 16.7. cap. 2.33.

[7] Mat. 3.11. cap. 11.16 e 19.4.

[8] Joel 3.18. cap. 2.4 e 11.15.

[9] Mat. 24.3.

[10] Isa. 1.26. Dan. 7.27. Amós 9.11.

[11] Mat. 24.36. Mar. 13.32. I The. 5.1.

[12] cap. 2.1, 4.

[13] Luc. 24.49.

[14] Luc. 24.48. João 15.27. ver. 22. cap. 2.32.

[15] Luc. 24.51. João 6.62.

[16] ver. 2.

[17] Mat. 28.3. Mar. 16.5. Luc. 24.4. João 20.12. cap. 10.3, 30.

[18] cap. 2.7 e 13.31.

[19] Dan. 7.13. Mat. 24.30. Mar. 13.26. Luc. 21.27. João 14.3. I The. 1.10 e 4.15. II The. 1.10. Apo. 1.7.

[20] Luc. 24.52.

[21] cap. 9.37, 39 e 20.8.

[22] Mat. 10.2, 3, 4.

[23] Luc. 6.15.

[24] Jud. 1.

[25] cap. 2.1, 46.

[26] Luc. 23.49, 55 e 24.10.

[27] Mat. 13.55.

[28] Apo. 3.4.

[29] Psa. 41.9. João 13.18.

[30] Luc. 22.47. João 18.3.

[31] Mat. 10.4. Luc. 6.16.

[32] ver. 25. cap. 12.25 e 20.24 e 21.19.

[33] Mat. 27.5, 7, 8.

[34] Mat. 26.15. II Ped. 2.15.

[35] Psa. 69.25.

[36] Psa. 109.8.

[37] Mar. 1.1.

[38] ver. 9.

[39] João 15.27. ver. 8. cap. 4.33.

[40] cap. 15.22.

[41] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9 e 29.17. Jer. 11.20 e 17.10. cap. 15.8. Apo. 2.23.

[42] ver. 17.

A descida do Espirito Sancto.

2 E, cumprindo-se [1] o dia de Pentecostes, [2] estavam todos concordemente reunidos.

2 E de repente veiu do céu um som, como de um vento vehemente e impetuoso, [3] e encheu toda a casa em que estavam assentados.

3 E foram vistas por elles linguas repartidas, como que de fogo, e pousaram sobre cada um d’elles.

4 E todos foram [4] cheios do Espirito Sancto, [5] e começaram a fallar n’outras linguas, conforme o Espirito Sancto lhes concedia que fallassem.

5 E em Jerusalem estavam habitando judeos, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.

6 E, correndo aquella voz, ajuntou-se a multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia fallar na sua propria lingua.

7 E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois que! não [6] são galileos todos esses homens que estão fallando?

8 Como pois os ouvimos, cada um, na nossa propria lingua em que somos nascidos?

9 Parthos e medas, elamitas e os que habitam na Mesopotamia, e Judea, e Cappadocia, Ponto e Asia,

10 E Phrygia e Pamphylia, Egypto e partes da Lybia, junto a Cyrene, e forasteiros romanos, tanto judeos como proselytos,

11 Cretenses e arabes, ouvimos todos em nossas proprias linguas fallar das grandezas de Deus.

12 E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer?

13 E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.

O discurso de Pedro no dia de Pentecostes.

14 Porém Pedro, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Varões judeos, e todos os que habitaes em Jerusalem, seja-vos isto conhecido, e escutae as minhas palavras;

15 Estes homens não estão embriagados, como vós pensaes, sendo [7] a terceira hora do dia.

16 Mas isto é o que foi dito pelo propheta Joel:

17 E [8] nos ultimos dias acontecerá, diz Deus, [9] que do meu Espirito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos [10] e as vossas filhas prophetizarão, os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos;

18 E tambem do meu Espirito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas n’aquelles dias, [11] e prophetizarão;

19 E [12] farei apparecer prodigios nas alturas, no céu; e signaes em baixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumo:

20 O [13] sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes de chegar o grande e illustre dia do Senhor;

21 E acontecerá [14] que todo aquelle que invocar o nome do Senhor será salvo.

22 Varões israelitas, escutae estas palavras: A Jesus Nazareno, varão approvado por Deus [15] entre vós com maravilhas, prodigios e signaes, que Deus por elle fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis:

23 A este, [16] sendo entregue pelo determinado conselho e presciencia de Deus, [17] tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos:

24 Ao [18] qual Deus resuscitou, soltas as dôres da morte, pois não era possivel que fosse retido por ella;

25 Porque d’elle disse David: Sempre via diante de mim ao Senhor, porque está á minha direita, para que eu não seja commovido:

26 Por isso se alegrou o meu coração, [19] e a minha lingua exultou; e ainda a minha carne ha de repousar em esperança;

27 Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permittirás que o teu Sancto veja a corrupção:

28 Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; com a tua face me encherás de jubilo.

29 Varões irmãos, seja-me licito dizer-vos livremente [20] ácerca do patriarcha David, que elle morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura.

30 Sendo pois elle propheta, [21] e sabendo que Deus lhe havia promettido com juramento que do fructo de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Christo, para o assentar sobre o seu throno,

31 Prevendo isto, fallou da resurreição de Christo, [22] dizendo que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.

32 Deus [23] resuscitou a este Jesus, do [24] que todos nós somos testemunhas.

33 De [25] sorte que, exaltado já pela dextra de Deus, [26] e recebendo do Pae a promessa do Espirito Sancto, [27] derramou isto que vós agora vêdes e ouvis.

34 Porque David não subiu aos céus, mas diz: [28] Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te á minha direita,

35 Até que ponha os teus inimigos por escabello de teus pés.

36 Saiba pois com certeza toda a casa d’Israel que a esse Jesus, a quem [29] vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Christo.

As primeiras conversões.

37 E, ouvindo elles estas [30] coisas, compungiram-se em seu coração, e disseram a Pedro e aos demais apostolos: Que faremos, varões irmãos?

38 E disse-lhes Pedro: [31] Arrependei-vos, e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Christo, para perdão dos peccados; e recebereis o dom do Espirito Sancto;

39 Porque a promessa vos pertence, a vós, [32] a vossos filhos, e a [33] todos os que estão longe: a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.

40 E com muitas outras palavras testificava e os exhortava, dizendo: Salvae-vos d’esta geração perversa.

41 De sorte que foram baptizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e n’aquelle dia ajuntaram-se á egreja quasi tres mil almas;

42 E [34] perseveravam na doutrina dos apostolos, e na communhão, e no partir do pão e nas orações.

43 E em toda a alma havia temor, [35] e muitas maravilhas e signaes se faziam pelos apostolos.

44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo [36] em commum.

45 E vendiam suas propriedades e fazendas, [37] e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.

46 E, [38] perseverando unanimes todos os dias [39] no templo, e [40] repartindo o pão de casa em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,

47 Louvando a Deus, [41] e tendo graça para com todo o povo. E todos os dias accrescentava o Senhor [42] á egreja aquelles que se haviam de salvar.

[1] Lev. 23.15. Deu. 16.9. cap. 20.16.

[2] cap. 1.14.

[3] cap. 4.31.

[4] cap. 1.5.

[5] Mar. 16.17. cap. 10.46 e 19.6. I Cor. 12.10, 28, 30 e 13.1 e 14.2, etc.

[6] cap. 1.11.

[7] I The. 5.7.

[8] Isa. 44.3. Eze. 11.19 e 36.27. Joel 2.28, 29. Zac. 12.10. João 7.38.

[9] cap. 10.45.

[10] cap. 21.9.

[11] cap. 21.4, 9, 10. I Cor. 12.10, 28 e 14.1, etc.

[12] Joel 2.30, 31.

[13] Mat. 24.29. Mar. 13.24. Luc. 21.25.

[14] Rom. 10.13.

[15] João 3.2 e 14.10, 11. cap. 10.38. Heb. 2.4.

[16] Mat. 26.24. Luc. 22.22 e 24.44. cap. 3.18 e 4.28.

[17] cap. 5.30.

[18] ver. 32. cap. 3.15 e 4.10 e 10.40 e 13.30, 34 e 17.31. Rom. 4.24 e 8.11. I Cor. 6.14 e 15.15. II Cor. 4.14. Gal. 1.1. Eph. 1.20. Col. 2.12. I The. 1.10. Heb. 13.20. I Ped. 1.21.

[19] Psa. 16.8, 11.

[20] I Reis 2.10. cap. 13.36.

[21] II Sam. 7.12, 13. Psa. 132.11. Luc. 1.32, 69. Rom. 1.3. II Tim. 2.8.

[22] Psa. 16.10. cap. 13.35.

[23] ver. 24.

[24] cap. 1.8.

[25] cap. 5.31. Phi. 2.9. Heb. 10.12.

[26] João 14.26 e 15.26 e 16.7, 13. cap. 1.4.

[27] cap. 10.45. Eph. 4.8.

[28] Psa. 110.1. Mat. 22.44. Heb. 1.13.

[29] cap. 5.31.

[30] Zac. 12.10. Luc. 3.10. cap. 9.6.

[31] Luc. 24.47. cap. 3.19.

[32] Joel 2.28. cap. 3.25.

[33] cap. 10.45 e 11.15, 18.

[34] ver. 46. cap. 1.14. Rom. 12.12. Eph. 6.18.

[35] Mar. 16.17. cap. 4.33 e 5.12.

[36] cap. 4.32, 34.

[37] Isa. 58.7.

[38] cap. 1.14.

[39] Luc. 24.53.

[40] cap. 20.7.

[41] Luc. 2.52. Rom. 14.18.

[42] cap. 5.14 e 11.24.

Cura d’um côxo; discurso de Pedro no templo.

3 E Pedro e João subiam [1] juntos ao templo [2] á hora da oração, a nona.

2 E [3] era trazido um varão que desde o ventre de sua mãe era côxo, o qual cada dia punham á porta do templo, chamada Formosa, [4] para pedir esmola aos que entravam no templo.

3 O qual, vendo a Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe déssem uma esmola.

4 E Pedro, com João, fitando os olhos n’elle, disse: Olha para nós.

5 E olhou para elles, esperando receber d’elles alguma coisa.

6 E disse Pedro: Não tenho prata nem oiro; mas o que tenho isso te dou. [5] Em nome de Jesus Christo, o Nazareno, levanta-te e anda.

7 E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram.

8 E, saltando [6] elle, poz-se em pé, e andou, e entrou com elles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus;

9 E [7] todo o povo o viu andar e louvar a Deus;

10 E conheciam-n’o, que era elle o que [8] se assentava á esmola á porta Formosa do templo, e ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe acontecera.

11 E, apegando-se o côxo, que fôra curado, a Pedro e João, todo o povo correu attonito para junto d’elles, ao alpendre [9] chamado de Salomão.

12 E Pedro, vendo isto, disse ao povo: Varões israelitas, porque vos maravilhaes d’isto? Ou, porque olhaes tanto para nós, como se por nossa propria virtude ou sanctidade o fizessemos andar?

13 O [10] Deus d’Abrahão, e de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos paes, [11] glorificou a seu filho Jesus, a quem vós [12] entregastes e [13] perante a face de Pilatos negastes, julgando elle que devia ser solto.

14 Mas vós negastes [14] o Sancto e [15] o Justo, e pedistes que se vos désse um homem homicida.

15 E matastes o [16] Principe da vida, ao qual Deus resuscitou dos mortos, [17] do que nós somos testemunhas.

16 E [18] pela fé no seu nome o seu nome fortaleceu a este que vêdes e conheceis; e a fé que é por elle deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saude.

17 E agora, irmãos, eu sei que o fizestes [19] por ignorancia, como tambem os vossos [AHY] principes:

18 Mas Deus [20] assim cumpriu o que já d’antes pela bocca de todos os seus prophetas havia [21] annunciado; que o Christo havia de padecer.

19 Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos peccados, quando vierem os tempos do refrigerio pela presença do Senhor,

20 E elle enviar a Jesus Christo, [22] que já d’antes vos foi prégado:

21 O [23] qual convem que o céu contenha até aos tempos da restauração [24] de todas as coisas, [25] das quaes Deus fallou pela bocca de todos os seus sanctos prophetas, desde todo o seculo.

22 Porque Moysés disse aos paes: [26] O Senhor vosso Deus levantará d’entre vossos irmãos um propheta similhante a mim: a elle ouvireis em tudo quanto vos disser.

23 E acontecerá que toda a alma que não escutar esse propheta será exterminada d’entre o povo.

24 E tambem todos os prophetas, desde Samuel, e todos quantos depois teem fallado, já d’antes annunciaram esses dias.

25 Vós [27] sois os filhos dos prophetas, e do concerto que Deus fez com nossos paes, dizendo a Abrahão: [28] Na tua descendencia serão bemditas todas as familias da terra.

26 Resuscitando [29] Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou [30] a vós, para que n’isso vos abençoasse, [31] e vos desviasse, a cada um, das vossas maldades.

[1] cap. 2.46.

[2] Psa. 55.17.

[3] cap. 14.8.

[4] João 9.8.

[5] cap. 4.10.

[6] Isa. 35.6.

[7] cap. 4.16, 21.

[8] João 9.8.

[9] João 10.23. cap. 5.12.

[10] cap. 5.30.

[11] João 7.39 e 12.16 e 17.1.

[12] Mat. 27.2.

[13] Mat. 27.20. Mar. 15.11. Luc. 23.18, 20, 21. João 18.40 e 19.15. cap. 13.28.

[14] Psa. 16.10. Mar. 1.24. Luc. 1.35. cap. 2.27 e 4.27.

[15] cap. 7.52 e 22.14.

[16] Heb. 2.10 e 5.9. cap. 2.24.

[17] cap. 2.32.

[18] Mat. 9.22. cap. 4.10 e 14.9.

[19] Luc. 23.34. João 16.3. cap. 13.27. I Cor. 2.8. I Tim. 1.13.

[20] Luc. 24.44. cap. 26.22.

[21] Psa. 22. Isa. 50.6 e 53.5, etc. Dan. 9.26. I Ped. 1.10, 11.

[22] cap. 2.38.

[23] cap. 1.11.

[24] Mat. 17.11.

[25] Luc. 1.70.

[26] Deu. 18.15, 18, 19. cap. 7.37.

[27] cap. 2.39. Rom. 9.4, 8 e 15.8. Gal. 3.26.

[28] Gen. 12.3 e 18.18 e 22.18 e 26.4 e 28.14. Gal. 3.8.

[29] Mat. 10.5 e 15.24. Luc. 24.47. cap. 13.32, 33, 46.

[30] ver. 22.

[31] Mat. 1.21.

Pedro e João perante o synhedrio.

4 E, estando elles fallando ao povo, sobrevieram os sacerdotes, e o capitão do templo, e os sadduceos,

2 Doendo-se [1] muito de que ensinassem o povo, e annunciassem em Jesus a resurreição dos mortos.

3 E lançaram mão d’elles, e os encerraram na prisão até ao dia seguinte, pois era já tarde.

4 Muitos, porém, dos que ouviram a palavra crêram, e chegou o numero d’esses homens a quasi cinco mil.

5 E aconteceu, no dia seguinte, reunirem-se em Jerusalem os seus principaes, e anciãos e escribas,

6 E [2] Annás, o summo sacerdote, e Caiphás, e João, e Alexandre, e todos quantos havia da linhagem do summo sacerdote.

7 E, pondo-os no meio, perguntaram: [3] Com que poder fizestes isto, ou em nome de quem?

8 Então [4] Pedro, cheio do Espirito Sancto, lhes disse: Principaes do povo, e vós, anciãos d’Israel.

9 Visto que hoje somos interrogados ácerca do beneficio feito a um homem enfermo, do modo como foi curado,

10 Seja conhecido a vós todos, e a todo o povo d’Israel, [5] que em nome de Jesus Christo, o nazareno, aquelle a quem vós crucificastes [6] e a quem Deus resuscitou dos mortos, em nome d’esse é que este está são diante de vós.

11 Este [7] é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça d’esquina.

12 E [8] em nenhum outro ha salvação, porque tambem debaixo do céu nenhum outro nome ha, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.

13 Então elles, vendo a ousadia de Pedro e João, [9] e informados de que eram homens sem lettras e indoutos, se maravilharam; e conheciam que elles haviam estado com Jesus.

14 Mas, vendo [10] estar com elles o homem que fôra curado, nada tinham que dizer em contrario.

15 E, mandando-os sair fóra do conselho, conferenciaram entre si,

16 Dizendo: [11] Que havemos de fazer a estes homens? porque a todos os que habitam em Jerusalem [12] é manifesto que por elles foi feito um signal notorio, e não o podemos negar;

17 Mas, para que não se divulgue mais entre o povo, ameacemol-os para que não fallem mais n’esse nome a homem algum.

18 E, [13] chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não fallassem, nem ensinassem, no nome de Jesus.

19 Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: [14] Julgae vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus;

20 Porque [15] não podemos deixar de fallar do que temos [16] visto e ouvido.

21 Mas elles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os castigar, [17] deixaram-n’os ir, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus ácerca [18] do que acontecera:

22 Pois tinha mais de quarenta annos o homem em quem se operara aquelle milagre de saude.

23 E, soltos elles, foram [19] para os seus, e contaram tudo o que lhes disseram os principaes dos sacerdotes e os anciãos.

24 E, ouvindo elles isto, unanimes levantaram a voz a Deus, e disseram: [20] Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar, e todas as coisas que n’elles ha;

25 Que disseste pela bocca de David, teu servo: [21] Porque bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vãs?

26 Levantaram-se os reis da terra, e os principes se ajuntaram á uma, [22] contra o Senhor e contra o seu Ungido.

27 Porque verdadeiramente contra [23] o teu sancto Filho Jesus, [24] que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Poncio Pilatos, com os gentios e os povos d’Israel;

28 Para [25] fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.

29 Agora pois, ó Senhor, põe os olhos nas suas ameaças, e concede aos teus servos que [26] fallem com toda a ousadia a tua palavra;

30 Estendendo a tua mão para curar, [27] e para que se façam signaes e prodigios [28] pelo nome do [29] teu sancto Filho Jesus.

31 E, tendo orado, [30] moveu-se o logar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espirito Sancto, [31] e fallavam com ousadia a palavra de Deus.

A communidade de bens entre os primeiros christãos: Ananias e Saphira.

32 E era um [32] o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguem dizia que coisa alguma do que possuia era sua propria, [33] mas todas as coisas lhes eram communs.

33 E os apostolos davam, [34] com grande poder, [35] testemunho da resurreição do Senhor Jesus, [36] e em todos elles havia abundante graça.

34 Não havia pois entre elles [37] necessitado algum; porque todos os que possuiam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do vendido, [38] e o depositavam aos pés dos apostolos.

35 E [39] repartia-se por cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.

36 Então José, cognominado pelos apostolos Barnabé (que, traduzido, é Filho de consolação), levita, natural de Chypre,

37 Possuindo uma [40] herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o apresentou aos pés dos apostolos.

[1] Mat. 22.23. Act. 23.8.

[2] Luc. 3.2. João 11.49 e 18.13.

[3] Exo. 2.14. Mat. 21.23. cap. 7.27.

[4] Luc. 12.11, 12.

[5] cap. 3.6, 16.

[6] cap. 2.4.

[7] Psa. 118.22. Isa. 28.16. Mat. 21.42.

[8] Mat. 1.21. cap. 10.43. I Tim. 2.5, 6.

[9] Mat. 11.25. I Cor. 1.27.

[10] cap. 3.11.

[11] João 11.47.

[12] cap. 3.9.

[13] cap. 5.40.

[14] cap. 5.29.

[15] cap. 1.8 e 2.32.

[16] cap. 22.15. I João 1.1, 3.

[17] Mat. 21.26. Luc. 20.6, 19 e 22.2. cap. 5.26.

[18] cap. 3.7, 8.

[19] cap. 12.12.

[20] II Reis 19.15.

[21] Psa. 2.1.

[22] Mat. 26.3. Luc. 22.2 e 23.1, 8.

[23] Luc. 1.35.

[24] Luc. 4.18. João 10.36.

[25] cap. 2.23 e 3.18.

[26] ver. 13, 31. cap. 9.27 e 13.46 e 14.3 e 19.8 e 26.26 e 28.31. Eph. 6.19.

[27] cap. 2.43 e 5.12.

[28] cap. 35.16.

[29] ver. 27.

[30] cap. 2.2, 4 e 16.26.

[31] ver. 29.

[32] cap. 5.12. Rom. 15.5, 6. II Cor. 13.11. Phi. 1.27 e 2.2. I Ped. 3.8.

[33] cap. 2.44.

[34] cap. 1.8.

[35] cap. 1.22.

[36] cap. 2.47.

[37] cap. 2.45.

[38] ver. 27. cap. 5.2.

[39] cap. 2.45 e 6.1.

[40] ver. 34, 35. cap. 5.1, 2.

5 E um certo varão chamado Ananias, com Saphira, sua mulher, vendeu uma propriedade;

2 E reteve parte do preço, sabendo-o tambem sua mulher; [1] e, trazendo uma parte d’elle, a depositou aos pés dos apostolos.

3 Disse [2] então Pedro: Ananias, porque encheu [3] Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espirito Sancto, e retivestes parte do preço da herdade?

4 Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Porque formaste este designio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.

5 E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu [4] e expirou. E um grande temor veiu sobre todos os que isto ouviram.

6 E, levantando-se os mancebos, pegaram d’elle, [5] e, transportando-o para fóra, o sepultaram.

7 E, passando um espaço quasi de tres horas, entrou tambem sua mulher, não sabendo o que havia acontecido.

8 E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquella herdade? E ella disse: Sim, por tanto.

9 Porém Pedro lhe disse: Porque é que entre vós vos concertastes para [6] tentar o Espirito do Senhor? Eis ahi á porta os pés dos que sepultaram a teu marido, e tambem te levarão a ti.

10 E [7] logo caiu aos seus pés, e expirou. E, entrando os mancebos, acharam-n’a morta, e a sepultaram junto de seu marido.

11 E [8] veiu um grande temor a toda a egreja, e a todos os que ouviram estas coisas.

12 E [9] muitos signaes e prodigios eram feitos entre o povo [10] pelas mãos dos apostolos. E estavam todos unanimes no alpendre de Salomão.

13 E dos [11] outros ninguem ousava ajuntar-se com elles: mas o povo tinha-os em grande estima.

14 E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia mais e mais.

15 De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os punham em leitos e em camilhas [12] para que a sombra de Pedro, quando passasse, cobrisse alguns d’elles.

16 E até das cidades circumvisinhas concorria a multidão a Jerusalem, conduzindo [13] enfermos e atormentados de espiritos immundos; os quaes todos eram curados.

Os apostolos são milagrosamente tirados da prisão, e dão testemunho perante o synhedrio. O conselho de Gamaliel.

17 E, [14] levantando-se o summo sacerdote, e todos os que estavam com elle (que era a seita dos sadduceos), encheram-se de inveja,

18 E [15] lançaram mão dos apostolos, e os pozeram na prisão publica.

19 Mas [16] de noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão, e, tirando-os para fóra, disse:

20 Ide apresentar-vos no templo, e dizei ao povo [17] todas as palavras d’esta vida.

21 E, ouvindo elles isto, entraram de manhã cedo no templo, e ensinavam. [18] Chegando, porém, o summo sacerdote e os que estavam com elle, convocaram o conselho, e a todos os anciãos dos filhos d’Israel, e enviaram ao carcere, para que de lá os trouxessem.

22 Mas, tendo lá chegado os [AHZ] servidores, não os acharam na prisão, e, voltando, lh’o annunciaram,

23 Dizendo: Achámos realmente o carcere fechado, com toda a segurança, e os guardas, que estavam fóra, diante das portas; mas, quando abrimos, ninguem achámos dentro.

24 Então o capitão do templo e os principaes dos sacerdotes, ouvindo [19] estas palavras, estavam perplexos ácerca do que viria a ser aquillo.

25 E, chegando um, annunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo.

26 Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violencia (porque [20] temiam ser apedrejados pelo povo).

27 E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o summo sacerdote os interrogou, dizendo:

28 Não [21] vos admoestámos nós expressamente que não ensinasseis n’esse nome? E eis que já enchestes Jerusalem d’essa vossa doutrina, [22] e quereis trazer sobre nós [23] o sangue d’esse homem.

29 Porém, respondendo Pedro e os apostolos, disseram: [24] Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.

30 O [25] Deus de nossos paes resuscitou a Jesus, ao qual vós matastes suspendendo-o no madeiro.

31 Deus com a sua [26] dextra o elevou a [27] Principe e [28] Salvador, para dar a Israel [29] o arrependimento e remissão dos peccados.

32 E [30] nós somos testemunhas ácerca d’estas palavras, e tambem o Espirito Sancto, que [31] Deus deu áquelles que lhe obedecem.

33 E, [32] ouvindo elles isto, se enfureciam, e deliberaram matal-os.

34 Mas, levantando-se no conselho um certo phariseo, chamado [33] Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que por um pouco levassem para fóra os apostolos;

35 E disse-lhes: Varões israelitas, acautelae-vos, emquanto ao que haveis de fazer ácerca d’esses homens,

36 Porque antes d’estes dias levantou-se Theudas, dizendo ser alguem: d’este se acercou o numero de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada.

37 Depois d’este levantou-se Judas, o galileo, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; e tambem este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos.

38 E agora digo-vos: Dae de mão a estes homens, e deixae-os, [34] porque, se esse designio, ou essa obra, é de homens, se desfará,

39 Mas, [35] se é de Deus, não podereis desfazel-a; para que não aconteça serdes [36] tambem achados combatendo contra Deus.

40 E concordaram com elle. [37] E, chamando os apostolos, [38] e tendo-os açoitado, mandaram que não fallassem no nome de Jesus, e os deixaram ir.

41 Retiraram-se pois da presença do conselho, [39] rogozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer affronta pelo nome de Jesus.

42 E todos os dias, [40] no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de annunciar a Jesus Christo.

[1] cap. 4.37.

[2] Num. 30.2. Deu. 23.21. Ecc. 5.4.

[3] Luc. 22.3.

[4] ver. 10, 11.

[5] João 19.40.

[6] ver. 3. Mat. 4.7.

[7] ver. 5.

[8] ver. 5. cap. 2.43 e 19.17.

[9] cap. 2.43 e 14.3. Rom. 15.19. Heb. 2.4.

[10] cap. 3.11.

[11] João 9.22 e 12.42. cap. 2.47 e 4.21.

[12] Mat. 9.21 e 14.36. cap. 19.12.

[13] Mat. 16.17, 18. João 14.12.

[14] cap. 4.1, 2, 6.

[15] cap. 21.12.

[16] cap. 12.7 e 16.26.

[17] João 6.68 e 17.3. I João 5.11.

[18] cap. 4.5, 6.

[19] Luc. 22.4. cap. 4.1.

[20] Mat. 21.26.

[21] cap. 4.18.

[22] cap. 2.23, 36 e 3.15 e 7.52.

[23] Mat. 23.35 e 27.25.

[24] cap. 4.19.

[25] cap. 3.13, 15. cap. 10.39. Gal. 3.13. I Ped. 2.24.

[26] cap. 2.33, 36. Phi. 2.9. Heb. 2.10.

[27] cap. 3.15.

[28] Mat. 1.21.

[29] Luc. 24.47. cap. 3.26 e 13.38. Eph. 1.7. Col. 1.14.

[30] João 15.26, 27.

[31] cap. 2.4 e 10.44.

[32] cap. 2.27 e 7.54.

[33] cap. 22.3.

[34] Pro. 21.30. Isa. 8.10. Mat. 15.13.

[35] Luc. 21.15. I Cor. 1.25.

[36] cap. 7.51 e 9.5 e 23.9.

[37] cap. 4.18.

[38] Mat. 10.17 e 23.34. Mar. 13.9.

[39] Mat. 5.12. Rom. 5.3. II Cor. 12.10. Phi. 1.29. Heb. 10.34. Thi. 1.2. I Ped. 4.13, 16.

[40] cap. 4.20, 29.

A instituição dos diaconos.

6 Ora n’aquelles dias, [1] crescendo o numero dos discipulos, houve uma murmuração dos [2] gregos contra os hebreos, porque as suas viuvas [3] eram desprezadas no ministerio quotidiano.

2 E os doze, convocando a multidão dos discipulos, disseram: [4] Não é razoavel que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos ás mesas.

3 Escolhei pois, irmãos, [5] d’entre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espirito Sancto e de sabedoria, aos quaes constituamos sobre este importante negocio.

4 Porém nós [6] perseveraremos na oração e no ministerio da palavra.

5 E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estevão, homem cheio de [7] fé e do Espirito Sancto, [8] e Philippe e Prochoro, e Nicanor, e Timon, e Parmenas e Nicolau, [9] proselyto de Antiochia:

6 E os apresentaram ante os apostolos, e estes, [10] orando, lhes impozeram [11] as mãos.

7 E crescia [12] a palavra de Deus, e em Jerusalem se multiplicava muito o numero dos discipulos, e grande multidão [13] dos sacerdotes obedecia á fé.

Estevão, o primeiro martyr.

8 E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodigios e grandes signaes entre o povo.

9 E levantaram-se alguns que eram da synagoga chamada dos libertinos, e dos cyreneos e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilicia e da Asia, e disputavam com Estevão.

10 E não [14] podiam resistir á sabedoria, e ao espirito com que fallava.

11 Então [15] subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasphemas contra Moysés e contra Deus.

12 E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, arremettendo contra elle, o arrebataram e o levaram ao conselho.

13 E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras blasphemas contra este sancto logar e contra a lei:

14 Pois nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno ha de destruir este logar e mudar os costumes que Moysés nos deu.

15 Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos n’elle, viram o seu rosto como o rosto de um anjo.

[1] cap. 2.41. ver. 7.

[2] cap. 9.29 e 11.20.

[3] cap. 4.35.

[4] Exo. 18.17.

[5] Deu. 1.13. cap. 1.21 e 16.2. I Tim. 3.7.

[6] cap. 2.42.

[7] cap. 11.24.

[8] cap. 8.5, 26 e 21.8.

[9] Apo. 2.6, 15.

[10] cap. 1.24.

[11] cap. 8.17 e 9.17. I Tim. 4.14 e 5.22.

[12] cap. 12.24 e 19.20. Col. 1.6.

[13] João 12.42.

[14] Luc. 21.15. cap. 5.39. Exo. 4.12. Isa. 54.17.

[15] I Reis 21.10, 13. Mat. 26.59, 60.

7 E disse o summo sacerdote: Porventura é isto assim?

2 E elle disse: [1] Varões, irmãos, e paes, ouvi. O Deus da gloria appareceu a nosso pae Abrahão, estando na Mesopotamia, antes de habitar em Haran,

3 E disse-lhe: [2] Sae da tua terra e d’entre a tua parentela, e dirige-te á terra que eu te mostrarei.

4 Então [3] saiu da terra dos chaldeos, e habitou em Haran. E d’ali, depois que seu pae falleceu, o fez passar para esta terra em que agora habitaes.

5 E não lhe deu n’ella herança, nem ainda o espaço de [4] um pé: mas prometteu que lh’a daria em possessão, e depois d’elle á sua descendencia, não tendo elle ainda filho.

6 E fallou Deus assim: [5] Que a sua descendencia seria peregrina em terra alheia, e a sujeitariam á escravidão, e a maltratariam por [6] quatrocentos annos.

7 E eu julgarei a nação a quem servirem, disse Deus. E depois d’isto sairão, [7] e me servirão n’este logar.

8 E deu-lhe [8] o pacto da circumcisão; [9] e assim gerou a Isaac, e o circumcidou ao oitavo dia: [10] e Isaac gerou a Jacob, e [11] Jacob aos doze patriarchas.

9 E [12] os patriarchas, movidos de inveja, venderam a José para o [13] Egypto; e Deus era com elle,

10 E livrou-o de todas as suas tribulações, [14] e lhe deu graça e sabedoria ante Pharaó, rei do Egypto, que o constituiu governador sobre o Egypto e toda a sua casa.

11 E a [15] todo o paiz do Egypto e de Canaan sobreveiu fome e grande tribulação; e nossos paes não achavam alimentos.

12 Porém [16] Jacob, ouvindo que no Egypto havia trigo, enviou ali nossos paes, a primeira vez.

13 E [17] na segunda foi José conhecido por seus irmãos, e a linhagem de José foi manifesta a Pharaó.

14 E [18] José mandou chamar a seu pae Jacob, [19] e a toda a sua parentela, que era de setenta e cinco almas.

15 E [20] Jacob desceu ao Egypto, [21] e morreu, elle e nossos paes;

16 E [22] foram transportados para Sichem, e depositados [23] na sepultura que Abrahão comprara por certa somma de dinheiro aos filhos de Hemor, pae de Sichem.

17 Approximando-se, [24] porém, o tempo da promessa que Deus tinha jurado a Abrahão, o povo [25] cresceu e se multiplicou no Egypto;

18 Até que se levantou outro rei, que não conhecia a José.

19 Este, usando de astucia contra a nossa linhagem, maltratou nossos paes, ao ponto de lhes fazer [26] engeitar as suas creanças, para que não se multiplicassem.

20 N’esse tempo nasceu Moysés, e [27] era mui formoso, e [28] foi criado tres mezes em casa de seu pae.

21 E, sendo [29] engeitado, tomou-o a filha do Pharaó, e o criou como seu filho.

22 E Moysés [30] foi instruido em toda a sciencia dos egypcios; e era poderoso em suas palavras e obras.

23 E, [31] quando completou o tempo de quarenta annos, veiu-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos d’Israel.

24 E, vendo maltratado um d’elles, o defendeu, e vingou o offendido, matando o egypcio.

25 E elle cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; porém elles não entenderam.

26 E [32] no dia seguinte, pelejando elles, foi por elles visto, e quiz leval-os á paz, dizendo: Varões, sois irmãos; porque vos aggravaes um ao outro?

27 E o que offendia o seu proximo o repelliu, dizendo: [33] Quem te constituiu principe e juiz sobre nós?

28 Queres tu matar-me, como hontem mataste o egypcio?

29 E a esta palavra fugiu [34] Moysés, e esteve como estrangeiro na terra de Madian, onde gerou dois filhos.

30 E, [35] completados quarenta annos, appareceu-lhe o anjo do Senhor, no deserto do monte Sinai, n’uma chamma de fogo de um sarçal.

31 Então Moysés, vendo-o, se maravilhou da visão; e, approximando-se para vêr, foi-lhe dirigida a voz do Senhor,

32 Dizendo: [36] Eu sou o Deus de teus paes, o Deus d’Abrahão, e o Deus d’Isaac e o Deus de Jacob. E Moysés, todo tremulo, não ousava olhar.

33 E disse-lhe [37] o Senhor: Descalça as alparcas dos teus pés, porque o logar em que estás é terra sancta:

34 Tenho [38] visto attentamente a afflicção do meu povo que está no Egypto, e ouvi os seus gemidos, e desci a livral-os. Agora, pois, vem, e enviar-te-hei ao Egypto.

35 A este Moysés, ao qual haviam negado, dizendo: Quem te constituiu principe e juiz? a este enviou Deus como principe e [AIA] libertador, [39] pela mão do anjo que lhe apparecera no sarçal.

36 Este [40] os conduziu para fóra, [41] fazendo prodigios e signaes na terra do Egypto, [42] e no Mar Vermelho, [43] e no deserto, por quarenta annos.

37 Este é aquelle Moysés que disse aos filhos d’Israel: [44] O Senhor vosso Deus vos levantará d’entre vossos irmãos um propheta como eu; [45] a elle ouvireis.

38 Este é [46] o que esteve entre a congregação no deserto, com [47] o anjo que lhe fallava no monte Sinai, e com nossos paes, [48] o qual recebeu as palavras de vida [49] para nol-as dar.

39 Ao qual nossos paes não quizeram obedecer, antes o rejeitaram, e de coração se tornaram ao Egypto,

40 Dizendo a Aarão: [50] Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque a esse Moysés, que nos tirou da terra do Egypto, não sabemos o que lhe aconteceu.

41 E [51] n’aquelles dias fizeram o bezerro, e offereceram sacrificios ao idolo, e se alegraram nas obras das suas mãos.

42 E [52] Deus se affastou, e os abandonou a que servissem [53] ao exercito do céu, como está escripto no livro dos prophetas: [54] Porventura me offerecestes victimas e sacrificios no deserto por quarenta annos, ó casa d’Israel?

43 Antes tomastes o tabernaculo de Molech, e a estrella do vosso deus Remphan, figuras que vós fizestes para as adorar. Transportar-vos-hei pois para além de Babylonia.

44 Estava entre nossos paes no deserto o tabernaculo do testemunho, como ordenara aquelle que disse a Moysés [55] que o fizesse segundo o modelo que tinha visto.

45 O [56] qual nossos paes, recebendo-o tambem, o levaram com Josué quando entraram na possessão das nações [57] que Deus expulsou da face de nossos paes, até aos dias de David:

46 Que [58] achou graça diante de Deus, [59] e pediu para achar tabernaculo para o Deus de Jacob.

47 E [60] Salomão lhe edificou casa;

48 Mas o [61] Altissimo não habita em templos feitos por mãos d’homens, como diz o propheta:

49 O [62] céu é o meu throno, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor: ou qual é o logar do meu repouso?

50 Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?

51 Duros [63] de cerviz, [64] e incircumcisos de coração e ouvidos: vós sempre resistis ao Espirito Sancto; tambem vós sois como vossos paes.

52 A qual [65] dos prophetas não perseguiram vossos paes? Até mataram os que anteriormente annunciaram a vinda [66] do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas;

53 Vós, que [67] recebestes a lei por disposição dos anjos, e não a guardastes.

54 E, [68] ouvindo estas coisas, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra elle.

55 Mas [69] elle, estando cheio do Espirito Sancto, fixando os olhos no céu, viu a gloria de Deus, e Jesus, que estava á direita de Deus;

56 E disse: Eis que [70] vejo os céus abertos, [71] e o Filho do homem, que está em pé á mão direita de Deus.

57 Elles, [72] porém, clamando com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremetteram unanimes contra elle.

58 E, expulsando-o da cidade, [73] o apedrejavam. [74] E as testemunhas depozeram os seus vestidos aos pés de um mancebo chamado Saulo.

59 E apedrejaram a Estevão, [75] invocando elle ao Senhor, e dizendo: Senhor Jesus, recebe [76] o meu espirito.

60 E, pondo-se [77] de joelhos, clamou com grande voz: [78] Senhor, não lhes imputes este peccado. E, tendo dito isto, [79] adormeceu.

[1] cap. 22.1.

[2] Gen. 12.1.

[3] Gen. 11.31 e 12.4, 5.

[4] Gen. 12.7 e 13.15 e 15.3, 18 e 17.8 e 26.3.

[5] Gen. 15.13, 16.

[6] Exo. 12.46. Gal. 3.17.

[7] Exo. 3.12.

[8] Gen. 17.9, 10, 11.

[9] Gen. 21.2, 3, 4.

[10] Gen. 25.26.

[11] Gen. 35.23.

[12] Gen. 37.4, 11, 28.

[13] Gen. 39.2, 21, 23. Psa. 105.17.

[14] Gen. 41.37 e 42.6.

[15] Gen. 41.54.

[16] Gen. 42.1.

[17] Gen. 45.4, 16.

[18] Gen. 45.9, 27.

[19] Gen. 46.27. Deu. 10.22.

[20] Gen. 46.5.

[21] Gen. 49.32. Exo. 1.6.

[22] Exo. 13.19. Jos. 24.32.

[23] Gen. 23.16 e 33.19.

[24] Gen. 15.13. ver. 6.

[25] Exo. 1.7, 8, 9. Psa. 105.24, 25.

[26] Exo. 1.22.

[27] Exo. 2.2.

[28] Heb. 11.23.

[29] Exo. 2.3, 10.

[30] Luc. 24.19.

[31] Exo. 2.11, 12.

[32] Exo. 2.13.

[33] Luc. 12.14. cap. 4.7.

[34] Exo. 2.15, 22 e 4.20 e 13.3, 4.

[35] Exo. 3.2.

[36] Mat. 22.32. Heb. 11.16.

[37] Exo. 3.5. Jos. 5.15.

[38] Exo. 3.7.

[39] Exo. 14.19. Num. 20.16.

[40] Exo. 12.41 e 33.1.

[41] Exo. caps. 7 até 14. Psa. 105.27.

[42] Exo. 14.21, 27, 28, 29.

[43] Exo. 16.1, 35.

[44] Deu. 18.15. cap. 3.22.

[45] Mat. 17.5.

[46] Exo. 19.3, 17.

[47] Isa. 63.9. Gal. 3.19. Heb. 2.2.

[48] Exo. 21.1. Deu. 5.27, 31 e 33.4. João 1.17.

[49] Rom. 3.2.

[50] Exo. 32.1.

[51] Deu. 9.16. Psa. 106.19.

[52] Psa. 81.12. Rom. 1.25. II The. 2.11.

[53] Deu. 4.19. II Reis 17.16. Jer. 19.13.

[54] Amós 5.25, 26.

[55] Exo. 25.40 e 26.30. Heb. 8.5.

[56] Jos. 3.14.

[57] Neh. 9.24. Psa. 44.2, 3. cap. 13.19.

[58] I Sam. 16.1. II Sam. 7.1. Psa. 19.20.

[59] I Reis 8.17. I Chr. 22.7. Psa. 132.4, 5.

[60] I Reis 6.1 e 8.20. I Chr. 17.12. II Chr. 3.1.

[61] I Reis 8.27. II Chr. 2.6.

[62] Isa. 66.1, 2. Mat. 5.34, 35.

[63] Exo. 32.9 e 33.3. Isa. 48.4.

[64] Lev. 26.41. Deu. 10.16. Jer. 4.4 e 6.10. Eze. 44.9.

[65] II Chr. 36.16. Mat. 21.35. I The. 2.15.

[66] cap. 3.14.

[67] Exo. 20.1. Gal. 3.19. Heb. 2.2.

[68] cap. 5.33.

[69] cap. 6.5.

[70] Eze. 1.1. Mat. 3.16. cap. 10.11.

[71] Dan. 7.13.

[72] I Reis 21.13. Luc. 4.29. Heb. 13.12.

[73] Lev. 24.16.

[74] Deu. 13.9, 10 e 17.7. cap. 22.20.

[75] cap. 9.14.

[76] Psa. 31.5. Luc. 23.46.

[77] cap. 9.40 e 20.36 e 21.5.

[78] Mat. 5.44. Luc. 6.28 e 23.34.

[79] cap. 7.58 e 22.20.

O evangelho em Samaria.

[Anno Domini 34]

8 E tambem Saulo consentia na morte d’elle. E fez-se n’aquelle dia uma grande perseguição contra a egreja que estava em Jerusalem; [1] e todos foram dispersos pelas terras da Judea e da Samaria, excepto os apostolos.

2 E alguns varões piedosos foram enterrar a Estevão, [2] e fizeram sobre elle grande pranto.

3 E Saulo [3] assolava a egreja, entrando pelas casas: e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.

4 Mas [4] os que andavam dispersos iam por toda a parte, annunciando a palavra.

5 E, [5] descendo Philippe á cidade de Samaria, lhes prégava a Christo.

6 E as multidões estavam attentas unanimemente ás coisas que Philippe dizia, porquanto ouviam e viam os signaes que elle fazia;

7 Pois [6] os espiritos immundos sahiam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralyticos e côxos eram curados.

8 E havia grande alegria n’aquella cidade.

9 E havia um certo varão, chamado Simão, que anteriormente exercera n’aquella cidade a arte magica, [7] e tinha illudido a gente de Samaria, dizendo [8] que era um grande personagem:

10 Ao qual todos attendiam, desde o mais pequeno até ao maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus.

11 E attendiam-n’o a elle, porque já desde muito tempo os havia illudido com artes magicas.

12 Mas, como crêram em Philippe que [9] lhes prégava ácerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Christo, se baptizavam, tanto homens como mulheres.

13 E creu até o mesmo Simão; e, sendo baptizado, ficou de continuo com Philippe; e, vendo os signaes e as grandes maravilhas que se faziam, estava attonito.

14 Os apostolos, pois, que estavam em Jerusalem, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João.

15 Os quaes, tendo descido, oraram por elles [10] para que recebessem o Espirito Sancto.

16 (Porque [11] sobre nenhum d’elles tinha ainda descido; mas sómente eram [12] baptizados em [13] nome do Senhor Jesus.)

17 Então [14] lhes impozeram as mãos, e receberam o Espirito Sancto.

18 E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apostolos se dava o Espirito Sancto, lhes offereceu dinheiro,

19 Dizendo: Dae-me tambem a mim esse poder, para que qualquer sobre quem eu pozer as mãos receba o Espirito Sancto.

20 Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja comtigo para perdição, pois cuidaste [15] que o [16] dom de Deus se alcança por dinheiro.

21 Tu não tens parte nem sorte n’esta palavra, porque o teu coração não é recto diante de Deus;

22 Arrepende-te pois d’essa tua iniquidade, e ora a Deus, [17] para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração;

23 Pois vejo que estás [18] em fel de amargura, e em laço de iniquidade.

24 Respondendo, porém, Simão, disse: Orae vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes venha sobre mim.

25 Tendo elles pois testificado e fallado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalem, e em muitas aldeias dos [19] samaritanos annunciaram o evangelho.

Philippe e o eunucho.

26 E o anjo do Senhor fallou a Philippe, dizendo: Levanta-te, e vae para a banda do sul, ao caminho que desce de Jerusalem para Gaza, que é deserta.

27 E levantou-se, e foi; e eis que um [20] homem ethiope, eunucho, mordomo-mór de Candace, rainha dos ethiopes, o qual era superintendente de todos os seus thesouros, e tinha ido a [21] Jerusalem a adorar,

28 Regressava, e, assentado no seu carro, lia o propheta Isaias.

29 E disse o Espirito a Philippe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro.

30 E, correndo Philippe, ouviu que lia o propheta Isaias, e disse: Entendes tu o que lês?

31 E elle disse: Como o poderei eu, se alguem me não ensinar? E rogou a Philippe que subisse e com elle se assentasse.

32 E o logar da Escriptura que lia era este: [22] Foi levado como a ovelha para o matadouro, e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a sua bocca.

33 Na sua humilhação foi [AIB] tirada a sua sentença; e quem contará a sua geração? porque a sua vida é tirada da terra.

34 E, respondendo o eunucho a Philippe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o propheta? De si mesmo, ou d’algum outro?

35 Então Philippe, abrindo a sua bocca, [23] e começando n’esta Escriptura, lhe annunciou a Jesus.

36 E, indo elles caminhando, chegaram ao pé d’alguma agua, e disse o eunucho: Eis aqui agua; que impede [24] que eu seja baptizado?

37 E disse Philippe: [25] É licito, se crês de todo o coração. E, respondendo elle, disse: [26] Creio que Jesus Christo é o Filho de Deus.

38 E mandou parar o carro, e desceram ambos á agua, tanto Philippe como o eunucho, e o baptizou.

39 E, quando sairam da agua, o Espirito do Senhor arrebatou a Philippe, [27] e não o viu mais o eunucho; e, jubiloso, continuou o seu caminho.

40 Porém Philippe achou-se em Azoto, e, indo passando, annunciou o evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesarea.

[1] cap. 11.19.

[2] Gen. 23.2 e 50.10. II Sam. 3.31.

[3] cap. 7.58 e 9.1, 13, 21. I Cor. 15.9. Gal. 1.13. Phi. 3.6. I Tim. 1.13.

[4] Mat. 10.23. cap. 11.19.

[5] cap. 6.5.

[6] Mar. 16.17.

[7] cap. 13.6.

[8] cap. 5.36.

[9] cap. 1.3.

[10] cap. 2.38.

[11] cap. 19.2.

[12] Mat. 28.19. cap. 2.38.

[13] cap. 10.48 e 19.5.

[14] cap. 8.6 e 19.6. Heb. 6.2.

[15] Mat. 10.8. II Reis 5.16.

[16] cap. 2.38 e 10.45 e 11.17.

[17] II Tim. 2.25.

[18] Heb. 12.15.

[19] Gen. 20.7, 17. Exo. 8.8. Num. 21.7. I Reis 13.6. Job 42.8. Thi. 5.16.

[20] Sof. 3.10.

[21] João 12.20.

[22] Isa. 53.7, 8.

[23] Luc. 24.27. cap. 18.28.

[24] cap. 10.47.

[25] Mat. 28.19. Mar. 16.16.

[26] Mat. 16.16. João 6.69 e 9.35, 38 e 11.27. cap. 9.20. I João 4.15 e 5.5, 13.

[27] I Reis 18.12. II Reis 2.16. Eze. 3.12, 14.

A conversão de Saulo no caminho de Damasco.

Act. 21.1-16; 26.9-18.

[Anno Domini 35]

9 E Saulo, [1] respirando ainda ameaças e mortes contra os discipulos do Senhor, dirigiu-se ao summo sacerdote,

2 E pediu-lhe cartas para Damasco, para as synagogas, para que, se encontrasse alguns d’aquella seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalem.

3 E, indo [2] já no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.

4 E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, [3] Saulo, porque me persegues?

5 E elle disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: [4] Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.

6 E elle, tremendo e attonito, disse: [5] Senhor, que queres que faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e ali te será dito o que te convem fazer.

7 E [6] os varões, que iam com elle, pararam attonitos, ouvindo a voz, mas não vendo ninguem.

8 E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguem. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco.

9 E esteve tres dias sem vêr, e não comeu nem bebeu.

10 E havia em Damasco um certo discipulo [7] chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E elle respondeu: Eis-me aqui, Senhor.

11 E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vae á rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por [8] um chamado Saulo, de Tarso; pois eis que elle ora;

12 E tem visto em visão que entrava um homem chamado Ananias, e punha sobre elle a mão, para que tornasse a vêr.

13 E respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi ácerca d’este varão, quantos [9] males tem feito aos teus sanctos em Jerusalem;

14 E aqui tem poder dos principaes dos sacerdotes para prender a todos os que [10] invocam o teu nome.

15 Disse-lhe, porém, o Senhor: Vae, porque [11] este é para mim vaso escolhido, para levar o meu nome diante [12] dos gentios, [13] e dos reis e dos filhos d’Israel.

16 Porque [14] eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome.

17 E Ananias [15] foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe [16] as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te appareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a [17] vêr e sejas cheio do Espirito Sancto.

18 E logo lhe cairam dos olhos como que umas escamas, e recebeu logo a vista; e, levantando-se, foi baptizado.

O perseguidor é perseguido.

[Anno Domini 37]

19 E, tendo comido, ficou confortado. E esteve Saulo [18] alguns dias com os discipulos que estavam em Damasco.

20 E logo nas synagogas prégava a Jesus, [19] que este era o Filho de Deus.

21 E todos os que o ouviam estavam attonitos, e diziam: [20] Não é este aquelle que em Jerusalem assolava aos que invocavam esse nome, e para isso veiu aqui, para os levar presos aos principaes dos sacerdotes?

22 Porém Saulo [21] se esforçava muito mais, e confundia os judeos que habitavam em Damasco, provando que aquelle era o Christo.

23 E, tendo passado muitos dias, [22] os judeos tomaram conselho entre si para o matar.

24 Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo: e [23] elles guardavam as portas, tanto de dia como de noite, para poderem matal-o.

25 Porém, tomando-o de [24] noite os discipulos, o arriaram, dentro d’um cesto, pelo muro.

26 E, [25] quando Saulo chegou a Jerusalem, procurava ajuntar-se aos discipulos, porém todos se temiam d’elle, não crendo que fosse discipulo.

27 Mas [26] Barnabé, tomando-o comsigo, o trouxe aos apostolos, e lhes contou como no caminho elle vira ao Senhor e lhe fallara, [27] e como em Damasco fallara ousadamente no nome de Jesus.

28 E [28] andava com elles em Jerusalem, entrando e saindo.

29 E fallou ousadamente no nome de Jesus. Fallava e disputava tambem contra os [29] gregos, [30] mas elles procuravam matal-o.

30 Sabendo-o, porém, os irmãos, o acompanharam até Cesarea, e o enviaram a Tarso.

31 Assim [31] pois, as egrejas em toda a Judea, e Galilea e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espirito Sancto.

Cura de Eneas; resurreição de Tabitha.

[Anno Domini 38]

32 E aconteceu [32] que, passando Pedro por todas as partes, veiu tambem aos sanctos que habitavam em Lydda.

33 E achou ali um certo homem, chamado Eneas, jazendo n’uma cama havia oito annos, o qual era paralytico.

34 E disse-lhe Pedro: [33] Eneas, Jesus Christo te dá saude; levanta-te e faze a tua cama. E logo se levantou.

35 E viram-n’o todos os que habitavam em Lydda e [34] Sarona, os [35] quaes se converteram ao Senhor.

36 E havia em Joppe uma certa discipula chamada Tabitha, que traduzido se diz [AIC] Dorcas. Esta estava cheia [36] de boas obras e esmolas que fazia.

37 E aconteceu n’aquelles dias, que, enfermando ella, morreu; e, tendo-a lavado, a [37] depositaram n’um quarto alto.

38 E, como Lydda era perto de Joppe, ouvindo os discipulos que Pedro estava ali, lhe mandaram dois varões, rogando-lhe que não se demorasse em vir ter com elles.

39 E, levantando-se Pedro, foi com elles; e quando chegou o levaram ao quarto alto, e todas as viuvas o rodearam, chorando e mostrando as tunicas e vestidos que Dorcas fizera quando estava com ellas.

40 Porém Pedro, [38] fazendo-as sair [39] a todas, poz-se de joelhos e orou: e, voltando-se para o corpo, [40] disse: Tabitha, levanta-te. E ella abriu os olhos, e, vendo a Pedro, assentou-se,

41 E elle dando-lhe a mão a levantou, e, chamando os sanctos e as viuvas, apresentou-lh’a viva.

42 E foi isto notorio por toda a Joppe, [41] e muitos crêram no Senhor.

43 E aconteceu que ficou muitos dias em Joppe, com um [42] certo Simão curtidor.

[1] cap. 8.3. Gal. 1.13. I Tim. 1.13.

[2] cap. 22.6 e 26.12. I Cor. 15.8.

[3] Mat. 25.40, etc.

[4] cap. 5.39.

[5] Luc. 3.10. cap. 2.37 e 16.36.

[6] Dan. 10.7. cap. 22.9 e 26.13.

[7] cap. 22.12.

[8] cap. 21.39 e 22.3.

[9] ver. 1.

[10] ver. 21. cap. 7.59. I Cor. 1.2. II Tim. 2.22.

[11] cap. 13.2 e 22.21. Rom. 1.1. I Tim. 2.7. II Tim. 1.11.

[12] Rom. 1.5. Gal. 2.7, 8.

[13] cap. 25.22, 23.

[14] cap. 20.23 e 21.11. II Cor. 11.23.

[15] cap. 22.12, 13.

[16] cap. 8.17.

[17] cap. 2.4 e 4.31.

[18] cap. 26.20.

[19] cap. 8.37.

[20] cap. 8.3. ver. 1. Gal. 1.13, 23.

[21] cap. 18.28.

[22] cap. 23.12 e 25.3. II Cor. 11.26.

[23] II Cor. 11.32.

[24] Jos. 2.15. I Sam. 19.12.

[25] cap. 22.17. Gal. 1.17, 18.

[26] cap. 4.36 e 13.2.

[27] ver. 20, 22.

[28] Gal. 1.18.

[29] cap. 6.1 e 11.20.

[30] ver. 23. II Cor. 11.26.

[31] cap. 8.1.

[32] cap. 8.14.

[33] cap. 3.3, 16 e 4.10.

[34] I Chr. 5.16.

[35] cap. 11.21.

[36] I Tim. 2.10. Tito 3.8.

[37] cap. 1.13.

[38] Mat. 9.25.

[39] cap. 7.60.

[40] Mar. 5.41, 42. João 11.43.

[41] João 11.45 e 12.11.

[42] cap. 10.6.

O centurião Cornelio.

[Anno Domini 41]

10 E havia em Cesarea um certo varão por nome Cornelio, centurião da cohorte chamada italiana,

2 [1] Piedoso e [2] temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de continuo orava a Deus.

3 Este, [3] quasi á hora nona do dia, viu claramente em visão um anjo de Deus, que se dirigia para elle e dizia: Cornelio.

4 E este, fixando os olhos n’elle, e muito atemorisado, disse: Que é, Senhor? E disse-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas teem subido para memoria diante de Deus;

5 Agora, pois, envia varões a Joppe, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro.

6 Este pousa em casa de um [4] certo Simão curtidor, que tem a sua casa junto do mar. [5] Elle te dirá o que deves fazer.

7 E, ido o anjo que lhe fallava, chamou dois dos seus creados, e a um piedoso soldado dos que estavam ao seu serviço.

8 E, havendo-lhes contado tudo, os enviou a Joppe.

9 E no dia seguinte, indo elles seu caminho, e chegando perto da cidade, subiu [6] Pedro ao terraço para orar, quasi á hora sexta.

10 E, tendo fome, quiz comer; e, emquanto lh’o preparavam, sobreveiu-lhe um arrebatamento de sentidos:

11 E viu [7] o céu aberto, e que para elle descia um certo vaso, como um grande lençol atado pelas quatro pontas, e abaixando-se para a terra.

12 No qual havia de todos os animaes da terra quadrupedes, féras e reptis, e aves do céu.

13 E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come.

14 Porém Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, [8] porque nunca comi coisa alguma commum nem immunda.

15 E segunda vez lhe disse a voz: [9] Não faças tu commum ao que Deus purificou.

16 E aconteceu isto por tres vezes; e o vaso tornou a recolher-se para o céu.

17 E, estando Pedro duvidando entre si que seria aquella visão que tinha visto, eis que os varões que foram enviados por Cornelio, pararam á porta, perguntando pela casa de Simão.

18 E, chamando, perguntaram se Simão, que tinha por sobrenome Pedro, pousava ali.

19 E, pensando Pedro n’aquella visão, [10] disse-lhe o Espirito: Eis que tres varões te buscam:

20 Levanta-te [11] pois, e desce, e vae com elles, não duvidando; porque eu os enviei.

21 E Pedro, descendo para junto dos varões que lhe foram enviados por Cornelio, disse: Eis que sou eu a quem procuraes; qual é a causa porque estaes aqui?

22 E elles disseram: [12] Cornelio, o centurião, varão justo e temente a Deus, [13] e que tem bom testemunho de toda a nação dos judeos, foi avisado por um sancto anjo para que mandasse chamar-te a sua casa, e ouvisse de ti palavras.

23 Então, chamando-os para dentro, os recebeu em casa. Porém no dia seguinte foi Pedro com elles, [14] e foram com elle alguns irmãos de Joppe.

24 E no dia immediato chegaram a Cesarea. E Cornelio os estava esperando, tendo já convidado a seus parentes e amigos mais intimos.

25 E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornelio a recebel-o, e, prostrando-se a seus pés, o adorou.

26 Porém Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, eu [15] mesmo tambem sou homem.

27 E, fallando com elle, entrou, e achou muitos que ali se haviam ajuntado.

28 E disse-lhes: Vós bem sabeis como não é [16] licito a um varão judeo ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas [17] Deus mostrou-me que a nenhum homem chame commum ou immundo:

29 Pelo que, sendo chamado, vim sem contradizer. Pergunto pois; por que razão mandastes chamar-me?

30 E disse Cornelio: Ha quatro dias estava eu em jejum até esta hora, e orava em minha casa á hora [18] nona.

31 E eis que diante de mim se apresentou um varão [19] com um vestido resplandecente, e disse: [20] Cornelio, a tua oração é ouvida, e as tuas [21] esmolas estão em memoria diante de Deus:

32 Envia pois a Joppe, e manda chamar Simão, o que tem por sobrenome Pedro; este pousa em casa de Simão o curtidor, junto do mar, e elle, vindo, te fallará.

33 Assim que logo mandei a ti; e bem fizeste em vir. Agora pois estamos todos presentes diante de Deus, para ouvir tudo quanto por Deus te é mandado.

34 E Pedro, abrindo a bocca, disse: [22] Reconheço por verdade que Deus não faz accepção de pessoas;

35 Mas [23] que lhe é agradavel aquelle que, em qualquer nação, o teme e obra a justiça.

36 A palavra que elle enviou aos filhos d’Israel, [24] annunciando a paz por Jesus Christo (este [25] é o Senhor de todos),

37 Esta palavra, vós bem sabeis, veiu por toda a Judea, [26] começando desde a Galilea, depois do baptismo que João prégou;

38 Emquanto a Jesus de Nazareth, como [27] Deus o ungiu com o Espirito Sancto e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os opprimidos do diabo, [28] porque Deus era com elle.

39 E [29] nós somos testemunhas de todas as coisas que fez, tanto na terra da Judea como em Jerusalem: [30] ao qual mataram, pendurando-o n’um madeiro.

40 A [31] este resuscitou Deus ao terceiro dia, e fez que fosse manifesto,

41 Não a todo o povo, [32] mas ás testemunhas que Deus antes ordenára; a nós, [33] que comemos e bebemos juntamente com elle, depois que resuscitou dos mortos.

42 E [34] mandou-nos prégar ao povo, e testificar que elle [35] é aquelle que por Deus [36] foi constituido juiz dos vivos e dos mortos.

43 A [37] este dão testemunho todos os prophetas, de que [38] todos os que n’elle crêrem receberão o perdão dos peccados pelo seu nome.

44 E, dizendo Pedro ainda estas palavras, [39] caiu o Espirito Sancto sobre todos os que ouviam a palavra.

45 E [40] os fieis que eram da circumcisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, [41] maravilharam-se de que o dom do Espirito Sancto se derramasse tambem sobre os gentios.

46 Porque os ouviam fallar linguas, e magnificar a Deus.

47 Respondeu então Pedro: Pode alguem porventura impedir a agua, para que não sejam baptizados estes, que tambem receberam como nós [42] o Espirito Sancto?

48 [43] E mandou que fossem baptizados em [44] nome do Senhor. Então rogaram-lhe que ficasse com elles por alguns dias.

[1] ver. 22. cap. 8.2 e 22.12.

[2] ver. 35.

[3] ver. 30. cap. 11.13.

[4] cap. 9.43.

[5] cap. 11.14.

[6] cap. 11.5, etc.

[7] cap. 7.56. Apo. 19.11.

[8] Lev. 11.4 e 20.25. Deu. 14.3, 7. Eze. 4.14.

[9] Mat. 15.11. ver. 28. Rom. 14.14, 17, 20. I Cor. 10.25. I Tim. 4.4. Tito 1.15.

[10] cap. 11.12.

[11] cap. 15.7.

[12] ver. 1, 2, etc.

[13] cap. 22.12.

[14] ver. 45. cap. 11.12.

[15] cap. 14.14, 15. Apo. 19.10 e 22.9.

[16] João 4.9 e 18.28. cap. 11.3. Gal. 2.12, 14.

[17] cap. 15.8, 9. Eph. 3.6.

[18] cap. 1.10.

[19] Mat. 28.3. Mar. 16.5. Luc. 24.4.

[20] Dan. 10.12.

[21] Heb. 6.10.

[22] Deu. 10.17. II Chr. 19.7. Rom. 2.11. Eph. 6.9. I Ped. 1.17.

[23] cap. 15.9. Rom. 2.13, 27. I Cor. 12.13. Gal. 3.28. Eph. 2.13, 18.

[24] Isa. 57.19. Eph. 2.14, 16, 17. Col. 1.20.

[25] Mat. 28.18. Rom. 10.12. Eph. 1.20, 22. I Ped. 3.22. Apo. 17.14.

[26] Luc. 4.14.

[27] Luc. 4.18. cap. 2.22 e 4.27. Heb. 1.9.

[28] João 3.2.

[29] cap. 2.32.

[30] cap. 5.30.

[31] cap. 2.24.

[32] João 14.17, 22. cap. 13.31.

[33] Luc. 24.30, 43. João 21.13.

[34] Mat. 28.19, 20. cap. 1.8.

[35] João 5.22, 27.

[36] Rom. 14.9, 10. II Cor. 5.10.

[37] Isa. 53.11. Jer. 31.34. Dan. 9.24. Miq. 7.18. Mal. 4.2.

[38] cap. 15.9. Rom. 10.11. Gal. 3.22.

[39] cap. 4.31.

[40] ver. 23.

[41] cap. 11.18. Gal. 3.14.

[42] cap. 11.17. Rom. 10.12.

[43] I Cor. 1.17.

[44] cap. 2.38.

Pedro justifica-se perante a egreja de haver baptizado Cornelio.

11 E ouviram os apostolos, e os irmãos que estavam na Judea, que tambem os gentios receberam a palavra de Deus.

2 E, subindo Pedro a Jerusalem, disputavam [1] com elle os que eram da circumcisão,

3 Dizendo: [2] Entraste em casa de varões incircumcisos, [3] e comeste com elles.

4 Mas Pedro começou a contar-lhes tudo [4] por ordem, dizendo:

5 Estando [5] eu orando na cidade de Joppe, vi, arrebatado dos sentidos, uma visão, um certo vaso, como um grande lençol que descia do céu e, baixado, vinha até junto de mim.

6 No qual, pondo eu os olhos, considerei, e vi animaes da terra, quadrupedes, e féras, e reptis, e aves do céu.

7 E ouvi uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro; mata e come.

8 Porém eu disse: De maneira nenhuma, Senhor; pois nunca em minha bocca entrou coisa alguma commum ou immunda.

9 Mas a voz respondeu-me do céu segunda vez: Não chames tu commum ao que Deus purificou.

10 E succedeu isto por tres vezes; e tudo tornou a recolher-se no céu.

11 E eis que, na mesma hora, pararam junto da casa em que eu estava tres varões que me foram enviados de Cesarea.

12 E [6] disse-me o Espirito que fosse com elles, não duvidando; e tambem estes [7] seis irmãos foram comigo, e entrámos em casa d’aquelle varão;

13 E [8] contou-nos como vira estar um anjo em sua casa, e lhe dissera: Envia varões a Joppe, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro,

14 O qual te dirá palavras com que te salves, tu e toda a tua casa.

15 E, quando comecei a fallar, caiu sobre elles o Espirito Sancto [9] como tambem sobre nós ao principio.

16 E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João [10] certamente baptizou com agua: [11] mas vós sereis baptizados com o Espirito Sancto.

17 Portanto, [12] se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, que tambem já havemos crido no Senhor Jesus Christo, quem [13] era então eu, para que podesse estorvar a Deus?

18 E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: [14] De maneira que até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida.

O evangelho é prégado aos gentios em Antiochia.

19 E [15] os que foram dispersos pela perseguição que succedeu por causa d’Estevão caminharam até á Phenicia, Chypre e Antiochia, não annunciando a ninguem a palavra, senão só aos judeos.

20 E havia entre elles alguns varões chyprios e cyrenenses, os quaes, entrando em Antiochia, fallaram [16] aos gregos, annunciando o Senhor Jesus.

21 E a mão [17] do Senhor era com elles; [18] e grande numero creu e se converteu ao Senhor.

22 E chegou a fama d’isto aos ouvidos da egreja que estava em Jerusalem; e enviaram [19] Barnabé á Antiochia.

23 O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, [20] e exhortou a todos a que permanecessem no Senhor com proposito do coração.

24 Porque era homem de bem, [21] e cheio do Espirito Sancto e de fé. E muita gente se [22] uniu ao Senhor.

25 E partiu Barnabé para [23] Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antiochia.

26 E succedeu que todo um anno se congregaram n’aquella egreja, e ensinaram muita gente; e em Antiochia foram os discipulos, pela primeira vez, chamados christãos.

27 E n’aquelles dias [24] desceram prophetas de Jerusalem para Antiochia.

28 E, levantando-se um d’elles, por nome [25] Agabo, dava a entender, pelo Espirito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, a qual aconteceu no tempo de Claudio Cesar.

29 E os discipulos determinaram mandar, cada um conforme o que podesse, [26] soccorro para serviço dos irmãos que habitavam na Judea,

30 O [27] que elles com effeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo.

[1] cap. 10.45. Gal. 2.12.

[2] cap. 10.28.

[3] Gal. 2.12.

[4] Luc. 1.3.

[5] cap. 10.9, etc.

[6] João 16.13. cap. 10.19 e 15.7.

[7] cap. 10.23.

[8] cap. 10.30.

[9] cap. 2.4.

[10] Mat. 3.11. João 1.26, 33. cap. 1.5 e 19.4.

[11] Isa. 44.3. Joel 2.28 e 3.18.

[12] cap. 15.8, 9.

[13] cap. 10.47.

[14] Rom. 10.12, 13 e 15.9, 16.

[15] cap. 8.1.

[16] cap. 6.1 e 9.29.

[17] Luc. 1.66. cap. 2.47.

[18] cap. 9.35.

[19] cap. 9.27.

[20] cap. 13.43 e 14.22.

[21] cap. 6.5.

[22] ver. 21. cap. 5.14.

[23] cap. 9.30.

[24] cap. 2.17 e 13.1 e 15.32 e 21.9. I Cor. 12.28. Eph. 4.11.

[25] cap. 21.10.

[26] Rom. 15.26. I Cor. 16.1. II Cor. 9.1.

[27] cap. 12.25.

Herodes manda matar Thiago—Pedro é livre da prisão—A morte de Herodes.

[Anno Domini 44]

12 E por aquelle mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da egreja, para os maltratar;

2 E matou á espada Thiago, [1] irmão de João.

3 E, vendo que isso agradára aos judeos, continuou, mandando prender tambem a Pedro. E [2] eram os dias dos asmos.

4 E, [3] havendo-o prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados, para que o guardassem, querendo apresental-o ao povo depois da paschoa.

5 Pedro, pois, era guardado na prisão; porém a egreja fazia continua oração por elle a Deus.

6 E quando Herodes o havia de tirar, n’aquella mesma noite, estava Pedro dormindo entre dois soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta guardavam a prisão.

7 E eis que [4] sobreveiu o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E cairam-lhe das mãos as cadeias.

8 E disse-lhe o anjo: Cinge-te, e ata as tuas alparcas. E elle o fez assim. Disse-lhe mais: Lança ás costas a tua capa, e segue-me.

9 E, saindo, o seguia. [5] E não sabia que fosse verdade o que era feito pelo anjo, mas cuidava [6] que via alguma visão.

10 E, quando passaram a primeira e segunda guarda, chegaram á porta de ferro, que dá para a cidade, [7] a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saido, andaram uma rua, e logo o anjo se apartou d’elle.

11 E Pedro, tornando a si, disse: [8] Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo, [9] e me livrou da mão de Herodes, e de tudo o que o povo dos judeos esperava.

12 E, considerando elle n’isto, [10] foi a casa de Maria, mãe de [11] João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam juntos e [12] orando.

13 E, batendo Pedro á porta do pateo, uma menina chamada Rhode saiu a escutar;

14 E, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta do pateo, mas, correndo para dentro, annunciou que Pedro estava fóra á porta do pateo.

15 E disseram-lhe: Estás fóra de ti. Mas ella affirmava que assim era. E diziam: [13] É o seu anjo.

16 Porém Pedro perseverava em bater, e, quando abriram, viram-n’o, e se espantaram.

17 E, acenando-lhes [14] elle com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirára da prisão, e disse: Annunciae isto a Thiago e aos irmãos. E, saindo, partiu para outro logar.

18 E, sendo já dia, houve não pouco alvoroço entre os soldados sobre o que seria feito de Pedro.

19 E, quando Herodes o buscou e o não achou, feita inquirição aos guardas, mandou-os justiçar. E, partindo da Judea para Cesarea, ficou ali.

20 E Herodes estava irritado com os de Tyro e de Sidon; porém elles, vindo de commum accordo ter com elle, e persuadindo Blasto, que era o camarista do rei, pediam paz: porquanto [15] o seu paiz sustentava-se do paiz do rei.

21 E n’um dia designado, vestindo Herodes as vestes reaes, e assentado no tribunal, lhes fez uma pratica.

22 E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem.

23 E no mesmo instante [16] feriu-o o anjo do Senhor, [17] porquanto não deu gloria a Deus, e, comido de bichos, expirou.

24 [18] E a palavra de Deus crescia e se multiplicava.

25 E Barnabé e Saulo, havendo cumprido aquelle serviço, voltaram de Jerusalem, [19] levando tambem [20] comsigo a João, que tinha por sobrenome Marcos.

[1] Mat. 4.21 e 20.23.

[2] Exo. 13.14, 15 e 23.15.

[3] João 21.18.

[4] cap. 5.19.

[5] Psa. 126.1.

[6] cap. 10.3, 17 e 11.5.

[7] cap. 16.26.

[8] Psa. 34.7. Dan. 3.28 e 6.22. Heb. 1.14.

[9] Job 5.19. Psa. 38.18, 19 e 34.22 e 41.2 e 97.10. II Cor. 1.10. II Ped. 2.9.

[10] cap. 4.23.

[11] cap. 15.37.

[12] ver. 5.

[13] Gen. 48.16. Mat. 18.10.

[14] cap. 13.16 e 19.33 e 21.40.

[15] I Reis 5.9, 11. Eze. 27.17.

[16] I Sam. 25.38. II Sam. 24.17.

[17] Psa. 115.1.

[18] Isa. 55.11. cap. 6.7 e 19.20.

[19] cap. 13.5, 13 e 15.37.

[20] ver. 12.

Barnabé e Saulo são enviados pela egreja de Antiochia, e pregam em Chypre: Elymas o encantador.

[Anno Domini 45]

13 E na [1] egreja que estava em Antiochia havia alguns prophetas e doutores, a saber: [2] Barnabé e Simeão, chamado Niger, e [3] Lucio cyreneo, e Manahen, que fôra criado com Herodes o tetrarcha, e Saulo.

2 E, servindo elles ao Senhor, e jejuando, disse o Espirito [4] Sancto: Apartae-me a Barnabé e a Saulo para a obra para [5] que os tenho chamado.

3 Então, [6] jejuando e orando, e pondo sobre elles as mãos, os despediram.

4 Estes então, enviados pelo Espirito Sancto, desceram a Seleucia e d’ali navegaram para [7] Chypre.

5 E, chegados a Salamina, [8] annunciavam a palavra de Deus nas synagogas dos judeos; e tinham tambem a João [9] por ministro.

6 E, havendo atravessado a ilha até Paphos, acharam [10] um certo judeo magico, falso propheta, chamado Bar-jesus,

7 O qual estava com o proconsul Sergio Paulo, varão prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus.

8 Mas [11] resistia-lhes Elymas, o encantador (que assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o proconsul.

9 Porém Saulo, que tambem se chama Paulo, [12] cheio do Espirito Sancto, e fixando os olhos n’elle, disse:

10 Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malicia, [13] inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os rectos caminhos do Senhor?

11 Eis-ahi, pois, [14] agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem vêr o sol por algum tempo. E no mesmo instante a escuridão e as trevas cairam sobre elle, e, andando em redor, buscava a quem o guiasse pela mão.

12 Então o proconsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.

O discurso de Paulo na synagoga de Antiochia da Pisidia: a opposição dos judeos.

13 E, partindo de Paphos, Paulo e os que estavam com elle chegaram a Perge, cidade da Pamphylia. [15] Porém João, apartando-se d’elles, voltou para Jerusalem.

14 E elles, saindo de Perge, chegaram a Antiochia, [16] da Pisidia, e, entrando na synagoga, n’um dia de sabbado, assentaram-se;

15 E, depois [17] da lição da lei e dos prophetas, lhes mandaram dizer os principaes da synagoga: Varões irmãos, [18] se vós tendes alguma palavra de consolação para o povo, fallae.

16 E, levantando-se Paulo, [19] e pedindo silencio com a mão, disse: Varões israelitas, e os [20] que temeis a Deus, ouvi:

17 O Deus d’este povo d’Israel escolheu a [21] nossos paes, e exaltou o [22] povo, sendo elles estrangeiros na terra do Egypto; e [23] com braço levantado os tirou d’ella;

18 E [24] supportou os seus costumes no deserto por espaço de quasi quarenta annos.

19 E, [25] destruindo a sete nações na terra de Canaan, [26] lhes repartiu por sorte a terra d’elles.

20 E, depois d’isto, [27] por quasi quatrocentos e cincoenta annos, lhes deu juizes, [28] até ao propheta Samuel.

21 E [29] depois pediram um rei, e Deus lhes deu por quarenta annos, a Saul filho de Kis, varão da tribu de Benjamin.

22 [30] E, tirado este, [31] lhes levantou como rei a David, ao qual tambem deu testemunho, e disse: [32] Achei a David, filho de Jessé, [33] varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade.

23 Da [34] descendencia d’este, conforme [35] a promessa, levantou Deus a Jesus [36] para Salvador d’Israel;

24 Tendo primeiramente [37] João, antes da vinda d’elle, prégado a todo o povo d’Israel o baptismo do arrependimento.

25 Mas, como João cumprisse a sua carreira, disse: [38] Quem pensaes vós que eu sou? Eu não sou o Christo; mas eis que após mim vem aquelle a quem não sou digno de desatar as alparcas dos pés.

26 Varões irmãos, filhos da geração d’Abrahão, e os que d’entre vós temem a Deus, [39] a vós vos é enviada a palavra d’esta salvação.

27 Porque, [40] não conhecendo a este os que habitavam em Jerusalem, nem os seus principes, condemnando-o, cumpriram assim as vozes dos [41] prophetas que se lêem todos [42] os sabbados.

28 E, [43] não achando nenhuma causa de morte, [44] pediram a Pilatos que fosse morto.

29 E, [45] havendo elles cumprido todas as coisas que d’elle estavam escriptas, tirando-o [46] do madeiro, o pozeram na sepultura;

30 Porém [47] Deus o resuscitou dos [48] mortos.

31 E elle por muitos dias foi visto pelos que subiram com elle [49] da Galilea a Jerusalem, [50] e são suas testemunhas para com o povo.

32 E nós vos annunciamos [51] a promessa que foi feita aos paes, a qual já Deus nos cumpriu, a nós, seus filhos, resuscitando a Jesus:

33 Como tambem está escripto no psalmo segundo: Meu filho és [52] tu, hoje te gerei.

34 E que o resuscitaria dos mortos, para nunca mais tornar á corrupção, disse-o assim: [53] [AID] As sanctas e fieis bençãos de David vos darei.

35 Pelo que tambem em outro psalmo diz: [54] Não permittirás que o teu sancto veja corrupção.

36 Porque, na verdade, tendo David no seu tempo servido conforme a vontade de Deus, [55] dormiu, e foi posto junto de seus paes e viu a corrupção,

37 Mas aquelle a quem Deus resuscitou nenhuma corrupção viu.

38 Seja-vos pois notorio, varões irmãos, [56] que por este se vos annuncia a remissão dos peccados.

39 E de tudo o que, pela lei de Moysés não podestes ser justificados n’este é [57] justificado todo aquelle que crê.

40 Vêde pois que não venha sobre vós o que está dito nos [58] prophetas:

41 Vêde, ó desprezadores, e espantae vos e desapparecei; porque opéro uma obra em vossos dias, obra que não crereis, se alguem vol-a contar.

42 E, saidos os judeos da synagoga, os gentios rogaram que no sabbado seguinte se lhes fallassem as mesmas coisas.

43 E, despedida a synagoga, muitos dos judeos e dos proselytos religiosos seguiram Paulo e Barnabé; os quaes, fallando-lhes, [59] os exhortavam a que permanecessem [60] na graça de Deus.

44 E no sabbado seguinte ajuntou-se quasi toda a cidade a ouvir a palavra de Deus.

45 Porém os judeos, vendo a multidão, encheram-se de inveja: e, blasphemando, [61] contradiziam o que Paulo dizia.

46 Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: [62] Era mister que a vós se vos fallasse primeiro a palavra de Deus; [63] mas, visto que a rejeitaes, e vos não julgaes dignos da vida eterna, eis que [64] nós voltamos para os gentios;

47 Porque o Senhor assim nol-o mandou, dizendo: [65] Eu te puz para luz dos gentios, para que sejas para salvação até aos confins da terra.

48 E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; [66] e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.

49 E a palavra do Senhor se divulgava por toda aquella provincia.

50 Mas os judeos incitaram [67] a algumas mulheres religiosas e honestas, e aos principaes da cidade, e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fóra dos seus termos.

51 Sacudindo, [68] porém, contra elles o pó dos seus pés, partiram para Iconio.

52 E os discipulos estavam [69] cheios d’alegria e do Espirito Sancto.

[1] cap. 11.27 e 14.20 e 15.35.

[2] cap. 11.22, 26.

[3] Rom. 16.21.

[4] Num. 8.14. cap. 9.15 e 22.21. Rom. 1.1. Gal. 1.15 e 2.9.

[5] Mat. 9.38. cap. 14.26. Rom. 10.15. Eph. 3.7, 8. I Tim. 2.7. II Tim. 1.11. Heb. 5.4.

[6] cap. 6.6.

[7] cap. 4.36.

[8] ver. 46.

[9] cap. 12.25 e 15.37.

[10] cap. 8.9.

[11] Exo. 7.11. II Tim. 3.8.

[12] cap. 4.8.

[13] Mat. 13.38. João 8.44. I João 3.8.

[14] Exo. 9.3. I Sam. 5.6.

[15] cap. 15.38.

[16] cap. 16.13 e 17.2 e 18.4.

[17] Luc. 4.16. ver. 27.

[18] Heb. 13.22.

[19] cap. 12.17.

[20] ver. 26, 42, 43. cap. 10.35.

[21] Deu. 7.6, 7.

[22] Exo. 1.1. Psa. 105.23, 24. cap. 7.17.

[23] Exo. 6.6 e 13.14, 16.

[24] Exo. 16.35. Num. 14.33, 34. cap. 7.36.

[25] Deu. 7.1.

[26] Jos. 14.1, 2. Psa. 78.55.

[27] Jui. 2.16.

[28] I Sam. 3.20.

[29] I Sam. 8.5 e 10.1.

[30] I Sam. 15.23, 26, 28 e 16.1. Ose. 13.11.

[31] I Sam. 16.13. II Sam. 2.4 e 5.3.

[32] Psa. 89.20.

[33] I Sam. 13.14. cap. 7.46.

[34] Isa. 11.1. Luc. 1.32, 69. cap. 2.30. Rom. 1.3.

[35] II Sam. 7.12. Psa. 132.11.

[36] Mat. 1.21. Rom. 11.26.

[37] Mat. 3.1. Luc. 3.3.

[38] Mat. 3.11. Mar. 1.7. Luc. 3.16. João 1.20, 27.

[39] Mat. 10.6. Luc. 24.47. cap. 3.26.

[40] Luc. 23.34. I Cor. 2.8.

[41] ver. 14, 15. cap. 15.11.

[42] Luc. 24.20, 44. cap. 26.22. Mat. 27.22.

[43] Mar. 15.13, 14. João 19.6, 15.

[44] cap. 3.13, 14.

[45] Luc. 18.31.

[46] Mat. 27.59. Mar. 15.46. João 19.38.

[47] Mat. 28.6. cap. 2.24.

[48] Mat. 28.16. cap. 1.3. I Cor. 15.5, 6, 7.

[49] cap. 1.11.

[50] cap. 1.8 e 2.32.

[51] Gen. 3.15 e 12.3 e 22.18. Rom. 4.13. Gal. 3.16.

[52] Psa. 2.7. Heb. 1.5 e 5.5.

[53] Isa. 55.3.

[54] Psa. 16.10. cap. 2.31.

[55] I Reis 2.10. cap. 2.29.

[56] Jer. 31.34. I João 2.12.

[57] Isa. 53.11. Rom. 3.28. Heb. 7.19.

[58] Isa. 29.14. Hab. 1.5.

[59] cap. 11.23 e 14.22.

[60] Tito 2.11. Heb. 12.15. I Ped. 5.12.

[61] cap. 18.6. I Ped. 4.4. Jud. 10.

[62] Mat. 10.6. cap. 3.26. ver. 26. Rom. 1.16.

[63] Exo. 32.10. Deu. 32.21. Isa. 55.5. Mat. 21.43. Rom. 10.19.

[64] cap. 18.6 e 28.28.

[65] Isa. 42.6 e 49.6.

[66] cap. 2.47.

[67] II Tim. 3.11.

[68] Mat. 10.14. Mar. 6.11. Luc. 9.5. cap. 18.6.

[69] Mat. 5.12. João 16.22. cap. 2.46.

O evangelho é prégado em Iconio, Lystra, e Derbe; successo e perseguição; a volta a Antiochia.

[Anno Domini 46]

14 E aconteceu que em Iconio entraram juntos na synagoga dos judeos, e fallaram de tal modo, que creu uma grande multidão, não só de judeos mas de gregos.

2 Porém os judeos incredulos incitaram e irritaram, contra os irmãos, os animos dos gentios.

3 Detiveram-se pois muito tempo, fallando ousadamente no Senhor, [1] o qual dava testemunho á palavra da sua graça, permittindo que por suas mãos se fizessem signaes e prodigios.

4 E dividiu-se a multidão da cidade; e [2] uns eram pelos judeos, e outros pelos apostolos.

5 E, havendo um motim, tanto dos judeos como dos gentios, com os seus principaes, [3] para os insultarem e apedrejarem,

6 Entendendo-o elles, [4] acolheram-se a Lystra e Derbe, cidades de Lycaonia, e á provincia circumvisinha;

7 E ali prégavam o Evangelho.

8 E estava assentado em [5] Lystra um certo varão leso dos pés, côxo desde o ventre de sua mãe, o qual nunca tinha andado.

9 Este ouviu fallar Paulo, que, fixando n’elle os olhos, [6] e vendo que tinha fé para ser curado,

10 Disse em voz [7] alta: Levanta-te direito sobre teus pés. E elle saltou e andou.

11 E as multidões, vendo o que Paulo fizera, levantaram a sua voz, dizendo em lingua lycaonica: [8] Fizeram-se os deuses similhantes aos homens, e desceram até nós.

12 E chamavam Jupiter a Barnabé, e Mercurio a Paulo; porque este era o que fallava.

13 E o sacerdote de Jupiter, que estava em frente da cidade, trazendo para a entrada da porta toiros e grinaldas, [9] queria com a multidão sacrificar-lhes.

14 Ouvindo, porém, isto os apostolos Barnabé e Paulo, [10] rasgaram os seus vestidos, e saltaram entre a multidão, clamando,

15 E dizendo: Varões, [11] porque fazeis essas coisas? [12] Nós tambem somos homens como vós, sujeitos ás mesmas paixões, [13] e vos annunciamos que vos convertaes d’essas vaidades ao [14] Deus vivo, [15] que fez o céu, e a terra, e o mar, e tudo quanto ha n’elles;

16 O qual nos [16] tempos passados deixou andar todas as gentes em seus caminhos.

17 Ainda [17] que, apezar d’isso, nunca se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando lá do céu, [18] dando-nos chuvas e tempos fructiferos, enchendo de mantimento e de alegria os nossos corações.

18 E, dizendo [19] isto, com difficuldade impediram que as multidões [20] lhes sacrificassem.

19 Sobrevieram, porém, alguns judeos de Antiochia e de Iconio, e, persuadindo a multidão, apedrejaram a Paulo, e o arrastaram para fóra da cidade, cuidando que estava morto.

20 Mas, rodeando-o os discipulos, levantou-se, [21] e entrou na cidade, e no dia seguinte saiu com Barnabé para Derbe.

21 E, tendo annunciado o evangelho áquella cidade, e feito muitos discipulos, voltaram para Lystra, e Iconio, e Antiochia,

22 Confirmando os animos dos discipulos, [22] exhortando-os a permanecer na fé, e [23] dizendo que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.

23 E, havendo-lhes, [24] por commum consentimento, eleito anciãos em cada egreja, orando com jejuns, os encommendaram ao Senhor em quem haviam crido.

24 Passando depois por Pisidia, dirigiram-se a Pamphylia.

25 E, tendo annunciado a palavra em Perge, desceram a Attalia.

26 E d’ali navegaram para Antiochia, [25] d’onde tinham sido [26] encommendados á graça de Deus para a obra que já haviam cumprido.

27 E, quando chegaram e reuniram a egreja, [27] relataram quão grandes coisas Deus fizera por elles, e [28] como abrira aos gentios a porta da fé.

28 E ficaram ali não pouco tempo com os discipulos.

[1] Mar. 16.20. Heb. 2.4.

[2] cap. 13.3.

[3] II Tim. 3.11.

[4] Mat. 10.23.

[5] cap. 3.2.

[6] Mat. 8.10 e 9.28, 29.

[7] Isa. 35.6.

[8] cap. 8.10 e 28.6.

[9] Dan. 2.46.

[10] Mat. 26.65.

[11] cap. 10.26.

[12] Thi. 5.17.

[13] I Sam. 12.21. I Cor. 8.4.

[14] Jos. 3.10.

[15] Gen. 1.1. Apo. 14.7.

[16] Psa. 81.13. I Ped. 4.3.

[17] cap. 17.27. Rom. 1.20.

[18] Lev. 26.4. Deu. 11.14 e 28.12. Job 5.12. Psa. 65.10 e 68.9, 10 e 147.8. Jer. 14.22. Mat. 5.45.

[19] cap. 13.45.

[20] II Cor. 11.25. II Tim. 3.11.

[21] Mat. 28.19.

[22] cap. 11.23 e 13.43.

[23] Mat. 10.38 e 16.24. Luc. 22.28, 29. Rom. 8.17. II Tim. 2.11, 12 e 3.12.

[24] Tito 1.5.

[25] cap. 13.1, 3.

[26] cap. 15.40.

[27] cap. 15.4, 12 e 21.19.

[28] I Cor. 16.9. II Cor. 2.12. Col. 4.3. Apo. 3.8.

A questão ácerca do rito mosaico; a assembléa de Jerusalem, e sua decisão.

[Anno Domini 52]

15 Então [1] alguns que tinham descido da Judea ensinavam os irmãos, dizendo: Se vos [2] não circumcidardes, conforme o uso de Moysés, não podeis salvar-vos.

2 Feita pois por Paulo e Barnabé não pequena dissensão e contenda contra elles, resolveu-se que Paulo [3] e Barnabé, e alguns d’entre elles, subissem a Jerusalem, aos apostolos e aos anciãos, sobre aquella questão.

3 De sorte [4] que elles, acompanhados pela egreja, passavam pela Phenicia e por Samaria, [5] contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos.

4 E, vindos a Jerusalem, foram recebidos pela egreja e pelos apostolos e anciãos, [6] e lhes annunciavam quão grandes coisas Deus tinha feito com elles.

5 Porém alguns da seita dos phariseos, que tinham crido, se levantaram, dizendo [7] que era mister circumcidal-os e mandar-lhes que guardassem a lei de Moysés.

6 Congregaram-se pois os apostolos e os anciãos para examinar este negocio.

7 E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: [8] Varões irmãos, bem sabeis que já ha muito tempo Deus me elegeu d’entre nós, para que os gentios ouvissem da minha bocca a palavra do evangelho, e cressem.

8 E Deus, [9] que conhece os corações, deu testemunho d’elles, [10] dando-lhes o Espirito Sancto, assim como tambem a nós;

9 E [11] não fez differença alguma entre elles e nós, [12] purificando os seus corações pela fé.

10 Agora, pois, porque tentaes a Deus, pondo sobre a cerviz dos discipulos um [13] jugo que nem nossos paes nem nós podémos supportar?

11 Antes [14] crêmos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Christo, como elles tambem.

12 Então toda a multidão se calou, e escutava a Barnabé e a Paulo, [15] que contavam quão grandes signaes e prodigios Deus havia [16] feito por meio d’elles entre os gentios.

13 E, havendo-se elles calado, [17] tomou Thiago a palavra, dizendo: Varões irmãos, ouvi-me:

14 Simão [18] relatou como Deus primeiramente visitou os gentios, para tomar d’elles um povo para o seu nome.

15 E com isto concordam as palavras dos prophetas; como está escripto:

16 Depois [19] d’isto voltarei, e reedificarei o tabernaculo de David, que está caido, e reedificarei as suas ruinas, e tornarei a levantal-o.

17 Para que o resto dos homens busque ao Senhor, e todos os gentios, sobre os quaes o meu nome é invocado, diz o Senhor, que faz todas estas coisas.

18 São notorias a Deus desde toda a eternidade as suas obras.

19 Pelo que [20] julgo que não se deve perturbar aquelles, d’entre os gentios, que se [21] convertem a Deus,

20 Mas escrever-lhes que se abstenham [22] das contaminações dos idolos, e da fornicação, [23] e das carnes suffocadas e [24] do sangue.

21 Porque Moysés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem [25] o prégue, e cada sabbado é lido nas synagogas.

22 Então pareceu bem aos apostolos e aos anciãos, com toda a egreja, eleger d’elles alguns varões, e envial-os com Paulo e Barnabé a Antiochia, a saber: Judas, chamado Barsabbás, e [26] Silas, varões distinctos entre os irmãos.

23 E por elles escreveram o seguinte: Os apostolos, e os anciãos e os irmãos, aos irmãos d’entre os gentios que estão em Antiochia, e Syria e Cilicia, saude.

24 Porquanto ouvimos que [27] alguns que sairam d’entre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, dizendo que devieis circumcidar-vos e guardar a lei, aos quaes nada mandámos:

25 Pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns varões, e envial-os com os nossos amados Barnabé e Paulo,

26 Homens [28] que já expozeram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Christo.

27 Enviamos pois Judas e Silas, os quaes de bocca vos annunciarão tambem o mesmo.

28 Porque pareceu bem ao Espirito Sancto, e a nós, não vos impôr mais encargo algum, senão estas coisas necessarias:

29 Que [29] vos abstenhaes das coisas sacrificadas aos idolos, [30] e do sangue, e da carne suffocada, e da fornicação: das quaes coisas fazeis bem se vos guardardes. Bem vos vá.

30 Tendo-se elles pois despedido, partiram para Antiochia, e, ajuntando a multidão, entregaram a carta.

31 E, lendo-a, alegraram-se, pela consolação a que lhes causava.

32 Depois Judas e Silas, que tambem eram [31] prophetas, exhortaram e confirmaram os irmãos com muitas palavras.

33 E, detendo-se ali algum tempo, os [32] irmãos os deixaram voltar em paz para os apostolos;

34 Mas pareceu bem a Silas ficar ali.

Separação entre Paulo e Barnabé.

35 E Paulo [33] e Barnabé ficaram em Antiochia, ensinando e prégando, com muitos outros, a palavra do Senhor.

36 E alguns dias depois disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos [34] por cada cidade em que já annunciámos a palavra do Senhor, a vêr como estão.

37 E Barnabé aconselhava que tomassem comsigo a João, chamado Marcos.

38 Mas a Paulo parecia razoavel que não tomassem comsigo [35] aquelle que desde Pamphylia [36] se tinha apartado d’elles, e não tinha ido com elles áquella obra.

39 E tal contenda houve entre elles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando comsigo a Marcos, navegou para Chypre.

Paulo emprehende uma segunda viagem missionaria na companhia de Silas e Timotheo.

40 E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, [37] encommendado pelos irmãos á graça de Deus.

41 E foi passando por Syria e Cilicia, confirmando [38] as egrejas.

[1] Gal. 2.12.

[2] João 7.32. ver. 5. Gal. 5.2. Phi. 3.2. Col. 2.11. Lev. 12.3.

[3] Gal. 2.1.

[4] Rom. 15.24. I Cor. 16.6, 11.

[5] cap. 14.27.

[6] ver. 12. cap. 14.27 e 21.19.

[7] ver. 1.

[8] cap. 10.20 e 11.12.

[9] I Chr. 28.9. cap. 1.24.

[10] cap. 10.44.

[11] Rom. 10.11.

[12] cap. 10.15, 28, 43. I Cor. 1.2. I Ped. 1.22.

[13] Mat. 23.4. Gal. 5.1.

[14] Rom. 3.24. Eph. 2.8. Tito 2.11 e 3.4, 5.

[15] cap. 21.19.

[16] cap. 14.27.

[17] cap. 12.17.

[18] ver. 7.

[19] Amós 9.11, 12.

[20] ver. 28.

[21] I The. 1.9.

[22] Gen. 35.2. Exo. 20.3, 23.

[23] I Cor. 6.9, 18. Gal. 5.19. Eph. 5.3. Col. 3.5. I Ped. 4.3.

[24] Gen. 9.4. Lev. 3.17.

[25] cap. 13.15, 27.

[26] cap. 1.23.

[27] ver. 1. Gal. 2.4 e 5.12. Tito 1.10, 11.

[28] cap. 13.50 e 14.19. I Cor. 15.30. II Cor. 11.23, 26.

[29] ver. 20. cap. 21.25. Apo. 2.14, 20.

[30] Lev. 17.14.

[31] cap. 14.22 e 18.23.

[32] I Cor. 16.11. Heb. 11.31.

[33] cap. 13.1.

[34] cap. 13.4, 13, 14, 51 e 14.1, 6, 24, 25.

[35] cap. 12.12, 25 e 13.5. Col. 4.10. II Tim. 4.11. Phi. 24.

[36] cap. 13.13.

[37] cap. 14.26.

[38] cap. 16.5.

16 E chegou a [1] Derbe e Lystra. E eis que estava ali um certo discipulo por nome [2] Timotheo, [3] filho de uma mulher judia fiel, mas de pae grego:

[Anno Domini 53]

2 Do qual [4] davam bom testemunho os irmãos que estavam em Lystra e em Iconio.

3 Paulo quiz que este fosse com elle: e [5] tomando-o, o circumcidou, por causa dos judeos que estavam n’aquelles logares; porque todos sabiam que seu pae era grego.

4 E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos [6] que haviam sido estabelecidos pelos apostolos e anciãos em Jerusalem.

5 De sorte [7] que as egrejas eram confirmadas na fé, e cada dia se augmentavam em numero.

6 E, passando pela Phrygia e pela provincia da Galacia, foram impedidos pelo Espirito Sancto de annunciar a palavra na Asia.

7 E, quando chegaram a Mysia, intentavam ir para Bithynia, porém o Espirito não lh’o permittiu.

8 E, passando por Mysia, [8] desceram a Troas.

A visão em Troas. Paulo passa á Macedonia e préga em Philippos. Lydia, a pythonissa. O carcereiro de Philippos.

9 E Paulo viu de noite uma visão, em que se apresentou [9] um varão da Macedonia, e lhe rogou, dizendo: Passa á Macedonia, e ajuda-nos.

10 E, logo que viu a visão, procurámos partir [10] para a Macedonia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes annunciarmos o evangelho.

11 E, navegando de Troas, fomos correndo caminho direito para Samothracia, e no dia seguinte para Napoles;

12 E d’ali para [11] Philippos, que é a primeira cidade d’esta parte da Macedonia, e é uma colonia; e estivemos alguns dias n’aquella cidade.

13 E no dia de sabbado saimos fóra da cidade para o rio, onde se costumava fazer oração; e, assentando-nos, fallámos ás mulheres que ali se ajuntaram.

14 E uma certa mulher, chamada Lydia, vendedora de purpura, da cidade de Thyatira, e que servia a Deus, nos ouvia, [12] e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse attenta ao que Paulo dizia.

15 E, depois que foi baptizada, ella e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrae em minha casa, e ficae [13] ali. E nos constrangeu a isso.

16 E aconteceu que, indo nós á oração, nos saiu ao encontro uma moça [14] que tinha espirito de adivinhação, [15] a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores.

17 Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos annunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altissimo.

18 E ella fazia isto por muitos dias. Porém, [16] descontentando isto a Paulo, voltou-se, e disse ao espirito: Em nome de Jesus Christo, te mando que saias d’ella. [17] E na mesma hora saiu.

19 E, [18] vendo seus senhores que a esperança do seu lucro estava perdida, pegaram [19] de Paulo e Silas, e os levaram á praça, á presença dos magistrados.

20 E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, [20] sendo judeos, perturbaram a nossa cidade,

21 E prégam ritos que nos não é licito receber nem praticar, visto que somos romanos.

22 E a multidão se levantou juntamente contra elles, [21] e os magistrados, rasgando-lhes os vestidos, mandaram açoital-os com varas,

23 E, havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.

24 O qual, tendo recebido tal ordem, os lançou no carcere mais interior, e lhes segurou os pés no tronco.

25 E, perto da meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hymnos a Deus, e os outros presos os escutavam.

26 E [22] de repente sobreveiu um tão grande terremoto, que os alicerces do carcere se moveram, e logo [23] se abriram todas as portas e se soltaram as prisões de todos.

27 E, acordando o carcereiro, e vendo abertas as portas da prisão, tirando da espada, quiz matar-se, cuidando que os presos já tinham fugido.

28 Porém Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos.

29 E, pedindo luz, saltou dentro, e, todo tremendo, se prostrou aos pés de Paulo e Silas.

30 E, tirando-os para fóra, disse: Senhores, [24] que me é necessario fazer para me salvar?

31 E elles disseram: [25] Crê no Senhor Jesus Christo, e serás salvo, tu e a tua casa.

32 E lhe fallavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa.

33 E, tomando-os elle comsigo n’aquella mesma hora da noite, lavou-lhes os açoites; e logo foi baptizado, elle e todos os seus.

34 E, levando-os a sua casa, [26] lhes poz a mesa; e, crendo em Deus, alegrou-se com toda a sua casa.

35 E, sendo já dia, os magistrados mandaram quadrilheiros, dizendo: Soltae aquelles homens.

36 E o carcereiro annunciou a Paulo estas palavras, dizendo: Os magistrados mandaram que vos soltasse; agora pois sahi, e ide em paz.

37 Porém Paulo disse-lhes: Açoitaram-nos publicamente e, sem ser sentenciados, [27] sendo homens romanos, nos lançaram na prisão, e agora encobertamente nos lançam fóra? Não será assim; mas venham elles mesmos e tirem-nos para fóra.

38 E os quadrilheiros foram dizer aos magistrados estas palavras; e elles temeram, ouvindo que eram romanos.

39 E, vindo, [28] lhes rogaram; e, tirando-os para fóra, lhes pediram que saissem da cidade.

40 E, saindo da prisão, [29] entraram em casa de Lydia, e, vendo os irmãos, os confortaram, e depois partiram.

[1] cap. 14.6.

[2] cap. 19.22. Rom. 16.21. I Cor. 4.17. Phi. 2.19. I The. 3.2. I Tim. 1.2. II Tim. 1.2.

[3] II Tim. 1.5.

[4] cap. 6.3.

[5] I Cor. 9.20. Gal. 2.3 e 5.2.

[6] cap. 15.28, 29.

[7] cap. 15.41.

[8] II Cor. 2.12. II Tim. 4.13.

[9] cap. 10.30.

[10] II Cor. 2.13.

[11] Phi. 1.1.

[12] Luc. 24.45.

[13] Gen. 19.3 e 33.11. Jui. 19.21. Luc. 24.29. Heb. 13.2.

[14] I Sam. 28.7.

[15] cap. 19.24.

[16] Mar. 1.25, 34.

[17] Mar. 16.17.

[18] cap. 19.25, 26.

[19] II Cor. 6.5. Mat. 10.18.

[20] I Reis 18.17. cap. 17.6.

[21] II Cor. 6.5 e 11.23, 25. I The. 2.2.

[22] cap. 4.31.

[23] cap. 5.19 e 12.7, 10.

[24] Luc. 3.10. cap. 2.37 e 9.6.

[25] João 3.16, 36 e 6.47. I João 5.10.

[26] Luc. 5.29 e 19.6.

[27] cap. 22.25.

[28] Mat. 8.34.

[29] ver. 14.

Paulo em Thessalonica e em Berea.

[Anno Domini 54]

17 E, passando por Amphipolis e Apollonia, chegaram a Thessalonica, onde havia uma synagoga de judeos.

2 E Paulo, [1] como tinha por costume, foi ter com elles; e por tres sabbados disputou com elles sobre as Escripturas,

3 Declarando-as, [2] e demonstrando que convinha que o Christo padecesse e resuscitasse dos mortos. E este Jesus, que vos annuncio, dizia elle, é o Christo.

4 E [3] alguns d’elles crêram, e ajuntaram-se com Paulo e [4] Silas uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principaes.

5 Porém os judeos desobedientes, movidos d’inveja, tomaram comsigo alguns homens malignos, d’entre os vadios, e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e, accommettendo a casa de Jason, [5] procuravam tiral-os para junto do povo.

6 E, não os achando, trouxeram com violencia a Jason, e alguns irmãos, aos magistrados da cidade, [6] clamando: Estes que teem alvoroçado o mundo, chegaram tambem aqui;

7 Os quaes Jason tem recolhido; e todos estes obram contra os mandados de Cesar, [7] dizendo que ha outro rei, a saber, Jesus.

8 E alvoroçaram a multidão e os principaes da cidade, que ouviram estas coisas.

9 Tendo, porém, recebido satisfação de Jason, e dos demais, os soltaram.

10 E logo [8] os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Berea: os quaes, chegando lá, foram á synagoga dos judeos.

11 E estes foram mais nobres do que os que estavam em Thessalonica, porque de bom grado receberam a palavra, [9] examinando cada dia nas Escripturas se estas coisas eram assim.

12 De sorte que crêram muitos d’elles, e mulheres gregas honestas, e não poucos varões.

13 Mas, logo que os judeos de Thessalonica souberam que a palavra de Deus tambem era annunciada por Paulo em Berea, foram tambem lá, e commoveram as multidões.

14 Porém [10] no mesmo instante os irmãos mandaram a Paulo que fosse como para o mar, mas Silas e Timotheo ficaram ali.

Paulo em Athenas; o seu discurso no Areopago.

15 E os que acompanhavam Paulo o levaram até Athenas, [11] e, recebendo ordem para que Silas e Timotheo fossem ter com elle o mais depressa possivel, partiram.

16 E, emquanto Paulo os esperava em Athenas, [12] o seu espirito se commovia em si mesmo, vendo a cidade tão dada á idolatria.

17 De sorte que disputava na synagoga com os judeos e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam.

18 E alguns dos philosophos epicureos e estoicos contendiam com elle; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é prégador de deuses estranhos. Porque lhes annunciava a Jesus e a resurreição.

19 E, tomando-o, o levaram ao Areopago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que fallas?

20 Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos: queremos pois saber o que vem a ser isto.

21 (Pois todos os athenienses e hospedes estrangeiros de nenhuma outra coisa se occupavam, senão de dizer e ouvir alguma coisa nova).

22 E, estando Paulo no meio do Areopago, disse: Varões athenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos:

23 Porque, passando eu e vendo os vossos sanctuarios, achei tambem um altar em que estava escripto: AO DEUS DESCONHECIDO. Aquelle pois que vós honraes, não o conhecendo, vos annuncio.

24 O Deus [13] que fez o mundo e todas as coisas que n’elle ha: este, sendo Senhor [14] do céu e da terra, [15] não habita em templos feitos por mãos de homens;

25 Nem tão pouco é servido por mãos de homens, [16] como que necessitando de alguma coisa; pois é [17] elle só quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas;

26 E de um sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos [18] já d’antes ordenados, e os limites da sua habitação;

27 Para [19] que buscassem ao Senhor, se porventura o podessem apalpar e achar; ainda [20] que não está longe de cada um de nós;

28 Porque [21] n’elle vivemos, e nos movemos, e existimos; [22] como tambem alguns dos vossos poetas disseram: Porque somos tambem sua geração.

29 Sendo pois geração de Deus, [23] não havemos de cuidar que a divindade seja similhante ao oiro, ou á prata, ou á pedra esculpida por artificio e imaginação dos homens.

30 De sorte que Deus, [24] [AIE] dissimulando os tempos da ignorancia, [25] annuncia agora a todos os homens, e em todo o logar, que se arrependam;

31 Porquanto tem determinado um dia [26] em que com justiça ha-de julgar o mundo com justiça por aquelle varão que destinou; dando certeza a todos, [27] resuscitando-o dos mortos.

32 E, como ouviram da resurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Ácerca d’isso te ouviremos outra vez.

33 E assim Paulo saiu do meio d’elles.

34 Porém, chegando alguns varões a elle, creram: entre os quaes foram Dionysio, areopagita, e uma mulher por nome Damaris, e com elles outros.

[1] Luc. 4.16. cap. 9.20 e 13.5, 14 e 14.1 e 16.13 e 19.8.

[2] Luc. 24.26, 46. cap. 18.28. Gal. 3.1.

[3] cap. 28.24.

[4] cap. 15.22, 27, 32, 40.

[5] Rom. 16.21.

[6] cap. 16.20.

[7] Luc. 23.2. João 19.12. I Ped. 2.13.

[8] cap. 9.25. ver. 14.

[9] Isa. 34.16. Luc. 16.29. João 5.39.

[10] Mat. 10.26.

[11] cap. 18.5.

[12] I Ped. 2.8.

[13] cap. 14.15.

[14] Mat. 11.25.

[15] cap. 7.48.

[16] Psa. 50.8.

[17] Gen. 2.7. Num. 16.22. Job 12.10 e 27.3 e 33.4. Isa. 42.5 e 57.16. Zac. 12.1.

[18] Deu. 32.8.

[19] Rom. 1.20.

[20] cap. 14.17.

[21] Col. 1.17. Heb. 1.3.

[22] Tito 1.12.

[23] Isa. 40.18.

[24] cap. 14.16. Rom. 3.25.

[25] Luc. 24.47. Tito 2.11, 12. I Ped. 1.14 e 4.3.

[26] cap. 10.42. Rom. 2.16 e 14.10.

[27] cap. 2.24.

Paulo em Corintho; em Epheso; volta para Jerusalem.

[Anno Domini 55]

18 E depois d’isto partiu Paulo de Athenas, e chegou a Corintho.

2 E, achando um certo judeo por nome [1] Aquila, natural do Ponto, que havia pouco que tinha vindo da Italia, e Priscilla, sua mulher (porquanto Claudio tinha mandado que todos os judeos saissem de Roma), se ajuntou com elles,

3 E, porque era do mesmo officio, ficou com elles, [2] e trabalhava; pois tinham por officio fazer tendas.

4 E cada sabbado [3] disputava na synagoga, e persuadia a judeos e gregos.

5 E, [4] quando Silas e Timotheo desceram da Macedonia, foi [5] Paulo constrangido pelo Espirito, testificando aos judeos que Jesus era o Christo.

6 Porém, [6] resistindo e [7] blasphemando elles, sacudiu os vestidos, e disse-lhes: O [8] vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; [9] eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios.

7 E, partindo d’ali, entrou em casa de um, por nome Justo, que servia a Deus, cuja casa estava junto da synagoga.

8 E [10] Crispo, principal da synagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos corinthios, ouvindo-o, crêram e foram baptizados.

9 E disse [11] o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas falla, e não te cales;

10 Porque [12] eu estou comtigo, e ninguem lançará mão de ti para te fazer mal, porque tenho muito povo n’esta cidade.

11 E ficou ali um anno e seis mezes, ensinando entre elles a palavra de Deus.

12 Porém, sendo Gallio proconsul da Achaia, levantaram-se os judeos concordemente contra Paulo, e o levaram ao tribunal,

13 Dizendo: Este persuade os homens a servir a Deus contra a lei.

14 E, querendo Paulo abrir a bocca, disse Gallio aos judeos: [13] Se houvesse, ó judeos, algum aggravo ou crime enorme, com razão vos soffreria,

15 Mas, se a questão é de palavras, e de nomes, e da lei que entre vós ha, vêde-o vós mesmos: porque eu não quero ser juiz d’essas coisas.

16 E lançou-os do tribunal.

17 Porém, tomando todos os gregos a [14] Sosthenes, principal da synagoga, o feriram diante do tribunal; e a Gallio nada d’estas coisas se lhe davam.

18 E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos e d’ali navegou para a Syria, e com elle Priscilla e Aquila, tendo [15] tosquiado a cabeça em Cenchrea, [16] porque tinha voto.

19 E chegou a Epheso, e deixou-os ali; porém elle, entrando na synagoga, disputava com os judeos.

20 E, rogando-lhe elles que ficasse com elles por mais algum tempo, não conveiu n’isso.

21 Antes se despediu d’elles, dizendo: É-me necessario em todo o caso guardar em Jerusalem a festa que se approxima; [17] mas, querendo Deus, outra vez voltarei para vós. E partiu de Epheso.

22 E, chegando a Cesarea, subiu a Jerusalem, e, saudando a egreja, desceu a Antiochia.

23 E, estando ali algum tempo, partiu, passando successivamente pela provincia da [18] Galacia e Phrygia, confirmando [19] a todos os discipulos.

Apollo em Epheso e em Corintho.

24 E chegou [20] a Epheso um certo judeo chamado Apollo, natural d’Alexandria, varão eloquente e poderoso nas Escripturas.

25 Este era instruido no caminho do Senhor, [21] e, fervoroso de espirito, fallava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, [22] conhecendo sómente o baptismo de João.

26 E este começou a fallar ousadamente na synagoga; e, ouvindo-o Priscilla e Aquila, o levaram comsigo, e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus.

27 E, querendo elle passar á Achaia, exhortando-o os irmãos, escreveram aos discipulos que o recebessem; o qual, tendo chegado, [23] aproveitou muito aos que pela graça criam.

28 Porque com grande vehemencia convencia publicamente os judeos, mostrando pelas Escripturas [24] que Jesus era o Christo.

[1] Rom. 16.3. I Cor. 16.19. II Tim. 4.19.

[2] cap. 20.34. I Cor. 4.12. I The. 2.9. II The. 3.8.

[3] cap. 17.2.

[4] cap. 17.14, 15.

[5] Job 32.18. cap. 17.3. ver. 28.

[6] cap. 13.45. I Ped. 4.4.

[7] Neh. 5.13. Mat. 10.14. cap. 13.51.

[8] Lev. 20.9, 11, 12. II Sam. 1.16. Eze. 18.13 e 33.4.

[9] Eze. 3.18, 19 e 33.9. cap. 20.26 e 13.46 e 28.28.

[10] I Cor. 1.14.

[11] cap. 23.11.

[12] Jer. 1.18, 19. Mat. 28.20.

[13] cap. 23.29 e 25.11, 19.

[14] I Cor. 1.1.

[15] Num. 6.18. cap. 21.24.

[16] Rom. 16.1.

[17] I Cor. 4.19. Heb. 6.3. Thi. 4.15.

[18] Gal. 1.2 e 4.14.

[19] cap. 14.22 e 15.32, 41.

[20] I Cor. 1.12 e 3.5, 6 e 4.6. Tito 3.13.

[21] Rom. 12.11.

[22] cap. 19.3.

[23] I Cor. 3.6.

[24] cap. 9.22 e 17.3. ver. 5.

Terceira viagem missionaria de Paulo. Prega o evangelho em Epheso. Tumulto excitado por Demetrio.

[Anno Domini 56]

19 E succedeu que, emquanto Apollo estava [1] em Corintho, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Epheso; e, achando ali alguns discipulos,

2 Disse-lhes: Recebestes vós já o Espirito Sancto quando crêstes? E elles disseram-lhe: [2] Antes nem ainda ouvimos que haja Espirito Sancto.

3 Disse-lhes então: Em que sois baptizados então? E elles disseram: [3] No baptismo de João.

4 Porém Paulo disse: [4] Certamente João baptizou com o baptismo do arrependimento, dizendo ao povo que crêsse no que após elle havia de vir, isto é, em Jesus Christo.

5 E os que ouviram foram baptizados [5] em nome do Senhor Jesus.

6 E, impondo-lhes Paulo [6] as mãos, veiu sobre elles o Espirito Sancto; [7] e fallavam diversas linguas, e prophetizavam.

7 E estes eram, ao todo, quasi doze varões.

8 E, [8] entrando na synagoga, fallou ousadamente por espaço de tres mezes, disputando e persuadindo [9] ácerca do reino de Deus.

9 Mas, endurecendo-se [10] alguns, e não obedecendo, [11] e fallando mal do caminho do Senhor perante a multidão, retirou-se d’elles, e separou os discipulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tyranno.

10 E durou [12] isto por espaço de dois annos; de tal maneira que todos os que habitavam na Asia, ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeos como gregos.

11 E Deus [13] pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinarias.

12 De tal [14] maneira que até os lenços e aventaes do seu corpo se levavam aos enfermos, e as enfermidades fugiam d’elles, e os espiritos malignos sahiam.

13 E [15] alguns dos exorcistas [16] judeos vagabundos tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espiritos malignos, dizendo: Esconjuramos-vos por Jesus a quem Paulo préga.

14 E os que faziam isto eram sete filhos de Sceva, judeo, principal dos sacerdotes.

15 Respondendo, porém, o espirito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; porém vós quem sois?

16 E, saltando n’elles o homem em que estava o espirito maligno, e assenhoreando-se d’elles, poude mais do que elles; de tal maneira que, nús e feridos, fugiram d’aquella casa.

17 E foi isto notorio a todos os que habitavam em Epheso, [17] tanto judeos como gregos; e caiu temor sobre todos elles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido.

18 E muitos dos que criam vinham, confessando [18] e publicando os seus feitos.

19 Tambem muitos dos que seguiam artes curiosas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos, e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cincoenta mil peças de prata.

[Anno Domini 59]

20 Assim [19] a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.

21 E, [20] cumpridas estas coisas, Paulo [21] propoz-se, em espirito, ir a Jerusalem, passando pela Macedonia e pela Achaia, dizendo: Depois que houver estado ali, [22] importa-me vêr tambem Roma.

22 E, enviando á Macedonia dois d’aquelles que o [23] serviam, Timotheo [24] e Erasto, ficou elle por algum tempo na Asia.

23 Porém, [25] n’aquelle mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço ácerca do caminho do Senhor.

24 Porque um certo ourives da prata, por nome Demetrio, que fazia de prata nichos de Diana, [26] dava não pouco lucro aos artifices,

25 Aos quaes, havendo-os ajuntado com os officiaes de obras similhantes, disse: Varões, vós bem sabeis que d’este officio temos a nossa prosperidade:

26 E bem vêdes e ouvis que não só em Epheso, mas até quasi em toda a Asia, este Paulo tem persuadido e afastado uma grande multidão, [27] dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos.

27 E não sómente ha o perigo de que isto venha a servir-nos de desprezo, mas tambem de que o proprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, e de que a sua magestade, a qual toda a Asia e o mundo inteiro veneram, venha a ser destruida.

28 E, ouvindo-o, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos ephesios.

29 E encheu-se de confusão toda a cidade; e unanimes arremetteram ao theatro, arrebatando comsigo [28] a Gaio e [29] a Aristarcho, macedonios, companheiros de Paulo na viagem.

30 E, querendo Paulo apresentar-se ao povo, não lh’o permittiram os discipulos.

31 E tambem alguns dos principaes da Asia, que eram seus amigos, lhe enviaram, rogando que não se apresentasse no theatro.

32 Uns pois clamavam de uma maneira, outros d’outra, porque o ajuntamento era confuso; e os mais d’elles não sabiam por que causa se tinham ajuntado.

[Anno Domini 60]

33 Então tiraram Alexandre d’entre a multidão, impellindo-o os judeos para diante; e Alexandre, [30] acenando com a mão, queria dar razão d’isto ao povo.

34 Porém, conhecendo que era judeo, todos unanimemente levantaram a voz, clamando por espaço de quasi duas horas: Grande é a Diana dos ephesios.

35 Então o escrivão da cidade, tendo apaziguado a multidão, disse: Varões ephesios, qual é o homem que não sabe que a cidade dos ephesios é a guardadora do templo da grande deusa Diana, e da imagem que desceu de Jupiter?

36 De sorte que, não podendo isto ser contradito, convém que vos applaqueis, e nada façaes temerariamente;

37 Porque estes homens que aqui trouxestes nem são sacrilegos nem blasphemam da vossa deusa:

38 Porém, se Demetrio e os artifices que estão com elle teem alguma coisa contra alguem, dão-se audiencias e ha proconsules: que se accusem uns aos outros;

39 E, se alguma outra coisa demandaes, averiguar-se-ha em legitimo ajuntamento.

40 Porque corremos perigo de que, por hoje, sejamos accusados de sedição, não havendo causa alguma com que possamos justificar este concurso.

41 E, tendo dito isto, despediu o ajuntamento.

[1] I Cor. 1.12 e 3.5, 6.

[2] cap. 8.16. I Sam. 3.7.

[3] cap. 18.25.

[4] Mat. 3.11. João 1.15, 27, 30. cap. 1.5 e 11.16 e 13.24, 25.

[5] cap. 8.16.

[6] cap. 6.6 e 8.17.

[7] cap. 2.4 e 10.46.

[8] cap. 17.2 e 18.4.

[9] cap. 1.3 e 28.23.

[10] II Tim. 1.15. II Ped. 2.2. Jud. 10.

[11] cap. 9.2 e 22.4 e 24.14. ver. 23.

[12] cap. 20.31.

[13] Mar. 16.20. cap. 14.3.

[14] cap. 5.15. II Reis 4.29.

[15] Mat. 12.27.

[16] Mar. 9.38. Luc. 9.49.

[17] Luc. 1.65 e 7.16. cap. 2.43 e 5.5, 11.

[18] Mat. 3.6.

[19] cap. 6.7 e 12.24.

[20] Rom. 15.25. Gal. 2.1.

[21] cap. 20.22.

[22] cap. 18.21 e 23.11. Rom. 15.24, 28.

[23] cap. 13.5.

[24] Rom. 16.23. II Tim. 4.20.

[25] II Cor. 1.8. cap. 9.2.

[26] cap. 16.16, 19.

[27] Psa. 115.4. Isa. 44.10-20. Jer. 10.3.

[28] Rom. 16.23. I Cor. 1.14.

[29] cap. 20.4 e 27.2. Col. 4.10. Phi. 24.

[30] I Tim. 1.20. II Tim. 4.14. cap. 12.17.

Paulo visita outra vez a Macedonia e a Grecia, e depois volta para a Asia.

20 E, depois que cessou o alvoroço, Paulo chamou para si os discipulos, e, abraçando-os, [1] saiu para a Macedonia.

2 E, havendo andado por aquellas partes, e exhortando-os com muitas palavras, veiu á Grecia.

3 E, passando ali tres mezes, e sendo-lhe pelos judeos postas ciladas, havendo [2] de navegar para a Syria, determinou voltar pela Macedonia.

4 E acompanhou-o, até á Asia, Sopater, de Berea, e, dos de Thessalonica, Aristarcho, [3] e Segundo, e Gaio de Derbe, e Timotheo, e, dos da Asia, Tychico e Trophimo.

5 Estes, indo adiante, nos esperaram em Troas.

6 E, depois dos dias dos pães [4] asmos, navegámos de Philippos, e em cinco dias fomos ter com elles a Troas, onde estivemos sete dias.

7 E no primeiro dia [5] da semana, ajuntando-se os discipulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, discursava com elles; e alargou a pratica até á meia noite.

8 E havia muitas luzes no [6] cenaculo onde estavam juntos.

9 E, estando um certo mancebo, por nome Eutycho, assentado n’uma janella, caiu, tomado de um somno profundo que lhe sobreveiu durante o extenso discurso de Paulo, desde o terceiro andar; e foi levantado morto.

10 Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre elle, [7] e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma n’elle está.

11 E subindo, e partindo o pão, e comendo, e fallando-lhes largamente até á alvorada, assim partiu.

12 E levaram vivo o mancebo, e ficaram não pouco consolados.

13 Nós, porém, subindo ao navio, navegámos até Asson, onde deviamos receber a Paulo, porque assim o ordenara, indo elle por terra.

14 E, logo que se ajuntou comnosco em Asson, tomámol-o, e fomos a Mitylene:

15 E, navegando d’ali, chegámos no dia seguinte defronte de Chio, e no outro aportámos a Samos, e, ficando em Trogyllio, chegámos no dia seguinte a Mileto.

16 Porque já Paulo tinha determinado passar adiante de Epheso, para não gastar tempo na Asia. [8] Apressava-se pois para, se lhe fosse possivel, estar em Jerusalem no dia de pentecostes.

Discurso de Paulo aos anciãos da egreja de Epheso.

17 E de Mileto mandou a Epheso, a chamar os anciãos da egreja.

18 E, logo que chegaram junto d’elle, disse-lhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Asia, [9] o modo como em todo esse tempo me portei no meio de vós,

19 Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lagrimas e tentações, [10] que pelas ciladas dos judeos me teem sobrevindo.

20 Como nada, [11] que util vos fosse, deixei de vos annunciar, e ensinar publicamente e pelas casas:

21 Testificando, [12] tanto aos judeos como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Christo.

22 E agora, eis que, ligado eu pelo espirito, [13] vou para Jerusalem, não sabendo o que lá me ha de acontecer.

23 Senão que o Espirito Sancto de cidade em cidade [14] me testifica, dizendo que me esperam prisões e tribulações.

24 Mas de nenhuma coisa faço caso, e [15] nem a minha vida tenho por preciosa, comtanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministerio que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.

25 E agora, eis-que [16] bem sei que todos vós, por quem passei prégando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto.

26 Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo [17] do sangue de todos.

27 Porque [18] nunca deixei de annunciar-vos todo o conselho de Deus.

28 Olhae pois por vós, [19] e por todo o rebanho sobre que o Espirito Sancto vos constituiu bispos, para apascentardes a egreja de Deus, a qual alcançou com seu proprio sangue.

29 Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão entre vós lobos [20] crueis, que não perdoarão ao rebanho.

30 E que d’entre vós mesmos se levantarão homens [21] que fallarão coisas perversas, para attrahirem os discipulos após si.

31 Portanto, vigiae, lembrando-vos de [22] que, durante tres annos, não cessei, de noite e de dia, de admoestar com lagrimas a cada um de vós.

32 Agora pois, irmãos, encommendo-vos a Deus [23] e á palavra da sua graça; o qual é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os sanctificados.

33 De ninguem cubicei [24] a prata, nem o oiro, nem o vestido.

34 Vós mesmos sabeis que para o que me era necessario a mim, e aos que estão comigo, [25] estas mãos me serviram.

35 Tenho-vos mostrado em [26] tudo que, trabalhando assim, é necessario supportar os enfermos, e lembrar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bemaventurada coisa é dar do que receber.

36 E, havendo dito isto, pondo-se de joelhos, [27] orou com todos elles.

37 E levantou-se um grande pranto entre todos, [28] e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam,

38 Entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. [29] E acompanharam-n’o até ao navio.

[1] I Cor. 16.5. I Tim. 1.3.

[2] cap. 9.23 e 23.12 e 25.3. II Cor. 11.26.

[3] cap. 19.29 e 27.2 e 16.1 e 21.29. Col. 4.10. Eph. 6.21. Col. 4.7. II Tim. 4.12, 20. Tito 3.12.

[4] Exo. 12.14, 15. II Cor. 2.12. II Tim. 4.13.

[5] I Cor. 16.2 e 10.16 e 11.20, etc. Apo. 1.10. cap. 2.42, 46.

[6] cap. 1.13.

[7] I Reis 17.21. II Reis 4.34. Mat. 9.24.

[8] cap. 18.21 e 19.21 e 21.4, 12 e 24.17 e 2.1. I Cor. 16.8.

[9] cap. 18.19 e 19.1, 10.

[10] ver. 3.

[11] ver. 27.

[12] cap. 18.5 e 2.38. Mar. 1.15. Luc. 24.47.

[13] cap. 19.21.

[14] cap. 21.4, 11. I The. 3.3.

[15] cap. 21.13. Rom. 8.35. II Cor. 4.16. II Tim. 4.7. Gal. 1.1. Tito 1.3.

[16] ver. 38. Rom. 15.23. I Sam. 12.3.

[17] cap. 18.6. II Cor. 7.2.

[18] ver. 20. Luc. 7.30. João 15.15.

[19] I Tim. 4.16. I Ped. 5.2 e 1.19. I Cor. 12.28. Eph. 1.7, 14. Heb. 9.12. Apo. 5.9.

[20] Mat. 7.15. II Ped. 2.1.

[21] I Tim. 1.20. I João 2.19.

[22] cap. 19.10. Heb. 13.9.

[23] Eph. 1.18. Col. 1.12. Heb. 9.15. I Ped. 1.4.

[24] I Sam. 12.3. I Cor. 9.12. II Cor. 7.2.

[25] cap. 18.3. I Cor. 4.12. I The. 2.9.

[26] Rom. 15.1. I Cor. 9.12. II Cor. 11.9, 12. I The. 4.9, 11, 12. I The. 4.11. II The. 3.8.

[27] cap. 7.59 e 21.5.

[28] Gen. 45.14 e 46.29.

[29] ver. 25.

Paulo chega a Jerusalem, e é preso no templo.

21 E aconteceu que, separando-nos d’elles, navegámos e fomos correndo caminho direito, e chegámos a Coos, e no dia seguinte a Rhodes, de onde passámos a Patara.

2 E, achando um navio, que passava á Phenicia, embarcámos n’elle, e partimos.

3 E, indo já á vista de Chypre, deixando-a á esquerda, navegámos para a Syria, e chegámos a Tyro; porque o navio havia de ser descarregado ali.

4 E, achando discipulos, ficámos nós ali sete dias: os quaes pelo Espirito diziam a [1] Paulo que não subisse a Jerusalem.

5 E, havendo passado ali aquelles dias, saimos, e seguimos nosso caminho, acompanhando-nos todos, com suas mulheres e filhos, até fóra da cidade; e, postos de joelhos [2] na praia, orámos.

6 E, saudando-nos uns aos outros, subimos ao navio; [3] e elles voltaram para suas casas.

7 E nós, concluida a navegação de Tyro, viemos a Ptolemaida; e, havendo saudado os irmãos, ficámos com elles um dia.

8 E no dia seguinte, partindo d’ali Paulo, e nós que com elle estavamos, chegámos a Cesarea: e, entrando em casa de Philippe, [4] o evangelista, que era um dos sete, ficámos com elle.

9 E tinha este quatro filhas donzellas, [5] que prophetizavam.

10 E, demorando-nos ali por muitos dias, desceu da Judea um propheta, por nome [6] Agabo;

11 E, vindo elle a nós, e tomando a cinta de Paulo, e ligando-se os pés e mãos, disse: Isto diz o Espirito Sancto: Assim ligarão os [7] judeos em Jerusalem o varão cuja é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios.

12 E, ouvindo nós isto, rogámos-lhe, tanto nós como os que eram d’aquelle logar, que não subisse a Jerusalem.

13 Porém Paulo respondeu: [8] Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? porque eu estou prompto, não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalem pelo nome do Senhor Jesus.

14 E, como não podiamos persuadil-o, nos aquietámos, dizendo: [9] Faça-se a vontade do Senhor.

15 E depois d’aquelles dias, havendo feito os nossos preparativos, subimos a Jerusalem.

16 E foram tambem comnosco alguns discipulos de Cesarea, levando comsigo um certo Mnason, chyprio, discipulo antigo, com o qual haviamos de pousar.

17 E, logo que chegámos [10] a Jerusalem, os irmãos nos receberam de muito boa vontade.

18 E no dia seguinte, Paulo entrou comnosco em casa de Thiago, [11] e todos os anciãos vieram ali.

19 E, havendo-os saudado, [12] contou-lhes por miudo o que por seu ministerio Deus fizera entre os gentios.

20 E, ouvindo-o elles, glorificaram ao Senhor, e disseram-lhe: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeos ha que crêem, [13] e todos são zeladores da lei.

21 E já ácerca de ti foram informados que ensinas todos os judeos que estão entre os gentios a apartarem-se de Moysés, dizendo que não devem circumcidar a seus filhos, nem andar segundo o costume da lei.

22 Que faremos pois? em todo o caso é necessario que a multidão se ajunte; porque ouvirão que já és vindo.

23 Faze pois isto que te dizemos: Temos quatro varões que fizeram voto.

24 Toma comtigo a estes, e sanctifica-te com elles, e faze por elles os gastos para que rapem a cabeça, [14] e todos saibam que nada ha d’aquillo de que foram informados ácerca de ti, mas que tambem tu mesmo andas guardando a lei.

25 Porém, quanto aos que crêem dos gentios, já nós havemos [15] escripto, e achado por bem, que nada d’isto observem; mas que só se guardem do que se sacrifica aos idolos, e do sangue, e do suffocado e da fornicação.

26 Então Paulo, tomando comsigo aquelles varões, sanctificado com elles, entrou no dia seguinte [16] no templo, annunciando serem já cumpridos os dias da sanctificação, ficando ali até se offerecer por cada um d’elles a offerta.

27 E, indo-se já acabando os sete dias, os judeos [17] da Asia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão d’elle,

28 Clamando: Varões israelitas, acudi: este é o homem [18] que por todas as partes ensina a todos, contra o povo e contra a lei, e contra este logar; e, demais d’isto, introduziu tambem no templo os gregos, e profanou este sancto logar.

29 Porque d’antes tinham visto com elle na cidade a [19] Trophimo d’Epheso, ao qual pensavam que Paulo introduzira no templo.

30 E alvoroçou-se toda a cidade, [20] e fez-se um concurso de povo; e, pegando de Paulo, o arrastaram para fóra do templo, e logo as portas se fecharam.

31 E, procurando elles matal-o, chegou ao tribuno da cohorte a nova de que Jerusalem estava toda em confusão.

32 O qual, tomando logo comsigo soldados [21] e centuriões, correu para elles. E, vendo elles o tribuno e os soldados, cessaram de ferir a Paulo.

33 Então, chegando o tribuno, o prendeu e o mandou atar com duas cadeias. [22] e lhe perguntou quem era e o que tinha feito.

34 E na multidão uns clamavam d’uma maneira outros d’outra; porém, como nada podia saber ao certo, por causa do alvoroço, mandou conduzil-o para a fortaleza.

35 E succedeu que, chegando ás escadas, os soldados tiveram de lhe pegar por causa da violencia da multidão.

36 Porque a multidão do povo o seguia, clamando: [23] Mata-o.

37 E, quando iam a introduzir Paulo na fortaleza, disse Paulo ao tribuno: É-me permittido dizer-te alguma coisa? E elle disse: Sabes o grego?

38 Não és tu porventura aquelle egypcio [24] que antes d’estes dias levantou uma sedição e levou ao deserto quatro mil salteadores?

39 Porém Paulo lhe disse: Na verdade que sou um homem judeo, [25] cidadão de Tarso, cidade não pouco celebre na Cilicia: rogo-te, porém, que me permittas fallar ao povo.

40 E, havendo-lh’o permittido, Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez signal com a mão [26] ao povo; e, feito grande silencio, fallou-lhes em lingua hebraica, dizendo:

[1] ver. 12. cap. 20.23.

[2] cap. 20.36.

[3] João 1.11.

[4] Eph. 4.11. II Tim. 4.5. cap. 6.5 e 8.26, 40.

[5] Joel 2.28. cap. 2.17.

[6] cap. 11.28.

[7] ver. 33. cap. 20.23.

[8] cap. 20.24.

[9] Mat. 6.10 e 26.42. Luc. 11.2 e 22.42.

[10] cap. 15.4.

[11] cap. 15.13. Gal. 1.19 e 2.9.

[12] cap. 15.4, 12 e 1.17 e 20.24. Rom. 15.18, 19.

[13] cap. 22.3. Rom. 10.2. Gal. 1.14.

[14] Num. 6.2, 13, 18. cap. 18.18.

[15] cap. 15.20, 29.

[16] cap. 24.18. Num. 6.13.

[17] cap. 24.18 e 26.21.

[18] cap. 24.5, 6.

[19] cap. 20.4.

[20] cap. 26.21.

[21] cap. 23.27 e 24.7.

[22] ver. 11. cap. 20.23.

[23] Luc. 23.18. João 19.15. cap. 22.22.

[24] cap. 5.36.

[25] cap. 9.11 e 22.3.

[26] cap. 12.17.

Discurso de Paulo em sua defeza.

22 Varões irmãos e paes, [1] ouvi agora a minha defeza perante vós.

2 (E, quando ouviram fallar-lhes em lingua hebraica, maior silencio guardaram.) E disse:

3 Quanto a mim, sou varão [2] judeo, nascido em Tarso de Cilicia, e n’esta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruido conforme a verdade da lei de nossos paes, zelador de Deus, como todos vós hoje sois.

4 Que tenho perseguido este caminho até á morte, [3] prendendo, e mettendo em prisões, assim varões como mulheres.

5 Como tambem o summo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos [4] anciãos: dos quaes ainda, levando cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalem aquelles que ali estivessem, para que fossem castigados.

6 Porém aconteceu [5] que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quasi ao meio dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu.

7 E cahi por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues?

8 E eu respondi: Quem és, Senhor? E disse-me: Eu sou Jesus nazareno, a quem tu persegues.

9 E os que estavam [6] comigo viram em verdade a luz, e se atemorisaram muito; mas não ouviram a voz d’aquelle que fallava comigo.

10 Então disse eu: Senhor, que farei? E o Senhor disse-me: Levanta-te, e vae a Damasco, e ali se te dirá tudo o que te é ordenado fazer.

11 E, como eu não via, por causa do esplendor d’aquella luz, fui levado pela mão dos que estavam comigo, e cheguei a Damasco.

12 E um certo Ananias, [7] varão pio conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeos que ali moravam,

13 Vindo ter comigo, e apresentando-se, disse-me: Saulo, irmão, recobra a vista. E n’aquella mesma hora o vi.

14 E elle disse: [8] O Deus de nossos paes d’antemão te ordenou para que conheças a sua vontade, e vejas aquelle Justo, e ouças a voz da sua bocca.

15 Porque lhe has de ser [9] testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido.

16 E agora [10] porque te detens? Levanta-te, e baptiza-te, e lava os teus peccados, invocando o nome do Senhor.

17 E aconteceu-me, [11] tornando eu para Jerusalem, que, orando eu no templo, fui arrebatado para fóra de mim.

18 E vi o que me dizia: [12] Dá-te pressa, e sae apressadamente de Jerusalem; porque não receberão o teu testemunho ácerca de mim.

19 E eu disse: [13] Senhor, elles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas synagogas os que criam em ti.

20 E quando [14] o sangue de Estevão, tua testemunha, se derramava, tambem eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava os vestidos dos que o matavam.

21 E disse-me: [15] Vae, porque hei-de enviar-te aos gentios de longe.

22 E ouviram-n’o até esta palavra, e [16] levantaram a voz, dizendo: Tira da terra um tal homem, porque não convem que viva.

23 E, clamando elles, e lançando de si os vestidos, e deitando pó para o ar,

24 O tribuno mandou que o levassem para a fortaleza, dizendo que o examinassem com açoites, para saber por que causa assim clamavam contra elle.

25 E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: [17] É-vos licito açoitar um homem romano, sem ser condemnado?

26 E, ouvindo isto, o centurião foi, e annunciou ao tribuno, dizendo: Olha o que vaes fazer, porque este homem é romano.

27 E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E elle disse: Sim.

28 E respondeu o tribuno: Eu com grande somma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu sou-o de nascimento.

29 De sorte que logo d’elle se apartaram os que o haviam de examinar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, porque o tinha ligado.

Paulo perante o synhedrio.

30 E no dia seguinte, querendo saber ao certo a causa por que era accusado pelos judeos, soltou-o das prisões, e mandou vir os principaes dos sacerdotes, e todo o seu conselho; e, trazendo Paulo, o apresentou diante d’elles.

[1] cap. 7.2.

[2] cap. 21.39. Phi. 3.5. Deu. 33.3. II Reis 4.38. Gal. 1.14. Rom. 10.2.

[3] cap. 8.3 e 26.9, 10, 11. Phi. 3.6. I Tim. 1.13.

[4] Luc. 22.66. cap. 4.5 e 9.2.

[5] cap. 9.3 e 26.12, 13.

[6] Dan. 10.7. cap. 9.7.

[7] cap. 9.17 e 10.22. I Tim. 3.7.

[8] cap. 3.13 e 5.30 e 9.15 e 26.16 e 3.14 e 7.52. I Cor. 9.1 e 15.8 e 11.23. Gal. 1.12.

[9] cap. 23.11 e 4.20 e 26.16.

[10] cap. 2.38 e 9.14. Heb. 10.22. Rom. 10.13.

[11] cap. 9.26. II Cor. 12.2.

[12] ver. 14. Mat. 10.14.

[13] ver. 4. cap. 8.3. Mat. 10.17.

[14] cap. 7.58 e 8.1. Luc. 11.48. Rom. 1.32.

[15] cap. 9.15 e 13.2, 46, 47 e 18.6 e 26.17. Rom. 1.5 e 11.13 e 15.16. Gal. 1.15, 16 e 2.7, 8. Eph. 3.7, 8. I Tim. 2.7. II Tim. 1.11.

[16] cap. 21.36 e 25.24.

[17] cap. 16.37.

23 E, pondo Paulo os olhos no conselho, disse: [1] Varões irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciencia.

2 Porém o summo sacerdote, Ananias, mandou então aos que estavam junto [2] d’elle que o ferissem na bocca.

3 Então Paulo lhe disse: [3] Deus te ferirá, parede branqueada: tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir?

4 E os que ali estavam disseram: Injurias o summo sacerdote de Deus?

5 E Paulo disse: [4] Não sabia, irmãos, que era o summo sacerdote; porque está escripto: Não dirás mal do principe do teu povo.

6 E Paulo, sabendo que uma parte era de sadduceos e outra de phariseos, clamou no conselho: [5] Varões irmãos, eu sou phariseo, filho de phariseo, no tocante á esperança e resurreição dos mortos sou julgado.

7 E, havendo dito isto, houve dissensão entre os phariseos e sadduceos; e a multidão se dividiu.

8 [6] Porque os sadduceos dizem que não ha resurreição, nem anjo, nem espirito; mas os phariseos confessam ambas as coisas.

9 E originou-se um grande clamor; e, levantando-se os escribas da parte dos phariseos, contendiam, [7] dizendo: Nenhum mal achamos n’este homem, e, se algum espirito ou [8] anjo lhe fallou, não resistamos a Deus.

10 E, havendo grande dissensão, o tribuno, temendo que Paulo fosse despedaçado por elles, mandou descer a soldadesca, e arrebatal-o do meio d’elles, e leval-o para a fortaleza.

11 E na noite [9] seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem animo: porque, como de mim testificaste em Jerusalem, assim te importa testificar tambem em Roma.

Conspiração dos judeos contra Paulo; este é mandado para Cesarea.

12 E, vindo o dia, [10] alguns dos judeos fizeram uma conspiração, e se conjuraram, dizendo que não comeriam nem beberiam, emquanto não matassem a Paulo.

13 E eram mais de quarenta os que fizeram esta conjuração.

14 Os quaes foram aos principaes dos sacerdotes e aos anciãos, e disseram: [AIF] Conjurámo-nos, sob pena de maldição, que nada provaremos, até que matemos a Paulo.

15 Agora, pois, vós, com o conselho, fazei saber ao tribuno que vol-o traga ámanhã, como que querendo saber mais alguma coisa de seus negocios, e, antes que chegue, estaremos promptos para o matar.

16 E o filho da irmã de Paulo, ouvindo estas ciladas, foi, e entrou na fortaleza, e o annunciou a Paulo.

17 E Paulo, chamando a si um dos centuriões, disse: Leva este mancebo ao tribuno, porque tem alguma coisa que lhe communicar.

18 Tomando-o elle, pois, o levou ao tribuno, e disse: O preso Paulo, chamando-me a si, me rogou que te trouxesse este mancebo, que tem alguma coisa que dizer-te.

19 E o tribuno, tomando-o pela mão, e pondo-se á parte perguntou-lhe em particular: Que tens que me denunciar?

20 E disse elle: [11] Os judeos se concertaram rogar-te que ámanhã leves Paulo ao conselho, como que tendo a inquirir d’elle mais alguma coisa ao certo:

21 Porém tu não os creias; porque mais de quarenta homens d’entre elles lhe andam armando ciladas: os quaes se obrigaram, sob pena de maldição, a não comerem nem beberem, até que o tenham morto: e já estão apercebidos, esperando a tua promessa.

22 Então o tribuno despediu o mancebo, mandando-lhe que a ninguem dissesse que lhe havia manifestado aquillo.

23 E, chamando a si dois centuriões, lhes disse: Apromptae para as tres horas da noite duzentos soldados, e setenta de cavallo, e duzentos archeiros para irem até Cesarea;

24 E apparelhae cavalgaduras, para que, pondo n’ellas a Paulo, o levem a salvo ao presidente Felix.

25 Escreveu uma carta, que continha isto:

26 Claudio Lysias, a Felix, potentissimo [AIG] presidente, saude.

27 Esse homem [12] foi preso pelos judeos; e, estando já a ponto de ser morto por elles, sobrevim eu com a soldadesca, e lh’o tomei, informado de que era romano.

28 E, querendo saber [13] a causa por que o accusavam, o levei ao seu conselho.

29 E achei que o accusavam de algumas questões [14] da sua lei: mas que nenhum crime havia n’elle digno de morte ou de prisão.

30 E, sendo-me [15] notificado que os judeos haviam de armar ciladas a esse homem, logo t’o enviei, mandando tambem aos accusadores que perante ti digam o que tiverem contra elle. Passa bem.

31 Tomando pois os soldados a Paulo, como lhe fôra mandado, o trouxeram de noite a Antipatris.

32 E no dia seguinte, deixando aos de cavallo irem com elle, tornaram á fortaleza.

33 Os quaes, logo que chegaram a Cesarea, e entregaram a carta ao presidente, lhe apresentaram Paulo.

34 E o presidente, lida a carta, perguntou de que provincia era; e, entendendo [16] que da Cilicia,

35 Ouvir-te-hei, disse, [17] quando tambem aqui vierem os teus accusadores. E mandou que o guardassem [18] no pretorio de Herodes.

[1] cap. 24.16. I Cor. 4.4. II Cor. 1.12 e 4.2. II Tim. 1.3. Heb. 13.18.

[2] I Reis 22.24. Jer. 20.2. João 18.22.

[3] Lev. 19.35. Deu. 25.1, 2. João 7.51.

[4] cap. 24.17. Exo. 22.28. Ecc. 10.20. II Ped. 2.10. Jud. 8.

[5] cap. 26.5 e 24.15, 21 e 26.6 e 28.20. Phi. 3.5.

[6] Mat. 22.23. Mar. 12.18. Luc. 20.27.

[7] cap. 25.25 e 26.31 e 22.7, 17, 18.

[8] cap. 5.39.

[9] cap. 18.9 e 27.23, 24.

[10] ver. 21, 30. cap. 25.3.

[11] ver. 12.

[12] cap. 21.33 e 24.7.

[13] cap. 22.30.

[14] cap. 18.15 e 25.19 e 26.31.

[15] ver. 20. cap. 24.8 e 25.6.

[16] cap. 21.39.

[17] cap. 24.1, 10 e 25.16.

[18] Mat. 27.27.

Paulo perante o tribunal do governador Felix.

24 E cinco dias depois o summo sacerdote [1] Ananias desceu com os anciãos, e um certo Tertullo, orador, os quaes compareceram perante o presidente contra Paulo.

2 E, sendo citado, Tertullo começou a accusal-o, dizendo:

3 Que por ti tenhamos tanta paz e que, por tua prudencia, a este povo se façam muitos e louvaveis serviços, sempre e em todo o logar, ó potentissimo Felix, com todo o agradecimento o reconhecemos.

4 Porém, para que te não detenha muito, rogo-te que brevemente, conforme a tua equidade, nos ouças:

5 Porque temos [2] achado que este homem é uma peste, e levantador de sedições entre todos os judeos, por todo o mundo; e o principal defensor da seita dos nazarenos;

6 O qual [3] intentou tambem profanar o templo: ao qual tambem prendemos, e conforme a nossa lei o [4] quizemos julgar.

7 Porém, sobrevindo [5] o tribuno Lysias, nol-o tirou d’entre as mãos com grande violencia:

8 Mandando aos seus [6] accusadores que viessem a ti: do qual tu mesmo, examinando-o, poderás entender tudo o de que o accusamos.

9 E tambem os judeos consentiram, dizendo serem estas coisas assim.

10 Porém Paulo, fazendo-lhe o presidente signal que fallasse, respondeu: Porque sei que já vae para muitos annos que d’esta nação és juiz, com tanto melhor animo respondo por mim.

11 Pois bem podes entender que não ha mais de doze dias que subi [7] a Jerusalem a adorar;

12 E não me acharam no templo fallando com alguem, [8] nem amotinando o povo nas synagogas, nem na cidade.

13 Nem tão pouco podem provar as coisas de que agora me accusam.

14 Porém confesso-te isto: que, conforme aquelle caminho que chamam seita, [9] assim sirvo ao Deus de nossos paes, [10] crendo tudo quanto está escripto na lei e nos prophetas.

15 Tendo esperança em Deus, como estes mesmos tambem, esperam, de que ha de haver resurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos.

16 E por isso procuro sempre ter uma [11] consciencia sem offensa, tanto para com Deus como para com os homens.

17 Porém, muitos annos depois, vim trazer á minha nação esmolas [12] e offertas.

18 N’isto me [13] acharam já sanctificado no templo, não com gente, nem com alvoroços, [14] uns certos judeos da Asia,

19 Os quaes convinha que estivessem presentes perante ti, e me accusassem, se alguma coisa contra mim tivessem.

20 Ou digam estes mesmos, se acharam em mim alguma iniquidade, quando compareci perante o conselho.

21 Senão só estas palavras, que estando entre elles, clamei: [15] Hoje sou julgado por vós ácerca da resurreição dos mortos.

22 Então Felix, havendo ouvido estas coisas, lhes poz dilação, dizendo: Havendo-me informado melhor d’este caminho, quando o tribuno [16] Lysias tiver descido, então tomarei inteiro conhecimento dos vossos negocios.

23 E mandou ao centurião que guardassem a Paulo, e estivesse com alguma liberdade, [17] e que a ninguem dos seus prohibisse servil-o ou vir ter com elle.

24 E alguns dias depois, vindo Felix com sua mulher Drusilla, que era judia, mandou chamar a Paulo, e ouviu-o ácerca da fé em Christo.

25 E, tratando elle da justiça, e da temperança, e do juizo vindouro, Felix, espavorido, respondeu: Por agora vae-te, e em tendo opportunidade te chamarei.

26 Esperando tambem juntamente que Paulo lhe désse [18] dinheiro, para que o soltasse; pelo que tambem muitas vezes o mandava chamar, e fallava com elle.

27 Porém, cumpridos dois annos, Felix teve por successor a Porcio Festo; e, querendo Felix comprazer [19] aos judeos, deixou a Paulo preso.

[1] cap. 21.27 e 23.2, 30, 35 e 25.2.

[2] Luc. 23.2. cap. 6.13 e 16.20 e 17.6 e 21.28. I Ped. 2.12, 15.

[3] cap. 21.28.

[4] João 18.31.

[5] cap. 21.33.

[6] cap. 23.30.

[7] ver. 17. cap. 21.26.

[8] cap. 25.8 e 28.17.

[9] Amós 8.14. cap. 9.2 e 26.22 e 28.23. II Tim. 1.3.

[10] cap. 23.6 e 26.6, 7 e 28.20. Dan. 12.2. João 5.28, 29.

[11] cap. 23.1.

[12] cap. 11.29, 30 e 20.16. Rom. 15.25. II Cor. 8.4. Gal. 2.10.

[13] cap. 21.26, 27 e 26.21.

[14] cap. 23.30 e 25.16.

[15] cap. 23.6 e 28.20.

[16] ver. 7.

[17] cap. 27.3 e 28.16.

[18] Exo. 23.8.

[19] Exo. 23.2. cap. 12.3 e 25.9, 4.

Paulo comparece perante Festo e appella para Cesar.

[Anno Domini 62]

25 Entrando pois Festo na provincia, subiu d’ali a tres dias de Cesarea a Jerusalem.

2 E o summo sacerdote e [1] os principaes dos judeos compareceram perante elle contra Paulo, e lhe rogaram,

3 Pedindo favor contra elle, para que o fizesse vir a Jerusalem, [2] armando-lhe ciladas para o matarem no caminho.

4 Porém Festo respondeu que Paulo estava guardado em Cesarea, e que elle brevemente partiria para lá.

5 Os que pois, disse, d’entre vós podem, desçam juntamente [3] comigo, e, se n’este varão houver algum crime, accusem-n’o.

6 E, não se havendo entre elles detido mais de dez dias, desceu a Cesarea; e no dia seguinte, assentando-se no tribunal, mandou que trouxessem Paulo.

7 E, chegando elle, o rodeiaram os judeos que haviam descido de Jerusalem, [4] trazendo contra Paulo muitas e graves accusações, que não podiam provar.

8 Pelo que, em sua defeza, disse: Eu não pequei em coisa alguma [5] contra a lei dos judeos, nem contra o templo, nem contra Cesar.

9 Porém Festo, [6] querendo comprazer com os judeos, respondendo a Paulo, disse: Queres tu subir a Jerusalem, e ser lá perante mim julgado ácerca d’estas coisas?

10 E Paulo disse: Estou perante o tribunal de Cesar, onde convem que seja julgado; não fiz aggravo algum aos judeos, como tu muito bem sabes;

11 Porque, se fiz [7] algum aggravo, ou commetti alguma coisa digna de morte, não recuso morrer; porém, se nada ha das coisas de que estes me accusam, ninguem me pode entregar a elles; [8] appello para Cesar.

12 Então Festo, tendo fallado com o conselho, respondeu: Appellaste para Cesar? para Cesar irás.

13 E, passados alguns dias, o rei Agrippa e Berenice vieram a Cesarea, a saudar Festo.

14 E, como ali se detiveram muitos dias, Festo contou ao rei os negocios de Paulo, [9] dizendo: Um certo varão foi deixado por Felix aqui preso,

15 Por cujo [10] respeito os principaes dos sacerdotes e os anciãos dos judeos, estando eu em Jerusalem, compareceram perante mim, pedindo sentença contra elle.

16 Aos quaes respondi [11] não ser costume dos romanos entregar algum homem á morte, sem que o accusado tenha presentes os seus accusadores, e tenha logar de defender-se da accusação.

17 De sorte que, chegando elles aqui juntos, no dia seguinte, sem fazer dilação [12] alguma, assentado no tribunal, mandei trazer o homem.

Paulo perante o rei Agrippa.

18 Ácerca do qual, estando presentes os accusadores, nenhuma coisa apontaram d’aquellas que eu suspeitava.

19 Tinham, porém, contra elle algumas questões [13] ácerca da sua superstição, e de um certo Jesus, defunto, que Paulo affirmava viver.

20 E, estando eu perplexo ácerca da inquirição d’esta causa, disse se queria ir a Jerusalem, e lá ser julgado ácerca d’estas coisas.

21 E, appellando Paulo para ser reservado ao conhecimento de Augusto, mandei que o guardassem até que o enviasse a Cesar.

22 Então [14] Agrippa disse a Festo: Bem quizera eu tambem ouvir esse homem. E elle disse: Ámanhã o ouvirás.

23 De sorte que, no dia seguinte, vindo Agrippa e Berenice, com muito apparato, e entrando no auditorio com os tribunos e varões principaes da cidade, trouxeram a Paulo por mandado de Festo.

24 E Festo disse: Rei Agrippa, e todos os varões que estaes presentes comnosco: aqui vêdes aquelle de quem toda [15] a multidão dos judeos me tem fallado, tanto em Jerusalem como aqui, clamando que não convém que viva mais.

25 Porém, achando eu que nenhuma coisa [16] digna de morte fizera, e appellando elle mesmo tambem para Augusto, tenho determinado enviar-lh’o.

26 Do qual não tenho coisa alguma certa que escreva ao meu senhor, pelo que perante vós o trouxe, e mórmente perante ti, ó rei Agrippa, para que, feita informação, tenha alguma coisa que escrever.

27 Porque me parece contra a razão enviar um preso, e não notificar contra elle as accusações.

[1] cap. 24.1. ver. 15.

[2] cap. 23.12, 15.

[3] cap. 18.14. ver. 18.

[4] Mar. 15.3. Luc. 23.2, 10. cap. 24.5, 13.

[5] cap. 6.13 e 24.12 e 28.17.

[6] cap. 24.27. ver. 20.

[7] ver. 25. cap. 18.14 e 23.29 e 26.31.

[8] cap. 26.32 e 28.19.

[9] cap. 24.27.

[10] ver. 2, 3.

[11] ver. 4, 5.

[12] ver. 6.

[13] cap. 18.15 e 23.29.

[14] cap. 9.15.

[15] ver. 2, 3, 7. cap. 22.22.

[16] cap. 23.9, 29 e 26.31. ver. 11, 12.

26 Depois Agrippa disse a Paulo: Permitte-se-te fallar por ti mesmo. Então Paulo, estendendo a mão em sua defeza, respondeu:

2 Tenho-me por venturoso, ó rei Agrippa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou accusado pelos judeos;

3 Mórmente sabendo eu que tens noticia de todos os costumes e questões que ha entre os judeos; pelo que te rogo que me ouças com paciencia.

4 A minha vida, pois, desde a mocidade, qual haja sido, desde o principio, em Jerusalem, entre os da minha nação, todos os judeos sabem:

5 Tendo conhecimento de mim desde o principio (se o quizerem testificar), como, conforme a mais [1] severa seita da nossa religião, vivi phariseo.

6 E agora pela esperança [2] da promessa que por Deus foi feita a nossos paes estou aqui e sou julgado.

7 Á qual as nossas doze tribus esperam [3] chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agrippa, eu sou accusado pelos judeos.

8 Pois que? julga-se coisa incrivel entre vós que Deus resuscite os mortos?

9 Bem [4] tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus nazareno devia eu praticar muitos actos:

10 O que tambem fiz em Jerusalem. [5] E, havendo recebido poder dos principaes dos sacerdotes, encerrei muitos dos sanctos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto.

11 E, castigando-os muitas vezes por todas as synagogas, [6] os forcei a blasphemar. E, enfurecido demasiadamente contra elles, até nas cidades estranhas os persegui.

12 Ao que indo então a Damasco, [7] com poder e commissão dos principaes dos sacerdotes,

13 Ao meio dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, a qual me rodeiou a mim e aos que iam comigo, com sua claridade.

14 E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me fallava, e em lingua hebraica dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.

15 E disse eu: Quem és, Senhor? E elle respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues;

16 Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te appareci para isto; para te pôr por ministro [8] e testemunha tanto das coisas que tens visto como d’aquellas pelas quaes te apparecerei:

17 Livrando-te d’este povo, [9] e dos gentios, a quem agora te envio,

18 Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres á luz, [10] e do poder de Satanaz a Deus; para que recebam a remissão dos peccados, e sorte entre os sanctificados pela fé em mim.

19 Pelo que, ó rei Agrippa, não fui desobediente á visão celestial.

20 Antes annunciei [11] primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalem, e por toda a terra da Judea, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras [12] dignas de arrependimento.

21 Por causa d’isto os judeos lançaram [13] mão de mim no templo, e procuraram matar-me.

22 Porém, alcançando [14] soccorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço, testificando tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os prophetas e Moysés disseram que devia acontecer,

23 Isto é, que o Christo [15] devia padecer, e, sendo o primeiro da resurreição dos mortos, devia annunciar a luz a este povo e aos gentios.

24 E, dizendo elle isto em sua defeza, disse Festo em alta voz: [16] Deliras, Paulo: as muitas lettras te fazem delirar.

25 Porém elle disse: Não deliro ó potentissimo Festo; antes fallo palavras de verdade e de um são juizo.

26 Porque o rei, diante de quem fallo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada d’isto se lhe occulte; porque isto não se fez em qualquer canto.

27 Crês tu nos prophetas, ó rei Agrippa? Bem sei que crês.

28 E disse Agrippa a Paulo: Por pouco não me persuades a que me faça christão.

29 E disse Paulo: [17] Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não sómente tu, mas tambem todos quantos hoje me estão ouvindo, se tornassem taes qual eu sou, excepto estas cadeias.

30 E, dizendo elle isto, se levantou o rei, e o presidente, e Berenice, e os que com elles estavam assentados.

31 E, apartando-se a uma banda, fallavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada fez digno [18] de morte ou de prisões.

32 E Agrippa disse a Festo: Bem podia soltar-se [19] este homem, se não houvera appellado para Cesar.

[1] cap. 22.3 e 23.6 e 24.15, 21. Phi. 3.5.

[2] cap. 23.6. Gen. 3.15 e 49.10. Deu. 18.15. Isa. 4.2 e 7.14 e 40.10. Eze. 34.23. Dan. 9.24. Tito 2.13.

[3] Thi. 1.1. Luc. 2.37. I Tim. 5.5. Phi. 3.11.

[4] João 16.2. I Tim. 1.13.

[5] cap. 8.3. Gal. 1.13.

[6] cap. 22.19.

[7] cap. 9.3 e 22.6.

[8] cap. 22.15.

[9] cap. 22.21.

[10] Isa. 35.5 e 42.7. Eph. 1.18. Luc. 1.79. II Cor. 6.14. I The. 5.5. I Ped. 2.9, 25. Col. 1.12.

[11] cap. 9.20, 22, 29 e 11.26.

[12] Mat. 3.8.

[13] cap. 21.30, 31.

[14] Luc. 24.27, 44. cap. 24.14 e 28.23. Rom. 3.21. João 5.46.

[15] Luc. 24.26, 46. I Cor. 15.20. Col. 1.18. Apo. 1.5. Luc. 2.32.

[16] II Reis 9.11. João 10.20. I Cor. 1.23 e 2.13, 14 e 4.10.

[17] I Cor. 7.7.

[18] cap. 23.9, 29 e 25.25.

[19] cap. 25.11.

Paulo é mandado para Italia; o naufragio do navio.

27 E, como se determinou [1] que haviamos de navegar para a Italia, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião por nome Julio, da cohorte augusta.

2 E, embarcando nós em um navio adramytino, partimos navegando pelos logares da Asia, estando comnosco [2] Aristarcho, macedonio, de Thessalonica.

3 E chegámos no dia seguinte a Sidon, e Julio, tratando [3] Paulo humanamente, lhe permittiu ir ver os amigos, para que cuidassem d’elle.

4 E, partindo d’ali, fomos navegando abaixo de Chypre, porquanto os ventos eram contrarios.

5 E, tendo atravessado o mar, ao longo da Cilicia e Pamphylia, chegámos a Myrra, na Lycia.

6 E, achando ali o centurião um navio de Alexandria, que navegava para a Italia, nos fez embarcar n’elle.

7 E, indo já por muitos dias navegando vagarosamente, e havendo chegado apenas defronte de Cnido, não nos permittindo o vento ir mais adiante, navegámos abaixo de Creta, junto de Salmone.

8 E, costeando-a difficilmente, chegámos a um certo logar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Lasca.

9 E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, porquanto já tambem o jejum tinha passado, [4] Paulo os admoestava,

10 Dizendo-lhes: Varões, vejo que a navegação ha de ser incommoda, e com muito damno, não só para o navio e carga, mas tambem para as nossas vidas.

11 Porém o centurião cria mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo.

12 E, não sendo aquelle porto commodo para invernar, os mais d’elles foram de parecer que se partisse d’ali para ver se podiam chegar a Phenix, que é um ponto de Creta que olha para a banda do vento [AIH] da Africa e do Coro, e invernar ali.

13 E, soprando o sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam, e, fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta.

14 Porém não muito depois deu n’ella um pé de vento, chamado euro-aquilão.

15 E, sendo o navio arrebatado por elle, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixámos ir á tôa.

16 E, correndo abaixo de uma pequena ilha chamada Clauda, apenas podémos ganhar o batel,

17 Levado para cima o qual, usaram de todos os remedios, cingindo o navio; e, temendo darem á costa na Syrte, amainadas as vélas, assim foram á tôa.

18 E, andando nós agitados por uma vehemente tempestade, no dia seguinte alliviaram o navio.

19 E ao terceiro dia nós mesmos, com as nossas proprias mãos, [5] lançámos ao mar a armação do navio.

20 E, não apparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrellas, e opprimindo-nos uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos.

21 E, havendo já muito que se não comia, então Paulo, pondo-se em pé no meio d’elles, disse: Fôra na verdade razoavel, ó varões, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e evitar assim este incommodo e esta perdição.

22 Porém agora vos admoesto a que tenhaes bom animo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas sómente o navio.

23 Porque esta mesma noite o anjo de Deus, [6] de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo,

24 Dizendo: Paulo, não temas: importa que sejas apresentado a Cesar, e eis que Deus te deu todos quantos navegam comtigo.

25 Portanto, ó varões, tende bom animo; [7] porque creio em Deus, que ha de acontecer assim como a mim me foi dito.

26 Porém é necessario [8] irmos dar n’uma ilha.

27 E, quando chegou a decima quarta noite, sendo impellidos de uma e outra banda no mar Adriatico, lá pela meia noite suspeitaram os marinheiros de que estavam proximos d’alguma terra.

28 E, lançando o prumo, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças.

29 E, temendo ir dar em alguns rochedos, lançaram da pôpa quatro ancoras, desejando que viesse o dia.

30 Procurando, porém, os marinheiros fugir do navio, e deitando o batel ao mar, como que querendo lançar as ancoras pela prôa,

31 Disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos.

32 Então os soldados cortaram os cabos do batel, e o deixaram cair.

33 E entretanto que o dia vinha, Paulo exhortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: É já hoje o decimo quarto dia que esperaes, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada.

34 Portanto, exhorto-vos a que comaes alguma coisa, pois importa para a vossa saude; [9] porque nem um cabello da cabeça de qualquer de vós cairá.

35 E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças [10] a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer.

36 E, tendo já todos bom animo, pozeram-se tambem a comer.

37 E eramos por todos no navio duzentas [11] e setenta e seis almas.

38 E, refeitos já da comida, alliviaram o navio, lançando o trigo ao mar.

39 E, sendo já dia, não conheceram a terra; porém enxergaram uma enseada que tinha praia, e consultaram-se sobre se deveriam encalhar n’ella o navio.

40 E, levantando as ancoras, deixaram-n’o ir ao mar, largando tambem as amarras do leme; e, alçando a véla maior ao vento, dirigiram-se para a praia.

41 Dando, porém, em logar de dois mares, encalharam ali o navio; [12] e, fixa a prôa, ficou immovel, porém a pôpa abria-se com a força das ondas.

42 Então o conselho dos soldados foi que matassem os presos para que nenhum fugisse, escapando a nado.

43 Porém o centurião, querendo salvar a Paulo, lhes estorvou este intento; e mandou que os que podessem nadar se lançassem primeiro ao mar, e se salvassem em terra;

44 E os demais, uns em taboas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu [13] que todos se salvaram em terra.

[1] cap. 25.12.

[2] cap. 19.29.

[3] cap. 24.23 e 28.16.

[4] Lev. 23.27, 29.

[5] Jon. 1.5.

[6] cap. 23.11. Dan. 6.16. Rom. 1.9. II Tim. 1.3.

[7] Luc. 1.45. Rom. 4.20, 21. II Tim. 1.12.

[8] cap. 28.1.

[9] I Reis 1.52. Mat. 10.30. Luc. 12.7 e 21.18.

[10] I Sam. 9.13. Mat. 15.36. Mar. 8.6. João 6.11. I Tim. 4.3, 4.

[11] cap. 2.41 e 7.14. Rom. 13.1. I Ped. 3.20.

[12] II Cor. 11.25.

[13] ver. 22.

Paulo em Melita.

[Anno Domini 63]

28 E, havendo escapado, então souberam que a ilha se chamava Melita.

2 E os [1] barbaros usaram comnosco de não pouca humanidade; porque, accendendo um grande fogo, nos recolheram a todos por causa da chuva que sobrevinha, e por causa do frio.

3 E, havendo Paulo ajuntado uma quantidade de vides, e pondo-as no fogo, uma vibora, fugindo do calor, lhe accommetteu a mão.

4 E os barbaros, vendo-lhe a bicha pendurada na mão, diziam uns aos outros: Certamente este homem é homicida, a quem, escapando do mar, a Justiça não deixa viver.

5 Porém, sacudindo elle a bicha no fogo, não padeceu [2] nenhum mal.

6 E elles esperavam que viesse a inchar ou a cair morto de repente; porém, tendo esperado já muito, e vendo que nenhum incommodo lhe sobrevinha, [3] mudando de parecer, diziam que era um deus.

7 E ali, proximo d’aquelle mesmo logar, havia umas herdades que pertenciam ao principal da ilha, por nome Publio, o qual nos recebeu e hospedou benignamente por tres dias.

8 E aconteceu que o pae de Publio estava de cama enfermo de febres e dysenteria, ao qual Paulo [4] foi ver, e, havendo orado, poz as mãos sobre elle, e o curou.

9 Feito pois isto, vieram tambem ter com elle os demais que na ilha tinham enfermidades, e sararam.

10 Os quaes nos honraram tambem com [5] muitas honras: e, havendo de navegar, nos proveram das coisas necessarias.

Paulo chega a Roma e fica prisioneiro em sua propria casa durante dois annos.

11 E tres mezes depois partimos n’um navio de Alexandria que invernára na ilha, o qual tinha por insignia [AII] Castor e Pollux.

12 E, chegando a Syracusa, ficámos ali tres dias.

13 D’onde, indo costeando, viemos a Rhegio; e um dia depois, soprando um vento do sul, chegámos no segundo dia a Puteolos.

14 Onde, achando alguns irmãos, nos rogaram que por sete dias ficassemos com elles; e assim fomos a Roma.

15 E de lá, ouvindo os irmãos novas de nós, nos sairam ao encontro á praça d’Appio e ás tres Vendas, e Paulo, vendo-os, deu graças a Deus, e tomou animo.

16 E, logo que chegámos a Roma, o centurião entregou os presos ao general dos exercitos; porém [6] a Paulo se lhe permittiu morar sobre si á parte, com o soldado que o guardava.

17 E aconteceu que, tres dias depois, Paulo convocou os que eram principaes dos judeos, e, juntos elles, lhes disse: Varões [7] irmãos, não havendo eu feito nada contra o povo, ou contra os ritos paternos, vim todavia preso desde Jerusalem, entregue nas mãos dos romanos;

18 Os quaes, havendo-me examinado, [8] queriam soltar-me, por não haver em mim crime algum de morte.

19 Porém, oppondo-se os judeos, foi-me forçoso [9] appellar para Cesar, não tendo, comtudo, de que accusar a minha nação.

20 Assim que por esta causa vos chamei, para vos ver e fallar; [10] porque pela esperança d’Israel estou com esta cadeia.

21 Porém elles lhe disseram: Nós não recebemos ácerca de ti cartas algumas da Judea, nem, vindo aqui algum dos irmãos, nos annunciou ou fallou de ti mal algum.

22 Porém bem quizeramos ouvir de ti o que sentes; porque, quanto a esta seita, [11] notorio nos é que em toda a parte se falla contra ella.

23 E, havendo-lhe elles assignalado um dia, muitos foram ter com elle á pousada, aos quaes declarava [12] e testificava o reino de Deus, e procurava persuadil-os á fé de Jesus, tanto pela lei de Moysés como pelos prophetas, desde pela manhã até á tarde.

24 E alguns criam [13] no que se dizia; porém outros não criam.

25 E, como ficaram entre si discordes, se despediram, dizendo Paulo esta palavra: Bem fallou o Espirito Sancto a nossos paes pelo propheta Isaias,

26 Dizendo: Vae a este povo, e dize: [14] De ouvido ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira nenhuma percebereis.

27 Porque o coração d’este povo está endurecido, e com os ouvidos ouviram pesadamente, e fecharam os olhos, para que nunca com os olhos vejam, nem com os ouvidos ouçam, nem do coração entendam, e se convertam e eu os cure.

28 Seja-vos pois notorio que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e [15] elles a ouvirão.

29 E, havendo elle dito isto, partiram os judeos, tendo entre si grande contenda.

30 E Paulo ficou dois annos inteiros na sua propria habitação que alugára, e recebia todos quantos vinham vêl-o;

31 Prégando o reino de Deus, [16] e ensinando com toda a ousadia as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Christo, sem impedimento algum.

[1] cap. 27.26. Rom. 1.14. I Cor. 14.11. Col. 3.11.

[2] Mar. 16.18. Luc. 10.19.

[3] cap. 14.11.

[4] Thi. 5.14, 15. Mar. 16.18. Luc. 4.40. cap. 19.11, 12.

[5] Mat. 15.6. I Tim. 5.17.

[6] cap. 24.25 e 27.3.

[7] cap. 24.12, 13 e 25.8 e 21.33.

[8] cap. 22.24 e 24.10 e 25.8 e 26.31.

[9] cap. 25.11.

[10] cap. 26.6, 7 e 26.29. Eph. 3.1 e 4.1 e 6.20.

[11] Luc. 2.34. cap. 24.5, 14. I Ped. 2.12 e 4.14.

[12] Luc. 24.27. cap. 17.3 e 19.8 e 26.6, 22.

[13] cap. 14.4 e 17.4 e 19.9.

[14] Isa. 6.9. Jer. 5.21. Mat. 13.14, 15. Mar. 4.12. Luc. 8.10. João 12.40. Rom. 11.8.

[15] Mat. 21.41, 43. cap. 13.46, 47 e 18.6 e 22.21 e 26.17, 18. Rom. 11.11.

[16] cap. 4.31. Eph. 6.19.

EPISTOLA DE S. PAULO AOS ROMANOS.

Prefacio e saudação.

[Anno Domini 60]

1 Paulo, servo de Jesus Christo, [1] chamado para apostolo, separado para o evangelho [2] de Deus,

2 Que antes havia promettido pelos seus prophetas nas sanctas escripturas,

3 Ácerca de seu Filho, [3] que foi gerado da descendencia de David segundo a carne,

4 Declarado Filho de Deus em poder, segundo [4] o Espirito de sanctificação, pela resurreição dos mortos, Jesus Christo Nosso Senhor,

5 Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a [5] obediencia da fé entre todas as gentes pelo seu nome,

6 Entre os quaes sois tambem vós, os chamados de Jesus Christo.

7 A todos os que estaes em Roma, amados de Deus, [6] chamados sanctos: Graça e paz de Deus nosso pae, e do Senhor Jesus Christo.

A fé dos romanos; Paulo anhela vel-os.

8 Primeiramente dou graças ao meu Deus [7] por Jesus Christo, ácerca de vós todos, porque em todo o mundo é annunciada a vossa fé.

9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espirito [8] no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,

10 [9] Rogando sempre em minhas orações que n’algum tempo, pela vontade de Deus, se me offereça boa occasião de ir ter comvosco.

11 Porque desejo ver-vos, [10] para vos communicar algum dom espiritual, afim de que sejaes confortadgos;

12 Isto é: para que juntamente comvosco eu seja consolado pela [11] fé mutua, assim vossa como minha.

13 Porém, irmãos, não quero que ignoreis que muitas [12] vezes propuz ir ter comvosco (mas até agora tenho sido impedido) para tambem ter entre vós algum fructo, como tambem entre os demais gentios.

14 Eu sou devedor, [13] tanto a gregos como a barbaros, tanto a sabios como a ignorantes.

15 Assim que, quanto a mim, estou prompto para tambem vos annunciar o evangelho, a vós que estaes em Roma.

A justiça pela fé; o assumpto da epistola.

16 Porque não me envergonho do evangelho de Christo, [14] pois é o poder de Deus para salvação a todo aquelle que crê; primeiro ao judeo, e tambem ao grego.

17 Porque n’elle se descobre a justiça de Deus de fé em fé, [15] como está escripto: Mas o justo viverá da fé.

A idolatria e depravação dos gentios.

18 Porque do céu se manifesta [16] a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que deteem a verdade em injustiça.

19 Porquanto o que de Deus se pode conhecer [17] n’elles está manifesto; porque Deus lh’o manifestou.

20 Porque as suas coisas invisiveis, desde a creação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão creadas, [18] para que fiquem inexcusaveis;

21 Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, [19] antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

22 Dizendo-se [20] sabios, tornaram-se loucos.

23 E mudaram a gloria do Deus incorruptivel em [21] similhança de imagem de homem corruptivel, e de aves, e de quadrupedes, e de reptis.

24 Pelo que tambem [22] Deus os entregou ás concupiscencias de seus corações, á immundicia, para deshonrarem seus corpos entre si:

25 Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, [23] e honraram e serviram mais a creatura do que o Creador, que é bemdito eternamente. Amen.

26 Pelo que Deus os abandonou [24] ás paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrario á natureza.

27 E, similhantemente, tambem os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflammaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, commettendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

28 E, como elles se não importaram de reconhecer a Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, [25] para fazerem coisas que não conveem;

29 Estando cheios de toda a iniquidade, fornicação, malicia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicidio, contenda, engano, malignidade;

30 Murmuradores, detractores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presumpçosos, inventores de males, desobedientes aos pães e ás mães;

31 Nescios, infieis nos contractos, sem affeição natural, irreconciliaveis, sem misericordia;

32 Os quaes, [26] conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que praticam taes coisas), não sómente as fazem, mas tambem consentem aos que as fazem.

[1] Act. 22.21 e 9.15. I Cor. 1.1. Gal. 1.1 e 1.15. I Tim. 1.11.

[2] Act. 26.6. Tito 1.2. cap. 3.21. Gal. 3.8.

[3] Mat. 1.6, 16. Luc. 1.32. Act. 2.30.

[4] Act. 13.33. Heb. 9.14.

[5] cap. 12.3 e 15.15. I Cor. 15.10. Gal. 1.15. Eph. 3.8. Act. 6.7.

[6] cap. 9.24. I Cor. 1.2 e 1.3. I The. 4.7. Gal. 1.3.

[7] I Cor. 1.4. Phi. 1.3. Col. 1.3, 4. I The. 1.2. Phi. 4.

[8] cap. 9.1. II Cor. 1.23. Phi. 1.8. I The. 2.5. Act. 27.23. II Tim. 1.3. João 4.23, 24. Phi. 3.3.

[9] cap. 15.23, 32. I The. 3.10. Thi. 4.15.

[10] cap. 15.29.

[11] Tito 1.4. II Ped. 1.1.

[12] cap. 15.23. Act. 16.7. I The. 2.18. Phi. 4.17.

[13] I Cor. 9.16.

[14] Psa. 40.9, 10. Mar. 8.38. II Tim. 1.8. I Cor. 1.18. Luc. 2.30. Act. 3.26.

[15] cap. 3.21. Hab. 2.4. João 3.36. Gal. 3.11. Heb. 10.38.

[16] Act. 17.30. Eph. 5.6. Col. 3.6.

[17] Act. 14.17. João 1.9.

[18] Psa. 19.1, etc. Act. 14.17 e 17.27.

[19] II Reis 17.15. Jer. 2.5. Eph. 4.17, 18.

[20] Jer. 10.14.

[21] Deu. 4.16, etc. Psa. 106.20. Isa. 40.18, 25. Jer. 2.11. Eze. 8.10. Act. 17.29.

[22] Act. 7.42. Eph. 4.18, 19. II The. 2.11, 12. I Cor. 6.18. I The. 4.4. I Ped. 4.3.

[23] I The. 1.9. I João 5.20. Isa. 44.20. Jer. 10.14. Amós 2.4.

[24] Lev. 18.22, 23. Eph. 5.12. Jud. 10.

[25] Eph. 5.4.

[26] cap. 2.2 e 6.21. Psa. 50.18. Ose. 7.3.

A impenitencia dos judeos; a justiça de Deus.

2 Portanto, és inexcusavel quando julgas, [1] ó homem, quem quer que sejas, porque te condemnas a ti mesmo n’aquillo em que julgas o outro; pois tu, que julgas, fazes as mesmas coisas.

2 E bem sabemos que o juizo de Deus é segundo a verdade sobre os que taes coisas fazem.

3 E tu, ó homem, que julgas os que fazem taes coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juizo de Deus?

4 Ou desprezas tu as [2] riquezas da sua benignidade, e paciencia e [3] longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?

5 Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, [4] enthesouras ira para o dia da ira e da manifestação do juizo de Deus;

6 O qual recompensará [5] cada um segundo as suas obras;

7 A saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram gloria, e honra e incorrupção;

8 Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, e desobedientes á verdade [6] e obedientes á injustiça.

9 Tribulação e angustia sobre toda a alma do homem que obra o mal; primeiramente do judeo [7] e tambem do grego:

10 Gloria, porém, [8] e honra e paz a qualquer que obra o bem; primeiramente ao judeo e tambem ao grego;

11 Porque, para com [9] Deus, não ha accepção de pessoas.

12 Porque todos os que sem lei peccaram sem lei tambem perecerão; e todos os que sob a lei peccaram pela lei serão julgados.

13 Porque os que ouvem a lei não são justos [10] diante de Deus: mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

14 Porque, quando os gentios, que não teem lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo estes lei, para si mesmos são lei;

15 Os quaes mostram a obra da lei escripta em seus corações, testificando juntamente a sua consciencia, e seus pensamentos, ora accusando-se, ora defendendo-se;

16 No dia em que Deus [11] ha de julgar os segredos dos homens, por Jesus Christo, segundo o meu evangelho.

Os judeos são inexcusaveis; a verdadeira circumcisão.

17 Eis que tu que tens por [12] sobrenome judeo, e repousas na lei, e te glorias em Deus;

18 E sabes a sua vontade [13] e approvas as coisas excellentes, sendo instruido por lei;

19 E confias que és guia dos [14] cegos, luz dos que estão em trevas,

20 Instruidor dos nescios, mestre de creanças, que tens a forma da sciencia [15] e da verdade na lei;

21 Tu, pois, [16] que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que prégas que não se deve furtar, furtas?

22 Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os idolos, [17] commettes sacrilegio?

23 Tu, que te glorias na lei, [18] deshonras a Deus pela transgressão da lei?

24 Porque, como está escripto, o nome de Deus é blasphemado entre os gentios por causa de [19] vós.

25 Porque a circumcisão é, [20] na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; porém, se tu és transgressor da lei, a tua circumcisão se torna em incircumcisão.

26 Pois, se a incircumcisão [21] guarda os preceitos da lei, porventura a sua incircumcisãoh não será reputada como circumcisão?

27 E, a que por natureza é incircumcisão, se cumpre a lei, não te [22] julgará porventura a ti, que pela letra e circumcisão és transgressor da lei?

28 Porque não é judeo [23] o que o é exteriormente, nem é circumcisão a que o é exteriormente na carne.

29 Mas é judeo o que o é no interior, e circumcisão [24] é a do coração, no espirito, não na letra: cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.

[1] cap. 1.20. II Sam. 12.5, 6, 7. Mat. 7.1, 2. João 8.9.

[2] cap. 9.23. Eph. 1.7. cap. 3.25.

[3] Exo. 34.6. Isa. 30.18. II Ped. 3.9, 15.

[4] Deu. 32.34. Thi. 5.3.

[5] Job 34.11. Jer. 17.10. Mat. 16.27. I Cor. 3.8. II Cor. 5.10. Apo. 2.23.

[6] Job 24.13. cap. 1.18. II The. 1.8.

[7] Amós 3.2. Luc. 12.47, 48. I Ped. 4.17.

[8] I Ped. 1.7.

[9] II Chr. 19.7. Act. 10.34. Gal. 2.6. Eph. 6.9. Col. 3.25.

[10] Mat. 7.21. Thi. 1.22. I João 3.7.

[11] Mat. 25.31. João 12.48 e 5.22. I Cor. 4.5. Apo. 20.12. Act. 10.42. I Tim. 1.11. II Tim. 4.1, 8 e 2.8. I Ped. 4.5.

[12] Mat. 3.9. João 8.33, 41. II Cor. 11.22. Miq. 3.11. Isa. 45.25.

[13] Deu. 4.8. Phi. 1.10.

[14] Mat. 15.14 e 23.16, 17. João 9.34, 40, 41.

[15] cap. 6.17. II Tim. 1.13 e 3.5.

[16] Psa. 50.15, etc. Mat. 23.3, etc.

[17] Mal. 3.8.

[18] ver. 17.

[19] II Sam. 12.14. Isa. 52.5. Eze. 36.20.

[20] Gal. 5.3.

[21] Act. 10.34, 35.

[22] Mat. 12.41, 42.

[23] Mat. 3.9. João 8.39. Gal. 6.15. Apo. 2.9.

[24] I Ped. 3.4. Phi. 3.3. Col. 2.11. II Cor. 3.6. I The. 2.4.

O privilegio dos judeos; a justiça de Deus.

3 Qual é logo a vantagem do judeo? Ou qual a utilidade da circumcisão?

2 Muita, em toda a maneira, porque, quanto ao primeiro, [1] as palavras de Deus lhe foram confiadas,

3 Pois que? [2] Se alguns foram incredulos, a sua incredulidade aniquilará a fé de Deus?

4 De maneira nenhuma; antes seja Deus verdadeiro, [3] e todo o homem mentiroso; como está escripto: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fôres julgado.

5 E, se a nossa injustiça recommendar a justiça de Deus, que diremos? Porventura será Deus injusto, trazendo ira sobre nós? ([4] Fallo como homem)

6 De maneira nenhuma: d’outro modo, como julgará Deus o mundo?

7 Porque, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para gloria sua, porque sou ainda julgado tambem como peccador?

8 E não dizemos (como somos blasphemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos [5] males, para que venham bens: cuja condemnação é justa.

Todos os homens estão debaixo do peccado.

9 Pois que? Somos nós mais excellentes? de maneira nenhuma, pois já d’antes demonstrámos que, tanto judeos como gregos, todos [6] estão debaixo do peccado;

10 Como está escripto: [7] Não ha justo, nem ainda um:

11 Não ha ninguem que entenda; não ha ninguem que busque a Deus:

12 Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inuteis. Não ha quem faça o bem, não ha nem um só:

13 A sua garganta é um [8] sepulchro aberto: com as suas linguas tratam enganosamente: peçonha de aspides está debaixo de seus labios:

14 Cuja bocca está cheia de maldição e amargura:

15 Os seus pés são [9] ligeiros para derramar sangue:

16 Em seus caminhos ha destruição e miseria:

17 E não conheceram o caminho da paz:

18 Não ha temor [10] de Deus diante de seus olhos.

19 Ora, nós sabemos que tudo o que a lei [11] diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a bocca se feche e todo o mundo seja condemnavel diante de Deus.

20 Por isso nenhuma carne será justificada [12] diante d’elle pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do peccado.

A justificação pela fé em Jesus Christo.

21 Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, [13] tendo o testemunho da lei e dos prophetas;

22 Isto é, a justiça de Deus pela fé [14] de Jesus Christo para todos e sobre todos os que crêem; porque não ha differença,

23 Porque todos peccaram [15] e destituidos estão da gloria de Deus;

24 Sendo justificados [16] gratuitamente pela sua graça, pela redempção que ha em Christo Jesus:

25 Ao qual Deus propoz para [AIJ] propiciação [17] pela fé no seu sangue, para demonstração da sua justiça, pela remissão dos peccados d’antes commettidos, sob a paciencia de Deus;

26 Para demonstração da sua justiça n’este tempo presente, para que elle seja justo e justificador d’aquelle que tem fé em Jesus.

27 Onde está logo a jactancia? [18] É excluida. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.

28 Concluimos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.

29 Deus é porventura sómente [19] dos judeos? E não o é tambem dos gentios? Tambem dos gentios, certamente.

30 Porque ha um só Deus [20] que justificará pela fé a circumcisão, e pela fé a incircumcisão.

31 Annullamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.

[1] Deu. 4.7, 8. cap. 2.18 e 9.4.

[2] cap. 10.16. Heb. 4.2. Num. 23.19. II Tim. 2.13.

[3] João 3.33. Psa. 62.9 e 116.11 e 51.4.

[4] cap. 6.19. Gal. 3.15. Gen. 18.25.

[5] cap. 5.20 e 6.1, 15.

[6] ver. 23. Gal. 3.22.

[7] Psa. 14.1, 2, 3 e 53.1.

[8] Psa. 5.9. Jer. 5.16. Psa. 140.3.

[9] Pro. 1.16. Isa. 59.7, 8.

[10] Psa. 36.1.

[11] João 10.34. Job 5.16. Eze. 16.63. cap. 1.20 e 2.1, 2.

[12] Psa. 143.2. Act. 13.39. Gal. 2.16. Eph. 2.8, 9. Tito 3.5. cap. 7.7.

[13] Act. 15.11 e 26.22. Phi. 3.9. Heb. 11.4. João 5.46. cap. 1.2. I Ped. 1.10.

[14] cap. 4, etc. Gal. 3.28. Col. 3.11.

[15] cap. 11.32. Gal. 3.22.

[16] cap. 4.16. Eph. 2.8 e 1.7. Tito 3.5, 7. Mat. 20.28. Col. 1.14. I Tim. 2.6. Heb. 9.12. I Ped. 1.18.

[17] Lev. 16.15. I João 2.2 e 4.10. Col. 1.20. I Tim. 1.15. Act. 17.30. Heb. 9.15.

[18] cap. 2.17. I Cor. 1.29, 31. Eph. 2.9.

[19] Act. 13.38, 39. ver. 20, 21, 22. cap. 8.3. Gal. 2.16.

[20] cap. 10.12, 13. Gal. 3.8, 20, 28.

Abrahão foi justificado pela fé.

4 Que diremos pois ter achado Abrahão, [1] nosso pae segundo a carne?

2 Porque, se Abrahão foi justificado pelas obras, [2] tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.

3 Pois, que diz a Escriptura? [3] Creu Abrahão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

4 Ora áquelle que obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, [4] mas segundo a divida.

5 Porém áquelle que não obra, mas crê n’aquelle que justifica o impio, [5] a sua fé lhe é imputada como justiça.

6 Como tambem David declara bemaventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:

7 Bemaventurados aquelles [6] cujas maldades são perdoadas, e cujos peccados são cobertos:

8 Bemaventurado o homem a quem o Senhor não imputa o peccado.

9 Vem pois esta bemaventurança sobre a circumcisão só, ou tambem sobre a incircumcisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abrahão.

10 Como lhe foi pois imputada? Estando na circumcisão ou na incircumcisão? Não na circumcisão, mas na incircumcisão.

11 E recebeu o signal da circumcisão, sello da justiça da fé [7] que teve na incircumcisão, para que fosse pae de todos os que crêem, estando na incircumcisão; a fim de que tambem a justiça lhes seja imputada:

12 E fosse pae da circumcisão, d’aquelles que não sómente são da circumcisão, mas que tambem andam nas pisadas da fé de nosso pae Abrahão, que tivera na incircumcisão.

13 Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não [8] foi feita pela lei a Abrahão, ou á sua posteridade, mas pela justiça da fé.

14 Porque, se os que são da lei são [9] herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada.

15 Porque a lei obra a ira. [10] Porque onde não ha lei tambem não ha transgressão.

16 Portanto é pela fé, para que seja segundo a graça, [11] a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não sómente á que é da lei, mas tambem á que é da fé de Abrahão, o qual é pae de todos nós;

17 (Como está escripto: [12] Por pae de muitas nações te constitui) perante aquelle no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem.

18 O qual, em esperança, creu contra a esperança, que seria feito pae de muitas nações, conforme o que lhe fôra dito: Assim será a tua [13] descendencia.

19 E não enfraqueceu na fé, nem attentou [14] para o seu proprio corpo já amortecido, pois era já de quasi cem annos, nem tão pouco para o amortecimento do ventre de Sarah.

20 E não duvidou da promessa de Deus por desconfiança, mas foi fortificado na fé, dando gloria a Deus;

21 E estando certissimo [15] de que o que elle tinha promettido tambem era poderoso para o fazer.

22 Pelo que isso lhe foi tambem imputado como justiça.

23 Ora não só por elle está [16] escripto, que lhe fosse imputado,

24 Mas tambem por nós, a quem será imputado, os que cremos n’aquelle que dos mortos resuscitou a Jesus [17] nosso Senhor;

25 O qual por nossos peccados [18] foi entregue, e resuscitou para nossa justificação.

[1] Isa. 51.2. Mat. 3.9. João 8.33, 39. II Cor. 11.22.

[2] cap. 3.20, 27, 28.

[3] Gen. 15.6. Gal. 3.6. Thi. 2.23.

[4] cap. 11.6.

[5] Jos. 24.2.

[6] Psa. 32.1, 2.

[7] Gen. 17.10. Luc. 19.9. ver. 12, 16. Gal. 3.7.

[8] Gen. 17.4, etc. Gal. 3.29.

[9] Gal. 3.18.

[10] cap. 3.20 e 5.13, 20 e 7.8, 10, 11. I Cor. 15.56. II Cor. 3.7, 9. Gal. 3.10, 19. I João 3.4.

[11] cap. 3.24. Gal. 3.22. Isa. 51.2. cap. 9.8.

[12] Gen. 17.5. cap. 8.11 e 9.26. Eph. 2.1, 5. I Cor. 1.28. I Ped. 2.10.

[13] Gen. 15.5.

[14] Gen. 17.17 e 18.11. Heb. 11.11, 12.

[15] Psa. 115.3. Luc. 1.37, 45. Heb. 11.19.

[16] cap. 15.4. I Cor. 10.6, 11.

[17] Act. 2.24 e 13.30.

[18] Isa. 53.5, 6. cap. 3.25. II Cor. 5.21. Gal. 1.4. Heb. 9.28. I Ped. 2.24 e 1.21. I Cor. 15.17.

Justificação pela fé e paz com Deus.

5 Sendo pois justificados pela fé, [1] temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Christo;

2 Pelo qual tambem [2] temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da gloria de Deus.

3 E não sómente isto, [3] mas tambem nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciencia,

4 E a paciencia a experiencia, e a [4] experiencia a esperança.

5 E a esperança não confunde, porquanto [5] o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espirito Sancto que nos foi dado.

6 Porque Christo, estando nós ainda fracos, [6] morreu a seu tempo pelos impios.

7 Porque apenas alguem morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguem ouse tambem morrer.

8 Mas Deus recommenda o seu amor para comnosco, [7] em que Christo morreu por nós, sendo nós ainda peccadores.

9 Logo muito mais agora, sendo justificados [8] pelo seu sangue, seremos por elle salvos da ira.

10 Porque se nós, sendo inimigos, [9] fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

11 E não sómente isto, [10] mas tambem nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Christo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

Por um homem vieram o peccado e a morte: por um homem tambem veiu a graça que superabundou ao peccado.

12 Pelo que, como por [11] um homem entrou o peccado no mundo, e pelo peccado a morte, assim tambem a morte passou a todos os homens por isso que todos peccaram.

13 Porque até á lei estava o peccado no mundo, [12] porém o peccado não é imputado, não havendo lei.

14 Mas a morte reinou desde Adão até Moysés, até sobre aquelles que não peccaram á similhança da transgressão de Adão, o qual [13] é a figura d’aquelle que havia de vir.

15 Mas não é assim o dom gratuito como a offensa. Porque, se pela offensa de um, morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é d’um só homem, [14] Jesus Christo, abundou sobre muitos.

16 E não foi assim o dom como a offensa, por um só que peccou. Porque o juizo veiu de uma só offensa, na verdade, para condemnação, mas o dom gratuito veiu de muitas offensas para justificação.

17 Porque, se pela offensa de um só, a morte reinou por esse um, muito mais os que recebem a abundancia da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, que é Jesus Christo.

18 Pois assim como por uma só offensa veiu o juizo sobre todos os homens para condemnação, assim tambem por um só acto de justiça veiu a graça sobre todos [15] os homens para justificação de vida.

19 Porque, como pela desobediencia de um só homem, muitos foram feitos peccadores, assim pela obediencia de um muitos serão feitos justos.

20 Entrou, porém, [16] a lei para que a offensa abundasse; mas, onde o peccado abundou, superabundou a graça.

21 Para que, assim como o peccado reinou para a morte, tambem a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Christo nosso Senhor.

[1] Isa. 32.17. João 16.33. Eph. 2.14. Col. 1.20.

[2] João 10.9. Eph. 2.18. Heb. 10.19. I Cor. 15.1.

[3] Mat. 5.11. Act. 5.41. II Cor. 12.10. Phi. 2.17. Thi. 1.2, 3, 12. I Ped. 3.14.

[4] Thi. 1.12.

[5] Ecc. 1.20. II Cor. 1.22. Gal. 4.6. Eph. 1.13, 14.

[6] Gal. 4.4. cap. 4.25.

[7] João 15.13. I Ped. 3.18. I João 3.16 e 4.9, 10.

[8] cap. 3.25. Eph. 2.13. Heb. 9.14. I João 1.7. I The. 1.10.

[9] cap. 8.32. II Cor. 5.18 e 4.10. Eph. 2.16. Col. 1.20. João 5.26.

[10] cap. 2.17. Gal. 4.9.

[11] Gen. 3.6. I Cor. 15.21.

[12] cap. 4.15. I João 3.4.

[13] I Cor. 15.21, 22, 45.

[14] Isa. 53.11. Mat. 20.28 e 26.28.

[15] João 12.32. Heb. 2.9.

[16] João 15.22. cap. 3.20 e 4.15. Gal. 3.19, 23. Luc. 7.47. I Tim. 1.14.

A graça não nos deixa permanecer no peccado, antes nos livra do poder do peccado.

6 Que diremos pois? Permaneceremos no peccado, [1] para que a graça abunde?

2 De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o peccado, [2] como viveremos ainda n’elle?

3 Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus [3] Christo fomos baptizados na sua morte?

4 De sorte que estamos [4] sepultados com elle pelo baptismo na morte; para que, como Christo resuscitou dos mortos, pela gloria do Pae, assim andemos nós tambem em novidade de vida.

5 Porque, se fomos [5] plantados juntamente com elle na similhança da sua morte, tambem o seremos na da sua resurreição:

6 Sabendo isto, que o nosso [6] homem velho foi com elle crucificado, para que o corpo do peccado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao peccado.

7 Porque o que está morto [7] está justificado do peccado.

8 Ora, se já morremos [8] com Christo, cremos que tambem com elle viveremos:

9 Sabendo que, havendo Christo [9] resuscitado dos mortos, já não morre: a morte não mais terá dominio sobre elle.

10 Pois, emquanto a morrer, de uma vez morreu [10] para o peccado, mas, emquanto a viver, vive para Deus.

11 Assim tambem vós considerae-vos como [11] mortos para o peccado, mas vivos para Deus em Christo Jesus nosso Senhor.

12 Não reine portanto [12] o peccado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscencias;

13 Nem tão pouco apresenteis os vossos membros ao peccado por instrumentos de iniquidade; [13] mas apresentae-vos a Deus, como vivos d’entre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.

14 Porque o peccado [14] não terá dominio sobre vós, pois não estaes debaixo da lei, mas debaixo da graça.

15 Pois que? Peccaremos [15] porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? de modo nenhum.

16 Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para obedecer [16] sois servos d’aquelle a quem obedeceis, ou do peccado para a morte, ou da obediencia para a justiça?

17 Porém, graças a Deus que vós fostes servos do peccado, mas obedecestes de coração á forma [17] de doutrina a que fostes entregues.

18 E, libertados do [18] peccado, fostes feitos servos da justiça.

19 Fallo como homem, pela fraqueza da vossa carne: pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem á immundicia, e á maldade para maldade, assim apresentae agora os vossos membros para servirem á justiça para sanctificação.

20 Porque, quando ereis [19] servos do peccado, estaveis livres da justiça.

21 Pois que fructo [20] tinheis então das coisas de que agora vos envergonhaes? porque o fim d’ellas é a morte.

22 Mas agora, libertados do [21] peccado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fructo para sanctificação, e por fim a vida eterna.

23 Porque o [22] salario do peccado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Christo Jesus nosso Senhor.

[1] cap. 3.8. ver. 15.

[2] cap. 7.4. Gal. 2.19 e 6.14. Col. 3.3. I Ped. 2.24.

[3] Gal. 3.27. I Cor. 15.29.

[4] Col. 2.12 e 3.10. cap. 8.11. I Cor. 6.14. II Cor. 13.4. João 2.11. Gal. 6.15. Eph. 4.22.

[5] Phi. 3.10.

[6] Gal. 2.20 e 5.24. Eph. 4.22. Col. 3.5, 9 e 2.11.

[7] I Ped. 4.1.

[8] II Tim. 2.11.

[9] Apo. 1.18.

[10] Heb. 9.27, 28. Luc. 20.38.

[11] ver. 2. Gal. 2.19.

[12] Psa. 19.13 e 119.133.

[13] cap. 7.5. Col. 3.5. Thi. 4.1. I Ped. 2.24.

[14] cap. 7.4, 6 e 8.2. Gal. 5.18.

[15] I Cor. 9.21.

[16] Mat. 6.24. João 8.34. II Ped. 2.19.

[17] II Tim. 1.13.

[18] João 8.32. I Cor. 7.22. Gal. 5.1. I Ped. 2.16.

[19] João 8.34.

[20] cap. 7.5 e 1.32.

[21] João 8.32.

[22] Gen. 2.17. cap. 5.12 e 2.7 e 5.17, 21. Thi. 1.15. I Ped. 1.4.

Estando mortos á lei, sirvamos a Deus em novidade de espirito. A lei opera em nós a morte. Lucta da carne com o espirito.

7 Não sabeis vós, irmãos (pois que fallo aos que sabem a lei), que a lei tem dominio sobre o homem por todo o tempo que vive?

2 Porque a [1] mulher que está sujeita ao marido, emquanto elle viver, está-lhe ligada pela lei; porém, morto o marido, está livre da lei do marido.

3 De sorte que, vivendo [2] o marido, será chamada adultera, se fôr d’outro marido; porém, morto o marido, livre está da lei, de maneira que não será adultera, se fôr d’outro marido.

4 Assim que, meus irmãos, tambem vós estaes mortos [3] para a lei pelo corpo de Christo, para que sejaes d’outro, d’aquelle que resuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fructo para [4] Deus.

5 Porque, quando estavamos na carne, as paixões dos peccados, que são pela lei, [5] obravam em nossos membros para darem fructo para a morte.

6 Mas agora estamos livres da lei, estando mortos para aquillo em que estavamos retidos; para que sirvamos em [6] novidade d’espirito, e não na velhice da letra.

7 Que diremos pois? É a lei peccado? De modo nenhum: mas eu não conheceria [7] o peccado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscencia, se a lei não dissesse: [8] Não cubiçarás.

8 Mas o peccado, [9] tomando occasião pelo mandamento, obrou em mim toda a concupiscencia, porque sem a lei estava morto o peccado.

9 E eu, n’algum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o peccado, e eu morri;

10 E o [10] mandamento que era para vida esse achei que me era para morte.

11 Porque o peccado, tomando occasião pelo mandamento, me enganou, e por elle me matou.

12 Assim que [11] a lei é sancta, e o mandamento sancto, justo e bom.

13 Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o peccado, para que se mostrasse peccado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o peccado se fizesse excessivamente peccaminoso.

14 Porque bem sabemos que a lei é espiritual: mas eu sou carnal, [12] vendido sob o peccado.

15 Porque o que faço não o approvo; [13] pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.

16 E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.

17 De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o peccado que habita em mim.

18 Porque eu sei que em mim, isto é, [14] na minha carne, não habita bem algum: porque o querer está em mim, mas não consigo effectuar o bem.

19 Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.

20 Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o peccado que habita em mim.

21 De sorte que acho esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.

22 Porque, [15] segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;

23 Mas vejo nos meus membros outra lei, [16] que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do peccado que está nos meus membros.

24 Miseravel homem que eu sou! quem me livrará do corpo d’esta morte?

25 Dou graças [17] a Deus por Jesus Christo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo á lei de Deus, mas com a carne á lei do peccado.

[1] I Cor. 7.39.

[2] Mat. 5.32.

[3] cap. 8.2. Gal. 2.19 e 5.18. Eph. 2.15. Col. 2.14.

[4] Gal. 5.22.

[5] cap. 6.13 e 6.21 e 6.2. Gal. 5.19. Thi. 1.15.

[6] cap. 2.29. II Cor. 3.6.

[7] cap. 3.20.

[8] Exo. 20.17. Deu. 5.21. Act. 20.33. cap. 13.9.

[9] cap. 4.15 e 5.20. I Cor. 15.56.

[10] Lev. 18.5. Eze. 20.11, 13, 21. II Cor. 3.7.

[11] Psa. 19.8 e 119.137. I Tim. 1.8.

[12] I Reis 21.20, 25. II Reis 17.17.

[13] Gal. 5.17.

[14] Gen. 6.5 e 8.21.

[15] Psa. 1.2. II Cor. 4.16. Eph. 3.16. Col. 3.9, 10.

[16] Gal. 5.17. cap. 6.13, 19.

[17] I Cor. 15.57.

A nova vida debaixo da graça, segundo o espirito de sanctidade e adopção.

8 Assim que agora nenhuma condemnação ha para os que estão em Christo Jesus, que não [1] andam segundo a carne, mas segundo o espirito.

2 Porque a [2] lei do espirito de vida, em Christo Jesus, me livrou da lei do peccado e da morte.

3 Porque o que era impossivel á lei, [3] porquanto estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em similhança da carne do peccado, e pelo peccado, condemnou o peccado na carne;

4 Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não [4] andamos segundo a carne, mas segundo o espirito.

5 Porque os que são segundo a carne inclinam-se [5] para as coisas da carne; mas os que são segundo o espirito para as coisas do espirito.

6 Porque a inclinação [6] da carne é morte; mas a inclinação do espirito é vida e paz.

7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra [7] Deus, pois não é sujeita á lei de Deus, nem em verdade, o pode ser.

8 Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus.

9 Porém vós não estaes na carne, mas no espirito, [8] se é que o Espirito de Deus habita em vós. Mas, se alguem não tem o Espirito de Christo, esse tal não é d’elle.

10 E, se Christo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do peccado, mas o espirito vive por causa da justiça.

11 E, se o Espirito d’aquelle que dos mortos resuscitou a Jesus habita em vós, [9] aquelle que dos mortos resuscitou a Christo tambem vivificará os vossos corpos mortaes, pelo seu Espirito que em vós habita.

12 De maneira que, irmãos, [10] somos devedores, não á carne para viver segundo a carne.

13 Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; [11] mas, se pelo espirito mortificardes as obras do corpo, vivereis.

14 Porque todos [12] quantos são guiados pelo Espirito de Deus esses são filhos de Deus.

15 Porque não [13] recebestes o espirito de escravidão, para outra vez estardes em temor, porém recebestes o espirito de adopção de filhos, pelo qual clamamos: Abba, Pae.

16 O mesmo Espirito [14] testifica com o nosso espirito que somos filhos de Deus.

17 E, se nós somos filhos, [15] somos logo herdeiros tambem, herdeiros de Deus e coherdeiros de Christo; se porventura com elle padecemos, para que tambem com elle sejamos glorificados.

As primicias do Espirito: esperança, intercessão, eleição.

18 Porque para mim [16] tenho por certo que as afflicções d’este tempo presente não são para comparar com a gloria que em nós ha de ser revelada.

19 Porque a paciente expectação [17] da creatura espera a manifestação dos filhos de Deus.

20 Porque a creatura [18] está sujeita á vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,

21 Na esperança de que tambem a mesma creatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da gloria dos filhos de Deus.

22 Porque sabemos que toda [19] a creatura juntamente geme e está com dôres de parto até agora.

23 E não só ella, porém nós mesmos, que temos as primicias do Espirito, tambem gememos em nós mesmos, [20] esperando a adopção, a saber, a redempção do nosso corpo.

24 Porque em esperança somos salvos. Ora [21] a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguem vê como o esperará?

25 Mas, se esperamos o que não vemos, esperamol-o com paciencia.

26 E da mesma maneira tambem o Espirito ajuda as nossas [22] fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convem, mas o mesmo Espirito intercede por nós com gemidos inexprimiveis.

27 E aquelle [23] que examina os corações, sabe qual seja a intenção do Espirito; porquanto elle segundo Deus, intercede pelos sanctos.

28 E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem d’aquelles que amam a [24] Deus, d’aquelles que são chamados por seu decreto.

29 Porque os que d’antes [25] conheceu tambem os predestinou para serem conformes á imagem de seu Filho; para que seja o primogenito entre muitos irmãos.

30 E aos que predestinou [26] a estes tambem chamou: e aos que chamou a estes tambem justificou; e aos que justificou a estes tambem glorificou.

Cantico de victoria: Deus é por nós.

31 Que diremos pois a estas coisas? Se Deus [27] é por nós, quem será contra nós?

32 Aquelle que nem mesmo a seu proprio Filho [28] poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará tambem com elle todas as coisas?

33 Quem intentará accusação contra os escolhidos de Deus? [29] sendo Deus quem os justifica.

34 Quem os condemnará? [30] sendo Christo quem morreu, ou antes quem resuscitou d’entre os mortos, o qual está á direita de Deus, e tambem intercede por nós.

35 Quem nos separará do amor de Christo? A tribulação, ou a angustia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?

36 Como está escripto: [31] Por amor de ti somos entregues á morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro.

37 Mas em todas [32] estas coisas somos mais do que vencedores, por aquelle que nos amou.

38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, [33] nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,

39 Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra creatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Christo Jesus nosso Senhor.

[1] ver. 4. Gal. 5.16, 25.

[2] João 8.36. cap. 6.18, 22 e 7.24. Gal. 2.19. I Cor. 15.45. II Cor. 3.6.

[3] Act. 13.39. cap. 3.20. Heb. 7.18 e 10.1. II Cor. 5.21. Gal. 3.13.

[4] ver. 1.

[5] João 3.6. I Cor. 2.14. Gal. 5.22, 25.

[6] cap. 6.21. ver. 13. Gal. 6.8.

[7] Thi. 4.4. I Cor. 2.14.

[8] I Cor. 3.16. João 3.34. Gal. 4.6. Phi. 1.19. I Ped. 1.11.

[9] Act. 2.24. cap. 6.4, 5. I Cor. 6.14. II Cor. 4.14. Eph. 2.5.

[10] cap. 6.7, 14.

[11] ver. 6. Gal. 6.8. Eph. 4.22. Col. 3.5.

[12] Gal. 5.18.

[13] I Cor. 2.12. Heb. 2.15. II Tim. 1.7. I João 4.18. Isa. 56.5. Gal. 4.5, 6. Mar. 14.36.

[14] II Cor. 1.22. Eph. 1.13.

[15] Act. 26.18 e 14.22. Gal. 4.7. Phi. 1.29. II Tim. 2.11.

[16] II Cor. 4.17. I Ped. 1.6.

[17] II Ped. 3.13.

[18] ver. 22. Gen. 3.19.

[19] Mar. 16.15. Col. 1.23. Jer. 12.11.

[20] Eph. 1.14 e 4.30. II Cor. 5.2, 4, 5. Luc. 20.36 e 21.28.

[21] II Cor. 5.7. Heb. 11.1.

[22] Mat. 20.22. Thi. 4.3. Zac. 12.10. Eph. 6.18.

[23] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Act. 1.24. I The. 2.4. ver. 34. I João 5.14.

[24] I Cor. 3.21, 22. II Cor. 4.15. Eph. 1.11. II Tim. 1.9.

[25] II Tim. 2.19. I Ped. 1.2. Eph. 1.5, 11. II Cor. 3.18. Phi. 3.21. I João 3.2. Col. 1.15, 18. Heb. 1.6. Apo. 1.5.

[26] cap. 9.24. Gal. 1.6, 15. Eph. 4.4 e 2.6. Heb. 9.15. I Ped. 2.9, 21. I Cor. 6.11. João 17.22.

[27] Num. 14.9. Job 34.29. Psa. 118.6.

[28] cap. 5.6, 10.

[29] Isa. 50.8, 9. Luc. 7.42. Apo. 12.10, 11.

[30] Mar. 16.19. Col. 3.1. I Ped. 3.18, 22. Heb. 7.25. I Tim. 2.5. I João 2.1.

[31] Psa. 44.22. I Cor. 15.30. II Cor. 4.11.

[32] I Cor. 15.57. II Cor. 2.14. I João 4.4 e 5.4. Apo. 12.11.

[33] Eph. 1.21 e 6.12. Col. 1.16 e 2.15. I Ped. 3.22.

Tristeza de Paulo por causa da incredulidade de Israel.

9 Em Christo digo a verdade, [1] não minto (dando-me testemunho juntamente a minha consciencia no Espirito Sancto):

2 Que tenho grande tristeza [2] e continua dôr no meu coração.

3 Porque eu mesmo desejara [3] ser [AIK] separado de Christo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne;

4 Que são israelitas, [4] dos quaes é a adopção de filhos, e a gloria, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas:

5 Dos quaes são os paes, [5] e dos quaes é Christo segundo a carne, o qual é Deus sobre todos, bemdito eternamente: Amen.

A liberdade absoluta da graça de Deus.

6 Não, porém, que a [6] palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são d’Israel são israelitas;

7 Nem por serem descendencia de Abrahão [7] são todos filhos; mas: Em Isaac será chamada a tua descendencia.

8 Isto é: não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos [8] da promessa são contados como descendencia.

9 Porque a palavra [9] da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sarah terá um filho.

10 E não sómente esta, mas tambem Rebecca, quando concebeu de um, de Isaac, nosso pae;

11 Porque, não tendo elles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o proposito de Deus, segundo a eleição, [10] ficasse firme, [11] não por causa das obras, mas por aquelle que chamava),

12 Foi-lhe dito a ella: O maior servirá o menor.

13 Como está escripto: [12] Amei Jacob, e aborreci Esaú.

14 Que diremos pois? que ha injustiça da parte de Deus? [13] de maneira nenhuma.

15 Pois diz a Moysés: Compadecer-me-hei de quem me compadecer, e terei misericordia [14] de quem eu tiver misericordia.

16 De sorte que não é do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.

17 Porque diz a Escriptura [15] a Pharaó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja annunciado em toda a terra.

18 De sorte que se compadece de quem quer, e endurece a quem quer.

19 Dir-me-has então: Porque se queixa elle ainda? Porquanto, [16] quem resiste á sua vontade?

20 Mas antes, ó homem, quem és tu, que contestas contra Deus? Porventura [17] a coisa formada dirá ao que a formou: Porque me fizeste assim?

21 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, [18] para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para deshonra?

22 E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, supportou com muita paciencia [19] os vasos da ira, preparados para perdição;

23 Para que tambem désse a conhecer as riquezas [20] da sua gloria nos vasos de misericordia, que para gloria já d’antes preparou,

24 Os quaes somos nós, a quem tambem chamou, [21] não só d’entre os judeos, mas tambem d’entre os gentios?

25 Como tambem diz em Oseas: Chamarei meu povo [22] ao que não era meu povo; e amada á que não era amada.

26 E succederá que [23] no logar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; ahi serão chamados filhos do Deus vivo.

27 Tambem Isaias clamava ácerca d’Israel: Ainda que o [24] numero dos filhos d’Israel seja como a areia do mar, o restante será salvo.

28 Porque o Senhor consummará e abreviará a sua palavra em justiça; pois fará [25] breve a sua palavra sobre a terra.

29 E como antes disse Isaias: Se o Senhor [26] [AIL] dos Exercitos nos não deixára descendencia, foramos feitos como Sodoma, e seriamos similhantes a Gomorrah.

30 Que diremos pois? Que os gentios, [27] que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, porém a justiça que é pela fé.

31 Mas Israel, que buscava [28] a lei da justiça, não chegou á lei da justiça.

32 Porque? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras [29] da lei; porque tropeçaram na pedra de tropeço;

33 Como está escripto: [30] Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escandalo; e todo aquelle que crer n’ella [31] não será confundido.

[1] II Cor. 11.31 e 12.19. Gal. 1.20. I Tim. 2.7.

[2] cap. 10.1.

[3] Exo. 32.32.

[4] Exo. 4.22. Deu. 14.1. Luc. 1.72. Act. 3.25 e 13.32.

[5] cap. 1.3 e 1.25 e 11.28. Deu. 10.15. Mat. 1.16. Jer. 23.6. Heb. 1.8. I João 5.20.

[6] cap. 3.3 e 2.28, 29 e 4.12, 16. João 8.39. Gal. 6.16.

[7] Gal. 4.23. Gen. 21.12. Heb. 11.18.

[8] Gal. 4.28.

[9] Gen. 18.10, 14.

[10] cap. 4.17 e 8.28.

[11] Gen. 25.23.

[12] Deu. 21.15. Pro. 13.24. Mal. 1.2, 3. Mat. 10.37. Luc. 14.26. João 12.25.

[13] Deu. 32.4. II Chr. 19.7. Job 8.3. Psa. 92.15.

[14] Exo. 33.19.

[15] Gal. 3.8, 22. Exo. 9.16.

[16] II Chr. 20.6. Job 9.12. Dan. 4.35.

[17] Isa. 29.16 e 45.9.

[18] Pro. 16.4. Jer. 18.6. II Tim. 2.20.

[19] I The. 5.9. I Ped. 2.8. Jud. 4.

[20] cap. 2.4. Eph. 1.7. Col. 1.27. cap. 8.28, 29, 30.

[21] cap. 3.29.

[22] Ose. 2.23. I Ped. 2.10.

[23] Ose. 1.10.

[24] Isa. 10.22, 23. cap. 11.5.

[25] Isa. 28.22.

[26] Isa. 1.9. Lam. 3.22. Isa. 13.19. Jer. 50.40.

[27] cap. 4.11 e 10.20 e 1.17.

[28] cap. 10.2 e 11.7. Gal. 5.4.

[29] Luc. 2.34. I Cor. 1.23.

[30] Psa. 118.22. Isa. 8.14 e 28.16. Mat. 21.42. I Ped. 2.6, 7, 8.

[31] cap. 10.11.

Os judeos rejeitam a justiça de Deus.

10 Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel, é para sua salvação.

2 Porque lhes dou testemunho de que têem zelo [1] de Deus, mas não com entendimento.

3 Porque, [2] não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua propria justiça, não se sujeitaram á justiça de Deus.

4 Porque o fim da lei é [3] Christo para justiça de todo aquelle que crê.

5 Porque Moysés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: [4] O homem que fizer estas coisas viverá por ellas.

6 Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu [5] coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Christo).

7 Ou, quem descerá ao abysmo? (isto é, a tornar a trazer, dos mortos a Christo).

8 Mas que diz? [6] A palavra está junto de ti, na tua bocca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que prégamos,

9 A saber: Se com a tua bocca confessares [7] ao Senhor Jesus, e em teu coração crêres que Deus o resuscitou dos mortos, serás salvo.

10 Porque com o coração se crê para a justiça, e com a bocca se faz confissão para a salvação.

11 Porque a Escriptura diz: [8] Todo aquelle que n’elle crêr não será confundido.

12 Porque não ha differença entre judeo e grego; [9] porque um mesmo é o Senhor de todos os que o invocam.

13 Porque todo aquelle [10] que invocar o nome do Senhor será salvo.

14 Como pois invocarão aquelle em quem não creram? e como crerão n’aquelle de quem não ouviram? e como [11] ouvirão, se não ha quem prégue?

15 E como prégarão, se não forem enviados? como está escripto: Quão formosos [12] são os pés dos que annunciam a paz, dos que annunciam coisas boas!

16 Mas nem todos obedecem ao evangelho; [13] porque Isaias diz: Senhor, quem creu na nossa prégação?

17 De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.

18 Mas digo: Porventura não ouviram? Sim, por certo, pois por toda a terra saiu o som d’elles, e as suas palavras [14] até aos confins do mundo.

19 Mas digo: Porventura Israel não o conheceu? Primeiramente diz Moysés: Eu [15] vos metterei em ciumes com aquelles que não são povo, com gente insensata vos provocarei á ira.

20 E Isaias se atreve, e diz: Fui achado [16] pelos que me não buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam.

21 Mas contra Israel diz: Todo o dia [17] estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente.

[1] Act. 21.20 e 22.3. Gal. 1.14 e 4.17. cap. 9.31.

[2] cap. 1.17 e 9.30. Phi. 3.9.

[3] Mat. 5.17. Gal. 3.24.

[4] Lev. 18.5. Neh. 9.29. Eze. 20.11, 13, 21. Gal. 3.12.

[5] Deu. 30.12, 13.

[6] Deu. 30.14.

[7] Mat. 10.32. Luc. 12.8. Act. 8.37.

[8] Isa. 28.16 e 49.23. Jer. 17.7. cap. 9.33.

[9] Act. 15.9 e 10.36. Gal. 3.28. cap. 3.29. I Tim. 2.5. Eph. 1.7 e 2.4, 7.

[10] Joel 2.32. Act. 2.21 e 9.14.

[11] Tito 1.3.

[12] Isa. 52.7. Nah. 1.15.

[13] cap. 3.3. Heb. 4.2. Isa. 53.1. João 12.38.

[14] Psa. 19.4. Mat. 24.14 e 28.19. Mar. 16.15. Col. 1.6, 23. I Reis 18.10. Mat. 4.8.

[15] Deu. 32.21. cap. 11.11. Tito 3.3.

[16] Isa. 65.1. cap. 9.30.

[17] Isa. 65.2.

O futuro de Israel.

11 Digo pois: Porventura [1] rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque tambem eu sou israelita, da descendencia d’Abrahão, da tribu de Benjamin.

2 Deus não rejeitou o seu povo, [2] o qual antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escriptura diz de Elias? Como falla a Deus contra Israel, dizendo:

3 Senhor, mataram os teus prophetas, e derribaram os [3] teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma.

4 Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei [4] para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante de Baal.

5 Assim pois [5] tambem agora n’este tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça.

6 E, se é por graça, [6] já não é pelas obras: de outra maneira, a graça já não é graça. E, se é pelas obras, já não é graça: de outra maneira a obra já não é obra.

7 Pois que? O que [7] Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos.

8 Como está escripto: [8] Deus lhes deu espirito de profundo somno; olhos para não vêrem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia d’hoje.

9 E David diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, [9] e em armadilha, e em tropeço e em sua retribuição;

10 Escureçam-se-lhes os olhos [10] para não verem, e encurvem-se-lhes continuamente as costas.

11 Digo pois: Porventura tropeçaram, para que caissem? [11] De modo nenhum, mas pela sua queda veiu a salvação aos gentios, para os incitar á emulação.

12 E, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude?

13 Porque comvosco fallo, gentios, que, emquanto fôr apostolo dos [12] gentios, glorificarei o meu ministerio;

14 Para vêr se de alguma maneira posso incitar á emulação os da minha carne, e salvar [13] alguns d’elles.

15 Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida d’entre os mortos?

16 E, se as primicias são [14] sanctas, tambem a massa o é; se a raiz é sancta, tambem os ramos o são.

17 E, se alguns dos ramos foram quebrados, [15] e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em logar d’elles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira,

18 Não te glories contra [16] os ramos; e, se contra elles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.

19 Dirás pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado.

20 Bem: por incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé [17] pela fé: não te ensoberbeças, mas teme.

21 Porque, se Deus não poupou os ramos naturaes, teme que te não poupe a ti tambem.

22 Considera pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que cairam, severidade; porém para comtigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de [18] outra maneira, tambem tu serás cortado.

23 Porém tambem elles, se não [19] permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.

24 Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro, e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturaes, serão enxertados na sua propria oliveira?

25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo [20] (para que não presumaes de vós mesmos): que o endurecimento veiu em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.

26 E assim todo o Israel será salvo, como está escripto: [21] De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacob as impiedades.

27 E este será o meu concerto [22] com elles, quando eu tirar os seus peccados.

28 Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto á eleição, [23] amados por causa dos paes.

29 Porque os dons e [24] a vocação de Deus são sem arrependimento.

30 Porque assim como vós tambem antigamente [25] fostes desobedientes a Deus, porém agora alcançastes misericordia pela desobediencia d’elles,

31 Assim tambem estes agora foram desobedientes, para tambem alcançarem misericordia pela vossa misericordia.

32 Porque Deus encerrou [26] a todos debaixo da desobediencia, para com todos usar de misericordia.

Hymno de adoração.

33 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da sciencia de Deus! Quão insondaveis [27] são os seus juizos, e quão inexcrutaveis os seus caminhos!

34 Porque quem comprehendeu [28] o intento do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?

35 Ou quem lhe deu [29] primeiro a elle, e lhe será recompensado?

36 Porque d’elle [30] e por elle, e para elle, são todas as coisas; gloria pois a elle eternamente. Amen.

[1] I Sam. 12.22. Jer. 31.37. II Cor. 11.22. Phi. 3.5.

[2] cap. 8.29.

[3] I Reis 19.10, 14.

[4] I Reis 19.18.

[5] cap. 9.27.

[6] cap. 4.4, 5. Gal. 5.4. Deu. 9.4, 5.

[7] cap. 9.31 e 10.3.

[8] Isa. 29.10. Deu. 29.4. Isa. 6.9. Jer. 5.21. Eze. 12.2. Mat. 13.14. João 12.40. Act. 28.26.

[9] Psa. 69.22.

[10] Psa. 69.23.

[11] Act. 13.46 e 18.6 e 22.18, 21 e 28.24, 28. cap. 10.19.

[12] Act. 9.15 e 13.2. cap. 15.16. Gal. 1.16 e 2.2, 7, 8. Eph. 3.8. I Tim. 2.7. II Tim. 1.11.

[13] I Cor. 7.16 e 9.22. I Tim. 4.16. Thi. 5.20.

[14] Lev. 23.10. Num. 15.18, 19, 20, 21.

[15] Jer. 11.16. Act. 2.39. Eph. 2.12, 13.

[16] I Cor. 10.12.

[17] cap. 12.16. Pro. 28.14. Isa. 66.2. Phi. 2.12.

[18] I Cor. 15.2. Heb. 3.6, 14. João 15.2.

[19] II Cor. 3.16.

[20] cap. 12.16. ver. 7. II Cor. 3.14. Luc. 21.24. Apo. 7.9.

[21] Isa. 59.20. Psa. 14.7.

[22] Isa. 27.9. Jer. 31.31, etc. Heb. 8.8 e 10.16.

[23] Deu. 7.8 e 9.5 e 10.15.

[24] Num. 23.19.

[25] Eph. 2.2. Col. 3.7.

[26] cap. 3.9. Gal. 3.22.

[27] Psa. 36.6. Job 11.7.

[28] Job 15.8. Isa. 40.13. Jer. 23.18. I Cor. 2.16.

[29] Job 35.7.

[30] I Cor. 8.6. Col. 1.16. I Tim. 1.17. II Tim. 4.18. Heb. 13.21. I Ped. 5.11. Apo. 1.6.

Consagração a Deus; humildade e fidelidade no uso de seus dons.

12 Rogo-vos pois, irmãos, [1] pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrificio vivo, sancto e agradavel a Deus, que é o vosso culto racional.

2 E não vos conformeis [2] com este mundo, mas transformae-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradavel, e perfeita vontade de Deus.

3 Porque pela graça, que me [3] é dada, digo a cada um d’entre vós que não saiba mais do que convem saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

4 Porque assim como em [4] um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros teem a mesma operação,

5 Assim nós, que somos muitos, [5] somos um só corpo em Christo, mas membros uns dos outros.

6 De modo que, tendo differentes dons, segundo a graça que nos é dada, ou seja [6] prophecia, seja ella segundo a medida da fé;

7 Ou seja ministerio, seja em ministrar; ou o que ensina [7] em ensinar;

8 Ou o que exhorta, em exhortar; o que reparte, em simplicidade; o [8] que preside, com cuidado; o que exercita misericordia, com alegria.

O amor, o fervor, a humildade, a beneficencia.

9 O amor seja não fingido. [9] Aborrecei o mal e apegae-vos ao bem.

10 Amae-vos cordealmente uns aos outros com amor fraternal, [10] preferindo-vos em honra uns aos outros.

11 Não sejaes vagarosos no cuidado: sêde fervorosos no espirito, servindo ao Senhor;

12 Alegrae-vos na esperança, [11] sêde pacientes na tribulação, perseverae na oração;

13 Communicae com os sanctos nas suas necessidades, [12] segui a hospitalidade;

14 Abençoae aos que vos [13] perseguem, abençoae, e não amaldiçoeis:

15 Alegrae-vos com [14] os que se alegram; e chorae com os que choram;

16 Sêde unanimes entre vós; [15] não ambicioneis coisas altivas, mas accommodae-vos ás humildes; não sejaes sabios em vós mesmos;

17 A ninguem [16] torneis mal por mal; procurae as coisas honestas, perante todos os homens.

18 Se fôr possivel, quanto estiver em vós, tende paz com [17] todos os homens.

19 Não vos vingueis a vós mesmos, amados, [18] mas dae logar á ira, porque está escripto: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.

20 Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer: se tiver sêde, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brazas de fogo sobre a sua cabeça.

21 Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

[1] I Ped. 2.5. Psa. 50.14. cap. 6.13. I Cor. 6.20. Heb. 10.20.

[2] I Ped. 1.14. I João 2.15. Eph. 4.23 e 5.17. Col. 3.10. I The. 4.3.

[3] cap. 1.5. I Cor. 3.10 e 15.10. Gal. 2.9. Eph. 3.2 e 4.7. Pro. 25.27. Ecc. 7.16. cap. 11.20. I Cor. 12.11.

[4] I Cor. 12.12. Eph. 4.16.

[5] I Cor. 10.17 e 12.20, 27. Eph. 1.23 e 4.25.

[6] I Cor. 12.4. I Ped. 4.10, 11. Act. 11.27. I Cor. 12.10, 28 e 14.29, 31.

[7] Act. 13.1. Gal. 6.6. Eph. 4.11. I Tim. 5.17.

[8] Act. 15.32 e 20.28. I Cor. 14.3. I Tim. 5.17. I Ped. 5.2. II Cor. 9.7.

[9] I Tim. 1.5. I Ped. 1.22. Psa. 34.14. Amós 5.15.

[10] Heb. 13.1. I Ped. 1.22 e 5.5. II Ped. 1.7. Phi. 2.3.

[11] Luc. 10.20 e 21.19 e 18.1. cap. 5.2. Phi. 3.1. I The. 5.16. I Ped. 4.13 e 2.19. I Tim. 6.11. Heb. 10.36. Thi. 1.4. Act. 2.42. Eph. 6.18. Col. 4.2.

[12] II Cor. 9.1, 12. Heb. 6.10. I João 3.17. Heb. 13.2. I Ped. 4.9.

[13] Mat. 5.44. Luc. 6.28. Act. 7.60. I Cor. 4.12.

[14] I Cor. 12.26.

[15] I Cor. 1.10. Phi. 2.2 e 3.16. I Ped. 3.8.

[16] Pro. 20.22. Mat. 5.39. I The. 5.15. I Ped. 3.9. II Cor. 8.21.

[17] Mar. 9.50. Heb. 12.14.

[18] Lev. 19.18. Pro. 24.29 e 25.21. Deu. 32.35. Heb. 10.30. Exo. 23.4, 5. Mat. 5.44.

Submissão á auctoridade.

13 Toda a alma esteja [1] sujeita ás potestades superiores; porque não ha potestade senão de Deus; e as potestades que ha são ordenadas por Deus.

2 Por isso quem [2] resiste á potestade resiste á ordenação de Deus: e os que resistem trarão sobre si mesmos a condemnação.

3 Porque os magistrados não são para temor das boas obras, senão das más. Queres tu pois não temer a potestade? Faze [3] o bem, e terás louvor d’ella.

4 Porque elle é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, vingador para castigar o que faz o mal.

5 Portanto é necessario [4] estar sujeito, não sómente pelo castigo, mas tambem pela consciencia.

6 Porque por isso tambem pagaes tributos: porque são ministros de Deus, attendendo sempre a isto mesmo.

7 Portanto dae a cada um [5] o que deveis: a quem tributo, tributo: a quem imposto, imposto: a quem temor, temor: a quem honra, honra.

O amor ao proximo, a vigilancia, a pureza.

8 A ninguem devaes coisa alguma, senão o amor com que vos ameis [6] uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.

9 Porque isto: Não [7] adulterarás: Não matarás: Não furtarás: Não darás falso testemunho: Não cubiçarás: e se ha algum outro mandamento, n’esta palavra se resume: Amarás ao teu proximo como a ti mesmo.

10 O amor não faz mal ao proximo. De sorte que o [8] cumprimento da lei é o amor.

11 E isto, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do somno; porque [9] a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando crêmos.

12 A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos [10] pois as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz.

13 Andemos honestamente, [11] como de dia: não em glotonerias, nem em bebedeiras, nem em deshonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja.

14 Mas vesti-vos [12] do Senhor Jesus Christo, e não tenhaes cuidado da carne em suas concupiscencias.

[1] Tito 3.1. I Ped. 2.13. Pro. 8.15, 16. Dan. 2.21. João 19.11.

[2] Tito 3.1.

[3] I Ped. 2.14 e 3.13.

[4] Ecc. 8.2. I Ped. 2.19.

[5] Mat. 22.21. Mar. 12.17. Luc. 20.25.

[6] ver. 10. Gal. 5.14. Col. 3.14. I Tim. 1.5. Thi. 2.8.

[7] Exo. 20.13, etc. Deu. 5.17, etc. Mat. 19.18 e 22.39. Lev. 19.18. Gal. 5.14. Thi. 2.8.

[8] Mat. 22.40. ver. 8.

[9] I Cor. 15.34. Eph. 5.14. I The. 5.5.

[10] Eph. 5.11. Col. 3.8. I The. 5.8.

[11] Phi. 4.8. I The. 4.12. Pro. 23.20. Luc. 21.34. I Ped. 4.3. I Cor. 6.9. Eph. 5.5.

[12] Gal. 3.27. Eph. 4.24. Col. 3.10. Gal. 5.16. I Ped. 2.11.

Tolerancia para com os fracos na fé.

14 Ora, quanto ao que está enfermo [1] na fé, recebei-o, não em contendas de disputas.

2 Porque um crê que de tudo se pode comer, [2] e outro, que é enfermo, come legumes.

3 O que come não despreze ao que não come; [3] e o que não come não julgue ao que come; porque Deus o recebeu por seu.

4 Quem és tu, [4] que julgas ao servo alheio? Para seu proprio Senhor está em pé ou cae; porém estará firme; porque poderoso é Deus para o firmar.

5 Um faz differença [5] entre dia e dia, mas outro julga eguaes todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu proprio animo.

6 Aquelle que faz caso do dia, [6] para o Senhor o faz; e o que não faz caso do dia, para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.

7 Porque nenhum [7] de nós vive para si, e nenhum morre para si.

8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos: se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.

9 Porque para isto [8] tambem morreu Christo, e resuscitou, e tornou a viver; para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos.

10 Mas tu, porque julgas a teu irmão? Ou tu, tambem, porque desprezas a teu irmão? Pois todos [9] havemos de comparecer ante o tribunal de Christo.

11 Porque está escripto: [10] Vivo eu, diz o Senhor: que todo o joelho se dobrará diante de mim, e toda a lingua confessará a Deus.

12 De maneira que cada um [11] de nós dará conta de si mesmo a Deus.

A liberdade e a caridade.

13 Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; [12] mas antes julgae isto, não pôr tropeço ou escandalo ao irmão.

14 Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo immunda [13] senão para aquelle que a tem por immunda, para esse é immunda.

15 Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. [14] Não destruas com a tua comida aquelle por quem Christo morreu.

16 Não seja pois [15] blasphemado o vosso bem;

17 Porque o reino [16] de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espirito Sancto.

18 Porque quem n’isto serve a Christo [17] agradavel é a Deus e acceito aos homens.

19 Sigamos [18] pois as coisas que servem para a paz e para a [19] edificação de uns para com os outros.

20 Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que [20] todas as coisas são limpas, mas é mau para o homem que come com escandalo.

21 Bom é não comer carne, [21] nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.

22 Tens tu fé? Tem-n’a em ti mesmo diante de Deus. Bemaventurado aquelle [22] que não se condemna a si mesmo no que approva.

23 Mas aquelle que duvida, se come está condemnado, porque não come por fé; e tudo [23] que não é de fé é peccado.

[1] I Cor. 8.9, 11 e 9.22.

[2] I Cor. 10.25. I Tim. 4.4. Tito 1.15.

[3] Col. 2.16.

[4] Thi. 4.12.

[5] Gal. 4.10. Col. 2.16.

[6] Gal. 4.10. I Cor. 10.31. I Tim. 4.3.

[7] I Cor. 6.19, 20. Gal. 2.20. I The. 5.10. I Ped. 4.2.

[8] II Cor. 5.15. Act. 10.36.

[9] Mat. 25.31, 32. Act. 10.42 e 17.31. II Cor. 5.10.

[10] Isa. 45.23. Phi. 2.10.

[11] Mat. 12.36. Gal. 6.5. I Ped. 4.5.

[12] I Cor. 8.9, 13 e 10.32.

[13] Act. 10.15. ver. 2, 20. I Cor. 10.25. I Tim. 4.4. Tito 1.15.

[14] I Cor. 8.11.

[15] cap. 12.17.

[16] I Cor. 8.8.

[17] II Cor. 8.21.

[18] Psa. 34.14. cap. 12.18.

[19] cap. 15.2. I Cor. 14.12. I The. 5.11.

[20] Mat. 15.11. Act. 10.15. ver. 14. Tito 1.15. I Cor. 8.9, 10, 11, 12.

[21] I Cor. 8.13.

[22] I João 3.21.

[23] Tito 1.15.

Christo dá-nos o exemplo da abnegação.

15 Mas nós, que somos fortes, devemos [1] supportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos.

2 Portanto cada um de nós [2] agrade ao seu proximo no que é bom para edificação.

3 Porque tambem Christo não agradou a si mesmo, [3] mas, como está escripto: Sobre mim cairam as injurias dos que te injuriavam.

4 Porque todas as coisas que d’antes foram [4] escriptas, para nosso ensino foram escriptas, para que pela paciencia e consolação das Escripturas tenhamos esperança.

5 Ora o Deus de paciencia [5] e consolação vos conceda que entre vós sintaes uma mesma coisa, segundo Jesus Christo.

6 Para que concordes, [6] a uma bocca, glorifiqueis ao Deus e Pae de Nosso Senhor Jesus Christo.

7 Portanto recebei uns aos outros, como [7] tambem Christo nos recebeu para gloria de Deus.

8 Digo pois [8] que Jesus Christo foi ministro da circumcisão, por causa da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos paes;

9 E para que os gentios [9] glorifiquem a Deus pela sua misericordia, como está escripto: Portanto eu te confessarei entre os gentios, e cantarei ao teu nome.

10 E outra vez diz: [10] Alegrae-vos, gentios, com o seu povo.

11 E outra vez: Louvae [11] ao Senhor, todos os gentios, e celebrae-o, todos os povos.

12 E outra vez diz Isaias: Uma raiz [12] de Jessé haverá, e n’aquelle que se levantar para reger os gentios esperarão os gentios.

13 Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo [13] e paz na fé, para que abundeis em esperança pela virtude do Espirito Sancto.

O apostolado e propositos de Paulo.

14 Porém, meus irmãos, certo [14] estou, a respeito de vós, que tambem vós mesmos estaes cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, e poderosos para tambem vos admoestardes uns aos outros.

15 Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais ousadamente, como trazendo-vos outra vez isto á memoria, pela graça [15] que por Deus me foi dada;

16 Para que seja [16] ministro de Jesus Christo entre os gentios, administrando o evangelho de Deus, para que seja agradavel a offerta dos gentios, sanctificada pelo Espirito Sancto.

17 De sorte que tenho gloria em Jesus Christo nas coisas que pertencem [17] a Deus.

18 Porque não ousaria dizer coisa alguma, que [18] Christo por mim não tenha feito, para obediencia dos gentios, por palavra e por obras;

19 Pelo poder dos signaes [19] e prodigios, pela virtude do Espirito de Deus: de maneira que desde Jerusalem, e pelos arredores, até ao Illyrico, tenho prégado o evangelho de Jesus Christo.

20 E assim afectuosamente me esforcei em annunciar o evangelho, não onde Christo [20] houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio,

21 Antes, como está escripto: Aquelles a quem não foi [21] annunciado o verão, e os que não ouviram o entenderão.

22 Pelo que tambem muitas vezes [22] tenho sido impedido de ir ter comvosco.

23 Mas agora, que não [23] tenho mais demora n’estas partes, e tendo já ha muitos annos grande desejo de ir ter comvosco,

24 Quando partir para Hespanha irei ter comvosco; pois espero que de passagem vos verei e para lá [24] serei acompanhado de vós, depois de ter gozado em parte da vossa presença.

25 Mas agora vou a Jerusalem para [25] ministrar aos sanctos.

26 Porque pareceu bem á Macedonia [26] e á Achaia fazerem uma collecta para os pobres d’entre os sanctos que estão em Jerusalem.

27 Porque lhes pareceu bem, e são-lhes devedores. Porque, se os gentios [27] foram participantes dos seus bens espirituaes, devem tambem ministrar-lhes os temporaes.

28 Assim que, concluido isto, e havendo-lhes consignado este [28] fructo, de lá, passando por vós, irei a Hespanha.

29 E bem sei que, chegando a vós, chegarei com a plenitude da benção do evangelho de Christo.

30 E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Christo [29] e pelo amor do Espirito, que combataes comigo em orações por mim a Deus;

31 Para que seja livre [30] dos rebeldes que estão na Judéa, e que esta minha administração, que em Jerusalem faço, seja acceite aos sanctos;

32 Para que, pela vontade de Deus, chegue a vós [31] com alegria, e possa recreiar-me comvosco.

33 E o Deus de [32] paz seja com todos vós. Amen.

[1] Gal. 6.1. cap. 14.1.

[2] I Cor. 9.19, 22 e 10.24. Phi. 2.4, 5. cap. 14.19.

[3] Mat. 26.39. João 5.30 e 6.38. Psa. 69.9.

[4] cap. 4.23, 24. I Cor. 9.9. II Tim. 3.16, 17.

[5] cap. 12.16. I Cor. 1.10. Phi. 3.16.

[6] Act. 4.24, 32.

[7] cap. 14.1, 3 e 5.2.

[8] Mat. 15.24. João 1.11. Act. 3.25. II Cor. 1.20.

[9] João 10.16. cap. 9.23. Psa. 18.49.

[10] Deu. 32.43.

[11] Psa. 117.1.

[12] Isa. 11.1, 10. Apo. 5.5 e 22.16.

[13] cap. 12.12 e 14.17.

[14] II Ped. 1.12. I João 2.21. I Cor. 8.1, 7, 10.

[15] cap. 1.5 e 12.3. Gal. 1.15. Eph. 3.7.

[16] cap. 11.13. Gal. 2.7. I Tim. 2.7. II Tim. 1.11. Isa. 66.20. Phi. 2.17.

[17] Heb. 5.1.

[18] Act. 21.19. Gal. 2.8. cap. 1.5 e 16.26.

[19] Act. 19.11. II Cor. 12.12.

[20] II Cor. 10.13.

[21] Isa. 52.15.

[22] cap. 1.13. I The. 2.17, 18.

[23] Act. 19.21. ver. 32. cap. 1.11.

[24] Act. 15.3.

[25] Act. 19.21 e 20.22 e 24.17.

[26] I Cor. 16.1, 2. II Cor. 8.1 e 9.2, 12.

[27] cap. 11.17. I Cor. 9.11. Gal. 6.6.

[28] Phi. 4.17.

[29] Phi. 2.1. II Cor. 1.11. Col. 4.12.

[30] II The. 3.2. II Cor. 8.4.

[31] Act. 18.21. I Cor. 4.19. Thi. 4.15. I Cor. 16.18. II Cor. 7.13. II Tim. 1.16. Phi. 1.20.

[32] I Cor. 14.33. II Cor. 13.11. Phi. 4.9. I The. 5.23. II The. 3.16. Heb. 13.20.

Recommendações, saudações e votos.

16 Recommendo-vos pois Phebe, nossa irmã, a qual serve na egreja que está em [1] Cenchrea.

2 Para que a recebaes no Senhor, como [2] convem aos sanctos e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como tambem a mim mesmo.

3 Saudae a Priscilla [3] e a Aquila, meus cooperadores em Christo Jesus,

4 Que pela minha vida expozeram [AIM] as suas cabeças; aos quaes não só eu agradeço, mas tambem todas as egrejas dos gentios.

5 Saudae tambem a egreja [4] que está em sua casa. Saudae a Epéneto, meu amado, que é as primicias da Asia em Christo.

6 Saudae a Maria, que trabalhou muito por nós.

7 Saudae a Andronico e a Junia, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quaes se assignalam entre os apostolos [5] e que foram antes de mim em Christo.

8 Saudae a Amplias, meu amado no Senhor.

9 Saudae a Urbano, nosso cooperador em Christo, e a Stachys, meu amado.

10 Saudae a Apelles, approvado em Christo. Saudae aos da familia d’Aristobulo.

11 Saudae a Herodião, meu parente. Saudae aos da familia de Narciso, os que estão no Senhor.

12 Saudae a Tryphena e a Tryphosa, as quaes trabalham no Senhor. Saudae á amada Persida, a qual muito trabalhou no Senhor.

13 Saudae a Rufo, [6] eleito no Senhor, e a sua mãe e minha.

14 Saudae a Asyncrito, a Phlegonte, a Hermas, a Patrobas, a Hermes, e aos irmãos que estão com elles.

15 Saudae a Philologo e a Julia, a Nereo e a sua irmã, e a Olympia, e a todos os sanctos que com elles estão.

16 Saudae-vos uns aos [7] outros com sancto osculo. As egrejas de Christo vos saudam.

17 E rogo-vos, irmãos, que vos acauteleis dos que promovem dissensões [8] e escandalos contra a doutrina que aprendestes; desviae-vos d’elles.

18 Porque os taes não servem a nosso Senhor Jesus Christo, mas ao seu [9] ventre: e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simplices.

19 Porque a vossa obediencia [10] é conhecida de todos. Comprazo-me pois em vós; e quero que sejaes sabios no bem, porém simplices no mal.

20 E o Deus de paz [11] esmagará logo a Satanaz debaixo dos vossos pés. A graça de Nosso Senhor Jesus Christo seja comvosco. Amen.

21 Saudam-vos Timotheo, meu cooperador, e Lucio, e Jason, [12] e Sosipater, meus parentes.

22 Eu, Tercio, que esta carta escrevi, vos saudo no Senhor.

23 Sauda-vos Gaio, [13] meu hospedeiro, e de toda a egreja. Sauda-vos Erasto, procurador da cidade, e tambem o irmão Quarto.

24 A graça de nosso [14] Senhor Jesus Christo seja com todos vós. Amen.

25 Ora, áquelle que é [15] poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho, e a prégação de Jesus Christo, conforme a revelação do mysterio que desde tempos eternos foi encoberto,

26 Mas agora se manifestou, e se notificou [16] pelas Escripturas dos prophetas, segundo o mandamento do Deus eterno, para obediencia [17] da fé entre todas as nações,

27 Ao unico Deus, sabio, [18] seja gloria por Jesus Christo para todo o sempre. Amen.

[1] Act. 13.18.

[2] Phi. 2.29. III João 5, 6.

[3] Act. 18.2, 18, 26. II Tim. 4.19.

[4] I Cor. 16.15, 19. Col. 4.15. Phi. 2.

[5] Gal. 1.22.

[6] II João 1.

[7] I Cor. 16.20. I The. 5.26. I Ped. 5.14.

[8] Act. 15.1, 5, 24. I Cor. 5.9, 11. II The. 3.6, 14. II Tim. 3.5. Tito 3.10. II João 10.

[9] Phi. 3.19. I Tim. 6.5. Col. 2.4. II Tim. 3.6. Tito 1.10. II Ped. 2.3.

[10] Mat. 10.16. I Cor. 14.20.

[11] Gen. 3.15. I Cor. 16.23. Phi. 4.23. Apo. 22.21.

[12] Act. 16.1 e 13.1. Phi. 2.19. I The. 3.2. I Tim. 1.2. Heb. 13.23.

[13] I Cor. 1.14. Act. 19.22. II Tim. 4.20.

[14] I The. 5.28.

[15] Eph. 3.20 e 1.9. I The. 3.13. II The. 2.17 e 3.3. Jud. 24. Col. 1.26, 27. I Cor. 2.7.

[16] Eph. 1.9. II Tim. 1.10. Tito 1.2, 3. I Ped. 1.20.

[17] Act. 6.7. cap. 1.5.

[18] I Tim. 1.17 e 6.16. Jud. 25.

PRIMEIRA EPISTOLA DE S. PAULO APOSTOLO AOS CORINTHIOS.

Prefacio, saudação e acção de graças.

[Anno Domini 59]

1 Paulo (chamado [1] apostolo de Jesus Christo, pela vontade de Deus), e o irmão Sosthenes,

2 Á egreja de Deus que está em Corintho, [2] aos sanctificados em Christo Jesus, chamados sanctos, com todos os que em todo o logar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Christo, Senhor d’elles e nosso:

3 Graça [3] e paz de Deus nosso Pae, e do Senhor Jesus Christo.

4 Sempre dou graças ao meu Deus por vós [4] pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Christo.

5 Porque em todas as coisas sois enriquecidos n’elle, [5] em toda a palavra e em todo o conhecimento

6 (Como o testemunho [6] de Christo foi confirmado entre vós).

7 De maneira que nenhum dom vos falte, esperando a manifestação [7] de nosso Senhor Jesus Christo,

8 O qual vos confirmará tambem até ao fim, para serdes irreprehensiveis [8] no dia de nosso Senhor Jesus Christo.

9 Fiel é Deus, [9] pelo qual fostes chamados para a communhão de seu Filho Jesus Christo nosso Senhor.

As dissensões na egreja de Corintho.

10 Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Christo, que digaes todos uma mesma [10] coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejaes unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer.

11 Porque de vós, irmãos meus, me foi notificado pelos da familia de Chloe que ha contendas entre vós.

12 E digo isto, [11] que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apollos, e eu de Cephas, e eu de Christo.

13 Está Christo divídido? [12] foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós baptizados em nome de Paulo?

14 Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós baptizei, senão a [13] Crispo e a Gaio.

15 Para que ninguem diga que eu tenho baptizado em meu nome.

16 E baptizei tambem a [14] familia de Estephanas; além d’estes, não sei se baptizei algum outro.

17 Porque Christo enviou-me, não para baptizar, mas para evangelizar; não em sabedoria [15] de palavras, para que a cruz de Christo se não faça vã.

18 Porque a palavra da cruz é loucura para [16] os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.

19 Porque está escripto: [17] Destruirei a sabedoria dos sabios, e aniquilarei a intelligencia dos intelligentes.

20 Onde está [18] o sabio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor d’este seculo? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria d’este mundo?

21 Porque, como na sabedoria [19] de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da prégação.

22 Porque os judeos pedem [20] signal, e os gregos buscam sabedoria;

23 Mas nós prégamos a Christo crucificado, que é escandalo para [21] os judeos, e loucura para os gregos.

24 Porém para os que são chamados, tanto judeos como gregos, lhes prégamos a Christo, [22] poder de Deus, e sabedoria de Deus.

25 Porque a loucura de Deus é mais sabia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

26 Porque, vêde, irmãos a vossa vocação, que não muitos sabios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres [23] são chamados.

27 Mas Deus escolheu [24] as coisas loucas d’este mundo para confundir as sabias; e Deus escolheu as coisas fracas d’este mundo para confundir as fortes;

28 E Deus escolheu as coisas vis d’este mundo, e as despreziveis, [25] e as que não são, para aniquilar as que são;

29 Para que nenhuma [26] carne se glorie perante elle.

30 Mas vós sois d’elle, em Jesus Christo, o qual nos foi feito por Deus sabedoria, [27] e justiça, e sanctificação, e redempção;

31 Para que, como está escripto: Aquelle que se gloría [28] glorie-se no Senhor.

[1] Rom. 1.1. Eph. 1.1. Act. 18.17.

[2] Jud. 1. João 17.19. Act. 15.9. Rom. 1.7. II Tim. 1.9.

[3] Rom. 1.7. II Cor. 1.2. I Ped. 1.2.

[4] Rom. 1.8.

[5] II Cor. 8.7.

[6] cap. 2.1. II Tim. 1.8. Apo. 1.2.

[7] Phi. 3.20. Tito 2.13. II Ped. 3.12.

[8] I The. 3.13 e 5.23. Col. 1.22.

[9] Isa. 49.7. cap. 10.13. I The. 5.24. II The. 3.3. Heb. 10.23. João 15.4. I João 1.3.

[10] Rom. 12.16. II Cor. 13.11. Phi. 2.2. I Ped. 3.8.

[11] cap. 3.4 e 16.12. Act. 18.24 e 19.1. João 1.42.

[12] II Cor. 11.4. Eph. 4.5.

[13] Act. 18.8. Rom. 16.23.

[14] cap. 16.15, 17.

[15] cap. 2.1, 4, 13. II Ped. 1.16.

[16] II Cor. 2.15. Act. 17.18. cap. 2.14. Rom. 1.16. ver. 24.

[17] Job 5.12. Isa. 29.14. Jer. 8.9.

[18] Isa. 33.18 e 44.25. Job 12.17, 20, 24. Rom. 1.22.

[19] Mat. 11.25. Luc. 10.21. Rom. 1.20, 21, 28.

[20] Mat. 12.38 e 16.1. Mar. 8.11. Luc. 11.16. João 4.48.

[21] Isa. 8.14. Mat. 11.6. Luc. 2.34. João 6.60, 66. Rom. 9.32. Gal. 5.11. I Ped. 2.8.

[22] Rom. 1.4, 16. ver. 18. Col. 2.3.

[23] João 7.48.

[24] Mat. 11.25. Thi. 2.5. Psa. 8.2.

[25] Rom. 4.17. cap. 2.6.

[26] Rom. 3.27. Eph. 2.9.

[27] Jer. 23.5, 6. Rom. 4.25. II Cor. 5.21. Phi. 3.9. João 17.19. Eph. 1.7.

[28] Jer. 9.23, 24. II Cor. 10.17.

O caracter da prégação de Paulo em Corintho.

2 E eu, irmãos, quando fui ter comvosco, annunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com [1] sublimidade de palavras ou de sabedoria.

2 Porque não me propuz saber coisa alguma entre vós, [2] senão a Jesus Christo, e este crucificado.

3 E eu estive comvosco [3] em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.

4 A minha palavra, e a minha prégação, não consistiu em palavras persuasivas [4] de sabedoria humana, mas em demonstração de Espirito e de poder;

5 Para que a vossa fé não fosse em sabedoria dos homens, [5] mas no poder de Deus.

6 Todavia fallamos sabedoria entre os [6] perfeitos; não porém a sabedoria d’este mundo, nem dos principes d’este mundo, que se aniquilam;

7 Mas fallamos a sabedoria de Deus, occulta em mysterio, a qual Deus ordenou [7] antes dos seculos para nossa gloria;

8 A qual nenhum [8] dos principes d’este mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da gloria.

9 Mas, como está escripto: As coisas que o olho não [9] viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.

10 Porém Deus [10] nol-as revelou pelo seu Espirito; porque o Espirito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.

11 Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, [11] senão o espirito do homem, que n’elle está? assim tambem ninguem sabe as coisas de Deus, senão o Espirito de Deus.

12 Porém nós não recebemos o espirito do mundo, mas o [12] Espirito que provém de Deus; para que saibamos as coisas que nos são dadas por Deus.

13 As quaes tambem [13] fallamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espirito Sancto ensina, comparando as coisas espirituaes com as espirituaes,

14 Mas o homem natural não comprehende as coisas [14] do Espirito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendel-as, porquanto se discernem espiritualmente.

15 Porém o espiritual [15] discerne bem todas as coisas, mas elle de ninguem é discernido.

16 Porque, quem [16] conheceu a mente do Senhor, para que possa instruil-o? Mas nós temos a mente de Christo.

[1] II Cor. 10.10. cap. 1.6.

[2] Gal. 6.14. Phi. 3.8.

[3] Act. 18.1, 6, 12. II Cor. 4.7 e 10.1, 10. Gal. 4.13.

[4] cap. 1.17. II Ped. 1.16. Rom. 15.19. I The. 1.5.

[5] II Cor. 4.7 e 6.7.

[6] cap. 14.20 e 1.20. Eph. 4.13. Phi. 3.15. Heb. 5.14. II Cor. 1.12. Thi. 3.15.

[7] Rom. 16.25, 26. Eph. 3.5, 9. Col. 1.26. II Tim. 1.9.

[8] Mat. 11.25. João 7.48. Act. 13.27. II Cor. 3.14. Luc. 23.34.

[9] Isa. 64.4.

[10] Mat. 13.11. João 14.26. I João 2.27.

[11] Pro. 20.27 e 27.19. Jer. 17.9. Rom. 11.33.

[12] Rom. 8.15.

[13] II Ped. 1.16. cap. 1.17. ver. 4.

[14] Mat. 16.23. cap. 1.18, 23. Rom. 8.5, 7. Jud. 19.

[15] Pro. 28.6. I The. 5.21. I João 4.1.

[16] Job 15.8. Isa. 40.13. Jer. 23.18. Rom. 11.34. João 15.15.

O espirito mundano causa dissensões nas egrejas.

[Anno Domini 60]

3 E eu, irmãos, não vos pude fallar como a espirituaes, [1] mas como a carnaes, como a meninos em Christo.

2 Com leite vos criei, [2] e não com manjar, porque ainda não podieis, nem tão pouco ainda agora podeis;

3 Porque ainda sois carnaes: pois, havendo entre [3] vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnaes, e não andaes segundo os homens?

4 Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; [4] e outro: Eu de Apollos: porventura não sois carnaes?

5 Pois quem é Paulo, e quem é Apollos, [5] senão ministros pelos quaes crêstes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?

6 Eu plantei; [6] Apollos regou; mas Deus deu o crescimento.

7 Pelo que, nem o que [7] planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.

8 E o que planta e o que rega são um; mas cada [8] um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.

9 Porque nós somos [9] cooperadores de Deus: vós sois lavoura de Deus e edificio de Deus.

10 Segundo a graça de Deus [10] que me foi dada, puz eu, como sabio architecto, o fundamento, e outro edifica sobre elle; mas veja cada um como edifica sobre elle.

11 Porque ninguem pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o [11] qual é Jesus Christo.

12 E, se alguem sobre este fundamento edificar oiro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,

13 A obra de [12] cada um se manifestará; porque o dia a declarará, porquanto pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um.

14 Se a obra d’alguem, que edificou sobre elle, permanecer, [13] esse receberá galardão.

15 Se a obra d’alguem se queimar, soffrerá detrimento; porém o tal será salvo, todavia como pelo [14] fogo.

16 Não sabeis vós que sois [15] o templo de Deus, e que o Espirito de Deus habita em vós?

17 Se alguem destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é sancto.

18 Ninguem se engane [16] a si mesmo: se alguem d’entre vós se tem por sabio n’este mundo, faça-se louco para ser sabio.

19 Porque a sabedoria [17] d’este mundo é loucura diante de Deus; porque está escripto: Elle apanha os sabios na sua propria astucia.

20 E outra vez: O Senhor [18] conhece os pensamentos dos sabios, que são vãos.

21 Portanto ninguem [19] se glorie nos homens; porque tudo é vosso;

22 Seja Paulo, seja Apollos, seja Cephas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso,

23 E vós de Christo, [20] e Christo de Deus.

[1] cap. 2.14, 15.

[2] Heb. 5.13. I Ped. 2.2. João 16.12.

[3] cap. 1.11. Gal. 5.20, 21. Thi. 3.16.

[4] cap. 1.12.

[5] II Cor. 3.3. Rom. 12.3, 6. I Ped. 4.11.

[6] Act. 18.4, 8, 11 e 18.24. cap. 4.15. II Cor. 10.14, 15 e 11.30. II Cor. 3.5.

[7] II Cor. 12.11. Gal. 6.3.

[8] Psa. 62.12. Rom. 2.6. Gal. 6.4, 5. Apo. 2.23.

[9] Act. 15.4. II Cor. 6.1. Eph. 2.20. Heb. 3.3, 4. I Ped. 2.5.

[10] Rom. 1.5 e 15.20. cap. 4.15. Apo. 21.14. I Ped. 4.11.

[11] Isa. 28.16. Mat. 16.18. II Cor. 11.4. Gal. 1.7. Eph. 2.20.

[12] cap. 4.5. I Ped. 1.7 e 4.12. Luc. 2.35.

[13] cap. 4.5.

[14] Jud. 23.

[15] II Cor. 6.16. Eph. 2.21, 22. Heb. 3.6. I Ped. 2.5.

[16] Pro. 3.7. Isa. 5.21.

[17] cap. 1.20 e 2.6. Job 5.13.

[18] Psa. 94.11.

[19] cap. 1.12 e 4.6. ver. 4, 5, 6. II Cor. 4.5, 15.

[20] Rom. 14.8. cap. 11.3. II Cor. 10.7. Gal. 3.29.

Os ministros e dispenseiros dos mysterios de Deus.

4 Que os homens nos considerem como ministros [1] de Christo, e dispenseiros dos mysterios de Deus.

2 Além d’isso requer-se nos dispenseiros que cada um se ache fiel.

3 Porém a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por algum juizo humano; nem eu tão pouco a mim mesmo me julgo.

4 Porque em nada me sinto culpado; mas [2] nem por isso estou justificado; pois quem me julga é o Senhor.

5 De sorte que nada julgueis antes de tempo, [3] até que o Senhor venha, o qual tambem trará á luz as coisas occultas das trevas, e manifestará os designios dos corações; e então [4] cada um receberá de Deus o louvor.

A vangloria dos corinthios. A humildade e auctoridade do apostolo.

6 E eu, irmãos, appliquei estas coisas, [5] por similhança, a mim e a Apollos, por amor de vós; para que em nós aprendaes a não ir além do que está escripto, para que não vos ensoberbeçaes a favor de um contra outro.

7 Porque, quem te differença? [6] E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias, como se não o houveras recebido?

8 Já estaes fartos! [7] já estaes ricos! sem nós reinaes! e oxalá reineis para que tambem nós reinemos comvosco!

9 Porque tenho para mim, que Deus a nós, apostolos, nos designou ultimos, [8] como condemnados á morte; pois somos feitos espectaculo ao mundo, aos anjos, e aos homens.

10 Nós somos loucos por amor de Christo, [9] e vós sabios em Christo: nós fracos, e vós fortes: vós illustres, e nós vis.

11 Até esta presente hora [10] soffremos fome, e sêde, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa,

12 E trabalhamos [11] obrando com nossas proprias mãos: somos injuriados, e bemdizemos: somos perseguidos, e soffremos:

13 Somos blasphemados, e rogamos: até ao presente temos chegado a [12] ser como o lixo d’este mundo, e como a escoria de todos.

14 Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos [13] como meus filhos amados.

15 Porque ainda que tivesseis dez mil [AIN] aios em Christo [14] não terieis comtudo muitos paes; porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Christo.

16 Admoesto-vos portanto [15] a que sejaes meus imitadores.

17 Por esta causa vos [16] mandei Timotheo, que é meu filho amado, e fiel no Senhor: o qual vos lembrará os meus caminhos em Christo, como por todas as partes ensino em cada egreja.

18 Mas alguns andam [17] inchados, como se eu não houvesse de ir ter comvosco.

19 Porém em breve irei ter [18] comvosco, se o Senhor quizer, e então conhecerei, não as palavras dos que andam inchados, mas a virtude.

20 Porque o reino [19] de Deus não consiste em palavras, mas em virtude.

21 Que quereis? Irei ter comvosco com vara [20] ou com amor e espirito de mansidão?

[1] Mat. 24.45. cap. 3.5 e 9.17. II Cor. 6.4. Col. 1.25. Luc. 12.42. Tito 1.7. I Ped. 4.10.

[2] Job 9.2. Psa. 130.3. Pro. 21.2. Rom. 3.20.

[3] Mat. 7.1. Rom. 2.1, 16 e 14.4, 10, 13. Apo. 20.12. cap. 3.13.

[4] Rom. 2.29. II Cor. 5.10.

[5] cap. 1.12 e 3.4 e 3.21 e 5.2, 6. Rom. 12.3.

[6] João 3.27. Thi. 1.17. I Ped. 4.10.

[7] Apo. 3.17.

[8] Psa. 44.22. Rom. 8.36. II Cor. 4.11. Heb. 10.33.

[9] Act. 17.18. II Reis 9.11. II Cor. 13.9.

[10] II Cor. 4.8. Phi. 4.12. Rom. 8.35. Act. 23.2.

[11] Act. 18.3 e 7.60. I The. 2.9. II The. 3.8. I Tim. 4.10. Mat. 5.44. Luc. 6.28. Rom. 12.14. I Ped. 2.23.

[12] Lam. 3.45.

[13] I The. 2.11.

[14] Act. 18.11. Rom. 15.20. Gal. 4.19. Phi. 10. Thi. 1.18.

[15] Phi. 3.17. I The. 1.6. II The. 3.9.

[16] Act. 19.22. Phi. 2.19. I The. 3.2. I Tim. 1.2. II Tim. 1.2. cap. 11.2.

[17] cap. 5.2.

[18] Act. 19.21 e 18.21. II Cor. 1.15. Rom. 15.32. Heb. 6.3. Thi. 4.15.

[19] I The. 1.5.

[20] II Cor. 10.2.

A impureza da egreja de Corintho; reprehensões e exhortações.

5 Geralmente se ouve que ha entre vós fornicação, e fornicação tal, qual nem ainda entre [1] os gentios, como é haver quem abuse da mulher de seu pae.

2 E estaes inchados, [2] e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido d’entre vós tirado quem commetteu tal feito.

3 Eu na verdade, [3] ainda que ausente, no corpo, mas presente no espirito, já determinei como se estivesse presente, que o que tal assim commetteu,

4 Em nome de nosso Senhor Jesus Christo, juntos vós e o meu espirito, em virtude [4] de nosso Senhor Jesus Christo,

5 Seja entregue [5] a Satanás para destruição da carne, para que o espirito seja salvo no dia do Senhor Jesus.

6 Não é boa [6] a vossa jactancia. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?

7 Limpae pois o fermento velho, para que sejaes uma nova massa, assim como sois sem fermento. Porque Christo, [7] nossa paschoa, foi sacrificado por nós.

8 Pelo que façamos a festa, [8] não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malicia, mas com os pães asmos da sinceridade e da verdade.

9 Já por carta vos tenho escripto, que não vos associeis [9] com os fornicadores;

10 Mas não [10] absolutamente com os fornicadores d’este mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idolatras; porque então vos seria necessario sair do mundo.

11 Mas agora vos escrevi que não vos associeis, quero dizer, que, se algum, chamando-se irmão, [11] fôr fornicador, ou avarento, ou idolatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador, com o tal nem ainda comaes.

12 Porque, que tenho eu em [12] julgar tambem os que estão fóra? Não julgaes vós os que estão dentro?

13 Mas Deus julga os que estão fóra. [13] Tirae pois d’entre vós a esse iniquo.

[1] Eph. 5.3. Lev. 18.8. Deu. 22.30. II Cor. 7.12.

[2] cap. 4.18. II Cor. 7.7, 10.

[3] Col. 2.5.

[4] Mat. 16.19. João 20.23. II Cor. 2.10.

[5] Job 2.6. Psa. 109.6. I Tim. 1.20. Act. 26.18.

[6] cap. 3.21. Thi. 4.6. Gal. 5.9. II Tim. 2.17.

[7] Isa. 53.7. João 1.29 e 19.14. cap. 15.3. I Ped. 1.19. Apo. 5.6.

[8] Exo. 12.15. Mat. 16.3. Mat. 16.6, 12. Mar. 8.15. Luc. 12.1.

[9] II Cor. 6.14. Eph. 5.11. II The. 3.14.

[10] cap. 1.20. João 17.15. I João 5.19.

[11] Mat. 18.17. Rom. 16.17. II The. 3.6. II João 10. Gal. 2.12.

[12] Mar. 4.11. Col. 4.5. I The. 4.12. I Tim. 3.7. cap. 6.1.

[13] Deu. 13.5 e 17.7 e 21.21 e 22.21.

Paulo censura o litigio entre os irmãos.

6 Ousa algum de vós, tendo algum negocio contra outro, ir a juizo perante os injustos, e não perante os sanctos?

2 Não sabeis vós que os sanctos [1] hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas minimas?

3 Não sabeis vós que havemos de julgar os [2] anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?

4 Assim que, se tiverdes [3] negocios em juizo, pertencentes a esta vida, ponde na cadeira aos que são de menos estima na egreja.

5 Para vos envergonhar o digo: Não ha pois entre vós sabios, nem ainda um, que possa julgar entre seus irmãos?

6 Mas o irmão vae a juizo com o irmão, e isto perante infieis.

7 Assim que é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. [4] Porque não soffreis antes a injustiça? Porque não soffreis antes o damno?

8 Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o damno; [5] e isto aos irmãos.

9 Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?

10 Não erreis: [6] nem os fornicadores, nem os idolatras, nem os adulteros, nem os effeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bebedos, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.

11 E é o que alguns teem sido, [7] mas haveis sido lavados, mas haveis sido sanctificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espirito do nosso Deus.

Os nossos corpos são membros de Christo.

12 Todas as coisas me são [8] licitas, mas nem todas as coisas conveem: todas as coisas me são licitas; porém eu não me deixarei dominar por nenhuma.

13 Os manjares são para o ventre [9] e o ventre para os manjares; porém Deus aniquilará, tanto um como os outros. Porém o corpo não é para a fornicação, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo.

14 Ora Deus, que tambem resuscitou [10] o Senhor, nos resuscitará a nós pelo seu poder.

15 Não sabeis vós que os [11] vossos corpos são membros de Christo? Tomarei pois os membros de Christo, e fal-os-hei membros de uma meretriz? Não, por certo.

16 Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo? Porque serão, [12] disse, dois n’uma só carne.

17 Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo [13] espirito.

18 Fugi da fornicação. [14] Todo o peccado que o homem commette é fóra do corpo; mas o que fornica pecca contra o seu proprio corpo.

19 Ou não sabeis [15] que o nosso corpo é o templo do Espirito Sancto, que habita em vós, o qual tendes de Deus, e que não sois de vós mesmos?

20 Porque fostes [16] comprados por preço; glorificae pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espirito, os quaes pertencem a Deus.

[1] Psa. 49.14. Dan. 7.22. Mat. 10.28. Luc. 22.30. Apo. 2.26.

[2] II Ped. 2.4. Jud. 6.

[3] cap. 5.12.

[4] Pro. 20.22. Mat. 5.39, 40. Luc. 6.29. Rom. 12.17, 19. I The. 5.15.

[5] I The. 4.6.

[6] Gal. 5.21. Eph. 5.5. I Tim. 1.9. Heb. 12.14. Apo. 22.15.

[7] cap. 12.2. Eph. 2.2. Col. 3.7. Tito 3.3. Heb. 10.22.

[8] cap. 10.23.

[9] Mat. 15.17. Rom. 14.17. Col. 2.22, 23. I The. 4.3, 7. Eph. 5.23.

[10] Rom. 6.5. II Cor. 4.14. Eph. 1.19, 20.

[11] Rom. 12.5. cap. 12.27. Eph. 4.12.

[12] Gen. 2.24. Mat. 19.5. Eph. 5.31.

[13] João 17.21, 22, 23. Eph. 4.4.

[14] Rom. 6.12. Heb. 13.4. Rom. 1.24. I The. 4.4.

[15] cap. 3.16. II Cor. 6.16. Rom. 14.7.

[16] Act. 20.28. Gal. 3.13. Heb. 9.12. I Ped. 1.18. II Ped. 2.1. Apo. 5.9.

Resposta ás perguntas ácerca do casamento.

7 Ora, quanto ás coisas, que me escrevestes, bom seria [1] que o homem não tocasse mulher;

2 Mas, por causa da fornicação, cada um tenha a sua propria mulher, e cada uma tenha o seu proprio marido.

3 O marido pague [2] á mulher a devida benevolencia, e da mesma sorte a mulher ao marido.

4 A mulher não tem poder sobre o seu proprio corpo, mas tem-o o marido; e tambem da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu proprio corpo, mas tem-o a mulher.

5 Não vos defraudeis [3] um ao outro, senão por consentimento de ambos por algum tempo, para vos applicardes á oração: e depois ajuntae-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinencia.

6 Digo, porém, isto por permissão e não por [4] mandamento.

7 Porque quizera que todos os homens [5] fossem como eu mesmo: mas cada um tem de Deus o seu proprio dom, um d’uma maneira e outro d’outra.

8 Digo, porém, aos solteiros e ás viuvas, que lhes é bom [6] se ficarem como eu.

9 Mas, se não podem [7] conter-se, casem-se. Porque é melhor casar-se do que abrazar-se.

10 Porém aos casados, mando, não eu [8] mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido.

11 Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.

12 Mas aos outros digo [9] eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ella consente em habitar com elle, não a deixe.

13 E, se alguma mulher tem marido descrente, e elle consente em habitar com ella, não o deixe.

14 Porque o marido descrente é sanctificado pela mulher: e a mulher descrente é sanctificada pelo marido; d’outra sorte os vossos filhos [10] seriam immundos; porém agora são sanctos.

15 Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque n’este caso o irmão, ou irmã, não está sujeito á servidão; [11] mas Deus chamou-nos para a paz.

16 Porque, d’onde sabes tu ó mulher, se salvarás o [12] marido? ou, d’onde sabes tu, ó marido, se salvarás a mulher?

17 Porém cada um ande assim como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou. [13] E assim ordeno em todas as egrejas.

18 É alguem chamado estando já circumcidado? fique circumcidado. É alguem chamado estando incircumcidado? [14] não se circumcide.

19 A circumcisão é nada [15] e a incircumcisão nada é, mas sim a observancia dos mandamentos de Deus.

20 Cada um fique na vocação em que foi chamado.

21 Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, antes aproveita-te.

22 Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto [16] do Senhor; e da mesma maneira tambem o que é chamado sendo livre, servo é de Christo.

23 Fostes comprados [17] por preço; não vos façaes servos dos homens.

24 Irmãos, cada um fique diante de Deus no [18] estado em que foi chamado.

25 Ora, quanto ás virgens, [19] não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericordia do Senhor para ser fiel.

26 Tenho pois isto por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para [20] o homem o estar assim.

27 Estás ligado á mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher.

28 Mas, se tambem casares, não peccas; e, se a virgem se casar, não pecca. Todavia os taes terão tribulações na carne; porém eu vos poupo.

29 Isto, porém, vos digo, [21] irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que tambem os que teem mulheres sejam como se as não tivessem;

30 E os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuissem;

31 E os que usam d’este mundo, como se d’elle [22] não abusassem, porque a apparencia d’este mundo passa.

32 E bem quizera eu que estivesseis sem cuidado. O solteiro cuida nas coisas [23] do Senhor, em como ha de agradar ao Senhor:

33 Mas o que é casado cuida nas coisas do mundo, em como ha de agradar á mulher.

34 Ha differença entre a mulher casada e a virgem: [24] a solteira cuida nas coisas do Senhor para ser sancta, assim do corpo como do espirito; porém a casada cuida nas coisas do mundo, em como ha de agradar ao marido.

35 Porém digo isto para proveito vosso, não para vos enlaçar, mas para vos guiar ao que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor sem distracção alguma.

36 Mas, se alguem julga que trata sem decoro a sua filha virgem, se tiver passado a flor da idade, e assim convier que se case, faça o tal o que quizer; não pecca; casem-se.

37 Porém o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas tem poder sobre a sua propria vontade, e isto resolveu no seu coração, guardar a sua virgem, faz bem.

38 De sorte que, [25] o que a dá em casamento, faz bem; mas o que a não dá em casamento faz melhor.

39 A mulher casada está [26] ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se fallecer o seu marido, fica livre para casar com quem quizer, comtanto que seja no Senhor.

40 Porém será mais bemaventurada se ficar assim, [27] segundo o meu parecer, e tambem eu cuido que tenho o Espirito de Deus.

[1] ver. 8, 26.

[2] Exo. 21.10. I Ped. 3.7.

[3] Joel 2.16. Zac. 7.3. Exo. 19.15. I Sam. 21.4. I The. 3.5.

[4] ver. 12, 25. II Cor. 8.8.

[5] Act. 26.29. cap. 9.5 e 12.11. Mat. 19.12.

[6] ver. 1, 26.

[7] I Tim. 5.14.

[8] ver. 12, 25, 40. Mal. 2.14, 16. Mat. 5.32 e 19.6, 9. Mar. 10.11. Luc. 16.18.

[9] ver. 6.

[10] Mal. 2.15.

[11] Rom. 12.18 e 14.19. cap. 14.33. Heb. 12.14.

[12] I Ped. 3.1.

[13] cap. 4.17. II Cor. 11.28.

[14] Act. 15.1, 5. Gal. 5.2.

[15] Gal. 5.6. João 15.14. I João 2.3.

[16] João 8.36. Rom. 6.18. Phi. 16. Gal. 5.13. Eph. 6.6. I Ped. 2.16.

[17] cap. 6.20. I Ped. 1.18, 19. Lev. 25.42.

[18] ver. 20.

[19] ver. 6, 10, 40. II Cor. 8.8, 10. I Tim. 1.16 e 1.12.

[20] ver. 1, 8.

[21] Rom. 13.11. I Ped. 4.7. II Ped. 3.8, 9.

[22] cap. 9.18. Psa. 39.6. Thi. 1.10 e 4.14. I Ped. 1.24. I João 2.17.

[23] I Tim. 5.5.

[24] Luc. 10.40, etc.

[25] Heb. 13.4.

[26] Rom. 7.2. II Cor. 6.14.

[27] ver. 25. I The. 4.8.

Resposta ás perguntas ácerca das carnes sacrificadas aos idolos.

8 Ora, no tocante ás coisas [1] sacrificadas aos idolos, sabemos que todos temos sciencia. A sciencia incha, mas o amor edifica.

2 E, se alguem cuida [2] saber alguma coisa, ainda não sabe como convem saber.

3 Mas, se alguem ama a Deus, [3] esse é conhecido d’elle.

4 Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos idolos, sabemos que o idolo nada [4] é no mundo, e que não ha algum outro Deus, senão um só.

5 Porque, ainda que haja tambem alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como ha [5] muitos deuses e muitos senhores),

6 Todavia para nós [6] ha um só Deus, o Pae, do qual são todas as coisas, e nós para elle; e um só Senhor, Jesus Christo, pelo qual são todas as coisas, e nós por elle.

7 Mas nem em todos ha sciencia; porque alguns até agora comem com [7] consciencia do idolo coisas sacrificadas aos idolos; e a sua consciencia, sendo fraca, fica contaminada.

8 Ora o manjar não nos [8] faz agradaveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais, e, se não comemos, nada nos falta.

9 Mas vêde [9] que esse vosso poder não seja d’alguma maneira escandalo para os fracos.

10 Porque, se alguem te vir a ti, que tens sciencia, assentado á mesa no templo dos idolos, não será a consciencia [10] do que é fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos idolos?

11 E pela tua sciencia [11] perecerá o irmão fraco, pelo qual Christo morreu?

12 Ora, peccando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciencia, peccaes [12] contra Christo.

13 Pelo que, se o manjar escandalizar [13] a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão se não escandalize.

[1] Act. 15.20. cap. 10.19. Rom. 14.14.

[2] cap. 13.8. Gal. 6.3. I Tim. 6.4.

[3] Exo. 33.12, 17. Nah. 1.7. Mat. 7.23. Gal. 4.9. II Tim. 2.19.

[4] Isa. 41.24. Deu. 4.39 e 6.4. Mar. 12.29. Eph. 4.6. I Tim. 2.5.

[5] João 10.34.

[6] Mat. 2.10. Eph. 4.6 e 4.5. Act. 17.28. Rom. 11.36. João 13.13. Act. 2.36. Phi. 2.11. João 1.3. Col. 1.16. Heb. 1.2.

[7] Rom. 14.14, 23.

[8] Rom. 14.17.

[9] Gal. 5.13. Rom. 14.13, 20.

[10] cap. 10.28, 32.

[11] Rom. 14.15, 20.

[12] Mat. 25.40, 45.

[13] Rom. 14.21. II Cor. 11.29.

A liberdade e os direitos dos apostolos.

9 Não sou eu apostolo? [1] Não sou livre? Não vi eu a Jesus Christo Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor?

2 Se eu não sou apostolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o sello do meu [2] apostolado no Senhor.

3 Esta é a minha defeza para com os que me condemnam.

4 Não temos [3] nós poder de comer e de beber?

5 Não temos nós poder de levar comnosco uma mulher irmã, como tambem os demais apostolos, [4] e os irmãos do Senhor, e Cephas?

6 Ou só eu e Barnabé não temos poder de não trabalhar?

7 Quem jámais [5] milita á sua propria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fructo? Ou quem apascenta o gado e não come do leite do gado?

8 Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei tambem o mesmo?

9 Porque na lei de Moysés está escripto: Não atarás a [6] bocca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois?

10 Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escripto; porque o que lavra [7] deve lavrar com esperança, e o que trilha deve trilhar com esperança de ser participante.

11 Se nós vos semeamos as coisas espirituaes, será muito que de vós recolhamos [8] as carnaes?

12 Se outros participam d’este poder sobre vós, porque não mais justamente nós? Mas nós não [9] usamos d’este poder; antes supportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Christo.

13 Não sabeis vós que [10] os que administram as coisas sagradas comem do sagrado? E que os que de continuo estão junto ao altar, participam do altar?

14 Assim ordenou [11] tambem o Senhor aos que annunciam o evangelho, que vivam do evangelho.

O desinteresse e fervor de Paulo; o athleta christão.

15 Porém eu de [12] nenhuma d’estas coisas usei, e não escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fôra morrer, do que alguem fazer vã esta minha gloria,

16 Porque, se annuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa [13] obrigação; e ai de mim, se não annunciar o evangelho!

17 Porque, se o faço de boamente, terei [14] premio; mas, se de má vontade, de uma dispensação estou encarregado.

18 Logo, que premio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça [15] o evangelho de Christo para não abusar do meu poder no evangelho.

19 Porque, sendo livre [16] para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais.

20 E fiz-me como [17] judeo para os judeos, para ganhar os judeos: para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei.

21 Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, [18] mas debaixo da lei de Christo), para ganhar os que estão sem lei.

22 Fiz-me como fraco para os fracos, [19] para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.

23 E eu faço isto por causa do evangelho, para ser tambem participante d’elle.

24 Não sabeis vós que os que correm no estadio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o premio? Correi de [20] tal maneira que o alcanceis.

25 E todo aquelle que lucta [21] de tudo se abstem; elles o fazem para alcançar uma corôa corruptivel, nós, porém, uma incorruptivel.

26 Pois eu assim corro, não como a coisa [22] incerta: assim combato, não como batendo no ar.

27 Antes subjugo o meu [23] corpo, e o reduzo á servidão, para que, prégando aos outros, eu mesmo não venha d’alguma maneira a ficar reprovado.

[1] Act. 9.15. II Cor. 12.12. Gal. 2.7, 8. I Tim. 2.7. II Tim. 1.11. cap. 15.8 e 3.6 e 4.15.

[2] II Cor. 3.2 e 12.12.

[3] I The. 2.6. II The. 3.9.

[4] Mat. 13.55 e 8.14. Mar. 6.3. Luc. 6.15. Gal. 1.19.

[5] II Cor. 10.4. I Tim. 1.18. II Tim. 2.3. Deu. 20.6. Pro. 27.18. João 21.15. I Ped. 5.2.

[6] Deu. 25.4. I Tim. 5.18.

[7] II Tim. 2.6.

[8] Rom. 15.27. Gal. 6.6.

[9] Act. 20.33. II Cor. 11.7, 9. I The. 2.6.

[10] Lev. 6.16. Num. 5.9, 10 e 18.8-20. Deu. 10.9 e 18.1.

[11] Mat. 10.10. Luc. 10.7. Gal. 6.6. I Tim. 5.17.

[12] Act. 18.3. cap. 4.12. I The. 2.9. II The. 3.8. II Cor. 11.10.

[13] Rom. 1.14.

[14] cap. 4.1. Gal. 2.7. Phi. 1.17. Col. 1.25.

[15] cap. 10.33 e 7.31. II Cor. 4.5.

[16] Gal. 5.13. Mat. 18.15. I Ped. 3.1.

[17] Act. 16.3 e 18.18 e 21.23, etc.

[18] Gal. 3.2. Rom. 2.12, 14. cap. 7.22.

[19] Rom. 15.1. II Cor. 11.29. Rom. 11.14. cap. 7.16.

[20] Gal. 2.2. II Tim. 4.7. Heb. 12.1.

[21] Eph. 6.12. I Tim. 6.12. II Tim. 2.5. Thi. 1.12. I Ped. 1.4. Apo. 2.10 e 3.11.

[22] II Tim. 2.5.

[23] Rom. 8.13 e 6.18. Col. 3.5. Jer. 6.30. II Cor. 13.5.

Não devemos tentar a Christo, como alguns dos israelitas o tentaram.

10 Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos paes estiveram todos debaixo da [1] nuvem, e todos passaram pelo mar.

2 E todos foram baptizados por Moysés na nuvem e no mar,

3 E todos comeram d’um [2] mesmo manjar espiritual,

4 E todos beberam d’uma mesma bebida [3] espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Christo.

5 Mas Deus não se agradou da maior parte d’elles, pelo que foram prostrados [4] no deserto.

6 E estas coisas foram-nos feitas em figuras, para que não cubicemos as coisas más, como elles [5] cubiçaram.

7 Não vos façaes pois idolatras, [6] como alguns d’elles, conforme está escripto: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar.

8 E não forniquemos, [7] como alguns d’elles fornicaram; e cairam mortos n’um dia vinte e tres mil.

9 E não tentemos a Christo, como alguns [8] d’elles tambem tentaram, e pereceram pelas serpentes.

10 E não murmureis, como tambem alguns [9] d’elles murmuraram, e pereceram pelo destruidor.

11 Ora todas estas coisas lhes sobrevieram em figuras, e estão escriptas para aviso nosso, para [10] quem já são chegados os fins dos seculos.

12 Aquelle pois que cuida estar [11] em pé, olhe não caia.

13 Não vos tomou tentação, senão humana; [12] porém fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará tambem saida, para que a possaes supportar.

A idolatria e o culto de demonios.

14 Portanto, meus amados, [13] fugi da idolatria.

15 Fallo como a entendidos, [14] julgae vós mesmos o que digo.

16 Porventura o [15] calix de benção, que benzemos, não é a communhão do sangue de Christo? O pão que partimos não é porventura a communhão do corpo de Christo?

17 Porque nós, sendo muitos, [16] somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo pão.

18 Vêde a Israel segundo a carne: [17] os que comem os sacrificios não são porventura participantes do altar?

19 Mas que digo? Que o idolo é alguma coisa? [18] Ou que o sacrificado ao idolo é alguma coisa?

20 Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as [19] sacrificam aos demonios, e não a Deus. E não quero que sejaes participantes com os demonios.

21 Não podeis beber o calix do Senhor e o calix dos demonios: não podeis ser participantes [20] da mesa do Senhor e da mesa dos demonios.

Liberdade e caridade christãs.

22 Ou irritaremos [21] ao Senhor? Somos nós mais fortes do que elle?

23 Todas as coisas [22] me são licitas, mas nem todas as coisas conveem: todas as coisas me são licitas, mas nem todas as coisas edificam.

24 Ninguem busque [23] o proveito proprio, antes cada um o que é d’outrem.

25 Comei de tudo quanto se [24] vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciencia.

26 Porque a terra é do [25] Senhor, e toda a sua plenitude.

27 E, se algum dos infieis vos convidar, e quizerdes ir, [26] comei de tudo o que se puzer diante de vós, sem perguntar nada por causa da consciencia.

28 Mas, se alguem vos disser: Isto foi sacrificado aos idolos, não comaes, por causa d’aquelle que vos advertiu [27] e por causa da consciencia; porque a terra é do Senhor, e toda a sua plenitude.

29 Digo, porém, a consciencia, não a tua, mas a do outro. Pois porque ha de a minha liberdade [28] ser julgada pela consciencia d’outrem?

30 E, se eu com graça participo, porque sou blasphemado n’aquillo por que dou [29] graças?

31 De sorte que, quer comaes [30] quer bebaes, ou façaes outra qualquer coisa, fazei tudo para gloria de Deus.

32 Portae-vos de modo que não [31] deis escandalo nem aos judeos, nem aos gregos, nem á egreja de Deus.

33 Como tambem eu em tudo [32] agrado a todos, não buscando o meu proprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar.

[1] Exo. 13.21 e 14.22. Num. 9.18 e 33.8. Deu. 1.33. Neh. 9.12. Psa. 78.13, 14. Jos. 4.23.

[2] Exo. 16.15. Neh. 9.15. Psa. 78.24.

[3] Exo. 17.6. Num. 20.11. Psa. 78.15.

[4] Num. 14.29, 32, 35. Psa. 106.26. Heb. 3.17. Jud. 5.

[5] Num. 11.4. Psa. 106.14.

[6] Exo. 32.6.

[7] cap. 6.18. Apo. 2.14. Num. 25.1, 9. Psa. 106.29.

[8] Exo. 17.2, 7. Num. 21.5. Deu. 6.16.

[9] Exo. 16.2 e 12.23 e 17.2. Num. 14.2. II Sam. 24.16. I Chr. 21.15.

[10] Rom. 15.4. Phi. 4.5. Heb. 10.25, 37. I João 2.18.

[11] Rom. 11.20.

[12] Psa. 125.3. II Ped. 2.9. Jer. 29.11.

[13] II Cor. 6.17. I João 5.21.

[14] cap. 8.1.

[15] Mat. 26.26. Act. 2.42. cap. 11.23.

[16] Rom. 12.5. cap. 12.27.

[17] Rom. 4.12. Gal. 6.16. II Cor. 11.18. Lev. 3.3.

[18] cap. 8.4.

[19] Lev. 17.7. Deu. 32.17. Psa. 106.37. Apo. 9.20.

[20] II Cor. 6.15, 16. Deu. 32.38.

[21] Deu. 32.21. Eze. 22.14.

[22] cap. 6.12.

[23] Rom. 15.1, 2. cap. 13.5. Phi. 2.4, 21.

[24] I Tim. 4.4.

[25] Exo. 19.5. Deu. 10.14. Psa. 24.1.

[26] Luc. 10.7.

[27] cap. 8.10, 12.

[28] Rom. 14.16.

[29] I Tim. 4.3.

[30] Col. 3.17. I Ped. 4.11.

[31] Rom. 14.13. II Cor. 6.3. Act. 20.28. cap. 11.22. I Tim. 3.5.

[32] Rom. 15.2. cap. 9.19, 22. ver. 24.

11 Sede meus imitadores, [1] como tambem eu de Christo.

Como as mulheres devem apresentar-se na egreja.

2 E louvo-vos irmãos, porque em tudo vos lembraes [2] de mim, e retendes os preceitos como vol-os entreguei.

3 Mas quero que saibaes que Christo é a cabeça [3] de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Christo.

4 Todo o homem que ora ou prophetiza, [4] tendo a cabeça coberta, deshonra a sua propria cabeça.

5 Mas toda a mulher [5] que ora, ou prophetiza com a cabeça descoberta, deshonra a sua propria cabeça, porque é o mesmo que se estivesse rapada.

6 Portanto, se a mulher não se cobre, tosquie-se tambem. Mas, se para a mulher é coisa indecente [6] tosquiar-se ou rapar-se, cubra-se.

7 O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é [7] a imagem e gloria de Deus, mas a mulher é a gloria do varão.

8 Porque o varão [8] não provém da mulher, mas a mulher do varão.

9 Porque tambem o varão não foi criado [9] por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão.

10 Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça [10] signal de poderio, por causa dos anjos.

11 Todavia, nem o [11] varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor.

12 Porque, como a mulher provém do varão, assim tambem o varão provém da mulher, [12] mas tudo de Deus.

13 Julgae entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?

14 Ou não vos ensina a mesma natureza que é deshonra para o varão ter cabello crescido?

15 Mas ter a mulher cabello crescido lhe é honroso, porque o cabello lhe foi dado em logar de véu.

16 Porém, se alguem quizer [13] ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as egrejas de Deus.

Dissensões nas ceias de irmãos: o modo de celebrar a sancta Ceia do Senhor.

17 N’isto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntaes, não para melhor, senão para peior.

18 Porque primeiramente ouço que, quando vos ajuntaes na egreja, ha entre vós [14] dissensões; e em parte o creio.

19 Porque importa que até haja entre vós [15] heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.

20 De sorte que, quando vos ajuntaes n’um logar, não é para comer a ceia do Senhor.

21 Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua propria ceia, de sorte que um tem fome e [16] outro embriaga-se.

22 Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezaes a [17] egreja de Deus, e envergonhaes os que nada teem? Que vos direi? Louvar-vos-hei? N’isto não vos louvo.

23 Porque eu recebi [18] do Senhor o que tambem vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi trahido, tomou o pão;

24 E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomae, comei: isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memoria de mim.

25 Similhantemente tambem, depois de ceiar, tomou o calix, dizendo: Este calix é o Novo Testamento no meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memoria de mim.

26 Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este calix annunciaes a morte do Senhor, [19] até que venha.

27 Portanto, qualquer [20] que comer este pão, ou beber o calix do Senhor indignamente, será culpado do corpo do sangue do Senhor.

28 Examine-se pois o [21] homem a si mesmo, e assim coma d’este pão e beba d’este calix.

29 Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para si mesmo o juizo, não discernindo o corpo do Senhor.

30 Por causa d’isto ha entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.

31 Porque, se nós nos julgassemos [22] a nós mesmos, não seriamos julgados.

32 Mas, quando somos [23] julgados, somos reprehendidos pelo Senhor, para não sermos condemnados com o mundo.

33 Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntaes para comer, esperae uns pelos outros.

34 Porém, se algum tiver [24] fome, coma em casa, para que vos não ajunteis para condemnação. Quanto ás demais coisas, ordenal-as-hei quando fôr.

[1] cap. 4.16. Eph. 5.1. Phi. 3.17. I The. 1.6. II The. 3.9.

[2] cap. 4.17.

[3] Eph. 5.23. Gen. 3.16. I Tim. 2.11. I Ped. 3.1. João 14.28. cap. 3.23. Phi. 2.7.

[4] cap. 12.10, 28 e 14.1, etc.

[5] Act. 21.9. Deu. 21.12.

[6] Num. 5.18. Deu. 22.5.

[7] Gen. 1.26, 27 e 5.1 e 9.6.

[8] Gen. 2.21, 22.

[9] Gen. 2.18, 21, 23.

[10] Gen. 24.65. Ecc. 5.6.

[11] Gal. 3.28.

[12] Rom. 11.36.

[13] I Tim. 6.4. cap. 7.17 e 14.33.

[14] cap. 1.10, 11, 12 e 3.3.

[15] Mat. 18.7. Luc. 17.1. Act. 20.30. I Tim. 4.1. II Ped. 2.1. I João 2.19. Deu. 13.3.

[16] II Ped. 2.13. Jud. 12.

[17] cap. 10.33. Thi. 2.6.

[18] cap. 15.3. Gal. 1.1, 11. Mat. 26.26. Mar. 14.22. Luc. 22.19.

[19] João 14.3. Act. 1.11. cap. 4.5. I The. 4.16. Jud. 14. Apo. 1.7.

[20] Num. 9.10. João 6.51. cap. 10.21.

[21] II Cor. 13.5. Gal. 6.4.

[22] Psa. 32.5. I João 1.9.

[23] Psa. 94.12. Heb. 12.5, 11.

[24] ver. 21, 22. Tito 1.5. cap. 4.19.

Ácerca da diversidade de dons espirituaes.

[Anno Domini 59]

12 Ácerca dos dons espirituaes, não quero, [1] irmãos, que sejaes ignorantes.

2 Vós bem sabeis que ereis [2] gentios, levados aos idolos mudos, conforme ereis guiados.

3 Portanto vos faço notorio que ninguem que falla pelo [3] Espirito de Deus diz: Jesus é anathema e ninguem pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espirito Sancto.

4 Ora ha diversidade [4] de dons, porém o Espirito é o mesmo.

5 E ha diversidade de [5] ministerios, mas o Senhor é o mesmo.

6 E ha diversidade de [6] operações, porém é o mesmo Deus que obra tudo em todos.

7 Mas a manifestação do Espirito é dada a cada [7] um, para o que fôr util.

8 Porque a um pelo Espirito é dada a palavra [8] da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espirito, a palavra da sciencia;

9 E a outro, [9] pelo mesmo Espirito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espirito, os dons de curar;

10 E a outro a operação de maravilhas; [10] e a outro a prophecia; e a outro o dom de discernir os espiritos; e a outro a variedade de linguas; e a outro a interpretação de linguas.

11 Mas um só e o mesmo Espirito obra todas estas coisas, repartindo [11] particularmente a cada um como quer.

A unidade dos membros do corpo.

12 Porque assim como o [12] corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros sendo muitos, são um só corpo, assim é Christo tambem.

13 Porque todos nós fomos tambem baptizados em um [13] Espirito para um corpo, quer judeos, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espirito.

14 Porque tambem o corpo não é um só membro, senão muitos.

15 Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?

16 E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo?

17 Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfacto?

18 Mas agora Deus collocou [14] os membros no corpo, cada um d’elles como quiz.

19 E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?

20 Agora pois ha muitos membros, porém um só corpo.

21 E o olho não póde dizer á mão: Não tenho necessidade de ti: nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós.

22 Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessarios;

23 E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos honrosos damos muito mais honra.

24 Porque os que em nós são mais honestos não teem necessidade d’isso; mas Deus ordenou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta d’ella;

25 Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham egual cuidado uns dos outros.

26 De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com elle; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com elle.

27 Ora vós sois o corpo [15] de Christo, e membros em particular.

28 E a uns poz Deus [16] na egreja, primeiramente apostolos, em segundo logar prophetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, [17] soccorros, [18] governos, variedades de linguas.

29 Porventura são todos apostolos? são todos prophetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres?

30 Teem todos o dom de curar? fallam todos diversas linguas? interpretam todos?

31 Portanto, procurae [19] com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excellente.

[1] cap. 14.1, 37.

[2] cap. 6.11. Eph. 2.11. I The. 1.9. Tito 3.3. I Ped. 4.3. Psa. 115.5.

[3] Mar. 9.39. I João 4.2. Mat. 16.17. João 15.26. II Cor. 3.5.

[4] Rom. 12.4. Heb. 2.4. Eph. 4.4.

[5] Rom. 12.6. Eph. 4.11.

[6] Eph. 1.23.

[7] cap. 14.26. Eph. 4.7. I Ped. 4.10, 11.

[8] cap. 2.6, 7. II Cor. 8.7.

[9] Mat. 17.18, 19. cap. 13.2. II Cor. 4.13. Mar. 16.18. Thi. 5.14.

[10] Mar. 16.17. Gal. 3.5. Rom. 12.6. I João 4.1. Act. 2.4. cap. 13.1.

[11] Rom. 12.6. II Cor. 10.13. Eph. 4.7. João 3.8. Heb. 2.4.

[12] Rom. 12.4. Eph. 4.4, 16. ver. 27. Gal. 3.16.

[13] Rom. 6.5. Gal. 3.28. Eph. 2.13. Col. 3.11. João 6.63.

[14] ver. 28. Rom. 12.3. cap. 3.5. ver. 11.

[15] Rom. 12.5. Eph. 1.23 e 4.12 e 5.23, 30. Col. 1.24.

[16] Eph. 2.20 e 3.5. Act. 13.1. Rom. 12.6.

[17] Num. 11.17.

[18] Rom. 12.8. I Tim. 5.17. Heb. 13.17.

[19] cap. 14.1, 39.

A suprema excellencia da caridade.

13 Ainda que eu fallasse as linguas dos homens e dos anjos, e não tivesse [AIO] caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

2 E ainda que tivesse o dom da prophecia, [1] e conhecesse todos os mysterios e toda a sciencia, e ainda que tivesse toda a fé, [2] de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria.

3 E, ainda que distribuisse toda a minha fortuna [3] para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada me aproveitaria.

4 A caridade é soffredora, [4] é benigna: a caridade não é invejosa: a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece,

5 Não trata com indecencia, não busca [5] os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

6 Não folga com a injustiça, [6] porém folga com a verdade;

7 Tudo soffre, [7] tudo crê, tudo espera, tudo supporta.

8 A caridade nunca acaba: porém, ainda que haja prophecias, serão aniquiladas: ainda que haja linguas, cessarão; ainda que haja sciencia, será aniquilada;

9 Porque, em parte, [8] conhecemos, e em parte prophetizamos;

10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

11 Quando eu era menino, fallava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de meninos.

12 Porque agora vemos por espelho em enigma, [9] mas então veremos face a face: agora conheço em parte, mas então conhecerei como tambem sou conhecido.

13 Agora, pois, permanecem estas tres: a fé, a esperança e a caridade; porém a maior d’estas é a caridade.

[1] cap. 12.8. Mat. 7.22.

[2] Mat. 17.20. Mar. 11.23. Luc. 17.6.

[3] Mat. 6.1, 2.

[4] Pro. 10.12. I Ped. 4.8.

[5] cap. 10.24. Phi. 2.4.

[6] Rom. 1.32. II João 4.

[7] Rom. 15.1. Gal. 6.2. II Tim. 2.24.

[8] cap. 8.2.

[9] II Cor. 3.18 e 5.7. Phi. 3.12. Mat. 18.10. I João 3.2.

O dom da prophecia é superior ao das linguas.

14 Segui a caridade, e procurae [1] com zelo os dons espirituaes, mas principalmente o de prophetizar.

2 Porque o que falla lingua estranha [2] não falla aos homens, senão a Deus; porque ninguem o entende, e em espirito falla de mysterios.

3 Mas o que prophetiza falla aos homens para edificação, exhortação e consolação.

4 O que falla lingua estranha edifica-se a si mesmo, mas o que prophetiza edifica a egreja.

5 E eu quero que todos vós falleis linguas estranhas, mas muito mais que prophetizeis, porque o que prophetiza é maior do que o que falla linguas estranhas, a não ser que tambem interprete, para que a egreja receba edificação.

6 E agora, irmãos, se eu fôr ter comvosco fallando linguas estranhas, que vos aproveitaria, se vos não fallasse ou por meio da revelação, [3] ou da sciencia, ou da prophecia, ou da doutrina?

7 Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem sonido, seja flauta, seja cithara, não formarem sons distinctos, como se saberá o que se toca com a flauta ou com a cithara?

8 Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?

9 Assim tambem vós, se com a lingua não pronunciardes palavras bem intelligiveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que fallando ao ar.

10 Ha, por exemplo, tantos generos de vozes no mundo, e nenhuma d’ellas é sem significação.

11 Porém, se eu ignorar o sentido da voz, serei barbaro para aquelle a quem fallo, e o que falla será barbaro para mim.

12 Assim tambem vós, pois que desejaes dons espirituaes, procurae abundar n’elles, para edificação da egreja.

13 Pelo que, o que falla lingua estranha, ore para que possa interpretar.

14 Porque, se eu orar em lingua estranha, o meu espirito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fructo.

15 Que farei pois? Orarei com o espirito, mas tambem orarei com o entendimento; [4] cantarei com o espirito, mas tambem cantarei com o entendimento.

16 D’outra maneira, se tu bemdisseres com o espirito, como dirá o que occupa o logar de indouto, o Amen, sobre a [5] tua benção, visto que não sabe o que dizes?

17 Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado.

18 Dou graças ao meu Deus, que fallo mais linguas do que vós todos.

19 Porém eu antes quero fallar na egreja cinco palavras na minha intelligencia, para que possa tambem instruir os outros, do que dez mil palavras em lingua estranha.

20 Irmãos, não sejaes meninos [6] no entendimento, mas sêde meninos na malicia, e adultos no entendimento.

21 Está [7] escripto na lei: Por _gente d’_outras linguas, e por outros labios, fallarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor.

22 De sorte que as linguas estranhas são um signal, não para os fieis, mas para os infieis; e a prophecia, não para os infieis, mas para os fieis.

23 Se pois toda a egreja se congregar n’um logar, e todos fallarem linguas estranhas, e entrarem indoutos ou infieis, não dirão porventura que estaes [8] loucos?

24 Mas, se todos prophetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado.

25 E assim os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando [9] que Deus está verdadeiramente entre vós.

A necessidade de ordem no culto.

26 Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntaes, cada um de vós tem psalmo, tem doutrina, [10] tem lingua estranha, tem revelação, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.

27 E, se alguem fallar lingua estranha, faça-se isso por dois, ou quando muito tres, e por vezes, e um interprete.

28 Mas, se não houver interprete, esteja calado na egreja; porém, falle comsigo mesmo, e com Deus.

29 E fallem dois ou tres prophetas, [11] e os outros julguem.

30 Porém, se a outro, que estiver assentado, fôr revelada alguma coisa, cale-se [12] o primeiro.

31 Porque todos podereis prophetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados.

32 E os espiritos [13] dos prophetas estão sujeitos aos prophetas.

33 Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as [14] egrejas dos sanctos.

34 As vossas mulheres [15] estejam caladas nas egrejas; porque lhes não é permittido fallar, mas estejam sujeitas, como tambem ordena a lei.

35 E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus proprios maridos; porque é indecente que as mulheres fallem na egreja.

36 Porventura saiu d’entre vós a palavra de Deus? Ou veiu ella sómente para vós?

37 Se alguem cuida [16] ser propheta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.

38 Se alguem, porém, o ignora, ignore.

39 Portanto, irmãos, procurae, com zelo, [17] prophetizar, e não prohibaes fallar linguas.

40 Mas faça-se tudo [18] decentemente e com ordem.

[1] cap. 12.31. Num. 11.25, 29.

[2] Act. 2.4 e 10.46.

[3] ver. 26.

[4] Eph. 5.19. Col. 3.16. Psa. 47.7.

[5] cap. 11.24.

[6] Psa. 131.2. Mat. 11.25. Rom. 16.19. Eph. 4.14. Heb. 5.12, 13.

[7] João 10.34. Isa. 28.11, 12.

[8] Act. 2.13.

[9] Isa. 45.14. Zac. 8.23.

[10] ver. 6. II Cor. 12.19. Eph. 4.12.

[11] cap. 12.10.

[12] I The. 5.19, 20.

[13] I João 4.1.

[14] cap. 11.16.

[15] I Tim. 2.11, 12. Col. 3.18. Tito 2.5.

[16] II Cor. 10.7. I João 4.6.

[17] cap. 12.31. I The. 5.20.

[18] ver. 33.

A resurreição.

15 Tambem vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho [1] annunciado; o qual tambem recebestes, e no qual tambem permaneceis.

2 Pelo qual tambem sois salvos [2] se o retiverdes tal como vol-o tenho annunciado; se não é que crêstes em vão.

3 Porque primeiramente vos entreguei [3] o que tambem recebi: que Christo morreu por nossos peccados, segundo as Escripturas,

4 E que foi sepultado, e que resuscitou ao terceiro dia, [4] segundo as Escripturas,

5 E que foi visto [5] por Cephas, e depois pelos doze.

6 Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quaes vive ainda a maior parte, e alguns dormem já tambem.

7 Depois foi visto por Thiago, depois por todos os [6] apostolos.

8 E por derradeiro [7] de todos foi visto tambem por mim, como por um abortivo.

9 Porque eu sou o menor [8] dos apostolos, que não sou digno de ser chamado apostolo, porque persegui a egreja de Deus.

10 Mas pela graça de Deus sou [9] o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos elles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.

11 Assim que seja eu ou sejam elles, assim prégamos e assim haveis crido.

12 Ora, se se préga que Christo resuscitou dos mortos, como dizem alguns d’entre vós que não ha resurreição de mortos?

13 E, se não ha resurreição de mortos, tambem Christo não [10] resuscitou.

14 E, se Christo não resuscitou, logo é vã a nossa prégação, e tambem é vã a vossa fé.

15 E assim somos tambem achados falsas testemunhas de Deus, pois testificamos [11] de Deus, que resuscitou a Christo, ao qual, porém, não resuscitou, se, na verdade, os mortos não resuscitam.

16 Porque, se os mortos não resuscitam, tambem Christo não resuscitou.

17 E, se Christo não resuscitou, é vã a vossa fé, e [12] ainda permaneceis nos vossos peccados.

18 E tambem os que dormiram em Christo estão perdidos.

19 Se esperamos em Christo [13] só n’esta vida, somos os mais miseraveis de todos os homens.

20 Mas agora Christo [14] resuscitou dos mortos, e foi feito as primicias dos que dormem.

21 Porque, assim como a morte veiu por um [15] homem, tambem a resurreição dos mortos veiu por um homem.

22 Porque, assim como todos morrem em Adão, assim tambem todos serão vivificados em Christo.

23 Mas cada um por sua [16] ordem: Christo as primicias, depois os que são de Christo, na sua vinda.

24 Depois virá o fim, quando tiver entregado [17] o reino a Deus, ao Pae, e quando houver aniquilado todo o imperio, e toda a potestade e força.

25 Porque convem que reine até que haja posto a todos os [18] inimigos debaixo de seus pés.

26 Ora o ultimo [19] inimigo que será aniquilado é a morte.

27 Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Porém, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que exceptua aquelle que lhe [20] sujeitou todas as coisas.

28 E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então tambem o mesmo Filho se sujeitará áquelle que todas as coisas lhe [21] sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

29 D’outra maneira, que farão os que se baptizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não resuscitam? Pois porque se baptizam pelos mortos?

30 Porque estamos nós tambem [22] a toda a hora em perigo?

31 Cada dia morro pela vossa gloria, a [23] qual tenho em Christo Jesus nosso Senhor.

32 Se, como homem, combati [24] em Epheso contra as bestas, que me aproveita, se os mortos não resuscitam? Comamos e bebamos, que ámanhã morreremos.

33 Não vos enganeis: as más conversações [25] corrompem os bons costumes.

34 Vigiae justamente [26] e não pequeis; porque alguns ainda não teem o conhecimento de Deus: digo-o para vergonha vossa.

35 Mas alguem dirá: [27] Como resuscitarão os mortos? E com que corpo virão?

36 Insensato! o que tu semeias [28] não vivificará, se primeiro não morrer.

37 E, quando semeias, não semeias o corpo que ha de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou d’outra qualquer semente.

38 Mas Deus dá-lhe o corpo como quer, e a cada semente o seu proprio corpo.

39 Nem toda a carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra a carne dos animaes, e outra a dos peixes e outra a das aves.

40 E ha corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a gloria dos celestes e outra a dos terrestres.

41 Uma é a gloria do sol, e outra a gloria da lua, e outra a gloria das estrellas; porque uma estrella differe em gloria d’outra estrella.

42 Assim tambem [29] a resurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; resuscitará em incorrupção.

43 Semeia-se em ignominia, [30] resuscitará em gloria. Semeia-se em fraqueza, resuscitará com vigor.

44 Semeia-se corpo animal, resuscitará corpo espiritual. Ha corpo animal, e ha corpo espiritual.

45 Assim está tambem escripto: O primeiro homem, [31] Adão, foi feito em alma vivente: o ultimo Adão em espirito vivificante.

46 Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois o espiritual.

47 O primeiro homem, da terra, [32] é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.

48 Qual o terreno, [33] taes são tambem os terrenos; e, qual o celestial, taes tambem os celestiaes.

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, [34] assim traremos tambem a imagem do celestial.

50 Porém digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem [35] herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção.

51 Eis aqui vos digo um mysterio: Na verdade, nem todos dormiremos, mas [36] todos seremos transformados,

52 N’um momento, n’um abrir e fechar d’olhos, ao som da ultima trombeta; porque a [37] trombeta soará, e os mortos resuscitarão incorruptiveis, e nós seremos transformados.

53 Porque convem que este corpo corruptivel se revista da incorruptibilidade, e que este corpo [38] mortal se revista da immortalidade.

54 E, quando este corpo corruptivel se revestir da incorruptibilidade, e este corpo mortal se revestir da immortalidade, então cumprir-se-ha a palavra que está escripta: Tragada foi a morte na [39] victoria.

55 Onde está, ó morte, [40] o teu aguilhão? Onde está, ó [AIP] inferno, a tua victoria?

56 Ora o aguilhão da morte é o peccado, e a força do [41] peccado é a lei.

57 Mas graças a Deus [42] que nos dá a victoria por nosso Senhor Jesus Christo.

58 Portanto, meus amados [43] irmãos, sêde firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é [44] vão no Senhor.

[1] Gal. 1.11. Rom. 5.2.

[2] Rom. 1.16. cap. 1.21. Gal. 3.4.

[3] cap. 11.2, 23. Gal. 1.12. Psa. 22.15, etc. Isa. 53.5, 6, etc. Act. 3.18. I Ped. 1.11.

[4] Isa. 53.10. Ose. 6.2. Luc. 24.26, 46. Act. 2.25-31.

[5] Luc. 24.34. Mat. 28.17. Mar. 16.14.

[6] Luc. 24.36. Act. 1.3, 4.

[7] Act. 9.4, 17 e 22.14, 18.

[8] Eph. 3.8. Act. 8.3. Gal. 1.13. I Tim. 1.13.

[9] Eph. 3.7, 8. II Cor. 11.23. Mat. 10.20.

[10] I The. 4.14.

[11] Act. 2.24, 32 e 4.10, 33 e 13.30.

[12] Rom. 4.25.

[13] II Tim. 3.12.

[14] I Ped. 1.3. Col. 1.18. Apo. 1.5.

[15] Rom. 5.12, 17 e 6.23. João 11.25.

[16] ver. 20. I The. 4.14, 15, 16.

[17] Dan. 7.14, 27.

[18] Psa. 110.1. Act. 2.34, 35. Eph. 1.22.

[19] II Tim. 1.10. Apo. 20.14.

[20] Psa. 8.6. Mat. 28.18. I Ped. 3.22.

[21] Phi. 3.21. cap. 3.23 e 11.3.

[22] II Cor. 11.26. Gal. 5.11.

[23] I The. 2.19. Rom. 8.36.

[24] II Cor. 1.8. Ecc. 2.24. Isa. 22.13.

[25] cap. 5.6.

[26] Rom. 13.11. I The. 4.5.

[27] Eze. 37.3.

[28] João 12.24.

[29] Dan. 12.3. Mat. 13.43.

[30] Phi. 3.21.

[31] Gen. 2.7. Rom. 5.14. João 5.21.

[32] João 3.13, 31. Gen. 2.7.

[33] Phi. 3.20, 21.

[34] Gen. 5.3. Rom. 8.29. I João 3.2.

[35] Mat. 16.17. João 3.3, 5.

[36] I The. 4.14, 15, 16.

[37] Zac. 9.14. Mat. 24.31. João 5.25.

[38] II Cor. 5.4.

[39] Isa. 25.8. Heb. 2.14, 15. Apo. 20.14.

[40] Ose. 13.14.

[41] Rom. 4.15 e 5.13.

[42] Rom. 7.25. I João 5.4, 5.

[43] II Ped. 3.14.

[44] cap. 3.8.

As collectas para os crentes de Jerusalem.

16 Ora, quanto á collecta [1] que se faz para os sanctos, fazei vós tambem como ordenei ás egrejas da Galacia.

2 No primeiro dia da semana [2] cada um de vós ponha de parte o que poder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as collectas quando eu chegar.

3 E, quando tiver chegado, enviarei aos que por cartas approvardes [3] para que levem a vossa dadiva a Jerusalem.

4 E, se a coisa fôr digna [4] de que eu tambem vá, irão comigo.

Os projectos de Paulo: diversas recommendações e saudações.

5 Irei, porém, ter comvosco depois de ter passado pela [5] Macedonia (porque tenho de passar pela Macedonia).

6 E bem pode ser que fique comvosco, e passe tambem o inverno, para que me acompanheis [6] aonde quer que eu fôr.

7 Porque não vos quero agora vêr de passagem, mas espero ficar comvosco [7] algum tempo, se o Senhor o permittir.

8 Ficarei, porém, em Epheso até ao Pentecostes;

9 Porque uma porta grande e efficaz se me abriu; [8] e ha muitos adversarios.

10 E, se vier Timotheo, [9] vêde que esteja sem temor comvosco; porque trabalha na obra do Senhor, como eu tambem.

11 Portanto ninguem [10] o despreze, mas acompanhae-o em paz, para que venha ter comigo: porque o espero com os irmãos.

12 E, ácerca do irmão [11] Apollos, roguei-lhe muito que fosse ter comvosco com os irmãos, mas, na verdade, não teve vontade de ir agora; irá, porém, quando se lhe offereça boa occasião.

13 Vigiae, [12] estae firmes na fé: portae-vos varonilmente, e fortalecei-vos.

14 Todas as vossas coisas [13] sejam feitas com caridade.

15 Rogo-vos, porém, irmãos, pois sabeis que a [14] familia de Estephanas é as primicias da Achaia, e que se tem dedicado ao ministerio dos sanctos,

16 Que tambem vos sujeiteis [15] aos taes, e a todo aquelle que juntamente obra e trabalha.

17 Folgo, porém, com a vinda de Estephanas, e de Fortunato e de Achaico; porque estes suppriram o que da vossa parte [16] me faltava.

18 Porque [17] recrearam o meu espirito e o vosso. Reconhecei pois aos taes.

19 As egrejas da Asia vos saudam. Saudam-vos affectuosamente no Senhor Aquila e Prisca, com a [18] egreja que está em sua casa.

20 Todos os irmãos vos saudam. Saudae-vos uns aos outros [19] com osculo sancto.

21 Saudação da minha propria [20] mão, de Paulo.

22 Se alguem não [21] ama ao Senhor Jesus Christo, seja [22] anathema, [23] [AIQ] maranatha.

23 A graça do [24] Senhor Jesus Christo seja comvosco.

24 O meu amor seja com todos vós em Christo Jesus. Amen.

[1] Act. 11.29. Rom. 15.26. Gal. 2.10.

[2] Act. 20.7. Apo. 1.10.

[3] II Cor. 8.19.

[4] II Cor. 8.4, 19.

[5] Act. 19.21. II Cor. 1.16.

[6] Act. 15.3. Rom. 15.24.

[7] Act. 18.21. Thi. 4.15.

[8] Act. 14.27 e 19.9. Col. 4.3. Apo. 3.8.

[9] Act. 19.22. Rom. 16.21. I The. 3.2.

[10] I Tim. 4.12. Act. 15.33.

[11] cap. 1.12 e 3.5.

[12] Mat. 24.42. I The. 5.6. I Ped. 5.8. Eph. 6.10. Col. 1.11.

[13] I Ped. 4.8.

[14] cap. 1.16. Rom. 16.5. Heb. 6.10.

[15] Heb. 13.17.

[16] II Cor. 11.9. Phi. 2.30.

[17] Col. 4.8. I The. 5.12.

[18] Rom. 16.5, 15. Phi. 2.

[19] Rom. 16.16.

[20] Col. 4.18. II The. 3.17.

[21] Eph. 6.24.

[22] Gal. 1.8, 9.

[23] Jud. 14, 15.

[24] Rom. 16.20.

SEGUNDA EPISTOLA DE S. PAULO APOSTOLO AOS CORINTHIOS.

Prefacio e saudação.

[Anno Domini 60]

1 Paulo, apostolo [1] de Jesus Christo, pela vontade de Deus, e o irmão Timotheo, á egreja de Deus, que está em Corintho, com todos os sanctos que estão em toda a Achaia:

2 Graça e paz [2] de Deus nosso Pae e do Senhor Jesus Christo.

Acção de graças de Paulo pelas consolações que Deus lhe concedeu.

3 Bemdito seja o [3] Deus e Pae de nosso Senhor Jesus Christo, o Pae das misericordias e o Deus de toda a consolação;

4 Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que tambem possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus.

5 Porque, como as afflicções de Christo [4] abundam em nós, assim tambem a nossa consolação abunda por Christo.

6 Mas, se somos attribulados é para vossa consolação e salvação, ou, se somos consolados, para vossa consolação e salvação é, a qual se opéra na tolerancia [5] das mesmas afflicções que nós tambem padecemos;

7 E a nossa esperança ácerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes [6] das afflicções, assim o sereis tambem da consolação.

8 Porque não queremos, irmãos, [7] que ignoreis a tribulação que nos sobreveiu na Asia, pois que fomos sobremaneira aggravados mais do que podiamos supportar, de modo tal que até da vida estivemos em grande duvida.

9 De modo que já em nós mesmos tinhamos a sentença de morte, para que não confiassemos em nós mesmos, [8] mas em Deus, que resuscita os mortos:

10 O qual nos livrou [9] de tão grande morte, e livra ainda, no qual esperamos que ainda tambem nos livrará.

11 Ajudando-nos tambem vós com oração [10] por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas tambem sejam dadas graças a nosso respeito.

Porque demorou Paulo a sua ida.

12 Porque a nossa gloria é esta: o testemunho da nossa consciencia, de que com simplicidade e sinceridade [11] de Deus, não com sabedoria carnal, mas com graça de Deus, temos vivido no mundo, e maiormente comvosco.

13 Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou tambem reconheceis; e espero que tambem até ao fim as reconhecereis.

14 Como tambem já em parte nos tendes reconhecido, [12] que somos a vossa gloria, como tambem vós sereis a nossa no dia do Senhor Jesus.

15 E com esta confiança [13] quiz primeiro ir ter comvosco, para que tivesseis uma segunda graça;

16 E por vós passar á Macedonia, e [14] da Macedonia ir outra vez ter comvosco, e ser guiado por vós á Judea.

17 Assim que, deliberando isto, usei porventura de leviandade? Ou o que delibero, o delibero porventura segundo a carne, [15] para que haja em mim sim sim, e não não?

18 Antes Deus é fiel, e sabe que a nossa palavra para comvosco não foi sim e não.

19 Porque o Filho [16] de Deus, Jesus Christo, que por nós foi prégado entre vós, a saber, por mim, e Silvano, e Timotheo, não foi sim e não; [17] mas n’elle houve sim.

20 Porque todas quantas promessas ha [18] de Deus, são n’elle sim, e n’elle Amen, para gloria de Deus por nós.

21 Mas o que nos confirma comvosco em Christo, e o que nos ungiu, é [19] Deus:

22 O qual tambem nos sellou [20] e deu o penhor do Espirito em nossos corações.

23 Porém invoco a Deus [21] por testemunha sobre a minha alma, que para vos poupar não tenho até agora ido a Corintho;

24 Não que tenhamos dominio sobre a vossa fé, [22] mas porque somos cooperadores de vosso gozo; porque pela fé estaes em pé.

[1] I Cor. 1.1. Eph. 1.1. Col. 1.1.

[2] Rom. 1.7. Gal. 1.3. Phi. 1.2.

[3] Eph. 1.3. I Ped. 1.3.

[4] Act. 9.4. cap. 4.10. Col. 1.24.

[5] cap. 4.15.

[6] Rom. 8.17. II Tim. 2.12.

[7] Act. 19.23. I Cor. 15.32.

[8] Jer. 17.5, 7.

[9] II Ped. 2.9.

[10] Rom. 15.30. Phi. 1.19. cap. 4.15.

[11] cap. 2.17. I Cor. 2.4, 13.

[12] Phi. 2.16. I The. 2.19, 20.

[13] I Cor. 4.19. Rom. 1.11.

[14] I Cor. 16.5, 6.

[15] cap. 10.2.

[16] Mar. 1.1. Luc. 1.35. Act. 9.20.

[17] Heb. 13.8.

[18] Rom. 15.8, 9.

[19] I João 2.20, 27.

[20] Eph. 1.13. II Tim. 2.19.

[21] Gal. 1.20. Phi. 1.8. I Cor. 4.21.

[22] I Ped. 5.3. Rom. 11.20.

2 Porém, deliberei isto comigo mesmo: não ir mais ter comvosco em [1] tristeza.

2 Porque, se eu vos entristeço, quem é que me alegrará, senão aquelle que por mim foi contristado?

3 E escrevi-vos isto mesmo, para que, quando lá fôr, [2] não tenha tristeza da parte dos que deveriam alegrar-me; confiando em vós todos, que a minha alegria é a de todos vós.

4 Porque em muita tribulação e angustia do coração vos escrevi com muitas lagrimas, não para que vos entristecesseis, [3] mas para que conhecesseis o amor que abundantemente vos tenho.

5 Porque, se alguem me [4] contristou, não me contristou a mim senão em parte, para vos não sobrecarregar a vós todos.

6 Basta-lhe ao tal esta reprehensão feita por [5] muitos:

7 De maneira que antes pelo contrario [6] deveis perdoar-lhe e consolal-o, para que o tal não seja de modo algum devorado de demasiada tristeza.

8 Pelo que rogo-vos que confirmeis para com elle o vosso amor.

9 Porque para isso vos escrevi tambem, para por esta prova saber se [7] sois obedientes em tudo.

10 E a quem perdoardes alguma coisa tambem eu; porque, se eu tambem perdoei, se é que tenho perdoado, por amor de vós o fiz na presença de Christo; para que não sejamos vencidos por Satanás;

11 Porque não ignoramos os seus ardis.

12 No demais, [8] quando cheguei a Troas para prégar o evangelho de Christo, e abrindo-se-me uma porta no Senhor,

13 Não tive repouso no [9] meu espirito, porque não achei alli meu irmão Tito; mas, despedindo-me d’elles, parti para a Macedonia.

O caracter e os fructos do ministerio de Paulo.

14 E graças a Deus, que sempre nos faz triumphar em Christo, e por nós manifesta em todo o logar o [10] cheiro do seu conhecimento.

15 Porque para Deus somos o bom cheiro de Christo, [11] em os que se salvam e em os que se perdem:

16 Para estes certamente cheiro [12] de morte para morte; mas para aquelles cheiro de vida para vida. E para [13] estas coisas quem é idoneo?

17 Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, [14] antes fallamos de Christo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.

[1] cap. 1.23 e 12.20, 21.

[2] cap. 12.21. Gal. 5.10.

[3] cap. 7.8, 9, 12.

[4] I Cor. 5.1. Gal. 4.12.

[5] I Cor. 5.4, 5. I Tim. 5.20.

[6] Gal. 6.1.

[7] cap. 7.15 e 10.6.

[8] Act. 16.8. I Cor. 16.9.

[9] cap. 7.5, 6.

[10] Can. 1.3.

[11] I Cor. 1.18. cap. 4.3.

[12] João 9.39. I Ped. 2.7, 8.

[13] I Cor. 15.10.

[14] II Ped. 2.3. cap. 1.12.

3 Porventura começamos outra [1] vez a louvar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas de recommendação para vós, ou de recommendação de vós?

2 Vós [2] sois a nossa carta, escripta em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens.

3 Porque já é manifesto, que vós sois a carta de Christo, ministrada por nós, [3] e escripta, não com tinta, mas com o Espirito de Deus vivo, não em taboas de pedra, mas nas taboas de carne do coração.

4 E é por Christo que temos tal confiança em Deus:

5 Não que sejamos [4] capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus:

6 O qual nos fez tambem capazes de ser ministros [5] do novo [AIR] testamento, não da lettra, mas do espirito; porque a lettra mata, e o espirito vivifica.

7 E, se o ministerio da morte, gravado [6] com lettras em pedras, foi [7] para gloria, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moysés, por causa da gloria do seu rosto, a qual [AIS] era transitoria,

8 Como não será de maior gloria o ministerio do [8] espirito?

9 Porque, se o ministerio da condemnação foi glorioso, muito mais excederá em gloria [9] o ministerio da justiça.

10 Porque tambem o que foi glorificado n’esta parte não foi glorificado, por causa d’esta excellente gloria.

11 Porque, se o que era transitorio foi para gloria, muito mais é em gloria o que permanece.

12 Tendo, pois, tal esperança, usamos [10] de muita ousadia no fallar.

13 E não somos como Moysés, que punha um véu [11] sobre a sua face, para que os filhos do Israel não fitassem os olhos no fim do que era transitorio.

14 Porém os seus [12] sentidos foram endurecidos: porque até ao dia de hoje o mesmo véu fica por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Christo abolido:

15 Mas até ao dia de hoje, quando é lido Moysés, o véu está posto sobre o coração d’elles.

16 Porém, quando se converterem [13] ao Senhor, então o véu se tirará.

17 Ora o Senhor [14] é o Espirito; e onde está o Espirito do Senhor ahi ha liberdade.

18 Mas todos nós, com cara descoberta, [15] reflectindo como um espelho, a gloria do Senhor, somos transformados de gloria em gloria na mesma imagem, como pelo Espirito do Senhor.

[1] cap. 5.12. Act. 18.27.

[2] I Cor. 9.2.

[3] I Cor. 3.5. Exo. 24.12. Jer. 31.33.

[4] João 15.5. Phi. 2.13.

[5] I Cor. 3.5. Eph. 3.7. Col. 1.25, 29.

[6] Rom. 7.10.

[7] Exo. 34.1, 28, 29, 30, 35.

[8] Gal. 3.5.

[9] Rom. 1.17 e 3.21.

[10] cap. 7.4. Eph. 6.19.

[11] Exo. 34.33, 35. Rom. 10.4.

[12] Isa. 6.10. Mat. 13.11, 14. João 12.40.

[13] Rom. 11.23, 26.

[14] ver. 6. I Cor. 15.45.

[15] I Cor. 13.12. I Tim. 1.11.

Jesus Christo é o unico assumpto do ministerio de Paulo.

4 Pelo que, tendo este [1] ministerio, segundo a misericordia que nos foi feita, não desfallecemos,

2 Antes, rejeitámos as coisas que por vergonha se occultam, não andando com astucia [2] nem falsificando a palavra de Deus, mas recommendando-nos á consciencia de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.

3 Porém, se tambem o nosso evangelho está encoberto, [3] para os que se perdem está encoberto:

4 Nos quaes o Deus d’este seculo cegou [4] os entendimentos dos incredulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da gloria de Christo, que é a imagem de Deus.

5 Porque não nos prégamos [5] a nós mesmos, mas a Christo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus.

6 Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse [6] a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para illuminação do conhecimento da gloria de Deus, na face de Jesus Christo.

7 Temos, porém, este thesouro em vasos de [7] barro, para que a excellencia do poder seja de Deus, e não de nós.

8 Em tudo somos attribulados, porém [8] não angustiados: perplexos, porém não desesperados:

9 Perseguidos, porém não desamparados: abatidos, [9] porém não perdidos:

10 Trazendo sempre por [10] toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste tambem em nossos corpos;

11 Porque nós, que vivemos, estamos sempre entregues [11] á morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste tambem em a nossa carne mortal.

12 De maneira que em nós obra a morte, [12] porém em vós a vida.

13 E temos portanto o mesmo espirito [13] de fé, como está escripto: Cri, por isso fallei: nós cremos tambem, por isso tambem fallamos.

14 Sabendo que o que resuscitou [14] o Senhor Jesus, nos resuscitará tambem por Jesus; e nos collocará comvosco.

15 Porque todas estas coisas são por amor [15] de vós, para que a graça, que abunda pela acção de graças de muitos abunde para gloria de Deus.

O designio e effeito das afflicções. As coisas visiveis são contrapostas ás invisiveis.

16 Por isso não desfallecemos: mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, [16] o interior, comtudo, se renova de dia em dia,

17 Porque a nossa leve e momentanea tribulação [17] produz-nos um peso eterno de gloria mui excellente;

18 Não attentando nós [18] nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporaes, e as que se não vêem são eternas.

[1] I Cor. 7.25. I Tim. 1.13.

[2] cap. 6.4, 7 e 7.14.

[3] I Cor. 1.18. II The. 2.10.

[4] João 12.31, 40 e 14.30 e 16.11.

[5] I Cor. 1.13, 23 e 10.33.

[6] Gen. 1.3. II Ped. 1.19.

[7] cap. 5.1. I Cor. 2.5.

[8] cap. 7.5.

[9] Psa. 37.24.

[10] I Cor. 15.31. Rom. 8.17. I Ped. 4.13.

[11] Rom. 8.36. I Cor. 15.31, 49.

[12] cap. 13.9.

[13] Rom. 1.12. II Ped. 1.1.

[14] Rom. 8.11. I Cor. 6.14.

[15] I Cor. 3.21. Col. 1.24. II Tim. 2.10.

[16] Rom. 7.22. Col. 3.10. I Ped. 3.4.

[17] Mat. 5.12. Rom. 8.18. I Ped. 1.6.

[18] Rom. 8.24. Heb. 11.1.

5 Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre [1] d’este tabernaculo se desfizer, temos de Deus um edificio, uma casa não feita por mãos, eterna nos céus.

2 E por isso tambem gememos, [2] desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu;

3 Se todavia formos [3] achados vestidos, e não nús.

4 Porque tambem nós, os que estamos n’este tabernaculo, gememos carregados: porque não queremos ser despidos, mas revestidos, [4] para que o mortal seja absorvido pela vida.

5 Ora, quem para isto [5] mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu tambem o penhor do Espirito.

6 Pelo que estamos sempre de bom animo, sabendo que, emquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor.

7 (Porque andamos [6] por fé, e não por vista.)

8 Porém temos confiança [AIT] e desejamos muito deixar [7] este corpo, e habitar com o Senhor.

9 Pelo que muito desejamos tambem ser-lhe agradaveis, quer presentes, quer ausentes.

10 Porque todos devemos comparecer [8] ante o tribunal de Christo, para que cada um receba segundo o que tiver feito no corpo, ou bem, ou mal.

O ministerio da reconciliação.

11 Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, [9] persuadimos os homens á fé, e somos manifestos a Deus; mas espero que nas vossas consciencias estejamos tambem manifestos.

12 Porque não nos recommendámos [10] outra vez a vós; mas damo-vos occasião de vos gloriardes de nós, para que tenhaes que responder aos que se gloriam na apparencia, e não no coração.

13 Porque, se enlouquecemos, é para Deus; [11] e, se conservamos o juizo, é para vós.

14 Porque o amor de Christo nos constrange, julgando nós isto: [12] que, se um morreu por todos, logo todos morreram.

15 E elle morreu por todos, para que os que vivem [13] não vivam mais para si, senão para aquelle que por elles morreu e resuscitou.

16 Assim que d’aqui por diante a ninguem conhecemos [14] segundo a carne, e, ainda que tambem tenhamos conhecido Christo segundo a carne, todavia agora já o não conhecemos d’este modo.

17 Assim que, se alguem está em Christo, [15] nova [AIU] creatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo está feito novo.

18 E tudo isto provém de Deus que nos reconciliou [16] comsigo mesmo por Jesus Christo, e nos deu o ministerio da reconciliação.

19 Porque Deus estava em [17] Christo reconciliando comsigo o mundo, não lhes imputando os seus peccados; e poz em nós a palavra da reconciliação.

20 De sorte que somos embaixadores [18] da parte de Christo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos pois da parte de Christo que vos reconcilieis com Deus.

21 Áquelle que não conheceu peccado, fel-o peccado [19] por nós; para que n’elle fossemos feitos justiça de Deus.

[1] Job 4.19. II Ped. 1.13, 14.

[2] Rom. 8.23.

[3] Apo. 3.18 e 16.15.

[4] I Cor. 15.53, 54.

[5] Isa. 29.23. Eph. 2.10.

[6] Rom. 8.24, 25.

[7] Phi. 1.23.

[8] Mat. 25.31, 32. Rom. 14.10. Apo. 22.12.

[9] Job 31.23. Heb. 10.31. Jud. 23.

[10] cap. 3.1 e 1.14.

[11] cap. 11.1, 16, 17 e 12.6, 11.

[12] Rom. 5.15.

[13] Rom. 6.11, 12. I Cor. 6.19. Gal. 2.20.

[14] Mat. 12.50. João 15.14. Gal. 5.6.

[15] Rom. 8.9 e 16.7. Gal. 6.15.

[16] Rom. 5.10. Col. 1.20. I João 2.2.

[17] Rom. 3.24, 25.

[18] Job 33.23. Mal. 2.7.

[19] Isa. 53.6, 9, 12. Gal. 3.13. I Ped. 2.22, 24.

A abnegação de Paulo em seu ministerio.

6 E nós, cooperando tambem, [1] vos exhortamos a que não recebaes a graça de Deus em vão;

2 (Porque diz: Ouvi-te [2] em tempo acceitavel e soccorri-te no dia da salvação: Eis aqui agora o tempo acceitavel, eis aqui agora o dia da salvação.)

3 Não dando nós [3] escandalo em coisa alguma, para que o ministerio não seja vituperado;

4 Antes, como ministros [4] de Deus, fazendo-nos agradaveis em tudo: na muita soffrença, nas afflicções, nas necessidades, nas angustias,

5 Nos açoites, [5] nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigilias, nos jejuns,

6 Na pureza, na sciencia, na longanimidade, na benignidade, no Espirito Sancto, no amor não fingido,

7 Na palavra da [6] verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, á direita e á esquerda,

8 Por honra e por deshonra, por infamia e por boa fama: como enganadores, e sendo verdadeiros:

9 Como desconhecidos, [7] mas sendo bem conhecidos: como morrendo, e [8] eis que vivemos: como castigados, e não mortos:

10 Como contristados, mas sempre alegres: como pobres, mas enriquecendo a muitos: como nada tendo, e possuindo tudo.

Instante exhortação á sanctidade.

11 Ó corinthios, a nossa bocca aberta está para vós, o nosso [9] coração está dilatado.

12 Não estaes estreitados em nós; mas estaes [10] estreitados nas vossas entranhas.

13 Ora, em recompensa d’isto, (fallo como [11] a filhos) dilatae-vos tambem vós.

14 Não vos prendaes desegualmente ao jugo com [12] os infieis; porque, que participação tem a justiça com a injustiça? E que communicação tem a luz com as trevas?

15 E que concordia ha entre Christo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?

16 E que consentimento tem o templo de Deus com os idolos? Porque vós [13] sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: N’elles habitarei, e entre elles andarei: e eu serei o seu Deus e elles serão o meu povo.

17 Pelo que sahi do meio d’elles, e apartae-vos, [14] diz o Senhor; e não toqueis coisa immunda, e eu vos receberei:

18 E eu serei para vós Pae [15] e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor todo poderoso.

[1] I Cor. 3.9. cap. 5.20. Heb. 12.15.

[2] Isa. 49.8.

[3] Rom. 14.13. I Cor. 9.12 e 10.32.

[4] I Cor. 4.1.

[5] cap. 11.23, etc.

[6] cap. 4.2. I Cor. 2.4. Eph. 6.11, 13.

[7] cap. 4.2.

[8] I Cor. 4.9. cap. 1.9 e 4.10, 11.

[9] cap. 7.3.

[10] cap. 12.15.

[11] I Cor. 4.14.

[12] Deu. 7.2, 3. I Cor. 5.9 e 7.39. I Sam. 5.2, 3.

[13] I Cor. 3.16. Eph. 2.21, 22. Heb. 3.6.

[14] Isa. 52.11. cap. 7.1. Apo. 18.4.

[15] Jer. 31.1, 9. Apo. 21.7.

7 Ora, amados, pois que temos taes promessas, [1] purifiquemo-nos de toda a immundicia da carne e do espirito, aperfeiçoando a sanctificação no temor de Deus.

A alegria de Paulo por causa da vinda de Tito e o bom effeito da sua primeira epistola.

2 Recebei-nos; a ninguem aggravámos, a ninguem corrompemos, de ninguem [2] buscámos o nosso proveito.

3 Não digo isto para vossa condemnação; pois já d’antes tinha dito que estaes [3] em nossos corações para juntamente morrer e viver.

4 Grande é a ousadia da minha falla para comvosco, [4] e grande a minha jactancia a respeito de vós; estou cheio de consolação: superabundo de gozo em todas as nossas tribulações.

5 Porque, ainda quando chegámos [5] á Macedonia, a nossa carne não teve repouso algum; antes em tudo fomos attribulados: por fóra combates, temores por dentro.

6 Mas Deus, que consola [6] os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito.

7 E não sómente com a sua vinda, senão tambem pela consolação com que foi consolado de vós, contando-nos as vossas saudades, o vosso choro, o vosso zelo por mim, de maneira que muito me regozijei.

8 Porque, ainda que vos [7] contristei com a carta, não me arrependo, embora me arrependesse por vêr que aquella carta vos contristou, ainda que por pouco tempo.

9 Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o arrependimento; porque fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes damno em coisa alguma.

10 Porque a tristeza segundo [8] Deus obra arrependimento para a salvação, da qual ninguem se arrepende; mas a tristeza do mundo obra a morte.

11 Porque, quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós, que segundo Deus fostes contristados! que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! em tudo mostrastes estar puros n’este negocio.

12 Portanto, ainda que vos escrevi, não foi por causa do que fez o aggravo, nem por causa do que soffreu o aggravo, mas para que a nossa diligencia por vós [9] fosse manifesta diante de Deus.

13 Por isso fomos consolados pela vossa consolação, e muito mais nos alegramos pela alegria de Tito, porque o seu espirito foi [10] recreado por vós todos.

14 Porque, se n’alguma coisa me gloriei de vós para com elle, não fiquei envergonhado; antes, como vos dissemos tudo com verdade, assim tambem a nossa gloria para com Tito se achou verdadeira.

15 E o seu entranhavel affecto para comvosco é mais abundante, lembrando-se da obediencia [11] de vós todos, e de como o recebestes com temor e tremor.

16 Regozijo-me de em tudo poder [12] confiar em vós.

[1] cap. 6.17, 18.

[2] Act. 20.33. cap. 12.17.

[3] cap. 6.11, 12.

[4] cap. 3.12. I Cor. 1.4. Phi. 2.17.

[5] cap. 2.13. Deu. 32.25.

[6] cap. 1.4 e 2.13.

[7] cap. 2.4.

[8] II Sam. 12.13. Mat. 26.75. Pro. 17.22.

[9] cap. 2.4.

[10] Rom. 15.32.

[11] cap. 2.9. Phi. 2.12.

[12] II The. 3.4. Phi. 3.21.

A collecta para os christãos pobres da Judea.

8 Tambem, irmãos, vos fazemos saber a graça de Deus dada ás egrejas da Macedonia:

2 Como em muita prova de tribulação houve abundancia do seu gozo, e como a sua [1] profunda pobreza abundou em riquezas de sua beneficencia.

3 Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico), e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente,

4 Pedindo-nos com muitos rogos a graça e a communicação d’este serviço, [2] que se fazia para com os sanctos.

5 E fizeram não sómente como nós esperavamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.

6 De maneira que exhortámos [3] a Tito que, assim como d’antes começou, assim tambem acabe esta mercê entre vós.

7 Portanto, assim como em [4] tudo abundaes em fé, e em palavra, e em sciencia, e em toda a diligencia, e em a vossa caridade para comnosco, assim tambem abundeis n’esta graça.

8 Não digo isto como [5] quem manda, senão tambem para provar, pela diligencia dos outros, a sinceridade da vossa caridade.

9 Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Christo, que, sendo rico, por amor de vós [6] se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecesseis.

10 E n’isto dou o meu [7] parecer; pois que isto vos convém a vós, que desde o anno passado começastes não só o praticar, mas tambem o desejar.

11 Agora, porém, completae tambem o já começado, para que, assim como houve a promptidão de vontade, haja tambem o cumprimento, segundo o que tendes.

12 Porque, se primeiro [8] houver promptidão de vontade, será acceite segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem.

13 Porém, não digo isto para que os outros tenham allivio, e vós oppressão,

14 Mas para egualdade; n’este tempo presente, a vossa abundancia suppra a falta dos outros, para que tambem a sua abundancia suppra a vossa falta, para que haja egualdade;

15 Como está escripto: O que muito colheu [9] não teve de mais; e o que pouco não teve de menos.

16 Porém, graças a Deus, que poz a mesma solicitude por vós no coração de Tito;

17 Pois acceitou [10] a exhortação, e muito diligente partiu voluntariamente para vós.

18 E com elle enviámos aquelle [11] irmão que tem louvor no evangelho em todas as egrejas.

19 E não só isto, mas foi tambem escolhido pelas egrejas [12] para companheiro da nossa viagem, n’esta graça, que por nós é ministrada para gloria do mesmo Senhor, e promptidão do vosso animo:

20 Evitando isto, que alguem nos vitupere n’esta abundancia, que por nós e ministrada:

21 Como quem procura [13] o que é honesto, não só diante do Senhor, mas tambem diante dos homens.

22 Com elles enviámos tambem outro nosso irmão, o qual muitas vezes, e em muitas coisas já experimentámos que é diligente, e agora muito mais diligente ainda pela muita confiança que em vós tem.

23 Quanto a Tito, é meu companheiro, e cooperador para comvosco: quanto a nossos irmãos, são embaixadores [14] das egrejas e gloria de Christo.

24 Portanto mostrae para com elles, perante a face das egrejas, a prova da vossa caridade, e da nossa [15] gloria ácerca de vós.

[1] Mar. 12.44.

[2] Act. 11.29. Rom. 15.25, 26. cap. 9.1.

[3] ver. 17. cap. 12.18.

[4] I Cor. 1.5 e 12.13.

[5] I Cor. 7.6.

[6] Mat. 8.20. Luc. 9.58. Phi. 2.6, 7.

[7] I Cor. 7.25. Mat. 10.42. I Tim. 6.18, 19.

[8] Mar. 12.43, 44. Luc. 21.3.

[9] Exo. 16.18.

[10] ver. 6.

[11] cap. 12.13.

[12] I Cor. 16.3, 4. cap. 4.15.

[13] Rom. 12.17. Phi. 4.8. I Ped. 2.12.

[14] Phi. 2.25.

[15] cap. 7.14 e 9.2.

9 Quanto á administração [1] que se faz a favor dos sanctos, não necessito escrever-vos;

2 Porque bem sei a promptidão do vosso animo [2] da qual me glorio de vós para com os macedonios; que a Achaia está prompta desde o anno passado, e o vosso zelo tem estimulado muitos.

3 Porém enviei [3] estes irmãos, para que a nossa gloria, ácerca de vós, não seja vã n’esta parte; para que (como já disse) possaes estar promptos:

4 Para que, se acaso os macedonios vierem comigo, e vos acharem desapercebidos, não nos envergonhemos nós (para não dizermos vós) d’este firme fundamento de gloria.

5 Portanto, tive por coisa necessaria exhortar estes irmãos, para que primeiro fossem ter comvosco, e preparassem primeiro a vossa benção, já d’antes annunciada, para que esteja prompta como benção, e não como avareza.

6 E digo isto: Que o [4] que semeia pouco, pouco tambem ceifará; e o que semeia em abundancia, em abundancia tambem ceifará.

7 Cada um contribua segundo propoz no seu coração; não com [5] tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.

8 E Deus é poderoso para fazer abundar [6] em vós toda a graça, para que tendo sempre, em tudo, toda a sufficiencia, abundeis em toda a boa obra;

9 Conforme está escripto: Espalhou, [7] deu aos pobres: a sua justiça permanece para sempre.

10 Ora, aquelle que dá a semente ao que semeia, [8] tambem dará pão para comer, e multiplicará a vossa sementeira, e augmentará os fructos da vossa justiça;

11 Para que em tudo enriqueçaes para toda a beneficencia, a qual faz que por nós [9] se deem graças a Deus.

12 Porque a administração d’este serviço, não só suppre as necessidades dos sanctos, [10] mas tambem abunda em muitas graças, que se dão a Deus.

13 Portanto, na prova d’esta administração, glorificam a Deus [11] pela submissão que confessaes quanto ao evangelho de Christo, e pela bondade da communicação para [12] com elles, e para com todos;

14 E pela sua oração por vós, tendo de vós saudades, por causa da excellente graça de Deus [13] em vós.

15 Graças a Deus pois [14] pelo seu dom ineffavel.

[1] Act. 11.29. Rom. 15.26. I Cor. 16.1. Gal. 2.10.

[2] cap. 8.19.

[3] cap. 8.6, 17, 18, 22.

[4] Pro. 11.24 e 19.17. Gal. 6.7, 9.

[5] Deu. 15.7. Exo. 25.2. Pro. 11.25.

[6] Pro. 11.24, 25 e 28.27. Phi. 4.19.

[7] Psa. 112.9.

[8] Isa. 55.10. Ose. 10.12. Mat. 6.1.

[9] cap. 1.11 e 4.15.

[10] cap. 8.14.

[11] Mat. 5.16.

[12] Heb. 13.16.

[13] cap. 8.1.

[14] Thi. 1.17.

Paulo defende a sua auctoridade apostolica.

10 Além d’isto, eu, Paulo, [1] vos rogo, pela mansidão e benignidade de Christo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde, porém, ausente, ousado para comvosco;

2 Rogo-vos pois que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar com confiança da ousadia [2] que se me attribue ter com alguns, que nos julgam, como se andassemos segundo a carne.

3 Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne.

4 Porque as armas da [3] nossa milicia não são carnaes, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;

5 Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando captivo todo o entendimento á obediencia de Christo.

6 E estando promptos para vingar toda a [4] desobediencia, quando fôr cumprida a vossa obediencia.

7 Olhaes para as coisas [5] segundo a apparencia? Se alguem confia de si mesmo que é de Christo, pense outra vez isto comsigo, que, assim como elle é de Christo, tambem nós somos de Christo.

8 Porque, ainda que eu me glorie mais alguma coisa do nosso poder, [6] o qual o Senhor nos deu para edificação, e não para vossa destruição, não me envergonharei,

9 Para que não pareça como se quizera intimidar-vos por cartas.

10 Porque as cartas, dizem, [7] são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra desprezivel.

11 Pense o tal isto, que, quaes somos na palavra por cartas, estando ausentes, taes seremos tambem por obra, estando presentes.

12 Porque não [8] ousamos juntar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; porém estes que por si mesmos se medem a si mesmos, e se comparam comsigo mesmos, estão sem entendimento.

13 Porém não nos gloriaremos [9] fóra de medida, mas conforme a medida da regra, medida que Deus nos deu, para chegarmos até vós;

14 Porque não nos estendemos além do que convém, como se não houvessemos de chegar até vós, pois já chegámos [10] tambem até vós no evangelho de Christo:

15 Não nos gloriando fóra de medida nos trabalhos [11] alheios; antes tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos abundantemente engrandecidos entre vós, conforme a nossa regra;

16 Para annunciar o evangelho nos logares que estão além de vós, e não em campo de outrem, para nos não gloriarmos no que estava já preparado.

17 Porém aquelle que se gloría [12] glorie-se no Senhor.

18 Porque não é approvado quem a si mesmo se louva, [13] mas sim aquelle a quem o Senhor louva.

[1] Rom. 12.1. ver. 10. cap. 12.5, 7, 9.

[2] I Cor. 4.21. cap. 13.2, 10.

[3] Eph. 6.13. I The. 5.8. I Tim. 1.18.

[4] cap. 13.2, 10 e 2.9 e 7.15.

[5] João 7.24. I Cor. 14.37 e 3.23. I João 4.6.

[6] cap. 13.10 e 7.14 e 12.6.

[7] I Cor. 2.3, 4 e 1.17. cap. 11.6.

[8] cap. 3.1 e 5.12.

[9] ver. 15.

[10] I Cor. 3.5, 10 e 4.15.

[11] Rom. 15.20.

[12] Isa. 65.16. I Cor. 1.31.

[13] Pro. 27.2. I Cor. 4.5.

Os falsos apostolos.

11 Oxalá me supportasseis um pouco na minha [1] loucura! Supportae-me, porém, ainda.

2 Porque estou zeloso [2] de vós com zelo de Deus: porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Christo.

3 Mas temo que, assim como a [3] serpente enganou Eva com a sua astucia, assim tambem sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que ha em Christo.

4 Porque, se alguem viesse prégar-vos outro Jesus que nós não temos prégado, ou recebesseis outro espirito que não recebestes, ou [4] outro evangelho que não abraçastes, com razão o soffrerieis.

5 Porque penso que em nada fui inferior [5] aos mais excellentes apostolos.

6 E, se tambem sou [6] rude na palavra, não o sou comtudo na sciencia; mas já em tudo nos temos feito conhecer totalmente entre vós.

7 Pequei porventura, humilhando-me a [7] mim mesmo, para que vós fosseis exaltados, porque de graça vos annunciei o evangelho de Deus?

8 Outras egrejas despojei eu para vos servir, recebendo d’ellas salario; e quando estava presente comvosco, e tinha necessidade, [8] a ninguem fui pesado.

9 Porque os irmãos que vieram da Macedonia suppriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei.

10 A verdade de Christo [9] está em mim; que esta gloria não me será impedida nas regiões da Achaia.

11 Porque? Porque vos não amo? [10] Deus o sabe.

12 Mas eu o faço, e o farei, para cortar occasião [11] aos que buscam occasião, para que, n’aquillo em que se gloriam, sejam achados assim como nós.

13 Porque taes falsos [12] apostolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apostolos de Christo.

14 E não é maravilha, [13] porque o proprio Satanaz se transfigura em anjo de luz.

15 Não é muito pois que os seus ministros se transfigurem em ministros [14] da justiça, o fim dos quaes será conforme as suas obras.

Os soffrimentos de Paulo por amor do evangelho.

16 Outra vez digo: [15] ninguem me julgue insensato, ou então recebei-me como insensato, para que tambem me glorie um pouco.

17 O que digo, [16] não o digo segundo o Senhor, mas como por loucura n’esta confiança de gloria.

18 Pois que muitos se gloriam [17] segundo a carne, eu tambem me gloriarei.

19 Porque, [18] sendo sensatos, de boamente toleraes os insensatos.

20 Pois o toleraes, se alguem [19] vos põe em servidão, se alguem vos devora, se alguem vos apanha, se alguem se exalta, se alguem vos fere no rosto.

21 Para affronta [20] o digo, como se nós fossemos fracos, mas no que qualquer tem ousadia (com insensatez fallo) tambem eu tenho ousadia.

22 São hebreos? [21] tambem eu; são israelitas? tambem eu; são descendencia de Abrahão? tambem eu;

23 São ministros de Christo? (fallo como fóra de mim) eu ainda mais; [22] em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que elles; em prisões, muito mais, em perigo de morte muitas vezes.

24 Recebi dos judeos cinco [23] quarentenas de açoites menos um.

25 Tres vezes fui açoitado [24] com varas, uma vez fui apedrejado, tres vezes soffri naufragio, uma noite e um dia passei no abysmo.

26 Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, [25] em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos.

27 Em trabalhos e fadiga, [26] em vigilias muitas vezes, em fome e sêde, em jejum muitas vezes, em frio e nudez.

28 Além das coisas exteriores, [27] me sobrevem cada dia o cuidado de todas as egrejas.

29 Quem [28] enfraquece, que eu tambem não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abraze?

30 Se convém gloriar-me, [29] gloriar-me-hei das coisas da minha fraqueza.

31 O Deus [30] e Pae de Nosso Senhor Jesus Christo, que é eternamente bemdito, sabe que não minto.

32 Em Damasco, o [31] governador sob o rei Aretas poz guardas ás portas da cidade dos damascenos, para me prenderem.

33 E fui descido n’um cesto por uma janella da muralha; e assim escapei das suas mãos.

[1] ver. 16. cap. 5.13.

[2] Gal. 4.17, 18. Ose. 2.19, 20.

[3] Gen. 3.4. João 8.44. Eph. 6.24.

[4] Gal. 1.7, 8.

[5] I Cor. 15.10. Gal. 2.6.

[6] I Cor. 1.17. Eph. 3.4. cap. 4.2.

[7] Act. 18.3. I Cor. 9.6, 12.

[8] Act. 20.33. I The. 2.9. II The. 3.8, 9.

[9] Rom. 9.1. I Cor. 9.15.

[10] cap. 6.11.

[11] I Cor. 9.12.

[12] Act. 15.24. Rom. 16.18.

[13] Gal. 1.7.

[14] cap. 3.9.

[15] ver. 1. cap. 12.6, 11.

[16] I Cor. 7.6, 12. cap. 9.4.

[17] Phi. 3.3, 4.

[18] I Cor. 4.10.

[19] Gal. 2.4 e 4.9.

[20] cap. 10.10. Phi. 3.4.

[21] Act. 22.3. Rom. 11.1. Phi. 3.5.

[22] I Cor. 15.10, 30, 31, 32. Act. 9.16.

[23] Deu. 25.3.

[24] Act. 16.22 e 14.19.

[25] Act. 9.23 e 13.50 e 14.5.

[26] Act. 20.31. cap. 6.5. I Cor. 4.11.

[27] Act. 20.18, etc. Rom. 1.14.

[28] I Cor. 8.13 e 9.22.

[29] cap. 12.5, 9, 10.

[30] Rom. 1.9 e 9.1. I The. 2.5.

[31] Act. 9.24, 25.

A visão celestial: o espinho na carne.

12 Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei ás visões e revelações do Senhor.

2 Conheço um homem [1] em Christo que ha quatorze annos (se no corpo não sei, se fóra do corpo não sei: Deus o sabe) foi arrebatado até ao terceiro céu.

3 E sei que o tal homem (se no corpo, se fóra do corpo, não sei; Deus o sabe)

4 Foi arrebatado ao [2] paraiso; e ouviu palavras ineffaveis, de que ao homem não é licito fallar.

5 De um tal me gloriarei eu, [3] mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas.

6 Porque, se quizer gloriar-me, [4] não serei nescio, porque direi a verdade; porém deixo isto, para que ninguem cuide de mim mais do que em mim vê ou de mim ouve.

7 E para que me não exaltasse pelas excellencias das revelações, [5] foi-me dado um espinho na carne, a saber, um [AIV] mensageiro de Satanaz para me esbofetéar, para que me não exalte.

8 Á cerca do qual tres vezes orei [6] ao Senhor para que se desviasse de mim.

9 E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade pois me gloriarei [7] nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Christo.

10 Pelo que sinto prazer [8] nas fraquezas, nas injurias, nas necessidades, nas perseguições, nas angustias por amor de Christo. Porque quando estou fraco então sou forte.

O desinteresse de Paulo.

11 Fui nescio em [9] gloriar-me; vós me constrangestes, porque eu devia ser louvado por vós, [10] visto que em nada fui inferior aos mais excellentes apostolos; ainda que nada sou.

12 Os signaes [11] do meu apostolado foram effectuados entre vós com toda a paciencia, por signaes, prodigios e maravilhas.

13 Porque, [12] em que tendes vós sido inferiores ás outras egrejas, a não ser que eu mesmo vos não fui pesado? Perdoae-me este aggravo.

14 Eis aqui estou prompto [13] para terceira vez ir ter comvosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós; porque não devem os filhos enthesourar para seus paes, mas os paes para os filhos.

15 E eu de muito boamente gastarei, [14] e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado.

16 Porém seja assim; [15] eu não vos fui pesado, mas, sendo astuto, vos tomei com dolo.

17 Porventura [16] aproveitei-me de vós por algum d’aquelles que vos enviei?

18 Roguei a Tito, [17] e enviei com elle um irmão. Porventura Tito se aproveitou de vós? Não andámos porventura no mesmo espirito, sobre as mesmas pisadas?

Os ultimos avisos aos corinthios: saudações.

19 Cuidaes [18] que ainda nos desculpamos comvosco? Fallamos em Christo perante Deus, [19] e tudo isto, ó amados, para vossa edificação.

20 Porque temo que, quando chegar, vos não ache taes quaes eu quizera, [20] e eu seja achado de vós tal qual vós não quizereis: que de alguma maneira não haja pendencias, invejas, iras, porfias, detracções, mexericos, orgulhos, tumultos,

21 Para que, quando fôr outra vez, [21] o meu Deus me não humilhe para comvosco, e eu não chore por muitos d’aquelles que d’antes peccaram, e não se arrependeram da immundicia, e fornicação, e deshonestidade que commetteram.

[1] Rom. 16.7. Gal. 1.22. Act. 22.17 e 14.6.

[2] Luc. 23.43.

[3] cap. 11.30.

[4] cap. 10.8 e 11.16.

[5] Eze. 28.24. Gal. 4.13, 14.

[6] Deu. 3.23, 27. Mat. 26.44.

[7] cap. 11.30. I Ped. 4.14.

[8] Rom. 5.3. cap. 7.4.

[9] cap. 11.1, 16, 17.

[10] cap. 11.5. Gal. 2.6, 7, 8. I Cor. 3.7.

[11] Rom. 15.18, 19. I Cor. 9.2.

[12] I Cor. 1.7. cap. 11.7, 9.

[13] Act. 20.33. I Cor. 10.33.

[14] Phi. 2.17. I The. 2.8. João 10.11.

[15] cap. 11.9.

[16] cap. 7.2.

[17] cap. 8.6, 16, 18, 22.

[18] cap. 5.12.

[19] Rom. 9.1. I Cor. 10.33.

[20] I Cor. 4.21. cap. 10.2.

[21] cap. 2.1, 4. I Cor. 5.1.

13 É esta a terceira [1] vez que vou ter comvosco. Na bocca de duas ou tres testemunhas será confirmada toda a palavra.

2 Já anteriormente o disse: [2] e segunda vez o digo como se estivesse presente; agora pois, estando ausente, o digo aos que d’antes peccaram e a todos os mais, que, se outra vez fôr, não lhes perdoarei;

3 Visto que buscaes uma prova de Christo que falla em mim, [3] o qual não é fraco para comvosco, antes é poderoso entre vós.

4 Porque, ainda que foi [4] crucificado por fraqueza, todavia vive pelo poder de Deus. Porque nós tambem somos fracos n’elle, porém viveremos com elle pelo poder de Deus em vós.

5 Examinae-vos a vós [5] mesmos, se permaneceis na fé; provae-vos a vós mesmos. Ou não vos conheceis a vós mesmos, que Jesus Christo está em vós? Se não é que já estaes reprovados.

6 Mas espero que entendereis que nós não somos reprovados.

7 Ora eu rogo a Deus que não façaes mal algum, não para que sejamos achados approvados, mas para que vós façaes o bem, [6] embora nós sejamos como reprovados.

8 Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.

9 Porque nos regozijamos de [7] estar fracos, quando vós estaes fortes; e o que desejamos é a vossa perfeição.

10 Portanto, [8] escrevo estas coisas estando ausente, para que, estando presente, não use de rigor, segundo o poder que o Senhor me deu para edificação, e não para destruição.

11 Quanto ao mais, irmãos, regozijae-vos, sêde perfeitos, sêde consolados, [9] sêde de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus do amor e da paz será comvosco.

12 Saudae-vos uns aos [10] outros com osculo sancto. Todos os sanctos vos saudam.

13 A graça do Senhor Jesus Christo, e o amor de Deus, e a communhão do Espirito Sancto seja com vós todos. Amen.

[1] cap. 12.14. Num. 35.30. Deu. 17.6.

[2] cap. 10.2 e 12.21.

[3] Mat. 10.20. I Cor. 5.4. cap. 2.10.

[4] Phi. 2.7, 8. I Ped. 3.18.

[5] I Cor. 11.28. Rom. 8.10. Gal. 4.19.

[6] cap. 6.9.

[7] I Cor. 4.10. cap. 11.30.

[8] I Cor. 4.21. Tito 1.13. cap. 10.8.

[9] Rom. 12.16, 18. I Cor. 1.10.

[10] Rom. 16.16.

EPISTOLA DE S. PAULO APOSTOLO AOS GALATAS.

Prefacio e saudação.

[Anno Domini 58]

1 Paulo apostolo (não da parte [1] dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Christo, e por Deus Pae, que o resuscitou dos mortos)

2 E todos os irmãos que estão comigo, [2] ás egrejas da Galacia:

3 Graça e paz [3] de Deus Pae e de nosso Senhor Jesus Christo,

4 O qual se deu a si mesmo por nossos peccados, [4] para nos livrar do presente seculo mau, segundo a vontade de Deus nosso Pae.

5 Ao qual gloria para todo o sempre. Amen.

A inconstancia dos galatas: Paulo vindica a auctoridade divina do seu apostolado e da sua doutrina.

6 Maravilho-me de que tão depressa passasseis d’aquelle que vos chamou á [5] graça de Christo para outro evangelho.

7 Que não é outro, [6] mas ha alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Christo.

8 Mas, ainda que nós [7] mesmos, ou um anjo do céu vos annuncie outro evangelho, além do que já vos tenho annunciado, seja anathema.

9 Assim como já vol-o dissemos, agora de novo tambem vol-o digo. Se algum vos annunciar outro evangelho além do que já recebestes, [8] seja anathema.

10 Porque, [9] persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro comprazer a homens? se comprazera ainda aos homens, não seria servo de Christo.

11 Mas faço-vos [10] saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi annunciado não é segundo os homens.

12 Porque não o recebi, [11] nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Christo.

13 Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conducta no judaismo, que sobremaneira [12] perseguia a egreja de Deus e a assolava.

14 E como na minha nação excedia em judaismo a muitos da minha edade, [13] sendo extremamente zeloso das tradições de meus paes.

15 Mas, quando approuve a Deus, que desde o [14] ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça,

16 Revelar seu Filho [15] em mim, para que o prégasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue,

17 Nem tornei a Jerusalem, a ter com os que já antes de mim eram apostolos, mas parti para a Arabia, e voltei outra vez a Damasco.

18 Depois, passados tres annos, [16] fui a Jerusalem para ver a Pedro, e fiquei com elle quinze dias.

19 E não vi a nenhum outro [17] dos apostolos, senão a Thiago, irmão do Senhor.

20 Ora, ácerca das coisas que vos escrevo, [18] eis que diante de Deus testifico que não minto.

21 Depois [19] fui para as partes da Syria e da Cilicia.

22 E não era conhecido de vista das egrejas da [20] Judea, que estavam em Christo;

23 Mas sómente tinham ouvido dizer: Aquelle que d’antes nos perseguia annuncia agora a fé que d’antes destruia.

24 E glorificavam a Deus a respeito de mim.

[1] ver. 11, 12. Act. 9.6 e 22.10, 15, 21.

[2] Phi. 2.22 e 4.21. I Cor. 16.1.

[3] Rom. 1.7. I Cor. 1.3.

[4] Mat. 20.28. Rom. 4.25. Tito 2.14.

[5] cap. 5.8.

[6] II Cor. 11.4. Act. 15.1, 24.

[7] I Cor. 16.22.

[8] Deu. 4.2. Apo. 22.18.

[9] I The. 2.4. Thi. 4.4.

[10] I Cor. 15.1.

[11] I Cor. 15.1, 3. ver. 1. Eph. 3.3.

[12] Act. 9.1 e 22.4. I Tim. 1.13.

[13] Act. 22.3. Phi. 3.6. Jer. 9.14.

[14] Isa. 49.1, 5. Jer. 1.5. Act. 9.15.

[15] II Cor. 4.6. Act. 9.15. Rom. 11.13. Eph. 3.8. Mat. 16.17.

[16] Act. 9.26.

[17] I Cor. 9.5. Mat. 13.55. Mar. 6.3.

[18] Rom. 9.1.

[19] Act. 9.30.

[20] I The. 2.14.

2 Depois, passados quatorze annos, [1] subi outra vez a Jerusalem com Barnabé, levando tambem comigo Tito.

2 E subi por uma revelação, [2] e lhes expuz o evangelho, que prégo entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou houvesse corrido [3] em vão.

3 Porém nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circumcidar-se;

4 E isto por causa dos falsos [4] irmãos que se tinham entremettido, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Christo Jesus, para nos pôrem em servidão:

5 Aos quaes nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, [5] para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós,

6 E, quanto áquelles que pareciam ser alguma coisa [6] (quaes tenham sido n’outro tempo, não se me dá; Deus não acceita a apparencia do homem) esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me communicaram;

7 Antes, pelo contrario, quando viram que o evangelho da incircumcisão me estava confiado, [7] como a Pedro o da circumcisão

8 (Porque aquelle que operou efficazmente em Pedro para o apostolado da circumcisão [8] esse operou tambem em mim com efficacia para com os gentios),

9 E conhecendo Thiago, Cephas e João, que eram considerados como as columnas, [9] a graça que se me havia dado, deram as dextras de parceria comigo, e a Barnabé, para que nós fossemos aos gentios, e elles á circumcisão;

10 Recommendando-nos sómente que nos lembrassemos dos pobres: [10] o que tambem procurei fazer com diligencia.

11 E, chegando Pedro a [11] Antiochia, lhe resisti na cara, porque era reprehensivel.

12 Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Thiago, [12] comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se retirou, e se apartou d’elles, temendo aos que eram da circumcisão.

13 E os outros judeos consentiam tambem na sua dissimulação, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.

14 Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme [13] a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeo, vives como os gentios, e não como judeo, porque obrigas os gentios a viverem como judeos?

15 Nós somos judeos por [14] natureza e não peccadores d’entre os gentios.

16 Sabendo [15] que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé de Jesus Christo, havemos tambem crido em Jesus Christo, para sermos justificados pela fé de Christo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.

17 Pois, se nós que procuramos ser justificados em Christo, nós mesmos tambem somos achados [16] peccadores, é porventura Christo ministro do peccado? De maneira nenhuma.

18 Porque, se torno a vivificar as coisas que já destrui, constituo-me a mim mesmo transgressor.

19 Porque eu pela lei estou [17] morto para a lei, para viver para Deus.

20 Já estou crucificado [18] com Christo; e vivo, não mais eu, mas Christo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne [19] vivo a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

21 Não aniquilo a graça de Deus; porque, [20] se a justiça provém da lei, segue-se que Christo morreu debalde.

[1] Act. 15.2.

[2] Act. 15.12.

[3] Phi. 2.16. I The. 3.5.

[4] Act. 15.1, 24. II Cor. 11.20.

[5] ver. 14.

[6] cap. 6.3. Act. 10.34. Rom. 2.11.

[7] Act. 13.46. Rom. 1.5. I Tim. 2.7.

[8] Act. 9.15. I Cor. 15.10. Col. 1.29.

[9] Mat. 16.18. Eph. 2.20. Apo. 21.14.

[10] Act. 11.30. Rom. 15.25.

[11] Act. 15.35.

[12] Act. 10.28 e 11.3.

[13] ver. 5. I Tim. 5.20.

[14] Act. 15.10, 11. Eph. 2.3, 12.

[15] Act. 13.38, 39. Rom. 1.17.

[16] I João 3.8, 9.

[17] Rom. 8.2 e 6.14 e 7.4, 6.

[18] Rom. 6.6. cap. 5.24.

[19] II Cor. 5.15. I The. 5.10. I Ped. 4.2.

[20] cap. 3.21. Heb. 7.11. Rom. 11.6.

A lei é impotente para salvar, mas conduz a Christo e á fé.

3 Ó insensatos galatas! quem vos fascinou [1] para não obedecerdes á verdade,—vós, perante os olhos de quem Jesus Christo foi já representado, como crucificado entre vós?

2 Só quizera saber isto de vós: [2] recebestes o Espirito pelas obras da lei ou pela [AIW] prégação da fé?

3 Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo [3] Espirito, acabeis agora pela carne?

4 Será em vão que tenhaes padecido tanto? [4] Se é que tambem foi em vão.

5 Aquelle pois que vos dá o [5] Espirito, e que obra maravilhas entre vós, fal-o pelas obras da lei, ou pela prégação da fé?

6 Assim como [6] Abrahão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

7 Sabei pois que os que são [7] da fé são filhos de Abrahão.

8 Ora, [8] tendo a Escriptura previsto que Deus havia de justificar pela fé [AIX] os gentios, annunciou primeiro o evangelho a Abrahão, dizendo: Todas as nações serão bemditas em ti.

9 De sorte que os que são da fé são bemditos com o crente Abrahão.

10 Todos aquelles pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escripto está: [9] Maldito todo aquelle que não permanecer em todas as coisas que estão escriptas no livro da lei, para fazel-as.

11 E é evidente que pela lei [10] ninguem será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.

12 Ora a lei [11] não é da fé; mas o homem que fizer estas coisas por ellas viverá.

13 Christo nos resgatou [12] da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escripto: Maldito todo aquelle que fôr pendurado no madeiro;

14 Para que a benção de [13] Abrahão chegasse aos gentios por Jesus Christo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espirito.

15 Irmãos, como homem fallo; [14] se o concerto de um homem fôr confirmado, ninguem o annulla nem lhe accrescenta.

16 Ora as promessas foram feitas a Abrahão [15] e á sua posteridade. Não diz: E ás posteridades, como fallando de muitas, mas como de uma só: E á tua posteridade; a qual é Christo.

17 Mas digo isto: Que o concerto, anteriormente confirmado por Deus em Christo, a lei, que veiu quatrocentos [16] e trinta annos depois, não invalida, de fórma a abolir a promessa.

18 Porque, se a herança [17] provém da lei, logo não provém já da promessa: porém Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abrahão.

19 Logo, para que é a lei? [18] Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro.

20 Ora o medianeiro não é de um, [19] mas Deus é um.

21 Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, [20] se dada fosse uma lei que podesse vivificar, a justiça, na verdade, seria pela lei.

22 Mas a Escriptura encerrou [21] tudo debaixo do peccado, para que a promessa pela fé em Jesus Christo fosse dada aos crentes.

23 Porém, antes que a fé viesse, estavamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquella fé que se havia de manifestar.

24 De maneira que a lei nos serviu de [AIY] aio, [22] para nos conduzir a Christo, para que pela fé fossemos justificados.

25 Mas, depois que a fé veiu, já não estamos debaixo de aio.

26 Porque todos sois filhos de [23] Deus pela fé em Christo Jesus.

27 Porque todos quantos [24] fostes baptizados em Christo já vos revestistes de Christo.

28 N’isto não ha judeo [25] nem grego; não ha servo nem livre; não ha macho nem femea; porque todos vós sois um em Christo Jesus.

29 E, se sois de Christo, [26] logo sois descendencia de Abrahão, e herdeiros conforme a promessa.

[1] cap. 2.14 e 5.7.

[2] Act. 2.38. Eph. 1.13. Heb. 6.4.

[3] Heb. 7.16 e 9.10.

[4] Heb. 10.35, 36. II João 8.

[5] II Cor. 3.8.

[6] Rom. 4.3, 9, 21, 22.

[7] João 8.39. Rom. 4.11, 12, 16.

[8] Rom. 9.17. Act. 3.25.

[9] Deu. 27.26. Jer. 11.3.

[10] Hab. 2.4. Rom. 1.17. Heb. 10.38.

[11] Rom. 4.4, 5. Lev. 18.5. Neh. 9.29.

[12] Rom. 8.3. II Cor. 5.21. Deu. 21.23.

[13] Rom. 4.9, 16. Isa. 32.15.

[14] Heb. 9.17.

[15] Gen. 12.3, 7. ver. 8. I Cor. 12.13.

[16] Exo. 12.40, 41. Rom. 4.13, 14.

[17] Rom. 8.17 e 4.14.

[18] João 15.22. Rom. 4.15. I Tim. 1.9.

[19] Rom. 3.29, 30.

[20] cap. 2.21.

[21] Rom. 3.9 e 4.11, 12, 16.

[22] Mat. 5.17. Rom. 10.4. Col. 2.17.

[23] Rom. 8.14, 15, 16. I João 3.1, 2.

[24] Rom. 6.3 e 13.14.

[25] Rom. 10.12. I Cor. 12.13.

[26] Gen. 21.10, 12. Rom. 9.7.

O evangelho nos isenta da lei.

4 Digo, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino, em nada differe do servo, ainda que seja senhor de tudo;

2 Mas está debaixo dos tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pae.

3 Assim tambem nós, quando eramos meninos, estavamos reduzidos á servidão [1] debaixo dos primeiros rudimentos do mundo.

4 Mas, [2] vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

5 Para remir [3] os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adopção de filhos.

6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espirito de seu Filho, [4] que clama: Abba, Pae.

7 Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, [5] és tambem herdeiro de Deus por Christo.

8 Mas, [6] quando não conhecieis Deus, servieis aos que por natureza não são deuses.

9 Porém agora, conhecendo Deus, ou, antes, [7] sendo conhecidos de Deus, como tornaes outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quaes de novo quereis servir?

10 Guardaes dias, [8] e mezes, e tempos, e annos.

11 Temo por vós, [9] que não haja trabalhado em vão para comvosco.

12 Irmãos, rogo-vos, que sejaes como eu, porque tambem eu sou como vós: [10] nenhum mal me fizestes.

13 E vós sabeis que primeiro vos annunciei o Evangelho [11] com fraqueza da carne;

14 E não rejeitastes, nem desprezastes a tentação que tinha na minha carne, [12] antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Christo mesmo.

15 Qual era logo a vossa bemaventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possivel fôra, arrancarieis os vossos olhos, e m’os darieis.

16 Fiz-me acaso [13] vosso inimigo, dizendo a verdade?

17 Teem zelo por vós, [14] não como convém; mas querem excluir-vos, para que vós tenhaes zelo por elles.

18 É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não sómente quando estou presente comvosco.

19 Meus filhinhos, [15] por quem de novo sinto as dôres de parto, até que Christo seja formado em vós:

20 Eu bem quizera agora estar presente comvosco, e mudar a minha voz; porque estou em duvida a vosso respeito.

Sara e Agar são uma allegoria dos dois concertos.

21 Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei?

22 Porque está escripto que Abrahão teve dois filhos, [16] um da escrava, e outro da livre.

23 Mas o que era da escrava [17] nasceu segundo a carne, porém o que era da livre por promessa.

24 O que se entende por allegoria; porque estes são os dois concertos; um, do monte Sinai, [18] gerando para a servidão, que é Agar.

25 Ora Agar é Sinai, um monte da Arabia, e corresponde á Jerusalem que agora existe, que é escrava com seus filhos.

26 Mas a Jerusalem [19] que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós.

27 Porque está escripto: [20] Alegra-te, esteril, que não pares: esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque os filhos da solitaria são mais do que os da que tem marido.

28 Porém nós, irmãos, [21] somos [22] filhos da promessa como Isaac.

29 Mas, como então, aquelle que era gerado segundo a carne perseguia o que era gerado segundo o Espirito, assim é tambem agora.

30 Mas que diz a Escriptura? [23] Lança fóra a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre.

31 De maneira que, irmãos, somos filhos, não da escrava, [24] mas da livre.

[1] cap. 2.4. Col. 2.8, 20. Heb. 9.10.

[2] Gen. 49.10 e 3.15. Dan. 9.24. Heb. 2.14.

[3] Mat. 20.28. Tito 2.14. Heb. 9.12.

[4] Rom. 5.5.

[5] Rom. 8.15, 17.

[6] Eph. 2.12. I The. 4.5. Rom. 1.25.

[7] I Cor. 8.3. II Tim. 2.19. Col. 2.20.

[8] Rom. 14.5. Col. 2.16.

[9] cap. 2.2 e 5.2, 4. I The. 3.5.

[10] II Cor. 2.5.

[11] I Cor. 2.3. II Cor. 11.30.

[12] II Sam. 19.27. Mal. 2.7. Zac. 12.8.

[13] cap. 2.5, 14.

[14] Rom. 10.2. II Cor. 11.2.

[15] I Cor. 4.15. Phi. 10. Thi. 1.18.

[16] Gen. 16.15 e 21.2.

[17] Rom. 9.7, 8. Gen. 18.10, 14. Heb. 11.11.

[18] Deu. 33.2.

[19] Isa. 2.2. Heb. 12.22. Apo. 3.12.

[20] Isa. 54.1.

[21] Act. 3.25. Rom. 9.8.

[22] Gen. 21.9. cap. 5.11.

[23] cap. 3.8, 22. Gen. 21.10, 12. João 8.35.

[24] João 8.36.

Exhortação a conservar a liberdade christã.

5 Estae pois firmes na liberdade com que Christo nos libertou, [1] e não torneis a metter-vos debaixo do jugo da servidão.

2 Eis aqui, eu, Paulo, vos digo que, se [2] vos deixardes circumcidar, Christo de nada vos aproveitará.

3 E de novo protesto a todo o homem que se deixa circumcidar que está [3] obrigado a guardar a lei.

4 Separados estaes de [4] Christo, vós os que vos justificaes pela lei: da graça tendes caido.

5 Porque pelo espirito da fé aguardamos a esperança [5] da justiça.

6 Porque a circumcisão e a incircumcisão [6] não teem virtude alguma em Christo Jesus; mas sim a fé que obra por caridade.

7 Corrieis bem; [7] quem vos impediu, para que não obedeçaes á verdade?

8 Esta persuasão não vem d’aquelle que vos [8] chamou.

9 Um pouco de fermento [9] levéda toda a massa.

10 Confio [10] de vós, no Senhor, que nenhuma outra coisa sentireis; mas aquelle que vos inquieta, seja elle quem quer que fôr, soffrerá a condemnação.

11 Eu, porém, irmãos, [11] se prégo ainda a circumcisão, porque serei pois perseguido? logo o escandalo da cruz está anniquilado.

12 Oxalá que aquelles que vos andam inquietando fossem [12] tambem cortados.

13 Porque vós, irmãos, fostes chamados á liberdade. Não useis da liberdade só para dar [13] occasião á carne, porém servi-vos uns aos outros pela caridade.

14 Porque toda a lei se [14] cumpre n’uma só palavra, n’esta: Amarás ao teu proximo como a ti mesmo.

15 Se vós, porém, vos mordeis e devoraes uns aos outros, vêde não vos consumaes tambem uns aos outros.

As obras da carne e os fructos do Espirito.

16 Digo, porém: [15] Andae em Espirito, e não cumprireis a concupiscencia da carne.

17 Porque a carne cobiça [16] contra o Espirito, e o Espirito contra a carne; e estes oppõem-se um ao outro: para que não façaes o que quereis.

18 Porém, [17] se sois guiados pelo Espirito, não estaes debaixo da lei.

19 Porque as obras da carne [18] são manifestas, as quaes são: Adulterio, fornicação, immundicia, dissolução,

20 Idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,

21 Invejas, homicidios, bebedices, glotonerias, e coisas similhantes a estas, ácerca das quaes vos declaro, como já d’antes vos disse, [19] que os que commettem taes coisas não herdarão o reino de Deus.

22 Mas o fructo do Espirito é [20] [AIZ] caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.

23 Contra [21] estas coisas não ha lei.

24 Porém os que são de [22] Christo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscencias.

25 Se vivemos em Espirito, [23] andemos tambem em Espirito.

26 Não sejamos cubiçosos de vanglorias, [24] irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.

[1] João 8.32. Rom. 6.18. I Ped. 2.16.

[2] Act. 15.1 e 16.3.

[3] cap. 3.10.

[4] Rom. 9.31, 32. cap. 2.21. Heb. 12.15.

[5] Rom. 8.24, 25. II Tim. 4.8.

[6] I Cor. 7.19. Col. 3.11. Thi. 2.18, 20, 22.

[7] I Cor. 9.24. cap. 3.1.

[8] cap. 1.6.

[9] I Cor. 5.6 e 15.33.

[10] II Cor. 2.3 e 10.6.

[11] I Cor. 15.30 e 1.23.

[12] Jos. 7.25. I Cor. 5.13. Act. 15.1, 2, 24.

[13] I Ped. 2.16. II Ped. 2.19. Jud. 4.

[14] Mat. 7.12. Thi. 2.8. Rom. 13.8, 9.

[15] Rom. 6.12 e 8.1, 4, 12. I Ped. 2.11.

[16] Rom. 7.23 e 7.15, 19.

[17] Rom. 6.14 e 8.2.

[18] I Cor. 3.3. Eph. 5.3. Col. 3.5.

[19] Eph. 5.5. Col. 3.6. Apo. 22.15.

[20] João 15.2. Eph. 5.9. Col. 3.12. I Cor. 13.7.

[21] I Tim. 1.9.

[22] Rom. 6.6. cap. 2.20. I Ped. 2.11.

[23] Rom. 8.4, 5.

[24] Phi. 2.3.

As ultimas exhortações e saudações.

6 Irmãos, se algum homem chegar a ser surprehendido [1] n’alguma offensa, vós, que sois espirituaes, encaminhae ao tal com espirito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas tambem tentado.

2 Levae as cargas [2] um dos outros, e assim cumprireis a lei de Christo.

3 Porque, se alguem [3] cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.

4 Mas prove cada um a sua propria obra, [4] e terá gloria só em si mesmo, e não n’outro.

5 Porque cada qual levará a sua propria [5] carga.

6 E o que é instruido [6] na palavra reparta de todos os seus bens com aquelle que o instrue.

7 Não erreis: [7] Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso tambem ceifará.

8 Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia [8] no Espirito, do Espirito ceifará a vida eterna.

9 E não nos cancemos [9] de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfallecido.

10 De sorte que, emquanto [10] temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domesticos da fé.

11 Vêde [AJA] com que grandes lettras vos escrevi por minha mão.

12 Todos os que querem mostrar boa apparencia na carne esses vos obrigam [11] a circumcidar-vos, sómente para não serem perseguidos por causa da cruz de Christo.

13 Porque nem ainda esses mesmos que se circumcidam guardam a lei, mas querem que vos circumcideis, para se gloriarem na vossa carne.

14 Mas longe esteja de [12] mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Christo, [13] por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

15 Porque em Christo Jesus nem a circumcisão [14] nem a incircumcisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova creatura.

16 E a todos quantos andarem conforme [15] esta regra, paz e misericordia sobre elles e sobre o Israel de Deus.

17 Quanto ao mais, ninguem me seja molesto; [16] porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.

18 A graça [17] de nosso Senhor Jesus Christo seja, irmãos, com o vosso espirito. Amen.

[1] Rom. 14.1. Heb. 12.13. Thi. 5.19.

[2] Rom. 15.1. I The. 5.14. João 13.14, 15, 34.

[3] Rom. 12.3. I Cor. 8.2. II Cor. 3.5.

[4] I Cor. 11.28. II Cor. 13.5.

[5] Rom. 2.6. I Cor. 3.8.

[6] Rom. 15.27. I Cor. 9.11, 14.

[7] I Cor. 6.9. Luc. 16.25. Rom. 2.6.

[8] Job 4.8. Pro. 11.18. Rom. 8.13.

[9] II The. 3.13. Mat. 24.13. Heb. 3.6, 14.

[10] João 9.4. I The. 5.15. I Tim. 6.18.

[11] cap. 2.3, 14. Phi. 3.18.

[12] Phi. 3.3, 7, 8.

[13] Rom. 6.6. cap. 2.20.

[14] I Cor. 7.19. Col. 3.11.

[15] Phi. 3.6, 16. Rom. 2.29. cap. 3.7, 9, 29.

[16] II Cor. 1.5 e 4.10. Col. 1.24.

[17] II Tim. 4.22. Phi. 25.

EPISTOLA DE S. PAULO APOSTOLO AOS EPHESIOS.

Prefacio e saudação.

[Anno Domini 64]

1 Paulo, apostolo de Jesus Christo, [1] pela vontade de Deus, aos sanctos que estão em Epheso, e fieis em Christo Jesus.

2 A vós graça, [2] e paz da parte de Deus nosso Pae e do Senhor Jesus Christo.

As bençãos de Deus em Jesus Christo, auctor da nossa redempção e cabeça da egreja.

3 Bemdito o Deus [3] e Pae de nosso Senhor Jesus Christo, o qual nos abençoou com todas as bençãos espirituaes nos logares celestiaes em Christo.

4 Como nos elegeu [4] n’elle antes da fundação do mundo, para que fossemos sanctos e irreprehensiveis diante d’elle em [AJB] caridade;

5 E nos predestinou [5] para filhos de adopção por Jesus Christo para si mesmo, segundo o beneplacito de sua vontade,

6 Para louvor da gloria da sua graça, [6] pela qual nos fez agradaveis a si no Amado.

7 Em quem temos a redempção [7] pelo seu sangue, a saber, a remissão das offensas, segundo as riquezas da sua graça.

8 Que elle fez abundar para comnosco em toda a sabedoria e prudencia;

9 Descobrindo-nos o mysterio da sua vontade, [8] segundo o seu beneplacito, que propozera em si mesmo,

10 Para tornar a congregar em Christo todas as coisas, [9] na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra,

11 N’elle, digo, em quem [10] tambem fomos feitos herança, havendo sido predestinados, [11] conforme o proposito d’aquelle que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;

12 Para que fossemos [12] para louvor da sua gloria, nós, os que primeiro esperámos em Christo,

13 Em quem tambem vós estaes, [13] depois que ouvistes a palavra da verdade, a saber, o evangelho da vossa salvação, no qual tambem, havendo crido, [14] fostes sellados com o Espirito Sancto da promessa.

14 O qual é o penhor [15] da nossa herança, para redempção da possessão de Deus, para louvor da sua gloria.

15 Pelo que, [16] ouvindo eu tambem a fé que entre vós ha no Senhor Jesus, e [AJC] a caridade para com todos os sanctos,

16 Não cesso de dar graças [17] a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações;

17 Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Christo, o Pae da gloria, [18] vos dê em seu conhecimento o espirito de sabedoria e de revelação;

18 Illuminados os olhos de vosso entendimento, [19] para que saibaes qual seja a esperança da sua vocação, e quaes as riquezas da gloria da sua herança nos sanctos;

19 E qual seja a sobre-excellente grandeza [20] do seu poder em nós, os que crêmos, segundo a operação da força do seu poder,

20 A qual operou em Christo, [21] resuscitando-o dos mortos, e o collocou á sua direita nos céus,

21 Sobre todo [22] o principado, e poder, e potestade, e dominio e todo o nome que se nomeia, não só n’este seculo, mas tambem no vindouro;

22 E sujeitou todas as coisas a [23] seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu por cabeça da egreja,

23 A qual é o seu corpo, [24] a plenitude d’aquelle que cumpre tudo em todos.

[1] I Cor. 4.17. II Cor. 1.1. Col. 1.2.

[2] Gal. 1.3. Tito 1.4.

[3] II Cor. 1.3. I Ped. 1.3.

[4] Rom. 8.28. II The. 2.13. II Tim. 1.9.

[5] Rom. 8.15, 29. João 1.12. II Cor. 6.18.

[6] Rom. 3.24. Mat. 3.17. João 3.35.

[7] Act. 20.28. Rom. 3.24. Col. 1.14.

[8] Rom. 16.25. Col. 1.26. II Tim. 1.9.

[9] Gal. 4.4. Heb. 1.2 e 9.10. I Ped. 1.20.

[10] Act. 20.32. Rom. 8.17. Col. 1.12.

[11] Isa. 46.10.

[12] II The. 2.13. Thi. 1.18.

[13] João 1.17. II Cor. 6.7.

[14] II Cor. 1.22.

[15] II Cor. 1.22 e 5.5. Luc. 21.28.

[16] Col. 1.4. Phi. 5.

[17] Rom. 1.9. Phi. 1.3, 4. Col. 1.3.

[18] João 20.17. Col. 1.9.

[19] Act. 26.18. cap. 2.12.

[20] cap. 3.7. Col. 1.29 e 2.12.

[21] Act. 2.24, 33 e 7.55. Col. 3.1.

[22] Phi. 2.9, 10.

[23] Mat. 28.18. I Cor. 15.27. Heb. 2.8.

[24] Rom. 12.5. I Cor. 12.12, 27.

A salvação é pela graça.

2 E vos vivificou, [1] estando vós mortos pelas offensas e peccados,

2 Em que [2] d’antes andastes segundo o curso d’este mundo, segundo o principe da potestade do ar, do espirito que agora opera nos filhos da desobediencia.

3 Entre os quaes todos [3] nós tambem d’antes andavamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e eramos por natureza filhos da ira, como os outros tambem.

4 Porque Deus, [4] que é riquissimo em misericordia, pelo seu muito amor com que nos amou,

5 Estando nós ainda [5] mortos em nossas offensas, nos vivificou juntamente com Christo (pela graça sois salvos),

6 E nos resuscitou juntamente, [6] e nos fez assentar juntamente nos céus, em Christo Jesus;

7 Para mostrar nos seculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, [7] pela sua benignidade para comnosco em Christo Jesus.

8 Porque pela graça [8] sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.

9 Não vem das obras, [9] para que ninguem se glorie.

10 Porque somos feitura sua, creados em Christo Jesus para [10] as boas obras, as quaes Deus preparou para que andassemos n’ellas.

Os gentios e os judeos são unidos por Deus mediante a cruz de Christo.

11 Portanto, lembrae-vos [11] de que vós d’antes ereis gentios na carne, e chamados incircumcisão pelos que na carne se chamam circumcisão feita pela mão dos homens;

12 Que n’aquelle [12] tempo estaveis sem Christo, [AJD] separados da communidade d’Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.

13 Mas agora em Christo Jesus, [13] vós, que d’antes estaveis longe, já pelo sangue de Christo chegastes perto.

14 Porque elle é a [14] nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio,

15 Na sua carne desfez [15] a inimizade, a saber, a lei dos mandamentos, que consistia em tradições, para crear em si mesmo os dois em um novo homem, fazendo a paz,

16 E pela cruz reconciliar [16] com Deus a ambos em um corpo, matando n’ella as inimizades.

17 E, vindo, elle evangelizou [17] a paz, a vós que estaveis longe, e aos que estavam perto;

18 Porque por elle [18] ambos temos accesso em um mesmo Espirito ao Pae.

19 Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, [19] mas concidadãos dos sanctos e domesticos de Deus;

20 Edificados sobre o fundamento [20] dos apostolos e dos prophetas, de que Jesus Christo é a principal pedra da esquina;

21 No qual todo o edificio, [21] bem ajustado, cresce para templo sancto no Senhor.

22 No qual tambem vós juntamente sois [22] edificados para morada de Deus em Espirito.

[1] João 5.24. Col. 2.13. cap. 4.18.

[2] I Cor. 6.11. Col. 1.21. I João 5.19.

[3] Tito 3.3. I Ped. 4.3. Gal. 5.16.

[4] Rom. 10.12.

[5] Rom. 5.6, 8, 10 e 6.4, 5.

[6] cap. 1.20.

[7] Tito 3.4.

[8] Rom. 3.24. II Tim. 1.9.

[9] Rom. 3.20, 27, 28. I Cor. 1.29, 30, 31.

[10] Deu. 32.6. Isa. 19.25. João 3.3, 5.

[11] I Cor. 12.2. Col. 1.21. Rom. 2.28, 29.

[12] Col. 2.11. Eze. 13.9. João 10.16.

[13] Gal. 3.28. Act. 2.39.

[14] Miq. 5.5. João 16.33. Act. 10.36.

[15] Col. 1.20 e 2.14, 20. II Cor. 5.17.

[16] Col. 1.20. Rom. 6.6.

[17] Isa. 57.19. Zac. 9.10. Act. 2.39.

[18] João 10.9. Rom. 5.2.

[19] Phi. 3.20. Heb. 12.22, 23. Gal. 6.10.

[20] I Cor. 3.9, 10. I Ped. 2.4, 5. Mat. 16.18.

[21] cap. 4.15, 16. I Cor. 3.17. II Cor. 6.16.

[22] I Ped. 2.5.

O ministerio da vocação dos gentios, e o apostolado de Paulo.

3 Por esta causa eu, Paulo, [1] sou o prisioneiro de Jesus Christo por vós, os gentios;

2 Se é que tendes ouvido a dispensação [2] da graça de Deus, que para comvosco me foi dada;

3 Como me foi este mysterio manifestado pela revelação [3] (como acima em poucas palavras vos escrevi;

4 Pelo que, lendo, podeis entender a minha sciencia n’este [4] mysterio de Christo),

5 O qual n’outros [5] seculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora é revelado pelo Espirito aos seus sanctos apostolos e prophetas;

6 A saber, que os gentios são [6] coherdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da sua promessa em Christo pelo evangelho;

7 Do qual sou [7] feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder.

8 A mim, o minimo [8] de todos os sanctos, me foi dada esta graça de annunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incomprehensiveis de Christo,

9 E mostrar a todos qual seja a communhão do mysterio, que desde todos os seculos esteve [9] occulto em Deus, que por Christo Jesus creou todas as coisas;

10 Para que agora pela egreja a multiforme [10] sabedoria de Deus seja manifestada aos principados e potestades nos céus,

11 Segundo o eterno [11] proposito que fez em Christo Jesus nosso Senhor:

12 No qual temos ousadia [12] e accesso com confiança, pela fé n’elle.

13 Portanto vos peço [13] que não desfalleçaes nas minhas tribulações por vós, que são a vossa gloria.

A oração de Paulo pelos ephesios.

14 Por causa d’isto me ponho de joelhos perante o Pae de nosso Senhor Jesus Christo,

15 Do qual toda a familia nos céus e na terra [14] toma o nome.

16 Para que, segundo [15] as riquezas da sua gloria, vos conceda que sejaes corroborados com poder pelo seu Espirito no homem interior;

17 Para que Christo [16] habite pela fé nos vossos corações; para que, estando arraigados e fundados em amor,

18 Possaes perfeitamente [17] comprehender, com todos os sanctos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,

19 E conhecer o amor de Christo, que excede todo o entendimento, [18] para que sejaes cheios de toda a plenitude de Deus.

20 Ora, áquelle [19] que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente do que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opéra,

21 A esse gloria [20] na egreja, por Jesus Christo, em todas as geracões, para todo o sempre. Amen.

[1] Act. 21.33. Phi. 1.7, 13, 14, 16. Col. 4.3, 18.

[2] Rom. 1.5. I Cor. 4.1. Col. 1.25.

[3] Act. 22.17. Gal. 1.12. Rom. 16.25.

[4] I Cor. 4.1. cap. 6.19.

[5] Act. 10.28. Rom. 16.25.

[6] Gal. 3.28, 29. cap. 2.14, 16.

[7] Rom. 15.16. Col. 1.23, 25.

[8] I Cor. 15.9. I Tim. 1.13, 15.

[9] Rom. 16.25. I Cor. 2.7. Col. 1.26.

[10] I Ped. 1.12. Rom. 8.38. Col. 1.16.

[11] cap. 1.9.

[12] cap. 2.18. Heb. 4.16.

[13] Act. 14.22. Phi. 1.14. I The. 3.3.

[14] cap. 1.10. Phi. 2.9, 10, 11.

[15] Rom. 9.23. Phi. 4.19.

[16] João 14.23. Col. 1.23.

[17] cap. 1.18. Rom. 10.3, 11, 12.

[18] João 1.16. Col. 2.9, 10.

[19] Rom. 16.25. Jud. 24. I Cor. 2.9.

[20] Rom. 11.36. Heb. 13.21.

A unidade da fé.

4 Rogo-vos, pois, eu, [1] o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que sois chamados,

2 Com toda a humildade [2] e mansidão, com longanimidade, supportando-vos uns aos outros em amor,

3 Procurando guardar a unidade de Espirito pelo vinculo [3] da paz.

4 Ha um só [4] corpo e um só Espirito, como tambem fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;

5 Um só Senhor, [5] uma só fé, um só baptismo;

6 Um só Deus [6] e Pae de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos.

7 Porém a graça é dada a cada um [7] de nós segundo a medida do dom de Christo.

8 Pelo que diz: [8] Subindo ao alto, levou captivo o captiveiro, e deu dons aos homem.

9 Ora, isto, que subiu, [9] que é, senão que tambem antes tinha descido ás partes mais baixas da terra?

10 Aquelle que desceu é tambem o mesmo que subiu [10] acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.

11 E elle mesmo deu uns para apostolos, [11] e outros para prophetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

12 Para aperfeiçoamento [12] dos sanctos, para obra do ministerio, para edificação do corpo de Christo;

13 Até que todos cheguemos á unidade da fé, e ao conhecimento [13] do Filho de Deus, a varão perfeito, á medida da estatura completa de Christo.

14 Para que não sejamos [14] mais meninos, inconstantes, levados em roda de todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astucia enganam fraudulosamente.

15 Antes, seguindo [15] a verdade em caridade, cresçamos em tudo n’aquelle que é a cabeça, Christo.

16 Do qual todo o corpo, [16] bem ajustado, e ligado pelo que todas as juntas lhe subministram, segundo a operação de cada parte na sua medida, tome augmento do corpo, para sua edificação em amor.

A sanctidade christã é opposta aos costumes dos gentios.

17 De sorte que digo isto, e testifico no Senhor, [17] para que não andeis mais como andam tambem os outros gentios, na vaidade do seu sentido,

18 Entenebrecidos no [18] entendimento, separados da vida de Deus pela ignorancia que ha n’elles, pela dureza do seu coração:

19 Os quaes, havendo perdido todo o sentimento, [19] se entregaram á dissolução, para com avidez commetterem toda a impureza.

20 Mas vós não aprendestes assim a Christo,

21 Se é que o [20] tendes ouvido, e n’elle fostes ensinados, como a verdade está, em Jesus;

22 Que, quanto ao trato passado vos despojeis [21] do velho homem, que se corrompe pelas concupiscencias do engano;

23 E vos renoveis [22] no espirito do vosso sentido;

24 E vos vistaes do novo homem, [23] que segundo Deus é creado em verdadeira justiça e sanctidade.

25 Pelo que deixae a mentira, [24] e fallae a verdade cada um com o seu proximo; porque somos membros uns dos outros.

26 Irae-vos, [25] e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.

27 Não deis logar ao [26] diabo.

28 Aquelle que furtava, não furte mais; antes trabalhe, obrando [27] com suas mãos o que é bom, para que tenha que repartir com o que tiver necessidade.

29 Não saia da vossa bocca nenhuma palavra [28] torpe, mas só a que fôr boa para utilidade da edificação, para que dê graça aos que a ouvem.

30 E não entristeçaes [29] o Espirito Sancto de Deus, no qual estaes sellados para o dia da redempção.

31 Toda a amargura, [30] e ira, e colera, e gritaria, e blasphemias e toda a malicia seja tirada de entre vós.

32 Antes sêde uns para com os outros [31] benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como tambem Deus vos perdoou em Christo.

[1] cap. 3.1. Phi. 1.9, 27.

[2] Act. 20.19. Gal. 5.22, 23.

[3] Col. 3.14.

[4] Rom. 12.5. I Cor. 12.12, 13.

[5] I Cor. 1.13. II Cor. 11.4. Jud. 3.

[6] Mal. 2.10. I Cor. 8.6. Rom. 11.36.

[7] Rom. 12.3, 6. I Cor. 12.11.

[8] Jui. 5.12. Col. 2.15.

[9] João 3.13.

[10] Act. 1.9, 11 e 2.33. I Tim. 3.16. Heb. 4.14.

[11] I Cor. 12.28. Act. 21.8.

[12] I Cor. 12.7. Col. 1.24.

[13] Col. 2.2. I Cor. 14.20.

[14] Isa. 28.9. I Cor. 14.20. Heb. 13.9.

[15] Zac. 8.16. II Cor. 4.2. I João 3.18. Col. 1.18.

[16] Col. 2.19.

[17] cap. 2.1, 2, 3. Col. 3.7. I Ped. 4.3. Rom. 1.21.

[18] Act. 26.18. Gal. 4.8. I The. 4.5. Rom. 1.21.

[19] I Tim. 4.2. Rom. 1.24, 26.

[20] cap. 1.13.

[21] Col. 2.11. Heb. 12.1. I Ped. 2.1.

[22] Rom. 12.2. Col. 3.10.

[23] Rom. 6.4. II Cor. 5.17. Gal. 6.15.

[24] Zac. 8.16. Col. 3.9. Rom. 12.5.

[25] Psa. 4.4.

[26] II Cor. 2.10, 11. I Ped. 5.9.

[27] Act. 20.35. I The. 4.11.

[28] Mat. 12.36. Col. 3.8 e 4.6 e 3.16.

[29] Isa. 7.13. Eze. 16.43.

[30] Col. 3.8, 19. Tito 3.2. Thi. 4.11.

[31] II Cor. 2.10. Col. 3.12, 13.

5 Sêde pois imitadores [1] de Deus, como filhos amados;

2 E andae [2] em amor, como tambem Christo nos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em offerta e sacrificio a Deus, em cheiro suave.

3 Mas a fornicação, [3] e toda a immundicia ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a sanctos;

4 Nem torpezas, [4] nem parvoices, nem chocarrices, que não conveem; mas antes acções de graças.

5 Porque bem sabeis isto: que nenhum fornicario, [5] ou immundo, ou avarento, que é idolatra, tem herança no reino de Christo e de Deus.

6 Ninguem vos engane [6] com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediencia.

7 Portanto não sejaes seus companheiros.

8 Porque d’antes ereis [7] trevas, mas agora sois luz no Senhor: andae como filhos da luz

9 (Porque o fructo [8] do Espirito consiste em toda a bondade, e justiça e verdade);

10 Approvando [9] o que é agradavel ao Senhor.

11 E não communiqueis [10] com as obras infructuosas das trevas, mas antes condemnae-as.

12 Porque o que elles fazem em occulto até dizel-o é [11] coisa torpe.

13 Mas todas estas coisas [12] se manifestam sendo condemnadas pela luz, porque tudo o que se manifesta é luz.

14 Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, [13] e levanta-te d’entre os mortos, e Christo te esclarecerá.

15 Portanto, vêde como andaes prudentemente, [14] não como nescios, mas como sabios,

16 Remindo [15] o tempo; porquanto os dias são maus.

17 Pelo que não sejaes [16] insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.

18 E não vos embriagueis [17] com vinho, em que ha dissolução, mas enchei-vos do Espirito;

19 Fallando entre vós em psalmos, e hymnos, e canticos espirituaes: cantando e psalmodiando ao Senhor no vosso coração:

20 Dando sempre graças [18] por todas as coisas a nosso Deus e Pae, em nome de nosso Senhor Jesus Christo:

21 Sujeitando-vos [19] uns aos outros no temor de Deus.

Os deveres domesticos.

22 Vós, mulheres, sujeitae-vos a vossos proprios [20] maridos, como ao Senhor;

23 Porque o marido é [21] a cabeça da mulher, como tambem Christo a cabeça da egreja: e elle é o salvador do corpo.

24 De sorte que, assim como a egreja está sujeita a Christo, [22] assim tambem as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus proprios maridos.

25 Vós, maridos, [23] amae as vossas proprias mulheres, como tambem Christo amou a egreja, e a si mesmo se entregou por ella,

26 Para a sanctificar, [24] purificando-a com a lavagem da agua, pela palavra,

27 Para a apresentar [25] a si mesmo egreja gloriosa, que não tivesse macula, nem ruga, nem coisa similhante, mas que fosse sancta e irreprehensivel.

28 Assim devem os maridos amar a suas proprias mulheres, como a seus proprios corpos. Quem ama a sua propria mulher, ama-se a si mesmo.

29 Porque nunca ninguem aborreceu a sua propria carne; antes a alimenta e sustenta, como tambem o Senhor á egreja;

30 Porque somos membros [26] do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos.

31 Por isso [27] deixará o homem seu pae e sua mãe, e se ajuntará com sua mulher; e serão dois n’uma carne.

32 Grande é este mysterio: digo, porém, isto de Christo e da egreja.

33 Assim tambem vós [28] cada um em particular ame a sua propria mulher como a si mesmo, e a mulher reverenceie o marido.

[1] Mat. 5.45. Luc. 6.36.

[2] João 13.24. I João 3.11. Gal. 1.4.

[3] Rom. 6.13. I Cor. 6.18. II Cor. 12.21.

[4] Mat. 12.35. Rom. 1.28.

[5] I Cor. 6.9. Gal. 5.19. Col. 3.5.

[6] Jer. 29.8. Mat. 24.4. Col. 2.4, 8, 18. II The. 2.3.

[7] Isa. 9.2. Act. 26.18. Rom. 1.21.

[8] Gal. 5.22.

[9] Rom. 12.2. Phi. 1.10. I The. 5.21.

[10] I Cor. 5.9, 11. II Cor. 6.14.

[11] Rom. 1.24, 26.

[12] João 3.20, 21. Heb. 4.13.

[13] Isa. 60.1. Rom. 13.11, 12.

[14] Col. 4.5.

[15] Gal. 6.10. Col. 4.5. Rom. 12.2.

[16] Col. 4.5. Rom. 12.2.

[17] Pro. 20.1. Isa. 5.11, 22. Act. 16.25. I Cor. 14.26. Col. 3.16.

[18] Isa. 63.7. Col. 3.17. I The. 5.18.

[19] Phi. 2.3. I Ped. 5.5.

[20] Gen. 3.16. I Cor. 14.34. Col. 3.18.

[21] I Cor. 11.3. cap. 1.22, 23. Col. 1.18.

[22] Col. 3.20, 22. Tito 2.9.

[23] Col. 3.19. I Ped. 3.7. Act. 20.28.

[24] João 3.5. Heb. 10.22. I João 5.6.

[25] II Cor. 11.2. Col. 1.22. Can. 4.7.

[26] Gen. 2.23. Rom. 12.5. I Cor. 6.15.

[27] Gen. 2.24. Mat. 19.5. I Cor. 6.16.

[28] ver. 25. Col. 3.19. I Ped. 3.6.

6 Vós, filhos, sêde obedientes a [1] vossos paes no Senhor, porque isto é justo.

2 Honra a teu pae [2] e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa,

3 Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.

4 E vós, paes, não [3] provoqueis a ira a vossos filhos, mas creae-os na doutrina e admoestação do Senhor.

5 Vós, servos, [4] obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Christo;

6 Não servindo á vista, [5] como agradando a homens, mas como servos de Christo, fazendo de coração a vontade de Deus,

7 Servindo de boa vontade ao Senhor, e não aos homens.

8 Sabendo que cada [6] um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre.

9 E vós senhores, [7] fazei o mesmo para com elles, deixando as ameaças, sabendo tambem que o Senhor d’elles e vosso está no céu, e que para com elle não ha accepção de pessoas.

A armadura de Deus.

10 No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na [8] força do seu poder.

11 Revesti-vos de [9] toda a armadura de Deus, para que possaes estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.

12 Porque não temos que luctar contra a carne [10] e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os principes das trevas d’este seculo, contra as malicias espirituaes em os ares.

13 Portanto tomae [11] toda a armadura de Deus, para que possaes resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes.

14 Estae pois firmes, [12] tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestidos com a couraça da justiça;

15 E calçados [13] os pés com a preparação do evangelho da paz:

16 Tomando sobretudo [14] o escudo da fé, com o qual possaes apagar todos os dardos inflammados do maligno.

17 Tomae tambem o capacete [15] da salvação, e a espada do Espirito, que é a palavra de Deus:

18 Orando em todo o tempo com toda a [16] oração e supplica em espirito, e vigiando n’isto com toda a perseverança e supplica por todos os sanctos,

19 E por mim; [17] para que me seja dada, no abrir da minha bocca, a palavra com confiança, para fazer notorio o mysterio do evangelho.

20 Pelo qual sou [18] embaixador [AJE] em cadeias; para que possa fallar d’elle livremente, como me convém fallar.

Tychico, o portador d’esta epistola, Saudações finaes.

21 Ora, para que vós tambem possaes saber os meus [19] negocios, e o que eu faço, Tychico, irmão amado, e fiel ministro do Senhor, vos informará de tudo.

22 O qual vos enviei [20] para o mesmo fim, para que saibaes os nossos negocios, e elle console os vossos corações.

23 Paz seja [21] com os irmãos, e caridade com fé da parte de Deus Pae e da do Senhor Jesus Christo.

24 A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Christo em sinceridade. Amen.

[1] Pro. 23.22. Col. 3.20.

[2] Exo. 20.12. Deu. 5.16. Jer. 35.18. Mar. 7.10.

[3] Col. 3.21. Gen. 18.19. Pro. 19.18.

[4] Col. 3.22. I Tim. 6.1. Tito 2.9.

[5] Col. 3.22, 23.

[6] Rom. 2.6. II Cor. 5.10. Col. 3.11.

[7] Col. 4.1. Lev. 25.43. João 13.13.

[8] cap. 1.19. Col. 1.11.

[9] Rom. 13.12. II Cor. 6.7. ver. 13.

[10] Mat. 16.17. I Cor. 15.50. Rom. 8.38.

[11] II Cor. 10.4. cap. 5.16.

[12] Isa. 11.5 e 59.17. I Ped. 1.3.

[13] Isa. 52.7. Rom. 10.15.

[14] I João 5.4.

[15] Isa. 59.17. I The. 5.8. Heb. 4.12.

[16] Luc. 18.1. Rom. 12.12. Col. 4.2.

[17] Act. 4.29. Col. 4.3. II The. 3.1.

[18] II Cor. 5.20. Act. 26.29.

[19] Col. 4.7. Act. 20.4. II Tim. 4.12. Tito 3.12.

[20] Col. 4.8.

[21] I Ped. 5.14.

EPISTOLA DE S. PAULO APOSTOLO AOS PHILIPPENSES.

Prefacio e saudação.

[Anno Domini 64]

1 Paulo e Timotheo, servos de Jesus Christo, a todos os sanctos em [1] Christo Jesus, que estão em Philippos, com os bispos e diaconos:

2 Graça [2] a vós, e paz da parte de Deus nosso Pae e da do Senhor Jesus Christo.

O amor de Paulo para com os philippenses pelo motivo da sua fidelidade ao evangelho.

3 Dou [3] graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós,

4 Fazendo sempre com gosto oração por vós em todas as minhas orações,

5 Pela vossa communicação [4] no evangelho desde o primeiro dia até agora.

6 Tendo por certo isto mesmo, que aquelle que em vós começou a [5] boa obra, a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Christo;

7 Como tenho por justo sentir isto de vós todos, [6] porquanto retenho em meu coração que todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defeza e confirmação do evangelho.

8 Porque Deus me é [7] testemunha das muitas saudades que de todos vós tenho, em entranhavel affeição de Jesus Christo.

9 E peço isto: [8] que [AJF] a vossa caridade abunde mais e mais em sciencia e em todo o conhecimento,

10 Para que approveis [9] as coisas excellentes, para que sejaes sinceros, e sem escandalo algum até ao dia de Christo;

11 Cheios de fructos de justiça, [10] que são por Jesus Christo, para gloria e louvor de Deus.

A prisão de Paulo contribue para o proveito do evangelho.

12 E quero, irmãos, que saibaes que as coisas que me aconteceram contribuiram para maior proveito do evangelho.

13 De maneira que as minhas prisões em Christo foram manifestas em [AJG] toda [11] a guarda pretoriana, e em todos os demais logares;

14 E muitos dos irmãos no Senhor, tomando animo com as minhas prisões, ousam fallar a palavra mais confiadamente, sem temor.

15 Verdade é que tambem alguns prégam a Christo por [12] inveja e porfia, mas outros tambem de boamente.

16 Uns por amor, sabendo que fui posto para defeza do evangelho.

17 Mas outros, na verdade, annunciam a Christo por contenção, não puramente, [13] cuidando accrescentar afflicção ás minhas prisões.

18 Mas que importa? comtanto que Christo seja annunciado em toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, n’isto me regozijo, e me regozijarei ainda.

19 Porque sei que d’isto me resultará salvação, [14] pela vossa oração e pelo soccorro do Espirito de Jesus Christo,

20 Segundo a minha intensa expectação e esperança, [15] de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Christo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida seja pela morte.

21 Porque para mim o viver é Christo, e o morrer é ganho.

22 Mas, se o viver na carne este é o fructo da minha obra, não sei então o que deva escolher.

23 Porque de [16] ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de ser desatado, e estar com Christo, porque isto é ainda muito melhor,

24 Mas julgo mais necessario, por amor de vós, ficar na carne.

25 E confio n’isto, [17] e sei que ficarei, e permanecerei com todos vós, para proveito vosso e gozo da fé.

26 Para que a vossa [18] gloria abunde por mim em Christo Jesus, pela minha nova ida a vós.

Exhortação á perseverança, ao amor fraternal, á humildade e á sanctidade.

27 Sómente vos porteis dignamente [19] conforme o evangelho de Christo, para que, quer vá e vos veja, ou quer esteja ausente, [20] ouça ácerca de vós, que estaes n’um mesmo espirito, combatendo juntamente com o mesmo animo pela fé do evangelho.

28 E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para elles, na verdade, é indicio de perdição, [21] mas para vós de salvação, e isto de Deus.

29 Porque a vós vos foi [22] gratuitamente concedido, em relação a Christo, [23] não sómente crêr n’elle, como tambem padecer por elle,

30 Tendo o mesmo combate, que já em mim tendes visto, e agora ouvis de mim.

[1] I Cor. 1.2.

[2] Rom. 1.7. II Cor. 1.2. I Ped. 1.2.

[3] Rom. 1.8, 9. I Cor. 1.4. Eph. 1.15, 16.

[4] Rom. 12.13. II Cor. 8.1.

[5] João 6.29. I The. 1.3. ver. 10.

[6] II Cor. 3.2. Eph. 3.1 e 6.20.

[7] Rom. 1.9 e 9.1. Gal. 1.20.

[8] I The. 3.12. Phi. 6.

[9] Rom. 2.18 e 12.2. Eph. 5.10.

[10] João 15.4, 5. Eph. 2.10. Col. 1.6.

[11] cap. 4.22.

[12] cap. 2.3.

[13] ver. 7.

[14] II Cor. 1.11. Rom. 8.9.

[15] Rom. 8.19 e 5.5.

[16] II Cor. 5.8. II Tim. 4.6.

[17] cap. 2.24.

[18] II Cor. 1.14 e 5.12.

[19] Eph. 4.1. Col. 1.10. I The. 2.12.

[20] cap. 4.1. I Cor. 1.10. Jud. 3.

[21] II The. 1.5. Rom. 8.17.

[22] Act. 5.41. Rom. 5.3. Eph. 2.8.

[23] Col. 2.1. Act. 16.19, etc. I The. 2.2.

2 Portanto, se ha algum conforto em Christo, se alguma consolação de amor, se [1] alguma communicação de Espirito, se alguns entranhaveis affectos e compaixões,

2 Cumpri o meu gozo, [2] para que sintaes o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo animo, sentindo uma mesma coisa.

3 Nada façaes por [3] contenda ou por vangloria, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.

4 Não attente cada um [4] para o que é seu, mas cada qual tambem para o que é dos outros.

5 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento [5] que houve tambem em Christo Jesus,

6 O qual, [6] sendo em fórma de Deus, não teve por usurpação ser egual a Deus,

7 Mas [AJH] aniquilou-se [7] a si mesmo, tomando a fórma de servo, fazendo-se similhante aos homens;

8 E, achado em fórma como homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até á morte, [8] e morte de cruz.

9 Pelo que tambem Deus o [9] exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;

10 Para que ao nome de [10] Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,

11 E toda a lingua [11] confesse que Jesus Christo é o Senhor, para a gloria de Deus Pae.

12 De sorte que, meus amados, [12] assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausencia, assim tambem operae a vossa salvação com temor e tremor,

13 Porque Deus é o [13] que opera em vós tanto o querer como o effectuar, segundo a sua boa vontade.

14 Fazei todas [14] as coisas sem murmurações nem contendas;

15 Para que sejaes irreprehensiveis e sinceros, [15] filhos de Deus, inculpaveis no meio d’uma geração corrompida e perversa, no meio da qual resplandeceis como luminares no mundo.

16 Retendo a palavra da vida, [16] para que no dia de Christo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.

17 E, ainda que seja offerecido por libação sobre o sacrificio [17] e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós.

18 E vós tambem regozijae-vos e alegrae-vos comigo por isto mesmo.

Elogio de Timotheo e Epaphrodito, os mensageiros de Paulo junto dos philippenses.

19 E espero no Senhor Jesus de em breve vos mandar [18] Timotheo, para que tambem eu esteja de bom animo, sabendo os vossos negocios.

20 Porque a ninguem tenho de tão egual animo, [19] que sinceramente cuide dos vossos negocios.

21 Porque todos buscam [20] o que é seu, e não o que é de Christo Jesus.

22 Mas bem sabeis a sua experiencia, que serviu comigo no evangelho, [21] como filho ao pae.

23 De sorte que espero enviar-vol-o logo que tenha provido a meus negocios.

24 Porém confio [22] no Senhor, que tambem eu mesmo em breve irei ter comvosco.

25 Mas julguei necessario mandar-vos Epaphrodito, [23] meu irmão, e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado, e ministrador nas minhas necessidades.

26 Porquanto tinha muitas saudades de vós [24] todos, e estava muito angustiado de que tivesseis ouvido que elle estivera doente.

27 E de facto esteve doente, e quasi á morte; porém Deus se apiedou d’elle, e não sómente d’elle, mas tambem de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.

28 Por isso vol-o enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza.

29 Recebei-o pois no Senhor com todo o gozo, [25] e tende em honra aos taes.

30 Porque pela obra de Christo chegou até bem proximo da morte, não fazendo caso da vida, [26] para supprir para comigo a falta do vosso serviço.

[1] II Cor. 13.14. Col. 3.12.

[2] João 3.29. Rom. 12.16. I Cor. 1.10.

[3] Gal. 5.26. Thi. 3.14. Rom. 12.10. I Ped. 5.5.

[4] I Cor. 10.24, 33.

[5] Mat. 11.29. João 13.15.

[6] João 1.1, 2 e 5.18. Heb. 1.3.

[7] Psa. 22.6. Isa. 63.3. Dan. 9.26. Rom. 15.3. Eze. 34.23, 24.

[8] Mat. 26.39, 42. João 10.18.

[9] João 17.1, 2, 5. Act. 2.33.

[10] Isa. 45.23. Rom. 14.11. Apo. 5.13.

[11] João 13.13. I Cor. 8.6.

[12] cap. 1.5. Eph. 6.5.

[13] II Cor. 3.5. Heb. 13.21.

[14] I Cor. 10.10. I Ped. 4.9. Rom. 14.1.

[15] Mat. 5.14, 15. I Ped. 2.12. Eph. 5.1.

[16] II Cor. 1.14. I The. 2.19 e 3.5. Gal. 2.2.

[17] II Tim. 4.6. Rom. 15.16. II Cor. 7.4. Col. 1.24.

[18] Rom. 16.21. I The. 3.2.

[19] Psa. 55.13.

[20] I Cor. 15.24, 33 e 13.5. II Tim. 4.10, 16.

[21] I Cor. 4.17. I Tim. 1.2. II Tim. 1.2.

[22] cap. 1.25. Phi. 22.

[23] cap. 4.18. Phi. 2. II Cor. 8.23 e 11.9.

[24] cap. 1.8.

[25] I Cor. 16.18. I The. 5.12. I Tim. 5.17.

[26] I Cor. 16.17. cap. 4.10.

Exhortação a guardar-se cada um dos obreiros maus e a cultivar todos os fructos do Espirito.

3 Resta, irmãos meus, [1] que vos regozijeis no Senhor. Não me é molesto escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós.

2 Guardae-vos dos cães, [2] guardae-vos dos maus obreiros, guardae-vos da circumcisão;

3 Porque a circumcisão [3] somos nós, que servimos a Deus em espirito, [4] e que nos gloriamos em Jesus Christo, e não confiamos na carne.

4 Ainda que tambem tenho de que confiar na carne; [5] se algum outro cuida que tem de que confiar na carne, ainda mais eu:

5 Circumcidado [6] ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribu de Benjamin, hebreo de hebreos, segundo a lei, phariseo,

6 Segundo o zelo, [7] perseguidor da egreja, segundo a justiça que ha na lei, irreprehensivel.

7 Mas o que [8] para mim era ganho tive-o por perda por amor de Christo.

8 E, na verdade, tenho tambem por perda todas as coisas, [9] pela excellencia do conhecimento de Christo Jesus, meu Senhor, por amor do qual contei por perda todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Christo,

9 E seja achado n’elle, [10] não tendo a minha justiça que vem de lei, mas a que vem da fé em Christo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;

10 Para conhecel-o, e á virtude da sua resurreição, [11] e á communicação de suas afflicções, sendo feito conforme a sua morte;

11 Para ver se de alguma maneira posso chegar á resurreição [12] dos mortos.

12 Não que já [13] a tenha alcançado, ou que seja perfeito, mas prosigo para alcançar aquillo para o que fui tambem [AJI] preso por Christo Jesus.

13 Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado;

14 Porém uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atraz [14] ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prosigo para o alvo, [15] ao premio da soberana vocação de Deus em Christo Jesus.

15 Pelo que todos quantos já somos perfeitos, [16] sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa d’outra maneira, tambem Deus vol-o revelará.

16 Porém, n’aquillo a que já chegámos, [17] andemos segundo a mesma regra, e sintamos o mesmo.

17 Sêde tambem meus imitadores, [18] irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam.

18 Porque muitos andam, dos quaes muitas vezes vos disse, e agora tambem digo, [19] chorando, que são inimigos da cruz de Christo.

19 Cujo fim é a [20] perdição; cujo Deus é o ventre; [21] e cuja gloria é para confusão d’elles, que só pensam nas coisas terrenas.

20 Mas a nossa cidade [22] está nos céus, d’onde tambem esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Christo.

21 O qual transformará [23] o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu efficaz poder de sujeitar tambem a si todas as coisas.

[1] II Cor. 13.11. cap. 4.4. I The. 5.16.

[2] Isa. 56.10. Gal. 5.15. Rom. 2.28.

[3] Deu. 10.16 e 30.6. Rom. 2.29. João 4.23, 24. Rom. 7.6.

[4] Gal. 6.14.

[5] II Cor. 11.18, 21.

[6] Gen. 17.12. II Cor. 11.22. Rom. 11.1.

[7] Act. 22.3. Gal. 1.13, 14. Rom. 10.5.

[8] Mat. 13.44.

[9] Isa. 63.11. Jer. 9.23, 24. João 17.3.

[10] Rom. 10.3, 5. Gal. 2.16.

[11] Rom. 6.3, 4, 5. II Tim. 2.11, 12. I Ped. 4.13.

[12] Act. 26.7.

[13] I Tim. 6.12. Heb. 12.23.

[14] Psa. 45.10. Luc. 9.62. Heb. 6.1.

[15] II Tim. 4.7, 8. Heb. 12.1.

[16] I Cor. 2.6 e 14.20. Gal. 5.10.

[17] Rom. 12.16. Gal. 6.16.

[18] I Cor. 4.16 e 11.1. I Ped. 5.3.

[19] Gal. 1.7 e 2.21.

[20] II Cor. 11.15. II Ped. 2.1. Rom. 16.18.

[21] Rom. 8.5.

[22] Eph. 2.6, 19. Col. 3.1, 3. Act. 1.11. Tito 2.13.

[23] I Cor. 15.43, 48, 49. I João 3.2. Eph. 1.19.

4 Portanto, meus amados e mui queridos [1] irmãos, minha alegria e corôa, estae assim firmes no Senhor, amados.

2 Rogo a Evodia, e rogo a Syntyche, [2] que sintam o mesmo no Senhor.

3 E peço-te tambem a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam [3] comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.

4 Regozijae-vos sempre no [4] Senhor; outra vez digo, regozijae-vos.

5 Seja a vossa equidade notoria a todos os homens. [5] Perto está o Senhor.

6 De nada estejaes solicitos: [6] antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e supplicas com acção de graças.

7 E a paz de Deus, [7] que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Christo Jesus.

8 Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amavel, tudo o que é de boa fama, [8] se ha alguma virtude, e se ha algum louvor, n’isso pensae.

9 O que tambem aprendestes, e recebestes, [9] e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será comvosco.

Paulo agradece aos philippenses os dons recebidos. Saudações finaes.

10 Ora muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; visto que vos tendes lembrado, [10] mas não tinheis tido opportunidade.

11 Não o digo como por necessidade, [11] porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.

12 Sei estar abatido, [12] e sei tambem ter abundancia: em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruido, assim a ter fartura como a ter fome, assim a ter abundancia, como a padecer necessidade.

13 Posso todas [13] as coisas n’aquelle que me fortalece.

14 Todavia fizestes bem em tomar parte na minha [14] afflicção.

15 E bem sabeis tambem vós, ó philippenses, que, no principio do evangelho, quando parti da Macedonia, [15] nenhuma egreja communicou comigo em razão de dar e receber, senão vós sómente;

16 Porque tambem uma e outra vez me mandastes o necessario a Thessalonica.

17 Não que procure dadivas, mas [16] procuro o fructo que abunde para a vossa conta.

18 Mas tudo tenho recebido, e tenho abundancia: estou cheio, depois que recebi de Epaphrodito o [17] que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e [18] sacrificio agradavel e aprazivel a Deus.

19 Porém o meu Deus, segundo as suas riquezas, [19] supprirá todas as vossas necessidades em gloria, por Christo Jesus.

20 Ora ao nosso Deus [20] e Pae seja gloria para todo o sempre. Amen.

21 Saudae a todos os sanctos em Christo Jesus. [21] Os irmãos que estão comigo vos saudam.

22 Todos os sanctos vos saudam, mas principalmente os que são da casa [22] de Cesar.

23 A graça [23] de nosso Senhor Jesus Christo seja com vós todos. Amen.

[1] cap. 1.8 e 2.16 e 1.27. II Cor. 1.14.

[2] cap. 2.2 e 3.16.

[3] Rom. 16.3. cap. 1.27. Exo. 32.32. Dan. 12.1. Luc. 10.20.

[4] Rom. 12.12. cap. 3.1. I The. 5.16. I Ped. 4.13.

[5] Heb. 10.25. Thi. 5.8, 9. II The. 2.2.

[6] Pro. 16.3. Mat. 6.25. I Ped. 5.7.

[7] João 14.27. Rom. 5.1. Col. 3.15.

[8] I The. 5.22.

[9] Rom. 15.33 e 16.20. I The. 5.23. Heb. 13.20.

[10] II Cor. 11.9.

[11] I Tim. 6.6, 8.

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